quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Post que ficaram por fazer - parte 2 (vale a pena dar uma espreitada)

 

Em Março do ano de 2021 tirei esta foto, durante o trabalho como pessoa que separa encomendas postais por áreas de envio. Achei curioso o pacote, que diz por fora o que esperar encontrar por dentro. Claro, não acredito, deve ser um truque, um trocadilho publicitário. No entanto, que seja uma estratégia usada para vender produtos ou divulgá-los, não deixei de achar curioso. Fui apanhada de surpresa. 


" Obrigado pela sua encomenda. O seu enorme vibrador está aqui dentro!"

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Vicissitudes numa casa partilhada

 Ontem tive um desentendimento com a M. Bom, dizer que foi um "desentendimento" é ser má para mim, visto que foi a M. que teve um dos seus "chiliques". 

Acontece que a minha decisão para este ano depois da forma como me tratou na passagem de ano foi não mais baixar a cabeça às suas mudanças de humor. Quando ontem gritou comigo: "Podes esperar?!!!?!!", sem qualquer provocação, só porque lhe é natural, pedi-lhe para não me falar nesse tom agressivo. 

Ela NEGOU ser agressiva, diz que é da paz e depois retorquiu com o habitual: "Tu foste agressiva primeiro". 

A tática dela para desviar qualquer crítica é inverter os papéis e dizer: "tu é que foste"! - tal como uma criança.  

- "Tu foste agressiva comigo a semana passada. Não te lembras o que me disseste?"  "Tu foste agressiva primeiro. Ser agressivo tambem é o comportamento". 

Por tudo o que é sagrado não me lembro de qualquer palavra ou atitude que ela pudesse distorcer para interpretar dessa maneira mas, conhecendo-a como conheço, ela só precisa de achar assim. Pode pegar em qualquer banalidade trivial e usá-la como justificação para as suas intempestividades. 

- "Não fui agressiva contigo" - respondi. 

Ela insistia. Sempre a precisar justificar a sua atitude sem justificação invertendo as coisas. Então não se calava a repetir: 

- "Remember? Remember what you said?" - disse-me. 

Aí não pude conter mais. Se ela ia buscar atitudes ficcionais eu ia mencionar bem reais e bem fáceis de lembrar. Relembrei-a:

-"Remember new's year eve? We were talking friendly and then you flip on me"?

E subi as escadas para o quarto. 


É que não há provocação, não há motivo. É só ela, emergida na sua egocentricidade e egoísmo, a reagir à sua má vontade em dividir uma casa com outras pessoas enquanto espera e exige que a deixem andar como se a casa fosse só sua. 

O que gerou esta sua reacção? Pasmem: 

 Tinha uma pizza no forno e quando desci para a buscar, a M. estava na cozinha. Com tanto espaço, ela decidiu que precisava ficar exatamente em frente ao fogão. Não estava a cozinhar no forno nem sequer tinha tachos ou panelas em cima. Ainda estava a abrir o armário e a espreitar lá dentro. Eu espreitei a pizza pelo vidro do forno, vi que estava boa e, para deixar a cozinha desimpedida e por estar com fome já que não comia nada em 24 horas, rodei os botões do forno para o desligar. 

É quando ela grita:
-"Podes esperar!??!!!"

Não é uma reacção normal. 

Todos os dias cedemos espaço, nos desviamos, para que todos possam circular. Estou a usar o lavatório alguém se aproxima para alcançar algo perto, desvio-me. É assim tão simples. Ela não. Ela foi meter-se intencionalmente na frente do fogão, sem necessidade. 

Mas a M. é tão absorvida em si mesma, que se irritou de imediato. E eu nem sequer manifestei qualquer intenção de abrir a porta do forno. Só estava ainda a rodar os botões para o desligar quando ela solta aquele grito e levanta as mãos ao ar. 

Ela, que costuma seguir as pessoas até à cozinha e tirar a vez de todos, ela que é assim, claro, interpretou um simples acto com a malícia das suas próprias acções e intenções.


