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segunda-feira, 22 de junho de 2026

O menino no fosso de crocodilos

 

Saiu nas notícias que aqui em Inglaterra, num zoo familiar de nome Johnsons of Old Hurst, por volta das 13h de quinta-feira, um menino de três anos foi "atirado" para o fosso dos crocodilos. Imediatamente - dizem as notícias, a mulher do zoo, seguida do marido e do filho, correram para auxiliar a criança. 

O menino foi atirado de uma altura de 15 pés (façam as contas) e nada dizem sobre o impacto, mas aterrou no asfalto. Acrescentam que um dos dois crocodilos mordeu a criança. Um dos sites de notícias diz que a família que possui o zoo conseguiu remover a criança dos dentes do animal. Outro link tem o sensacional título: "porquê o crocodilo não comeu a criança de três anos atirada ao fosso" - e embora no final da leitura não esclareça essa questão, e foi esse que despertou a minha curiosidade. 

"Como assim? Uma criança foi ATIRADA aos crocodilos? É uma história do passado ou recente?" - para meu desconforto, tinha acontecido aqui, em inglaterra dia 18 e Junho!

No dia seguinte notícias sobre o estado do menino, entretanto internado no hospital, diz que ele está em estado CRÍTICO mas estável. 

Para mim se é crítico - ainda que estável - ainda não está fora de perigo. Tem a pélvis partida e um braço - diz outra notícia. Muita sorte em não ter morrido só pela queda. Mas sobreviver ao "beijinho" dentuço de um crocodilo??

Isso é outra coisa!

Tomara que a criança sobreviva - até para parar com a aflição dos pais. E que não tenha sequelas por demais. Que seja só uma história para contar, que possa levar a um show de TV tipo "Casa dos Segredos" e possuir o fantástico segredo: "fui mordido por crocodilos quando atirado para um poço no zoo". 



Agora mais a sério: o negócio daquela família com um zoo particular também pode estar em risco - se se verificar que não reuniam condições de segurança suficientes. Embora, ao que tudo indique, a criança foi ATIRADA para o poço. Se pega ao colo e atirada por cima de uma alta vedação, não se sabe. Se a vedação era pequena e ela podia ser empurrada por encontrão, não se sabe. Aparentemente o "criminoso" é um homem de bom porte mas muito limitado cognitivamente. Surdo. Estava acompanhado por dois cuidadores ingleses, que, segundo uma testemunha, estavam a uns 9 metros de distância e distraídos nos seus telemóveis.

Aqui no reino Unido vê-se muito disto. Pessoas que cuidam de outras com mais limitações e que não são da família. São contratados, geralmente, pelo que observo na minha cidade, pessoas de cor, com origem em países em que cuidar dos mais idosos é um hábito, um dever. E como se sabe, os idosos podem ter necessidades especiais semelhantes a de crianças ou mesmo sofrer de problemas cognitivos - sem serem por isso limitados. 

  

sábado, 2 de maio de 2026

Carlos e Trump

 

Gostei muito de escutar o discurso humorístico mas cheio de diplomacia, bom senso, contexto e com "mensagens" sublimares que O Rei Carlos efetuou ao Trump.


Recuso-me aqui a descrever o Trump com o seu título (provisório) de comandante do país onde os seus antepassados NÃO nasceram porque ele, o "Trumpa" fez questão de mencionar o Rei Carlos apenas pelo nome. Como se o estatuto de realeza do outro lhe fizesse "comichão", principalmente ao EGO. 


Carlos é Rei por mérito. Por nascimento. Foi educado para o ser, treinou na armada militar do Reino Unido, enfim. Pode-se pensar o que for do seu aparente estado de "patetice" mas o que ele discursou nesta ocasião foi Brilhante. 

A minha parte favorita do seu discurso dá-se aos 6:35 minutos. Quando Charles menciona a visita de sua mãe em 1957, para "sarar" após problemas com o Médio Oriente - e depois acrescenta algo do género: "Passados 70 anos, é difícil de imaginar algo do género a acontecer hoje". 

Sendo esta a situação do momento e sendo o Trump um possível impulsor para tal.

Brilhante. 





Parabéns a quem quer que seja que escreve os discursos políticos de ambos. Realmente sabem o que fazem. Menções à sua falecida mãe - a Rainha Isabel, que teve um mandato tão duradouro e conheceu 17 presidentes Americanos, teve o impacto de humildade e contexto necessário. Certamente que no seu longo reinado Isabel passou por grandes apertos. Ela viu todo o tipo de "doido" ameaçar a paz mundial. Viu o medo do mundo. Tantas e tantas vezes que se tornou sábia. E aprendeu que tudo é cíclico, tem um começo mas também um fim. 


O discurso de Charles fez-me lembrar quando Marcelo Rebelo de Sousa, em 2018, foi visitar o Trumpa na Casa Branca. Ele também lhe deu uma "lição" de história a respeito da longa história entre os países Portugal, América e Inglaterra. Mas o Donald só soube acenar com a cabeça tal e qual um boneco de tablier e sequer escutou o que Marcelo lhe disse. Não tava nem aí. 



Sabiam que Bell (sino, que foi uma oferenda de Carlos a Trumpa) End (ponta) quer dizer cabeça de PENIS em calão inglês? Eu não sabia! Até ler nos comentários. E adorei. Se existiu intenção de o chamar de tal de forma sublimar não sei. Mas é adequado, convenhamos. 

E já agora, hoje vi um filme com uma cena tão preciosa que preciso mostrar aqui. Pode ser que entendam - como eu entendi - a mensagem sublimar. Atenção: o filme é de 1996 - muito antes da Trumpa se meter em política... ou melhor, em presidências. 


Conseguem perceber??

Têm de AMPLIAR ao máximo este vídeo para perceber. 

 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Todas as cidades sao iguais

 Estou a precisar quebrar a rotina aqui em Inglaterra. Apetece-me conhecer lugares novos. Um autocarro dizia ter como destino Sutton e decidi pesquisar a cidade no google. 

