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terça-feira, 26 de maio de 2026

Limpar a ventoínha do computador pode ser FÉRIAS

 

Em inglaterra ontem foi feriado. Pretendia trabalhar mas o meu nome não entrou na lista de selecionados. Não trabalhei na Páscoa nem em qualquer outro feriado, por isso estava a contar que este "não me escapava". Mas enganei-me. Ao questionar o motivo, foi-me dito que o que conta são as horas extra feitas nas duas semanas anteriores ao feriado. E como eu estou sempre a trabalhar... não tive direito ao feriado. 

Não é justo. Porque os "mandriões" que não querem se esforçar metem o seu nome na lista e tiram todos os benefícios. São sempre os "espertinhos" que se dão bem, fazem pouco e ganham mais. 

Trabalhar num dia de feriado no Reino Unido atrai muita gente. No meu local de trabalho quem trabalha num feriado tem duas opções: Ganhar o dobro ou.... escolher ter mais férias. Se uma pessoa trabalhar quatro horas, seis, dez num feriado - fica com essas horas acrescentadas as férias. E quem é que não quer um dia extra de férias?? Dá tanto jeito! 

Fiquei por casa e tem estado muito calor. 32 graus ou mais. Dentro do quarto devem estar mais dez do que está lá fora! É uma autêntica sauna e fica-se sempre a transpirar. Mas tirando isso, dei por mim a fazer exatamente o que me apeteceu. E foi como se tivesse tido férias!

É verdade. A rotina de trabalho, mês após mês, impõe um dia de descanso. Em teoria podemos descansar uns dias por semana. Mas, na realidade, não existe descanso. É um perpétuo 24h de trabalho. 

Na prática não tenho tempo a sobrar ou energia para coisa alguma. Não cozinho porque não há tempo, não há forças. Custa ficar de pé. A única coisa que apetece é descansar o corpo. O trabalho consome tudo isso, e consome bastante! É um trabalho muito físico, exigente tanto como um jogo de futebol profissional - em que os jogadores têm de correr em campo por duas horas com uns minutos para intervalo. Só que no emprego, o esforço não dura apenas duas, três horas. Mas três ou quatro vezes mais. Não há pré-aquecimento é logo "entrar a matar". Também se tem um "intervalo" para "recuperar" mas não faz grande diferença. E temos "jogo" todos os dias. Além da desvantagem que o ordenado não é grande coisa. Em suma: o desgaste físico é real, é sentido e pode ficar para a vida. 


Dei-me conta da real situação porque, ao ficar em casa no Domingo e na Segunda-feira - dois dias INTEIROS, essa excepção me fez ver o que tenho vindo a me privar: de tempo para mim. Ter tempo para fazer coisas simples, como organizar a roupa, empacotar as suculentas, arrumar um pouco "aqui e ali" sem me sentir demasiado exausta e sem energia para a mais simplória das tarefas. 

Olhei para as suculentas e disse para mim: "vou fazer vasos agora" - e andei a mexer na terra e a colocar as mudas. Olhei para uma peça de roupa e decidi organizar a roupa nas gavetas e fazer uma selecção. E o mais surpreendente que resultou no maior benefício: "arranjei" o meu computador. 

Este tem estado "esquisito". A imagem do ecrã "salta" que parece um sapo. Tem alturas que não salta, como agora, mas tem outras que sim e nos últimos dias tem estado a tremelicar que nem um sapo saltitante e com Alzheimer.  Acho que isso tem a ver com a actualização dos drivers, mas como o computador já tem alguns anos, já nem se faculta atualizações. Andei a "mexer" no software e acabei por escolher "settings de fábrica" (?) mas não fez diferença no «tremelique». Contudo piorou numa coisa: o computador passou a desligar-se automaticamente. O meu último post sobre a AI foi todo ele feito com o computador a desligar-se. A reação aos comandos por vezes também não existe, o rato deixava de funcionar, clicar para abrir ou fechar uma janela não obetia reação. Acho que piorei o desempenho mas isso tem resolução fácil. 

Porém tem uma característica do computador que me apeteceu ir ver. Faz já uns dois anos que o computador aquece bastante. Ao ponto de poder queimar. Tenho-o sempre elevado, sem estar assente numa superfície (comprei uma espécie de suporte) para o ar circular e, por causa dos "tremeliques" e dos 32 graus lá fora, tinha uma ventoinha diretamente apontada para debaixo do computador, de modo a ajudar no esfriamento. 

Ontem cansei-me de tudo: desliguei todos os cabos, flipei o computador e com a chave de fendas comecei a desaparafusar a base. Ia limpar a ventoinha e dar uma olhada, podia ser que encontrasse um cabo meio solto, meio derretido... sei lá. Precisei ir ver. 

O computador por dentro estava impressionantemente limpo. Embora não o tenha desmontado na frente onde está o teclado - porque aí, Jesus! Até ia gostar de limpar mas dá mais trabalho e é mais sensível desmontar pelas juntas do ecra não é aconselhável. Julgava tê-lo partido num dos cantos mas depois percebi que estava aberto por lhe faltar um parafuso. Encontrei um por acaso e remediei a situação. Até hoje não sei como eu regressei de férias e fui encontrar o computador sem um parafuso! E depois procurei esse parafuso por toda a parte e não achei. Tenho a sensação de ter dado uma "joelhada" no computador sem querer antes de partir para férias o ano passado - mas isso não remove parafusos. Geralmente parte e racha os ecras! Preferi achar que deve ter sido algo do género. 

Acabei a limpar a ventoinha - primeiro ainda "anexada" ao computador mas depois dei uma olhada no cabo, achei que podia desligar, desliguei e limpei a ventoinha com muito mais rigor e facilidade. Resultado: tirei o pó que estava afixado entre a abertura do hardware e a ventoinha. Com escovas e pinceis fui limpando o pó fino e voltei a colocar tudo no lugar. 

A ventoinha... agora até suspeito que nem funciona!!
Porque não a oiço. Totalmente silenciosa. Fazia um ruído que... parecia um motor... E agora, silêncio. Só escuto o barulho das teclas a serem pressionadas, ahah!



Uma coisa tão simples - e aconselhável de fazer: limpar a ventoinha de refrigeração. E nunca me deu para fazê-lo. Ou se fiz neste computador, já esqueci. Sei que o abri outras vezes, para tentar perceber a origem do calor - ele tem dois enormes cabos de cobre que achei super interessantes. Todo o calor vinha dali. Agora.. já está ligado há duas horas e o computador está normal ao toque, não está quente. 

