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terça-feira, 22 de março de 2022

Benjamin Button

 

A minha vida comecou ao contrario. Tal como no filme estrelado por Brad Pitt.

Na historia, quando Benjamin e uma crianca, e quando sente atracao por manter relacionamentos com pessoas mais velhas e demonstra interesse e conhecimento por assuntos abragentes, desde arte a politica.


 Quando tinha um aspecto de idoso, tinha uma mentalidade mais infantil e era mais limitado. Tambem se sentia jovem, com ansias para se aventurar no mundo e fazer descobertas.


Nao fosse pelos sinais do tempo e eu diria que me sinto mais jovem do que quando era jovem. Tambem sinto vontade de me aventurar em coisas que nao imaginei antes.

Uma vida ao avesso.

Alguem desse lado no mesmo barco?

terça-feira, 12 de maio de 2020

Gostava de voltar aos meus 25 anos


Gostava de voltar a ter 25 anos apenas pela quantidade de tempo que ainda ia ter para colocar a minha vida nos eixos.

Sabendo o que sei hoje porque a experiência de vida mo fez vivenciar, gostava de poder "recomecar". Acho que esta ideia deve passar na cabeça de todos nós. Até mesmo na cabeça dos que estão felizes e não mudariam nada nas suas vidas.

Não que queira mudar. É mais querer viver com mais controlo da minha vida e, em situações pontuais, fazer outras escolhas. As que queria fazer o tempo todo e não fiz, por dar ouvidos às opiniões alheias e ceder a pressões familiares.

Uma das coisas que mais me disseram da pré adolescência ate os 25 anos, foi a frase: "Tens tempo".

"Deixa-te estar, tens tempo".

O que significa, adia, fica passiva, espera... tens tempo.

Pois o maior pecado que se pode cometer é desperdiçar tempo. Se tens em ti algo que precisas ver acontecer, não adies. Vai atrás.
Não é por teres 18 anos que "tens tempo". A vida são momentos. Se os deixarmos passar porque "outros  certamente virão", comete-se o pecado do desperdício.


No fundo, sinto-me confortavel com quem sou e não desejo voltar a passar pelas lutas que travei. Mas gostava de emendar algumas coisas. Talvez numa segunda chance, saísse vitoriosa?

Mal a outros nunca fiz, pelo menos intencionalmente. Se soubesse que, involuntariamente, tinha magoado profundamente alguém, ia resolver a situação. Não há necessidade de nos estarmos a odiar uns aos outros, a maior parte das vezes sem motivo ou com base em difamações injustas.  Sei o que é ter o nosso estado de espírito magoado por injustiças ou mal entendidos.  Morre-se por dentro. Dói. A minha natureza é desejar ir logo esclarecer tudo, deixar tudo bem. Tirar aquele "peso dos ombros" e sentir como subitamente o bem estar regressa em pleno.

Há  tanta gente que me deixou com mágoas que até hoje se fazem sentir. Pergunto-me quantas o fizeram sem perceber.

Voltava atrás no tempo para poder  ter a filha que sempre desejei. Que hoje já estaria a dar-me netos.

Estas fantasias... sinto-as como algo que era suposto ter acontecido. Estavam no meu caminho. Algo me desviou dele.

Lido bem com isso, apenas tem alturas em que se fica a imaginar o que teria sido a vida com diferentes escolhas.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Ah.


Entendo as Rebeccas deste mundo. E quanto mais vivo, mais admiro e vejo o quanto são necessárias.
Refiro-me à personagem criada por Daphne du Maurier. É tão interessante... uma mulher que não existe. Mas que é personagem mais forte de toda a história. E que usou os homens porque os achava uns idiotas, por se encantarem com a sua beleza. "São todos uns estúpidos!" - acho que a certa altura surge citada pela governanta.  



E eu entendi. Nesse instante, entendi Rebecca e entendi a admiração da empregada por aquela mulher especial. Ela tinha todos os homens na palma da mão. Porquê? Porque era lá que eles queriam estar. ELES lhe deram esse poder. 

Devia ser extremamente frustrante ser tão inteligente e a primeira coisa que um homem via era a beleza. Depois vinha o fascínio pela sua mente, mas sempre, sempre, todo o homem desejava ir para a cama com ela. Asco. Dessa forma nenhum homem poderia jamais interessar-lhe por muito tempo. Não dá "pica", por ser tão fácil. E por ser frustrante, a excitação está no castigo. Por isso ela encontrava outras formas de lidar com eles, excitava-a os jogos psicológicos e brincava com todos, desprezando-os. Deixava-os pensar que eram especiais mas não gostava de nenhum. Ela era feminista.


Essa reverência de que a personagem foi vítima desde criança, é-me fácil de entender. Assim como achei brilhante a forma como ela conseguiu "despedir-se" do mundo antes da sua beleza a trair. E ainda por cima, fazendo um homem acreditar que a assassinou. Oh, ele a matou, sim! Mas porque ela assim o quis. BRILHANTE.


Bom, mas toda esta introdução para contar que estava no supermercado e um homem atrás de mim fala comigo em inglês e quando se afasta, ainda a falar, reconheço de imediato que é português, de Lisboa, por sinal. Só então viro-me na sua direcção e, por simpatia, pergunto-lhe, em inglês:
-"É português?"
-"Sou".
-"Também eu"
-"Ah" - diz com uma expressão de incómodo e a afastar-se.

Entretanto meto-me numa fila de atendimento, que ele por sinal corta e passa na frente assim que termina de escolher o que quer e quando chega a minha vez, ele está a terminar de ser atendido, faz por não estabelecer contacto visual comigo e regressa para perto de um amigo (também tuga) a rir, e a dizer algo onde a palavra "ela" entra na frase. Não sai dali de imediato, como seria de esperar para quem mostrou tanta pressa que até se meteu na frente.

Fiquei com a sensação de que fez troça, incomodou-se. Não gostei dele. Caiu-me mal que se tenha metido à frente da fila, acho que demonstra que se acha acima dos restantes. E mostra falta de respeito por mim, que estava nela, e ele sabia muito bem para quê; precisamente pelo mesmo motivo que ele: meter o euromilhões. 

Presumo que é um desses tugas que vem trabalhar para uma empresa de informática ou dados. Têm sempre a mania que são mais do que são, que estão acima dos restantes emigrantes da nação. Não gostam de se "misturar".


Fiquei a pensar: "se me visses com menos 15 anos, aposto que ias derreter-te em simpatia". "Se eu fosse famosa, também ias gostar de me encontrar numa fila de supermercado". "Mas como não sou essas coisas, é como se não tivesse valor. Sentes-te incomodado e totalmente desinteressado em ser simplesmente simpático". 

E fiquei a pensar nisto... ali estava a razão de existirem «Rebeccas». 
E devem existir. Faz sentido. Espero que existam.

Sei o que é ser assediada por ser jovem com um palmo de rosto bonito. Ou por ter desenvolvido curvas precocemente. Sei o que é ser uma «Rebecca», no sentido de entrar numa sala e todas as atenções virarem-se para ti. Aconteceu-me algumas vezes. E depois apareciam rapazes, uns atrás dos outros... interessados em "conhecer-me", estendendo-me convites para tudo e mais alguma coisa, olhando de lado para outros rapazes, tentando ser aquele que agrada mais. Nunca gostei, nunca me senti confortável e por isso desenvolvi vontade e necessidade de ficar "apagada", ser discreta, não evidenciar nada, até mesmo de ocultar a minha inteligência, conhecimentos, interesses. Porque eram muitos, diversificados e isso parecia intensificar ainda mais o interesse masculino. Fiz-me de "parva" por me incomodar com as atenções recebidas. Aquilo que representas, acabas por te tornar! Sempre escondi a minha beleza, talentos e inteligência. Não foi muito inteligente de minha parte... Mas foi o que fiz. Não fiz uso do meu poder. Desse poder que me foi conferido por todos eles, mas que nunca desejei possuir. Rebecca usou-o com deleite. Fez ela muito bem!

Olhei para aquele homem português não muito atraente, quase careca, achando-se acima da minha pessoa e fiquei a pensar se ele soubesse...

O que faço profissionalmente hoje não tem nada de nada a ver com aquilo porque me interessei desde girino :). Mas nos meus 20s, 30s, andei a fazer coisas que amei de paixão. Coisas que tinham a ver com o grande público e que podiam facilmente ter-me catapultado para a fama, transformando-me numa figura pública. Muitos rostos, femininos e masculinos que andam nas revistas, que surgem na televisão, são dessa época. A diferença é que eu nunca perdi a necessidade de me apagar. O que me prejudicou. E esses que aparecem, sempre quiseram aparecer. Fazendo de tudo para o conseguir. Tudo...

