Mostrar mensagens com a etiqueta televisão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta televisão. Mostrar todas as mensagens

sábado, 24 de janeiro de 2026

O suicídio do Maycon

 

Um dos acontecimentos mais falados no início do ano foi o desaparecimento de um tal Maycon. Que, se não tivesse sido um ex-concorrente de um reality show - continuaria a ter destaque nas notícias, mas sem essa vertente de ter sido alguém que se tornou conhecido em muitos lares, simplesmente porque alguém liga a sua televisão. 

Eu acompanhei essa edição da Casa dos Segredos. Foi aquela em que surgiu o Mormon Diogo, que acabou por ganhar o programa. Foi a edição (mais uma) em que coisas horríveis foram feitas e ditas - aparentemente sem consequência. Foi a edição em que a má educação, o insulto, o bulling de um grupo de pessoas que se acham moralmente boas a destruir um indivíduo isoladamente - grupo esse fortemente apoiado dentro e fora do reality show- se tornou o espelho da realidade revoltante do que também se passa na vida fora dos ecrans. 

De todos os concorrentes aquele que acabei por concluir ser o pior de todos, neste sentido, foi o Maycon. Não vou aqui "sugar coated" nada, por o rapaz estar morto. Atenção: tenho todo o respeito pela vida, por todas as vidas e acho lamentável a perda de uma assim. Mas talvez, para quem notasse realmente o ódio que ele sentia pelo Diogo - um ódio crescente, gritante, que só o impedia de ser mais físico por se encontrar filmado por cameras - saberia que este é um indivíduo muito rígido nas suas ideias. Notoriamente incapaz de se achar errado, mesmo diante de evidências visuais e auditivas, incapaz de pedir desculpas sinceras e apagar o ódio dentro de si. Maycon alimentava dentro de si sérios sentimentos de rancor, ódio, amargura. Dentro da casa manteve-se próximo de pessoas neuróticas, narcisistas e tóxicas, que também sabiam como alimentar o mesmo desdém. Sem dúvida, quem faz os castings sabe escolher o que aparenta ser, mas não é. Ele se apresentou como alguém muito calmo, que nunca levanta a voz, vindo do mundo do surf. Mas essa fachada não significa sempre que quem aparenta ser assim por dentro seja uma pessoa da paz. Pode estar a viver num constante tumulto e ser algo irrealista sobre si mesmo.  

Nas notícias, os "amigos" disseram em reportagem achar muito estranho a mãe dele dizer "o meu filho está morto" e, segundo eles, "não querer saber ou fazer mais esforços". 

Quando ouvi essa parte achei que lhes caiu muito mal! Estar a julgar a reação da mãe e dizê-lo assim, publicamente. Quase como a apontar o dedo de suspeita. Já tinham levantado suspeitas de crime - sem qualquer evidência mais forte para tal. Apenas baseados numa mensagem de texto escrita em estilo "brasileiro", de onde a mãe de Maycon é natural. Pareceu-me é que estavam a tentar de tudo para não aceitar a outra possibilidade: que ele tirou a própria vida. Estavam em negação, mostrando a audácia de ter certezas absolutas. E por isso criticaram uma mãe que, provavelmente, já o sentia dentro do seu ADN. Ninguém sabe mais que uma mãe. Uma mãe sabe coisas e os amigos sabem outras - em diferentes níveis. Mas uma mãe, ainda mais uma cuja casa abriga o filho, conhece melhor os seus estados de espírito. 

Aliás, foi a mãe que deu o alerta muito rapidamente. No próprio dia em que desapareceu já estava pelas redes sociais e na comunicação social. Infelizmente, também começou logo as conjecturas e disparates - entre as quais os tais "amigos próximos" de Maycon que apareceram na TV de voz distorcida e silhueta a falar sobre o caso - levantando suspeitas de homicídio e, como já disse, diminuindo a preocupação da mãe e negando o estatuto de namorada à rapariga que estava com ele.

Ainda bem que existem investigadores, policiais e médicos forenses que analisam os fatos e chegam a conclusões com base nestes. Caso contrário este mundo seria o caus em que já está a mergulhar nas redes sociais e reality shows. As pessoas acreditam com tanta facilidade em teorias da conspiração, em assassinatos sem motivo algum mesmo quando a pessoa teve um pico emocional devido a uma discussão... Se formos a julgar pelas noticias, damos em doidos. Por isso - e desde o caso Casa Pia em particular (que circo!) é que eu fico apenas com os fatos e aguardo que uma investigação produza mais fatos. O que se passa entretanto é o circo mediático. Especulações. 

Concluiu-se então que as suspeitas dos "melhores amigos" estavam infundadas. O Maycon decidiu SIM, acabar com a sua vida. Num derradeiro gesto de cobardia e egoísmo - diriam uns. De incapacidade de lutar e resistir às contrariedades que a vida nos apresenta. E elas são tantas! 


Gostava que ele, Maycon, tivesse dado uma oportunidade ao Diogo e se aproximado mais deste (agora indo para o idílico fantasioso). Talvez hoje estivesse mais capaz de lidar com as contrariedades e assim, jamais teria cometido o ato que cometeu e estaria vivo. Mas viver requer coragem. Coragem de verdade. Coragem para aceitar que não se vai realizar sonhos como imaginamos. E principalmente, coragem para aceitar que temos defeitos e estivemos errados. Que podemos ser nós, os "maus" da fita e ganhar coragem não para terminar a vida, mas para mudar o rumo, continuando na luta. 

E, a nota pessoal, se ele se rodeava cá fora de amigos como aqueles que encontrou na casa, então não eram os melhores para começar. Devia ter procurado pessoas diferentes para alcançar um espectro maior de rede de apoio. 

Foi uma questão de pouco tempo até que alguns dos concorrentes que participaram no reality show onde esteve Maycon se manifestassem. Pessoalmente, gostaria muito que se mantivessem na obscuridade para onde voltaram com o fim do programa porque, para se manifestarem da maneira que fizeram - aproveitando a morte de um colega - para prestarem condolências e julgamentos nas redes sociais publicamente, considero um gesto não de choque mas de oportunismo. Pelo menos de determinadas pessoas - melhor teria sido o silêncio. 

Imaginem só, o rapaz desaparecido, suspeitas de assassinato ou suicídio... e saem-se com isto: 

9.1.2026: Nufla, que se auto proclama cantora mas sobressaiu no reality como desafinada e até surgiram memes atrás de memes a gozar com ela - de IMEDIATO lançou uma música em sua homenagem. 
Isto é ou não é tirar PROVEITO para ganhar visibilidade à custa da tragédia?



Esta campanha publicitária lançada a 2 de Janeiro pela marca de preservativos Control foi altamente criticada por Renata Reis, ex concorrente que namorou (foi mais massacrar) o Maycon dentro da casa. Ela, que até o final do programa, jamais acertou com o nome do namorado (acho que era um detalhe sem importância para ela) e sempre o chamou de Mácão, escreveu: “Gostaria de expressar o meu profundo desagrado em relação ao post publicado pela vossa marca”, “O desaparecimento de Maycon é de extrema gravidade, e considero irresponsável a publicação de um conteúdo que, mesmo sem fazer uma menção direta ao caso, tem uma relação implícita que é impossível de ignorar. A coincidência de um post promovendo as grandes ondas da Nazaré, num momento em que o caso está sendo amplamente discutido nos media, não pode passar despercebida”.“Acho extremamente grave que uma marca de renome como a Control, que deve ser exemplo de responsabilidade e respeito, se envolva em um contexto tão delicado sem considerar os impactos emocionais que isso pode causar. Todos nós temos o dever de respeitar a dignidade das pessoas e, acima de tudo, demonstrar humanidade”.  Além disto, Renata, após confirmação da morte, ainda publicou nas suas redes sociais um vídeo com várias imagens dos dois enquanto namorados no reality Show. 

