terça-feira, 31 de agosto de 2021

Acham que estou grávida?

 

Estás grávida? - ouvi três dias seguidos. 

Nunca achei que ia sentir-me ofendida caso me fizessem esta pergunta. E não sinto. Mas que ma tenham apresentado três dias seguidos deixou-me a pensar. Minha mãe sempre me disse: "não andes com os bolsos cheios pareces uma saloia!". Porque me acrescentava mais volume exatamente na zona onde não preciso: ancas. 

Agora tenho o hábito de prender o telemóvel e as chaves à cintura, entre as calças e o corpo, já que não tenho bolsos. Fazendo assim mais volume na área abdominal - outra zona do corpo onde não preciso de criar essa ilusão aha.

Mas será que a dedução de gravidez surgiu daí?

Vejam por vocês mesmos e digam do vosso parecer.

Sempre me achei com barriga, factor que me fez usar roupa acima do meu número na minha juventude e andar sempre de casaco. Hoje vejo fotografias minhas e concluo que estava bem mas não sabia lidar com a mudança do corpo. Não recebi nenhuma orientação, senti-me alvo de assédio constante, daí me sentir mais confortável com roupas largas e um look discreto. Também andava com o cabelo apanhado para não o revelar ou  permitir que enquadrasse o meu jovem rosto de uma forma mais atractiva. 

Ainda ontem, no emprego, apanho um homem a seguir-me com o olhar, como que a pensar: "Quem é aquela?". Tudo porque soltei o cabelo e pronto... a pesar dos sinais de que está prestes a esvanecer na cor, ainda tem alguma magia na forma como se balanceia com o movimento. 


Ultimamente tenho me sentido inchada. Sofro daquela coisa embaraçante - caso permitisse que fosse pública, que é ar nas entranhas. Daí ir com frequência ao WC. 

Agora alimento-me com as refeições providenciadas no novo emprego de 12 horas. Que não variam quase nada entre si. Consistem em arroz, ocasionalmente massa, junto com carne cheia de molho e picante. Eu e o picante nunca nos demos bem. No primeiro dia de trabalho, esse pequeno gosto de algo picante teve efeitos imediatos. Quando fui ao WC fiquei quase um minuto a "esvaziar o pneu" se é que entendem a analogia. Nunca em toda a minha vida tinha experenciado uma coisa assim. Pareceu-me uma cena de um filme de comédia americano e eu nunca achei piada a cenas dessas. Durante o turno inteiro, segurei-me e fiz idas regulares ao WC. Mas esta sensação de inchaço pode significar alguma coisa em termos de saúde. Se calhar devia averiguar. 


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Vocês também Tangavam?



Há duzias de anos que nao encontrava mais nas prateleiras dos supermercados este po para sumo da Tang. Quando era menina Tang estava quase sempre presente nos refrescos caseiros. Era usado em todas as festas de aniversário. Nesta ultima ida a Portugal encontrei-o a venda num supermercado tradicional. 

Trouxe-o comigo e hoje foi o dia em que me apeteceu beber. E nao é que gostei?

Temi ja nao gostar ou que o sabor fosse rançoso. Afinal acho os comuns sumos de supermercado rançosos e continuo a gostar do meu Tang :)


domingo, 29 de agosto de 2021

O que é amadurecer?

 

Amadurecer pode muito bem ser o não me importar de andar sem casaco onde quer que vá quando na juventude não ia a nenhum lado sem casaco. 

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Mariquinhas pé de salsa

 

Estava a observá-los a fazer a si mesmos a colheita de muco nasal. De pé, a olhar em frente, a enfiar a zaragatoa no nariz, sem sequer inclinarem a cabeça para trás. Pergunto-me porquê tanta resistência à ideia de o fazer correctamente. Custa assim tanto inclinar a cabeça para trás?

