Mostrar mensagens com a etiqueta Depressão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Depressão. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de junho de 2020

A dádida do suicídio

Parece que o actor Pedro Lima suicidou-se. E porque? As razoes so ele as sabe.  E talvez aqueles que lhe eram muito proximos.

Os media ja avancam com um motivo: problemas economicos. A reducao de um salario de 6000 euros mensais para metade. E ainda outro:  o receio de nao ver o seu contracto renovado.

Indiretamente dizem que e uma consequencia das mudancas sociais e economicas impostas pelo Covid.

Esta realidade nao o atingiu somente a ele,  mas toda a populacao mundial. Muitos outros tambem com familias grandes e ate a ganhar menos que 6000 ao mes.

Aquilo que devia te-lo feito resistir ao acto de cometer suicidio talvez tenha sido o que o afundou. Nao se sabe ao certo. Homens e mulheres pensam de forma diferente, por vezes. Os homens tendem a sentir que fracassam e sao imprestaveis se nao cumprirem com o papel de provedor economico.

Cinco filhos. Presumo que quem chega a esse número hoje em dia, o faz por escolha. Pelo menos alguma.

Cada um dos filhos devia ter sido uma razão para se agarrar à vida.  Devia ter-se lembrado do nascimento de cada um deles e como dai a diante se tornou aquele de quem aquela nova vida ia depender, por muito e muito tempo. A responsabilidade de os sustentar, que a mais ninguem cabe senao aos pais, devia ser a força motora para adiar o suicidio hoje e esperar pelo amanha. Por mais sombrio que se aviste o futuro imediato, por mais desesperante que seja o hoje, existe um amanhã.

E eu digo isto tendo estado tanta vez, nao digo a contemplar fazer o mesmo mas... a concluir que nao existe proposito algum e nada vale a pena. Estive assim há pouco tempo. Fui até o mar, para ver se ajudava a relativizar... naquele dia nada ajudou. Nem o oceano.

Mas o travesseiro me daria o dia de amanhã. E sabem que mais? Depois da tormenta(s) existe uma calmaria. É ai que se deve tomar folego e encontrar formas de nos fortalecer porque mais tormentas virão. É a propria definicao da vida.

E nao, esta nao e como nos filmes.

Mas sabem o que é preciso dizer sobre o suicídio? É preciso falar sobre a dádiva que um suicida deixa para a familia e amigos.

A Dávida que um suicida deixa para um filho é o receio deste vir a fazer o mesmo.


Se antes um filho nao pensava nesta eventualidade, vai passar a pensar. Vai passar a dominar o pensamento com frequencia. Começa-se a temer o futuro, a temer a vida adulta e os desafios pela frente. Será que os vao aguentar ou vao ser fracos e optar pela mesma accao do pai?

Esta eventualidade passa a ser uma sombra... uma espada em cima da cabeça.

Digamos que é uma forte mensagem, o ultimo gesto em vida de um pai. Um filho dificilmente fica a pensar: "oh, o ultimo acto do meu pai foi pedir a outras pessoas que cuidassem de mim. Ele gostava mesmo muito de mim e dos meus irmãos".

Nao. Os filhos, principalmente se forem crianças, vão é ficar a pensar que o pai não gostava deles o suficiente e escolheu abandoná-los.

A restante família vai ter um trabalhão para remover esta ultima impressão e para fazer os filhos acreditarem no muito amor do pai por eles.

O ultimo acto do pai nao foi a mensagem, foi o mergulho para a morte. Incutindo a outros a responsabilidade de serem estes a olhar pelo bem estar dos seus proprios filhos. Qual a probabilidade destes interpretarem o sucedido da primeira forma escrita em cima?

No meu entender, vao sentir que o pai os abandonou. Nao gostava deles o suficiente para com eles ficar.

O que estes vão receber de legado? O pai nao vai estar presente para os ver casar, para os abraçar, para dar umas palavras de conforto.  Nunca mais. Eliminou-se para sempre das suas vidas, torturando-os ainda por cima, com a sua presenca apenas numa novela na TV.

Vai ser preciso acompanhamento psicologico para os cinco filhos, a companheira, a ex esposa, a avó de 91 anos!!


Os amigos tambem vao ficar a pensar "o que é que eu podia ter feito para o resultado nao ser este?". Vao recriminar-se por um telefonema nao dado, por um convite para uma conversa que foi andiado...

O legado  de um suicida é sofrimento para os que o amavam.

Porquê ele o fez, ninguém sabe. Talvez nao se prenda com nada do que foi avançado. Talvez tenha sido um desgosto amoroso, tao avassalador e vergonhoso que o fez nao ver outra saida.

Talvez nunca tenha desejado o rumo que a sua vida tomou e por isso não foi forte o suficiente para lutar pelas suas escolhas: nunca teve seguro delas.

Os mais dados a teorias de conspiração ate podem avancar que se tratou de homicídio, qualquer um pode ter acedido ao telemovel do actor, enviado as mensagens e te-lo arremeçado de um lugar que todos sabiam que o ator gostava de frequentar cedinho pela manhã. Um plot muito novelesco.

O facto é que ele não está mais vivo e tudo indica que foi por decisao propria. Doença psicológica com um súbito pico? Sim, é possível.

