Mostrar mensagens com a etiqueta ajuda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ajuda. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Abuse Recovery

 


(texto do dia 30 de Janeiro)

Este vaso com flores coloquei a entrada da porta do meu quarto. Chamaram-me a atenção agora, quando reparei que tinham murchado subitamente. Mas não de forma igual. Traçando uma linha imaginária vertical, parecem só ter morrido as do lado esquerdo. Surpreendentemente, asdo lado direito, que estão viradas para a porta do meu quarto,  permaneciam floridas.

Do lado esquerdo fica o quarto da M.

Acho que é um comprovativo da energia que cada uma de nós traz à casa. 


Não tenho dito nada mas tem estado infernal.  A M. funciona por alvos. Vai abatendo-os um de cada vez. O rapaz que ela mais queria ver pelas costas, foi embora a meio de Dezembro. Eu? Fui de férias. Voltei em Janeiro e desde então, ela não pára de me atormentar. Nesta semana que passou tive 4 discussões com ela. Foram "só" quatro, porque ela me "apanhou" quatro vezes. Tivesse eu passado a sorrir na sua direcção ou ficado mais tempo em casa em vez de ter ido trabalhar duas semanas sem um único dia de folga,  e as brigas teriam sido umas 20.  Ela transitou de um alvo para outro. Subitamente as discussões passaram de raras a constantes. E isso não partiu de mim, mas dela, que é uma NARCISISTA. 

Cheguei a essa conclusão por mim mesma, depois de ligar todos os traços da sua personalidade e comportamento. Contudo, ao surfar pelo youtube, encontrei vídeos de profissionais a explicar o que é o Narcisista. E tudo, mas absolutamente TUDO, encaixa-lhe que nem uma luva!!



Assistir a vídeos como este acima já me fez um bem enorme. É que tenho estado muito afectada com esta situação. Não estava a conseguir abstrair-me dela. Ocupa o meu pensamento o tempo todo, esteja no emprego, no autocarro, na rua, nas compras. Faz-me recear o momento de entrar em casa. Fui forçada a adoptar comportamentos que não devia necessitar adoptar. 

O que a M. mais faz é seguir-me onde quer que eu vá. Assim que entro em casa, ela sai do quarto. Como sei o que se segue, faço tudo em segundos. Já entro a correr para o WC para tomar um duche. Se perder tempo a descalçar os sapatos ou a agarrar a toalha, ela passa-me na frente. Não importa a hora a que chegue a casa. Anteontem foi às 23.30, ontem foi às 22h. Ela sempre tem vontade de ir para o duche nesse instante. Mesmo tendo estado em casa o dia inteiro sem nada para fazer. O mesmo acontece durante o dia, quando saio do WC, ou quando desço à cozinha, ou até mesmo, quando vou ver a caixa do correio... SEMPRE. A M. segue-me. Quer, com isso, me destabilizar. Fez o mesmo com outros. Até estou a registar isto num diário. Em 48h, ela apareceu atrás de mim 100% das ocasiões. 

Fá-lo também para espionar, para encontrar algo com que implicar e originar uma briga. Ela provoca, insinua, mente, distorce, impõe-se, exige, usando itencionalmente um tom de voz baixo. Já não consigo ignorar as suas malícias e perdi a calma. Estava tranquila a tentar cozinhar e ela aparece. Não uma vez, não duas, mas umas dez! Na última, mexo-me um bocadinho no sofá e pronto: de imediato, ela começa a implicar. Não aguentei e disse alto: "Mas o que se passa contigo M? Estás doida da cabeça?". 

Durante esta interacção, notei aquele sorriso nos lábios, a face mais relaxada, os olhos brilhantes e... felicidade. Percebi que ela estava a gostar de me tirar a calma. Começou a fazer comigo o que fez com outros: Provocar até conseguir algo que recrimine a pessoa. Um insulto, dois, três. Quem sabe até uma ameaça. Quando ela dá três passos na minha direcção pondo o seu rosto quase colado ao meu, retiro-me. E ignoro-a. Não lhe falo mais. Ela resmunga, resmunga e sobe ao quarto. Nisto aparece a nova rapariga (tomou o quarto do rapaz que saiu) e desenvolvo uma rápida conversa com ela. A M. aparece a correr, abre a porta da cozinha (que ela própria fechou "incomodada" com o meu cozinhado) e exige saber o que eu perguntei. A outra responde-lhe! - Para minha surpresa.  A M. já a impor medo, receio, obediência imediata. INCRÍVEL. Para não terem problemas com ela, afastam-se e fazem-lhe as vontades. 

Não pode ser assim, alguém tem de tentar por cobro nisto. A M. não só interrompeu a minha conversa com a nova inquilina, como não me deixou continuar a conversar. Que nem uma criança mimada, egoísta. Fez barulho com as panelas, exigiu falar comigo imediatamente a respeito do meu cozinhado eu digo-lhe para esperar. Não consigo dialogar uma frase com a nova inquilina tal é a interrupção. A M. não me dá um instante de sossego. Então levanto-me, fecho a porta e tento terminar de falar com a rapariga do lado de fora da cozinha. A M. não é de cerimónias: abre a porta, chama o meu nome e não pára de me chatear, inventando que o que coloquei no forno tinha "queimado". (Mais uma vez, quem é ela para abrir a boca, ela que sempre queima tudo?). Já que não consigo falar com a rapariga tentei trocar números de telefone com ela, mas a M. não estava a deixar. 

