Mostrar mensagens com a etiqueta portugueses. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta portugueses. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Ah.


Entendo as Rebeccas deste mundo. E quanto mais vivo, mais admiro e vejo o quanto são necessárias.
Refiro-me à personagem criada por Daphne du Maurier. É tão interessante... uma mulher que não existe. Mas que é personagem mais forte de toda a história. E que usou os homens porque os achava uns idiotas, por se encantarem com a sua beleza. "São todos uns estúpidos!" - acho que a certa altura surge citada pela governanta.  



E eu entendi. Nesse instante, entendi Rebecca e entendi a admiração da empregada por aquela mulher especial. Ela tinha todos os homens na palma da mão. Porquê? Porque era lá que eles queriam estar. ELES lhe deram esse poder. 

Devia ser extremamente frustrante ser tão inteligente e a primeira coisa que um homem via era a beleza. Depois vinha o fascínio pela sua mente, mas sempre, sempre, todo o homem desejava ir para a cama com ela. Asco. Dessa forma nenhum homem poderia jamais interessar-lhe por muito tempo. Não dá "pica", por ser tão fácil. E por ser frustrante, a excitação está no castigo. Por isso ela encontrava outras formas de lidar com eles, excitava-a os jogos psicológicos e brincava com todos, desprezando-os. Deixava-os pensar que eram especiais mas não gostava de nenhum. Ela era feminista.


Essa reverência de que a personagem foi vítima desde criança, é-me fácil de entender. Assim como achei brilhante a forma como ela conseguiu "despedir-se" do mundo antes da sua beleza a trair. E ainda por cima, fazendo um homem acreditar que a assassinou. Oh, ele a matou, sim! Mas porque ela assim o quis. BRILHANTE.


Bom, mas toda esta introdução para contar que estava no supermercado e um homem atrás de mim fala comigo em inglês e quando se afasta, ainda a falar, reconheço de imediato que é português, de Lisboa, por sinal. Só então viro-me na sua direcção e, por simpatia, pergunto-lhe, em inglês:
-"É português?"
-"Sou".
-"Também eu"
-"Ah" - diz com uma expressão de incómodo e a afastar-se.

Entretanto meto-me numa fila de atendimento, que ele por sinal corta e passa na frente assim que termina de escolher o que quer e quando chega a minha vez, ele está a terminar de ser atendido, faz por não estabelecer contacto visual comigo e regressa para perto de um amigo (também tuga) a rir, e a dizer algo onde a palavra "ela" entra na frase. Não sai dali de imediato, como seria de esperar para quem mostrou tanta pressa que até se meteu na frente.

Fiquei com a sensação de que fez troça, incomodou-se. Não gostei dele. Caiu-me mal que se tenha metido à frente da fila, acho que demonstra que se acha acima dos restantes. E mostra falta de respeito por mim, que estava nela, e ele sabia muito bem para quê; precisamente pelo mesmo motivo que ele: meter o euromilhões. 

Presumo que é um desses tugas que vem trabalhar para uma empresa de informática ou dados. Têm sempre a mania que são mais do que são, que estão acima dos restantes emigrantes da nação. Não gostam de se "misturar".


Fiquei a pensar: "se me visses com menos 15 anos, aposto que ias derreter-te em simpatia". "Se eu fosse famosa, também ias gostar de me encontrar numa fila de supermercado". "Mas como não sou essas coisas, é como se não tivesse valor. Sentes-te incomodado e totalmente desinteressado em ser simplesmente simpático". 

E fiquei a pensar nisto... ali estava a razão de existirem «Rebeccas». 
E devem existir. Faz sentido. Espero que existam.

Sei o que é ser assediada por ser jovem com um palmo de rosto bonito. Ou por ter desenvolvido curvas precocemente. Sei o que é ser uma «Rebecca», no sentido de entrar numa sala e todas as atenções virarem-se para ti. Aconteceu-me algumas vezes. E depois apareciam rapazes, uns atrás dos outros... interessados em "conhecer-me", estendendo-me convites para tudo e mais alguma coisa, olhando de lado para outros rapazes, tentando ser aquele que agrada mais. Nunca gostei, nunca me senti confortável e por isso desenvolvi vontade e necessidade de ficar "apagada", ser discreta, não evidenciar nada, até mesmo de ocultar a minha inteligência, conhecimentos, interesses. Porque eram muitos, diversificados e isso parecia intensificar ainda mais o interesse masculino. Fiz-me de "parva" por me incomodar com as atenções recebidas. Aquilo que representas, acabas por te tornar! Sempre escondi a minha beleza, talentos e inteligência. Não foi muito inteligente de minha parte... Mas foi o que fiz. Não fiz uso do meu poder. Desse poder que me foi conferido por todos eles, mas que nunca desejei possuir. Rebecca usou-o com deleite. Fez ela muito bem!

