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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

E o veredicto do hospital è....

 

Tenho o ombro direito partido.

Ate a enfermeira que me examinou ficou surpreendida. "YOU ARE A TUFF COOKIE", disse ela.

Eu sei que sou. Mas isso nao e necessariamente uma qualidade. No meu caso penso ate ser um defeito. A minha capacidade para medir e qualificar numa escala o nível de sofrimento suportado, tanto emocional quanto físico, nao se desenvolveu adequadamente. E ate sei porque. Como consequência, suporto elevados niveis de ambos.

Primeiro a enfermeira fez-me um exame de toque. Apertou-me o braço desde o ombro ate ao pulso.  Como nao existiu dor ao toque, so um ligeiro desconforto ao ser aplicada muita pressao no ombro, era provavel que se tratasse de uma luxação.

De seguida fui fazer um raio-x. 

Depois de meia-hora a aguardar ser chamada, ela verifica as imagens digitalizadas da radiografia e informa-me que o osso partiu.

"Deve ter caido com o ombro primeiro!"- disse ela, espantada por ser osso quebrado.


O que posso dizer? Foi muito rapido. Num instante estava na scooter, no outro no chao. Tentei avaliar o que aconteceu e procurar reconhecer no meu corpo o estado em que me encontrava. Levantei-me talvez passados uns 15 segundos mas pareceu-me uma eternidade. Toda coberta de pedaços de ramos, folhas e outras sujidades.

A malandra da scooter nao sofreu nem um arranhão. 

Posso dizer que tive sorte.

No meio do azar, nao podia ter tido melhor resultado: um ombro partido mas sem dor e que, Deus querendo e eu fazendo por isso, vai recuperar rapido. Nao em menos de 2 semanas a um mes - disseram.

Vejo isto como uma oportunidade para desenvolver as capacidades motoras da mao esquerda. Para já esta a sair-se muito bem. Consigo vestir-me, trocar de roupa, usar o wc... a mao esquerda e o braco esquerdo tem de ir trabalhar por mim.

A minha grande preocupação é essa. O trabalho.

Regressei ao reino Unido antes da imposicao da quarentena para poder ficar essas duas semanas a trabalhar. Uma imprudência minha pode ter-me trocado as voltas. Nao creio que um ombro machucado va impedir-me de executar as tarefas habituais. O ombro nao está inchado ou apresenta hematomas. Esta normal e equilibrado com o outro. Nao tenho dores. Comprei ibrofene e paracetamol como me foi recomendado pela enfermeira, mas nao sinto necessidade de os tomar. Irei, claro. Sei que pode ajudar. Por isso passei pela prateleira do supermercado e comprei um por 29 centimos e o outro por 40. Sim, centimos... marca branca, claro. 16 unidades por embalagem. Mas mesmo assim... que preco! Espantoso como certas coisas banais sao tao caras e outras mais urgentes sao economicas. 


Sinto-me capaz de trabalhar mas vou seguir as recomendacoes medicas. Acho que seria capaz de ir trabalhar mesmo depois de morta e so descobrir essa condição a chegada do emprego. Ai vou ouvir o S. Pedro informar-me que aquele lugar estranho nao e mais a entrada do meu trabalho. Aquele e o portao de entrada para o ceu.

E eu vou sentir-me assim:

- Não pode ser!!! Eu saí de casa para vir trabalhar! 😂












Gritar os meus dados pessoais

 Se ha coisa que nao gosto de fazer e dizer a minha data se nascimento. Isso ou a morada. Contudo, na recepcao do hospital pedem-me exatamente isso.

Nao ha nenhuma privacidade. Tenho numero de inscricao no sistema nacional de saude, nome e apelido. Devia bastar-lhes. Mas fazem-se valer da informacao mais pessoal. Nem querem saber do resto.

 Os dados nao so sao ditos em voz alta, como repetidos varias vezes. Toda a sala consegue ouvir. 

Sempre me pareceu uma anedota, num pais que diz preservar ao maximo a informacao do individuo e o seus direitos. Esta errado e é anti-deontologico exigir que estes sejam recitados diante de uma plateia de desconhecidos na recepcao de um hospital.

Pelo menos no centro clinico em Lisboa existe  alguma privacidade, um cartao e um numero de identificacao. Se pedirem a data de nascimento, so quem estiver por perto pode escutar. Os restantes na sala nao.  Aqui escuta-se e ressoa pela sala inteira. 

