Mostrar mensagens com a etiqueta mulher. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mulher. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Dois novos BLOGUES : espreitem!

 

Olá!


Tenho andado ocupada a trabalhar mas recentemente dediquei um tempinho para criar novos blogues. Podem espreitar os links acima ou na barra lateral à direita da página. Visitem e divulguem, por favor. 

O blogger já não é muito utilizado como rede social. Temos de combater a sua possível extinção e só se consegue isso continuando a lhe dar uso, criando novos temas e a fazer visitas. Tem sido "preterido" por outras com alcance imediato, como o Tic-toc, Instagram, X (ex-tweeter), facebook e até youtube. Mas muitos de nós ainda gostamos deste formato. Então, vamos divulgar! Para que o formato "blogue" não desapareça.  (Como me parece ter acontecido com os do Sapo???). 


O blogue MULHER vem do coração. Fala de mulheres que estão ou já passaram por este mundo e que merecem ser lembradas por terem feito algo que fez diferença. Sugestões e até parcerias são bem vindas :)

O blogue TASTING FOOD - é algo que tinha para fazer faz alguns anos. Nasceu hoje, e comecei por falar de... queijo Brie. Quem gosta?


Visite-os e deixem seus comentários. Divulguem!
Abraço a todos. 



primeiros esboços para o título de um dos blogues


quinta-feira, 19 de março de 2026

Misogenia

 

No emprego quando comecei a fazer uma determinada tarefa, notei uma mudança de comportamento por parte do "grupo" de pessoas com quem ia "partilhar" aquela tarefa em particular. 

O que comecei a fazer foi CONDUZIR. 

A conduzir uma máquina. A maioria daqueles que vejo a conduzir tais máquinas são homens. Até então nunca me tinham feito sentir tanto como uma mulher. Pessoas que antes falavam comigo e me cumprimentavam à vista, deixaram de me falar de imediato. Adotaram uma expressão carrancuda. E, pelas costas à mínima coisa que acham que podem apontar, vão ter com o gerente para apontar uma "falha" minha. São tão inseguros e se sentem tão ameaçados por mim a esse ponto. Ao ponto de o meu género feminino os incomodar! Talvez por acharem que o que fazem é super especial e distinto para o seu grupo: o masculino. E que nenhuma mulher deveria se introduzir naquela área. Escutei coisas como "aprende a conduzir!", e "estacionas como uma mulher". Mas de tudo o que é dito, é o que não é dito que é mais revelador. É o comportamento e a linguagem corporal. As contantes "caretas", a atenção prestada a cada movimento meu para ver se há algo que podem ir a correr apontar a um gerente - o esforço embutido para tentar me excluir daquele meio que, claramente, tomam como o seu território e pensam que têm legitimidade para selecionar quem merece ali estar e quem não. 



Estava a ver um documentário sobre acidentes de aviação e no Nepal um avião caiu do céu porque um comandante com mais experiência, que não estava naquele vôo no comando do avião, decidiu "instruir" a comadanta. Acabou que se distraiu e não percebeu que mudou a alavanca das hélices para a posição "neutro". O avião deixou de ter como se sustentar e acabou por cair, morrendo todos. Um dos passageiros estava em "live stream" - a transmitir em direto e acabou por registar a sua morte. 

O tempo todo eu estava a pensar: Este comandante está a dar tantas ordens e a decidir coisas porque está diante de uma mulher. Vê uma mulher, pensa que ela lhe é inferior. Ao mesmo tempo que pensei isto, percebi que a sociedade no Nepal é mais aberta para capitãs. Porque a senhora era a esposa de um piloto que havia falecido num acidente. Ela não era piloto até que ele faleceu. Ela tornou-se piloto de avião em honra ao marido, depois do seu falecimento. E no geral era admirada e muito respeitada por isso. Portanto, parece-me que a sociedade Nepalence é, provavelmente, bem mais aberta a ter mulheres em funções geralmente exclusivas para homens do que a Britânica. 

Durante os 10 anos em que viajo de avião, nunca que um deles foi pilotado por uma mulher. Sempre um homem. Tomamos isso como "normal". Mas será que é normal? Não, não é. É um sinal camuflado do que eu mesma vim a sentir no meu local de trabalho. 