Nufla: “ "Nem tudo é marketing. Nem tudo serve para likes ou engagement. Usar como estratégia de marketing um local diretamente ligado ao desaparecimento do Maycon é só sem noção! É falta de empatia, de respeito e de humanidade", “Enquanto a família e os amigos vivem uma angústia diária, à espera de respostas, vocês acharam aceitável explorar esta dor para se promoverem”, Rúben:  a Nazaré naquele momento representa “angústia, espera e dor real”. “Há momentos em que o silêncio ou a prudência comunicam mais do que qualquer campanha”.

Miúdos, tomem um comprimido para relaxar sim? O mundo não gira em torno de nós. As nossas dores e sofrimento são alheias aos outros. Até mesmo se tratando de um caso mediático nas notícias. E onde foi que viram esta campanha para ficarem tão incomodados? Se largassem as redes sociais por um bocadinho... Eu não a vi em lado algum. Talvez seja restrito para a zona da Nazaré. As marcas desenvolvem estratégias antecipadamente e podem ter campanhas prontas a ser lançadas meses antes. Se ficassem calados, ninguém ia sequer notar. É a minha opinião. Mas como o que importa é se tornarem visíveis e notórios nas redes sociais, para ganhar mais projecção, torna a arranjar mais um pretexto para sobressair. 

Quem está a usar o quê? Pois, se calhar todos...  É muito comum que os primeiros a apontar dedos de crítica estejam nesse instante a praticar a mesma crítica que tecem. 

A Nazaré se tornou  MUNDIALMENTE conhecida por ter as maiores ondas. Será sempre conhecida assim. Era antes do Maycon e outros se atirarem do precipício, vai continuar a ser. O mundo não para e não se altera. Embora a nossa dor gostasse que assim acontecesse. 


 Minha energia e orações vai para a mãe. Que o que nós chamamos de Deus a acompanhe e lhe dê a força que desconfio que tem. Que não se culpe - não foi culpa dela. Não foi culpa de Raquel Coelho, a namorada - (que os amigos disseram não ser realmente uma namorada e sim apenas uma conhecida), não foi do dono do bar, não foi dos amigos (?) não foi de ninguém. Ninguém tem culpa. Nem mesmo o Maycon. Ele tem a responsabilidade mas a culpabilidade, nestes casos, raramente existe. É uma sequência de eventos que gera emoções em pessoas com tendências. O Maycon deve ter ido muitas vezes aquele lugar, parado o carro e imaginado como seria "terminar tudo". Muitas vezes. Devia fazer parte do seu quadro psicológico este género de reação à adversidade emocional. 


Pessoalmente acho que ele se via como um fracasso. Um fracasso que desapontava todos os que ele mais gostava e para os quais queria ser visto como um herói, não uma decepção. Desapontou a namorada, discutiu com a mãe.. nada do que ele desejava acontecia. E era muito focado no ódio - uma das suas últimas mensagens dizia: 

"A quem duvidou: os cães ladram… A quem apoia desde sempre: isto só faz sentido convosco. 2026 é visão, disciplina e consistência. Bom ano, família",

Isto parece algo normal, certo? Mas à luz do que agora sabemos e visto por olhos de quem sabe olhar, nota-se o foco nos outros. Aqueles que não gostam, que são contra ele... iniciam a frase. São o destaque. E depois os que estão com ele. "Só faz sentido convosco" é um cliché para quem depende de eventos e precisa agradar por onde passou mas também se pode daqui observar, mais uma vez, que a percepção de como é visto pelos outros é o  foco da sua mensagem de viragem de ano. 

Não são os seus sonhos, os seus projetos. Não é agradecer à mãe, a um amor. Não é gratidão. Ter projetos fica implícito mas de uma forma até muito centrada na sua percepção dele mesmo. "Visão", "disciplina" "consistência". O que é isso? Em termos práticos? 

Talvez uma insistência em tentar trilhar um caminho sem mudar os ingredientes mas esperar que o bolo saia diferente em 2026 do que tem saído nos anos anteriores.  

A mensagem também dizia:

"2025 foi intenso. Aprendeu-se muito, viveu-se mais ainda. Uma das datas com mais significado para mim é o Ano Novo… porquê? Não sei. Talvez aquela sensação de recomeço, mesmo sabendo que, no fundo, está tudo igual", 

Acho que isto diz tudo. O que quis dizer em cima. 

Foi intenso... mas não bem sucedido. Ainda não tinha alcançado o que pretendia. E depois esta admiração pelo Ano Novo, sem saber porquê, mas acabando por explicar que é a esperança de uma melhoria - uma nova oportunidade para tentar o sucesso de novo. Acabando por admitir que fica tudo igual. 

Quantas vezes ele e outros não terão parado ali o carro, olhado o escuro sabendo que o mar esta metros abaixo na escuridão e pensado "e se eu acabar tudo aqui?". É fácil, está escuro, nada se vê menos se reconsidera. 

Acho que ele entrou naquele "loop" de autocomiseração e acreditou que, aos 26 anos, a caminho dos 30, a viver na casa da mãe, sem grandes prospetos de futuro, sem grande coisa para oferecer... começou a ver o copo vazio. E não teve coragem para fazer marcha atrás, voltar para casa e lutar para que 2026 fosse realmente melhor. Já estava escrito. Já estava no ADN dele.  Que pena que ele não entrou na escola do Diogo! Mas que pena mesmo.  

Acredito, diria até que sei que ele, no instante em que padeceu, ficou bem. Sem inquietação. Com uma  aceitação. Liberdade. Conforto. Voltou para casa, onde foi muito bem recebido. 

Há mãe dele, Neuza, que imagino ter sido mãe que viveu para criar o filho - trabalhando arduamente em todo o tipo de trabalho manual para que nada lhe faltasse, espero que ela consiga andar para a frente, eventualmente. E quem sabe, deixar-se ser feliz encontrando um parceiro para dividir com ela as alegrias e tristezas. Porque a senhora parece-me ser uma pessoa do melhor que há. Seria o que o Maycon ia desejar. O que acredito é que todos os que atravessam para o outro lado ficam perplexos com o sofrimento dos que ficam para trás e é a única coisa que os incomoda. A dor dos que amam. Não os querem ver a sofrer. Estão sempre a "enviar" pequenos sinais para que aproveitemos a vida a sorrir mais e a sofrer menos. Principalmente por coisas com quase nenhuma importância. Espero que a mãe não se acabe - porque ela não merece, decerto, isso. Pelo contrário. 

Acho - sem ter qualquer base de fundamento, mas pelo pouco que sobressaiu aquando a sua ida ao concurso, que a mãe o criou sem pai e ele cresceu, com ela sempre a seu lado. E ela, abdicando quem sabe, até de ter uma vida própria e pessoal ao mesmo tempo que educava o filho. Portanto, a esta senhora, que de momento deve estar a passar por muita dor, oro para que seu sofrimento amenize. Que ela esteja agora rodeada de pessoas que a amem e a confortem. Que se afaste da Nazaré, quem sabe regresse ao Brasil, ao seu aconchego, conforto e familiaridade, para que possa ter pela frente uma vida sorridente e feliz. Até ser Deus a decidir o reencontro dos dois. Porque quem parte, por acidente, doença o que for, quer o nosso bem. Ia gostar de nos ver felizes, com amigos, parceiros, namorados, filhos, netos... Tudo o que for de bom.  


Também estou a fazer este post porque um colega me confidenciou que o irmão dele morreu. Na passagem de ano. AFOGADO.

Fiquei a pensar "Mas que raio se passa com esta data que pessoas morrem afogadas?"