Alias, as pessoas nao tem mais para onde olhar, e ficam a prestar atencao ao que se passa pela recepcao. 

 Ainda tento camuflar a situacao ditando os numeros individualmente e nao dizendo o mes, mas a pessoa quase sempre parece necessitar de ouvir estes dados tao intimos e unicos da maneira mais obvia.

Depois de lhe dar a minha morada, incluindo numero de porta, tudo ficou completo.

Proteccao de dados pessoais moderna...

Que piada.


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Covid ou nao Covid? Continua a duvida.

Sao 5 da manha e vou tentar dormir para acordar as 7.30.

Dez minutos depois de ter escrito aqui respostas aos comentarios do ultimo post, envio uma mensagem ao rapaz da casa, para saber como se sente. Ouvi-o a vomitar no wc.

Nada disse (nunca diz) e por ser muito tarde nao o quis importunar pessoalmente. Desligo a luz. O primeiro dia de trabalho num novo emprego ia começar em poucas horas. E ainda tenho o noturno com que me preocupar. E muito importante descansar. Entre os dois, tenho apenas 4h para dormir e a meio da tarde. Nada mais.

Mais dez minutos e oiço a rapariga a sair do quarto para abordar o rapaz. Chamam o meu nome pela porta. Abro. Ela diz que temos de chamar uma ambulancia. Pego no telemovel e disco o nimero de emergencia: 999.

Nao vos conto mais nada, mas foi exaperante. Basta contar que a primeira chamada foi feita as 1.15am e a ambulancia apareceu as 4.00am.

O rapaz tinha dores no peito e dificuldade em respirar. Um provavel bloqueio numa veia perto do coracao. E talvez Covid. Quem sabe?

Espero que ele fique bem. É boa pessoa. A rapariga tambem. Louca, mas boa gente.

Se vim para esta casa existe uma razao. E ja gosto deles e me preocupo com o seu bem estar, mesmo que nao venhamos a ser grandes ou intimos amigos.

Estamos todos no mesmo barco e temos de nos ajudar mutuamente. Sem familia por perto. Se o covid aparecer nesta casaz terei de ser cuidadosa com a minha familia do outro lado do atlantico.

Mas vao ser estas as pessoas que terao de me auxiliar. E eu elas. Nao podia ter calhado melhor, diante da alternativa.

Bom, vou tentar descansar. Duvido que adormeça. O rapaz levou morfina, tomou aspirina e foi para a ambulancia amparado por duas paramedicas. Fizemos-lhe uma mala de roupa, metemos o passaporte e o telemovel com carregador. Espero que nos de noticias.

No meio desta comocao, como estamos numa casa e aqui deixa-se a porta aberta, as 4 da manha uma rapariga loura toda produzida surge do nada a pedir o telemovel para chamar um taxi porque o namorado deixou-a ali. Fria, sem querer saber da comocao, sem interagir. La dei o meu telemovel a uma estranha, que foi para casa de taxi enquanto o meu colega estava ligado a um aparelho cardiaco e a ser injectado com morfina.

Quando regressar vai ser mimado. Algum bem tem de sair deste mal. Aposto que e desta que vai deixar de fumar. Ele tentou, mas so conseguiu por 3 dias. Voltou a fumar em força e coincidiu nessa altura começar a ter pior aspecto. Fiquei preocupada e tomei uma nota mental para estar atenta.

Mas ele nao me disse hoje que estava com dores no peito. Tem-se mantido afastado, devido a suspeita da rapariga dele ter Covid.

Foi para o hospotal, onde esta a ser vigiado e espero que, bem tratado. O coracao dele nao estava a funcionar bem. Espero que consigam reverter isso e que ele nao fique com problemas.

O melhor que podemos possuir e a nossa saude. Bjs e cuidem-se.


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Google maps ajuda terroristas


Procurava localizar um Hotel.
Então recorri ao Google Maps.


Por engano no nome, o google foi parar a um Hospital. 
O meu choque foi total quando percebi que o google estava a mostrar-me não a estrada onde fica o hospital, mas o INTERIOR do hospital. As recepções, as salas de espera, as salas de tratamento, a maquinaria, todos os corredores e escadarias.













Este país está a desiludir-me cada vez mais. 


Sobressai o non-sense
Dizem uma coisa, fazem parvoíces. 