Não é a primeira vez que noto que ela faz de tudo para impedir qualquer interacção minha com alguém cá de casa. Os narcisistas, como explicam os profissionais em vídeos no youtube, procuram minar a imagem da pessoa diante dos olhos dos outros. Daí a M. não desejar conversas minhas com ninguém. Fico meses a aguardar uma oportunidade, nunca chega. 

Por isso, quando notei o rapaz do andar de cima a sair de casa ao mesmo tempo que eu, acabei por apanhá-lo pelo caminho. Faz mais de UM ANO que não tenho uma conversa sozinha com ele. A M. sempre está por perto e ambos trabalhamos muito, acabando por ficar pelo quarto nos tempos livres. 

A situação em que me encontro estava insustentável. A M. quer me fazer crer que eu é que estou errada e sou a vilã.

Então perguntei ao rapaz se achava que eu contribuia com conflictos para a casa. A sua reacção tirou-me uma montanha de peso nos ombros. Disse-me que a M. está sempre a brigar com todos, que ele só lhe diz "bom dia" e com pessoas assim não se interage mais que isso. Aconselhou-me a não mudar de casa. "Se mudares cada vez que encontras uma pessoa como ela, vais mudar sempre" - disse. 

Fez sentido. Na noite seguinte, entro em casa, decido tomar um duche. Tinha estado a privar-me deles ha dias, por causa da M! Cheirava... mal. Já estava a evitar a proximidade com outras pessoas. Entrei em casa a sentir o mau odor nas roupas, na pele e percebi o absurdo que é temer entrar no duche por ela me seguir. 

Tomei o duche, limpei a água que salpicou no chão e desci à cozinha para ver se existiu infiltração (mais uma "dádiva" da M. para a casa). Ainda no corredor já estou a ouvir a M. a abrir a porta do seu quarto. E vai para onde? Para o WC de onde eu tinha saído há cinco segundos. É sempre assim! Quando estou a passar para ir à cozinha a M. provoca-me: "Não sabias limpar o chão? Porquê não limpas-te o chão? Tens de limpar isto melhor, não pode ficar assim".

Passei-me. A tipa que andou meses a deixar aquilo ALAGADO (daí a infiltração para o piso inferior e a ferrugem no piaça metálico), que ignorou vários pedidos e recados para não se deixar o chão molhado, aquela que toma banho e vai para o quarto SEM secar o chão... vira-se para mim que não deixo uma coisinha fora do seu lugar e ousa abrir aquela pérfida boca?

Soltei em voz alta: «Acabei de entrar em casa, tomei um duche rápido, limpei tudo direitinho e já tenho a M. enfiada do meu rabo!» 

Nisto o rapaz com quem só pude trocar umas rápidas palavras FORA de casa, abre a porta do seu quarto e pergunta se está tudo bem. A M. começa a sua encenação. Muito calma e sorrindo com satisfação diz: "Eu só fiz uma pergunta. Tu é que estás a gritar. Estás a ver o que tu fazes, Portuguesinha? Estás a gritar."

-"O que eu faço??"

No quarto, o rapaz gesticula para eu não lhe responder. Compreendo-o e recuo. Ela tem uma sorriso no rosto e está visivelmente satisfeita consigo mesma. No entender dela, acabou de conseguir uma testemunha do meu "mau temperamento". Fecha-se no WC e o rapaz pergunta-me baixinho: "Estás bem?". 

Percebi que ele tentou ajudar-me. Deve ter percebido o meu desespero. Eu lhe disse que ela me segue por todo o lado, eu vou à casa de banho, ela vai à casa de banho, vou à cozinha, ela vai à cozinha... 

E o que tinha acabado de acontecer? Precisamente isso. 


Entrei no quarto e lágrimas começaram a cair do meu rosto. O que estou a viver é muito sério. É grave. Contactei a agência que está a par de tudo mas nada faz e tem ignorado meus pedidos de ajuda, até para encontrar outra casa. Liguei o computador e pesquisei "esquadra da polícia, denúncia de bullying". Infelizmente era fim-de-semana. 

Se não tivesse sido, sei que teria ligado para aquele número, exposto a situação e dito: "Olhem, preciso de ajuda. Gostaria de falar com um psicanalista, alguém que me possa ajudar": 

A ideia da esquadra surgiu-me por causa da M. Ela mesma tentou aliciar-me a juntar-me a ela numa queixa contra o rapaz que-se-foi-embora. Os policiais nada puderam fazer, porque ele nunca foi físico. Mas ela me disse que da próxima vez ia até o fim. Sabia que nunca ia fazer o que me pedia, porque sempre a achei a instigadora. Bem que ela tentou que ele fosse físico. Não me surpreenderia nada que tanta provocação fosse para atingir esse fim. Essa "próxima vez" que mencionou, provavelmente era ela já a planear algo. 

Quando lhe perguntei o que aconteceu para ela ir à esquadra, não me soube responder. Insisti. Não respondeu. 

