sábado, 16 de outubro de 2021

Camisola vintage

 A minha mae odeia-a.

A camisola que actualmente uso para ir trabalhar. Antes disso usava-a para sair, dormir, drpendendo da situacao. Quando o tempo tanto esta para frio quanto para quente, é nrla qur recai a minha seleccao.

Minha mae odeia-a. 

Diz que nao me quer ver com ela e ja se recusou a sair comigo se a usasse. 

Minha mae odeia-a e diz que a camisa e velha e fica-me mal. 

Tudo o que é Vintage minha mae considera lico inutil. Ja eu fico contente que o "vintage" tenha surgido, porque me permite usar roupa que gosto mas que adquiri faz uns aninhos.

A camisola, de malha preta, gola alta... comprei-a faz de facto muito tempo. Lembro-me das circunstancias. Tinha dinheiro poupado e nao quis comprar a camisola nuna loja na baixa de lisboa quando insistiram que o fizesse, dizendo-me que era de qualidade e por isso ia durar.

Indecisa como e frequente, gostei de varias iguais de cores diferentes. Acabei por comprar três. Bordeaux, uma cor indefinida de azul turquesa, e a preta. 

Foi há  30 anos.

Vesti-a novamente agora e reparei algum desgaste na manga. Penso que os seus dias estao contados. 

30 anos!!!

Conheço gente mais nova que a camisola que uso.


sexta-feira, 15 de outubro de 2021

A crueldade do Whatsapp

 

Desde que fui introduzida à crueldade do término das relações através das redes sociais, fiquei vulnerável aos seus sinais.

Conhecem o Whatsapp? É bem capaz de ser a app mais usada do momento, para comunicar com as pessoas. É através dele que contactamos todos sobre qualquer assunto. Do sério e urgente ao trivial. Enviam-se mensagens, fazem-se telefonemas e video-chamadas. 

A app é muito simples e intuitiva de usar. Aparece a fotografia da pessoa, o nome, a última vez que esteve online e se está naquele instante no whatsapp ou não. Quando se envia uma mensagem de voz ou texto, uma imagem ou um vídeo - seja o que for, para um certo número/pessoa, surge um sinal de "visto" em frente. Quando surgem dois, é sinal que a mensagem foi enviada e recebida. E quando estes símbolos passam da cor cinza para a azul, é sinal que a pessoa recebeu e ouviu/viu o que lhe enviaste. 

Mas é aqui que entra a crueldade do ser humano. É que a pessoa com quem estás a contactar pode escolher "desaparecer" para ti. Assim, sem mais nem menos. 

Começa por deixares de ver a sua fotografia. Ao invés disso aparece apenas algo em branco. 


Depois te apercebes que não é só isso que acontece. Percebes que não está à vista a última vez que a pessoa esteve online. E quando vais enviar uma mensagem, passam-se dias e a mesma não é lida. Aqueles dois símbolos de "visto" permanecem na cor cinza. 

Mas o pior - aquele sinal de que a pessoa te BLOQUEOU - é ver que o sinal de visto permanece sozinho, cinza e não surge acompanhado de outro. O primeiro indica o envio bem sucedido. O segundo a recepção. E se não aparece o símbolo de recepção e o de envio permanece cinza, então essa pessoa eliminou-te. Pura e simples. 

Se isto não acontecer e tudo estiver bem: fotografia, símbolos azuis, etc e ainda assim não se obtém resposta, mesmo vendo que a pessoa esteve online ou está naquele preciso momento online, então a pessoa simplesmente não está interessada em ti. 

O que para mim ao menos revela maior honestidade. Na realidade é apenas desconhecimento tecnológico - pois a pessoa ignora-te com base nos seus sentimentos, porém não é versátil o suficiente nas tecnologias para saber que o whatsapp pode funcionar para a ajudar a alcançar esses objectivos, sem que seja "apanhada" por se tornar óbvio que está intencionalmente a ignorar alguém. Aqueles que estão a par e passo das definições, conseguem ser cruéis. "Apagam" a pessoa da sua vida digital, como quem não passa de um algoritmo. 


quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Efeitos secundários da vacina do Covid

 

Não sei se em Portugal acontece o mesmo mas é já facto constatado no Reino Unido: um grande número de mulheres apresenta um ciclo menstrual contínuo depois de terem recebido a vacina do Covid19.

É o meu caso. Sinto-me como se vivesse com fraldas.

Não sei se é uma reacção a um tipo particular de marca, se é indiferente. Tudo o que sei é que, desde que levei a segunda dose, surgiu-me a menstruação no dia seguinte - tal como da primeira vez - só que desta feita, não mais foi embora.

Faz três meses que recebi a dita. E estou sempre com corrimento menstrual. Se é que se pode chamar assim. Na prática, creio que é o útero que continua a desprender-se e a sair. Com isto aquela "sensação" na barriga é uma constante. Momentos de maior fraqueza e falta de energia são mais regulares. Cansaço. Fazer esforços súbitos faz a "coisa" descer. 

Já tive consultas online para me queixar deste caso, e não há nada a fazer. Limitam-se a recolher a data - quem sabe colocam-nos numa base de dados - um número extra de mulheres com a mesma queixa. Mas soluções não arriscam uma. Dizem apenas para ESPERAR porque isto é uma "coisa nova".

Ridículo!

Já disse que sinto que vivo com fraldas? Eventualmente temia que este dia chegasse, mas lá para os 80... não quando ainda me dizem que parece ter 20 ahah.

O meu caso é capaz de nem ser dos piores - pois uma amiga contou-me um outro, de abundante menstruação que não parou por três meses. Abundante sempre foi a forma como fui apresentada a esta condição feminina, por isso nem sabia o que era ser diferente até há pouco tempo. Contudo, gostava que fosse embora. E me deixasse sem esta preocupação. O ciclo normal já é o que é. Raro a altura em que não se tem um sintoma de pré e pós, de forma que se conseguem apenas uns 9 dias para nos sentirmos como um homem se sente 24/h/365 dias por ano. 

Este tema não está a ser explorado, discutido ou divulgado o suficiente!
Conhecem alguém que se queixe desta consequência da vacinação?

Creio que antigamente, antes de existir tanta medicação comercializada ou medicina moderna, bastaria perguntar a qualquer mulher que a resposta para este problema seria conhecida. Experiencia de vida... que passa de geração para geração.

Hoje em dia recorremos apenas aos médicos. 
E estes não sabem o que dizer de forma a solucionar o problema e não se arriscarem a um processo jurídico. Oh, vida!

sábado, 9 de outubro de 2021

Another age choque

 Outro colega sentiu-se muito surpreendido quando mencionei que fiz uma pos graduação quando estava na casa dos 30.

Mais uma vez, quando revelo que nao estou nos 20 esse facto parece surpreender.

Nao sei se e um elogio se é uma maldição. Porque nao vai demorar nada nada para que os sinais dos 50 apareçam. Já tenho o cabelo a ficar fino,  a perder a luminosidade castanha-mel a olhos vistos e um ou outro branco a aparecer.

Quem esta na casa dos 20 tem toda a pujança das jovens células que ainda não produziram vida em demasia. Por isso jamais poderei "competir" com alguem de 20. Ainda que por alguma ilusão óptica assim pareça. (Nao sei como). A serio... nao sei como. Aos 20 tem-se uma pele e um rosto quase de menina! Onde o meu já vai...

Talvez por isso ele esperasse outra atitude de minha parte,  uma que espelhasse os modos modernos de alguem da geração dele. Pareco estar nos 20. As vezes dizem-me no inicio dos 30. Mas pelos vistos nunca nos 40. Onde pertenço por mais uns anos. Ou, neste país, por mais uma década. 😉


Ao mesmo tempo, quando percebi os primeiros sinais de idade a aparecer entendi de imediato porque a Gordzilla me desprezava. Era inveja. Ela era a unica que sabia a minha idade porque o senhorio anconfidenciou. Ela esperava encontrar alguém em pior estado que ela. Ao inves disso apareceu-lhe alguem diferente, que gostava de ficar ao relento, fazer jardinagem e se exercitar no jardim com movimentos de ginasta Eu era quatro anos mais velha que ela no entanto nao pintava os cabelos e o meu corpo mantinha a mobilidade. Eu lhe parecia tao jovem quanto os jovens italianos de 20 com quem ela se cercava. 

Dai ter-me infernizado a vida ao ponto de nao permitir que alguem naquela casa pudesse chegar a me conhecer e gostar de mim. Desdém por nao ter recebido igual graça. 

Então  cada vez que alguém entrava para a casa ela enchia as suas cabeças de historias inventadas que reflectiam muito mais o seu caracter que o meu. 

Desde que desapareci das suas vistas, sou percebida como uma pessoa simpática. Nunca mais recebi o desdém ou fui tratada de uma maneira seca pela frente e odiosa por trás.

Parte do que me faz parecer mais jovem nao e so a aparência. é muito a personalidade. Ao menos foi o que este colega me disse e percebi que assim era. Mais uma vez, existe uma linha que divide onde começa e acaba o elogio. Só eu tenho conhecimento dela.