Surge um conjunto de imagens que se renovam a cada tres segundos. Claro, sao imagens que reflectem o melhor que a cidade tem para oferecer. Surge uma fotografia aerea da topografia e quatro ou cinco imagens de diferentes parques relvados.

A vontade de visitar o lugar desaparece. Nada de diferente. Nem um museu, um restaurante, uma loja pitoresca, uma igreja. 

Só reforça a minha impressão que todos os locais aqui em inglaterra sao identicos. Nao existe singularidade. Quem visita um basicamemte vai encontrar o mesmo em todos os outros. As mesmas lojas, a mesma toponimica, as mesmas casas construidas com os mesmos materiais e com a mesma arquitectura.

Depois lembrei-me do comentário que escutei de um colega ingles noutro dia. À saida do trabalho, lamentei estar a chover e disse: "Mas o que se passa com este tempo britanico que nao para de chover?"

-"ENTÃO O QUE É QUE ESTÁS AQUI A FAZER?" - disparou ele, com reprovação na voz e denunciando um pouco de aversao a estrangeiros.


Como se um simples lamurio sobre a chuva não fosse um comportamento curriqueiro comum a todos por toda a parte. Principalmente quando nao se ve um raio de sol faz mais de um mes (e ja e primavera).  Reagiu como se fosse um ataque ao seu pais. 

Subitamente, tive a resposta aquela "pergunta" dele: "O que estás aqui a fazer?", ao constatar que todas as cidades em inglaterra sao iguais. 

Estou aqui pelo mesmo motivo que ele. Para trabalhar com o status de colarinho preto. Só que ele nasceu aqui e nao conhece diferente. Eu nasci noutro lugar e conheço. 


Estou aqui - percebi, porque Inglaterra nao passa de uma grande fábrica industrial. Estou aqui para trabalhar nessa fabrica, como quem muda para os alojamentos providenciados por uma unidade laboral. Inglaterra ser tao e somento isso, está nestas cidades uniformizadas, na ausencia de diversidade de produtos (como os meus iogurtes prediletos cujo sabor nao existe aqui), nos parques todos iguais para criar a ilusao de escape que nao esta realmente ali. Barato e quase sem manutencao. Para manter os operarios felizes nos seus curtos minutos de lazer. 

Cinco anos e ainda não se vendem estes iogurtes em inglaterra. Pelo menos eu não os encontro. Os ingleses estão limitados a um número mínimo e repetitivo de sabores. 

Inglaterra e uniformizada. Pelo menos para as massas. Tratam o povo como se nao merecesse melhor. Fazem pior que isso: nao os deixam SABER que ha melhor. Wue devem solicitar melhir. A srmelhanca dos EUA, dizem-lhes wue estao na melhir nacao da livre europa e por isso devem agradecer suas bencaos.

Nada podia estar mais longe da verdade. Por vezes, a proclamada liberdade em paises livres e tao condicionada e a realidade ocultada tanto quanto em paises rotulados de tiranos.


domingo, 15 de março de 2020

Regresso ao Reino Unido e o Covid-19


Estou de volta ao Reino Unido, de regresso à vida numa casa partilhada com assistentes de bordo italianos. Aparentemente está tudo bem. E assim pretendo que continue. O medo mesmo, reside na falta de acção do Governo e no Sistema de Saúde. Não parece que existam medidas a ser tomadas para prevenir seja o que for. Escolas não fecham, ajuntamento de pessoas não tem qualquer nova regra imposta, os centros comerciais continuam a abarrotar de gente... está tudo a levar a sua vidinha como se nada fosse. Em caso de sintomas de gripe, o NHS (sistema de saúde) não quer saber se se trata de COVID-19 ou uma simples constipação. Dizem que qualquer pessoa que tenha sintomas deve"ficar em casa". 

E é só isto. É isto que o SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE BRITÂNICA tem para oferecer aos seus cidadãos: absolutamente N_A_D_A. Eu pergunto: se for o Covid-19 que a pessoa tem, como é que entra para as estatísticas? Só se  vier a falecer e então ser-lhe facultado o teste! Se sobreviver, nunca saberão se o que a afligiu foi o Covid ou não. Ou será que à posteriori já aceitam que a pessoa seja testada só para aproveitamento político, do tipo, "curaram-se X", ainda que nenhuma cura esteja relacionada com a acção dos governantes e do sistema de saúde mas à pura sorte?

E quantas pessoas de saúde mais fragilizada, como doentes, pessoas que sofrem de asma, diabetes, pessoas mais idosas com o sistema imunológico pouco resistente... essas, o governo está a condenar à sua própria sorte. E os factos dizem qual é: a morte.
É uma postura vergonhosa e se nada mais me incentivar, esta falta de consideração pela vida humana dos próprios contemporâneos confirma aos meus olhos o quanto se pode contar com o governo britânico em caso de verdadeira necessidade. Não se pode. Em que país vou ficar a morar??


Mas vinha falar de outro tema: no vôo de regresso, fiz uma paragem no Porto. Aproveitei, ainda com receio mas tomando todas as precauções, para dar um pulo à cidade. Mantive-me afastada de pessoas, mas foi difícil, porque as havia por toda a parte. Quase todas turistas. A zona ribeirinha do Porto estava lotada de gente, que por ali se aglomerava até bem depois da hora de almoço. Inclusive carteiristas, disfarçados de vendedores de óculos escuros. Nenhuma pessoa usava luvas ou máscara. Só no metro é que encontrei algumas pessoas com máscaras no rosto. 

O mesmo verifiquei em Lisboa, no curto período de tempo que caminhei pela Gare do Oriente, querendo "matar" saudades do rio. Muitos turistas, todos despreocupados, a turistar e alguns jovens - também eles estrangeiros, outros talvez nacionais. Dentro do shopping, muita gente e o supermercado Continente, lotado de pessoas. 

