Mostrar mensagens com a etiqueta trabalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta trabalho. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de maio de 2026

Limpar a ventoínha do computador pode ser FÉRIAS

 

Em inglaterra ontem foi feriado. Pretendia trabalhar mas o meu nome não entrou na lista de selecionados. Não trabalhei na Páscoa nem em qualquer outro feriado, por isso estava a contar que este "não me escapava". Mas enganei-me. Ao questionar o motivo, foi-me dito que o que conta são as horas extra feitas nas duas semanas anteriores ao feriado. E como eu estou sempre a trabalhar... não tive direito ao feriado. 

Não é justo. Porque os "mandriões" que não querem se esforçar metem o seu nome na lista e tiram todos os benefícios. São sempre os "espertinhos" que se dão bem, fazem pouco e ganham mais. 

Trabalhar num dia de feriado no Reino Unido atrai muita gente. No meu local de trabalho quem trabalha num feriado tem duas opções: Ganhar o dobro ou.... escolher ter mais férias. Se uma pessoa trabalhar quatro horas, seis, dez num feriado - fica com essas horas acrescentadas as férias. E quem é que não quer um dia extra de férias?? Dá tanto jeito! 

Fiquei por casa e tem estado muito calor. 32 graus ou mais. Dentro do quarto devem estar mais dez do que está lá fora! É uma autêntica sauna e fica-se sempre a transpirar. Mas tirando isso, dei por mim a fazer exatamente o que me apeteceu. E foi como se tivesse tido férias!

É verdade. A rotina de trabalho, mês após mês, impõe um dia de descanso. Em teoria podemos descansar uns dias por semana. Mas, na realidade, não existe descanso. É um perpétuo 24h de trabalho. 

Na prática não tenho tempo a sobrar ou energia para coisa alguma. Não cozinho porque não há tempo, não há forças. Custa ficar de pé. A única coisa que apetece é descansar o corpo. O trabalho consome tudo isso, e consome bastante! É um trabalho muito físico, exigente tanto como um jogo de futebol profissional - em que os jogadores têm de correr em campo por duas horas com uns minutos para intervalo. Só que no emprego, o esforço não dura apenas duas, três horas. Mas três ou quatro vezes mais. Não há pré-aquecimento é logo "entrar a matar". Também se tem um "intervalo" para "recuperar" mas não faz grande diferença. E temos "jogo" todos os dias. Além da desvantagem que o ordenado não é grande coisa. Em suma: o desgaste físico é real, é sentido e pode ficar para a vida. 


Dei-me conta da real situação porque, ao ficar em casa no Domingo e na Segunda-feira - dois dias INTEIROS, essa excepção me fez ver o que tenho vindo a me privar: de tempo para mim. Ter tempo para fazer coisas simples, como organizar a roupa, empacotar as suculentas, arrumar um pouco "aqui e ali" sem me sentir demasiado exausta e sem energia para a mais simplória das tarefas. 

Olhei para as suculentas e disse para mim: "vou fazer vasos agora" - e andei a mexer na terra e a colocar as mudas. Olhei para uma peça de roupa e decidi organizar a roupa nas gavetas e fazer uma selecção. E o mais surpreendente que resultou no maior benefício: "arranjei" o meu computador. 

Este tem estado "esquisito". A imagem do ecrã "salta" que parece um sapo. Tem alturas que não salta, como agora, mas tem outras que sim e nos últimos dias tem estado a tremelicar que nem um sapo saltitante e com Alzheimer.  Acho que isso tem a ver com a actualização dos drivers, mas como o computador já tem alguns anos, já nem se faculta atualizações. Andei a "mexer" no software e acabei por escolher "settings de fábrica" (?) mas não fez diferença no «tremelique». Contudo piorou numa coisa: o computador passou a desligar-se automaticamente. O meu último post sobre a AI foi todo ele feito com o computador a desligar-se. A reação aos comandos por vezes também não existe, o rato deixava de funcionar, clicar para abrir ou fechar uma janela não obetia reação. Acho que piorei o desempenho mas isso tem resolução fácil. 

Porém tem uma característica do computador que me apeteceu ir ver. Faz já uns dois anos que o computador aquece bastante. Ao ponto de poder queimar. Tenho-o sempre elevado, sem estar assente numa superfície (comprei uma espécie de suporte) para o ar circular e, por causa dos "tremeliques" e dos 32 graus lá fora, tinha uma ventoinha diretamente apontada para debaixo do computador, de modo a ajudar no esfriamento. 

Ontem cansei-me de tudo: desliguei todos os cabos, flipei o computador e com a chave de fendas comecei a desaparafusar a base. Ia limpar a ventoinha e dar uma olhada, podia ser que encontrasse um cabo meio solto, meio derretido... sei lá. Precisei ir ver. 

O computador por dentro estava impressionantemente limpo. Embora não o tenha desmontado na frente onde está o teclado - porque aí, Jesus! Até ia gostar de limpar mas dá mais trabalho e é mais sensível desmontar pelas juntas do ecra não é aconselhável. Julgava tê-lo partido num dos cantos mas depois percebi que estava aberto por lhe faltar um parafuso. Encontrei um por acaso e remediei a situação. Até hoje não sei como eu regressei de férias e fui encontrar o computador sem um parafuso! E depois procurei esse parafuso por toda a parte e não achei. Tenho a sensação de ter dado uma "joelhada" no computador sem querer antes de partir para férias o ano passado - mas isso não remove parafusos. Geralmente parte e racha os ecras! Preferi achar que deve ter sido algo do género. 

Acabei a limpar a ventoinha - primeiro ainda "anexada" ao computador mas depois dei uma olhada no cabo, achei que podia desligar, desliguei e limpei a ventoinha com muito mais rigor e facilidade. Resultado: tirei o pó que estava afixado entre a abertura do hardware e a ventoinha. Com escovas e pinceis fui limpando o pó fino e voltei a colocar tudo no lugar. 

A ventoinha... agora até suspeito que nem funciona!!
Porque não a oiço. Totalmente silenciosa. Fazia um ruído que... parecia um motor... E agora, silêncio. Só escuto o barulho das teclas a serem pressionadas, ahah!



Uma coisa tão simples - e aconselhável de fazer: limpar a ventoinha de refrigeração. E nunca me deu para fazê-lo. Ou se fiz neste computador, já esqueci. Sei que o abri outras vezes, para tentar perceber a origem do calor - ele tem dois enormes cabos de cobre que achei super interessantes. Todo o calor vinha dali. Agora.. já está ligado há duas horas e o computador está normal ao toque, não está quente. 

Não costumo desligar o computador nunca. Mas como este estava a desligar-se sozinho - preferi por uma questão de precaução, desligá-lo. Tenho estado a trabalhar nele e estou a gostar: não aquece e o "tremelique" não apareceu. 

Quer dizer: eu sei que ainda cá está porque o monitor faz, de facto, uma ocasional "sombra" à qual já me habituei - que é quase impercetível. "Duplica" a imagem. Mas é ténue. Atribuo este ténue tremer a factores de software. Penso que não seja avaria física. Provavelmente alguma incompatibilidade de sistemas e quando deixam de disponibilizar actualizações é natural que software não actualizado não seja muito compatível com outros produtos que se possam instalar e até o próprio sistema operativo do windows, que também não é mais actualizado pela Microsoft. Esse é o "tremelique" «normal».



E o que estava a acontecer era tudo menos ténue, era bem visível, impedia o uso do computador, impedia até ler um texto ou o que fosse!  

LIMPAR A VENTOINHA!!!
Fez-me sentir em férias.

Poder resolver coisas que tinham de ser resolvidas mas para as quais faltava tempo e ENERGIA. É isso a que chamo férias. Ter TEMPO. Férias é ter tempo!!!

Aconselho a todos que limpem a ventoinha do computador ou mandem fazer. Principalmente se notarem que faz mais ruído ou que o computador aquece mais que o habitual. Porque faz uma diferença substancial. Pelos vistos até pode ser responsável por sintomas que mais facilmente seriam ligados a avarias. 

Ainda conto com o retorno dos "tremeliques" mas.. a preocupação está no desligar constante. Isto das atualizações... a ver vamos. 

PS: voltou a desligar-se, assim que o computador fica sem ser usado. 



quinta-feira, 19 de março de 2026

Misogenia

 

No emprego quando comecei a fazer uma determinada tarefa, notei uma mudança de comportamento por parte do "grupo" de pessoas com quem ia "partilhar" aquela tarefa em particular. 

O que comecei a fazer foi CONDUZIR. 