Olhei para aquele homem português não muito atraente, quase careca, achando-se acima da minha pessoa e fiquei a pensar se ele soubesse...

O que faço profissionalmente hoje não tem nada de nada a ver com aquilo porque me interessei desde girino :). Mas nos meus 20s, 30s, andei a fazer coisas que amei de paixão. Coisas que tinham a ver com o grande público e que podiam facilmente ter-me catapultado para a fama, transformando-me numa figura pública. Muitos rostos, femininos e masculinos que andam nas revistas, que surgem na televisão, são dessa época. A diferença é que eu nunca perdi a necessidade de me apagar. O que me prejudicou. E esses que aparecem, sempre quiseram aparecer. Fazendo de tudo para o conseguir. Tudo...

Imaginem então se este tuga tivesse encontrado no supermercado a Catarina Furtado? Ou a Cristina Ferreira? Todas produzidas e maquilhadas, claro. Porque se estivessem de gorro na cabeça com o cabelo tudo lá enfiado como eu estava, se calhar nem elas teriam a sorte de serem tratadas com as simpatias de bajulação de que já devem estar mais do que acostumadas. 

Acham que este tuga ia ficar-se pelo "Ah" e fugir a milhas?

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A diferença entre se ser RICO ou POBRE




Não é ciência nenhuma...

Mas apeteceu-me partilhar por a minha infância ter sido o oposto. 
Alguns sabem o quanto estas palavras bonitas «picam» a alma por, indubitavelmente, trazerem à lembrança outra realidade. 

Ontem uma pessoa perguntou-me porquê me vejo numa luz «derrotista». E sem entrar em especificações, tentei explicar o quanto um certo «negativismo» nas raízes de muitas famílias portuguesas contribui para esse colectivo. 


Por isso relembro: pobre não é aquele que cresce sem bens materiais ou com pouca comida.
Pobreza é outra coisa. É quando vem do espírito.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Autenticidade dos factos - expulsão Torremolinos


Acho que o que aconteceu em espanha, no hotel da localidade em Torremolinos, serve perfeitamente para exemplificar uma questão que já venho a querer abordar faz muito tempo. 

ACREDITAR PIAMENTE NOS MEDIA

Se alguns orgãos de comunicação se prestam a noticiar apenas o que sabem e escolhendo bem a terminologia com que afirmam alguma coisa, outros há que se ficam pelo alegado e o fazem passar por afirmado.

Como se sabe, um «grupo» com a módica quantia de 1000 teenagers foi fazer uma viagem de finalistas a espanha. Pagaram os pais o que tinham a pagar para que os seus mais-que-tudo ficassem alojados num hotel com o básico das condições de segurança, alimentação e conforto. 

Foram então expulsos por causarem danos ao hotel.

Pergunto: acreditam mesmo que todos os 1000 alunos foram responsáveis pelos desacatos e danos? Danos esses que não estão ainda listados?

Eu não acredito.

Um hotel aceita receber essa quantidade de pessoas - fossem ou não teenagers - para uma festa de bar aberto e com direito a música de concerto à beira da piscina. E o que espera? Uma reunião de freiras? Que fizeram voto de silêncio?

São jovens! Se já é complicado lidar com adultos nas mesmas situações ou mesmo dois ou três adolescentes, imaginem os 1000. Não é de propósito que são barulhentos, ou que falam alto quando passam nos corredores, ou que dão risadinhas. E não são todos os 1000 que agiram assim, decerto. Há sempre os sossegados e os eufóricos. 

Há sempre a meia-dúzia que vai para algum lugar no intuito de armar confusão. O que acontece é que pagam todos por esses pecadores. Podem ter sido expulsos todos os 1000, ou 800 como já li algures. Mas desses, talvez 12 andaram a ter comportamentos repreensíveis.

