quarta-feira, 21 de setembro de 2022

O Pesadelo e o penhasco

 


Ontem acordei a lembrar-me do que sonhei. Foi mais um pesadelo. Sonhei que uma mulher (tipo reporter) estava a fazer uma reportagem. Aí, sem o prever, deparou-se com uma falcatrua. Mas foi descoberta. Então perseguiram-na. Ela, segurando as provas, correu. Estava num monte, depois num areal, sempre a correr e sempre a ser perseguida. Depois, ficou encurralada num penhasco. Os homens aproximaram-se e empurraram-na. Ela, mais as provas que segurava, cairam. Vi uma rocha enorme, plana e castanha a aproximar-se à medida que a mulher ia a pique. Ouvi o "pack" do crânio a bater na rocha. O corpo inerte, a dobrar do pescoço para baixo. As provas espalhadas. Era o fim. Passado um tempo, ela ergue-se, pega nas provas e pode denunciar a falcatrua. 

Já sonhei com isto antes. Não sei quando. Mas percebi que já tinha acontecido. Há muito tempo. Sonhei exatamente a mesma coisa. Da mesma maneira.

O cérebro é muito especial. Não é a primeira vez que percebo que tenho sonhos recorrentes - geralmente pesadelos. Quando era criança tinha muito um envolvendo cores a mesclarem-se umas nas outras. Depois nunca mais tive. Quer dizer, muito raramente o tive. Ou pouco me lembro se tive. 

O cérebro "armazena" tudo. Por algum motivo nós não acedemos a esse arquivo. Porém, de vez em quando, ele vai buscar uma "bobine de filme" e faz uma reprise. 

Depois de despertar, voltei a adormecer por mais uma hora. Quando acordei, recordei o sonho anterior. Fui ao google e fiz uma pesquisa. Ao contrário do que imaginei, existem muitas pessoas a cair de penhascos. Supostamente por acidente. Pesquisei colocando a palavra "jornalista" e dei com uma notícia de dois indivíduos da BBC que, há uns anos, por acidente, cairam de um penhasco. Mas sobreviveram. Estavam no hospital. Devem ter sobrevivido... porque não existiu mais notícia sobre o assunto. Mas também, não existiu mais notícia sobre notícias que tenham escrito. É isto que condeno no mundo da informação: para reportar acidentes, estão lá. Para reportar a recuperação, o resultado, já não estão. A menos que haja óbito. 


E tal como mencionei há uns dias, desgraças como estas não passam ao lado das celebridades. Surgiu na pesquisa que já tinham falecido os dois filhos de Nick Cave. Um, aos 15 anos, por ter caido de um penhasco. 

Nunca tive medo de penhascos. Jamais. Nunquinha.

Mas vou passar a ter noção do que representa estar na beira de um abismo fatal.



segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Adorno corporal curioso

 Alguem sabe me dizer o que é isto?

Eu sou um tanto "futurista" no que respeita a tendencias. Nao ando como por vezes desejo porque seria demasiado invulgar, o que daria nas vistas.

Como nao sou artista ou nao ando com artistas, nao posso usar esse facto como pretexto para me apresentar com alguma exuberancia.

Mas a realidade e que eu adoro adornos corporais. Apetece-me usar correntes no ombro, adornar a face com decalques, a sobrancelha com uma serie de diamantes, a parte de cima da mao com o pulso ligado aos dedos por correntes, desenhar na pele como se uma tela fosse, usar tatus douradas que grudam na pele, etc.

Ainda nao chegamos la, ainda nao e banal como ja o e ver um corpo tatuado com toda a especie de desenho e por toda a parte em qualquer pessoa. 

Por isso, quando vi duas pessoas com este "apendice" redondo apatentemente implantado no braço, achei o maximo. Sei que nao podia ser estetico. Mas adoraria que fosse! Deve ser uma especie moderna de uma vacina ou algo do genero.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Remake de Um Anjo na Terra

 

Gosto de recordar na TV séries que já vi antes, feitas noutras épocas. Uma delas que está a represar na RTP Memória é a séria americana "Highway to Even". Tradução portuguesa: Um anjo na Terra. 

Dirigida e protagonizada por Eugene Maurice Orowitz. 

Mas o público ficou a conhecê-lo como Michael Landon. 

Sim, aquele moço de Bonanza e uma casa na Pradaria. Alguém por aí sabe do que estou a falar?

Se não tivesse deparado com o nome na lista de programas, provavelmente não me lembraria de ir ver. Mas como começaram a exibi-la, decidi rever esta série de 1984, sobre um Anjo de Deus que é posto na terra para ajudar pessoas que vão passar por momentos difíceis. Descobri que a série também se encontra inteira no Youtube. 

Pensei que ia deparar-me com algo muito meloso, realizado de uma maneira cliché, típica dos anos 80. Engane-se quem pense que isso só aconteceu nos anos 80. Todas as épocas têm estilos. Nos anos 60 era aquela representação televisiva séria, teatral, com beijos teatrais de bocas que só se tocavam. Nos anos 70 surgiu o calão, a criminalidade e a violência. Nos anos 80, as séries de "bonzinhos e vilões", com bonzinhos a falar autênticos milagres de sobrevivência e com deixas muito corny, muito lamechas. Más de ouvir hoje. E esta década? Bom, temos os self made das redes sociais, com muita animação e uso sonoro. No cinema e TV temos um padrão terrível, de perseguições, disparos, aventura mirabulante e todas as deixas são ditas corridas e à vez. Isto são estilos de direcção. 

Contava que Um Anjo na Terra fosse exibir as características da sua época. Não é que escape muito mas, para a altura, fugiu de terminar um episódio, ou colocar música num episódio, ou de meter as personagens todas a falar de um jeito típico que só aparece na TV e Cinema da sua década. 

Mas apreços técnicos à parte, Um Anjo na Terra, conseguiu cativar-me. As histórias são simples mas contadas e escritas (muito bem escritas para os padrões da altura) de forma que ainda cativa e emociona. Nossa, para uma "chorona" como eu, emociona mesmo. Mas o mais interessante, o que a torna especial, é que sentimo-nos com vontade de amar o próximo. De o compreender, de dialogar, de afastar o ódio e viver só no bem. 

E isso, meus caros, faz uma falta tremenda!


Independentemente de quem poderá ter sido o artista na vida real, no ficcional, Michael Landon preocupou-se em passar as mensagens certas para a humanidade. Com nove filhos de três mulheres seguidas -dos quais nenhum aparentemente lhe seguiu as pisadas, decerto que algo menos bom se passou na sua vida. Mas isso não interessa agora, a série, vale a pena ver. 

Um Anjo na Terra devia ter remake

Vocês viam?



sexta-feira, 9 de setembro de 2022

 Estou num parque perto de casa. Deitada na "relva". Quando cheguei ja estava por perto um rapaz a tomar banhos de sol. E depois, outra pessoa se deitou no relvado a descansar.

Já me encontro ha uma hora no parque, quando subitamente me dou conta que nao está a chegar-me ao nariz nenhum odor a cigarro.

Isso seria impossivel em Inglaterra.

Tudo o que respiro é o ar que o vento traz ao passar pelas arvores. É delicioso. É o que gosto de sentir quando vou para parques.

Tambem nao existem pessoas a falar ao telemovel. Sossego. Silencio. So o ruido do vento na folhagem. Nem me incomoda mais o transito. Adoro!

Será que é mesmo como sinto? 

Aqui as pessoas, ao ir para o parque, vao mais pela natureza e menos para dar larga aos maus habitos? 

Ultimamente sinto que o meu lugar é aqui. 

Mas ainda nao pode ser. Nunca vai poder ser, até o inevitavel surgir. Muito triste sina a minha. Talvez a mais triste dentro das pessoas nascidas na minha condiçao.

É que as aparencias nunca sao o que parecem ser!