Mas quero também partilhar outra coisa que notei e que é de louvar: a preocupação dos gerentes em sanatorizar os espaços. Vi os corrimões das escadas rolantes do centro Vasco da Gama a serem desinfectados, a WC onde precisei de ir estava bem limpa e no geral, notava-se que o comércio tinha consciência do vírus, havendo aqui e ali quem estivesse de luvas e máscara. 

No aeroporto de Lisboa, a mesma coisa: muita desinfecção, o WC no qual entrei foi o mais limpo que alguma vez vi. Nas palavras apanhadas aqui e ali pelos funcionários, notava-se preocupação e também cada qual tinha a sua opinião sobre a medida a ser tomada: encerramento total do espaço aéreo - foi a que mais escutei. 

Uma vez no Porto, verifiquei que os mesmos cuidados estavam a ser tomados. Consegui registar isto aqui: a limpeza de uma das paragens de metro.


Mas também entrei num outro centro Comercial, um perto de um oculista de nome "Adão", onde fui por precisar de um WC e, quando nesse espaço quis entrar, tive de esperar à entrada onde um fita me impedia a passagem, pois o mesmo estava a ser limpo. Cá fora, mais um corrimão de escada rolante a ser desinfectado...

Portugal a tomar precauções. Muito bonito de se ver.

(já o UK...)

Espero não me arrepender de ter regressado a este país, onde, claramente, corro maior riscos de contaminação. Tudo pelo trabalho... que me ocorre agora poder vir a desaparecer. Por causa do vírus em si. Com esta falta de controlo, vivendo tão perto de um aeroporto, com a descida de encomendas e exportações, o mercado económico está a sofrer imenso com o Covid-19. Maldito ano de 2019 que chegou mesmo para nos dar terríveis experiências! Este vírus começou em 2019 e «transitou» para o ano seguinte. 

Mas nem tudo é mau e quero partilhar convosco outra impressão com que fiquei durante a minha rápida passagem pelo Porto. Nomeadamente pelo aeroporto do Porto... Então não é que cada gajo que ali estava a trabalhar, desde o tipo do café, a um outro qualquer atrás de um guiché, ao ground-force (equipa de terra) que aparece para fazer coisas no avião, até aos tipos da segurança ou do check-in... tudo homem bem constituído, interessante. Um ou outro com um tom de voz daquela que me faz sentir como se escutasse uma melodia de embalar... só que sexy. 

Zona ribeirinha, Porto, pós emergência Covid-19, dia 14 de Março 2020

E por fim, desta vez dispensei a Easyjet e voei pela Tap. É uma companhia aérea que pode nos dar dor-de-cabeça antes da viagem. E o aeroporto de Lisboa é sempre caótico, pequeno, desorganizado... Mas uma vez dentro do avião na viagem em si, tirando os passageiros barulhentos e que parece que ali viajam todos os que não aprenderam que é para usar auscultadores nos ouvidos se forem ouvir músicas ou ver filmes, a equipa a bordo é sempre simpática. A comida não é vendida. Se fizer parte do "pacote" do bilhete, tens direito a ela. E esta é-te dada com simpatia e cortesia. Nada de te "enfiarem" aquilo à frente dos olhos com ar de frete... Acho até que se pedires reforço de bebida eles dão-te-na, sem cobrar. Fiquei na dúvida, após o casal ao meu lado pedir uma segunda cerveja. Não vi quaisquer trocas de dinheiro.

Muito diferente da companhia aérea laranja, que tem como objectivo a venda a bordo, o lucro, lucro, lucro! E se formos a ver, diante de certas condições (como a stop-over no Porto que até foi mais uma vantagem que desvantagem), a Tap faculta passagens económicas. Infelizmente não tanto quanto as que faculta caras. A mesma passagem de Lisboa ao Porto custaria quase 200 euros, caso o meu destino final fosse esse. Um horror! Fiquei até pasmada a olhar para o monitor. Lisboa-Porto não devia ser mais que uns 50 euritos... Mas como o meu destino final era esta terrinha onde chove e faz frio (já a sentir falta do sol que encontrei em Portugal), o preço do bilhete não chegou a 50 euros. 


Acabou de me ocorrer um facto que não aprecio mas que constatei ser real: cada vez que me demorei pelo Reino Unido, levei comigo para Portugal algo mau e de efeitos duradoiros. A primeira vez que pisei nesta terra, foi como aluna Erasmus. E foi quando apanhei a minha primeira gripe. Fiquei de cama, tudo doía e não conseguia mexer-me. Nos anos seguintes - três, quatro o que não é pouca coisa, apanhava constipações fortes com extrema facilidade, várias no inverno, sendo que a última deu-se em pleno verão. Antes disso era raro. Todos tinham ar condicionado ligado devido ao calor e aquilo para mim era um suplício, causava-me ataques de espirros que não conseguia conter. E sentia muito frio. 

Pensei estar "condenada" para o resto da vida, ter ficado com o meu sistema imunológico comprometido, tudo devido a um virus inglês que apanhei na Inglaterra. Pouco depois vim trabalhar uns meses para o Reino Unido, e, mais uma vez, surgiu um "surto" qualquer no local de trabalho, julga-se que com o sistema de água, que fazia com que a pele das pessoas ficasse seca, gretada, solta. Apanhei isso na minha mão direita e desde então "tenho" comigo essa condição adormecida. Regressou no primeiro ano que emigrei para cá e trabalhei num restaurante, onde lavar as mãos, ter as mãos húmidas, sujas, esfregar e limpar era rotina constante e diária. A coisa "surgiu" novamente mas com muita força. Fiquei com as mãos a sangrar e todas peladas. Numa consulta médica com um dermatologista em Portugal fiquei a saber que não era uma bactéria, era um vírus e que não tinha cura. Só podia gerir a coisa. Como?
-"Não lavar as mãos" - respondeu-me ele. 
- "Não posso lavar as mãos?! A sério?" - disse, incrédula e sabendo desde logo que isso era impossível. 