No caso do irmão dele, que vivia num barco numa marina local, conjecturou-se uma queda, pois tinha uma grande pancada na cabeça. Porém, é estranho, não acham? A pessoa mora ali, sabe andar por um barco sem se acidentar. E se isso já de si é suspeito - com o aparecimento de um outro indivíduo nas mesmas circunstâncias - ou seja, DOIS cadáveres de pessoas afogadas na passagem de ano - a coincidência já é grande demais. Suspeitas existem e investigações estão a decorrer. Deverá demorar muito tempo. Aqui no Reino Unido tenho a sensação que a polícia não resolve nada se não existir CCTV a mostrar exatamente o que aconteceu. A ver vamos. 

Mas este impacto de saber de três mortes por afogamento na passagem de ano teve algum impacto em mim. E por isso decidi vir escrever sobre o assunto. Soube de três. Mas quantas mais, JEsus - poderão existir?

Adenda: Fiz uma pesquisa e fiquei estarrecida. Praticamente o ano inteiro de 2025 existiram mortes por afogamento no mar, naquele local. E no Natal, nos "famosos" banhos de mar, uma pessoa foi ajudar outra e ficou por lá. Morreram duas pessoas afogadas no dia de Natal. Em 2023 morreu outra de uma queda na Marina. E agora, na passagem de ano, mais duas mortes por afogamento. 

Ai Jesus!
Ainda bem que não sei nadar...


Fiquem bem, nunca desistam. 
Oremos pela alma dos que desencarnaram. 




quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

My and I

 

Gosto de ver programas sobre crimes. Mas tenho um critério a este respeito. Ou melhor: gosto quando a forma como falam dos crimes é factual, descritiva e sem enrolamentos. Mas existe um estilo de apresentar este formato televisivo pelo qual sinto total desdém. E esse é: o do egocentrismo. 

Programas de TV no geral, aliás - cujo conteúdo é atropelado para que a pessoa que o faz seja destacada, causa-me o pior do desdém. Não aguento. Mudo logo. Mas mudo com uma urgência de quem se se sujeitar a mais um milésimo de segundo daquilo estivesse a ser violentamente agredida. 

Não suporto, portanto, este tipo de conteúdo em que, tudo o que possam abordar, não passa de uma desculpa para o foco estar no veículo, não no conteúdo. 

Ai, repúdio! 

Usar fatos e eventos de tragédia reais, que envolvem perda e sofrimento, para proveito próprio REPUDIA-ME. Seja em documentário seja em REPORTAGEM. 

Ao jornalista então, cabe a alta responsabilidade de saber se separar a si mesmo do material que está a abordar. Em algumas pessoas isso não existe. Existe é a convicção pessoal e constantemente repetida para o público que assim é. Praticamente uma lavagem cerebral permanentemente efetuada para que a percepção dos outros corresponda à desejada. E se não for, não faz mal. Até a rejeição é usada para se tentar sair bem na foto, com uma falsa sabedoria emitida para impressionar os defensores. O "recrutamento" de "fiéis" é absolutamente indispensável ao egocêntrico. E o universo é um infindável fornecedor de matéria prima. 



Acreditam que todo este texto saiu da simples introdução de um segundo do programa "I am homicide" no canal de TV Investigation Discovery? 

Pois é... O genérico do programa - a abertura - começa assim: "In mine I"...

Desliguei. Logo. Até pelo tom de voz se nota uma grandiosidade... 

Pelo que entendi este programa é apresentado por um ex policial(?) ou investigador que, em criança, passou pela tragédia de um homicídio na família. A FORMA como ele usa isto na intro para receber compaixão mas, acima de tudo para se promover e auto-validar também me repudia. E não é o único dentro deste niche. Lembro agora que existe uma tal de Paula Zan - que tem de estar sempre a repetir o seu nome - e cujas entrevistas que faz a pessoas estão constantemente a ser cortadas para introduzir o seu rosto. 

                   Esta não é a habitual promo

Naquele resumo que se faz dos programas que passa nos intervalos - as promos - o formato é: Ela aparece e faz uma pergunta. Imagens de várias pessoas e crimes a passar sempre intercaladas pelo rosto dela - ela está ali como foco - e a voz dela soa sem parar, a interrogar, a perguntar, com rosto a aparecer e sem o rosto a aparecer. "Eu sou a Paula Zan" - diz. Mas é preciso estar sempre a repetir a si mesma quem é? Por acaso sobre de esclerose? 

Pode até ter o seu mérito... mas quando o formato surge assim - tão manipulado e centrado no veículo transmissor mais do que no conteúdo, não consigo acompanhar. O repúdio é enorme. 

Tem também outro programa do género que nunca vi, por me gerar o mesmo repúdio. Não lembro o nome mas, muito provavelmente, carregava o nome da autora. Logo na promo ela se auto-intitula uma ex-promotora (nos EUA acho que é uma espécie de advogada) que NUNCA PERDEU UM CASO.

Ai, a soberba!!!! Nunca perdeu um caso... Acho que é uma coisa horrível para se vir vangloriar em televisão. E altamente se não mesmo estatisticamente improvável. O que me faz suspeitar que o seu ego é tão gigante que se recusa a admitir erros. Provavelmente foi expulsa do meio e agora ia para a TV para obter a validação fanática das massas. 


Ela e muitos outros aproveitaram esta onda de programas de TV sobre crimes. Ai, que repúdio pela necessidade de se Auto vangloriar, de se auto-promover como ouro mais ouro que o ouro. Como especial, fantástica, incrível. 

Esta forma DESCARADA de auto promoção... Não me interessa se ela é a autora do programa, se o apresenta... não é moralmente correto usar o TRUE CRIME (Crimes verídicos) para se promover. Uma pessoa com ambição cega de subir na carreira à custa da desgraça é repulsivo para mim.

Acho que a "versão" portuguesa disto que quero exemplificar - ou pelo menos uma, é esta. Neste excerto contei mais de 60 "eus" e "mims".


Se o interesse do jornalista/apresentador/narrador for legítimo, a última coisa que importa é mostrar a cara. E preocupar-se se a maquilhagem está bem feita, se a enunciação da frase ficou bem, se o cabelo tem a cor desejada através da lente... 

Façam programas com outros conteúdos para se "auto" promoverem. Para se destacarem dos demais tubarões e subirem de escalão no mundo competitivo da televisão. Mas não o façam com as histórias reais de assassinatos, acabando por usar os possíveis entrevistados - muitas vezes pessoas afetadas - para chegar ao único propósito de criar um conteúdo que impressione a administração e te faça subir que nem um foguetão rumo à fama e ao ordenado gorducho. 




quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Modas em penteados


 Afinal a atriz Carrie Fisher que popularizou o penteado "Donut" no filme star wars não foi de todo pioneira do mesmo no cinema! Aqui ficam umas imagens de um filme disponível no youtube onde a personagem feminina usa com orgulho o seu penteado da moda. Ano: 1949.




Lembram-se de algum outro penteado visto em cinema ou televisão que tenha entrado para a história? 




domingo, 20 de junho de 2021

História de Portugal - rei Fernando

 

O "filme" de 1h e 35m é, na realidade, uma série dos nos 80, ao estilo "Barco do Amor" casa com "Ilha da Fantasia". Chama-se «Arthur Hailey´s Hotel», e no episódio piloto que se encontra disponível no Youtube, surge uma informação sobre Portugal que revela o quanto, na altura, a produção tinha preocupações rigorosas em fazer os "trabalhos de casa".

Aqui fica o excerto:


Ficamos também a saber o nome do Monarca: 

                                       Fernando. 

Ora, se não me falha a memória (e vou pedir ajuda ao professor Google), o único rei com esse nome reinou lá por volta do final da primeira Dinastia, no século 14. Altura em que se ia para batalhas a  cavalo, com armaduras e espadas em ferro. 

Pelos vistos os pesquisadores encarregues de verificar os factos do guião desta série de TV descobriram um Rei Fernando de Portugal, que  ressuscitou nos anos 80 na América para ir pedir salsichas com batatinhas assadas (em francês) num restaurante de um hotel finório.... 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Programação de Domingo



Tive um Domingo pastelão e que se arrastou pareceram três dias. Não vi televisão, não fiz nada de especial. A adaptação ao novo horário foi desastrosa. O meu organismo estranhou bastante. Escuro a partir das 16.30 - olhei para o relógio por volta dessa hora, achando que ia apontar para 18.30. Mais tarde, esperava serem 20h, estava longe disso. E toda a tarde e noite foi assim. 

