terça-feira, 29 de setembro de 2026

Zeus e Maria Adelaide

 

O Canal Nos Studio é um dos canais de televisão que têm passado filmes portugueses. Adoro ver filmes nacionais e não entendo como nem sequer soube da existência da maioria deles. 

Gosto de perceber o que se anda a fazer, neste país que faz muito e bom, mas pouco divulga para as massas. Talvez para as elites, para grupos particulares - a arte esteja a ser mais direcionada. Não sei. 

Um dos filmes que acabei de ver foi ZEUS (2016), com duas horas de duração, passou neste canal no dia 22 de Setembro. Sem legendas. 



Porquê precisa de legendas? - devem interrogar-se. Notoriamente conhecidos pelo péssimo audio que tem caracterizado os filmes nacionais pós era a preto e branco de Vasco Santana, decerto alguns pensam que é por mal se entender o que as personagens dizem. Pois... nem tanto. O filme é 50% narrado em Francês. Tem também partes em Árabe e uma música em Alemão. 

Fiquei com a sensação que o filme é dirigido a elites muito específicas, que sabem francês perfeitamente e arranham o árabe. Ao passar na televisão nacional, não existe o esforço de o legendar - isso como que reforça O POUCO CASO dado ao cinema nacional.


O TEMA DO FILME:

Conta a história de Manuel Teixeira Gomes, que foi o 7º presidente da República e também escritor de literatura erótica. Após 26 meses no cargo - dois anos e dois meses - quando o fascismo estava em ascensão, decide renunciar o cargo de Presidente e exilar-se no Norte de África, na Argélia, corria o ano de 1926. 





Achei o filme bem feito no seu todo. A dicção estava boa, a cenografia excelente. As roupas de época, e as atuações? SOBERBAS. 



Só faltou mesmo as legendas para se perceber os "saltos" temporais dados na narrativa. E sim, deu para exercitar meus ouvidos e minha percepção geral. Tive de me esforçar para entender o sentido do francês e até do árabe :)


Vi o filme até o final e para minha surpresa, descobri que li, em Junho deste ano, uma obra escrita por esta figura. O nome do romance é "MARIA ADELAIDE", que encontrei em destaque na biblioteca, entre outras obras que foram proibidas pela censura do Estado nos anos de 1930. Curiosa, peguei para ler. 


Concluí que a ousadia e a descrição de desejos humanos de forma tão crua seria, até hoje, um pouco púdico para as mentes mais recatadas. Imagino então a repulsa que não terá causado à maioria da população alfabetizada e erudita dessa década. Principalmente nas classes de poder. 


O romance conta a história de uma menina muito pobre que se relaciona sexualmente com um jovem rapaz de famílias ricas. Enfia-se dentro do quarto dele de noite e têm relações. Ela, fica maravilhada com a opulência e beleza de um quarto de rico. Gaba-lhe os móveis, os têxteis e sonha um dia vir a ter uma casa com essas coisas bonitas. Imagina que vai acabar por casar com o rapaz rico, que ele acabará por a pedir em casamento e ela vai poder se transformar numa fada do lar. Uma mulher respeitável.

Toda a família da jovem, a mãe, as irmãs, o pai - a maltratam porque ela os envergonha. É uma vadia, que se deita com um homem. Nenhuma outra jovem na aldeia quer se dar com ela. Só lhe restará um caminho, se a promessa de casamento for de fato uma ilusão, palavras ocas para conseguir usufruir do corpo dela. 

Mas os dois acabam sim por casar, ela tem a casa que sempre quis, a família dela vai viver junto, todos fecham os olhos à forma como tal foi obtido e a Maria Adelaide sente que agora é uma mulher respeitada, até quem não lhe falava e virava a cara já lhe quer falar. 

O jovem não conseguiu resistir aos seus encantos. Lhe encantava a sua natureza, o à vontade com que se entregava aos prazeres do corpo, tudo. Mas como sempre, um dia põe-se a imaginar o que faria se não fosse casado. Começa a desejar outras mulheres. E Maria Adelaide sente-o. Como o ama, implora-lhe para nunca a abandonar e pergunta se a ama e vai ficar com ela para sempre. O jovem diz que sim, mas o seu pensamento vagueia para a variedade feminina que ele agora vê como um bufet de possibilidades infinitas. Ficar preso a um só corpo não lhe agradava. 