Vê-se por todo o parque cilindros plasticos a proteger novas plantaçoes de arvores. Sao quase todas paus. Ja sem planta. 

Reparei que no pedaço de chao que encontrei para me estender estava uma excepcao. Embora seca, a futura arvore ainda mantinha olhagem. Entao decidi rega-la. Espero que vingue e que, daqui ao dobro dos anos que hoje tenho, possa vir a este lugar para acompanhar seu crescimento.

No lugar que escolhi tambem apareceu um Robin! Pensei que este tipo de passaro nao existisse na zona. Os pardais ha anos qie desapareceram. Foi fantastico ver uma ave de identico porte. 

Ou serei eu que atraio estes animais?? 😃

Já tinha revelado, anos atras, que isso me acontecia muito la em Inglaterra. Ate julgaria comum, nao fosse a Gordazilla que ali morava ha uma decada me dizer que nunca tinha sido visitada pelo Robin.

Agora vou ter de partir deste paraiso (onde cigarras cantam! Nao existem em inglaterra). Porque outra "especie" decidiu visitar-me. 

E eu nao gosto nada nada dela.

A MOSCA!




terça-feira, 6 de setembro de 2022

O que é obsoleto é bom!

 

Tal como tecnologia obsoleta, este blogue já viu melhores dias. Mas nao e por isso que gosto menos do blogger.

Talvez ate goste mais. E nao o abandono. Embora me pareça, realmente, que esta a entrar na fase do canto do cisne e, em breve, acabe extinto pelos seus criadores.

Ultimamente tem andado muito às moscas. Posts com dois dias, tiveram 10 acessos e zero comentários. Tenho a minha meia-dúzia (menos) de fiéis comentadores que não quero de todo desmerecer. Mas no geral, o blog, assim como o blogger em si, parece estar com os dias contados. Cada vez menos pessoas parecem utiliza-lo, acabando por migrar para outras plataformas, como o instagram ou o twitter.

Tal como uma velha tecnologia. Falando nisso, precisei rever velhos hábitos. Soube tao bem!

Liguei os aparelhos que mantenho em Lisboa, mas que deixaram de ser usados com a minha ida para Inglaterra. Voltar a po-los a funcionar deixou-me com um sorriso aberto de canto a canto da boca. Senti-me feliz.

Comecei pelas cassetes de audio. Nao me lembrei de ir buscar o walkman, mas usei o deck de cassetes da aparelhagem que ha uns tempos me recusei substituir por outra entao mais moderna. 


Saudade! Saudade deste simples gesto. Carregar nos botoes ate chegar a outra musica... que sensacao boa!

O som das teclas... um bálsamo. 

E o outro som? O de rebobinar manualmente uma fita com... um lápis? Quem se lembra? 


Quando a fita prendeu num outro deck com menos uso tive de o fazer! 


Esta tecnologia antiga nunca se estraga. Um dano era recuperavel. Uma fita mastigada era novamente enrolada e esticada. E dura anos. Decadas. Ao contrario dos CDs e DVDs que a substituiu.

Depois foi a vez de ligar o rádio. Funciona muito bem! 



Finalmente, os meus preciosos leitores/gravadores VHS. Aqui veio a decepção e a alegria em simultaneo. A funcionar, mas já com problemas mecânicos para ejectar ou receber a cassete. Fiquei que tempos de volta de um, depois de o abrir - como costume, para conseguir remover a cassete que parou depois de ter decidido andar para a frente com a fita.



Removi, limpei as cabeças, roldanas e todas as partes mecânicas. 


Poder tocar nos botões, tal e qual como me habituei no passado. Usar uma tecnologia mais tactil e mecânica... adorei! Adorei carregar no play da cassete, andar para a frente, parar, carregar no stop e play... até encontrar a parte da música que pretendia. Super simples! E tão gratificante.

Pelo caminho, uma outra recordação:
Conseguem identificar o objecto?

Adiada ficou a experiencia com o gira-discos. Visto que alguém decidiu CORTAR o cabo de alimentação! Porém, discos de vinil nunca se estragam. Podem ficar armazenados por décadas! Ao contrário dos DVDs e outros suportes digitais. 

Sim, sou uma apaixonada por equipamento mecânico não digital. O que fazer? Adoro uma bela fita!

domingo, 4 de setembro de 2022

Domingo no Museu - 01

 Aproveitando a estada em Portugal, juntei a vontade de cultura com a entrada gratuita em museus, aos Domingos pela manha. E fui ao do azulejo.


Fui numa de ver e nem fotografar. Mas, às tantas, nao se resiste em "apanhar" uma imagem. 

Nao resisti a esta, de um cao segurando uma vela. Fiquei a pensar no que simbolizava e quem tera gostado tanto do animal que o quis preservar em imagem pintada em azulejo.

Tem coisas muito bonitas. Mas tambem me decepcionou a falta de correlaçao. Nao existe quase nada a explicar a Origem das peças. De onde vieram? A quem pertenceram? O que retratam? Quem as encomendou? De que paredes foram extraidas? Por vezes nem tinha legenda a explicar o simbolismo. 


Paineis de azulejo: existe uma legenda para o da esquerda mas nenhum para o da direita. Contexto historico: depois do terramoto de 1755 recorreu-se a colocacao de imagens de santos nas fachadas das casas em clemencia de proteccao.

Foi um dos pouquissimos contextos socioculturais que encontrei disponibilizado numa legenda. A maioria das imagens so menciona o tipo de material usado, as cores, a tecnica.  Neste sentido achei o espaço decepcionante. Sem descricao da cena retratada e outras informaçoes que considero relevantes. Faltando este contexto nao se consegue "enquadrar" tao bem os povos e sentir a "viagem no tempo".

Um aspecto positivo: instalei a app do museu no smartphone e obtive uma audio discriçao dos espaços. Nao é detalhada nos objectos. Centra-se nas tecnicas de azulejaria. Para quem nao conheçe nenhuma, acaba sendo uma informaçao visualmente dificil.  Mas é um contributo audio agradavel gravado numa boa voz. Tem para escolher portugues-ingles.

 Gostei muito da sala do coro Alto. Assim que entrei nesse espaço senti familiaridade, bem estar e serenidade. 

Todo o espaço esta coberto do teto ao chao com adornos em talha dourada, pinturas, e bancos de fileira dupla onde as freiras se juntavam para as rezas. (Informacao disponibilizada na app).

E tanta a informacao visual que, de inicio, escapa ao olhar o pormenor preservado por detras de cada vitrine de vidro. Sao reliquias santas. Ou seja: partes de ossadas tidas como pertencentes a pessoas santas.

Fotografia de reliquia santa, provavelmente um coracao no reliquario e obviamente ossos dos braços nos suportes desenhados com maos.


Quis saber a quem pertenciam. Afinal, numa igreja com a historia desta, decerto existem registos sobre os santos em exposicao. Mas se essa informacao existe e nao se perdeu, nao esta a ser disponibilizada pelos curadores do museu. 

Voltei a sentir que faltava isso. É preciso homenagear, reconhecer os autores, a origem e de quem foram quelas ossadas, assim como fazemos com as pessoas enterradas nos cemiterios.

Somente a visao de uma caveira humana  alertou os visitantes para o que estava armazenado ali. Muitos nao a viam ate alguem - como eu, parar para observar. A sua visao os visitantes estrangeiros teciam um unico comentario monosilabico, do genero "macabro".

Nao acho. Achei ate muito querido. Aqueles restos foram venerados e contemplados com absoluta devocao. As freiras que por ali passaram almejavam conseguir ser tao santas quanto aqueles a quem aqueles restos um dia pertenceram.

Era um objectivo, uma meta de toda uma vida. Fazer o bem, ajudar o proximo. Servir os principios do Senhor em toda a gloria. 