Até que chegou a meia-noite. Por acaso, sintonizei a RTP1 e vi um programa de humor que achei bem construído. Divertiu-me. Quando terminou - sem intervalo, começou de imediato a dar um filme que logo prendeu. Fiquei a ver até o fim. Calhei espreitar o que outros canais estavam a exibir e reparei que a SIC exibia uma programação dentro da mesma linha: programa de humor, seguido de filme com uma temática semelhante. As estações a copiarem-se umas às outras. Normal. O filme na RTP foi sobre a explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon em 2010 (nenhum responsável foi apurado) e o da sic sobre os 33 mineiros que ficaram soterrados numa mina por mais de dois meses também em 2010. 

Recordo vagamente de ambos os incidentes e fico espantada que já se tenha passado nove anos! 


Gostei mais das selecções da RTP, incluindo o programa de humor nacional. Outra coisa que me surpreendeu no canal foi o dinamismo, a frescura que identifiquei nos separadores de programação, no grafismo do canal e na promoção ao programa Prós e Contras. Não tem nada a ver com a RTP de sempre. Fiquei agradavelmente surpresa. Há quanto tempo estará assim? Suponho que tudo muda sempre em Setembro. 

A adaptação ao novo horário de inverno terá de ser gradual. Custa-me lembrar que costumava escurecer por volta das 21.30 quando hoje eram 16.30. São cinco horas extra de escuridão e muitas menos de claridade. É a única coisa com a qual não me adapto muito bem. Acho até que ia preferir um trabalho nocturno, já que me é tão difícil adormecer de noite e tão fácil fazê-lo de dia. Só que aqui não pagam bem quem trabalha de noite. Oferecem praticamente o mesmo. E se não existe essa recompensa, o esforço não é devidamente compensado.


sábado, 5 de outubro de 2019

Malévola!


Quando me viu descer à cozinha eram 22.30 de quinta feira, a mais-velha, que havia chegado às 18.00 horas, enviou de imediato uma mensagem ao senhorio, acompanhada de uma foto, dizendo que a box de televisão estava com uma avaria. Foi por eu ter aparecido que ela enviou aquela mensagem. Já a conheço. Sei que tudo o que escreve no grupo tem um propósito oculto e dirige-se a mim. E àquela hora?? Só não entendi onde ela queria chegar.

Quando regressei de Portugal esta quarta-feira, fui programar gravações que sabia que iam começar esta semana, como relatei aqui. Foi quando constatei que ela tirou proveito da minha ausência para apagar da box as gravações deixadas por mim. Repetindo o mesmo que fez em Junho e em Fevereiro!

Por isso sei que a box, nessa quarta-feira, estava a emitir todos os canais - ao contrário do que ela alegou na quinta. A única diferença, mas essa notei-a de imediato em Junho, é que os comandos do telecomando já não respondiam nem eram os mesmos. Fruto de algo que ela andou a fazer, certamente! 

A mensagem de erro que ela usou para fundamentar a alegação, certamente soube como a gerar. Mais que não fosse através da netflix ou outro serviço que ela pudesse enguiçar. Na tecnologia basta isso. Seguindo um outro caminho ao invés de outro, os resultados podem ser diferentes.

Ontem de noite, assim que eu entrei em casa e fui para a cozinha, passavam poucos minutos das 19h  ela voltou a enviar nova mensagem ao senhorio. Mais uma vez, sei que aguardava-me para fazê-lo. Só então ela se decidiu a enviar a segunda mensagem.

Não é coincidência, acreditem.
É como que... a criar um alibi.


O senhorio acabou por aparecer de noite, sem enviar mensagem que ia fazê-lo. Só dei conta por, às tantas, escutar a sua voz. Interroguei-me porquê ela se sujeitou à sua presença nas mediações do fim-de-semana. Ela sempre evitou fazê-lo, com receio de que ele aparecesse e não saísse daqui. Sei que faz de tudo para o manter afastado nas suas folgas. Não se importa que ele ande sempre por cá, desde que seja na sua hora de trabalho. Por isso o ter solicitado perto do fim-de-semana é muito incomum.

Há sempre um intuito disfarçado de outra coisa por detrás do que faz. Aprendi isso. E depois de ficar a conhecer bem o "caroço" de uma pessoa, consigo pressentir se age motivada por segundas intenções. E nela, é como a sua natureza. Nem sabe de outra forma.

Hoje de manhã nem eram bem oito horas, batem à porta. Vieram por causa da box. E subitamente, sem se "importar" que os seus amiguinhos ainda estivessem a dormir, ela envia no grupo a mensagem "temos uma box nova!".

Demorei mas entendi. Os cabos desligados...

Ela planeou isto. Arquitectou a avaria. Percebeu que era por scart que eu conecto o meu aparelho e percebeu que isso só era possível devido ao facto da box ser antiga. Se conseguisse que fosse substituída, as modernas já não trazem aquela entrada de audio-video. Exatamente para impedir as pessoas de poderem armazenar programas em casa e as tornar dependentes dos servidores e mais avidas ao aluguer que agora disponibilizam.

Ela ganhou.
Não consegui, tentando durante um ano, gravar aquela série.

Ainda por cima, "limpa" o cadastro, livrando-se da box anterior. Com uma nova box com novos menus de interacção, fica mais difícil demonstrar como foi intencional cada vez que eliminaram as gravações durante a minha ausência.

caso me apeteça denunciá-la.
Mas se ainda não o fiz, não o vou fazer.

Não os fiz esperar:
Peguei na jarra que tinha tirado da sala, coloquei dentro os galhos secos pintados que usei como decoração e desci as escadas. Coloquei-a de volta em cima da lareira. De onde, pelo natal do ano passado, insistiam em removê-la, o que me causou grande perturbação.

Disse-lhes "olá" e recebi: "Olá. Temos uma nova box!".
Ah, e é das novas? Pois...
Olha, já está enrolado e tudo! - mencionei ao ver o cabo scart desconectado e enrolado (provavelmente pelo técnico que desconectou a box).

Peguei no aparelho e subi com ele.


Não tem mais serventia.
Ela pode voltar a ser a Rainha e senhora da TV na sala. Do telecomando. Das gravações.

Malévola e mesquinha.

Mas deixem estar...
Algo há de me ocorrer.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Mais um sumiço


Já é a terceira ausência de férias em que no regresso, constato que as gravações deixadas na box de TV foram eliminadas.

A mais-velha sabe que estou a gravar uma série inteira no intuito de a manter num disco rígido. Para esse efeito adquiri um aparelho que coloquei no móvel da sala. 

Nas férias de Junho, quando regressei, tinham, pela segunda vez, apagado todo o conteúdo da box.

Tal como tinha acontecido nas férias de Fevereiro. 

Como em ambas as vezes todo o conteúdo foi eliminado, quis acreditar que era coincidência. Embora também me lembrasse que quando vim para esta casa e aprendi a usar a box, encontrei gravações que datavam de 2016! Uma delas, o eurofestival da canção, a mais-velha atribuiu ao "gostos" da rapariga cujo quarto vim ocupar - dando um tom de censura e repreensão aos mesmos e dizendo não partilhar dessa preferência. "Eu não vejo isso!" - afirmou ela com cara de nojo. Este ano ficou na sala a ver o mesmo festival que disse desprezar, do início ao fim!!

Segundo ela, a função de gravação da box é "inútil" e não entende como alguém pode dar uso aquilo. Disse-me que ela nunca se servia da função gravação, por "não precisar" e "ver sempre" os programas que queria. Também disse que não entendia porquê alguém ia querer gravar fosse o que fosse quando tudo está disponível online. (não é nada assim, e expliquei-lhe que aquela série não estava, mas ela acreditava e insistia que sim). 

