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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Um pássaro cagou na minha mão

Tive muita sorte. (?).
Estava ao ar livre durante a pausa de trabalho, a comer alguma coisa. Sentada, o casaco preto a tapar-me o colo, com a mão direita jogava candy crush no telemóvel e na esquerda segurava uma pequena embalagem de desinfectante. Nisto passa um corvo, sinto e vejo algo a cair à minha volta.

De tudo o que a caca branca  do corvo podia acertar: o casaco preto, o boné preto na minha cabeça, o telemóvel aberto no meu colo, a camisola vermelha, os sapatos, ele foi acertar somente na embalagem de desinfectante.


A última vez que isto aconteceu comigo também usava uma camisa vermelha. Mas a "culpa" foi de uma gaivota em plena rua Augusta. No dia seguinte recebi um telefonema e arranjei emprego.

Para sempre associei que o teu maior desejo ou necessidade acontece quando caca das aves em voo te atinge.

Mas ontem, enquanto reflectia nisto, temi que fosse a excepção. Algo é para acontecer. E talvez já tenha acontecido. Não vou mais trabalhar esta semana. E eram 12 as horas que hoje me foram  oferecidas.

Sempre que abro a boca para dizer que me sinto feliz por ter muitas horas de trabalho, isto acontece.

Vou passar a ficar calada.
A ver vamos o que mais a caca do corvo vai trazer para o dia de hoje.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Porquê não devemos falar alto o que nos deixa feliz


Encontrei dois antigos colegas no supermercado e começamos a falar. Eles continuam no mesmo lugar, do há três anos já se queixavam que queriam sair, não aguentavam mais. São sempre os que falam alto que nunca mudam, por isso não me surpreendeu sabê-los ainda lá. Nem um pouco. Perguntaram o que eu fazia, eu respondi. Perguntaram se eu gostava. Respondi, muito com o coração:

- I love my job. Love it, love it, love it!

O cupido sádico, aquele anjo-demónio que está sempre de ouvidos em riste à procura de saber o que nos faz feliz para a seguir nos tramar, ouviu. Tão certo como eu ter pronunciado estas palavras tão verdadeiras, aquele foi também o último dia que trabalhei na empresa, sem o saber. 



Soube hoje, quando lá cheguei, que tinha sido dispensada. 


Nunca mais, mas nunca, nunca, nunca mais.
Vou evitar ao máximo.
Dizer que gosto de alguma coisa... 
Demonstrar que algo me deixa contente, feliz.

Assim que abro a boca para o expressar, tudo se desvanece. Chiça.


Parece que cada vez que tenho algo, quase ao meu alcance, subitamente, puft! Desvanece-se no ar. Foi "ele" tão súbito, é agora o emprego onde o chefe me disse tanta vez que pretendia me manter e garantiu que me queria neste mesmo dia. Só para isso regressei de Portugal. Feliz. Com saudade de labutar. Vontade de meter a mão no trabalho. Ah, a ironia!!

Com os receios do virus simplesmente a carga de trabalho na empresa diminuiu drasticamente.
E quem não faz parte dos quadros, "dança".

Corona: deve ser esse o nome desse anjo-demónio!
A partir de agora já sei que nome lhe dar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Mind Reader


Há coincidências do «catano». Estava eu a pensar que não tenho casa comprada, quando oiço o som de mensagem no telemóvel. Vou ver e diz assim: "portuguesinha - um adolescente comprou uma casa". Seguido do link.

Claro que sei que é spam.
Mas a minha mente ficou P A S M A!

Foi como se tivessem lido o meu pensamento e nesse exato momento o transferissem para SMS. E o que é mais irreal, é que nunca, antes, recebi tal texto. Nunca sequer fiz pesquisas nos motores de busca. Nunca coloquei o meu número de telefone inglês em algum site e jamais dei o meu nome - escrito na grafia correcta, a nenhum site inglês.

Fiquei mesmo aparvalhada e decidi espreitar que tipo de spam era quando chegasse a casa.
É uma falcatrua online - que uma vez já denunciei, que faz as pessoas acreditar que, comprando Bitcoins, ficam milionários numa questão de horas.

E não foi a única ocasião neste dia em que o meu pensamento foi tranferido. Estava a contar umas unidades e quando chego ao número mentalmente, o loucutor da rádio pronuncia-o.

Eu a pensar no número, o locutor a pronunciá-lo!!!

Isto é macabro.

Infelizmente não é um número que exista no euromihões.
Mas se houvesse lotaria...

Já vos aconteceu coisas assim??

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Golpe de Sorte


Quem acompanha esta série (cof, cof, cof) da SIC?


Qual o palpite para a identidade do verdadeiro filho da Céu?
Sempre achei que podia ser o Tino, já que seria uma reviravolta fantástica. A "velha" (papel muito bem interpretado por Manuela Maria, que conta agora com 84 anos) não deve ter dado o neto, um Toledo. Ela deve ter querido mantê-lo por perto. Afinal, sempre tem metade do seu sangue.