A conduzir uma máquina. A maioria daqueles que vejo a conduzir tais máquinas são homens. Até então nunca me tinham feito sentir tanto como uma mulher. Pessoas que antes falavam comigo e me cumprimentavam à vista, deixaram de me falar de imediato. Adotaram uma expressão carrancuda. E, pelas costas à mínima coisa que acham que podem apontar, vão ter com o gerente para apontar uma "falha" minha. São tão inseguros e se sentem tão ameaçados por mim a esse ponto. Ao ponto de o meu género feminino os incomodar! Talvez por acharem que o que fazem é super especial e distinto para o seu grupo: o masculino. E que nenhuma mulher deveria se introduzir naquela área. Escutei coisas como "aprende a conduzir!", e "estacionas como uma mulher". Mas de tudo o que é dito, é o que não é dito que é mais revelador. É o comportamento e a linguagem corporal. As contantes "caretas", a atenção prestada a cada movimento meu para ver se há algo que podem ir a correr apontar a um gerente - o esforço embutido para tentar me excluir daquele meio que, claramente, tomam como o seu território e pensam que têm legitimidade para selecionar quem merece ali estar e quem não. 



Estava a ver um documentário sobre acidentes de aviação e no Nepal um avião caiu do céu porque um comandante com mais experiência, que não estava naquele vôo no comando do avião, decidiu "instruir" a comadanta. Acabou que se distraiu e não percebeu que mudou a alavanca das hélices para a posição "neutro". O avião deixou de ter como se sustentar e acabou por cair, morrendo todos. Um dos passageiros estava em "live stream" - a transmitir em direto e acabou por registar a sua morte. 

O tempo todo eu estava a pensar: Este comandante está a dar tantas ordens e a decidir coisas porque está diante de uma mulher. Vê uma mulher, pensa que ela lhe é inferior. Ao mesmo tempo que pensei isto, percebi que a sociedade no Nepal é mais aberta para capitãs. Porque a senhora era a esposa de um piloto que havia falecido num acidente. Ela não era piloto até que ele faleceu. Ela tornou-se piloto de avião em honra ao marido, depois do seu falecimento. E no geral era admirada e muito respeitada por isso. Portanto, parece-me que a sociedade Nepalence é, provavelmente, bem mais aberta a ter mulheres em funções geralmente exclusivas para homens do que a Britânica. 

Durante os 10 anos em que viajo de avião, nunca que um deles foi pilotado por uma mulher. Sempre um homem. Tomamos isso como "normal". Mas será que é normal? Não, não é. É um sinal camuflado do que eu mesma vim a sentir no meu local de trabalho. 

Claro, há pessoas lá que me admiram e me elogiam imenso. Não por ser mulher mas por ser boa no que faço. "Fizeste essa curva muito bem! És boa a conduzir. Nunca vi ninguém fazer isso tão bem. A maneira como fizeste essa curva foi a melhor que alguma vez vi. Muito bem, eu não faria melhor" - são expressões que já escutei. 

Portanto há quem não se sinta ameaçado e há quem não se sinta intimidado. Mas há também os que sentem tudo isso. E esses também estão por detrás do volante. Acham que são especiais, melhores que os outros. E vem alguém que eles, assim se vem a descobrir, consideram inferior e é capaz de executar as mesmas funções? Ah, então não o poderá fazer bem! E qualquer coisinha que fizer menos correta vai ser apontada junto ao gerente que é para passar bem essa mensagem

Sou boa, mas não sou perfeita. Ainda estou a "domar" a máquina. Mas eu e máquinas, geralmente, sempre nos damos muito bem. Agora dispensava a existência de machos tão inseguros e fracotes como alguns que por lá andam. Se sabem o que fazem e confiam nas suas competências, não deviam sentir-se minimamente incomodados. Será que não percebem que se estão a evidenciar como misóginos? Meros indivíduos inseguros, que não vêm as mulheres como iguais, que só se sentem confortáveis se o seu círculo de "machismo" não for perturbado. E deixem-me vos dizer: eles, os misóginos, têm todos os defeitos que gostam de atribuir como traços marcantes femininos: estão sempre a falar uns com os outros. Param o trabalho, descem do veículo para conversar com alguém. Andam uns metros, param novamente para conversar com outra pessoa. "Desaparecem" e não se percebe por onde andam só se percebe que o trabalho não está a ser feito. E a gerência naquele sítio... não vê. Ou se vê, fecha os olhos. No geral os gerentes atuam com base na regra principal: "Não quero chatices". Chamar alguém que trabalha há muitos anos ali à atenção, é puxar sarilhos. A pessoa pode não gostar e fazer a vida deles muito difícil. Puxar outros para esse meio. Ir ao sindicato fazer queixa e armar uma dor de cabeça. Então os gerentes não fazem nada, deixam andar. Só se "esticam" com pessoas com quem não estabeleceram uma relação mais próxima, as quais não temem por não as verem como pessoas capazes de ir de imediato fazer queixa ao sindicato e sobretudo para satisfazer os caprichos dessas mesmas pessoas que têm medo que lhes dêm dor-de-cabeça. 

Quanto a pilotos mulheres: partilhei casa por pouco tempo com um rapaz que estava a treinar para pilotar aviões da Easyjet. Ele tinha uma namorada e me disse que também ela treinava para piloto. Afirmou que eles (a companhia) pretende ser mais inclusiva e que tinha, talvez num grupo de 25, uma mulher. Tentam... mas não muito, entendem? É só mesmo PARA INGLÊS VER. 

E depois falamos de países menos desenvolvidos que a Grã-Bretanha, esta potência económica que já conquistou outros mundos, que é tão desenvolvida e em termos de misogenia... 

Onde está o progresso? 
Faz mais de um século que a mulher sufragista surgiu para ser vista como um ser humano igual ao seu semelhante em direitos. Elas sempre desempenharam papéis vitais na sociedade, ainda que por detrás de um homem. É que a mulher é pouco dada - a meu ver, à necessidade de aparecer. Ela sabe o seu valor sem precisar de o ostentar aos olhos dos outros. Só pessoas inseguras e que se sabem ou sentem sem valor algum sentem essa compulsividade. 


sábado, 3 de janeiro de 2026

Aprendizagens de vida - para quem as procura

Têm arrependimentos?

Que arrependimentos são esses?

Não tenho arrependimentos. Isso não quer dizer que esteja satisfeita com a vida que tenho. Ou ache que fiz tudo bem. Sei que existe uma outra vida, toda ela mais excitante mas mais importante, mais de acordo com a minha pessoa que nunca cheguei a viver. Contudo, esta constatação, por vezes diária, não me faz sentir pesar ou arrependimento. Talvez porque não dependeu tanto de mim. Eu fiz uma escolha inconsciente: uma escolha de carácter, de personalidade. De altruísmo. 

Bom, mas um artigo recente que li fez-me desejar falar sobre este assunto que é a VIDA. Pode ser que ajude alguém por aí. 


Quando meu avô faleceu, um familiar havia discutido severamente com ele horas antes. Provavelmente causando-lhe um mau estar que contribuiu para o desfecho final. Um outro familiar que vinha a manter distância confidenciou-me sentir-se "mal" por o ter "despachado" ao telefone no dia dos seus anos e também por ter tomado a decisão de não comparecer na reunião familiar que ocorreu dias antes do seu falecimento. Meu avô já tinha tido uma "ameaça" cerca de um mês antes. Há qual os familiares, no geral, deram pouca importância e demonstraram ter pouca paciência e disponibilidade para o transportar de carro até ao hospital, visto que várias chamadas para o 112 só devolviam a informação de "não haver ambulâncias".  

Foto: Pedro Correia (TSF)

Foi depois dessa altura que ele exibiu alterações de comportamento que achámos estranhas e fora de costume, mas nada de extraordinário: ia-se desfazendo de coisas, queria dar o animal que tinha acabado de arranjar como companhia e mandou desligar o telefone terrestre. 

Foi um dos primeiros no bairro a instalar um. Era sempre à casa dele que os vizinhos batiam na porta, para poderem urgentemente comunicar com alguém. Isto pode parecer uma realidade alienígena, impossível de conceber nos dias de hoje - dias de telemóvel/celular que faz de tudo: guarda nossos documentos, é nossa carteira, nosso telefone, nossa rede social, nossa comunicação com o mundo e nosso diário. Mas não há tanto tempo assim um simples telefone era um "luxo" não disponível a famílias comuns, de baixo poder económico. 

Hoje vejo que ele estava a antecipar o inevitável. Sentiu que o seu fim estava próximo e, como a pessoa íntegra que era, embora nem todos que lhe eram próximos fossem capazes de lhe reconhecer esse traço em particular, tratou de deixar tudo "nos conformes" para não impor aos que ficam quase nenhum empecilho. Deu o cão a outra pessoa. Ele, que sempre gostou e manteve animais perto de si. Mandou desligar o telefone fixo. Tinha tudo pago e não deixou dívidas. Deixou uma casa de três quartos no centro de Lisboa que foi paga com anos de trabalho para ali poder criar uma família de seis e, alturas existiu que se transformaram em sete, oito, nove... Deixou esse imóvel de "herança".  Que, como quase sempre, os filhos também não souberam valorizar, cada qual já tendo suas casas. Até "desprezavam" de certa forma devido a memórias menos boas de desentendimentos às quais  as pessoas teimam em segurar e associar a espaços. 

