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domingo, 15 de novembro de 2020

Deem-me espaço, sff!




 Sabem quando só pretendes algo rapidamente, coisa de dois minutos, e nao pretendes encontrar ninguem?

Faz dias que não consigo ficar a sós. 

A casa pode estar silenciosa, sem ruidos de gente de um lado para o outro. Se aproveitar esse instante para ir à cozinha tirar algo do frigorifico com ideias de seguida subir novamente ao quarto, sei que em segundos aparece alguem. 

Nao importa a que horas o tente fazer. Tanto pode ser as três da manha, como as seis e meia. Ou sete. 

Esta gente nao dorme??

Estou a ir ou a chegar do emprego. Cansada. Sabe bem ficar apenas uns minutos sozinha e em silencio, sem que para isso seja preciso ir logo fechar-me no quarto. Tenho horarios noturnos e mais ninguem na casa os tem. Não há realmente justificação para andar a esbarrar em pessoas. Deem-me espaço, sff.

Só eu estou a ir trabalhar. Dois deles tambem podiam fazê-lo mas preferem a preguiça. Porque pagam-lhes na mesma. Então para quê se ralarem? Ficam por casa, desocupados. Vao as compras, vao passear... mas nao saem para trabalhar.

(Discordo totalmente desta postura. Mas isso é um à parte). 

Nesta clausura de ócio deixam de ter o que fazer e com o que se preocupar. Por vezes sinto que descem só para observarem o que posso estar a fazer. Escutam os meus passos a descer as escadas em madeira e decidem vir atras. 

Tambem e quando  lhes da vontade para tossir a grande e a francesa (o rapaz) sem cobrir a boca, porque  isso e para mariquinhas. 

Ou então, quando estou na cozinha, entram como quem nao quer a coisa só para olhar o que faço. 

Quando cheguei do trabalho sexta-feira de madrugada, ainda o dia não tinha raiado, decidi que ia tomar um duche, lavar a roupa e preparar o que comer. Mal ponho  a chave a porta vejo logo o rapaz, a preparar-se para sair pela outra porta para ir fumar. Lá se vai a chance da solidao matinal. Ponho a roupa a lavar na máquina e vou para o duche. O tempo todo oiço ruidos fortes na cozinha. Lá se vai aquele silencio sepulcral e tranquilizador que tanto almejava... 

Quando saio para preparar algo para comer, já não lá esta ninguem. Mas também, empatei-me no duche propositadamente para isso.

Reparo que o micro-ondas foi deixado aberto. Achei por isso que tinha sido a M. A autora dos ruidos que ouvi enquanto estava no duche, porque já presenciei que, pela manhã, ela é ruidosa na cozinha e deixa a porta do microondas aberta. 

Cortei um pao que tirei do frigorífico, estou a enfiar duas fatias na torradeira e aparece-me a M. Que se poe a preparar algo para ela também. Logo me pergunta porquê o frigorifico esta aberto. (Para depois ser ela a deixa-lo assim). Fica ali parada, a olhar para o frigorifico, maos a cintura, com ar de censura. Só o ja começar com as implicancias ja me chateia porque me priva da tranquilade com que sonhava por chegar a casa aquela hora. 

Pao com queijo e torradas nem é coisa para demorar muito a preparar. Mas foi tempo que nao me foi concedido.  Podia ser. Faço questao de os deixar a vontade quando precisam do seu espaço. Podiam fazer o mesmo comigo. Principalmente se sou a única a sair para trabalhar e estou a chegar do emprego, com fome, cansada e são sete da manhã! 

 

              O manipulo da porta das traseiras

Estamos todos a tentar manter a distancia de dois metros devido a pandemia. Quando estou na cozinha lavo o manipulo da torneira com sabao, limpo superficies, nao toco na porta do frigorifico sem ser com um papel guardanapo, caso contrario estou sempre a ter de lavar as maos por de seguida ter de tocar em comida. 

Dai a porta ficar aberta, enquanto retiro o pao, a manteiga e desvio do caminho tudo o que esta na frente, para voltar a encaixar tudo de volta na prateleira que me foi concedida como se um jogo de tetris se tratasse.

A M. Apareceu, abre com as maos a torneira que eu lavei e por esse motivo terei de a lavar novamente ou tocar nela com algo descartável. Tambem tem o habito de falar por cima do tacho de comida que tenho ao lume e esses pequenos gestos acho que sao evitaveis. Numa cozinha pequena em que nos cruzamos para abrir armarios, quando estamos tambem a tentar manter a distancia de dois metros por causa da pandemia. Nao seria mais sensato deixar cada qual usar o espaço à vez?

Eu e a M. Temos muito presente a preocupação de contágio. Ela nao fala de outra coisa. E ate ligou para a linha do Covid a fingir sintomas para receber de graça um kit de teste. Ela teme que o novo rapaz esteja doente. O antigo também. Esta convencida disso.

Por isso somos as que tem mais cuidados ao tocar nas superficies como a porta do frigorifico e a manter as coisas limpas. Mas ela nao nota quando é ela a falhar. So percebe as falhas dos outros. 

Nessa madrugada a M. perguntou-me se estava zangada (porque lhe respondi que o frigorifico estava aberto porque eu o queria aberto) disse-lhe que nao, mas depois mudei para um sim. De certa forma. E apontei para a bancada. Uma gosma vermelha e seca estava em destaque. Mas nao roubava de todo o protagonismo das brancas e das migalhas por todo o lado. 

Vai ela, que sempre diz que é "ele" que deixa tudo sujo e faz gestos e caretas de nojo, sai-se com esta: "ah, esta vermelha acho que fui eu, ontem de noite".

Lol.

Depois da senhora da limpeza ter cá vindo fazer o que lhe compete, o vidro do duche no WC  de cima ficou quase translucido. Durou apenas instantes. Duas horas de M. Dentro do Wc e olhem o resultado:

                         Estas marcas sao do lado de fora!

Limpinha e asseada era a que saiu.
No wc dela este vidro estava sempre translucido.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Sensibilidade ao desemprego

Ainda aqui nao contei, mas emocionei-me e tive discretamente de limpar as lagrimas por duas vezes, quando uma das italianas a viver nesta casa deu de frosques pela calada.

Claro que, semanas antes, meses até, já eu notara uma agitação. A habitual postura de me manterem de fora das conversas que normalmente  estariam a ter se eu nao estivesse presente, deu o alerta. Isso e o barulho de coisas a serem mexidas no quarto dela, o caixote de lixo entupido até a tampa deixar de fechar em apenas umas horas apos ter sido colectado pela camera e o constante uso do aspirador no seu quarto.

Nunca foi de limpezas demoradas logo, a mudança de habitos denuncia que algo se esta a passar.

Mas claro, nada foi dito na minha presenca nem nenhuma conversa que iniciei com eles, sobre tudo e mais alguma coisa, os faz mencionar o que, de outra forma, seria mais do que natural e esperado: ela ia abandonar a casa.

Sabem os meus horarios, sabem que ia trabalhar de tarde, saindo de casa pelas 4, mas, muitas vezes, optando pelo meio-dia, uma da tarde, de modo a ir para as filas das lojas a tempo de comprar mantimentos e seguir para o emprego.

(Mas na verdade, tambem para lhes conceder ainda mais tempo do todo que ja tinham para ficarem a sos com a casa. Julgando eu que ficariam gratos e simpaticos. Big mistake.)

Entao, sem que constituisse realmente uma surpresa, uma noite ao regressar do emprego, o carro do namorado dela que aqui estava a viver na casa e que fazia meses que ocupava a entrada, nao estava mais. Haviam sinais de disturbios no chao do wc, como se alguem tivesse arrastado algo pesado. E no wc, nao encontrei as gavetas de arrumos onde ela mantinha traquitana.

Nao sei porque lhes passa sempre pela cabeça que eu me surpreendo ou que vao conseguir irritar-me por eles me excluirem do que se passa pela casa. Acho tao previsivel terem esse conportamento, que sei detecta-lo so pela postura e linguagem corporal.

E depois, sempre a acharem que nao capisco niente de italiano,  como se nao fosse facil identificar palavras e frases que sao semelhantes as minhas, originarias do mesmo Latim.

Ouvi-os falar sobre viajar para italia pelo menos umas seis semanas antes do sucedido. Estava a ver é que nao iam, de taaaanto tempo que levaram.

Ainda assim, nao foi o suficiente para se organizarem devidamente pois, quando la chegaram, tiveram de regressar. 🤣🤣

Uma viagem de automovel de horas ate a fronteira de italia, para terem de voltar no dia seguinte.

Nessa manha, ao sair do quarto e ao entrar na sala, dei os bons dias aos dois cabecilhas do covil que, como sempre, iniciam cedo (e sempre no mesmo lugar) a sua rotina de vilanice. Dei os bons-dias e perguntei direto se ela tinha ido embora da casa.

Um instante de surpresa passou-lhes pelo olhar, hove uma hesitacao e de imediato a Gordzilla (porque tudo que diga respeito a italianices ela logo intervem como se tivesse de defender a patria de um insulto) diz "sim e nao".