Imaginem então se este tuga tivesse encontrado no supermercado a Catarina Furtado? Ou a Cristina Ferreira? Todas produzidas e maquilhadas, claro. Porque se estivessem de gorro na cabeça com o cabelo tudo lá enfiado como eu estava, se calhar nem elas teriam a sorte de serem tratadas com as simpatias de bajulação de que já devem estar mais do que acostumadas. 

Acham que este tuga ia ficar-se pelo "Ah" e fugir a milhas?

domingo, 23 de dezembro de 2018

Juventude pretenciosa?


Os jovens podem ser Pretenciosos e Arrogantes.

Porque não os mais velhos?
Porque sabem que já não se safam com essas atitudes.
Às vezes, se pudessem, até as teriam.

E os jovens quando se virem mais velhos, perceberão que suas atitudes infantis não são mais tão bem vistas entre os pares. E mudam.

sábado, 15 de dezembro de 2018

To be or not to be...


LEGENDS: You have to die young.
IDOLS: You have to make it young.
FOLLOWERS AND DEFENDERS: You have to make money young.


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Ser um pouco para os outros - promoções



Vinha do supermercado, onde fui comprar artigos em promoção. Alimentos que vendem a preço reduzido, por expirarem no dia. Este supermercado faz isso - acho que todos deviam fazer. Mas só um faz. Os outros, reduzem para preços altíssimos, um produto que vai para o lixo dali a horas. Este começa por manter 75% do valor inicial. Depois reduz para 50% e, finalmente, deixa ficar apenas 15%. 

Escusado é dizer que não são poucas as pessoas que ficam a rondar as prateleiras até chegar o momento da grande redução. E eu sou uma delas, ahahha. Vou a um supermercado que não faz promoção e deixo 20 libras. No da promoção há quem lá vá TODOS OS DIAS e só compram a preços reduzidos. Nem cinco libras gastam. Hoje uma senhora pegou em várias caixas enormes que continham fruta e meteu no seu carrinho. Tinha 11 caixas, fora tudo o resto. Sabem quanto pagou pelas 11 caixas com fruta? Cinquenta e cinco cêntimos. 



Sim, perceberam bem. Deliciosas maças ainda bem frescas por sinal, uma dezena delas por caixa. Um pomar de 110 maças por por meio euro... 

Mas não é fácil. Não, não é. Pode não haver ninguém por perto mas assim que lhes "cheira" a coisa boa, "atacam" que nem doidas. Vi um funcionário a colocar um produto na prateleira das promoções de carne e fui espreitar. Eu estava ali mesmo ao lado dele. Era só me virar para a esquerda. Pois do nada, surgiu uma mulher e um homem. A mulher lançou as mãos a duas embalagens de carne cá com uma rapidez que mal tive tempo de ver o que se tratava. Aliás, aprendi que não é para escolher. É para tirar logo. A escolha vem depois. Se ficares a olhar e a decidir, ficas a olhar para um espaço vazio. Um segundo, tudo se vai. 

Isto é engraçado - por enquanto, porque não vou lá todos os dias. Mas aquelas mulheres e homens vão. Porque seja lá quando eu lá for, elas estão lá sempre. São fixas. Não as vi lá quando pela primeira vez dei conta deste tipo de promoções. Mas elas são profissionais. Vão ali, vão a outros lados, recrutam familiares para ficarem na "guarda". Uma destas mulheres (muçulmana, por sinal) - a que hoje levou grande parte das caixas, recomendou-me que fosse todos os Domingos a um mercado, pois no final, para não terem de levar as caixas de fruta para casa, eles vendem ao desbarato. Uma caixa (sim, daquelas grades de madeira) vendiam a uma libra... Morangos, cerejas... disse-me ela.

Opá, só podem estar a gozar.
Mas se ela o disse, acredito. Tem experiência. Para quê quer tanta fruta, isso é que não faço ideia. Mesmo. Eu vou comprar para mim. Aliás, na primeira vez, por acaso, comprei para mim e para outros também. Já que estava tão barato, lembrei-me dos colegas na casa (na altura dois) com quem de vez em quando partilhava refeições. Como um deles pela manhã levava sempre uma sandes para ser o seu almoço ou chegava tarde e queria comer, comprei a pensar nas próximas refeições. Gastei umas cinco libras a comprar sandes e saladas a.... 20 centimos cada. Podem perceber que até trouxe em quantidade, ehehe. Ninguém sabia das promoções - muito menos eu. Até fiquei uns bons cinco minutos a aguardar que um funcionário aparecesse para que me explicasse porquê os artigos dentro de um carrinho de compras estavam à venda por 20 centimos. Queria saber se tinham sido comprometidos na sua integridade, se tinham ficado fora do frigorífico, por exemplo... Tão inocente!


Fui para casa toda contente, partilhei a novidade e a comida. No dia seguinte só tinha uma embalagem e meia de sandes para o almoço. Pois....! Acho que gostaram além da medida, pois na véspera eu só havia comido a metade da sandes em falta.

Mas a razão porque cá vim escrever não é esta. Está relacionada, mas não é o que cá me trouxe hoje. Porém, fiquem com esta por agora. Mais tarde contarei então o que aconteceu enquanto vinha a sair do supermercado... 


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

De volta aos 20 anos?


Não queria voltar a ter 20 anos mas se pudesse traria de volta o cabelo, o corpo e o rosto dos 20 anos.
Preciso muito mais deles agora do que quando tinha 20.




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Coisas desta sexta-feira....18


O mundo deve um enorme pedido de desculpas à Condessa Isabel Bathory. 



terça-feira, 18 de outubro de 2016

Devem ser os meus 20 e poucos anos...


Deram-me 20 e poucos anos.
Antes os tivesse.

Por nenhum outro motivo que não o poder aproveitar certas regalias facultadas aos que são jovens. Se tivesse tomado conhecimento das mesmas na minha juventude, teria tirado melhor proveito da vida e talvez chegado aos dias de hoje em melhor situação socio-económica e pessoal.

E por isso não me importava de ter 20 e poucos anos. 
Mas as rugas estão cá e mostram pressa em ter companhia.
Embora algumas pessoas ainda pensem que a ausência de uma testa enrugada é sinal de 20 e poucos anos, o fenómeno deveu-se mais ao efeito das luzes combinado com o branco do céu, só pode. 

Não me sinto com 20 e poucos anos, tenho mais experiência de vida que isso. Tem alturas em que o peso das coisas parece conferir-me uma idade sexagenária. Outras alturas há em que se regride a episódios de infantilidade. Mas acho mesmo que algo deve ter parado lá nos 20 e poucos anos. 

É como se alguém tivesse pressionado o botão de «pausa» mas esqueceu que o filme continuou a passar... chegou ao fim e outro programa já está no ar.



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Também já fui a coisa mais sexy do mundo! E daí?


« Meu Deus, Glória! Devoraste o Cabeça de Abóbora?
Ela disse que põe maquilhagem e a peruca grisalha?!?!?!  A pu** já parece velha!
Ela parece o Dani Devito com peruca loura.
Jabba!
Mulheres brancas não envelhecem bem. Ela realmente relaxou-se! Não esperava isto nem num milhão de anos! Ela era tão boa!! »

Comentários que podem ser encontrados em vídeos no youtube sobre Sally Strudders. Sally protagonizou a jovem Glória na sitcom que referi aqui, na década de 70. Estava então a meio dos seus 20 anos e ainda não tinha sido mãe. E tal como Brigitte Bardot, Katelyn Turner, Goldie Hawn, Michelle Pfeiffer ou Meg Ryan, todas excelentes atrizes, o tempo passou e nenhuma manteve a aparência física de uma menina de 20 anos. E porquê??

Porque a vida não é suposta ser assim!!

Dos 20 aos 60 vão décadas...

Acho importante chamar a atenção para a frivolidade com que se fazem comentários destes. A normalidade com que os aceitamos não é boa para a sociedade, se a queremos respeitosa e sem preconceitos. A facilidade com que hoje em dia se acolhe estas violências verbais, neste e noutros meios de divulgação, é perniciosa. A pressão a que as mulheres, em particular, estão permanentemente sujeitas para que se mantenham jovens e sexys, boas de cama, disponíveis para tudo, não é digna de uma sociedade que se diz respeitadora e liberal. Não envelhecer e não perder os belos traços da juventude, é impossível. Tanto para mulher, quanto para homem!! Que se recue no tempo e se passe a aceitar cada etapa da vida, apreciando-a. Que se olhe para o rosto de uma mulher com rugas e se veja beleza. Que se procure a alma. E não um pedaço de carne. 

