quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

O desagradável Parasita

 

Uma colega de casa, muçulmana, decidiu aceitar o convite de casamento de um rapaz que conheceu em Londres, há um mês. Aos 38 anos, desesperada por viver a norma cobrada pela sua cultura e religião e ser mãe, disse-me que casou subitamente com um homem de 48 anos. Ele vive há 20 no Reino Unido. Percebi logo que já devia ter tido filhos com outra mulher. A colega de casa, com quem sempre me dei bem, confirmou que sim. Mas não elaborou e também não quis que o fizesse. Respeitei. 

Não sou de condenar este tipo de uniões. Aqui onde moro o número de casais formados desta maneira é substancial. E como não considero que a forma como fui criada é melhor do que outra qualquer, consigo ver aspectos positivos em ambas as formas de se encontrar parceiro. Em qualquer forma, para ser honesta. Cada qual, a meu ver, tem de fazer conforme o seu coração mandar. 

Não é necessário ter um amor, sentir tudo e mais alguma coisa... É bom. É como eu sou. Mas não é o melhor e não é, necessariamente, sinal de que tudo vai correr bem. Existem casamentos arranjados que, aparentemente, deram certo. E existem muitos casais loucamente apaixonados, que se destroem e magoam. 

Portanto, certezas não se têm. Fiquei um pouco espantada por ela o conhecer apenas à quase dois meses. É um grande risco. Mas aos 38 anos, no lugar dela, talvez fizesse o mesmo. Porque não? Andava mesmo a fantasiar que, se do nada, conhecesse alguém que me fizesse sentir aquelas borboletas no estômago ou se interessasse por mim verdadeiramente ao ponto de conquistar o meu afeto ao me apresentar na vida muito daquilo que anseio que - se isso viesse a acontecer - se calhar ia mergulhar nesse desconhecido. 

Quando reflito nestas coisas acabo sempre por assistir à sua concretização em terceiros. Sempre. Nunca falhou. Parece até que os fios do destino andam cruzados. Alguém os cruzou. Eu desejo - outra realiza.

Acho bem por ela - que vai avançar com a sua vida para a frente. Venha o que vier. Será uma experiência, um aprendizado. 

Contudo, o fato veio a alterar a nossa relação e o ambiente na casa. Tenho-me sentido bastante desconfortável nas últimas três semanas. A pesar de me ter contado nessa mesma noite de 16 de Janeiro, por mensagem de texto, que por enquanto iam viver cada qual no seu canto, uns dias ele cá, outros dias ela lá, em Londres, onde ele trabalhava como chef num restaurante, - apesar disso, nessa mesma noite ela já o tinha enfiado no quarto. Mas nada me disse, enquanto trocava mensagens escritas comigo sobre o marido. Foi por isso que, quando lhe respondi que o assunto era importante demais para ser dito por mensagem e que ia descer para falarmos, ela implorou que não o fizesse. Argumentou que tinha o quarto desarrumado e apelou às "armas grandes", dizendo para não descer porque a M. andava a circular pela casa e não queria encontrar-se com ela... o que achei estranho. Fora do seu carácter, pois disse-me várias vezes que não deixava de fazer o que precisasse pela casa por causa dela e dos seus comportamentos. Achei que não era sincero. Foi uma tentativa de me impedir de descer. Eu tinha escutado a M. sair. Escrevi-lhe que era seguro. MEDO, ela não tinha. Que o tivesse a proclamar agora por texto, não batia certo. Mas como percebi que não desejava falar comigo cara a cara naquele instante, respeitei. E ficamos apenas a trocar mensagens até que a conversa terminou. 

Depois de me comunicar que tinha casado, também disse que havíamos todos de ir jantar algures num restaurante. Eu, ela, o marido e o rapaz que mora no andar de cima. Achei que era uma honra ter sido incluída no núcleo de pessoas com quem quer comemorar a decisão, pelo que não me neguei. Pensei que ia me apresentar o indivíduo e tudo ia ficar bem.

No dia seguinte, pelas 12h, desço à cozinha e assim que passo pela porta do quarto dela, oiço a porta abrir. Achei um pouco estranho, pois ela deveria estar no horário laboral. Porém, achando que, devido às circunstâncias, podia ter ficado por casa, espreitei só um bocadinho para ver se a via vir. Isso e temer que o barulho da porta não fosse o dela, mas o da M, já que não os consigo distinguir. Porta a bater e porta a bater, não se distinguem por sons.  

Quando recuo um passo e olho para o lado, vejo um vulto de capuz, todo de preto, encostado à porta, a enfiar a chave na fechadura e a trancá-la, lentamente. O vulto vê-me. E não diz nada. Aguardo um reconhecimento. Afinal, é um estranho na casa onde EU moro. Se fosse uma situação inversa eu me apresentaria ao habitante da casa com o qual esbarrei. O homem não diz nada. Olha-me nos olhos, vira a cara. Pergunto-me quem seria. A primeira impressão é que era o "marido" mas, se casou, decerto deve ter convidado familiares. Se calhar era um irmão e ficara a dormir ali com ela. Ou um primo... Aproximei-me e perguntei-lhe o nome. Ignora-me e não me responde. Passam muitos segundos estranhos... de silêncio. Começo a dirigir-me de volta para a cozinha mas travo. Algo não está bem. O homem, lentamente, dirige-se para a porta da saída. Volto a perguntar-lhe como é que se chama. 

-"Hussain" - responde monocórdico e a disfarçar aborrecimento, ao mesmo tempo que me fecha a porta na cara. Tudo lentamente. Assim, sem mais nem menos, julguei ter sido apresentada ao marido religioso da rapariga do andar de baixo. Mas será que seria um irmão? Um primo? Pois na minha cabeça, o marido estava em Londres... e viria mais tarde. Não é um comportamento normal de todo - quando um estranho "apanhado" a viver na casa de outro, não se apresenta nem cumprimenta quem o acolhe. 