Depressa o recheio da casa foi colocado no lixo, como se valor algum tivesse um pequeno bibelô, os conjuntos de chá mantidos sem uso na vitrine, quadros que sempre se mantiveram pregados nas paredes a adornar o espaço, os copos que serviram a mesa de incontáveis natais, etc. Depois a casa foi vendida, o valor distribuído e em menos de três meses, já alguns dos filhos diziam não ter dinheiro para coisas simples e pouco dispendiosas. Provavelmente usaram o valor do que um dia foi uma casa para pagar dívidas acumuladas ou gastaram em coisas supérfluas. 

Pessoalmente faz-me confusão como uma CASA - algo que ainda hoje luto para conseguir, algo tão difícil de obter, pode se transformar em NADA em tão pouco tempo e com tanta facilidade. 

Bom, mas meu avô partiu e, no inverno em que isso aconteceu, a chuva parou de cair e o sol apareceu. Para quem é sensível a estas coisas, para mim interpretei a súbita e inesperada mudança de clima como sinal da sua ida para o "outro lado". O céu estava de um puro azul lindo. As pessoas, alegres, até deixaram de lado os casacos compridos, os guarda-chuvas e usavam - pasme-se: T-shirts! 

Lembro-me de estar sentada algures no Parque das Nações, após o funeral - mais um dia de SUPER SOL de Inverno, ver as pessoas de t-shirt, alegres com o sol... e pensar: como pode? Sinto tanto pesar e ninguém deteta... as pessoas estão felizes. 

E é assim que devemos nos comportar na vida: Com felicidade. 
Porque a vida é mesmo uma passagem num plano. Parece promissora, longa. Parece que dá tempo para "tudo e mais alguma coisa". Mas desconfio que não é assim. Pelo menos não é assim se viveres a vida a adiar coisas que pretendes fazer. Coisas que queres fazer "um dia". Como por exemplo uma viagem a um país exótico, a compra de algo em particular, um emprego ou hobbie que pretendes experimentar... tudo ADIADO, porque a sociedade materialista e de consumo em que vivemos soube muito bem nos incutir que a prioridade é a "sobrevivência" do sistema económico, que depende de "formiguinhas" trabalhadoras que contribuam para o PIB do país. Serão recompensadas na idade avançada, com uma reforma e então poderão "usufruir" das coisas boas da vida sem qualquer dever ou amarra trabalhista. 

Só que não é assim! Quando somos novos e saudáveis parece até aceitável... porque ainda desconhecemos as consequências que o esforço contínuo e repetitivo de uma tarefa laboral impõe no corpo. O que sentimos é vigor, estamina, capacidade para conquistar e fazer de um tudo! Mas essa consciencialização altera-se com o tempo. A mente pode até querer correr, subir colinas, carregar mochilas pesadas ás costas em aventuras... mas quase com 70 anos... isso não vai ser possível. Okay?

Portanto, gozem a vida agora. Tenham responsabilidade sim, um emprego estável se possível é hoje uma benção - mas retirem sempre, todos os dias, umas horas para gozar do "nada" que é tudo. Gozar da Natureza. Do silêncio. Da ausência de computadores, redes sociais, tecnologia... Façam com que essas horas entre um compromisso e outro vos faça sentir revigorados. Não passem o fim-de-semana a descansar o corpo moído e cansado. Embora seja o melhor que se pode dar ao corpo - a mente vai sentir falta de nutrientes. Visitem antes um museu. Aqui em Portugal são tantos, tão interessantes e muitos gratuitos! 


Subitamente deu-me vontade de rever a "lula gigante". Lembram-se disso? Nas visitas de estudo da escola, quando somos meras crianças, fui levada ao aquário Vasco da Gama e lembro de olhar para uma vitrine onde estava uma Lula Gigante. E ver tartarugas ao vivo, num lago circular e murado. 

Hoje apetece-me reviver essa experiência. Não vos parece um PRIVILÉGIO poder fazer tal? Passados tantos anos, décadas, um museu é ainda uma memória viva de um momento, disponível para proporcionar muitas mais. 

E é assim que se vai vivendo um pouco.

Vivam. 
Para não sentirem arrependimentos, com felicidade, bondade no coração, alegria, solidariedade. 


  

domingo, 27 de agosto de 2023

Acusei Positivo

 

Acusei positivo para Covid faz dois dias. Tenho me sentido... como uma pessoa com Covid se sente. Embora presentemente consiga respirar pelo nariz, o sintoma mais problemático é mesmo a forma como nos sentimos. Dor de cabeça, suor pelo corpo, tosse, nariz a pingar, garganta a arranhar, olhos inchados. Mas o pior dos sintomas é mesmo a sensação incómoda na base das costas. Consigo continuar a rotina mas é essa impressão lombar que não me permite ser muito eficiente. Para piorar a situação, ao mesmo tempo apareceu também "aquela altura do mês". O que acho que não é coincidência, pois jamais esqueço que ambas as vacinas anteciparam " a altura do mês" assim que as levei. 


De momento estou com as costas viradas para o sol. Quando este não desaparece atrás de uma nuvem. O malandro escondeu-se e não me deixa usá-lo para me curar. 

Pensa-se que o Covid "já foi" mas não. Ele nunca vai desaparecer. Em Inglaterra o clima está misto: chove e faz sol várias vezes ao dia. Já é inverno, sem nunca ter sido verão ou primavera. A minha necessidade por férias de verdade abrange tudo isto. Mas não vai acontecer. 

Estou à espera... só o tempo fará com que me sinta melhor. O bom em apanhar novamente Covid é que, penso eu, agora não apanho mais! São duas semanas a um mês - se bem me lembro, para recuperar em pleno. Mas eu quero recuperar de imediato. Sexta-feira quando fiz o teste - daqueles caseiros pois adquiri bastantes e armazenei-os, fui trabalhar. Tentando passar por pessoa saudável e mantendo as distâncias. Na realidade, estava a sentir-me estranha mas apta. A febre tinha desaparecido e senti-me, tirando o peso nas costas, bem. Quando entrei no autocarro regresso a casa não tossi. Controlei-me. Não respirei para cima de pessoas. Não abri a boca. Mas uns tipos que sentaram atrás de mim não paravam de falar e um tossiu sem cobrir a boca. Olhei para trás. Queria que tivesse consciência do gesto. Eu estava positiva e se tossisse provavelmente teria transmitido o virus. 

Ninguém aprendeu NADA com o Covid! Inglaterra jamais terá o civismo da China ou do Japão neste sentido. Aqui tudo é para "inglês ver". 

Regressei ao uso da máscara - o que aqui continua a conceder-te "funny looks" como disse um colega que diz que a usa quando vai às compras. E é mesmo verdade. Se colocas uma máscara no rosto, as pessoas olham para ti como se tivesses lepra. Alguns, se pudessem, atirariam pedras. Não se aprendeu NADA com os 2 anos de pandemia. 

Trabalhei o sábado inteiro e teria ido hoje, Domingo, também. Não fosse terem-me PROIBIDO. 

Sim, proibido... Hoje era o Domingo que eu mais ansiava. 9 horas de trabalho garantidas! Um doce. Eu adoro trabalhar aos Domingos e não fiz nenhum segredo disso. Talvez tenha sido o meu erro, pois sempre que podem, os tipos fazem de tudo para me tirá-lo. 

A JUSTIFICAÇÃO  que me deram é que não posso trabalhar 7 dias seguidos sem teruma folga. Até acreditaria nisto, não fosse o estar a trabalhar todos os dias faz três semanas. Então porquê só agora é que lhes está a fazer espécie? Desde que me deixem, eu vou trabalhar. Não sou uma pessoa que quer "apanhar tudo". Tenho um horário de merda - que não me permite pedir overtime muitas vezes. Então só posso fazer OT três dias da semana + o Domingo. Os outros dias não tenho como. Eles não dão overtime a quem trabalha de tarde. Se derem, é para a noite e fazem-te esperar 4 horas entre um turno e outro. Ridículo, passar 12 horas no emprego para receber apenas 8.

Isso sim, é que não te deixa descansar adequadamente. Anda-se sempre cansado, com a sensação que só se faz é trabalhar mas depois, financeiramente, não se vê o resultado porque as horas pagas não foram muitas. 

Não gosto dos turnos de 4h - são exasperantes para mim. O tempo não passa, parecem que duram sete dias! São monótonos. turnos de 8h, adoro. Por vezes chegam ao fim e nem dei conta do tempo a passar. Porque foi intenso. 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Todas as cidades sao iguais

 Estou a precisar quebrar a rotina aqui em Inglaterra. Apetece-me conhecer lugares novos. Um autocarro dizia ter como destino Sutton e decidi pesquisar a cidade no google. 

Surge um conjunto de imagens que se renovam a cada tres segundos. Claro, sao imagens que reflectem o melhor que a cidade tem para oferecer. Surge uma fotografia aerea da topografia e quatro ou cinco imagens de diferentes parques relvados.

A vontade de visitar o lugar desaparece. Nada de diferente. Nem um museu, um restaurante, uma loja pitoresca, uma igreja. 