Se anteriormente tudo foi eliminado, nesta ausência de Setembro, mantiveram gravações de AGOSTO. E que gravações são essas? Séries que ELA está a ver!!

Tudo o que é série de romance, de época, tudo o que é reality show de culinária e todo esse junk TV mascarado de "erudito ou histórico", ela "papa" tudo. As receitas são sempre as mesmas (e não falo dos programas de culinária), mas mesmo repetidas até a exaustão, ela vê tudo. Sempre as mesmas formulas e histórias. Aliás, nunca vi ninguém consumir tanta televisão! Nem eu, nos meus mais dedicados dias.

Mas ela diz que não. Que muitas vezes só liga a TV para "escutar vozes".


Como esta série  tem 12 temporadas de vinte e tal episódios, até passarem todos e voltar ao início (a série por enquanto repete-se) passam-se meses. Mas eu vou insistir! Os actos mesquinhos dela só adiam ou perpetuam a minha necessidade. Quanto mais apagar, mais tempo vou precisar. 

Como tal, de Junho até ao momento, não liguei a tv na sala nem coloquei nenhum episódio a gravar. Por ainda não ter chegado à primeira temporada - aquela em que me faltam muitos. 

Ainda assim, estavam lá gravados 30 episódios de outras temporadas. 

Agora, com tudo eliminado excepto a série que ela vê, vou demorar ainda mais tempo para conseguir reunir todos os episódios e ficar com a série completa.  Mas não vou desistir, não lhe vou dar esse gosto.

Ela também voltou a desligar os cabos de ligação do meu aparelho. Para isso tem de ir atrás do móvel e puxá-los, tendo cuidado para não desligar nenhum dos outros. O cabo da tomada do aparelho, esse sou eu que só o ligo quando o vou usar. Pelo que o aparelho nem sequer está a consumir energia, pois nem ligado à corrente.

Ainda assim, ela tem necessidade de interferir e sente-se incomodada com a presença de algo meu na sala.

Deve estar feliz, porque a jarra decorativa, essa removi-a antes de ir embora.

Já as duas com flores naturais que cá deixei na minha ausência, continuaram no mesmo sítio, sem sofrerem manutenção. A murchar... Ninguém trocou a água. Nem sei se ela conhece que esse procedimento deve ser feito! Pois colocou um ramo de flores num copo ao lado, sem sequer remover a película em plástico, e também essa água está turva, esverdiada e quase evaporada. Nunca a vi compor flores numa jarra, ela simplesmente deixa-as a um canto.

E depois acha-se uma pessoa de classe.
Conhecedora de etiqueta.
Vende-se assim, mas as suas acções mostram quem realmente é.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Implicâncias incoerentes


Li um comentário no youtube onde a pessoa escreveu que não gostava de comédias televisivas porque os risos eram falsos. Sabem? Aquelas risadas gravadas que colocam... como se isso impedisse que existisse comédia. 

Nada mais... sem sentido. A pessoa em questão até mencionou uma sitcom que é gravada com audiência ao vivo, pelo que, muitas das gargalhadas são reais, não fictícias. 

Quem tem preconceito com a comédia, muita vez fica-se por este argumento, julgando que é o que basta para o validar. Mas penso que é o contrário. Uma história cómica não deixa de o ser pela presença de gargalhadas "enlatadas". Porém, compreendo e não me faz confusão que haja quem não goste de as ouvir e isso as impossibilite de apreciar um produto. Há quem tenha um humor muito seco... não admite risos, ahahaha! Daí a total falta de empatia. 


Ora..., apetece-me sublinhar umas realidades sobre o universo televisivo/cinematográfico. 

Os efeitos sonoros introduzidos artificialmente não se limitam a gargalhadas nem estão limitados à comédia. Este é, talvez, o género que menos recorre aos "artifícios sonoros" para agradar. O género mais puro! Praticamente TUDO o que se escuta filmado é FALSO.  Principalmente a forma de falar das pessoas. E alguns diálogos... totalmente inverosímeis. Se me perguntarem o que me faz "dessintonizar" uma cena filmada, vários factores contribuem para isso e o principal é o ruído sonoro. Vou listá-los, porque é mais fácil. 

1) Som de pneus a chiar
2) Sons de murros
3) Sons de lâminas  
4) Som de perfuração de facas no corpo humano
5) Som de pancada na cabeça 
(e que ainda por cima deixa de imediato a pessoa sem sentidos, sem feridas que deitam sangue e sem problemas físicos ou cognitivos. É uma soneca. Só nos filmes!)
6) Música sempre a tocar durante cenas de interacção entre pessoas 
(geralmente ausente na comédia sitcom mas comum em cinema) 
7) Música durante perseguições automobilísticas
8) Som de tiros
9) Som de tiros, explosões, pancadaria, perseguição automobilística e música em simultâneo 
(dessintonizo mentalmente e só regresso quando sinto o ruído desfalecer).
10) Diálogos ditos «à vez» como se o cérebro fosse colectivo entre um grupo de pessoas
11) A própria forma de falar do actores 
(não tão poucas vezes a forma como se fala para filme é diferente da forma de falar na vida real. E isso é tão verdade hoje quanto o é ao escutar um filme mais datado. Somente a consciência disso não está ao alcance de todos)
12) O Grito de pessoa que acabou de se magoar seriamente 
(só grita um bocado, depois cala-se e comporta-se como se a dor e a ferida a sangrar de ter uma faca ou uma bala no corpo só doesse no instante)
13) O choro de bebés
(tanta vez não bate certo com a idade)

Ora, o que é tudo isto acima mencionado diante de umas gargalhadas enfiadas numa comédia?
Não há som audível quando um braço recua e vai com velocidade para a frente para dar um soco no queixo de alguém. Se alguém esfaquear outra pessoa, a lâmina não emite um som metálico. Quando cortam carne com uma faca, não escutam a lâmina a zumbir, pois não? Nos filmes, qualquer que seja a pessoa que é alvejada parece que voa metros, rodopia sobre o próprio eixo, salta no ar, cai no chão após rodopiar, entrega a sua fala mesmo a tempo de falecer... Não é realista. Além do ruído sonoro para as mortes também ser artificial, as leis da física impedem que um corpo faça a maioria dos movimentos que vemos no cinema. Também não há dragões voadores, raios a sair dos olhos, nem super-homens com super-poderes, nem bonecos que falam... Por mais realista que a ficção queira ser, não resiste a apresentar as mesmas mentiras de sempre, sonora e visualmente. 


Despeço-me desejando a todos que se divirtam muito a ver filmes!

domingo, 14 de outubro de 2018

Onde estão os oráculos?

Zapping.
Paragem na RTP2. Cativa-me uma entrevista que está a decorrer num cenário com apenas dois sofás. Jornalista de um lado (a jornalista ham-ham), o entrevistado do outro. Um senhor a falar num português bem fluente, mas com sotaque. A forma como se expressa cativa-me e quero saber do que falam. Percebo que se trata de um livro de que ele é o autor. Aparece uma capa, mas com má leitura. Pelo menos no monitor do meu televisor, não consigo visualizar a tempo do que se trata. Um rosto remetendo a um mosaico romano parece ilustrar a capa da obra. Mas não mencionam verbalmente o nome da mesma. Nem o nome do entrevistado. 

Ainda não era desta...

Surgem os oráculos, aqueles rodapés informativos, mas também nada dizem. A entrevista continua a decorrer e é perguntado ao entrevistado sobre as personagens que escreve. Mas nenhuma pergunta ou resposta revela o livro que o fez estar ali. Apanhei o programa a meio, é verdade, quase no fim. Mas pude ainda ver uns bons minutos - talvez os últimos cinco ou dez. Seria de esperar nesta época de fast-tudo, a presença constante e alternada de rodapés informativos a aparecer repetidamente ao longo da duração do programa. Do estilo "Fulano X lançou livro Y". É para isso que esses rodapés existem: para situar o telespectador a qualquer instante em que sintonize o programa, no assunto abordado. E o cativar. Para passar a informação visual, caso a auditiva falhe. Os oráculos só trazem  vantagens e são um grande trunfo televisivo. Mas não souberam usá-lo.