1) Inclinar a cabeça para trás:
Fazem-no voluntariamente quanto têm de aplicar gotas no nariz. E isso sim, é uma sensação desagradável. Líquido a entrar na cavidade nasal! No entanto, não se queixam e lá vai a cabeça para trás. Porque é que, tratando-se do Covid-19, um vírus altamente contagioso, sem cura e em alguns casos, fatal, esse gesto é recusado? 


2) Enfiar coisas no nariz:
Minha mãe está sempre a lembrar-me: quando era criança enfiava coisas no nariz. E o clássico "dedo dentro do nariz?". Natural até nos bebés.

Não há vez em que esteja na paragem do autocarro ou dentro de um, em que num automóvel parado no semáforo não veja um gajo a escarafunchar ali dentro como se não houvesse amanhã. Uma visão altamente repulsiva e condenável. Julgam-se invisíveis? Pensam que, por estarem dentro do seu espaço pessoal, que ninguém repara no que fazem. E por isso fazem com total à vontade. 


Sim, gajos. É NOJENTO. 
Façam-no em privado, sff.

Mas já que não se incomodam de enfiar o dedo pela cavidade nasal e andar a brincar por lá, porquê a resistência ao uso de um cotonete?

Se inventassem uma brincadeira bem porca envolvendo enfiar coisas no nariz, tenho a certeza que estariam a inclinar a cabeça e a levar com coisas dentro da cavidade nasal com joio. 

Mas como se trata de uma imposição, por um motivo de saúde... perde a graça.

Acho que as pessoas não se apercebem que estão a ser imaturas e infantis.


A mim não me custa absolutamente NADA enfiar a zaragatoa pelo nariz. Não desgosto. Não incomoda. Gosto de perceber a que profundidade esta pode ir. Até dá uma sensação agradável - no sentido de que se andou ali a fazer uma "limpeza à casa". Fica uma sensação Zen

Se inventassem um ritual holístico para melhorar as energias ou acabar com as dores de cabeça, dores de coluna, cansaço nas pernas etc que envolvesse uma zaragatoa a ser enfiada pelo nariz por um médico qualificado e especializado, pagando por isso uns 200 euros, iam as gajas todas a correr ao consultório do charlatão!

E os gajos? Que tanto gostam de se divertir a enfiar os dedos por ali a dentro quando parados no trânsito? Se calhar os gajos deviam profundamente enfiá-las mais vezes pelo nariz... quem sabe deixassem de ser totalmente propensos a ressonar?

"Enfiem-nos" até o cérebro, rapazes!

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Nova ocupação suscita considerações



Tenho curiosidade em saber como será viver numa sociedade nórdica. Existe uma reputação tão boa a respeito da forma como tudo está estruturado lá para o Norte do Norte do equador, que dei por mim a achar que não pertenço por onde tenho andado. Pelo menos não nesse sentido.

Desde a semana passada arranjei uma ocupação nova. Estou num hotel a fazer Test-and-trace aos funcionários para o vírus do Covid. Um trabalho temporário (como é evidente) mas que me está a dar um gozo imenso. Também está a abrir-me os olhos. Em mais que um sentido.

1) Constatei, por exemplo, que desde que cheguei ao Reino Unido (cinco anos!) nunca tinha tido um emprego semelhante. Um em que faço pouco e não me canso nada. E ainda sou bem paga. Além disso, trabalho sentada. Não faço quaisquer esforços físicos extremos.

Isto é o oposto de toda a ocupação que arranjei até hoje. E estou a gostar. Trabalho fácil... finalmente descubro-lhe o gosto. (por isso mesmo não vai durar).

2) Esperava, num lugar onde tem de se desinfetar tudo, usar máscaras, luvas e testar todos os funcionários para a presença do virus do Covid, encontrar um esquema de organização fixo e regras específicas para se seguir. Qual quê! Fico pasma como tudo funciona como um outro emprego qualquer. Uns fazem corpo mole, chegam horas atrasados e desaparecem durante o expediente. Outros trabalham mais, cumprem as regras e fazem por as seguir quase à risca. E os empregados a ser testados não se esforçam para colher uma amostra eficaz de células nas vias respiratórias. 

