O telemóvel acabou de tocar de um número privado. Atendi mas por mais que falasse, do outro lado não veio nenhum som. Então desliguei. *** Voltou a tocar. Mais silêncio. Antes de alguém no outro lado desligar, escutei uma voz feminina. Então mais silêncio.
*** Conto isto porque após o primeiro toque, ocorreu-me que podia ser ele, a querer escutar a minha voz. Que me tivesse ocorrido isto faz-me entender que nós, mulheres, somos mesmo parvas. Quando nos apaixonamos, ficamos meses, anos, a alimentar fantasias de contacto que nunca vão acontecer.
Gostava de ser mais fria e indiferente como os "gajos".
Mas também, se nós, mulheres, fossemos assim, o mundo cairia em colapso.
É por sermos maternais e sentimentaloides, esperançosas e carinhosas, capazes de exercer o perdão por amor, sempre ali para apoiar e amar, que eles precisam de nós, que damos equilíbrio ao Universo, de resto tão desequilibrado.
Sim, temos fases hormonais. Causa-nos alterações de humor, aumentam a irritabilidade...
Mas sem nós, MULHERES,
que vida violenta, árida, sem graça, fria, cheia de lixo e em conflito bélico seria o Mundo dos Homens.
Logo de cara, não gostei dela. Em que ano foi? 2001?
Com o tempo, fui-me habituando e tentando remeter a sensação de deslike injustificado para o sítio onde acredito que todas devem ir: para o nada.
Falo de uma actriz americana, adolescente na altura, que fez parte da série de TV Smallville - A história do "super-homem". "Cloé" - o nome da personagem da atriz Allison Mack foi um "deslike" imediato. Não pela personagem, mas pela atriz que lhe dava vida e não sei explicar porquê. Ela reunia uma quantidade absurda de fãs. Colegas também a elogiavam por todos os ângulos: a sua postura no trabalho, a sua pontualidade e disponibilidade, a sua boa disposição e como era "parecida" com a personagem que encarnava: uma mulher independente e inteligente, a lutar por um bom lugar no mundo, para si mas também por todas as outras mulheres.
Acho que foi até eleita como a mais amiga do elenco.
Mas ao vê-la tive aquela sensação de "não és o que aparentas". Como se dois personagens vivessem ali e as pessoas só vissem um. Tive a mesma sensação de deslike instantâneo com Bill Cosby quando o vi actuar na sua sitcom.
A actriz está agora a aguardar sentença por tráfico sexual de mulheres, pois recrutava-as dizendo que iam aderir a um grupo feminino para melhorarem de vida. Na realidade, tratava-se de um culto e práticas muito crueis, de humilhação e desumanas foram executadas, incluindo pelas mãos da "atriz".
Em Setembro vai saber quanto tempo de cadeia vai levar. Pode ir até 40 anos.
Fiquei surpreendida e ao mesmo tempo, não. Foi um choque, mas de certa forma veio a recordar e a validar aquele "deslike" sem motivo. Contudo, lamento. É sempre triste quando qualquer pessoa se deixa levar por um "guru" de um culto qualquer. Ela fez mais que isso - não se entende bem quando se iniciou no Nxivm mas remete aos tempos da série.
Percebo que mesmo nos dias que correm e com tanta informação continua a ser muito fácil recrutar pessoas e sujeitá-las a ingressar num culto. O facto destas mulheres terem de se sujeitar a ter sexo com o "guru", o "mestre", o "Vanguarda" devia servir de pista, mas por essa altura já têm os cérebros baralhados.
Nenhum de nós está imune de um dia seguir um "Charles Manson". Mas existe um denominador comum: extrema juventude. A maioria destas mulheres entrou no culto na casa dos 20 ou ainda mais novas. A própria Allison devia andar pelos 24 anos. Tem agora 36. Só mais tarde, nos 40, algumas destas mulheres "abrem os olhos". Isto não se dá por acaso. Por muito sucesso que se obtenha aos 20 e poucos ou mesmo antes, por mais independente e bem resolvida que se pense ser e se ande a somar diferentes experiências de vida - a matemática está toda ali: ainda não se viveu o suficiente.