Eu fiquei a aguardar um desenvolvimento e ela meio calada, a nao querer dizer nada que me pudesse esclarecer. É este tipo de atitude com que sempre tive de lidar. Insisti, dizendo algo como: "como assim?" e foi entao que disseram que ela tinha abandonado a casa MAS ia regressar porque nao tinha permissao para entrar em Italia. Esqueceu-se de se informar sobre isso. 😂

Para contextualizar, ainda se estava em lockdown por causa do virus covid 19. E italia foi dos primeiros paises a fechar estabelecimentos, a fechar fronteiras para impedir a circulacao de pessoas e a impor quarentena regional. Portanto, nao deixa de ser um lapso invulgar, que lhes custou o terem de regressar ao Reino Unido.

E a Piada é que abandonaram acasa que nem ratos, pela calada, e as escondidas de mim. E quando estao a regressar, quase a estacionar o carro, eu sou a primeira pessoa que tem de ver.

A unica coisa que lhes digo é bastante simpatica ate. Imaginemos os cenarios:

1) Podia mostrar-se zangada por um colega de casa nao me ter mencionado que ia embora
2) podia ter gozado com a cara deles e fazer troça, dizendo piadas visando humilha-Los com o seu inegavel fracasso
3) Podia ter dito: bem feito! É para aprenderes a ser decente. Cá se fazem, cá se pagam. Ahah.
4) Podia ter cobrado uma "explicacao" e atirado-lhes na cara que nao gostei que se tivessem ido embora sem mo dizerem. Quer gostem quer nao, sou colega, vivo na casa e o certo era dizer.

Mas o que lhe disse, com um genuino sorriso e sem fazer julgamentos de valor foi:

-Ola. Já soube da tua pequena  aventura.

E assim nao a fiz sentir-se mal por estar a regressar a um lugar que tinha abandonado e que comecou a esvaziar nos momentos em que eu nao estava por perto para desconfiar. Nao a fiz sentir-se mal por ter sido parva e nao se ter informado devidamente antes de partir. Foi impedida de entrar no proprio pais por estar registada como moradora neste.

Mas onde entram as lágrimas? Querem voces saber, caso Tenham lido até aqui.

Entram quando perguntei se ela ia regressar para o seu emprego.

Disseram-me que provavelmente ela o tinha perdido. Como sabia que ela tinha acabado de assinar contrato, coisa que eu estava na esperanca de tambem poder fazer quando fiquei sem o meu emprego, logo aí o meu coracao sentiu pensar por ela. E ha medida que a conversa entrou na eventualidade da empresa falir e ter de a dispensar, fui ficando emotiva. Aos meus olhos vieram lagrimas. Que removi com a mao, esperando que a minha sensibilidade nao tivesse sido notada pela Gordzilla, que era quem me estava a dizer aquilo. Faco isto duas vezes, sem conseguir conter pesar pela situacao de desemprego e incerteza que, subitamente, caiu em cima da rapariga. Mesmo tendo feito parte da quadrilha de gangsters.

A situacao dela e tambem de muitos outros. Sinto compaixao. Acho natural. EU sei muito bem o que nos faz na alma, na mente, estar no desemprego. Sinto receio de estar nessa situacao novamente. Tenho isso presente todos os dias.

E é por isso que hoje senti uma pontinha desse receio novamente. Os meus turnos sao facultados semanalmente. Nada é certo. Mas nos ultimos dois meses tenho mantido um horario de 38/43h semanais.

Porem é uma angustia constante. A qualquer instante podem Puxar o tapete por debaixo dos meus pes. E hoje, enquanto aguardava que me propusessem por mensagem os restantes dias da semana em falta para que pudesse confirmar que os fazia, percebi que nao me facultaram 5 dias. Alem disso, voltaram a reduzir o horario. Agora é menos meia-hora todos os dias. Isso significa 2h30m a menos de salario. Adicionando um dia, da 10h15m a menos.

E tudo porque?
Ontem estive a treinar duas novas empregadas. Vi uns seis novos funcionarios. Soube que uma colega teve o turno cancelado. As novas funcionarias que estive a ensinar ficaram a fazer o trabalho normalmente entregue a esta outra.

Eles nao precisam de novas pessoas. Mas como agencia de recrutamento, estao sempre a injecta-Las. So que, para isso, tem de remover outras. A desculpa que me foi dada é que a empresa pediu menos pessoal, e os novos empregados substituem outros que abandonaram o serviço.

Tretas.

Assim que chegaram, ja me causaram prejuizo.

Fui simpatica e ensinei tudo o que sabia. Mas o tempo todo nao deixei de recear ter os meus turnos cancelados por causa delas estarem ali.

Perguntei a uma se procurava outro emprego. Ela respondeu que sim  mas nao me pareceu fazer esforços. Pois mencionei-lhe que tinha começado  ver ofertas razoaveis na internet e o seu desinteresse foi visivel.

Aquela funcao é fisicamente ardua mas muito simples. Gente preguicosa que nao puxa pelo lafo fisico e se acomoda na simplicidade é o que mais há por lá.

E depois, de inicio nao mas, ao final de 12 semanas, pagam bem. Nenhum outro emprego do genero oferece 12 a 13 libras por hora. E é essa a real motivacao por detrás de muitos que ali estao.

Esta rapariga estava a espera de ser chamada de volta para trabalhar com a Norwegian. A probabilidade disso acontecer e muito remota. Ela propria o disse. Vi o gerente a engraçar com ela e a dizer-lhe que tinha uma ex gerente ali a trabalhar.

Percebi que beleza e posicao fazem os outros olharem para ti com mais respeito e interesse. Dedicacao ao trabalho e eficiencia, nem por isso.

Toda a minha vida regi-me por valores que pouco me valem.

Mas mudando de volta para as lagrimas derramadas pela desgraça de quem nao as merece: quando mostrei pesar pela situaçao, a Gordzilla muda de atitude e, de garras afiadas, começa a defender a italiana como se alguma vez esta tivesse estado sobre ataque. E diz, num tom de voz desagradado: "ela arranja outra coisa depressa. Tem experiencia, tem muitos anos de experiencia, é uma profissional!".

Percebi de imediato que ja estava a defender a italiana de alguma acusacao minha que so se passava dentro da cabeça dela. E parei.

Uma pessoa com pesar, a lamentar o sucedido, mesmo tendo acontecido com alguem que nao fez por merecer a minha compaixao, e ainda assim acabo a ser destratada.

"Profissional com anos de experiencia". Pois sim!

Porque é italiana, nao pode sequer recair sobre ela a possibilidade de nao ser perfeita, desejada. Essa imagem que querem projectar e que nao pode ser desmanchada, nem pelos factos.

E os factos é que ela nem um ano tinha de experiencia naquela funcao. Pelo menos foi o que me contou. Costumava trabalhar num restaurante em Londres. Vivia das gorjetas.

E a Gordzilla a galar-me dos "anos de experiencia" como hospedeira de bordo.

Aparências.

Enfim.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Porquê não devemos falar alto o que nos deixa feliz


Encontrei dois antigos colegas no supermercado e começamos a falar. Eles continuam no mesmo lugar, do há três anos já se queixavam que queriam sair, não aguentavam mais. São sempre os que falam alto que nunca mudam, por isso não me surpreendeu sabê-los ainda lá. Nem um pouco. Perguntaram o que eu fazia, eu respondi. Perguntaram se eu gostava. Respondi, muito com o coração:

- I love my job. Love it, love it, love it!

O cupido sádico, aquele anjo-demónio que está sempre de ouvidos em riste à procura de saber o que nos faz feliz para a seguir nos tramar, ouviu. Tão certo como eu ter pronunciado estas palavras tão verdadeiras, aquele foi também o último dia que trabalhei na empresa, sem o saber. 



Soube hoje, quando lá cheguei, que tinha sido dispensada. 


Nunca mais, mas nunca, nunca, nunca mais.
Vou evitar ao máximo.
Dizer que gosto de alguma coisa... 
Demonstrar que algo me deixa contente, feliz.

Assim que abro a boca para o expressar, tudo se desvanece. Chiça.


Parece que cada vez que tenho algo, quase ao meu alcance, subitamente, puft! Desvanece-se no ar. Foi "ele" tão súbito, é agora o emprego onde o chefe me disse tanta vez que pretendia me manter e garantiu que me queria neste mesmo dia. Só para isso regressei de Portugal. Feliz. Com saudade de labutar. Vontade de meter a mão no trabalho. Ah, a ironia!!

Com os receios do virus simplesmente a carga de trabalho na empresa diminuiu drasticamente.
E quem não faz parte dos quadros, "dança".

Corona: deve ser esse o nome desse anjo-demónio!
A partir de agora já sei que nome lhe dar.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

EMPREGOS



Tenho andado a pesquisar empregos na net e mais uma vez verifico que não existe nada. Aqueles a que concorro não respondem. Nem sequer chamam para uma entrevista. Vou sentir-me desesperada. Percebo que só me chamam se forem eles os desesperados. 


E terminando o Verão, já ninguém desespera pelo que for. 

Mais nove meses de desespero?

Por isso é que trabalho agora o máximo que conseguir. Provavelmente é este o dinheiro que terá de me sustentar o ano inteiro. 

Não é nada aquilo que esperava, sonhava ou mereço.
Mas é a realidade.


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Serão as hormonas?


No emprego passei por uma situação...
Então não é que me deu uma coisa?

Peço que me expliquem, quem já passou por isto. É estranho mas... sabemos nós, mulheres, que por vezes "dá-nos" umas coisas, geralmente perto da altura da menstruação descer. Um supervisor chegou-se até mim e disse:
-"Portuguesinha, na segunda-feira tu colocas-te duas encomendas no sítio errado e estavam à espera delas noutro. Tu falas muito e acho que é por isso. Quero que te foques".
- "Claro" - respondi-lhe.