Não posso ter as mãos húmidas.

Escusado dizer que não cumpri a  recomendação do médico, continuo a lavar as mãos com muita frequência, devo tê-las lavado ontem somente umas 100 vezes. Mesmo de luvas, lavava-as a cada toque no telemóvel para tirar uma foto, para consultar alguma coisa, cada vez que precisei ir ao WC... muitas vezes lavei eu as mãos. Mas não se preocupem: a mão nunca mais apresentou os sintomas. Às vezes dá a "coceira", sinto-a ligeiramente áspera... mas passa. A pele, contudo, nunca mais ficou a mesma. Pouco se nota. Está "mais solta", mas só eu sei disso.

Sempre intuí que, cada vez que pisasse no UK, regressaria com uma mazela qualquer
Tenho vivido aqui nos últimos anos. Por vezes ocorre-me este pensamento. E fico a imaginar o que aí virá. Agora temo que a próxima mazela seja o Covid-19.

Se o apanhar, segundo o NHS, devo ficar "fechada em casa" e isso significa condenar todos os que cá moram a quarentena e também, à possível contaminação - caso não seja um deles a me contaminar primeiro.

Mas uma coisa é certa: o governo Inglês conta com a contaminação. Não faz NADA para a prevenir e vai ficar de braços cruzados à espera que desapareça. 

À espera que o resto do mundo, que o resto da Europa de quem se quis separar, que seja ela a tomar as precauções, que seja a Europa a ajudar os cidadãos e que seja ela a parar a disseminação do vírus. Até que este desapareça também daqui. Mas será que desaparece ou encontra um foco para permanecer?

Se assim for acabei de me condenar a ficar aprisionada numa ilha de Covis-19.  
Talvez até à morte. 


A última imagem que os meus olhos irão ver poderá vir a ser a tal vista que tenho deitada na cama, quando olho pela janela. 

Na minha ausência, a árvore floriu. 

Bem fizeram o duque ou ex-duque e a ex-duquesa: mudaram-se para a Austrália! Ou será Canadá? Não me interessa realmente... «fugiram» do Reino Unido. Foi ainda durante o surto do Cóvis-19. Será que já sabiam que os políticos daqui iam "deixar andar" e ficar o povo cair que nem moscas?

sábado, 26 de outubro de 2019

^Chapéus descartados^


Não é a primeira vez que recorro a um guarda-chuva largado na rua, para me proteger de uma chuvada. Acho até que é por isso que existem tantos por aí, eheh.

Acontece. Uma pessoa tenta consultar a previsão do tempo, para saber se deve ou não sair com guarda-chuva. Tem estado a chover muito mas, em Inglaterra, isso tanto pode demorar, como não. Como ia trabalhar e não tenho onde deixar a mala, decidi não levar nada comigo: apenas um  impermeável (que deixa passar a água) por cima de um casaco quente e o chapéu/gorro de lã, com pala, que é imprescindível para a chuvinha inglesa: sempre a cair direita.


Mas ao sair do emprego, o tempo trocou-me as voltas e presenteou-me com chuva normal e algumas rajadas de vento. E eu sem guarda-chuva! Já estava bem encharcadinha, quando avistei o primeiro guarda-chuva lançado para o meio da relva. As hastes estavam uma desgraça e deixado no meio do lamaçal, nem pensei em pegar nele. Mais à frente, vi um chapéu todo aberto e virado ao contrário, também no meio do mato. Estava bom, apenas faltava-lhe metade do cabo. Para me dar mais protecção contra a chuva, achei perfeito e obedeci ao impulso de o agarrar. 



Entornei a água que armazenou por estar virado ao contrário, tentando remover a porcaria que o vento fez que ali se agarrasse e usei-o como abrigo. Curiosamente, a chuva começou a fraquejar e até deixou de cair, logo após ter encontrado esta solução. 

Mas se tivesse descartado o chapéu de imediato, certamente que a precipitação ia recomeçar. É o caso típico de: sais à chuva prevenida, nada acontece. Deixas de estar, vem tempestade.

E vocês?
Alguma vez vos passou pela cabeça?


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Por inglaterra - Há lixo nas ruas?


A resposta:


SIM.
Desde detritos recentes...
















Aos que já têm meses













E ao que parece tb se estaciona em cima dos passeios
(não deu para borrar a matricula mas tb quem vai saber?)



sexta-feira, 5 de abril de 2019

Hora dos Paradoxos: Sem abrigo


Agora às sextas-feiras vou começar a publicar coisas engraçadas que observo aqui em Inglaterra. Este país, tanta vez apontado como "mais evoluído" será mesmo como muitos o pintam? 


Vou mostrar fotografias de coisas que vou apanhando pela rua e promover o debate de assuntos. Acham que a galinha do vizinho é melhor? A relva é mais verde no quintal do lado? 


Para estrear
SEM - ABRIGO
Tirei esta fotografia às 23h de hoje. É uma foto da fachada de uma loja, e à entrada dorme um sem-abrigo. Dois dias antes dei a este homem carne quente que tinha acabado de comprar no supermercado. Lá estava ele, 18h da tarde, já instalado, a fumar o seu cigarro e a beber a sua cerveja. O sem-abrigo nunca diz "não". Ele só diz "obrigado". Fica-se sem saber se gosta ou não do que lhe é oferecido, ou mesmo se precisa. 