Até sou da opinião de que a pessoa tem direito de fazer isso com a sua vida (eutanasia, por exemplo). Mas quando se tem outros, filhos pequenos em particular, que direito de o fazer te assiste?  Já nao es so tu. Um pedaco de ti gerou mais vidas. A tua vida ja nao é  só tua para ser tirada. Ela pertence também aos filhos. Eu não tenho filhos, é um dos motivos que, por vezes,  me deprime. Este futuro solitário, sem abracos ou beijos. Sem a palavra "mãe" ou "avó" alguma vez me virem a ser pronuciadas.

Cada qual tem uma cruz pesada para carregar. E se nas dão, é porque querem que a carreguemos. Ao menos espero que haja uma aprendizagem em cada solavanco que fui recebendo. Juro: estive bem perto do fim da corda há poucas semanas.

E não me julgo imune de cometer este acto. Sei que ninguém é melhor que ninguém.

Em pequena, num momento de tristeza profunda e sensação de que nada vai dar certo, percebi que algo conspira para nos derrubar. Isso me fez tomar uma posição: "nunca iam conseguir" fazer com que tirasse a minha propria vida. Acontecesse o que acontecesse, isso tornou-se a única coisa que nunca ia fazer, mais que não fosse por teimosia.

Por pior que as coisas ficassem, essa vitória não ia dar ao tinhoso.

Acho até que é por isso que tanta vez sou posta em prova. Há semanas, como sabem, estive bastante deprimida.  (senti-me arrasada com as mentiras criadas para me tirarem da casa, as difamações absurdas, a falsidade dos que me rodeiam e a vontade do senhorio em alinhar no esquema. É muita decepção, que eu não fiz por merecer. Isto,  aliado ao desgosto amoroso cujo amor ainda pulsava forte angustiando-me de desejo, o cancelamento do turno de trabalho que me fez relembrar a probabilidade elevada de deixar de receber turnos, o fracasso na busca de um novo lugar para morar, a solidão, a necessidade de uma palavra amiga (obrigada pelas vossas)). 


Pensei em fazer o meu testamento. Não foi a primeira vez.  Mas desta última, levei o impeto mesmo a serio. Encontrei um site a explicar o processo.

Ainda é algo que acho que convém fazer, por uma questão prática. Pelo que percebi quando a minha avó faleceu, a tua ultima vontade pode muito bem não ser levada em conta. Por isso deixar instrucoes do que fazer em caso de morte, parece-me sensato. Só isso. Afinal, porquê pensamos que só os ricos, com propriedades, é que tem de fazer testamento?

Se o ator tivesse seguro de vida, e temesse realmente nao ter dinheiro para viver, e achasse que todos iam lucrar financeiramente com a sua morte... mas nao conheco nenhum seguro de vida que englobe um suicidio. Ou se calhar até os há. Desconheço.

Também me passa pela cabeça a minha tia... que há três anos, por diferença de dias, perdeu o filho e dois netos no famoso incêndio em Pedrógão grande.

Como pode alguém suicidar-se quando outros perdem a vida de uma forma tão sem sentido e violenta?

Eles não pediram para morrer. Não foi uma escolha. Podiam e deviam cá estar hoje. A envelhecer, a fazer aniversários.

Pedro Lima deixou um aniversário semelhante aquele que os meus tios e restante família têm de atravessar: o aniversario da tragedia.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Dia de negas

Puxa, está difícil passar pelo dia de hoje.

22 de Maio devia entrar no calendário como o dia das negas.


Pela noite soube que o quarto caro mas jeitoso que pretendia agarrar deixou de estar disponível. O barato que tinha marcado para visitar, recebi mensagem dizendo que o anunciante nao o disponibiliza mais (o anuncio ainda está on).

Recebi msg cancelando meu turno hoje. Todos esta semana foram cancelados. Tem contribuído para a minha ansiedade.

Envio msg ao gerente perguntando se devo aparecer. Diz que não.

Envio msg ao gerente da noite que há um mes garantiu-me que sempre nos dava trabalho. Nem respondeu.

Recebo msg da agencia a dizer para aparecer as 18. (Mais um turno reduzido para metade). Das 40h que esperava ter esta semana, fiz 16h. Depois recebo mensagem a reduzir o turno da proxima sexta. Provavelmente ate lá cancelam-no.

E para dar a estocada final, ontem marcaram um turno para sabado e outro para domingo. Uma hora depois ligaram para saber qual preferia fazer, porque nao podia ter os dois. Escolhi o de domingo. Faz minutos, cancelaram o de domingo.

Enviei um email a pedir para me devolverem o de sábado.

Só o trabalho me dá ânimo.
Se o perder sobra-me.... nada

Sem trabalho, sem casa...

Porquê???

Que desanimador.
E nao adianta o "vamos todos ficar bem" ou o "vai aparecer melhor". O desejo e a realidade não se mesclam.

Sobreviver ao dia de hoje - o dia das negas.
Difícil.

.

terça-feira, 3 de março de 2020

Aprender a fazer amizades é escutar e estar disponível


No Domingo, o telefone tocou no meio de uma depressão. Fui ver quem era. Era de um amigo com quem falo de vez em vez e com quem estive presencialmente apenas duas vezes ao longo da vida. Não ia para atender, porque sentia-me miserável. Queria que me deixassem estar. Mergulhada nos meus pensamentos, dor e lágrimas. Mas depois senti que tinha de honrar o facto daquela pessoa estar a ligar-me e disse a mim mesma: "Não. Está errado. Atende".


