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domingo, 17 de maio de 2020

Não consigo sair desta casa!!!!

Não consigo sair desta casa.
Não há um único anúncio de um quarto disponivel nas redondezas que preencha um mínimo de requisitos.

Devia ter contactado o Ami, o tal senhorio que me quis na sua casa e estava a disponibilizar um quarto. Agora é tarde, porque assim que o anuncio sai do site a pessoa fica incontactável.

Ontem entrou outro inquilino cá para dentro.

Nao sei quem é, não sei o nome, ainda nao o vi sem ser quando espreitei pela janela e vi um homem encorpado e careca a sair de dentro desta casa, carregando as chaves na mão.

Entrou como um rato, fazendo-se despercebido. Nem sequer pareceu transportar malas, tal foi a forma subtil com que arquitectaram esta chegada. Sei que é italiano, porque ouvi-o a falar.

E é só o que sei. Que é basicamente nada. Vai bastantes vezes ao WC, nao abre uma torneira nem puxa o autoclismo. O que me deixou desconfiada e para nao ter surpresas desagradáveis, preferi usar o WC no andar de baixo.

Nao pareceu ter grande interacção com a gorda - pelo menos não certamente aquela que ela desejaria: bajulação, união nacionalista, companhia diaria e conversa constante.

Mas não vou deixar-me levar pelas aparências. O senhorio bem disse que seria capaz  de enfiar cá dentro gente bruta sem lhes cobrar renda só para expulsar-me.

E este veio cá parar da,mesma forma que todos os outros: foi escolhido. Não foi colocado nenhum anuncio para qualquer um dos três quartos vagos. E eu queria que tivessem sido quatro!!!

Iludi-me com a possibilidade da casa em obras ficar disponivel a tempo e nao agarrei aquela que estava garantida se mostrasse interesse por ela. O senhorio até baixou o preço e tudo. Sim, não adorei o quarto e suspeito que ele é outro senhorio intrometido. Mas a casa era partilhada so por 3 pessoas no total- o que é uma raridade que procuro agora mais que nunca. E tinha um jardim e um wc razoavelmente decentes.

Nada do que houver por ai vai comparar-se ao espaço nesta casa. Sei disso e não me incomoda. Mas tambem nao queria ir para algo muito decrépito. Os anuncios que tem aparecido deixam-ne deprimida. Tudo caro, em troca de uma localizacao menos favoravel, num espaco menor e menos pratico. Sem arrumação decente ou em casa onde vicem 5 ou 7 pessoas.

Rezo para ir parar num lugar decente. Mas já se passaram 12 dias e não surge nada. Tudo o que aparece é porcaria. E está à tanto tempo a ser anunciado que se percebe de imediato que nao há interesse por parte dos actuais ocupantes em ter outra pessoa por perto. Ninguém lhes pega por algum motivo.

Esta casa quer-me ca dentro. É ela que sempre me acolheu. É-me familiar. Encaixa na minha pessoa. Foi feita por outras pessoas que devem ter sido boa gente. Nota-se nos detalhes.

O senhorio só a adquiriu.

 Tem trazido só rapazes para vir ver os quartos e isso nao é coincidência. Antes eram só raparigas mas depois isso mudou. Uma mulher a viver aqui só se encaixa  se for italiana. Porque a gorda age como dona da casa e detesta interferências femininas na decoração, na cozinha, na compra de utensílios e mesmo na compra de produtos de limpeza. Tem de ser ela a decidir essas coisas. Nao gosta do que os outros cozinham, critica os odores das comidas que não é ela a fazer e incomoda-lhe ter outra mulher na "sua" cozinha. Age como se mais nenhuma soubesse estar à sua altura. Altura essa bastante inflacionada pelo próprio ego.

Novos anuncios de quartos apareceram hoje. E logo o primeiro, era deste senhorio, a respeito de uma outra casa dele. Pelo paleio percebi logo. Mas ainda tinha esperancas. .. para aquela casa procura uma mulher..   ja tem duas e um rapaz. Porquê impor o domínio feminino e aqui quer cordeiros masculinos?

E italianos. Porque se os quisesse de qualquer outra nacionalidade, punha anuncio. Sao 3 quartos vazios que ele não está a anunciar.

Acho que terei de ir ao chat no grupo para ver se o novo inquilino foi adicionado e assim descobrir-lhe o n de telemovel, já que o nome nao deve aparecer.

Este tem-se mantido no quarto. Por enquanto. Pouco interesse em socializar. Aparentemente. Está optimo assim.