Afinal, encontrar sem-abrigo não é só em Lisboa, ou Portugal... Os ingleses também os têm. E muitos. Quando fui a Londres também se encontravam por toda a parte, principalmente à entrada dos metropolitanos, como numa em Picadilly Circus. Também tirei fotos. Principalmente quando vi uma pedinte a tirar o telemóvel do bolso e ter uma conversa alongada com alguém. Não que seja proibido... Afinal, pode ser que tenha daqueles planos que não paga. Mas ainda assim, onde será que o carrega? Eu tenho de carregar o meu todo o dia, senão deixa de funcionar. Isto foi em Londres mas aqui nesta cidade pequeníssima, são muitas as pessoas sem abrigo ou pedintes. Instalam-se durante o dia à porta dos principais estabelecimentos comerciais: o supermercado, a loja dos 300, a rua principal... Aquele que se instalou mesmo à entrada do supermercado até parece que ali montou uma casa. Numa ocasião tinha o edredon nas portas que dão acesso ao parque de estacionamento. Ele conversa com pessoas ali mesmo, de pé, não se limita a ficar sentado com o copinho na frente. 

As idades dos sem abrigo variam. Mas quase todos, adivinha-se, devem ter um problema com drogas ou outras substâncias aditivas. A que mais me chocou foi em Outubro passado, quando também dei comida a uma sem-abrigo que encontrei quando passava na rua principal. Era uma rapariga muito jovem. Demasiado para já estar nas ruas. 

As drogas parecem reflectir no olhar de muitos com que me cruzo nas ruas. As mãos seguram afincadamente garrafas de rótulo de bebida gaseificada, mas de conteúdo duvidoso. É que deve ser proibido andar a certas horas já de "pinga" na mão. Ou dá chatices. Então estão sempre com ela na mão, mas disfarçada de lata de coca-cola

Depois de tirar a foto ao sem abrigo, tirei esta a um grupo de 4 adolescentes à entrada do supermercado. Estavam todos a fumar e a beber álcool. Como se o tivessem de o fazer ali mesmo, acabadinhos de sair do supermercado. Não pudessem esperar nem mais um segundo.

Futuros Sem-Abrigo?
Acho que aqui o governo preocupa-se bem menos com os desfavorecidos. Quem vejo ajudar, com distribuição de alimentos e sopa quente são sempre instituições privadas (talvez co-ajudadas por fundos governamentais mas isso só intensifica a vontade de atirar-para-os-outros um trabalho que devia ser principalmente do Estado). 

E a percentagem de jovens dependentes de drogas, bebidas e com baixa escolaridade não é brincadeira em Inglaterra. 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O pobre está sempre desgraçado


Estou em busca de trabalho. Tenho me candidatado a dezenas de posições mesmo antes de ter deixado o anterior emprego. Isto foi em Agosto. Estou há seis meses sem trabalhar. Isto parece-me surreal. Espanta-me como o tempo parece passar mais rápido quando se deseja que não passe de três  semanas. 

Que ingenuidade a minha!
Hoje a percepção da realidade foi sentida como um soco, de deixar o adversário KO. Brutal.

Há uma semana fui a uma entrevista de emprego para trabalhar em algo que já trabalhei em Portugal e que não requer conhecimentos específicos, qualquer um pode obter aquele trabalho. Soube da vaga durante uma outra entrevista, no centro de Emprego, onde fui para procurar orientação e apoio. Estava no final da linha, aquele lugar onde a esperança está a terminar. Recorri a eles - só para constatar o quanto é desolador as expectativas e a realidade. 

Diante do meu interesse por uma oferta divulgada pelo Centro de Emprego, o funcionário marcou a entrevista, que aconteceu há uma semana. Nunca tinha apanhado uma recrutadora que falasse à velocidade daquela. Parecia querer despachar-me muito rapidamente. Elogiou-me, como tanta vez alguns fazem, disse inclusive que seria perfeita para o trabalho. Enfiou-me uma série de papéis para preencher, deu-me todos os seus contactos e mandou-me voltar a entrar em contacto assim que tivesse reunido toda a papelada. 

Até hoje. Já a contacto faz cinco dias. Não obtenho resposta. Recebo apenas um email automático dizendo: "de momento não me encontro no escritório, só regresso amanhã dia X. Se for urgente contacte em alternativa fulado Y ou fulano Z".

No dia "X" volto a contactar, só para receber outro email automático dizendo a mesma coisa, só alterando o dia para o próximo ao do contacto. Não foi preciso muito para deduzir que aquela ia ser a resposta-padrão a qualquer tentativa de contacto estabelecida. 

Contactei então um dos colegas cujo endereço vinha fornecido. SILENCIO também da parte desse recrutador. Hoje voltei a contactar. Mas não o primeiro, ou o segundo, mas TODOS. Antes de enviar o email fiz uma extensa pesquisa sobre DENUNCIAS DE AGENCIAS DE RECRUTAMENTO FRAUDULENTAS. 

E é nesta pesquisa que a sensação de desolação se intensifica.  
A pesquisa não me devolveu nenhum contacto. Um site apenas, especificou que qualquer queixa deve ser apresentada primeiro à agência de recrutamento e só depois se não ficarmos contentes, pode-se preencher um formulário e enviar para uma certa entidade que julgo governamental. No texto diz que dão importância a todos os emails recebidos - mas não indicam um endereço de email. Em parte alguma. Ou número de telefone. Isto é muito, mas muito britânico. Depois de se cá viver por uns tempos, percebe-se que a realidade e que os teus direitos não encontram quem tenha interesse em lutar por eles, a menos, claro, que pagues por um advogado. Não estão ao teu alcance caso queiras ou necessites das instituições governamentais que supostamente deviam existir em defesa dos mesmos. 


Fiquei com a sensação de IMPOTÊNCIA. A constatação de que, na realidade, não existe neste país alguém que defenda os interesses da justiça para as pessoas mais desprotegidas.

É tudo Fogo de Artifício.