É tambem um simbolo de outros tempos e de um costume ja extinto. Hoje veneramos idolos de barro: artistas pop ou de cinema. Antigamente veneravam pessoas pias. 

Muda o alvo, nao a natureza humana.


O museu estava cheio. Cheguei perto da hora de abertura e sai duas horas depois. A fila estava entao com o triplo do tamanho. Nos visitantes só ouvi falar outras linguas: ingles, espanhol, italiano, outro dialecto mais nordico que nao reconheci e frances.

Visitas de portugueses so mesmo ja no patio a saida. Duas senhoras nos seus 80, portuguesas, tambem de saida. 

Nao e de surpreender que os trabalhadores do museu abordem todos ja no dialecto ingles. De boca fechada ninguem me imaginou portuguesa. Foi ao a abrir para comunicar que observei um tanto de surpresa.

Se os locais nao visitam museus - pelo menos aos Domingos, entao nao vejo mal algum que os turistas o façam. Os museus precisam de receitas. Os precos de admissao sao baixos quando comparados a muitos museus pelo mundo. Daí os turistas nao resistirem em aproveitar. Eles sabem que o acesso a este tipo de cultura costuma ser dispendiosa. Por preços baixos pode ir o pai, a mae, os tres filhos e ainda consideram barato.

Neste, crianças até 12 anos nao pagam. E sabiam que tem entrada livre a ex-combatentes ou suas viuvas?

Achei maravilhoso. Pelos vistos devido a um decreto lei datado de 2020. (?)

 


De caro só as souvenirs. Os valores cobrados foram criados a pensar nas bolsas dos  estrangeiros que tem maior poder de compra. Com valores de triplicar, somente alguem de passagem, a querer levar para casa um bom simbolo da estada em Portugal, pode decidir dispensar uns 50 euros por algo que valeria, noutro contexto, uns 12. 

Mas vale a pena visitar. Mesmo com toda aquela multidao! 😊















sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Casamento de Liliana e o ex Presidente do Sporting

 



Estava a passar na TV, portanto, fiquei a ver. Até finalizarem os votos. 
Não tendo acompanhado a casa do Big Brother, não faço ideia de como foram como concorrentes. Mas sabia quem eram pelo frison causado. Vi a cerimónia até terminarem de dizer um ao outro, os seus votos. Gostei de os ouvir. Foi bonito. Embora os dele tenham sido 99% centrados nas alfinetadas que ainda persiste em continuar a dar aqueles que criticaram a sua postura no jogo. Achei demasiado. Desnecessário. Ainda muito preso no que devia ser um passado. 

Reflectindo nos votos de cada um, ocorreu-me uma coisa. Este é um casamento onde uma mulher espera poder mudar um homem para melhor e um homem espera que uma mulher o faça mudar para melhor. 

Isto resulta? Tem futuro? Quando uma pessoa casa já a pensar numa mudança no parceiro e este já entra a pensar que esta será a fada que vai operar milagres? Será que se consegue? Pode, qualquer união, sobreviver nesta premissa?

Quero que vocês me ajudem. Com a vossa opinião, fruto da vossa experiência ou impressões. 

Isto é possível? 

terça-feira, 30 de agosto de 2022

 Olhem onde estou!


Pois é...

Voltei a pisar o meu chao. E é maravilhoso.

Pelo caminho cruzo com pessoas de pique-nique nas areas relvadas ou a descansar nos bancos frente ao rio. A primeira pessoa em que boto reparo audivel esta irritada, fala alto, ao telemovel. E fala em espanhol. De seguida oiço falar frances. E depois portugues. Seguido de ingles. E mais uns teens a falar de destinos romanticos e namorados em portugues.


Ja me tinham dito que passear na expo e escutar muitos estrangeiros e so os putos de escola parecem ser portugueses. Mas nao e coisa que me abale. Estou acostumada. E acho graca. Ups! Acabaram de passar por mim dois jovens a falar frances. Um fumava e o fumo daquele que usava uma camisa vermelha desportiva com o numero 3 entrou nos meus pulmoes. 

Mais dialectos. Que nao conheço. Misturados com portugues. "Os meus amigos do tenis chamam-me camelo" - diz em portugues com sotaque brasileiro uma criancinha inserida num grupo de excursao escolar de outras com o mesmo sotaque. Uma delas muito preocupada com a descoberta dos efeitos da poluiçao no ar.

Um casal exibicionista caminhando a minha frente decide parar, se vira de frente um para o outro para de beijar. Passam uns alemaes. Ou assim parece.

Muita gente! 

Vida.

Parques com crianças bricando. 

Um casal a falar hindi a tirar fotos para o instagram. Todas as conversas que meus ouvidos apanham enquanto faço este post sao sobre amores alheios ou pessoais. 

A minha esquerda a beleza de uma vasta massa de agua ondulante. 



E tou louca para encontrar uma casa de banho! 😆

terça-feira, 23 de agosto de 2022

O grão de sal fino da mulher

 


Conhecem a diferença entre o sal grosso e o sal fino? Está na dimensão. Pois imaginem separar um grão de sal fino do outro. Só um grão. 
Sabem que dimensões tem? A de um óvulo humano!


A mulher carrega dentro de si estes óvulos minúsculos, praticamente só perceptíveis ao microscópio. E não é que é por essa coisa minúscula que todas as mulheres, como eu agora, sentem mau estar, fraqueza, sonolência, desconforto e até dor todos os meses? Acontece quando este o óvulo se liberta para o útero mas, chegando lá, não é fecundado pelo espermatozoide. 


Veja aqui o tamanho de um único óvulo, comparado ao de uma moeda. 





segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Os saca-rolhas dos homens

 Você sabia isto? Só comprova que o que achamos que sabemos - e aprende-se nos livros da escola, pode mudar a qualquer instante. 


A descoberta do movimento de "chicote" vulgo "nado" do espermatozóide é atribuída a Antonie Van Leewenhoek. Um Dinamarquês nascido em 1632. Século dezassete minha gente! Ele fabricou o seu próprio microscópico incrivelmente pequeno, 

descobrindo microrganismos que mais ninguém viu fosse na anatomia de plantas, plaquetas de sangue, bactérias e, claro, esperma. Vale a pena descobrir um pouco mais sobre Leewenhoek aqui

ilustração detalhada feita por A. Leewenhoek

Mais de 300 anos depois, recorrendo a técnicas mais avançadas, cientistas estudaram, num espaço tridimensional, o movimento do espermatozoide recorrendo a uma câmara de filmar de alta velocidade que regista mais de 55.000 frames por segundo (um vídeo normal regista 25 ou 30 fps). 

Aí descobriram que, ao contrário do que a humanidade supôs nos seus anteriores estudos em 2D, o espermatozoide humano não movimenta a cauda em movimentos tipo "cobra", seguindo em frente. Ele simplesmente gira. Perfurando o óvulo com esse movimento. 

Por acaso sempre me fez confusão imaginar o danadinho - com aquela cabeça redonda de cotonete, executar a proeza de exercer força e só com isso romper uma membrana. Será? Não tem chifres nem dentes! A membrana é resistente, não se abre tipo a caverna do Ali Baba ao ouvir o comando "abre-te Sésamo!".  Ahah.

Provavelmente ainda há mais para descobrir sobre esse processo. 



sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Humor

 

Adoro este tipo de humor satírico, que não se leva a sério mas acerta no alvo. Não percam nenhum dos vídeos disponibilizados. São o máximo!



Quero Amigos assim!


Devia ser assim :)







quinta-feira, 18 de agosto de 2022

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

História: A evolução das espécies

 

Sabem quando alguém diz que a vida teve origem em África e, sendo de cor de pele escura, por isso deduz que é superior ao de cor de pele clara simplesmente porque "chegou" primeiro ao pedaço?

Isso faz das pessoas com o tom de pele branco o quê? Os primeiros ou os últimos? Sim, porque alguém teve de migrar para terras mais frias para "desbotar" de escuro para branco pálido igual a fantasma! Ahahah. 