Tem de se dar educação aos nossos jovens sim. Mas pressupor que os pais são relapsos nisso, é outro erro

Quem já se esqueceu do que é ser teenager? E agora tentem imaginar o que é sê-lo nos dias de hoje. No meu tempo não existiam viagens de finalistas. Os jovens de hoje já contam com isso. Já sentem que é um direito adquirido, que faz parte da rotina de qualquer estudante, ter farras depois de terminar um qualquer objectivo académico. É a FORMA como esta sociedade consumista e capitalista os influenciou, já que das suas despesas tira um bom lucro. 

Antigamente o periodo da páscoa era um feriado religioso. Ainda se falava aqui e ali do corpo de cristo, de não se comer carne... Agora só se fala de coelhinhos da páscoa e ovos de chocolate. Os teenagers já não querem saber nem de uma coisa, nem de outra. Querem farra. Querem bebidas alcóolicas, querem fumar e agir como criaturas irresponsáveis...

Não é desculpa, claro. Mas é uma característica - não de todos - eu nunca fui assim. Mas talvez por nunca ter sido, consiga recordar como era não o sendo.

E como as coisas pouco mudam e a vida é feita de círculos, recordei a ocasião em que viajei na primeira e última viagem de escola com propósitos culturais: visitas a museus em Madrid. Mal entramos no hotel, ainda mesmo na recepção, já não haviam quartos suficientes para todos. Tivemos de dormir em maior número em quartos de outros para todos ficarmos alojados. Água quente, só muito raramente e por muito pouco tempo. Comida, uma lavagem. Não trocavam os lençois, porque isso era só quando a pessoa ia embora. E claro, fomos ameaçados de expulsão ainda mesmo na recepção da entrada, à chegada. E mal atendidos por alguns espanhóis com estabelecimentos nas redondezas, só por sermos portugueses. Era proibido ir aos quartos de outros a partir de uma certa hora. E fomos todos para lá com planos de passar os nossos dias a visitar museus. Só ao final da tarde regressava-se ao hotel. Agora imaginem o que é não existir nem esse propósito e só ter a DIVERSÃO como objectivo. Num hotel que não é uma estalagem, que tem piscina... 



Posso dizer que no meu grupo de não-recordo quantos mas menos de 60, existiram muitos jovens com aquela mentalidade: «longe de casa e dos pais, vamos fazer tudo o que não nos permitem fazer».  O que significa que podem fazer todo o disparate que lhes passar na cabeça. Nomeadamente, levar rapazes para os quartos, fumar, beber às escondidas e fazer traquinices com a propriedade alheia. 

Por isso acho que sei que, neste caso, a razão está dos DOIS LADOS.
Tanto o hotel tem razão em dizer que existiram comportamentos inaceitáveis, como os estudantes têm razão ao dizer que pagaram por um serviço que não correspondeu ao combinado. 

Se calhar o ERRO está nesta sociedade gananciosa de consumo. Para receber o dinheiro de 1000 hóspedes, dizem que «sim» a tudo. Depois não sabem que esse número requer cuidados especiais. Devem pensar que os festivais de música no verão são também realizados e frequentados por freiras e padres ... Lá porque é páscoa, não esperem milagres.

CONTUDO...
Depois de ler este artigo do público, acho que mudo um pouco de opinião no que respeita à desculpabilização. Tenho de concordar com ela. O que se diz aqui só fundamenta as acusações. Dizer-se que é "normal" numa viagem de finalistas existirem alguns danos já é aceitar um comportamento que não é suposto ser aceite. Lá proque todos o fazem e se torna rotineiro, não deixa de ser algo a combater. Não é porque todos viram carteiristas no Rio de Janeiro que agora faz bem roubar, não é?? Ainda por cima dizer que, lá por se ter cometido uma injustiça é aceitável "retaliar" isso está errado. O hóspede jamais tem o direito provocar danos conscientes como medida de retaliação. Afinal estes jovens estão a ser criados para serem excelentes dominadores da retórica ou da brutalidade?

Concordo com este artigo de opinião.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Um sinal que vem da Madeira



Desde que emigrei tenho encontrado muitos portugueses. Existem portugueses por todo o lado! Nas ruas, nas lojas... A cada passo dado, cruzamos-nos com alguém a falar a língua de Camões. Uma criança passa com um brinquedo e a contar os rebuçados que tem na mão na nossa língua Ibérica. No emprego não faltam Portugueses. Hoje dei-me conta que as quatro pessoas dentro da pequena divisão do escritório eram portuguesas e que o inglês falado era dispensável. Fui às compras de roupa e fui atendida por uma muito prestativa empregada portuguesa. A minha língua materna não chega a não ser praticada. 