Só reforça a minha impressão que todos os locais aqui em inglaterra sao identicos. Nao existe singularidade. Quem visita um basicamemte vai encontrar o mesmo em todos os outros. As mesmas lojas, a mesma toponimica, as mesmas casas construidas com os mesmos materiais e com a mesma arquitectura.

Depois lembrei-me do comentário que escutei de um colega ingles noutro dia. À saida do trabalho, lamentei estar a chover e disse: "Mas o que se passa com este tempo britanico que nao para de chover?"

-"ENTÃO O QUE É QUE ESTÁS AQUI A FAZER?" - disparou ele, com reprovação na voz e denunciando um pouco de aversao a estrangeiros.


Como se um simples lamurio sobre a chuva não fosse um comportamento curriqueiro comum a todos por toda a parte. Principalmente quando nao se ve um raio de sol faz mais de um mes (e ja e primavera).  Reagiu como se fosse um ataque ao seu pais. 

Subitamente, tive a resposta aquela "pergunta" dele: "O que estás aqui a fazer?", ao constatar que todas as cidades em inglaterra sao iguais. 

Estou aqui pelo mesmo motivo que ele. Para trabalhar com o status de colarinho preto. Só que ele nasceu aqui e nao conhece diferente. Eu nasci noutro lugar e conheço. 


Estou aqui - percebi, porque Inglaterra nao passa de uma grande fábrica industrial. Estou aqui para trabalhar nessa fabrica, como quem muda para os alojamentos providenciados por uma unidade laboral. Inglaterra ser tao e somento isso, está nestas cidades uniformizadas, na ausencia de diversidade de produtos (como os meus iogurtes prediletos cujo sabor nao existe aqui), nos parques todos iguais para criar a ilusao de escape que nao esta realmente ali. Barato e quase sem manutencao. Para manter os operarios felizes nos seus curtos minutos de lazer. 

Cinco anos e ainda não se vendem estes iogurtes em inglaterra. Pelo menos eu não os encontro. Os ingleses estão limitados a um número mínimo e repetitivo de sabores. 

Inglaterra e uniformizada. Pelo menos para as massas. Tratam o povo como se nao merecesse melhor. Fazem pior que isso: nao os deixam SABER que ha melhor. Wue devem solicitar melhir. A srmelhanca dos EUA, dizem-lhes wue estao na melhir nacao da livre europa e por isso devem agradecer suas bencaos.

Nada podia estar mais longe da verdade. Por vezes, a proclamada liberdade em paises livres e tao condicionada e a realidade ocultada tanto quanto em paises rotulados de tiranos.


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Cadê a tua scooter eletrica?

 Esta é a pergunta que estou constantemente a ouvir da parte de colegas de trabalho. Durante o expediente mas  principalmente na hora da saída.

Hoje não foi exceção.

Alguém que segura as chaves do carro na mão, barra-me no parque de estacionamento para fazer esta pergunta.

Depois despede-se de mim como já a querer ir embora. Nunca que alguém oferece uma boleia. Por vezes perguntam como vou para o trabalho ou para casa. Posso ate responder "a pé". Onde moras? Quanto tempo leva? "Uma hora, hora r um quarto, dependendo da velocidade que caminho". - respondo.

Uma generosa oferta de boleia, mais que não fosse ate meio caminho raramente se segue.

Esta curiosidade intensa sobre a minha vida não e motivada por querer ser generoso. Não sei porque me cravejam de perguntas. Faz três meses que não uso a trotinete. Avariou. Meus pés, pernas e joelhos voltaram a overdrive. Mas o que mais me aborrece e o tempo que voltei a precisar dispensar para chegar pontualmente  aos locais. 

Agora, que e inverno, a scooter eletrica faz-me falta. Mas tambem me lembro o quanto pode ser um transtorno quando chove ou faz muito frio.

Gostava de yer ummpequeno carro eleteico. De ligar a tomada normal mesmo 😁



Nrm sei se existem. Algo parecido a este dos CTT.

E quando alguém me pedisse boleia, eu ia responder que dou boleia a todos aqueles que mas deram a mim pelo igual numero de vezes. Zero vezes zero é nada.

Aqueles que já ofereceram - raros casos mas existentes, estariam à vontade. Ajudaria só aqueles que se desviar um pouquinho da rota para me deixarem quase a porta de casa. Desses si a minha amiga brasileira e mais recentemente um rapaz e um gerente. Mas são cados raros.

Colegas do dia-a-dia, esses nao se chegam a frente. Muito pelo contrario: parece ate que temem que a pergunta lhes seja feita e fogem rápido para não a terem de ouvir.

Tenho brio. Mesmo querendo se os sinto assim, não lhes peço. Já teve alturas que fui eu a pedir. Mas são mais as ocasiões em que percebes que te evitam para que não possas perguntar.


Quando me vi sair com a scotter sempre me pediam boleia. Claro que nao podia dar, mas sempre escutei os pedidos. Se arranjasse um carro temo ate de pensar quantos, subitamente, viriam falar comigo a pedir pata que os levasse.


O trabalho que fazemos e duro. Estou a caminhar rumo a casa apos um turno. Doem-me as costas. Mal posso esperar para tirar os sapatos. 



domingo, 15 de novembro de 2020

Deem-me espaço, sff!




 Sabem quando só pretendes algo rapidamente, coisa de dois minutos, e nao pretendes encontrar ninguem?

Faz dias que não consigo ficar a sós. 

A casa pode estar silenciosa, sem ruidos de gente de um lado para o outro. Se aproveitar esse instante para ir à cozinha tirar algo do frigorifico com ideias de seguida subir novamente ao quarto, sei que em segundos aparece alguem. 

Nao importa a que horas o tente fazer. Tanto pode ser as três da manha, como as seis e meia. Ou sete. 

Esta gente nao dorme??

Estou a ir ou a chegar do emprego. Cansada. Sabe bem ficar apenas uns minutos sozinha e em silencio, sem que para isso seja preciso ir logo fechar-me no quarto. Tenho horarios noturnos e mais ninguem na casa os tem. Não há realmente justificação para andar a esbarrar em pessoas. Deem-me espaço, sff.

Só eu estou a ir trabalhar. Dois deles tambem podiam fazê-lo mas preferem a preguiça. Porque pagam-lhes na mesma. Então para quê se ralarem? Ficam por casa, desocupados. Vao as compras, vao passear... mas nao saem para trabalhar.

(Discordo totalmente desta postura. Mas isso é um à parte). 

Nesta clausura de ócio deixam de ter o que fazer e com o que se preocupar. Por vezes sinto que descem só para observarem o que posso estar a fazer. Escutam os meus passos a descer as escadas em madeira e decidem vir atras. 

Tambem e quando  lhes da vontade para tossir a grande e a francesa (o rapaz) sem cobrir a boca, porque  isso e para mariquinhas. 

Ou então, quando estou na cozinha, entram como quem nao quer a coisa só para olhar o que faço. 

Quando cheguei do trabalho sexta-feira de madrugada, ainda o dia não tinha raiado, decidi que ia tomar um duche, lavar a roupa e preparar o que comer. Mal ponho  a chave a porta vejo logo o rapaz, a preparar-se para sair pela outra porta para ir fumar. Lá se vai a chance da solidao matinal. Ponho a roupa a lavar na máquina e vou para o duche. O tempo todo oiço ruidos fortes na cozinha. Lá se vai aquele silencio sepulcral e tranquilizador que tanto almejava... 

Quando saio para preparar algo para comer, já não lá esta ninguem. Mas também, empatei-me no duche propositadamente para isso.

Reparo que o micro-ondas foi deixado aberto. Achei por isso que tinha sido a M. A autora dos ruidos que ouvi enquanto estava no duche, porque já presenciei que, pela manhã, ela é ruidosa na cozinha e deixa a porta do microondas aberta. 

Cortei um pao que tirei do frigorífico, estou a enfiar duas fatias na torradeira e aparece-me a M. Que se poe a preparar algo para ela também. Logo me pergunta porquê o frigorifico esta aberto. (Para depois ser ela a deixa-lo assim). Fica ali parada, a olhar para o frigorifico, maos a cintura, com ar de censura. Só o ja começar com as implicancias ja me chateia porque me priva da tranquilade com que sonhava por chegar a casa aquela hora. 

Pao com queijo e torradas nem é coisa para demorar muito a preparar. Mas foi tempo que nao me foi concedido.  Podia ser. Faço questao de os deixar a vontade quando precisam do seu espaço. Podiam fazer o mesmo comigo. Principalmente se sou a única a sair para trabalhar e estou a chegar do emprego, com fome, cansada e são sete da manhã! 

 

              O manipulo da porta das traseiras

Estamos todos a tentar manter a distancia de dois metros devido a pandemia. Quando estou na cozinha lavo o manipulo da torneira com sabao, limpo superficies, nao toco na porta do frigorifico sem ser com um papel guardanapo, caso contrario estou sempre a ter de lavar as maos por de seguida ter de tocar em comida. 