Isso faz com que o branco seja "mais velho", por ter precisado de muitos séculos para perder a sua cor "natural" escura de áfrica ao ponto de ficar quase albino. 

Ah, babosices. 

A verdade é que ninguém tem certezas absolutas sobre a evolução da espécie humana. Existem muitas teorias sobre a origem dos primeiros humanos. A  comunidade científica até dividiu os primeiros humanos em três espécies: Neandertais, Homo-sapiens e os Denisovanos. Depois decidiram que, afinal, algumas eram sub-especies do Homo-Sapiens. E agora defendem que todas estas são sub-espécies de um ancestral comum. 


O certo é que somos todos HUMANOS. Dizem que todas as outras espécies se extinguiram e só sobreviveu a "nossa", a Homo-sapiens. Mas se calhar, se calhar, ficamos todos incluídos nesta só. Todos nos misturamos e desse resultado de milhares de anos de evolução desta espécie - a humana, somos hoje estes humanos. Os nossos antepassados, em milhares de anos (50.000 pelo menos) não seriam, decerto, idênticos a nós. Mas somos filhos deles. 


 Este é o suposto rosto de um antepassado NEANDERTAL

Ao contrário do imaginário popular, este não era um "homem das cavernas", estúpido e pouco inteligente. O Neandertal seria de pequena estatura, boa constituição física, caixa toráxica recta, resistente a temperaturas incrivelmente baixas e utilizador de ferramentas complexas. (Cá para nós, não sei de onde surgiu essa de diminuir a inteligência dos nossos antepassados, pois deles herdamos todo o saber que temos hoje e nenhum de nós seria capaz de sobreviver nas condições que eles viveram). 



Esta reconstituição surgiu de um fragmento de osso da caveira e de muito estudo. É uma hipótese, que incluí até um tumor! Este fragmento foi encontrado no fundo do mar! No que foi, há milhares de anos, um pedaço de terra que unia o actual Reino Unido à Europa. 


  

sábado, 13 de agosto de 2022

Naturaleza Muerta aka Ana e Miguel

A banda espanhola Mecano, lançou-a em 1990. Sarah Brightman popularizou-a em 1997. Mas quem realmente lhe deu voz pela primeira vez foi um grupo chamado Mocedades, também espanhol, que apresentou ao mundo esta melodia espetacular de Ana e Miguel, com uma letra que não lhe fica atrás, de autoria de José Maria Cano. 

Aqui estão todas essas versões. Surpresa surpresa para a última, cantada simultaneamente em Espanhol e Frances. Nossa, virou a minha favorita. Que voz tem esta mulher! Que voz. Presta-se a tudo e sua voz é maravilhosa de escutar em todos os registos. 

Mocedades (1986):


Mecano (1990):


Sarah Brightman (1997) :


A francesa:



Tradução da letra para portugues:




Não é poético??

Digam-me: qual destas versões assenta melhor nas vossas preferências?

domingo, 7 de agosto de 2022

Dueto de vozes

 É sempre bom descobrir novos velhos talentos. 

Que vozes!

sábado, 6 de agosto de 2022

Parque sem vida

 


Ha 3 anos este parque era, para mim, uma fonte de bem estar pleno. Nele tomei praticamente todas as refeições  previamente aquecidas num microondas no emprego. Foi num dos seus bancos que li, pelo menos, dois livros.

Aquela hora de pausa enchia-me de pura felicidade.

Era comum esbarrar com outras pessoas fazendo o mesmo ou a, simplesmente, dar uma caminhada.

Sem duvida alguma: aquele parque tinha vida. Ouvia-se ao longe o barulho mecânico de alguma empilhadora pertencente a um dos muitos armazens circundantes e cheirava, aqui e ali, intensamente a erva, vinda da boca de algum espertinho que se enveredava pela mata para nao ser visto a fumar o que nao deve. 

Este foi o parque que conheci. Desde entao esta morto. Vazio. Sem som. Ate o vento parece recusar-se a passar por entre as folhas das árvores.

Ja regressei a ele um sem numero de vezes. E nao tem como sacudir a impressao vivida de que esta sem vida. Nao se ve uma pessoa. Mal se ve uma ave, um esquilo.

Ha sua volta nao se escuta mais algum som mecanico. Ou vozes, ou se sente o cheiro a cigarros. 

Parece ate que o parque morreu junto com o desaparecimento do meu amor.

ja nao se escuta o som mecanico cindo de um dos armazens a sua volta. Ate estes parecem abandonados.

Quem trabalhava neles era quem povoava o parque. 

esta morto. Digo-vos. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Porcos e mal educaçao

 

De ferias no Algarve, minha mae decidiu partilhar comigo as suas impressoes sobre os ingleses, com base no que esta a presenciar. Diz ela: "mal educados, bebados e a frente de crianças".

Respondi-lhe que uma maioria e, de facto, assim. Mas nao todos.

Inclui este "nao todos" por ele me ter vindo a,lembrança.  

Tirando ele, talvez um ou outro. Como posso ter hipoteses de encontrar algo com requisitos tao raros? Foi uma agulha num palheiro.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

💔 💔💔💔💔

 



Como é para vocês?


segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O poder de uma criança é mostrar amor e trazer felicidade

 Estava no supermercado quando escuto uma conversa entre os dois rapazes no serviço. Diz aquele que está a colocar coisas nas prateleiras para o outro, que está na caixa:

Agora és padrasto? Assumir a responsabilidade? Que idade tem ela?

O rapaz dizia isto como se estivesse a falar de algo alienígena. Estava claramente meio a gozar e a não concordar com o conceito de arranjar uma namorada que já vem com filhos agarrados. 

- Tem quatro. - responde o outro. 

Enquanto eles estão a ter este diálogo em me ocupo em procurar nas prateleiras o produto pretendido. Nem olhei para qualquer um dos dois. Mas deduzi logo pelo tom de voz do primeiro, que era um miúdo. Longe de se imaginar envolvido com uma rapariga com filhos.


O que coloca coisas nas prateleiras faz mais um comentário meio jocoso, meio ignorante - devido à jovem idade. Acaba por perguntar se ele não se sente incomodado e o que é feito do pai. "Ela ainda nem pode ouvir mencionar o nome dele".  Fazer de pai é chato, não? - julga o outro. Nisto olho para os dois. O rapaz da caixa responde:

-"It's actually nice. It's really nice". 

E diz isto com sinceridade, um certo brilho no olhar e... prazer. 

Deu-me uma pitada de tristeza nesse instante, porque me veio à lembrança uma sensação que sempre tive quando sofri de paixonite. Ele dizia que não queria ter filhos - nunca. E nisto eu o vi, eu o senti pai, mas um pai daqueles que adora a filha, que só conhece o quanto a felicidade é abrangente quando cria um ser e esse ser depende dele para crescer feliz. Senti isso, achei que ele ainda não sabia isso a respeito dele mesmo. E ali estava a prova: algo que não me surpreende em nada. Um rapaz, um miúdo, envolveu-se com uma mulher com uma filha e está a descobrir que gosta. 

Quem já se sentiu no fundo do poço, chateado, aborrecido, sem esperança e depois tem contacto com uma criança, sabe que elas têm um poder quase mágico, de simplificar as coisas e nos fazer sentir a vida de forma diferente. Elas dão amor com um sorriso traquina, e nos fazem sentir felizes com muito pouco. 

Aquele rapaz descobriu isso. Ainda bem para ele.

O outro, um niquinho atrapalhado em ter posto o pé na poça, tenta corrigir: "Quero dizer, presumo que de início estranha-se mas depois se habitua". 