Percebi que tenho de aceitar esta percepção que ganham de mim e ficar de bem com ela. Não preciso de clarificar as pessoas. A idade afinal, nao nos define totalmente. Apenas nos torna mais ou menos conscientes da provavel altura da nossa mortalidade.

Agora resta-me esperar para ver se, ao tpmatem conhecimento dessa idade, acabam por se afastar, desinteressados em manter uma amizade que nao passará disso.

domingo, 3 de outubro de 2021

 

A minha alma esta a passar a musica instrumental que se pode ouvir aos 50 s neste excerto. 


A musica penso que seja de caetano Veloso. 



Nao sai de dentro de mim. Estou triste e nao consigo esconde-lo. Isto so passa com uma noite de sono. Coisa que nao tive a noote passada porque passei-a no trabalho. Onde ainda estou. Vou fazer 24h continuas.

Aconteceu por acaso. O meu ultimo dia de trabalho estava marcado para ontem de noite. Terminando hoje as 8 da manha. Mas ai fiquei a saber que a nova empresa que ia tomar conta me queria lá, e já a fazer o turno seguinte. Aceitei. 

Mas depois eles apareceram... em comitiva. E eu vi uma empresa disposta a pisar em cima dos outros. A ocultar informação mas a extrair de mim toda a que precisa para melhor funcionar. Trairam-me nesse mesmo dia, dando o dito pelo não dito, não por mudarem de ideias mas com um gesto repulsivo. 

Não se trata assim uma pessoa. Agora sinto-me triste. A ideia de regressar aquele lugar para trabalhar - algo que sempre me deixou alegre, deixa-me triste e à beira do choro. Ainda me sinto assim - dois dias depois de ter começado a escrever este texto (dia 1de Outubro). 

Só consigo sentir que o melhor é dizer que não volto. Ao mesmo tempo os outros sentidos - não tanto o sentimento mas a noção dos factos - dizem-me que não tenho outro emprego regular e aquele que mantenho está cada vez mais irregular, não me dando nem sequer 80 libras por semana. 

O que fazer?
Tudo em mim diz-me para abandonar aquele cargo. Até porque o achei muito aborrecido ultimamente. Com a nova empresa no comando, está tudo novamente numa confusão. Sem se saber quem vai gerir o quê, quem faz o quê. 

Devo desistir ou devo aparecer?
Já não me entusiasma. 

Dinheiro/segurança ou sentimentos? 

Ao qual dar prioridade?

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Primeio no Meo, agora na 4

 

Encontrei uma série em demand no Meo e comecei a ver. Chama-se Seinfeld. Foi rodada nos anos 90, é uma comédia americana, e gosto muito de a ver. Gosto do humor, da forma como de tudo no quotidiano conseguem apontar o absurdo e a comédia, encandeando as coisas umas nas outras com uma mestria inesperada e inovadora. 

Estava a ver a sétima série e já pronta a fazer um post sobre o episódio 11 e 12 - ou algo parecido. Porque é... brilhante! 

Com o passar do tempo o guião só ganha qualidade. Como um bom vinho. Adorei que, às tantas, criticam os conteúdos televisivos de entretenimento, dizendo que só gostam de ver "quatro pessoas num apartamento a lamentar as suas relações amorosas". Além de ser fantástico - porque define a série "Friends"em toda a sua essência, não deixa de ser também uma chalaça a si próprios. Porque, a pesar do imenso conteúdo, diversidade e foco, a série mostra quatro amigos num apartamento aha.

Mas o que tem a série 7 de importante? 

Elaine começa a namorar um saxofonista. Mas tem um problema. Ele "não faz tudo". A conversa que ela tem com o amigo Jerry está brilhantemente escrita. A linguagem nunca específica do que estão a falar. Mas dizem tanto! Ela, certamente, queixava-se que no quarto ele não gostava de a satisfazer de uma certa forma. Tudo se revela no final quando ele, apaixonado, diz-se disponível para passar a "outro nível". Quando entram no bar onde ele vai actuar, ela diz-lhe: "Não, foste óptimo". Alguém o chama para actuar e quando ele coloca os lábios no saxofone, sai um som horrível, terrível, medonho. E não passa dali.

É preciso ter uma mente adulta para perceber a mensagem e a forma brilhante como mencionam sexo oral. 

No episódio seguinte, outro grande evento toma conta do tema central. Lembram-se certamente do julgamento do OJ simpson, no qual ele foi inocentado do homicídio de duas pessoas - uma das quais a sua ex-mulher por quem era obcecado e com a qual exercia violência doméstica. Um momento chave que o inocentou foi ele ter enfiado a mão na luva ensaguentada deixada na cena do crime e dizerem que "não serve". 

Seinfield, brilhantemente e sem o prevermos, mostra uma ex-colega de Elaine, rica, que gosta muito de não usar soutien. O que elouquece Elaine, pois a amiga roubou-lhe o namorado por andar sempre com as ditas salientes. Elaine decide dar-lhe uma lição e presenteá-la com um soutien. A amiga aparece-lhe no emprego a usar o soutien, sem nada por cima. Já na rua, Jerry e o amigo estão a conduzir no carro, vêm uma mulher bonita a usar soutien, distraem-se e sofrem um acidente. No passado Kramer - o amigo, já tinha tentado processar uma companhia de café. E nisso procurou a ajuda de um advogado, que até hoje é uma personagem que adoro. Este advogado, é peculiar e engraçado. Adora ouvir que o processado é milionário. No julgamento, o advogado é contra que a ré experimente o soutien para provar que elouquece os homens. Ao colocá-lo, ela diz: "não serve". 

O diálogo que se segue e que termina o episódio é brilhante. Algo do género: É claro que não serve! Foi experimentado por cima da camisola. Tem de ser experimentado sobre a pele. Como uma luva!

fazendo assim referência a todo o julgamento de OJ simpson e a meter a luva no meio. Brilhante!

Para não falar do episódio da cuspidela... 

todo baseado no filme de Kevin Costner sobre JFK.

Quem conhece a série?
Infelizmente tanto na MEO como na 4 aqui no UK, não consigo passar de duas ou três séries sem que deixem de a disponibilizar. Os royalitties devem ser exorbitantes para a tirarem constantemente do ar. Basta eu a querer ver.  


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

My all life flashing on my eyes

 

Para ver grande parte da minha vida passar diante dos meus olhos só preciso de passar o dedo na lista de contactos registados no telemovel.

Vejo todos os lugares pelos quais passei, reviso a familia proxima e a afastada, todos os empregos, colegas, sonhos e metas de vida.

É impressionante.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Novo pedido de telemóvel... desta vez reagi a tempo

 Voltaram-me a pedir o meu número de telemóvel. E eu ia dar - pensando que se tratava de oportunidades de emprego. Aí o rapaz disse-me que gostou muito de conversar comigo.

Oh Diabo!
Que eu não tinha percebido que era essa a intenção...


"Gostei muito de conversar contigo. Não é sempre que se encontra alguém com que se pode conversar" - ui... ouvi o mesmo há uns dois anos atrás. Antes do Covid. 

Semanas depois conheci um puto (chamemo-lo assim) que, tal como os outros putos, não me dizia nada. Jamais poderia dizer o que fosse. Tal como todos. Subitamente... tudo mudou. 


O que não mudou é o meu total desinteresse em ter uma vida romântica. Não está no meu destino, nunca esteve. Isso ficou claro para mim. Fugi, fujo, fugirei. Estou velha para começar algo assim. Nestes tempos modernos com nova regras de comportamento onde o diálogo, no meu entender, aparece pouco - estou também desatualizada. E por isso desinteressada em realizar tentativas. Não há como estar a par e passo das "vicissitudes" das relações.  

Minutos depois fiquei a saber que o meu emprego termina daqui a dois dias. Que porcaria de notícia! Outra firma vai tomar conta daquele site, trazendo com ela a sua própria equipa. Passei por esta mesma situação faz três semanas. Tive de labutar tanto, fazer contactos, telefonemas, inscrever-me novamente com uma nova firma, fiz entrevistas online, preenchi 101 formulários...

Se isto acontecer a cada três semanas, então não estou com paciência para lutar por uma posição naquele lugar novamente. Cansa. Dizem-me que provavelmente vão querer me manter porque sou muito eficiente. Mas aquilo é um lugar onde muitos vão e vêm e os que ficam são... não digo corruptos, mas são os que sabem vergar conforme o vento. E existe muito falcatrua ali. Batota, que começa de cima pela gerência. Estou cansada disso também. 

O bom desta experiência foi ter percebido que todos gostam de mim. Acho que não exagero, quando digo isto. Como colega, sou elogiada. Ajudo muito os outros, estou disponível para lhes explicar tudo, para lhes mostrar a "casa", para os prevenir de coisas... Trago-lhes comida. Ofereço-lhes remédios quando ficam doentes... sou uma espécie de "mãe". 

(É o que dá ter desejado ser e não o ter realizado... sério).

Hoje um colega deu para juntar ao meu nome a expressão "Sweet 16". Just because it rimes.
But I ... ups! Mas isso preocupou-me. Já me deram 32 anos. O que fiquei por dizer aqui no blogue foi que, na semana seguinte, deram-me 22. E agora desci para 16?!?!!!! 