Mas quem será ele?
Que outra personagem com 37 anos anda pela trama que possa ocupar esse lugar? Claro, sempre pode aparecer alguém de fora. Mas supondo que o folhetim segue os rumos usuais, deve ser alguém já conhecido, próximo e muito amado. 


O problema é que a "velha" jamais teria permitido que irmãos dormissem juntos... Supostamente Jéssica está grávida do Tino e se este for filho do pai da Jéssica, então temos aqui um incestosinho do caraças!

Ò Eça, já foste.

A menos que o panhonha do Zé não seja o pai de Jessica, foi mais um cornudo, e Jéssica não sai só há avó: sai à mãe.


Quanto ao resto da trama e das interpretações, tenho de elogiar o trio de "idosas" lá da vila. Mas que excelentes interpretações! A mãe da Céu (Carmen Santos), a costureira (Henriqueta Maya)... Quando se juntam, é uma delícia de ver. Timming perfeito, interpretações fantásticas. A trama está repleta delas, de cima a baixo.

Oceano Basílico como invisual está a fazer um papel fantástico e a trama contribui muito para incentivar pessoas com problemas de visão a perceberem que podem ser muito independentes. Ao seu lado está um marido possessivo (Pedro Laginha). Ui! Excelente interpretação também. Dá medo. Não sabemos quando aquele elástico vai rebentar mas sentimos a tensão em cada cena. 

Para não falar dos vilões. Jorge Corrula nunca decepciona, não é mesmo? Até a Diana Chaves está a mostrar que sabe ser mais que o rosto bonito e elegante da trama. 

Quem vê que mais acrescenta?

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Achei um tostão...

...Perdi um milhão!

Encontrei um penny na rua. No dia seguinte descobri que perdi uma nota de cinco libras que tinha enfiada entre os cartões de multibanco e o passe. "Deve ter caído" - pensei.

Se caiu, alguém achou.
Que sorte tenho eu, que só acho pennys enquanto outros andam a apanhar notas de cinco libras!


Nota:  Hoje de manhã tinha acabado de perder o meu querido porta-chaves poop emogi quando voltei a achar outro penny na rua. Vinha ferrugento. 



sábado, 29 de junho de 2019

Achei um tostão...

... Perdi um milhão.

Por coincidência euzinha, que nunca acho dinheiro caído por aí, encontrei um penny no chão. No dia seguinte, dei conta que as 5 libras que tinha enfiadas entre os cartões de multibanco e o passe, desapareceram. "Devem ter caído" - pensei.

Nisto percebi que não foi a primeira vez.

A verdade é que ando a perder notas e a achar pennys. Isso não é justo!



terça-feira, 7 de maio de 2019

Após a tempestade vem a bonanza

Acredito nisto. A vida é feita de altos e baixos.
O que não entendo é a proporção. 
Estou numa tempestade de oito meses. 
Nem a passagem do cabo do Bojador imagino ter sido tão tormentosa.

A bonanza foi-me sempre roubada. 


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Comprei um cão



De louça. E vim toda feliz para casa por o ter comprado. 
Não estava na minha ideia fazer compras de artigos que não preciso e não são essenciais. No entanto, lá estava eu, a sorrir e a segurar o dachshund na mão.  


Minutos antes tinha avistado aquelas carnes secas para os cães mastigarem e sorri, porque despoletou lembranças. Terá sido por isso ou terá sido por já ter convivido com a raça?

Ou será outra coisa totalmente?


Pelo caminho lembrei-me do peluche. 
Há umas semanas encontraram um peluche que acariciei. Era muito macio e o gesto de passar a mão pelo boneco despoletou instintos maternais. Na ocasião até brinquei com isso. Disse que pensei já ter transitado para a fase "apetece-me dar uma chapata neste puto" e afinal ainda existiam em mim resíduos de cuidar e tomar conta da raiz até a idade da independência.

O que me trouxe outro tema à lembrança: este.

Sim, pode-se ter saudades do que nunca foi nosso. Como não?
Eu sinto saudade da filha que nunca tive e dos irmãos que lhe ia dar.


E nesse aspecto, ter encontrado à momentos um cabelo branco solto na indumentária, um que me passou despercebido, que não se fez anunciar, traz aquela sensação de tempo perdido, vida desperdiçada. Aqui estou eu, numa situação tão precária como se tivesse começado agora a minha vida de independência financeira. Não tenho nada que muitos outros têm: casa, família. Estou tal e qual como estava há 25 anos. Como se tivessem feito um bruxedo para ficar estagnada. A diferença está mesmo nos cabelos brancos. Eles surgem para me lembrar que o tempo está a acabar, se não é que já acabou. 

E, a pesar de tudo isto que não é animador, tenho o queixo nivelado e estou bem. (Terá sido o datchshund?). É o que é e será o que for.


