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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Vejam e viralizem este vídeo aqui - está a bombar no Brasil por um bom motivo!

 



Espalhem este vídeo por todas as vossas redes sociais. Espalhem, falem dele, mostrem. 

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Quem vê caras não vê corações

 


Este é Jason Pyne. Na foto nota-se que é um homem atraente e parece super simpático e carinhoso. Começou a namorar Nicole, uma jovem que já tinha um filho de outro casamento e os dois casaram, tendo-se mudado para outra localidade, onde morava a mãe deste. Tiveram dois filhos. Jason foi muito carinhoso enquanto fazia a corte a Nicole: comprava-lhe flores, seduziu a família dela que o achou muito simpático. De fala calma, prestando atenção às pessoas e sendo afável. Parecia gostar muito de Nicole e do enteado, que ficou muito contente por ter por perto uma figura paterna e o chamava de pai. 

Um dia, tinham as crianças mais novas pouco mais de seis ou sete anos, uma tragédia ocorreu: Mãe e filho estavam mortos. Mortos a tiro. O filho foi encontrado a segurar uma caçadeira, morto com um tiro na boca. A mãe, dormia na cama quando lhe estouraram os miolos. 

Quem fez a chamada a comunicar o óbito foi o marido, que tinha saído para levar os dois miúdos mais novos à escola e, quando voltou, encontrou aquele cenário de horror. 

Muito conveniente que os falecidos fossem somente os que não tinham ligação de sangue com o próprio... Foi um acto de extermínio igual ao que se praticaria quando se quer eliminar uma praga indesejável. Como uma infestação de baratas, por exemplo. 

A paramédica que chegou ao local disse que a falecida parecia estar viva e o que a surpreendeu foi o quanto o corpo estava quente ao toque. Parecia que tinha acabado de ocorrer. Quando escutou que existia um segundo corpo na garagem, o do jovem de 16 anos, ficou em choque ao olhar para os olhos do miúdo. Abertos mas sem qualquer vida. E o seu corpo estava muito frio ao toque. 


Dito isto, parece obvio que se trata de uma encenação para responsabilizar o adolescente pela sua morte e a da mãe. O padastro disse que, nessa manhã ele estava a ser difícil, a dizer que não ia à escola e que ele, o padastro, desistiu e afirmou que saiu de carro para levar os seus filhos à escola, deixando o adolescente chateado em casa. 

Quando chegou... calamidade!

A realidade é que foi ele, o padastro, que assassinou os dois. A menina, Remington, de poucos anos, agora a viver com a avó materna, uma vez contou que o pai viu o irmão mais velho a "fazer assim" - e deitou-se no chão e começou a tremer muito como se estivesse a ter convulsões. 

O disparo na boca do adolescente não foi fatal... pelos vistos o jovem, ou o corpo do jovem, teve tempo para reagir daquela maneira. Claro que as provas forenses apontaram para a impossibilidade do jovem ter como alcançar a caçadeira e disparar um tiro na boca, a 10cm de distância. Não há braço que aguente. 

Uma expressão mais de acordo com o íntimo da pessoa. Ainda assim, fácil de enganar o próximo, bastando um sorriso e cabelo lustroso.

Mas depois... Jason conseguiu usar a lei e obter um segundo julgamento. E foi aí que apareceu a paramédica, que contou qual a temperatura do corpo de um e de outro. Definitivamente Jason não ia sair da prisão. Então o que fez? Recrutou a mãe para intimidar a paramédica, para que esta voltasse atrás no seu depoimento. As chamadas telefónicas são gravadas e, mesmo em código, dá para perceber o intuíto das mesmas. Mãe foi sentenciada a 10 anos de prisão em liberdade e serviço comunitário.

 


Este é Henry Lee Jones. Seu rosto e olhar parecem indicar um homem pacato, humilde, simpático, prestativo, amigo, bondoso. E assim foi considerado por quem o conhecesse. Mas era tudo fachada. Mais tarde ou mais cedo, quem viesse a ter contacto com a verdadeira face de Henry jamais sobrevivia para contar a história. 


Henry Jones é um serial Killer, matando quem lhe aparecesse pelo caminho para roubar bens e dinheiro. Para ele as pessoas era um meio para um fim. Numa ocasião, recrutou um rapaz que dormia num banco de jardim para o ajudar a conduzir um carro até a casa de uma família. Chegando lá, noutra cidade, ele sai do carro, cumprimenta um homem com "então paizinho?" entra na casa... e o jovem que o acompanha, entra também, depois de ter ido empurrar um objecto para a garagem. Nisto encontra a mulher no sofá, com as mãos atadas às costas e Henry de arma de fogo na mão, a exigir que lhe dissesse onde estava o dinheiro. Depois ele vai para a cave, onde estar o idoso, escuta-se muito ruído e percebe-se que é o som de um assassinato brutal e violento. Leva a mulher para o quarto, tira o dinheiro, deita-a na cama e esfaqueia-a muitas vezes. 



Ele era descrito como uma pessoa agradável, simpática e prestativa. Conhecia o casal idoso porque havia morado na zona e, ao verem-no, ficaram felizes por reencontrar alguém que sempre se mostrou tão afável. 

Quem vê caras não vê corações. Por vezes, quem fala sempre de forma muito calma, sem levantar a voz, sem alterar muito os maneirismos, os comportamentos, não estão a controlar as emoções. Estão a FINGIR TÊ-LAS. 


Tenho no emprego uma colega assim. Soft spoken como dizem os americanos. Fala muito baixo, num tom quase de anjo. Para mim ela foi um demónio. E desde então, dedica-se mais ao que parece ser uma missão de seduzir quem a rodeia - em particular pessoas do sexo masculino - como se vivesse num universo onde estivesse a concorrer para o título de Miss simpatia. 

Ela consegui obter turnos diários porque foi para a cama com um homem que até se assemelha fisicamente com o do retrato em cima. Este não era bem visto no local: estava sempre a reclamar, a mandar vir, a dar ordens... As pessoas não gostavam dele. 

Nisto, tanto ele quanto ela, mudaram de estratégia. Passaram a falar com as pessoas com simpatia. A contar piadas, a falar de coisas triviais, a cumprimentar com um largo sorriso... 

Para se promoverem. Para enganar os que não sabem melhor. 

No meu entender, pessoas assim, são perigosas. Porque são aquelas que o Diabo mais gosta de mandar para a terra: Parecem e agem como anjos. Mas enganam!



sábado, 4 de novembro de 2023

Aqui vão umas imperfeições minhas: o que me irrita (cada vez mais)

 

Foi preciso ler um livro de mistério e homicídio faz apenas dois anos, para descobrir que sempre sofri de ansiedade social. Não sabia. Nem sabia que sofria, nem sabia que existia um termo para isso. Mas quando li a descrição fez-se luz. Referia-se, no livro, á pessoa mais "popular", mais dada, aquela que tinha fama de falar sem parar, e de ajudar todos. Fez-me perceber que cumprimentar as pessoas, sorrir, falar, etc - não elimina a ansiedade social. 

Que mais tenho para descobrir sobre a minha pessoa?
Sempre soube que sou mais tímida e introvertida que outra coisa. Mas talvez não dissessem isso de mim quem me conhece em situações sociais, pois falo com as pessoas e gosto de as conhecer. Quem me conhece desde sempre, deste criança, sabe que sou introvertida. Guardo tudo para dentro - principalmente o sofrimento. Porém, sinto-me intimidada antes de conhecer alguém e depois. Pode até mesmo causar estranheza. No dia seguinte, se tiver de passar por essa pessoa, sinto-o. 

Mas não é sobre esta condição que vim falar. É sobre uma outra. Para a qual ainda não tenho definição. Mas pelo que li na internet, em inglês denomina-se Sensoring Overloading. "Sobre-exposição sensorial" - será essa a tradução?


Há coisas que me irritam ligeiramente e delas tento fugir por instinto - sem disso dar conta. Vou dar exemplos de agora mesmo, quando fui a correr ao consultório médico. A certa altura no meu caminho cruza uma rapariga mais à frente, que vem a fumar. Eu corro para a ultrapassar. Não quero respirar o fumo dela. Incomoda-me o fumo dos cigarros. Incomoda-me mesmo. E como estou com o nariz bloqueado, a sensação de fadiga, não posso com cheiros fortes, que me enjoam ou desencadeiam tosse. 

