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domingo, 26 de abril de 2020

O que define CORAGEM?

O que é CORAGEM?

Coragem é ter de fazer o que é preciso ser feito.
É ficar em casa, sem sair como foi pedido.

Mostra responsabilidade e consciência. É preciso ser-se CORAJOSO.

Os que se julgam corajosos, equivocadamente pensam que andarem na rua com a liberdade de sempre, sem máscaras, luvas e sem manter a distância, é de "homem", é ser-se CORAJOSO.

Deixei-me, novamente, repetir o que acho que é CORAGEM.

Coragem é NÃO FUGIR dos problemas que nos afligem.
Coragem é levantar para ir trabalhar com máscara, luvas, barretes, estando esta ameaça mortal ainda a pairar.

Ter coragem é ser RESPONSÁVEL.

Diante do CoronaVirus...

Até o dia de hoje, há muita gente que acha estúpido usar máscara no rosto ou luvas.
Até o dia de hoje, há muita gente que não vê sentido nos cuidados recomendados.
Até o dia de hoje, há muita gente que não cumpre a quarentena.

Estas pessoas acham-se mais corajosas que os restantes.
Mas não são.


Talvez sejam inclusive, as mais amedrontadas. Que se recusam a reconhecer o perigo e teimam em viver na ilusão de que tudo está na mesma. São as fracas. As que não alteram comportamentos, as que têm tanto medo que reagem substituindo a realidade por outra desejável.

Coragem tem quem sai à rua usando todas as precauções. Coragem no início desta pandemia, antes dos governos decretarem leis de quarentena. Por usarem máscara, luvas e serem apontados ou escutarem piadas vindas de quem ridiculariza os atenciosos e preocupados.

Coragem têm os médicos, enfermeiros, empregados de limpeza, colectores de lixo, distribuidores de encomendas, que correm riscos mas mesmo assim não ficam passivos e assumem a responsabilidade de cumprir um dever, que se percebe essencial para muitos. Vão trabalhar, vão ajudar. Vão dar o seu melhor. Podem contrair a doença, num dos muitos contactos que estabelecem. Não são só as pessoas que oferecem um risco, mas tudo o que estas tocam. 

Ontem tive de tocar em muitas destas: espécimes biológicas patológicas. Surgem nos sacos de encomendas que tenho de esvaziar e distribuir conforme a área postal. 


Isto faz-me ver que o risco existe. É grande. É real.
 Enquanto este vírus estiver por aí a matar pessoas não podemos relaxar.

Cuidem-se!





terça-feira, 17 de março de 2020


Ovos, farinha, carne, peixe, pizzas, amendoins, bolachas, leite, comida pré-congelada, agua engarrafada, comida congelada, vegetais congelados, massas, arroz, produtos de higiene como papel higienico, tampoes, pensos, desinfectantes, produtos de limpeza, fraldas, fórmula para bebé. Acabei de listar tudo o que não se encontra nos supermercados no Reino Unido.

Esquerda: supermercado hoje ao meio-dia.
Direita: as mesmas prateleiras ontem, às 7h da manhã.
Supostamente deviam ter papel higiénico, foi tudo preenchido com chocolates.
É o único artigo que não está a ser comprado.

Sinto-me parva. 
Sou uma pessoa que gosta de armazenar. Mas vivendo numa casa partilhada onde o espaço é limitado, não tenho os hábitos que teria caso vivesse sozinha.

Secção dos legumes congelados
Nao tenho por isso arroz, nem ovos, nem farinha, agua. Papel higiênico tenho porque esse armazeno no quarto, onde o espaço é partilhado comigo apenas. Nao tenho muito mas penso que dará para umas semanas. Mas já nem sei. Da maneira como isto está, talvez este nao volte as prateleiras ou custe ouro.

É tudo uma incógnita.

Prateleira dos pacotes de bolachas, foto tirada ao meio-dia de hoje.
Às seis da manhã estava cheio.