  • A crise ao inves de fazer brotar quartos baratos, esta a mostrar o costume: senhorios ambiciosos, gananciosos, que mantem o preço das casas nas alturas.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Não gosta que lhe enviem mensagens se podem falar cara a cara


Almocei com o novo inquilino. Parece simpático. Mas tenho receio que o veneno que habitualmente é servido pela mais-velha com um risinho e a partilha de uma refeição caseira "à moda da pátria" o venha a contaminar. 

O que mais gostei nele foi ter-me descrito que odiava pessoas que se comportam como... ela!
É que tudo o que relatou, encaixa-lhe que nem uma luva.
Mesmo! Parecia estar a descrevê-la ao detalhe. 
Fazia referência aos britânicos mas, aos meus ouvidos e na minha mente, reproduziam-se situações vividas nesta casa, no mais ínfimo detalhe.  

Tanto que não resisti e perguntei-lhe:
-"E se essa pessoa for da tua nacionalidade?"

Mas não vou alimentar expectativas. Até hoje o "sangue" tem falado mais alto e, claramente, esta tem sido uma casa italiana onde só aqueles que eles permitem são bem vindos. Nunca fui convidada ou informada sobre a realização de um desses "jantares" que o rapaz mencionou durante a conversa. Ele percebeu na minha confirmação sobre a existência desses jantares, que havia algo errado. Mas não sou de falar mal de ninguém e certamente não é do meu carácter denegrir a imagem de outras pessoas a um elemento que acabou de chegar. É uma indecência que não combina comigo mas que descreve ao detalhe a tipa mais-velha

Ele ter sido seduzido a mudar-se para cá com a alusão a jantares de convívio entre todos os inquilinos, dá a entender que esta é uma casa de família - que é - mas no relato excluem o detalhe que esses jantares são exclusivamente italianos. Em nenhuma ocasião ou circunstância incluíram-me. E isso, por definição, já contradiz o clima de "harmonia e familiaridade" que a italianada pretende passar para os de fora. Mesmo das muitas vezes em que lhes ofereci o que preparava perguntando se queriam jantar comigo, mesmo quando me estava a jantar ao mesmo tempo que eles - ainda assim, nem uma vez foram capazes de me oferecer um lugar à mesa. Não só nunca me estenderam um convite, como nunca me informaram que estavam a combinar um jantar/convívio que fosse. Facultaram muitos. Deram-me conhecimento de nenhum. Eu entrava em casa ou descia à cozinha, e deparava-me com uma multidão sentada à mesa, na maior alegria e diversão. Muitos nem me falavam quando nos cruzávamos. Era como se uma pessoa que vive na casa onde eles estavam de convidados não existisse, fosse invisível, insignificante. Muitas vezes suspeitei que estavam a organizar algo, pelos silêncios e cautelas nas palavras ao me ver aproximar. A cada dia que passava ficava mais claro que não pretendiam integrar-me e repeliam todas as minhas tentativas nesse sentido. Deixaram claro que praticavam a segregação. Talvez no intuito de que o mal-estar me levasse a sair deste ambiente. Só que não... Isso não abona nada a seu favor, só comprova que tenho razão no que alego. Mas como se prova? Sem vídeo? Sem imagem e som? Será a palavra de uma pessoa contra sete, oito, nove... O número tende a aumentar, conforme a eficácia da"recruta". 

Mas têm de ter cuidado, para que não sejam descobertos. Não podem permitir que eu consiga trunfos que comprovem as minhas alegações, caso as queira tornar públicas. Ao manipularem e seduzirem a rapariga mais-nova que cá esteve, têm-na como trunfo. Podem sempre alegar, como "bandeira" a seu favor, caso eu venha a denunciar os seus comportamentos vis, que as minhas alegações "não são verdade" e podem prová-lo, porque cá morou uma não-italiana que sentava à mesa com eles e ficaram amigos íntimos.

Com esse trunfo, fica fácil de acreditar que o problema "é meu". Sei que a rapariga ia confirmá-lo com prazer. Afinal, foi para isso que ela foi por eles usada. E ainda hoje, não faz ideia da verdadeira origem desse "gostar" que eles lhe dedicaram. Claro que ela, ao tornar-se fervorosa simpatizante da causa "vamos odiar a portuguesinha", acabou mesmo por conquistar alguma simpatia. Principalmente da parte da mais-velha, com quem partilhou colúdios e arquitectou formas de me deixar mal vista. Fui constantemente vítima de denegridação de carácter, perseguição e conspiração. 