Não costumo desligar o computador nunca. Mas como este estava a desligar-se sozinho - preferi por uma questão de precaução, desligá-lo. Tenho estado a trabalhar nele e estou a gostar: não aquece e o "tremelique" não apareceu. 

Quer dizer: eu sei que ainda cá está porque o monitor faz, de facto, uma ocasional "sombra" à qual já me habituei - que é quase impercetível. "Duplica" a imagem. Mas é ténue. Atribuo este ténue tremer a factores de software. Penso que não seja avaria física. Provavelmente alguma incompatibilidade de sistemas e quando deixam de disponibilizar actualizações é natural que software não actualizado não seja muito compatível com outros produtos que se possam instalar e até o próprio sistema operativo do windows, que também não é mais actualizado pela Microsoft. Esse é o "tremelique" «normal».



E o que estava a acontecer era tudo menos ténue, era bem visível, impedia o uso do computador, impedia até ler um texto ou o que fosse!  

LIMPAR A VENTOINHA!!!
Fez-me sentir em férias.

Poder resolver coisas que tinham de ser resolvidas mas para as quais faltava tempo e ENERGIA. É isso a que chamo férias. Ter TEMPO. Férias é ter tempo!!!

Aconselho a todos que limpem a ventoinha do computador ou mandem fazer. Principalmente se notarem que faz mais ruído ou que o computador aquece mais que o habitual. Porque faz uma diferença substancial. Pelos vistos até pode ser responsável por sintomas que mais facilmente seriam ligados a avarias. 

Ainda conto com o retorno dos "tremeliques" mas.. a preocupação está no desligar constante. Isto das atualizações... a ver vamos. 

PS: voltou a desligar-se, assim que o computador fica sem ser usado. 



quinta-feira, 7 de março de 2024

As fotos de Instagram

 

Se as fotos do instragam falassem, iam contar histórias bem opostas daquilo que mostram. 

Iam contar, por exemplo, como os intervenientes "enxotam" as pessoas que estão por perto, para poderem tirar a foto "perfeita". A foto que, segundo a turista (?) brasileira que me abordou hoje, é só "uma foto rapidinho e você pode ficar à vontade".

Cinco minutos depois, a UMA foto ainda continuava. E eu, que saí do enquadramento sem terminar meu vídeo porque ela e amiga estavam dizendo "Saiu uma senhora aí detrás". Ao que a outra respondeu "Quer que eu faça cara feia?". A outra diz, para me pressionar: "Vamos esperar a senhora sair aí detrás". Eu, que estava encurralada por elas que naquela imensidão de espaço lindo com tanto ângulo para se tirar foto, foram exatamente vincar raiz onde eu estava, respondi: "Não vou sair não. Tou esperando vocês saírem" - risos. "Tou fazendo um vídeo e quero gravar" - disse, sem acrescentar que o que se estava a escutar ao invés do som ambiente, era as vozes delas. Mas ao mesmo tempo que digo isto, já estou a sair. A que segura o celular e tira retrato, me diz que é rapidinho, "uma foto só". "Depois você pode ficar com tudo à vontade". Apesar de já terem tirado umas 10 fotos, com pose bonitinha - que eu vi, ainda assim cedi. Fiz a gentileza de me afastar da zona onde cheguei dois minutos antes delas e estava a fazer um vídeo para que pudessem tirar a sua UMA foto. Era só uma, certo? E "rapidinho". 


Me afastei, afastei, fui para a esquerda, para a direita, para o cantinho... Tinham passados cinco minutos e as duas ainda estavam tirando a sua "UMA" foto. A tal que era "rapidinho". Olhei à volta. Um espaço tão amplo. Com um idêntico cenário no lado oposto. Só lá estava eu até elas aparecerem. Porquê tinham de ir tirar retrato exatamente onde eu estava? Caramba. Parece encosto. Quero estar sossegada e aparece gente grudenta. 😄😄 Podiam ter ido tirar os retratos noutros cantos primeiro, ou esperassem eu sair e depois seria sua vez de tirar as fotos que quisessem. Quem chegasse depois teria de esperar também. É simples cortesia. 

Mas esta moda das fotos do instagram terem de ser perfeitas... Com a luz, a posição do corpo, cada fio de cabelo e sabe-se lá mais o quê, as duas me enxotaram dali para fora e demoraram para tirar UMA foto. Aquilo que antigamente seria um "click" seguido de um "obrigado", agora é uma imposição que mais parece uma mini produção de moda. 

Fui embora, não sem antes declamar, à distância, para o meu vídeo, o tão de espaço que existe ali e elas tinham de ir as duas se colar a mim. Acho que, à distância, a "fotógrafa" ouviu ou estava a prestar atenção, porque começou a barafustar. Ficaram sozinhas com o espaço todo para elas, para tirarem todas as fotos que quisessem. 

E assim percebi que o meu estado ZEN - alcançado neste primeiro dia de férias, seria facilmente perturbado por mesquinharias. Ainda não é a altura certa de sair para a rua. Também com este tempo... não tive muita sorte com as temperaturas. Esta vinda a Portugal - é algo que sabe sempre bem. Mas também me esgota bastante. Preciso me isolar para ter a paz e sossego que necessito e o ambiente familiar não providencia. Tenho três dias para isso. O resto, não vai ser pacífico. Não faz parte do ADN relacional familiar. 

domingo, 27 de agosto de 2023

 
Por uns instantes fez-se luz. Encontrei um alojamento que parece ser perfeito! 
Só precisava que alguém mencionasse como era a deslocação do aeroporto para o local. Então fiz a pergunta no website. Não comprei antes de receber a resposta. Com a resposta feita, tratei de ir logo fazer a reserva. De um dia para o outro, deixou de estar disponível.


Se de facto não estiver disponível, desisto da minhas férias na Madeira. Sinto-me profundamente dececionada com este contratempo. Foram 3 dias a pesquisar alojamentos no Funchal, sem esperança de encontrar um que não mencione algo bastante negativo e medonho. 

Encontrei um ontem - poucos detalhes dados, uma referência a sujidade de pó mas de resto, coisas positivas. Nada muito alarmante. Devia ter comprado de imediato. Não o fiz, alguém se aproveitou da minha hesitação para tomar o lugar para si. Foram uns três dias de busca, sempre com os mesmos resultados disponíveis. SEMPRE os mesmos. Ninguém pegou. Foram logo pegar naquele que me agradou? Cambada de metediços! Se não estiver  disponível espero que a estada lhes seja super desagradável. Pode não ser um desejo bonito, e os meus desejos são fraquinhos, nunca se realizam. Mas caramba! Estou cansada de ficar só com a ponta podre. 