Um dos traços dos narcisistas é não responderem a perguntas. 

Infelizmente os restantes aqui na casa não se querem envolver. Estou sozinha a lutar contra uma Narcisista e, possivelmente, também uma sociopata. Outro vídeo no youtube facultou-me esta informação:

O Psicopata leva um estilo de vida de parasita. Isso encaixa na M perfeitamente: não trabalha e arranjou um esquema - pedir um empréstimo monetário de estudante durante três anos. É com esse valor que é superior ao que usualmente ganho por ano (12.000), que ela continua a viver como a parasita que é. Não acredito que esteja a estudar. Está matriculada, mas estudar? Não vejo nada disso. Quando chegar a hora de ter de pagar o empréstimo - não vai fazê-lo. Aqui no UK pode sair impune. Muitos fazem-no, nunca chegam a pagar o empréstimo e, a única consequência é "ficarem sem crédito". LOL!

Às tantas ainda vai conseguir que lhe perdoem a dívida, alegando outra manipulação qualquer. O curso que está a fazer não podia ser mais desajustado ao seu carácter: Gestão de pessoas e negócios. Ela, que não gosta de ninguém e a todos enerva! Nota-se mesmo que o que almeja é uma ocupação onde possa mandar e não ter de trabalhar. Mas sendo como é, será sempre uma péssima escolha. Um gerente não deve ser isso. Ela devia ir era para guarda prisional. Porém, coitados dos outros guardas e até, dos prisioneiros. Não, é melhor que não. Imaginem a sua patalogia em terreno fértil...

Não é de admirar que eu esteja muito afectada com a situação. No emprego, este sábado, não consegui deixar de ficar triste e em espécie de pânico, com a ideia de não ir trabalhar no dia seguinte, Domingo. 


A ideia de passá-lo em casa... como explicar? A sensação é terrível. Há três semanas, passei quatro dias em casa. Não fiz nada, mal saí do quarto. Senti-me impedida de usufruir do espaço para além das quatro paredes do quarto e impedida de encontrar algo prazeroso para fazer. Só fiz dormir e pouco mais. Esse desperdício de tempo me incomodou mas sabia que, com ela cá dentro, só dá assim. 

Deve também ser por ela que os outros não saiem dos seus quartos. 

Estava tão mal, tão mal, a sentir-me sozinha nesta "luta" contra uma pessoa tão tóxica, a duvidar de mim mesma. Queria trocar ideias com alguém. Tirando a agência que nos aluga a casa, não contei isto a outros. A agência acabou por lavar as mãos e ignorar meus emails. Só soube responder: "Pague mais 75 libras de aumento de renda". 

Como bem disse alguém num comentário, ser o alvo de um narcisista é excruciantemente doloroso. Estes vídeos acabaram por ser o que me permitiu distanciar-me um pouco dos actos da M. Têm estado a ajudar. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Ajudar os outros

 

Consegui um novo emprego. Devo começar para a semana. Não é permanente (o que é hoje em dia?) mas deve durar até o final do ano.

O que mais gostei foi que eu partilhei esta oferta de emprego e a contratação imediata com duas colegas. Uma sabia que não tinha emprego e tem dois filhos que cria sozinha. A outra está melhor da vida, mas sempre foi um pouco minha amiga em momentos em que precisei e achei por bem lhe dizer, não fosse ela precisar. 

Ao invés de guardar só para mim para não ter concorrência, partilhei com quem achei que também estava a precisar. E isso fez-me sentir bem. Mesmo que não conseguisse o emprego, se por minha intervenção uma delas o conseguisse, ficaria bem na mesma.

Em momentos de necessidade, precisamos de nos ajudar uns aos outros. 

E quem sabe, um dia, somos nós os ajudados.

Deviamos praticar mais esta doutrina. 



terça-feira, 15 de outubro de 2019

Trancado fora de casa


No Sábado preparava-me para sair para o trabalho quando batem à porta. Um rapaz de bicicleta disse-me que é inquilino numa outra casa do senhorio. Esqueceu-se das chaves e do telemóvel, não estava ninguém para o deixar entrar e não teve opção senão ir bater à porta de outras casas onde ele sabia que o proprietário era o mesmo.

Antes de o ajudar, tive de confirmar se a sua história era autêntica. O que não faltam por aí são pessoas a saber que o senhorio tem umas seis casas e uns 30 inquilinos... Vá que o deixava entrar e pimba! Acontecia algo.

Liguei ao senhorio, sem colocar o telemóvel recém adquirido e novo nas mãos (não fosse fugir com ele) do homem e confirmou-se a identidade. Convidei-o a entrar. Estava a chover e senti de imediato o impulso de ajudar, mas tive de agir com cautela. 

A questão é que o que lhe aconteceu é um dos meus maiores receios. 


Temo perder as chaves na rua sem dar conta ou ficar sem elas. Não ter como entrar no quarto para deitar-me e descansar... Entrar em casa, ainda é relativamente simples. Alguém abriria a porta, mais cedo ou mais tarde. Mas no quarto, só o senhorio podia acoder-me. Imaginem isto a acontecer à meia-noite..!