Cada vez que algo falha no emprego, que seja de minha responsabilidade, sinto-me triste. Mas concordei e não levei a mal. Acontece, todos erramos uma vez ou outra. A segunda-feira foi um dia muito cheio de trabalho, com confusão pelo meio, muitos a dar ordens, a trocar as coisas dos lugares onde as tinha estipulado, etc. Não levei a mal o que disse, mas depois as palavras ditas começaram a afundar dentro de mim e a ecoar dentro do meu ser. E subitamente mudei de temperamento. 

Senti-me revoltada. 

Porquê? Porque não achei correcto da parte dele concluir que cometi uma distracção por "falar demasiado". No máximo, falar demais torna-me mais lenta, mas não menos focada. Acho que ele aproveitou a ocasião para "meter" essa crítica e isso revoltou-me mais. Mas concordo com ele, no que respeita a falar um pouco em excesso. Eu própria já havia chegado à mesma conclusão e não estava a gostar muito. Até nisto estou a deixar de me reconhecer. Sempre fui meio calada - todos me censuravam por isso. Agora dou por mim a falar, por vezes nada de relevante... Não é só fisicamente que já me estranho, existem outras características que também mudaram muito. 

O erro até podia não ser meu, já que muitos mexem nas encomendas e trocam-nas de lugar. Quem garante que isso não aconteceu? Fiquei ainda pior ao recordar os erros diários cometidos pelo rapaz que está para regressar de férias. Erros esses ainda em efeito já com ele dias fora. Que notasse, ele não era repreendido. O que vi foi a sua preguicite aguda passar impune e ainda ser acobertada por este superior com quem ele partilha a nacionalidade polaca, mais um outro. 

Não me incomoda que me chamem a atenção, sei que é para meu bem. Mas então porque quem comete erros amiúde não recebe o mesmo trato? Senti-me injustiçada e a revolta espalhou-se mais em mim. 

O meu "falar demais" não surge do nada. Tem uma origem bem intencionada. 
O novo rapaz quando chegou, não abriu a boca. Não fez uma única pergunta o dia inteiro. Não se apresentou, ficou parado por duas horas, à espera que alguém lhe desse atenção, lhe atribuísse uma tarefa. E talvez por isso mesmo, ninguém quis saber dele. O que estranhei, visto serem todos tão afáveis. Eu, que tenho um cromossoma defeituoso de "mãe-vai-e-ajuda", dirigi-lhe a palavra, perguntei-lhe como se chamava, expliquei-lhe como as coisas mais ou menos funcionavam por ali e procurei incutir no rapaz - que revelou pouca vontade em fazer o que fosse - um pouco de gosto e a sensação de ser útil. 

Isto sem me armar em autoridade. Foi só mesmo para ajudá-lo a se inserir. Afinal, aquilo é um grupo de pessoas boas e descontraídas, que passam o trabalho todo a rir, a fazer piadas, a meterem-se uns com os outros... Mas o rapaz, mudo e calado, com ar sério, sem uma única tentativa para mostrar interesse por alguém ou alguma coisa, destoou. Talvez por isso, depressa os restantes nem lhe prestaram atenção. Ficou horas de pé, com ar perdido, não fez absolutamente nada nem mostrou ter iniciativa. Aquilo mexeu com a minha noção de cordialidade e dever. Identidade portuguesa, talvez? Em suma: acabei por ser a pessoa com quem ele gosta de falar. Acho que ele não troca mais do que três palavras com outros, por não se interessar. Eu elogio-o aos outros e elogio os outros a ele, estabelecendo assim pontes de comunicação. Depois de o inserir, afastei-me para outras funções, e deixei-o para ser ensinado pelo outro rapaz. Os dois não pareceram trocar muitas palavras. 

Ele é boa pessoa. E não é nada de fugir ao trabalho, como deu a entender. Ou talvez isso seja por minha influência, que o tratei bem sem o julgar e o elogiei. Não sei. Mas sei que é boa pessoa, bem melhor pessoa e trabalhador do que dá ares de ser. Não é rápido, mas é confiável, prestativo e não te deixa na mão. É lamentável que o julguem sem perceberem bem o que ali está. 

Como trabalhamos juntos, é natural que estejamos na conversa. O próprio meio incentiva isso com os exemplos dos outros que nos rodeiam. Mas confesso: gosto quando chega a hora de almoço e ele parte. Gosto de ficar sozinha aquela hora, concentrada nas tarefas que executo. É quando lhe dou mais "gás".

Preparava-me então para esse começo quando o supervisor disse-me aquilo. Foi rápido, porque a sua superiora logo o "desviou" dali, por algum motivo. Acho que ela percebeu que existiu ali um aspecto que foi longe demais. Aquela ali tem olhos de gavião e sentido de oportunidade de relógio suíço. É liberal mas aparece sempre atrás de mim nos únicos instantes em que pretendo fazer uma chamada telefónica e a única vez que perguntei se podia imprimir algo no computador, após andar três semanas a aguardar o melhor momento. Lá estava ela, silenciosa, atrás, a observar se aquilo com que me ocupava fazia parte da função. 

Irra!

O outro desaparecia por quartos de hora, horas... e ninguém o marcava como esta me marca. Parece jogadora de futebol em campo: está sempre a controlar os horários e a fazer de tudo para que não existam mais horas extra. 

Sei que quando a ela me "queixei" do rapaz, não era só ele que ia ficar de "vigilância", seria eu também - se não principalmente. Ele continuou sem nada fazer e eu... até sinto que tenho as dias ao WC controladas. Tudo isto subiu-me ao pensamento, mais as experiências de vida e... fiquei cheia de raiva. 

Fiz o trabalho todo speedado, sem me preocupar muito com detalhes. A atirar ruidosamente com as coisas... embora não de propósito. Simplesmente não querendo saber. 

Comecei a pensar que a minha alteração súbita de humor tinha algo mais que sensação de injustiça, tinha também uma origem hormonal. A pré-menopausa deve andar a rondar e essa ideia também me deprime. 

Passada a hora, o rapaz regressou e então fui eu almoçar. Estava tranquila, relaxada, fui para o jardim, despedir-me daquele cantinho... Levei uma salada fantástica que tinha preparado anteriormente, com "tudo" dentro. Relaxei e comi bem, nem sequer estava a pensar em problemas.

Regresso ao emprego e...
Raiva.

Será hormonal??

Todos me perguntavam se eu estava bem e eu a pensar que estava. Só não sorria por tudo e por nada, como é habitual. Aliás, se eu não sorrir tenho um ar terrivelmente sério, cansado ou aborrecido. Comecei a sorrir como uma pateta alegre para ver se assim deixava de ser consideravelmente bombardeada com este tipo de questões. Não é culpa minha que quando estou relaxada, os meus lábios tenham os cantos de boca para baixo e os olhos tenham olheiras. 

Nisto alguém me diz algo insignificante e eu sinto os meus olhos a lacrimejarem. Assusto-me. Disfarçadamente sigo para ao WC. Quando vejo o meu olhar ao espelho tenho os olhos vermelhos! A minha mãe tem razão: quando estou mal nota-se logo pelos olhos.

Mas o que podia fazer? 
Olha o que me havia para dar... Chorar??
Estava fora de questão!!

Não ia por-me ali a choramingar. Ia aguardar até chegar a casa e então chorar o quanto me apetecer. 

Consegui recuperar-me, secando os olhos aguados em frente à ventoinha. A vermelhidão também desapareceu. Até outra pessoa me perguntar: "O que tens?" Aí respondi que estava preocupada. "Com o quê?" - quiseram saber. "Com o emprego". 

E é verdade. Dentro de mim está a ansiedade, o receio, o temor... de passar por tudo o que passei no passado. O temor de voltar a estar sem um bom emprego até o próximo verão... Medo, temor, desespero.

Assim que mencionei a palavra "emprego", vieram-me lágrimas aos olhos e "fugi" discretamente para o WC. Novamente. 

Caraças!

Isto tem também um quê de hormonal, não acham?
Não é só as más experiências de vida e os traumas por elas deixados. Temo estar perto da menopausa.

Que dizem vocês?



terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Karma



Se eu acreditar em Karma, então tenho de pensar que o que recebo é "paga" de algo que fiz.

Comecei o ano mal: desempregada (foi-se o part-time) e doente. Tenho estado em recuperação, a ter cuidado com o que ingiro porque o intestino entrou no novo ano em plena revolução.


Ando a arroz e caldo de arroz.
Melhorei esta noite.

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Numa outra nota, vou aproveitar e fazer um desvio de tema. Somos uns sortudos em Portugal por termos a água potável que nos sai pela torneira. Sei que não é, infelizmente, em todos os locais de Portugal. Até mesmo em algumas freguesias de Lisboa a água da torneira é um perigo de ser consumida. Mas aqui é - no meu entender - ainda pior. Porque à boa maneira inglesa, ninguém dá certezas de nada. Supostamente a água pode ser bebida, mas todos acham melhor não o fazer. Certezas, certezas, ninguém as tem. 

