Tenho estado constipada nesta última semana de altas temperaturas. Bom, se estão altas não sei realmente. Pois eu sinto é frio. Uma simples aragem é sentida com muito desconforto, como se fosse uma maleita. E lá começo eu a tossir. Tanto que me parece que os pulmões poderão arrebentar se não parar.
Tenho conseguido gerir a condição e estou só a dar tempo para que passe. Acredito que, se descansar amanhã, depois de ir trabalhar hoje, é altamente provável que na segunda, terça feira, esteja bem.
A questão é que tenho ido trabalhar à mesma.
Num lugar com ventoínhas industriais ligadas por toda a parte e onde observei que, incrivelmente, todas as pessoas ao chegar carregavam aparelhos de ventalização portáteis. Uns maiores que outros, mas todos bem mais que uma simples ventoínha de mão.
"Como é que vou conseguir "fugir" a tudo isto?" - pensei,
Além as aragens naturais presentes por todo o lado, tinha também de evitar os "tsunamis" individuais de vento frio que parecem agradar a todos - menos a mim.
Todas me pareceram instrumentos de tortura.
Estar adoentada com o a temperatura do corpo desregulado faz a pessoa sentir urgência em usar o WC.
Ontem, já tinha finalizado as minhas tarefas mas ainda faltava 30 m para terminar o turno e tive imensa vontade de ir ao WC me aliviar. Olhei por toda a parte a ver se via o gerente do dia - outro que não o habitual que foi de férias - Não o vi para o informar mas ao mesmo tempo pensei no ridículo que é. Eu sou uma trabalhadora às direitas. Empenhada, sempre arranjo o que fazer, nunca fico sem rumo, a "passear". Se me ausento, ainda mais doente, é obvio que é para ir ao WC.
Ainda assim procuro o gerente com o olhar a perscrutar todo o ambiente à minha volta, até onde ao longe alcança. Mas como ele não está em lugar algum e sou uma pessoa responsável, adulta, que precisa de usar os lavabos... pareceu-me ridículo não o fazer.
É só uma ida ao wc quase no final do expediente, com o trabalho todo feito. Provavelmente vou demorar menos tempo do que algumas colegas que ficam ali paradas a falar umas com as outras. Segurei a vontade por algum tempo mas quando o que estava a fazer - que podia ficar em pausa sem problema - ficou completado por o tempo que era necessário - arrisquei e FUI AO WC.
Quando estava a subir as escadas para chegar ao WC estava a refletir que isto nem seria uma questão que me passasse pela mente se trabalhasse num escritório. Porque em escritórios a pessoa está a fazer o seu trabalho frente a um computador, tem vontade, levanta-se, vai e retorna ao trabalho.
Ninguém lhe vai dizer que não pode. Ou vai (pelo menos não deve) controlar a frequência e duração das idas.
Mas em armazéns e outro género de trabalho mais "escravizador", essa autonomia não é bem vista. Encarar o funcionário como um ser humano adulto e responsável com direitos básicos - não funciona bem dessa maneira.
Quer dizer: existem sempre os "invisíveis" - aqueles que fazem tudo isto e mais "fugas" ao trabalho que ninguém deteta. Semanas se passam, meses, anos. E algumas "pessoínhas" conseguem "matar trabalho" de forma revoltante. Revoltante, cá está, porque nenhum superior lhes chama a atenção. Nem parecem perceber que na última hora de trabalho a pessoa "evaporou". Enquanto outras, nessa última hora, têm de ir ajudar colegas a terminar tarefas.
Bom, mas 10 minutos depois regressei no meu passo apressado que já faz as minhas pernas se sentirem pesadas e mal um colega me viu - ele que tinha recomeçado a tarefa que deixei provisoriamente completa - logo gritou: "Onde tu estavas?"
Mas falou isto de uma forma como se eu tivesse fugido da prisão e ele fosse um guarda. Como se não lhe pudesse passar pela cabecinha que uma necessidade de ir ao WC era o motivo.
Está certo que algumas pessoas usam uma ida ao wc como pretexto para fazer chamadas telefonicas, empatar o trabalho, conversar, etc. Mas não faz o meu estilo. Nem o tempo de ausência deu para mais do que aquilo que fui fazer.
Quando me empenho tanto que até vou trabalhar em condições menos favoráveis de saúde e sinto isto... não há como não me perceber estúpida.
Quando cair numa cama, nenhuma destas pessoas virá me visitar, para saber se estou bem ou se oferecerem para me ajudar.
Inteligentes são todos aqueles que eu, no fundo, desprezo: os que pouco ou nada fazem. Os que só carregam no "acelerador" quando percebem a presença do olhar da gerência. Os que, quando ninguém está a olhar, param de trabalhar por completo. Os que chegam tarde sucessivamente e nunca são censurados. Os que estão sempre a "faltar" em dias estratégicos. Os que recebem o mesmo ordenado que eu, mas pouco trabalham para o receber.
Esses são os inteligentes. Que quando se reformarem ainda vão estar em boa forma física, sem grande mazelas, porque nunca sujeitaram os seus corpos a esforços prolongados.
Quando nem uma "cagadinha" (não gosto muito desta palavra mas não me apareceu outra) rápida para ajudar a expelir o virus do organismo posso fazer sem aparecer um "Hitler" por perto... é neste tipo de coisa que penso.
No fundo, eu sou só tão apreciada enquando poder trabalhar como uma máquina.
E já me está a ser difícil trabalhar ao ritmo delas.
Quando isso se tornar mais evidente, nem "bom dia", nem "boa tarde" é... já foste!
Retomei a atividade que tinha deixada completa mas que entretanto precisou de um reforço e tive aquele colega sempre com os olhos fixados em mim, sem compaixão alguma pelo meu estado. Já todos tinham terminados suas tarefas, inclusive ele. Estavam todos na conversa. Mas ele estava era a observar-me. E eu, que precisava ir ao meu cacifo buscar um casaco para não "morrer" de frio com as rajadas de vento lá fora, comecei a caminhar nessa direção. Fui, no grupo, a última a sair. Até o gerente saiu na minha frente.
Já tinha notado nele uma personalidade que não é o que aparenta na superfície. É controlador, insulta-se com nada e pouco, interpreta as coisas para um lado que não é o lado...
Quando na véspera lhe pedi para desviar uma mega-ventoinha industrial capaz de produzir vento até um quilómetro de distância para que o ar não me atingisse diretamente, ele desviou ligeiramente, mas fez uma careta como se o meu pedido fosse absurdo. Instantes depois voltou a posicioná-la na minha direção. Quando ele se afastou e com aquilo a fazer-me tossir, cheguei perto e posicionei-a um pouco de lado para não me atingir. E ele voltou a reposicioná-la um pouco mais para mim. O que até era estranho porque a ventoinha na posição em que a coloquei deitava o ar diretamente para ele, que era o que ele se queixava que precisava a toda a hora. A solução passou por criar um "forte". Com duas peças de trabalho ali à mão - fiz uma barreira contra o ar frio.