Cada vez que levo a mão ao bolso e procuro as chaves sem as encontrar, sinto pânico. Quando o porta-chaves dá de si e abre, temo ter perdido uma das chaves. E muitas vezes, quando lhes pego, por instantes estou convencida que falta uma! 

É uma sensação terrível.

Gostei de ter sido útil e ter ajudado.
Ainda por cima, o senhorio estava de férias na Escócia!
Temos de ser uns para os outros. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Ser um pouco para os outros - promoções



Vinha do supermercado, onde fui comprar artigos em promoção. Alimentos que vendem a preço reduzido, por expirarem no dia. Este supermercado faz isso - acho que todos deviam fazer. Mas só um faz. Os outros, reduzem para preços altíssimos, um produto que vai para o lixo dali a horas. Este começa por manter 75% do valor inicial. Depois reduz para 50% e, finalmente, deixa ficar apenas 15%. 

Escusado é dizer que não são poucas as pessoas que ficam a rondar as prateleiras até chegar o momento da grande redução. E eu sou uma delas, ahahha. Vou a um supermercado que não faz promoção e deixo 20 libras. No da promoção há quem lá vá TODOS OS DIAS e só compram a preços reduzidos. Nem cinco libras gastam. Hoje uma senhora pegou em várias caixas enormes que continham fruta e meteu no seu carrinho. Tinha 11 caixas, fora tudo o resto. Sabem quanto pagou pelas 11 caixas com fruta? Cinquenta e cinco cêntimos. 



Sim, perceberam bem. Deliciosas maças ainda bem frescas por sinal, uma dezena delas por caixa. Um pomar de 110 maças por por meio euro... 

Mas não é fácil. Não, não é. Pode não haver ninguém por perto mas assim que lhes "cheira" a coisa boa, "atacam" que nem doidas. Vi um funcionário a colocar um produto na prateleira das promoções de carne e fui espreitar. Eu estava ali mesmo ao lado dele. Era só me virar para a esquerda. Pois do nada, surgiu uma mulher e um homem. A mulher lançou as mãos a duas embalagens de carne cá com uma rapidez que mal tive tempo de ver o que se tratava. Aliás, aprendi que não é para escolher. É para tirar logo. A escolha vem depois. Se ficares a olhar e a decidir, ficas a olhar para um espaço vazio. Um segundo, tudo se vai. 

Isto é engraçado - por enquanto, porque não vou lá todos os dias. Mas aquelas mulheres e homens vão. Porque seja lá quando eu lá for, elas estão lá sempre. São fixas. Não as vi lá quando pela primeira vez dei conta deste tipo de promoções. Mas elas são profissionais. Vão ali, vão a outros lados, recrutam familiares para ficarem na "guarda". Uma destas mulheres (muçulmana, por sinal) - a que hoje levou grande parte das caixas, recomendou-me que fosse todos os Domingos a um mercado, pois no final, para não terem de levar as caixas de fruta para casa, eles vendem ao desbarato. Uma caixa (sim, daquelas grades de madeira) vendiam a uma libra... Morangos, cerejas... disse-me ela.

Opá, só podem estar a gozar.
Mas se ela o disse, acredito. Tem experiência. Para quê quer tanta fruta, isso é que não faço ideia. Mesmo. Eu vou comprar para mim. Aliás, na primeira vez, por acaso, comprei para mim e para outros também. Já que estava tão barato, lembrei-me dos colegas na casa (na altura dois) com quem de vez em quando partilhava refeições. Como um deles pela manhã levava sempre uma sandes para ser o seu almoço ou chegava tarde e queria comer, comprei a pensar nas próximas refeições. Gastei umas cinco libras a comprar sandes e saladas a.... 20 centimos cada. Podem perceber que até trouxe em quantidade, ehehe. Ninguém sabia das promoções - muito menos eu. Até fiquei uns bons cinco minutos a aguardar que um funcionário aparecesse para que me explicasse porquê os artigos dentro de um carrinho de compras estavam à venda por 20 centimos. Queria saber se tinham sido comprometidos na sua integridade, se tinham ficado fora do frigorífico, por exemplo... Tão inocente!


Fui para casa toda contente, partilhei a novidade e a comida. No dia seguinte só tinha uma embalagem e meia de sandes para o almoço. Pois....! Acho que gostaram além da medida, pois na véspera eu só havia comido a metade da sandes em falta.

Mas a razão porque cá vim escrever não é esta. Está relacionada, mas não é o que cá me trouxe hoje. Porém, fiquem com esta por agora. Mais tarde contarei então o que aconteceu enquanto vinha a sair do supermercado... 


domingo, 3 de setembro de 2017

Falta de empatia - 2


Fiquei em CHOQUE
quando uma colega no emprego a quem pedi uma troca de turno recusou-se a colaborar. Ela sabia que os meus motivos se prendiam com a presença de família aqui em Inglaterra. Família essa que não tive oportunidade de ver porque estamos em áreas diferentes do país. Mas como vão ter de se deslocar à cidade onde estou a trabalhar, com a troca de turno tenho uma tarde para estar com eles. Essa colega sabia de tudo isto, veio até puxar conversa comigo para me extrair informações sobre os meus familiares. Quem eram, o que faziam, se já tinha estado com eles, etc. Há semanas ela estava a sentir-se revoltada e chateada com uma situação no emprego e eu «emprestei-lhe» os meus ouvidos, nos quais ela pode desabafar. 