Continuei as minhas compras e não pude prestar atenção para o rapaz que se viu no papel de "padrasto" - como o outro fez troça. Fiquei a pensar qual o peso do aspecto físico no critério de selecção da mãe da criança pelo progenitor. Agora que tinha uma criança, geralmente os putos bonitões não se interessam em se relacionar com elas. A menos que seja para praticar um pouco de sexo casual, usando-as, mas sem interesse em amá-las e muito menos em estar por perto dos seus filhos. Olhei então para o rapaz na caixa. Não era atraente. A pesar de jovem, já se notava que estava a ficar calvo. E dou por mim a pensar se ele alguma vez teria tido uma chance com a atual namorada, se esta não tivesse tido filhos com alguém que agora despreza. 

Infelizmente tem o seu quê de verdade: uma jovem mulher com filhos raramente é considerada para parceira por jovens miúdos solteiros e atraentes. Os seus critérios também mudam. Aquele que a quiser, terá de querer a menina também. Isso excluí uma grande maioria. O aspecto físico passa para um plano secundário e certos traços de personalidade, como ser carinhoso, atencioso, bom ouvinte, preocupado e dedicado passam a ser os sinais procurados. 


Nessa loja comprei alguns bens essênciais mas também decidi embelezar o meu ambiente com isto:

Cor e alegria para uma parede, num quarto de solteiro, que nunca terá uma criança. O seu ocupante não vai contruir família nem voltar a sentir a euforia da paixonite. Vivam os ainda jovens. Esses ainda têm tempo.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Mistérios pela casa

 

Faz muito tempo que não comento nada sobre as minhas "domestiquices". Então cá vai: hoje encontrei uma pá na cozinha. Igualzinha a que comprei para a jardinagem. Interroguei-me para quê precisam os outros daquela pá. É que não me cheirou bem. 

Ninguém usa o jardim. E pás daquelas não têm outra utilidade. Muito menos na cozinha. Quando regressei de férias notei três coisas no jardim: beatas espalhadas pelo relvado - coisa que eu tanto temia, o vaso onde plantei cactos sadios na epoca da chuva estavam agora raquíticos e, pasme-se, um buraco. Localizado num canteiro selvagem onde ninguém passa, bem por detrás do vaso de cactos. 

Vi à volta terra remexida e decidi tapá-lo com ela. Não cobriu tudo, mas a maior parte. O resto coloquei folhas e ramos secos. Achei que poderia ter sido um animal - já que o jardim ao lado é visitado por raposas. 

Em dois anos, jamais vi raposas ou buracos no jardim. Mas não quer dizer que seja impossível. Este não é um jardim bem cuidado. Nem é plano. Quando me mudei pedi muito à agência para que cortassem a mata. Desde então a agencia envia um jardineiro com regularidade. Assim sendo, muitas vezes fico por lá, estendo uma coberta, levo um livro, faço exercícios aerobicos, simplesmente caminho ou sento-me a apanhar ar fresco. 

Mais ninguém faz isto. Não usam aquele jardim para coisa alguma. Uma surpresa que tenho constado em todas as casas onde morei: ninguém gosta de ficar no jardim. No máximo gostam de ir fumar para ele, ou  conversar. Plantar, regar, cuidar, ficar... não. Preferem o sofá, o conforto das quatro paredes. 

No dia seguinte a ter coberto o buraco, achando que a coisa ficava por aí, logo depois reaparece. Volto a tapá-lo. E quando regresso, está novamente remexido. Volto a tapá-lo. Desta vez certifico-me que coloco algo que indique se foi realmente mexido ou não. Ponho uma pedra dentro e vejo um pedaço de madeira solto que uso para colocar na abertura. 

Desde então o buraco mantêm-se assim.

Não foi só o buraco. Outros cantos no fundo do jardim, que serve como depósito de coisas descartadas, revelaram terra remexida. Uma coisa atribui a mão humana: a presença de uma garrafa de vidro dentro de uma caixa plástica onde coloquei um monte de pedrinhas decorativas que removi do canteiro da frente, quando lá plantei ervas aromáticas. Uma garrafa antiga, pertencente ao "lote" das cerca de 30 ou 40 que eu removi na semana em que para esta casa me mudei. 

Se estava ali, é porque alguém intencionalmente a colocou. E para a colocar, tiveram de andar a remexer porque eu recolhi todas que estavam à superfície da terra, também tirei as que apareciam debaixo das ervas, fui fundo no entulho, retirei algumas até presas no chão. Que tenham ressurgido garrafas é porque alguém as colocou ali. Beatas de cigarro ao lado delas já me indicam quem possa ter sido: M. 

Mas porquê? 

Bruxaria. É a única coisa que me vem à mente. Uma pá e um buraco. Velas que aparecem sempre queimadas e caídas pelo chão. Rituais do género é algo que ela faz amiúde. Disse-me que só faz bruxaria da "branca". A cor não sei, certo é que as faz. E deve dar certo, pois tanta vez vou para mencionar à agência certas coisas que ela anda a fazer e acabo por falar de outras menos significativas, ocultando as mais preocupantes. Para não falar das vezes que tentei apanhá-la em vídeo a fazer algo menos próprio, como seguir-me pela casa, estar despreocupada depois de activar mais uma vez o alarme de incêndio...  E os vídeos não mostrarem isso claramente. 

Hoje quando acordei e fui ao wc, vi uma folha enorme de papel de cozinha dentro da sanita. Tinha sido colocada no topo, estava seca. Temi o pior: que escondesse algo por baixo. Levantei-a para ver se se passava alguma coisa. Tenho motivos para isso: a M. entupiu a sanita há coisa de um mês. E pelos vistos, foi a segunda vez num espaço de semanas. Durante 3 dias a sanita permaneceu entupida. Até que eu comuniquei à agência e supliquei para que mandassem um canalizador. 

Como sempre eu chego de madrugada a casa vinda do emprego, uso a sanita, fiz a descarga e tudo funcionou muito bem. Sei disso porque eu sempre olho para o interior para me certificar que tudo está limpo. Fui dormir e quando acordei (ao meio-dia ou dez da manhã - não recordo agora), entrei no WC e vi três tipos de papel higiénico e também papel de cozinha no interior. Ora, isso não é normal. Todos enrolados, mesclados, como que se a entupi-la. Dei a descarga e a água veio ao de cima e não desceu. Percebi logo que a tinham entupido e tinham dado conta, mas decidiram fingir-se de "mortos" para que fosse outro parvo a ter de lidar com isso.

Voltei para a cama e não mais fui ao WC. As horas passaram. Aproximava-se a hora de ir trabalhar novamente. Eram talvez umas 21h quando a M fechou-se uma hora no WC. Sem fazer barulho. Depois tomou um duche e saiu. Começo a ouvir rabiscar e então abro a porta. Era ela a dizer que a sanita estava entupida. Estava a escrever um bilhete. 

Não me convenceu. Duvido muito, com a frequência com que sempre a vejo ir ao WC, tanta vez sem necessidade, só para espionar ou lavar louça que tem no quarto - duvido muito que ela não soubesse o que tinha acontecido. Eu acordei eram 10 da manhã e dei conta. Eram agora 21h. Em ONZE horas em casa ela não foi ao WC? E levou uma hora lá dentro para descobrir só no final que a sanita estava entupida?

A sua ausência só por si já denuncia a sua responsabilidade. O que fez foi aguardar que outros se deparassem com o cenário e agissem. Mas todos ignoraram. E teve de ser ela a "fingir" que fez a descoberta. Porque os outros trabalham longas horas fora de casa e quando estão dentro dormem de dia. Ela não. Não trabalha, não sai de casa. Que desculpa podia dar?

Fingiu que tinha descoberto mais de 12h depois de a ter entupido. Vou trabalhar, volto de noite. Tinha esperanças de encontrar a situação resolvida porque quando me fui, ela tinha-se fechado no WC e tinha vindo do supermercado. Vi uma garrada de "desentope canos" e somei 1+1. Achei que não ia resultar. Imagine se algo danificado por ela se resolvia despejando líquidos na sanita... Contudo quando regressei de madrugada, julguei que tinham solucionado a questão. 