Cá por casa já estão dois. Um vive fechado no quarto o dia inteiro. Só sai quando sente que a costa está italiana lá pela hora do jantar. Mas é a rapariga que teve sorte no meio de tudo isto. Não só conseguiu meter cá toda a familia por duas semanas antes mesmo da Itália decretar o fecho das fronteiras, como na mesma altura conseguiu contrato de trabalho. Agora está por casa, descansada, 24h na companhia do namorado. Relax. Nao tem de ir trabalhar, nao vai ser demitida e vao continuar a pagar-lhe. Encontrou um hobbie dos que duram um tempo indeterminado e ocupam a mente. Mas mesmo que não o arranjasse, tem cá o namorado a viver, sempre lhe faz companhia e algo mais. Mantem contacto com a familia e esta envia-lhe coisas pelos correios. Digamos que podia ser muito mais "chato", se o isolamento fosse maior. 

Para alguns isto pode ser encarado como uma espécie de férias. Eu continuo a tentar trabalhar o máximo que conseguir. Viro-me agora para o meu segundo emprego.

Com precauções, sempre.
A Páscoa está para vir.

Ao descer as escadas percebi que sentia os joelhos. Também julgo ter a sensação que sinto os pulmões. Pelo sim, pelo não, fiz o "teste" da respiração que encontrei online: Se conseguires respirar fundo e prender a respiração por mais de 15s, quer dizer que ainda não tens o "vírus" porque este, antes de deixar os sintomas aparecerem, prejudica os pulmões.

Verdade ou mentira, não sei. Mas bati o recorde da minha vida ao manter a respiração presa durante 1 minuto.

Hoje, quando me aventurei na busca de mantimentos
A praça pública e as esplanadas estão mais cheias de gente do que o que seria normal num dia de semana. Carrinhos de bebé por todo o lado. O supermercado lotado de bebés. As pessoas não temem o virus. Temem não ter o que comer caso fiquem meses por casa. Fui trabalhar às 2 da manhã. Quando passei pela rua principal, fiquei surpresa ao escutar o barulho de festa, vozes no convívio. Um dos bares ainda estava aberto. Não é comum. No Reino Unido um bar não fica aberto depois das 22, 23h. A uma segunda-feira no meio do caus do Cóvid-19, abriram uma excepção: a malta jovem estava toda reunida cá fora, na esplanada, a beber e a escutar música quase às 2h da manhã.


Enfim...
Sem muito mais para se dizer ou fazer, vai-se blogando.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Medidas de precaução com o Corona e a ausência das mesmas


Gostei de ler aqui nos comentários gerais que vocês são da opinião que se deve ter cuidado e adoptar um comportamento de precaução em relação à pandemia do Corona.


Vir a Portugal tornou-se necessário. Mas já estou de saída.
Antes de entrar no autocarro que me levou para o aeroporto, mantive-me de luvas calçadas e coloquei a máscara FFP 3 RD no rosto. Não é das cirúrgicas, nem das que não têm válvula. Supostamente é a única capaz de impedir a passagem das partículas realmente perigosas, onde se incluí o vírus Corona.

Fui o caminho todo com luvas. Coloquei o passaporte aberto na página de identidade dentro de um saquinho transparente com selagem. Porque o fiz? Simplesmente porque me lembrei de o fazer. Quantas mãos tocam naquele passaporte?  Achei uma boa ideia e verifiquei que era prático. Quando isto passar, vou continuar a fazê-lo. 


Escrevo sobre isto não para falar das precauções que tomei (e fi-lo a pensar nas pessoas à minha volta e nas que ia visitar, não em mim) mas para contar o que observei e também o que senti por parte dos outros por estar a usar uma máscara. 

Foi muito estranho, estar num dos principais aeroportos de Londres e não ver uma única outra pessoa com máscara no rosto. Desde o chegar, entrar, ficar na fila da companhia aérea para ser atendida, ir para a segurança, passar pela segurança, atravessar o duty free e sentar na área de espera a aguardar a indicação do Portão de partida, não vi uma única alma de máscara que, como eu, usasse uma máscara. Telefonei a uma pessoa e perguntei:

-"Sabes quem é a única pessoa no aeroporto inteiro a usar máscara?"
- "Tu".