Esta sociedade sempre tão machista, tão centrada no supérfluo carnal... não tem moral para criticar outras que ainda aprisionam as suas mulheres em tradições que ditam opressão. Pois não se desviou tanto assim de fazer o mesmo.


Entre alguns comentários ignorantes, quase todos da parte de homens, surgem alguns sensatos, quase todos da parte de mulheres. Como este:

« Não entendo os palavrões e os maus comentários. Ela deu-nos anos de risadas, contribui para a sociedade doando o seu tempo a crianças necessitadas. Não entendo a maldade. Não gostar dela é uma coisa, ser malévolo é outra. »


Se continuarmos assim, malévolos e superficiais, passo a entender e a defender a ideia apresentada em tantos filmes futuristas de que a humanidade não deve viver para além dos seus 30 anos. Que tal? Agrada esta ideia? A todos aqueles que acham que uma mulher é um pedaço de carne que deve envelhecer mantendo um corpo escultural de 20 anos? Ou ser uma bomba sexual sempre cheia de desejo? É que nem quando algumas fazem isso, deixam de ser severamente atacadas verbalmente com insultos. Por parecerem tudo e mais alguma coisa devido à libido «precoce» ou às plásticas... É então um conceito impossível, que está perdido à partida, mas continua a ser exigido. Tanto «levas» na cara por envelhecer, quanto por evitá-lo. Ó «críticos»: E se fossem mas é aprender a alimentar o cérebro??


Sim, porque isso faz falta para que entendam que estão a dar um tiro no próprio pé. Frivolidade gera e cobra frivolidade. E se exigem às mulheres de hoje coisas como depilação total, corpo escultural, magro e musculado, etc e tal, porque um homem gosta é "de coisa boa", claro que geram mulheres que fazem um alto investimento nelas mesmas e não o vão entregar a um homem barrigudo, baixo, careca ou pobre...

Se tudo ficar definido no supérfluo, então perpetuam-se certos erros. E o que já não falta por aí é mulher a cuidar de si na esperança de encontrar qualquer homem com uma carteira recheada e vontade de gastar dinheiro com ela. E se não apanharem uma destas, apanham das outras: que também querem um homem todo depilado, musculado, magro, fiel, inteligente, respeitador e bem humorado. Vão ser picuinhas com o tamanho da barba, com o tamanho de tudo... Gerações de homens e mulheres a tentar atingir o impossível e a valorizar o que pode até ser bom, mas por motivos errados. E por isso todos ficamos cada vez mais sós, cada vez, os homens pelo menos, mais íntimos de bonecas.... insufláveis ou de silicone.


Pronto. É isto. A sociedade está a evoluir para o ridículo e como tudo o que é ridículo, se a juventude é a única coisa que se quer valorizar, então que ninguém viva para além dos 30. Eutanásia para todos e que sobreviva o melhor. Lol.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O impecilho da idade

Ninguém sabe, mas cheguei cedo demais a esta vida.
Por falta de uma expressão melhor, nasci cedo demais para as coisas que quis e tarde demais para as coisas que quis e começaram a surgir.

Decifrando estas palavras: falo de interesses para os quais, para te candidatares, existe um limite de idade.

Tem sido assim desde criança. Ou o limite máximo de idade era aquela que tinha acabado de deixar para trás, ou a idade mínima de ingresso era aquela que celebrava no aniversário seguinte.

Sempre no limbo.

Mais adulta vieram os programas de estudo, de estágio profissional e até, oportunidades de trabalho. "Nova demais" para trabalhar. "Velha demais" para trabalhar. "Pouco experiente" - escutei. "Mulher" - disseram-me.

Quando tratei do Cartão Jovem, o tal para descontos, não teve quase serventia alguma - a não ser para comprar com um nadita de nada de desconto o bilhete de transporte. Para as coisas que realmente pretendia, não existiam acordos. Quando precisei dele para algo, ultrapassei a idade. 

Quis candidatar-me a um programa do IPJ,mas tinha de ter até uma certa idade, que ultrapassei. No caso de uma poupança-reforma vantajosa, estava a três semanas de expirar. Para a cooperativa de habitação, quando reuni condições, estava na idade limite de candidatura. E quando fui procurar como solução para o meu futuro um programa de incentivo à criação do próprio emprego, a idade limite para beneficiar de apoio financeiro era... 30 (não recordo ao certo), que era a que tinha por mais alguns meses. 

Estágios profissionais? «Passou da idade». E quando não é a idade, é outra coisa. Como por exemplo, o nível académico. Acções de formação para desempregados no IEFP? - Só destinadas a pessoas com a quarta-classe, sexto ano ou 12º. Cursos financiados pela UE? A mesma coisa. E os exemplos seguem a mesma batuta

Neste país são demasiadas as oportunidades para evoluir que encontram a idade como barreira. Seja por a pessoa ser mais jovem ou mais velha. Mas a sociedade percebeu que estava a deixar os jovens estudar até mais tarde, impedindo-os de ser autónomos mais cedo, e decidiu prolongar as idades com as quais estes podem se candidatar a cooperativas de habitação, a empréstimos bancários, a poupanças-reforma e a programas de incentivo à criação do próprio emprego. 

O problema é que, quando finalmente se decidiu a isso, (estender o limite do cartão jovem, o limite de idade para as candidaturas a cooperativas de habitação, a programas de estudo, etc) os anos tinham passado e essa extenção de validade não me abrangeu. Foi inútil. 


Por isto é que Portugal não é um país fácil para se viver. Pode-se sobreviver - mas em aflição e incertezas. É um país que deixa os seus jovens envelhecer sem os aproveitar. Não tem nem nunca soube ter as roldanas do sistema oleadas, para os aproveitar e inserir no mercado de trabalho. E infelizmente, ainda dificulta e coloca entraves. Portugal bate com as portas na cara dos natos que o procuram. Se uma se abrir, do nada, à pessoa comum, sem cunhas, sem juventude, é milagre e muito provavelmente 10.000 se fecharam injustamente. 

Hoje entusiasmei-me com a perspectiva de voltar aos estudos... lá fora. Afinal, pessoas de mais idade também estudam, certo? Tive uma colega 10 anos mais velha na minha turma e agora essa colega podia ser eu. Entusiasmei-me com a perspectiva ao encontrar um artigo sobre cursos superiores gratuitos na Noruega. O país atrai-me. A possibilidade de lá viver, nem que fosse por uns meses, pareceu-me reunir só benefícios. 


Então fui procurar com atenção. Por questões de áreas, fiquei excluida de quase todas as oportunidades. Quando vi uma que pareceu vir a ser complicada, mas viável, deparei-me de imediato com isto:



Bom, mais uma vez, a idade a fechar as portas. Se ao menos tivesse tido esta presença de espírito anos atrás... Mas aí, quem disse que as idades seriam estas? Provavelmente era até os 25 anos. Idade limite muito comum lá atrás. 

Que há oportunidades, acredito que sim. Encontrá-las é que é complicado. Obter informações neste país através dos recursos do establishment continua a ser uma complicação tremenda. Quase uma maratona, um jogo do empurra-empurra com um peso frustrante. Porque ou é mal executada, ou demorada e tanta vez, induzem o cidadão a pensar uma coisa para no finalzinho, atacarem com outra bem diferente.







quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mário Soares


Mário Soares nunca teve papas na língua. Sempre disse o que tinha a dizer sem rodeios ou floreados.
Hoje em dia isso não é nada apreciado na sociedade. Não é só na política, onde todos são fingidos e cuidadosos, mas na sociedade em geral. A hipocrisia é valorizada quando comparada ao genuino, se apresentar o que as pessoas desejam ver, ouvir e sentir.


Bom, estou no momento a ver na RTP Memória aquele que deverá ter sido um debate televisivo mítico, entre os políticos Mário Soares e Álvaro Cunhal. Conheço pouco destes «tempos», pois não era nascida. O debate entre o então líder socialista e o secretário-geral do PCP ocorreu a 6 de novembro de 1975! E admirem-se lá: tem quase 4 horas de duração!

E no entanto, mal o sintonizei, já não me apetecia mudar de canal. Vejo melhor um debate destes do que perco alguns segundos a ver debates coloridos e em belos cenários, com guiões mentais e normas visuais, como aquele que se deu há semanas entre os então candidatos à Assembleia da República.