Faz umas semanas um senhor de idade que, junto com outros, fazia trabalho voluntário no sítio onde trabalho, veio ter comigo e disse: "Hoje é o nosso último dia aqui, vamos embora" - estava visivelmente triste. Nunca o tinha visto antes e com ele nunca tinha falado. Mas isso não o impediu de dirigir-se a mim como se fossemos conhecidos de longa data.

Como alguém pode voluntariar-se para trabalhar de graça num lugar onde a maioria das pessoas que passam exigem tudo de ti sem serem bem educadas, é algo que me transcendia um pouco. Mas não é preciso pensar muito no motivo pelo qual aquelas pessoas exibiam, desde o primeiro instante, uma alegria radiante por ali estar. Ou tristeza por ter chegado ao fim. Vi-os nos olhos, nas palavras, nos gestos. Foi na ideia "para o ano há mais" ou "talvez nos chamem de volta no Natal" que encontraram o consolo que necessitavam.


Estão sós. Não têm muito convívio com outras pessoas. E é a rentabilizar em cima disso que outros tiram proveito. O senhor acrescentou com um tom guloso que o voluntariado não é de todo não pago pois pagam-lhes 40 libras mensais para o estacionamento e deslocação. Trocos minha gente... trocos. Digo que acrescentou isto com um tom guloso porque deu para perceber que algum dinheiro fazia a diferença. Não é só solidão e necessidade de estar em contacto com outras pessoas. Ao ponto de uma multidão delas, muitas mal educadas, ser o ponto alto pelo qual anseias ao acordar. 

É também a verdade oculta deste país: os idosos não têm todos uma reforma decente. Os que trabalharam a vida inteira em funções de "colarinho negro" (da época do carvão, ahahah) e sempre foram um pouco explorados, são os que melhor aceitam sem contestar o perpectuar dessa condição. Em troca de "migalhas".


E há sempre quem se aproveite. 
Chamam-lhe "voluntariado" mas também existem empregos. É comum ver cabelos na sua totalidade brancos, em rostos muito enrrugados, atrás de um balcão qualquer. Uma vez fui atendida por uma senhora muito simpática mas cuja idade pude perceber ser bastante avançada. Pela pele enrrugada por todo o corpo, braços, rosto, peito, diria que estava nos finais dos 70 ou mesmo já nos 80. Parte de mim ficou curiosa para saber porquê estava ali a fazer aquele serviço, ao invés de ficar em casa e dedicar-se a outros afazeres mais relaxantes e mais da sua escolha e preferência. Outra parte de mim não estranhou, porque sei que é no trabalho que encontro a minha felicidade interna e bem estar.


E foi por isso que, quando aquele senhor que estava no último dia de voluntariado se afastou, deixando no ar o distinto aroma de má higiene e usando roupas a necessitar de cuidados de engomadeira, subitamente percebi: Aquele ali já sou eu!

Aquele ali serei eu.
Falta pouco.
Na realidade já tenho tudo o que é preciso.
Só falta mesmo ficar permanentemente associada à idade avançada. 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Acreditar no poder da oração (que seja o ano do cão)


O horóscopo Chinês dizia que o ano ia começar atribulado mas que depois ia conquistar o que precisava, profissionalmente e no lar.

Pois vim aqui para que torçam para que isso aconteça já.
Aguardo uma resposta de um emprego. 
Estou a dar uma segunda oportunidade ao "lar" que arranjei.
Tudo depende desta resposta. 

Preciso desesperadamente que as coisas comecem a correr a meu favor. Cheguei a um ponto que estou quase para desistir. Mais uma contrariedade e sou capaz de o fazer. Simplesmente não consigo mais trilhar por esta estrada de tantos dissabores. 


Como acredito no poder da oração e da boa vontade, peço que partilhem comigo desta vontade. Preciso de boas energias, positivismo.

Já orei por paz, harmonia e felicidade laboral e do lar num lugar de culto e fé. 
Decidi deixar um pedido de oração também por aqui.

Boas energias são sempre bem vindas.


E que tudo corra bem - aos de bem e com todos de bem.


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O meu mordomo pessoal


Ontem a rapariga que tem andado desaparecida, apareceu. Contou que adora a nova casa para a qual vai morar, que tem tudo incluído e tudo é novo. O quarto dela é grande e o jardim é fantástico, etc, etc. 

Depois foi tomar banho e foi comer. Lavou a louça antes de sair. 
Minutos depois entra o rapaz.

Oiço um suspiro. E de seguida oiço a louça que a outra deixou molhada a secar em cima do estirador a ser arrumada. "Ele a limpar atrás dela." - percebi.

Curioso. Ele não é muito de arrumar nem as coisas dele. Nesse mesmo estirador ficou a loiça dele por uns três dias. Agora ele mal entra e vai logo por-se a secar com o pano a louça que ela usou e arrumou-a?