Atendi. Desejou-me os parabéns e conversámos um pouco sobre trivialidades. 
"Mas está tudo bem?" - ele sempre pergunta.
-"Está" - eu sempre minto.



Conheci uma nova colega no emprego que logo quis fazer amizade comigo. Colou-se a mim como uma "lapa". Mal cheguei, já ela lá estava à minha espera. Tinha tido conhecimento que havia uma portuguesa a trabalhar no local e estava ansiosa para que eu aparecesse. "Vem comigo" - disse-me ela várias vezes enquanto executando o trabalho. "Vou à casa-de-banho, vem comigo". "Temos de nos unir, vamos trocar números de telefone". "Eu quero trabalhar sempre contigo". "Mas tu não trabalhas amanhã? E quando voltas a trabalhar?". 

Geralmente não gosto disso, embora não incomode na altura e de tudo faça para integrar a pessoa e deixá-la a sentir-se à vontade. Já a respeito das mensagens e telefonemas que surgem depois costumo achar em demasia e isso já sinto um pouco incomodativo. 


Mas decidi encarar tudo de forma diferente. Decidi ser eu a entrar em contacto com ela e mostrar-me prestável também fora do convívio no local. Ela sente-se sozinha, não fala bem o inglês mas sabe falar português. Não me pareceu nada uma criatura frágil e desamparada. Bem pelo contrário. É ambiciosa, mal chegou já quer o que não pode ter. É mulher quase cinquentona, mas toda boazuda (com tudo o que me aflige que esteja já para baixo, ainda bem lá em cima). Notei de imediato que todos os homens ali à volta estavam a babar nela, olhando-a de baixo para cima como se os olhos fossem um scanner. Ela não é burra, toda a mulher sabe quando recebe olhares e um homem lhe fala daquela forma "especial" querendo agradar e ser espirituoso. E tirou partido. Foi sedutora com todos, como se a todos conhecesse há muito e não apenas naquele dia! Curiosamente, nessas ocasiões não se atrapalhou com o inglês. 

Mas sente-se desamparada e procurou-me. E eu vou honrar isso. Não a vou julgar pelos efeitos que causa nos homens nem pela forma como também os seduz. (Eu até gosto de Rebeccas..) Só uma coisa me ocorreu: temo que seja daquelas pessoas que, depois de ambientada, já não tem serventia para ti então descarta-te. 


Mas vou dar um voto de confiança e não julgar antes de viver as situações. E faço-o por mim, por achar que é esse o caminho que preciso de seguir. Sou boa pessoa, mas saberei mostrá-lo em qualquer situação?

Faço-o também por precisar de restaurar a minha fé nas pessoas e na reciprocidade dos bons actos, principalmente depois "dele"

Também contactei uma outra pessoa, com quem falo com regularidade. Hoje avisei-a por mensagem que se telefonasse para a empresa, conseguia marcar uns turnos (funciona muito à base de primeiro a ligar, consegue trabalhar). Ela conseguiu trabalho, o que já não acontecia há três semanas. Telefonou-me a agradecer. 

E é assim....
Estou a dar-me aos outros.

É o que me apetece fazer.
Estranho caminho para quem se sente despedaçada na alma e tão vulnerável a pensamentos fúnebres. 
Vou ser a rocha sólida, o farol, de quem precisar e de quem conseguir ser. Estando a precisar dessa mesma luz. É dar para receber.

Sejam felizes. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

I blew it


Hoje tinha uma entrevista de emprego. Daquelas ao estilo "interrogatório policial" - duas pessoas fazem-te perguntas e tomam notas das respostas. 


Estraguei tudo. 

Não consigo vender-me! Esse é sempre o defeito que tenho. 

Sei que sou o que procuram, mas não os convenço com palavras. 
Quando me pedem para dar exemplos concretos de situações em que gerenciei conflictos, ou mostrei capacidade de liderança, ou iniciativa - todas estas coisas são-me espontâneas. Como tal, não consigo especificar um momento, não consigo recordar nada especial! 

É ainda mais difícil quando não se tem uma função de grande destaque. Tenho quase sempre mantido profissões em que sou a "última no elo", por assim dizer. De modo que mediar conflictos ou mostrar liderança, é mais utilizado por gerentes e por pessoas que trabalham em funções de grupo, ao invés de funções individualistas.

Para quem trabalha em coisas individuais, até sou muito de grupo. Preciso sempre de entender como o todo funciona, para melhor responder ao que me é pedido. E também poder ajudar outros quando em necessidade. 

Mas pedem-me exemplos e.... não os tenho. Ou tenho algo fraquinho...
Só me dão "brancas".

Devia ter pedido a alguém para fazê-lo por mim. Só não o fiz, por não conhecer esse "alguém". Se outra pessoa tivesse me ajudado a aparecer com respostas feitas, talvez conseguisse impressionar os entrevistadores. Mas preciso que outros me mostrassem o que sou e o que fiz, ao invés de ter de ser eu a falar de mim. Porque fico cega, não vejo, não identifico nada de extraordinário.

Não sei inventar.
Muitos me acusariam de ser idiota por não mentir. 

E sinto que em parte têm razão. Esta é uma lição que há muito já devia ter aprendido. Mas qual quê! Na mente vinha a lembrança de uma antiga amiga, que nunca sabia nada mas fingia sempre saber. Dizia sempre ter feito, sem ter. E saiu-se bem. As portas foram-se abrindo e ela foi fazendo, sem nada saber primeiro, aprendendo fazendo, depois.