Maria Adelaide adoece subitamente. Mais de doença emocional que outra coisa. Pois ama aquela pessoa e quem ama sente. Acaba por falecer. Talvez até para facilitar a vida ao marido, que ela percebe que a quer abandonar e que não a ama mais. É o seu derradeiro gesto de amor por ele. E o jovem grita, dentro de si: "Estou Livre! Livre!" Sorri e continua com a sua vida, como se Maria Adelaide nada fosse. A vida dela terminou, não chegou aos 30 anos. A dele ainda ia ter muitos anos pela frente. 


Esta é a história. Mas pelo meio tem umas descrições explícitas de momentos de intimidade que era capaz de aquecer os calções de alguns e escandalizar a mente de outros :) 

sábado, 19 de setembro de 2026

Ir a uma ópera

 

Nunca cheguei a experienciar muita coisa que tive vontade durante a vida. 

Uma delas era frequentar com regularidade teatros, assistir a pe'as, concertos.

Nunca fui ver um concerto num teatro. Daqueles que se vem no cinema: as pessoas vestidas a rigor, sentadas numa plateia a assistir a uma orquestra tocar. Nós filmes existe sempre alguém que está sempre a sussurrar ou a tossir, incomodando aquela pessoa que tem a expectativa de ficar em total silêncio, somente interrompido pelos instrumentos.

Mas uma vez já uns anos, aproveitando aquelas festas de verão organizadas em parques pelas cidades, anunciaram um concerto. Entrada gratuita, ao ar livre, perto de casa.

Fui ver, com entusiasmo. 

Quando a orquestra começa a tocar minha alma se enche de uma sensação que não sei explicar. Ali estava eu a ouvir cada som e a me envolver com estes, quando uma adolescente atrás de mim decide passar toda a atuação a conversar com a mãe e a dar risadas. 

Nossa. Sentir-me tal e qual como numa cena de filme. Só que eu era a "vilã", a pessoa que faz má cara e olha na direção do distúrbio, como a sinalizar que é incómodo e devia parar.

Mas elas não pararam. Estragaram a minha absorção da melodia.  Na parte em que ansiava por determinado trecho elas se puseram a rir. Quase me apeteceu mandá-lad calarem-se. Estavam crianças ali tão bem comportadas, quietas, em silêncio e duas adultas a tagarelar.

Felizmente não era uma sala de teatro, com lugares cativos.

Acabei por me levantar e fui me posicionar noutro lugar, entre o mar de pessoas. Acabei por escutar o resto sem o background da tagarelice.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Gossip: mexericos

 

Nunca fui pessoa de fazer mexericos. Ou de saber de algum. 

Quando alguém me vinha contar algo acho que não reagia como a maioria: não demonstrava entusiasmo excessivo, não alimentava.

As pessoas devem ter percebido a minha falta de talento para a coisa e deixaram de me incluir na rede "social" que é o mexericos, que defino como o "antes de Cristo" das redes sociais atuais.

E sabem que mais?

Se não estou incluída, então devo fazer parte do mexerico.

Isso foi algo que descobri recentemente. Até então nunca me tinha passado pela cabeça 🗣️. 

Porém ontem... Ontem foi diferente. Fiz parte de uma conversa de mexericos. A colega que estava comigo a escutar disse que era "fun" (divertido?) saber de mexericos.

E pela primeira vez entendi o que isso significa.

Isto fez-me refletir na quantidade de interacções sociais perdidas que tive. Onde só devo ter sido alvo de mexerico, nunca parte da rede transmissora dele.

E quantas vezes APONTADA como autora de um, sem saber? E ter sido ostracisada por isso?

Olhando para trás, desde a escola primária até a idade adulta, hoje detecto muitos episódios que posso ler dessa maneira.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

 

Adorei estes reclames publcitários. São uma verdadeira obra de arte. Têm uma história e espelham a sociedade actual - suas ideias pre concebidas, seus costumes, sua forma de se relacionar, cenas que não certas pessoas não gostam de admitir. E claro, o exagero mentiroso do... 


Pequeno almoço de novela!








quarta-feira, 15 de julho de 2026

Marioneta

 

Há pessoas que julgam que têm um amigo. 
Mas o que têm é alguém que precisa de marionetas. 