Mas a surpresa maior ainda estava para vir. Ele sobe as escadas e de imediato entra no banheiro, onde liga o chuveiro e começa a usar a água para lavar a banheira!! Não sei como ela deixou aquilo, mas posso imaginar. Para ele dar-se ao trabalho de andar a limpar atrás dela é porque sabe muito bem como ela deixa as coisas. E para ninguém perceber, ou por temer algo, foi limpar. 

Olha que esta é uma rapariga cheia de sorte.
Há pessoas assim. Parece que podem ter estes comportamentos que nunca serão responsabilizadas.

Ela é uma sortuda. 
Foi uma moocher (pessoa que faz por viver encostando-se aos outros), esteve nesta casa como quem está num hotel - pois é nos hotéis que se suja e outros vão limpar, que se estraga e não se dá cavaco, que se come o que está disponível mas não se vai comprar. Ela foi uma HOSPEDE, não uma colega que partilhou uma casa.
Não limpa, estraga, serve-se da comida dos outros, ficou dois meses e meio sem pagar, demora a dar o dinheiro para as contas em comum. Verdadeira vocação para moocher.

Tenho curiosidade apenas para saber como vai a sua vida continuar longe daqui, naquele lugar tão bonito e paradisíaco. Como vai ser se ela continuar à espera que os outros façam tudo por ela. Bem que podia levar junto com ela o seu "criado pessoal"  Kkkkk! :)   

É capaz de lhe fazer falta...
PS: Mas agora fiquei chateada ao perceber que os caixotes do lixo que coloquei à beira da estrada no Domingo de manhã, sobre chuva, para que pudessem ser recolhidos pelos colectores, ainda estão lá. Ainda não havia passado por eles, por isso já os julgava cá dentro. Tantos que moram aqui, seria de esperar que um dos moradores os recolhesse. Mas não... 

Hoje já é QUARTA-FEIRA e com tanto entra e sai ninguém teve a cortesia de os trazer para dentro. Mas para limpar atrás dela este tipo não é de demoras. Sinceramente! Mal entrou em casa e viu o chão e as bancadas todas molhadas pela tipa que teve a "lavar" a louça, pôs-se a limpar atrás dela. Mas nada de recolher os caixotes do lixo, pelos quais também passou. 

Enquanto isso, LIXO é o que se acumula na sala de estar. Agora parece que a sala está a substituir o barracão no quintal! Pois é na sala que ele colocou um cadeirão, uma guitarra, onde tem uma pilha de papeis e dossiers atrás do sofá, uma impressora embalada em cima da mesa, roupa ali abandonada... isto mais parece uma casa habitada por pessoas habituadas a viver em barracas. Se bem que há barraqueiros que têm as casas tão arranjadinhas que daria inveja a esta gente. 

Depois querem mudar-se para casas novas e melhores...

Quanto tempo é que duram? 




domingo, 29 de outubro de 2017

Morre borboleta


Por vezes tenho a sensação que a minha miséria traz sorte a outros.
É como se se confirmassem as minhas suspeitas de que algumas pessoas vêm o seu caminho e a sua boa energia serem sugadas de si, roubadas, apossadas por outros. 
Por vezes há tanto mal à tua volta e nem te apercebes da sua força. Até que tudo te cai em cima. E enquanto sentes o peso de tudo, uns que andavam por aí sem grande rumo ou gosto, parecem começar a esvoaçar que nem borboletas. 

Estará isto ligado? Será que no mundo não podem todos andar ao mesmo tempo felizes, uns têm de ficar miseráveis para outros poderem rir?

Faz sentido?

       

sábado, 4 de junho de 2016

saiu o euromilhoes


Deus devolveu.
Saiu 10€ no euromilhões que ontem fiz após ter deixado cair e perdido essa quantia.
Mas não me vieram para o bolso...

Não faz nada mal.
Agrada-me q.b. que tenha existido esse equilíbrio.

De facto, quase o intuí.
Mas se intuição estiver sempre assim certa, o primeiro prémio há-de cá vir.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Uma história sobre um museu

 Nunca pensei que ia acalentar o sonho de ganhar o primeiro prémio do euromilhões. Uma vez até estive perto, mas não meti o boletim, pelo que os números foram sorteados sem serem registados. Nem me importei, porque estava a trabalhar, gostava do que fazia e estava bem assim. (a inocência a tramar-me). Sempre senti, no profundo mas inconsciente ser que sou, que ia conseguir as coisas com a força do trabalho. Qualquer coisa.

A vida não é assim mas os meus instintos muitas vezes dizem que era para ter sido. Alguma coisa forte demais e vil desviou-me do caminho. 

Bom, mas isto tudo para dizer que também constatei que o que a minha mente sonhadora por vezes imaginava só poderia ser atingindo com uma brutal fortuna, das que fazem empalidecer a do Champalimaud. 

Se tivesse sido milionária lá nos 20, acho que teria criado coisas fantásticas e apresentado ao mundo um lar diferente dos demais, ideias inusitadas e gestos de valor social. Estava sempre a ver "mais à frente", tinha esse dom que hoje quem olha nem percebe que possa ter existido. Mas isso agora não interessa nada - como já alguém disse. 