 


sábado, 26 de agosto de 2023

Férias na ilha do calor, mosquitos e sujidade

 

Buracos nos lençóis, extremo calor sem ventalização, muito ruído, falta de limpeza, mosquitos e baratas, noites sem dormir, cães a ladrar dia e noite, discoteca ou vizinho que escuta música alta... Até agora não consegui encontrar alojamento na Madeira que não assuste!

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Férias - a dor de cabeça

 
Desde as 2 da tarde até agora, 8 da noite, à procura de alojamento na Madeira, Funchal. Planeio uns dias de férias lá, mas como não conduzo e pretendo caminhar, tenho de escolher bem a área onde vou dormitar. Tem de estar perto de transportes e, ao mesmo tempo, ser silenciosa, agradável. Tarefa que, em seis horas, não consegui completar. 

Alguém por aí que seja muito viajado e conheça a Madeira - o Funchal em particular, pode dar umas dicas? Até encontro alojamento a rondar as 300 libras por uma semana. Inclusive pequenos estúdios de 25 m2, que me vão facultar uma outra necessidade: ser a única a usufruir de um espaço. Tudo depende das reviews. E pelo que percebi, todos os locais turísticos na madeira sofrem de um mal comum: humidade, bolor, ausência de ar condicionado, muito mosquito. 

Já sei que vou levar comigo um daqueles "mata-mosquitos" eletrónicos, uma pulseira repele-insectos, talvez até leve uma mosqueteira. Levo também uma bateria portátil para o telemóvel. Quando descobrir como o fazer, pretendo tornar o meu telemóvel rastreável a enviar sinais de PIN - caso desapareça vítima de crime e seja preciso localizar-me entre o mato. Rezo para que escolha um alojamento com boa conecção de WIFI, porque, aparentemente, por toda a ilha esta é muito pobre. 

Pretendo caminhar nas levadas. Quais, não sei. Porque presumo que nenhuma fica no centro do Funchal - ahah, e caminhar até elas é em si uma tarefa de meio-dia. A menos que haja transporte. Mas vi um site que disponibilizava transfers por 145€ e achei um roubo! Além de que, na prática, não disponibilizava nada, não estava funcional. 

Para não mencionar a deslocação do aeroporto para o alojamento e vice-versa. Preço da viagem de avião para finais de setembro está razoável, menos de 100 libras ida e volta, desde que a partida e regresso seja em Lisboa. Não dá para ir nesta aventura de Londres - os valores triplicam. Alojamento entre 300 a 500 libras - tentando diminuir esta valor, ainda assim, já faz uns 600 em gastos. Mais uns 1500 que vou gastar em Lisboa por três semanas. E os 100 que gastarei por ter mudado as datas de vôo, pois as minhas férias eram para ter começado na passada segunda-feira. 

Vontade para fazer isto, tenho. Necessidade e desejo também. Pessoas a dizer-me para não o fazer- sempre. (família). Nem está caro - embora vá regressar das férias com menos uns 2500 euros no saldo. 

Porém para visitar a ilha da Madeira estou limitada à minha incapacidade para conduzir um automóvel. Dizem-me que, para conhecer a Madeira, só mesmo de carro. Não tenho ninguém para me acompanhar, embora o alojamento que estou à procura ofereça o mesmo valor para 1 ou 2 pessoas. Então vou comprar para duas, ahaha. Pode ser que se dê algum milagre e surja uma companhia inesperada. (não). 

Para conhecer a ilha minhas pernas terão de fazer o serviço - com gosto. 

Alguém sugere algo??


terça-feira, 17 de março de 2020


Ovos, farinha, carne, peixe, pizzas, amendoins, bolachas, leite, comida pré-congelada, agua engarrafada, comida congelada, vegetais congelados, massas, arroz, produtos de higiene como papel higienico, tampoes, pensos, desinfectantes, produtos de limpeza, fraldas, fórmula para bebé. Acabei de listar tudo o que não se encontra nos supermercados no Reino Unido.

Esquerda: supermercado hoje ao meio-dia.
Direita: as mesmas prateleiras ontem, às 7h da manhã.
Supostamente deviam ter papel higiénico, foi tudo preenchido com chocolates.
É o único artigo que não está a ser comprado.

Sinto-me parva. 
Sou uma pessoa que gosta de armazenar. Mas vivendo numa casa partilhada onde o espaço é limitado, não tenho os hábitos que teria caso vivesse sozinha.

Secção dos legumes congelados
Nao tenho por isso arroz, nem ovos, nem farinha, agua. Papel higiênico tenho porque esse armazeno no quarto, onde o espaço é partilhado comigo apenas. Nao tenho muito mas penso que dará para umas semanas. Mas já nem sei. Da maneira como isto está, talvez este nao volte as prateleiras ou custe ouro.

É tudo uma incógnita.

Prateleira dos pacotes de bolachas, foto tirada ao meio-dia de hoje.
Às seis da manhã estava cheio.

Cá por casa já estão dois. Um vive fechado no quarto o dia inteiro. Só sai quando sente que a costa está italiana lá pela hora do jantar. Mas é a rapariga que teve sorte no meio de tudo isto. Não só conseguiu meter cá toda a familia por duas semanas antes mesmo da Itália decretar o fecho das fronteiras, como na mesma altura conseguiu contrato de trabalho. Agora está por casa, descansada, 24h na companhia do namorado. Relax. Nao tem de ir trabalhar, nao vai ser demitida e vao continuar a pagar-lhe. Encontrou um hobbie dos que duram um tempo indeterminado e ocupam a mente. Mas mesmo que não o arranjasse, tem cá o namorado a viver, sempre lhe faz companhia e algo mais. Mantem contacto com a familia e esta envia-lhe coisas pelos correios. Digamos que podia ser muito mais "chato", se o isolamento fosse maior. 

Para alguns isto pode ser encarado como uma espécie de férias. Eu continuo a tentar trabalhar o máximo que conseguir. Viro-me agora para o meu segundo emprego.

Com precauções, sempre.
A Páscoa está para vir.

Ao descer as escadas percebi que sentia os joelhos. Também julgo ter a sensação que sinto os pulmões. Pelo sim, pelo não, fiz o "teste" da respiração que encontrei online: Se conseguires respirar fundo e prender a respiração por mais de 15s, quer dizer que ainda não tens o "vírus" porque este, antes de deixar os sintomas aparecerem, prejudica os pulmões.