Enganei-me. 
Fui dormir. Era talvez meio-dia quando acordei com vozes no corredor e barulhos no WC. O rapaz do andar de cima e a senhora da limpeza, falavam sobre a sanita entupida. Ele lhe pediu para tentar desbloquear e disse-lhe que tirou um grande pedaço de algo azul de dentro dela. Deve ter sido durante a minha ausência. Também contou que era a segunda vez. A primeira tinha acontecido quando me ausentei de férias para Portugal, duas semanas antes. 

Só isso já me iliba de qualquer suspeita. Por isso ao ver aquela folha gigante de papel de cozinha ali, tive receio. Papel de cozinha, wipes - que todos sabem que não se deve descartar pela sanita e são muito poluentes, tudo isso e mais coisas ainda, a M. despeja ali. Outra coisa que ela nunca faz é DAR A DESCARGA. Por isso, com ela aqui, nunca se tem o prazer, o gosto de ir usar a retrete e encontrar a água cristalina. Há sempre papel dentro. 

Hoje acredito que ela faz isto para esconder porcaria que deitou em primeiro lugar. 

Até a senhora da limpeza deparou-se com aquela cena e tentou em vão e muito desajeitadamente desentupir com um cabide de plástico. 

Depois disto pensei que tinham contactado a agencia e reportado o insucesso em desentupir a sanita eles mesmos. Precisavam de um profissional, como era obvio. Pensei eu que tinham tratado do assunto. Vou trabalhar novamente, faço um turno de 12 horas e quando regresso de madrugada, a sanita continua entupida. Com o cabide lá dentro e merda espalhada por todo o lado. 
Deduzi desde a primeira ocasião que tinham de imediato contactado a agência. Mas não. Enganei-me. Foi preciso 3 dias para o perceber. 

Tenho de ser eu. Lá escrevo um email a pedir por favor para que enviem um canalizador. Quando acordei nessa manhã, já funcionava. Para meu alívio! 

Os outros? Não se importaram mais. Não quiseram saber como a situação se resolveu. Estava resolvida e isso é que lhes interessa. Já nem queriam falar do assunto. Passaram a usá-la novamente com regularidade como se tivesse sido por "milagre" que aquilo se resolveu. 

Não!

Tive de chamar o "canalizador" - através da agência. Eles só sabiam discutir e mostrar desagrado e enfiar cabides pela sanita a baixo. Temos um senhorio para exatamente para este tipo de situações, por deus. Mas eles têm aquela mentalidade que sabem que danificaram e não querem que a agência saiba que danificaram mais uma coisa.  

No domingo de manhã, acordei e fui para o parque. Regressei a casa às quatro, tendo passado pelo supermercado. Visto que trabalhei sábado e só adormeci pelas 6 da manhã de Domingo, ter acordado às 10 não foi muito beneficial. Acordei porque as portas pelo corredor não paravam de bater

Quando entrei no WC vi a janela toda aberta. Esta abre como uma porta, para fora. Pelo que fica difícil de alcançar. Para voltar a fechá-la, é preciso me esticar toda e ver se consigo agarrar o manípulo. Desgosto ter de fazer isto, é desconfortável, tenho de ficar em bicos de pés, pressionar a minha barriga no lavatório e esticar ao máximo o braço, que tem de se desviar do monte de embalagens que a M. e o rapaz mantêm na berma da janela. Um gesto que não devia ser necessário, se soubessem manter o manípulo fixo numa das três posições disponíveis para ter a janela aberta sem estar solta. Um dos estrondos de porta a bater aconteceu por causa disso: corrente de ar porque alguém é demasiado preguiçoso e prefere abrir a janela toda soltando a manípulo. 

Eles sabem que aquela janela deixada aberta vai produzir ventania quando alguém no andar de baixo abre outras portas e janelas. O resultado é o vento empurrar a porta que fecha com um estrondo. Guess who sleeps ao lado da porta??

Vivi os meses de mais frio e ventania de inverno com aquele manípulo PARTIDO. Sim, eles também conseguiram partir o manípulo. Durante semanas, achei que tinham comunicado o problema. De noite, no meu quarto, tinha de colocar um cobertor extra, devido ao frio. Até então não sentia frio no quarto. Passei a sentir o quarto gelado e passei a ligar o aquecimento - coisa que nunca precisei fazer antes. 

Estava a ir de férias para Portugal quando decidi comunicar à agência aquele e outros danos. Na minha ausência estes foram arranjados. Agora o manipulo estava partido e a janela vivia aberta, sem se conseguir alcançar. Eu lá me estiquei, consegui fazer força na lateral e trazê-la de volta. Existe um trico e eu usei-o para fechar a janela. Mas eles vão e abrem de novo e eu desisti. Com a ventania, aquela janela batia constantemente na parede externa. Temi que o vidro se partisse. Tive de ser eu, que tinha regressado de férias e encontrado aquilo assim, a comunicar o dano à agência. Tal como comuniquei muitos outros. 

Tenho a certeza que foi a M. qe partiu o manípulo. Ela é que tinha o hábito de abrir sempre a janela, com uma certa postura de zangada. Só que ela é preguiçosa por demais. Nem sei se o termo é esse. Ela é... sem modos. Só sabe soltar o manípulo e empurrar a janela. Não é delicada ou atenciosa. É bruta. Selvagem. Concluí que é cigana. Só pode. Não querendo desmerecer quem é dessa etnia porque nunca tive qualquer problema nem nunca me pautei por descriminação. Mas existe uma terminologia comportamental que foi associada a eles e que tem razão de ser, por no passado também estes não revelarem hábitos mais civilizados. Sabia-se que não viam água para banho, as roupas nunca eram lavadas, faziam as necessidades pelas pernas abaixo e eram descuidados no geral. A M. é tudo isto. Pode tomar banho - isso toma. Mas em tudo o resto encaixa nesses hábitos nada civilizados. 

Ontem encontrei a parede da cozinha assim: 


Salpicada de gordura. Depois de ela ter estado pela cozinha a fazer imensos barulhos. De seguida subiu ao WC e ouvi os mesmos barulhos. Ruídos de quem está a usar a torneira para lavar coisas, não para lavar as mãos ou o rosto. Quando fui ao WC vi as mesmas marcas castanhas que salpicam a parede da cozinha a cobrir o armário por baixo, nas paredes, na sanita, no reservatório...

C I G A N A 

Com a pior conotação que a palavra tem. 

Já aqui vos disse que ela também deixa cair sangue menstrual pelo chão, não disse? 
Nunca na minha vida - e já partilhei casa com outras mulheres até mais novas, alguma vez vi tal coisa.  Nem sabia ser possível. No chão da cozinha, no corredor, no chão do WC. Tudo lugares onde alguém já avistou "pingos" suspeitos. Sempre pela altura em que ela está menstruada. Sabe-se logo quando é, porque aparecem marcas pela sanita, pelo chão e o tampo do balde do WC nunca fecha, sendo possível ver por fora aqueles pensos higiénicos mal embrulhados. 

Cigana. Não foi isso que disse? Na pior conotação que a palavra pode ter. 

PS: Se calhar é mesmo, porque foi criada na roménia. E agora vou ter de explicar que não considero todos os romenos ciganos não é? Que cansativo. Obvio que não pretendo maldizer todo um país por causa de uma indivíduo. Mas sabe-se que existem os "ciganos romenos", vi documentário a respeito e até respeitei uma senhora muito idosa que admitiu que ciganos como ela andam a roubar e fazem de tudo para se sairem bem. A M. pensa que é uma lady, mas comporta-se sem bons modos, é autoritária, desrespeitosa, suja, manipuladora, maldizente, faz bruxarias ou rituais (tal como os ciganos têm essa reputação) por isso... de cigana tem muito :De senhora bem educada? NADA.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Compras não essenciais deixam remorso?

