sábado, 23 de setembro de 2023

O Novo Big Brother


 Estando em Portugal acabei por ver parte do programa Big Brother, que começou há semanas com concorrentes comuns. Prefiro gente normal a "celebridades" ou "figuras públicas". Nisto entusiasmei-me quando, no meu entender, um grupinho já estava a cruxificar uma concorrente ali dentro. É o tipo de coisa que não me cai bem: dizerem que a pessoa faz coisas que não fez, tratarem-na mal, e unirem-se em números para assim parecer que têm razão quando na realidade o que estão a fazer é monstruoso.

Fez-me ter vontade de comentar e assim recorri às redes sociais. O facebook está cheio de grupos já criados para (aparentemente) se discutir o programa. Candidatei-me a alguns, os que me pareceram mais legítimos*. 

Nisto, recebi hoje, um aviso do facebook dizendo-me que precisava responder a umas perguntas para ser aceite. Mas que demora! Fiz o pedido pouco depois do dia de estreia do programa. Podia jurar que... já se passou mais de uma semana. E só agora o administrador(s) se deu ao trabalho? Já um mau sinal. 

Abri o link. A pergunta não existia. Estava em branco. Lembrei-me então que achei isso estranho na altura. Ao invés de uma pergunta, tem uma condição: "Adira ao instagram".

Pareceu-me que se trata de uma pessoa só, a tentar se promover e sem capacidade para tal. Ainda mais por não ter como dar assistência ao que se propõe: fazer uma página sobre um programa de TV com emissão de 24h requer constante actualizações e publicações. Demorou 10 dias a me contactar! 

Fez-me ir espreitar os admnistradores. Quatro pessoas - putos, abaixo dos 20 anos. Um parece ser um perfil falso, criado para imitar um jogador de futebol. Num outro, o mais informativo, surge um puto, com uma fotografia para se parecer importante (minha interpretação) onde se auto-descreve desta maneira: "Fundador, Diretor e CEO da empresa X". Sendo a empresa um blogue para falar de televisão. 

Não me vou intitular de Directora e CEO do meu caderno de apontamentos! 

Para mim, lá porque é online, um blogue é onde se escreve o que antes se colocava numa folha de papel. Lê quem for espreitar ou a quem der-mos o caderno. Não me faz pessoa importante. Surpreende-me que não se tenha apelidado de "criador de conteúdos". Seria mais charmoso, preciso e surtiria um efeito muito mais vantajoso.

Alguns me aceitaram e sem saber bem onde, por vezes comento neles. Para mim um grupo de facebook tem de ser um pouco como este exemplo: muitos administradores, liberdade de expressão. Só se pede respeito e nada de abusos. 


*Com legitimidade quero dizer que o grupo é autêntico e ativo e quem se junta pode participar de forma livre e não censurada. Procurei assim, evitar os que vendem "gato por lebre" e têm um motivo alternativo para terem criado a página. Nomeadamente promoverem-se a si mesmos usando a curiosidade das pessoas pelo programa para tentar cativar clientes e os que são de uma pessoa só, quase sempre um ditador(a) que elimina do grupo comentários ou pessoas que participam mas não partilham da mesma opinião. Principalmente grupos criados aparentemente para discutir o programa, mas que apoiam um concorrente em particular. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Arte Viva - anoitecer

 Em 1888 Vincent Van Gogh registrou em tela a imagem noturna do rio Ródano, perto de Arles, sul de França. Deu-lhe o nome: Noite Estrelada sobre o Ródano.

E esta é a fotografia que tirei a noite passada.


O reflexo da luz dourada na ondulação fez-me lembrar o quadro. Percebo que paisagens assim seduzem qualquer um, não importa os séculos.


NOITE DE MEIA LUA.
Conseguem detectar o que aparece no campo de visão?



quarta-feira, 20 de setembro de 2023

A despoluir

 Cheguei. Vi. Apanhei. 

Andei até o caixote mais próximo e abandonei-as lá.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Crimes: a faca de desencarnar com 10 anos de matéria humana

 


Assisti a este programa sobre a descoberta de um assassinato de uma jovem de 18 anos. O seu corpo - ou melhor, o torso do seu corpo foi descoberto por pescadores, que o confundiram com um animal. Seria apenas mais um caso macabro do género, não fosse alguém chamar um canalizador. 

Nos canos foram encontrados quilos de uma substância que parecia carne. Era parte do que restava de Rori Ache, vítima de sádico abuso sexual e homicídio. A sua identidade porém, não pôde ser descoberta através da gosma removida da canalização - provavelmente suas entranhas e orgãos internos. A identidade daquelas peças, que um dia constituíram um ser humano, com sonhos, emoções, pensamentos e sensações - só foi possível com o que acharam dentro do congelador. A cabeça de Lori. 

E assim, esta história, que pensei ser datada de muitos anos por já a ter escutado antes em programas já datados - afinal é quase uma cópia de outras mais antigas. Há mais que uma pessoa desaparecida que é descoberta pela polícia aos pedaços dentro de canalizações domésticas. Esta caso aconteceu... em 2017. É muito recente! A condenação do responsável, Adam Strong, deu-se em 2021. 

No interrogatório de Polícia, Adam, descrito pelos amigos homens ser um tipo fantástico que ajuda todos e pelas mulheres como um sádico sexual, insiste no detalhe de que a jovem não estava grávida - coisa afirmada pela mãe na comunicação social. E tinha a certeza disso. Disse: "Não vi nenhum bebé". E acrescentou: "Ela não estava grávida. Eu tive o aparelho reprodutivo dela nas minhas mãos" - e levanta a mão ao ar, simulando segurar algo. 

Eu perguntar-lhe-ia o que ele fez com esse aparelho reprodutivo. Lá porque existem partes por todo o lado, não significava que não lhe desse para o canibalismo. 

A forma banal e sem empatia com que ele diz isto faz-nos questionar qual a maneira correcta para extrair a informação necessária. Soube que não era por demonstrar empatia - o primeiro interrogatório fez isso e Adam não abriu a boca. Portanto, há que falar com indivíduos assim como se nada do que te está a ser dito te afectasse. E a tua curiosidade é de ADMIRAÇÃO. 

A polícia, na realidade, não tinha nada com o que acusar. Só tinham partes de um corpo mas não têm provas de que ele a matou, não têm provas de que ela não morreu de acidente e ele só se desfez do corpo, escolhendo aquela forma macabra. Já vi um caso em que o indivíduo, para justificar as provas da polícia, afirmou que não matou uma mulher, já a encontrou sem vida mas, como a achou gira, teve sexo com o cadáver. Isto porque quis justificar a presença do seu sémen. A polícia tem de encontrar algo que ligue os pontos. Caso contrário, não é um caso sólido, por mais macabro que possa parecer. Neste caso, a polícia não tinha NADA e iam acusá-lo de "profanação de cadáver" somente. 

O segundo interrogatório policial foi tido como um óptimo exemplo de um trabalho bem feito. Mas eu, pessoalmente, fiquei com muitas dúvidas. Imensas dúvidas. Tantas que me incomodou não terem feito mais perguntas. É que, ao revistarem a casa onde encontraram a cabeça de Lori, deram com facas. Uma destas facas servia para tirar a pele a animais. Fizeram um teste de ADN a pedaços de materia que encontraram e... não era de Lori. Mas sabiam de quem era: outra menina desaparecida---- DEZ ANOS antes! Não sei se pessoa local, se de outra localidade.

Ele tinha assassinado uma outra pessoa 10 anos antes. Ou algures nesse período de tempo, se formos a conjecturar que pode tê-la mantido em cárcere privado por algum tempo, mesmo anos. Improvável, mas possível. Pouco se sabe. É questão para perguntar. Para fazer muitas mais perguntas. Acham mesmo que, em 10 anos, um indivíduo que fala abertamente sobre segurar o útero de uma jovem mulher nas mãos após a esventrar, e não consegue se lembrar dos detalhes do esquadrejamento, sentindo-se até aborrecido por o detetive perguntar mais que uma vez.... como se mencionar que esventrar na banheira com água quente fosse suficiente para tudo ficar esclarecido. Entendi que ele, que estava a falar desse acto, entediou-se nesse instante porque, a meu ver, aquele momento NÃO LHE ERA NADA DE ESPECIAL. Deve tê-lo feito tantas, mas tantas vezes, que falar disso é do mais enfadonho que existe. 