Verdade ou mentira, não sei. Mas bati o recorde da minha vida ao manter a respiração presa durante 1 minuto.

Hoje, quando me aventurei na busca de mantimentos
A praça pública e as esplanadas estão mais cheias de gente do que o que seria normal num dia de semana. Carrinhos de bebé por todo o lado. O supermercado lotado de bebés. As pessoas não temem o virus. Temem não ter o que comer caso fiquem meses por casa. Fui trabalhar às 2 da manhã. Quando passei pela rua principal, fiquei surpresa ao escutar o barulho de festa, vozes no convívio. Um dos bares ainda estava aberto. Não é comum. No Reino Unido um bar não fica aberto depois das 22, 23h. A uma segunda-feira no meio do caus do Cóvid-19, abriram uma excepção: a malta jovem estava toda reunida cá fora, na esplanada, a beber e a escutar música quase às 2h da manhã.


Enfim...
Sem muito mais para se dizer ou fazer, vai-se blogando.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Telefonema de Domingo


Afinal estava enganada. (será que alguma vez estive certa?).
Este Domingo, o Jason voltou a ligar.

Além do telefonema que atendi, depois reparei que tinha uma chamada perdida e duas mensagens não lidas dele no telemóvel.

Achei estranho.
Depois de, no Domingo anterior, termos conversado, pensei que tinha desistido. Mas o que eu entendo das pessoas? Pelos vistos nada!

Queria encontrar-se comigo. Mas fui clara a respeito do que podia sair dali. Amizade, nada mais. "Ao menos és honesta" - "Sim, claro". - respondi-lhe.

Não me custa nada ser honesta.
Custa-me mais o contrário.
Custa-me imenso (e pensei já estar curada) não saber o que o afastou radicalmente. 

Porque é que a honestidade, a franqueza e o diálogo não são ferramentas que todos gostem de usar?

Hoje sinto-me deprimida.

Os efeitos benéficos de ter andado pela praia à beira-mar já estão a desvanecer.
O espelho não ajuda, o tic-tac do relógio da vida também não. 

Enfim...

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Pequenas diferenças


O meu tempo de permanência em Portugal já está em contagem decrescente.


Foi curto e serviu, na sua maioria, para tratar de assuntos burocráticos ou relaccionados com necessidades médicas. Somente estes últimos dias têm sido dedicados ao lazer. Nomeadamente, ao descanso. O doce "no fare niente"... 


As condições climatéricas que aqui encontrei surpreenderam-me. Pela positiva. Queria ter "férias de verão" e tal tem sido possível. A praia convida a um passeio e eu, que não sou de praia ou de torrar ao sol, não resisto a passear à beira-mar. Adoro a maresia. O cheiro e os sons.


Porque será que custa tanto mudar?
Quando estava para vir a vontade era pouca. Agora que estou para regressar, a vontade também é pouca. Não me apetece deixar para trás o clima daqui. E não me apetece regressar para um lugar onde já está escuro como breu quando aqui ainda o sol brilha e a praia convida a um último passeio.


Mas é a vida.


............

As pequenas diferenças é que nos fazem girar. Ficar é não encontrar emprego. E viver em stress. Partir é encontrar emprego - reles mas emprego, e viver com muito menos stress. Diz-se adeus à familiaridade, ao clima e à gastronomia. Nem me lembrava mais do quanto se come mal em Inglaterra até ter voltado a comer alguns pratos confeccionados em Portugal. Trouxe uns aperitivos ingleses comigo que me sabiam tão bem... E cá souberam tão mal!

É o paladar que se adapta às coisas de lá mas reconhece e reajusta-se aos sabores de cá. O reajuste vai tornar a acontecer. 

Outra pequena diferença está nos hábitos. A condução dos ingleses é algo que, em certos detalhes, me incomoda. São lentos nas curvas, quando vêm um peão a atravessar a estrada fora da zona designada é como se estivesse a cometer um crime e gostam de tocar a buzina. Quando não o fazem, e têm espaço para passar, fazem-no devagar. Alguns chegam mesmo a parar. Como se não soubessem continuar o percurso só porque uma pessoa está ali a passar na berma da estrada, quase com o pé no passeio. Têm tanto espaço e não sabem o que fazer com ele. 

Curioso vir formatada com as coisas de lá. Mas reconfortante reconhecer as de cá. O melhor exemplo que vou dar é uma miudeza. Mas foi o que mais me tocou emocionalmente.

Estava a atravessar uma entrada de um estacionamento quando um automóvel em manobras prepara-se para sair exatamente no momento em que eu vou chegar. Quero atravessar aquela pequena entrada asfaltada e não me apetece esperar que o veículo se posicione, se enfie no meu caminho, fique parado a ver se pode virar, se não puder espera que os outros passem.... E eu que estou a subir a rua e nesse instante quero atravessar aquela parte cuja passadeira está tão sumida que mal se nota, não quero ter a minha caminhada «empatada» por um veículo que, claro, parecia estar à espera que eu quisesse passar para se por a mexer.

Dito isto, o condutor acaba de manobrar o veículo e o posiciona com a frente para sair. Mas deixa-me passar. Quatro ou cinco passadas e já estou do outro lado. E então o automobilista segue o seu caminho. Isto não acontece em Inglaterra. Pelo menos onde vivo, não é normal acontecer. Os carros são egoístas. Uma vez no seu território, se julgam prioritários em qualquer caso de manobra, estacionamento, saida ou entrada. 

Se vou no passeio e chego à intercepção entre a estrada e a continuidade do passeio e um automóvel aparece nesse exato instante, eles não estão acostumados a parar. Esperam que seja o peão a parar e a dar prioridade. Porque eles vão na estrada. E o peão no passeio. Isto enerva-me profundamente porque, em Portugal tenho a distinta sensação de que existe cortesia ao contrário. Se vais atravessar e um carro surge, este deixa-te passar, na maioria das vezes. Até porque não se pode enfiar assim sem mais nem menos. Mas em Inglaterra eles enfiam-se, metem a frente do carro para fora e depois decidem se podem passar. O peão que espere... E isso enerva-me. Gosto de caminhar a um ritmo que não exija travagens bruscas seguidas de paragens forçadas. Ahah. Afinal, um automóvel leva meio segundo a passar e quem anda de pé demora minutos para fazer o mesmo percurso que um veículo faz em poucos segundos. Nada mais justo que dar prioridade ao peão.

Principalmente em dias de chuva e vento.

Por tudo isto, gostei que, ao invés de se ter atirado para a saída do parque de estacionamento, forçando a minha paragem, o veículo tivesse esperado eu passar para dar início à sua marcha. Esse simples detalhe fez-me sentir em casa. 

sábado, 11 de agosto de 2018

September fears


Traumas.