Podem viver a vida toda a jurar ter uma longa e sólida relação que definem como amizade sem ter percepção dessa diferenciação. O manipulador da marioneta também não se vê como um narcisista que só se satisfaz quando está no controlo dos comandos. 

Nem o manipulador nem o manipulado entendem que a relação é bastante uniteral. 

Se esse paradigma mudar, a "amizade" pode muito bem ter sido uma miragem, nunca ter existido. 

O que pensam disto?
Já passaram por esta situação??  



sábado, 11 de julho de 2026

Ventoinha não! Por favor...

 

Tenho estado constipada nesta última semana de altas temperaturas. Bom, se estão altas não sei realmente. Pois eu sinto é frio. Uma simples aragem é sentida com muito desconforto, como se fosse uma maleita. E lá começo eu a tossir. Tanto que me parece que os pulmões poderão arrebentar se não parar. 

Tenho conseguido gerir a condição e estou só a dar tempo para que passe. Acredito que, se descansar amanhã, depois de ir trabalhar hoje, é altamente provável que na segunda, terça feira, esteja bem. 

A questão é que tenho ido trabalhar à mesma. 

Num lugar com ventoínhas industriais ligadas por toda a parte e onde observei que, incrivelmente, todas as pessoas ao chegar carregavam aparelhos de ventalização portáteis. Uns maiores que outros, mas todos bem mais que uma simples ventoínha de mão. 

"Como é que vou conseguir "fugir" a tudo isto?" - pensei, 

Além as aragens naturais presentes por todo o lado, tinha também de evitar os "tsunamis" individuais de vento frio que parecem agradar a todos - menos a mim. 

Todas me pareceram instrumentos de tortura. 


Estar adoentada com o a temperatura do corpo desregulado faz a pessoa sentir urgência em usar o WC. 
Ontem, já tinha finalizado as minhas tarefas mas ainda faltava 30 m para terminar o turno e tive imensa vontade de ir ao WC me aliviar. Olhei por toda a parte a ver se via o gerente do dia - outro que não o habitual que foi de férias - Não o vi para o informar mas ao mesmo tempo pensei no ridículo que é. Eu sou uma trabalhadora às direitas. Empenhada, sempre arranjo o que fazer, nunca fico sem rumo, a "passear". Se me ausento, ainda mais doente, é obvio que é para ir ao WC. 

Ainda assim procuro o gerente com o olhar a perscrutar todo o ambiente à minha volta, até onde ao longe alcança. Mas como ele não está em lugar algum e sou uma pessoa responsável, adulta, que precisa de usar os lavabos... pareceu-me ridículo não o fazer. 

É só uma ida ao wc quase no final do expediente, com o trabalho todo feito. Provavelmente vou demorar menos tempo do que algumas colegas que ficam ali paradas a falar umas com as outras. Segurei a vontade por algum tempo mas quando o que estava a fazer - que podia ficar em pausa sem problema - ficou completado por o tempo que era necessário - arrisquei e FUI AO WC.

Quando estava a subir as escadas para chegar ao WC estava a refletir que isto nem seria uma questão que me passasse pela mente se trabalhasse num escritório. Porque em escritórios a pessoa está a fazer o seu trabalho frente a um computador, tem vontade, levanta-se, vai e retorna ao trabalho.

Ninguém lhe vai dizer que não pode. Ou vai (pelo menos não deve) controlar a frequência e duração das idas.  

Mas em armazéns e outro género de trabalho mais "escravizador", essa autonomia não é bem vista. Encarar o funcionário como um ser humano adulto e responsável com direitos básicos - não funciona bem dessa maneira.

Quer dizer: existem sempre os "invisíveis" - aqueles que fazem tudo isto e mais "fugas" ao trabalho que ninguém deteta. Semanas se passam, meses, anos. E algumas "pessoínhas" conseguem "matar trabalho" de forma revoltante. Revoltante, cá está, porque nenhum superior lhes chama a atenção. Nem parecem perceber que na última hora de trabalho a pessoa "evaporou". Enquanto outras, nessa última hora, têm de ir ajudar colegas a terminar tarefas. 