A polícia condenou-o pelas vítimas conhecidas. Mas, ao que saiba, não ponderou sequer se existiam mais. Não lhe perguntou. Deve ter perguntado, ou não era polícia.... Mas DEZ ANOS??? Acham que uma pessoa que ganha este gosto, que "caça" jovens de quem, de certeza, abusa sexualmente de forma sádica e acaba por as desmembrar, "contenta-se" em fazê-lo com um intervalo de 10 anos???

Lori tinha saido do hospital e acho que desapareceu em poucos minutos. Ninguem ficou a saber mais detalhes de metedologia. Ele apanhava miudas ao acaso? Como as apanhava? Seguia-as por meses e meses? Ninguém soube - pelo menos não assistindo a este programa, intitulado "Sala de interrogatórios: Alguma coisa na água",  que vi no canal AMC Crime. 

1 Dose de Arte por dia, nem sabe o BEM que lhe fazia!

000.1    Artemisia Gentileschi



Judith degolando Holofernes 1611








terça-feira, 12 de setembro de 2023

No Brasil querem fazer passar bandido por Santo

 Não conhecia a história que o programa televisivo no canal ID Discovery retratou. Ao mencionar que se passou em Manaus, na zona da amazónia, soube que o caso retratado, o de um apresentador de televisão que encomendava homicídios para aumentar as audiências do seu programa, era fácil de verificar. 

Walace Souza. O rosto do indivíduo é este:


Fui pesquisar e encontrei informação no Wikipédia. Fiquei chocada. Chocada com o que lá vem dito - principalmente nas entrelinhas. Mas mais chocada ao ler o comunicado apresentado à imprensa pelo hospital quando o indivíduo faleceu. Escreveram assim: 

O ex-deputado estadual do Partido Progressista (PP-AM), Francisco Wallace Cavalcante de Souza, 51 anos, internado no Hospital Bandeirantes, em São Paulo desde o dia 18 de março de 2010, faleceu às 16h desta terça-feira (27/7), em decorrência de uma parada cardíaca. O paciente sofria de uma ascite refratária decorrente da Síndrome de Budd Chiari. Os médicos que acompanharam o paciente foram coordenados pelo diretor-clínico Dr. Mário Lúcio Alves Baptista Filho.[6]

— Hospital Bandeirantes

Uma notícia só é boa notícia quando enquadrada em toda a sua amplitude. Para anúnciar a morte deste indivíduo, que se encontrava ENCARCERADO, o hospital escolheu dar-lhe o "carimbo" de ex-deputado. Mas ele era mais do que isso. Aliás, ele foi muitas outras coisas antes de chegar à política. (Até parece que a política é o último degrau para a extrema criminalidade e corrupção). 

Walace Souza foi um traficante. Chefe de quadrilha. Depois meteu o pezão na comunicação social, criando e apresentando um programa de televisão onde ele era a estrela. Nesse programa, ele acusava a polícia de não fazer o suficiente para combater o crime e era quase sempre o primeiro a chegar a cenas de polícia. Numa ocasião inclusive, a equipa de reportagem - que recebia dicas anónimas, chegou a um local antes mesmo de acontecerem homicídios. Filmaram tudo. A polícia já achava aquilo estranho, com uma fonte que até foi capaz de indicar um homicídio antes deste ocorrer - a polícia ficou de olho aberto. E acabou se antecipando a mais um assassinato. Boca no trombone e... foi o apresentador - agora também DEPUTADO (duas coisas que não se devem misturar: política e televisão ou media - vejam só o caso Donald Tramp) o mandante dos crimes. Não só era o mandante, como tinha interesses pessoais em que certas pessoas aparecessem mortas. Nomeadamente os seus rivais no tráfego de drogas. Ele chefiava um autêntico quartel! Era ele, os irmãos, o filho, toda uma entourage.  

E vai o hospital e dá-lhe este elogy?

Bem escrito, devia ler-se algo do género:

Francisco Wallace Cavalcante de Souza, 51 anos, internado no Hospital Bandeirantes, São Paulo desde o dia 18 de março de 2010, faleceu às 16h desta terça-feira (27/7), em decorrência de uma parada cardíaca. Mais conhecido por Walace Souza, encontrava-se encarcerado a cumprir uma pena de .... desde Outubro de 2009 por se comprovar em tribunal que era o chefe de quadrilha de tráfego de drogas da região de Manaus e ter encomendado dezenas de assassinatos para benefício próprio. O apresentador do programa de TV Canal Livre e ex-deputado Federal do Partido Progressista sofria de uma ascite refratária decorrente da Síndrome de Budd Chiari. Vai a sepultar em XXX, dia Y.

Nada de mencionar o nome dos médicos que cuidaram dele - para aqui não são chamados, não são vedetas e podem ficar com uma marca na testa para a inserção de uma bala por se exporem sem necessidade. Seu trabalho é cuidar de pacientes, pelo que fica redundante mencionar o óbvio. Fica até... mal. Soa a procura de créditos, de celebridade. Mas isto foi uma "nota" de hospital, não uma notícia. Oor isso não fizeram qualquer menção à sua vida criminosa - somente ao seu estatuto político, como se isso o tornasse "limpo" e uma pessoa importante. Era um presidiário - nessa condição faleceu. Faz parte de qualquer comunicação de obituário citar os factos. Os feios e os bonitos. Juntos, fazem a verdade.

No final do artigo do Wikipedia, ainda se faz menção a um programa de TV que abordou o caso e - pasme-se, ficou-se na "dúvida" se ele era mesmo culpado. Oh!!! A sério??? Acham que a polícia demorou 10 anos a agir porque... lhes apeteceu? Acham que os tribunais cometeram erros? Era um anjinho o ex-deputado, que compareceu vestido todo de branco e a segurar uma bíblia a uma assembleia onde iam votar se perdia seu título? Perdeu-o pelo voto de uma maioria mas, ainda assim, houve quatro almas que votaram para que com ele permanecesse. Mais uma razão para não o mencionarem assim a título póstumo: já tinha perdido esse privilégio. 

Walace Souza, ao que tudo indica, era um POS, do piorio. Traficante, assassino. Cobarde. Quando sentenciado, simulou sentir-se mal. Sempre teve perfeita saúde e muito fogo na língua no seu programa de TV, onde agia como um justiceiro salvador e apontava o dedo à incompetência da polícia, enquanto planeava o assassinato de pessoas que se punham no seu caminho.  Acabou por esconder-se do encarceramento e ficou quatro dias em fuga. Teve direito a ficar numa cela particular - mesmo não tendo estudos superiores. Ah! Políticos sem estudos superiores... são uma Tru(a)mp(a). Depois ficou em prisão domiciliária. Adoeceu de verdade e morreu. Caso contrário, seria mais um criminoso de alto gabarito que teria retornado à política, se pudesse.  

E é por isso que o Brasil dificilmente irá para a frente. Bandido tem muita proteção e à quem aceite que lhe façam lavagens cerebrais para achar que bandido é santo e santo é bandido. Só não sei se ainda há santo por aquelas bandas. Está por se comprovar.   




segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Debaixo de uma oliveira

 


Só falta o som das cigarras.



domingo, 10 de setembro de 2023

Na 2 a ouvir clássica

 

Hoje deu-me para sintonizar a RTP2 onde apanhei um concerto sinfónico da Gulbenkian. Quando terminou, continuei a ver a programação do dia (na linha do tempo) e encontrei um outro concerto de Paris, datado de 2020. Também fui ver. Passei assim umas horas da noite a escutar música clássica e algumas árias - coisa que faltou ao concerto Português por isso gostei muito de as ouvir no Paresiense.


Por falar em nacionalidades, não deixa de ser curioso. Música é tocada, cantada, interpretada por pessoas de todas as origens. Mas as composições de repertório mudam conforme a nação. Em Paris escolheram quase sempre compositores Franceses e a última melodia a fechar o concerto, claro, foi a Marselhesa: o hino nacional. Gostei dos comentários em português que explicavam a cerimónia, acho que foi um rico contributo que enquadra na história as composições.

Fiquei a saber que esta violinista Dinamarquesa estava a tocar num legítimo Guarnieri del Gésu - um construtor de violinos do início do século 18. Fui pesquisar quanto custaria tal violino: uns 4 milhões. Embora no Aliexpress se encontrem "à venda" por 400 euros. 