Todos temos alguns e eu adquiri um novo, o ano passado. Que temo ter vindo para durar. Esse trauma faz-me recear a aproximação do mês de Setembro. 


O ano passado, por essa altura, estava estavelmente empregada. Dei um pulinho de férias tardias ao meu país e tive um pressentimento: devia ficar. Por uns tempos, a ganhar competências numa determinada área de interesse e regressar posteriormente mais qualificada para obter outro género de emprego.

Mas aquele que tinha esperava por mim. E a pensar nas pessoas que lá trabalhavam que contavam comigo, não segui o instinto que me mandava mudar de rumo. 

Numa semana, fui demitida.

As circunstâncias já as expliquei aqui. Mas fiquei magoada. Foi injusto e feito de forma vil. Durante o verão fui indispensável, não podia tirar férias, tinha de fazer horas extras era indispensável. Mas chegado o mês de Setembro, contractaram mais pessoal e tornei-me alguém que podiam dispensar. Assim, sem mais nem menos, sem consideração, sem atenção.


Os meses que se seguiram não foram rosas. As circunstâncias com que fui friamente dispensada batiam na alma como quem bate na mesma tecla de um piano e escuta sempre o mesmo som. Tentei outras portas, que pensei que iam abrir bem depressa. Pois essa era a vantagem de estar a viver em Inglaterra: a facilidade em arranjar emprego de semana para semana.

Mas enganei-me. Após sucessivas tentativas e rejeições, o emprego que pensei ter logo em Janeiro, só apareceu em Abril.  E durou dois meses. Também esse terminou sem aviso, por mensagem enviada por email, dois dias antes da machadada final.

Nova "luta" para arranjar outro emprego - mas ao menos estava optimista. Vinha aí o verão, que tem imenso potencial em termos de empregabilidade. O que agora temo é o fim do Verão, a chegada de outro outono, outro mês de Setembro.

Mas uma vez, não pude tirar férias no verão. Tenho-as marcadas para o final de Setembro. Vou dar um "pulo" a portugal e depois regresso a inglaterra. E temo muito que volte a repetir-se as circunstâncias do ano passado. Simplesmente porque sim, porque é Setembro e as pessoas deixam de ser necessárias. 

Queria ter um emprego duradouro, seguro, que estivesse sempre lá para mim. Que só deixaria de existir se eu assim o decidisse. Quero segurança. Mas parece que a vida não é para ser assim.

Hoje recebi uma notícia desagradável, por parte do senhorio. Deixei-o sentar-se e falar até o fim. Mas já sabia o que vinha dizer-me. Bastou-me ouvir o que disse ao chegar: "Não te enviei uma mensagem preferi falar contigo, tenho notícias que não são boas". Depois mencionou que saiu uma lei que vai alterar as condições para rendatários com mais de cinco pessoas na casa.

Não precisei de saber mais nada. Sabia o que aí vinha. Os 10 minutos que se seguiram mantive-me em silêncio. Finalmente chegou a frase "vou ter de pedir a um de vocês para sair" e claro que a sua escolha tem como base o valor da renda. 

Ao chegar disse que vinha falar comigo portanto não precisava de ouvir nada. 
Sei que as emoções não tomam conta dele quando a questão refere-se a dinheiro. Ele irá aumentar as rendas se assim puder e achar que tem de fazer e dispensar alguém (eu) pela mesma razão monetária.

Agora temo Setembro por dois motivos: receio de perder o emprego e receio de não ter onde morar.
O Natal que já estava a imaginar nesta casa, já não vai acontecer. Já foi apagado da minha memória.

O outono trás a queda de empregos. E pelos vistos a queda de muitas mais coisas. Setembro é um mês muito poderoso em termos cósmicos. É praticamente o início de um novo ciclo anual.

Passei a recear vir a ser vítima dessa condição de desempregabilidade que o mês trás.
E agora passei também a recear nunca sentir estabilidade numa casa arrendada.

É que assim que começo a sentir-me segura, assim que faço alguma coisa para personalizar o meu espaço - mandei fazer uns cortinados para a janela e estava a fazer uma estante - parece que o meu sexto sentido diz-me para não chegar a esse ponto, pois será nesse instante que tudo irá mudar.

Estabilidade é tudo o que desejo.
É tão difícil de obter.

Assombra-me a possibilidade de me ver novamente atrapalhada no desespero do desconhecimento do que setembro trará. Mais uma vez, vou de ferias. Sei que não vou conseguir usufruir das mesmas com a mesma ingenuidade do ano passado. No subconsciente estará a passar o trauma. Aquela tecla de piano estará a martelar na nota de "setembro", "setembro".






terça-feira, 15 de agosto de 2017

Pés e pernas sobre um fundo azul


Já começou.
E já enjoa.

A quantidade de fotos de pés e pernas com unhas pintadas ou por pintar, com pêlos cutâneos ou sem, com ou sem tatuagens já começou a invadir o meu facebook como uma praga enjoativa.

Sim, chegou o meio de Agosto...

Blhac!








segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A luz de Lisboa é especial


Já cá estive para vir umas seis vezes, com temas diversos para debater. 
Mas outras coisas se meteram pelo meio.

As férias estão a terminar.
E posso dizer que, não tendo sido férias, souberam bem. Talvez melhor do que se fossem.

Dois dias depois de chegar, a tosse começou a escassear. Parece que já «estou boa». Vou tirar a prova dos nove quando regressar para aquele quarto húmido e gélido, naquele país de luz escassa.

O que mais gostei da minha temporada por cá?
Da LUZ.



Senti saudade desta luz lisboeta - de facto única. 
Enchi o espírito com ela para levar comigo, pois quero que dure mais tempo. É uma pena não se conseguir engarrafar a luz do sol. Para a poder abrir num belo dia cinzento e depressivo.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Um percurso acidentado - a realidade versus a ilusão

Quando era mais jovem e ainda estudava, respondi a alguns anúncios de emprego compatíveis com o estudo. Por muito que me candidatasse, era raro ser chamada. Fiquei com a sensação que o mundo do emprego para estudantes não era tão acessível assim. Estava sobrelotado por centenas de estudantes com o mesmo intuito. Ao contrário de grande maioria de outros na minha situação, contentava-me com «qualquer coisa», sendo essa coisa no sector terciário.  As funções geralmente ocupadas por estudantes eram os part-times em caixas de supermercado. Assim sendo, candidatei-me. Mas nunca sequer fui chamada a uma entrevista.