Até aquele instante, fui mesmo.
Depois, ao me dirigir para a porta de embarque, dobrei uma esquina e vi um rapaz sentado, usando uma. Fiquei grata, já não era a única. Chegando à porta de embarque em si e ficando na fila onde estávamos todos coladinhos uns aos outros, a rapariga atrás de mim também apareceu de máscara mas o rapaz à minha frente, que vinha a falar ao telemóvel, não. Sabem que idioma falava? Querem avançar com um palpite?

Acertaram. Italiano. Pensei cá com os meus botões: não me livro de italianos onde quer que vá. Até no natal, nas duas vezes que andei no metro em Lisboa, foi italiano que escutei na pessoa sentada à minha frente e no casal atrás de mim. 

O rapaz disse a palavra "Portugal" e aí pareceu-me escutar uma entoação diferente. Nisto ele faz outra chamada e começa a falar português fluente. Mas na versão português-brasil. Portanto, estava diante de uma pessoa provavelmente com pais de nacionalidades diferentes. Um brasileiro e uma italiana? Ele estava a falar com alguém sobre família em itália. 

Depois de terminar de falar ao telemóvel, ele coloca uma máscara no rosto. Um homem à frente dele também havia colocado uma daquelas máscaras cirúrgicas. Uma vez dentro do avião, ele removeu a máscara algumas vezes. Mantive a minha durante a viagem inteira e até o momento de entrar no carro, já no destino. Não ia arriscar nada, removendo a dita por um motivo qualquer. Nem para comer.

Quando precisei ser informada sobre as regras da Easyjet no balcão, o rapaz que me atendeu foi um tanto antipático. A minha pergunta era específica e a resposta que me deu, generalista. Quando perguntei novamente tentando fazer-me entender, ele recusa-se a explicar-me de outra forma, repete-se como um disco riscado e dispensou-me com um "próximo!" - acompanhado da total ausência de contacto visual.

Não tive direito a um "adeus", "faça uma boa viagem", nada. Foi mesmo "vai-te embora".
Achei que essa antipatia deve ter sido efeito da máscara no rosto. Da estranheza e desconforto que causa nas pessoas. Era a única viajante em todo o aeroporto com uma.

Segui para a porta de embarque. Lembrei-me que, para sair no meu destino em Lisboa, tenho de fazer a leitura aos olhos/rosto pelas máquinas de scanner. Uma funcionária da segurança estava mesmo ali, não havia nenhum outro passageiro por perto, então aproximei-me dizendo-lhe que estava a usar a máscara a pensar na minha família e perguntei-lhe se, com ela posta, seria possível fazer a leitura de scanner nas máquinas, visto que os olhos continuavam à vista. Ela quis saber qual o meu destino e respondeu-me que só os vôos domésticos (dentro do Reino Unido) usam scanner. Uma nulidade informativa - foi o que pensei. Mas também ela já estava a mover os braços sinalizando para que continuasse viagem e quando avanço, escuto uma gargalhada de uma viajante que entretanto aproximava-se. Não sei se relacionada mas, seja como for, não caiu bem.

Durante o processo de remover a roupa e colocar os pertences no tabuleiro da máquina de raio-x, tudo foi normal. Nada a relatar. Excepto uma mulher ao meu lado que se virou para mim e disse algo numa língua estrangeira que não entendi e quando lhe respondi: "Desculpe??" ela ficou a olhar para mim uns segundos e foi embora, sem nada dizer. Mas não creio que esse comportamento estivesse relacionado com a máscara.

Uma vez colocando uma, não se nota que a tens. Eu pelo menos, não sinto qualquer incómodo. Vou confessar que até é agradável. Esteticamente pode parecer horrível mas usar uma é melhor do que imaginava. Permite um respirar mais dinâmico. Não sei se melhor ou pior, mas quando a usei de casa para o emprego para me proteger da poluição, foi quando descobri que chegava ao destino com mais energia do que quando não a colocava.

Outras pessoas que não revelaram qualquer problema com o uso da máscara foi uma senhora no duty free a vender perfurmes de marca "compre dois leve um terceiro grátis", pela módica quantia de 65 libras cada. Mas não gostei do aroma. Um horror!