Este post tem como finalidade abordar algumas questões para além da qualidade e interesse dos debates políticos de há 40 anos e os de agora. Quero também falar do que mudou na sociedade e da forma como esta encara uma mesma pessoa (Mário Soares e Álvaro Cunhal).


Em 40 anos não me parece que o Mário Soares alguma vez tenha mudado a forma de ser ou de se expressar. Tem sido fiel a si mesmo, sem mudar conforme as conveniências (o que julgo ser uma qualidade, em princípio). No entanto, em 40 anos, mudou numa coisa: envelheceu.


E por ter envelhecido, leio comentários deixados no facebook aquando o homem visitou um amigo na cadeia que são verdadeiros crimes. Apelidam-no de "velho caquético" para pior. Não usam o seu nome para lhe fazer referência, nem a função que desempenhou, preferem apelidá-lo de "débil mental". Fazem montagens difamatórias em photoshop, como aquela do seu rosto num obeso porco, chamam-no de "múmia", "jurássico" e desejam que morra.

Com isto magoam todos os que rodeiam a figura e lhe querem bem, como a família, a respeitada esposa, filhos e netos. Esta falta de educação e respeito social sempre me deixou em estado de aflição. Esta vontade de maldizer as figuras públicas já de si é pavorosa. Mas esperar que uma pessoa chegue à terceira idade e apareça fisicamente debilitado para o achincalhar é de gentinha que não vale nada. Atacar uma pessoa só e exclusivamente porque ela é VELHA. Como se as pessoas envelhecessem por desleixo e tal «doença» não estivesse aqui a prometer chegar a todos nós. Até parece que ser-se velho e ser-se figura pública, dá legitimidade ao povo para praticar um achincalhamento deste calibre. E se o "velho" decidir não ficar parado, continuar a ter uma opinião, pronto: então sofrerá ataques sem dó ou piedade. Uma prática de bulling que não é ainda apontada, mas existe.


E o pior é que as pessoas que cometem estas atrocidades não têm noção alguma do que estão a fazer. Pensam que "não tem mal", passam este tipo de má formação aos filhos e assim se cria uma sociedade doente nos alicerces. E depois estas mesmas pessoas admiram-se que a sociedade priveligie a beleza e a juventude. Ou não respeite os idosos. Esta gente que pratica bulling cibernético por uma pessoa ser idosa esquece que o destino pode reservar-lhe algo parecido. Não tem lógica o homem não morrer jovem e por isso ser achincalhado!


Álvaro Cunhal, o outro protagonista neste debate que ainda estou a ouvir, não me parece estar a ter um tão bom desempenho retórico. Algumas coisas que diz não me parecem ter recebido grande simpatia. Conheço pouco da história de Álvaro Cunhal, que faleceu há 10 anos. Mas sei que foi uma "figura". Já cheguei à idade adulta ouvindo referências muito respeitosas a seu respeito. Ficou na história da política do país e foi classificado como uma figura MÍTICA do panorama político, em particular pelo partido comunista. Dele só soube que era uma "grande figura", respeitada e colocada num patamar superior. Do pouco que o vi na TV quando ainda estava vivo, falava com poucas palavras - o oposto do que estou a ouvir agora. Mantinha-se um pouco «à parte» das confusões, mas era "hateado" como uma bandeira partidária. O que só contribuiu para que mantivesse uma áurea de mistério e de miticismo. Morreu, em 2005, com 91 anos.

Que sorte teve ele, em ter nascido mais cedo e ter morrido com mais idade do que aquela que o Mário Soares tem hoje! Porque faleceu numa altura em que o achincalhamento social não tinha ainda ganho tanta projecção. O facebook tinha sido FUNDADO a 4 de Fevereiro de 2004 e Álvaro Cunhal faleceu a 13 de Junho de 2005. Não viveu na época da internet "mais veloz", dos plasmas, tablets e dos telemóveis 3G. E com isso, não teve «tempo» para envelhecer diante dos olhos do Grande Público que tem um teclado debaixo dos dedos e que certamente o iria achincalhar por ser uma pessoa que envelheceu e "ousa" emitir opiniões.

Sabem uma coisa? Sempre me perguntei porque é que pessoas que trabalharam com grandes nomes das artes e ainda estão vivas, porquê não veem elas a público contar um pouco aquilo que viveram? Na primeira pessoa, contar como era a vida «naquele tempo», na década de 40, 50... Quem eram, de facto, as pessoas de quem hoje só conhecemos uma «imagem» ou uma «reputação que prevalece» como oficial.

Noutro dia vi na RTP um filme com uma interpretação espetacular, sublime do ator Anthony Hopkins.  Nunca antes tinha visto alguém imitar tão na perfeição e com aparente falta de esforço a figura que foi Alfred Hitchcock (cujas séries televisivas que apresentava tive o prazer de ver em criança). Hopkins conseguiu reproduzir na perfeição os maneirismos, o tom da voz (dificílimo), a forma de pronunciar as palavras e até fisicamente a figura que foi Hitchcook.

Contudo, fica a dúvida: quem foi realmente Alfred Hitchcock? O que separa a realidade do mito? A sua reputação de diretor implacável, torturoso e obcecado pelas suas atrizes principais, têm mesmo razão de ser? Até que ponto? 

Ninguém está vivo para contar, certo? Errado! Há sempre alguém que ainda é vivo... Mas não o será por muito mais tempo. E estes casos têm se repetido no que respeita a pessoas que conheceram figuras míticas das artes ou da sociedade em geral. Pensamos que já não "sobrou ninguém" porque são todos falecidos, mas tal não é verdade. Então, porque não falam? 


Pesquisei pelo nome da atriz que Hitchcock pretendia contratar para interpretar a protagonista do filme Psico: Vera Miles. Como a atriz engravidou, ele a dispensou e dizem que passou a tratá-la muito mal. Queria transformá-la na sua estrela pessoal. E ela, afinal, tinha marido e relembrou-o disso ao aparecer grávida (do segundo filho e esposo!). Vera é viva. E recusa-se a falar da sua vida naquele tempo. Dizem que a celebridade nunca foi o seu objectivo. Sempre quis ser uma atriz respeitada e não uma estrela. Mas ela não é a única ex-atriz coquete de Hitchchock que vive. Eva Marie Saint, que interpretou a protagonista do filme Intriga Internacional também cá está. Bolas! Até Olivia De Havilland (99 anos) que em 1939 interpretou Melanie em "E Tudo o Vento Levou" está viva! E estes são apenas três exemplos de grandes mulheres que um dia maravilharam multidões no grande ecrã, que ainda respiram e têm memórias. Contudo, são pacatas e  viveram as últimas décadas praticamente como reclusas.


Da forma como a sociedade está, agora entendo porquê. Estão muito velhas e a sociedade prefere recordar a beleza de uma mulher jovem a ver uma idosa sem dentes ou cabelo. Ainda que se mantenha uma sociedade deslumbrada por tudo o que tenha sido sucesso e seja vintage (não velho, atenção!), a sociedade também anda muito cruel. Uma Brigitte Bardot jovem é idolatrada, mas uma idosa é ridicularizada por estar velha e não ser atraente e pela sua preocupação imensa para com os animais domésticos ou, simplesmente, permanece recordada parada no tempo, como uma eterna sex symbol. 

Bom, me desculpe quem tenha lido TUDO ISTO  porque é muito texto, mas apeteceu-me abordar todos estes temas com base neste «estímulo» do debate televisivo de há 40 anos. Podem ser muitas palavras, mas acho que têm fundamento. 

Álvaro Cunhal faleceu com 91 anos e sua imagem foi respeitada. Mário Soares pode até sofrer o mesmo destino e vir a falecer com a mesma idade (faltam meses para chegar aos 91). Mas já não terá a sorte de ter vivido numa época em que as redes sociais mal existiam. E por isso tem sentido na pele o que é existir uma nova forma de se ser insultado. Como político e ex-perseguido deve ter criado uma carapaça bem dura a respeito de ofensas verbais. Mas as redes sociais facilitaram bastante as mesmas e as espalham de uma forma muito cruel e com uma rapidez assustadora. Um veículo excelente para mentiras e propaganda. 

sábado, 14 de março de 2015

A Tirania do Facebook (e o like)



Eu não sei quanto a vocês, mas ao lidar com gente mais nova (nos 20...), tenho percebido que a linguagem com que se expressam no Facebook é diferente. 