Imaginei então se seria assim em qualquer lugar. Ou será que algumas sociedades são educadas para levar este e qualquer outro tipo de emprego muito a sério, seguindo à risca todos os procedimentos para se evitar contra-contaminação e não deixarem passar nenhuma pessoa com COVID para o meio de outras saudáveis?


Será que na Suécia seria diferente? Noruega? Filândia? Mesmo na Alemanha

Bom, enquanto vos deixo com esta reflexão, vou descansar. Porque daqui a 10 horas estarei novamente pronta a receber aquela zaragatoa no tubo onde despejei algumas gotas de uma solução misteriosa, para depois colocar mais umas gotas na swap que em segundos faz surgir uma linha. Depois digo à pessoa "pode ir" e é esta a minha nova ocupação Aha.

PS: Nisto de estarmos cheios de cuidados, foi possível, a semana passada, detectar um outro vírus - altamente contagioso, que, não sendo o Covid, é também perigoso. O nome não me recordo. Mas foi preciso desinfectar tudo e a médica - presente no local por causa da ameaça do Covid, apareceu para se certificar que o contaminado não espalhou o virus. Graças ao Covid, outras maleitas podem ser apanhadas a tempo. 


sábado, 21 de agosto de 2021

A mesa para oito

 


Sentada sozinha olhando em frente senti-me a contemplar a vida através da constatação de que todas as pessoas a conviver à volta desta mesa redonda onde cabem oito, existem porque as originei. Consegui sentir-me mais idosa nessa sensação que tive.

Mas nunca vai acontecer. 

Não gerei vida. O que o futuro me traz é a realidade da mesa como está agora: vazia.



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Mais caro porque tem mais qualidade?

 O grande comercio foi invadido por grandes marcas. Vim falar de gelados.

Varias idas aos supermercados a procura de algo novo tem saido frustradas. Marcas sao sempre as mesmas - duas ou tres, onde nao importando o tipo de gelado que publicitam, o entusiasmo morre a primeira saboreadela. O  sabor e a substancia assemelha-se entre si.

Desisti. Ate que um dia vou a loja dos 300- agora transformada tambem em mini-mercado, e encontro diversidade em gelados e marcas desconhecidas. Decidi provar. 

Nossa! Descobri que mais vale barato e desconhecido do que mais caro e de marca popular! 


Nao so os gelados que encontrei sao, na minha opiniao, de qualidade superior aos das marcas mais comuns, como custam menos e vem em embalagens com maior quantidade. 

Se tivesse espaco ia agora fazer stock de gelados - ja que o verao passado estes nao se viam em lado algum nas prateleiras. Nao va esta subita variedade e qualidade eclipsar-se.

Provei uns cornetos da Nestlé que, tendo um creme bom, chegando a parte da baunilha pareceu-me que estava a mastigar papel.

Estes que comprei mais baratos- seis por uma libra, nao so sao melhores, como tambem sao mais generosos. Sao maiores e a parte de bolacha baunilha faz lembrar a tradicional, grossa e saborosa. Ve-se a dobra e tudo, ao inves de ser um cone com encaixe perfeito. A berma foi mergulhada em chocolate e o topo vem bem cheio de pepitas desse sabor. Nos gelados tradicinais geralmente so na imagem na caixa se ve algo assim. Quando se abre o gelado aparecem duas...

No final, quando so se fica com aquele pequeno cone de baunilha, o gelado nao decepciona: tem uma generosa quantidade de chocolate para trincar - ao contrario dos famosos cornetos da ola, que faz anos que sao so uma gotinha. Vejam so estas fotos da cremosidade e consistencia deste corneto de baunilha, pistachio e chocolate. 