Fiquei impressionada com a expressividade dos cantores líricos, e da cumplicidade com o maestro, que era Romeno. 

Para não falar deste virtuoso pianista. Que belo presente! 


Pelos comentários fiquei a saber, por exemplo, que a Marselhesa foi inspirada em obras de Mozart, ou "copiada" como se gosta de dizer e que, quando Napoleão subiu ao poder, deixou de ser o Hino de França, só retornando o lugar aquando a instituição da República em 1879. Fui então, pesquisar mais sobre a Marselhesa


Tem uma história meio misteriosa. Diria que o mais interessante é a letra - com umas três versões. Concluí que uma das versões é um pouco colocada de parte, devido talvez ao radicalismo das palavras. Fiquei também convencida que existem semelhanças com o Hino Português. E achei que foi aqui que os nossos foram buscar inspiração.

Pois então leiam aqui sobre o nosso Hino. Acabei de descobrir a restante letra da Portuguesa - assim se denomina o nosso Hino. E tem mais duas partes que nunca tinha escutado até hoje. Curioso... aprendi a letra em menina e não mais esqueci. Mas só a parte cantada da adoptada para Hino. A Portuguesa, escrita em 1830, tem mais duas partes. Com versos curiosos. Tal como a francesa, faz referência a marcha, a luta, a vencer o inimigo.  


Devo declarar a minha profunda admiração pela forma poética e tão rica com que se escreviam versos nesta altura. 

Lembro-me de ter visto um cravo (espécie de antecessor do piano) no museu de Lisboa, com a indicação que foi nele que foi composto o Hino de Portugal. Fiquei maravilhada. Podia olhar e até tocar - embora as teclas estivessem tapadas por uma protecção de PVC transparente. Achei um privilégio. E um risco, para os mal intencionados. Que seja verdade e que esteja disponível para se olhar, acho fantástico. Recomendo que se visite este museu. 

E pronto. Foi assim que ocupei várias horas da noite e da madrugada. Enquanto escutei as melodias, abafei o barulho diário noturno do vizinho anormal. Todas as noites até às 8 da manhã este senta-se numa cadeira que chia ao mínimo movimento e põe-se a falar alto e a soltar impropérios frente ao computador. Devo escutar a palavra "FUCK" no mínimo umas 50 vezes. Fala alto e diz asneiras, tudo devido aos jogos de computador aos quais dedica a sua existência.

Por vezes arrependo-me de te fugido dos caminhos que conduzem à fama, celebridade e riqueza. Daria jeito em momentos como estes, em que quero adormecer no silêncio, mas vejo-me forçada a ficar desperta a noite inteira, porque um vizinho não sabe ter boas maneiras. E não adianta de nada avisar, pedir, chamar a atenção. Até quando vou poder "disfarçar" que não escuto e não me incomoda? ESCUTO SIM e incomoda MUITO!!! 

Se tivesse me transformado numa "celebridade", a vantagem é que já teria comprado uma casinha no monte, isolada, onde a única coisa que se escuta de noite não é o chiar irritante de uma cadeira com molas penrras, nem a voz exaltada de um indivíduo emerso em jogos de computador, nem "Fucks", nem pancadas de frustração a serem repetidos constantemente. Seria o som dos grilos numa noite estrelada. E depois adormeceria, serena.

PAZ. Silêncio. O som que mais anseio por escutar

 






sábado, 9 de setembro de 2023

A T-shirt lesbiana

 No supermercado Continente é onde encontro T-shirts de qualidade que gosto de vestir. Vou sempre espreitar, tem uma grande variedade de feitios, cores, tipos e muitas vêm com dizeres criativos. 


Nisto avisto esta:


Falta ali uma ou duas letras e, decerto, não estaria escrito o que me veio à mente primeiro: Lèsbien (Lésbica).

Mas sem dúvida que é uma T-shirt propensa a que aconteça muitas vezes essa confusão.  😄

Até acharia piada se fossemos usar uma T-shirt a dizer "lésbica" e ninguém prestar atenção. Seria um reflexo de uma sociedade com liberdade de expressão e normalidade. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Camera de segurança e vigilância

 Desde que suspeitei que o meu quarto estava a ser "visitado" enquanto estava no trabalho, comprei e instalei uma camera de vigilância. Não gosto muito dela, porque a maior parte das vezes tem um comportamento que anula o seu propósito mas, todas as outras que tentei instalar não funcionaram. Algo a ver com a ligação à rede ou outros problemas de nunca saber quando estavam em funcionamento. Antes de me ir embora para as férias, tentei instalar todas. Por precaução. Também pretendia mudar a fechadura da porta, mas não tive tempo e, se tivesse, teria de o fazer sem que outra pessoa na casa o percebesse, o que é praticamente impossível. 

A camera, que deixei ligada, tem ligação WI-FY, vejo daqui a imagem que emite. É giratoria, posso rodar, tem infravermelhos, que permite ver de noite, grava imagem e vídeo em cartão inserido e envia SMS de aviso de movimento. No papel parece cumprir os requisitos necessários mas na prática, é uma dor de cabeça. 

É difícil gravar imagem, algo a ver com a formatação do cartão. Andava a enviar-me avisos SMS de movimento a cada minuto ou com segundos de intervalo - principalmente de noite, porque o sensor acusa como movimento qualquer vibração, como uma porta a bater no andar de baixo ou a porta do vizinho. E a camera de infravermelhos faz ruido que a própria camera interpreta como movimento. De dia, qualquer alteração ligeira de luminosidade activava "movimento". Não passa de um aparelho que me entupia de mensagens de falso alarme. 

Mas ainda assim, era melhor que nada. Decidi deixá-la a funcionar sempre e assim tem sido nos últimos seis meses ou coisa que valha. Nesse tempo, parou de gravar muitas vezes, mas nunca parou de registar movimentos ou de emitir. 

Fui agora verificar como estava, estranhando a ausencia de notificações. Diz que está "offline". 

Não está a emitir imagem. 

Isso deixa-me muito apreensiva. Fico a suspeitar que a tipa que lá está e que desconfio que tem como entrar no meu quarto, tenha aproveitado a longa ausência para fazer isso mesmo. De noite, ela tem o andar de cima todo para si. O outro rapaz trabalha. Existem tantas oportunidades para ela caminhar naquele corredor, enfiar uma cópia da chave na fechadura e invadir o meu espaço sabendo que ninguém a vai apanhar! 

Só de imaginar a minha privacidade revirada e remexida, vezes sem conta, sabendo que quem o pode fazer sente total impunidade, Auto congratulando-se na ideia de que nunca será descoberta e que pode fazer o que lhe apetece... 

Tentei instalar mais que uma camera, mas não consegui. São todas uns monos, que não funcionavam direito. A que tenho a funcionar é obvia, está mesmo em frente de quem entra. Fácil de desconectar, fácil de apagar removendo o cartão. 

Desde que a instalei, nunca a desligo. Está sempre ligada. Pode não gravar imagem por estar cheia, mas sempre regista dezenas de "stills" / imagens diariamente e me envia as notificações. Nunca, enquanto lá estive, alguma vez surgiu a mensagem "OFFLINE". 

Mas, nas minhas ausências, é já a segunda vez. Sendo que a primeira ocorreu também durante um período de férias. 

Isto me deixa super-desconfortável. Desconfiada

E eu era para viajar para lá hoje cedo, ahahah. Uma passagem de avião antiga que tinha comprado e pretendia usar. Mas quando aqui estou, as coisas dos outros acabam por tomar conta do meu tempo e acabei por perder a oportunidade de mudar a data do voo para outra ocasião ou, calcular se podia usá-la e retornar nos dias seguintes. Resultado: dinheiro gasto sem proveito. 

Tenho de comprar passagens novamente. E estas estão estupidamente caras. Até parece intencional. Não vou conseguir regressar a inglaterra, daqui a um mês, por menos de 120 libras. Sabem quanto costumava ser? Entre 29.99 e uns 59.99. Estamos a falar de Outubro - não de Agosto ou Setembro. Os meses altos, de verão. Mas de meses de Outono! Ainda a mais de um mês de antecedência, dava sempre para encontrar algo barato. Agora não é assim. Nem para o natal - que tentei comprar com seis meses de antecedência, consigo comprar por valores aceitáveis.