Dai a porta ficar aberta, enquanto retiro o pao, a manteiga e desvio do caminho tudo o que esta na frente, para voltar a encaixar tudo de volta na prateleira que me foi concedida como se um jogo de tetris se tratasse.

A M. Apareceu, abre com as maos a torneira que eu lavei e por esse motivo terei de a lavar novamente ou tocar nela com algo descartável. Tambem tem o habito de falar por cima do tacho de comida que tenho ao lume e esses pequenos gestos acho que sao evitaveis. Numa cozinha pequena em que nos cruzamos para abrir armarios, quando estamos tambem a tentar manter a distancia de dois metros por causa da pandemia. Nao seria mais sensato deixar cada qual usar o espaço à vez?

Eu e a M. Temos muito presente a preocupação de contágio. Ela nao fala de outra coisa. E ate ligou para a linha do Covid a fingir sintomas para receber de graça um kit de teste. Ela teme que o novo rapaz esteja doente. O antigo também. Esta convencida disso.

Por isso somos as que tem mais cuidados ao tocar nas superficies como a porta do frigorifico e a manter as coisas limpas. Mas ela nao nota quando é ela a falhar. So percebe as falhas dos outros. 

Nessa madrugada a M. perguntou-me se estava zangada (porque lhe respondi que o frigorifico estava aberto porque eu o queria aberto) disse-lhe que nao, mas depois mudei para um sim. De certa forma. E apontei para a bancada. Uma gosma vermelha e seca estava em destaque. Mas nao roubava de todo o protagonismo das brancas e das migalhas por todo o lado. 

Vai ela, que sempre diz que é "ele" que deixa tudo sujo e faz gestos e caretas de nojo, sai-se com esta: "ah, esta vermelha acho que fui eu, ontem de noite".

Lol.

Depois da senhora da limpeza ter cá vindo fazer o que lhe compete, o vidro do duche no WC  de cima ficou quase translucido. Durou apenas instantes. Duas horas de M. Dentro do Wc e olhem o resultado:

                         Estas marcas sao do lado de fora!

Limpinha e asseada era a que saiu.
No wc dela este vidro estava sempre translucido.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

E o veredicto do hospital è....

 

Tenho o ombro direito partido.

Ate a enfermeira que me examinou ficou surpreendida. "YOU ARE A TUFF COOKIE", disse ela.

Eu sei que sou. Mas isso nao e necessariamente uma qualidade. No meu caso penso ate ser um defeito. A minha capacidade para medir e qualificar numa escala o nível de sofrimento suportado, tanto emocional quanto físico, nao se desenvolveu adequadamente. E ate sei porque. Como consequência, suporto elevados niveis de ambos.

Primeiro a enfermeira fez-me um exame de toque. Apertou-me o braço desde o ombro ate ao pulso.  Como nao existiu dor ao toque, so um ligeiro desconforto ao ser aplicada muita pressao no ombro, era provavel que se tratasse de uma luxação.

De seguida fui fazer um raio-x. 

Depois de meia-hora a aguardar ser chamada, ela verifica as imagens digitalizadas da radiografia e informa-me que o osso partiu.

"Deve ter caido com o ombro primeiro!"- disse ela, espantada por ser osso quebrado.


O que posso dizer? Foi muito rapido. Num instante estava na scooter, no outro no chao. Tentei avaliar o que aconteceu e procurar reconhecer no meu corpo o estado em que me encontrava. Levantei-me talvez passados uns 15 segundos mas pareceu-me uma eternidade. Toda coberta de pedaços de ramos, folhas e outras sujidades.

A malandra da scooter nao sofreu nem um arranhão. 

Posso dizer que tive sorte.

No meio do azar, nao podia ter tido melhor resultado: um ombro partido mas sem dor e que, Deus querendo e eu fazendo por isso, vai recuperar rapido. Nao em menos de 2 semanas a um mes - disseram.

Vejo isto como uma oportunidade para desenvolver as capacidades motoras da mao esquerda. Para já esta a sair-se muito bem. Consigo vestir-me, trocar de roupa, usar o wc... a mao esquerda e o braco esquerdo tem de ir trabalhar por mim.

A minha grande preocupação é essa. O trabalho.

Regressei ao reino Unido antes da imposicao da quarentena para poder ficar essas duas semanas a trabalhar. Uma imprudência minha pode ter-me trocado as voltas. Nao creio que um ombro machucado va impedir-me de executar as tarefas habituais. O ombro nao está inchado ou apresenta hematomas. Esta normal e equilibrado com o outro. Nao tenho dores. Comprei ibrofene e paracetamol como me foi recomendado pela enfermeira, mas nao sinto necessidade de os tomar. Irei, claro. Sei que pode ajudar. Por isso passei pela prateleira do supermercado e comprei um por 29 centimos e o outro por 40. Sim, centimos... marca branca, claro. 16 unidades por embalagem. Mas mesmo assim... que preco! Espantoso como certas coisas banais sao tao caras e outras mais urgentes sao economicas. 


Sinto-me capaz de trabalhar mas vou seguir as recomendacoes medicas. Acho que seria capaz de ir trabalhar mesmo depois de morta e so descobrir essa condição a chegada do emprego. Ai vou ouvir o S. Pedro informar-me que aquele lugar estranho nao e mais a entrada do meu trabalho. Aquele e o portao de entrada para o ceu.

E eu vou sentir-me assim:

- Não pode ser!!! Eu saí de casa para vir trabalhar! 😂












quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Nao sou uma pessoa matinal

 

São 6.15 da madrugada. O dia ainda está meio escuro. Entro em casa vinda do trabalho e subo para cumprir o há horas desejado: ir ao WC. 

Este está ocupado. Caramba! Chego sempre a horas tão matinais e há sempre alguém que me aparece à frente. É a rapariga que está dentro a tomar um duche. Nunca tenho hipótese. 

Sei que ela vai trabalhar, mas também sei que faz rituais onde inclui "poções" que tem de fazer na cozinha e sei que tem por hábito ali ficar uma hora pela manhã. Nao quero ver gente. Só me apetece um momento de sossego.

Lamento não ter guardado um print que vi na internet recentemente. Dizia mais ou menos assim: "Adoro o cheiro de café pela manhã. nada melhor do que acordar, beber café e relaxar ao som de ninguém a falar comigo".

Ontem, entrei em casa mais tarde: 6.45, vinda de um turno de 12 horas. Cheeeeia de dores nos pés. E assim que chego à porta do quarto para me descalçar e colocar os chinelos, ela aparece-me à frente. Tem este hábito, de aparecer quando a pessoa está com a porta em vias de abrir ou fechar. Pensei que ia trabalhar, mas era o seu dia de folga. Então para quê ficar de pé tão cedo? Que ficasse pela cama a curtir, caramba. E me deixasse ficar sozinha durante os 15 minutos que demorei pela casa a fazer o essencialmente necessário. Ia para relaxar um pouco na cozinha e preparar algo rápido para comer já que no turno de 12h não tive oportunidade. Mas como a vi de pé e sei que ela gosta de cozinhar, fazer fritos e assim, durante cerca de uma hora, desisti da ideia, porque pensei que ia atrapalhar a sua preparação para ir trabalhar. Afinal ficou por casa. Levantou-se e apareceu-me à frente só porque é assim. Acabei por adormecer lá pelas 8h só para acordar pelas 11h com a voz dela e o barulho que faz a subir e a descer as escadas vezes consecutivas, como quem sempre esquece algo e tem de abrir e fechar a porta do quarto novamente. 

Fico um pouco irritada. Não fico de mau humor. Cumprimento a pessoa e sou simpática. Mas preferia chegar a casa aquela hora e nao ver ou ouvir alguem.

E é por isso que reconheço: não sou uma pessoa matinal. O melhor a fazer comigo é deixarem-me estar.

Se ontem irritou-me porque era o final de um turno de 12 horas infernal para os meus pés e queria aquela paz de não haver ninguém acordado, hoje a irritabilidade teve mais factores. Dois muito importantes. O primeiro é hormonal. Já cheguei àquela idade em que, depois da menstruação desaparecer, convem andar precavida com um absorvente, porque a malandra gosta de dar um ar da sua graça dias depois. Pois foi isso que fiz na quinta, sexta, sábado, Domingo, ontem, segunda... Por mais confortável que aquilo seja, um absorvente sai do sítio com facilidade e aquece a zona. Bom mesmo é andar sem. Convencida que já tinha passado tempo seguro, lá fui eu trabalhar, de roupa nova e fresca. Resultado? O malandro deu um ar da sua graça. Mas não teve graça nenhuma! 

Ando sempre com um na mala, mas não hoje. Parece de propósito. Vocês, leitores mulheres, devem entender-me bem. Se vestirem uma peça de roupa nova, ou clara, é quando o "coiso" aparece. É sádico, o gajo. Não só nos deixa assim para o mal, como também prega partidas. 

Fiquei um pouco irritada mas lá me remediei com camadas e camadas de papel higiénico. Assim que chegasse a casa sabia o que ia fazer: tomar um duche, vestir roupa nova e colocar um absorvente. 