Por isso deduzi que ele tinha sido alertado para a presença inquisidora da M. e, não sabendo distinguir uma da outra - embora calculasse que a rapariga tivesse feito uma descrição física de ambas, pois somos distintas - deduziu que era a mim que tinha de ignorar. A rapariga do andar de baixo havia-me dito que ignora a M. Não lhe fala, Como já contei aqui. Deve ter instruído o "esposo" a fazer o mesmo, - pensei. 

Não levei a mal. Primeiro contacto, "apanhado" de surpresa... foi uma reacção circunstancial. 
Dias depois vi a colega de casa e logo começamos a falar do seu casamento. Contou-me que o marido contou-lhe que me viu e eu lhe perguntei o nome. Foi aí que soube que ele sabia que eu não era a M. Ainda assim, teve aquela reação de ignorar a moradora da casa. Estranho
Porém, certamente, agora que estava tudo em pratos limpos, que se confirmara a identidade do homem, que ele sabia quem eu era, que ambos estavam casados e que a colega continuava a dizer que queria que jantássemos todos juntos - ele ia ser mais social da próxima vez que nos víssemos. 

A próxima vez não demorou muito. E foi ainda mais desagradável que a primeira

Julgando-me sozinha na casa - visto que a M. finalmente arranjou uma ocupação que a tira fora daqui (Yupi!!!), desci à cozinha para tentar detectar se a subita corrente de ar frio que sinto no meu quarto vinha do fato da janela do corredor onde fica o WC do andar de baixo é deixada aberta. Desço e quando abro a porta que separa a cozinha do WC, e do segundo quarto do andar de baixo (de um rapaz) - oiço o barulho de água a correr. Alguém está no WC. Provavelmente o rapaz do quarto ao lado. 

Como a janela fica no corredor, e está aberta, tão silenciosamente quanto possível, fecho-a, fecho a porta e apresso-me a voltar ao quarto para poder sentir se a súbita corrente de ar persiste. Mas como tudo faz barulho, senti que a minha presença foi sentida por quem estava no WC. Ao escutar a porta do WC a abrir, pensei tratar-se do rapaz do andar de baixo, intrigado, por ouvir uma pessoa entrar e sair naquele pequeno espaço de poucos metros de corredor. Olho para trás para o sossegar e explicar os meus motivos - se razão tivesse. Nisto, de calção cinza, t-shirt preta e chinelos, diante de mim está um homem desconhecido. Um desconhecido que saiu do WC da minha casa, onde se esteve a lavar. 

Decerto que ele ouviu que uma pessoa estava ali. Ainda assim, escolheu sair do WC naquele instante, ao invés de evitar contacto. Sinal que é de se impor. E não fala. Não abre a boca. Desagradou-me que se mantivesse ali, em silêncio, mudo, obviamente em roupa de dormir, a olhar-me como se fosse invisível, a impor a sua provocatória presença. Frio. Indiferente. Está a olhar para uma das pessoas que MORA na casa com legitimidade - coisa que não é o caso dele. E não cumprimenta, não se apresenta, não faz nada - sem ser IGNORAR a pessoa à sua frente.  

Sinto um forte desconforto. Um súbito mau-estar. Aquela não é uma boa pessoa. É um aproveitador. É um indivíduo capaz de tomar as coisas dos outros. Um "espaçado". Subo as escadas após o olhar enquanto aguardava uma reação. Tenho a certeza que os meus pensamentos espelharam-se no meu semblante. Ao entrar no meu quarto - agora com a confirmação visual de que esta pessoa encontrava-se a viver nesta casa sem mais nem menos, peguei no telemóvel para desabafar. E disse: "Já estou mesmo a ver que daqui a uns tempos, ele vai deixar o emprego e mudar-se de malas e bagagens para aqui, a viver de graça, às custas da F., com quem casou para dela tirar proveito. Ela é que o vai sustentar. ". 

Desde o dia 1 de FEVEREIRO que este indivíduo está a dormir todas as noites aqui dentro de casa. Vive cá. O pior nem seria isso. Mesmo sem cumprimentar ou falar com os outros que aqui estão com legitimidade - porque trabalham e pagam a renda para cá morar e usufruir das regalias de lavar louça, roupa, tomar duche quente, ter uma cama para dormir, etc, etc. Mesmo se tivesse para cá se mudado sem ninguém ser consultado - já de si grave, mesmo sem cumprimentar quem cá vive - também grave - Se ao menos estivesse A TRABALHAR, seria diferente.  Homem NÃO SAI DE CASA. NÃO VAI TRABALHAR. Vive fechado no quarto, de pijama, fala alto ao telefone e assiste a programas de entretenimento. E é só o que faz, dia após dia. Um autêntico PARASITA - que é como o chamo. 


Caramba! Três anos a desejar que a M. encontrasse uma ocupação que a tirasse daqui para fora e quando isso acontece, aparece um PARASITA, para se instalar e fazer o mesmo que ela... Não é justo. 


Nem sei que rosto ele tem mas, deduzi que só podia ser o marido. Após ser apanhado a usufruir da casa onde ele não devia morar - desagradou-me que se mantivesse ali, em silêncio, mudo, obviamente em roupa de dormir, a olhar-me como se fosse invisível, a impor a sua presença. Frio. 

Para mim é uma falta de educação tremenda! E demonstra má índole. Demonstra que é uma pessoa capaz de chegar e apropriar-se. E pensei, à medida que subia as escadas para o quarto, que dali a nada ele ia despedir-se do emprego e mudar-se de malas e bagagens para esta casa. Viver a chular a "esposa", com pretextos de procurar emprego nesta cidade mas, infelizmente, não encontrar. Mais um pouco de tempo e ia também começar a vê-lo a usar a cozinha, a ter de me desviar da sua presença física incómoda e imposta até para me servir de algo no frigorífico. 