Antes de me vir embora, deixei a luz acesa para que a camera não se esgotasse com a filmagem em infravermelho. Tenho espreitado muito ocasionalmente. Tudo pareceu bem. Bem demais, aliás. Ao final de 24 horas de ausência, sabia ser quase certo que a minha perseguidora ia ficar muito feliz e me incomodou constatar que a confirmação da minha ausência lhe incute mais confiança na impunidade para fazer o que sempre faz.  

Suspeito que ela pode ter uma chave do meu quarto, mas não teria mais se eu tivesse mudado a fechadura. A minha paranóia - porque é um pouco, tem razão de ser. Nunca ninguém acredita nas pessoas assim até que algo grave e definitivo acontece. Foi preciso eu mostrar um video do comportamento dela para que as pessoas a que mostrei achassem-na capaz de fazer até coisas piores.  

Vão ser 4 semanas AGONIZANTES se a imagem não voltar a ficar ONLINE. 

E receio que não fique. Acho que fizeram alguma coisa para que o acto criminoso de invadir o espaço privado de outra pessoa ficasse oculto. Basta remover o cartão e apagar a camera e o conteúdo do cartão. Este era de 64GB, capaz de gravar várias semanas de videos. E, ao que sei, não teve NENHUM para gravar nestes três dias de ausência. 

Devia ter um plano B... Além de cameras. 
Dar a chave a uma colega que conhece a situação e pedir-lhe para lá ir verificar, só lá ir... Para deixar a minha perseguidora irrequieta e desagradada. Devia ter dado a chave a alguém e instruido a pessoa a lá ir regularmente. Mas ao mesmo tempo, é o meu espaço... e eu posso confiar na pessoa, mas não confio na que lá vive que, decerto, ia aproveitar qualquer espacinho, qualquer descuido, para se introduzir no meu quarto e passar aqueles olhos raio-x por todo o espaço. 

Qualquer ausência nunca poderá ser tranquila enquanto tiver estas suspeitas ou receios. 


quarta-feira, 6 de setembro de 2023

 Devia existir uma norma de etiqueta a exigir que o usufruto de transportes públicos deve ser feito em educado silencio. Nada de pessoas a cacarejar alto em diversos dialectos, nada de telemoveis a jorrar ruido eletronico, nem motoristas a conduzir mantendo conversas telefónicas.

Caramba! Eu a pensar que estava no terceiro mundo e em Portugal encontrava mais decencia. Mas estas deslocações de autocarro estão a demonstrar-me uma rotina mais desagradavel do que esperava. Nao é tão mau quanto lá em certos aspectos. Ainda assim, a minha memoria oi desejo imaginava diferente. Sou sensivel ao ruido. Vozes altas, telemóveis... motas ou carros barulhentos e pessoas a fumar ou com o fedor do vício empregnado nas roupas.

Mal posso esperar para sair deste autocarro onde o som de uma senhora oriental a falar a sua lingua nao pára de soar aos ouvidos, mais vozes em portugues, o motorista a falar e a preguiçosa da passageira que nao se deslocou para o fundo do autocarro, preferindo instalar-se de pé encostada ao meu lado, barrando a passagem daqueles que entram de seguida. Todos tem de we desviar dela e da sua bagagem no meio do corredor. Eu tambem terei de o fazer agota. Chegou o momento!


A mulher no autocarro

 Uma coisa que nunca gostei: pessoas a tossir em cima das outras. Sem fazer qualquer esforço para taparem a boca.

Entrei no autocarro. Sentei-me. Umas duas paragens depois uma mulher senta-se atrás de mim. Oiço-a tossir de boca aberta a cada 30 segundos. E sei que não está a cobrir a boca. 

Os seus germes estão a ser projectados em cima de mim. Tinha acabado de tomar banho, colocado roupas lavadas... mas mesmo que nao tivesse. É errado, não é civilizado, é má educação tossir livremente em cima dos outros e espalhar micróbios. 

Fiquei a pensar: há apenas uma semana estava com Covid. Não tossi em cima de ninguém. Mas gostava de ainda estar com o vírus e que fosse transmissível. Para lhe tossir na cara e ver se gostava. Há pessoas que merecem.

Acabei por dizer em voz alta o que estava a pensar: espero que esteja a tapar a boca!

Ela continuou a tossir sem cuidados. Peguei no telemovel e comecei a filmar-me, com ela a aparecer atras. Queria apanhar ao vivo o verdadeiro comportamento das pessoas. Por 3 minutos ela tentou disfarçar. Sinal de que percebeu o incómodo e o telemóvel agora em riste. Enquanto tive o telemóvel apontado ao seu rosto, controlou-se. Depois tossiu de boca aberta tentando fingir que nao o fez. Voltei a erguer o telemóvel - a única garantia de não ser alvo de uma chuva de saliva e micróbios a cada 30 segundos. 

Ela parou. Depois por uma vez tossiu em cima de mim, fingindo levar a mão à boca mas mantendo-a desencostada e os dedos abertos. Fê-lo porque o telemóvel estava a apontar na sua direccao embora tenha tentado esquivar-se. E assim continuou a minha saga.

Num autocarro cheio de gente onde só esta tipa estava a tossir, tinha de se sentar logo atrás de mim?

O telemóvel foi o que me ajudou. Caso contrário a tipa continuava a tossir-me em cima a cada 30 segundos. Na maior.

As pessoas não aprenderam NADA com o Covid. Não reaprenderam a demonstrar boas maneiras. Muito desapontante.

NA MANHÃ SEGUINTE...

Na manhã seguinte, novamente no autocarro, atras de mim, uma rapariga tosse sem sequer fazer qualquer tentativa de mexer os braços para bloquear os germes cuspidos. Olho de lado para ela. Deve ter percebido.

Sinto-me uma alienígena numa terra que não é mais povoada por pessoas como as que cresci a ouvir que tínhamos de ser.

domingo, 3 de setembro de 2023

No aeroporto a caminho

 Conseguem perceber o que as lojas já estão a pensar?

Não dá bem para ver mas sao pijamas a dizer Natal 2023. Ai, o consumismo!

Espero nâo ver disto em Portugal. Estou a caminho! Se o avião se decidir a aparecer, claro.

Não há uma única viagem que tenha feito nos últimos 2 anos cujo o horário tenha sido cumprido. Desde as 5pm no aeroporto, sao agora quase 9pm. 

Chegada real a LX prevista para a meia-noite: nas melhores das hipoteses.

Lamento nao poder ir a madeira. Preciso de ferias. Estou simplesmente a sair de uma casa para ir para outra. Mas pelo menos a comida será melhor. Ahahah. Encontrei uma segurança portuguesa a trabalhar no aeroporto que comentou isso mesmo. Aposto que ela já terminou o seu turno enquanto eu ainda sonho em aterrar em Portugal...

Enquanto esperava um contínuo agarrou o meu ventilador de pescoço que tinha em cima da mesa onde se carrega os telemoveis e disse-me se lho dava. O tipo insistiu. Deve ser uma coisa cultural, ele era algurea de africa e agarrar coisas que nao te pertencem e pedi-las a estranhos deve ser mais comum por lá. Mas foi um.pouco estranho. Primeiro devido ao local, ao facto dele estar a trabalhar e eu ser uma passageira a ser abordada poe um estranho contratado pelo aeroporto pedindo-me insistentemente que lhe desse a ventoinha de pescoco. Ate lhe disse que nao estava a funcionar - porque nao esta. Mas ele insistia. 

Nao deu. Comprei sete destas ventoinhas e ofereci a familia. Pelos vistos em portugal nao fazem sucesso mas aqui no UK todos as querem. A mim fa-me muito geito no trabalho. Porem, gastei quase 90 libras nestas ventoinhas e duas ja deixaram de funcionar. Preciso de saber se e do cabo e se as posso reparar... 

Tentei adiar esta viagem, mas nao consegui. Chego na semana de trovões, chuva e vendavais. Não é justo! Ainda mais porque o Reino Unido vai ter uma semana de sol. 

Estou a perseguir dias continuos de sol desde Abril. Passou-se a primavera e o verao e nao consegui esse intento.


Obrigada a todos que se preocuparam com o Covid. Devo dizer que fiquei "de molho" no Domingo passado e logo recuperei impressionantemente! Nesse mesmo dia senti melhoras significativas na tosse que quase terminou e na sensacao no fundo das costas. 