Ou melhor: a interpretação, a conotação e a intenção por detrás de cada gesto é, francamente, muitas vezes agressivo e o que é pior: sem necessidade. Sarcasmo, ironia, má língua... e descriminação. Tudo corre por ali, com naturalidade, sem pudor ou culpa.

No facebook faço parte de uma coisa que até há bem pouco tempo nem sabia que existia: um grupo «secreto». Ser secreto significa apenas que os restantes utilizadores não o vêm, mas de resto funciona como uma página normal. A primeira coisa que vi acontecer, que me surpreendeu e moralmente reprovei, foi a criação de um outro grupo, para se proceder à inclusão de novos elementos não tão «desejados», criado supostamente para parecer ser o "primeiro", 

Na vida real, fora do online, não se podem excluir pessoas assim, com esta facilidade. Essas más práticas, contudo, já podem ser praticadas no mundo virtual.  

Claro que logo me ocorreu que de seguida iriam criar um terceiro grupo. Para serem ainda mais mordazes e deixar de fora as pessoas que entretanto já haviam aceite no primeiro e pretendiam excluir. Foi o que fizeram, O que se diz por lá, só posso imaginar pelo pouco que deixaram antever no original... Coisa boa não é. Destila-se veneno como quem faz férias nas Bahamas. (mas os maus são os outros). Fazem-se julgamentos precipitados, ditam-se sentenças, influencia-se as opiniões alheias com tanta má vontade.

O FACEBOOK é, só por este exemplo, uma ferramenta social que permite com excesso de facilitismo a descriminação e o bulling. 

E tem ainda uma ferramenta adicional para isso: o botão LIKE.

Meter likes (gosto) em comentários depreciativos revela muito sobre a forma de pensar das pessoas. Pode, inclusive, revelar o que elas pensam realmente de ti e que não transparece no convívio diário.

Verifico neste curto espaço de tempo em que tenho interagido com um grupo de pessoas mais novas que a linguagem que utilizam é geralmente agressiva. Depressa respondem a comentários do género: "Isto está a ser uma seca". Deste pequeno desabafo podem desenvolver vários assuntos e aí deixar acima de 20 respostas.

Mas se a seguir alguém colocar: "O bolo não é para cozer aos 180º?". A pergunta fica sem resposta. Por tempos e tempos, até que uma alma simpática decida "quebrar" a estranheza. Se decidir... A maioria leu a pergunta. O facebook é «cruel» a esse ponto: avisa-nos quantas e quais as pessoas que leram a mensagem. Por isso sabes quem viu e ignorou. E quem não viu e, por isso, nem ignorou nem deixou de ignorar. 


Verifiquei também que ao colocar informação pertinente, poucos são os que se dão ao trabalho de expressar que a viram. Exemplo: "Deixo aqui o programa que foi transmitido, para que todos possam trabalhar através destes dados". Comentários? Quase nada. Só mesmo um ou outro das melhores alminhas que por ali andarem. Mas se de seguida aparecer alguém e postar: "Isto aqui é muita fixe e eu sou a maior!". As reações não tardam a surgir e são do género: "Linda!!! Maravilhosa! (corações e outros simbolozitos), Amute mto! K krida!! Kriduxa! És a maior! lol!" - e por aí fora.

É o tipo de comentário que que não acrescenta nada a coisa alguma. Num post sobre nada... (será isto reflexo de se ter amadurecido no tempo dos reallity shows?).

Mas o que mais espécie me faz é a facilidade com que passam julgamentos e dão cabo da imagem de outra pessoa, de forma gratuita, desejadamente permanente e irredutível. Basta que sejam apenas dois... Esses dois vão mostrando a sua insatisfação com determinada pessoa, e continuam na deles... Acabará por aparecer um terceiro, meio convencido... e se algo acontece que possa ser distorcido, dá para perceber para que lado uma pessoa se inclina só pelo facto de colocar o «like».


Fiquei surpresa quando um comentário humoristico que fiz, que não era dirigido a ninguém, foi «atacado». Do que para mim veio do nada, uma coisa inocente foi atacada com ironia agressiva e sarcasmo. Vai que... começam a "chover" likes. Nessas reações agressivas. O facto me transtornou e quase que cedi ao impulso de comentar também agressivamente. 

"Não ando a distribuir carapuças pelo que se as enfiaram foi porque assim o desejaram". 

Mas optei por não responder nada. Pessoalmente (note-se a diferença), quando encontrei uma das pessoas e até foi ela que se lembrou da questão, acabei por lhe dizer o que senti. Não me deu resposta, mas disse que estava "tudo bem". O que é isso do tudo bem? Eu não fiquei bem... aliás, fiquei mal. Muito mal. E aposto que ainda hoje estou a ser alvo desse "tudo bem".

Subitamente entendi que existia um grupo cada vez maior de pessoas que iam gostar de me dificultar a vida... Que deviam ter interessantes conversas de má-língua pelas minhas costas. Sim, porque se as têm sobre outros à minha frente (agora nem tanto, adivinhem lá porquê), também as terão sobre mim. Ainda mais após este episódio que, para mim, foi gratuito e desnecessário.

O que é que se passa com as pessoas que já não recorrem a uma abordagem a pedir esclarecimentos e partem logo para a agressão? 

Não se incomodam em ser injustas. Isso não as afeta. Não pedem desculpas, isso não é necessário...

Que raio de moralidade é esta, cada vez mais vigente?


É o facebook. É este meio e outros como ele, é a COMUNICAÇÃO VIRTUAL.

Na comunicação virtual sai com muita facilidade tudo o que é frustração, raiva, maldade, má língua... Este fenómeno pode ler-se ao se ler alguns comentários em sites de notícias... Abrem-se grupos secretos nos quais acaba-se por falar mal de uns tantos, e depois é preciso abrir outro grupo secreto para continuar a falar mal desses tantos mais outros tantos que entretanto «transitaram» do grupo de possíveis desejáveis para indesejáveis.

Aprende-se sempre muito ao contactar outras pessoas. E tenho aprendido muito com os "mais novos". Nem todos os muito jovens agem como descrevi, felizmente. Existem uns tantos que ficam de fora na demonstração de tais comportamentos - e ainda bem. Mas são poucos e pouco expressivos. 

Provavelmente tem sido sempre assim. E será que isso significa que se contribui para que tudo fique ainda pior?




sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Eu sou uma avozinha (tecnologia)


Na minha juventude começaram a surgir jogos eletrónicos portáteis, como o tétris. Os computadores spectrum surgiram com o pacMan, o chuckie egg e outros. Apareceram os diskman. Os telefones portáteis e de discar táctil. As televisões equipadas com um objecto estranhíssimo e para alguns desnecessário: um controlo remoto. Os computadores com disquetes A. O MSDos que tinha de ser introduzido nos mesmos a cada utilização. O Windows 3.0 e os computadores com 365 megas de memória... (ou muito menos). E enfim... vocês entendem.

Na juventude de agora existem outras coisas, porque a tecnologia não deixa de progredir. Existem os smartphones, os ecrans tácteis. E vou ficar por aqui. Exatamente para exemplificar uma coisa:

Aquando a minha juventude, os mais velhos viam-se "atrapalhados" em manusear estes aparelhos "avançados". Até o último dia da sua vida, a minha avó ainda não se entendia muito bem com o controlo remoto da televisão. Tinha mais de 20 canais, mas o telecomando só ia até nove... E por mais que lhe ensinasse que podia alcançar os mais "para a frente" carregando de seguida em dois números ou muito mais simplesmente avançado canal a canal no botão de mudança de canais, ela continua a gostar apenas de carregar no 1, 2, 3 ou 4.

Acho que eu sou agora esse "mais velho". Calha a todos, vai calhar a ti também (para os fedelhos de 20 eheheh). Mas sinto uma diferença muito grande que me entristece entre esta geração e a anterior - algo que lhes falta e que a mim não faltou. O GOSTO POR ENSINAR.

O gosto por transmitir o saber. Os mais novos sabem quase instintivamente como funcionar com os ecrans tácteis dos TM. E porquê? Porque é algo que se transmite uns aos outros no convívio. Aprendem sem saber que estão a aprender. Mas quando chegarem a uma idade em que terão de aprender sem ter como conviver com pessoas da mesma idade que já o saibam, isso vai mudar. Hoje em dia a juventude, no máximo, diz-te para repetires um gesto e depois vira a cara para o lado e continua a conversar mexericos. São muito interativos: usam, para comunicar, o tweeter, o sms, o facebook. Mas é só entre eles. "É o clube do bolinha" mas neste caso, os excluídos não se caracterizam pelo género, mas pela idade.

