domingo, 24 de maio de 2026

Comprei

 


Comprei. E agora é mais uma coisa a adicionar à minha "coleção" de artigos para o lar (que ainda não tenho). 

"Apaixonei-me". Gosto de coisas que a geração de hoje chama de vintage. Não precisam de ser de grandes marcas. Nem de ser vintage assim... muito. Mas gosto de coisas que um dia já foram apreciadas e que hoje são "cringe". Adoro o singular, o único, o criativo, o trabalhoso, o natural. 


Um dia gostaria que tudo o que possuo encontrasse um propósito para continuar a existir depois de mim. Um "museu". Ou encontrassem pessoas desconhecidas que, como eu, adoram as peças pelo que representam. 

 Minha família acha que tenho muita coisa que não tem valor algum. Praticamente TUDO o que tenho e que gosto, mas eles não. Se for a ver só por essa perspectiva - o valor monetário - se calhar eles iam supreender-se. Se fosse tudo vendido, provavelmente obteria um milhão de euros ahaha! Estão sempre a criticar-me. Mas existe um fenómeno curioso: cada vez que precisam de algo com urgência ou subitamente, lembram-se de ir procurar no meio das minhas coisas

Quando Portugal sofreu o apagão, onde é que se lembraram de ir procurar uma lanterna? E um rádio? E é assim que descubro, muitas vezes que algo que tenho foi o que os "salvou" de um aperto. Quando o miúdo precisou de fazer determinados trabalhos manuais para a escola, ou precisava de algo em particular, como por exemplo arame, massa de modelar, pincéis, tintas,... Ou mais recentemente, quando se fundiu uma lâmpada, ou um pouco mais distante, quando começou a entrar água da chuva pela parede e foi na minha gaveta da secretária que conseguiram encontrar massa de modelar e de ir ao forno que "selou" as fissuras na urgência da situação. 

Eles não valorizam ou são capazes de aceitar a diferença. Gostam de deitar tudo fora. O que tem poucos anos e substituir por algo novo, várias vezes. Deitar fora, comprar novo, deitar fora, comprar novo... e o "novo" nunca presta. E é logo substituído por outro que "presta" mas em poucos meses deixa de "prestar". É um ciclo interminável de ventoinhas, ar condicionados, torradeiras, facas de corte eletricas, tostadeiras, air friers, panelas de cozer arroz... tabuleiros de ir ao forno, tachos e panelas... enfim. 

Eu não sou assim. Gosto de preservar as coisas e por isso estas me duram anos. Mesmo quando param de ter serventia para ser usadas - acho que devem ser reaproveitadas, recicladas. 

Espero "herdar" o candeeiro velhinho lá de casa dos pais, as estatuetas com as quais brincava quando era criança... os copos e as louças de uso de "festa" - reformadas que foram há já 20 anos pela própria família, que não as usa mais. Mas é o tipo de coisa que me traz felicidade. Imaginar-me a usar aquela louça da fábrica de sacavém, com o cavalinho rosa (?) num futuro almoço de Natal sabe-se lá em que ano... 2050?

Nada tenho contra criar novos espaços com novos objectos saídos da fábrica. Posso ter os dois ambientes - mas tenho uma predileção pelo "calor humano" de coisas às quais possa ter uma ligação emotiva, uma lembrança, uma memória. 

Minha família não entende como posso guardar o computador, o walkman, o CD player portátil, a máquina de fotografar - porque para eles, isso "já não se usa". Gosto de manter a roupa da qual gosto e não a substituo por "Novas" peças todos os anos. Não entendem que há coisas que, sem meu consentimento, se desfizeram e cujo ato trouxe sofrimento emocional. Foi o caso da caderneta das "casinhas" - completa que estava, ou do puzzle de 10.000 peças que completei. Porque me disseram que não iam fazê-lo e assim que virei as costas, amassaram, quebraram e meteram no lixo sem qualquer consideração. 

É o tipo de coisa que, se encontrasse, seria capaz de comprar em sites como o OLX. Aliás, quase que o fiz. 