No autocarro, quando saio do emprego às 7 da manhã, entra sempre um homem incorporado, que se senta ou atrás ou à frente do assento onde me sento. O cheiro a cigarro que emana das roupas dele é demais. Não aguento. É extraordinário como me incomoda. Sempre tive o hábito de prender a respiração perante odores desagradáveis. Pelo que respiro o menos possível. Tapo o nariz com o casaco... mas nada faz desaparecer aquele forte e desagradável cheiro. Quero muito sair para o ar livre, é só o que me apetece fazer. Mal posso esperar. É só uma paragem - o homem entra numa e eu saio na seguinte. Mas parece uma eternidade. Se calhar o senhor até é boa pessoa - mas quando o vejo entrar - acho que não consigo disfarçar uma cara de desgosto. 

É que, quando acabo o trabalho - quero muito silêncio, sossego e tranquilidade. Até mesmo no trabalho - na pausa - tenho o hábito de me isolar a um canto sem ruídos. É o que me apraz. Foi herculana as tentativas de encontrar tal local. Cada vez que me sentava num canto - vinha alguém e dizia que não podia estar ali. Ou aparecia gente a falar alto e a comer comida indiana, com um cheiro que não se pode de caril e outras especiarias. Outro odor que não entra bem comigo. Cheiros intensos a óleo, gordura, fritos... são naturais enquanto se cozinha. Mas depois de dias, ainda permanecerem... não posso. 

Sinto-me agredida pelos sentidos. Anseio por ar puro - mas sempre fui assim. Sempre gostei do ar, do vento, do cheiro da relva molhada, do cheiro a árvores, flores, maresia...  De sons, só mesmo os da natureza. 

Cada vez mais o som também incomoda. Sair da paragem do autocarro e caminhar até o emprego - é irritante durante o percurso pela estrada. Os carros estão sempre a passar e o ruído das rodas no asfalto é demais. Corto caminho por uma estrada menos conhecida e quase sempre caminho-a toda sem a presença de um único carro. Quando se dá excepções e, subitamente, passam dois, três, quatro.. estraga-me a experiência. Libertam os fumos de escape e é a primeira coisa que me entra pelos sentidos. Estragam tudo, é desagradável. O caminho é arborizado pelo lado esquerdo. Sem automóveis a passar, sente-se o aroma, aqui e ali, a oxigénio, a natureza. Passa uma viatura... e os meus pulmões estão a receber químicos em forma de fumo. Uma coisa que nunca gostei de ver são carros parados com o motor a funcionar. O ruído que fazem - principalmente quando estacionados numa via não movimentada - parece um atentado. Não suporto o ruído dos motores dos veículos. Alguns, que se escutam a léguas de distância, para mim são um acto criminoso. Os décibeis daquilo deviam ser proibidos e quem os conduz devia ser preso. 

Por vezes tapo os ouvidos por já não aguentar ruído. No emprego não tenho escolha. Trabalho perto de máquinas, há ruído por toda a parte. Mal nos conseguimos escutar uns aos outros. É talvez por isso ainda mais essencial para mim que vá descansar num local sem ruídos. Não gosto de ir para a cantina - está toda a gente na conversa, outros estão a ver programas no telemóvel com o som alto, outros ligam a TV... e eu, a única coisa que quero escutar é... nada. Quietude. Paz. 

Finalmente, durante a pandemia - encontrei o meu cantinho secreto. Vou para o último piso - agora abandonado, e sento-me no chão, no safe heaven (local seguro em caso de incêndio), mesmo ao lado de uma tomada. Ligo o telemóvel, que fica a carregar e tenho uma vista fantástica pela janela paronâmica - que nunca vejo porque é noite serrada. Mas de dia, vêm-se uns montes e as vacas a pastar. É este tipo de cenário que preciso depois de abandonar os Pi-piiii, oha,oha,oha, pocks, Zets, tacks, Íà, ìà, tock-tock, clash! - os sons no local de trabalho. 

Mas não é só isto... 

Não gosto de sair aos fins-de-semana, porque onde quer que vá, tudo está cheio de gente. Adoro trabalhar aos Domingos e se tiver um livre, acabo descontente se o usar para tentar comprar algo. Acho os centros comerciais locais a evitar a TODO O CUSTO. Supermercados a mesma coisa. Parques. Prefiro ficar em casa. Na realidade, prefiro ir trabalhar e ter o meu dia livre durante a semana - quando a maioria da "manada" de pessoas tem os seus afazeres e deveres. 

OK.. o que vinha dizer era isto, que me aconteceu faz coisa de uma hora mas que acontece muito - e me deixa chateada. Não muito, mas um tanto. ODEIO que me cruzem à frente e me façam abrandar. Tenho um passo acelerado. Quando vocês vêm uma pessoa de passo acelerado a andar em linha reta, cruzam-se com ela na diagonal e passam-lhe na frente, em passo brando? É que acontece comigo amiúde. E eu não gosto. A pessoa que se atravessa à minha frente e abranda o passo, obriga-me a abrandar o meu - e nesse instante sinto um incómodo na base da coluna que não sinto se continuar ao meu passo acelerado.

Hoje, saia do médico, a apertar o casaco ao peito com uma mão, tentando bloquear o máximo possível o ataque do vento - pois estou com princípios de uma constipação que passou muito ao tomar hoje cedo um medicamento. Porém, exposta assim ao frio e vento - ia piorar de certeza. Já estava a sentir os pulmões frágeis. Acelerei o passo para chegar a casa e voltar para a cama - de onde me despertaram 3h30m depois de nela ter adormecido. 

 Vem o homem, surge da minha direita, mete-se na minha frente e tem um passo mais lento. Eu até travo, reduzo a velocidade (e sinto aquele incómodo lombar). Mas depois penso: Porquê tenho de parar de andar à minha velocidade normal? Ele é que se cruzou comigo. Ele é que está a atravessar o meu caminho na diagonal. Eu estava no passeio a seguir direito, ele cruza vindo da estrada à direita, rumo a outra rua mais à frente, no meu lado esquerdo. Retomo o meu ritmo e nisto o meu sapato toca no dele, no instante em que ele fica na minha esquerda e eu continuo em frente. Nisto, comigo já a atravessar a estrada e ele já na rua que desejava ir - diz-me algo do género: "E um pedido de desculpa, não? Se fosse foder...

Mas pede-se desculpa por toques na rua? Coisas de raspão? Não. Acontece. Seja como for, ele é que devia me pedir desculpa por me cortar o andamento e cruzar-se à minha frente. É o equivalente a conduzir um carro a alta velocidade e um peão atravessar-se na frente, tendo de fazer uma travagem brusca para evitar a colisão. Ora essa! As regras no passeio deviam ser idênticas. Ele vinha com o telemóvel na mão, colocou-se à minha frente intencionalmente, vendo-me a andar depressa. Tive de abrandar subitamente - para não colidir com o obstáculo. 

Como ele disse a palavra "F" eu respondi "You too pal. Fuck You".

Um exagero, de parte a parte. Sem necessidade. Mas pronto. 

Aqui acontece muito me irritar com circunstâncias de circulação no passeio. Noutro dia, caminhava no passeio, mesmo à berma. Há minha frente vinha um grupo de rapazes - a ocupar o passeio inteiro. Ora, dita as normas com as quais cresci que, um deles, teria de se desviar. Não podem ocupar o passeio inteiro e esperar que a outra pessoa é que se desvie! Eu já estava na berma... não tinha mais para onde ir. Nem me preocupei - dita as regras sociais que um deles se encolhia - porque eu já tinha me desviado o máximo que podia. Pois os rapazes passam, não fazem qualquer esforço para deixarem o caminho aberto à passagem de um peão no sentido contrário. O rapaz mais próximo de mim dá-me um encontrão no braço e continua a caminhar, sem pronunciar o tal "pedido de desculpa" que os britânicos gostam de exigir.  Este é o género de coisa que, de forma crescente, começa a ser mais intolerável para mim. A falta de educação... não deixar espaço para as pessoas circularem nos passeios, nos supermercados... é demais. Até mesmo quando estou no passeio do lado da relva enlameada e existe um espaço tremendo para se passar, há quem tenha vindo contra mim, continuando a caminhar contra mim e eu é que tenho de parar o passo, literalmente, para alguém que vem na diagonal, da minha esquerda para a minha direita, passar. Enquanto segura um copo de café... Depois ainda faz um som de escárnio e eu fico a pensar se estou errada... porque eu não podia me desviar mais! Só se fosse para a lama. E aquela pessoa, além de espaço, tinha tempo. Podia ter-me deixado passar e passar depois. Mas não... vê uma pessoa a caminhar a passo rápido - quase em corrida - e põe-se na frente, ainda fica chateada por a pessoa não se desviar, pisando na lama - o único espaço disponível porque os amiguinhos dela estavam a caminhar no outro lado. Querem o espaço todo para eles aqui no UK. Não os entendo. Foram educados com outros conceitos que não os meus. 