O google Maps é suposto estar vedado a lugares de segurança, como aeroportos e hospitais. Vivemos num mundo com terrorismo. E o Reino Unido é um dos alvos favoritos. Têm tantos cuidados e medo de atentados terroristas e no entanto, há um hospital todo mapeado no Google maps!



E se têm um, o que impede de terem mais??


Venham terroristas, conheçam os nossos quartos, a área para as crianças brincarem... Vejam bem e decidam onde querem colocar os explosivos.




sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Quem decide é a Natureza


As minhas ideias sobre situações em que se fica entre a vida e a morte MUDARAM MUITO desde a adolescência. O que pensava antes tinha como base pouca informação. Imaginava que, se os médicos me dissessem que uma pessoa muito amada estava em coma e o melhor seria desligar as máquinas porque o cérebro jamais ia recuperar, era isso que devia ser feito porque eles certamente não diriam uma coisa dessas sem antes se certificarem do que estavam a dizer e fazerem todos os testes. 


Mas isso era o que eu pensava há uns 20 anos atrás

Com mais informação digo que tudo é possível e os médicos não sabem nada com 100% de certeza. Sei também que consideram pacientes assim casos perdidos, que consomem recursos que muitas vezes não têm como disponibilizar. Quero dizer... se fores o Michael Shumaker e tiveres muito dinheiro, podes ficar ligado às máquinas por décadas em hospitais privados. Mas uma pessoa sem recursos é logo "convidada" a desligar as máquinas. 

Dito isto, este documentário relata dois casos: o de Sarah Scantlin e o de Shawna. Ambas ficaram em coma após acidentes de aviação (se conduzir, não beba!!!!). Aos pais de ambas foi dito para... considerarem a hipótese de desligarem as máquinas, pois os danos cerebrais eram bastante severos. Os pais de ambas escolheram manterem o coração a bater, ligado às máquinas. SARAH esteve em coma por 20 anos! E espantou todos quando um dia começou a gritar. Os gritos duraram 3 anos. Até que um dia, passaram a palavras. Shawna esteve em coma três semanas. Os pais foram várias vezes pressionados pela equipa médica, em separado e em grupo, para que considerassem desligar as máquinas e doar os órgãos. Imaginem agora que isso tinha sido feito. Não é homicídio?




domingo, 31 de julho de 2016

Quando se sente que uma tempestade está próxima (aeroporto invadido)

Foi a semana passada, na sexta-feira.
Folheava uma revista e deparo-me com uma fotografia de uma multidão de pessoas em corrida. A imagem ilustrava um texto sobre uma corrida em Lisboa, a Global Energy Bimbo. Vai acontecer a 25 de Setembro e tem a peculiaridade de querer ficar no Guiness Book. É uma corrida que vai decorre no mesmo dia também noutras cidades e países pelo mundo. Achei interessante e fiquei a contemplar a hipótese. Mas aí...

Voltei a olhar para a imagem - gosto sempre de observar as imagens. Desta vez um pensamento bem diferente assolou-me a mente quando bati o olhar novamente na fotografia. Ao ver os corredores, centenas deles, todos coladinhos em corrida, pensei: «mas isto é ideal para um atentado terrorista!». 

Assustei-me com o pensamento e algo em mim ficou a temer este tipo de evento. Imaginem só o que seria, centenas de pessoas bem dispostas, felizes, desafiantes, porém, totalmente encurraladas num carreiro... e bombas posicionadas em lugares estratégicos. Não teriam chances. Seria uma chacina! 

Depois li no cartaz: CORRIDA PELA PAZ.

Esse detalhe só me alarmou.  
Lembrei-me depois do quão indefesas estavam as pessoas naquela Maratona de Boston...


Quase que fiz um post sobre este inesperado pensamento, que do nada me ocorreu, mas depois deixei passar. Uma semana depois, neste sábado dia 30, por volta da hora de almoço, até um pouco antes, detectei uma regularidade de sons de sirenes a passar na rua... Fui espreitar. É raro escutar muito movimento porque há pouco trânsito. Nenhuma das sirenes eram de carros de polícia, o que é mais comum. Uma pertencia a uma ambulância e outra a um carro de Inem... Passaria-se alguma coisa?

Bom, acidentes e mau-estares não escolhem dias da semana... Também podem ocorrer durante um sábado sereno, com temperaturas bem mais amenas que as dos dias anteriores. Tento convencer-me disso e não ser alarmista. 


