terça-feira, 19 de maio de 2026

 

Tenho saudades do meu irmão e do meu filho adulto, responsável, a viver a sua vida e a fazer as suas conquistas.

Não tive nenhum dos dois.

Como é possível? 

Porque o sentimento é verdadeiro. Curioso.

A idade e o estímulo para se relacionar

 

Um colega virou-se para mim e com espanto disse:
"Não podes ter nascido nos anos 80! Ainda não eras nascida, és muito nova."

Porque não posso? - questionei. 

Decidi faz muito tempo não mencionar a idade que tenho. Não vejo relevância. Até penso ser um entrave para estabelecer relações autênticas. 

Confesso que me "rebaixo" emocionalmente se outra pessoa mostrar interesse por mim. Mas isso se deve à forma como fui tratada enquanto crescia, mais que pela idade ou diferença entre idades, seja para mais ou para menos. 

O ano passado porém, revelei sem mais nem menos a minha idade a uma senhora com quem travei uma conversa casual enquanto fazíamos uma viagem. Ela virou-se para mim e disse que eu "ainda era jovem" e que "tinha muito tempo". Ao que respondi que não era tão jovem assim. Ela perguntou-me a idade e eu disse-lhe. 

O espanto dela foi notório. Assim mo disse. Ficou mesmo muito espantada e duvidou da resposta. Ela pensou que eu andava na casa dos 30 e me disse que não parecia nada ter a idade que lhe disse ter. E que ela, tinha uns 70 e poucos anos e parecia muito velha. 


Desde criança que gosto e converso com facilidade com pessoas mais velhas. Têm história, podem contar-me coisas que desconheço, coisas autênticas, reais, que viveram. Se isso as espantava então, desconheço mas creio que em algumas sim. Viam uma jovem interessada num idoso e achavam isso especial. Ocorre-me agora que continuo com o mesmo interesse mas a diferença de idade está a diminuir. Serei uma idosa interessada nas histórias de outros idosos... 

Mas vou dizer aqui uma coisa que constatei. Ainda que tenuemente. Posso estar enganada, mas não creio. Quando revelei a minha idade àquela senhora, depois do espanto, ela perdeu um pouco o interesse. 

É como se descobrir que não estava a falar com uma jovem de 35 anos perdesse o fascínio. Porém, eu sou a mesma pessoa. A mesma pessoa que ela achou tanto gosto em falar durante a viagem. E se isto acontece com uma MULHER missionária - segundo me deu a entender - então o que esperar dos outros?

O meu colega que afirmou que eu não podia de maneira nenhuma ter nascido nos anos 80 se souber quando nasci vai reagir de igual forma. Parece que deixa de ser estimulante se a pessoa com quem falam não for tão jovem como parece ser. 

Porque será?
O que acham desta minha descoberta?



sábado, 2 de maio de 2026

Carlos e Trump

 

Gostei muito de escutar o discurso humorístico mas cheio de diplomacia, bom senso, contexto e com "mensagens" sublimares que O Rei Carlos efetuou ao Trump.


Recuso-me aqui a descrever o Trump com o seu título (provisório) de comandante do país onde os seus antepassados NÃO nasceram porque ele, o "Trumpa" fez questão de mencionar o Rei Carlos apenas pelo nome. Como se o estatuto de realeza do outro lhe fizesse "comichão", principalmente ao EGO. 


Carlos é Rei por mérito. Por nascimento. Foi educado para o ser, treinou na armada militar do Reino Unido, enfim. Pode-se pensar o que for do seu aparente estado de "patetice" mas o que ele discursou nesta ocasião foi Brilhante. 

A minha parte favorita do seu discurso dá-se aos 6:35 minutos. Quando Charles menciona a visita de sua mãe em 1957, para "sarar" após problemas com o Médio Oriente - e depois acrescenta algo do género: "Passados 70 anos, é difícil de imaginar algo do género a acontecer hoje". 

Sendo esta a situação do momento e sendo o Trump um possível impulsor para tal.

Brilhante. 





Parabéns a quem quer que seja que escreve os discursos políticos de ambos. Realmente sabem o que fazem. Menções à sua falecida mãe - a Rainha Isabel, que teve um mandato tão duradouro e conheceu 17 presidentes Americanos, teve o impacto de humildade e contexto necessário. Certamente que no seu longo reinado Isabel passou por grandes apertos. Ela viu todo o tipo de "doido" ameaçar a paz mundial. Viu o medo do mundo. Tantas e tantas vezes que se tornou sábia. E aprendeu que tudo é cíclico, tem um começo mas também um fim. 


O discurso de Charles fez-me lembrar quando Marcelo Rebelo de Sousa, em 2018, foi visitar o Trumpa na Casa Branca. Ele também lhe deu uma "lição" de história a respeito da longa história entre os países Portugal, América e Inglaterra. Mas o Donald só soube acenar com a cabeça tal e qual um boneco de tablier e sequer escutou o que Marcelo lhe disse. Não tava nem aí. 



Sabiam que Bell (sino, que foi uma oferenda de Carlos a Trumpa) End (ponta) quer dizer cabeça de PENIS em calão inglês? Eu não sabia! Até ler nos comentários. E adorei. Se existiu intenção de o chamar de tal de forma sublimar não sei. Mas é adequado, convenhamos. 

E já agora, hoje vi um filme com uma cena tão preciosa que preciso mostrar aqui. Pode ser que entendam - como eu entendi - a mensagem sublimar. Atenção: o filme é de 1996 - muito antes da Trumpa se meter em política... ou melhor, em presidências. 


Conseguem perceber??

Têm de AMPLIAR ao máximo este vídeo para perceber.