Uma das mulheres que estava a lançar para o ar um brinquedo boomerang que voltava para as suas mãos, a quem me dirigi interessada em saber sobre o mesmo, também falou comigo com naturalidade.

Mas tirando isso, foram os próprios funcionários da companhia aérea da Easyjet os únicos a causar desconforto à minha viagem. Uma vez dentro do avião, desconhecendo que o uso do telemóvel para gravar vídeo era proibido, achei curioso um detalhe e filmei um bocado do corredor. Não aparece nenhum rosto de passageiro (tenho esse cuidado) e a tripulação só apareceu ao longe. Subitamente uma delas aproxima-se e pergunta: está a filmar? Sim - respondi. Posso ver? Acho que me vi no vídeo.

Mostrei-lhe, ela "pediu" com autoridade, como se eu fosse uma criminosa que tinha acabado de cometer um delito terrível. "Basicamente é isto" - surgia apenas o meu rosto, parte do corredor... e parei o vídeo. Ela ordenou: "não desligue, mostre-me o resto". E lá mostrei. Enquanto isto acontece, chamando as atenções, ela pergunta-me, sempre num tom agressivo, se sei que é proibido filmar a bordo. Respondi que não sabia. (e não, não é coisa que informem na mensagem audio, não se vêm símbolos informativos antes do embarque, etc, etc). Achei que era bom senso apenas. No youtube encontram-se centenas de vídeos domésticos dentro de aviões e eu, pessoalmente, fartei-me de filmar decolagens. Nunca nenhum assistente de bordo da easyjet mandou-me baixar o telemóvel, exigindo que parasse de fazer um filme.

Ela mandou-me apagar o vídeo, ordenou que baixasse o telemóvel para ouvir as instruções de segurança. Foi desnecessariamente agressiva no tom. Sabem a doçura, a gentileza que ainda existe na mítica ideia do início dos vôos, quando a Pan-Am era toda gentil com cada passageiro? Pois, isso não existe mais. É como querer ver um dinossauro de volta à vida. Está extinto.

Antes de ter feito aquele pequeno filme (pode-se fotografar mas não filmar? Estranho...) estava já em posição de descanso, de olhos fechados, pronta a relaxar. Reassumi essa posição e durante a hora seguinte permaneci assim. Geralmente, em todos os vôos que faço, é sempre assim que estou: sentada no meu banco, não me levanto, não chamo um assistente... faço a viagem toda sossegada e sem incomodar ninguém. Mas cada vez que acontece "qualquer interacção", parece que somos imediatamente assinalados como "passageiros problemáticos". A postura dos profissionais é passivo-agressiva por defeito. Em todos os vôos. A simpatia é falsa como Judas. O que lhes interessa é vender, e vender rápido. Têm um gravador que repetem até a exaustão, onde colam entoações de falsa simpatia para agradecer e desejar uma boa viagem ao passageiro que acabou de lhes dar uma comissãozinha por lhe comprar um perfume, uma sandes, uma bebida, etc, etc.

Eu como sou das quietas, que senta e levanta no final da viagem - não causa problemas mas também não se deixa levar pelas "fabulosas venda de produtos" a bordo, tornei-me o tipo de passageiro que não agrada ao tripulante. Aquele que só viaja. Não compra nada.

A única interacção que voltei a ter com a tripulante, foi quando passou com o saco para o lixo. Tinha um pequeno lenço de papel e decidi tirar proveito, visto que foi a primeira vez em todas as viagens que fiz com a easyjet, que eles realmente ESPERARAM com o saco aberto na mão, e não passaram a correr, sem dar tempo a ninguém para realmente dar uso ao mesmo. Deve ser por causa do Corona Virus, aposto!

Mas sabem o que ela fez? Ela estendeu o saco aos passageiros na fila da frente, impedindo assim que eu pudesse colocar o lixo se o saco ficasse ao centro. Eu já estava com o papel na mão erguida, bastava enfiar. Mas ela estendeu os braços com o saco perto do rosto das pessoas na fila da frente e também ao rapaz da mesma fila que eu, mas do lado oposto. Mas não estendeu o saco a mim, que estive o tempo todo de braço erguido. Podia ter atirado o papel para o interior da abertura, mas depois ainda falhava e ela aproveitava-se para me "acusar" de ser precipitada e não esperar. Tive de esperar e ela lá avançou um passo, sem grande vontade, lá colocou a abertura de forma a poder usá-la.