Não foi um período fácil.

Mas espero sinceramente que venha a acabar. 
Só não posso é ficar esperançosa, só no desejo. Também tenho de começar a ficar esperta. Alerta. Não basta "ficar na minha" e deixar as coisas rolarem. A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. 

Este novo inquilino já conhecia as duas pessoas nesta casa que menos esforços fazem para se dar comigo: a mais-velha e a grande-amiga-do-que-saiu. São todos italianos e trabalham no mesmo lugar. É natural que se cruzem. Mas ele só as conhece superficialmente, de convívios em casas de outras pessoas. Onde todos são sempre simpáticos, ou assim parecem ser. Claro que isso já ajuda. Falam todos com uma naturalidade familiar. Sabem que são bem-vindos, que não existe má vontade, hesitações ou dúvidas. Uma naturalidade que talvez, comigo, não seja tão fácil de manter. Mas já falamos de coisas pessoais. Por exemplo, ele tanto voltou a fazer-me perguntas sobre as horas e dias em que vou trabalhar, que eu simplesmente perguntei-lhe:
-"Queres ficar sozinho na casa?"

Ele ficou um pouco sem acção mas lá acabou por me dizer que ia trazer uma rapariga cá para casa daqui a umas horas. E não sabia se eu ia estar bem com isso. Epá, se é isso, só tem de dizer! Basta dar a entender, que, como adultos que somos, sabemos dar espaço ao outro. Seja para isso, seja por outro motivo qualquer. É preciso saber dar espaço. Seja numa casa partilhada, seja numa relação conjugal. O que não quero é que me andem a metralhar com perguntas não-objectivas sobre as minhas horas de trabalho porque isso dá-me a entender que me querem fora, não sou desejada, não são capazes de ser sinceros e claros na mensagem. 

Sabem o que mais?
É preciso dar tempo ao tempo...
Tudo pode mudar, um dia. Para pior, é verdade, mas também para melhor. 

Se fosse desistir sempre na primeira contrariedade, nunca ia deixar de estar sempre a passar pelo mesmo. Aprendi isso há uns anos, quando me demiti de um estágio que adorava fazer, por estar a ser alvo de bullying serrado por parte de uma gaja insignificante que trabalhava em proximidade comigo. Ao invés de valorizar-me e centrar-me nos (poucos) que ali, como eu, sabiam da coisa e prestavam, deixei o veneno e pura inveja daquela pessoa e da trupe que estava a reunir, ditar o meu afastamento. Decidi que não valia a pena passar por desilusões com estranhos e conviver com gente tão cínica, maldizente e maliciosa e ainda por cima passar por isso de graça, pois o estágio era não remunerado e o fazia pelo prazer, nada mais.

A vida me dirá que esta minha resiliência é a atitude correcta para mim.
Lamento que ele não tenha se mostrado assim, ainda não tenha aprendido a ser assim...

Mas "dele" não vou falar!
Ele vai ser passado. E vai tornar-se uma lembrança querida, pelo afecto que lhe nutri, mas também patética, por não ter estado à altura.

Sejam felizes. 


A Portuguesa


Não me refiro ao nosso Grande Hino e sim à forma como os cá de casa, entre si, fazem referência a mim. Ao invés de me chamarem pelo nome, dizem "a portuguesa", o que comprova a postura pejorativa.

Mas não me afecta. É só um facto que quero partilhar e registar. Sei que tenho de enfrentar o que vier pela frente com a mesma postura que tive até agora. Estóica, resistente, a levar porrada de todos os lados e ter de lidar com o cinismo e falsidade. Tudo bem. Os intentos de me colocarem fora daqui é que não lhes vou conceder. Não sem luta. Mesmo sendo uma guerra travada não com balas, mas com cravos. 

Partilho isto por já fazer algum tempo que não actualizava a situação doméstica. Temo que nada mude, porque o trato depreciativo que adoptaram é transmitido de velho inquilino para novo inquilino. E é essa a novidade: Um novo inquilino chegou ontem. 

Não posso já dizer como é o seu carácter mas é cauteloso de minha parte presumir que será como todos têm sido. Existiu apenas uma coisa que me fez lembrar por demais "o que saiu" e enviou-me uma vibração de alarme. Ele entrou em casa e ao me ver diz:
-"Não vais trabalhar hoje?"

Arrepios... Fez por demais lembrar o outro. 
Foi a única interacção por iniciativa própria que ele se prestou a ter comigo, no início, antes de cessar qualquer comunicação: "Vais trabalhar hoje? Vais trabalhar hoje??"