Saudade de saber que posso abrir a torneira e beber a água que contém.
E saudade também dos garrafões de água de 5 Litros. Tão abundantes nos supermercados em Portugal, incrivelmente escassos por aqui. Para se ficar com uma noção, em todos as superfícies comerciais da zona, só uma disponibiliza água nessa quantidade na sua marca branca. Mas é tão raro vê-la nas prateleiras, tão raro, que não consigo comprar uma faz mais de um mês.

E enquanto a água engarrafada em portugal é barata, aqui não é tanto. Consegue-se ver nos supermercados garrafas de meio litro com água à venda por mais de duas libras. Supostamente água XPTO... vê-se também muita água com sabor a "fruta" (que tem quilos de açucar). Mas água simples, só água, o mais barato que se encontra são garrafas de litro e meio por cinquenta cêntimos. As de 200ml são acima de uma libra. 

Espero que os interesses económicos não estraguem o que Portugal tem de bom e que a proprietária da EPAL não estrague o que de bom a empresa tem.

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Desvio feito, se o Karma existe, gostava mesmo de saber quais os pecados que muitas pessoas a viver vidas difíceis estão a pagar. Deve ser algo de vidas passadas, só pode. Porque nesta... 

Tenho de interpretar este "Karma" não como o resultado de acções tomadas, mas como outra coisa totalmente diferente. É como um loop. Este "Karma" é como ter aquele professor que teima que o aluno tem de aprender a lição como ele a está a ensinar. E não há cá outros métodos. E como a lição nunca gere a reação que o professor pretende arrancar do aluno, é dada até à exaustão. Até o aluno fazer o que o adulto quer ou vergar e quebrar.

Pode a vida me ter dado um mau professor?



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Duas idiotas não fazem uma inteligente

"Espero que esteja tudo bem consigo" - pergunta Elvira, num dos comentários que simpaticamente aqui deixou, após regressar das férias.

Acho que a Elvira deve ter um dedo de adivinha. Porque de facto vêm aí mudanças para a minha vida. Mas, não faço ideia do que aí vem.

Pela primeira vez em toda a minha vida, pedi dispensa definitiva do trabalho. 

Acontece que recebi o ordenado hoje... e até se abriu a boca.
Nunca antes ganhei tanto com tão pouco esforço.

Se calhar fui uma IDIOTA por dispensar este emprego. 
Uma idiota por não querer ser comandada por outra IDIOTA. 
Só que esta, de uma idiotice de outro nível.


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Não é novidade que existiu uma contenta entre mim e a chefe - por uma coisa muito idiota. Por causa dela, a mulher deixou de me falar adequadamente nos dias seguintes e exibiu alguns comportamentos infantis. Um deles foi dar-me o pior horário de trabalho no mês seguinte. Uma pequena "vingançazinha" de pessoa mesquinha que, tendo oportunidade de prejudicar outra, abraça-a infantilmente, ao invés de a rejeitar. 

A situação voltou a repetir-se. Ou melhor, a chefe voltou a fazer uma grande tempestade num copo de água. Nem percebi porquê lhe deu tanta vontade de barafustar. Não existiu qualquer motivo para tal. Não cometi nenhum erro, não prejudiquei ninguém... o trabalho estava a correr bem, mas um pouco parado. E por isso propus no grupo de trabalho que se alguém tivesse interessado numa folga, eu estava interessada em trabalhar. 

É natural... as pessoas trocam turnos, fazem propostas...
Eu não sou muito disso mas, há sempre uma primeira vez. Então deixei a proposta no ar. Não foi como se estivesse a forçar alguém! Nem exigi nada. Porque só isso justificaria a reação dela. Depois de ler esta minha sugestão, ela escreveu o seguinte: "Fulana, quando perguntei quem queria fazer horas extra não disseste nada. Agora esperas que os teus colegas dispensem dos seus dias de trabalho para ti??? Não gosto nada disso!"

Eu li a mensagem e fiquei pasma. Mas... porquê aquela agressividade? E de onde veio aquela interpretação?? Quando é que ela perguntou quem pretendia fazer horas extra? E porquê estava a usar isso contra mim? Estava a castigar-me, ficava implícito. Por não me ter oferecido para fazer horas extra há quatro semanas atrás, estava agora condenada a não ter direitos? Nunca mais poderia propor nada? Mas isso é ser chefe? Mas afinal o que fiz eu de errado ao escrever aquela simples e inofensiva mensagem sugerindo uma troca de folga por um dia de trabalho? Nunca pensei, nunca me ocorreu, que ia ter uma resposta como aquela.

E não ficou por aí. Porque ao lê-la, caí no erro de responder. Não gostei da implicação que ela fez: de que estava a prejudicar os meus colegas e que não me oferecia para fazer horas extra. Porque não era verdade! Ela havia pedido para fazer horas fazia 5 dias. E assim o fiz. Trabalhei até há uma da manha.

Agora estava a acusar-me de não me oferecer?

O que mais me custou da outra vez foi ouvi-la retratar-me de forma oposta ao que sentia estar a demonstrar. Estava a acontecer novamente. E assim não podia ser. Como posso trabalhar para uma pessoa que diz que ando pela esquerda, quando ando pela direita? Que me acusa de pegar no telemóvel quando não gosto de telemóveis?

Portanto existiu na sua resposta uma quantidade muito equivocada de afirmações, todas entregues com agressividade. Disse-lhe para deixar estar... Da maneira como ela deixou claro estar descontente estava obvio que NINGUÉM IA OUSAR, mesmo que quisesse, trocar um dia comigo.

Mas ela continuou. Ainda respondeu que não se falava mais do assunto, não queria ouvir mais uma palavra a respeito!

Ora...
Ela cria toda uma discussão e depois até sente-se no direito de silenciar qualquer possível intervenção. Isso é um atentado à liberdade de expressão. Foi aí que percebi: "mas ela é uma IDIOTA!".

E foi aí que decidi que não ia ficar a trabalhar para ela.
Ainda assim, nada disse nesse dia. Não queria agir a quente.

Quando entrei no escritório, disse bom dia a todos e, quando me virei para sair, ela, que nada me disse, ruminou um "Hei?", ao que lhe respondi um simpático adeus e continuei o meu rumo. Afinal, tinha terminado o trabalho, já nada me prendia ali. E se ela escreveu que não queria ouvir mais uma palavra a respeito.... pensava o quê? Que ia ter com ela discutir o assunto??

Não quer diálogo não tem diálogo...
É olá e adeus e pronto.

Minutos depois recebi uma mensagem no telemóvel, dela. Escreveu assim: "Fulana, querida, é para te lembrar que ainda estás à experiência. Tem um bom dia!".

Interpretei aquilo como uma ameaça. "Ou fazes o que quero, ou te curvas e obedeces, ou serás castigada. Eu tenho poder sobre ti".

Quase que respondi: "Muito obrigada por me lembrar. Era o que precisava saber. Neste caso aviso-a que o meu trabalho acaba aqui".

Mas fui mais madura. A decisão estava tomada. Mas ia comunicá-la presencialmente.

No dia seguinte ela liga-me para perguntar algo e no final diz que temos de falar. Muito bem, quando? - pergunto. Ela não sabe dizer... Proponho ir ter com ela no final do meu turno para esse fim, mas ela rejeita a proposta, dizendo-se muito aterefada. Talvez na "segunda-feira"... responde ela. Ou seja: uma semana! Não estava para esperar uma semana até «sua magestade» decidir que tem tempo para falar. Se mencionou que temos de falar, que não usasse isso como arma de intimidação. Que fica a pairar no ar por sete dias... Perguntei-lhe então sobre o quê desejava falar. Mais um suspiro e ela diz:
-"Tu não percebes que atrapalhas os turnos dos outros? E depois ages como uma crianças de cinco anos!".

Ao que lhe respondi: "Fulana, eu quero terminar a minha colaboração aqui na empresa."
-"Está bem" - responde ela, num misto de surpresa e alívio.

(estava cansada de a ver usar essa possibilidade como ameaça)

-"De quanto tempo precisas?"
-"O tempo para sair são duas semanas".
-"Duas semanas (eu tinha lido uma apenas por lei). Que mais é preciso fazer?"
-"Deixa uma carta na minha secretária".
-"Está bem. Adeus."


Instantaneamente senti-me leve.
Gosto do trabalho - nunca tive um que surpreendesse tanto pela positiva no salário. E não é nada exigente. Mas pode ser aborrecido e monótono e chato (se as pessoas forem chatas e parvas). E nesses momentos não o suporto. Mas nunca irei encontrar outro como este, isso é certo. Ainda demais, é uma companhia privada. Não corria o risco de ser demitida como nas outras que a rodeiam...  Era mais "sólida". Só que, nas condições em que a encontrei... não quis arriscar cair nos erros do passado. Erros que me fizeram aguentar todo o tipo de abuso. Até o abuso se tornar pior, pior e eu acabar gravemente prejudicada. "Se ao menos tivesse terminado tudo como pensei tantas vezes..." - não queria passar por isso novamente. Então, na hora em que tudo ficou claro, segui essa visão.

Foi a primeira vez que agi assim.

Mas ficam dúvidas. E incertezas. Terei de aprender a viver com elas.
Receio de ter sido precipitada, receio de ter agido mal ao sair de um local sem ter outro para ir. Isso é que me assusta: não encontrar outro. E agora já não é qualquer um que me serve. Quero algo específico e sei o que não quero fazer.

E estou mais velha. Cada dia que passa... mais velha.
E o verão já acabou. Vão-se os empregos...