A entrevista terminou. Pareceu-me que o autor chamava-se Richard, mas a jornalista menciona-o talvez uma vez e não recebo confirmação da obra, nem do autor, nem sequer na finalização da entrevista. Outra "regra de ouro" geralmente seguida por quem faz entrevistas televisivas. (Agora já sabem o propósito da mesma).

Não tive sorte, foi um tanto frustrante. Quando foi perguntado ao entrevistado como se sentia como autor ao ver-se ao espelho, ele então menciona uma famosa obra por si escrita: O último Cabalista de Lisboa. O google preencheu o resto: autor: Richard Zimler. Obra acabada de lançar: Os dez espelhos de Benjamim Zarco.

Descobrir isto foi como "montar um puzzle", entre o que ouvi e as informações parciais (tema da obra mas sem capa, a mencionar seis tempos - que foi um dos dados mencionados pelo autor durante a entrevista) disponíveis no google. Um simples oráculo bem colocado e uma entrevista finalizada de outra forma teria evitado todo este extra esforço :)  :D


PS: Achei interessante mencionar que a jornalista às tantas pergunta ao autor, numa afirmação, "Está a viver em Portugal há... 20 anos. Mas ainda pensa e escreve em inglês". Achei interessante ele rectificar que cá vive há 28. Está mais para 30 do que para 20, a jornalista parece não ter feito bem o "trabalho de casa" - só por este detalhe que escapou. Entendi que tinha muitas questões preparadas para lhe colocar - e colocou-as umas atrás das outras, quase sempre antecedidas de um "ham-ham". Mas o autor pareceu-me um óptimo entrevistado para improvisar ou seguir a deixa das respostas para fazer a próxima pergunta. Sem necessidade de "guião". 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Na RTP Memória...


Reencontrei alguns programas que fizeram sucesso mundial em décadas passadas. Sitcoms como Alf, Chefe mas Pouco e Os três Dukes. Por nostalgia, comecei a revê-las.

O sabor é que já não foi o mesmo.

1 - A.L.F. (1986-1990)
Alf foi um grande sucesso. Um extraterrestre tem de viver com uma família humana. Como um boneco que era visivelmente uma marioneta reles pôde ter sucesso, não é mesmo? Mas o sucesso de ALF está na personalidade sarcástica, pungente, ativa e ávida por diversão que conferiram ao boneco. Porém, ao revê-la, por vezes, nos monólogos longos, não suporto nem escutar a voz. E lembro-me que esta foi uma das razões apontadas para o sucesso da personagem. E já nesse assunto, como era muito comum na época, as restantes são pessoas muito íntegras, calmas, bondosas. Não gostam de fazer nada errado, têm uma noção de bem e de mal bem definida e não apreciam um menor desvio à integridade. Coisas como roubar um lápis da mesa da secretária de um escritório... é melhor colocar o lápis no lugar. Este género de personagem era muito comum na década de 70/80.

As histórias inventadas também não se sustentam bem pelo tempo. A maioria mostra conflitos básicos e são bem superficiais. Mais fabricadas para gerar gargalhadas fáceis do que apostar no crescimento das personagens. Quase todos ali são coadjuvantes para o boneco. 

Os cenários são horríveis, visivelmente falsos. Cenas de exterior no "deserto" não passam de cenas de estúdio com um cenário em papel, de cactos e montanhas. Muuuuito mau. Seria de esperar que, após o sucesso obtido, o maior número de receitas servisse para melhorar o produto. Não.


2 - CHEFE MAS POUCO (1984-1992)

Esta é a sitcom que mais me surpreendeu pela positiva. A que me souber melhor. Embora muito datada, nas atitudes e comportamentos da personagem Ângela em particular (logo a que devia ser independente e modernaça) mas principalmente datada na indumentária, aborda temas que ainda são transversais no tempo. Com duas crianças fazendo parte do elenco (a talentosa Alisa Milano e um rapaz que nunca mais ouvi falar e que nunca achei natural com a câmara) claro que temas como a sua educação, a passagem pela puberdade e todos os muitos conflitos que surgem em vidas tão jovens, confere um ar fresco à história e dá-lhe um pouco mais de durabilidade.

Personagens: Feita no final da década de 80, início da de 90, "Chefe mas Pouco" inverteu os papéis comuns na sociedade: aqui era a mulher que trabalhava fora de casa, auferindo um salário elevado e sendo responsável pela presidência de uma agência de publicidade. Ela também era mãe «solteira» de um menino. Papel que nunca achei ser bem defendido pela atriz que lhe deu vida - e essa impressão fica mais vincada agora, passados 30 anos. Obviamente sem tempo para as lidas da casa, a executiva decide contratar uma governanta. E quem lhe bate à porta é um ex-desportista de futebol, também ele com uma jovem filha e também ele solteiro. Tony Danza dá vida a este empregado doméstico e é muito credível. Claro que, entre os dois, vai existir alguma tensão de atracção, mas está sempre bem definido que o que os une é uma relação de patrão-empregado amigos e cúmplices. "Ângela" como executiva, não convence. Mas Tony como empregado doméstico convence-me que sabe tudo sobre como cozinhar um bolo, fazer qualquer prato, limpar o fogão, manter a casa um brinco. E isto sendo másculo o tempo todo. O seu lado doce de pai preocupado e empenhado em dar uma vida melhor à filha também se reflete na sua dedicação à nova profissão. Salve salve para o ator. Isto tudo ele consegue passar para nós, espectadores. «Ângela», a executiva, é que não convence mesmo. Mas adiante... até MONA! A personagem mais acutilante e bem construída dentro do seu género. Mona é a mãe de Ângela. Ela não vive na mesma casa (até uma certa altura em que se muda para a loft na garagem) mas visita a família e leva o neto e a filha de Tony a passear com frequência. Mona é o oposto de Ãngela em tudo. Ela gosta de divertir-se, de mostrar os seus atributos físicos e da sua boca saem as frases mais causticas e bem atiradas que jamais vi numa série. Mona tem uma atitude descontraída na vida e está sempre à procura de aventuras.


 3- OS TRÊS DUKES (1979-1984)
Até à pouco tempo ainda me divertia a ver esta série, que tem passado ocasionalmente pela televisão ao longo dos anos. Mas revê-la agora tornou-se, por vezes, monótono. Já sabia que aquilo não tinha grande história - basicamente passa-se sempre o mesmo: A família Duke adora carros velozes e é perseguida pelo xerife e deputado locais, que estão em conluio com Boss Hogg (brilhantemente interpretado por Sorrel Boke), um ricaço corrupto «dono» de todo o condado de Hazzard. Todas as histórias resumem-se em ver os primos Bo e Luke a conduzir o carro laranja, sendo perseguidos pelo xerife Rosco P. Coltrane (brilhantemente interpretado por James Best). Tudo isto em pura comédia circense. Automóveis a saltar, a pular por cima de ribeiros, tiros que nunca acertam o alvo, e murros que mal tocam o rosto do "bandido" já os põe a todos K.O.  Mas existe bons momentos de diversão, principalmente por parte das personagens "bandidas" e cómicas do xerife e de Boss Hogg. Pura escola, em termos de atuação. Eles caem com o carro no lago, emergindo encharcados e com vegetação agarrada ao corpo, enfiam-se em pilhas de feno, escorregam para dentro de poças de lama, levam com comida na cara, latas de tinta que lhes são derramadas.... muito empenhados e profissionais estes atores, pois a cada episódio... tinham de tomar um bom banho. E por isso a série deu resultado e ainda diverte, embora não mude em nada a sua essência. É como ver os desenhos animados do coiote e papaléguas: é sempre a mesma coisa e o coiote jamais consegue alcançar o seu alvo. Este é inteligente, o outro um idiota que se coloca em situações caricatas, e está sempre a cair em precipícios, a ter bombas a explodir-lhe à frente... Assim é Os três Dukes.  