Quis partilhar defeitos. Não somos sempre correctos e tenho esta imperfeição - que é cada vez mais notória para mim: sofro de "road rage" só que no passeio. "pedestrian rage"? 

É algo novo, ainda não bem definido. É algo do qual se começa a falar. 

Não estou num nível grave - não desato aos berros, aos ataques, não sou violenta. Apenas me desagrada bastante este género de situações e por dentro, deixa-me irritada, estraga-me o momento. Dou outro exemplo: pessoas no supermercado que ficam paradas e bloqueiam o espaço para circular. Acontece muito aqui no UK e juro - não entendo. Não entendo como não se colocam de lado para permitir o fluxo de pessoas. Apenas se agrupam ao centro e enquanto ali ficam - ninguém passa. 

Faz-me lembrar episódios dos Simpsons, em que, na escola, o miudo tótó é chefe de corredor - e cabe a ele dizer aos colegas para "circular, circular" e "abrir espaço".  Os adultos precisam de um monitor de corredor de supermercado, em uniforme, que se chegue perto e lhes diga: encoste-se à esquerda, permita o fluxo de clientes à sua direita. A noção de que se trata de uma postura rude não lhes é conhecida. Não percebem o egoísmo e descaso com os demais. Se passares apressadamente por entre eles, a rude és tu. Devias pedir licença... mesmo com licença, por vezes não retiram os carrinhos do meio do caminho. 

Enfim... eu estou cada vez menos civilizada para os "com licença, desculpe" - eu que sempre os esbanjei! 



 


segunda-feira, 3 de abril de 2023

Todas as cidades sao iguais

 Estou a precisar quebrar a rotina aqui em Inglaterra. Apetece-me conhecer lugares novos. Um autocarro dizia ter como destino Sutton e decidi pesquisar a cidade no google. 

Surge um conjunto de imagens que se renovam a cada tres segundos. Claro, sao imagens que reflectem o melhor que a cidade tem para oferecer. Surge uma fotografia aerea da topografia e quatro ou cinco imagens de diferentes parques relvados.

A vontade de visitar o lugar desaparece. Nada de diferente. Nem um museu, um restaurante, uma loja pitoresca, uma igreja. 

Só reforça a minha impressão que todos os locais aqui em inglaterra sao identicos. Nao existe singularidade. Quem visita um basicamemte vai encontrar o mesmo em todos os outros. As mesmas lojas, a mesma toponimica, as mesmas casas construidas com os mesmos materiais e com a mesma arquitectura.

Depois lembrei-me do comentário que escutei de um colega ingles noutro dia. À saida do trabalho, lamentei estar a chover e disse: "Mas o que se passa com este tempo britanico que nao para de chover?"

-"ENTÃO O QUE É QUE ESTÁS AQUI A FAZER?" - disparou ele, com reprovação na voz e denunciando um pouco de aversao a estrangeiros.


Como se um simples lamurio sobre a chuva não fosse um comportamento curriqueiro comum a todos por toda a parte. Principalmente quando nao se ve um raio de sol faz mais de um mes (e ja e primavera).  Reagiu como se fosse um ataque ao seu pais. 

Subitamente, tive a resposta aquela "pergunta" dele: "O que estás aqui a fazer?", ao constatar que todas as cidades em inglaterra sao iguais. 

Estou aqui pelo mesmo motivo que ele. Para trabalhar com o status de colarinho preto. Só que ele nasceu aqui e nao conhece diferente. Eu nasci noutro lugar e conheço. 


Estou aqui - percebi, porque Inglaterra nao passa de uma grande fábrica industrial. Estou aqui para trabalhar nessa fabrica, como quem muda para os alojamentos providenciados por uma unidade laboral. Inglaterra ser tao e somento isso, está nestas cidades uniformizadas, na ausencia de diversidade de produtos (como os meus iogurtes prediletos cujo sabor nao existe aqui), nos parques todos iguais para criar a ilusao de escape que nao esta realmente ali. Barato e quase sem manutencao. Para manter os operarios felizes nos seus curtos minutos de lazer. 

Cinco anos e ainda não se vendem estes iogurtes em inglaterra. Pelo menos eu não os encontro. Os ingleses estão limitados a um número mínimo e repetitivo de sabores. 

Inglaterra e uniformizada. Pelo menos para as massas. Tratam o povo como se nao merecesse melhor. Fazem pior que isso: nao os deixam SABER que ha melhor. Wue devem solicitar melhir. A srmelhanca dos EUA, dizem-lhes wue estao na melhir nacao da livre europa e por isso devem agradecer suas bencaos.

Nada podia estar mais longe da verdade. Por vezes, a proclamada liberdade em paises livres e tao condicionada e a realidade ocultada tanto quanto em paises rotulados de tiranos.


sexta-feira, 4 de março de 2022

Sexo re-inventado

 Nos, humanos, estamos sempre a querer re-inventar a roda.


Mas a roda ja foi inventada. E funciona tao bem. Desde os tempos das cavernas. O design e perfeito, pratico, tão util!

Nos, humanos, reinventamos. O que não significa que existam melhorias. 

Reflicto nas relações humanas quando falo nisto. Este é o tema deste post. Ao ver um programa televisivo no qual procuram juntar um casal com o inusitado princípio de se conhecerem nus para depois irem a um encontro, fico a pensar na quantidade de NOVAS MANEIRAS que esta geração já "inventou" para alcançar o que os nossos antepassados também alcançaram. 

Hoje, como que a querer reinventar as relações humanas, o amor e o sexo, este último tornou-se algo corriqueiro, esperado se não no primeiro encontro, pelo menos no segundo. Não se vai investir muito mais se a pessoa não mostrar logo as "qualidades" que tem como amante. É levado ao escrutínio o saber sexual: a mulher fala do que gosta de fazer ao pénis do homem, como o faz, todos falam que preferem ausência de pêlos, tudo tem de ser depilado, todos querem corpos tonificados, pessoas atraentes, com certas características físicas. Comentam-se formato e tamanhos de penis, peitos, traseiros, mostram-se pircings labiais, de mamilos, anéis para pénis... 

Está tudo tão banalizado que nada mais nos surpreende. 

Sabem o que é chocante?

É que, no meio de toda esta liberalização, a solidão continua. 

Mas como? Se re-inventamos as relações íntimas humanas? E tudo está mais liberal, mais aceite, tudo é tão natural?

Contudo, ali estão eles: a geração de jovens, sexualmente maturos e bastante experientes, a sentirem-se sem esperança, a duvidar que o amor exista e que seja possível uma duradoura vida a dois. 

Jovens que já tiveram tantos parceiros sexuais na vida que já perderam a conta, com um saber de cama para lá de completo - podia-se até dizer que tiraram doutoramentos em todas as artes sexuais, artes essas que antigamente só os "profissionais do sexo" tinham bom conhecimento. E é isso que priorizam e buscam entender logo que se conhecem. Começam logo a falar das suas preferências sexuais a indagar a outra pessoa sobre a sua disposição para executar certas técnicas de suas preferências. 

Está tudo tão invertido!

Amadureceram rápido nessa área, mas não noutras. São impressionantemente imaturos no resto. É uma discrepância escandalizadora. 

Enquanto verifico nos seus rostos a frustração de mais uma tentativa que não deu certo, enquanto os vejo continuar como se cada rejeição fosse natural e não doesse nada, fico a pensar porquê não se regressa ao simples. 