Nada está a meu favor...
Será que fiz bem?

Sei que há duas espécies de bem. E fiz bem, para o lado que negligênciei toda a minha vida. Mas preciso de viver, de dinheiro, de trabalhar que é o que me faz feliz...

Agora o tempo dirá o que sairá daqui. Para já, tive dois dias de ansiedade...
Não é muito bom. Mas também tenho de aprender a lidar com ela.

Entretanto, mais para se precaver, ela ligou-me no final do turno a perguntar se queria ir ter com ela para conversar. Então fazia três horas não tinha tempo, só dali a uma semana... agora arranjava tempo? Perguntou se mudava de opinião. Respondi que tinha de seguir o meu instinto... e que havia deixado a carta na secretária, como pediu.

No dia seguinte vieram ter comigo para confirmar se eu ia embora por causa dela. Queriam que apresentasse uma queixa por escrito, dizendo quais os meus motivos, para que a carta chegasse aos ouvidos dos superiores dela. Porque não é a primeira vez que ela age assim com as pessoas que estão debaixo do seu comando e não pode ser assim.

Só que se existiram outros - e sei que existiram - então porquê não foram os outros a escrever essas cartas? É um assunto que ainda vou ponderar. Pois não sei se tenho evidências suficientes. Tudo pode ser levado para a questão de "interpretação". Que foi a desculpa esfarrapada usada no primeiro emprego que tive, quando quis denunciar um caso de bulling. Era tudo "interpretação" minha... E de qualquer pessoa com a mesma queixa sobre o mesmo indivíduo.

Depois, não sou delatora. Nunca fui.
Tenho aversão a ir por detrás de alguém conspirar contra essa pessoa. Sou mais cara na cara, rosto no rosto, diálogo. Coisa que ela praticamente baniu... pelo que, ao agir assim, praticamente valida que se tente a via indirecta.

Este mês ela atribuiu-me 10 dias de folga. É um exagero. Dois a mais que o habitual e cinco a mais que uma rapariga que está a tentar proteger, influenciando os seus resultados finais. Deu-lhe os melhores turnos e só lhe deu a segunda folta após 15 dias. Isso vai reflectir-se no salário mas também numa competição que está a decorrer. O primeiro prémio são 100 euros. Adivinhem quem estava a liderar no início? Eu. Mas quem é que vai ser o vencedor? A protegida.

Com apenas 5 dias de folga no mês de Agosto e com os melhores turnos, a protegida vai ser a vencedora. Não há matemática que refute essas possibilidades. Existe uma outra colega que estava a aproximar-se bastante e é boa. Mas até aí a chefe influenciou o resultado. Ontem, penultimo dia da competição, sugeriu TROCAR de turno com a protegida, afirmando, inclusive, que era melhor para ela porque ia vender mais artigos para a competição!!

Ela tem a competição muito presente. Está sempre a mencioná-la. Portanto sei que as minhas suspeitas não são coincidências. Não me surpreenderia se o verdadeiro motivo por detrás do seu ataque verbal tenha sido o facto de não me desejar a interferir nos seus planos de me afastar o máximo possível das possibilidades de ganhar esse prémio. É que as minhas folgas coincidiam com o final do mes... a única altura em que podia recuperar. Ela não ia deixar...

E por todos estes detalhes mesquinhos, por estas coisas pequenas, acho que não vale a pena. Nunca sei o que vou encontrar ali. Nunca sei de onde vem o próximo grito, o próximo stress... e aquilo é um emprego que não justifica tanto aborrecimento.

Entretanto daqui a duas semanas a chefe vai de férias... pela quarta vez desde que lá estou a trabalhar. Não entendo como é que, tirando tantas férias, consegue regressar sempre mais furiosa, ao invés de calma. Mas agora isso já não me diz respeito.

A protegida vai ser recompensada. Não só vai meter ao bolso 100 libras, como a partir de amanhã tem uma semana de férias. Convenientemente tiradas "pós" competição. E já planejou tirar outra semana daqui a 10 dias. Adivinhem quem é que vai fazer horas extras na sua última semana de trabalho???? Enquanto a favorita vai de férias e não há mais ninguém? Parva fui! Porque foi por causa disso que me demiti e agora fiz-lhe o favor de lhe facilitar a vida... até precisava de estar mais livre para planear a minha vida. Mas não... pensei que ela não tinha mais ninguém.... senti compaixão. PARVA, IDIOTA!


Gostava que alguém demonstrasse preocupação comigo e com o emprego que vou conseguir. Isso é que seria de utilidade. Mas até agora só me abordaram porque me querem usar como ferramenta para expor a chefe pelo que ela é...

Mas se ela sair, outra igual vai para o lugar. E talvez uma que seja mais difícil de apontar os erros... uma mais sabida.

Por tudo isto, terei feito bem? Terei feito mal?
Só Deus sabe.

O que eu sei é que fiquei num emprego para lá do tempo em que me sentia confortável nele e essa decisão foi catastrófica. Sofri muito e a consequência injusta deixou marcas. Depois a minha outra grande decisão errada: ficar demasiado tempo a viver naquela casa com aquele tipo. Quando decidi sair, voltei atrás. Tudo para um mês depois sair de vez. O meu primeiro instinto estava correcto. Mas eu, ingénua, crédula... deixei-me levar pela esperança, pela crença de que é possível uma convivência cordial, seja no campo profissional ou pessoal...

E voltei a sofrer com isso.

Foi por ter passado por essas experiências que agora tomei a decisão contrária aquela que me é de costume. Cortei o mal pela raiz, antes que esse mal pudesse me prejudicar ainda mais.

Desejem-me muita sorte, do fundo do vosso coração!!!


Abraços carinhosos,
Portuguesinha

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Será que é desta que o IEFP terá alguma utilidade?


Novas alterações no funcionamento do IEFP estão para ser implementadas. Acabam as apresentações quinzenais, que obrigavam os desempregados a deslocarem-se ao Centro de Emprego sob sanções de perderem o direito ao subsídio e a inscrição. 

Foi algo que sempre me revoltou - essas sanções, que para mim eram mais coações. Uma autêntica ameaça, para quem já recebeu e leu uma dessas cartas convocatórias que em duas linhas indica a data e hora de um ajuntamento e noutras quatro enumera as punições: caso a pessoa não compareça, a inscrição fica imediatamente anulada e por 90 dias o desempregado não pode voltar a inscrever-se.


Esta sanção/coasão/ameaça ainda está em vigor. As mudanças vão ocorrer dia 1 de Outubro (há que dar descanso aos que vão de férias) e aplicam-se aos desempregados subsidiários.

Ora, eu nunca fui uma desempregada subsidiária, a pesar de ter trabalhado vários anos consecutivos. Era trabalhadora independente e a mudança da lei do subsídio para esse tipo de trabalhador era uma promessa e uma  miragem que, quando implementada, já chegou tarde para mim.

E talvez por estar abaixo dos baixos, o IEFP nunca me serviu para nada. Só para fazer nascer esperanças goradas. Por mais que insistisse ou demonstrasse interesse, por mais que alterasse a minha inscrição e ampliasse as áreas de interesse, por mais que lá fosse inscrever-me para realizar formações de qualquer espécie.

Tudo o que consegui realizar, fiz-lo à parte de qualquer contributo do IEFP.

(Chega sempre tudo tão tarde para mim... Até parece bruxedo).


Bom, mas qualquer mudança sempre é melhor do que deixar as coisas como estão. É ofensivo! Estas mudanças sempre são melhores do que se continuasse o fracassado sistema implementado. E todos a assobiar para cima, a fingir que não notam na sociedade, no mercado, as consequências das lacunas e inutilidades do sistema. É ofensivo para as pessoas que o procuram e nele depositam fé e repressor , por erradicar o optimismo de quem está em baixo a tentar condizir a sua situação a bom porto. Parece que estão a brincar com a vida das pessoas desempregadas. Como já disse uma vez, o IEFP não passa de um centro de estatística


Desejo mesmo que as referidas mudanças surtem efeito visível na vida dos desempregados. Mas tenho sérias dúvidas que, na prática, isso aconteça. Acabam as apresentações quinzenais, mas não as convocatórias. Acaba a estupidez sem sentido de impedir o desempregado de se manter inscrito e o punir com o impedimento de voltar a inscrever-se durante um mínimo de 3 meses! Como se ficar 3 meses com essa porta fechada não fizesse qualquer diferença no orçamento familiar, nem contribuísse com um bom empurrão para um abismo de desespero. Desempregado não é leproso, não é criminoso! Se fosse, talvez até lhe dessem uns trocos... O que o IEFP ainda faz ao desempregado - pois por enquanto tudo se mantém, é puni-lo severamente, como se não tivesse valor algum. É desumano. 

 As novas alterações vão impor um "plano personalizado". Até 15 dias após a inscrição num Centro de Emprego, é elaborado um Plano Pessoal de Emprego. 


Ora, eu tenho cá para mim que isso é apenas mudar o nome ao que já faziam aquando o acto de inscrição: actualizar a ficha de dados. Tomara que seja algo mais, mas até ver, reservo o direito, ganho a duras penas e a chapadas na cara, de manter o meu cepticismo.