Acho que esta minha tendência para guardar coisas se deve a eles próprios, porque nunca foram de confiança. Quero dizer, eu confiava nos meus pais, eles é que nunca foram dignos da confiança que neles sempre depositei. Estavam sempre a mentir. Minha mãe então... roubava. Era uma espécie de "Robin Wood" que tirava da própria filha para dar aos dos outros. 

 Mentia descaradamente, gritava comigo furiosa, porque ingenuamente lhe perguntava pelo meu jogo favorito com o qual queria brincar um pouco... e ela a chamar-me nomes, porque não o encontrava onde o tinha deixado. Ela, sem o admitir, tinha-o oferecido aos filhos de um qualquer vizinho que pretendia impressionar. Nunca esqueço do momento em que fui "brincar" à casa da vizinha da porta ao lado e a criança, toda excitada e vaidosa, a querer me mostrar o "monte de livros" que ganhou e a dizer-me que agora "tinha mais livros do que eu". Ambas colecionávamos aqueles livros e o meu primeiro livro - o primeiro de todos - era distinto. Era o único que tinha algum sinal do tempo. Quando ela começa a mostrar-me os livros, reconheço-os a todos e subitamente ali estava: o meu primeiro livro!!! Minha mãe negou que era meu. Abri-o e lá estava: no interior da capa, o meu nome completo escrito a lápis - como a minha professora sempre me ensinou a fazer. Ainda assim minha mãe, irritada comigo, a querer me convencer que tinha sido eu a levar o livro e "esquecido". Depois irritada, a dizer que me ia fazer "pagar" pela vergonha de a deixar mal vista... 

Aprendi a calar-me cada vez que percebia uma das suas grandes mentiras. 

Mas são coisas que doem. E até hoje não percebo PORQUÊ não podia simplesmente existir um diálogo onde o adulto explica à criança que pretende dar algumas das suas coisas para reduzir, ou para beneficiar outros mais necessitados e incluir a criança nessa selecção. Não foi a última vez que fui encontrar presentes oferecidos a mim - e com dedicatória - por serem especiais, entre os pertences de outros. 

E não pude reclamá-los. 

Justificava os seus atos com "tens muita coisa, tu não precisas". Criou em mim uma insegurança, receio. Vi muitas crianças a pontapear um boneco que meu pai deitou fora como se não fossemos dar conta de algo que todos os dias ficava em cima da coberta da cama.  Noutra ocasião, já quase adolescente, implorei-lhe para não se desfazer de um em particular - mas ele o deitou numa fogueira, junto com outros. Meteu lá um quadro também - um que eu achava mesmorizante. Quando mudámos de casa, era adolescente, jurou-me que não ia se desfazer de um puzzle que eu tinha feito, mas acabou por fazer isso mesmo. Deitou-o no lixo, porque não o queria. E até hoje me recordo com alguma dor, de lhe implorar para não partir e deitar fora uma peça de artesanato LINDA, toda ela feita com pedaços de pau de fósforos. Uma peça deslumbrante que era também um candeeiro e era simplesmente LINDA a meus olhos. Ele levantou-a no ar, ergueu o joelho e pimba! Rachou-a ao meio diante dos meus olhos e ainda pisou os pedaços, fazendo pouco caso da minha voz que lhe implorava para não o fazer. Anos mais tarde, como seria previsível, disse "lembram-se daquela... aquilo era muito lindo! O que foi feito dela?". 

Eu não tinha voz, não tinha dizer. Eles se fartavam das coisas e se desfaziam delas, mesmo quando não lhes pertenciam. Porque nunca, na realidade, achavam que qualquer coisa realmente fosse dos filhos, e sim deles. Porque os filhos lhes pertenciam e tudo o que estes pudessem ter por lhes ser dado - por eles ou por outros, não era das crianças, mas dos pais. 

Recentemente meu pai alterou o pin do meu cartão multibanco, porque achou que era mais "fácil de lembrar". E agora pergunta-me qual é, porque não faz ideia. Nunca o repreendi por o ter feito. Pelo contrário, mostrei compreensão. Não o fez por mal... Mas se tivesse sido eu a fazer isso a um cartão dele, como ia agir? 