Eles todos sonham em viver um Grande Amor. 
Mas querem começar pelo sexo. Pelo final. Pela intimidade entre estranhos, na esperança que nesse campo, se tudo for perfeito, o resto decerto também terá de ser. Dão toda a importância ao encaixe sexual. Mas devia até ser a última coisa nas suas listas. O processo devia ser invertido. Como se fazia antigamente. Porque tudo para o qual se tem de lutar, vale a pena ser conquistado. Sexo logo no começo não deve saber tão bem quando mal se consegue aguentar a vontade e é por amor que se vai descobrir a partilha de corpos mas, acima de tudo, a partilha espiritual entre os dois.

Os nossos antepassados nem sempre se uniam por amor mas uniam-se querendo e acreditando no sucesso da relação para toda a vida. Alguns, chegando a uma certa idade, idade de casar, procuravam parceiros e se engraçassem um com o outro, investiam em se conhecer. Tomavam a decisão de criar uma vida juntos. Procuravam ver se se davam bem, na forma de pensar, de reagir. Existia a corte. 

Sinceramente, acho que o que faz falta nesta área para um programa televisivo não é meter "Quem quer casar com um agricultor" ou outras parvoices em que se parte logo para o final, saltando todo o início. Devia-se regredir ao básico. Meter as pessoas a viver juntas após uma corte de uns seis meses. Sem intimidades. E depois ver no que dava. 

Mas isso não serve para a TV. Não serve para esta vida de ritmo cada vez mais rápido. 
Porém talvez fosse boa ideia para que existissem no mundo mais pessoas felizes com os seus parceiros, unidos por mais que sexo. Acho que vai haver muita solidão de pessoas que estão sempre com alguém, intimamente, mas se sentem sós, desconectadas espiritualmente. Isso se deve à forma como a sociedade lhes está a dizer para sociabilizar. Estão a querer re-inventar a roda, algo que já foi inventado e funciona bem. Só têm de ficar pelo simples. 


sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Brexit - 23h: day ONE


Neste preciso segundo, o Reino Unido acaba de sair da União Europeia.


Será o pioneiro, a ver vamos como se sai. Mas se a história diz-me alguma coisa, é que esta espécie é como o gato: cai sempre de pé. Novos aliados económicos irão abraçar o «desertor». O Reino Unido tem, afinal, uma longa prática política de "lapa". Ou seja: gosta de se armar em senhor rico que tem limosine, mas depende sempre dos simples para andar. 

O país gosta de se distinguir dos restantes, com altivez e em grande. Por isso sempre foi do contra: contra a adopção da moeda-euro, contra a circulação rodoviária pela direita, contra os volantes nos carros ficarem à esquerda, contra a pintura de listas brancas para assinalar uma passagem de peões, contra a colocação de semáforos para peões à frente destes (ficam de lado, ao nível da cintura).  Tudo isto é de «gentinha que vai-com-os-outros» ahah. Enfim, percebem a ideia.

Do contra será sempre. E agora que está fora da EU, retoma a identidade de país-único, que sempre foi aquilo a que realmente dão valor.

Há muitas coisas erradas aqui mas, no que respeita ao funcionamento de burocracia... aí tiro-lhes os chapéu. Mas atenção! São burocráticos e são de enlouquecer. Quase sempre não sais informada do que seja. E tens de andar aos círculos... MAS, aqui é que está a excepção, conseguem facilitar tudo.

E foi assim que, neste último dia de Comunidade Europeia, decidi fazer a inscrição para o status de pré-residência (pre-settle). Tudo no telemóvel, sem sair de casa. Bastou pesquisar a app do governo no Google play, instalar e foi tudo rápido e eficiente.



Imaginem só: Começam por pedir o email.
Depois, através da app e não do telemóvel, tiram uma foto ao passaporte. Nem precisas carregar em qualquer botão. Posicionas a câmera e é imediato. Tudo feito com muita rapidez, com ilustrações claras e em movimento. Fica logo pronto e manda-te para a próxima etapa: scanizar o chip no passaporte. Faz-se isso pondo-lhe o telemóvel em cima. Simples. Agora vais tirar uma foto. Feito. Fornece umas respostas de segurança e já está.

Mas isto é necessário para quê? Perguntam-me vocemeceses. Pois, também não sei. Não vejo qualquer necessidade. Na minha opinião, os ingleses são uma raça que gosta muito de ter as pessoas todas bem catalogadas e documentadas. Isto é apenas uma desculpa para fazerem-no. Pedem-nos para ficar-mos registados em todo o lugar.

Recebo em casa quase mensalmente uma carta enviada pela junta de freguesia, que diz que é urgente fazer o registo local para efeitos de voto. O não envio do registo é considerado crime e induz a uma multa de 80 libras. Como não gosto deste lado MUITO inglês de intimidar ou ameaçar as pessoas com prisão, multas, mesmo sem existir motivo, rebelo-me com esta metodologia fazendo questão de não me registar. Ou não está no meu direito? Sou emigrante, com estatuto de residência ambulante: tanto posso estar a viver aqui hoje, como amanhã mudar de cidade. Ainda assim, «querem-te». É como os likes online: mais quantidade, mais se tira proveito (neste caso político).

Esta postura ditadora e de ameaça é típica e está espalhada por toda a cultura inglesa. Foi o que mais me surpreendeu pela negativa, eles nem parecem entender o quão rude são os muitos bilhetes e notas deixadas em instituições como bancos, consultórios médicos, interior de autocarros, recepções de hospitais, etc, etc., «informando» sem provocação ou necessidade, que qualquer pessoa com um comportamento «disruptive» terá problemas com a lei e poderão ser presas. Isto seria de esperar encontrar em sociedades fechadas, radicais, como em Marrocos, Dubai, etc, etc. O problema é que qualquer circunstância pode cair na definição de «disruptive». Basta um funcionário assim o dizer e a pessoa pode ser vítima de falsas acusações que mancham o seu carácter. Se mostrares descontentamento ou simplesmente discordares da opinião da funcionária, por exemplo. Falar alto, ter pressa... são «disruptive», se assim o estabelecimento o desejar. Estás à mercê do que te quiserem acusar.

Epá, um tanto ameaçador e intimista, à Hitler, não acham???

Mmas depois têm estas coisas da tecnologia burocrática que facilita tanto a vida. Como por exemplo: Basta dar o código postal e sabem logo o nosso endereço. Isso é prático e cómodo, um dos facilitismos que mais aprecio.

Duvido muito que os emigrantes estejam em perigo e sejam "despejados". Apenas está no sangue britânico querer ter o controlo absoluto, dar a entender que têm o poder. Deixar as pessoas emersas numa banheira de expectativa e ansiedade (3 anos para se decidirem, porra!). Mas recusar alguém sem motivos fortes vai contra as mesmas regras impostas socialmente. Não dá boa imagem.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O pobre está sempre desgraçado


Estou em busca de trabalho. Tenho me candidatado a dezenas de posições mesmo antes de ter deixado o anterior emprego. Isto foi em Agosto. Estou há seis meses sem trabalhar. Isto parece-me surreal. Espanta-me como o tempo parece passar mais rápido quando se deseja que não passe de três  semanas. 

Que ingenuidade a minha!
Hoje a percepção da realidade foi sentida como um soco, de deixar o adversário KO. Brutal.

Há uma semana fui a uma entrevista de emprego para trabalhar em algo que já trabalhei em Portugal e que não requer conhecimentos específicos, qualquer um pode obter aquele trabalho. Soube da vaga durante uma outra entrevista, no centro de Emprego, onde fui para procurar orientação e apoio. Estava no final da linha, aquele lugar onde a esperança está a terminar. Recorri a eles - só para constatar o quanto é desolador as expectativas e a realidade. 

Diante do meu interesse por uma oferta divulgada pelo Centro de Emprego, o funcionário marcou a entrevista, que aconteceu há uma semana. Nunca tinha apanhado uma recrutadora que falasse à velocidade daquela. Parecia querer despachar-me muito rapidamente. Elogiou-me, como tanta vez alguns fazem, disse inclusive que seria perfeita para o trabalho. Enfiou-me uma série de papéis para preencher, deu-me todos os seus contactos e mandou-me voltar a entrar em contacto assim que tivesse reunido toda a papelada. 

Até hoje. Já a contacto faz cinco dias. Não obtenho resposta. Recebo apenas um email automático dizendo: "de momento não me encontro no escritório, só regresso amanhã dia X. Se for urgente contacte em alternativa fulado Y ou fulano Z".