Outras medidas passam por:

  • a atualização e revalidação desse plano;
  • sessões colectivas de carácter informativo;
  • sessões de procura de emprego acompanhadas;
  • programas de apoio disponibilizados pelo Instituo de Emprego e Formação Profissional (IEFP);
  • desenvolvimento de competências e “sessões regulares” de atendimento personalizado.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Dona de casa desmerecida

Quando uma pessoa está desempregada é tratada como uma dona-de-casa de antigamente.

Trabalha como uma mula, está sempre a fazer recados a toda a gente e no final, ainda dizem que não faz nada!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O que Portugal tem de emprego?

No Domingo entrei numa loja de vestuário (na realidade podia direccionar este relato a qualquer outro dia, ano ou loja) e reparei nos empregados. Tudo malta jovem. Uma rapariga a mascar pastilha, outra sem nenhuma ruga à volta dos olhos, tanto as que estavam na roupa quanto a única que estava vagarosamente a atender na caixa, enquanto a fila de pessoas aumentava.

Onde quer que uma pessoa vá, raramente é atendido por pessoas com mais de 30 anos
Bares, cafés, restaurantes, supermercados, lojas de roupa, de decoração, de electrodomésticos, tudo o que é loja em centro comercial, Wortens, Fnacs, cinemas... Quem nos atende? Malta sub30.

É de facto muito difícil encontrar emprego para quem agora tem esses anos no passado e que foram também eles passados em empregos precários e instáveis. Porque não há. Não nos querem. Podem até tolerar, abrir uma excepção, mas o mercado de trabalho definiu as suas regras e pronto: querem miúdas jovens, ou rapazes jovens, ainda a estudar ou a estudar à noite. Tudo o que for emprego que lide com a exposição, querem, exigem, juventude e beleza

Para onde vão os velhos? Se é que se pode cometer o crime de chamar velho a quem está acima dos 30 - mas é o que a sociedade está sempre a transmitir, através de anúncios de emprego, através da publicidade, através do que nos dá e do que nos mostra. Somos uns parvalhões idiotas que já se estão a lixar, porque os que agora andam nos 20, piscam os olhos e chegarão aos 30 e tantos... E depois, engrossam a lista dos que procuram emprego mas são preteridos pelos sub30.

Atraída (mas não iludida) por um anúncio no facebook a respeito de um portal de empregos que garantia mais de 200 empregos só em Lisboa, lá mordi o isco. Os empregos, os tais "mais de 200", na  realidade eram todos apenas e só uma área: VENDAS. Ou queriam comerciais ou pessoas para vender produtos por telefone. Nem sequer "precisa-se de rapariga para atender às mesas" que costumava abundar os classificados, uma pessoa encontra com facilidade hoje em dia. E quando  encontra, dizem sempre "jovem". 

Mas aqui fica o que encontrei. Quando encontrei isto há uns dias, sabia que ia fazer um post a respeito. E decidi que o ia abordar por um aspecto em particular: A procura agora está mais específica e direcionada. Os empregadores procuram aliciar os emigrantes e os filhos de emigrantes de primeira ou segunda geração. Aqueles que podem contribuir com uma segunda língua que falam fluentemente, não porque a estudaram na escola, como até agora tinha vindo a acontecer, mas por  a falarem em casa. Por terem dupla nacionalidade, pais nascidos noutros países e que emigraram para Portugal. Filhos que aprenderam a falar português na escola e na rua, mas que em casa falam outra. 

Tudo bem, acredito que tenha de existir oportunidades para todos. Mas claramente, não é o caso faz muito e muitos anos. 

DESPORTISTA... O que é um vendedor desportista? Ter tido uma carreira de alguns anos na pista de atletismo?

Em forma??? Isto quer dizer o quê precisamente?
E é para trabalhar NUM CAFÉ!!

Ou seja: não serve para portugueses, é especificamente para brasileiros


Bom salário, mas não se tenha dúvidas: nem o descritivo do anúncio vem em português. Isto é só para Alemães. 
1300€ é realidade alemã, tava bom demais para ser algo para um português...
Só para os CHINESES





Frances, castelhano e portugues (não serve em separado), Finish, Serbian(!!), Turkish, Polish, «different languages», italiano, inglês e Holandês. Uau! Qualquer português se pode candidatar a estas "Mais de 200 vagas", não é mesmo??

Repararam na diversidade de ofertas?
Há muito que defendo que só existe UM emprego em Portugal, que está constantemente a ser impingido. E este é: Call Center.

A quantidade de empresas que só contratam pessoas para este tipo de serviço são como pragas, não parece existir mais nada. Onde vão parar as ofertas de outro tipo? Onde está "recepcionista", "atendimento ao cliente em loja?", que não seja restritivo na idade, na aparência? E quando os há, é uma vaga, muitos candidatos e os currículos todos no lixo... contrata-se uma das que apareceu - a que parecer ir dar menos problemas com a precariedade salarial e condições de emprego - ou acaba-se por fazer uma conveniência a alguém e empregar um amigo de um amigo que está mesmo precisado.

domingo, 30 de março de 2014

O isco repescado

Relendo um dos posts deste blogue (na procura de outro) surpreendi-me com um texto que aparenta estar longínquo mas que no fundo não mudou em nada. Diz respeito à procura de emprego, às ofertas, à realidade e à propaganda. Ler aqui sff.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Geração RASCA ?

Uma notícia sobre oportunidades de emprego para jovens que passou hoje no telejornal fez-me recuar no tempo, até aos anos 90, quando na qualidade de estudante me abordaram para aderir à greve de protesto contra a introdução de uma nova medida da Ministra da Educação. A revolta era ainda maior por muitos se terem sentido ofendidos por terem sido apelidados pela imprensa de "GERAÇÃO RASCA". Palavras que já não recordo se foram aproveitadas por algum político... A revolta não tardou mas de pouco adiantou. Recuei até esse dia e voltei ao presente, consciente do meu percurso como se tivesse visto um filme. 

Eu, tal como todos desta geração, passámos por todas as mudanças que o Ministério da Educação introduziu no sistema de ensino para acesso ao ensino superior. Surgiram provas globais, surgiram cursos tecnológicos, surgiu a avaliação bi-partidária, em que a média de conclusão final era calculada a partir da nota tirada nas provas Globais com a média dos três anos de secundário, ambas com uma percentagem diferente de influência para a nota final. Lembro que o primeiro resultado global desta medida foi desastroso, alunos de notas médias ou altas chumbavam nas globais, o que fez o Ministério de Educação ter de ajustar os cálculos mediante os resultados obtidos.

Uma vez na universidade surgiram as propinas. Entrei no curso que quis, para o qual tive de fazer provas globais a disciplinas que inclusive nunca havia tido só para ter hipóteses de me candidatar com mais do que a média de Português com Matemática, uma mistura nem sempre vantajosa. Inicialmente o curso qualificava com o grau de bacharelato mas os anos de estudos acabaram por se alongar, não por ter reprovado, mas por uma nova medida ter permitido que aos bacharelatos pudessem se adicionar 2 anos extra para se obter o nível de licenciatura. Por essa altura já estava tão cansada de estudar, que me considerava uma profissional. Mas lá tirei a licenciatura, investindo no total 5 anos da minha jovem vida para obter um curso superior. 

Terminada a fase do estudo, é altura de ingressar no mercado de trabalho, do qual já fazia uma boa ideia de como funcionava, tanto por ter mantido contacto com o meio enquanto estudante, como pela quantidade de conhecimentos que absorvia por meu próprio interesse. E essa introdução inicia-se, obviamente, com ESTÁGIOS.

Fui fazer um estágio deplorável, sobre o qual até já falei aqui pelo que não me vou alongar. Já tinha prática na área por colaborar noutras empresas sem ordenado, mas fui de mente e coração aberto abraçar aquela nova etapa da minha vida. A universidade não tinha protocolos, mal sabia o que estava a fazer, não soube designar um orientador de estágio e ainda sofri ameaças por parte do director de curso por ter escolhido encontrar o meu próprio estágio dentro da área do curso e não me ter sujeitado aos por ele encontrados, fora da área. Terminado esse estágio curricular e não renumerado, que hoje sei que me mostrou o pior que existe em muitos locais de trabalho por este país a fora, obtive logo outro, numa entidade do estado, também não remunerado. Mas o desperdicei devido à pressão que o outro ainda estava a exercer sobre mim. Daí fui para o desemprego. Enquanto procurava e enviava curriculos, arranjei um part-time, tirei cursos, muitos cursos dentro da minha área de interesse, que paguei do meu bolso, mas a confiança e a esperança, essas é que ficaram com mossas. Pesava sobre a minha cabeça uma grande espada: a idade. A idade estava a avançar e por alguns lugares já escutava isso... Parecia que por todo o lado onde ouvisse uma conversa, todos me diziam que aos 25, 26 anos era já algo «velha» para iniciar a sério uma vida profissional nas minhas áreas de interesse. Percebi que as oportunidades eram «lixadas». Os anúncios de ofertas de trabalho pediam candidatos com licenciatura, dois anos de experiência e idades que iam apenas até os 20 ou 24 anos. Parecia que tudo conspirava e todos apontavam o absurdo das condições de empregabilidade. Como pode um indivíduo estudar a VIDA TODA, terminar o secundário, acrescentar CINCO ANOS de licenciatura, fazer mais uns tantos de estágio e ainda ser tão JOVEM?