 

Não resisti em fazer uma compra. Passei no supermercado e senti atracção por uma... mangueira. Sim, amigos. Uma mangueira. 

Na realidade tivemos uns dias de imenso calor por aqui. Sendo que ficar no quarto estava a ser insuportável. Muito calor. Sempre a suar. Mesmo de noitinha. Ocorreu-me que, ao invés de atirar baldes de água para as telhas debaixo da janela do quarto, que repelam o calor para fora, devia era regá-lo com mangueira. Assim não ia ver a água a evaporar-se assim que toca a superfície.

Isso deu-me a ideia de comprar uma mangueira. Fui online fazer pesquisa e tudo. Mas depois entrei no supermercado e ali estava uma: praticamente o mesmo preço que online, mas mais acessível e de melhor qualidade. 

Comprei. Uma amiga me viu e brincou que estava a gastar dinheiro no que não devia. Se devia ou não não sei. Mas me fez voltar atrás e acabei por ir devolver a mangueira. Não antes sem experimentar ligá-la ao chuveiro a ver se dava. Não deu. É preciso uma ligação especial. 

Nesse mesmo dia mais tarde, volto ao supermercado e um empregado está a empilhar novos artigos de verão: piscinas insufláveis (que estive quase para comprar e usar a mangueira para encher) e lá estavam as mangueiras, muito mais reduzidas em número. Aquilo vendeu que nem água. 

Falei com o senhor a respeito de ser ou não possível conectar a mangueira a entrada do chuveiro. Explicou que sim, se comprar uma determinada peça de nome "borboleta". Se isso é possível ou não, não sei. Sei que online não encontrei nada a esse respeito. 

Disse a mim mesma que, se no dia seguinte fosse ao supermercado e ainda encontrasse mangueiras, comprava. Seria esse o "sinal" que me diria se devo ou não comprar a dita. Da maneira como estavam a ser compradas, achei que não tinha hipoteses. 

Volto ao supermercado no dia seguinte por um motivo qualquer e assim que entro vejo uma única embalagem. Não foi esse o "sinal" que tinha dito a mim mesma? Peguei, comprei, trouxe comigo, toda contente. 

Na realidade acho que é um artigo que é sempre útil. O empecilho é... não ter a minha própria casa, com o meu próprio jardim, para então a poder usar. Mas existem mais oportunidades - como a finalidade que me levou a conjecturar arranjar uma. 

Ontem voltei ao supermercado e enquanto procurava frango panado, vi um display só de jardinagem. Todos os artigos em promoção, visto estarem a querer se livrar do stock. 

Ainda por cima todos a combinar, todos numa cor verde que me cativou. Não ia para comprar mas... quanto custa mesmo dar um euro por um manípulo que a mangueira não trouxe? Existiam dois modelos, não sabia qual deles escolher... trouxe os dois. A pá, por 75 centimos e o springler - que achei imensa graça. Se funciona ou não, só a pressão de água o dirá. Mas imaginei crianças a rir e a divertirem-se com ele num jardim. E trouxe porque, por 1.25 euros não vou encontrar outro tão cedo nem tão em conta. 

Ao todo gastei 20 euros em todos os artigos. 

E vocês? Também são de comprar coisas com preço em conta para usar numa eventualidade?


domingo, 24 de julho de 2022

Domingo a passear num parque com um lago

 Estou num banco no parque.

Passam por mim duas criancas. A ultimà corre e grita: Daddy, daddy, wait!

E chega-se perto de um homem que me passou despercebido e estava perto da outra crianca.

Logo atras vem uma mulher. Empurra um carrinho de bebe que transporta outra crianca. E a mae delas tres. Mas o que lhe apanho é o semblante.

Esta com pessima cara. Nao esta feliz. O marido caminha bem distante, nao a aconpanha. Percebo entao que a energia entre os dois devia ser pessima.



Muitas pessoas passeiam no parque: amigos, casais, numerosas familias. Todos caminham lado a lado.
A seguir a eles passam dois casais na casa dos 40. Caminham os quatro lado a lado.

De seguida um outro casal, na casa dos 50. Estao de maos dadas. Algo que vejo muito aqui no Reino unido, principalmente quando se trata de casais idosos. ADORO ver.

Tambem me faz entristecer pela solidao terciaria que me aguarda. E subitamente tenho uma epifania: nao foi este o exemplo com que cresci.

Se eu fosse aquela mulher tambem nao estaria feliz. Qual o objectivo de passar o dia em familia no parque se o teu marido caminha distante de ti? E nem sequer empurra o carrinho ou transporta sacolas.

Conclui que, se um homem nao passeia ao teu lado no parque, se ele nao quer saber de te ajudar a carregar sacolas, ele nao sabe ser companheiro.

Minutos depois passam por mim  um casal septagenario. Ele a empurra-la a ela, que esta sentada uma cadeira de rodas. Suas pernas tremem sem controlo. Muito magra, visivelmente fragil. Mas ele cuida dela e continua a leva-la a passear no parque.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Comida de fingir

 Do you want some gravy?


Fizeram-me esta pergunta no refeitorio do emprego. Automaticamente respondi que nao. Assim que a palavra me saiu da boca estava com duvidas. Se calhar as batatas assadas e a salsicha saberiam melhor com molho.

Molhos. Veio-me a lembrança o primeiro contacto gastronomico com esta cultura inglesa. O choque que foi entrar na cantina da universidade onde fui estudante Erasmus e ver uma quantidade imensa de molhos com aparencia e cheiro repelentes.

EU e uma amiga portuguesa sempre sentimos que nao conseguia-mos encontrar nada para comer.

Escolhia-mos sempre alface.

O tempo passou. E com ele a gastronomia foi sofrendo influencias. Os sabores genuinos a que nos habituamos na infancia estao a desaparecer. No seu lugar uma invasao de sabores artificiais, comida pre-congelada, criada ou modificada em laboratorios.

Enquanto a lembrança me vinha a cabeça, ia comendo as batatas, quase tao duras quanto uma pedra. E desejei ter escolhido molho.

domingo, 10 de julho de 2022

domingo, 19 de junho de 2022

Os intragam

 Esta geracao instagram é muito diferente de mim.  Hoje fiz uns 20 videos dos lugares por onde passava e tirei cerca de 200 fotografias.

Eles nao. Os instagramers pousam cinco, dez, quinze minutos para uma fotografia e pronto.

Mas pousam mesmo. Pezinho em ponta, braco para o ar, perna dobrada para a frente, perfil bem enquadrado com a lente, acessorios posicionados nos lugares certos. Nao e mais um simples click de fotografia. É uma produção.

E tem uma foto bela.

Quase os invejo porque deve ser mais pratico ser assim. E a foto bonita esta garantida.

Nao sao so os muito jovens mas os menos jovens tambem.

Enquando relaxo no pontao, la aparecem eles. Sem embaraço ou vergonha, os rapazes pousam tal como as raparigas. Com gosto e vaidade. Querem parecer bem.

 Nao sao mais os "machoes" que nao querem saber de "coisas de meninas".


quarta-feira, 15 de junho de 2022

Fiz algo que não sou de fazer

 
Fiz algo que não sou de fazer. Arrependo-me e não me arrependo ao mesmo tempo


Estava na praia quando duas mulheres sentam-se por perto. Escuto a conversa das duas. Uma a dizer que não quer perder a sua massa muscular e que falou com a nutricionista e a outra a criticá-la sem parar:

-"Massa muscular! É gordura! Não fazes exercício. Tens de fazer exercício! Tens de pesar 60 quilos. Pesas 75. Só queres saber de estar ligada à tomada. Só queres é comer. A comida que escondes. Porque é que não dás uma caminhada? Depois quando tiveres um AVC vais para o hospital público e quando ficares imobilizada vais para aquelas instituições que acolhem pessoas. Depois dos 30 é ainda pior!"