Temo que daqui a nada seja confundida com uma criança de sete aha!!

Mas a sério: o feedback que recebo é fantástico. Os gerentes gostam de mim, os colegas gostam e vêm ter comigo para pedir ajuda, informações, apoio. Dizem que eu sou a supervisora deles, a patroa... de forma carinhosa. Aquela que sabe de tudo e os ajuda, consultam a minha opinião e chamam-me para tomarem decisões. Quando é preciso, apontam o dedo e dizem: "ela sabe o que fazer". Disseram-me que sou excepcional.

Há dois anos Ele... achou o mesmo. Mas depois deitou essa consideração no caixote do lixo como quem descarta um invólucro qualquer. 

Na altura esse desregard para com a colega que lhe era foi um golpe profundo. Independente de outras emoções, essa também foi ferida com vilania. Ele disse-me que o fiz sentir melhor no emprego e que este era melhor por causa de pessoas como eu. E como retribuiu? Fez-me sofrer horrores e deixou-me a pensar que o que fiz valeu nada. Zero.
Fiquei a sentir-me uma merda como ser humano, que todos podiam usar, caluniar, massacrar e deitar fora. 

É bom sentir que gostam de nós. Mas confesso que sinto que não sou nada de extraordinário. Realmente... não sou. Devem estar todos a sofrer de má visão... tal como da percepção da minha idade :) 

A trabalhar sou feliz e procuro que os outros se sintam confortáveis e adaptados. Acho que consigo isso. Mas não me acho nada extraordinária. Contudo, se tal mo é dito, há também que aprender e saber aceitar. A minha modesta oferece resistência aos elogios. Será sempre assim e acho que é natural. Contudo, vou procurar, com reconhecimento ou não, independentemente das vicissitudes, tentar me manter uma boa pessoa. 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Emoção que garante lágrimas

 

Deparei-me com este vídeo no youtube de animais de estimação que reencontram os donos após algum tempo de ausência. A maioria animais perdidos, que foram devolvidos. Imaginam já o tipo de emoção que aí vem... Pois. E eu, lavada em lágrimas aqui deste lado do ecrãn.

Não só porque é algo muito emocionante de se ver - um amor puro a se manifestar. Felicidade pura. 
Emociono-me também por já ter passado pelo mesmo. Quando era estudante universitária fui estudar para longe (mas no país) e separei-me por algum tempo do cão da família. Visitava-os com bastante regularidade, mas a felicidade do animal, a forma como me recebia sempre que voltava a casa, era esfuziante. E eu retribui-a, dando-lhe festas, acolhendo as suas lambidelas, sorrindo de dentes à mostra ao ver a sua cauda a abanar, pegando nele, acariciando-o e deixando que ele ficasse comigo o tempo que desejasse, voltando a adormecer ao meu colo, ainda que precisasse de me mexer. 

A questão que sempre vai emocionar-me de forma triste, são, na realidade, duas circunstâncias. A primeira é que, por uns meses, fiquei sozinha na casa em que morava. Sentia solidão e queria ter a companhia do cão comigo. Precisava de distribuir e receber afecto e o cão precisava também de mudar de ares. Tinha espaço para ele - e um bom espaço. Com sol, que ele sempre adorou e fazia bem à sua saúde, uma varanda arejada e solarenga, área verdejante para passear. Pedi a meus pais que mo deixassem trazer comigo por umas semanas. O cão ia adorar saber onde eu me enfiava quando não estava em casa. Ia ser bom para ambos.  

Meus pais não permitiram. Não importou o quando eu insisti. E eu insisti. Era tão importante para mim! Ia mesmo ser vital. Não deixaram. Com as suas desculpas sem sentido, falta de vontade em me agradar. Sempre do contra. Sempre cuidei do animal desde miúda, não ia ser em adulta que lhe ia faltar alimento ou ia sujeitá-lo a alguma fatalidade. Ele estava habituado a ficar sozinho em casa durante as horas de trabalho e escola, portava-se bem, só fazia as necessidades na rua e pedia-nos quando queria sair. Na realidade meus pais sabiam que não haveria problema algum, simplesmente sempre que podiam nao me deixavam ser feliz. O cão não era um cachorrinho. Tinha mais de 12 anos e entrou na minha vida quando eu tinha 10 e ele quatro semanas de vida.  

Um dia, contava ele quase 16 anos, visitei a casa e fiquei surpresa com a hiperfelicidade do cão. Ele já estava velho. Não se mexia mais com agilidade. Naquela noite porém, assim que a porta abriu, o cão apareceu e pulou tanto, tanto, tão alto, como se tivesse voltado à sua juventude. Estava eufórico. A chorar de felicidade. Fiquei assustada.

- "O que se passa? Pronto, pronto... já estou aqui".

Tentei acalmá-lo. O seu entusiasmo não passou rápido. Estava eufórico. Já se tinha habituado à minha ausência e às minhas visitas. Aquele comportamento era tão alarmante.

Quis que ele ficasse solto na casa para escolher onde queria dormir. Mas meus pais insistiram que ele tinha de ficar fechado na varanda. Algo que eu reprovava, porque a varanda era húmida e fria. Entrava água no interior durante o inverno. Mas meus pais, sempre num tom de voz a mandar vir, disseram-me que o cão não podia ficar pela casa, que "cheirava mal" "empestiava a casa" e "largava pelo". "fica comigo no meu quarto" -sugeri. "Nem pensar! Proibo-te de teres lá o cão! O cão é um animal, os animais dormem no chão da rua, não faz mal nenhum. Lá chegas tu com a mania que sabes mais que os outros!".

Na manhã seguinte vou soltar o cão da varanda e logo percebo que algo está mal com ele. Vejo que esta sentado, os olhos com sono, mas quando o pescoço tomba para o lado ele gane e volta a ficar de pé e de olhos abertos, sem conseguir adormecer. O animal não consegue deitar o corpo e está com dor!

Decido levá-lo ao veterinário. Meus pais são contra. Grande discussão. Enorme. "És maluca! O cão é velho! Eu não vou gastar dinheiro com ele! Deves pensar que os veterinários são baratos! Pagas muito e não vão poder fazer nada, porque o animal está velho e tem de morrer!". 


Não me importa o "quanto vai custar". Não me interessa que o animal "vai ter que morrer" não concordo que é "dinheiro jogado fora". Podiam-me cobrar 200 euros. Não importava. Não era essa a questão. Ele precisava de alívio, de ajuda! Não importa se é velho!! Não é porque se está velho, a cheirar mal e doente, que não se deve procurar diminuir o sofrimento ou não demonstrar qualquer compaixão.

Pensei tanto, mas tanto, ou melhor, senti, tive uma visão do futuro: "um dia vão ser vocês os velhos a sofrer e quero só ver se aí também vão concordar que vos metam a um canto húmido, sem assistência médica para cuidar do que vos aflige e vos digam:" um dia vão ter de morrer porque estão velhos". 


Levei o cão ao veterinário, que era mesmo ali perto. Ele prescreveu uma medicação, disse que os próximos dias iam ditar o que ia acontecer e para ver como o animal ia reagir ao tratamento. Até lá ele devia ser mantido quente e sugeriu que lhe colocasse uma botija de água quente na cama.

Meus pais, como sempre, do contra. Grande briga porque comprei uma mini botija. Não me deixaram colocá-la debaixo da manta na sua cama. E insistiram que o cão devia dormir na varanda novamente. Depois de me inquerirem quanto paguei pela consulta - não era relevante para mim, começaram de imediato a dizer que eu tenho de aceitar que o cão vai morrer e que o melhor a fazer era a eutanásia. 

Inicialmente o cão melhorou. Mas estava fraco - sem comer e sem beber por dias - vim a descobrir, precisou muito da injecção que o veterinário lhe aplicou. Meus pais não lhe davam nova comida se ele rejeitasse a lá posta. Por algum motivo sério o animal rejeitou e o prato de comida ficava ali dias seguidos, ressequida... para que ele a comesse. Pobre animal! Quando mais novo não era tratado assim e agora que ficou velho ao invés de serem mais caridosos, pareciam querer castigá-lo por envelhecer. 

Com a injecção que lhe deu fluidos, o cão melhorou mas depois, vi-o cair no chão e urinou ali mesmo. Por um instante julguei que estava morto, mas depois vi que ainda respirava e estava consciente. Cair não era incomum, visto que ocasionalmente sofria de epilepsia. Mas sempre recuperava totalmente. Desta vez existiu urina.  

Meus pais a insistir: "Injecção letal - injecção letal - injecção letal!" - é isso que é preciso fazer. A cantiga repetida aos meus ouvidos desde que o animal era um cachorrinho saudável de dois aninhos, a correr por todo o lado.  "Tens a mania que gostas mais do animal mas se lhe queres bem não o deixas sofrer!"

Não tinha passado um dia desde que o cão regressou da consulta ao veterinário. Mas vê-lo assim, e perante a repetição de papagaio de meus pais para que levasse a injecção da morte, pedi desculpa e permissão ao cão para que o levasse ao veterinário. 