O rapaz com quem sempre se deu mal e aquele que me fez bulling aqui dentro, regressou de um período de ausência. Ambos estão num braço de ferro invisível, teimosos, um a tentar fazer com que o outro saia primeiro. O rapaz quer ver nós as duas fora daqui. Só se dá bem com rapazes, tem problemas com mulheres. Já fez uma sair, agora quer ver se consegue expulsar as restantes. A casa está com um clima pesado. Ele, não é flor que se cheire. Eu sempre imagino que vai comportar-se metendo-se na sua vida e esquecendo-se da minha. Mas depois recebo sinais de que não. Continua obcecado comigo. Quer à força toda causar-me mal estar, continua com gestos mesquinhos provocatórios, tal como mexer nas minhas coisas e invadir o meu espaço no frigorífico. 

Ambos só trazem mau estar e não demostram maturidade. 

Subitamente dei por mim a perguntar-me porquê. Porquê? Porquê tenho de me submeter a isto. Porquê é esta a minha realidade?

Mereço muito mais. 
Mereço o que provavelmente o leitor tem, e nem se dá conta dessa sorte.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Li um livro!

 

Li um livro e isso deixa-me muito feliz. Desde de 2019, mais concretamente "depois" de um certo acontecimento no final desse ano que não consegui mais ler livros. 

Tentei algumas vezes, mas não voltava a pegar neles. Talvez também porque, algum tempo depois, troquei os turnos de dia pelo da noite. Isso pode ter atrapalhado o ritmo com que me dedicava à leitura. 

Julguei que tinha perdido o gosto. Senti-me um pouco mais pobre. Nunca imaginei que fosse um gosto que se perdesse. Adquiri-o desde pequena. Tinha-o como parte de mim para todo o sempre. Poderia tê-lo perdido? Experiências passadas dizem-me que sim. Assim como adquirimos capacidades, também as podemos perder rapidamente. Talentos que um dia tive, não tenho mais. Perdi-os por falta de uso ou por os ter satisfeito q.b. 

Não ia forçar-me a ler, queria que o gosto surgisse por si mesmo, como estava habituada. Mas já não tinha muitas esperanças. A mudança aconteceu no final de Dezembro... mais exatamente no dia de Natal, em que estava em casa ao invés de andar a trabalhar.

Terminei de ler o livro hoje. "Guilty not Guilty" - é o título.

Dou por mim a ter vários projectos de DIY na calha - quero mesmo fazê-los. Quero reparar uma camisola velha aplicando-lhe embroidery, quero ter uma escultura do meu rosto e de rostos da família para a posterioridade (o meu com uma utilidade adicionada), quero criar um back burner personalizado (é o diy mais fácil) e muitas outras coisas. 

Provavelmente não terei oportunidade de realizar nenhuma. Pelo menos não tão cedo. 
Mas aos poucos, a típica portuguesinha começa a brotar. Tal como uma flor depois de ter sido dizimada num incêndio devastador. Leva alguns anos, mas a vida triunfa sobre a pior das devastações.


domingo, 2 de janeiro de 2022

Acho que vou ter de sair

 

Acordou-me ontem as 23h da noite com imensos barulhos a porta do meu quarto. Mais uma noite em que fico acordada por 8 a 10 horas. 

Assim que me mexo no quarto comeca a vir espreitar. Se saio e vou ao WC logo a seguir vai tambem. Silenciosa como uma serpente.

O tipo de silencio que devia ter demonstrado de noite, quando me acordou de um sono profundo em que cai por pura exaustao. 

Ainda assim acordou-me. Como sempre parecendo um furacao de barulho. Abrindo e fechando portas com agressividade, deixando agua a correr, batendo com coisas nas paredes. Sem demonstrar consideracao por mais alguem. 

Tem a mania que a casa e so dela.

Quando alguem se mexe fora do seu quarto é quando lhe da vontade de ocupar as areas em comum - todas, em simultaneo.