De que adianta saber fazer se não sei me vender?
O tempo passa, é cada vez mais difícil arranjar empregos e mais ainda em lugares que gostes. 
Há medida que envelheço, sinto que vai tornar-se ainda mais e mais difícil. 

Cada dia, semana, mês que passam são como punhais. O "tempo" começa a sentir-se como areia entre os dedos. Não o consigo segurar, passa e vai embora.

O meu olhar continua com um travo de tristeza.
Acho que nunca mais a vou perder.
Será que existe uma forma de fazer uma amnésia selectiva? Uma "lobotomia" a pessoas específicas? A sentimentos?

Para tentar não deixar a depressão e a negatividade tomarem conta, fui fazer uma "terapia de compras". Roupa! Coisa que nunca fiz... Mas um casaco a imitar pele para o inverno chuvoso, pareceu-me bem. E um cinto para as calças também. Mais uns acessórios e uma peça de roupa que se calhar nunca irei vestir, mas vestiria se pudesse usar o que realmente gosto. 

Nem sou muito disso, de comprar para afastar a tristeza e a depressão. Mas se vos disser que devo ter gasto, neste período de um mês, cerca de 8000€, acreditavam?

Calma! Explico...

No dia-a-dia sou poupada. Mas quando acho que preciso gastar, gasto. E nem penso. Gastar dinheiro não custa nada. Não o ter depois na conta é que assusta! Por isso tenho de me conter. Ando a gastar sem olhar o que me resta. E isso nunca é bom.

Sempre quis ganhar o primeiro prémio do euromilhões para investir na minha saúde. Os 8000€ foram, essencialmente, gastos nesse sentido. Decidi colocar um aparelho nos dentes - venho a adiar isso desde que estava na casa dos 20 anos. Vai ser agora. 

O outro gasto - esse mais preocupante, foi também para a medicina. Mas em produtos de cosmética, cremes e um tratamento corporal que fiz. Se fizer mais - para surtir efeito - vêm ai 4000€ só para "eliminar" gordura à volta da cintura. Se decidir fazer uma "subida" ao que anda caído, nem sei quanto vão cobrar. Mas nada disto interessa, quando se percebe que é necessário fazer algo por ti. Caso contrário, arrependes-te, tal como o arrependimento já pauta tanta outra coisa na vida.


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Telefonema de Domingo


Afinal estava enganada. (será que alguma vez estive certa?).
Este Domingo, o Jason voltou a ligar.

Além do telefonema que atendi, depois reparei que tinha uma chamada perdida e duas mensagens não lidas dele no telemóvel.

Achei estranho.
Depois de, no Domingo anterior, termos conversado, pensei que tinha desistido. Mas o que eu entendo das pessoas? Pelos vistos nada!

Queria encontrar-se comigo. Mas fui clara a respeito do que podia sair dali. Amizade, nada mais. "Ao menos és honesta" - "Sim, claro". - respondi-lhe.

Não me custa nada ser honesta.
Custa-me mais o contrário.
Custa-me imenso (e pensei já estar curada) não saber o que o afastou radicalmente. 

Porque é que a honestidade, a franqueza e o diálogo não são ferramentas que todos gostem de usar?

Hoje sinto-me deprimida.

Os efeitos benéficos de ter andado pela praia à beira-mar já estão a desvanecer.
O espelho não ajuda, o tic-tac do relógio da vida também não. 

Enfim...

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Ainda sobre aqueles dias antes do dia...


Sobre o assunto menstruação, para ser honesta ainda falta mencionar outros sintomas não físicos, mas emocionais.

É comum naqueles dias antes de surgir, sentir-se menos tolerância para coisinhas de treta. Fica-se mais irritável. Não, não é como nos filmes nem como se gosta de exagerar no imaginário popular. A mulher não vira um monstro que desata a atirar objectos em direcção aos homens e age irracionalmente. Essa descrição é diminutiva e visa minar a imagem da mulher na sociedade.


Também pode ser comum a vontade para comer certas coisas, como chocolate. Isso explica-se simplesmente pelo facto do organismo estar a precisar de alguma coisa que o cérebro sabe reconhecer que encontra em determinado produto. Como ele faz esta espantosa ligação, não se sabe. Mas a verdade é que seja pré-menstruação ou durante a gravidez, se apetecer à mulher ingerir algum tipo de alimento, é porque o corpo precisa. Mas neste requisito, penso que o género não faz qualquer diferença. Aos homens acontece o mesmo. É assim para todo o ser vivo. A única diferença, mais uma vez, reside na forma como a sociedade decide distinguir e exaltar esta característica ao género feminino, tornando-a em mais um traço que visa diminuir a coerência da mulher. 


Outro traço pouco mencionado, é a depressão. Mais uma vez, os filmes abordam esta questão sempre um pouco pelo lado da comédia. Mas a verdade é que as mudanças de humor existem. São usadas na ficção para as gags fáceis, mas não são tão bonitas assim. Preciso realçar nesta altura que, cada caso é um caso. Seja qual for o ponto mencionado: os desejos, a irritabilidade ou a depressão. Posso descrever aquilo que sinto e que os anos disto me fizeram identificar.

Nem sempre se segue o mesmo padrão, mas, por norma, existe uma ligeira diminuição dos níveis de tolerância. Então aquela «coisinha» que sempre te enervou, vai demorar muito menos a voltar a te enervar. 