Acariciei-o, disse-lhe o que ia acontecer e se ele deixava e me desculpava. Era como se ele soubesse. 
Acho que ele soube ao mesmo tempo que eu. Naquele consultório talvez uns 14 anos antes. A sala de espera do consultório do veterinário, cheia de gente com seus animais. 

Catorze anos antes, estava sentada numa cadeira com o meu cachorro ao colo, para levar uma vacina qualquer. Uma mulher com um cão maior pelo chão reparou na juventude do meu e disse que o dela tinha 14 anos. Soube, nesse instante, como quem recebe uma mensagem do além:

-"O meu vai durar 15".

Meus pais vinham a anunciar a sua morte desde um ano de idade. "Os cães são diferentes das pessoas" "envelhecem mais cedo, são 7 anos por cada ano humano... não vivem mais que 20 humanos, por isso habitua-te que o cão pode vir a morrer ao fim de dois, ou três anos." - disseram. E o cão a viver, cinco, seis, sete, oito... 10, 12, 14... e então chegou o ano da minha "visão": 15.

Não importava que um dia a morte viesse. Gostava é que eles parassem de a anunciar constantemente. Que a deixassem vir quando quisesse, não porque não contavam ser donos de um animal por tanto tempo. 

Naquela mesma sala de espera de 14 anos antes. Na mesma posição de cadeira. Com o animal consciente do lugar onde se encontrava. Um lugar que ele tinha medo e se recusava a entrar. Mesmo a metros de distância, só de passar perto, ele fazia força com as patas e se recusava a continuar andar.Em pânico e terror. Tinha de pegar nele ao colo, dar-lhe festas e dizer-lhe: "Não vamos ao veterinário. Fica descansado. Não vamos ali". Com o tempo bastava-lhe as minhas palavras e ele continuava a andar puxado pela trela. Para quem só entrou no veterinário quando cachorro e nunca mais lá pôs os pés, a reacção do animal era quase inexplicável, anos e anos depois. Acredito que os animais têm sentidos mais apurados e ele deve ter detectado a morte e sofrimento dos seus semelhantes. Por isso, quando o levamos para lá de carro, e ele entrou naquele espaço.. ele sabia. 

Tal como sempre soube, anos antes.

Ali era o lugar da sua morte. 



quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Sejam felizes

 E assim termina a minha escapadela, com uma sentida mensagem escrita na areia. 

Foi uma experiencia curta mas aproveitei-a. Percorri quase toda a Costa maritima: comecei em Brighton, fui ate Rotterdean subindo as colinas e observando o mar pelo alto e quando desci, cheguei a uma localidade chamada Saltdean. Aí encontrei um bar de praia onde tres jovens miudas se mostraram de uma simpatia que nao estava à espera.  Doceis e simpaticas a trabalhar com o publico. Uma caracteristica rara aqui no Reino Unido quando se fala de jovens a rondar os 19 anos. Prontificaram-se a ajudar ligando-me o telemovel a corrente. Por essa simpatia disponibilizada sem quaisquer problemas compensei com a compra de um produto e muitos obrigados.

Fiquei feliz por ter encontrado este tipo de cordialidade. Nao contava com ela. 

Nao tive porem paragem de pedir que me conecctassem tambem a escooter ☺️ Seria demais. Ainda que fosse a principal coisa que gostava de carregar, ja que se ficasse sem energia so me restaria empurra-la.

E o que se faz numa praia de calhaus? Castelos de areia nao e certamente! Pratica-se o equilibrio e empilhação. 

A mensagem escrevi-a depois, num unico lugar em toda a Costa que revelou possuir alguma: Rotterdean. 

O tempo esteve de pouco sol e muito vento. Ondas agitadas.  

Nao fez mal. Gosto da natureza de todas as formas. Amanha volta o sol. Mas EU vou embora porque estarei a trabalhar ha uma da manha. 

Sejam felizes! 😊


 






 





 precisei carregar o telemovel 

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A minha capela

 São 9 da manha e nao podia estar melhor. Serenidade, paz e pertença. É como me sinto agora.

Estou num parque e ja visitei um belo jardim, com cachoeira, carpas e uma fauna maravilhosa.

Estar num jardim é para mim o equivalente de rezar numa capela. Faz imediatamente bem.

Apanhei um transporte rumo a Brighton. Uma cidade costeira perto de Londres. Agarrei na escooter e arrisquei que ma deixassem Trazer.

Ainda nao sei quais vao ser is meus planos. Para ja nao os tenho. Pretendo ver se um hotel perto do mar tem um quarto vago e se tiver, pelas 60 libras que cobrava online, ainda FICO por aqui.

O banco de jardim de onde escrevo, deitada e descalca, sobe sol e sombra.
 (A luz daqui é muito parecida ha de Lisboa). 


Vivo ha cinco anos neste pais e nunca sai do mesmo lugar. Esta na altura da menina da cidade sair da "aldeia" em que se enfiou. Que de bela tem pouco e cada vez fica mais suja e cinzenta.



terça-feira, 21 de setembro de 2021

Aquele presente

 -Senta-te e nao faças nada!

Penso que sera isto. 

Para voces qual a melhor coisa que se pode oferecer a uma dona de casa?


Cumprimentos 

 

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Um em cada dois homens e uma em cada três mulheres

 

Têm a probabilidade de vir a sofrer de cancro durante as suas vidas. 


O culpado? A introdução de químicos nas vidas humanas e a forma como se espalharam em todas as áreas, incluindo a do vestuário. O plástico que usamos que vem do petróleo, as roupas que usamos que contêm plástico, ao ponto em que os peixes que comemos e os animais de que nos alimentamos já nascem com pesticidas. Gravidezes que não saem como seria de esperar, porque existiu uma exposição indesejada a um qualquer químico. E o cancro... essa doença eternamente sem cura, que nenhuma vacina ajuda, nenhum esfreganço no nariz auxilia... a aumentar. 

Neste documentário disponível no youtube e para ver aqui:



quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Aqui JAZ...

 

Aqui jazem todos os 25+ post que muito desejei fazer nas últimas semanas mas não encontrei tempo. 
Acreditem se quiserem, mas acho que se perderam umas "pérolas" pelo caminho da responsabilidade em primeiro lugar. 

Tenho trabalhado muito, sem parar, sem folgas. Dinheiro a condizer? Nem pensar. Mas faço-o por gosto. Contudo, o meu organismo já me enviou um sinal de alerta: enviou-me vertigens súbitas, antecedidas por ouvidos semi-entupidos durante duas semanas.

Ah, claro, pensei que era das 12h30m enfiada naquela ampla sala com as barulhentas ventoinas de ar condicionado. E o ar em si, que me seca as vias nasais. Só comecei a ter estes sintomas depois de me mudar para esta sala. Provavelmente foi o rastilho. Por isso tenho de ter cuidado, pois já pedi umas 10 vezes se podiam desligar aquilo - pelos vistos não conseguem. 

Toda a espécie de barulho mais forte atinge os meus sentidos com uma amplitude maior da habitual. Preciso de repouso, ou então o meu cérebro vai repetir a façanha. 

Muitos tópicos ficaram por fazer: sobre as pessoas e os seus comportamentos, em particular. O tipo de post que prefiro. Pois então... vou tentar fazê-los quando me vierem à cabeça, para assim não perder essas "pérolas" aha.

Espero que estejam todos bem e com saúde.

Sintam-se calorosamente abraçados.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Cansaço e definicao do mesmo

 O significado da palavra "cansado" adquire outros contornos quando ja se acumulam alguns anos de vida. 

Nao significa o mesmo que o cansaço de um jovem de 20 Anos que tem de aparecer no emprego horas depois de terminar uma noite de Farra.

CANSAÇO...

Uma palavra comum, que adquire maior importancia e significado à medida que envelhecemos. Nao e mais uma coisa fisica é muito mais... espiritual.


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Escassez no Reino Unido: mais uma coisa em falta

 

Há coisa de mês e meio foi a água. Podem recordar neste post. 
Agora sabem o que é?

Tubos para colectagem de sangue!
Aqueles necessários para se fazerem análises. 

Acabei de ligar para o GP (médico) e tive uma consulta (convenientemente online desde que o Covid surgiu). Os sintomas descrevi-os por escrito quando fiz a marcação online na Livo app, três horas antes. Logo de início, a doutora diz-me que tenho dois sintomas distintos e só posso escolher um. Aqui surge a primeira condição que me desagrada neste sistema de saúde: eles focam-se num sintoma apenas. Então se tens muitos, esquece. Precisas de marcar uma consulta para cada um deles. O médico só vai focar-se num. Isso acontecia mesmo antes do Covid, com marcações no hospital.

A médica sugere que escolha o da mentruação - mas eu escolho o segundo - que me preocupa mais. Tem a ver, indirectamente, com o facto de me perguntarem se estou grávida, três dias seguidos, três pessoas diferentes. É aquela situação de "ar nas tripas" que mencionei em algum post anterior. Isso e ir ao WC cada vez que ingiro alimentos, com a agravante destes sintomas não terem passado em mais de um mês, fez-me imaginar que posso estar com algo que precisa ser descoberto. Daí fazer a marcação médica neste que foi o meu primeiro dia de folga em... duas semanas.