Nunca mais esqueci o que uma vez ouvi num rádio: alguém acusava o governo de estar a enganar os estudantes, alongando os anos de estudo, pedindo e dando subsídios, criando estágios, cursos de formação e programas que visavam adiar a entrada dos estudantes no mercado de trabalho, para que não se percebesse os níveis reais de desemprego do país, para esconderem a gravidade da situação da comunidade Europeia. 

Os jovens estudantes de 90 foram vivendo de ilusões, promessas e aparências, seguindo as regras, iludidos pelo próprio governo. E agora aqui estamos: esta geração RASCA, foi é ENRASCADA pelas medidas evasivas do governo. Tramaram esta geração e comprometeram as gerações que lhe seguiram. 

É bom ouvir que podem surgir novas medidas de empregabilidade para jovens licenciados até os 25 anos ou que acabaram de perder o emprego. É bom mas também é mau. Estou a ouvir o mesmo desde que era eu essa «jovem licenciada», ainda me sinto um pouco nessa posição e agora constato que o tempo passou, pelos vistos não sou mais, e lá estão outros no mesmo lugar... 

Se a geração RASCA ainda não foi "agraciada" pelas promessas de "oportunidades para jovens licenciados" e muitos ainda continuam na «luta» por oportunidades e pela estabilidade no mercado de trabalho, só constato que o tempo passou e outra geração chegou sem que a anterior tivesse abandonado o barco. Estão assim, DUAS gerações, a RASCA e a À RASCA, acumulam-se no final da linha, sem ter para onde fugir. Como entulho trazido pelas ondas do mar preso numa enseada. Isto cheira a ilusão, a promessa oca e que só fica a pairar no ar. 

sábado, 30 de junho de 2012

Crise? Já não é de hoje!

Os noticiários e a Comunicação Social em geral não CESSAM de falar na CRISE.
Eis o que o noticiário da TVI, hoje, explica o que é a crise de acordo com os hábitos de consumo:

CRISE É:
1. Ir de Super-Mercado a Super-Mercado à procura dos produtos mais baratos.
2. Consumir produtos alimentares FRESCOS ao invés da comida embalada.
3. Cozinhar em casa ao invés de fazer alimentação em locais de restauração.
4. Esta "dieta orçamental" -diz a jornalista, fez também "emagrecer" o consumo de outros produtos: refrigerantes, batatas congeladas, sobremesas lácteas -  "são produtos que as pessoas já não consomem tanto"  - diz a entrevistada Madalena Bettencourt, Directora do Lidl. Que ainda acrescenta: "hoje em dia as pessoas vão mais vezes às compras, compram menos e preferem confeccionar as refeições em casa".
5. A jornalista "passeia" pelo supermercado e vai falando de percentagens de consumo nos primeiros 3 meses deste ano em comparação aos do ano passado. O consumo de alimentos até subiu ligeiramente, porque se compra mais, mas o que desce é a procura de BENS NÃO ALIMENTARES, e para o exemplificar, vai fazer entrevistas numa loja de electrodomésticos. E acrescenta:  aqui, como no sector dos têxteis, cultura e lazer, o ciclo de vida dos produtos aumentou. O novo só serve quando o velho realmente  já não serve.
6. Conclui-se a reportagem chegando à conclusão que o consumo está em queda-livre, o que vai ser fatal para algumas empresas e originar o desemprego.


Vamos reflectir...
1. Não consumir sobremesas lácteas... e que tal NENHUMA sobremesa previamente confeccionada? 
2. Não consumir comida enlatada, ou embalada previamente confeccionada... qual a novidade?
3. Ir de super-mercado a super-mercado em busca dos produtos mais baratos e comprar em função do preço... desde quando isso é hábito de agora?
4. O novo só serve quando o velho realmente já não serve... Qual é o mal disso? Pelo menos que esta "crise" sirva para reeducar os hábitos de excesso de consumo para onde nos estávamos a dirigir! Tanto consumo de produtos de plástico e têxteis para quê?
5. E acrescento: deixar o carro à porta de casa (ou nem o ter) e ter de se deslocar de transportes e a pé... que mal tem nisso?


Este contínuo mencionar da CRISE pelos media já enerva. 
Falam da Crise ECONÓMICA como se ela tivesse acabado de chegar, transformam-na em NOTÍCIA, como se fosse uma NOVIDADE recente. Mas agora descobri, graças a estas descrições pormenorizadas do que são os SINAIS da CRISE ECONÓMICA, que já vivo em CRISE faz quase DUAS DÉCADAS, não morri e ninguém alguma vez se lembrou de fazer tanto alarido disso. 

Em suma: descobri que afinal muitos já vivem em crise faz muito tempo e sobrevive-se! O que é esperançoso: não se morre disto. Crise, como alguém já disse, era noutros tempos, na altura dos nossos bisavós ou avós, quando passavam fome e escasseava comida nos lares da maioria da população, assim como vestuário, dinheiro no bolso ou mesmo um tecto para uma família morar. Enquanto a crise for adoptar hábitos mínimos de consumo e aumentar os de poupança, não se vive mal. Vive-se remediado, vive-se no que alguns chamam de pobreza, mas não se está em CRISE.


Todos estão a focar as suas atenções apenas na CRISE ECONÓMICA, quando devia-se era abordar a CRISE DE VALORES, a crise social. ESSA SIM, merece alguma reflexão. Será esta a que mais vai sofrer com as alterações económicas e dos hábitos de consumo, habituados que alguns estavam aos luxos, será esta a sofrer com o crescer do desemprego, com os maus salários... a crise SOCIAL está a cercar Portugal como um abutre a sobrevoar a carniça.