Claro, há pessoas lá que me admiram e me elogiam imenso. Não por ser mulher mas por ser boa no que faço. "Fizeste essa curva muito bem! És boa a conduzir. Nunca vi ninguém fazer isso tão bem. A maneira como fizeste essa curva foi a melhor que alguma vez vi. Muito bem, eu não faria melhor" - são expressões que já escutei. 

Portanto há quem não se sinta ameaçado e há quem não se sinta intimidado. Mas há também os que sentem tudo isso. E esses também estão por detrás do volante. Acham que são especiais, melhores que os outros. E vem alguém que eles, assim se vem a descobrir, consideram inferior e é capaz de executar as mesmas funções? Ah, então não o poderá fazer bem! E qualquer coisinha que fizer menos correta vai ser apontada junto ao gerente que é para passar bem essa mensagem

Sou boa, mas não sou perfeita. Ainda estou a "domar" a máquina. Mas eu e máquinas, geralmente, sempre nos damos muito bem. Agora dispensava a existência de machos tão inseguros e fracotes como alguns que por lá andam. Se sabem o que fazem e confiam nas suas competências, não deviam sentir-se minimamente incomodados. Será que não percebem que se estão a evidenciar como misóginos? Meros indivíduos inseguros, que não vêm as mulheres como iguais, que só se sentem confortáveis se o seu círculo de "machismo" não for perturbado. E deixem-me vos dizer: eles, os misóginos, têm todos os defeitos que gostam de atribuir como traços marcantes femininos: estão sempre a falar uns com os outros. Param o trabalho, descem do veículo para conversar com alguém. Andam uns metros, param novamente para conversar com outra pessoa. "Desaparecem" e não se percebe por onde andam só se percebe que o trabalho não está a ser feito. E a gerência naquele sítio... não vê. Ou se vê, fecha os olhos. No geral os gerentes atuam com base na regra principal: "Não quero chatices". Chamar alguém que trabalha há muitos anos ali à atenção, é puxar sarilhos. A pessoa pode não gostar e fazer a vida deles muito difícil. Puxar outros para esse meio. Ir ao sindicato fazer queixa e armar uma dor de cabeça. Então os gerentes não fazem nada, deixam andar. Só se "esticam" com pessoas com quem não estabeleceram uma relação mais próxima, as quais não temem por não as verem como pessoas capazes de ir de imediato fazer queixa ao sindicato e sobretudo para satisfazer os caprichos dessas mesmas pessoas que têm medo que lhes dêm dor-de-cabeça. 

Quanto a pilotos mulheres: partilhei casa por pouco tempo com um rapaz que estava a treinar para pilotar aviões da Easyjet. Ele tinha uma namorada e me disse que também ela treinava para piloto. Afirmou que eles (a companhia) pretende ser mais inclusiva e que tinha, talvez num grupo de 25, uma mulher. Tentam... mas não muito, entendem? É só mesmo PARA INGLÊS VER. 

E depois falamos de países menos desenvolvidos que a Grã-Bretanha, esta potência económica que já conquistou outros mundos, que é tão desenvolvida e em termos de misogenia... 

Onde está o progresso? 
Faz mais de um século que a mulher sufragista surgiu para ser vista como um ser humano igual ao seu semelhante em direitos. Elas sempre desempenharam papéis vitais na sociedade, ainda que por detrás de um homem. É que a mulher é pouco dada - a meu ver, à necessidade de aparecer. Ela sabe o seu valor sem precisar de o ostentar aos olhos dos outros. Só pessoas inseguras e que se sabem ou sentem sem valor algum sentem essa compulsividade. 


segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Arte clássica também existiu no feminino

 

Mesmo a propósito do post que vinha fazer a respeito das pinturas que visitei nos museus. Hoje o google-doodle abriu com esta figura: Uma pintora, mulher, que viveu no século 17 e alcançou grande notoriedade. Com o passar dos séculos teve os seus quadros equivocadamente identificados como tendo sido feitos por... homens. 


Ah! Os séculos passam, mas a condição feminina permanece a ser relegada para segundo plano, como se  inferior. (Adiante, que nós, mulheres, não nos enfurecemos. Sabemos no âmago que tal não é o caso).

Em Londres quis ir visitar uma obra pintada pelo pulso de um contemporâneo desta senhora: Jan Davidszoon de Heem.  Acabei por ser surpreendida por quadros da pintora Rachel Ruysch. Todos estes artistas pertenceram ao chamado "século de ouro neerlandês". 