E tenho o WC ocupado. (inserir emoji de ira).

Para piorar a situação, sofri um acidente. Caí da scooter, numa ladeira asfaltada mas cheia de cravilha de mato: pedaços de madeira por todo o lado, folhas, terra, etc. O tipo de coisa que a roda motorizada de 8 inches não foi feita para caminhar sobre, menos ainda em descidas. O erro tambem foi meu. Passei ali dezenas de vezes, mas de noite, a descer, foi a primeira. Estava escuro, o caminho nao estava limpo dos detritos da mata e distrai-me com uma bicicleta que vinha a minha frente. Travei e diminuí a velocidade antes de curvar para proceder à descida, mas não alterei a mudança, como sempre faço. A roda dianteira da scooter nao tem aderência entre tanta cravilha e no movimento de curva, a scooter deslizou, tombou para a direita e eu fui junto. Como ia a descer e com a velocidade, a scooter ficou atrás de mim e eu mais à frente. 

O pavimento da ciclovia tambem e cheio de altos e baixos, rachas e buracos. Aqui é um horror! Uma vergonha. Não imaginam. Andar na scooter é passar todo o tempo a manter o domínio da mesma enquanto ela passa por cima destes obstáculos, porque a direcção muda com cada solavanco e é preciso manter o controle. É sensato andar sem tirar os olhos do piso para assim procurar sempre a melhor passagem. Ao mesmo tempo, todos os sentidos têm de perceber a presença e distância dos outros automobilistas e peões à volta. A audição é uma grande aliada mas não é infalível. Costumo mimicar o som de uma buzina para avisar a minha proximidade cada vez que tenho a visão obstruida e alguém pode estar a caminhar no sentido contra mim. Fazer o som de uma buzina "Beep-beep" com a boca resulta. É impressionantemente eficaz. Dispensa o patético som incorporado na scooter que ninguém presta atenção. Além desta atenção, tenho outro cuidado para avisar os outros que estou por perto: uso uma espécie de guizo. Na realidade, é uma chapa de metal solta no tubo, que faz muito barulho com a trepidação quando a scooter está em movimento. Assim aviso que estou a aproximar-me e reduzo a eventualidade de alguém mais distraido ou desatento mudar de direcção no momento em que me aproximo, causando uma colisão. Detestaria magoar alguém, ia ficar a sentir-me péssima. 

Caí bem, meti as mãos à frente mas não saí totalmente ilesa. É impressionante como o nosso cérebro reage numa fracção de milésimo de segundo. Porque não deu tempo de perceber o que ia acontecer: aconteceu. (uma vénia para o resultado de milhares de anos de evolução desde homosapiens até agora, porque algo nos proporcionou esta capacidade fantástica de nos protegermos de danos potencialmente fatais, tendo estes rápidos reflexos por instinto, tal como um gato em queda de uma grande altura).

O meu rosto tocou no chão. Tenho uma marca acima do lábio superior e no queixo. A sorte de não ter sido pior é de louvar. Estava a usar máscara - e não daquelas de papel às quais me rendi faz tempo. Coloquei, para ir trabalhar, uma daquelas com o exterior em plástico. Tivesse sido apenas de fino papel e tinha-se esfolado junto com o resto da minha cara. Olhem o estado sujo em que ficou:

Deve ter protegido o nariz.


Fiquei também com as palmas das mãos esfoladas, mas coisa pouca.Porém, é onde dói mais. O anteabraço direito é que está uma lástima. Foi o primeiro a estabelecer apoio com a superfície. Não o consigo elevar. Custa-me movimentá-lo. Só consigo manter o braço dobrado ao peito ou estendido. Não consigo, sequer, estendê-lo em frente. Não dá. Para despir a roupa foi um martírio. Espero que seja  normal, diante das circunstâncias.  Isso é o que mais quero, mas temo sequelas a longo termo. Os braços são o meu ganha-pão. Toda a actividade laboral que arranjo no Reino Unido depende da minha velocidade e capacidade de mexer os braços. Quero que nao seja nada preocupante. É dar tempo para tirar a prova dos nove. Espero que um dia de repouso me devolva quase todo o movimento natural.

Assim que me ergui da queda, o que queria eu fazer? Ir ao WC, limpar-me e avaliar o meu estado. A vontade era de desinfectar o quanto antes, com betadine, as zonas que tiveram contacto com o asfalto. Feridas abertas em tempo de covid? É mau, não é? Mas teria de chegar a casa, enfiar-me no WC, espreitar no espelho, para realmente saber. E este está ocupado!!



Percebi que só esfolei a pele. Tenho a antebraço, perto do cotovelo, em carne viva, mas só isso.


Faço este relato (e muito mais ficou por relatar) porque ajuda a revelar um pouco o meu quotidiano e porque acho que revela mesmo que, entre ser uma pessoa matinal e não o ser, se dúvidas existiam, acabaram de se dissipar: Sou uma pessoa não-matinal. 


E vocês? A vossa manhã ideal é... ??

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Acho que me vou converter ao Islao


Só para ter as melhores tarefas la no emprego.

Parece impossivel....
Nenhuma senhora de lenço na cabeca se presta as funcoes realmente de esforço fisico. Uma chegou ha quatro noites, tem xa estado sempre sem lhe cancelarem shift algum e so trabalha no facil. Que neste caso é a separacao primaria.

Eu estou nessa funcao, e o manager tira-me do que estou a fazer, para me mandar fazer outra totalmente absurda, somente fisica, que devia ser executada por um homem. Vai demorar imenso tempo a ser concluida  sozinha.

Claro que duas mulheres de Lenco na cabeca tomaram o lugar e a funcao que eu estava a executar e bem.

EU puxo, eu empurro, eu vergo as Costas incontaveis vezes para apanhar packets grandes e minusculos, leves e super-pesados.

Elas atiram... pacotes.


sexta-feira, 22 de maio de 2020

Dia de negas

Puxa, está difícil passar pelo dia de hoje.

22 de Maio devia entrar no calendário como o dia das negas.


Pela noite soube que o quarto caro mas jeitoso que pretendia agarrar deixou de estar disponível. O barato que tinha marcado para visitar, recebi mensagem dizendo que o anunciante nao o disponibiliza mais (o anuncio ainda está on).

Recebi msg cancelando meu turno hoje. Todos esta semana foram cancelados. Tem contribuído para a minha ansiedade.

Envio msg ao gerente perguntando se devo aparecer. Diz que não.

Envio msg ao gerente da noite que há um mes garantiu-me que sempre nos dava trabalho. Nem respondeu.

Recebo msg da agencia a dizer para aparecer as 18. (Mais um turno reduzido para metade). Das 40h que esperava ter esta semana, fiz 16h. Depois recebo mensagem a reduzir o turno da proxima sexta. Provavelmente ate lá cancelam-no.

E para dar a estocada final, ontem marcaram um turno para sabado e outro para domingo. Uma hora depois ligaram para saber qual preferia fazer, porque nao podia ter os dois. Escolhi o de domingo. Faz minutos, cancelaram o de domingo.

Enviei um email a pedir para me devolverem o de sábado.

Só o trabalho me dá ânimo.
Se o perder sobra-me.... nada

Sem trabalho, sem casa...

Porquê???

Que desanimador.
E nao adianta o "vamos todos ficar bem" ou o "vai aparecer melhor". O desejo e a realidade não se mesclam.

Sobreviver ao dia de hoje - o dia das negas.
Difícil.

.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O primeiro livro lido na transversal

O dia no trabalho estava a ser monotono e enfadonho. Os minutos nao passavam. Meteram outros na funcao que eu estava a desempenhar tao bem e nao tinha nada para fazer por mais que me esforçasse para fazer tudo o que me fosse permitido. Perguntei a outros gerentes se precisavam de ajuda. "Nao, eu nao preciso de ninguem" - disse um com a arrogancia do costume.

Estava a exasperar. Estava irritada. Decidi perguntar ao gerente que me deixou à toa horas antes, se podia ir para a segunda pausa.

"Se nao me sabem aproveitar para trabalhar, entao vou valorizar o descanso".

Em boa hora o fiz.

Sentei na biblioteca, puxei de um livro de cores vibrantes e ar de novo que ali surgiu e li a sinopse. Saltei ao calhas para o meio da historia e para meu espanto, estava a descrever o momento em que a historia realmente começa.


Pensei ca com os meus botoes que outros escritores colocam esse instante logo no inicio, para agarrar o leitor. "Que monotono deve ser a,leitura das paginas anteriores. Todas dedicadas à apresentacao e contextualizacao de personagens e ambientes" - pensei.

Lido o capitulo em que tudo acontece (uma crianca é encontrada inconsciente num jardim comunitario durante uma festa) decido saltar mais uns tantos.

E que bem que o fiz!
Fui parar a outro momento chave, que resume tudo o que foi arrastado na fase de suposicoes e suspeitas. Uma das vizinhas estava a falar com uma das crianças sobre o ataque no jardim e nesse capitulo definiu-se tambem tracos de personalidade de maridos ate entao ausentes, sogro, historias do passado, irmas que nunca foram....