Desde o dia 1 de Fevereiro que esta pessoa - à qual me refiro como PARASITA, se mudou para esta casa. NADA nos foi comunicado. Foi IMPOSTO. Não tivemos parecer sobre a matéria. Já o apanhei a lavar roupa na máquina duas vezes consecutivas - tarefa cada vez mais difícil de fazer, porque na semana passada quando entrei em casa vindo do emprego, ia para lavar a minha roupa da semana e a máquina estava a trabalhar. Eram 3 da tarde. Pelas 7, ainda estava a funcionar. Lavou 4 máquinas de roupa seguidas. Pensei tratar-se da M. que sempre foi destes abusos. No dia seguinte, sou acordada com ruídos e decido ir lavar a roupa que não consegui no dia anterior. Desço à cozinha e a máquina está a lavar. Como escutei ruidos vindos do quarto do andar de cima, presumi que a roupa era do rapaz. Como já lhe enviei textos escritos antes perguntando se a roupa era dele para poder lavar a minha depois, senti que podia fazê-lo novamente. Ele respondeu que ia já buscá-la. Escrevi que não era necessário, ainda faltavam uns minutos para a máquinar parar ... oito, na realidade. Só queria saber, pois se fosse da M. ia dar problema. Sempre dá. Ela não retira a roupa e não deixa ninguém retirar. 

Sendo dele, sabia que, com o seu consentimento, podia fazê-lo e assim, despachar a minha roupa. O rapaz desce, eu estou na cozinha, a rapariga passa para o WC, deve escutar-nos a falar da roupa que quero por a lavar, a máquina termina, ele tira a roupa, ela sai do WC e passa de volta para o quarto. Quando me levanto para pegar a minha roupa lá em cima e colocar a lavar, vejo a rapariga passar um um pouco de roupa na mão. Viro-me para trás e vejo-a a colocá-la na máquina. Fico surpresa. É que nem deixou passar uns bons segundos! Não esperava isso. Nunca aconteceu antes, a não ser com a M. Ver outros a tomar comportamentos idênticos à M. é algo que venho a querer tapar com a peneira...

Nisto digo-lhe: Vais lavar roupa? É que foi por isso que eu pedi ao rapaz para tirar a dele. Para poder lavar a minha. 

- Ah, queres lavar a tua roupa agora?
-Deixa estar. Saltaste à frente. Lavo depois. É que só consigo lavar domingo ou segunda... Ontem a máquina ficou a lavar quatro horas. Lavaste roupa ontem? - perguntei, achando que ia responder que UMA das máquinas foi dela. É vaga e responde sim... fui eu. Já não lavava a minha roupa à uma semana. Não, à duas semanas - justifica-se. 

Não acreditei nesse intervalo de tempo. Não batia certo com a sua estada na casa. Mas relevei. Não me interessa. O que ficou claro para mim é que, acrescentando uma pessoa extra à casa, que traz todo o guarda-fatos com ele, a lavagem de roupa passa a ser uma coisa diária e longa... 

Menos oportunidades de tratar da minha. Por causa de um emplastro... um parasita. 


, foi quando vi a rapariga do andar de baixo. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Comportamentos sociais, regras, etiquetas e ser-se rude

 

Esperava que a farmácia abrisse as portas há quase uma hora. A pesar de já estar com a portão meio aberto, ficou claro que era porque estavam a preparar a abertura. Como a farmácia fica no lado de fora da mesma sala que a clínica médica, onde tinha ido tirar sangue, sentei-me num dos três bancos livres a aguardar as 9h. Como as pernas sempre me pesam e não estava ninguém ali, sentei-me de lado, metendo os joelhos no braço da cadeira e deixando as pernas cair para a segunda, mantendo os sapatos de fora. Um pouco desconfortável para as costas, que sentiam a dureza pontiaguda da parede, mas assim permaneci, por me sentir bem. 

Faltavam 10 minutos para as 9, entram duas pessoas. Um casal. A falar muito, a querer entrar logo na farmácia, a constatar o óbvio (que ainda estavam fechados) a perguntar-se olhando para o relógio se ia demorar muito... Ignoro. Nisto a mulher senta-se abruptamente na cadeira livre e imediatamente diz para o "Marido":

-"Não te queres sentar aqui?" - apontando para a cadeira onde os meus joelhos ainda permaneciam em repouso. Ignoro. Percebi o tom de provocação. Como se a minha posição a incomodasse. Continuo com os olhos colados no telemóvel, entretida com as tarefas do jogo. O esposo responde que não. Espero uns instantes e nisto levanto as pernas e sento-me direita na cadeira, deixando a outra totalmente livre. A mulher, imediatamente, levanta-se e continua a caminhar de um lado para o outro, como se tivesse uma emergência qualquer.  Percebi de imediato que o seu interesse pela cadeira desapareceu assim que a deixei livre. O seu interesse por esperar sentada também. Já não cobiçava a cadeira que meus joelhos parcialmente ocupavam quando lá entrou de sopetão. O que queria agora era entrar o quanto antes na farmácia... andando de um lado para o outro mas sem deixar de se ficar  pela entrada... 

Uma FURA-FILAS.

Algo muito comum aqui no Reino Unido. 

Cinco minutos depois entra um outro casal, idoso, a perguntar se estariam no lugar certo, pois tinha sido ali que lhes marcaram uma vacina (Covid?). Não sabendo onde, foram perguntar dentro da clínica, voltando logo de seguida, porque era na farmácia. Também eles se aproximavam cada vez mais da entrada, como se todos os quatro fossem uma boiada prestes a arrebentar ao sinal da subida do portão. 

Aí eles lançam para o ar algo ao que respondo: "Desde que se respeite a ordem de chegada. Primeiro (apontando para mim), segundo - apontando para o casal mais jovem e terceiros" - apontando para os mais idosos. 

Todos ficaram um pouco espantados, e disfarçaram um bocado. Não estavam à espera que alguém lhes desse uma lição de civismo. Tão habituados que estão a entrar conforme se chegam à frente... 

A mulher que me provocou anteriormente, não gostou e olhou para o marido em género de reprovação. Eu podia estar sentada com os joelhos em cima do braço da cadeira enquanto ali estava sozinha - pode até ser lido como "má educação". Mas achei o comportamento dela pior, rude, indelicado e desnecessário. Prova de que não estava interessada em sentar-se de todo, pois se levantou assim que me endireitei na cadeira. 