Rachel Ruysch  foi a pintora que me agradou por ter um talento tão bom ou melhor que aquele que meus olhos procuravam em Jan de Heem. Esta sua gravura comprova isso mesmo. Não é estonteante?



Na visita ao National Gallery (Londres) o quadro pintado por JUDITH LEYSTER chama muito a atenção pelos sorrisos das crianças, pela traquinice, pela diversão e prazer que as mesmas podem ter vivido. Li a legenda: menino e menina a segurar um gato e uma enguia. Fiquei a pensar em que circunstâncias ia uma criança segurar uma enguia? Decerto que foi um momento específico daquela época. A autora quis capsular esse momento de alegria, como quem hoje dispara o gatilho de uma máquina de fotografar. 

                          

Comparação justa, diante do realismo, da impressionante representação detalhada que estes pintores alcançavam. Tem imagens que parecem autênticas FOTOGRAFIAS. Sempre me impressiona, este tipo de talento e muito me faz reflectir sobre o que nós realmente sabemos hoje, comparado ao conhecimento ímpar que os nossos antepassados devem ter adquirido. 

Quem sabe? Alguns destes "mestres" poderão estar a dar voltas na campa da eternidade, pasmados pela idiotice da humanidade de hoje. A admirarem quadros que eles, os autores, fizeram às pressas e a negligenciarem outros, que consideram importantes para o desenvolvimento do seu talento. Ou então revoltados, por as pessoas estarem a apreciar uma cópia que não foi feita por si ou a atribuírem uma das suas obras a outro. 

Jan de Heem teve dois filhos que também lhe seguiram as pegadas. Ele próprio era filho de um grande pintor. Sabem como é... um metier de família. Como saber, de facto, passados tantos anos, quem pintou o quê?

Detalhes do quadro de autoria 
de Jan Davidszoon de Heem


Destes três artistas foi o homem que o tempo fez com que ganhasse mais fama. Com o passar dos séculos as pintoras mulheres foram perdendo a notoriedade que os seus contemporâneos lhe atribuíram. Mas nesta época em que arte é, acima de tudo, um negócio envolvendo muito, mas muito dinheiro, a procura desesperada para se achar mais uma qualquer escultura ou pintura feita por um grande mestre fez girar os holofotes para tudo o que foi produzido nessas épocas podendo-se então, falar de artistas mulheres. 


terça-feira, 23 de agosto de 2022

O grão de sal fino da mulher

 


Conhecem a diferença entre o sal grosso e o sal fino? Está na dimensão. Pois imaginem separar um grão de sal fino do outro. Só um grão. 
Sabem que dimensões tem? A de um óvulo humano!


A mulher carrega dentro de si estes óvulos minúsculos, praticamente só perceptíveis ao microscópio. E não é que é por essa coisa minúscula que todas as mulheres, como eu agora, sentem mau estar, fraqueza, sonolência, desconforto e até dor todos os meses? Acontece quando este o óvulo se liberta para o útero mas, chegando lá, não é fecundado pelo espermatozoide. 


Veja aqui o tamanho de um único óvulo, comparado ao de uma moeda. 





quarta-feira, 30 de setembro de 2020

É por aqui que vieste ao MUNDO

 


A DOR DO PARTO 

"O corpo Humano só pode suportar 45 unidades de dor. Durante o parto, uma mulher suporta até 57, o que equivale a 20 OSSOS quebrados todos de uma só VEZ.

Respeite o género feminino. Tome consciência do que nos diferencia e ame o amor capaz de suportar tamanha dor".


Encontrei esta informação na internet. 

O que acham?

sexta-feira, 13 de abril de 2018

As quatro mulheres de mais idade com quem me cruzei hoje




Hoje atendi uma cliente de uma certa idade. Rosto enrugado, cabelos curtos mas ainda bem preenchidos e totalmente brancos. Vinha acompanhada de uma senhora de cabelos castanhos, com a pele do rosto lisa, excepção para umas tantas rugas de expressão. Falou-me que era o aniversário do que percebi ser uma neta. 


Então perguntei-lhe a idade da neta. Afinal falava de uma filha. Surgiu o número 55. A que a acompanhava- também filha, tinha 60. De seguida ela própria avançou a sua idade: 91 anos. Não aparentava. Porquê? Não só pelo aspecto físico, mas principalmente pelo discurso lúcido, rápido e a sua mobilidade dinâmica. Não caminhava com dificuldade, mas com soltura e ritmo. 