 








quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Modas em penteados


 Afinal a atriz Carrie Fisher que popularizou o penteado "Donut" no filme star wars não foi de todo pioneira do mesmo no cinema! Aqui ficam umas imagens de um filme disponível no youtube onde a personagem feminina usa com orgulho o seu penteado da moda. Ano: 1949.




Lembram-se de algum outro penteado visto em cinema ou televisão que tenha entrado para a história? 




domingo, 15 de agosto de 2021

Visitas indesejadas

 Estava a olhar para ele. Algo verde, na embalagem de plástico, mas sem realmente olhar. Reflectia em nada enquanto decidia iniciar a degustação de pão com alho. Estiquei o braço para o alcançar e nisto aquele borrão verde salta e desaparece.

O que era aquilo?

Um bicho? 

Argh! Aflige-me dividir o meu espaço privado com bichos, à noite. Ainda mais no quarto. Faz-me impressão.

Procuro por todo o lado, acendo a luz do teto. Será que vi bem? Não encontro nada. Só um gafanhoto é verde e salta daquela maneira. Mas não podia ser um gafanhoto. Nunca aqui vi algum! Ainda mais aparecer dentro de um primeiro andar de um quarto. Quis acreditar que deve ter sido o plástico que deu de si e algo verde foi projectado. 

Quis acreditar até que volto a alcançar o pão e noto algo movimento no improvisado abajour que coloquei na lâmpada da cabeceira para esbater a luminosidade.

Ali estava ele: um senhor gafanhoto!
Verde, pernudo, a roçar uma das suas pernas na outra. 
Porque será que eles fazem isso?

Uma vez vi uma gafanhota a colocar ovos. E se o gafanhoto fosse uma gafanhota e quisesse depositar ovos no meu quarto? Nunca mais me viria livre de minusculos, verdes e saltitantes pragas!

A visita noturna: peluda, pernuda e com antenas três vezes o tamanho do corpo


Procurei à volta o que poderia usar para o capturar. A ideia era soltá-lo na rua. Mas o desgraçado refugiou-se perto da lâmpada. Não tive outra hipótese senão puxar o papel/abajour e "entalá-lo". No processo senti algo tocar o meu braço.

Acho que o capturei. Mas não tenho a certeza. Os malandros dão saltos como pulgas. 

Agora fico a pensar o que o meu quarto tem de especial porque atrai os mais invulgares insectos. Aqueles que menos se espera encontrar. Entre Outubro a Janeiro, apareceram constante joaninhas. Ponderei inclusive criar um habitário para as poder observar. Agora aparece um gafanhoto!

Estava para terminar este post quando olho para o teto e lá no canto o que vejo? Uma ENORME aranha!!

Tento capturá-la. Esborrachar se preciso for. Tapo-a com um papel mas quando vou levantar, a malandra salta para trás da cabeceira da cama. Bem tento desviar tudo para a capturar. Mas foi em vão.

São quatro da manhã de Domingo. Desconfio que não vou dormir sossegada esta noite. 

A outra introduziu furtivamente a companhia de um gajo na cama. Eu tenho uma grande, preta e furtiva aranha!


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Klimt, Da Vinci, Michaelangelo e Monet: videomapping em Lisboa - arte

 Como me apetecia estar em Lisboa para ir visitar o Reservatório da Mãe d'água para poder ver o espetáculo de video-mapping que exibe em luz e cor obras de arte de Michaelangelo, Leonardo Da Vinci, Claude Monet e o meu Klimt! 

Este fantástico mas curtíssimo evento só está disponível até o final de Agosto e tanto me apetece lá estar que estive mesmo a considerar apanhar um avião e ir. Só que lembrei-me das condições actuais para se viajar: fazer um teste do Covid... preencher o formulário de embarque e comprar outro teste in loco. Mais o bilhete da viagem (mesmo que ficasse por 60 libras), mais o teste ao 8º dia.... 