E depois a constatação de que as Agências de Recrutamento PODEM agir na maior das ilegalidades, que as leis pouco fazem para o impedir. NINGUÉM tem interesse em salvaguardar os "alvos" - as pessoas mais necessitadas. Se estas procurarem ajuda, dificilmente vão saber para quem se dirigir. Tudo aqui é tão falso, tão de aparências. A começar pelo "Centro de Emprego". Dirigi-me lá para receber, acima de tudo, ORIENTAÇÃO de um PROFISSIONAL. Queria conselhos, apoio, caminhos a seguir... Mas aquilo mais parece uma repartição das Finanças. Só lhes interessa é documentação, dados pessoais, dados bancários... para fazer a tal "clame" sem a qual não te dão sequer acesso aos serviços ali disponibilizados. E depois? Depois não acontece rigorosamente NADA.

Fui a uma marcação julgando que, finalmente, ia poder falar com alguém que me orientasse, quando percebi que a pessoa era quase uma idiota. Sem querer ofender, mas era um daqueles funcionários que não querem se aborrecer, só querem fazer uma coisinha simples ali dentro, provavelmente um "dinossauro" de outros tempos, que mal sabia teclar no computador e teve de me dirigir a outra colega para que eu pudesse sair dali com um documento constando as datas de inscrição. Mal soube orientar aquela entrevista, fui eu que tomei a iniciativa de colocar questões, ele apenas me mandou sentar e depois perguntou: "Então?". 

Onde estava o "working coach" que me foi prometido? Duas palavras onde se deposita tanta fé e esperança, estraçalhadas diante da realidade que saltava à vista. 

 O facto da oferta de emprego estar a ser publicitada pelo CENTRO DE EMPREGO e a entrevista para a mesma ter-se dado NUM DOS SEUS GABINETES, significa zero em termos de LEGITIMIDADE.

Eles não querem saber! Provavelmente se a agência pagar para usar o espaço, qualquer uma pode ir ali aliciar "clientes". Porque "quantidade é comissão", não é necessário existir uma oferta de emprego real. Só precisam de aparentar estar a proporcionar uma. 

Tudo isto mete NOJO.
É revoltante pensar que andamos a meter filhos no mundo para os sujeitar a isto.
Assusta. Dá medo pensar que podem vir a passar pelo mesmo ou pior.


Em Inglaterra, o sociedade está irremediavelmente corrompida. São todos "carneirinhos" alimentados pela fantasia de que este é um dos melhores "países do mundo" "perfeita democracia e sistema social". O serviço Nacional de saúde é uma anedota -que faz de tudo para impedir as pessoas de conseguir consultas médicas, a justiça também é uma anedota e qualquer tentativa do mais desfavorecido em procurar justiça ou ajuda depara-se com portas e janelas com trancas. É tudo "faz de conta". E por todo o lado - desde que aqui cheguei - surpreende-me a quantidade de "avisos" condescendentes e que deixam implícito que o povo que ousar contestar algo, poderá vir a ser alvo de um processo judicial. Incutiram no povo uma noção de que não pode levantar a voz, que é inadmissível protestar contra o que seja. Estão todos muito cordeirinhos alimentados por propaganda dirigente.



Sinceramente, em muitos aspectos, Inglaterra não passa do outro lado da mesma moeda de qualquer sociedade sobre o pulso de um Ditador. Entre o UK e a China existem mais semelhanças do que se imagina.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A língua brasileira


Vejam este link.
Vai dar às instruções de um produto online, disponíveis em várias línguas. 
São curiosas. Vejam as diferenças entre a versão BR e PT e digam se justifica a diferenciação.

Há algo neste tipo de coisa que meche com os meus sentidos. Vejo-o por todo o lado, principalmente em locais de informação turística. Prende-se com a existência da Bandeira do Brasil ou da denominação BR para indicar a língua traduzida.

Acontece que no Brasil fala-se PORTUGUÊS.
Que eu saiba, a língua é só uma.


Por vezes não se vê a bandeira Portuguesa a ser usada como símbolo da língua de Camões em lado algum. Quando se consulta uma tour turística e pretende-se saber a disponibilidade das línguas do audiobook, quando se quer pagar em "euro" (como na imagem em cima) na qual não surge a bandeira da EU mas a italiana, francesa e espanhola.

Sim, eu sei que isto é um ELOGIO. Além de que o sermos ignorados faz com que Portugal também não ande na mira de indesejados. É um elogio porque claramente sabe-se por toda a parte que os portugueses não são burros que nem uma porta. Já os italianos, franceses e espanhóis, se não verem a sua bandeirinha... Oh Jesus.

Se não existe gente estúpida com o INGLÊS (Os manuais de instruções não vêm com inglês do UK, EUA etc), porquê o português está dividido? O símbolo da língua portuguesa é a bandeira do Brasil? O tal acordo ortográfico supostamente não veio para unificar?


O que acham disto?

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Pequenas diferenças


O meu tempo de permanência em Portugal já está em contagem decrescente.


Foi curto e serviu, na sua maioria, para tratar de assuntos burocráticos ou relaccionados com necessidades médicas. Somente estes últimos dias têm sido dedicados ao lazer. Nomeadamente, ao descanso. O doce "no fare niente"... 


As condições climatéricas que aqui encontrei surpreenderam-me. Pela positiva. Queria ter "férias de verão" e tal tem sido possível. A praia convida a um passeio e eu, que não sou de praia ou de torrar ao sol, não resisto a passear à beira-mar. Adoro a maresia. O cheiro e os sons.


Porque será que custa tanto mudar?
Quando estava para vir a vontade era pouca. Agora que estou para regressar, a vontade também é pouca. Não me apetece deixar para trás o clima daqui. E não me apetece regressar para um lugar onde já está escuro como breu quando aqui ainda o sol brilha e a praia convida a um último passeio.


Mas é a vida.


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As pequenas diferenças é que nos fazem girar. Ficar é não encontrar emprego. E viver em stress. Partir é encontrar emprego - reles mas emprego, e viver com muito menos stress. Diz-se adeus à familiaridade, ao clima e à gastronomia. Nem me lembrava mais do quanto se come mal em Inglaterra até ter voltado a comer alguns pratos confeccionados em Portugal. Trouxe uns aperitivos ingleses comigo que me sabiam tão bem... E cá souberam tão mal!