Comporta-se como se achasse que a cozinha é só dela. Poe-se a cozinhar no fogao ocupando todos os bicos e ainda exige o uso do forno. O ultimo dia do ano foi também o primeiro, alem do Natal, em que estive de folga. Os restantes passei-os a trabalhar. Mal pude comer algo de jeito. Apeteceu-me um pão com alho, quente, por isso meti um no forno. E relaxei no sofa enquanto aguardava que aloirasse. Ela, que ja ocupava todos os bicos do fogão, tinha a maquina de roupa a lavar e estava no banheiro do andar superior, tendo sido a razão para eu ter descido a cozinha ja que estava a fazer uma algazarra descomunal que me acordou, aparece e começa a mexer nas coisas ruidosamente. Depois manda-me tirar o pão porque quer usar o forno.

Obedeço sem mostrar desagrado. Ela justifica-se dizendo que esta com pressa, dali a nada o rapaz do andar de baixo aparece para cozinhar e ela quer faze-lo antes dele. Eram 16.30 da tarde. As 20.30h ainda estava a ocupar a cozinha e o forno. Disse-me que "não tem tempo" (argumento que usa sempre) e vai sair. Naturalmente perguntei-lhe se vai festejar fora o ano novo. Algo a que pareceu dar importância no dia anterior. Nisto fica séria e nao me responde. Pergunto-lhe se vai a um pub - e ia para acrescentar que eu tinha sido convidada a ir a um - mas nisto ela, furiosa, responde: 

-"Nao me faças perguntas! Estou de mau humor! Nao fales comigo."

- OK.

É a única coisa que lhe digo. Toda a interação termina abruptamente. Fico a reflectir porquê tenho de aturar um comportamento anormal daqueles. Parece bipolar. Mas não é. Porque sabe bem o que faz e quando ocultar o que realmente é. Nem tem essa desculpa.

Porque não podia a conversa fluir normalmente? - reflecti.  Fiquei a desejar estar a dividir a casa com alguém que respondesse com naturalidade e simpatia. A pesar de ter tido o meu descanso interrompido estava tranquila e serena. Em paz. Nao deixei que a sua nuvem negra fizesse sombra em mim, como provavelmente pretendia. Mas ja estou a sentir a minha tolerancia desgastada. 

Qual o propósito de aturar isto?


Assim que eu ou o rapaz que fazemos turnos de 12h chegamos a casa, é quando ela corre para o WC e abre a torneira do chuveiro. E faz sempre isto, sabendo muito bem a que horas as pessoas regressam dos empregos precisando de um duche. Ainda tem a agravante de estar o dia todo em casa e nao lhe faltarem oportunidades para o ter feito. Assim que ouve o portao metalico a bater ou a voz de alguem a se aproximar da porta de entrada corre aquela divisao e poe a agua do chuveiro a correr. Ja deixou bem claro para todos que quando faz isso ninguem pode la entrar. Uma vez encontrei a agua da torneira do lavatorio aberta e nao e so um fiozinho de agua e com a forca toda. Ja estava assim ha uns 15 minutos! É demasiado tempo. Julguei que tinham esquecido entao fechei a torneira e fiz uso rapido da sanita.

Ela aparece-me assim que abro a porta, furiosa por eu ter usado a sanita, dizendo que o WC era dela e que devia ter entendido que deixou a agua a correr de proposito e ordena-me para nunca mais fazer aquilo, que ela nao gosta, que temos de respeitar os outros e que agora ela tinha de desinfectar tudo novamente. 

Ela, a mais porca de todos.

Incutiu na casa uma atmosfera castradora, onde todos receiam a sua fúria e não se sentem livres para circular sem que ela lhes apareça imediatamente a frente armada em senhoria para lhes exigir que sigam comportamentos que ela e a primeira a não exibir. 