Saltei mais um pouco mas quando fui ver as horas, ja tinha passado 10 minutos do tempo dado para a pausa. Larguei o livro deixando a pagina marcada e regressei ao trabalho.

No dia seguinte, ontem, cancelaram-me o turno. Fiquei de rastos mas decidi deixar passar essa sensacao devastadora. É o trabalho que ja comeca a ser cancelado, é a busca de uma nova casa que se revela uma tarefa com poucas chances de dar certo.

Nisto chamam-me para fazer um turno das 1800-2200. Fui. Cheguei cedo e por isso fui directa à biblioteca, cheia de colegas a conversar e a beber. Peguei no livro e fui para uma zona mais reservada. Salto para a parte em que a vitima ja recuperou a consciencia, fala com a irma que a descobriu insconciente e com "tudo à vista" e recorda-se daquilo que fez com o namorado.


A reacao de uma amiga é descrita, assim como o que fez enquanto esperava pelo namorado no jardim, ate ao momento em que se sente a desfalecer.

Dai salto para o momento em que a policia quer falar com as filhas da vizinha que se pos a investigar e nesse instante sabe-se quem é o atacante porque as motivacoes indicam o suspeito.

No final, tudo ę encoberto, a vitima quer esquecer o assunto, o casal que sabe a verdade arma-se em bom samaritano.

E a historia acaba assim.


Fiquei muito agragada com a forma como li este livro. Percebi mesmo que apanhei todos os momentos chave. Foi uma leitura transversal perfeita. E fez-me muito bem.

Ja vos aconteceu algo assim?

domingo, 26 de abril de 2020

O que define CORAGEM?

O que é CORAGEM?

Coragem é ter de fazer o que é preciso ser feito.
É ficar em casa, sem sair como foi pedido.

Mostra responsabilidade e consciência. É preciso ser-se CORAJOSO.

Os que se julgam corajosos, equivocadamente pensam que andarem na rua com a liberdade de sempre, sem máscaras, luvas e sem manter a distância, é de "homem", é ser-se CORAJOSO.

Deixei-me, novamente, repetir o que acho que é CORAGEM.

Coragem é NÃO FUGIR dos problemas que nos afligem.
Coragem é levantar para ir trabalhar com máscara, luvas, barretes, estando esta ameaça mortal ainda a pairar.

Ter coragem é ser RESPONSÁVEL.

Diante do CoronaVirus...

Até o dia de hoje, há muita gente que acha estúpido usar máscara no rosto ou luvas.
Até o dia de hoje, há muita gente que não vê sentido nos cuidados recomendados.
Até o dia de hoje, há muita gente que não cumpre a quarentena.

Estas pessoas acham-se mais corajosas que os restantes.
Mas não são.


Talvez sejam inclusive, as mais amedrontadas. Que se recusam a reconhecer o perigo e teimam em viver na ilusão de que tudo está na mesma. São as fracas. As que não alteram comportamentos, as que têm tanto medo que reagem substituindo a realidade por outra desejável.

Coragem tem quem sai à rua usando todas as precauções. Coragem no início desta pandemia, antes dos governos decretarem leis de quarentena. Por usarem máscara, luvas e serem apontados ou escutarem piadas vindas de quem ridiculariza os atenciosos e preocupados.

Coragem têm os médicos, enfermeiros, empregados de limpeza, colectores de lixo, distribuidores de encomendas, que correm riscos mas mesmo assim não ficam passivos e assumem a responsabilidade de cumprir um dever, que se percebe essencial para muitos. Vão trabalhar, vão ajudar. Vão dar o seu melhor. Podem contrair a doença, num dos muitos contactos que estabelecem. Não são só as pessoas que oferecem um risco, mas tudo o que estas tocam. 

Ontem tive de tocar em muitas destas: espécimes biológicas patológicas. Surgem nos sacos de encomendas que tenho de esvaziar e distribuir conforme a área postal. 


Isto faz-me ver que o risco existe. É grande. É real.
 Enquanto este vírus estiver por aí a matar pessoas não podemos relaxar.

Cuidem-se!





quarta-feira, 1 de abril de 2020

Um pássaro cagou na minha mão

Tive muita sorte. (?).
Estava ao ar livre durante a pausa de trabalho, a comer alguma coisa. Sentada, o casaco preto a tapar-me o colo, com a mão direita jogava candy crush no telemóvel e na esquerda segurava uma pequena embalagem de desinfectante. Nisto passa um corvo, sinto e vejo algo a cair à minha volta.

De tudo o que a caca branca  do corvo podia acertar: o casaco preto, o boné preto na minha cabeça, o telemóvel aberto no meu colo, a camisola vermelha, os sapatos, ele foi acertar somente na embalagem de desinfectante.


A última vez que isto aconteceu comigo também usava uma camisa vermelha. Mas a "culpa" foi de uma gaivota em plena rua Augusta. No dia seguinte recebi um telefonema e arranjei emprego.

Para sempre associei que o teu maior desejo ou necessidade acontece quando caca das aves em voo te atinge.

Mas ontem, enquanto reflectia nisto, temi que fosse a excepção. Algo é para acontecer. E talvez já tenha acontecido. Não vou mais trabalhar esta semana. E eram 12 as horas que hoje me foram  oferecidas.

Sempre que abro a boca para dizer que me sinto feliz por ter muitas horas de trabalho, isto acontece.

Vou passar a ficar calada.
A ver vamos o que mais a caca do corvo vai trazer para o dia de hoje.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Caminhada deliciosa


Não sei como vos explicar, mas quando acabo a noite de trabalho e ainda tenho de caminhar uma hora para chegar a casa, não é um castigo, é uma satisfação. Já o fiz sobre chuva, ventos, lama, desgosto emocional, temperatura abaixo de zero, pés cheios de bolhas, a doerem horrores, já o fiz até sendo seguida por um desconhecido. 


E no entanto, nunca deixou de ser um prazer. Por mais cansada e exausta que me sinta. Não me custa caminhar. Agrada-me o percurso. Não sei ao certo no quê, mas vou a pensar o caminho todo. 

Hoje à noite vi DUAS lebres. No mesmo jardim onde vi a primeira no ano anterior. Duas. Casal, provavelmente. Mas também vi um rato. Também no mesmo sítio onde vi o primeiro. Novamente, correu da esquerda, para a direita.



Gaivotas também as vejo, logo pelas 7 horas da manhã quando estou a sair de casa. Ficam a sobrevoar o céu. Cumprimento-as mentalmente.



Há certas fracções do percurso que acho verdadeiramente belas. Uma delas é este caminho que antecede a entrada num parque. Há noite consegue-se ver muitas estrelas. Caminho a olhar para o céu e é uma sensação agradável. Afinal, quantos de nós tem tempo para olhar para elas?

Faz-me bem olhar para o céu estrelado.  




O telemóvel não faz milagres mas cada pontinho branco no fundo negro são estrelas que brilham à vista desarmada.

Também a semana passada, fiquei deslumbrada com esta imagem aqui.


Agora cada vez que passo por esta árvore, mentalmente falo-lhe. Ocorre-me imaginar o que já terá presenciado e quantos anos terá. Daqui a nada vou para o Júlio de Matos Kkkk.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Cortar pessoas... quem é o próximo?


Dei por mim a perceber que queria falar com o homem que me dá boleia do emprego até ao parque do supermercado. E não gostei de perceber isso. Acho que ele terá de ser um dos que "vou cortar".

A última vez que ele me deu boleia, foi no dia 29 de Outubro, aquela que mencionei aqui. Foi ele que ma ofereceu por mensagem, sem sequer me ter visto no emprego. Nessa noite que ele ficou a conversar comigo no parque de estacionamento até depois da meia-noite, mostrou-me fotos da sua viagem em família e contou-me muito sobre si. Daí para cá, têm existido troca de mensagens, todas elas começando pela oferta da boleia. 

Desde que fui seguida por um indivíduo numa dessas ocasiões em que não apanhei boleia com ninguém e fui a pé, pensei em contar-lhe. Na segunda-feira, ele viu-me no trabalho, chamou por mim e falámos brevemente. Nessa noite porém, preferi apanhar boleia com uma colega que me deixa a meio do caminho e o resto faço a pé. Na terça-feira, também foi ele que meu viu sentada na área de convívio e cumprimentou-me, embora eu tenha estranhado a frieza. Nem parou, continuou percurso - o que nunca antes tinha feito. Tal como na véspera, no final do turno, se eu esperasse um quarto, meia-hora, ele disse-me que podia dar-me boleia. Mas preferi vir a pé e enviei-lhe uma mensagem nesse sentido. Ele ligou-me, para dizer-me que estava perto e perguntar se eu já tinha saído. Disse que sim, que me apetecia caminhar e que não queria que ele se apressasse. "Eu nunca tenho pressa" - respondeu-me. 