O seu foco era entrar e passar-me à frente. Cheguei ali 50 minutos antes dela, prontifiquei-me a aguardar pacificamente, para depois vir aquela manada passar-me à frente? Às nove da manhã? Tão cedo? E já ia assistir a estes comportamentos?

Quis deixar claro que existe uma ordem de chegada para se respeitar. São coisas que não são necessárias dizer, sabem-se. É um código social. Todos em Portugal sabem-no. Usam-no. A maioria, pelo menos. Aqui no Reino Unido, esqueçam. Não existe. Não nesta cidade onde moro há tanto tempo. Até hoje é um tipo de comportamento que me é estranho e desagradável. 

Nisto os portões começam a abrir. Chego-me à frente. A mulher baixa a cabeça e coloca-se do lado de dentro da farmácia. Imito-lhe o comportamento e chego-me à frente dela. Esta olha para o marido, como se eu lhe tivesse passado à frente e fosse indelicada. Não quis saber. Ela ouviu claramente e percebeu a mensagem. Depois de lhe passar à frente, ela diz, em tom sarcástico:
-"Pode ir primeiro". 

-"E vou" - respondi. Sem nunca lhe olhar no rosto. O tempo todo, não prestei atenção ao rosto deles. É algo meu... mas percebi a linguagem corporal e os olhares. Vi-lhes as roupas e as silhuetas. 

Depois de a ter ultrapassado e respondido à letra, ela vira-se para o homem e diz, em tom provocador: "Vens, meu amor?". 

Precisou de colocar ali o "my love" para se sentir maior, melhor. Pude notá-lo perfeitamente. Foi um "My love" forçado. Uma mulher a usar as calças, um tanto manipulativa com os homens e confrontacional com pouco ou nenhum motivo. Assim foi a "pinta" que lhe tirei.  

Nisto uma das farmaceuticas perguntou o que eu precisava - respondi que vinha levantar uma receita. E outra perguntou à mulher o mesmo. A dela foi prontamente entregue. A minha demorou um pouco mais. Talvez uns cinco minutos após a mulher ter saído triunfal. Já a imaginava longe, tal era a pressa em ser a primeira a ser atendida. Até pensei que o seu assunto levasse tempo - o meu era rápido - por isso não queria ficar empatada com o assunto de uma fura-filas e "marquei posição" ao referir que existe uma ordem de chegada para ser respeitada.  

Já com a receita na mão e a próxima dosagem combinada, saí dali e decidi ir ao centro comercial que fica ao lado, também este abria às 9 da manhã. Quando vou para subir nas escadas rolantes, um casal mete-se mesmo à minha frente e, sendo casal, ocupa ambos os lados dos degraus das escadas. Percebo depois, ao olhar para o calçado e pernas de ambos, que são o mesmo casal.



Afinal, estavam com tanta pressa, levavam pelo menos cinco minutos de avanço de mim e ali estavam eles, ainda, literalmente, a "pastar" no Centro Comercial. Já deviam estar longe dali... foram despachados rapidamente. Estarem a entrar ao mesmo tempo que eu naquele centro ao lado da farmácia era incompatível com a impaciência que demonstraram ter minutos antes. São apenas pessoas que não gostam de esperar por nada. E lá estavam eles, a empatar as escadas, mais uma vez se lixando para a etiqueta social de que se deve deixar um lado livre para a circulação de quem vem atrás. Quando chegam ao topo, viram lentamente para a direita, e seguem caminhando lentamente, como quem não tem nada mais que fazer na vida, em direcção a uma qualquer mesa de café, onde provavelmente se foram sentar para matar o tempo. 




quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

É tão bom uns chinelos no pé!

 

O que as pessoas aqui no reino unido escolhem para calçar num.dia em que não tem parado de chover....


Para quem nao conseguir distinguir que calçado se trata, aqui está a fotografia. 

Sim. São chinelos chatos a pé descoberto e dedos à vista, com uma tira felpuda. Excelente escolha, uma vez que se colocou meias...

Mas este tipp de calçado não é usado aqui no Reino Unido somente em dias de chuva. É um tipo muito apreciado para vários eventos. O principal sendo ir fazer compras ao supermercado. Costuma ser acompanhado a rigor com pijama completo e cabelo desgrenhado. Mas nao pensem que sao os locais que atravessaram a rua para ir buscar pao ou leite. Chegam de carro, estacionam.no parque e passeiam pelos corredores a ver os produtos.

Curioso nao é? 





segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

O melhor dia da semana é...

 Para mim, o melhor de Domingo, é que a seguir é segunda-feira. 


sábado, 27 de janeiro de 2024

AVISO sobre as aldrabices da estética - eu como show case!

 

Acordei com o meu pulmão dorido, abri o computador, fui ao Whatsapp e nisto surge uma mensagem de um contacto que acabou de atualizar o seu estatus. Geralmente significa que a pessoa colocou foto nova, ou video novo... 

Fiquei surpresa, porque só tenho um contato naquele número. Porém, conheço a entidade: a clínica de estética onde fiz o último procedimento à papa do pescoço. Carreguei para ver qual era a atualização. Surpresa: Uma foto MINHA!

Não aparece o rosto inteiro, surge apenas o pescoço. DUAS imagens do meu pescoço, uma com o "antes" e outra com o "depois". Não está lá especificado, com os nomes (antes/depois), mas as pessoas já se habituaram a associar este género de imagens e a fazer esta leitura. Imediatamente comentei - porque apareceu um retângulo em baixo, que a imagem era enganadora, «como visada na mesma, a foto do antes refere-se DURANTE o procedimento, após ter levado bastante injecções». 


Aqui fica a foto que a clínica publicou, para vocês julgarem por vocês mesmos. 