A primeira candidatura para a qual me chamaram foi já através de uma dessas pragas empresas de recursos humanos (trabalho temporário). Precisavam de alguém para trabalhar ao balcão de uma loja de telecomunicações. Fui a uma reunião conjunta, junto com uns outros 20 candidatos, fizeram as entrevistas, os testes, as conversas e como a posição era só uma, só iam selecionar UM candidato. Mandaram-nos todos para casa, dizendo que, se fossemos o escolhido, iriam contactar-nos.

O telefone tocou dando-me a boa notícia e a minha felicidade foi intensa e vibrante. Saltei feito um coelhinho e não podia estar a sentir mais satisfação comigo mesma. A função implicava formação e, como existiam outras filiais da empresa, essa formação era partilhada com outros candidatos a outras filiais.


Quando cheguei à formação, logo reconheci um rosto. Era uma colega de curso. Ela tinha sido recrutada por outra agência, junto com uma amiga. As duas não passaram por testes, não fizeram entrevistas. Apenas foram as que responderam ao anúncio no último dia de prazo e a empresa apressou-as a enviá-las para ali. Pareciam baratas-tontas, sem noção do que lhes era esperado. Estávamos todas, como é obvio, a concorrer à única vaga disponível.

Eu me conheço... Sei que a maior parte das vezes pareço não ter fibra e ser "mole", por ser bem intencionada, paciente e educada no trato. Mas é exatamente por ter boa índole que sou forte. A empresa procurava candidatos que soubessem ser agressivos. Queriam jovens mulheres, que seduzissem pela beleza e juventude, só porque isso já é uma forma de "desarmar" o cliente quando este entra zangado na loja. Mas queriam-nas "más", hábeis na língua, com capacidades de persuasão que as fizessem ficar "por cima" numa argumentação. Capazes, inclusive, de meter uma subtil ofensa entre o atendimento ao cliente "difícil". (leia-se que vai reclamar). 

Claro que, não nos disseram isso assim. Eu é que simplesmente o percebi de caras. Agora, se os outros percebem que eu percebo, já é outra história. 

Quando apresentada a cenários assim, o meu lado doce evidencia-se mais. Durante os testes de formação, num dos quais se simulava o atendimento ao cliente, a agressividade era um requisito de maior importância. Tinha-se mesmo de maltratar. No meu momento confidenciei: "coitado!" - e esse sinal de compaixão foi decisivo para a minha exclusão.

A colega ficou com a vaga. Não que tivesse demonstrado melhores capacidades para o atendimento. Mas revelou a indiferença e agressividade que ali tanto se valorizava, alguma impaciência e, também, penso que terá acabado por revelar que os estudos ficariam em segundo lugar. Coisa que não estava nos meus planos. Eu me dedicaria aos dois com igual interesse. Assim que ela conseguiu a posição, nunca mais foi vista na faculdade. Desistiu oficialmente passados uns meses.

Andam tantos a se candidatar ao ensino superior público, a desejar ser colocados sem conseguirem, para outros terem essa sorte só para ao fim de uns meses desistirem...

Continuei a candidatar-me a empregos que via afixados em placares mas não era chamada. Sem ser o trabalho de dia em cafés ou supermercados, a maior oferta era trabalhar na noite, em bares, a servir bebidas ou o que mais que fosse. Esses nem considerei, por não terem nada a ver comigo, embora não sentisse preconceito para com a função ou os ambientes. Simplesmente não me via a gostar de o fazer, pois não me dava bem com música alta e entendia zero de bebidas. Hoje percebo que é exatamente por isso que se deve tentar.

Uma vez em conversa com um casal de idosos que tinham uma loja na qual engracei com um objecto que comprei com as minhas economias, confidenciei que queria encontrar um part-time e eles, com aquele jeito próprio da geração mais velha, escutaram-no já a querer ajudar. E sugeriram os bares. "Não é tão perigoso quanto se diz e até se ganha algum dinheiro" - disseram. 

Achei bonito a ausência de preconceito daquela geração para um estilo de vida com o qual também não partilhavam afinidades. Após reflectirem, eles só viram essa alternativa. Achei carinhoso o gesto.

Entretanto uma amiga que já tinha emprego fixo antes de começar a estudar, insistiu que, para obter um part-time, talvez até num escritório - já que para outros sítios não estava a ter sorte, devia procurar o Centro de Emprego. Porque lá é que as empresas iam para procurar candidatos, porque a oferta era mais diversificada, porque uma amiga encontrou emprego através deles, porque existiam empregos de férias - outro que eu sempre queria. E lá fui. O meu primeiro contacto com o inútil do Centro de Emprego!

Lá fui, cheia de esperança, a achar que aquilo ia dar realmente resultado. Falei com uma pessoa, expliquei os meus intentos, preenchi uma ficha e fui informada pelo centro que enviariam-me um postal para a morada, dizendo onde comparecer para uma entrevista. E que, se por acaso faltasse, deixava de estar inscrita.

Quando chegou o primeiro postal, toda feliz lá fui à entrevista. A primeira coisa que o homem que me está a entrevistar diz é que aquilo era uma formalidade que a empresa era obrigada a seguir mas que já tinham escolhido a pessoa para a posição. Apenas tinham de passar por aquele processo pelo centro de emprego, pois eram financiados, parte do salário era pago pelo centro e tinham de seguir as regras.


Lol. Saí dali a pensar se ele entendeu a gravidade do que acabara de me confidenciar. Mas nada fiz. E esse, hoje percebo, tem sido o meu mal. Detectar situações assim e continuar, deixando-as para trás, sem fazer uma revolução, um protesto, sem chamar as televisões e revelar o escândalo, a verdade por detrás de tanta ilusão de suposta transparência e oportunidades.

O segundo postal veio, tive de correr para conseguir chegar à entrevista que era dali a meia-hora. Não deu em nada, era uma total vigarice. Mal empregada correria. O terceiro posta também chegou... fora do prazo. Tinha de ter comparecido a uma entrevista num dia que já tinha passado. Dirigi-me então ao centro de emprego para re-afirmar o interesse em manter-me inscrita na base de dados e na procura de um emprego de verão. Uma das funcionárias atendeu-me, mandou-me aguardar que outra pessoa ia falar comigo.