Seja como for, a escassez de tubos para análises ao sangue - disse-me ela com o maior à vontade, como se nada de relevante fosse, vai durar até "três semanas", diz ela sem qualquer alteração na expressão facial. O NHS - o sistema Nacional de Saúde do UK, só está autorizado a usar em casos de "life treatning" - risco de vida. 

Eu me pergunto, atónita, como isso pode ser possível.
Digam-me lá.

Expliquem-me porque sou ignorante. 

Se algo semelhante acontecer em Portugal, creio que a primeira coisa que se sabe é o porquê. Faz parte do básico no jornalismo. Aqui não dizem muito porquê. Não se focam nisso. Não gostam de criar "caus", pânico, então são blasés com tudo e simplesmente dizem "não há" "só daqui a quatro a cinco semanas" - como se fosse a coisa mais natural do mundo!

No que se focam é nisto: Dizer que o pessoal médico está a ser vítima de ABUSOS quando telefonam aos pacientes para lhes dizer que não vão fazer testes ao sangue. 

 É que aqui, se refilas, é visto como um hulygan e os que te atendem, mesmo se te provocarem, são uns coitados automaticamente rotulados de "vítimas de abuso" que aqui é levado sério e chamam a polícia se alguém te levantar a voz. Com isto não podes mostrar frustração, irritabilidade, ou és preso por desacato! Nem tanto ao mar nem tanto à terra mas... é uma forma de controlar as massas que, a meu ver, vai contra a liberdade de expressão. 

(Isto está a transformar a sociedade britânica em cordeirinhos comedidos, que, à frente de todos são obedientes, mas que por detrás aprontam das suas e para expressar as suas frustrações consomem cada vez mais drogas leves e pesadas).

Não há um responsável para fazer um inventário de material?

Compreendo quando existiu escassez de luvas, máscaras, gel desinfectante - porque se deu uma pandemia e a necessidade quadriplicou subitamente. Mas tubos para sangue?? Nem foram tão usados devido à pandemia em si! Ninguém podia ir para o hospital a menos que estivesse a morrer. 

Não compreendo. Não esperava tal situação num país desenvolvido como o Reino Unido. Fiquei de boca aberta. Fui pesquisar e a situação não é nova, já dura há duas semanas. 



Duas semanas! Ela disse-me que provavelmente ia poder fazer o teste ao sangue daqui a três. Se for a tomar como exemplo o caso da água - em que me disseram uma semana e foi três, vai demorar dois meses para que todas as pessoas deste país que tenham testes ao sangue para realizar, vejam as suas necessidades correspondidas. 


Os britânicos gozam de boa fama em muitas coisas. Pontualidade é uma delas. É falso. Mas totalmente F A L S O. 

Estão-se a borrifar para a pontualidade. Até para sair não são pontuais. Gostam de sair mais cedo. Vejo pelos jovens. Mal encontram um emprego baldam-se e os adultos são os maiores culpados, por serem indulgentes com este tipo de comportamento. Faz cinco anos que vivo aqui e não tem existido excepção à regra. 

Não são preparados para todas as emergências - ou não existiria falta de um bem essencial como água e tubos para colectar sangue. A única coisa verdadeira sobre os britânicos é aquele poster feito durante a guerra, para acalmar a população caso o país fosse invadido pelos nazis:

Keep calm and... carry on. 


                                          " calma e prossiga"


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Ter 32 anos


Trinta e dois anos foi a idade que um colega de 24 anos me deu hoje. Já passei dos 40. Por isso quando me dizem isto fico a pensar que andam todos doidos. Estranho porque depois percebo que falam sério e estão convencidos que acertaram ou estão muito próximos. 

Bem que digo: a luz artificial no UK é ruim pra caramba! 

Ainda bem que não vivo no centro de Londres onde existem filas de lojas bem iluminadas ou centro comerciais a brilhar de luz. Aha.

Já há semanas um rapaz disse-me que eu parecia ter idade para ser uma colega sua da universidade. A minha reacção? Simular um disparo na cabeça em tom de "estás a ser irónico, não estás?". Mas não estava. 

Algo na água do Reino Unido, ou na comida, ou na bebida, ou no sei - lá o quê, confere aos seus habitantes uma percepção de certo modo, lisonjeadora sobre a idade das pessoas que vêm de fora. 

Estou quase a bater à porta dos 50. É isso que percebo, é o que o meu BI indica. Embora não o sinta, tenho consciência que estes se aproximam, são a nova etapa. O que percebi, contudo, é que 32 anos é capaz de ser a idade que teria se tivesse começado a pisar o meu caminho mais cedo tal como pretendia. Se subtrair da minha vida os anos mortos - que totalizam 10 ou 12,  e que, de certa forma, onde estagnei, é aí que me encontro: tenho 32 anos.  

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Será que sei comer?

 

Quando era criança lembro-me perfeitamente da minha mae a tirar-me o garfo da mao e a ser ela a empurrar com o garfo grandes pedaços de comida no prato e a enfiar-me na boca.

-"Vá. Despacha-te! Demoras tanto tempo!"

-"Va. mastiga! Engole!"- e empurrava mais comida pela minha goela a baixo.

- " Mas mãe, eu já tenho a boca cheia. Da-me tempo para mastigar!"

- "come e cala-te".

Mais tarde o criticismo evoluiu para: "és sempre a ultima! Todos os outros ja acabaram de comer so tu é que ainda estas aí.  Vá! Despacha-te. Estamos todos à tua espera!". Em adulta o comportamento alterou-se para: "não esperamos por ti". Ainda eu estava a saborear a refeição, ja eles iam para a sobremesa e depois levantavam-se e deixavam-me sozinha. 

Não me considero lenta a comer. Acho que eles é que eram capazes de ser rápidos demais. Se hoje sofro de ar no intestino, li que tal pode dever-se a uma prática errada de mastigação. Como por exemplo, não mastigar o número de vezes suficiente. Visto que fui educada "mastigar rápido, engolir e calar" - percebo agora que posso ter crescido sem ter realmente aprendido a comer como se deve.


terça-feira, 31 de agosto de 2021

Acham que estou grávida?

 

Estás grávida? - ouvi três dias seguidos. 

Nunca achei que ia sentir-me ofendida caso me fizessem esta pergunta. E não sinto. Mas que ma tenham apresentado três dias seguidos deixou-me a pensar. Minha mãe sempre me disse: "não andes com os bolsos cheios pareces uma saloia!". Porque me acrescentava mais volume exatamente na zona onde não preciso: ancas. 

Agora tenho o hábito de prender o telemóvel e as chaves à cintura, entre as calças e o corpo, já que não tenho bolsos. Fazendo assim mais volume na área abdominal - outra zona do corpo onde não preciso de criar essa ilusão aha.

Mas será que a dedução de gravidez surgiu daí?

Vejam por vocês mesmos e digam do vosso parecer.

Sempre me achei com barriga, factor que me fez usar roupa acima do meu número na minha juventude e andar sempre de casaco. Hoje vejo fotografias minhas e concluo que estava bem mas não sabia lidar com a mudança do corpo. Não recebi nenhuma orientação, senti-me alvo de assédio constante, daí me sentir mais confortável com roupas largas e um look discreto. Também andava com o cabelo apanhado para não o revelar ou  permitir que enquadrasse o meu jovem rosto de uma forma mais atractiva. 

Ainda ontem, no emprego, apanho um homem a seguir-me com o olhar, como que a pensar: "Quem é aquela?". Tudo porque soltei o cabelo e pronto... a pesar dos sinais de que está prestes a esvanecer na cor, ainda tem alguma magia na forma como se balanceia com o movimento. 


Ultimamente tenho me sentido inchada. Sofro daquela coisa embaraçante - caso permitisse que fosse pública, que é ar nas entranhas. Daí ir com frequência ao WC. 

Agora alimento-me com as refeições providenciadas no novo emprego de 12 horas. Que não variam quase nada entre si. Consistem em arroz, ocasionalmente massa, junto com carne cheia de molho e picante. Eu e o picante nunca nos demos bem. No primeiro dia de trabalho, esse pequeno gosto de algo picante teve efeitos imediatos. Quando fui ao WC fiquei quase um minuto a "esvaziar o pneu" se é que entendem a analogia. Nunca em toda a minha vida tinha experenciado uma coisa assim. Pareceu-me uma cena de um filme de comédia americano e eu nunca achei piada a cenas dessas. Durante o turno inteiro, segurei-me e fiz idas regulares ao WC. Mas esta sensação de inchaço pode significar alguma coisa em termos de saúde. Se calhar devia averiguar. 


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Vocês também Tangavam?



Há duzias de anos que nao encontrava mais nas prateleiras dos supermercados este po para sumo da Tang. Quando era menina Tang estava quase sempre presente nos refrescos caseiros. Era usado em todas as festas de aniversário. Nesta ultima ida a Portugal encontrei-o a venda num supermercado tradicional. 

Trouxe-o comigo e hoje foi o dia em que me apeteceu beber. E nao é que gostei?