Oh, como gostaria! Não só por este evento mas por outros, pois Lisboa está a acordar das trevas Covinianas e a florescer na sua identidade cultural. Vão existir concertos, oportunidades únicas de visitar jardins fora de horas e tantas outras actividades de dar água na boca. 

E pelo que percebi, com preocupações em relação ao distanciamento e higiene que os tempos correntes exigem. Ainda melhor! Pois adoro ir a sítios mas multidões a roçar em mim ou a causar enorme reboliço e ruido não faz o estilo de ambiente que procuro. Ponham todos a 2m de distância e estou no céu!

Imaginem-se a ir visitar a Torre de Belém, os Jerónimos, qualquer local sempre a abarrotar de turistas... impondo estas regras. ADORO!
Ao invés daquelas multidões em que mal te podes mexer. Nem tudo no Covid foi mau. Mau é saber que não se vão tirar as lições que o vírus trouxe. Não é assim que se diz que Deus funciona? Escreve certo por linhas tortas? Nos dá provações para que aprendamos mais depressa lições que teimamos em não tomar?

Estou mesmo a ver que só depois da reforma... 

Serei uma idosa em todo o género de evento que costuma ser maioritariamente afluído por sub-vintes. Ahah.

A projecção das obras nas paredes e espaço do reservatório nos Amoreiras deve ser algo fantástico. Creio que vale mais a pena ver um espetáculo destes em Portugal do que aqui no Reino Unido (não sei se está algum a decorrer). Além de que decerto o preço dos bilhetes é bem mais acessível. Vi uma vez um vídeo e achei que o local onde projectavam as obras diminuía o impacto da experiência quando comparado às ruinas do Convento de Mafra ou ao que imagino ser a projecção nas paredes do reservatório. 

Mas só indo a estas coisas para descobrir!
Alguém está interessado?  

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Retorno de impostos

 Coincidencia ou nao, no ano passado recebi uma chamada fraudulenta dizendo-me que cometh fraude com os impostos e se nao pressionasse um certo numero a policia ia bater-me a porta. 

Liguei para as financas e disse:

- EU, dever impostos? Se alguma coisa ha sao voces que me devem dinheiro! Pago tantos impostos.

Vai que neste final de ano fiscal- que aqui acontece em abril, para minha surpresa recebi 122 libras de volta.

Acho que nao foi coincidencia 😂

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

E agora, também e do Covid?

 Ha DUAS SEMANAS que a prateleira das aguas no supermercado está assim:

P

Onde vim parar? Por vezes nao sinto que estou a viver no Reino Unido progressista, avançado e inovador  que ouvia falar aquando no meu país. É que em Portugal jamais me recordo de ver tal coisa no maior supermercado local. 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Blues de fim de verão

 Sinto-me triste. Sao 21.30h. Caminho para o emprego tal como fiz outras vezes a esta mesma hora, dois meses antes. A diferença é que agora  está escuro como o bréu e antes a luminosidade era plena e tao agradável.

Não começaram qgora, estes blues de fim de verão. Já tem talvez um mês que fui notando  a claridade dos dias a encurtar.

Não me incomoda o frio, a chuva wue tem sido diária, nem o inverno. Gostava que pudessem existir com mais tempo de claridade. So isso. 

Música Clássica

Estava no youtube a ouvir uma colectânea de música clássica e a curtir "bué" quando subitamente reparo que a melodia que escuto já há algum invulgar tempo, não me agrada tanto quanto as outras. Vou espreitar o compositor: Beethoven. 

Solto uma risada interior. Só podia...

Quando mais nova perguntaram-me "Qual gostas mais"? - referiam-se a dois diferentes estilos de compositores, onde de um lado estava Beethoven e Mozart e do outro "os outros". 