Além destes factores também existem bons motivos práticos para ter contado com a colaboração dela, tendo sido apanhada de surpresa com o «não» e o motivo fútil que apresentou. Muitos deles só os juntei DEPOIS da sua recusa, o que só fez foi revelar de vez e solidificar a então ténue malícia e egoísmo que pressentia no seu carácter. 

Ela só vai trabalhar dois dias entre as folgas. O que significa que a troca não a ia desgastar de maneira nenhuma. Seria o primeiro dia de trabalho dela e só teria de entrar três horas mais tarde. O que significa três horas a mais para dormir, não ter de acordar de madrugada e poder estar mais tempo na cama com o namorado. Mas ela recusou dizendo apenas que «não queria sair mais tarde». 

Não é por querer ficar com o namorado depois, não! Porque este também trabalha ali e vai entrar exatamente quando ela vai sair. Ela estaria com ele sim, se aceitasse a troca. Ia partilhar três horas do seu dia com ele, se aceitasse. Da forma como está, os dois só dormem na mesma cama mas não se vêm. Porque quando um está a entrar em casa, o outro está a sair. Nem é por ter família com quem quer estar depois, porque não a tem. Nem muitos amigos próximos. Foi simplesmente por lhe ter sido dada a oportunidade de «ser cabra», como diz algumas vezes. E por egoísmo. Visto que quem sai três horas depois tem trabalhos diferentes para concluir, geralmente mais «chatos». 

Mas tudo acontece por um motivo e a sua recusa ajudou-me e muito. 

Julgo que de hoje em diante não vou mais iludir-me a respeito de quem ela é. A sua juventude e personalidade tagarela disfarçava um pouco a sua malícia e preguiça. Mas ela escolheu deixar bem claro que lado prefere mostrar comigo.  

Sei que um dia o Karma a vai apanhar pela sua falta de empatia. Principalmente quando esta não lhe custaria quase transtorno algum. Por isso é que foi feio e revelou que ela carece de aprender a lição sobre nos ajudarmos uns aos outros, porque um dia sou eu, no outro serás tu. É claramente uma lição que a jovem está a precisar aprender. Será a vida a lhe dar. Não é assim que todos nós aprendemos as nossas?

A sua recusa também me fez aprender. 
Ajudou-me a entender quem é.
Ajudou-me a entender quem preciso de ser (e teimo em não conseguir).

E ajudou-me a encontrar pessoas de melhor carácter. Prontas a ajudar o próximo.
É sempre bom quando se identificam pessoas assim! :D


Fiz a troca à mesma e no processo confirmei quem são as pessoas de carácter mais nobre com quem posso contar.





segunda-feira, 20 de junho de 2016

EUA: alimentação perigosa e Grupos de terapia


As minhas «amigas» americanas no facebook são, na sua maioria, senhoras com idade para serem (e são) avós. Pessoas que nunca conheci pessoalmente mas que foram simpáticas quando comecei a entrar na rede social para aceder a um jogo que «todos» jogavam. Quantos mais jogadores melhor seria o progresso e então recebiam-se convites ao calhas, de pessoas desconhecidas. Achei que pessoas de fora seriam mais seguras. Certifiquei-me apenas se pareciam jogar e ter coisas «normais» nos perfis. Como tinham, aceitei a amizade. E daí fui progredindo no jogo que «todos jogavam», porque as estrangeiras eram de facto atenciosas jogadoras. Coisa que as de cá esqueciam de ser. 



Bom, este é o motivo pelo qual ainda tenho umas tantas como amigas. Já troquei algumas palavras com uma e outra, sobre o jogo, e todas sempre se mostraram afáveis, generosas e atenciosas. Fiz por retribuir. Se a internet tem algo de bom é isto de poder comunicar com alguém bem longe, desconhecido ou não, para partilhar um prazer em comum. Sei que muitos homens são totalmente obcecados por jogos online com múltiplos jogadores de vários países. Portanto, antes que apareça aqui alguém a dizer que isto é coisa de "gajas", tenham em mente os telhados em vidro, eheheh!


Explicado o motivo pelo qual este contacto começou, vou agora abordar as impressões que acabei por reunir ao longo dos anos, devido aos post que estas americanas vão publicando. 

Fui percebendo graus de parentesco, hábitos, costumes... e estilo de vida. 

Surpreendeu-me por exemplo, que lá se recorra mais do que pensamos aos "grupos terapeuticos". O termo adoptado por cá pode ser "grupos de ajuda" mas prefiro a tradução fidedigna por o significado ser mesmo este. Já todos ouviram falar, mais que não seja pelos filmes, dos AA (Alcóolicos Anónimos). Mas existem mais grupos, tantos que nem dá para contar: fumadores anónimos, toxicodependentes anónimos, sexo-maníacos anónimos, sobreviventes de cancer, etc, etc. Tudo o que precisa de ajuda, criam um grupo e vão frequentar. Isto é comum, não é motivo de constrangimento. Mas ao chegar ao grupo, logo no primeiro dia, as pessoas mais ou menos sentem se aquilo é para elas ou não. E se não sentem uma conexão, partem para outro. Até essa conexão surgir.