É o paladar que se adapta às coisas de lá mas reconhece e reajusta-se aos sabores de cá. O reajuste vai tornar a acontecer. 

Outra pequena diferença está nos hábitos. A condução dos ingleses é algo que, em certos detalhes, me incomoda. São lentos nas curvas, quando vêm um peão a atravessar a estrada fora da zona designada é como se estivesse a cometer um crime e gostam de tocar a buzina. Quando não o fazem, e têm espaço para passar, fazem-no devagar. Alguns chegam mesmo a parar. Como se não soubessem continuar o percurso só porque uma pessoa está ali a passar na berma da estrada, quase com o pé no passeio. Têm tanto espaço e não sabem o que fazer com ele. 

Curioso vir formatada com as coisas de lá. Mas reconfortante reconhecer as de cá. O melhor exemplo que vou dar é uma miudeza. Mas foi o que mais me tocou emocionalmente.

Estava a atravessar uma entrada de um estacionamento quando um automóvel em manobras prepara-se para sair exatamente no momento em que eu vou chegar. Quero atravessar aquela pequena entrada asfaltada e não me apetece esperar que o veículo se posicione, se enfie no meu caminho, fique parado a ver se pode virar, se não puder espera que os outros passem.... E eu que estou a subir a rua e nesse instante quero atravessar aquela parte cuja passadeira está tão sumida que mal se nota, não quero ter a minha caminhada «empatada» por um veículo que, claro, parecia estar à espera que eu quisesse passar para se por a mexer.

Dito isto, o condutor acaba de manobrar o veículo e o posiciona com a frente para sair. Mas deixa-me passar. Quatro ou cinco passadas e já estou do outro lado. E então o automobilista segue o seu caminho. Isto não acontece em Inglaterra. Pelo menos onde vivo, não é normal acontecer. Os carros são egoístas. Uma vez no seu território, se julgam prioritários em qualquer caso de manobra, estacionamento, saida ou entrada. 

Se vou no passeio e chego à intercepção entre a estrada e a continuidade do passeio e um automóvel aparece nesse exato instante, eles não estão acostumados a parar. Esperam que seja o peão a parar e a dar prioridade. Porque eles vão na estrada. E o peão no passeio. Isto enerva-me profundamente porque, em Portugal tenho a distinta sensação de que existe cortesia ao contrário. Se vais atravessar e um carro surge, este deixa-te passar, na maioria das vezes. Até porque não se pode enfiar assim sem mais nem menos. Mas em Inglaterra eles enfiam-se, metem a frente do carro para fora e depois decidem se podem passar. O peão que espere... E isso enerva-me. Gosto de caminhar a um ritmo que não exija travagens bruscas seguidas de paragens forçadas. Ahah. Afinal, um automóvel leva meio segundo a passar e quem anda de pé demora minutos para fazer o mesmo percurso que um veículo faz em poucos segundos. Nada mais justo que dar prioridade ao peão.

Principalmente em dias de chuva e vento.

Por tudo isto, gostei que, ao invés de se ter atirado para a saída do parque de estacionamento, forçando a minha paragem, o veículo tivesse esperado eu passar para dar início à sua marcha. Esse simples detalhe fez-me sentir em casa

quarta-feira, 14 de março de 2018

Diferenças entre Portugal / Inglaterra


Um dos costumes britânicos que mais me tira do sério é a falta de noções básicas de como se caminha em espaços públicos. Se andar no passeio e nos corredores dos supermercados ou lojas fosse comparável a conduzir um automóvel na estrada, eu seria aquela condutora que chega em casa exausta de tantas travagens bruscas que tem de fazer e de tantos obstáculos que teve de contornar.

Aqui não parecem existir comportamentos que os portugueses tomam por adquiridos. Nós temo-los tão assimilados, que nem pensamos neles, só os reproduzimos. Vou dar exemplos:

NO SUPERMERCADO

1) Estás a ver uma produto numa prateleira, a dois passos de distância do mesmo. Vem alguém que quer algo do mesmo sítio. O que acontece?

Em Portugal: A pessoa tira o que lhe interessa e vai-se embora.
Em Inglaterra: A pessoa põe-se entre a tua visão e os produtos e fica ali parada.

2) Queres alcançar um produto numa prateleira mas umas pessoas estão a bloquear parcialmente o produto. Esticas-te para o alcançar. O que acontece?

Em Portugal: As pessoas que estão a estorvar desviam-se, sem ser preciso dizer algo ou pedir que o façam.
Em Inglaterra: As pessoas que estão a estorvar não se desviam, ignoram-te e se tentares alcançar o produto elas sentem-se incomodadas, lançam-te um olhar de reprovação e são capazes de atirar para o ar que faltou pedir-lhes para que se desviassem "por favor". 

3) Estás a caminhar com o teu carrinho de compras em linha recta no corredor principal do supermercado, na faixa da esquerda. Aproximas-te de um cruzamento com um corredor secundário. Nisto surge a ponta de um carrinho, vindo da esquerda. O que acontece?

Em PortugalA pessoa que vai entrar no corredor principal com o seu carrinho de compras, para e não avança até perceber que pode virar para o corredor central.
Em Inglaterra: A pessoa que vai entrar no corredor principal com o seu carrinho de compras não pára antes de virar para o corredor principal e sem hesitações vira na direcção que bem que apetece, não se importando se vem alguém ou não. 

4) Estás a meio de um corredor de compras, quase a chegar ao fim. Nisto entram três pessoas, na direcção oposta, cada qual com o seu carrinho de compras e cada uma paralela à outra. O que acontece?

Em PortugalUma das pessoas que percebe que outra vem na direcção oposta e não tem espaço para passar, escolhe encostar-se atrás de outra, deixando assim o caminho livre para quem surge na direcção oposta.
Em Inglaterra: As três pessoas que acabaram de fazer uma curva para entrar num corredor avançam com os seus carrinhos, achando-se com prioridade sobre a pessoa que vem na direcção oposta e que está quase a chegar ao fim do corredor. Não se desviam, continuam a avançar, como que à espera que outro tome uma atitude.