Acham que isto é correto? A foto do antes é o resultado da injecção de um líquido que me colocaram com umas 40 alfinetadas. Fiquei tão preocupada com o resultado, por ter triplicado de pescoço, que tirei esta foto em cima e enviei-lhes.

 E aqui fica a foto do AGORA, presentemente. 


Sinceramente, não noto diferenças. Apenas uma... acho que tenho mais pele "solta", menos elasticidade na pele diretamente por debaixo do pescoço. Há ali uma pregazita que não me agrada. E que não reconheço como estando lá antes.


O anunciado é que desaparece TUDO. Mas o resultado - a pesar de dizerem que é esse, não surge com o impacto prometido. Como disse, quero acreditar que, internamente, melhorei. Mas será que não é tudo fogo de vista?

E aqui está o detalhe do pescoço numa foto de frente que tirei em 2022. 

Parece perfeito, certo? Parece idêntico ao da foto do pós-procedimento. 

Dependendo do ângulo, tenho as mesmas pregas que me desagradavam ver. Mas em fotos de frente - o pescoço parece perfeito. 

E aqui está o que me incomoda(va): as pregas! Quando se baixa ligeiramente a cabeça, quando se olha para o telemóvel ou quando os olhos vão para baixo ainda que ligeiramente. Era isto de que me queixei e é isto que ainda cá está. A diferença é que agora, depois de ter feito o tratamento, já não me incomoda tanto estarem aqui. Aceito-as. Podia ser pior: podia ter aquele papo! Ou pele solta a balançar... Que foi o "vislumbre" que o tratamento me deu. 

Entretanto, a esteticista que me fez o tratamento já me respondeu. Disse que o intuito é mostrar o efeito da queima - ou seja: injectaram um produto e depois com uma máquina queimam. Mas, ao colocarem imagens assim - não estão a explicar essa parte, não é? Dá a entender que o meu pescoço estava daquela forma enorme para começar. O tratamento é suposto melhorar tudo mas... olhe, cada um que tire as suas conclusões. Para a esteticista, este procedimento foi de um enorme sucesso. Melhorei consideravelmente. Eu sou leiga... não sei. 

Nota: SEMÂNTICA!
A esteticista voltou a escrever, dizendo que não está escrito que é uma foto do antes. 
Claro, não está. Eu mesma mencionei isso a começar este texto. Como pessoa informada sobre estas "melandrices" da publicidade, o detalhe deve ter logo sobressaído. Então tudo se resume a semântica. COMO não está escrito - o que a pessoa deduzir é com ela. É como esta foto aqui, também não está escrito nada! E o que está implícito? Não conta?? 


 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

UM NOVO BLOGUE! Venha visitar.

 E pronto. Nasceu um novo blogue!

Nele vou falar exclusivamente de LIVROS. Obras literárias, histórias e... bibliotecas. Todos os dias, de segunda a sábado - uma história será contada. 
Aos Domingos, é para a divulgação de bibliotecas e factos sobre as mesmas. A não perder!

Peço-vos que visitem e divulguem.
Mas não deixem de vir aqui. Aqui é a minha casa...

Um abraço a todos. 

Ah, e aqui fica o endereço do novo blogue:

https://historiasescritoslivros.blogspot.com/



quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Pequenos sinais... de que podem te estar a seduzir com falsidade

 

Estava sentada num assento na carruagem do metro. De pé, mesmo atrás do meu ombro, escutava as vozes de um casal a conversar. Acabei por apanhar o tom de voz e o que era dito. O rapaz escutava-a com interesse e pouco falava. Fazia questões à rapariga, pelos vistos para a conhecer um pouco melhor. Sugeriu sairem juntos. Ele não era dali e ela era lisboeta e podia lhe mostrar os melhores lugares. Ela logo avançou que não conhecia muita coisa porque não cresceu a ir a muitas festas e ia "polvilhando" aqui e ali, o rapaz com informações da sua vida . Uma vida de abnegação, "dedicada" aos outros. Pude sentir o interesse dele a crescer. E pude perceber a perícia da miúda, que conduzia a conversa pintando-se de uma maneira tão benéfica, que se julgaria tão santa como a madre Teresa de Calcutá. 

Disse-lhe que cresceu sem sair à noite. Não conhecia muita coisa. Teve de cuidar do irmão, de quem gosta muito, como se fosse um filho. Tinham uma diferença de idade de alguns anos. Era como se fosse mãe dele. Só começou a sair já era mais adulta, mas poucas vezes e em ocasiões especiais. Cada vez que ela falava, o interesse dele continuava a crescer.  Demonstrava que queria estar com ela e dedicava-se a escutá-la. Ela tinha uma voz doce, tão serena e calma, que deu-me vontade de olhar para trás só para perceber como era. O que fiz muito rapidamente, disfarçando olhar para o mapa do metro. 

Nisto percebo que ela está bastante atenta a tudo o que a rodeia de uma forma possessiva, porque assim que movo a cabeça, e apanho a forma como está vestida - espanto-me. Pela voz, esperava uma mulher normal, simples. Como todas as outras que se vêm no metro. Mas encontrei uma jovem produzida de forma a parecer simples mas também a seduzir. Parecia a Marge Simpson - a dona de casa "look", mas era deslumbrante. Apresentava-se mesmo para agarrar o peixe. Tinha o cabelo solto e liso, super brilhante e sedoso, um vestido justo ao corpo a revelar apenas o que é de decoro mas a revelar exatamente o que é preciso para deixar um homem doidinho de desejo: boas pernas, boas curvas e um peitinho curioso. Usava um colar a sobressair no decote não demasiado modesto mas não revelador. O vestido a marcar-lhe o contorno do corpo era o suficiente. 