No dia "X" volto a contactar, só para receber outro email automático dizendo a mesma coisa, só alterando o dia para o próximo ao do contacto. Não foi preciso muito para deduzir que aquela ia ser a resposta-padrão a qualquer tentativa de contacto estabelecida. 

Contactei então um dos colegas cujo endereço vinha fornecido. SILENCIO também da parte desse recrutador. Hoje voltei a contactar. Mas não o primeiro, ou o segundo, mas TODOS. Antes de enviar o email fiz uma extensa pesquisa sobre DENUNCIAS DE AGENCIAS DE RECRUTAMENTO FRAUDULENTAS. 

E é nesta pesquisa que a sensação de desolação se intensifica.  
A pesquisa não me devolveu nenhum contacto. Um site apenas, especificou que qualquer queixa deve ser apresentada primeiro à agência de recrutamento e só depois se não ficarmos contentes, pode-se preencher um formulário e enviar para uma certa entidade que julgo governamental. No texto diz que dão importância a todos os emails recebidos - mas não indicam um endereço de email. Em parte alguma. Ou número de telefone. Isto é muito, mas muito britânico. Depois de se cá viver por uns tempos, percebe-se que a realidade e que os teus direitos não encontram quem tenha interesse em lutar por eles, a menos, claro, que pagues por um advogado. Não estão ao teu alcance caso queiras ou necessites das instituições governamentais que supostamente deviam existir em defesa dos mesmos. 


Fiquei com a sensação de IMPOTÊNCIA. A constatação de que, na realidade, não existe neste país alguém que defenda os interesses da justiça para as pessoas mais desprotegidas.

É tudo Fogo de Artifício.

E depois a constatação de que as Agências de Recrutamento PODEM agir na maior das ilegalidades, que as leis pouco fazem para o impedir. NINGUÉM tem interesse em salvaguardar os "alvos" - as pessoas mais necessitadas. Se estas procurarem ajuda, dificilmente vão saber para quem se dirigir. Tudo aqui é tão falso, tão de aparências. A começar pelo "Centro de Emprego". Dirigi-me lá para receber, acima de tudo, ORIENTAÇÃO de um PROFISSIONAL. Queria conselhos, apoio, caminhos a seguir... Mas aquilo mais parece uma repartição das Finanças. Só lhes interessa é documentação, dados pessoais, dados bancários... para fazer a tal "clame" sem a qual não te dão sequer acesso aos serviços ali disponibilizados. E depois? Depois não acontece rigorosamente NADA.

Fui a uma marcação julgando que, finalmente, ia poder falar com alguém que me orientasse, quando percebi que a pessoa era quase uma idiota. Sem querer ofender, mas era um daqueles funcionários que não querem se aborrecer, só querem fazer uma coisinha simples ali dentro, provavelmente um "dinossauro" de outros tempos, que mal sabia teclar no computador e teve de me dirigir a outra colega para que eu pudesse sair dali com um documento constando as datas de inscrição. Mal soube orientar aquela entrevista, fui eu que tomei a iniciativa de colocar questões, ele apenas me mandou sentar e depois perguntou: "Então?". 

Onde estava o "working coach" que me foi prometido? Duas palavras onde se deposita tanta fé e esperança, estraçalhadas diante da realidade que saltava à vista. 

 O facto da oferta de emprego estar a ser publicitada pelo CENTRO DE EMPREGO e a entrevista para a mesma ter-se dado NUM DOS SEUS GABINETES, significa zero em termos de LEGITIMIDADE.

Eles não querem saber! Provavelmente se a agência pagar para usar o espaço, qualquer uma pode ir ali aliciar "clientes". Porque "quantidade é comissão", não é necessário existir uma oferta de emprego real. Só precisam de aparentar estar a proporcionar uma. 

Tudo isto mete NOJO.
É revoltante pensar que andamos a meter filhos no mundo para os sujeitar a isto.
Assusta. Dá medo pensar que podem vir a passar pelo mesmo ou pior.


Em Inglaterra, o sociedade está irremediavelmente corrompida. São todos "carneirinhos" alimentados pela fantasia de que este é um dos melhores "países do mundo" "perfeita democracia e sistema social". O serviço Nacional de saúde é uma anedota -que faz de tudo para impedir as pessoas de conseguir consultas médicas, a justiça também é uma anedota e qualquer tentativa do mais desfavorecido em procurar justiça ou ajuda depara-se com portas e janelas com trancas. É tudo "faz de conta". E por todo o lado - desde que aqui cheguei - surpreende-me a quantidade de "avisos" condescendentes e que deixam implícito que o povo que ousar contestar algo, poderá vir a ser alvo de um processo judicial. Incutiram no povo uma noção de que não pode levantar a voz, que é inadmissível protestar contra o que seja. Estão todos muito cordeirinhos alimentados por propaganda dirigente.



Sinceramente, em muitos aspectos, Inglaterra não passa do outro lado da mesma moeda de qualquer sociedade sobre o pulso de um Ditador. Entre o UK e a China existem mais semelhanças do que se imagina.


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O que penso sobre o assunto, dito por outros








"Se esta senhora acusasse o Messi, era uma vítima. Como é o Ronaldo, é uma caça-fortunas"


Por escrito:

A matéria na revista alemã Spiegel. (traduzida automaticamente para PT)
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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Aquele defeito que gostava de não ter


Ao longo dos anos, adquiri um defeito pelo qual não tenho particular simpatia.

Quando alguém está a falar comigo, ou pretende fazê-lo, por vezes falo não por cima dela mas, talvez antes que esta consiga terminar o raciocínio estou a tentar adivinhá-lo.

Ora, nem todos apreciam isso. 
Eu também não.


Sei muito bem quando, porquê e quem me empurrou para este tipo de comportamento social. Porque não costumava ser assim, fiquei assim. E depois de se adquirirem certos comportamentos, é muito difícil perdê-los. Pelos menos os «maus» eheheh.



O que me conduziu ao defeito:
Quando era criança e queria falar, mandavam-me calar. As minhas ideias e raciocínios ficavam em "espera", engarrafados, uns atrás dos outros, a querer sair e sem ter para onde. Acabando por morrer sem terem sido expressados. Algumas vezes a imposição vinha com toques de vilania, porque as ideias eram imediatamente descartadas e rotuladas de zero valor, sem sequer terem sido expressas. 

Até mesmo a escola contribuiu um pouco para isto. Quando levantava o braço para falar e me era concedida a vez, se o fizesse muitas vezes e os outros fossem mais reservados, a professora mandava-me baixar o braço e pedia que outra pessoa intervisse. Compreensível. Mas rapidamente entendi que, mesmo numa sala onde ninguém levantava o braço, o meu não era bem vindo se fosse o único. Passei a esperar ou então nem sequer o erguia. Enquanto a professora prescrutava a sala em busca da resposta certa entre os alunos mais tímidos (eu sempre fui muito tímida mas gostava de estar nas aulas), esta pesava-me na ponta da língua e eu a engolia para não ser a "míuda na sala" que gosta de participar e «tira a vez» aos outros.

Também tive uma professora cruel que ignorava as minhas tentativas de participação, zangada por eu ter mostrado integridade numa situação anterior e determinada em sabotar-me. Quando erguia o braço e este era o único ali pedindo atenção, ela dizia "alguém? ninguém?" ignorando o meu que estava erguido.  Todos percebiam este e outros comportamentos agressivos dela para comigo e foram até colegas na sala que vieram me falar que a professora era cruel e devia fazer queixa dela.

Infelizmente não fiz.


Mas a razão maior para este meu actual comportamento/defeito é outra. Vem da família. No seio familiar todos falavam por cima uns dos outros. E poucos sabiam escutar. Às tantas, para me fazer ouvir, comecei a fazer o mesmo. Até mesmo para terminar um raciocínio, por vezes era forçada a "passar" por cima de quem mo interrompia. Acabei por ABSORVER o defeito que me era forçado. 

Esse é o principal motivo mas existe outro, que também contribui para que este defeito dificilmente seja erradicado. E o considero mais perigoso que todos os outros, porque está por toda a sociedade e passa despercebido, mas influencia todos, diariamente. É o ritmo de vida que levamos.

Um ritmo acelerado, imposto pelo contributo das tecnologias. Uma conversa, nos "antigamentes", era tida com tempo. Um «compadre» falava com outro, oferecia uma bebida, uns aperitivos, ou então caminhavam do emprego até casa mantendo uma conversa. E se a conversa ainda tivesse pernas para andar quando o destino já fosse atingido, dava-se tempo para que fosse finalizada.