Mas também percebi outra coisa: todos os portugueses que conheci perguntam-me se sou «do continente». Respondo que sou de Lisboa. E todos com quem me cruzei são... da Madeira.

Ora, isto é significativo. Existem duas informações que se podem tirar deste pormenor.
A primeira é que os lisboetas ou os de outra parte, não se encontram muito por aqui, nesta cidade, nesta zona, neste sector de trabalho. Sim, porque acredito, com toda a certeza, que existem portugueses de todos os cantos espalhados pelo UK. Mas aqui predominam os habitantes nascidos na Ilha da Madeira. 


Ora, a Madeira é uma ilha conhecida pela sua beleza mas também pela sua população pobre. Quem não se recorda dos apelos de ajuda aos necessitados? Das notícias sobre a prostituição infantil e o turismo sexual? Da mãe a viver no topo da ilha com vista para o "paraíso", que se suicidou após dar veneno ao filho deficiente, porque estava desempregada e com uma doença fatal e vivia sozinha? Isso é miséria, pobreza...

Que uma grande parte da juventude da ilha decida emigrar, não é exatamente novidade. Assim tem sido há muitas gerações. O arquipélago da Madeira sempre produziu população emigrante em quantidade. É um lugar ainda com poucas oportunidades, onde muitos vivem com dificuldades. Isso explica a quantidade de madeireinses que se encontram espalhados pelo mundo. Louvável que a juventude e até a não-tão juventude, tenha este tipo de coragem.
Só que, infelizmente, a maioria dessa corajosa população também é pouco qualificada. Emigra aos 18 anos, ou mesmo mais cedo. Não levam na bagagem grandes estudos logo, a própria ambição e os empregos que vão preencher serão sempre os de menor qualificações.

O facto de encontrar muitos madeirenses quase que confirma que, no departamento das qualificações pessoais estou um pouco deslocada. Devem existir lisboetas por aí... Alguns com formação qualificada em áreas distintas. Resta saber por onde andam.... Não é por aqui. Descobri-los ia permitir-me descobrir se existe uma hipótese de me «juntar a eles» e, mais importante ainda, descobrir se é isso que pretendo.

Abraços e BFS!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Considerações soltas (3) - adenda

A respeito do Considerações Soltas 3...
Faz tempo que venho querendo fazer uma «adenda».

Então dizia o post: «Não recordo se alguma vez li Margarida Rebelo Pinto mas ainda assim arrisco dizer que só pode ser melhor que José Luis Peixoto. É que cada vez que leio no mural de facebook um dos seus textículos que incessantemente surgem em spam publicitário, aquilo tem efeito de sonífero e forçar a leitura quase que induz ao vómito. »

Pois prestei mais atenção às sugestões publicitárias no mural do facebook e fiquei na dúvida. Acho que enganei-me no alvo (mea culpa, mea maxima culpa). Scratch José Luis Peixoto (também nunca li, es verdad) e substituam por Pedro Chagas Vieira Freitas.

Eis o que aparece no mural:











Não só é autor como se desdobra a dar workshops, publicar livros de terceiros e a apresentar "soluções criativas" para slogans, discursos, estratégias de marketing e por aí fora...

Uau!


Nota: salvaguarda para o detalhe de não ter lido nenhum dos mencionados (que me lembre), pelo que fique claro que as opiniões têm como base os textos publicitários que surgem no facebook. É um meio de comunicação e divulgação que está a ser usado para auto-promoção e vendas, não só de livros como de serviços. Pelo que é legítimo que o que é fornecido por ali, seja alvo de análise crítica.

domingo, 13 de setembro de 2015

A triste constatação do povo medroso que somos


Encontrei isto entre muitas outras publicações sobre este tema e dentro do mesmo tipo de "argumento":


Esta imagem revolta-me.
De um lado a forma como o povo se vê: miserável e coitado. Do outro, a forma como vê os refugiados: uns adolescentes bem vestidos que vêm do mar e tiram selfies.
Mas decidi que não vou mais me preocupar.

Bem sei que a minha tendência para ser ingénua pode estar a deturpar a minha percepção - talvez exista algum fundamento neste medo em ajudar a acolher refugiados. Mas prefiro 1000 vezes ser como sou e ainda me restar um tanto de solidariedade que fala mais alto e se sobrepõe a sentimentos mais egoístas e mesquinhos.