Temi ja nao gostar ou que o sabor fosse rançoso. Afinal acho os comuns sumos de supermercado rançosos e continuo a gostar do meu Tang :)


domingo, 29 de agosto de 2021

O que é amadurecer?

 

Amadurecer pode muito bem ser o não me importar de andar sem casaco onde quer que vá quando na juventude não ia a nenhum lado sem casaco. 

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Mariquinhas pé de salsa

 

Estava a observá-los a fazer a si mesmos a colheita de muco nasal. De pé, a olhar em frente, a enfiar a zaragatoa no nariz, sem sequer inclinarem a cabeça para trás. Pergunto-me porquê tanta resistência à ideia de o fazer correctamente. Custa assim tanto inclinar a cabeça para trás?

1) Inclinar a cabeça para trás:
Fazem-no voluntariamente quanto têm de aplicar gotas no nariz. E isso sim, é uma sensação desagradável. Líquido a entrar na cavidade nasal! No entanto, não se queixam e lá vai a cabeça para trás. Porque é que, tratando-se do Covid-19, um vírus altamente contagioso, sem cura e em alguns casos, fatal, esse gesto é recusado? 


2) Enfiar coisas no nariz:
Minha mãe está sempre a lembrar-me: quando era criança enfiava coisas no nariz. E o clássico "dedo dentro do nariz?". Natural até nos bebés.

Não há vez em que esteja na paragem do autocarro ou dentro de um, em que num automóvel parado no semáforo não veja um gajo a escarafunchar ali dentro como se não houvesse amanhã. Uma visão altamente repulsiva e condenável. Julgam-se invisíveis? Pensam que, por estarem dentro do seu espaço pessoal, que ninguém repara no que fazem. E por isso fazem com total à vontade. 


Sim, gajos. É NOJENTO. 
Façam-no em privado, sff.

Mas já que não se incomodam de enfiar o dedo pela cavidade nasal e andar a brincar por lá, porquê a resistência ao uso de um cotonete?

Se inventassem uma brincadeira bem porca envolvendo enfiar coisas no nariz, tenho a certeza que estariam a inclinar a cabeça e a levar com coisas dentro da cavidade nasal com joio. 

Mas como se trata de uma imposição, por um motivo de saúde... perde a graça.

Acho que as pessoas não se apercebem que estão a ser imaturas e infantis.


A mim não me custa absolutamente NADA enfiar a zaragatoa pelo nariz. Não desgosto. Não incomoda. Gosto de perceber a que profundidade esta pode ir. Até dá uma sensação agradável - no sentido de que se andou ali a fazer uma "limpeza à casa". Fica uma sensação Zen

Se inventassem um ritual holístico para melhorar as energias ou acabar com as dores de cabeça, dores de coluna, cansaço nas pernas etc que envolvesse uma zaragatoa a ser enfiada pelo nariz por um médico qualificado e especializado, pagando por isso uns 200 euros, iam as gajas todas a correr ao consultório do charlatão!

E os gajos? Que tanto gostam de se divertir a enfiar os dedos por ali a dentro quando parados no trânsito? Se calhar os gajos deviam profundamente enfiá-las mais vezes pelo nariz... quem sabe deixassem de ser totalmente propensos a ressonar?

"Enfiem-nos" até o cérebro, rapazes!

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Nova ocupação suscita considerações



Tenho curiosidade em saber como será viver numa sociedade nórdica. Existe uma reputação tão boa a respeito da forma como tudo está estruturado lá para o Norte do Norte do equador, que dei por mim a achar que não pertenço por onde tenho andado. Pelo menos não nesse sentido.

Desde a semana passada arranjei uma ocupação nova. Estou num hotel a fazer Test-and-trace aos funcionários para o vírus do Covid. Um trabalho temporário (como é evidente) mas que me está a dar um gozo imenso. Também está a abrir-me os olhos. Em mais que um sentido.

1) Constatei, por exemplo, que desde que cheguei ao Reino Unido (cinco anos!) nunca tinha tido um emprego semelhante. Um em que faço pouco e não me canso nada. E ainda sou bem paga. Além disso, trabalho sentada. Não faço quaisquer esforços físicos extremos.

Isto é o oposto de toda a ocupação que arranjei até hoje. E estou a gostar. Trabalho fácil... finalmente descubro-lhe o gosto. (por isso mesmo não vai durar).

2) Esperava, num lugar onde tem de se desinfetar tudo, usar máscaras, luvas e testar todos os funcionários para a presença do virus do Covid, encontrar um esquema de organização fixo e regras específicas para se seguir. Qual quê! Fico pasma como tudo funciona como um outro emprego qualquer. Uns fazem corpo mole, chegam horas atrasados e desaparecem durante o expediente. Outros trabalham mais, cumprem as regras e fazem por as seguir quase à risca. E os empregados a ser testados não se esforçam para colher uma amostra eficaz de células nas vias respiratórias. 

Imaginei então se seria assim em qualquer lugar. Ou será que algumas sociedades são educadas para levar este e qualquer outro tipo de emprego muito a sério, seguindo à risca todos os procedimentos para se evitar contra-contaminação e não deixarem passar nenhuma pessoa com COVID para o meio de outras saudáveis?


Será que na Suécia seria diferente? Noruega? Filândia? Mesmo na Alemanha

Bom, enquanto vos deixo com esta reflexão, vou descansar. Porque daqui a 10 horas estarei novamente pronta a receber aquela zaragatoa no tubo onde despejei algumas gotas de uma solução misteriosa, para depois colocar mais umas gotas na swap que em segundos faz surgir uma linha. Depois digo à pessoa "pode ir" e é esta a minha nova ocupação Aha.

PS: Nisto de estarmos cheios de cuidados, foi possível, a semana passada, detectar um outro vírus - altamente contagioso, que, não sendo o Covid, é também perigoso. O nome não me recordo. Mas foi preciso desinfectar tudo e a médica - presente no local por causa da ameaça do Covid, apareceu para se certificar que o contaminado não espalhou o virus. Graças ao Covid, outras maleitas podem ser apanhadas a tempo. 


sábado, 21 de agosto de 2021

A mesa para oito

 


Sentada sozinha olhando em frente senti-me a contemplar a vida através da constatação de que todas as pessoas a conviver à volta desta mesa redonda onde cabem oito, existem porque as originei. Consegui sentir-me mais idosa nessa sensação que tive.

Mas nunca vai acontecer. 

Não gerei vida. O que o futuro me traz é a realidade da mesa como está agora: vazia.



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Mais caro porque tem mais qualidade?

 O grande comercio foi invadido por grandes marcas. Vim falar de gelados.

Varias idas aos supermercados a procura de algo novo tem saido frustradas. Marcas sao sempre as mesmas - duas ou tres, onde nao importando o tipo de gelado que publicitam, o entusiasmo morre a primeira saboreadela. O  sabor e a substancia assemelha-se entre si.

Desisti. Ate que um dia vou a loja dos 300- agora transformada tambem em mini-mercado, e encontro diversidade em gelados e marcas desconhecidas. Decidi provar. 

Nossa! Descobri que mais vale barato e desconhecido do que mais caro e de marca popular! 


Nao so os gelados que encontrei sao, na minha opiniao, de qualidade superior aos das marcas mais comuns, como custam menos e vem em embalagens com maior quantidade. 

Se tivesse espaco ia agora fazer stock de gelados - ja que o verao passado estes nao se viam em lado algum nas prateleiras. Nao va esta subita variedade e qualidade eclipsar-se.

Provei uns cornetos da Nestlé que, tendo um creme bom, chegando a parte da baunilha pareceu-me que estava a mastigar papel.

Estes que comprei mais baratos- seis por uma libra, nao so sao melhores, como tambem sao mais generosos. Sao maiores e a parte de bolacha baunilha faz lembrar a tradicional, grossa e saborosa. Ve-se a dobra e tudo, ao inves de ser um cone com encaixe perfeito. A berma foi mergulhada em chocolate e o topo vem bem cheio de pepitas desse sabor. Nos gelados tradicinais geralmente so na imagem na caixa se ve algo assim. Quando se abre o gelado aparecem duas...

No final, quando so se fica com aquele pequeno cone de baunilha, o gelado nao decepciona: tem uma generosa quantidade de chocolate para trincar - ao contrario dos famosos cornetos da ola, que faz anos que sao so uma gotinha. Vejam so estas fotos da cremosidade e consistencia deste corneto de baunilha, pistachio e chocolate. 

 








quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Modas em penteados


 Afinal a atriz Carrie Fisher que popularizou o penteado "Donut" no filme star wars não foi de todo pioneira do mesmo no cinema! Aqui ficam umas imagens de um filme disponível no youtube onde a personagem feminina usa com orgulho o seu penteado da moda. Ano: 1949.




Lembram-se de algum outro penteado visto em cinema ou televisão que tenha entrado para a história? 




domingo, 15 de agosto de 2021

Visitas indesejadas

 Estava a olhar para ele. Algo verde, na embalagem de plástico, mas sem realmente olhar. Reflectia em nada enquanto decidia iniciar a degustação de pão com alho. Estiquei o braço para o alcançar e nisto aquele borrão verde salta e desaparece.

O que era aquilo?

Um bicho? 