Ele mastiga sempre de boca aberta? Porra que isso vai irritar-se logo na primeira garfada! Ao invés de te irritar na terceira ou te "aguentares" como de costume...  Este tipo de exemplo. Alguém não bate à porta antes de entrar? Porra que nunca mais aprende! - este tipo de coisa. Menos tolerância, maior irritabilidade mas, no meu caso, nada realmente muito significativo. Resmungo mais, por ter menos tolerância. Mas também tem alturas em que estou de bem com a vida. Vai-se lá entender!

Não sei se os homens entendem isto, porque presumo eu - neste departamento eles são mais acção-reacção. Que tanto pode ser uma bênção como uma catástrofe. Por isso são mais dados à violência - o que pode soar a uma ideia pré-concebida mas, na realidade, a sua condição hormonal ligeiramente diferente da feminina é o que lhes incute essa predisposição. Não é à toa que mal se ouve falar de mulheres que violam homens, é quase sempre o contrário. Uma mulher quando sai de casa, tem de estar atenta a muita coisa. Um homem também, mas o medo de ser violado dificilmente será um deles.

Ai, mas o que me deu para falar! Eheheh. 

Voltando ao assunto principal: a depressão é um dos sintomas menos agradáveis que podem surgir - ou melhor - ser ampliados, nesta altura do mês. A depressão faz com que se pergunte para quê se vive. E obtem-se como resposta uma consciência clara de que não se está cá a fazer nada. E tudo o que nos aguarda não é nada que devamos aguardar com um sorriso no rosto. Vamos todos morrer um dia, porque não pode ser logo? É o tipo de pensamento que ocorre com mais frequência nestas alturas, em certas situações. 

Não quero dizer com isto que se deseja morrer, mas é como se fosse, porque vida, morte, tudo não passa da existência em si. Objectivos, lutar para ganhar dinheiro, correr para um trabalho... tudo parece não ter relevância ou fazer sentido. 

E depois? Depois respira-se fundo e continua-se numa rotina... 
A correr para o emprego, a tentar ganhar dinheiro, a fazer tudo o que nos foi incutido. Ano após ano... Envelhecendo nestas rotinas e stresses. No fundo sabe-se que tudo isso não é nada, porque vida, morte... não somos nada. 


E pronto. Este é um outro lado que todos nós podemos vivenciar, homem ou mulher, mas que, por alguma razão biológica, parece que a mulher é capaz de estar mais sujeita a estes pensamentos e emoções nestes dias em particular. Suspeito que o homem também sente o mesmo «desespero» e receios, até os tem muito presentes no dia a dia. Mas todos nós fazemos o que nos foi incutido: há que afastar estes pensamentos e continuar com as rotinas.

É isso que é viver.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Receitas anti-depressão


Fui casualmente parar a um site com uma «receita» para transformar a depressão em felicidade. Por curiosidade, espreitei o que dizia.


De todos as 8 maneiras apresentadas para alterar de um estado de espírito depressivo para um de felicidade, o único «ingrediente» que me pareceu ser realmente eficiente é este:




Tradução livre:
Mantenha o seu pensamento no «aqui e agora»
Parte do motivo pelo qual se sente triste e depressivo tem a ver com a quantidade de tempo que fica a pensar em coisas do passado ou o não estar entusiasmado com o que se segue, não perseguir um futuro. Pode contornar estas emoções negativas simplesmente por se concentrar no "aqui e agora". Faz parte do HOJE e deixa tudo o resto para trás. A depressão começa a afastar-se e a energia que precisas para fazer parte da vida regressa. 


Devo dizer que isto é muito parecido àquela antiga expressão "não vale a pena chorar sobre o leite derramado". 

Os provérbios portugueses são em si um livro de auto-ajuda e conhecimento


E está tudo certo.
Imediatamente PAREI de pensar no que aconteceu no passado e me pus no presente. E o presente estava também a planear o futuro. E não é que aquele peso nos ombros foi embora? 

Se isto resultar sempre, vou recorrer a esta simples constatação mais vezes :D 



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Viver e não desistir (?)


Nascemos assim:


Mas depois...





E quando crescidos...





Será (que) assim (que) chego à terceira idade???









quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A diferença entre se ser RICO ou POBRE




Não é ciência nenhuma...

Mas apeteceu-me partilhar por a minha infância ter sido o oposto. 
Alguns sabem o quanto estas palavras bonitas «picam» a alma por, indubitavelmente, trazerem à lembrança outra realidade. 

Ontem uma pessoa perguntou-me porquê me vejo numa luz «derrotista». E sem entrar em especificações, tentei explicar o quanto um certo «negativismo» nas raízes de muitas famílias portuguesas contribui para esse colectivo. 


Por isso relembro: pobre não é aquele que cresce sem bens materiais ou com pouca comida.
Pobreza é outra coisa. É quando vem do espírito.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Quem explica a depressão?


Venho a querer falar sobre este tema tão... depressivo.


O que é que vocês conhecem sobre depressão?
Há dias em que nos sentimos mais em baixo, outros há em que essa sensação dura mais que 24h e não se apaga quando o corpo conhece o colchão e o travesseiro. Então, o que é isso de depressão?