Podia dar mais exemplos de comportamentos em supermercados que acho aberrantes. Mas fico por aqui. Há coisas enervantes que nem têm a ver com o civismo dos fregueses, mas com o supermercado em si. Uma dessas é o deixarem carrinhos e trolleys de material por arrumar por toda a parte. Seja a que hora for - não precisa ser no fecho nem na abertura. É muito comum os supermercados deixarem, por longos minutos, uma gaiola metálica de dois metros de altura por um de largura, cheia de caixão de cartão vazias, ou com material para colocar nas prateleiras. No meio dos corredores ou encostadas junto a prateleiras com produtos que podem interessar a freguesia, mas que ficam tapados e inacessíveis. Os empregados, nem vê-los. Supostamente não podem deixar o material ao abandono. É também comum eles reservarem uma parte do supermercado para atolarem produtos ou caixas vazias. E se um dia calhares espreitares para o armazém, até te assustas. É "tudo ao molhe e fé em Deus". Uma coisa pavorosa, que em Portugal não é vista com bom olhos e uma maravilhosa instituição chamada ASAE certamente reprovaria.

Só para fechar com chave de ouro, aqui fica outra situação:

5) Estás a relaxar em casa quando subitamente percebes que precisas de ir ao supermercado comprar uma coisa. O que é que acontece? 


Em PortugalA pessoa sai de casa e dirige-se ao supermercado - vestida com roupas para ir à rua. 
Em Inglaterra: A pessoa sai de casa e dirige-se ao supermercado - veste pijama e pantufas, não está para se dar ao trabalho de trocar de roupa. 

Para descrever num futuro post fica o comportamento cívico dos britânicos na rua ou nas lojas. Spoiller: não difere muito do aqui descrito. São uns self centered




sexta-feira, 30 de junho de 2017

Até deu vontade de chorar!


Quando naveguei pelos meus emails à procura da data exata em que frequentei um curso, surgiram dezenas de resultados de... candidaturas a emprego. Está ali tudo: desde 2011 a 2015. Inúmeras tentativas nas mais diversas áreas - algumas onde sei que teria me saído muito bem, tivessem me dado a oportunidade.

E este simples contacto com esse desespero esperançoso quase me fez chorar. É TRISTE ver o quanto se tentou, o quanto se lutou, o quanto... para NADA.

E por isso não me incomoda a ideia de ficar a viver neste país.
Enquanto houver emprego fácil de arranjar, sou feliz.

Não quero nem me sinto capaz de me sujeitar e de sobreviver novamente às amarguras da busca por emprego sem resultados... Por semanas, meses, anos... Só de pensar... Nem quero pensar!

Ele foi candidaturas para isto, para aquilo, para dentro da área, para o lado da área, para o oposto da área... N A D A.


É por esta razão que sinto-me bem em continuar por aqui, a fazer o que tiver que fazer, a ganhar as minhas 9 libras à hora... (ehehe, não soa mal, pois não?  Dentro dos empregos do género é bem pago, mas no final do mês e depois dos enormes impostos, ganha-se um pouco menos que o salário de uma pessoa de qualificações médias em Portugal). 

Em Portugal dificilmente tenho futuro. O que me aguarda aí caso desista disto aqui é simplesmente esse passado. Essa angústia e depressão que ainda é o presente de muitos que tentam se empregar em Portugal. Principalmente para os que já passaram dos 30.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Inglaterra: Desfazendo Mitos - p2

LIMPINHOS

É mito que os ingleses são todos limpinhos. É verdade que as ruas estão livres de resíduos considerados "lixo"- aquele que em Portugal costumamos facilmente encontrar. Mas isso tão somente significa que os governantes cumprem o pelouro da limpeza e higiene urbana. Fazem o seu trabalho, ponto. Em privado acho que muitos ingleses são um tanto para o desleixado, revelando que não gostam de sujar as mãos. Nos quintais de algumas casas - poucas, consegue-se ver entulho de anos e lixo recente. Nos restaurantes mais comuns deixam as mesas sujas de tudo um pouco, besuntam cada centímetro com aqueles molhos que todas as comidas inglesas levam e ainda por cima, se trazerem lixo com eles (embalagens de comida rápida, garrafas de refrigerantes, embalagens de perfumes, cigarros, embalagens de aparelhos eletrónicos diversos, de pasta de dentes, fruta a apodrecer, embalagens de sapatos novos, etc) deixam tudo na mesa onde foram almoçar/jantar. Claramente, julgam que quem as limpa, não se aborrece com o entulho extra. 

E para contrariar esta tendência, quando na caixa de supermercado, o empregado/a nunca atende o cliente atrás de ti até te ires embora com as tuas compras. Se ainda tens de as ensacar, eles param de atender. Têm essa cerimónia. Vai-se lá entender esta gente! Cheios de cerimónias numa simples fila de supermercado, mas sem nenhuma quando se trata de abandonar porcaria e lixo desde que seja para outros limpar. 



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Inglaterra: DESFAZENDO MITOS -p1

RECICLAGEM

É mito que os ingleses são todos muito limpinhos e se preocupam com o meio ambiente. Onde quer que eu vá, vejo que a reciclagem não é coisa que consigam realizar. A simples tarefa de separar o plástico do papel parece-lhes confusa. Não encontrei um único indivíduo que se preocupe ou queira saber. Nos estabelecimentos é necessário separar os resíduos e os funcionários não o fazem com a maior das descontrações. Metem garrafas de plástico dentro do lixo doméstico, ou do contentor destinado ao papel e nos grandes contentores de reciclagem para cartão ou plástico existentes no empreendimento empresarial encontra-se uma mistura de tudo.