Argh! Aflige-me dividir o meu espaço privado com bichos, à noite. Ainda mais no quarto. Faz-me impressão.

Procuro por todo o lado, acendo a luz do teto. Será que vi bem? Não encontro nada. Só um gafanhoto é verde e salta daquela maneira. Mas não podia ser um gafanhoto. Nunca aqui vi algum! Ainda mais aparecer dentro de um primeiro andar de um quarto. Quis acreditar que deve ter sido o plástico que deu de si e algo verde foi projectado. 

Quis acreditar até que volto a alcançar o pão e noto algo movimento no improvisado abajour que coloquei na lâmpada da cabeceira para esbater a luminosidade.

Ali estava ele: um senhor gafanhoto!
Verde, pernudo, a roçar uma das suas pernas na outra. 
Porque será que eles fazem isso?

Uma vez vi uma gafanhota a colocar ovos. E se o gafanhoto fosse uma gafanhota e quisesse depositar ovos no meu quarto? Nunca mais me viria livre de minusculos, verdes e saltitantes pragas!

A visita noturna: peluda, pernuda e com antenas três vezes o tamanho do corpo


Procurei à volta o que poderia usar para o capturar. A ideia era soltá-lo na rua. Mas o desgraçado refugiou-se perto da lâmpada. Não tive outra hipótese senão puxar o papel/abajour e "entalá-lo". No processo senti algo tocar o meu braço.

Acho que o capturei. Mas não tenho a certeza. Os malandros dão saltos como pulgas. 

Agora fico a pensar o que o meu quarto tem de especial porque atrai os mais invulgares insectos. Aqueles que menos se espera encontrar. Entre Outubro a Janeiro, apareceram constante joaninhas. Ponderei inclusive criar um habitário para as poder observar. Agora aparece um gafanhoto!

Estava para terminar este post quando olho para o teto e lá no canto o que vejo? Uma ENORME aranha!!

Tento capturá-la. Esborrachar se preciso for. Tapo-a com um papel mas quando vou levantar, a malandra salta para trás da cabeceira da cama. Bem tento desviar tudo para a capturar. Mas foi em vão.

São quatro da manhã de Domingo. Desconfio que não vou dormir sossegada esta noite. 

A outra introduziu furtivamente a companhia de um gajo na cama. Eu tenho uma grande, preta e furtiva aranha!


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Klimt, Da Vinci, Michaelangelo e Monet: videomapping em Lisboa - arte

 Como me apetecia estar em Lisboa para ir visitar o Reservatório da Mãe d'água para poder ver o espetáculo de video-mapping que exibe em luz e cor obras de arte de Michaelangelo, Leonardo Da Vinci, Claude Monet e o meu Klimt! 

Este fantástico mas curtíssimo evento só está disponível até o final de Agosto e tanto me apetece lá estar que estive mesmo a considerar apanhar um avião e ir. Só que lembrei-me das condições actuais para se viajar: fazer um teste do Covid... preencher o formulário de embarque e comprar outro teste in loco. Mais o bilhete da viagem (mesmo que ficasse por 60 libras), mais o teste ao 8º dia.... 

Oh, como gostaria! Não só por este evento mas por outros, pois Lisboa está a acordar das trevas Covinianas e a florescer na sua identidade cultural. Vão existir concertos, oportunidades únicas de visitar jardins fora de horas e tantas outras actividades de dar água na boca. 

E pelo que percebi, com preocupações em relação ao distanciamento e higiene que os tempos correntes exigem. Ainda melhor! Pois adoro ir a sítios mas multidões a roçar em mim ou a causar enorme reboliço e ruido não faz o estilo de ambiente que procuro. Ponham todos a 2m de distância e estou no céu!

Imaginem-se a ir visitar a Torre de Belém, os Jerónimos, qualquer local sempre a abarrotar de turistas... impondo estas regras. ADORO!
Ao invés daquelas multidões em que mal te podes mexer. Nem tudo no Covid foi mau. Mau é saber que não se vão tirar as lições que o vírus trouxe. Não é assim que se diz que Deus funciona? Escreve certo por linhas tortas? Nos dá provações para que aprendamos mais depressa lições que teimamos em não tomar?

Estou mesmo a ver que só depois da reforma... 

Serei uma idosa em todo o género de evento que costuma ser maioritariamente afluído por sub-vintes. Ahah.

A projecção das obras nas paredes e espaço do reservatório nos Amoreiras deve ser algo fantástico. Creio que vale mais a pena ver um espetáculo destes em Portugal do que aqui no Reino Unido (não sei se está algum a decorrer). Além de que decerto o preço dos bilhetes é bem mais acessível. Vi uma vez um vídeo e achei que o local onde projectavam as obras diminuía o impacto da experiência quando comparado às ruinas do Convento de Mafra ou ao que imagino ser a projecção nas paredes do reservatório. 

Mas só indo a estas coisas para descobrir!
Alguém está interessado?  

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Retorno de impostos

 Coincidencia ou nao, no ano passado recebi uma chamada fraudulenta dizendo-me que cometh fraude com os impostos e se nao pressionasse um certo numero a policia ia bater-me a porta. 

Liguei para as financas e disse:

- EU, dever impostos? Se alguma coisa ha sao voces que me devem dinheiro! Pago tantos impostos.

Vai que neste final de ano fiscal- que aqui acontece em abril, para minha surpresa recebi 122 libras de volta.

Acho que nao foi coincidencia 😂

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

E agora, também e do Covid?

 Ha DUAS SEMANAS que a prateleira das aguas no supermercado está assim:

P

Onde vim parar? Por vezes nao sinto que estou a viver no Reino Unido progressista, avançado e inovador  que ouvia falar aquando no meu país. É que em Portugal jamais me recordo de ver tal coisa no maior supermercado local. 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Blues de fim de verão

 Sinto-me triste. Sao 21.30h. Caminho para o emprego tal como fiz outras vezes a esta mesma hora, dois meses antes. A diferença é que agora  está escuro como o bréu e antes a luminosidade era plena e tao agradável.

Não começaram qgora, estes blues de fim de verão. Já tem talvez um mês que fui notando  a claridade dos dias a encurtar.

Não me incomoda o frio, a chuva wue tem sido diária, nem o inverno. Gostava que pudessem existir com mais tempo de claridade. So isso. 

Música Clássica

Estava no youtube a ouvir uma colectânea de música clássica e a curtir "bué" quando subitamente reparo que a melodia que escuto já há algum invulgar tempo, não me agrada tanto quanto as outras. Vou espreitar o compositor: Beethoven. 

Solto uma risada interior. Só podia...

Quando mais nova perguntaram-me "Qual gostas mais"? - referiam-se a dois diferentes estilos de compositores, onde de um lado estava Beethoven e Mozart e do outro "os outros". 

Escutei excertos e pediram-me para escolher, dando a conhecer a sua preferência pessoal por Beethoven e Mozart. O meu coraçãozinho de oito anos gostou mais das outras. Mas a pessoa pareceu-me interessada em que a minha preferência fosse para Beethoven. Então respondi que gostava da mesma melodia que ela.

Não é que não goste de Beethoven. É dele a melodia que primeiro me emocionou profundamente, sem entender o porquê, que até me deixava muda e introspetiva, cidrada na música. Sem dúvida um compositor sem igual, dentro do seu estilo único e um génio. Claro que gosto. Mas outras composições de outros compositores levam-me mais depressa às emoções. É como se cada nota pudesse ser sentida e tivesse equivalência emotiva. 

A melodia de Beethoven da qual não estava a gostar tanto? Qual é? - pergunta vocemecesses

Sinfonia Nº3 em E Maior. Também conhecida por "Eroica". 

Dizem os peritos (aqueles que sabem tocar e ler música, o que não é o meu caso), que se trata da melhor composição de Bethoven. É um marco na música clássica, porque foi inovadora no estilo, na duração e desafiante. Até então ninguém tinha apresentado composições como aquela e é também a primeira no estilo romântico. 

Composta entre 1803 e 1804 o que eu não sabia mas fiquei a saber é que esta peça musical foi dedicada a Napoleão Bonaparte, e tinha como título o nome de Napoleão. Beethoven identificava-se com os ideais políticos do então primeiro-concil Napoleão Bonaparte e acreditava no conceito anti-monarquico francês. Mas aí Napoleão auto-proclamou-se Imperador de França e Beethoven, enraivecido, rasgou o cabeçalho da pauta, dizendo que afinal ele era como os outros, que ia ignorar o povo e oprimi-lo. 

                         A página aqui apagada até rasgar onde o nome de Napoleão aparecia

Ah, saber que Napoleão chateou Beethoven tal como me chateou a mim quando fui procurar os acervos de registos de casamentos que não existiam numa certa região de portugal porque o sr. "imperador" francês invadiu-nos e destruiu tudo...  Beethoven, estou contigo. 

E assim se aprende tanto sobre história, com uma simples melodia clássica romântica.

Acho que os meus gostos em música clássica têm actual equivalência aos grandes gostos populares por rock. Eu curto mais outras músicas. Não sou tanto main-stream :) 


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Rocha negra e possessividade masculina

 Uma rocha. É o que ponho o meu cérebro a visualizar cada vez que este liberta emoções recordando os afectos do passado. Engraçado.. à pouco li um dizer sobre paixão/versus amor. Não gosto de usar esta última expressão que é tão íntima e reveladora, mas certamente que foi essa que senti. 