Por volta das 13h da tarde, alguém menciona que o trânsito perto do aeroporto estava impossível. Algo devia ter acontecido ali. Uma pessoa avança com uma hipótese: Se calhar alguém sentiu-se mal...

Vou eu e digo: «Se calhar apanharam um grupo de estrangeiros terroristas com passaporte falso».

A seguir não ligo a TV, não oiço as notícias, não faço a mínima ideia do que se passa pelo mundo. Acordo domingo bem cedo, antes das galinhas, ligo o computador e no facebook surge o link para uma notícia que pelo título logo imaginei alarmista. Daquelas que dá a entender uma coisa mas é outra. 


Ainda assim, abri para entender se estavam a falar de aves, de um jogo estratégico, de uma campanha de marketing, de um filme ou, como o leitor iria deduzir, de pessoas que factualmente e por alguma razão de grau de gravidade variável, tenham de facto ido para onde não é permitido circular dentro do aeroporto. 

Bom, no momento em que escrevo este post, ainda não sei bem o que aconteceu, nem a gravidade. Não fui ainda ler as notícias. Só espreitei esta, que resume o ocorrido mais ou menos desta forma: "um grupo de 5 homens argelinos fugiu da zona de embarque por uma porta de emergência de volta à pista. Foram detidos. Isto aconteceu à noite e a pista teve de ser encerrada entre as 20-00h e 20-30h".

Na realidade, nada se sabe, esta é daquelas notícias que apresentam factos, sem os explicar, porque só isso foi comunicado aos jornalistas. Notícias que não transmitem grande sensação de alarme (feliz e oportunamente), têm um desfecho tranquilizador e não esquecem de mencionar ao de leve a eficiência das forças policiais. 

No entanto -  e talvez por isso mesmo, fiquei alarmada com o que ficou por dizer. Para já, seja o que for que tenha acontecido, talvez tenha começado bem mais cedo do que a notícia indica.

Será que se tratou de uma manobra de distração? Pretendiam estes homens de nacionalidade argelina proteger algo maior? Ou será que algo que ocorreu bem mais cedo lhes estragou os planos? Será que esperavam encontrar engenhos explosivos na sala de embarque e algo que ocorreu bem mais cedo preveniu esse desfecho?
Não faz sentido algum 5 homens sairem pela saída de emergência... para a pista.  Porque eles não iam a lado nenhum... A notícia não explica porquê, mas menciona que um dos homens foi transportado para o hospital.

Quereriam eles ser detidos para ficarem em solo nacional? Ou perceberam que iam e tentaram fugir? Eram terroristas ou pessoas em fuga?
Ah, teorias da conspiração...


Todos os dias a actividade de um aeroporto está repleta de ameaças. Nós, povinho, não temos noção disso. Temos de ser mantidos um pouco na ignorância. E para dizer a verdade, se não fosse assim, provavelmente andariamos em estado de guerra, cheios de receios, medos, a querer andar armados, a bater em todos e a olhar para cada estrangeiro com ar desconfiado...

Seriamos a América!

quinta-feira, 21 de julho de 2016


Sobre o assunto abordado neste post aqui, o resultado foi este

Podia ter sido salvo...
A negligência foi clara.


domingo, 10 de abril de 2016

As redes sociais e a comunicação


O que se faz quando uma mãe/pai (ou o próprio) coloca no facebook uma fotografia da pulseira/agulha hospitalar do filho? 

"Se tem tempo e ânimo para tirar fotografias é porque está tudo bem" - é o que ainda penso.

Por mais que a minha personalidade reservada opte pela discrição, tenho de compreender que não somos todos iguais. Para mim ainda não faz muito sentido partilhar este tipo de situação no facebook! Mas isso sou eu. 

Não o uso como rede social. Mas há quem o use. E assim sendo, faz sentido que coloquem toda a sua vida lá. Que façam um relatório detalhado, regular, que não deixa passar nada, como se fosse uma rede de verdade, daquelas de pesca. É assim que escolheram comunicar-se com o mundo. Não me faz tanta confusão quanto pode parecer, embora o meu ADN não seja capaz disso. Preservo demasiado a intimidade para me expor dessa maneira no mundo global e nunca fui vaidosa ao ponto de necessitar da validação alheia - dois factores diferenciais.