Chega uma mulher que repetidamente se identifica como a DIRETORA DO CENTRO, conduz-me até à sua secretária, manda-me sentar e começa a conversar. O que ela me disse foi isto: "Você está a tirar o lugar a outras pessoas que realmente precisam de emprego" (assumindo que eu não! Mas já irei dissecar este horror que estava a escutar de uma diretora do Centro de Emprego!!!) "Acho que é melhor não voltar a se inscrever porque há pessoas que realmente precisam muito mais de um emprego que a menina, que ainda estuda". E mandou-me embora, com um "boa sorte" talvez, mas firme na sua decisão de me excluir das oportunidades ali disponíveis - pensei eu que disponíveis para qualquer cidadão interessado em trabalhar.

Como estava errada! Como estávamos todos errados.


É ao recordar estes episódios que entendo que uma inteligência pacifista não nos leva longe e que a tal agressividade tem o seu quê de razão de ser. Saí dali escandalizada com o que acabara de ouvir. Fui praticamente coagida a desistir. Praticamente expulsa. Ela nem esperou a minha resposta decisiva, deu-a por mim e mandou-me embora.

Ultrajante. Por ser estudante não tinha direito a recorrer ao centro de Emprego para um emprego de Verão? Isto dito por uma diretora! Por ser estudante era considerada menor, pelos vistos tinha menos direitos que um não-estudante. Porque existiam muitos pais de família desempregados e pessoas em pior situação do que eu - disse-me ela, era injusto "tirar o emprego a essas pessoas". Como se até ali tivesse realmente existido uma oportunidade. Só me enviaram para empresas com necessidades fictícias. E agora que estou a escrever sobre isto, tantos e tantos anos depois - posso afirmar que a experiência de vida e a maturidade faz-me inclusive suspeitar que o envio do envelope foi intencionalmente escolhido de forma a aumentar as chances de não ser encontrado a tempo e assim pudessem anular a inscrição. 

Não contavam é que me dirigisse novamente ao Centro para a renovar. Parece tão rebuscado tanta manipulação para atrapalhar uma única pessoa, mas foi o que me aconteceu. E, quem sabe, terá acontecido a mais alguém. Mas provavelmente, todas se calaram. E isso é um erro. Tem de existir um que ponha o dedo na ferida e desmascare a podridão oculta num exterior em verniz.  

Com este tipo de começo - não podia realmente existir um futuro brilhante pela frente, não é mesmo?

Mas a própria juventude conspira contra a pessoa. A esperança ainda é grande, os sonhos ainda são grandes, o tempo pela frente parece longo e cheio de outras oportunidades.


TODAS as pessoas que estudaram comigo e conseguiram de imediato bons empregos, conseguiram-no por cunhas e indicação de outras pessoas. O importante era ficarem posicionadas num bom emprego, ainda que este nada tivesse a ter com a área de formação  -como realmente foi o caso de todos. 

Isso surpreendeu-me. Para quê se dedicarem anos a uma área para depois abdicarem, desprezarem-na? Porque só tinham interesse num canudo. Num status social. E como tal, é ainda mais importante esse emprego que outro qualquer na área, pois vai direto ao status. 

Uma dessas pessoas que se empregou conseguiu a posição por lamber as botas dos futuros colegas além de trair miseravelmente a melhor amiga que contava ficar com aquele lugar, no qual trabalhava fazia um ano. Foi assim... sem problemas, sem complexos, sem consciência pesada e ainda num estado de soberba, de superioridade, de desprezo pela amiga a quem passou uma boa rasteira. De fininho, pela calada, enquanto a outra lhe confidenciava o quanto esperava ficar contratada no final do ano de trabalho, ela foi lá e zás! Conseguiu o emprego para ela.

Outra colega fazia pouco da função que uma outra tinha desde o início dos estudos. Pois esta era trabalhadora-estudante, tinha família e já trabalhava há algum tempo. Diminuí-a como pessoa, dizendo que esta se fazia de importante, era conflituosa... Mas na realidade era só uma pessoa mais madura com outra experiência de vida, que uma adolescente de 18 anos, mimada pelos pais, está longe de alcançar. Pois mal terminou os estudos foi trabalhar exatamente para o mesmo lugar da outra. Posição que obteve por o pai conhecer alguém e puxar os cordelinhos. E era vê-la transfigurada de miúda para mulher de negócios, tal e qual uma Jackie Kennedy, de vestidinho com saia e casaco a condizer, cabelo impecável, sapato de salto alto, um ar altivo, a distribuir cartões empresariais entre todos. Uma vaidade tremenda. Por ocupar uma posição para a qual não subiu a pulso e na qual ainda não tinha dado provas de eficiência. Mas já lhe dava o status, que era o que realmente valorizava. Ainda por cima o pai ofereceu-lhe de presente de graduação uma casa só para ela. Isso tudo junto subiu-lhe ao nariz e era vê-la a sentir prazer em exibir-se com ares de superioridade mais que outra coisa.  


Estas recordações que brotam na memória agora, servem para nos ensinar coisas. A primeira ideia que gostaria muito de deixar aqui vinculada, é que isto de crise na empregabilidade não é, de todo, coisa de hoje. Nem começou em 2008. Ela sempre existiu. Era como uma bolha que ia arrebentar! Estava a ser ocultada por muitos, durante muito tempo, num sistema corrupto, interesseiro e não centrado para o bem estar dos cidadãos.

As empresas de trabalho temporário não acabaram de chegar, já cá andam à pelo menos duas gerações. Ou mais. Aquela que me contratou ainda agiu pelo "livro", fez as provas, escolheu o melhor candidato. Mas a outra iria ser o exemplo de todas as que se seguiram: O que conta são os números e mesmo só tendo aparecido uma candidata para a função, que levava uma amiga, convenceram a amiga a candidatar-se também. Porquê? Porque ganhavam por cabeça. 

Portanto, há muita coisa suja mas a sujeira vem de hoje...

Neste relato deixo de fora os muitos anúncios de ofertas de emprego que consistiam em vendas em pirâmide, esquemas de time-sharing, oportunidades que se julgavam existir mas nunca existiam. Falcatruas atrás de falcatruas - que é o que mais há hoje em dia e afinal sempre existiu- outra conclusão a que cheguei.

Dá para concluir também que, para se ter um emprego bom ou mesmo razoável, as qualificações pouco importam, a tua vontade de lutar por ele também pode ser de pouca relevância. O melhor continua e continuará sempre a ser a cunha. Algo que me incomodava tanto que jamais cogitei recorrer a ela. Seis anos depois, pensava de forma diferente.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Desinteria é um bom castigo?