Hoje em dia isso não acontece. Tudo é muito rápido.
Não se perde tempo em conversas. Ora porque se está a enviar uma mensagem pelo telemóvel ao namorado, ora porque tem de se correr para o autocarro que está quase a passar, ora porque, já no autocarro, está a chegar-se ao destino.

O que isto impõe na forma como sociabilizamos é uma alteração na forma de conversar. Tudo tem de ser rápido. Manter uma conversa tranquila, sem pressas, é cada vez mais raro. Porque as conversas são mantidas nos curtos intervalos em que as pessoas têm tempo para sociabilizar. 

Ora nos 15 minutos de intervalo na sala de refeitório (onde muitas vezes ocupa-se o tempo com as tecnologias, enviando mensagens ou escutando música), ora nos cinco minutos que leva a caminhar da empresa até à paragem de autocarro.

Se tens um raciocínio o que acontece?
Ou és versátil nas "novas tecnologias" e aprendes a abreviar conversas como se abreviam palavras por texto escrito, ou começas a falar depressa para poder contar uma história até o final, antes que "o tempo acabe".


E pronto. É isto.
Achei importante fazer um post sobre algo incorrecto de minha parte.  
Porque afinal, os defeitos não estão sempre nos outros, nós também os temos.
E este é um meu. 
Não me orgulho dele. 

---

Noutra nota similar, um outro "defeito" é, por vezes, o lado "negativista" dominar mais o dia. Este é uma característica grave, porque, se deixar, pode me conduzir a caminhos depressivos.

Ontem estava com receio do que podia ser a "conversa" que a superiora queria ter comigo. Razões para temer um contacto com ela não faltavam- como especifiquei. Mas rezei ao meu anjo da guarda para que me protegesse e me mantivesse longe de problemas. Não sei se por essa razão ou não, quando cheguei ao emprego, não escutei as habituais reprimendas por isto ou aquilo (caligrafia pouco legível, mais panfletos, cartaz pais para dentro e para a esquerda, nota emendada, etc, etc). Recebi um prémio por ter ficado entre os primeiros três lugares numa competição de vendas que nem sabia que estava a decorrer. Ah, afinal não sou tão má assim no meu trabalho - pensei. 

 Já hoje, por não estar à espera, provavelmente é quando vai "cair" em cima algo desagradável.
Mas como comentou e muito bem o Pedro Coimbra, do blogue Devaneios a Oriente, há dias bons e maus. Temos de os viver todos. Posso sempre recorrer à fé e às energias positivas para afastar as contrárias.

Quem acredita? 




quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A diferença entre se ser RICO ou POBRE




Não é ciência nenhuma...

Mas apeteceu-me partilhar por a minha infância ter sido o oposto. 
Alguns sabem o quanto estas palavras bonitas «picam» a alma por, indubitavelmente, trazerem à lembrança outra realidade. 

Ontem uma pessoa perguntou-me porquê me vejo numa luz «derrotista». E sem entrar em especificações, tentei explicar o quanto um certo «negativismo» nas raízes de muitas famílias portuguesas contribui para esse colectivo. 


Por isso relembro: pobre não é aquele que cresce sem bens materiais ou com pouca comida.
Pobreza é outra coisa. É quando vem do espírito.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A inveja é para ignorar

Foram preciso estes anos todos para entender como lidar com a INVEJA.
Entender, entendo. Por em prática é outra coisa.


Ainda me dói senti-la, tal e qual uma menina inexperiente. Surge sobre a forma de olhares mal intencionados, mexericos vis, palavras desencorajadoras e coisas tais.


Entendo a INVEJA e a repercussão que pode ter na vida de uma pessoa.

Hoje sei que o melhor é seguir em frente sem se privar de nada, ao invés de permitir que as manifestações de inveja dos outros influenciem decisões, posturas, escolhas. 


Infelizmente, isto nem sempre é verdade.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Paralisia Labial

Isto




 Faz-me lembrar isto

Não tem jeito. Já vi muitas fotos e todas exalam vulgaridade.

Digam lá se isto não é vender sexo online?
E o que é pior: sexo gay e pedófilo!



Estás HORROROSA!! Apaga esta foto o quanto antes! - é o comentário que já me apeteceu deixar numa dita foto de PERFIL. Era o comentário que devia substituir os "linda", "maravilhosa", "gata" e os "obrigada", "xxx", "adoro-te".

Não sinto qualquer impulso para tirar selfies destas. Quando vejo uma imagem assim, vejo uma pessoa insegura, com baixa auto estima, com uma vontade gigante e banalíssima de se enganar e ser mais uma na carneirada. Tão básica que até faz doer!

Sátíra às selfies
E isto está a desenvolver-se para um problema. Quem diria que a simples invenção de um telefone com máquina fotográfica fosse gerar mais calamidades sociais?


Fez aumentar o narcisismo, a dependência de aprovação social e a vaidade que encontra sempre insatisfação. E é por isso que me repugna tanta foto de boca-de-pato/biquinho (vulgo beijo), geralmente quase sempre acompanhada de melões (vulgo seios), bunda (rabo) empinada ou a mãozinha dentro das cuecas.

Deixo aqui o relato da vida que levava um adolescente britânico que tentou o suicídio por não conseguir tirar a selfie perfeita. O artigo vai mais além, classifica o tipo de selfies (como a moda da selfie após-sexo) e explica que este é um vício que pode revelar uma doença mental. (Dah, obvio!).

Selfie de um jogador brasileiro
Dêem-me um largo sorriso a qualquer instante, mas isto não, isto é demasiado repelente.

Mais jogadores brasileiros. Ainda suporto a presença dos dois dedos 
porque os sorrisos naturais salvam a foto! 
A sociedade evoluiu e encontrou uma nova forma de praticar pesca. À pesca de elogios para se encher a vaidade, ao invés da barriga ou da mente. E as pessoas compram este "peixe" com a moeda mais rasa disponível: os banais elogios. E lá se satisfazem todos. Toma a cana (internet), toma a isca (foto) e pega o peixe! (elogios). 

domingo, 29 de março de 2015

Www: a revolução do século XX

A revolução do século XX não foi a televisão.

A verdadeira revolução, a que mudou o mundo todo de pernas para baixo e nos tornou a todos, ricos ou pobres, dependentes, ligados e ameaçados é a INTERNET.

Nem a televisão ou a rádio fizeram desaparecer os jornais, as revistas, a imprensa escrita. É a internet que está a dar esse «empurrãozinho». A Rádio, como um dia ela já foi, seja de entretenimento ou informação, está quase morta, teve de adaptar-se. A televisão passa dias e dias desligada por esses lares - há até quem não a tenha, porque não precisa, pode vê-la tendo ligação à internet. O telefone foi substituído pelo telemóvel que por sua vez passou a ter internet. E dentro da internet, o facebook cada vez mais dita as cartas.

Pela internet nos dedicamos ao lazer, à informação e até ao terrorismo e ao crime. 

Um dia destes numa carruagem de metro, não resisti ao impulso de registar o que todos os dias vejo à minha volta. Estas subtis mudanças sociais, que alteraram para sempre a vida de todos. O que prevejo no futuro: muitas colunas e pescoço tortos, sem dúvidas!





EM 10 PASSAGEIROS, 3 NÃO SE OCUPAVAM COM OS TELEMÓVEIS OU TABLETS.
 



sábado, 14 de março de 2015

A Tirania do Facebook (e o like)



Eu não sei quanto a vocês, mas ao lidar com gente mais nova (nos 20...), tenho percebido que a linguagem com que se expressam no Facebook é diferente. 

Ou melhor: a interpretação, a conotação e a intenção por detrás de cada gesto é, francamente, muitas vezes agressivo e o que é pior: sem necessidade. Sarcasmo, ironia, má língua... e descriminação. Tudo corre por ali, com naturalidade, sem pudor ou culpa.