Mas como foi Covid, sabe-se que o corpo carrega por um mes os sinais do que ca habitou. Tosse ocasional com especturação. Nariz entupido por dentro. Costas e musculos por vezes doridos. Mas super bem, mal deu para "perceber" ahah.

Nao tomei precaucoes especiais - sem ser de contagio. Tomei duas vezes uma especie de beneron, apliquei vick vaporub nas costas, peito, narinas e planta dos pes, usei o spray nasal para desentupir as vias nasais. E a coisa desapareceu. Agora e esperar que signifique mais 2 anos sem nada. 😇

Abraços a todos. 




domingo, 27 de agosto de 2023

Acusei Positivo

 

Acusei positivo para Covid faz dois dias. Tenho me sentido... como uma pessoa com Covid se sente. Embora presentemente consiga respirar pelo nariz, o sintoma mais problemático é mesmo a forma como nos sentimos. Dor de cabeça, suor pelo corpo, tosse, nariz a pingar, garganta a arranhar, olhos inchados. Mas o pior dos sintomas é mesmo a sensação incómoda na base das costas. Consigo continuar a rotina mas é essa impressão lombar que não me permite ser muito eficiente. Para piorar a situação, ao mesmo tempo apareceu também "aquela altura do mês". O que acho que não é coincidência, pois jamais esqueço que ambas as vacinas anteciparam " a altura do mês" assim que as levei. 


De momento estou com as costas viradas para o sol. Quando este não desaparece atrás de uma nuvem. O malandro escondeu-se e não me deixa usá-lo para me curar. 

Pensa-se que o Covid "já foi" mas não. Ele nunca vai desaparecer. Em Inglaterra o clima está misto: chove e faz sol várias vezes ao dia. Já é inverno, sem nunca ter sido verão ou primavera. A minha necessidade por férias de verdade abrange tudo isto. Mas não vai acontecer. 

Estou à espera... só o tempo fará com que me sinta melhor. O bom em apanhar novamente Covid é que, penso eu, agora não apanho mais! São duas semanas a um mês - se bem me lembro, para recuperar em pleno. Mas eu quero recuperar de imediato. Sexta-feira quando fiz o teste - daqueles caseiros pois adquiri bastantes e armazenei-os, fui trabalhar. Tentando passar por pessoa saudável e mantendo as distâncias. Na realidade, estava a sentir-me estranha mas apta. A febre tinha desaparecido e senti-me, tirando o peso nas costas, bem. Quando entrei no autocarro regresso a casa não tossi. Controlei-me. Não respirei para cima de pessoas. Não abri a boca. Mas uns tipos que sentaram atrás de mim não paravam de falar e um tossiu sem cobrir a boca. Olhei para trás. Queria que tivesse consciência do gesto. Eu estava positiva e se tossisse provavelmente teria transmitido o virus. 

Ninguém aprendeu NADA com o Covid! Inglaterra jamais terá o civismo da China ou do Japão neste sentido. Aqui tudo é para "inglês ver". 

Regressei ao uso da máscara - o que aqui continua a conceder-te "funny looks" como disse um colega que diz que a usa quando vai às compras. E é mesmo verdade. Se colocas uma máscara no rosto, as pessoas olham para ti como se tivesses lepra. Alguns, se pudessem, atirariam pedras. Não se aprendeu NADA com os 2 anos de pandemia. 

Trabalhei o sábado inteiro e teria ido hoje, Domingo, também. Não fosse terem-me PROIBIDO. 

Sim, proibido... Hoje era o Domingo que eu mais ansiava. 9 horas de trabalho garantidas! Um doce. Eu adoro trabalhar aos Domingos e não fiz nenhum segredo disso. Talvez tenha sido o meu erro, pois sempre que podem, os tipos fazem de tudo para me tirá-lo. 

A JUSTIFICAÇÃO  que me deram é que não posso trabalhar 7 dias seguidos sem teruma folga. Até acreditaria nisto, não fosse o estar a trabalhar todos os dias faz três semanas. Então porquê só agora é que lhes está a fazer espécie? Desde que me deixem, eu vou trabalhar. Não sou uma pessoa que quer "apanhar tudo". Tenho um horário de merda - que não me permite pedir overtime muitas vezes. Então só posso fazer OT três dias da semana + o Domingo. Os outros dias não tenho como. Eles não dão overtime a quem trabalha de tarde. Se derem, é para a noite e fazem-te esperar 4 horas entre um turno e outro. Ridículo, passar 12 horas no emprego para receber apenas 8.

Isso sim, é que não te deixa descansar adequadamente. Anda-se sempre cansado, com a sensação que só se faz é trabalhar mas depois, financeiramente, não se vê o resultado porque as horas pagas não foram muitas. 

Não gosto dos turnos de 4h - são exasperantes para mim. O tempo não passa, parecem que duram sete dias! São monótonos. turnos de 8h, adoro. Por vezes chegam ao fim e nem dei conta do tempo a passar. Porque foi intenso. 

 
Por uns instantes fez-se luz. Encontrei um alojamento que parece ser perfeito! 
Só precisava que alguém mencionasse como era a deslocação do aeroporto para o local. Então fiz a pergunta no website. Não comprei antes de receber a resposta. Com a resposta feita, tratei de ir logo fazer a reserva. De um dia para o outro, deixou de estar disponível.


Se de facto não estiver disponível, desisto da minhas férias na Madeira. Sinto-me profundamente dececionada com este contratempo. Foram 3 dias a pesquisar alojamentos no Funchal, sem esperança de encontrar um que não mencione algo bastante negativo e medonho. 

Encontrei um ontem - poucos detalhes dados, uma referência a sujidade de pó mas de resto, coisas positivas. Nada muito alarmante. Devia ter comprado de imediato. Não o fiz, alguém se aproveitou da minha hesitação para tomar o lugar para si. Foram uns três dias de busca, sempre com os mesmos resultados disponíveis. SEMPRE os mesmos. Ninguém pegou. Foram logo pegar naquele que me agradou? Cambada de metediços! Se não estiver  disponível espero que a estada lhes seja super desagradável. Pode não ser um desejo bonito, e os meus desejos são fraquinhos, nunca se realizam. Mas caramba! Estou cansada de ficar só com a ponta podre. 



 


sábado, 26 de agosto de 2023

Férias na ilha do calor, mosquitos e sujidade

 

Buracos nos lençóis, extremo calor sem ventalização, muito ruído, falta de limpeza, mosquitos e baratas, noites sem dormir, cães a ladrar dia e noite, discoteca ou vizinho que escuta música alta... Até agora não consegui encontrar alojamento na Madeira que não assuste!

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

 

Eu nao compreendo estas pessoas.

Um puto de certeza menor de idade parado na rua frente ao supermercado a enfiar na mochila cada uma das latas de cerveja laguer que comprou em pack de seis. 

Uma grávida com uma barriga que parece que a criança está pronta para nascer, a fumar cigarros.

Duas amigas no autocarro sentam em bancos opostos do corredor mas não páram de falar. Sentar a janela para quê se ficam de costas e olham uma para a outra?

Esta cidade nao faz sentido.


quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Férias - a dor de cabeça

 
Desde as 2 da tarde até agora, 8 da noite, à procura de alojamento na Madeira, Funchal. Planeio uns dias de férias lá, mas como não conduzo e pretendo caminhar, tenho de escolher bem a área onde vou dormitar. Tem de estar perto de transportes e, ao mesmo tempo, ser silenciosa, agradável. Tarefa que, em seis horas, não consegui completar. 

Alguém por aí que seja muito viajado e conheça a Madeira - o Funchal em particular, pode dar umas dicas? Até encontro alojamento a rondar as 300 libras por uma semana. Inclusive pequenos estúdios de 25 m2, que me vão facultar uma outra necessidade: ser a única a usufruir de um espaço. Tudo depende das reviews. E pelo que percebi, todos os locais turísticos na madeira sofrem de um mal comum: humidade, bolor, ausência de ar condicionado, muito mosquito. 

Já sei que vou levar comigo um daqueles "mata-mosquitos" eletrónicos, uma pulseira repele-insectos, talvez até leve uma mosqueteira. Levo também uma bateria portátil para o telemóvel. Quando descobrir como o fazer, pretendo tornar o meu telemóvel rastreável a enviar sinais de PIN - caso desapareça vítima de crime e seja preciso localizar-me entre o mato. Rezo para que escolha um alojamento com boa conecção de WIFI, porque, aparentemente, por toda a ilha esta é muito pobre. 