Quando penso em 91 anos, infelizmente associo esse número a já alguma dificuldade de mobilidade, a uma certa lentidão e falhas na memória e, também, uma certa curvatura na coluna vertebral. Garanto-lhes que não estava diante de nada disso. A senhora, inglesa, natural de Londres, perguntou-me de que país eu era originária. Respondi-lhe, o que a fez comentar:

-"Ah, vem de Portugal. Eu sei falar português." 

E não, não estou a traduzir. Respondeu-me em português e foi, também, a primeira vez que alguém a tentar falar a língua de Camões conseguiu fazê-lo de forma a entender-se na perfeição, com domínio e fluidez. Contou-me que morou alguns anos no Brasil na década de 60 e logo se despediu e seguiu caminho. 

Deduzi que aquela não era uma mulher comum. Não só pela genética que brevemente discutimos (aparentar muito menos idade parecia correr nos genes) mas pelo discurso. Perguntei-lhe se era viajada, respondeu que sim. Um sim que soou a contenção. Ser «viajada» talvez fosse uma forma simples que omitia uma experiência mais complexa - disse-me a intuição. Atribuí a sua admirável desenvoltura física e psicológica a essa condição de vida. Quem viaja, enriquece-se. No espírito e na mente. A mente não cai numa rotina imberbe, está a ser estimulada. Notei que era inteligente e culta. Ao dizer-me que morou alguns anos no Brasil deduzi - não sei porquê - que teria sido por motivos políticos, como por exemplo, ter um marido consul. Ela própria deve ter sido uma mulher de carreira e muito instruída, tendo circulado no meio de pessoas influentes e instruídas nas mais diferentes matérias. Notei, no tom empregue ao mencionar que viveu no Brasil, nova contenção. 

Simpatizei com a senhora e aprendi novamente uma velha lição: Na vida tudo é possível

Não há normas. Há estatísticas, generalidades, é certo, mas também há excepções. E estas podem deixar de as ser para se transformarem na norma. O seu português, ainda que aprendido no Brasil, não tinha sotaque nem me pareceu ser conjugado ao estilo brasileiro que hoje conhecemos. O português da década de 60 em terras de vera cruz devia ser bem mais formal do que nos dias de hoje.


As restantes três senhoras marcaram-me menos, mas também me recordo delas no final do dia. Todas com cabelo branco.

A primeira aguardava pelo marido, que tinha ficado para trás devido a uma enorme dificuldade de locomoção. Disse-me que tinha solicitado ajuda para deslocação mas que não lha tinham facultado. Fiquei tão preocupada que fiz questão de verificar que acabaria por a receber. Sem que percebesse a minha presença, confirmei que a ajuda que necessitava ia ser prestada. 

Neste país de scooters para andar no supermercado às compras, para andar na rua, para tudo e mais alguma coisa, por vezes em certas circunstâncias não facultam uma deslocação fácil a idosos com mobilidade reduzida. Nem se preocupam. E aquilo incomodou-me. Para todos os que conseguem andar, uns meros metros podem parecer coisa fácil. Quando avistei o senhor, com os bofes para fora, receei que lhe desse um piripaque no coração ali mesmo. Não foi nada fácil para ele caminhar "alguns metros" e a preocupação da esposa com a sua condição era justificada. 

 A segunda idosa falou um pouco comigo. Aguardava o filho que tinha ido comprar algo e pediu para que ela esperasse por ele num certo local. Mas ela, sabendo onde ele tinha ido, decidiu ir atrás e parou a meio caminho, onde eu estava. Falou um pouco disto e mencionou que o filho tinha ido visitá-la porque dentro de dois dias ia ser submetida a uma intervenção cirúrgica. Desejei-lhe boa sorte. Mas o que me veio à mente foi a possibilidade de dentro de dois dias aquela senhora sorridente e toda a sua energia podia estar destinada a apagar-se. Vida por mais dois dias, o filho tinha vindo visitá-la pela última vez, talvez um pouco contrariado. Um pensamento um tanto mórbido, talvez, mas intuí solidão, algum receio, amor, saudade, felicidade, desejo de ter o filho mais perto e mais presente e pouca paciência na comunicação entre mãe e filho. Continuei a trabalhar e perdi-lhe o rasto, não vi para onde foi nem se o filho, que nunca mais aparecia, surgiu e ficou mais um pouco com a mãe.