Se antes tudo isto se fazia por telefone e antes disso pessoalmente, agora com um simples toque num objecto eletrónico de 10 cm sabe-se tudo, sem sair de casa. Não é preciso ir prestar apoio psicológico no hospital, não é preciso telefonar para saber detalhes. Convenhamos, essa parte era terrível, pois a cada pessoa que ligasse quem atende a chamada não pára de se repetir em explicações. Nesse aspecto o facebook ajuda e muito. Claro que, tudo piorou quando surgiram os telemoveis, porque até lá, para os que não sabem porque não viveram nesse tempo, os telefones eram fixos e era em casa que se atendiam chamadas. 

Hoje sabe-se tudo assim, pelo facebook. Quando existe uma festa, quem vai ao evento, como foi uma festa de aniversário e todas as idas aos hospitais... Até a morte chega ao facebook, missas de sétimo dia, "homenagens", etc. Só ainda não se chegou ao ponto de colocar uma foto do morto no mural do facebook! Estranhamente, isso não acho mal.. do ponto de vista do termino de um ciclo de vida. Não se ponham é a fazer poses e biquinhos de selfie, brrrr!

Se as coisas já são o que são no presente, imaginem no futuro. Deixo-vos aqui uma previsão do que será! Acho que está certeiro.



sábado, 9 de janeiro de 2016

A saúde trata-se fora dos hospitais e ao telefone

Depois do Natal, antes de tomar conhecimento do caso do falecimento do jovem com aneurisma cerebral, vi estas publicidades na barra lateral do facebook e guardei, com intenção de fazer um post para abordar um tema sério: a saúde.

E o que é que penso disto?
O PIOR!

Primeiro, uma introdução a meu respeito: Nunca fui a um hospital. Nem sei lá ir ter, para ser sincera. Faço o tipo de pessoa que vai trabalhar doente, sai à rua para tratar de recados com uma constipação... etc. Não recebi uma boa educação sobre comportamentos de combate a doenças, desconheço os nomes de medicamentos considerados comuns e, com isso, é comum ter sintomas ou ficar doente e demorar a o perceber. 

Sou o tipo de pessoa que ao ficar constipada, como aconteceu este Natal, acha que aquilo passa com repouso e melhor alimentação. Nem lhe ocorre ingerir medicamentos, nem pensa que é algo grave. Primeiro dou «tempo» para que passe por si. Se insistir, então procuro alternativas. Foi durante o próprio convívio familiar natalício, de olhos vermelhos, muitos espirros, voz fininha e tosse é que percebi, diante da insistência de terceiros, que devia atacar aquilo com medicação. E lá fui tomar um antigripe. Passado uma hora já conseguia sentir os sintomas a regredir. O que de facto veio a acontecer. Embora, até hoje, a tosse ainda dê ares da sua graça.

Portanto, sou a antítese de tudo o que estes cartazes indicam e sou também o PIOR tipo de pessoa para si mesma.

Ainda assim, não concordo com a mensagem destes cartazes.
"Não vá ao hospital", "não vá às urgências", "fique em casa", "seja antendido por um médico através da linha de telefone saúde24".


 Lol. Agora os médicos podem fazer consultas ao domicílio por telefone? Fantástico! Para quê ir a um médico de todo? Porque não executar também cirurgias pelo telefone? Já agora, porque não deixar as pessoas pesquisarem no google os seus próprios sintomas e decidirem por elas mesmas o mal de que padecem? Para quê exames ao sangue ou outros? Nãh! Por telefone primeiro... E se a pessoa ao telefone errar na avaliação de gravidade do caso, ups! Foi porque o «paciente» omitiu alguma informação. A «culpa» é do paciente. Então, já vão dizer que devia ter ido ao hospital... Afinal, o "médico", por telefone, não está sequer a ver o rosto do paciente... sabe lá como está o tom da pele, o branco dos olhos.. não vê nada.

Ora esta! Se uma pessoa se dirige ao hospital, é porque acha que o deve fazer. E não devia importar que sejam 1000, 2000, 3000... os hospitais servem para isso mesmo. Para atender as pessoas, da melhor forma possível. Nunca que pensei que iam dizer às pessoas que se sentem doentes para NÃO IR a um hospital e facultar como recurso um atendimento POR TELEFONE.

Eu sei onde eles querem chegar e o que os motiva. Mas não concordo. Discordo em absoluto. 
Acho ultrajante para a população e indigno da comunidade médica.