A juventude de hoje descrimina - e muito - os restantes. E é pela idade ou a aparência dela. A menos que uma pessoa mais velha seja considerada "fixe", ela perde o interesse e pode até receber desconsideração e ofensas por parte de uma certa juventude. A forma como fazem referência aos mais velhos pode muitas vezes ser desrespeitosa - é próprio da educação dessa geração. Canso-me de os escutar (aos de 20) a fazerem referência a pessoas com mais idade, com quem têm de lidar para daí retirar benefícios - como "o velho". E dizem coisas horríveis, como desejar a morte a alguém, em tom de "brincadeira". É uma característica da geração - é o que tenho observado.

Não sou ingénua para dizer que os meus bisavós não poderiam dizer o mesmo de mim. Pois claro que podiam. A primeira coisa que apontariam como diferente na educação é a forma como nos dirigimos aos pais e a todos os mais velhos em geral. Não se discutia com os pais no tempo deles. E pedia-se a benção. Para eles, as "liberdades" que a minha geração recebeu podiam roçar a falta de educação.

Mas se voltassem à vida e percebessem o que anda por aí agora, so não cometeriam arakiri porque eram rigorosamente crentes de que isso só a Deus pertence. Mas o desejariam a cada respirar.

A juventude de hoje não fica ali a explicar, bem explicado, como algo funciona. O seu espaço de paciência é reduzido a quase nada. A sua capacidade para se revoltarem também é obtida por quase nada.


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mãe de uma adolescente

Não sou mãe. Mas já senti "aquela" vontade de o ser. Foi há 16 anos.

Fico por vezes a imaginar como seria a minha vida hoje, se tivesse tido uma filha há 16 anos. Tenho praticamente certeza absoluta que seria incomparavelmente melhor! Mas não é sobre isso que quero agora falar. Não é nada sobre mim, mas sobre a minha ideia de como um adolescente de 16 ou 22 anos devia ter sido preparado ao chegar a esta idade.

Ultimamente convivo com frequência com raparigas na casa dos vinte e poucos anos e surpreende-me o tipo de conversas que gostam de manter, a maioria algo fúteis, ainda infantis. Quando alguma conversa se torna "mais séria", indubitavelmente vai «desaguar» aos pais: pois é quem os sustenta e toda a sua experiência de vida, inclusive a doméstica, ainda se limita a esse universo. Demonstram também em frequentes ocasiões aquela impaciência juvenil (querem tudo para ontem), alguma imaturidade, insegurança, arrogância, infantilidade e "ignorância"- no sentido de que sou capaz de perceber o quanto desconhecem da percentagem de obstáculos e contrariedades que a vida lhes reserva, as dificuldades e decepções que os sonhos altos que mantêm ocultam como nuvens. Mas não adianta falar, porque só o tempo lhes pode ensinar todas e quaisquer preciosas lições.


Também já tive 20 e poucos anos. Sei que também era imatura. Não tive tantos luxos, viagens, automóveis, tecnologia de ponta- tive luxos diferentes. Mas a sociedade evolui tão rápido, as crianças desenvolvem-se à velocidade do progresso tecnológico e, contudo, ficam mais atrasadas noutros aspectos, que são também importantes.

Se tiverem de gerir dinheiro, fazem-no, mas o facilitismo com que arranjam dinheiro que não trabalharam para obter e que, em caso de o desejar, podem obter mais rapidamente e sem grandes sacrifícios, as faz ter uma noção que as coisas se obtém com essa facilidade. Até uma coisa que é tão rara nos dias de hoje, mais ainda nos últimos anos: um emprego de sonho.

Portanto não sabem realmente o que custa trabalhar até conseguir «pagar uma viagem a Londres» do próprio bolso. Pode-lhes parecer algo pequeno, por estarem habituados a viajar com os pais para várias partes do mundo, mas irão descobrir mais adiante que esse desejo não está ao alcance de todos que o acalentam. Porque existem prioridades, coisas tão simples como as contas e o supermercado. Se eles, sozinhos, serão capazes de atingir aquele nível de conforto monetário é uma incógnita. Mas pode-se dizer que as coisas não estão e nunca estarão fáceis.

E é aqui que a «porca» torce o rabo. Sou a favor de uma educação mais "à antiga". Gosto quando uma criança é educada desde cedo a ajudar em casa. E a trabalhar. Quase que isso não existe mais. E quando existe, vem com uma «compensação monetária» ou de outra espécie. No que respeita a ajudar nas tarefas da casa, considero que isso faz parte da rotina familiar, não é algo que deva ser recompensado com dinheiro como se de um favor se tratasse. Um filho não é um empregado, que limpa o que é dos outros e depois vai embora, devidamente remunerado. E é nestes pequenos «detalhes» que acho que os pais de hoje em dia por vezes falham.

Adolescentes com automóveis também não é algo muito difícil de ver por aí. Há uns anos começou a ser mais comum ver jovens, que ainda não ganham o seu sustento, ainda estudam e dependem totalmente dos pais, já a conduzir as próprias viaturas. Em alguns casos, automóveis zero quilómetros, ou quase. Talvez seja muito facilitismo.

Nem tudo tem de ser negativo para o jovem educado com tais regalias. Existe uma parte do jovem "futuro adulto" que beneficia deste "acesso" precoce a recursos típicos da vida adulta e independente.
Estar em contato com  determinadas características do universo adulto vão mentalizar e preparar o jovem para essa realidade futura. Mas o que me parece problemático é que é o lado quase "final" desse lado adulto que os jovens de hoje estão a experimentar. Aquele em que as coisas já são possuídas antes de serem conquistadas.

Pôr os jovens a trabalhar não é tão importante quanto os deixar estudar e os sustentar a um nível muito, mas muito dispendioso. Pagar o aluguer de uma casa, pagar as prestações de um carro, pagar a gasolina e portagens desse carro, pagar as propinas dos cursos, as roupas, os telemóveis, as viagens. Ter um automóvel e saber gerir a gasolina e ter consciência da responsabilidade é, sem dúvida, uma etapa de enriquecimento pessoal. Mas saber dar realmente valor, o adolescente que não trabalha para se sustentar, não sabe. Conduzem os automóveis sem grande preocupação com a "preservação". Dão cabo das caixas de mudanças, abusam do acelerador e travão, fazem manobras arriscadas que por vezes danificam o veículo. E o fazem com preocupação mas também alguma leveza, simplesmente porque NÃO SABEM o quanto de trabalho é necessário sair do «couro» para se obter um automóvel. Quando o descobrirem vão dizer: "Ah, os meus pais! Como conseguiram?".

Com isto quero chegar a um só ponto: se tivesse sido mãe naquela altura teria agora um adolescente com 16 anos. Ia gostar de o preparar "melhor" para a vida. E a vida é trabalho. Se ele se sentisse compelido a isso, ia gostar de o ver a trabalhar, a ganhar o seu sustento. Com essa idade eu já tinha essa vontade, pelo que se assim fosse também para ele, não vejo mal algum. Continuaria a fazer o que fosse possível mas ia querer que fosse ele a conquistar as suas principais metas, quase sozinho ou financeiramente sozinho, tendo-me a mim para o apoiar e orientar, para ser fiadora, para emprestar, pagar os estudos, o que fosse, mas de resto ia querer ensinar-lhe a entender que é benéfico para si também contribuir com algum, que foi uma lição que os meus avós foram forçados a aprender na tenra idade: trabalhar é a própria vida. Ia gostar que o meu filho/a fosse como um potro ao nascer: logo cedo aprende sozinho como se manter de pé.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Este mundo condena-se ao viver em função da JUVENTUDE



Tenho 30 e muitos anos. Pode não parecer, aos mais novos, mas a realidade é que, com esta idade, já se sentem muitas diferenças comportamentais da sociedade para contigo.

Pequenas e ténues coisas, outras nem tanto.

Numa passagem por um centro comercial, notei nas imagens publicitárias das lojas de roupa. Reparei nos manequins nas montras. O objectivo é VENDER ROUPA. Mas a imagem que projectam é toda direccionada à juventude. O rosto do rapaz no fato da loja é muito jovem. Os rostos femininos também. Os manequins, sem rosto. Para não terem idade. Mas com silhuetas e formas finas e elegantes, tão próprias da juventude e tão difíceis de manter, às vezes, ainda na casa dos 20 e muitos anos. Os funcionários destas lojas são na sua maioria todos jovens. Muito jovens, rapazes e raparigas em idade escolar. Toda a sociedade consumista está virada para a juventude. O que é péssimo. 