A terceira idosa esperava a neta. De início só percebi que esperava alguém e que tinham marcado um encontro por ali. Como não estavam a conseguir entender-se por telemóvel uma com a outra, a senhora pediu-me para explicar por chamada onde ela se encontrava, para a neta a localizar. Foi o que fiz. O sentido de orientação da neta não era dos melhores e acho que o receio de não encontrar a avó atrapalhou-a. Então pedi-lhe que voltasse a contactar a neta e foi então que as duas encontraram-se. Estavam a poucos metros uma da outra, mas cada qual a aguardar em sítios diferentes. Foi a idosa que partiu ao encontro da neta, ao perceber onde esta se encontrava. Uma senhora totalmente lúcida, amável, doce, com facilidade de deslocação. Ainda assim confirmei que se encontravam de facto. Ao me perceber perto, a neta agradeceu com umas vénias e eu regressei ao meu posto contente, por ninguém ter-se perdido e por perceber a felicidade naquele abraço que as duas deram. 


#idadenãotemlimites


domingo, 19 de novembro de 2017

Os dias num mês de vida feminina


Noutro dia a Ana, do Escrevi e Vivi, fez um post sobre a primeira menstruação.
Estava aqui quase a dormir mas incapaz de entrar no sono devido a uma circunstância alheia e foi então que tive vontade de vir escrever sobre o mesmo assunto. Já o fiz antes, mas aqui vai novamente. Os mais sensíveis ao tema ficam já avisados e estão a tempo de voltar atrás Eheheh.

Estou «quase» a ficar menstruada. E quando digo quase, quero dizer que pode levar 10 dias. O meu corpo já mo está a avisar faz dois. E como avisa? "Sente-se" as entranhas do aparelho reprodutivo. A melhor forma que encontro para descrever a sensação é de que o útero está a ser esticado como se estica um elástico. Sente-se toda aquela tensão do esforço. É uma sensação permanente. Não vai embora durante todas as vinte e quatro horas que dura um dia. Outro dos avisos do corpo feminino é essa mesma sensação nos seios. A sensibilidade dos mesmos está ao rubro e é como se se sentisse esse rubro. O mês passado alguém veio dar-me um abraço durante estes dias e devo dizer que a mulher tem sempre de disfarçar... dores. A simples compressão do peito foi dolorosa.

Isto tudo porque a natureza nos quer mães!
Embora cada caso seja um caso em tudo o que aqui vou descrever, no geral o ciclo de uma mulher saudável surge a cada 26 a 28 dias. Quando a menstruação desce, pode durar de 3 até 7 dias. 

 O que aqui vou frisar é a matemática de tudo isto. Para que se compreenda como é um mês na vida de uma mulher. E depois o outro,  o outro, e o outro... sem fim. 

Um mês tem 30 ou 31 dias. A menstruação de uma mulher vulgarmente diz-se que vem "todos os meses", mas na realidade o ciclo é menor que o do calendário convencional, no geral rondando uns estimados 28 dias. 

Parece um intervalo de tempo «aceitável» mas a realidade é diferente.


Vou usar para ilustrar melhor a situação, a menstruação anterior. Que surgiu no dia 1 de Novembro. Reparem, estamos a 19 e desde o dia 17 que o corpo «mudou» e já está a dar sinais físicos de dor e desconforto. E de quanto durou o ciclo? Aproximadamente sete dias. O que significa que chegou a 1 e foi embora a sete. Apenas 10 dias depois, o corpo já avisa que deu início à fase de maturação do óvulo, preparando-se para o fazer descer ao útero e, eventualmente, expulsar. 


Penso que neste instante o que «sinto» com esta sensação de tensão elástica e sensibilidade é o malandro do óvulo a passear feliz desde a trompas de falópio em direcção ao útero. E pode levar 10 dias nisto. Enquanto o malandro viaja, não se incomoda de «expandir» as paredes à sua passagem, de forma a incomodar o hospedeiro KKKkk

 Quando chegar ao destino, aloja-se por um dia e impaciente e chateado por não ter tido companhia para o receber, decide explodir com aquela cena toda! E é então que se dá a menstruação. Por sete dias. 