Chegou o Verão. O prédio onde habito fica mais sossegado -pelo menos é o que se espera - já que muitos vizinhos vão de férias. O prédio é antigo e por isso não tão mau quanto isso em termos acústicos. Embora se escute toda e qualquer coisinha mais significativa: conversas aos gritos, saltos altos, coisas a cair, água a correr no WC, etc. Mas se os vizinhos fizerem a sua vida normal, os ruídos de cada qual ficam restritos às suas áreas privadas. Sei, pelas construções mais recentes em que entrei, que nessas até um peido do vizinho se escuta com total nitidez. 

É Agosto. Conto sempre com sossego nesta cidade e neste prédio quando chegam os meses de férias. Menos trânsito, menos vizinhos a entrar e a sair constantemente. Mas é um equívoco. No verão alguém sempre decide fazer obras. De Junho a Setembro haverá provavelmente sempre alguém a trabalhar com berbequim, martelos, serras eletricas, durante 8 a 12 horas. Depois tem o vizinho que ganha um cão durante o mês de Verão. Cão que fica a chorar e a latir 24/7.E agora tem algo pior: alguém decidiu ir de férias mas deixar um despertador que soa a uma buzina sempre a funcionar.

Eu acho que há vizinhos muito sem-noção! Para eles desejo umas férias com muita desinteria. Acham que é mauzinho? É que já ando há uns bons dias privada de um bom sono!!!


domingo, 26 de julho de 2015

Sete e meia da manhã...


Abro totalmente a janela, para que o ar fresco deste dia de domingo invada o quanto antes a casa. Um pássaro passa rapidamente a voar e a piar. Oiço somente um barulho, ligeiro, ritmado... perto. É o som do vento a passar nas folhas da grande árvore do outro lado da avenida.

Que privilegiada me sinto! É raro viver no meio de uma movimentada cidade e apanhar um instante como este.

Apuro os meus sentidos. Adoro sentir o silêncio. O som da vida e mais nada. Sei que é uma quietude rara e que em instantes será rapidamente interrompida pelo rugir dos barulhos da cidade: automóveis. E me espanto. Como pode estar tão silencioso? Nem um som mecânico ao longe, vindo da rotunda, do túnel, trazidos pelo vento... nada. 

Quinze minutos se passam e enquanto escrevo este relato, os sons que chegam pela janela são mais agressivos e distintos: são os de automóveis. Um instinto levou-me a levantar e espreitar. Já existiam carros estacionados à beira da estrada e cheguei à janela mesmo a tempo de ver o primeiro condutor que gosta de estacionar no passeio. Lá ficou o automóvel, na calçada. Em breve, toda ela vai estar repleta. Mas mais para o final da tarde, talvez, quem sabe, todos se vão embora e os pássaros e o vento voltem a ser os sons que predominantemente se escutam lá fora. 

A cidade a um Domingo, é o paraíso!
A um domingo de um mês de férias, costumava ser quase um deserto.

sábado, 10 de agosto de 2013

País vai para férias NO ALGARVE

Ontem a notícia de abertura de um noticiário fez-me estremecer:

"Primeiro-ministro interrompe férias para presidir..." - não escutei mais nada. Férias?! Depois dos últimos acontecimentos e de ficar claro que o governo está instável e incompetente, vão de férias?? Fiquei pasmada! Bem sei que todos merecem descanso e este cumpre uma função vital para o bom funcionamento no trabalho, mas achei de um extraordinário mau gosto e desconsideração um primeiro-ministro que governa um país, numa altura de sucessivas crises dentro do seu governo, após se espalhar ao comprido em polémicas e más políticas, ir de férias!!

Já trabalhei em empresas onde não existiam férias. Cada vez que se viviam crises - e elas sentiam-se mensalmente, era fazer horas extraordinárias sem pagamento, claro. Cheguei a fazer "turnos" de 24h para levar aquele barco desgovernado ao seu porto. Comigo fazendo parte da tripulação ele não ia afundar, ainda que de pouco adiante quando quem vai ao leme gosta de jogar o barco nas rochas. Então e as férias? As férias era para os outros porque, se quiséssemos ainda ter trabalho era preciso continuar a trabalhar. 

Depois abro hoje a revista "Maria" onde na secção de notícias nacionais surge uma fotografia do primeiro-ministro de mãos dadas com a esposa, a passear no algarve. Tudo bem se não fossem os pormenores. É que identifiquei de imediato um copy-cat. Um gajo a imitar o outro primeiro-ministro, o britânico que também anda pelos algarves e que viu uma sua fotografia tirada num mercado de peixe, ao lado da esposa ganhar destaque e interesse internacional. Tudo porque a imprensa decidiu comentar a indumentária informal do PM britânico e da esposa. Vai o nosso PM e trata de os imitar. A ver se causa a mesma sensação - decerto. Também quer que lhe comentem as roupas!! Oh, não tem mais nada com que ocupar a mente, está visto. 

É que na foto nota-se uma encenação - pelo menos é o que entendi. Com um PM e uma esposa de mãos dadas, como é da praxe, a passear pelas ruas (com a comitiva de seguranças decerto pela sombra) para serem vistos, fotografados e comentados pelos meios de comunicação social. Ambos a calçar o mesmo modelo de sapatinho, na mesma cor e aparentemente novos. Estariam eles a dar "dicas" à imprensa nacional? Queriam eles que, tal como aconteceu com o PM britânico que foi descrito (quote) "calçava uns mocassins sem meias". Era esse o efeito pretendido do nosso PM mais esposa? Que lhes comentassem os sapatos? As roupas= Queriam as suas roupas descritas ao pormenor? Então acho que lhes saiu o tiro pela culatra. Porque ninguém comentou o ridículo que é irem para uma zona conhecida pelo calor e praia de calça comprida (ambos) e de sapato fechado. Se é para aparecer, aprendam com o outro, mas façam uma cópia/encenação bem feita.

AS FÉRIAS de um país é algo que me transcende. 
Como pode um país entrar para "férias"? É como o sol desejar tirar umas férias. NÃO PODE SER.

É a democracia britânica que vê o seu PM e vice-PM a tirar férias ao mesmo tempo, é a assembleia da república que fecha para férias, são os tribunais, é o primeiro-ministro. Pergunto-me se neste tempo está alguém a governar o país. E pior: é esse alguém o paulo-compra submarino-irrevogável-não ao corte das pensões- portas? Pergunto se as crises também vão de férias, assim como os problemas - ou será que nenhum deles está para ficar a trabalhar para resolver os problemas da competência de outros e por isso marcam todos férias ao mesmo tempo? Ou será que sem a presença de outros nada se resolve e então já que o país, os serviços e a justiça entram de férias, vai tudo junto!