No facebook faço parte de uma coisa que até há bem pouco tempo nem sabia que existia: um grupo «secreto». Ser secreto significa apenas que os restantes utilizadores não o vêm, mas de resto funciona como uma página normal. A primeira coisa que vi acontecer, que me surpreendeu e moralmente reprovei, foi a criação de um outro grupo, para se proceder à inclusão de novos elementos não tão «desejados», criado supostamente para parecer ser o "primeiro", 

Na vida real, fora do online, não se podem excluir pessoas assim, com esta facilidade. Essas más práticas, contudo, já podem ser praticadas no mundo virtual.  

Claro que logo me ocorreu que de seguida iriam criar um terceiro grupo. Para serem ainda mais mordazes e deixar de fora as pessoas que entretanto já haviam aceite no primeiro e pretendiam excluir. Foi o que fizeram, O que se diz por lá, só posso imaginar pelo pouco que deixaram antever no original... Coisa boa não é. Destila-se veneno como quem faz férias nas Bahamas. (mas os maus são os outros). Fazem-se julgamentos precipitados, ditam-se sentenças, influencia-se as opiniões alheias com tanta má vontade.

O FACEBOOK é, só por este exemplo, uma ferramenta social que permite com excesso de facilitismo a descriminação e o bulling. 

E tem ainda uma ferramenta adicional para isso: o botão LIKE.

Meter likes (gosto) em comentários depreciativos revela muito sobre a forma de pensar das pessoas. Pode, inclusive, revelar o que elas pensam realmente de ti e que não transparece no convívio diário.

Verifico neste curto espaço de tempo em que tenho interagido com um grupo de pessoas mais novas que a linguagem que utilizam é geralmente agressiva. Depressa respondem a comentários do género: "Isto está a ser uma seca". Deste pequeno desabafo podem desenvolver vários assuntos e aí deixar acima de 20 respostas.

Mas se a seguir alguém colocar: "O bolo não é para cozer aos 180º?". A pergunta fica sem resposta. Por tempos e tempos, até que uma alma simpática decida "quebrar" a estranheza. Se decidir... A maioria leu a pergunta. O facebook é «cruel» a esse ponto: avisa-nos quantas e quais as pessoas que leram a mensagem. Por isso sabes quem viu e ignorou. E quem não viu e, por isso, nem ignorou nem deixou de ignorar. 


Verifiquei também que ao colocar informação pertinente, poucos são os que se dão ao trabalho de expressar que a viram. Exemplo: "Deixo aqui o programa que foi transmitido, para que todos possam trabalhar através destes dados". Comentários? Quase nada. Só mesmo um ou outro das melhores alminhas que por ali andarem. Mas se de seguida aparecer alguém e postar: "Isto aqui é muita fixe e eu sou a maior!". As reações não tardam a surgir e são do género: "Linda!!! Maravilhosa! (corações e outros simbolozitos), Amute mto! K krida!! Kriduxa! És a maior! lol!" - e por aí fora.

É o tipo de comentário que que não acrescenta nada a coisa alguma. Num post sobre nada... (será isto reflexo de se ter amadurecido no tempo dos reallity shows?).

Mas o que mais espécie me faz é a facilidade com que passam julgamentos e dão cabo da imagem de outra pessoa, de forma gratuita, desejadamente permanente e irredutível. Basta que sejam apenas dois... Esses dois vão mostrando a sua insatisfação com determinada pessoa, e continuam na deles... Acabará por aparecer um terceiro, meio convencido... e se algo acontece que possa ser distorcido, dá para perceber para que lado uma pessoa se inclina só pelo facto de colocar o «like».


Fiquei surpresa quando um comentário humoristico que fiz, que não era dirigido a ninguém, foi «atacado». Do que para mim veio do nada, uma coisa inocente foi atacada com ironia agressiva e sarcasmo. Vai que... começam a "chover" likes. Nessas reações agressivas. O facto me transtornou e quase que cedi ao impulso de comentar também agressivamente. 

"Não ando a distribuir carapuças pelo que se as enfiaram foi porque assim o desejaram". 

Mas optei por não responder nada. Pessoalmente (note-se a diferença), quando encontrei uma das pessoas e até foi ela que se lembrou da questão, acabei por lhe dizer o que senti. Não me deu resposta, mas disse que estava "tudo bem". O que é isso do tudo bem? Eu não fiquei bem... aliás, fiquei mal. Muito mal. E aposto que ainda hoje estou a ser alvo desse "tudo bem".

Subitamente entendi que existia um grupo cada vez maior de pessoas que iam gostar de me dificultar a vida... Que deviam ter interessantes conversas de má-língua pelas minhas costas. Sim, porque se as têm sobre outros à minha frente (agora nem tanto, adivinhem lá porquê), também as terão sobre mim. Ainda mais após este episódio que, para mim, foi gratuito e desnecessário.

O que é que se passa com as pessoas que já não recorrem a uma abordagem a pedir esclarecimentos e partem logo para a agressão? 

Não se incomodam em ser injustas. Isso não as afeta. Não pedem desculpas, isso não é necessário...

Que raio de moralidade é esta, cada vez mais vigente?


É o facebook. É este meio e outros como ele, é a COMUNICAÇÃO VIRTUAL.

Na comunicação virtual sai com muita facilidade tudo o que é frustração, raiva, maldade, má língua... Este fenómeno pode ler-se ao se ler alguns comentários em sites de notícias... Abrem-se grupos secretos nos quais acaba-se por falar mal de uns tantos, e depois é preciso abrir outro grupo secreto para continuar a falar mal desses tantos mais outros tantos que entretanto «transitaram» do grupo de possíveis desejáveis para indesejáveis.

Aprende-se sempre muito ao contactar outras pessoas. E tenho aprendido muito com os "mais novos". Nem todos os muito jovens agem como descrevi, felizmente. Existem uns tantos que ficam de fora na demonstração de tais comportamentos - e ainda bem. Mas são poucos e pouco expressivos. 

Provavelmente tem sido sempre assim. E será que isso significa que se contribui para que tudo fique ainda pior?




domingo, 14 de dezembro de 2014

Este mundo condena-se ao viver em função da JUVENTUDE



Tenho 30 e muitos anos. Pode não parecer, aos mais novos, mas a realidade é que, com esta idade, já se sentem muitas diferenças comportamentais da sociedade para contigo.

Pequenas e ténues coisas, outras nem tanto.

Numa passagem por um centro comercial, notei nas imagens publicitárias das lojas de roupa. Reparei nos manequins nas montras. O objectivo é VENDER ROUPA. Mas a imagem que projectam é toda direccionada à juventude. O rosto do rapaz no fato da loja é muito jovem. Os rostos femininos também. Os manequins, sem rosto. Para não terem idade. Mas com silhuetas e formas finas e elegantes, tão próprias da juventude e tão difíceis de manter, às vezes, ainda na casa dos 20 e muitos anos. Os funcionários destas lojas são na sua maioria todos jovens. Muito jovens, rapazes e raparigas em idade escolar. Toda a sociedade consumista está virada para a juventude. O que é péssimo. 


Lembram-se de quando contei aqui sobre o episódio do "Bom dia" no MacDonalds?


Pois percepções de trato diferente conforme a aparência têm-se multiplicado.

Fui a um balcão de maquilhagem de uma loja num centro comercial, daquelas que têm um funcionário a maquilhar alguém que, por coincidência, quase sempre é muito jovem. Aproximei-me da funcionária e a jovem, que maquilhava outra muito jovem, disse-me que ali não faziam maquilhagem. Fiquei intrigada. Os despojos estavam à vista: três pincéis sujos com base e pós pousados na bancada, um deles tinha acabado de ser esfregado no rosto da rapariga muito jovem e exageradamente maquilhada. O batom da cor vermelha forte que explodia nos lábios da rapariga também estava ali e as sobrancelhas recortadas e pintadas, junto com os olhos bem maquilhados contrariavam a informação dada. Podia estar a abrir a excepção para uma amiga, certamente. Mas algo na forma como a informação foi transmitida me pareceu intrigante. 