Não sei se concordam comigo, posso estar equivocada mas, penso que a mulher está mais vulnerável a depressões do que, à partida, está um homem. Se nós somos a nossa biologia - as nossas células e os nossos hormónios, então a mulher está sempre a mudar substancialmente os seus a cada semana. Costuma-se dizer que é uma vez por mês (ehehe)... mas não. Só uma coisa é «uma» vez ao «mês». Tal como a lua só é lua cheia uma vez por mês. Mas entre essa fase, tem outras: lua minguante, lua crescente e lua nova. 


A mulher é de luas?
Sim, o seu organismo é. Está muito sintonizado com a natureza da própria natureza da lua...




Então, onde entra aqui a depressão?
Bom, falando do meu caso particular, faz algum tempo que «descobri» que a minha vulnerabilidade para sentir um tanto de depressão é bem maior em determinadas alturas do mês. Digamos que, na fase da lua Minguante. Bem que gostaria de descobrir que tipo de hormona estou carenciada, para assim poder «injectar» uma dose de remédio :)

Mas desconfio que esta vulnerabilidade não tem só origem química. Grande parte dela deve ter origem emocional.


As variantes emocionais:
Quando emigrei algumas pessoas mantiveram um contacto regular, querendo saber das novidades. Ora, na fase inicial de uma mudança destas, uma pessoa nem tem muito tempo para sentir solidão ou ficar deprimida. Tem tanta coisa para resolver, tantos lugares para ir, tanta burocracia a tratar, que acaba por ter o dia ocupado. As chamadas telefónicas de amigos e familiares preocupados surgem em simultâneo com estas mudanças e responsabilidades. No início tinha de falar com tantas pessoas ao mesmo tempo que precisava de horas e corria o risco de esquecer de alguém e essa pessoa levar a mal Foi preciso diplomacia no caso de umas e outras mais «centradas» em si mesmas. 

Mas é quando uma pessoa já está mais ou menos «assente», que duas coisas acontecem: sobra-lhe tempo para sentir emoções profundas e as chamadas praticamente sessam. 


Foi uma «coisinha de nada» que me conduziu ao último caso de depressão (já passou). Não tinha qualquer intenção de alimentar o sentimento pelo que me surpreendeu a forma como me atingiu. Começou com uma intuição. Uma amiga do tempo de infância estabeleceu contacto comigo e pediu insistentemente para nos encontrarmos. Mas depois senti uma intuição a soprar-me ao ouvido que ela não ia dar mais notícias. E de facto, isso veio a acontecer. Claro que eu a contactei, sem ser chata. Falámos pelo face-coiso. A meio de uma conversa que estava a começar, ela deixou-me pendurada, sem resposta. Leu o que escrevi, porque o f-coiso avisa-nos da leitura, mas não deu resposta, nem para se despedir. Preferi acreditar que estava com sono e havia adormecido...

Desde então o seu interesse parece ter-se eclipsado. E pronto. Foi isto. A origem da coisa está aqui, ainda que eu preferisse não lhe dar importância. Senti tristeza assim que essa suspeita surgiu e depois o tempo praticamente o confirmou. Uma situação que veio a comprovar que o interesse era só superficial, relacionado a razões pouco invejáveis. O interesse estava somente em perceber como é que estava, mas para se comparar. Se me encontrava melhor do que ela própria, se era mais bonita, gorda, magra, feia... melhor de vida. É só isso que parece interessar as pessoas hoje em dia. Isso e perceber se estas podem ter algum uso para as tuas ambições. 


Ainda assim não permiti que o abalo fosse fundo. Só que, desde o instante em que o índivíduo fez aquela birra de criança mimada que se recusa a aceitar uma chamada de atenção e reagiu como um teenager agressivo, que responde com violência e ameaças, que a minha vida aqui ficou de imediato estragada. Ficou triste. Viver nesta casa, nestas circunstâncias, não é uma maravilha. E isso, mais aquilo e aquela outra coisa... Tudo somado, resultou numa insatisfação que abre as portas e janelas à depressão.

Ainda por cima hoje um dos tipos cá de casa veio dizer-me para fazer a limpeza com dias mais espaçados entre os que ele escolhe para limpar na sua vez...  Passo a explicar: cada qual tem uma semana do mês para limpar a casa. Como somos 4, cada qual é responsável por isso uma vez por mês. Acontece que, mesmo existindo um calendário, o tipo antes de mim nunca o cumpre. Limpa sempre a casa «quando lhe apetece», permitindo que se passem 15 dias... Ora eu, que limpo a seguir, para manter-me no horário estipulado, tenho de me desdobrar para limpar a casa não muito próximo da data em que ele a limpou - porque seria de menor utilidade - ou tenho de ir limpar de propósito num dia em que não me apetece nem é tão conveniente como outros, porque o prazo está a terminar.


Adivinhem, por exemplo, o que tive de fazer na tarde do dia 31 de Dezembro? Estando eu seriamente doente? Tive a limpar a casa! Porque o tipo decidiu usar a sua vez no dia 28... ou coisa que valha, quando esse dia já era o da minha semana. Eu subi as escadas a carregar o pesado aspirador e logo a seguir tive de me deitar no quarto, exausta. Fiz a limpeza nestas condições e todas as que se seguiram foram feitas no mesmo género de raciocínio: tentando espaçar mais o tempo entre limpezas. Acontece que as pessoas que se seguem a mim cumprem a limpeza nos seus dias, quando lhes convém. Por vezes limpando 3 dias a seguir, ou 5... ou até mesmo dois.