Até arrepia! Existe lá maneira mais camuflada para sondar uma coisa, fingindo que é outra? Não é preciso uma mente muito inteligente para o perceber.

O novo inquilino trouxe dois amigos para o ajudarem na mudança. Mas eu não soube, até eles passarem pela porta e se apresentarem como tal. E o que é que a rapariga me pergunta? Isto:
-"Não vais trabalhar hoje?".

Sem os conhecer - nem os nomes fiquei a saber, a primeira informação que quiseram sacar de mim foi os horários de trabalho. 

Irra! Tanta insistência transmite a sensação de que pretendem algo e não me querem por perto. O ambiente vai ser sempre assim na casa onde vivo? Vou continuar a sentir-me uma indesejada? Este rapaz acaba de chegar. Só o cumprimentei e dei-lhe umas dicas. Percebi que é vivido, sabido e esperto. Capaz de ser tão cínico ou fingido como os que já cá estão. Ele sai e quando retorna, ao me ver em roupa de estar por casa dispara a questão "não vais trabalhar hoje?"

Mais um que mal pisa este chão, se sente tão seguro, tão no seu direito, como se já cá vivesse há anos. Porque é imediatamente integrado, de uma forma que eu não fui, não sou, nem serei. Sendo a origem desse facto xenofobia disfarçada, não é situação que me aflija. Porque, claramente, não ser integrada não é realidade de responsabilidade minha, fruto de acções erradas, mal intencionadas, infelizes. Não fui cínica, nem falsa, nem mentirosa. Não excluí ninguém da minha companhia e afecto. Muito pelo contrário. Estes comportamentos partiram todos deles. Isso me conforta. 




terça-feira, 22 de outubro de 2019

A mensagem do senhorio


O senhorio decidiu qual dos dois candidatos ao quarto quer na casa. Optou por aquele que não conheci: o Italiano.
Na mensagem que deixou no grupo a comunicar a sua decisão, agradece o facto de recomendarem pessoas, pois isso "facilita-lhe a vida".


Entendo o seu lado. É prático não ter de andar a colocar anúncios, a fazer telefonemas, a marcar encontros, a dar explicações e a avaliar cada candidato. Mas espero que não lhe escape o facto de isso significar que os daqui tentam manipular as situações. Ele não é burro, é esperto, pelo que já deve ter captado no ar. 


A maioria das pessoas "recomendadas" nem estão à procura de casa. São induzidas a isso. Foi assim com a gaja que está no quarto de baixo, a tal que ficou mais de um mês com o espaço "reservado" para si, foi assim com o mais recente inquilino também. 

Por mim tanto se faz como se fez. Pena é eu nunca saber que alguém vai sair e que um quarto vai ficar disponível. Os agradecimentos do senhorio não podem ser estendidos a mim - eu nunca lhe recomendei ninguém. Nem poderia, pois desconhecia que a possibilidade estava em cima da mesa. 

É tudo planeado às escondidas... típico deste bando de mafiosos italianos. 
Às tantas, para se certificarem que não eram escutados, fizeram as reuniões no WC - que foi de onde os vi sair umas tantas vezes, com o laptop na mão e tudo, tal foi a "pressa" com que se enfiaram lá dentro para não serem escutados. 

Enquanto escrevia este relato, o som de uma mensagem surgiu no telemóvel. A mais-velha não esperou e tratou de salvaguardar-se. Deu uma alfinetada na minha pessoa, ao mesmo tempo que se armou dona da razão. Respondeu na mensagem (até agora ignorada e deixada por responder por todos eles faz duas horas e 20 minutos) "E é melhor para nós também, assim sabemos o que recebemos!".

Com esta mensagem, "escudou-se" do facto do senhorio ter-se "chibado". É que ela sempre pensa que eu não percebo estas coisas. Tal como pensa que não entendo uma palavra em italiano. Como não escutei nada, não sabia que o quarto ir vagar agora - tudo isto foi mantido em sigilo absoluto - como é o modus operandi do bando - pensam que desconheço o estilo e não o consigo cheirar a léguas.

Como se eu já não soubesse disso desde o tempo que os dinossauros povoavam a terra! Desde o primeiro mês cá, em que os escutei dizer "que bom seria se fossemos todos italianos nesta casa!". Frase repetida várias vezes desde então e sentida também, em gestos e atitudes.