Bom, mas 10 minutos depois regressei no meu passo apressado que já faz as minhas pernas se sentirem pesadas e mal um colega me viu - ele que tinha recomeçado a tarefa que deixei provisoriamente completa - logo gritou: "Onde tu estavas?"

Mas falou isto de uma forma como se eu tivesse fugido da prisão e ele fosse um guarda. Como se não lhe pudesse passar pela cabecinha que uma necessidade de ir ao WC era o motivo.

Está certo que algumas pessoas usam uma ida ao wc como pretexto para fazer chamadas telefonicas, empatar o trabalho, conversar, etc. Mas não faz o meu estilo. Nem o tempo de ausência deu para mais do que aquilo que fui fazer. 

Quando me empenho tanto que até vou trabalhar em condições menos favoráveis de saúde e sinto isto... não há como não me perceber estúpida.

Quando cair numa cama, nenhuma destas pessoas virá me visitar, para saber se estou bem ou se oferecerem para me ajudar. 

Inteligentes são todos aqueles que eu, no fundo, desprezo: os que pouco ou nada fazem. Os que só carregam no "acelerador" quando percebem a presença do olhar da gerência. Os que, quando ninguém está a olhar, param de trabalhar por completo. Os que chegam tarde sucessivamente e nunca são censurados. Os que estão sempre a "faltar" em dias estratégicos. Os que recebem o mesmo ordenado que eu, mas pouco trabalham para o receber. 

Esses são os inteligentes. Que quando se reformarem ainda vão estar em boa forma física, sem grande mazelas, porque nunca sujeitaram os seus corpos a esforços prolongados. 


Quando nem uma "cagadinha" (não gosto muito desta palavra mas não me apareceu outra) rápida para ajudar a expelir o virus do organismo posso fazer sem aparecer um "Hitler" por perto... é neste tipo de coisa que penso. 

No fundo, eu sou só tão apreciada enquando poder trabalhar como uma máquina. 

E já me está a ser difícil trabalhar ao ritmo delas. 


Quando isso se tornar mais evidente, nem "bom dia", nem "boa tarde" é... já foste!

Retomei a atividade que tinha deixada completa mas que entretanto precisou de um reforço e tive aquele colega sempre com os olhos fixados em mim, sem compaixão alguma pelo meu estado. Já todos tinham terminados suas tarefas, inclusive ele. Estavam todos na conversa. Mas ele estava era a observar-me. E eu, que precisava ir ao meu cacifo buscar um casaco para não "morrer" de frio com as rajadas de vento lá fora, comecei a caminhar nessa direção. Fui, no grupo, a última a sair. Até o gerente saiu na minha frente. 

Já tinha notado nele uma personalidade que não é o que aparenta na superfície. É controlador, insulta-se com nada e pouco, interpreta as coisas para um lado que não é o lado... 

Quando na véspera lhe pedi para desviar uma mega-ventoinha industrial capaz de produzir vento até um quilómetro de distância para que o ar não me atingisse diretamente, ele desviou ligeiramente, mas fez uma careta como se o meu pedido fosse absurdo. Instantes depois voltou a posicioná-la na minha direção. Quando ele se afastou e com aquilo a fazer-me tossir, cheguei perto e posicionei-a um pouco de lado para não me atingir. E ele voltou a reposicioná-la um pouco mais para mim. O que até era estranho porque a ventoinha na posição em que a coloquei deitava o ar diretamente para ele, que era o que ele se queixava que precisava a toda a hora. A solução passou por criar um "forte". Com duas peças de trabalho ali à mão - fiz uma barreira contra o ar frio. 


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Mulheres e crianças: serão sempre os primeiros alvos de risco

 Quando num estado de anarquia, de guerra, é preciso proteger em primeiro lugar as mulheres e crianças. Se as guerras não fossem coisa de homens, acho que isso não acontecia. 

Nas guerras - mesmo quando se celebra o fim e a chegada da paz, a mulher nunca está a "salvo". Nem crianças. Soldados que invadiam territórios "afugentando" os inimigos para longe, achavam que violar mulheres era apenas o esperado. Era a obrigação de TODAS, se eles assim mostrassem vontade. 

Crianças meninas também não estavam a salvo disso. 