Escutei excertos e pediram-me para escolher, dando a conhecer a sua preferência pessoal por Beethoven e Mozart. O meu coraçãozinho de oito anos gostou mais das outras. Mas a pessoa pareceu-me interessada em que a minha preferência fosse para Beethoven. Então respondi que gostava da mesma melodia que ela.

Não é que não goste de Beethoven. É dele a melodia que primeiro me emocionou profundamente, sem entender o porquê, que até me deixava muda e introspetiva, cidrada na música. Sem dúvida um compositor sem igual, dentro do seu estilo único e um génio. Claro que gosto. Mas outras composições de outros compositores levam-me mais depressa às emoções. É como se cada nota pudesse ser sentida e tivesse equivalência emotiva. 

A melodia de Beethoven da qual não estava a gostar tanto? Qual é? - pergunta vocemecesses

Sinfonia Nº3 em E Maior. Também conhecida por "Eroica". 

Dizem os peritos (aqueles que sabem tocar e ler música, o que não é o meu caso), que se trata da melhor composição de Bethoven. É um marco na música clássica, porque foi inovadora no estilo, na duração e desafiante. Até então ninguém tinha apresentado composições como aquela e é também a primeira no estilo romântico. 

Composta entre 1803 e 1804 o que eu não sabia mas fiquei a saber é que esta peça musical foi dedicada a Napoleão Bonaparte, e tinha como título o nome de Napoleão. Beethoven identificava-se com os ideais políticos do então primeiro-concil Napoleão Bonaparte e acreditava no conceito anti-monarquico francês. Mas aí Napoleão auto-proclamou-se Imperador de França e Beethoven, enraivecido, rasgou o cabeçalho da pauta, dizendo que afinal ele era como os outros, que ia ignorar o povo e oprimi-lo. 

                         A página aqui apagada até rasgar onde o nome de Napoleão aparecia

Ah, saber que Napoleão chateou Beethoven tal como me chateou a mim quando fui procurar os acervos de registos de casamentos que não existiam numa certa região de portugal porque o sr. "imperador" francês invadiu-nos e destruiu tudo...  Beethoven, estou contigo. 

E assim se aprende tanto sobre história, com uma simples melodia clássica romântica.

Acho que os meus gostos em música clássica têm actual equivalência aos grandes gostos populares por rock. Eu curto mais outras músicas. Não sou tanto main-stream :) 


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Rocha negra e possessividade masculina

 Uma rocha. É o que ponho o meu cérebro a visualizar cada vez que este liberta emoções recordando os afectos do passado. Engraçado.. à pouco li um dizer sobre paixão/versus amor. Não gosto de usar esta última expressão que é tão íntima e reveladora, mas certamente que foi essa que senti. 

Adiante.

Decidi visualizar de imediato uma pedra. Do tamanho de uma rocha. E não sei porquê, a pedra surge na cor negra. E assim, com este pequeno exercício, consigo impedir o meu coração de enveredar por sofrimentos que, quando chegam, continuam devastadores na sua intensidade.

A eficácia da técnica supreendeu-me.
A ideia surgiu-me do nada. E ajuda. 

 Rezas, tantas rezas... Não imaginam a quantidade de rezas, de súplicas, de desespero... Nada resultou.

Visualizar uma pedra. 

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post Bónus: O tipo no Supermercado

Algo que me faz recordar este episódio é encontrar um certo indivíduo no supermercado. Faz dois anos e o tipo continua a ir ali, a demonstrar o mesmo comportamento, a fazer a mesma coisa. Repulsa-me e faz-me sentir intensamente a falta do outro. O indivíduo, como acho que já contei aqui, pediu-me o número de telefone um mês antes de conhecer o outro. Pensei que era por razões de trabalho e quando me ocorreu que poderia ser com intenções românticas, logo lhe disse para tirar o cavalinho da chuva porque não tinha hipótese. Isso levou a confidências nunca antes expressas em voz alta e ele a insistir em contrariar a minha convicção. 