terça-feira, 9 de outubro de 2018

A Programação Portuguesa


Se há coisa à qual não tenho acesso em Inglaterra, são os canais de televisão portugueses. Por isso, quando cá cheguei, foi com saudade e gosto que fui passando pelos canais para descobrir o que emitem. A surpresa não foi muita. Continua tudo igual. Na televisão que tem cabo, entretive-me na Sic Radical, a ver dois programas estrangeiros. Um britânico (o que é curioso), de nome Undressed. Duas pessoas interessadas em encontrar o amor marcam um encontro num "quarto" fictício (um estúdio de TV) e têm de tirar a roupa do outro. Depois deitam-se numa cama e conversam. Num monitor surgem perguntas e sugestões de posições para eles imitarem. Ao final de 30 minutos, têm de carregar num botão para dizer se estão interessados em conhecer aquela pessoa, ou ficam por ali. 


Achei interessante. E bem melhor que um outro no mesmo canal, espanhol, em que desconhecidos CASAM um com o outro e vão para a recepção vestidos de noivos, sendo avaliados de cima a baixo pelas famílias. Uma estupidez! Assim como um outro programa que passa no Reino Unido (Naked Attraction) e agora também na Sic Radical, em que os concorrentes ficam todos nus num pedestal e o genérico mostra os pénis a balançar, os seios, pipis, etc... Não pela nudez, mas pela gratuitidade com que a exibem e o conteúdo supérfluo e superficial do programa. Não é de espantar: no final, o concorrente que escolhe o seu favorito, vão num encontro - muitas vezes incluindo logo sexo e, descobrem que não vão dar continuidade à relação. Muito sedutores no início, ávidos pelo primeiro beijo que é sempre cheio de língua, saltam para a cama, fazem todo o tipo de sexo (presumo) e depois... "queixam-se" que o outro não é o que pensavam. Ah, a sério??



O segundo programa (Dating Naked) passa-se num local paradisíaco e tropical, com praia, areal, piscina e casa de luxo. Um homem e uma mulher marcam encontros com potenciais parceiros que nunca conheceram antes. A condição é que... têm de estar nus. A produção tem uma actividade que lhes é destinada e eles aproveitam esse convívio para se conhecerem melhor. No fim de uma semana, têm três encontros. Este programa podia ser feito com mau gosto, mas não é. A nudez não incomoda - porque nem se vê. Um borrão muito bem colocado impede qualquer visualização. Pelo menos aparentemente, todos estão realmente centrados em conhecer as pessoas - não em vê-las nuas. Porque já estão nuas. Assim, isso fica esclarecido na primeira vez que se vêm, podendo concentrar-se nas características que realmente interessam: personalidade, opiniões, comportamentos. Foi um programa que me interessou e vi alguns episódios. Contudo notei que muito é fabricado. Embora não tenha visto o fim, fiquei com a sensação que tudo aquilo vai ser inútil, porque o casal que está a sair com outras pessoas, no fundo, já se escolheu um ao outro. Pelo menos ela. Pois assim que vê o outro rapaz (com quem não tem uma relação e com o qual divide a experiência) com uma mulher que ela sente poder ter chances, discretamente sabota a relação. E ele gosta de todas, trocando a sua favorita com frequência e mostrando uma obediência imediata à colega cada vez que ela o chama. 

Na TV que só tem canais nacionais, percebi que nos generalistas continua tudo igual. Directos de manhã e à tarde, com a habitual propaganda ao Calcetrin e aos números de sorteio, intercalados por dois noticiários composto de cinco notícias durante um ciclo de 24 horas, repetidas continuamente o dia inteiro. Por vezes até a manhã seguinte. Os "enchidos" dos directos em estúdio - ou em exterior (em caso de feriado nacional) são o que de "melhor" a TV tem para proporcionar. É o maior entretenimento, até que cheguem as novelas, à noite. Filmes são raros - talvez um por semana, sempre próximos da meia-noite. 

Elenco da novela Valor da Vida
De novelas, cativou-me pela história Valor da Vida (TVI) que conta com um elenco "misto" de portugueses e brasileiros. Mas o curioso é mesmo a história. Muito bem escrita. Dirigida? Nem por isso. A realização é espantosamente básica. Pouco ou nada dinâmica. Basicamente pessoas sentadas no sofá e cameras a apontar para uma ou outra. Ou planos gerais - por muuuito tempo, de vez em vez aproximam-se para desenjoar. Muito básica. É a história que a sustenta. E algumas interpretações.

E vocês?
Como está a vossa relação com a programação dos nossos canais? 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os artistas que conheci


Acordei de um sonho. Neste sonho duas personagens muito famosas de duas histórias que vi na televisão encontram-se numa só. Os meus sonhos têm, desde a entrada na idade mais adulta, o inconveniente de serem esquecidos quase de imediato. Daí que a primeira famosa personagem que partilhava a história com outra, não recordo mais. A primeira parte do sonho foi para ela. Mas a emoção maior para mim, espectadora novamente, foi quando a banda sonora voltou a tocar. Aquela banda sonora que me trazia todas as emoções e mais algumas - tristeza, alegria, conforto, abandono... e que nunca mais ouvi. Esta melodia dá os seus primeiros acordes e eu fico agarrada a ela em êxtase, desejando que não termine com a próxima cena por desvendar. Na minha mente, que agora é a história, só se vê o interior de uma igreja pelos olhos de alguém a movimentar-se dentro dela. É então que aquela melodia que ouvi vezes sem conta por volta dos meus 13 anos é interrompida pelas personagens. (é sempre assim). 

Plano geral, lado direito de onde se movimentava a personagem. Cenário: o interior da igreja, mesmo antes de se chegar à ala do lado esquerdo. Essas duas personagens param ao se ver. Plano de rosto:

Padre: - Fulana!! (olhando bem para o rosto para acreditar).
           - Passaram-se 30 anos! (surpreso, mão erguida para quase tocar esse rosto, enquadrado por um véu de igreja)
           - Linda. Você continua linda!
 Figura misteriosa:
            - Deixe-me dar-lhe um abraço, padre! (diz emocionada e já indo abraçar). (plano médio por detrás do ombro da mulher)
            - Esse não muda, é o mesmo do tempo das dificuldades!  (plano médio com os dois)

Satisfação entre as personagens. Alegria de reencontro. Separação do abraço.
              - "Como ele está?" - pergunta a mulher.  (plano no rosto da mulher)


Foi com isto que sonhei e nesta parte despertei.
Vieram então à memória algumas lembranças daquele tempo. 

Lembrei o quanto naquela altura «entendia» a personagem. Olhando para trás, diria que foi impressionante o quanto a «conhecia» talvez pelo que partilhávamos em comum, salvaguardando as enormes diferenças. Essa afinidade diria que tornou-me intuitiva a seu respeito. Continuava a vê-la apenas como uma personagem de ficção, mas também tinha sido uma pessoa real e era com essa que, por vezes, parecia estar conectada. Algumas vezes a história era contada de uma forma que eu sentia que não tinha sido assim. Uma sensibilidade que reprimia e mantinha secreta. A sua vida separada da história começou a interessar-me. Em silêncio e em segredo, comecei a procurá-la.

Depois lembrei-me que anos mais tarde estive com a atriz que interpretou a personagem.