Pretendo caminhar nas levadas. Quais, não sei. Porque presumo que nenhuma fica no centro do Funchal - ahah, e caminhar até elas é em si uma tarefa de meio-dia. A menos que haja transporte. Mas vi um site que disponibilizava transfers por 145€ e achei um roubo! Além de que, na prática, não disponibilizava nada, não estava funcional. 

Para não mencionar a deslocação do aeroporto para o alojamento e vice-versa. Preço da viagem de avião para finais de setembro está razoável, menos de 100 libras ida e volta, desde que a partida e regresso seja em Lisboa. Não dá para ir nesta aventura de Londres - os valores triplicam. Alojamento entre 300 a 500 libras - tentando diminuir esta valor, ainda assim, já faz uns 600 em gastos. Mais uns 1500 que vou gastar em Lisboa por três semanas. E os 100 que gastarei por ter mudado as datas de vôo, pois as minhas férias eram para ter começado na passada segunda-feira. 

Vontade para fazer isto, tenho. Necessidade e desejo também. Pessoas a dizer-me para não o fazer- sempre. (família). Nem está caro - embora vá regressar das férias com menos uns 2500 euros no saldo. 

Porém para visitar a ilha da Madeira estou limitada à minha incapacidade para conduzir um automóvel. Dizem-me que, para conhecer a Madeira, só mesmo de carro. Não tenho ninguém para me acompanhar, embora o alojamento que estou à procura ofereça o mesmo valor para 1 ou 2 pessoas. Então vou comprar para duas, ahaha. Pode ser que se dê algum milagre e surja uma companhia inesperada. (não). 

Para conhecer a ilha minhas pernas terão de fazer o serviço - com gosto. 

Alguém sugere algo??


Montras

 Já é Natal!

Pois é. O comércio já começa a por ca fora o seu stock natalício.


Já está a mostar as oferendas habituais...


Os cofrets de banho, higiene e afins. 
Prateleiras sem fim!

Embora antes do Natal ainda exista o Halloween
 

Este tinha pouco destaque na loja e nem esperaram a data passar para tirar as de Natal.

Estamos em Agosto.
Halloween: 31 de Outubro (2 meses)
Natsl: 25 de Dezembro (4 meses)

E se querem comprar passagens de avião para este natal, apressem-se!! Os preços também já avançaram 4 meses.
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Quando era criança ofereceram-me uma boneca que eu queria muito: uma do meu tamanho!

Vi estas na loja e logo reparei no mal que se está a fazer às crianças.


Conseguem perceber ao que me refiro? Vejam bem:

No meu tempo, garanto-vos: as pernas das bonecas eram mais cheínhas. Aqui sao dois paus, que nem se tocam. E a cintura? Bonecas magras mas mamalhudas.


Estamos a dizer às meninas que isto é belo. È o mais desejável. Perninhas finas, praticamente só ossos e umas salienças para o peito. 

No meu tempo as bonecas tinham também mais cabelo! Bonito. Estas estão, de facto, mais fiéis a realidade actual: pessoas com pouco cabelo, fios finos e penteados sem graça.




terça-feira, 22 de agosto de 2023

Pessoas com deficiencia

 Em dias de sol subitamente surgem pelas ruas um maior numero de pessoas com deficiencias que os torna dependentes de terceiros. Desde crianças em carrinhos de bebé empurrados por membros da família a adolescentes e adultos acompanhados de cuidadores.

Esses cuidadores, aqui ma zona, quase sempre sao emigrantes vindos de africa. É um traço comum, não sei a razão. 

Vêm-se muitos. Subitamente, com a presença do sol e do bom tempo, vejo-os em maior numero pelas ruas e começo a reflectir sobre como é suas vidas quando nâo está sol. Percebo que o número de pessoas com atraso cognitivo é bem significativo - ao contrário da impressão que o dia-a-dia pode causar.

Como não saem muito de suas casas, não os vemos. E como não os vemos, achamos que não são muitos. Mas são. Inclusive crianças o que significa que ainda continuam a nascer bebés com problemas de formação.

Deve ser uma realidade muito intensa que muda a perspectiva de tudo. Confesso que sempre temi um pouco ao imaginar que podia acontecer a um filho meu. Como ia eu agir? Acho que, se ja tivesse tido um filho saudavel, conseguiria lidar melhor. Mas se nao tivesse, acho que precisaria de passar por essa experiencia, igual a da maioroa dos pais e, tal como muitos que tem filhos com problemas, acabaria por providenciar outro, receando mas esperando que este nascesse totalmente saudavel.

Quando me imaginei mãe, um ser saudável sempre foi o que me surgia no pensamento como desejo. Desde que viesse saudável, o resto se arranjaria. Do resto me encarregava eu.

A pesar de ter crescido com algum contacto com pessoas com deficiencia fisica, e, por consequencia, por vezes avistar e partilhar espaços com pessoas em cadeiras de rodas tetrapelegicas e com deficiencia cognitiva, não sei quem eu seria se essa fosse a minha realidade. Se tivesse de cuidar de alguém nessas condiçôes ou se subitamente algo limitativo acontecesse a mim ou a um dos meus.

Reapeito quem vive esaa realidade.

Não sei como eu lidaria com ela.

Acho que ninguém sabe, até lhe acontecer.



quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Vejam a extenção das consequ^ncias dos jogos online

 

Se conseguirem sintonizem o canal ACM Crime e vejam o quinto episódio de Web of Lies - sobre SWATTING.

Um crime hediondo que, claro, só pode acontecer nos EUA...

Mas não se iludem. O que acontece por lá, depressa surge noutros cantos do mundo. 


SWATTING consiste no crime de realizar um telefonema para a polícia de emergência reportando um crime sério que precisa de intervenção imediata. A polícia especial SWAT aparece em minutos. Uma polícia que foi desenvolvida para lidar com ameaças de terrorismo, perigo imediato. Ou seja: pronta a disparar. 

Em 2019 esta polícia recebeu um telefonema de um homem que afirmou ter acabado de assassinar o pai. E preparava-se para assassinar a restante família, que mantinha refém. Depois de dar o endereço, em minutos a polícia surgiu aos berros e armada, para que o homem surgisse fora de casa. 

Usando uma T-shirt azul e calças brancas, um homem surge no alpendre e, ao baixar um braço, o polícia julga que ele vai apanhar uma arma e dispara um tiro fatal direto no coração. Tratava-se de uma chamada FALSA de sequestro e homicídio. 

Descobriu-se que tudo não passou de uma técnica de vingança usada por adolescente, que ficou chateado quando foi morto num jogo online por fogo amigo. Sempre interagindo no computador, procurou descobrir o verdadeiro endereço do jogador que o "prejudicou". Os dois trocavam mensagens provocatórias, instigando e desafiando. Estavam a medir "pilinhas", a ver quem era o mais inteligente e apto. Tyler Barris chegou mesmo a oferecer os seus serviços como SWATTER para que outros, em troca de dinheiro, pudessem exercer uma espécie de vingança a quem os prejudicou. Ex-namoradas viram suas casas invadidas pela polícia, naquela violência súbita, de algemas nos pulsos e armas apontadas. 


Em 2019, por causa de um estúpido jogo online e uma aposta de menos de 2 euros, Tyler jurou vingança. Descobriu a morada do seu alvo e fez a chamada que resultou na morte de Andrew Finch, pai de família. A pessoa que ele queria prejudicar já tinha mudado e a casa fora ocupada por outras pessoas. Infelizmente, com uma fatalidade. 

Fiquei PASMA com as ramificações de um simples jogo online. De facto as coisas podem tomar proporções gigantescas e devastadoras. Swatting é um crime federal - e deve ser mesmo. É um crime que tem aumentado nos Estados Unidos e que põe muitos adolescentes na cadeia. 


Fico a pensar na criança que tenho na família. Típico miúdo agarrado ao telemóvel a jogar o dia inteiro. Faz-se de tudo para que saia de casa, mas não quer. Fica chateado por largar o vício. Não gosta de ir à escola. Não gosta de acompanhar alguém às compras. Porque implica não ficar a jogar. Ainda é novo - 10 anos. Mas tem sido uma batalha desde muito cedo. Esta sua tendência não parece querer alterar - só faz é crescer. 