Se por acaso um dia chegarmos a uma situação semelhante, lembrem-se que o mundo é bárbaro, violento tudo isto embrulhado em muita testosterona. Os primeiros a serem prejudicados são os vulneráveis e caridosos. 



segunda-feira, 29 de junho de 2026

Vi BONS FILMES na televisão!

 

É raro encontrar algo na programação televisiva que acabe por gostar de ver. Mas esta semana apanhei filmes que me mantiveram interessada e isso, hoje em dia, é bem bom!

1) A CAMINHO DO DESASTE (He went that way)

Diz que é baseado numa história real. E é. Mas deve de existir o habitual fosso entre o que foi real e o que é totalmente acrescentado, entre as situações e os diálogos ficcionados. Ainda assim a história é muito interessante de acompanhar, bem realizado e com boas atuações (gostei menos da personagem principal, por me parecer uma caricatura animada e meio de cera eheh). Para minha surpresa foi também estrelado por um ator que está muito na "bera" hoje em dia, mas que aqui era bem mais novo. O nome não me recordo, mas foi o protagonista de Heathcliff em "O monte dos Vendavais" e fez a mais recente adaptação de Frankenstein. Aqui desempenha o seu papel de assassino em série muito bem - entende-se porquê ganhou mais espaço na telinha. 


No final do filme, antes dos créditos, surge A PESSOA REAL a quem tudo aconteceu. E foi essa a parte que MAIS GOSTEI. Poder ver a pessoa real, a falar do seu jeito e a contar a parte principal da história tal como ele a lembra. Gostei que tivessem incluído esse excerto de entrevista dele, assim como imagens de arquivo reais da sua profissão como treinador do Spanky, um chimpanzé super famoso estrela de Hollywood. 


2) DRÁCULA: UMA HISTÒRIA DE AMOR (Dracula, a love tale)

Da lista talvez o que menos gostei. Não me apetecia muito ver mais um filme a explorar a mítica criatura do drácula e da sua Mina... pela perspectiva do amor, ao já muito batido estilo de hollywood. As cenas de abertura do filme quase me fizeram desistir. Achei-as vulgares, batidas e protagonizadas por duas pessoas que tinham mais ar de atores porno. Ela loura e de sobrancelha castanha... Preenchida com pincel... Para mim as cenas de introdução mostra mais luxúria e iverossimilhança .Mas ainda bem que dei uma oportunidade. O filme fica melhor pelo meio. Agora a abertura e o look dos protagonistas, a cena escolhida a forma... RIDICULO. 


No filme é também claro que é demasiado "inspirado" em outros filme de culto. Não só na estética e indumentária, como também nos atores. Quando este drácula aparece IDOSO, o cabelo é muito semelhante ao icónico de Coppola. Quem é capaz de esquecer aquele cabelo branco, em dois sulcos superiores e também caído e longo? Mais para a frente dá para perceber que a inspiração é em Brad Pitt em "entrevista com o Vampiro", pois este vampiro além da voz "sopinha de massa" também empresta o timbre e a cadência de Pitt. Nesse aspecto acho que a obra se perde um pouco, porque não resiste em criar uma forma nova, inspira-se demasiado no que fez sucesso nas mãos de outros diretores/atores. 

 


3) SUPER/HOMEM: A HISTÓRIA DE CHRISTOPHER REEVE

O mais interessante desta lista. 

O "filme/doc" que conta a história do que aconteceu a Christopher Reeve, famoso por interpretar no cinema a personagem Super-Homem e por se ter transformado num de verdade, aquando vítima de um acidente de hipismo que o tornou tetraplégico. A história contada pela família, com vídeos caseiros, alguns excertos de entrevistas e a voz do ator. O grande feito de Reeve, que não era santo nem perfeito, mas que foi abençoado por ter tido duas companheiras absolutamente boas para si, que o fizeram trilhar caminhos dos quais, até hoje, brotam frutos dos quais muitas pessoas com deficiência podem beneficiar. Sua esposa veio a falecer pouco depois dele, deixando o filho de ambos, na altura de 13 anos, órfão. Foi cuidado por uma rede extensa de amigos e avós. Vale a pena ver este filme/doc. Acreditem. 