Na minha opinião, ao se ter criado um afastamento com a igreja, acabou-se por perder um pouco desta "terapia" que a simples frequência possibilitava a muitas almas. Umas mais necessitadas que outras, umas mais activas que outras, mas creio que todos nós necessitamos de desabafar, de ouvir conselhos, de partilhar coisas. 

Sem dinheiro para terapeutas, psicólogos ou psiquiatras - cujo tempo de espera por consultas pelo que ouvi falar é tão stressante quanto qualquer stress em si - e sem a igreja, recorre-se aos amigos. Mas... amigos também não é coisa que exista muito por aí. Mais outro factor que também atribuo, de certa forma, ao afastamento da igreja. E eu nunca frequentei uma, mas consigo ligar os pontos e chegar a essa conclusão. Qualquer igreja/religião/ajuntamento - católico ou não - acaba por alimentar laços de união, afectividade para com o próximo, etc. Afastando-nos disso e sem mais nada que equilibre a balança, fica-se à mercê da vida e da televisão. E se a vida der limões/morangos e a TV for o único exemplo... 

Enfim, reflexões profundas demais para agora.


Mal ou bem a igreja, os sermões, a confissão... facultavam um pouco de reflexão.  
Quebrado o hábito, fica-se sem o ritual, sem um lugar fixo com o propósito exclusivo para esses desabafos. Uns apegam-se aos animais, a quem "contam tudo" mas isso só vem comprovar que existe uma necessidade por uma "bengala", por uma forma de desabafo.

Existem então os grupos de terapia. Por cá penso que também existem, não tanto quanto lá nem tão facilmente acessíveis como lá mas creio que existam grupos, principalmente para pessoas que têm de passar por traumas ou têm de viver com sérias doenças. E precisam de esclarecimento mas, acima de tudo, de desabafo, compreensão, entendimento. Dar e encontrar.

Uma vez uma destas senhoras americanas desabafou num pequeno texto (sempre que o fazem, acho enternecedor por serem tão genuínas) que estava a sentir-me deprimida e pensou em aderir a um grupo para ver se passava o seu mal-estar. Contou que o fez mas não sentiu aquela conexão. Então estava a pedir aos amigos para darem sugestões de outros grupos. E uma pessoa sugeriu: "Acho que devias aderir a um grupo de greefing(perda)". E aquilo fez sentido para mim, só pelo pouco que li. A senhora estava melancólica e deprimida... foi para um grupo para combater a depressão, mas não adiantou. A solidão é tramada... e a viuvez também. Era o seu caso. Embora tivesse família, netos... ainda assim faltava-lhe "aquela" companhia. À qual se tinha habituado como a um chinelo velho mas confortável. 

E pronto... o meu dom para a escrita nunca foi lá dessas coisas. Mas ignorem a forma e prendam-se no conteúdo. Era disto que andava para cá vir falar. Da vida destas americanas.


Através de receitas "boas e rápidas" de fazer, para as quais lambiam os beiços, também fui percebendo o quanto a alimentação lá é bem diferente de cá. Não existia uma única receita sem massa ou sem algo bastante artificial e calórico, como molho em pó, condimentos diversos, cremes embalados, etc, que não fosse frito. Rara foi a vez que uma daquelas "delícias" me causou outra coisa senão repúdio. 

E quando uma das senhoras começou, esporadicamente, a publicar fotos da neta, fui vendo-a crescer. Uma menina linda, de olhos azuis e cabelos louros, que quando chegou à idade de um ano e pouco, o seu rosto e corpo já começou a parecer um bocado "chubby" (gordinho). Agora publicou nova foto, das duas netas, e a menina está bem mais chubby, com uma barriguinha daquelas que por cá adoramos nas crianças - um pouco saliente, para a qual a avó chamava a atenção, dizendo adorá-la. O rosto dela parecia um balão. Eu, que havia visto uma versão mais saudável, achei que a menina não estava a rumar para uma vida saudável. A continuar assim... ela vai transformar-se numa pré-adolescente complexada, porque tenho quase a certeza que os seus hábitos alimentares já vão de mal a pior. 
E apeteceu-me, assim que o percebi, deixar um comentário a alertar para isso. Mas não posso, nem devo. É rude. Não os conheço... é indelicado e impróprio. Mas que apetece, apetece... parece que estou a ver o futuro daquela menina, a ser gozada por outros meninos, alguns nem por isso melhores do que ela... 

Há uns anos entrou uma criança gordinha num restaurante e uma amiga que estava comigo ficou muito revoltada, quis mesmo ir até a família dar-lhes uma descompostura porque, de acordo com a opinião dela, uma criança só ficava gorda se os pais fossem negligentes. Ela achava que aquilo era um crime! Eu achei-a exagerada e discordei com ela. Nem todas as crianças são gordas porque comem demasiado - e acredito nisto. Aquela, por exemplo, parecia-me um caso desses. Pois além de gorda também era muito peluda - tinha inclusive uma penugem facial e bastante pêlo nas costas. O que só por isso já deve deixar qualquer criança complexada ou vítima de olhares, não era necessário acrescentar mais olhares e uma reprimenda. 