Quando lhe perguntei sobre o futuro e o trabalho, respondeu muito rapidamente que nunca ia trabalhar. Que ia ser um desempregado. Ia só viver dos jogos. Desafiei-o. Ele respondeu que tem quem viva de jogos. Eu a dizer para ele ir para o parque brincar com outras crianças, esfolar os joelhos, cair, machucar-se... faz parte. Mas ele nunca foi criança para isso. É a única criança que se destaca entre muitas, por não mostrar o mesmo tipo de energia para a brincadeira. Energia ele tem, e muita! Mas não tem aquele à vontade e desembaraço. Não tem ímpeto. Retem-se. Tem receio. Uma vez naquelas máquinas de exercício físico, ele viu um insecto. Teve uma instantânea reacção de medo e afastou-se. Uma menina com metade do tamanho e idade dele, aproximou-se e começou a usar a máquina, sem receio da presença do insecto. E nisto diz à mãe:
"Mãe, olha está aqui um bicho amarelo. Eu não tenho medo. Não precisamos ter medo dele porque ele não faz mal se eu não lhe fizer mal". - um recado claro à reacção que eu, tal como ela, tinha notado no rapaz. 

Ele até pode escalar uma pequena parede e andar no escorrega e diverte-se. Mas enquanto os outros, mais pequenos que ele inclusive, o fazem num movimento contínuo, destemido, ele é todo cuidadoso, moroso. Tem receio de se magoar. Um simples arranhão pode ser um drama. Então ele é receoso, fica mais afastado, embora se note que gostaria de estar a interagir mais com os outros meninos. Numa ocasião não se agarrou bem ao escorrega e roçou os dedos na beira, aterrando de joelhos e mãos na areia. Quase chorou. Quase desistiu. Mas como não fizemos caso, não o chamámos para "curar o dói-dói", ele ignorou e voltou a brincar. 

Outras crianças nem se importavam. Riam, riam, riam, decidiam descer do escorrega em grupos de quatro e cinco ao mesmo tempo, aterravam na areia de qualquer jeito, e riam. 

Infelizmente esta sua natureza não parece ter muita vontade de brotar. Agora estou longe e, para ser sincera, já me desgastei demais em esforços feitos para lhe despertar este gosto pela brincadeira, pelo ar livre, para a descoberta - para uma vida fora do monitor de um jogo. Acho que os pais aceitam bastante este lado e por isso ele sente que não precisa de mudar, os pais não se importam que ele seja recluso, viciado em jogos, não goste da escola, não tenha amigos fora de um ou outro de turma e que os que os una seja os jogos online. 

Esta geração é diferente. Alguns já nascem sem sentir qualquer atracção pelas "brincadeiras de criança" que fizeram parte da vida de todas as gerações anteriores. Mesmo pobres e miseráveis, a ter de trabalhar na infância, sempre se inventava uma brincadeira. 

Ele não tem interesse por bonecos, carrinhos, colecções, livros, nunca gostou de escrever nem o próprio nome. Tinha que ser convencido através de muita, muita e cansativa persuasão. Nunca gostou de rabiscar e para fazer um desenho de uma bola ou mesmo escrever uma frase para um trabalho de escola, sempre foi uma tarefa demasiado exaustiva, que tinha de ser pedida constantemente, incentivada e levava horas para quem um rabisco ou palavra surgisse dali. 

Acho que não tenho de me preocupar mas... nunca se sabe. 
Esta geração dos jogos só vive em torno daquela fantasia. Num outro caso que já mencionei aqui, uns adolescentes deram um tiro na cabeça de uma menina de 14 anos porque era só isso que faziam nos tempos livres: jogar jogos de tiros. E queriam fazer aquilo numa pessoa de verdade. Agora este Tyler, cometeu homicídio por Swatt - tudo adolescentes que vibram com os jogos. 

Cada vez que escuto o miúdo a gritar ou a dar murros no sofá porque o jogo não correu como queria, digo-lhe para se acalmar, que não é preciso exaltar-se tanto. Mas vê-se que ele vive aquilo. 

Porém, acredito que não vai sair dali nenhum criminoso. Não tem tendências para isso. Contudo, pode sair uma pessoa meio reclusa. O que para mim, que fui criada em reclusão involuntária, consigo ver a desgraça a longo prazo. Mas se for escolha dele - então a experiência será diferente da minha, que não tive escolha, foi-me imposto. 

Mas se calhar, vai ser apenas um período da sua vida e outras coisas no futuro também vão chamar o seu interesse. A ver vamos. Uma coisa, contudo, todos nós na família - aqueles que sabem do "segredo", gostaria que terminasse. O miúdo não tem problemas alguns. Os pais também não! Mas nós... avós e tios, não vemos com bons olhos que o miúdo se recuse a dormir na casa de um amigo, ou na casa dos avós, com os primos, ou que vá uns dias de férias com os meninos de escola, ou seja o que for - ele RECUSA dormir fora de casa. Diz logo que não! Recusa aqueles passeio que em criança todos gostavam de fazer - com outros meninos, dormir em camas boliche, brincar, ir para a praia. Não tem interesse. Ele recusa dormir fora de casa porque ele só dorme com o pai e a mãe.  


Uma história bonita e inspiradora - que existe mas é rara

 Leia aqui: 

Feitos um para o outro


Ah, é tão melhor quando se é jovem!
Tudo acontece. Até mesmo uma longa separação. Quando se dá o re-encontro a boa notícia é que... ainda são jovens! A vida inteira pela frente, tempo. Tempo para esperar, decidir, planear, adiar. TEMPO. 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Uma história INCRÍVEL de sobrevivência

 O canal AMC Crime está a passar alguns documentários de histórias de crimes e homicídios que ainda não conhecia. (O que é um feito). Fiquei maravilhada com o último a que assisti. Se puderem, vejam. É o episódio nº5 da série "Text me when you get home" - Avisa Quando Chegares - tradução para português.

Estive em lágrimas grande parte do tempo. A torcer para que o desfecho de uma adolescente de 14 anos que não regressou a casa após a escola fosse diferente do habitual. E foi. Fiquei feliz, em lágrimas mas contente. Aquela menina, agora mulher, é um espanto. Fantástica! Uma pessoa maravilhosa, linda por dentro e deslumbrante por fora. 

Vão ver e vão entender. 



A HISTÓRIA:
A adolescente não regressou a casa após a escola. A mãe ficou preocupada pois a filha era muito responsável. Em cerca de duas horas, colocou no facebook um apelo: para lhe avisarem se vissem a filha, que não tinha regressado a casa e não respondia a mensagens. 

A comunidade viu o post e começou a interessar-se. Chegando a noite, ela foi ter com a polícia. Que não respondeu "ainda é cedo, tem de esperar 48h". Como entendeu que aquele comportamento era atípico da adolescente, decidiu ir investigar. Falaram  com quase 50 amigos dela. Conseguiram um nome de um rapaz, por quem a adolescente tinha um fraquinho. Falaram com ele que respondeu que não se comunicavam há meses. 

A pista não deu em nada. Aí a mãe, ainda no facebook, leu um comentário que lhe deu esperança: "Vi a Desiré a caminhar na estrada da vala". A polícia foi ao local investigar, mas não encontrou nenhuma pista. 

Umas mulheres que acompanhavam o caso no facebook, moravam perto do local. Era de noite e as temperaturas geladas. Mas juntaram-se e ofereceram-se para ir ver o local. Estava totalmente escuro. Negro, preto. Levaram uma lanterna e, por precaução, um canivete, água, snacks. Afinal, eram mulheres sozinhas de noite num local ermo. Quando subitamente, a luz de uma das laternas apanha um movimento que lhes chama a atenção. É uma mão, vinda do chão, e se mexe. 

É Désiré!!

As duas aproximam-se da criança, verificam que está gelada, sofre de hipotermia - cobram-lhe o corpo com os seus casacos. Uma telefona para a ambulância, pois desiré está viva mas está mal. Tem o rosto inchado, está a falar mas é um sussurro e incoerente. Queixa-se de dor de cabeça. 

A polícia, médicos chegam e no hospital, começam a tratar da sua hipotermia. Uma enfermeira apercebe-se que existe sangramento craneano. Fazem uma tac e... descobrem que ela tem uma bala alojada no cérebro! A adolescente levou um tiro com entrada na nuca. 

Claramente, não o fez a si própria. 