Resumo matemático:
A mulher tem em média apenas 10 dias no mês em que não sente nada incómodo relacionado com a sua  feminilidade. 


domingo, 22 de outubro de 2017

Concordam integralmente ou discordam em parte?




Em português de PORTUGAL, traduziria o texto original assim:

Acho insensato as mulheres quererem ser iguais aos homens. Elas são superiores e sempre foram. O que se der a uma mulher, ela o transformará em algo maior. Se lhe deres esperma, ela dará um bebé.  Se lhe deres uma casa, ela devolve-te um lar. Se lhe deres mantimentos, ela dá-te uma refeição. Se lhe sorrires, ela dá-te o seu coração. A mulher multiplica e amplia o que lhe é oferecido. 

Então, se lhe deres porcaria, prepara-te para receber uma tonelada de lixo!


sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Natureza da mulher, a sua resiliência e a misoginia


Sou da opinião  que as ideias de misoginia têm vindo a aumentar. Nesta sociedade cada vez mais evolutiva e permissiva, pode-se ir de biquini ou mesmo nua para a praia, contudo, ainda é muito visível o quanto alguns sentem ódio e mais ainda MEDO de mulheres, ao ponto de tudo fazerem para lhes reduzir a importância, a capacidade, o valor, a sua existência, as suas ideias, etc e tal.

Parte de um motivo que identifico como a causa para este fenómeno (que nunca vai ter fim, acho que a natureza de uns não o permite) surge com esta própria evolução. O facto da mulher trabalhar fora de casa, dentro de casa e ir para um hospital dar à luz  - é tudo considerado banal.

Essa banalidade torna CEGOS muitos que têm dificuldade em ver. Os que não conseguem, até hoje, obter das mulheres o que imaginam que elas devem dar, os que só pensam com um neurónio e só olham para o próprio umbigo, os que têm uma visão do mundo tão limitada que nem um grão de poeira se lhe compara...


Se as facilidades tecnológicas vieram a facilitar a vida, de homens e mulheres, por vezes também dessensibiliza. 

E é por isto que deixo aqui dois excertos de assentos de Baptismo
Leiam. Assimilem.

Se já se perguntaram de onde a criatura feminina, mulher, mãe, vai buscar a sua capacidade de resiliência, acho que aqui encontram uma resposta...




Está no seu ADN. É a sua natureza.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ódio às Mulheres



Sinto tristeza quando abordo este tema. 
Nem tenho agora capacidade para o expressar como queria.



Mas a verdade é que julgamos que já se evoluiu muito na sociedade de forma a que as disparidades de direitos entre homens e mulheres se tenham dissipado quando, na realidade, somos todos os dias BOMBARDEADOS com filmes, palavras e acções tidas como «normais», que não passam de uma forma de continuar a propagar as agressões ao género feminino.


Esta reflexão surgiu-me quando um indivíduo que mal conheço lá no trabalho, fez uma «gracinha» ao me ver a segurar o pau da vassoura, e disse que o que eu ia gostar era de «o enfiar sabe ele bem onde». E um outro riu.

Este tipo de afirmações - tão comuns e que são "aceites" sem reprimenda, não passam de uma forma de objectivar a mulher e a reduzir a um pedaço de carne ao serviço de sexo. Em alguns sentidos, hoje a mulher é mais tratada como «puta» do que no passado.

No passado ao menos existia uma «linha que separa...»

Era o comportamento. Da mulher solteira, da mulher casada...

Agora, não há nada. Cada um assume que uma mulher é um ser sexual (e é), não é a «cândida dona de casa» (que também é), e todos presumem que qualquer mulher na rua adoraria abrir as pernas para um qualquer homem entrar. Ensinaram-me que a palavra que define esse género de mulher é puta.
Então, somos todas putas?

Não.
Mas somos tratadas como se fossemos. 


Cresce o número de homens a queixarem-se das mulheres só porque sim. Ir ao youtube ver um vídeo com uma história - qualquer história - em que exista uma interveniente do sexo feminino comprova-o. É CHOCANTE ver o tipo de comentários ali deixados. A começar pela forma como os comentadores se referem à mulher: "a gaja", a "puta", etc etc e daí para muitos exemplos similares.  A pessoa até tem NOME. Mas como é do género feminino, vira cadela, porca, tipa... tudo, menos mulher ou mulher com nome.