E tudo porquê? Porque o tipo antes de mim não cumpre horário. Ora, as nossas folgas nem sempre permitem limpezas afastadas umas das outras. E o tipo, ao fazer isto, limita bastante os movimentos dos outros. Há dois dias apeteceu-me limpar a casa porque já sentia o corpo a querer ficar doente e fraco. E como tive vontade, aquela antes da queda total de energia, fi-lo. Foi a primeira vez que limpei porque me apeteceu - tal como ele faz. Tenho direito a isso, ou não??

Hoje veio dizer-me para limpar a casa mais espaçadamente... Ignorando o quadro que mostra que os outros têm limpo a casa regularmente sempre com curtos espaços de dias entre eles. E eu, feita idiota, ainda lhe apontei para os outros dias de limpeza - dias de 2, 3, 5 dias afastados, ele ainda justificou um deles, dizendo que a pessoa tinha de ir a algum lado... Ora e eu? Não posso também ter de ir «a algum lado»? Feita idiota não lhe fiz ver que é ele que atrapalha tudo. Que os horários são para se cumprir ou entra tudo num descalabro. Ele diz que o quadro é só um guia, que não se tem de limpar naquelas datas... mas se isso acontecer, então eu vou limpar na semana da outra pessoa, a outra pessoa depois não limpa, ou eu não limpo, e depois chega a vez dele novamente, e ele refila porque vai dizer que outro não limpou...

Se cumpre as datas não haveriam chatices. Agora vir chamar-me a atenção.. é preciso ser um pouco sem noção. Também tenho direito a limpar quando me é conveniente. E assim, agora, a próxima pessoa fará a sua limpeza com alguns dias afastados da minha - pela primeira vez. E ele, se quiser limpezas mais espaçadas, que não espere vários dias quando chega a vez dele. Afinal, de todos nós, é o único que tem dias fixos de trabalho por semana - três - e descansa os outros quatro. Tempo para limpar, quando quiser, sobeja-lhe. Aos restantes nem por isso. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Saúde e sensações


Hoje estou de folga mas nem me apetecia estar.

Não fosse pelas noites e manhãs de horas com tosse e sensação de fraqueza, acho até que teria pedido para ir trabalhar. Será que esta preferência advém da falta de conforto aquando no lar?

Os meus planos passavam por sair nos dias de folga. Dar umas voltas, tentar conhecer melhor os lugares que me rodeiam, encontrar bons sítios para comprar alguns presentes e levar para Portugal... Mas o despertar fraco e doente me impediu de concretizar qualquer dos desejos. Isso e a chuva constante, o frio...



Finalmente consegui ficar inscrita no NHS - o sistema de saúde inglês. E consegui uma consulta para hoje cedo. Mas quem disse que consegui? Deixei de ir ao médico por estar doente!!! Ahahha.
Esta é demais. 

Mas tive vários motivos para achar que a consulta não ia ser produtiva. 
Queriam uma amostra de urina e, como estou, ando a urinar de duas em duas horas... Nem sei que tipo de xixi queriam, só me deram um frasco e nada mais disseram. Seria o primeiro da manhã? Qual deles?? Poderia fazer análises ao sangue tendo ingerido alimentos açucarados duas vezes durante a madrugada? Afinal, trabalhei madrugada adentro... 

Não estava em condições físicas, orgânicas, psicológicas, por isso adiei. 
Também de pouco me adiantaria, viajo em menos de uma semana. É em Portugal que ainda espero poder tratar de alguns aspectos relacionados com a saúde. Mas esperava fazê-lo saudável, não assim!

Muitas pessoas que moram nesta cidade dizem que os médicos aqui não valem nada. Mais que uma já me relatou que vai-se ao médico com qualquer queixa e este responde que "está tudo bem". Receita uma coisa qualquer e põe-te a andar...

Tenho receio desse descaso
Por pior que seja o sistema de saúde Português, penso que é difícil encontrar médicos que façam pouco caso das mazelas dos pacientes.




Se, a tirar pelo exemplo do que experienciei ontem - quando consultada por alguém que me foi dito que seria uma enfermeira, tudo o que aqui querem saber é se bebes e fumas. Algo que especificas com detalhe na inscrição, que te voltam a perguntar um mês depois aquando o registo e no final ainda te entregam outro papel para que voltes a repetir o mesmo. Fui oscultada nas costas. Ainda perguntei se precisava estar com a coluna direita, mas responderam-me que era indiferente e mandaram-me inspirar e expirar normalmente. Mal inspirei, ainda ia a meio do expirar já o coiso redondo saía de um sítio nas costas, para outro. 

Diagnóstico?
-"They're clean. I believe you got an english bug!"
-"Estão limpos. Acho que apanhou um bichinho inglês!"

Pois...
Mas eu conheço a força dos «bichinhos ingleses». Foi depois de apanhar um «bichinho» inglês aquando estudante que todo o meu sistema imunitário se fragilizou e logo a seguir vieram os diagnósticos de anemia e tiroide. Que não se menosprezem os «bichinhos ingleses».