São eles que recomendam as pessoas, ou melhor: recrutam! O senhorio confirmou-o! Achando, talvez, que eu soubesse... e ela, não vá ele falar comigo como se eu estivesse a par ou eu responder à sua mensagem afirmando que nem sabia que o quarto ia vagar - tratou de se salvaguardar escrevendo uma mensagem que implica boa vontade e a salvaguarda da autêntica pessoa que é. Uma cobra manipuladora e altamente intriguista. 

Por coincidência ou não - desta vez nem vai ser preciso mudar o nome da pessoa no calendário das limpezas. É que aquele que vai entrar tem o mesmo nome daquele que vai sair. Nem pelo nome vou ver-me livre dele! Mas olhem... como acho que a merda é toda a mesma, nem faz diferença se vem embrulhado com outro papel de embrulho ou se a caixa é igual. Não tenho de pronunciar outro nome. E duvido que haja grande diferença entre o primeiro e o segundo M. São todos iguais. 



Não há anúncio para o novo inquilino


Lembrei-me de ir espreitar o anúncio de aluguer de quarto que o senhorio costuma publicar num site. Vi todas as ofertas, a dele não estava em lado algum. Nem sequer publicou o anúncio! Ninguém ao acaso pode ficar com aquele quarto. Terá de ser alguém seleccionado pelos que já cá estão. 

Agora vai andar sumidinho... o senhorio.
Até chegar o momento do "anúncio" aparecer como quem não quer a coisa no chat do grupo. Para apenas eu saber, já que os restantes combinaram tudo estão a par.

Hoje não tive nada para fazer. E o que se faz quando não se tem nada? Nada.
Tentei fazer alguma coisa. Alguma lida da casa e algum comer. Mas nada foi o que realmente consegui ter como retorno.


Tenho uma entrevista de emprego daqui a dois dias. Nada de especial. Na realidade é para trabalhar onde já trabalho - só que desta vez sem ser por intermédio de uma agência. Não é "legal" - dizem eles. Mas faz dois meses que estou a "chatear" a agência e esta não me diz nada sobre esta ocupação que dura apenas durante o Natal. 

Assim sendo, prefiro ignorar as "regras" parvas - que dizem que não posso me candidatar por estar agenciada - embora não tenha visto onde isso está escrito. As "regras" já estão a ser violadas constantemente pela agência e pelos gerentes, que só dão trabalho a "amiguinhos". Há corrupção até nisso. Portanto, não exijam que se siga as regras exemplarmente, quando não dão o exemplo. Fico a ganhar menos duas libras por hora mas, se me derem um horário full time cinco dias por semana - coisa que não consegui o ano passado - já fico feliz da vida. Menos por mais. 



Claro, é uma ocupação que termina no Natal. 
Mas se ninguém der com a língua nos dentes e tentar me prejudicar, posso "regressar" à agência para então ter aquele trabalho ocasional, uma vez por semana, quem sabe duas vezes... no total de sete horas!!  O meu salário por me ausentar desce 4 libras por hora. Mas também, pela carga de horária que me têm dado, faz pouca diferença.


Faço bem em candidatar-me.
Só me recusam se forem parvinhos.
Espero ter um horário em full time por onde escolher. 

Sinto-me totalmente sozinha, sem sentido ou utilidade na vida.
E é isto. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Dados viciados


Se fosse pedir um milagre antes do Natal, pedia para que a próxima pessoa que viesse ocupar um dos quartos nesta casa fosse decente, reconhecesse actos de maledicência, se revoltasse e, para variar, gostasse de mim.

É mesmo preciso um milagre! Sei que os dados estão viciados. É como desejar ter sorte no jogo mas não possuir dados normais.


O rapaz está de saída. O senhorio mostrou a casa a dois candidatos. Quando cheguei, estava cá o último. Não era italiano, mas foi indicado pelos italianos cá de casa. Sei disto porque não sou parva e a experiência assim o tem ditado. Não falha uma!

E o senhorio... anda muito esguio... como andou quando pediu aos que cá estão para arranjarem alguém para o outro quarto. Ele já nem procura, vai directo à fonte. As mensagens a avisar que vem mostrar o quarto são uma tentativa de ilusão para ajudar a ocultar o facto de que foram os italianos a indicar os candidatos. 

Já sabia que as pessoas que vinham ver o quarto seriam indicadas pelos que cá estão antes mesmo de ter percebido que o rapaz que estava a ver a casa, ficou cá depois do senhorio sair. Estava na conversa com o mais-novo! Na maior intimidade. O mais-novo mudou para cá à coisa de mês e meio mas já está infiltrado nestas operações "clandestinas". Lamentável. 