Deixa a roupa na maquina por horas e horas mas ai de quem tocar nela. Se alguém a tirar para fora para poder lavar a sua roupa a M. passa-se dos miolos. Diz que tem de lavar a roupa novamente e fica realmente possessa. Proibiu todos de tocarem nas coisas dela. Que tanta vez deixa por toda a parte em locais inconvenientes. Noutro dia teve um ataque porque peguei na mala dela, que ela havia depositado em cima da cadeira onde eu estava sentada a preparar uma refeição. Chegou, interrompeu-me, tomou conta de todo o espaço, não aguardou a sua vez, atrapalha-me e ainda manda vir porque pretendia voltar a sentar-me na cadeira que estava a usar. Depois desculpa-se com "vim da rua, as malas vieram no autocarro, nunca se sabe se tem Covid". Mas se essa fosse a preocupação - que sei que não é porque age assim com tudo, não as colocava na cadeira onde nos sentamos nem a seguir teria as colocado nas outras cadeiras da casa. 

Noto que as pessoas preferem ficar pelos quartos so saindo quando ela não esta por perto. Quando o fazem e vão a cozinha preparar algo e ela lhes aparece a frente,  regressam aos quartos.

Estou cansada disso. 

Por norma a M. começa a lavar roupa pela manha mas o problema é que, tarde de noite, ainda esta a usar a maquina. Ocupa-a o dia inteiro!!! Na única vez que escolhi um programa para lavar roupa longo ela criticou-me de imediato, dando-se a si mesma como exemplo a seguir, dizendo que sempre escolhe o mais curto. Quando desci com a roupa para a meter na maquina não estava ninguém na cozinha. Ela seguiu-me até lá, depois de me ouvir sair do quarto. Não dá a ninguém espaço para se mexer. Ouve e segue as pessoas, para as espionar. Não posso nem fazer uso dos utensílios sem que ela espie e teça comentários.

Total falta de liberdade. 

Ainda se armou em perfeita, frisando que ela sempre escolhe o programa mais curto. Que isso é que é o correcto. Também eu! Mas naquele dia quis usar um diferente. Tinha bons motivos. Acabou por ser mais curto que o curto, visto que o tempo depende do peso da roupa. Mas ela tinha de estar ali a ver tudo o que faço, a aprovar ou a reprovar cada gesto. Controladora, castradora, inconveniente.

Quase que lhe disse que lhe perguntei que diferença faz o programa que ela usa se fica o dia inteiro com uso exclusivo da máquina de lavar? Muitas vezes deixando as roupas no interior no final do ciclo por horas e horas, e certamente ate o dia seguinte.  

Durante um ano soube quando estava menstruada porque existiam sempre manchas de sangue deixadas na tabua da sanita e o pior, fios de sangue a escorrer pela sanita a baixo.

Nunca lhe disse nada porque me parece desnecessário. Somos mulheres. Basta a pessoa perceber, certamente e um percalço, uma distração. Para nao se repetir. 

Mas era assíduo.

Tenho o habito de sempre deixar o tampo e assento da sanita levantados. Para que se veja que o deixo limpo. E uma casa partilhada e assim que alguém detecta algo sujo pensa que o responsável e quem acaba de sair. Mas nem sempre. Por isso deixo os tampos para cima. Ninguém parece se importar, assim sabem que o tampo esta limpo.

Ao vê-lo para baixo continuamente já adivinhava... sabia que bastava levanta-lo para ter "uma surpresa". E la estava: marcas secas de sangue debaixo do assento. Notava-se que tinha havido sangue por todo o lado e foi mal limpo. So se preocupavam com a superfície visível. 

Tipico M. !

E auto-proclama que limpa o WC inteiro, incluindo as paredes, todos os dias. 

Um dia sangrei do nariz, limpei com um pedaço de papel higiénico e despejei-o na sanita. Enfiei-me no duche e ao sair, esqueci de dar a descarga. A M. como sempre, vai enfiar o nariz no WC assim que me ouve a sair. Nisto começa a dizer que a sanita estava cheia de sangue. Eu não percebo o que ela quer dizer. Cheia de sangue? Impossível. Eu não tinha sido, não estava nessa altura do mês. E disse-me: "Quem foi? Não foi um homem". Só depois me lembrei do sangramento no nariz e disse-lhe que era um pedacinho de nada num papel higienico. Ela reage com exagero, dizendo que havia "muito sangue", que não pode ver sangue, que temos de limpar. Ao que lhe respondo: "Eu costumo ver o teu sangue aí". 