É o tipo de coisa que não se faz. Não sem pedir autorização ou ter um motivo de força maior. Minha mãe vive obcecada com o dinheiro que eu possa ter poupado. Está sempre a pedir os pins e dados das contas, como se já não os tivesse consigo. Já a quis tornar segunda titular de uma mas ela, como não quer tratar da papelada, não se torna segunda titular. Ainda assim, trata-me como se eu andasse a traí-la. Uma vez foi-me à carteira, tirou todos os meus cartões bancários e mandou meu pai fazer cópia de todos. Calhei a ir ao computador e vi os meus cartões digitalizados ali diante dos meus olhos... Eu só tinha saído de casa para ir dar um passeio... mas nem posso confiar na minha mãe para não bisbilhotar nas minhas coisas. Ela é a bisbilhotice em pessoa. 

Enfim, já partilhei demais! Adoro meus pais. A pesar do que partilhei, somos próximos. Preocupo-me com eles e quero o seu bem estar. Mas sabem quando dizem que o adolescente está a passar por uma "fase terrível" de revolta e está sempre a maltratar os pais? Pois aprendi que isso tem uma razão de ser. Os pais precisam de aprender que há limites. E quando a criança não se revolta, eles nunca aprendem. 


terça-feira, 19 de maio de 2026

 

Tenho saudades do meu irmão e do meu filho adulto, responsável, a viver a sua vida e a fazer as suas conquistas.

Não tive nenhum dos dois.

Como é possível? 

Porque o sentimento é verdadeiro. Curioso.

A idade e o estímulo para se relacionar

 

Um colega virou-se para mim e com espanto disse:
"Não podes ter nascido nos anos 80! Ainda não eras nascida, és muito nova."

Porque não posso? - questionei. 

Decidi faz muito tempo não mencionar a idade que tenho. Não vejo relevância. Até penso ser um entrave para estabelecer relações autênticas. 

Confesso que me "rebaixo" emocionalmente se outra pessoa mostrar interesse por mim. Mas isso se deve à forma como fui tratada enquanto crescia, mais que pela idade ou diferença entre idades, seja para mais ou para menos. 

O ano passado porém, revelei sem mais nem menos a minha idade a uma senhora com quem travei uma conversa casual enquanto fazíamos uma viagem. Ela virou-se para mim e disse que eu "ainda era jovem" e que "tinha muito tempo". Ao que respondi que não era tão jovem assim. Ela perguntou-me a idade e eu disse-lhe. 

O espanto dela foi notório. Assim mo disse. Ficou mesmo muito espantada e duvidou da resposta. Ela pensou que eu andava na casa dos 30 e me disse que não parecia nada ter a idade que lhe disse ter. E que ela, tinha uns 70 e poucos anos e parecia muito velha. 


Desde criança que gosto e converso com facilidade com pessoas mais velhas. Têm história, podem contar-me coisas que desconheço, coisas autênticas, reais, que viveram. Se isso as espantava então, desconheço mas creio que em algumas sim. Viam uma jovem interessada num idoso e achavam isso especial. Ocorre-me agora que continuo com o mesmo interesse mas a diferença de idade está a diminuir. Serei uma idosa interessada nas histórias de outros idosos... 

Mas vou dizer aqui uma coisa que constatei. Ainda que tenuemente. Posso estar enganada, mas não creio. Quando revelei a minha idade àquela senhora, depois do espanto, ela perdeu um pouco o interesse. 

É como se descobrir que não estava a falar com uma jovem de 35 anos perdesse o fascínio. Porém, eu sou a mesma pessoa. A mesma pessoa que ela achou tanto gosto em falar durante a viagem. E se isto acontece com uma MULHER missionária - segundo me deu a entender - então o que esperar dos outros?

O meu colega que afirmou que eu não podia de maneira nenhuma ter nascido nos anos 80 se souber quando nasci vai reagir de igual forma. Parece que deixa de ser estimulante se a pessoa com quem falam não for tão jovem como parece ser. 