Lembram-se de quando contei aqui sobre o episódio do "Bom dia" no MacDonalds?


Pois percepções de trato diferente conforme a aparência têm-se multiplicado.

Fui a um balcão de maquilhagem de uma loja num centro comercial, daquelas que têm um funcionário a maquilhar alguém que, por coincidência, quase sempre é muito jovem. Aproximei-me da funcionária e a jovem, que maquilhava outra muito jovem, disse-me que ali não faziam maquilhagem. Fiquei intrigada. Os despojos estavam à vista: três pincéis sujos com base e pós pousados na bancada, um deles tinha acabado de ser esfregado no rosto da rapariga muito jovem e exageradamente maquilhada. O batom da cor vermelha forte que explodia nos lábios da rapariga também estava ali e as sobrancelhas recortadas e pintadas, junto com os olhos bem maquilhados contrariavam a informação dada. Podia estar a abrir a excepção para uma amiga, certamente. Mas algo na forma como a informação foi transmitida me pareceu intrigante. 


Na universidade distribuíam aos estudantes que por ali passavam um novo produto a ser lançado no mercado. Não pude deixar de reparar que se dirigiam aos muito jovens e que, pessoas mais velhas como eu, não eram abordadas. Parei para observar e aí fui contemplada com uma "amostra" do produto. Mas não me facultaram o saquinho que continha outras ofertas e que estavam a distribuir às jovens ao meu lado. Estive quase para perguntar o que continha o saco e se tinha direito a um, mas como não calhei passar ali para "sacar" algo grátis, não dei importância e segui em frente. Uma vez na sala de aula começo a ver colegas a entrar, todas sorridentes, com aqueles sacos na mão. Garantiram que lhes deram os sacos sem problemas e estavam felizes porque cada saco continha várias guloseimas como pastilhas, rebuçados, bombons, chupas e gomas. Nisto uma outra colega responde que, não sabe porquê, a ela não lhe deram nada. Estava no grupo, passou pelo local, mas não lhe deram nada e achou isso estranho. Essa colega não é tão jovem quanto as outras, tem trinta e muitos anos

Perante isto, o que é que uma pessoa pode pensar?
Se é assim na casa dos 30, é assustador imaginar como será aos 40 ou mesmo os 50.

Existe descriminação de idade SIM, esta sociedade consumista está a condenar as pessoas. Fá-lo todos os dias, subtilmente, através da publicidade, através das acções de promoção, através da sua obsessão pelo "target" jovem. Fica-se a sentir que se é menos importante, menos útil e menos válido depois da juventude ficar para trás. Estamos todos a dar um tiro no pé e a condenar os nossos filhos a só serem apreciados enquanto jovens e belos. Por quanto tempo é que se permanece tão jovem? Por um sopro de vida! E que valor se dá aos restantes muitos e longos anos? 




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Mentalidade formatada

Estava aqui a pensar nas desenvolvimento de uma pessoa que cresce numa zona mais quieta e tranquila como uma aldeia versus ao desenvolvimento de uma pessoa educada na grande cidade. Acredito que uma pessoa criada num meio ambiente menos exposto acabe por se desenvolver mais depressa. Existe aquela ideia pre-concebida de que na cidade se cresce depressa enquanto no campo longe do progresso o adolescente não desenvolve muito. Pessoalmente sempre achei isso um absurdo. Até porque, se assim fosse, não seria natural que em locais mais remotos muitos jovens formassem família cedo.  No que respeita à sexualidade, pelo menos - que é o que muitas vezes as pessoas se querem referir, esta não chega necessariamente até os jovens que vivem nas grandes cidades primeiro que aos que vivem em zonas remotas.

E acho que compreendo porquê. É preciso tempo para reflectir e fazer uma auto-consulta para se entender. Para a meditação - se preferirem. E esta é essencial, julgo eu, para o crescimento adequado de qualquer indivíduo. Ora um adolescente está ocupado com as suas obrigações escolares diárias ou está a passar pelas rotinas típicas da vida social na escola, da vida social entre os pares. Distraem-se todos com o mesmo, ocupam o tempo todo com diversas coisas que lhes ocupa a mente e deixa pouco ou nenhum espaço para deixar a mente sossegar para meditar. 


 Como explicar o que quero dizer? Em zonas altamente populacionadas em que a oferta de diversões é imensa, não se tem muito tempo para a reflexão.


É difícil não detectar com tristeza que existem hoje tantas ideias e comportamentos pré-estabelecidos que praticamente FORMATAM a mentalidade e as acções dos nossos jovens - especialmente os que vivem na cidade. Vestem igual, pensam igual, consomem os mesmos produtos, querem consumir esses produtos, divertem-se da mesma forma, nos mesmos sítios. São quase todos umas fotocópias uns dos outros sabendo eu o quanto se é diferente e o quanto a busca da identidade é importante nesta fase. Parece-me triste esta existência padronizada. Nasceram e já lhes dizem o que devem comer, o que devem vestir, que músicas devem escutar. Mas será que gostam de tudo o que foram ensinados que devem gostar? Falta a alguns a exposição a outras formas de vida, de sociabilidade, de realidades. 


A juventude é maravilhosa. É a melhor fase para se descobrir no e o mundo. E as grandes empresas sabem disso tão bem que muitas multinacionais dirigem os seus produtos a este target especial de consumidores. Tomem como exemplo a OPTIMUS - julgo que é essa a rede de telemóvel que é quase inteiramente direccionada para o público tão jovem mas tão jovem, que são os pais que ainda têm de pagar a mensalidade do telemóvel, embora toda a mensagem de consumo de serviços seja direccionada aos filhos. Lembram-se de um recente anúncio televisivo em que uma mulher idosa ao colocar o pé na água de um jacuzzi cheio de jovens começa a derreter da ponta do pé até ao fim, desintegrando-se? Não gostei desse anúncio preconceituoso mas ele foi muito explícito quanto ao seu público de eleição: a juventude. O resto são trapos... servem para pagar as contas mas o público mais desejado de qualquer empresa é JOVEM. Seja que produto tenham para vender. 

Então lamento que esta juventude - em particular a que cresce em grandes aglomerados populacionais, esteja toda a ser alvo deste merchandising e campanhas de sedução. 

Numa ocasião participei num inquérito que visava encontrar os produtos mais adequados para consumidores de todas as classes etárias, que são divididas mais ou menos em o grupo de bebés, depois das crianças até os 12 anos, depois dos 12 aos 18, dos 18 aos 21 ou 25 e assim sucessivamente, conforme passam as várias etapas da vida mais marcantes. Sugeri o que para mim me pareceu óbvio que era de interesse para o público alvo predilecto: a juventude. A pessoa que fez as perguntas estava particularmente ávida para receber soluções de produtos para o público desta idade. A minha sugestão foi implantada e teve um estrondoso sucesso. Eu, infelizmente, não ganhei nada com isso de dar ideias grátis a outros e nem fiquei contente com o proveito dela retirada.

Todos sabem que a juventude é o público-alvo mais desejado e o mais difícil de agradar. Mas se o obterem, as empresas têm os pais todos a gastar dinheiro no produto. Afinal, os jovens são persistentes e além disso cansam-se depressa e querem outros modelos, outros lançamentos, todos os anos ou a cada estação. Foram educados a pensar assim - defendo eu, pois também eu vi no meu tempo de criança publicidade na TV a tudo o que era brinquedo. 
Próximo da época do Natal então, "chovia" tanta publicidade que lembro que meus pais mudavam logo de canal. O normal seria se escutar "eu quero isto" ou "isto é giro" ou "podias me oferecer isto pelo natal ou pelos meus anos?". Só que a pesar da mensagem consumista funcionar como atractivo, existia a consciência de que não era possível ter tudo o que desejávamos e, mais importante ainda, o que recebíamos era para ser preservado e durar «uma vida toda» - assim me era dito. Era UMA barbie - ao invés de uma dúzia e UNS ténis, ao invés de vários de diferentes cores. Pelo que lamento que desde então as coisas tenham se tornado tão eficazes para as empresas que manipulam estes jovens e seus pais como consumidores. Que lhes dizem o que fazer, o que desejam, o que precisam, como devem vestir, que corpo devem ter, que pele devem ter, que penteado devem ter para ficarem na moda...