Na universidade distribuíam aos estudantes que por ali passavam um novo produto a ser lançado no mercado. Não pude deixar de reparar que se dirigiam aos muito jovens e que, pessoas mais velhas como eu, não eram abordadas. Parei para observar e aí fui contemplada com uma "amostra" do produto. Mas não me facultaram o saquinho que continha outras ofertas e que estavam a distribuir às jovens ao meu lado. Estive quase para perguntar o que continha o saco e se tinha direito a um, mas como não calhei passar ali para "sacar" algo grátis, não dei importância e segui em frente. Uma vez na sala de aula começo a ver colegas a entrar, todas sorridentes, com aqueles sacos na mão. Garantiram que lhes deram os sacos sem problemas e estavam felizes porque cada saco continha várias guloseimas como pastilhas, rebuçados, bombons, chupas e gomas. Nisto uma outra colega responde que, não sabe porquê, a ela não lhe deram nada. Estava no grupo, passou pelo local, mas não lhe deram nada e achou isso estranho. Essa colega não é tão jovem quanto as outras, tem trinta e muitos anos

Perante isto, o que é que uma pessoa pode pensar?
Se é assim na casa dos 30, é assustador imaginar como será aos 40 ou mesmo os 50.

Existe descriminação de idade SIM, esta sociedade consumista está a condenar as pessoas. Fá-lo todos os dias, subtilmente, através da publicidade, através das acções de promoção, através da sua obsessão pelo "target" jovem. Fica-se a sentir que se é menos importante, menos útil e menos válido depois da juventude ficar para trás. Estamos todos a dar um tiro no pé e a condenar os nossos filhos a só serem apreciados enquanto jovens e belos. Por quanto tempo é que se permanece tão jovem? Por um sopro de vida! E que valor se dá aos restantes muitos e longos anos? 




terça-feira, 20 de maio de 2014

Desporto ao ar livre


Estive a ler por alto uma reportagem sobre fazer desporto ao ar livre. Dizem que virou moda, uma moda que a crise trouxe e que os muito bem afeiçoados praticam com gosto e despudor.
E eu fico pasma com isto. MODA. E como moda que é, alguns seguem-na por causa disso mesmo: moda. Quando esta regredir novamente aos ginásios, os seguidores de «modas» vão atrás.

Quando era MODA estar em forma frequentando ginásios, nunca me senti atraída por eles. As pessoas diziam-me que tinha de ser assim, que estar em forma era preciso e algumas quase queriam me forçar a frequentar um, apelando às «coisas terríveis» que acontecem à imagem que projectamos quando não se faz desporto. Eu concordava que o exercício faz bem - eu sempre me senti bem ao fazê-lo - mas ia logo dizendo que ginásios não eram lugares para mim. Quando me imaginava a fazer desporto, qualquer que fosse a actividade que me apetecia não era nada que me confinasse a quatro paredes. Eu queria subir montanhas, dar passeios, ir em caminhadas, fazer coisas mas ao ar livre. E desde os 12 anos que sentia vontade de experimentar asa delta e queda livre. Esta minha vontade portanto, não correspondia bem com as que um ginásio disponibiliza e vinha de um outro lugar que não o da preocupação estética. Sim, julgo que era a vaidade que conduzia muitos aos ginásios. Talvez um pouco a saúde, mas muito mais a vaidade, sem dúvida. E eu não tinha disso. Sentia atracção por actividades que me preenchessem também a mente e a alma. E daí nunca me conseguir ver num fechado, escuro, artificial e suado ginásio. Só de entrar, já não gostava do cheiro do ar. Como fazer exercício com vontade, se  não gosto do ar que respiro? Me incomodava, por vezes, ginásios em lugares fechados e escuros, dos que ao entrar os olhos tinham de se ajustar à pouca luz, luz essa que estava a brilhar lá fora. E tinha também aqueles com ar condicionado para fazer circular o ar carregado de suor, o barulho de máquinas, os espaços apertados e cheios de pessoas... Não eram para mim. Eu desejava estar FORA dali.

Nos longos anos em que os ginásios viraram «moda», tentei encontrar pessoal interessado em actividades diferentes e ao ar livre. Coisas simples como passeios. Uma caminhada. Só que as poucas pessoas que conhecia não gostavam muito de praticar. E tem também a família. Essa era castradora, não participava e não me deixava ir sozinha a lugar algum. Por isso hoje, quando frequento blogues em que vejo que pai e filhos, ou tios e cunhados andam juntos a fazer corridas desportivas ou actividades ao ar livre, acho isso tão bonito. A minha família ensinou-me como ter vontade de ir passear, querer visitar museus e actividades mas ficar a ver televisão o dia todo, entendem?

Sempre andei muito a pé. Aos poucos fui percebendo que isso causava estranheza e que as distâncias que percorria não eram consideradas «aceitáveis» para a maioria, que preferia percorrê-las de transportes. Até mesmo na Universidade tive colegas espantados por recusar boleias, mas talvez o espanto seja que para fazer um percurso de 10 minutos a pé alguém quisesse fazer dois de carro... E depois de horas encafuada em salas de aula, eu ansiava por uns minutos de tranquilidade e ar puro. Ainda hoje não vejo nada de estranho nisto. :D

Contudo, a pesar de ser esta a minha natureza inicial, considero-me uma pessoa de práticas sedentárias e pouco dada a esportes. Talvez a educação se tenha sobreposto à natureza, não sei. Contudo sei que nunca será por ser MODA, que vou vestir o melhor conjunto de treino e pavonear-me a passo de corrida na zona chique do Parque das Nações para ser vista e essa atenção satisfazer a minha vaidade. Sei que são talvez cada vez menos (?) aqueles que praticam desporto por este principal motivo. Acredito que muitos o fazem porque gostam de estar em forma. E deixem-me dizer: quando se está bem, a vontade de continuar facilita muito e retira quaisquer inibições mais persistentes. Sente-se a diferença e percebe-se os benefícios. Mas quando não se está em forma a coisa muda um pouco de figura.

Existe sim muita gente a praticar desporto ao ar livre. Eu vejo como subiu em número a quantidade de ciclistas e de corredores que passam aqui na zona. Mas também é fácil perceber que as pessoas que mais precisam dele continuam inibidas de tais práticas à vista de qualquer um. Os que vejo a praticar estão já em boa forma. Têm boa aparência, bom aspecto. Nenhum é assim para o gordinho ou fora de forma...

Quando o sol deu o primeiro ar da sua graça, lá em Abril, não resisti a uma ida ao parque. Este, sempre vivo com a energia de crianças, pais, velhinhos e jovens, já estava cheio de pessoas a praticar corrida e caminhada. Eram muitos, mesmo tendo existido dias de chuva antes daquele de sol. No entanto, um rapaz trajado a rigor com fato de licra completo, luvas etc, estava ali no parque a «fingir» que era pelo desporto. Permaneceu duas horas no mesmo lugar, junto a umas barras para desporto, fazendo somente cinco ou dez agachamentos quando na realidade estava era a observar cada par de rabo feminino enfiado em fatos de treino que ali passasse a fazer jogging ou corrida.

Reparei porque ele simplesmente não saiu dali. Antes do rapaz se abancar naquele lugar, adorei ter visto uma senhora idosa não resistir à barra e pendurar-se nela, como uma criança. Só aquele minuto em que lá esteve deve ter feito maravilhas para o espírito e até para os músculos. A barra sempre foi a minha predileta e a minha vontade era fazer a mesma coisa. O ímpeto de me pendurar numa cada vez que as vejo é um que tem de ser controlado sempre. Desde uma vez com uns 14 anos num parque vazio em que não resisti e minha mãe me deu uma reprimenda dizendo que já não tinha idade, que aquilo era para crianças pequenas e eu lhe causava vergonha. Então o «estigma» ficou, mesmo sabendo que as barras e outros aparelhos não são nem devem ser só para uso de crianças de idade pré-escolar. Sou da opinião que os adultos precisam tão ou mais de libertar seus stresses dessa forma que tão cedo abandonaram mas que seus genes ainda sentem falta.
À pouco menos tempo, num parque infantil, observei que uns velhotes aproveitaram que as crianças tinham abandonado o carrocel e foram dar umas voltas nos cavalinhos. Só aquele pedacinho de divertimento, meio minuto que fosse, deve ter-lhes trazido de volta uma alegria que faz com que os problemas não estejam sempre a martelar na cabeça. Entendem? Não sei, este texto já vai longo mas queria dizer que carroceis e equipamento simples de desporto - como o que se encontrava nos parques de diversões infantis - não deviam ser de uso exclusivo da criançada. Esse dogma social está um pouco errado. Adultos também ADORAM uma cadeira de baloiço... Quem dos que me lêm não gostaria agora de sentar numa e ficar a baloiçar? Também gostam de se exercitar nas barras e de subir obstáculos. E já agora, andar num carrocel :D