Ficou com o número de telefone, mas não ligou. O que achei melhor. Entretanto aconteceu. Com o outro. Mas este foi embora cortando todo o contacto sem qualquer explicação. E quando estava mais na fossa - como dizem os brasileiros, mas mesmo, mesmo, mesmo no PICO desta - por duas vezes - o telefone tocou nesse mesmo instante. Quem era? O homem do supermercado. TRÊS meses se passaram desde que me disse que ia ligar. Achei muito cara-de-pau mas não levei a mal. Ouvi o que disse e continuei a atender as suas chamadas. Porem o conteúdo da sua conversa não era adequado. Ao me saber apaixonada disse: "Foste abrir as pernas a outro? Mas eras minha! Eu é que abri caminho e outro é que ganhou o prémio? Não é certo".

Ainda assim, tendo ele pronunciado estas palavras, coloquei de lado a severidade das mesmas - tendo em conta que eu nada lhe era, nada nunca lhe fui, só lhe falei uma vez e lhe disse na cara que não estava interessada. Achei que era forma de falar mais do que outra coisa. Errei. 

Quanto às chamadas - sempre feitas ao fim-de-semana e sempre naquela altura em que eu ia cometer uma loucura por não aguentar mais - devo acrescentar que nesta altura, apesar dos meus esforços para não trespassar o sofrimento interno para fora, algo no nível das feromonas deve libertar-se para a atmosfera porque nunca antes tanto homem apareceu interessado em ser "amigo" e eu nem os podia ver. 

Só me repugnava ainda mais. O meu sentimento tinha um só designatário.

Isto para chegar à passada sexta-feira. Estava no supermercado a ver uns produtos expostos na prateleira. Um homem posiciona-se ao meu lado a fazer o mesmo. E pede para trocar-mos de lugar, visto que eu estava a esticar o braço para alcançar algo do lado dele e vice-versa. Temos uma breve troca de palavras. Ele diz-me que é da Mauritânia e explica assim o gosto por comidas picantes. Nisto percebo pelo canto do olho a presença do "outro", a olhar para mim e a prestar atenção à interacção. Ele está com aquela expressão: "Estás a ser simpática com outro? Eu estou primeiro!". 

Cortei de imediato a interacção e deixei de ser quem sou - afável e cordial, por me saber sobre observação e também por não estar mesmo nada interessada em interagir com homens no supermercado (ou no geral). Aprendi - se é que aprendi - que não faz mal "cortar" pessoas. Aparentemente é pratica que todos fazem. Achava-a imoral e covarde. 

Deparei-me com consciência de quem queria e de quem não queria na minha vida. A primeira coisa que fiz foi bloquear o número de telefone deste gajo do supermercado. Sei que tentou ligar-me muitas vezes mas nunca que conseguiu porque o bloqueei. Devia sentir-me mal com isso, mas não senti. 

Devo-o a ele. Esta frieza que não fazia parte do meu ADN. 

A substituição de uma certa inocência que me fazia não julgar as pessoas por meia-leca de interacções para a prática de as cortar.

Ando pelo supermercado e perco algum tempo a olhar para a prateleira dos inseticidas. Tenho a casa infestada de mosquitos graças às práticas um tanto "badalhocas" de alguns colegas. Nem o lixo sabem levar para fora de casa e deixam restos de comida por todo o lado. Mas isso é um à parte. Estou no supermercado nesta seccção e nunca, jamais, que esta é frequentada por aquelas pessoas que mencionei. Porque essas vão lá para obter as promoçoes que são exclusivas da secção da padaria, carnes e vegetais.  Os insecticidas ficam bem longe. Estou concentrada a ler o rótulo de uma embalagem e quando me vou mexer, vejo-o a observar-me. Seguiu-me até ali. Ficou indeciso se devia abordar-me ou não. Já o fez anteriormente e eu mostrei-me desinteressada, seca e monossilábica. Não lhe falo. Não quero lhe falar, nem sequer dizer "olá".