Porque será?
O que acham desta minha descoberta?



sábado, 2 de maio de 2026

Carlos e Trump

 

Gostei muito de escutar o discurso humorístico mas cheio de diplomacia, bom senso, contexto e com "mensagens" sublimares que O Rei Carlos efetuou ao Trump.


Recuso-me aqui a descrever o Trump com o seu título (provisório) de comandante do país onde os seus antepassados NÃO nasceram porque ele, o "Trumpa" fez questão de mencionar o Rei Carlos apenas pelo nome. Como se o estatuto de realeza do outro lhe fizesse "comichão", principalmente ao EGO. 


Carlos é Rei por mérito. Por nascimento. Foi educado para o ser, treinou na armada militar do Reino Unido, enfim. Pode-se pensar o que for do seu aparente estado de "patetice" mas o que ele discursou nesta ocasião foi Brilhante. 

A minha parte favorita do seu discurso dá-se aos 6:35 minutos. Quando Charles menciona a visita de sua mãe em 1957, para "sarar" após problemas com o Médio Oriente - e depois acrescenta algo do género: "Passados 70 anos, é difícil de imaginar algo do género a acontecer hoje". 

Sendo esta a situação do momento e sendo o Trump um possível impulsor para tal.

Brilhante. 





Parabéns a quem quer que seja que escreve os discursos políticos de ambos. Realmente sabem o que fazem. Menções à sua falecida mãe - a Rainha Isabel, que teve um mandato tão duradouro e conheceu 17 presidentes Americanos, teve o impacto de humildade e contexto necessário. Certamente que no seu longo reinado Isabel passou por grandes apertos. Ela viu todo o tipo de "doido" ameaçar a paz mundial. Viu o medo do mundo. Tantas e tantas vezes que se tornou sábia. E aprendeu que tudo é cíclico, tem um começo mas também um fim. 


O discurso de Charles fez-me lembrar quando Marcelo Rebelo de Sousa, em 2018, foi visitar o Trumpa na Casa Branca. Ele também lhe deu uma "lição" de história a respeito da longa história entre os países Portugal, América e Inglaterra. Mas o Donald só soube acenar com a cabeça tal e qual um boneco de tablier e sequer escutou o que Marcelo lhe disse. Não tava nem aí. 



Sabiam que Bell (sino, que foi uma oferenda de Carlos a Trumpa) End (ponta) quer dizer cabeça de PENIS em calão inglês? Eu não sabia! Até ler nos comentários. E adorei. Se existiu intenção de o chamar de tal de forma sublimar não sei. Mas é adequado, convenhamos. 

E já agora, hoje vi um filme com uma cena tão preciosa que preciso mostrar aqui. Pode ser que entendam - como eu entendi - a mensagem sublimar. Atenção: o filme é de 1996 - muito antes da Trumpa se meter em política... ou melhor, em presidências. 


Conseguem perceber??

Têm de AMPLIAR ao máximo este vídeo para perceber. 

 

domingo, 26 de abril de 2026

Que tipo de férias preferes?

 Para alguns não ter os pés a tocar o chão é a pura definição de férias.

Para outros, andar descalço, pisar areia da praia, molhar os pés no oceano e caminhar bastante é a sua definição de férias.


Sou mais a segunda.

E vocês? 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Começar a ODIAR só um "pouquinho" a Easyjet

 

Faz meses que estou a tentar comprar passagens aéreas ao preço "razoável" a que me acostumei aquando as promoções diárias da Easyjet. Acontece que estas são cada vez mais raras mas o pior é que não consigo abrir o website da Easyjet no computador. A maioria das vezes dá mensagem de erro. Mudo de utilizador, de browser e continua a aparecer uma mensagem de erro que impede sequer que apareçam os resultados da pesquisa efetuada. 

Por exemplo: Se quero saber quais os voos e preços disponíveis para voos entre 1 de Maio de 30 de Maio. 

Permite-me escrever o ponto de partida e o de chegada, mas quando carrego no botão "pesquisar", surge uma mensagem de erro. Julgo que isto está a acontecer-me desde de Janeiro. De vez em quando volto a tentar e, a certo ponto, lá surge a mensagem de erro que impede o processo de prosseguir. 