Para quê queria eu tanto dinheiro? Bom, antes demais, não sou, apesar de tudo isto, muito ligada ao poder a este associado. Gostava de o ter porque dele depende a realização de coisas que realmente sinto falta na minha vida. Umas simples, outras maiores e dispensáveis para a sobrevivência mas necessária para um propósito e para dar um gosto especial à vida. 

Isabella 1840 –1924
Noutro dia surfava na net quando dei com a história do museu de Isabella Stuart Gardner - da qual nunca tinha ouvido falar. O seu belo retrato a óleo, fez-me recordar um rosto conhecido. Curiosa, fui pesquisar sobre a sua história mas pouco se sabe, visto que ela queimou a correspondência e documentação. A sua memória póstuma para o mundo foi cuidadosamente planeada na construção do seu museu. 

Casada com um homem rico (mas rico para os padrões de antigamente que é podríssimo de rico) ela pode dar-se ao luxo de viajar pelo mundo e ir recolhendo obras de arte de seu gosto. Decidiu fazer uma coleção privada - como tantos hoje ainda fazem. Por isso fiquei surpresa quando fiz a visita virtual ao museu - que recomendo que façam já. Não é todos os dias que, no conforto do lar, se pode atravessar o oceano, ir até os EUA e entrar num fantástico palácio por ela mandado construir em Boston. São três (sim três) andares de salas e salinhas repletas das mais variadas obras: tapeçarias, bustos, quadros, mobiliário... Uma colecção pessoal digamos que... não tão pequena quanto estava a imaginar. 


Em 1990 roubaram 13 obras de arte - entre as quais de pintores hoje sobejamente reverenciados - e tal como "ordens" da construtora, nada ao longo dos anos foi alterado ou mudado de lugar. As obras furtadas desapareceram, mas os espaços vazios permanecem. O museu faculta também uma visita virtual guiada da "rota" dessas obras furtadas. A não perder!

Rembrandt, The Storm on the Sea of Galilee (Obra furtada em 1990)

Surpreendeu-me este museu e mais ainda que estivesse totalmente disponível para visita virtual. Acho que está muito à frente. Não creio que uma visita virtual afaste possíveis visitantes de carne e osso. Pelo contrário. Se algum dia estiver em Boston, talvez tenha muita vontade de conhecer in loco um lugar que só conheci pelo computador.

Mas este tipo de legado, não é decerto possível de realizar para uma qualquer fortuna. Percebe-se que é algo que nem o primeiro prémio do euromilhões e nem, se calhar, os tostões do Ronaldo seriam capazes de concretizar. Há coisas grandes demais. Contudo, são bonitas de ser sonhadas.


domingo, 14 de junho de 2015

Horóscopos


Quando o meu signo no horóscopo Astrológico diz coisas positivas em todas as áreas - como vem vindo a dizer nas últimas semanas - penso que só pode ser para os outros do mesmo signo, que não eu. Os que nasceram na primeira semana do signo parecem ser os que têm mais sorte.

Há algo em mim que faz com que as coisas positivas que podiam me ser destinadas «partam» para outros :D 

Mas depois consultei o horóscopo Chinês - esse não depende do dia de nascimento, mas do ANO. Portanto, deve ser mais infalível, certo? É que o Astrológico, o tal que depende do dia, pode estar a equivocar-se. Calhei nascer naqueles dias de transição entre um signo e outro. Dependendo da fonte, tanto me dizem que pertenço a um quanto a outro. Assim sendo, talvez venha a ler as previsões erradas :D

Já o Chinês não é tão simpático. Para a próxima semana, devo estar atenta ao que se passa, prestar atenção ao que é conveniente e não ser espontânea. É um bom aviso, realmente. Quanto ao amor, a coisa anda tremida, assim como a sorte. Tendência para me cortar em objectos afiados. Lol! Como sabem que espetei o dedo num arame? :D

Enfim...
Acreditam em horóscopo? Se sim, qual o mais fidedigno?


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sexta feira 13

Para quem acredita em coisas que não se conseguem explicar e para quem é supersticioso, hoje é SEXTA-FEIRA 13.

O que pensam das sextas-feiras 13?
Qual a origem deste «mito»?
Como está a ser/foi a vossa sexta-feira 13?

Hoje estou triste. Com vontade de chorar. Será que é por ser sexta-feira 13?
Já alguma coisa de relevante vos aconteceu a uma sexta-feira 13? - A mim já, e foi triste.

Mas começo a temer mais os dias 12 de cada mês. Há muitos já que acontece sempre qualquer coisa inesperada e menos agradável no dia 12 de cada mês. Humm... será que irei morrer num dia 12 de um mês qualquer?