Era vê-lo, a sair do quarto e a dizer "Olá Portuguesinha" ao mesmo tempo que descia os degraus fazendo caretas, como que a dizer "anda aqui este a ver a casa". 

Como se não conhecesse o indivíduo!
A fazer-se de parvo...

Este candidato não era italiano e eu até prefiro que o próximo inquilino seja. Pelo menos teria isso em minha vantagem. Se aparece outro "convertido", já a pensar antes de me conhecer que sou péssima pessoa e decidido a não me falar - isso dá a entender que o problema sou eu. Claro, que nem me é dada uma hipótese! Os que cá estão tratam disso. Vão encher a nova pessoa de "mimos" e atenções, para a conquistar e converter. Afinal, não precisam de odiar mais ninguém, escolheram-me a mim como o seu alvo e jamais vão admitir que me degridem intensamente aos ouvidos de todos os que cá entram. 

Desta vez parece-me é que querem um rapaz!!
Italiano ou não-italiano. Talvez até prefiram um gay. Já que o que cá está também o é. Se antes eram só raparigas e o rapaz-que-vai-sair era o "rei do castelo", agora os candidatos são todos MASCULINOS. 

Creio que é porque a «sedutora» mais-velha dá-se melhor com esse género. Uma mulher pode gerar conflictos - principalmente se for mais velha e experiente. Uma miúda nova, como a anterior, a mais-velha converte com facilidade. A "vítima" nem sequer percebe o que a atinge. Este rapaz é gay, adora coscuvilhar - isso deu para perceber a léguas. Falou que falou da vida de toda a gente. Fácil, fácil de converter...

Deste não gostei. Viu-me e fingiu não ver, até eu ser muito directa e ele não ter senão como me cumprimentar.

Um lado bom é que estou cada vez mais indiferente a esta gente.
Tenho dias bons e dias maus. Ontem, foi um dia mau. Hoje, foi um dia bom, em que gosto de cantarolar pela casa.

Isso fez-me perceber que se calhar tem fundamento aquilo que dizem: "os outros só nos fazem mal se deixarmos". O problema é que não é assim tão simples. Sinto. Sou ser humano, tenho sensibilidade, e é natural que essa sensibilidade seja canalizada para o humor e estado de espírito. Não é todos os dias que, com a vida a correr menos bem, se pode cantarolar.

Hoje não foi um bom dia. Voltei ao emprego, só para ouvir que não vou ser mais precisa para o resto da semana. No emprego da tarde, não existe disponibilidade horária. Ou seja: vou ficar por casa! Sem ganhar dinheiro para pagar a renda. E vai ser assim provavelmente até o Verão!

Para somar a esta maravilha de situação, vem o Brexit e estou rodeada de gente tão generosa e atenciosa que faz o meu coração transbordar de.... indiferença. 

E sigo cantando. Quem canta, os seus males espanta.
Preciso cantar até perder a voz. 


sábado, 19 de agosto de 2017

Novo inquilino escolhido


Sabem aquela pessoa de que queres te despedir mas cada vez que fazes isso ela volta atrás e inicia um novo tema de conversa? Só após passar para aí cinco vezes mais tempo do que aquele que podias imaginar, é que essa despedida que já vai para aí na décima, é eficaz e a pessoa vai?

Pois vai ser esse indivíduo o novo inquilino da casa.


Sinto um pouco de tristeza sobre quem recaiu a preferência da senhoria. Queria tanto uma pessoa que gostasse de meter mãos à obra nas limpezas! Existiu um candidato que me pareceu a pessoa certa. Mas ela é quem escolhe - a pesar de não lhe interessar os conhecer pessoalmente. Escolheu com base na profissão, é previsível. Aquele que lhe parecer a aposta mais segura é aquele que ela geralmente escolhe. 

Foi por isso que me rejeitou, quando cá vim pela primeira vez. Preferiu o candidato «seguro», - o rapaz com referências e com um trabalho fixo numa empresa de renome. Só que este escolhido não cumpriu o prometido e deixou de dar notícias. E foi assim que aqui a portuguesinha - sem eira-nem-beira e com a sua valise de carton conquistou o seu cantinho para morar.


Eu fui a melhor pessoa que ela podia ter tido a sorte de ter como inquilina. Há boa fama de uma Linda de Sousa, excepção feita para as cantorias, a senhoria já percebeu que eu cuido bem da casa e gosto de manter os espaços arrumados e melhorados. 