 Ontem isso não aconteceu após a pesquisa. Consegui pesquisar bem. Fiquei entusiasmada. Principalmente quando essa pesquisa me devolveu o tão esperado valor promocional: Por um intervalo de uns dias no ano inteiro, já no mês que vem, as passagens estão por um valor promocional bem económico, de 39 euros cada! 

O que significa que poderia dar a "escapadinha" a casa em torno ou por menos de 100 euros. 

Exatamente o que procurava.


Mas a mensagem de erro continuou a aparecer repetidamente. Tentei no laptop cinco vezes. Mudei para o smartphone também deu erro. Depois mudei de rede e coloquei os dados móveis - e aí resultou. Mas não sabia se ia durar pelo que fiz tudo a correr, carreguei em todos os links assim que apareciam para que não desse tempo para que a mensagem de erro surgisse. 

Finalizei a operação. Aguardei que aparecesse o bilhete. E assim que isso acontece....Percebo que escolhi o dia errado. Queria viajar a um Domingo de noite, sem perceber e na pressa, carreguei na posição onde anteriormente estava o Domingo, mas agora estava a segunda. Como o valor da passagem era o mesmo - nem dei conta. Mas dei logo após o pagamento. 

O que fiz?
Liguei de imediato ao serviço de atendimento da Easy Jet - dizendo o que tinha acontecido. Tinha ACABADO de comprar uma passagem e errei no dia. Queria mudar mas sem pagar taxas. Como não tinham passado as 24h e sim meros 5 minutos... 


Sabem qual foi a resposta? Para mudar o dia de voo custa 50 Libras. 
Claro que não ia pagar. 

Acho ultrajante. Querer mudar uns dias depois de ter feito a aquisição tudo bem. Mas minutos? Haja paciência! Se eu mandasse cancelar a compra no banco, eles nem dinheiro levavam! E eu não teria pago aquela passagem, pelo que não ma iam dar. Não teve sequer tempo do dinheiro ser transferido. Mas para a Easyjet TUDO serve para cobrar EXTRAS. O tipo ainda me respondeu que não ia cobrar as taxas de aeroporto. Obrigado! Por lei não pode. 

Decido ligar para o mesmo serviço hoje de manhã, explico a mesma situação, voltam a dizer-me que para mudar de voo tenho de pagar... 10 libras. 

Vejam só a diferença!! Ainda por cima, depende E MUITO, do operador, da hora do dia.... Até compreenderia se estivesse mais caro, porque as passagens encarecem de um dia para o outro. Mas mais "barato"??

Ainda assim RECUSEI. 

Considero que existe algo de ERRADO em cobrar valores EXTRA por uma passagem acabada de comprar e que se pretende alterar em menos de 24h, em menos de 5 minutos aliás! Por se ter reparado num erro que, ainda por cima, só foi cometido devido a constantes falhas na aplicação da companhia. 

Son of the Beaches! 

Mas o choque foi mesmo quando pesquisei uma viagem para a Alemanhã. Queria dar um "pulinho" lá. Nunca lá estive. E meti na cabeça que gostava de fazer uma escapadela lá. Quando fui pesquisar os valores... descobri preços ainda MAIS BARATOS - numa dessas "gaps" únicas, para a mesma altura. Logo na semana seguinte. Daqui para lá, 25 libras de ida e 36 de volta! Por 10 dias, o que significa muita despesa em hospedagem... Mas... porque não? 

Pesquisei então o que seriam os valores de Lisboa para a Alemanhã, visto que fica bem mais perto e no mesmo continente, do que o Reino Unido, que é uma ilha. Para minha total SURPRESA, os valores de Lisboa para a Alemanhã rondam os 200 a 300 euros/libras!!!

Para os mesmos dias. 
Fiquei ESTARRECIDA. 
Nem noutros dias do UK para lá os valores são tão altos. 


O que se passa??

É porque o fuel em Lisboa ficou super raro e o UK tem reservas por ter saído da EU?
Para ser sincera, onde trabalho me disseram uma vez que nós armazenamos fuel de avião...  Agora vale ouro.  