Consigo perceber que o receio de importar terroristas extremistas é de facto pavoroso. Mas considero isso um pensamento que não deve prevalecer diante da ajuda ao próximo. Só consigo pensar que toda a gente que foge da guerra e procura uma vida melhor merece essa oportunidade. Se fosse eu no lugar deles, ia gostar que alguém me estendesse a mão.

Me entristece perceber que o povo português gosta de gabar-se das suas qualidades como povo acolhedor e simpático, mas depois manifesta-se em massa nas redes sociais contra uma ajuda singela em relação aos números. Todos se tocam com a pobreza e a miséria lá longe, quando esta chega pela televisão e pelos jornais. Mas se vier tocar à porta, começam a olhar para dentro, a apontar a miséria cá de dentro, que antes pouco lhes importava, para argumentar porque é que não se pode ser solidário com os de fora. 

Isso não é argumento, é xenofobia. 
Nem parecemos um povo emigrante, que emigrou e está espalhado por todo o mundo. 

Não me reconheço nesta postura. Compreendo que existam receios, como já disse. Mas estes não justificam uma atitude de total fecho de mentalidade. Até porque Portugal já importou criminosos de verdade, que sempre aqui viveram misturados connosco e nem por isso tivemos atentados à bomba no metro ou nas ruas como aconteceu em França, Inglaterra, Espanha e EUA.

As pessoas temem que essa realidade venha a surgir com a ajuda a refugiados? Por favor! Não é por ajudar umas pessoas que se perde alguma coisa. Ao contrário: ganha-se. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O discurso político e optimista de quem recusa os factos

Passos Coelho:

Afirmação: -"Ainda temos um longo trabalho pela frente"
Resposta: Não. Tu tens é de sair da frente para outros poderem começar o trabalho.

Afirmação: "Portugal está a recuperar, prevêem-se melhorias"
Resposta: "Portugal jamais vai recuperar dos desaires deste governo. Prevêem-se piorias, lá está ele em negação!"

sexta-feira, 7 de junho de 2013

CTT em GREVE conta a PRIVATIZAÇÃO

A revista VISÃO desta semana trás na página 19 uma notícia com o título:



"Dilma (presidente do Brasil) em Portugal... com a TAP na bagagem.... e os CTT na agenda"


Os CTT começaram uma greve hoje, à meia-noite, com duração de 24h.
Quanto a mim estou do LADO dos grevistas. NÃO QUERO OS CTT privatizados. 


Façam as petições que quiserem, eu vou e assino!
Peçam para comparecer e compareço!
Não QUERO ver a instituição que é os CTT, que tem muita qualidade, ir parar a mãos de privados.

Quem SOFRE é o PAÍS e o POVO.
Deixaremos de ter correspondência a ser enviada de forma segura e confidencial.
Perderemos uma empresa que dá lucro aos cofres do Estado com os seus impostos.

No BRASIL nunca conheceram um serviço postal que funcionasse de forma a honrar o sigilo e o princípio da entrega da correspondência. Lá viola-se as leis fundamentais do direito à privacidade, roubam envios, fazem desvios, deixam de entregar correspondência. Acreditem, portugal é um EXEMPLO a ser seguido. 

A privatização faz parte do plano exigido pela TROIKA para este ano fiscal.
Vamos lutar contra esta injustiça e má decisão desta troika, que pelos vistos, não sabe o que é bom para um país!

sábado, 3 de novembro de 2012

Integração numa CULTURA


Recentemente entrei dentro de uma superfície comercial "chinesa" e, ao precisar de auxílio para adquirir um produto, procurei um empregado entre os corredores. Encontrei dois, um jovem rapaz com quem já tinha falado e uma jovem rapariga. Expliquei-lhes então a situação:

-"Boa tarde. Preciso de ajuda com um artigo (disse o nome), só encontro um e queria saber se por acaso têm mais em armazém".

O rapaz não me responde, vira-se para trás e grita por alguém na sua língua. E depois, mais nada. Nem um gesto, nem uma palavra. O outro também não aparece para se dar a conhecer ou indicar o cliente para o seguir. Não me é dada qualquer resposta. Nem sequer gestual. Simplesmente deixam-me ali.

O que vale é que não fiquei estancada à espera. Dirigi-me novamente para a zona do artigo. Se lá estivesse alguém para prestar ajuda, muito bem. Se não estivesse, virava as costas e saía pela porta. 