E esse é o segundo aspecto pelo qual a minha tristeza é ampliada.
Não me pareceu que este novo candidato vá satisfazer nesse requisito. E com os outros dois que me restam a falhar neste campo, sinto que já perdi a batalha. Tenho um motivo forte para essa suspeita. Além dele não ter mostrado grande interesse no tema limpezas, a certa altura da conversa incomodou-me o cheiro que vinha das suas roupas. Um odor a falta de cuidado, de roupa suja e de corpo pouco lavado.

Posso estar a ser precipitada e decerto que se trata de uma avaliação com base na primeira impressão. Mas se estas valem por alguma coisa, foi esta com que fiquei.

Agora só posso desejar que o indivíduo tenha outros atributos que tenham ficado mais ocultos durante este primeiro contacto que levou quase duas horas para terminar. Pois já com o pé na rua, o rapaz ainda voltava atrás para falar mais um pouco. E parte das coisas que diz, eu não entendo. O seu inglês não é perfeito e das outras três línguas que disse falar - alemão, francês e português, não conseguiu juntar uma frase.

Portuguesinha, ruiva e linda (lol)
a antecipar o desespero dos tempos que estão para vir



sábado, 22 de abril de 2017

Nova inquilina

Vou ter uma nova inquilina na casa. Ela vai ocupar o quarto vago pelo outro. Só a conheci hoje, pelas 10h da manhã, muito rapidamente. Altona e atraente, como quase todas as mulheres da europa de Leste são. 

Mas isso são detalhes que não me importam. O que quero é que ela seja sossegada e não faça barulho. Porque adoro o silêncio que existe nesta casa e temo - é o meu único receio - que ela seja daquelas que se fecha no quarto a falar ao telefone durante horas ou a ouvir música ou televisão com o som muito alto. Espero que não seja barulhenta por si mesma.

Mas como em tudo na vida, nunca se sabe. Pode ser que seja sossegada... Embora tenha entrado pela porta de casa já a falar alto e a dar risadas. Sabendo ela que eu tinha dito que estaria em casa a tentar dormir porque chegava do trabalho às 2h da madrugada.

Isto é um mau presságio?

É engraçado: quando as pessoas querem um quarto são todas simpáticas, aceitam tudo, nada as incomoda... O quarto é o que aqui eles chamam de um boxing room. É pequeno, cabe uma cama e pouco mais. Tanto assim é que o armário para a roupa fica no lado de fora. Mesmo em frente à porta do meu quarto. Portanto, ela para se vestir, terá de tirar a roupa do armário e abrir e fechar duas portas: a do quarto e a do armário - ambas perto da minha porta.

O que reparei é que chegou com tanta tralha que é impossível que caiba tudo naquele quartinho! E acho que as pessoas têm uma grande cara-de-pau quando dizem que não se importam que o tamanho do quarto seja reduzido, porque só cá vêm dormir e tal... ACHO QUE É CONVERSA.

Preferia ter como colega de casa uma pessoa pouco atraente fisicamente. Porquê? Porque existe uma tendência a não usarem a beleza para conquistar o que querem. E também existe uma maior possibilidade das pessoas que cá estão não se deixem encantar tão facilmente. O colega do sexo masculino já mudou de postura. Limpou a casa toda antes da chegada dela, arrumou tralha que deixava espalhada pelas áreas comuns da casa, sem se importar com os restantes que a usam. Disse-me que parecia muito simpática. O que para mim não quer dizer muito. Ás vezes a simpatia é só uma ferramenta para alcançar objectivos. Conheci tantas assim. 

Esta foi muito esperta, avançou logo com o sinal. Disse que o tamanho do quarto não lhe importava. Mas trouxe mais tralha do que aquela que lá cabe. Só de se mexer lá dentro já deve fazer um banzé, porque não tem espaço.

Eu descobri noutro dia - aqui há 2 dias - que gostava daquele quarto. E não gosto do meu - concluí.
Partilhei isso com os dois colegas cá de casa, porque é mesmo verdade. O quarto pequenino pareceu-me tão aconchegante e muito mais iluminado que o meu. O meu é frio e mesmo agora no tempo mais quente, continua gelado de noite. A luz só é mais forte de manhã, quando quero dormir. Se acordo cedo todos os dias, é porque o luz atravessa os estores e as cortinas, iluminando tudo. Sei que se colocasse uns cortinados pesados do lado de dentro, a luz bloqueava. Mas isso requer fazer uma mudança no quarto e para isso preciso da autorização da senhoria, que por vezes é de humores e pouco tolerante a novas ideias.