Mas se comprar sem saber se no emprego me disponibilizam essas datas, estarei a gastar dinheiro à toa. Primeiro tenho de me informar sobre a disponibilidade destas datas. Só que os preços promocionais não esperam. Por vezes, em questão de horas, desaparecem!

Decido comprar pelo menos UMA: a da ida. 

Porque na realidade não sei se no emprego existe disponibilidade para tal. Devia existir mas a burocracia é morosa (e idiota).  Caso precise de um dia em que me digam que "ocuparam" todas as vagas disponíveis para férias a alternativa passa por pedir ao meu gerente, que quase sempre só está disponível aos fins-de-semana e cada vez que preciso dele desaparece por semanas. Ninguém é capaz de assumir decisões por ele e a mais simples informação acaba por deixar uma sensação de frustração e tempo desnecessariamente perdido. 

Foi por um motivo semelhante que não comprei de imediato as passagens de ida e regresso a Portugal para o Natal. Porque existe UM DIA nessas duas semanas que precisava de ser aprovado. Só que para ser aprovado - era necessário me abordarem para que escolhesse as datas de férias. E só o fariam depois de seguir uma ordem específica em que uns estão à frente de outros no processo selectivo. Se alguém não estiver disponível quando tentam contactar essa pessoa segundo a "lista" deles, não podem "saltar à frente", têm de esperar. 

Já todos os shifts - os de manhã, os de tarde, os de noite - haviam escolhido suas férias fazia meses e ainda eu e os meus colegas - do turno do fim-de-semana, estávamos a aguardar. Geralmente este assunto deve ser tratado em Outubro, o mais tardar Novembro. As férias de TODO o STAFF deve estar no calendário por essas datas, bem antes de Dezembro. Chegou Janeiro, Fevereiro, Março... e nada. 

Em finais de Março, início de ABRIL, começaram apressadamente a nos perguntar pelas mesmas e a "correr" para as marcar. Mas sabem qual o verdadeiro motivo? O que realmente lhes colocou a brasa debaixo do rabinho e os fez mexer? É que o final do ano Fiscal ocorre após a primeira semana de ABRIL. 


 

Eu pedi o dia livre que pretendia para Janeiro do ano que vem em Janeiro deste ano. Mas tive de esperar TRES MESES para saber se mo davam ou não, por causa desta burocracia sem sentido que tentei explicar. Isto só prova que Inglaterra NÃO É o exemplo de rigor e eficiência com que fomos iludidos desde crianças.

Tem falhas - bem ridículas e sem sentido como esta.



quinta-feira, 16 de abril de 2026

 

Existe um fenômeno social que considero interessante aqui no lugar onde vivo.

Quando o tempo melhora um pouco e fica solarengo, basta uma curta caminhada pelas ruas locais para notar que ha algo de diferente no tipo de pessoas com que, no dia-a-dia geralmente nos deparamos.  

O olhar não tem por onde mirar sem ver pessoas com limitativas capacidades. É cadeiras de rodas pela esquerda, direita, frente, trás... Ora já adulto, ora criança. O fato é que me pergunto ONDE ANDAM estas pessoas em todos os outros dias do ano. Por casa? 

Não se percebe a quantidade de pessoas que vivem desta maneira até o sol da Primavera aparecer. E subitamente, elas são muitas. 


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Rezinga

 

Acho que me estou a tornar ou irei me tornar, com o avançar da idade, numa pessoa rezingona. Se é que já não o sou. Incrível como coincide o que penso que acontece com as pessoas más: com a idade podem dar-se ao luxo de ser um pouco menos egoístas, um pouco mais generosas - porque passaram a vida INTEIRA a pensar só nelas mesmas. Chegam a uma certa idade, sentem-se menos capazes, com menos energia, já travaram as suas lutas egoístas e pisando em cima dos outros... já experimentaram isso tudo. O que é que ainda não fizeram?

O inverso. 

Como eu sou o "inverso" no meu destino vejo resmunguice, indiferença, algum egoísmo, isolamento, pouca generosidade, desconforto à volta de pessoas. 


O que acham desta minha teoria?