Desse dia a diante - contavam já 13 meses de casa, nunca mais vi a sanita manchada de sangue menstrual. Por isso sei que ela sabe o que faz. Sabe-o tão bem e não se importa de o fazer. Quando apanhada é que começa a ter cuidados. 

Achei muito irónico e típico da M. Só se incomoda com a visão de sangue se este não for o dela. Andamos todos os meses a ver o dela coagulado pela sanita e, excepcionalmente, um nadita de nada que estava na água sanitária, por não ter sido ela, causou-lhe repulsa e despoletou-lhe a vontade de chamar-me a atenção. Por isso ela sabe bem o que faz. Até no chão do WC cheguei a ver salpicos de sangue menstrual. Depois saí para ir buscar o telemóvel e tirar uma foto mas ela enfiou-se no WC de seguida e quando saiu o sangue no chão tinha sido removido. Isso disse-me logo que ela sabia o que tinha ali deixado. 


Quando ela faz muito barulho e depois fica silenciosa como uma serpente, é porque tem um homem enfiado no quarto.

Tanta vez ela chamou-me ao WC para que o cheirasse e concordasse com ela que cheira mal, cheira a "homem". Enojada, dava pulinhos e abanava as maos com nojo dizendo que nao podia com aquilo e eu nao cheirava nada. Ela jurava que conseguia detectar cheiro de homem. Cheiro de urina e outras coisas. A primeira vez que ca meteu um gajo foi quando notei olfativamente uma forte diferença no WC.

Mas ai ja não a incomoda. 

Ja nao tem cheiro, nao da nojo, nem tem objeções à presença de estranhos devido a poderem ser positivos para o Covid.

Estou a ficar cansada

O meu desejo de Natal e de Ano.Novo foi ver a M. abandonar esta casa para sempre. Mudar-se, ir para outro lado.

Mais ate do que voltar a ver aquele por quem um dia o meu coração palpitou freneticamente de paixão. 

Subitamente percebi que, se calhar, sou eu que tenho de sair. Nao vou fazer nada  intencionalmente para isso. Fica a constataçao.

Nao devia ser eu aquela que abandona a casa. Mas certamente não  será  ela. Aqui ela é senhora do seu Reino. Dia sim dia nao diz que ja esta farta e que procura outro lugar mas eu sei que é mentira. Talvez ate para plantar a ideia em mim. Para que eu comece a pensar em abandonar a casa. Afinal esta sempre a frisar que o meu quarto é pequeno e eu devia mudar-me para outro. Não há outro na casa, então o que ela está a insinuar? 

A M. é como um parasita. Jamais vai encontrar outra casa partilhada onde possa agir desta maneira e levar a dela adiante. Então nunca vai abandona-la.

É como um cancro. Invade e não desaparece. Aqui faz o que lhe apetece. Manda em tudo. Mete um homem no quarto sem que alguem lhe diga algo, deixa tudo sujo e ainda dá lições de moral nos outros sobre sujidade. 


Não sinto vontade de abandonar a casa. Adoro o meu quarto, a vista tranquila para o jardim e a janela de cima a baixo que abre totalmente deixando ar fresquinho entrar.

Alem disso tem o factor localização e economia. E o quarto mais barato onde alguma vez morei. Ate na primeira casa, cinco anos atrás, foi mais cara. Pagava as contas a parte. E a casa era velha, a cair aos pedaços, com problemas de humidade e correntes de ar. 

Na seguinte paguei menos 100 libras de renda, o quarto era minúsculo mas era assim que eu queria. Tinha  as contas incluídas mas a limpeza semanal tinha de ser feita por nos. 

Vou na terceira casa e tem tudo incluído, inclusive limpeza profissional semanal - coisa que antes tinha de ser eu a fazer. A renda e a mais barata de todas as tres casas e o quarto, pequeno, de longe o maior e melhor de todos. Virado para sul, que e o lado do sol e claridade. 

Os outros estavam para norte. 

Depois tem a localização: centro da cidade mas sem o reboliço dos barulhos. O bairro e pacato e ainda cá moram famílias. 