4) AMIGOS PASSAGEIROS / Vacation Friends

Como gostei deste filme! Mas gostei mesmo. Mesmo muito. Porque pode parecer "mais um" deste "estilo" mas, tem bom gosto e é bem feito. Bem diferente dos "Ben Stillers" que chegam a roçar o ordinário e o porco, ou as "Cameron Dias", este estilo de comédia tem uma forma de contar diferente. Gostei ainda mais porque eliminou por completo o "cancro" americano que é meter protagonistas negros e ter que realçar isso o TEEEEEMPO todo. A comédia é demais, o timming dos atores é excelente. Adoro o Sena. Acho que ele é óptimo para a comédia. Mas foi com as tiradas do protagonista "Marcus" que me ri ainda mais. O ator é excelente e tem carisma. 

Existem referências à origem negra mas que tal como seria de desejar que já fosse normal, estas são naturais. ADOREI uma cena em que o ator branco diz ao ator negro: "Diverte-te. Sente o vento a soprar nos cabelos. Ah.... (olhando para a carapinha) temos cabelos diferentes" e o outro diz algo do género: "Eu sinto, eu sinto o vento. (longa pausa) No meu rosto". 

Ri imenso! A  forma como AMBOS os atores entregam estas linhas ( e todas as outras) assim como a postura corporal - é o que dá ainda mais PIADA . 
Nunca havia pensado por aí além (vento nos cabelos crespos e curtos) nesse detalhe e o humor fez-me rir muito. De fato, a sensação de cabelos a abanar ao vento... não era para o Marcus ahaha. 


O filme também deixa claro que existe uma família negra que é abastada, com dinheiro e algo pedante. Mas mostra isso como um fato, algo natural. Não faz bandeira nem estandarte - como QUASE TODAS as produções cinematográficas desde que a série de TV "O principe de Bel air" apareceu nos ecrans nos anos 90. Essa necessidade de levantar estandartes ao invés de contar uma história não aparece aqui. Este filme vale 10.000.000 vezes mais que QUALQUER outro que levante estandartes, porque este normaliza as relações humanas sem as separar pela cor da pele. Bravo. 

A história do filme também tem algo de inovadora. Dois casais se conhecem numas férias no México. Fazem umas loucuras e depois quando as férias terminam, um desses casais não quer mais conviver com os amigos "loucos" que conheceram nas férias. Mas estes aparecem no seu casamento.

"Cheira" que vem daí uma série de clichés, até dá para adivinhar as cenas e o estilo de piada e de realização. Mas não. Não é comédia com a narrativa "Ben Stiller ou Cameron Dias" - já disse.  É para ver. E já vem aí o VACATION FRIENDS 2. 


5) ALÉM DO HORIZONTE (Beyond Skyline)

Hesitei em carregar no play quando foi para ver este filme de si-fi. ADORO filmes do género, em especial com alienígenas. Mas convenhamos que existe muitos filmes péssimos e é raro surgir um que valha a pena. Antes de decidir se o via, pesquisei por opiniões. A AI disse que este é um filme B (significa de qualidade inferior) mas que os fãs gostam da transição a meio para cenas de kung-fu e cenas do género. 

Não é uma descrição nada apelativa. Pelo contrário, já parece estar a condenar o género e a "dizer" que de ficção científica só tem é pancada. Mas nada mais pareceu interessante e dei uma oportunidade. AINDA BEM! 

ADOREI o filme. Um dos melhores dentro do género. 
NADA a ver críticas que digam que não é empolgante, criativo e de puro entretenimento. Além disso o visual é excelente, os efeitos especiais são topo de gama. Este não é um filme feito para ser de "categoria B" mas para rivalizar lá no topo com os melhores do género. 




O maior elogio vai para o fato de conseguirmos ver os alienígenas. Cenas noturnas que ocultam tudo? Quase nenhumas. Aliás, nem me recordo de uma. Tudo foi bem pensado na história e na forma como se passa. Subitamente o planeta é invadido por uma nave alienígena que começa a puxar para o interior as pessoas. Alguns sobreviventes tentam escapar ao rapto e às mortes. Uma vez na nave, acordam e descobrem o que anda a acontecer com as pessoas raptadas... não são destruídas, por assim dizer, são usadas. 

Daqui a diante a história faz sentido, tem graça. Faz um pouco lembrar Distrito n.9, um outro excelente filme dentro do género.