Ainda me perguntou se queria que apitasse se me visse a caminhar na estrada no seu regresso, mas respondi-lhe que não devia ver-me, pois tinha cá para mim que ele ia demorar-se e pelo tempo que ia levar, eu já devia estar perto de casa. Decido entrar no supermercado para uma compra urgente (mais um grande doce de chocolate quase todo comido nessa noite) e nisto acho que o vejo num dos corredores. Era bem possível, já numa outra ocasião encontrei-o ali. 

Decido cumprimentá-lo. Ele mostrou quase indiferença e pareceu não querer conversa, continuou a olhar para as embalagens de comida que segurava, aparentemente indeciso quanto ao que levar. Já na primeira vez que o encontrei no supermercado, logo no dia a seguir à primeira segunda boleia, altura em que me contou que pela manhã ia justificar-se sobre um incidente no emprego, ficou claro que não queria muita conversa. Bastava-lhe um simples cumprimento, algo quase imperceptível, de colegas que não trocam mais que isso em palavras. 

Também com vontade de chegar a casa, não puxei conversa, não perguntei se havia chegado à muito tempo, se me viu na estrada... Decidi deixá-lo em paz e despedi-me: "Bom, vemos-nos amanhã... ou não". E fui embora. 

Antes das 11h da manhã seguinte um novo SMS dele: "Olá. Chego tarde esta noite e eles querem que faça um pouco mais de horas. Provavelmente vou terminar pelas 23, 23.30. Se ainda estiveres por perto, és bem vinda a uma boleia". 

Uma coisa que registei na grande conversa que me deu naquela noite no parque de estacionamento, foi ter-me dito que, se achasse que eu lhe dava sinais de interpretar a boleia como outra coisa ele ia inventar uma desculpa e dizer que já não estaria disponível. 

Disponível ou não, eu é que não quero confusões. Chega-me aquela pela qual passei, que até hoje não sei o que me atropelou. Já lhe disse que pego boleia dele se o vir no trabalho. Se não o vir, não conto com ele. Não me parece bem. Ao que ele respondeu: "Somos amigos, não tem problema, eu dou-te boleia". 

O que percebi é que já tinha coisas que lhe queria contar, não pude e já estava a adiar essa ideia para uma melhor ocasião. NÃO GOSTO DISSO. É-me demasiado familiar. E depois... se ele é todo afável dentro de um contexto e não o é diante de outro em que há pessoas e/ou CCTV por perto... dá que pensar.

Por via das dúvidas... só com uma vara de 10 metros!



terça-feira, 12 de novembro de 2019

Mais a tal das coincidências

Vou contar-vos tudo: Tive hoje o primeiro dia numa nova função. Fui para experimentar se gostava e para ganhar algum dinheiro. Como estas empresas que precisam de pessoal por um curto período de tempo ficam longe, em locais isolados, a agência de emprego combinou que um dos seus agenciados que já lá trabalha vinha apanhar-me de carro. 

Um aviso: Para compreenderem melhor o que vou relatar tem de ler o post A Troca de Gary e Um Domingo Produzindo

Um rapaz chamado Craig vinha apanhar-me de carro e o veículo era um mini cooper vermelho. Voces lembram-se de ter falado que conheci um rapaz giro no "novo" trabalho e assim que me decidi a conhecê-lo, aquele era o seu ultimo dia?

Foi trabalhar para outro lado. Chamava-se Greg e o que não contei foi que ele conduz um mini cooper vermelho. Igualzinho a este:

Quando escutei o nome Craig lembrei-me do Gary, mas até este instante não havia percebido que o nome não era o mesmo. Nessa empresa também existia um Greg e já não recordada do nome do "rapaz giro" e lembrando-me de um Greg, associei Craig ao afinal Gary. (São parecidos, quase de pronúncia idêntica eheh). 

Sabia que não devia tratar-se da mesma pessoa por saber que a empresa para a qual o Gary se mudou é de outro ramo. Mas ainda assim criei uma certa expectativa. Ia sentir-me mais confortável se me aparecesse alguém conhecido. 

Apareceu um rapaz jovem, com um carro idêntico ao do Gary, com a excepção de que estava tão  sujo, tão imundo, por fora e por dentro, que mal dava para perceber as cores.

O rapaz pareceu porreiro, despreocupado, mas conduziu de forma imprudente nas manobras, na velocidade e até no facto de gostar de escrever mensagens no telemóvel ao mesmo tempo que manobra o volante. Além disso, aprecia escutar música rap com letras muito sugestivas, em som alto, a viagem inteira. No regresso, foi pior, porque outras pessoas a quem também deu boleia começaram a fumar e como havia escutado as conversas que tiveram durante o expediente sobre o consumo de drogas que gostavam de fumar e de como um deles preferia escolher os charros, caso voltasse a ser apanhado a conduzir drogado e tivesse de optar, comecei a recear ter a vida em risco e não chegar viva ao Natal, ehehe!


Mas depois, a música alta, o fumo em segunda mão... aquilo até começou a saber bem. Deve-me fazer falta umas passas! E eu não conduzo, putz! Porque não? (pergunta: Será que ajudava a esquecer??)


No final do dia, indecisa entre o ficar e o ir embora, escutei o cansaço e decidi dizer à agência que não ia voltar para aquele trabalho. Não fiquei muito segura quanto à minha opção, mas o trabalho em si é de lascar! Ainda assim pensei em aguentá-lo, pelas duas semanas que me foi proposto. Mas foi o trato da gerente que me fez considerar abandonar a função antes que me arrependesse. Passadas algumas horas, com dores nas costas por estar há horas de pé, apoiei-me ligeiramente na mesa e continuei o trabalho. Era o meu primeiro dia, caramba! Até estava a sair-me bem e a ser veloz para alguém que acabou de começar e estava cheia de dores - pelo menos assim achei. A gerente chega-se ao pé de mim e diz:
-"Não podes estar assim e tens de ser mais rápida porque vocês as duas têm tudo isto para embrulhar".

E foi-se embora. Ao que desabafei:
-"E querem que as pessoas fiquem? Nem sugeriu uma técnica para ser mais rápida, só disse tens de ser mais rápida".

Ora, gerentes assim... não quero eu. Se tenho de mostrar eficácia, espero que a gerência saiba mostrar competência e aptidões na abordagem para com as pessoas. Tem de saber falar e dar o exemplo. Não exigir resultados sem sequer ensinar como se faz o que seja. 

O trabalho é fabril, não é difícil, mas consiste na repetição cansativa de gestos. E existem cotas a alcançar. Números exorbitantes para a quantidade de pessoas a executar as tarefas e mais ainda para duas iniciantes, como eu e a outra a quem ela fez referência. Para quem estava no seu primeiro dia de trabalho, achei que a gerente mostrou ter uma atitude infeliz.

Quero isso para mim??
Ou vou começar a cortar com o que discordo?

Decidi cortar.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Não há anúncio para o novo inquilino


Lembrei-me de ir espreitar o anúncio de aluguer de quarto que o senhorio costuma publicar num site. Vi todas as ofertas, a dele não estava em lado algum. Nem sequer publicou o anúncio! Ninguém ao acaso pode ficar com aquele quarto. Terá de ser alguém seleccionado pelos que já cá estão. 

Agora vai andar sumidinho... o senhorio.
Até chegar o momento do "anúncio" aparecer como quem não quer a coisa no chat do grupo. Para apenas eu saber, já que os restantes combinaram tudo estão a par.

Hoje não tive nada para fazer. E o que se faz quando não se tem nada? Nada.
Tentei fazer alguma coisa. Alguma lida da casa e algum comer. Mas nada foi o que realmente consegui ter como retorno.


Tenho uma entrevista de emprego daqui a dois dias. Nada de especial. Na realidade é para trabalhar onde já trabalho - só que desta vez sem ser por intermédio de uma agência. Não é "legal" - dizem eles. Mas faz dois meses que estou a "chatear" a agência e esta não me diz nada sobre esta ocupação que dura apenas durante o Natal. 

Assim sendo, prefiro ignorar as "regras" parvas - que dizem que não posso me candidatar por estar agenciada - embora não tenha visto onde isso está escrito. As "regras" já estão a ser violadas constantemente pela agência e pelos gerentes, que só dão trabalho a "amiguinhos". Há corrupção até nisso. Portanto, não exijam que se siga as regras exemplarmente, quando não dão o exemplo. Fico a ganhar menos duas libras por hora mas, se me derem um horário full time cinco dias por semana - coisa que não consegui o ano passado - já fico feliz da vida. Menos por mais. 



Claro, é uma ocupação que termina no Natal. 
Mas se ninguém der com a língua nos dentes e tentar me prejudicar, posso "regressar" à agência para então ter aquele trabalho ocasional, uma vez por semana, quem sabe duas vezes... no total de sete horas!!  O meu salário por me ausentar desce 4 libras por hora. Mas também, pela carga de horária que me têm dado, faz pouca diferença.


Faço bem em candidatar-me.
Só me recusam se forem parvinhos.
Espero ter um horário em full time por onde escolher. 

Sinto-me totalmente sozinha, sem sentido ou utilidade na vida.
E é isto.