Ás vezes penso nisso. Na data da minha morte. Não com qualquer sentido mórbito ou macabro. Simplesmente reflicto na vida. Em como se vivem todos os dias, uns atrás dos outros, sem dar importância ás datas que nada nos dizem. E se soubessemos que morreriamos num determinado dia? Ou melhor, e se daqui a muitos anos, neste mesmo dia, é o dia que vou morrer?

Hoje é sexta-feira 13. Qualquer pensamento mais macabro é compreensível e não é abnormal, não levem a mal, deve ser da proximidade do carnaval! Já que passou o Natal! Mal, mal...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A pior parte desta sexta-feira

Andam todos doidos quando chega a sexta-feira.

O trânsito é de loucos, as pessoas a barafustar, filas de gente por todos os lugares, confusão, impaciência, correrias, atraso dos transportes, buzinadelas, acidentes... ai! Que sexta!

Mas de tudo o que aconteceu hoje, sexta-feira, se calhar o que mais me aborreceu nem foram as partes piores. Vejamos:

1- Hoje tive de correr para conseguir chegar até à paragem da camioneta em 15 minutos, para não a perder. Fiquei ofegante, pés doridos e pernas também. Faz parte. Nem me queixo das subidas mais acentuadas, aquelas que só os carros sobem bem (e a que velocidade, diga-se de passagem!). Estes ignoram o esforço que eu, peão sem passeio, faço para subir e, passam por mim num "zás!". Já está e já vão longe. Mas tudo bem... é assim mesmo. Não foi esta a pior parte desta sexta-feira.

2- Não me aborreceu ter feito este esforço apressado durante 15 minutos, para depois a camioneta chegar 20 minutos atrasada. Não foi isto o pior desta sexta feira.

3- Tanto tempo de espera e corri o risco de não conseguir entrar. Vinha tão cheia, que o motorista só abriu a porta quando vagaram lugares. Felismente consegui entrar e, sentei-me no único lugar livre que não tinha no banco ao lado homens de olhos esbugalhados. Assim que tentei respirar tranquila, percebi que estava numa sauna. A camioneta não tem circulação de ar. Este estava pesado e quente. Todos os vidros estavam embaciados, sendo impossível olhar para fora. Na minha testa começou a formar-se gotas de suor. Mas tudo bem. Foram 25 minutos de viagem, com o agravante do casal que estava ao lado ajudar à consumação de mais oxigênio, ao entregarem-se a cenas amorosas com grande barulho e entusiasmo. Mas não foi isto o pior desta sexta-feira.

4- Nem tão pouco foi o facto que podia ter ido de boleia com um colega e já lá estar, tranquila e serena... não. Ter perdido esta oportunidade não foi o pior desta sexta-feira.

5- Saída daquela sauna, caminhei mais uns minutos até chegar à paragem de autocarro da carris e encontrei-a tão cheia de gente, que contei as cabeças: 30 pessoas. Não, não foi esta a pior parte desta sexta-feira.
´

6- Esperei 10 minutos até que apareceu o autocarro. Não, não foi esta a pior parte desta sexta-feira.


7- O autocarro, vá lá uma pessoa espantar-se, vinha... cheio! Tão cheio, que todos temeram não conseguir entrar. Mas lá se conseguiu, e por ordem. Enquanto tentava segurar-me no único varão disponível, o horizontal por cima da cabeça - demasiado alto para uma pessoa da minha estatura conseguir equilibrar-se, a pessoa atrás de mim (uma jovem) barafustou que havia espaço adiante e começou a dizer para abrirem espaço para passar e que concerteza haveriam lugares vagos (pois sim!). Avancei e logo encontrei um lugar que, não sendo lugar, sempre me serve perfeitamente: a trave onde se coloca a bagagem. Além de ir sentada e não sentir tanto os abanões nem ficar tanto com os pés a doer, tem a vantagem de não me colocar no meio da passagem e vulnerável aos empurrões das pessoas que circulam. Sentei-me e fui logo ultrapassada pela jovem adulta que, com algum ciúme, observou que eu havia conseguido sentar-me. "Pois, já está"! - disse ela enquanto avançava por entre as pessoas de pé, rumo à imperceptível traseira do autocarro, irritada, por não estar sentada. Pisou-me, mas não me importei. Custou mais a 2ª e 3ª pisadela, feita por um casal que entrou logo a barafustar e a empurrar as pessoas. Gente bem vestida, mas muito mal educada! Avançou sem se importar em pisar... mas não foi esta, a pior parte desta sexta-feira.


8- Viagem morosa e, finalmente, UMA HORA E 45 MINUTOS depois de ter começado a dirigir-me para casa, subindo apressadamente aquelas estradas cinuosas em 15 minutos, estava a poucos minutos de distância. Só tinha ainda de atravessar mais duas estradas duplas, de algum movimento, mas com semáforos. Atravessei a estrada porque estava livre de trânsito, e é aí que um carro surge rapidamente na curva na rotunda. Já fiz mais de metade do percurso da estrada e acelero o passo mas não desato a correr. Já chega de correr por hoje! O carro também deve desacelerar, mas não o faz. Acho até que acelera. Ao passar por mim, sempre depois de passar pelo peão (os cobardes!) buzinam. BUZINAM! Este condutor cu-tremido, que devia vir a metros de distância, ainda noutra estrada, quando iniciei a minha marcha para atravessar aquela, ainda tem o displante de BUZINAR! Esta foi a pior parte desta sexta-feira!