Mas o meu espanto - e a minha suspeita começou aí, foi o ser surpreendida, não tanto com a imagem, que percebi de relance, mas com o que a vi fazer de seguida. Mal olhei para ela - e certamente para ele quase nem olhei, mas ela, ao ver um movimento de virar a cabeça na direcção dos dois, tocou no rapaz. Fez questão de esticar o braço, sorrir-lhe, agarrá-lo, chegar-se perto. Esse tipo de comportamento é tão típico de mulheres que estão no processo de sedução, não gostam de distrações de qualquer espécie e vêm "rivais" em tudo. Nada nem ninguém devia interferir com os planos que tinha na cabeça. Nem a carruagem, nem os transportes, nem um animal na rua. Estava determinada a conquistar aquele rapaz - mas fingindo que não era nisso que estava focada.  

Aquela súbita aproximação física, o toque no ombro dele, com a mão a escorrer para o peito, o sorriso - aquilo foi um convite e deve tê-lo deixado ainda mais em brasa. Já eu, fiquei com a sensação que ela estava a enganá-lo. Fazendo-se passar por aquilo que ele desejava encontrar. Todas aquelas palavras tinham sido cuidadosamente arquitetadas, o vestido cuidadosamente escolhido - cada detalhe da sua indumentária foi alvo de especial atenção e se alguma coisa ao redor ousar sequer interferir no seu processo, não ia permitir, recorrendo a comportamentos mais "diretos" ao ponto. 

O rapaz devia estar a pensar "que sorte tenho em encontrar alguém assim", "Jackpot", "Fantástica". 


O meu cérebro refletia nas aparências. Acho que os homens continuam a sentir bastante atracção pelo "protótipo" da "mulher para casar". Muitos conseguem ver as miúdas a divertirem-se, querem ter miúdas para gozarem, beijarem, pegarem, amassarem. Mas para um relacionamento sério, procuram, ainda a "mulher para casar". Se antigamente esta linha era bem distinta - definida, muito vincadamente pela virgindade mas não só - existia também um código de conduta e uma aptidão para as lides domésticas - hoje em dia a coisa só varia um pouco mas, no ADN do homem, penso que ainda persiste a procura da mesma coisa. Aceitam, claro, que uma mulher possa não ser mais virgem e ter tido namorados. Mas tem de ser um ou dois apenas. E depois tem todo um código de conduta de recatez, simplicidade, modéstia que ainda os seduz bastante e torna a mulher atraente a seus olhos. Isso, e a aparêmcia física. Vos digo: aquela rapariga sabia muito bem como o agarrar.


Depois reflecti no que descrevia dela própria e percebi que estava a descrever-me. Só que eu jamais ia conseguir retratar-me com aquela capacidade incrível de sequenciar tudo de forma tão eloquente e benéfica. Para mim, cabelo apanhado com uma mola, sem maquilhagem, usando roupas banais, sem adornos à excepção do meu anel, com uns quilinhos a mais e rugas a surgir - o rapaz jamais olharia. No entanto, se fosse por conteúdo apenas, o que ele estava a escutar era a minha vida. Talvez mais minha do que a dela.... que só faltou dizer que foi criada num convento. 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Estética ou Cirurgia? - O que recomendo e porquê


Na sala de espera, é onde uma assistente nos vai abordar, para assinar-mos os termos. Basicamente, várias páginas a livrar a clínica de qualquer responsabilidade caso algo no tratamento corra mal. Também tem as perguntas médicas e se permitimos o uso de imagens, fotografias, vídeos nossos. Quis dizer não a tudo isso e escrevi NÃO. Porém, caso algo mau aconteça, a clínica está salvaguardada de responsabilidade. Uma metodologia cada vez mais comum.

Depois de me pedir umas doze páginas de análises - muitas pagas sem compartição, quando finalmente as fiz e fui entregar-lhe os resultados - fez pouco caso. Nem as viu. Fiquei logo aí um tanto incrédula: tinha-me dito que precisava de TODAS, porque tudo estava ligado entre si. Viu as banais, aquelas mais específicas não olhou. Então para quê mas pediu? E fez-me gastar muito mais dinheiro do que o necessário? Só em análises, julgo que gastei uns 90 euros- porque consegui que algumas me fossem passadas pelo médico de família, reduzindo assim os custos.

O tratamento passou também pela compra de uns 6 produtos para o rosto. Um deles, de uns 10 ml, com o custo de 100 euros. Nuna irei esquecer que, quando precisei de esclarecer uma dúvida e me disseram que, para falar com a doutora tinha de pagar novamente 100 euros por uma nova consulta - achei, claro está, uma prova de que tudo ali era extorsão. Mas falei com ela rapidamente e ela logo arranjou tempo para me dedicar, depois de esclarecida a dúvida em 1 minuto, desta forma:
-"Ainda tem o produto X?" -que era um produto que ela tinha de ir ao laboratório misturar. (Ou pelo menos assim o dizia).

-" Já não sobra muit..."

-"Eu resolvo já isso, prescrevo-lhe outro". 

E qual o valor? 100 euros! 
Não paguei nova consulta - mas paguei o valor da consulta na mesma. 

Disseram-me muitas vezes, as assistentes, que a doutora fez-me "um favor" em me falar naquele intervalo de tempo. Um minuto! Pois nunca tem disponibilidade e geralmente à que pagar nova consulta. Quero frisar que estava ainda a fazer o procedimento. Era sua paciente. Acho normalíssimo ter questões a colocar ao médico. Tinha uma sobre a aplicação correta dos produtos - e só ela podia esclarecer, visto que as assistentes não sabiam as instruções dadas. Que ela só estivesse disponível para esclarecer qualquer questão apenas na consulta inicial e depois se eclipsasse, não é, decerto, o que um paciente quer ou espera.

Ainda tenho esse segundo frasco intacto. Nunca precisei de usá-lo.  A quantia que tinha no primeiro era suficiente. Era um frasco tão minúsculo que, ao manuseá-lo, pareceu sempre ter pouco. Foram 100 euros que gastei sem necessidade. Talvez para o fazer parecer grande, lembro-me que o minúsculo frasco era colocado dentro de uma caixa-cubo bem grande. Causa impacto, tem apresentação. Quando se dá tanta importância à apresentação... é porque se quer justificar a cobrança elevada do conteúdo com a embalagem!