Em locais mais isolados ou pequenos a exposição também existe, mas talvez a juventude esteja mais protegida. Talvez... A única coisa que o jovem da cidade tem aparentemente de vantagem sobre o jovem criado em terras mais tranquilas é que este tem uma postura mais rápida de viver e desenrascar-se, uma superior experiência em noitadas, comportamentos padrão e de consumismo. Sabem se integrar rápido porque fazem parte do mesmo conceito. Mas de resto, algo se perde. Algo que talvez - não sempre mas de uma forma geral, o jovem educado de uma forma mais equilibrada consegue trazer de novo a um grupo educado a pensar igual, vestir igual, agir igual.


 Nas grandes cidades os jovens formam grupos conforme as pessoas são bonitas, bem vestidas, usam óculos são populares. Duvido que em zonas mais sossegadas o mesmo não aconteça - porque são coisas transversais que atravessam todos os extractos sociais, culturas e gerações - mas também acredito que fica mais fácil escolher amigos por afinidade de ideias quando não existe essa pressão inconsciente de os escolher conforme as conveniências. E conveniências ditadas por quem? Quem diz o que se deve pensar, comer, vestir, usar? O CONSUMISMO.



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Não sei se ainda está em voga mas vi recentemente uma reportagem sobre NEUROMERCHANDISING - que consiste em colocar o cérebro de indivíduos sobre ressonância magnética enquanto lhes mostram anúncios de produtos. Conforme a resposta que o cérebro dá, é estudada a eficiência da força do produto e modificada até atingir o ideal: muitas vendas. Na sequência disto vi também um filme intitulado "Assim se vende um filme", onde  me foi revelado algo que desconhecia: a cidade de S. Paulo, no Brasil decretou uma lei que proíbe a publicidade exterior. Resultado: toda a cidade, toda mesmo, não tem um único anúncio. Nenhum outdoor, nenhum autocarro ou taxi com mensagens publicitárias, NADA. A razão é que foi considerada aquilo que é na realidade: POLUIÇÃO visual. E como tal, foi irradicada. O resultado? Fantástico! 

Quanto a vocês, leitores, não sei. Mas estas empresas estariam perdidas se dependessem de pessoas como eu para enriquecer. Sou muito pouco dada a manipulações. Não que me julgue imune - afinal, existe pura ciência e até o APROVEITAMENTO de uma invenção supostamente criada para beneficiar a saúde da humanidade para a usar para levar essa mesma humanidade ao consumismo de produtos que até ajudam a fazê-la ficar doente mais depressa. Avaliando por mim mesma duvido da eficácia de tais manobras, pelo que só posso desejar que muitos mais sintam e vivam o mesmo.

sábado, 22 de junho de 2013

O estigma da virgindade


Acho que os sentimentos deviam se valorizar mais que um acto. Fazer amor não é ter sexo. 
A virgindade pode já ter ido pela janela antes mesmo da "primeira vez" acontecer. Não entendo e acho que nunca entendi o conceito de virgindade. E porquê este pressiona tanto os jovens de hoje a se verem "livres" dele e no passado isso ser tão recriminado. Alguém para debater isto? 





quinta-feira, 2 de maio de 2013

A saga dos telefones continua - a guerra está declarada!

Estava em casa de meus pais de noite, toca-lhes o telefone. Alguém da PT quer falar de um serviço qualquer. Já passam das 21h e meus pais já se preparavam para ir descansar. Minha mãe atendeu o telefone com a espuma da pasta de dentes ainda espalhada pelos cantos da boca e simpaticamente disse que não estava interessada em nada. Insistiram. Continuaram a insistir. Finalmente desligou-se o telefone e a tarefa de escovagem dos dentes retomou onde foi interrompida, eu voltei aos meus afazeres de preparação para sair.


Um minuto passou, o telefone toca outra vez. Cada um se aproxima perto do aparelho mas este pára de tocar no momento em que se chega perto. Isso não é irritante? Eu acho que é muito chato, uma pessoa larga o que está a fazer para atender o telefone e este toca poucas vezes e desliga exatamente quando se vai a atender. Mas acho que todos nós sabíamos que só poderia ser novamente a PT, a insistir ou simplesmente, para arreliar, numa atitude de retaliação mesquinha. (quando estão a «treinar» uma nova «manada» de carne fresca para canhão são um implacáveis!)


Cada um de nós retomou a tarefa que tinha em mãos, e o telefone toca outra vez. Desta vez, meu pai é mais rápido. Sua voz masculina volta a informar a voz feminina do outro lado: não estou interessado e agradecia que não voltasse a ligar. A voz feminina insiste. Recebe a mesma resposta. Volta a insistir, recebe a mesma educada e cordial resposta. Meu pai sabe ser implacável, mestre mesmo, ninguém o supera. Pelo que a rapariga teve uma sorte descomunal em apanhar o seu lado tranquilo que informa primeiro que não quer ser incomodado e agradecia que não voltasse a ligar. Quem não se conteve fui eu, ao perceber que ela ia forçar meu pai continuar a repetir aquela resposta, dando-lha pela quarta vez, tal como forçou minha mãe. Não me contive e gritei: estão com problemas de audição?! A voz feminina despediu-se prontamente do outro lado.

Tinha sido um mau dia para irritarem esta "panhonha" aqui. Qualquer outro dia, teriam a educação de sempre. Mas sabem quando uma pessoa realmente já chegou ao limite? Não entendo esta insistência com assédio. Quero que o telefone toque mas porque estou a aguardar um telefonema importante de alguém. Não vendas! Ou porque alguém que conheço quer falar comigo. Uma pessoa a quem dei meu número, não um desconhecido! 



O número de casa de meus pais só é conhecido para seis pessoas. Não está em nenhuma lista telefónica, não consiste em nenhum registo ou base de dados. Até minha mãe ter ligado para um programa da SIC para participar automaticamente num concurso.... 
Acabou-se desde então o anonimato. Acabou-se o sossego. Estão a ser invadidos pelas VENDAS DE AGRESSIVAS. Não deixam as pessoas terminar de escovar os dentes, ver sossegadamente a partida de futebol, a criança ter um sono tranquilo e o doente estar em silêncio...


Analisando isto do ponto de vista SOCIAL, esta vai pelo mau caminho quando, ao invés de ensinar coisas úteis aos jovens, está a formar indivíduos para serem agressivos, insistentes e inconvenientes. Ensinam-lhes a não desistir de importunar uma pessoa até conseguirem o seu propósito. Nem querem saber da pessoa para NADA! O objectivo é impingir, a qualquer um, um produto ou serviço. E esse NUNCA será o caminho pelo qual vão crescer e ganhar clientela. Antigamente, dizia-se que as pessoas que ligavam é que tinham azar de apanhar clientes muito desagradáveis do outro lado da linha. E até podia ser verdade. Mas agora está empatado, se não mesmo superado. Sem usar termos mal educados mas sendo ainda piores ao serem cínicos e sarcásticos, insistentes e manipuladores, são os que ligam que não aceitam receber um "não" e ouvir um "por favor não volte a ligar". 

Já vi idosos doentes e com princípios de esclerose a serem "manobrados" por vendedores inescrupulosos que ainda por cima detestam o trabalho que fazem. Nessas "grandes companhias" de serviços de TV, net e telefone então, é o que mais há. Garanto que não é esse o caminho. Nunca foi, nunca será.

E estes jovens de call center, Jesus! São tãããõoo carne para canhão. Não passam de peões num jogo de xadrez. Aproveitam-se-lhes da juventude, da necessidade, da energia e vitalidade. Já vi também. Fazem mais lembrar uns advogadozinhos em início de carreira muito mal formados, nervosinhos e sem escrúpulos  a tentar ganhar a maior quantidade possível de dinheiro para o seu patrão, em troca de uma pancadinha no ombro e um magro osso. Submetem-se a este tipo de emprego, porque não sabem ainda melhor, mas julgam que sabem e que aquilo é temporário. São a "mão de obra" esperançosa, crente e entusiasta (como um dia eu também fui), ideal para ser usado e deitado fora. Os que aprendem bem, não ganham nenhum conhecimento que valha a pena ser aprendido. Talvez ganhem uma úlcera e desenvolvam algum problema de saúde e, Deus querendo, de consciência. Aprimoram a capacidade de ser inconvenientes, insistentes e de "fo###" a cabeça das pessoas com suas vendas agressivas. E isso não lhes dá nenhum dom especial. Preferia os tempos em que se dava um cinzel, um martelo e uma pedra e se ensinava a criar um bom bloco perfeito para se construir uma parede. Ao menos isso é conhecimento útil e proveitoso para a humanidade.