E faço muito bem. Porque o que notei a sobressair foi a possessividade, o oportunismo... Viu-me a sorrir para outro achou logo que estava com boa disposição e se metesse conversa comigo ia estar receptiva à sua conversa de treta. 

Nunca seleccionei as pessoas que entravam na minha vida. Fui aceitando. 

Ainda não as selecciono. Permito que muitas que não deviam estar continuem. Mas não procuro quem poderia acrescentar algo à minha pessoa. Sou sempre eu a acrescentar à outra. E isso, com os anos, desgasta. Apaga a pessoa e até as suas qualidades, que desaparecem como que pedaços de rocha com a força das águas e do vento. Precisas de alguém que acrescente e complemente. Que as desenvolva. Isso é raro. Provavelmente não vai acontecer. Mas se esta experiência é-nos dada por Deus para que aprendamos algo, acho que estou no caminho certo. Talvez devesse aprender que não posso acolher todos os "rafeiros" que me aparecem. Tenho de me valorizar, tenho de gostar de mim.  


domingo, 1 de agosto de 2021

De roupão azul a entrar no quarto da M.

 Até hoje não tenho coisas minhas na casa-de-banho, porque a M. quer o espaço todo para si. 
Hoje reparei que uns produtos de higiene masculinos pareciam ter sido mexidos. Só que... o rapaz não está cá. E reparei noutra coisa: estas embalagens de produtos masculinos estão juntas às embalagens dela. Coisa que ela jamais ia permitir. Tem nojo. Não gosta.

Foi então que me ocorreu - e fiquei escandalizada: são coisas para o gajo dela usar!

É que o apanhei de roupão azul, a entrar no quarto dela. 
Sábado para Domingo... nunca falha. 

Mais cedo ela fez um estardacéu pela casa inteira... barulho atrás de barulho, um sobe e desce escadas constante que acaba por entrar no teu sistema nervoso. O bater de portas, entra e sai... duas horas disto. Dá-me vontade de abrir a porta do quarto e gritar-lhe: "Mas que raio de barulhos andas tu a fazer?!"

Mas nada digo. 
Agora já sei. Aliás, já sabia. Quando ela se põe a aspirar, ou a limpar... é porque o que a preocupa é a imagem que ela projecta para alguém de fora. 

E nisto percebi: Eu não tenho coisas minhas no WC e o gajo já tem!

Que lata. 

Mais cedo escutei alguém a entrar no WC, abrir o chuveiro, deixar a água correr por 15 minutos (e eu a querer ir à sanita e a esperar) mas eu pensei que estava dentro do WC. Quando oiço alguém entrar. 

Desci à cozinha com um rolo de papel higiénico para usar o WC do piso de baixo. Nisto sou surpreendida pelo chão todo encharcado. Pingos de água caem do teto para o chão. Já sei o que se passa: é água do chuveiro. Quando mal direccionada verte para o andar de baixo.

Subi, bati na porta do WC e disse: "M..... M? Desculpa incomodar. É só para dizer que está a cair àgua na cozinha novamente". 

Esperava da parte "dela" algum sinal de vida. Uma atitude do género: "OK, vou prestar atenção". Mas não obtive qualquer resposta. Nem um som. 

Agora percebo porquê: não era ela que estava no duche.

Foi ela que o preparou mas depois...o gajo é que lá se enfiou.

E dizem que uma pessoa extra não atrapalha? Claro que sim. 

Teria ido ao WC em um minuto e tive de esperar 20, até decidir ir à de baixo. Inundou a cozinha - tive de andar a limpar com o balde e esfregona. Tem produtos de limpeza na casa-de-banho, ocupando espaço que de si é pouco. 

E nem sequer mora aqui. 

Um "anexo" é sempre uma inconveniência. 
E a M. -tão cheia de moral com todos, é uma grandesíssima hipocrita.