Achei mesquinho demais mas típico e de se esperar do que hoje em dia é a postura de uma "assistente de bordo". Para o final da viagem, notei que o papel publicitário do assento à minha frente era o único em todo o avião - que pudesse avistar, que estava dobrado. Sabem aqueles papeluchos de publicidade colados no encosto da cabeça? O meu estava todo dobrado para fora. Pode ser cá coisa minha, mas achei que era a forma deles assinalarem uns aos outros os "passageiros problemáticos".

"Fui marcada" - imaginei, sem me ralar muito.

Hoje em dia é o passageiro que tem motivos para querer "assinalar" os assistentes de bordo, por toda uma postura agressiva que assumem como piloto automático. A gentileza é tão falsa que causa impressão. O homem ao meu lado, achou que tinha alguma intimidade com a tripulação por trabalhar no aeroporto e disse à hospedeira. "Eu daqui a bocado vou já ter convosco para conversarmos um bocadinho". E eu pensei cá com os meus botões: «Ela deve estar mesmo ansiosa para conversar com um passageiro. Quer mais é ficar lá atrás sossegada. Na sua cabeça já te está a maldizer e já sabe como te despachar». E na verdade, o homem não saiu do seu assento por muito tempo.

Fiquei a pensar também se o uso da máscara facilitou este tipo de comportamento. Talvez não. Talvez sim. Máscara, luvas... as pessoas são mesmo estranhas. Aqui estávamos todos dentro de uma atmosfera fechada, impossível de controlar, num cenário de pandemia mundial. E era a pessoa a demonstrar mais consideração pelos outros aquela que estava a receber mais olhares.

  

sábado, 9 de março de 2019

Vieram-me lágrimas aos olhos

https://www.facebook.com/delegadobrunolima/videos/2291040671136001/?t=13

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Os perigos que ameaçam as crianças

Quando somos crianças as nossas mãe alertam-nos para os perigos que podemos vir a encontrar ao andar "por aí" na rua. Um desses perigos, no caso das meninas, são os homens estranhos, desconhecidos, que se "metem" connosco, oferecem algo e querem que os sigamos.

-"Nunca aceites nada de ninguém! E nunca entres no carro de alguém, mesmo que seja um conhecido! Não aceites nada que te ofereçam, nem um rebuçado, porque pode estar envenenado. Existem homens maus que querem envenenar meninas, para depois as levarem e fazerem coisas más. Olha sempre para trás e se vires alguém a seguir-te corre! Não deixes que te alcance." - dizia a minha mãe.

Penso que todas as mães tinham este discurso na década de 80. Tinham?
No entanto nessa altura ainda pude viver com alguma "liberdade" tendo em vista os muitos "perigos" que podiam acontecer. Para começar a responsabilidade de ir para a escola e voltar era inteiramente minha desde a escola primária (6 anos). Hoje em dia acho que poucos pais deixam uma criança tão nova sair sozinha pelas ruas. Eu faria o mesmo, provavelmente.

Quando a escola ficou mais longe, passei a andar de autocarro. Ou ia a pé, se desse tempo. Mas nunca que me iam deixar à porta da escola, de automóvel. Hoje creio que a realidade é mais esta que outra. Pelo menos no caso das crianças que podem frequentar o ensino privado. Mas creio que no público também possa ser o caso de muitos jovens.

Os tempos mudaram, mas os perigos permanecem. Não sei se as crianças de hoje estão menos "preparadas" para reconhecer "perigos" do que as de antigamente. Arrisco a dizer que NÃO. Estão tão bem preparadas quanto poderiam estar. Porque têm muito mais acesso à informação e a meios para a obter. Porque estão mais a par do quê consistem "esses males" de que nós adivinhávamos por instinto. Porque sabem estar atentas a comportamentos fora da norma e gostam de ficar entre os seus, porque são mais vivas e tenazes para qualquer comportamento que soe desadequado e impróprio.