A vizinhança e silenciosa e segura- pois a porta e deixada aberta constantemente e.ate agora não houve problemas. Os vizinhos não são outros imigrantes a dividir uma casa. Sao silenciosos, simpaticos e sei que simpatizam comigo. Talvez aliviados por perceberem que tem aqui uma pessoa decente e nao uns depravados com gosto por barulhos e festas.

Nas outras casas quase todas á volta tambem eram alugadas a estrangeiros. Era um entra e sai, um desapego, nao havia realmente camaradagem de vizinhança. Gosto que esta casa tenha essa diferença.

Mas se tiver de ser...

Prefiro que se desse um milagre que metesse a M. daqui para fora. Mas ela é raposa matreira. Não da ponto sem nó. Esteve o dia inteiro no quarto a fornicar mas assim que apareceu o senhor da limpeza trocou o robe por roupa e apareceu para trocar umas impressões, dizendo-lhe que esteve muito ocupada a trabalhar como esteticista. Fez-me rir. Trabalhou tres dias e acha que isso e muito. Ele e eu provavelmente estivemos todos os dias a trabalhar com poucas exceções. Mas ela que teve sempre em casa e excepcionalmente sai para trabalhar, esteve "muito ocupada". 

Logo de seguida subiu ao quarto onde mantem o gajo para dar continuidade aos prazeres carnais. Só desceu para espionar. E para bater a porta da casa e fingir que o gajo tinha saído. Depois ficou atenta aos meus movimentos pela casa a ver se me apanhava mas nao lhe prestei atenção. Acho que quer perceber qual a minha reaccao. Porque hoje "apanhei-o"! Passados tantos meses - voltei a apanhar um gajo de roupao a sair do WC e a enfiar-se no quarto dela. Geralmente ela disfarça, anda de um lado para o outro certificando-se que ninguem o vê.

Deve acreditar que so hoje descobri o que anda a fazer nos últimos meses desde o verao. 

Por isso digo que ela e raposa matreira. 

Se tudo isto continuar a me perturbar como anda ultimamente, adeus renda econômica, quarto virado para a claridade de um jardim, vizinhanca e localizacao central. 

Ainda assim continuo a rezar para que algo serio a afaste daqui para fora. 

Ela é um perigo. Causa mau ambiente, põe as pessoas mal dispostas, fechadas no quarto e é dada a danificar tudo o que toca. Esta casa está longe de ser aquela para qual me mudei. Bagunçada mas também danificada. O frigorífico que tanto Huau! me causou, tem uma porta que ao abrir fecha sozinha. É uma das coisas que mais me irrita, não poder movimentar os produtos alimentares com ambas as mãos livres, uma tem sempre de ficar a afastar a porta para que não se feche. Foi ela, a M. que a danificou. Costuma deixar a porta do congelador e do frigorífico mal fechada. Já contei cinco vezes - o número de ocasiões em que encontrei a minha comida toda descongelada. O congelador e o frigorífico estão todos sujos de uma gosma branca - identica à que ela está sempre a usar. Caiu por ali abaixo e foi mal limpo. Partes solidificaram. A carpete do corredor esta manchada e tem um círculo castanho perto do quarto dela, onde costuma colocar coisas, como pratos de comida, etc. Quando me mudei achei a carpete do corredor tão nova que, diante do calor no meu quarto, decidi deitar-me ali. Foi muito confortável e refrescante. Agora não o repetiria. Sei que a carpete tem muita sujidade e não parece nova. Ela parte os utensílios no WC, danificou a chaleira, deixa tudo sujo... 

Oro a Jesus para que a tire desta casa e acabe com este martírio de ter de conviver com ela. Gostava de experimentar como seria a vida na casa SEM ela. Porque julgo que, a pesar das tendências de cada um para se ser mais ou menos cuidadoso,  acabariamos por nos entender. Quase que tenho a certeza que as melhorias iam ser significativas em todos os aspectos. O maior obstáculo para isso é ela. Ela não é o "pilar" que ainda mantêm alguma coisa de pé- como se acha. Ela é a razão pela qual tudo colapsa.