Bom, vou tentar resumir mais, um dom que não possuo.
Fiz o tratamento, que consistiu em queimar a pele ao redor dos olhos, com lazer. Fi-lo por duas vezes, se não estou em erro. Também levei injecções. Aliás, quero frisar que TUDO, mas TUDO o que diz respeito a estética, envolve AGULHAS. Raro é o que não e se não, pouco eficaz deve de ser. 

Pelo menos foi a conclusão a que cheguei. NINGUÉM menciona a AGULHA quando descreve o tratamento, até para colocar o vulgo "botox", dizem "aplicação" - não mencionam a seringa. 

Quando me esclareceu o que ia fazer naquela primeira (e única) consulta- fiquei com a impressão que a ruga de expressão nos cantos da boca estava incluída, pois ela frisou-me isso, foi o que julgou que eu queria eliminar no meu rosto. Durante um tratamento de laser, quando perguntei sobre isso - a reacção foi um tanto "calorosa", ficou enervada e disse, com irritação: "isso não foi o que ficou acordado! Não vou fazer isso, não faz parte". 

Podia tê-lo dito de tantas outras formas generosas, educadas, gentis. Afinal, era marinheira de primeira viagem, estava ali a fazer algo pela primeira vez na vida... Mas as palavras, a atitude... RED FLAG. 

Ao todo, acho que o tratamento ficou por uns 2000 euros - sem contar o absurdo de alguns produtos para o rosto - que foram comprados "cá fora" mas a maioria, só existiam na clínica dela. 

Durante toda a experiência, quis acreditar no que me diziam. Embora não sentisse nada. Nada diferente. Quando o tratamento terminou, a médica apareceu e perguntou-me se notava a diferença. Respondi-lhe que ia ser sincera, mas não notava nada. Ao que ela praticamente "explodiu". Ficou irritada e meio agressiva. "Como não nota nada?!?!". O truque era "beliscar" a pele e ver que ganhou mais elasticidade. Mas eu belisquei e não notei nenhum elástico a contraí-la de volta com a rapidez que não a que tinha antes. Ainda assim, respondi-lhe que, devia ser eu que conheço pouco do assunto e ela, se é especialista e o diz, ia acreditar. 

Também recebi umas injecções de botox - na testa e canto dos olhos - que, sinceramente, não notei nada. Mas como as rugas só apareciam durante expressões, se calhar fez efeito eu é que não notei. Como não ia lá com essa intenção - so mesmo me ver livre das olheiras - não me importei com o resultado. Mas por ela ter decido aplicar "botox", foi aí que pensei que as rugas labiais estavam incluídas. Pois ela, mostrando-me ao espelho, esticou o meu rosto para que percebesse "como" ia ficar.

Fiquei com os olhos escuros como se tivesse sido esmurrada mas, da segunda aplicação de lazer, senti que a intensidade estava fraca. Talvez por isso, em 24h, a pele queimada começou a cair. Foi algo muito superficial. 

No final, senti-me bem em fazer o tratamento, sabe bem receber massagens no rosto e ter um profissional a limpar a pele. Mas o resto, versus o resultado final?

Com sinceridade, não notei diferença alguma. 

E ASSIM foi a PRIMEIRA experiência na estética. 

Ao mesmo tempo que marquei esta consulta, também tinha marcado outra com um CIRURGIÃO PLÁSTICO. A sua consulta ficou a um preço mais barato e, quando tive dúvidas e precisei marcar uma outra consulta - porque já tinha tido a primeira, existiu um "desconto" de 20 euros. 

Expliquei-lhe o que me incomodava, ele viu o meu corpo e disse-me o que podia fazer. A parte que mais gostei foi ter-me dito que podia tirar gordura localizada e injectá-la em áreas onde não se querem sulcos, como as rugas e as nádegas. Achei o MÁXIMO. O valor, seria quase o mesmo, porque a cirurgia podia ser feita por partes - ou toda num só. Se fosse tudo num só, poupavam-se uns 1500 euros. 

O valor total por todos estes procedimentos - lifting de pálpebras, preenchimento de rugas, levantamento de seios - sem aplicação de silicone ou qualquer material - pois eu não queria - rondava entre os 6.000 e 12.000. 

Não achei caro - para o que envolvia. Mas tive receio. Senti que era impossível fazer o procedimento porque requer um recobro de um mínimo de quatro a seis semanas e alguém que cuide de nós. Se alguém soubesse que ia me sujeitar a tal coisa, não iam parar de me criticar, insultar, diminuir, etc. E ninguém ia ficar a cuidar de mim. Além disso, não podia ausentar-me do emprego por tanto tempo - pareceu-me. 

Outro fator que me fez hesitar - a única RED FLAG de tudo, é que o cirurgião, afamado que é, pareceu-me muito competente, sem dúvida alguma. E uma pessoa bem simples e afável, que dispensava todo o tempo que precisasses para ti, durante a consulta. Mas era uma pessoa de idade avançada. Cujos procedimentos que efectuava ainda eram os que havia aprendido décadas antes. Falei-lhe que tinha visto, anos antes na TV, um procedimento que levantava as pálpebras com cola. Ele desconhecia e disse que ele fazia com um corte e deixando uma costura na parte onde o olho dobra - por isso seria impercetível. Eu procurava tratamentos o MENOS invasíveis possível. pelo que, se podia colar - sendo a recuperação mais rápida, porque haveria de ter pontos? E ficar toda marcada?

Mas nunca cheguei a confirmar este procedimento, que vi ser anunciado por um médico brasileiro num desses programas matinais ou da tarde da SIC ou TVI. 

  A RED FLAG maior - aquela que não consegui contornar, foi o portfólio. Ele mostrou um book com "antes e depois" de cirurgias feitas por si. Em TODAS as imagens notava-se a passagem do TEMPO. Eram fotos datadas. Dos anos 80 e 90. Perguntei se podia ver imagens de procedimentos mais recentes, foi-me dito que essas imagens existiam, mas estavam todas no computador e ele não sabia aceder a elas nos "computadores", tinha de ser a secretária a fazer isso. Esse detalhe reforçou ainda mais o receio de que o cirurgião tivesse "parado no tempo" no que respeita aos avanços da sua área, visto que "parou" no que respeita a procurar imagens no computador. 