Ela escreveu-nos a dizer que o vizinho ia mandar vir um contentor para o lixo e como temos lixo aqui armazenado no quintal que está abandonado, ela ia pedir para o meter lá. Só que ontem voltou a escrever, dizendo que não conseguiu abrir a porta da cozinha quando cá veio (é só rodar a chave e ela abre por ela mesma) e por isso não lhe foi possível verificar a quantidade de detritos, pelo que já avisou o vizinho para não contar com nada dela.

NA REALIDADE, o que deve ter acontecido é que ela não ficou contente com o preço que teria de pagar pela METADE do uso do contentor - fosse dos pequenos ou grandes - e inventou esta desculpa para não gastar dinheiro.

Infelizmente, ela é desse género.
Se o gastar - gasta porque será outra pessoa a pagar.
É bem capaz de «depositar» os custos da remoção dos detritos nas nossas rendas. Só para economizar um centavo.

BOM,
mas com a senhoria não tenho de me preocupar por agora. Uma coisa de cada vez...
Já estou a adivinhar que o rapaz cá de casa vai desfazer-se em simpatias para a nova inquilina. Para já começou com um gesto que eu não gostei. Insistiu para que pagassemos a eletricidade para os próximos dois meses SEM a incluir nos gastos.

Aqui o que se paga não é a eletricidade que foi consumida. Como em Portugal. O que optamos por fazer é uma espécie de carregamento como nos telemóveis: depositas saldo e vai-se gastando. Depois quando termina, depositas mais. 

A eletricidade e o gás são pagos assim. Por carregamentos.
E eu achei mal que a rapariga vem para cá morar hoje e todos os banhos que tomar, todos os cozinhados que fizer, toda a eletricidade que gastar é à conta do depósito feito por mim e pelos outros. Se ela der a sua parte já de seguida só acho é bem. Mas temo que o parvo do homem insista para que não pague, forçando-me a ter de me ver na situação e estar a pagar para outra usar.

No que respeita a isso ele é um prego torcido. Quando vim para cá morar o tipo insistiu que eu tinha que dar a minha parte, MAIS metade, por ter cá ficado 5 dias sem usufruto da cozinha ou dos utensílios da casa, excepto a corrente de luz para o computador. 

Eu achei um absurdo. Podia dar algum mas metade... se não consumi nada?
Ele insistiu, insistiu... só o outro que se foi é que não concordou e então o gajo recuou. Paguei o mesmo que os outros, e não MAIS. Mas ele queria que eu pagasse e ficou chateado - mas disse que não ligava a dinheiro. Primeiro, disse-me que a decisão era de TODOS NA CASA. Mas era só dele, porque os outros nem sequer sabiam da situação. Eu ainda não tinha emprego e estava a ter despesas brutais, pagas em euros. Tive de pagar 3 meses de renda em adiantado e deixar um depósito de 600 libras - que a senhoria ainda guarda para ela. E ele estava a querer «chular-me» mais, como que se me quisesse punir. 

Agora, se ele se revoltou por 5 dias de uso de corrente eletrica paga por eles, como é que eu me vou sentir por DOIS MESES de uso de TUDO sem restrições, a serem pagos por mim??

Mas eu entendi logo que ele tinha regressado àquela sua forma de ser e encontrou nisto uma forma de me punir - como foi sempre o seu intento.

Eu e a outra rapariga já tivemos muitos problemas com ele. E como ele tinha problemas com o outro tipo, e depois com ela, que lhe respondeu não gostar dele, o que ele fez foi "aligeirar" a sua atitude comigo e tentar ser simpático. O que conseguiu. Porque é muito chato viver numa casa com mais 3 pessoas e nenhuma gostar de falar contigo! E era o que lhe ia acontecer. Ao menos uma pessoa ele tinha de conquistar... E como eu não queria estar de mal com ninguém, falei-lhe sempre bem, mas sem querer muita intimidade.

Mas ele é de humores e de mudanças súbitas. Amanhã pode voltar a torturar-me, como começou de início. Ele é do tipo de mói a cabeça da pessoa cada vez que se cruza com ela. Põe defeitos em tudo, acusa-te de fazer tudo mal, de seres responsável por tudo o que não está bem... Mas acha-se uma pessoa muito compreensiva e tolerante, com capacidades fenomenais para interagir com as outras. E por isso decidiu tirar um diploma em psicologia - o que me disse ter concluído recentemente.

Coitados daqueles que se cruzarem com a sua psicologia...

(mais novidades para depois, que agora tenho de me apressar. Working time!)