Rezo para que vá embora.

Rezem por isso também 🤗

Bom janeiro.





sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

2022

 

É uma tela em branco. Um passo de cada vez, obstáculo por obstáculo. Que haja saúde e a bênção do criador a nos proteger. Amen.


E que tal manter o foco em coisas simples? A felicidade deve ser o caminho a percorrer. Tem esperança. Para tal: 

Sorri.



Aprecia a beleza que te rodeia.



Reflecte nas razões que tens para sentir gratidão.


Dedica-te a projectos de criação manual. 



Ajuda o próximo.


Sai de casa, caminha, passeia ao ar livre ousa conhecer novos lugares. 


Vê pessoas, conversa, estabelece relações. 



Tira tempo para estar com bebés ou crianças.


Ama os frágeis que podem depender de ti.



AMA



domingo, 26 de dezembro de 2021

Música para um feriado

 

Em inglaterra o dia depois do Natal tem o nome de Boxing (encaixotar) day, e é uma espécie de feriado. Porquê este nome não sei, mas imagino que é pela necessidade de empacotar toda a parafernália natalícia de volta em caixas até o ano seguinte, ahah

Esta noite vou trabalhar. Mas enquanto isso não acontece, passei o dia a cantarolar canções que me vieram à cabeça. Para quem só conhece a versão aguda de Celine Dion, aqui fica uma popular canção  lançada em 1975, cantada por um artista de nome Eric Carmen. 




sábado, 25 de dezembro de 2021

Boa Saúde para todos nós

 

A Saúde é a riqueza mais preciosa que podemos possuir. 

Por isso é o que vou desejar aqui a todos. Aos que me lêm e visitam, aos que um dia visitaram. Todos. Para que saibamos valorizar mais ainda algo que realmente valorizamos quando nos falha. Que tenhamos boa saúde, porque sem ela tudo fica sombrio. 

Desejo também que o mundo se cure deste Covid, que já está connosco desde 2019. No dia em que um jovem familar foi diagnosticado como positivo, parece-me muito adequado lembrar a todos para que se cuidem. 

Saúde, tranquilidade, felicidade. 



quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Dois anos

 

Ultimamente novas colegas de trabalho falam-me dos filhos e quando lhes pergunto que idade têm, respondem todas:

- "Dois anos".

Mal sabem elas que é a idade mais incomodativa para eu ouvir. 

Se fosse três, quatro, um... mas é DOIS. 

Podia ter acontecido comigo. Exatamente à dois anos. A acontecer teria sido então - a última oportunidade. Não que o quisesse na altura, mas certamente teria acontecido se a coisa seguisse o rumo que estava a tomar. 

Como sempre, algo abrupto interrompe algo que ainda está a brotar. E aquilo que percebi poder vir a caminho, parece que EXPLODE na estratosfera antes de me alcançar, dividindo-se em milhares de pedacinhos, e vai cair em pessoas alheias que mais tarde aproximam-se de mim. 

Tem sido assim. Destino interrompido. Na altura reflecti sobre essa possibilidade. Nenhum de nós queria filhos (ele perguntou-me várias vezes, porque será?). Percebi que, ao contrário do que acreditava e na altura queria, teria ficado inundada em felicidade. Porque gerar um filho fruto de um amor ia ser demais. Descobri que é assim que se descobre que se ama alguém. 

Nessa altura, inesperadamente, a filha de uma amiga que supostamente não devia ter filhos, ficou - sem o desejar, grávida. São os tais pedacinhos da explosão a atingir outros... 

Não queria, não contava, não esperava, temia - foi um choque. A mãe ficou furiosa. Eu achei que ia ser a melhor coisa que estava para acontecer na vida daquela família. Dois anos volvidos, ao que saiba,  está tudo bem e todos adoram a criança, que é linda e saudável.  

A rapariga que cá apareceu em casa com um filho... adivinhem lá a idade que a criança tem. 

Venham até mim, então, as crias alheias com dois anos, ahah.