A investigação continua, com a polícia a tentar descobrir, através dos telemóveis, o que poderá ter acontecido. Foi o rapaz que ela gostava mais o amigo deste. Levaram-na para aquele local, enganaram-na dizendo que tinham perdido um anel e enquanto ela estava a olhar para o chão, de cabeça baixa, tentando achar algo que não existe, deram-lhe um tiro na nuca. 

Depois tiraram-lhe o telemóvel e a mochila. Deitaram o telemóvel num rio e ficaram com a mochila e com o dinheiro. Foram comprar álcool e outras coisas mais. 


MIRACULOSAMENTE a menina sobreviveu. A probabilidade é de 3%! E não só sobreviveu como conseguiu sobreviver com sequelas reduzidas para quem levou com uma bala no cérebro! Teve de re-aprender tudo: falar, andar, mexer o braço, a perna, tudo. Não é fácil e nunca será. Para sempre, mesmo que queira esquecer, a bala está no seu cérebro, a lembrá-la do sucedido e a fazê-la temer que lhe cause uma morte súbita.

O documentário conta com o depoimento da jovem e surge uma mulher linda, deslumbrante, com um discurso coerente, preciso, adulto. Fiquei apenas triste por ela ainda sentir-se magoada com a "justificação" apontada para levar com uma bala: o rapaz de quem ela gostava e a quem enviava mensagens disse que ela era "irritante". Então o amigo disse para acabarem com ela. Os dois passavam as suas vidas a jogar jogos na playstation, não faziam outra coisa. Os seus cérebros consumiam aquilo e mais nada. Jogos esses, de extrema violência, onde disparar contra pessoas é o habitual. 

Eles decidiram não separar a ficção da realidade. Sem emoção, sem motivo. 

Sim, porque dizer que ela é "irritante" não é motivo. Espero que Desiré tenha percebido isso desde a altura deste documentário. Tratavam-se de dois jovens sem apatia ao próximo. Infelizmente ela, imatura como todos nós somos aos 14 anos, sentiu atracção pelo "tipo calado e sossegado", sendo que ela era mais ativa. Até mesmos em adultos, muitas vezes, esquecemos esta lição: só muito poucos jovens "calados e quietos" o são mantendo uma natureza pacífica. Muitas vezes, os que têm uma raiva oculta, os que vivem em total escuridão interior, também agem assim. O sol quer sempre incidir sobre a sombra. Achando que deixa todos felizes. Mas alguns vieram das trevas e tudo o que for luz os incomoda. 


Desiré é luz. Não foi apagada. Brilha ainda mais agora, que provou a garra que tem em viver, em sobreviver, em ultrapassar as estatísticas e prosperar. 
Fiquei a admirar muito esta pessoa. Desejo-lhe tudo de bom. Uma vida longa e próspera, com muitos amigos que decerto tem e um amor digno da pessoa que ela é.  

Mas tem sequelas para a vida, está semi-cega e semiparalisada, assim como a vida na corda-bamba, uma vez que a bala permanece no cérebro.


LIÇÕES A TOMAR:
 A importância de agir em comunidade. Penso que é isso. Acredito também no poder da reza colectiva. Subitamente a energia de tantas pessoas focou-se nela. A mãe pedia que rezassem muito. Já vi documentários incríveis em que o resultado sempre foi milagroso e sempre envolveu este mesmo ambiente: pessoas com fé, a rezar com fé e a inter ajudarem-se. Uma rapariga com uma doença terminal de pura agonia e paralisante, subitamente "viu um anjo" e curou-se. Noutro caso, uma mãe teve uma premonição agarrou-se à bíblia e pôs-se a rezar pela filha. Esta tinha caído numa ravina e não tinha como se salvar. Diz que sentiu um anjo levantá-la e colocá-la na topo da ravina. Que foi onde subitamente apareceu.  

Como não acreditar em milagres quando se a fé for forte e as pessoas estiverem conectadas com esta energia especial, coisas fantásticas realmente acontecem?

Não foi por acaso que as duas mulheres sentiram um impulso de ir procurar pela adolescente. Algo as empurrou para isso. Era de noite e estava frio e a nevar! Mas elas sentiram que TINHAM de ir... 

Se tivessem refreado seus ímpetos, hoje estariam a lamentar-se e a imaginar se teria feito a diferença entre a vida e a morte de Desiré. 


Teria. 


segunda-feira, 14 de agosto de 2023

 

"Aquele que dá mas não existe nem a pó chega". 

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Nagasaki e Hiroshima: O aniversário a que poucos dão destaque

 Hoje é dia 9 de agosto. Tal como a 6 de Agosto, no ano de 1945 não uma mas DUAS BOMBAS ATÓMICAS foram lançadas pelos americanos sobre o Japão. O povo sofreu. O povo foi vítima de uma atroz arma de destruição em massa. 140.000 pessoas morreram de imediato no local do primeiro impacto:  Hiroshima. Milhares faleceram em sequência dos graves e dolorosos ferimentos. Mas os números iam aumentar: três dias depois os americanos voltaram a usar a A-Bomb na localidade de Nagasaki. Mais milhares de inocentes civis foram massacrados. 

Os Americanos sempre se "desculparam" do uso da arma nuclear, pintando o Japão como uma ameaça séria, um inimigo feroz e que foi "absolutamente necessário". Porém o Japão estava a ser fortemente atacado com armamento incendiário nas semanas anteriores e não existe indicações de que não estaria à beira da ruptura.

Faz-me lembrar o bombardeamento a Pearl Harbor - tantos filmes feitos sobre os "pobres" americanos desprevenidos. Serviu, tal como as Torres Gémeas, para desculpar aos olhos do público todos os actos mais agressivos que os americanos tiveram à posteriori. Como se a retaliação desproporcional fosse justificada. 

Quando estudarem HISTÓRIA, procurem muitas fontes de informação e façam um trabalho de investigação exaustivo porque a história é contada pela versão dos não derrotados. Esses pintam o inimigo como um monstro e justifica todas as suas acções como absolutamente necessárias. Procure todas as versões.   


O Japão, infelizmente, encarou os sobreviventes como "radioativos" e as pessoas tornaram-se párias. Afastavam-se para cantos como leprosos e muitas perderam as suas vidas com o passar dos anos. Outras sobreviveram longo tempo e muitos que eram vivos na altura, tiveram complicações de saúde derivadas da radioatividade. 

Que simpáticos foram os Americanos! Tanto medo tiveram que os russos lhes metessem uma bomba Atómica durante a guerra-Fria, que incutiram medo na população, mandaram construir abrigos anti-bomba e faziam treinos nas escolhas primárias para ensinar as crianças. A MAIOR preocupação daquela geração era serem atacados por uma Bomba Atómica vinda dos Russos. Hoje octagenários, muitos se espantam com essa realidade que, se provou, infundada. 


Os filmes americanos mostram bem como foi, na América, o MEDO  que os Russos lançassem a A-Bomb mas não existe quase nada na ficção que aborde a sua contribuição para o PRIMEIRO e até agora único (conhecido) bombardeamento de bomba atómica em civis. Parecem interessados em recordar os seus medos como potenciais vítimas, mas nada interessados em expressar vergonha, horror, pesar pelos actos que cometeram contra a humanidade no contexto de guerra. 

 Já os Alemães, que na 2ª GG criaram os campos de concentração e o extermínio em massa, sentem vergonha e, como nação, fazem de tudo para se redimirem. Não há ano que passe que não seja uma data recordada. Sentem pesar dessa parte de sua história e, ao mundo, pedem perdão. 

Os americanos... não os percebo humildes. 

Fique a saber muito mais sobre os efeitos da Bomba Atómica em Hiroshima (6 de agosto 1945) e Nagasaki (9 de Agosto 1945) nestes muitos interessantes links:


Sobreviventes do primeiro teste da Bomba Atómica - 16 Julho 1945

Justificativas e críticas, efeitos da bomba atómica, radiação, rendição, guerra-fria

O homem que sobreviveu às duas bombas Atómicas

Explosões nucleares pós-guerra, animais em Bikini, navios afundados em 1946

Filmes mantidos em secretismo, censura e recusa à entrada de jornalistas

Porquê a explosão de uma central Nuclear mata e contamina tudo ao redor por centenas de anos e espalha-se pelos continentes em nuvens radioativas mas não a Bomba Atómica usada em 1945.