Com isto perdeu-se o respeito. E aquele conceito de mulher/esposa cândida, fada-do-lar até faz falta. Faz falta a alguns membros do género masculino a noção de respeito à figura da MÃE. E mãe é MULHER. 


O respeito por uma mulher anda a perder-se... 
Todas são olhadas com olhares lascívos e quando envelhecem, ao invés de respeito, são apenas «put.. velhas...». Reduzem toda a argumentação de origem feminina a FEMINAZI - uma palavra inventada pelo género masculino, já com muitas outras variações, que visa sempre o mesmo: reduzir e humilhar a mulher, desvalorizando qualquer coisa que esta queira expressar. As mulheres são sempre as responsáveis por todos os males. Mesmo quando são vítimas de sérias e violentas agressões. «Estavam a pedi-las....» - ainda escrevem muitos. 


Não sei onde isto vai parar mas a sociedade não evoluiu tanto assim no que respeita ao machismo. Xiça que homem é inseguro para caraças!!!

Ainda precisa diminuir a mulher, insultá-la, maltratá-la, difamá-la, para se sentir «macho»...
A sua inépcia reflectida na sua misoginia. 




sábado, 10 de setembro de 2016

O calvário das mulheres


O mundo gira, os séculos passam mas a mulher continua, em cada canto do globo terrestre, a lutar por respeito. Algumas nem chegam tão longe, porque ainda estão mais atrás na luta pela própria liberdade ou igualdade. 

A mulher continua a ser mutilada na genitália, a ser forçada a viver na prostituição, a ser vendida por sexo ainda em criança, a ser violada e assassinada, a ser traficada, a ser pressionada, hoje e aqui, a corresponder a ideais estéticos machistas, tal como no passado as chinesas atavam os seus pés com ligaduras, deformando-os e sofrendo horrores, para satisfazer as ditaduras da corte pré-nupcial e os caprichos ignorantes do homem. 

Já não se usam espartilhos? Já não se exige pés de flor-de-lótus?
O tangas é que não!!

Está tudo vivinho da silva. Imposições estéticas e comportamentais que são continuamente perpetuadas em outras exigências, outras mensagens, outras imposições. 

Tudo continua igual quando grande parte das mulheres se deixa convencer que o que faz é por sua vontade e não por imposição social com origem no machismo.


terça-feira, 8 de março de 2016

O significado de 8 de Março

Não sou de dar destaque a datas mas, já que existe uma, quero que entendam a minha compreensão da mesma. 

Feveireiro 2016 - Equador

Duas jovens Argentinas queriam conhecer o mundo e começaram por uma viagem para o Equador. Não mais deram notícias. Foram encontradas assassinadas. Nas redes sociais começaram a censurar as duas amigas: Elas não deviam ter ido. Deviam ir só com a presença de um homem. Desacompanhadas fizeram por merecer. Provavelmente queriam andar na borga, insinuarem-se aos homens com os corpos expostos em roupas sedutoras. Foi delas a culpa do que lhes aconteceu - agressão, violação e assassinato por faca. 

6 Março 2016 - Índia


Uma jovem de 20 anos pula de uma varanda para escapar a uma violação em grupo. Está no hospital. Um dos três homens que a pretendiam violar era o seu namorado. Na Índia as mulheres são violadas em grupo com frequência, sendo que nem com os namorados estão a salvo. Os homens responsabilizam qualquer mulher pela lascívia que sentem. E reagem com o impulso selvagem de as possuir e descartar de seguida - nem sempre vivas. As violações de mulheres - não só indianas como também turistas - ganhou projecção mundial em 2012, quando um grupo de seis rapazes a viajar num autocarro, espancou brutalmente o namorado de uma rapariga para de seguida a violarem em grupo. A violação incluiu tortura com objectos metálicos inseridos na vagina e intenção de morte. A jovem de 23 anos foi depois atirada para o asfalto e só não lhe passaram com o autocarro por cima porque o namorado, igualmente atirado borda fora, conseguiu puxá-la para fora do alcance dos pneus do veículo. O motorista do autocarro testemunhou o seguinte: "não dei por nada".

A grande maioria dos homens e também algumas mulheres insurgiram-se e gritaram: "Estes rapazes são inocentes"! "Ela é que é a culpada!".