Escutei aquilo porque a senhora falava bem alto. A rapariga - que fiquei então a saber que era uma jovem na casa dos 20, teve de escutar coisas horríveis. Coisas que não ajudam ninguém. 

Depois ouvi silêncio. E percebi que só a rapariga restou sentada na areia. A fungar do nariz e a passar o dedo debaixo do olho, tapado pelos óculos de sol. A engolir a seco e a olhar para o mar. Consegui sentir a sua tristeza a emanar até mim. 

Não ia para me meter. Mas acabei, passado um tempo, por me levantar e ir ter com ela. Disse-lhe que escutei a conversa e que cada pessoa tem o seu tipo de corpo. Não temos todos de ser magros. A magreza nem é melhor - disse. Contei que perdi peso o ano passado e fiquei horrível, parecia uma caveira. Ainda acrescentei que a minha irmã fez exercício a vida toda por ser instrutora de fitness. É mais forte do que eu, está bem mas não é magra. Não existe melhor exemplo. Desejei-lhe boa sorte. Pedi-lhe desculpas, mas achei que, por vezes, as palavras de um estranho podem ajudar. 

Ela disse pouco. Desabafou de forma aliviada estar a escutar aquilo a vida toda. E que tem de fazer algo porque tem um problema de saúde. 

Tudo bem que com esse problema de saúde - que vou supor ter a ver com o coração para a pessoa que estava com ela lhe dizer que vai ter um AVC (olhem a simpatia!!) implica melhor cuidados. Mas falar assim com uma pessoa não é construtivo. Quando será que as pessoas vão aprender a falar com as outras?

Se gostam e querem ajudar - NÃO É ESTE O CAMINHO.

Causar stress, ansiedade e tristeza - só faz a pessoa com problemas sentir-me PIOR. Deixar de acreditar em si, ver o futuro sombrio. Ela estava a chorar. Não estava a sorrir. Palavras derrotistas de crítica negativa constante, que nem uma metralhadora podem até contribuir para o suicídio. Ou outras loucuras. 

Meus pais também só sabem falar desta maneira. Cada vez que eles, ou outros, fosse qual fosse o tema, falam assim, eu acabava por ir à despensa. O conforto vinha da COMIDA. 

Quando fui viver para FORA, longe do criticismo negativo, pude ser eu mesma. Não tinha vontade de comer a toda a hora, principalmente depois de escutar palavras duras, injustas. 

Perdi volume em gordura, porque não havia ninguém à minha volta a insultar-me e a deixar-me triste. 

A rapariga pareceu-me bem. Fisicamente, achei-a linda. Nem era gorda. Talvez com um pouco de curvas - tal como eu também as tenho. Mas gorda, obesa, nem pensar! 

Porque será que não aceitam esta forma de corpo? O que tem de errado? É que não dá para mudar. A menos que se seja obscenamente rico para se andar em cirurgias plásticas destrutivas, que tiram osso, chupam gordura, colocam implantes. E para quê? Para ficar permanentemente a projectar uma imagem de que algo não está bem?

Duvido muito que a rapariga alguma vez chegue a pesar 60 quilos. É um absurdo que coloquem essas metas tão definidas. Cada caso é um caso e esse cálculo não passa de uma média criada numa tabela, que está em vigor hoje, mas amanhã pode mudar. Desde a adolescência que não peso 60 quilos. Duvido que volte a pesar, a menos que fique doente. Noutro dia, achando que rondava os 65, pesei-me no consultório médico e estava com 72 ou 75. Muito peso na balança, mas não me sinto gorda. Está certo, as calças que usei o ano passado por esta altura não apertam mais na cintura e isso por uns três dedos. Tenho barriga. E depois? Que mal há nisso??

Estou bem. Sinto-me bem. Tenho 1m60, peso 75 quilos. Fiz exames e os resultados foram todos bons. O bom colesterol compensa o mal colesterol. Fiz um despiste a um AVC - estou bem. Tenho um emprego fisicamente exigente e consigo executá-lo. Caminho horas e horas. Subo e desço rampas, escadarias. Fui para a praia as 7 da manhã e saí ao meio-dia. Passei horas a caminhar e outras duas a vergar a coluna a apanhar mais uma centena de conchas. (Oh Jesus! Será que estou a desenvolver outra mania? Tanta concha...). Dobrei-me centenas de vezes para apanhar cada conchinha que trouxe, e outras tantas para descartar outras. Dobrei-me novamente para lavar a areia de cada uma delas na ondulação do mar. Isso é PURO EXERCÍCIO.

Se tivesse de me baixar tantas vezes para apanhar algo no chão no trabalho, teria me custado imenso. Mas conchinhas coloridas, meio na areia meio na água... foi diversão. Exercício sem se dar por ele.

E porquê digo que me arrependi do que fiz?
Porque fui falar com a rapariga sem saber o que ia lhe dizer. Então acho que não falei como deve de ser. Se calhar só pareci uma intrometida. Faltou explicar ou acrescentar coisas. Quando lhe disse que minha irmã é parecida a ela - não quis que ficasse sem esperanças sobre o exercício físico. Acho minha irmã optima mas nunca será esguia - porque não é o tipo de corpo que ela tem. Contudo, ela não é esguia, mas também não é gorda. Ela não tem barriga - eu é que tenho. Ela é simplesmente mais larga e volumosa. Mais peito, mais anca. Mas não mais gordura. Nunca poderá ser colocada na "categoria" das magras porque não tem esse tipo. Cada pessoa tem um tipo e ainda bem! Porque a beleza está na variedade. 

Estavamos na praia, um lugar cheio de corpos de todos os feitios, e aquela senhora estava a exigir a uma jovem que fosse uma vara de palito. Ignorando a saúde que emanava dela, adivinhando-lhe um AVC por não fazer exercício. Também falhei por omitir que pessoas MAGRAS que fazem regularmente exercício TAMBÉM têm AVCs. Geralmente fatais. Mesmo com todos os cuidados com a alimentação, com o corpo. 

Esqueci também de dizer que, se ela tem problemas de coração, conheço outras mulheres que o têm e tudo o que lhes foi dito que talvez fosse difícil ou pudesse acontecer - não aconteceu. Inclusive serem mães e darem à luz. Mãe de gémeos! Mãe mais que uma vez - tudo mulheres a quem, na JUVENTUDE ou infância lhes foi dito por médicos que a maternidade seria improvável ou fatal. 

Nunca foi o meu caso. Nunca me disseram que não podia ter filhos por sofrer do coração ou outra patologia não relacionada com a fertilidade. No entanto não os tenho! Foram aquelas jovens mulheres com sopro no coração e sobreviventes de cancro - a quem foi dito que não os teriam que os tiveram. PRESUMIRAM que comigo não haveriam problemas. Afinal não sofro dessas patalogias. No entanto, não os tive. Elas os tiveram. PRESUMIRAM que comigo tudo correria de feição - por ser a mais bela, a mais formosa. Mas foram as outras, mais rechonchudinhas, menos bonitas de rosto - que estão casadas e com filhos. Minha irmã, larga e volumosa - é casada. Nada a ver... Nada a ver. 

Isto para dizer que a vida... ninguém sabe o que vai ser. 

Nem os médicos. É mais IMPORTANTE receber daqueles que nos cercam as palavras certas para nos deixar felizes, afecto, APOIO, do que ser infeliz a escutar aquela enxurrada de tragédias e calamidades - sempre atribuídas à postura da pessoa visada.  

Se a mulher que estava com esta jovem quisesse que ela cometesse suicídio - disse as palavras certas

Agora, se pretendia ajudar... não sabe como isso se faz. Tem de aprender. Porque não é SÓ A PESSOA que PRECISA de ajuda que tem de mudar. Os outros também.