Bem sei que é coisa pouca. E não estou a diminuir nem um pouco o talento e capacidade do médico que, tanto quanto sei, ainda opera. O que é espantoso. Será que não sente necessidade de se reformar? Será que as mãos não tremem? A vista fica turva? O que o motivará a continuar? - pergunto-me. Será que é porque é característica da sua geração? Porque não acredito que seja necessidade monetária. DECERTA que não deve de ser. E filhos, estão criados. Família, toda deve estar bem. Fiquei na dúvida se ele seria capaz de perceber quando chegou a hora, quando tem de parar. 


E por isso - e pela quantia final mais o tempo de recobro - continuei a optar por tratamentos estéticos. Fiz depois um tratamento que injecto "gás" nas pernas, fiz aquele que "congela a gordura" e fiz, mais recentemente, aquele que visava tratar aquilo que mais me incomodava: a pele do pescoço com dobras. 

E hoje gastei TODO o dinheiro que tinha disponível. Pelo meio ficou um aparelho de dentes Invisalign - também em 2019 - bem antes da pandemia (outra razão para ter adiado o procedimento cirúrgico - o MEDO de contrair a doença "fatal e sem cura" que foi o Covid por dois anos) que correu mal, não gostei do médico e não resultou nada. Tendo eu ABANDONADO a tentativa. Paguei 2000 euros. 

Por estas experiências digo-vos: se estão a pensar fazer algo, o cirurgião tinha razão: ele dizia que a cirurgia era o caminho a seguir e, claro, as esteticistas dizem que não há motivo para gastar tanto dinheiro a ir à faca e sofrer horrores, se existem tantos tratamentos eficazes e indolores. 

Vão pelo cirurgião: mais vale!

Os resultados devem ir mais ao encontro do pretendido e o dinheiro é gasto UMA só vez. 

Dos tratamentos estéticos que fiz, NENHUM resultou. Não realmente. Elas, as estéticistas, dizem que sim. Uau! Maravilha? Está a ver? Resultados óptimos - dizem. 

Mas eu não vejo nada. 

Quero acreditar que são resultados INTERNOS - mas caramba! O dinheiro foi-se todo e esperava ter resultados EXTERNOS também. O tratamento que fiz para perder a barriga - o "queima gorduras", fi-lo numa altura em que estava magra mas tinha só um bocado de "chixa" que pensei, poder eliminar e, pela primeira vez na vida, ficar um aquela barriga LISINHA. Apetecia-me MUITO MUDAR. Se possível fosse, mudava de corpo, de imagem, de cor de pele, de altura! Estava com necessidade de me sentir numa nova etapa, com uma nova imagem. 

Engordei. O tratamento não me fez NADA. Acabei por engordar. Um ano mais tarde, fi-lo novamente, noutra esteticista, porque me haviam dito que tinha dado um impressionante resultado numa amiga de uma amiga, que era gorda e tinha perdido um absurdo de peso, estando magrela. Por ter "bom feedback", sujeitei-me novamente ao tratamento. Não tive resultados alguns. 

Concluí que, um mesmo tratamento, pode resultar para uns organismos mas não para outros. E o meu não ia nisso. Se calhar - pensei, não tenho gordura, tenho ar! Água! Daí nada a "queimar". 

A única coisa que recomendo é a aplicação de botox. Fi-lo em Setembro passado e logo que terminou notei a diferença. Foi como se a minha identidade tivesse voltado. Apliquei apenas uma pequena quantidade nas rugas de expressão dos cantos da boca. Apliquei uma seringa apenas - mas recomendam-se DUAS. Uma para cada canto. Preço? 500 euros cada seringa. 

Percebi de imediato que não tinha como sustentar tal luxo. A médica ainda me explicou que ia ficar muito bem aplicando botox no canto dos olhos, na testa e na zona labial - cima e baixo. Ao todo, 8 zonas. 

8 x 500.... 

O problema do Botox é que dura algo como seis meses... 
Quando a da primeira clínica me aplicou, disse que ia "fazer uma coisa" para que durasse "no mínimo dois anos". Diante disso, fiquei sempre com a impressão que era esse o tempo de duração da aplicação da toxina. Só que TODOS os especialistas que consultei à posteriori me disseram que não. Isso "é impossível". 

Seis meses.... Na realidade, foi-me dito que o ideal é aplicar quatro vezes ao ano. 

8 x 500 x 4 ....

Façam as contas. Percebe-se logo que o caminho a seguir é cirúrgico. 
Tivesse optado por isso e teria gasto MENOS e visto os resultados que pretendia!


Duvido muito que, pós covid, os valores continuem o que eram... O cirurgião tinha a sala de espera cheia de clientes, todas frequentes, a elogiá-lo. Uma sala com sofás, cadeiras estufadas, um televisor, um bom clima... bem diferente do que senti na clínica de estética da minha estreia. Os outros tratamentos estéticos que fiz, foi noutra clínica, que, também me parecendo credível, mostrou ter profissionais esclarecidos e simples, acessíveis a esclarecimentos até por mensagem de whatsapp. (agora já não, mas eu, por ser cliente antiga, apanhei essa vantagem). Porém, também notei que não gostam que se questione os resultados dos tratamentos. Dizem que iam fazer - mas nunca fizeram: a foto do ANTES. O que aconteceu desta última vez foi que me injectaram um líquido no pescoço e este duplicou de tamanho. Depois, quando ainda estava a recuperar, tiraram uma foto. E depois, no último passo, mostraram-me a foto do "antes" e "depois", sendo que o "antes" nunca foi o meu antes. Foi o "após 40 picadelas de agulha". 

Comecei a temer agulhas só pelo nome...  

  

E VOCÊS`?

No  quê já se aventuraram?