9- Não foi nada pelo que passei antes. Nem foi a estrada seguinte, comigo no separador entre as passadeiras, parada a ver se o carro que faz a curva no cruzamento vai parar para me dar passagem, ou vai passar por cima de mim se iniciar a marcha sem perceber qual a sua intenção. Não foi o facto deste me ver e avançar sem me dar passagem e logo de seguida enfiar-se numa rua e estacionar, que me aborrece.

O pior desta sexta-feira foi mesmo aquela buzinadela. Acho que algumas pessoas que só sabem se deslocar de carro, são totalmente insensíveis àquelas que não o fazem. São insensíveis com os peões, insensíveis para com quem vai em marcha, insensíveis na sua condução, e mal-educados e cobardolas, por só saberem buzinar depois, quando a pessoa não vai a tempo de reclamar.


São os "cus-tremidos", porque o único movimento que fazem para andar é feito com o rabinho sentado diante do volante.


Já vivi uma situação caricata. Ia a atravessar na passadeira e só avanço quando percebo que o carro que se aproxima me viu e desacelera a marcha, dando-me passagem. É sabifo que ele deve parar totalmente e só então o peão deve iniciar marcha. Mas como se sabe, o condutor aborrece-se por ter de puxar pelo travão, pelo que, o costume é desacelerar e esperar que o peão passe para voltar a "dar gás" no acelerador. Muitas vezes, o peão desata a correr ou avança apressadamente e ainda agradece, facilitando a vida ao condutor, que, assim, não se incomoda pelos 2 segundos de tempo perdido para dar prioridade ao peão. Mas como dizia, avancei pela passadeira, com o carro parado a me dar passagem. Quando ultrapasso esse carro, espreito para ver se mais algum aí vem e, quando avanço, surge derepente um que vinha todo lançado na faixa da direita e, ao ver dois carros parados (porque eu atravessava a passadeira), decide mudar bruscamente de direcção e ultrapassá-los pela esquerda. Recuo os passos que tinha avançado e este faz uma travagem apressada e põe-se a gritar dentro do carro. Calmamente aproximo-me e tento falar com ele. Com calma, expliquei-lhe que estava a atravessar a passadeira e que teria atropelado-me se não tivesse recuado. Mas ele estava zangado, comigo, porque eu recuei, porque eu "apareci" na frente dele. Então perguntei-lhe o que é que ele achava que os outros carros estavam ali parados a fazer? Não fui rude, não gritei, posicionei-me de modo aos outros condutores poderem seguir marcha e acabei por continuar a minha, deixando o outro condutor seguir sem lhe dizer nada.


É este o tipo de condutor que não me agrada. O mal educado, o mal acostumado, o que coloca a vida de outros em perigo e se acha com razão. O que vê os peões como um "incómodo" que lhe atrapalha a vida e que fazem deles alvos fáceis de atropelar.


Quem conduz tem de se mentalizar de uma coisa: o que tem nas mãos é uma arma. Um carro, mal manuseado, mata. E ñão é preciso muito para um desfecho definitivo, trágico e irreparável como este. Querem mesmo correr esse risco por causa de 2 segundos??

2 segundos, ou apenas um. É o que basta para mudar a vida de uma pessoa para sempre. Ou acabar com ela.

Às vezes apetece-me ter no bolso uma bozina portátil, daquelas que se usam nos jogos de futebol. Só para poder responder na mesma moeda àqueles que se escondem cobardemente atrás de uma buzina...