25 Março 1911 - EUA

Em pleno optimismo gerado pela revolução Industrial - que prometia uma melhoria de vida para homens e mulheres, em particular para os Imigrantes chegados aos EUA, um incêndio num prédio de Nova Iorque onde estava em funcionamento uma fábrica de confecções de roupa foi a causa de morte de 125 mulheres e 21 homens*. As operárias costuravam camisas quando as chamas as apanharam no 9º andar. Em pânico e sem alternativas de fuga, foram vistas pelos transeuntes a se alinharem no parapeito exterior do prédio. Mas pior do que ver este cenário de horror foi conhecer-lhe as causas. Muitas destas mulheres, na sua maioria jovens de menos de 25 anos e imigrantes italianas, foram vistas com as chamas a subir pelas saias, com o cabelo a arder enquanto se atiravam do 9º andar, outras procuraram no salto alcançar a escada dos bombeiros, que só chegava até o 6º. Estatelaram-se no chão. O barulho surdo dos seus corpos a ficar gravados na memória de quem assistiu, sem poder fazer nada para as salvar. 

A cerimónia fúnebre e os milhares que choraram a tragédia
Só depois de apagado o fogo se descobriu o verdadeiro alcance da catástrofe e do horror. Algumas mulheres haviam caido no poço do elevador, na tentativa de fuga, outras desceram pela escada do poço que, com o peso, colapsou e atirou-as mais rapido para a morte. Outras foram encontradas carbonizadas debaixo das secretárias mas a maioria dos corpos foram encontrados amontoados uns em cima de outros junto às portas de saída - uma estava fechada à chave por ordem expressa dos patrões - que haviam escapado do incêndio pelo telhado e posteriormente foram inocentados de qualquer responsabilidade. 

Ao contrário de quem trabalhava no e 10º andar, as operárias do 9º não foram avisadas do incêndio. Uma das duas saídas de emergência tinha sido trancada para salvaguardar a hipótese de furtos ou pausas. Estas mulheres eram submetidas a um verdadeiro trabalho de escravo. Eram intensamente controladas por capatazes, que cronometravam as suas idas à casa-de-banho, trancavam a porta de saída de emergência para que não pudessem sair e fazer uma pausa e escutavam cada conversa que conseguissem ter umas com as outras - usando para o efeito uma recente invenção que os permitia aproximarem-se sem serem escutados: os sapatos com sola de borracha. Os capatazes/feitores tinham o poder de fazer com que fossem demitidas. À mínima coisa, perdiam o emprego.
A sinalização indica a «saída em caso de incêndio» (foto provável da referida instalação)
(subitamente esta imagem fez-se recordar os modernos callcenters)
Na fábrica existia um cartaz com o dizer: "Se não vieres trabalhar no Domingo, não precisas de vir na Segunda" - isto porque as greves sindicais a protestar por melhores condições de trabalho (ordenados, carga horária e folgas) e de segurança estavam na ordem do dia.  As operárias desta fábrica trabalhavam 14 horas diárias, por vezes horas extras, fazendo camisas - e ganhavam à unidade. Mas mesmo a mais rápida e eficiente das costureiras não conseguia mais que um modesto salário de 6 a 10 dólares/semana. Mal sobrava para comer, depois de pagarem o aluguer dos quartos onde moravam. Escravatura moderna, portanto.


O dia Internacional da Mulher já foi comemorado em muitas datas: 28 de Fevereiro, 15 e 25 de Março. A ONU declara o ano de 1975 como o ano da mulher e em 1977 é adoptado pelas Nações Unidas o 8 de Março como o dia internacional da Mulher. Mas como tudo o que... vem de um Homem - sem querer desmerecer nenhum - a data foi escolhida em «homenagem» às vítimas de um acontecimento fictício: um outro incêndio fabril de 1857, que nunca aconteceu. 


É ou não importante fazer para que se entenda por este mundo o conceito e direito de igualdade? A mulher não é feminazi nem muito menos feminista - termos estes inventados por alguns homens, que assim os usam como alimento para tentar justificar o injustificável: o seu desprezo, ignorância e idiotice. 

Que esta data traga cada vez mais a igualdade a muitas das mulheres por este mundo fora, mulheres que ainda vivem sem saber que são iguais ao seu semelhante Homem e merecedoras de respeito e admiração. 

*outras fontes indicam 129 mulheres e 17 homens.