O empregado, outro miúdo jovem, também não se dirigiu a mim, cliente, para prestar auxílio. Mais uma vez, aproximei-me, dei a «boa tarde», indiquei o artigo, expliquei a situação. Directa e sucinta. O rapaz não diz nada. Não dá resposta, nem sequer gestual. Nem "ai" nem "ui" - como se costuma por cá dizer. O que entre nós é vulgarmente considerado um sinal de falta de boa educação. Os portugueses podem sentir algum incómodo pela frieza e falta de atenção mas somos um povo tão aberto que aceitamos as diferenças, mesmo quando estas «arranham» a base do que é para nós a nossa educação cultural. Mas tratando-se de outra cultura, relevamos...  

Pergunto a este empregado se posso abrir a embalagem para espreitar o artigo, pois haviam colocado um enorme cartaz de cartolina manuscrito com canetas de várias cores onde se «ameaçava» que quem abrisse as embalagens teria de pagar o artigo e era estritamente necessário pedir ao funcionário para as abrir. (os chineses também não entendem a diferença entre uma comunicação e uma intimidação, deve ser algo do regime comunista) Pois pedi... e não obtive qualquer resposta. Nem um som. O rapaz nem se digna a estabelecer contacto visual. Parece que estou a falar para um MONO.

Abri a embalagem. 

O rapaz aproxima-se e põe nas minhas mãos um artigo, mas não o pretendido. Agradeço (gesto de cordialidade que é como se caísse em ouvidos ocos) e explico que já tinha encontrado um par daqueles, pretendia era outro. Ele lá remexe em tudo sem nada dizer e volta a esticar um artigo na minha direcção, desta vez o correto. Agradeço-lhe. E como havia retirado alguns das prateleiras e sou das que arrumam de volta e no sítio certo, perguntei-lhe se não se importava de os arrumar. Não me responde mas entendo que é o que vai fazer, pois já o outro rapaz, ao me ver a retirar os artigos, pegou nestes e tive de lhe pedir para os deixar ficar, pois encontrava-me a escolher. 
Antes de me afastar de vez, volto a agradecer. 

E agora pergunto eu: estes JOVENS, provavelmente já nascidos cá ou pelo menos cá criados, não deviam já integrar-se melhor nos costumes locais? Parecem entender o português bastante bem, mas não emitem uma palavra. Nem sequer fazem um esforço! E isso é que é algo incomodativo. O povo português é conhecido pela afabilidade com que recebe e pela entrega em se adaptar a outros países, outras culturas e outros costumes. Já cá recebemos vagas migratórias de todo o género de povos: africanos de Cabo Verde, de Angola, Brasileiros, mais recentemente pessoas oriundas da Europa de Leste... e em nenhum destes encontro uma maior falta de atenção para com o povo acolhedor, no sentido de absorverem os costumes, a cultura, os tratos sociais. 

Se for o povo português a emigrar, fazemos um esforço por nos adaptar. A primeira coisa que fazemos, custe o que custar, é tentar aprender a língua. Começamos logo a tentar comunicar oralmente, assim como comunicamos bastante gestualmente. Somos um povo que se adapta, e mesmo que muito   afastados pela cultura de origem, existe sempre uma pre-disposição para a adaptação. Pode até ser má,  mas pelo menos fazemos esse esforço. Se emigrarmos para França, aprendemos a falar francês. Para qualquer outra parte do mundo, falamos inglês. Se formos a Espanha, falamos espanhol. Se formos para Itália, falamos italiano, e por aí fora...

Até dentro do nosso país, gostamos de aprender outras línguas! Portanto, custa-me um pouco entender a mentalidade de uma cultura que, pelos vistos, parece tão mais fechada, tão mais incapaz por ESCOLHA própria de se «mesclar» na cultura que a acolhe. 


Nas escolas aprende-se logo em criança, o MODELO BÁSICO DE COMUNICAÇÃO entre os humanos: o Emissor, a Mensagem e o Receptor. Não sei se os chineses que encontramos na maioria dos estabelecimentos comerciais auto-sustentados entendem esse conceito. Ao fim de anos de permanência neste país que os acolhe, parece que foi ontem que chegaram, tal é a aparente indiferença para com os costumes que cá encontram. E é por esta razão que estes «comerciantes» me fazem lembrar uma praga de gafanhotos: chegam, usam, tomam o que gostam, desgastam, destroem, não deixam nada de bom em troca.   

Lá se vai o mito do imaginário tradicional, que transmite a ideia de que todos os orientais são muito bem educados e cordiais, com as suas vénias e "ais"...