Reality show de uma família americana
peculiar: Here comes Honey Boo Boo
Posso enganar-me, mas acho que algumas crianças aprendem cedo o que são maus hábitos alimentares. E ao ver a foto deles os quatro - avós e netas no facebook, apercebi-me que essa deve ser a realidade daquela família. Avós tudo bem... são adultos. Faz-lhes mal mas são velhos hábitos. Mas as crianças... merecem uma Educação Alimentar adequada. Hoje concluí que a alimentação é saúde. É tudo. Quando começa a falhar a saúde, provavelmente vai algo errado com a alimentação...


Quando era criança minha mãe enfiava-me tudo o que conseguisse pela guela abaixo. Ainda que eu prostestasse, tinha de lhe fazer a vontade. Na idade daquela menina, eu também tinha uma barriguinha chubby. Depois, por um breve momento em que praticava mais desporto na escola e fora dela, fiquei magricela. Mas acabando o desporto na escola - o que me entristeceu porque, apesar de tudo, sempre adorava a sensação que fica após um esforço físico. E com a alimentação em casa sendo inadequada no sentido da quantidade.... voltei a ser "chubby". Mas nunca fui muito gulosa. Os meus hábitos alimentares são errados - concluí anos depois - não tanto pelo que consumo, mas pelos largos períodos que fico sem consumir para depois "compensar" com mais quantidade - e sempre ao final do dia (quando não se queimam calorias, armazenam-se).  E isso é o quê, senão uma má educação alimentar? Na pré-adolescência fiquei por "conta própria" e não tão poucas vezes, mesmo anos depois, preferi nunca tomar o pequeno almoço. De facto, nunca senti vontade de ingerir pão com manteiga, cereais, iogurte ou leite logo ao acordar. Nunca gostei das opções, pelo que depressa enjoei e as dispensei. Até hoje cereais é algo que não consumo. Não gosto. (Acho que sou mais de salsichas com ovos estrelados pela manhã, eheheh).

Dão atenção aos hábitos alimentares?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

domingo, 29 de dezembro de 2013

Suspeita atrás da orelha

Uma vez uma pessoa sentiu-se mal num transporte público e escutando o seu grito de ajuda fui acudi-la. A pessoa havia caído por um desfalecimento súbito mas depressa recuperou a normalidade. Porém o motorista ligou de quase de imediato para o 112. Surgiu uma ambulância e com ela vieram dois polícias. A pessoa foi auxiliada a sair da viatura para entrar na ambulância, relutante que estava, mais pela vergonha e embaraço da situação que outra coisa qualquer. Aparentemente já estava recuperada. Falava bem e articuladamente. Cheguei a pensar para mim mesma que conseguia articular os raciocínios melhor do que eu, mesmo tendo acabado de sofrer de um mal estar súbito.

Enquanto o inem não chegou, fui acalmando-a, sossegando-a para que não se incomodasse com o atraso que a situação impunha a outros, pois podia acontecer a qualquer um de nós. Essencialmente tentei tirar do seu pensamento a sensação de vergonha e constrangimento por ter causado a paragem da viatura e ter tido um desfalecimento em frente de toda a gente. Era o que realmente a incomodava. Ela lá me explicou que estava sujeita a este tipo de situação e que sempre se sentia muito embaraçada. Explicou-me que não tinha ninguém a quem contactar porque vivia sozinha, estava a viver longe da família com a qual não tinha contacto porque, segundo ela "ás vezes é melhor assim". 

Fiquei com dó nesse momento, porque consegui compreender que existem famílias que é mesmo melhor não as ter, mas ao mesmo tempo só me apeteceu foi mostrar afecto por meus pais, tão cheios de imperfeições e defeitos, mas presentes para mim numa situação destas, aos quais eu podia ligar se algo do género me acontecesse. Pela sua solidão, por ter de regressar a um apartamento vazio, com receio que a doença voltasse a repetir-se, sem ter quem a acudir a não ser uma vizinha um pouco amiga, fiquei com dó da rapariga e, conforme expliquei, valorizei mais o que eu tinha. 

Tive vontade de lhe dar o meu contacto para que entrasse em contacto comigo no dia seguinte para confirmar que estava tudo bem. Mas nisto chegou a ambulância e ela foi encaminhada para o veículo. Para trás ficou a mochila e o saco de compras de mercearia a pingar - com algumas frutas já transformadas em suco devido à queda. 

Segui atrás dos enfermeiros com estes pertences da pessoa para que seguissem com ela. Os dois polícias perguntam nessa altura o que a pessoa transporta consigo. Ao que lhes estico o braço com a mochila e o outro com o saco. Os dois, com a pessoa plenamente consciente e já a pisar o interior da ambulância, pegam na mochila e logo abrem o zipper da pequena bolsa. Removem a carteira e bisbilhotam o interior. Fiquei ali com o outro saco na mão, estranhando não pegarem nele de imediato também.