Adiante.

Decidi visualizar de imediato uma pedra. Do tamanho de uma rocha. E não sei porquê, a pedra surge na cor negra. E assim, com este pequeno exercício, consigo impedir o meu coração de enveredar por sofrimentos que, quando chegam, continuam devastadores na sua intensidade.

A eficácia da técnica supreendeu-me.
A ideia surgiu-me do nada. E ajuda. 

 Rezas, tantas rezas... Não imaginam a quantidade de rezas, de súplicas, de desespero... Nada resultou.

Visualizar uma pedra. 

---

post Bónus: O tipo no Supermercado

Algo que me faz recordar este episódio é encontrar um certo indivíduo no supermercado. Faz dois anos e o tipo continua a ir ali, a demonstrar o mesmo comportamento, a fazer a mesma coisa. Repulsa-me e faz-me sentir intensamente a falta do outro. O indivíduo, como acho que já contei aqui, pediu-me o número de telefone um mês antes de conhecer o outro. Pensei que era por razões de trabalho e quando me ocorreu que poderia ser com intenções românticas, logo lhe disse para tirar o cavalinho da chuva porque não tinha hipótese. Isso levou a confidências nunca antes expressas em voz alta e ele a insistir em contrariar a minha convicção. 

Ficou com o número de telefone, mas não ligou. O que achei melhor. Entretanto aconteceu. Com o outro. Mas este foi embora cortando todo o contacto sem qualquer explicação. E quando estava mais na fossa - como dizem os brasileiros, mas mesmo, mesmo, mesmo no PICO desta - por duas vezes - o telefone tocou nesse mesmo instante. Quem era? O homem do supermercado. TRÊS meses se passaram desde que me disse que ia ligar. Achei muito cara-de-pau mas não levei a mal. Ouvi o que disse e continuei a atender as suas chamadas. Porem o conteúdo da sua conversa não era adequado. Ao me saber apaixonada disse: "Foste abrir as pernas a outro? Mas eras minha! Eu é que abri caminho e outro é que ganhou o prémio? Não é certo".

Ainda assim, tendo ele pronunciado estas palavras, coloquei de lado a severidade das mesmas - tendo em conta que eu nada lhe era, nada nunca lhe fui, só lhe falei uma vez e lhe disse na cara que não estava interessada. Achei que era forma de falar mais do que outra coisa. Errei. 

Quanto às chamadas - sempre feitas ao fim-de-semana e sempre naquela altura em que eu ia cometer uma loucura por não aguentar mais - devo acrescentar que nesta altura, apesar dos meus esforços para não trespassar o sofrimento interno para fora, algo no nível das feromonas deve libertar-se para a atmosfera porque nunca antes tanto homem apareceu interessado em ser "amigo" e eu nem os podia ver. 

Só me repugnava ainda mais. O meu sentimento tinha um só designatário.

Isto para chegar à passada sexta-feira. Estava no supermercado a ver uns produtos expostos na prateleira. Um homem posiciona-se ao meu lado a fazer o mesmo. E pede para trocar-mos de lugar, visto que eu estava a esticar o braço para alcançar algo do lado dele e vice-versa. Temos uma breve troca de palavras. Ele diz-me que é da Mauritânia e explica assim o gosto por comidas picantes. Nisto percebo pelo canto do olho a presença do "outro", a olhar para mim e a prestar atenção à interacção. Ele está com aquela expressão: "Estás a ser simpática com outro? Eu estou primeiro!". 

Cortei de imediato a interacção e deixei de ser quem sou - afável e cordial, por me saber sobre observação e também por não estar mesmo nada interessada em interagir com homens no supermercado (ou no geral). Aprendi - se é que aprendi - que não faz mal "cortar" pessoas. Aparentemente é pratica que todos fazem. Achava-a imoral e covarde. 

Deparei-me com consciência de quem queria e de quem não queria na minha vida. A primeira coisa que fiz foi bloquear o número de telefone deste gajo do supermercado. Sei que tentou ligar-me muitas vezes mas nunca que conseguiu porque o bloqueei. Devia sentir-me mal com isso, mas não senti. 

Devo-o a ele. Esta frieza que não fazia parte do meu ADN. 

A substituição de uma certa inocência que me fazia não julgar as pessoas por meia-leca de interacções para a prática de as cortar.

Ando pelo supermercado e perco algum tempo a olhar para a prateleira dos inseticidas. Tenho a casa infestada de mosquitos graças às práticas um tanto "badalhocas" de alguns colegas. Nem o lixo sabem levar para fora de casa e deixam restos de comida por todo o lado. Mas isso é um à parte. Estou no supermercado nesta seccção e nunca, jamais, que esta é frequentada por aquelas pessoas que mencionei. Porque essas vão lá para obter as promoçoes que são exclusivas da secção da padaria, carnes e vegetais.  Os insecticidas ficam bem longe. Estou concentrada a ler o rótulo de uma embalagem e quando me vou mexer, vejo-o a observar-me. Seguiu-me até ali. Ficou indeciso se devia abordar-me ou não. Já o fez anteriormente e eu mostrei-me desinteressada, seca e monossilábica. Não lhe falo. Não quero lhe falar, nem sequer dizer "olá".

E faço muito bem. Porque o que notei a sobressair foi a possessividade, o oportunismo... Viu-me a sorrir para outro achou logo que estava com boa disposição e se metesse conversa comigo ia estar receptiva à sua conversa de treta. 

Nunca seleccionei as pessoas que entravam na minha vida. Fui aceitando. 

Ainda não as selecciono. Permito que muitas que não deviam estar continuem. Mas não procuro quem poderia acrescentar algo à minha pessoa. Sou sempre eu a acrescentar à outra. E isso, com os anos, desgasta. Apaga a pessoa e até as suas qualidades, que desaparecem como que pedaços de rocha com a força das águas e do vento. Precisas de alguém que acrescente e complemente. Que as desenvolva. Isso é raro. Provavelmente não vai acontecer. Mas se esta experiência é-nos dada por Deus para que aprendamos algo, acho que estou no caminho certo. Talvez devesse aprender que não posso acolher todos os "rafeiros" que me aparecem. Tenho de me valorizar, tenho de gostar de mim.  


domingo, 1 de agosto de 2021

De roupão azul a entrar no quarto da M.

 Até hoje não tenho coisas minhas na casa-de-banho, porque a M. quer o espaço todo para si. 
Hoje reparei que uns produtos de higiene masculinos pareciam ter sido mexidos. Só que... o rapaz não está cá. E reparei noutra coisa: estas embalagens de produtos masculinos estão juntas às embalagens dela. Coisa que ela jamais ia permitir. Tem nojo. Não gosta.

Foi então que me ocorreu - e fiquei escandalizada: são coisas para o gajo dela usar!

É que o apanhei de roupão azul, a entrar no quarto dela. 
Sábado para Domingo... nunca falha. 

Mais cedo ela fez um estardacéu pela casa inteira... barulho atrás de barulho, um sobe e desce escadas constante que acaba por entrar no teu sistema nervoso. O bater de portas, entra e sai... duas horas disto. Dá-me vontade de abrir a porta do quarto e gritar-lhe: "Mas que raio de barulhos andas tu a fazer?!"

Mas nada digo. 
Agora já sei. Aliás, já sabia. Quando ela se põe a aspirar, ou a limpar... é porque o que a preocupa é a imagem que ela projecta para alguém de fora. 

E nisto percebi: Eu não tenho coisas minhas no WC e o gajo já tem!

Que lata. 

Mais cedo escutei alguém a entrar no WC, abrir o chuveiro, deixar a água correr por 15 minutos (e eu a querer ir à sanita e a esperar) mas eu pensei que estava dentro do WC. Quando oiço alguém entrar. 

Desci à cozinha com um rolo de papel higiénico para usar o WC do piso de baixo. Nisto sou surpreendida pelo chão todo encharcado. Pingos de água caem do teto para o chão. Já sei o que se passa: é água do chuveiro. Quando mal direccionada verte para o andar de baixo.

Subi, bati na porta do WC e disse: "M..... M? Desculpa incomodar. É só para dizer que está a cair àgua na cozinha novamente". 

Esperava da parte "dela" algum sinal de vida. Uma atitude do género: "OK, vou prestar atenção". Mas não obtive qualquer resposta. Nem um som. 

Agora percebo porquê: não era ela que estava no duche.

Foi ela que o preparou mas depois...o gajo é que lá se enfiou.

E dizem que uma pessoa extra não atrapalha? Claro que sim. 

Teria ido ao WC em um minuto e tive de esperar 20, até decidir ir à de baixo. Inundou a cozinha - tive de andar a limpar com o balde e esfregona. Tem produtos de limpeza na casa-de-banho, ocupando espaço que de si é pouco. 

E nem sequer mora aqui. 

Um "anexo" é sempre uma inconveniência. 
E a M. -tão cheia de moral com todos, é uma grandesíssima hipocrita.