terça-feira, 23 de março de 2010

Empregos em Portugal - a situação lamentável

Tenho andado a analisar o mercado de trabalho dentro do contexto da sociedade portuguesa actual e o optimismo foi pela janela. Aliás, sinto-me deprimida e muito, mas muito desapontada e triste. O absurdo impera nas chamadas "ofertas" de trabalho. Não são precárias, são uma ofensa! E depois sai nas notícias que o Centro de Emprego tem "não sei quantas" ofertas que ninguém aceita. Como se os portugueses não quisessem trabalhar! Ora, senhores jornalistas, por acaso foram analisar essas ofertas antes de "paparem" o press release com as estatísticas? Deixem-me então dizer-lhes que são, sem dúvida alguma, umas grandes merdas.
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Em suma, querem trabalhadores que cumpram horários e funções de escravo, a troco de um salário de alforro... (ex-escravo). As ofertas consistem em trabalhos full-time com possibilidades de trabalho fora de horas e fins-de-semana, em que a tarefa é fazer 101 coisas, deixando porpositadamente de fora a informação de que ainda se tem de fazer a limpeza ao espaço, fechar a loja e fazer as contas da caixa, e tratar da logística e receber fornecedores, e tratar de papelada, e repor o stock nas prateleiras... tudo isto numa simples função de "empregada de balcão de loja". E a troco do quê como salário? O mínimo!!! Nem 500€ oferecem para este tipo de Full-times com horas extra não remuneradas.
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Depois vêm os estágios. Em catapulta, ofertas massivas, exigem, a troco de NADA, trabalhadores em regime full-time, altamente qualificados, que devem submeterem-se a condições sem quaisquer atractivos para trabalhar muito, sem ganhar nada em troca. Na área do audiovisual em particular, tenho visto uma determinada empresa sediada perto do jardim da Gulbenkian a solicitar estagiários para todo o tipo de funções (jornalistas, editores, etc), full time, oferecendo "subsídio de alimentação e deslocação" (um grande nome para dizer uns 100€/mês) faz já 4 (QUATRO!!) anos. De quatro em quatro meses, lá estão as "ofertas"... que generosidade! E colocarem alguém nos quadros, não apetece?? É muito tempo a sobreviver à custa de estagiários! E aposto que uns ganham muito, para outros não terem nada! Existem entidades para supervisionar isto ou não??
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Depois querem que Portugal vá para a frente. Pois não irá. Assim, não. Começa-se a "cultivar" a ideia de que um bom trabalhador faz horas extraordinárias todos os dias e não deve sequer esperar ser remunerado por isso. No meu emprego (que por hora tenho) ganho metade do salário dos restantes. Trabalho 3 vezes mais, recebo menos reconhecimento pelo trabalho que efectuo, sou menos apreciada por não andar ali a lembrar o chefe e os colegas o quanto "sou boa". Durante meses, uns encostaram-se na poltrona e deixaram o trabalho passar ao lado. Estive eu a aguentar a pontas, a levar o barco a bom-porto, fazendo imensas horas de trabalho, sem ganhar mais um tostão por isso. Aliás, o mês passado trabalhei, efectivamente (sem pausas para lanche ou momentos lentos) 200 horas! Para quem é trabalhador por conta própria a cumprir horário fixo numa empresa há já ANO E MEIO, isto é um absurdo. E sabem que mais? Alguns colegas torcem o nariz ao me verem trabalhar dentro de um horário normal. Agridem-me por isso! Mesmo trabalhando menos. Querem ser aqueles que podem astear a bandeira "Eu faço mais horas que tu!", ainda que, num horário de 8 horas, 2 delas passem a olhar pela janela, uma a passear, três a complicar as tarefas mais simples e uma a ir beber cafezinhos.
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Ora... eu sei trabalhar bem e fazer o meu trabalho de forma produtiva dentro do horário das 8h diárias. Não preciso fazer horas extra! E isto devia entrar de uma vez por todas dentro das cabecinhas dos nossos superiores. Fazer horas não faz avançar. Caso contrário, nestes quase 2 anos em que tenho trabalhado neste sistema, teriamos visto frutos e não se estaria à mercê da bancarrota. A falta de bons gestores e bons profissionais, isso sim, é que é uma calamidade!!
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E é isto que eu não aceito. Isto está errado. Portugal e qualquer país desenvolvido não vai para a frente se as pessoas trabalharem o dia todo e regressarem a casa só para dormir. Isso não nos traz prosperidade! Vejam só o caso da China, uma república comunista, que implementou o trabalho de escravatura após a 2ª Guerra Mundial. É o país com a maior taxa de desemprego que existe! E lá, faz muitos anos, que a exploração é uma situação quotidiana e os trabalhadores assalariados são explorados e trabalham até 20 horas por dia!!! Foram longe? Não!!! E se alguns acham que a China é uma super-potência económica, vejam lá se percebem que foi à custa do sangue dos oprimidos. Sim, porque os trabalhadores explorados e com privação de sono, a fazer directas atrás de directas, sofriam muitos acidentes de trabalho e simplesmente eram dispensados quando ficavam sem membros como braços, mãos ou pernas, ou os químicos lhes tirou a saúde e o bom funcionamento dos órgãos internos. Existe muito sangue e vidas pisadas nos alicerces da China... é este o trilho que Portugal quer seguir? Parece!!!
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Se a China fosse boa, Portugal não estaria cheia de Chineses que, em carros de luxo, se deslocam até 15ª loja de "3oo" (300$ = 1.50€), cujos preços estão longe, bem longe de ser baratos (já nada custa menos de 3€ e tudo é de qualidade reduzida e com alta probabilidade de ser fruto do comércio injusto). O governo Chinês PAGA para que os seus se alastrem que nem cancro para outros países e vendam os seus produtos, conquistando mercados e ANIQUILANDO os de acolhimento, com toda a injustiça e atitude criminosa que é abrir as portas à expansão do comércio injusto (aquele em que, em toda a cadeia de produção, uns ganham o dinheiro todo, outros trabalham de graça, aumentado a distância entre poucos ricos e muitos pobres). E assim, as famílias chinesas em Portugal e noutros países, usufruem de um estilo de vida que lhes teria sido impossível sonhar no país de origem e, depressa, aprenderam que podem ficar mais ricos ainda... aumentando os preços para os praticados no panorama português (com produtos de outra qualidade). Sabem que uma peça qualquer, seja para que propósito for, na China, o CUSTO é tão irrisório para o comerciante, que uma certa quantidade chega a ser de graça?? Um documentário na TV mostrou-me um porta-chaves multi-funções, com luz, som etc, a custo de... 0.20 cêntimos! Para ser vendido em lojas "caras" ou "baratas" entre 5€ a 50€ euros!
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Portanto, não se iludam. A economia como está é uma bosta. E se não nos tornarmos individualistas, acho que não nos safamos. Portugal está uma miséria. As ofertas de trabalho são uma ofensa à sobrevivência de qualquer indivíduo. Uma renda de casa não é inferior a 500€, mas um salário é! Que vergonha!!! Por isso é que aumentam os estrangeiros que vivem em situações ainda piores que nós (miséria) no país de origem. É para este tipo de trabalhador que se está a abrir as portas: o que trabalha por qualquer miséria. E vejo-os todos os dias. Partilham os transportes públicos comigo. Muitos da europa de leste, outros, nem sei de onde são, mas que lá têm os seus turbantes na cabeça, têm. Todos a cheirar mal, com sinais de pouca higiene... que vergonha, Portugal. Que vergonha!!
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Porém, se olharmos pela janela, vemos as nossas estradas movimentadas, cheias de automóveis. Pensamos que isso é progresso e sinal de poder económico... a gasolina é tão cara, os empregos uma miséria, onde ir buscar dinheiro?
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Eu sou uma pessoa bem formada. Agora imagino aqueles que não têm formação alguma e que, moralmente, têm padrões mais baixos. Se a uma pessoa com as minhas qualificações é oferecido uma posição de ordenado mínimo, os que oferecem 200€ por mês em FULL TIME, ou 400€ - porque vi MUITAS ofertas deste tipo em portais de emprego, vão contentar-se com isto sem resistir á tentação do crime? É que roubar ou ficar em casa a receber o subsídio parece ser mais rentável! Além de todos os males que esta situação precária e injusta de diferença salarial traz, ainda gera crime! Portugal, acorda!! Muda de rumo... eu estou muito desiludida...
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Que tristeza!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Caridade: Como a sociedade a vê?

Veio-me à lembrança um momento de troca de ideias, promovido por uma questão durante uma aula na escola, já lá vão uns aninhos. Não sei como, a conversa "virou" para a ajuda humanitária. Nessa troca de impressões, defendi que é preciso dar algum tipo de ajuda às pessoas desprivilegiadas, ao que uma colega com outra opinião retorquiu que só é pobre quem quer e quem é preguiçoso e não gosta de trabalhar.
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Estas duas perspectivas sobre o assunto mostram bem como a Sociedade encara Hoje a miséria. As pessoas têm mais consciência das alternativas existentes para quem precisa. Da quantidade de instituições beneméritas, das acções e posições do governo, das doações em espécie para todo o género de caridade. E percebem também, que muitos "pobres" aproveitam-se delas para ganhar dinheiro sem ter de se esforçarem ou trabalhar. Então indignam-se.
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O muito criticado "rendimento mínimo", serve de exemplo para isso. Famílias inteiras a viver à custa do subsídio do Estado Português, dos descontos dos impostos de quem trabalha admitindo entre risadas, não pretender trabalhar. A entrega de casas em bairros sociais. Os cursos financiados pelo Estado, para dar equivalência ao 12º ano, frequentado por jovens que ali vão pelo dinheiro e não têm qualquer intenção de ouvir o formador, quanto mais pôr em prática a aprendizagem.
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Escolas de formação que se propõem a facultar cursos co-financiados, somente para colocar ao bolso uma fatia de dinheiro fácil... (Ai! Deixem-me gritar! Portugal, vai mal!!! - onde não pode se dar ao luxo de fracassar). Universidades privadas e públicas, a criar cursos estapafúrdios para conseguir mais dinheiro, motivações erradas dirigidas às pessoas erradas, o Magalhães, a entrada de uma imensa mão-de-obra imigrante criminosa que não tem colocação profissional porque o país não tem nem para os seus, isto a gerar bairros de elevada criminalidade e pior... gente de instrução muito baixa, que nunca sairá do buraco onde está, porque a ajuda não é apropriada. E por aí...
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Fiquei eu um tanto estarrecida com a opinião vincada da colega que ainda por cima fez troça de mim. Só é pobre quem quer - disse ela. Porque não querem fazer nenhum. Será?
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Entendo tudo isto que descrevi. Também sinto revolta com muita coisa. Mas não deixo de ser da opinião que nos devemos ocupar da questão. Se vamos acentuar as diferenças, vamos aumentar a criminalidade.


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A colega defendia que tinham de existir pobres, porque senão não haveria ninguém para fazer os trabalhos mais serviçais. Nesta sua perspectiva de ver as coisas, a extrema riqueza era uma mais valia, bem merecida pela supremacia de quem a alcançou. Além disso, também era da opinião de que as pessoas que se preocupam com o ambiente sofrem de alguma perturbação mental. Deu como exemplo a Greenpeace e, a jeito de troça, incluíu-me na instituição.
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As suas provocações não surtiram efeito mas não deixo de lamentar tamanha demonstração de imaturidade e malícia, que revelou somente no final de uns tantos anos de uma convivência superficial. Na sua fita de curso, estive para escrever: "Em 5 anos, só conheci quem és há duas semanas. Não gostei." Mas compadeci-me dela e desejei um sentido "Boa Sorte".
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Não deixa de ter um tanto de razão, porque na verdade, as pessoas bem intencionadas e pacifistas acabam por sofrer mais e são mais injustiçadas na vida. Mas decerto que isso não é razão para um "vale tudo" sem compaixão.
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Esta colega era ainda uma criança inexperiente quando começou os estudos. Mas terminou-os revelando-se uma autêntica "cabra". Celebrou a derrocada da "melhor" amiga, a quem roubaram o emprego à traição. Chamava-lhe nomes feios e gozava-a, ridicularizando a amizade que esta queria ter. Era sorridente com as pessoas pela frente e muito maldizente por detrás. No final dos estudos, trocou as roupas de jovem estudante pelos fatos saia-blaser caqui das senhoras de negócios. Andou a distribuir cartões com o seu nome, com um indescritível rejubilo, enquanto se passeava no carro novo, oferecido pelos pais, que veio junto com uma casa para morar e uma boa cunha num ambicionado posto de trabalho cheio de regalias e boas perspectivas.
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Levando isto em conta, que sabe ela sobre a necessidade? Os pais não a deixaram sofrer (nem lutar) para alcançar algo na vida. Bom para ela, mas mal também. Coitados dos filhos que vier a ter. "Para que servem as pessoas altruístas, como as da Greenpeace, que defendem as baleias?" - perguntou ela em troça. Respondo-te o que ia para dizer, mas guardei com pena da tua repentina crise de snobismo. São elas que vão fazer um mundo melhor para os teus filhos. Quando os tiveres, vais ver como, de repente, as preocupações com o ambiente e a sociedade passam a estar na tua ordem do dia...