Reviraram a carteira e depois reviraram novamente o conteúdo da mochila. Fazem isto depois de espreitar para a ambulância e repararem que a pessoa e os socorristas já está no interior. Fiquei com uma sensação de alarme nesse instante. Juro que fiquei a desconfiar que aqueles polícias procuravam mais do que saber a identidade da pessoa. Pretendiam furtar o que esta tivesse de valor, aproveitando-se da vulnerabilidade e distração desta. E se o fizessem e a pessoa só muito mais tarde desse conta, poderiam sempre afirmar que encontraram a carteira como a entregaram e se existiu roubo só podia ter sido efectuado por alguém dentro do transporte público.

Peço já desculpa a quem é polícia e honesto, a quem está por dentro dos procedimentos policiais ou vive ou tem quem viva no corpo policial e possa sentir que a suspeita não faz sentido. Mas estranhei mesmo. Algo na postura pareceu desadequado e impróprio. A pessoa não estava morta. Não estava inconsciente, nem gravemente ferida! Era só lhe perguntarem o nome e pedir permissão para lhe abrirem a carteira e remexer nos seus pertences. 

E agora que estava aqui a ler uma breve notícia sobre "Polícias no Crime", policiais que ao invés de estarem do lado do bem se juntam à bandidagem para praticar roubo, extorsão e tráfico, subitamente este episódio voltou ao de cima. Tenho pena não ter dado o meu contacto à pessoa, porque sempre poderia sossegar sobre o seu estado de saúde ao invés de ficar este tempo todo a imaginar se tudo terminou bem. E atrás da orelha ficou a sensação estranha que a visão dos policiais a remexer na carteira me causou. Ainda hoje não sei se a pessoa ao receber os seus pertences de volta, notou que algo lhe faltava e se por acaso logo associou que se alguém a poderia ter roubado, esse alguém seria eu, que a auxiliei. Porque nunca poderia ser a polícia... pesamos nós!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

RIP em 2013


No final deste ano muita coisa vai mudar no país.

Nunca entendi a euforia de uma passagem de ano. Para quê celebrar com tanto entusiasmo a chegada do preciso momento em que os preços sobem? Escuta-se em todos os noticiários que o preço da gasolina vai aumentar porque aumentou o custo do barril do petróleo. Para não destoar, todos os bens de serviço aumentam também: a electricidade, o gás e a água. O Défice da dívida pública também aumenta, assim como os impostos.

Fico mais deprimida que contente com a chegada do novo ano. Levo cerca de um mês a "digerir" as amarguras... Lá para o meio de Fevereiro é que me sinto mais animada. Não sei porquê. Desconfio que o meu relógio biológico foi acertado de acordo com o calendário chinês...

No final de 2013 e assim que chegar 2014 "morre" O Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC). Para fazer nascer o "Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas". A diferença não está no nome, está nos milhões disponibilizados para a ajuda aos mais necessitados, que se vê reduzida para metade.

E tenho cá para mim que 2014 vai ser negro.


quinta-feira, 28 de março de 2013

«Mudar de Vida»... se esta "desgraçada" conseguiu, porque não conseguimos TODOS?

Abri uma página do google* por acaso e deparei com um texto com a seguinte frase:
"Se uma viciada em drogas duras consegue tornar-se uma mulher determinada e bem-sucedida, o que temos nós para lamentar? Do que estamos à espera para mudar e sermos mais felizes?!"

 Bom, parece-me que uma resposta simples está em falta para quem sempre coloca estas questões banais como que já a dar a resposta e a passar um juízo de valor.

É simples: quem já está no fundo do poço não perde nada ao tentar mudar de vida. Mas quem está mal mas ainda pode ficar pior, tem receio de «mudar de vida» e afundar mais do que já está atolado. Já entenderam a questão? Não fazer as escolhas certas no acto contínuo de "mudar de vida", ficando ainda pior - é isso que «trava» algumas pessoas que pensam em "largar" o que de momento têm e partir rumo ao "desconhecido". Claro que mudar é essencial mas uma análise extremista individual aplicada ao colectivo? Não dá! 

Do fundo do poço, o único sentido a seguir é para cima.
E a visão pode ser motivadora.
Os que estão "no fundo do poço" também têm sorte, porque ao decidirem «mudar de vida» não terão necessariamente de o fazer desprovidos de auxílio. Dependendo do olhar que a sociedade dá ao problema, a ajuda pode ser imediata. Para pessoas com problemas específicos como certamente é o caso desta "viciada em drogas" e que a sociedade identifica como vícios cuja ajuda pode erradicar, permitindo-lhe assim exercer o seu lado caridoso e ficar bem vista, o "fundo do poço" tem até algumas probabilidades de ser uma morada de curta duração. E que a seguinte só pode ser para cima, para melhor.

A conclusão a que chego é que nesta vida temos de fazer por nós sozinhos. Mas estranhamente, não somos NADA sem o apoio dos outros. Alguém que estenda a mão ao próximo, por favor! Mais ainda quando aparentemente, não se encontra "no fundo do poço" mas talvez no limiar....



*(como são vazios neste tipo de «imprensa rosa» estes artigos de superficialidade banal desprovidos de rigor jornalístico. Normalmente, mal os olhos passam por cima das primeiras palavrinhas, já passam ao lado e seguem em frente. "Mudar de vida" pode começar por não procurar "mantras espirituais" nestes artigos de treta)