Separo muito uma coisa da outra. 
Não sentia particular gosto ou desgosto pela pessoa, pois não a conhecia, ainda que lhe conhecesse pormenores da vida pessoal e o seu fisico. Quando subitamente me vi na presença dela, não foi nada de especial. Foi normal. Para mim era apenas um rosto que me era familiar através de um monitor de TV e eu uma desconhecida, ambas com um momento em branco. Aproximei-me como me aproximaria de qualquer outra pessoa e falei do propósito que ali me levava. Esta pessoa teve uns segundos de "si mesma" e depois muito rapidamente, como se arrependida e assustada pelo momento de espontaneidade, fechou-se numa esfinge. Talvez por ter entendido que não conhecia de lado algum aquela estranha de rosto estragado. Senti repulsa emanando dali. Tinha de se proteger e fazia-o calando-se e despachando a pessoa. Podia ser mais um doido. São todos doidos.
Ficou com o rosto sério, sorriso só o necessário e amarelo, processo de assinatura de autógrafos em piloto automático. Rabisco igual em cada folha do livro e "próximo" a palavra que lhe sai da boca, também automaticamente. Seria até impossível não deixar de sentir que te expulsava com um tanto de repulsa, medo, até desprezo. 

Uma forma escolhida de se preservar. (Que não é nada simpática).

O artista pode sentir-se esmagado pela própria coisa que anseia: o público.


É engraçado porque, podia adorar todas as personagens que já fez na TV - o que não é o caso, mas esta coisa de afinidade nada tem a ver com o talento. Lembrei-me então de outras vezes que também cruzei com outros artistas das mesmas histórias, vistos pelo mesmo monitor. Cruzei-me com três em circunstâncias diferentes: uma sessão de autógrafos, uma formação, um convite. 

E na realidade, a qualquer momento a vida podia ter feito com que me cruzasse de muitas maneiras diferentes. Há quem procure, anseie e deseje o contacto próximo com os artistas que vê na televisão. Há quem sonhe. Eu? Nem por isso. Talvez até fuja.


Mas ponderava então sobre o real e o ficcional. Sobre esta pessoa não formava nenhuma ideia em particular, de modo que, quando a «conheci», não tinha expectativas e por isso estas não podiam sair frustradas. 

A da formação, foi a mais interessante. Porque dessa guardava uma impressão intuitiva que surgiu na primeira vez que a vi a fazer uma personagem na televisão - também durante a minha infância. Tive quase instantaneamente uma sensação de que não ia gostar da pessoa se a conhecesse. Uma forte sensação me dizia que, na vida real, aquela não era uma boa pessoa, estava longe de ser doce ou ingénua como a personagem que estava a interpretar. Achei que não ia gostar muito dela. Vai que no instante em que partilhámos o mesmo espaço, mesmo com toda a cordialidade de parte a parte, a mesma impressão mantinha-se. E o que é mais interessante: parecia ser mútua. 

Durante o tempo em que nos relacionamos profissionalmente, sempre existiu respeito, cordialidade. Mas nada além disso. Acho que ela usava máscaras sociais - todos usamos, mas que não conseguia ser autêntica em nenhuma, tendo propósitos ocultos e egoístas. E isso não encaixa com a minha forma de ser. Entendo a timidez, mas não entendo o disfarce. 

Não a achei má pessoa, nem boa. Só existiu mesmo aquela sensação de incómodo ou falta de afinidade. Mas o melhor foi mesmo a casualidade de poder ter tido a oportunidade de me confrontar com essa sensação que estava enterrada e de poder receber um retorno. E o que recebi pareceu ser mútuo. Nunca que nenhuma tratou a outra mal, sempre existiu educação, cordialidade. Mas lá no fundo mantinha-se o tal desconforto. Mútuo. Aquele do primeiro instante que senti na infância através de um monitor.

Adivinho que ela diria que são coisas de vidas passadas. Que não se explicam. 

Acredito que, por vezes, é mesmo possível entender algo da pessoa por detrás do que "finge" ser. Por vezes acerto na muche - mais do que parece. Foi o caso da terceira pessoa. 

Sobre esta só posso dizer que tinha sim uma certa impressão. Que era super talentoso! Achava que podia pegar em qualquer coisa e sair-se bem. Vai que quando a pessoa surge à frente, vejo um indivíduo muito dedicado e apaixonado pela sua profissão e muito tímido. Se o tivesse imaginado, imaginaria assim mesmo como se apresentou. Ainda assim, foi um choque. A sua timidez e humildade tornou-se íntimidante pela familiaridade. 

Pessoas que transmitem tanta garra e energia no ecrã, tanta virilidade ou sensualidade, por vezes, na vida real, têm tudo isso quase guardado em segredo dentro de si.  Não é coisa que saia para fora com a facilidade com que sai nas personagens. E talvez por isso seja tão agradável fazer essas personagens e se demonstre especial talento.



E pronto. Foi nisto que o meu sonho me pôs a pensar!
Durante toda esta exposição, a melodia não deixou de se pavonear de vez em vez pelos meus neurónios. 




quarta-feira, 28 de junho de 2017

Junto por Todos - concerto solidário angariou 115300000


Bem, acabei por não assistir adequadamente à prestação de Salvador Sobral no concerto solidário de ajuda às vítimas e região de Pedrogão Grande. Isto porque, quando Pedro Abrunhosa ia para dizer algo "muito importante" na TSF, a emissão começa a ter problemas e fica... muda. E muda está até agora, que o concerto já terminou mas a emissão de rádio continua.


Lamento imenso que tenha ficado muda... Porque queria escutar as opiniões dos radialistas após esta afirmação de Salvador Sobral durante o concerto: «Eu sinto que posso fazer qualquer coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um peido e ver o que acontece».


É que consegui sintonizar a RTP e a TVI uns instantes antes dele dizer isto. Vi o final da prestação. Primeiro quero dizer que esperava e preferia que ele tivesse levado para este concerto outra música que não a do festival da Canção. Entendo mas esperava algo mais «do coração» dele, algo mais emotivo e mais singular. Depois, acho que lhe faltou um tadinho da emotividade que ele já demonstrou saber sentir. E quando ia lá, subitamente descia novamente «à terra». 

Por fim, tenho de «responder» ao Salvador que ele está muito enganado. Nenhum «herói» ou santo atinge o topo e fica lá para sempre. Ele que «apronte» muitas para ver se não cai... De herói Nacional a pessoa detestada pode ser um caminho feito num ápice.


Entendo-o. Entendo que perturbe e incomode tanta celebridade e tanta adolação. Eu também sou um pouco assim. E até aprecio a forma como ele diz o que pensa. Mas tem de se ter um pouco de mais controlo e sentido de oportunidade. Dizer isto num concerto de solidariedade não é o melhor local, digamos assim. 



E se não me enganei, o concerto angariou 1153 mais CINCO zeros!!
Aqui volto a relembrar as palavras de Carlos do Carmo: o importante está em saber como e para onde vai o dinheiro angariado. Que os portugueses são solidários - acho que este tragédia define bem a questão. E de que maneira!!

Se pedissem dinheiro para acabar a crise da mesma forma, acho que Portugal saia do buraco sem que fossem necessários aqueles terríveis anos de governo de Passos Coelho, com tantos cortes e tantos impostos.


1h03m: Sintonizo a Rádio Comercial. Gosto do que oiço. Falam da cooperação entre as rádios, do grande momento que foi este concerto e do quanto gostaram de se juntar, gostaram desta cooperação entre rádios e que foi uma experiência que querem repetir. Frisam novamente que a rádio é o meio mais democrático que existe. Todas as rádios juntas por todos. Dezenas de técnicos e produtores... Adoro isto. Adoro esta solidariedade, esta união. 

É aqui na rádio Comercial, às 1h03m, que fico a saber que este concerto Vai dar disco - diz o locutor, apontado como fonte Maria Liz.

E imediatamente pensei: «Se vai dar disco, aposto que "vou dar um peido a ver o que acontece» será excluído» Kkkk.


1.153.000.00´

Um milhão e 53 mil euros, é o valor angariado no concerto desta noite - esclarece a Rádio Comercial.