terça-feira, 10 de junho de 2008

O Parente Famoso

Nesta minha insistente busca para compreender as coisas que me cercam, dei comigo a estudar as minhas raízes. O hábito era antigo, mas o processo, de realmente ir atrás dos antepassados - a chamada Genealogia, esse chegou décadas depois.
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Sabem o que todos dizem quando o assunto vem à baila? Pensam em si mesmos e não poucas vezes saiem com esta afirmação:
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-"Quem sabe descubro um parente podre de rico, um nobre qualquer e, deixo de trabalhar!"
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Esta afirmação sempre me perturbou. Que mania! Mania das grandezas, mania que a nobreza está num título e que a riqueza é tudo.
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Nunca ocorre a estas pessoas pensar que, os que foram "nobres" e "ricos" ás tantas o eram pela capacidade de se aproveitar dos outros? Quer dizer, um antepassado rico e mau carácter, não é coisa que me agrade como contributo genético...
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Porquê querem todos ter um antepassado ilustre? Sentem que ganham imediatamente um status? Não entendo...
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Quis conhecer os meus porque, instintamente, senti que já os conhecia. Ainda que inconscientemente, quis ir ao encontro deles para os conhecer e saber se foram o que os meus instintos me diziam que tinham sido. Não achei que ia deparar com riqueza ou nobreza. Mas queria deparar com pessoas de bem, trabalhadoras e honradas, pois sentia isso em mim, como uma herança de séculos.
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Este instinto inconsciente, provou-se correcto. Recuei quatro séculos nas minhas raízes mais directas e não encontrei nada além do que descrevi em cima. Pessoas do povo, pessoas comuns, trabalhadoras, honradas, que tiveram muitos filhos e criaram todos. Viveram muitos anos e com baixos índices de mortalidade infantil na família. O que pode indicar a inexistência de negligência ou outros cenários mais macabros. Do muito e do pouco que compreendi, em nada me decepcionou o que encontrei. Ali estava: pessoas comuns, simples, humildes, trabalhadoras e honradas, de bom coração, boa saúde, perspicácia, inteligência, bons genes. Não podia querer melhor.
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Claro, carrego comigo o peso que décadas de pobreza transmite de geração em geração. Mas não se perdeu a virtude. Conheci outros familiares distantes e em todos encontro uma doçura, uma bondade e simplicidade, que dá gosto de perceber. Todos passaram pela mesma pobreza característica da classe e da sociedade. As mesmas dificuldades, os mesmos problemas e sempre, sempre, a mesma disposição para a luta, para a honra, para a sobrevivência, sem recorrer a artimanhas pouco nobres ou criminosas.
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E deixem-me dizer esta grande verdade: A GENEROSIDADE É PROPORCIONAL À MISÉRIA.
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Quem mais dá, é quem menos tem. Quem mais sente, é quem mais sofreu. Quanto mais pobre, mais generoso. Um pobre nunca deixa de partilhar um pão, dar uma moeda. E quem em tudo isto já nasce com um bom carácter, conserva-o até o fim da vida. É feliz em espírito e faz os outros felizes também. Mas lá por ser um ser sorridente, não desconhece de todo a dor do sofrimento.
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Atrás de um grande e caloroso sorriso, está alguém que sabe o que é a dor.
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Voltando aos antepassados, fiquei à espera de encontar alguém que também procurasse alguém. Em fóruns de genealogia e artigos, li todos os nomes, verifiquei todos os apelidos. Mas nada. Nomes parecidos, homónimos até, mas nenhuma correspondência.
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A menos que se tenha um antepassado mais "famoso", dificilmente alguém vai escrever o nome de um perfeito desconhecido. Mas a esperança não morre. E assim, a cada região e localidade mencionada, lá ia espreitar por um nome familiar. Entrei então num tópico sobre uma "celebridade".
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Bem, o termo, celebridade, não é muito do meu agrado. Tenho a certeza que também não lhe agradaria a ela. A pessoa em questão, foi mais uma figura. Uma figura do panorama português. De relevo, de importância e do povo.
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Saber que, há 200 anos, tinhamos parentes em comum, não me surpreendeu, nem a uns outros poucos parentes a quem o mencionei. Era conhecida a localidade de proveniência e apelidos desta figura que se tornou de relevo no panorama artístico português. E assim, feita a descoberta, pouco impacto teve.
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Por curiosidade, fui ler uma sua biografia. Sem espectativas. Só aquele instinto, que me insinuava que não ia encontrar nada que no fundo, já não sentisse...
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Fiquei surpresa sim. Fiquei muito surpresa com as semelhanças. Gerações tão diferentes, de tempos diferentes, com experiências e oportunidades diferentes e, no entanto, lá estava: tudo igual.
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Será o peso dos genes? Das gerações de pessoas do povo, pobres, mas de carácter? Acho que sim. Muito do que os outros viveram passa para nós não só como traços físicos, mas também na forma de ser e da energia que carregamos. Acho até que, algumas vezes, estamos aqui a pagar pelos pecados dos outros, não pelos nossos. Sentimentos e emoções TAMBÉM são transmitidas genéticamente. Ainda mais, com o peso de séculos em cima.
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Ora, se se transmitem doenças, problemas, tiques, maneirismos e até gostos peculiares, claro que se transmitem emoções, experiências de vida, carácter.
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Fiquei surpresa com as imensas semelhanças entre a história de vida dessa pessoa, no que respeita ás suas origens, e muito, muito mais, pasmada com as semelhanças de personalidade. É como se a tivesse conhecido por dentro. Vi o lado conhecido mas também o oculto. Aquele que poucos conseguem imaginar.
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Pobre menina rica! Pobre menina pobre, que ficou rica, que era nobre sem o ser, que tinha medo e não sabia...
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Pois não podia ter-me "saído" na "rifa", "melhor" figura! .
Uma pessoa do povo.
Ganhei a taluda porque já nasci com a cautela.
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Sou Portuguesa da mais pura essência deste povo.
Não há como negá-lo!
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Saiu-me a sorte grande.