Na outra esfera de preocupações ligeiras, está o ambiente em casa. O indivíduo regressou, e com ele cada qual se evita um pouco mais. A pesar de ser incrível o número de vezes que as portas cá de casa abrem e fecham - um absurdo realmente, acho que chega à centena - cada qual se evita ao máximo. Ainda agora, em que fui buscar ao piso de baixo a roupa que consegui finalmente colocar a lavar, mais para deixar a máquina disponível para outra pessoa que por outra qualquer razão, a porta do quarto da rapariga estava aberta, a música saía alta mas, ao me ouvir descer, a primeira coisa que ela fez foi empurrar a porta para a encostar. Não satisfeita, ainda a empurrou para fechar antes que me aproximasse. Não sei... achei aquele gesto um pouco grosseiro. Porque se me apanham de porta aberta, eu não a vou fechar de imediato. A outra pessoa podia interpretar isso como uma indelicadeza à sua presença notada. 

A minha tosse impossibilita que a minha presença não seja notada.


Agora o que realmente me surpreende é a quantidade de vezes que se abrem e fecham portas. Enquanto aqui escrevo, já a rapariga subiu os degraus umas 15 vezes, foi ao wc umas outras 15... É tão somente um facto que me surpreende. Eu, adoentada, vou muito mais do que é habitual mas... No geral, nenhum fica mais que duas horas sem ir puxar o autoclismo. A rapariga então... É capaz de ir em intervalos de 15 minutos, meia hora.

O que tanto se faz para se precisar tanto de ir ao WC???

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Summer blues - a fragilidade das evidências

Abri a boca em espanto. Uma onda de tristeza invadiu-me os sentidos. "Estou mesmo a ver aquilo que penso que estou a ver???"

Folhas de árvore, espalhadas pela avenida, a esvoaçar com o vento.
"Nãaaaoo!!" - grito por dentro.


Tenho estado a negá-lo embora a sensação de tristeza já cá morasse. Os dias já não são tão longos. 

Diariamente, por volta das 19.30h, venho a notar uma claridade reduzida. "Ohhh, como é que pode?? Os dias já estão a ficar mais curtos e ainda nem sequer chegamos a Agosto!" - penso interiormente.

A claridade não é tão radiosa e recusa-se a invadir os meus domínios com todo o seu esplendor. Senti saudade de poder constatar: "Já viste? São 21.30h e há tanta luz do sol dentro de casa!". "No Inverno, ao início da tarde, pelas 16h, já se teria de acender os candeeiros por estar escuro. Olha só agora! Gosto mais dos dias assim".

Embora o calendário indique que o Outono chega daqui a precisamente 60 dias, ténues sinais para estes «bigodes de gato» já se dão a conhecer. E como este ano a Primavera chegou, tal como o Verão, acompanhada dos seus dias cinzentos e chuvosos, a simples perspectiva destes já estarem de regresso deixa-me com os "blues".


Quem diria... Eu, que nunca lamentei os dias frios de Inverno e sempre apreciei a chegada de cada estação, honrada por ver uma chegar e partir, com a cadência de quem marca a vida. Não partilhava com as outras pessoas o mau estar com o frio mesmo quando este congelava-me os dedos das mãos, nem me zangava com o forte vento, que dificultava-me o caminhar. Mas isso mudou. E a bem da verdade, não foi hoje. Já faz algum tempo que estes blues dos dias curtos são antecipados com uma certa agonia espiritual.

Porquê? Tenho as minhas teorias. Mas partilho apenas uma. Cresci e envelheci. Um corpo jovem e saudável aprecia o vento a bater-lhe forte, não se constipa com facilidade, pode até ficar à chuva e fazer muitas outras ousadias. Quase nada lhe traz sequer uma tosse. Tudo muda quando já não se está a crescer. Quando se fica doente e a recuperação acontece mas deixa sequelas... Agora uma brisa pode trazer de imediato a tosse. A fragilidade faz-nos apreciar temperaturas amenas, dias solarengos... Seja esta fragilidade física, mental ou espiritual.



quarta-feira, 28 de novembro de 2007

PARA O LEITOR SE EXPRESSAR: LANCE O SEU GRITO!


Caro Leitor,


Este Blog destina-se a si. Não pretendo que seja mais um onde se choram as mágoas. Não pretendo um blog depressivo. Mas é preciso chorar para lavar a alma!

Sei o que pretendo com ele mas é a si que lanço o desafio. Primeiro, que me enviem tópicos, assuntos sobre os quais querem desabafar. Eu lançarei o tema e espero que os leitores lhe dêm continuídade.


Lanço também este desafio: o envio do vosso GRITO. Enviem para o endereço aquisegrita@gmail.com um retrato ou imagem do vosso grito. Existem muitos exemplos onde podem se inspirar na net. Copiem, se quiserem, o quadro de Much, alterando o necessário. Sejam ainda mais originais! Façam como quiserem, mas gritem. O anonimato reina aqui. A única regra deste blog é ser-se autêntico e falar a verdade. Só assim ele pode prestar-se a realizar a sua finalidade: ajudar a lavar a alma. Ser terapêutico e ajudar através da interajuda.

Por isso, aproveite e não tema. Esse assunto que lhe está encravado na garganta, que lhe põe doente, o segredo que corrói a sua felicidade... lave a alma. Não tem de identificar-se com o nome verdadeiro nem dar pormenores que o/a denunciem, apenas aliviar-se do peso que o/a está a consumir. E nem todos os gritos têm de ser de angustia! Embora sejam os que mais precisam de se soltar.

Garanto que depois se sentirá melhor. A escrita é terapêutica.

Um grande abraço a esses corações angustiados. Lavem a vossa alma!
Portuguesinha