Ver canal Crime&Investigation, série Crenças Extremas, episódio 1, que foi para o ar hoje, dia 20 de Julho
ver aos 2 minutos e 20 segundos
ao 1 minuto e 38 segundos
Os que têm filhos lembrem-se disto: o espírito de muitos jovens busca algo indefinido que os pode conduzir a más escolhas. É sempre preciso andar alerta, estar disponível para acompanhar o desenvolvimento das suas vidas, mesmo quando a prole, na ânsia de começarem sozinhos, preferem não interagir a certos níveis com as figuras máximas de autoridade que um dia os pais foram.
Este post ia começar por algo positivo, que transmite uma luz no final do túnel. Mas como tudo, não vai terminar tão bem. Ainda há muito para falar sobre a forma como a sociedade aceita que alguns homens lidem com as mulheres.
Maura Quint é uma escritora. Certo dia decidiu colocar na sua conta de Tweet histórias sobre as vezes que NÃO FOI assediada por homens. Eis um dos seus relatos:
«Uma vez durante o secundário, sentia-me insegura. Vesti um top apertado e curto, coloquei batom, coisas que não costumava fazer. Fui a uma festa e bebi imenso alcóol. Um homem perguntou se eu desejava sair da festa com ele. Respondi. "talvez". O rapaz respondeu: "um talvez não é um sim" e voltou a juntar-se aos amigos.»
Noutro relato, aos 20 anos numa saída com amigos, Maura conheceu um empregado de mesa. No final do turno deste aceitou ir conversar com ele fora do bar. O rapaz disse-lhe que vivia ali perto e perguntou-lhe se queria ir para a casa dele. Com dúvidas, Maura hesitou. O rapaz disse-lhe que ela podia voltar para o bar, se era o que queria fazer. E foi o que fez. Com estes epísódios ela concluiu que não sofreu nada, porque naqueles dias não conheceu um violador.
Talvez um dos subconsciente motivos pelos quais não aprecio talent shows infantis que "adultizam" crianças. No Brasil uma menina de 12 anos foi sexualmente assediada em comentários no tweeter, enquanto participava em Mastershef - um programa televisivo onde crianças entram em competição umas com as outras para serem eleitas "melhor chef" de cozinha. Um homem escreveu assim: "se for consensual é pedófilia"?
Este caso levou uma organização a lançar no tweeter a hashtag #PrimeiroAssedio.
E a conta foi entupida de relatos de mulheres a contar que o primeiro assédio acontece na infância.
E esta é uma triste realidade. O assédio começa, por vezes, mesmo antes do corpo feminino se tornar mais adulto e sexualmente apelativo. Há cérebros que não fazem distinção, olham para a criança como um pedaço de carne que irá florir para algo que já lhes apetece provar. A ideia de vir a ser o "primeiro" a proporcionar a experiência sexual a uma fêmea é primária em alguns homens.
#PrimeiroAssedio
Aquele que lembro mais ancestral, remota a uma ida à praia onde um homem de cabelos brancos muito velho e barrigudo não parava de olhar para mim, criança de uns seis ou oito anos. Ele andava de um lado para o outro, mas sempre fixado. Tentou aliciar-me a ficar perto dele. Aquilo deixou-me desconfortável e fez com que não me apetecesse ficar na praia. Senti vontade de vestir a camisa e ficar quieta a um canto.
Por favor, sejam homem ou mulher, deixem aqui na secção de comentários, a vossa #PrimeiroAssedio
Na Holanda, país que julgamos avançado no pouco que lhe conhecemos uma jovem, de nome Noa, sai todos os dias à rua para ir trabalhar, mas o que mais a incomoda é o previsível assédio diário. Vai que decidiu tirar uma selfie cada vez que se sentia assediada e colocar na sua conta no tweeter, seguindo de um texto assim: "Caro assediador...". A experiência durou um mês. Vejam o tipo de foto que ela publicou e digam se não vos parece familiar.
Mona só terá chances de sair à rua sem ser assediada quando envelhecer ou se prescindir do uso de roupas normais e bonitas ou andar com o cabelo menos vezes solto que apanhado. É como se impusessem uma burka invisível, porque, na prática, tens de estar com uma aparência que não chame a atenção dos olhares masculinos, para poderes ser... respeitada.
#EusouNoa
Já quando tinha transitado para a possibilidade de andar na rua sem ser alvo de olhares ou comentarios (algo obtido através de anos de uma atitude de nenhum contacto visual, ignorancia e indiferença, perfeitamente assegurado pelo uso de roupas velhas, largas, simples e aparência nada atrativa), sai naquele dia à rua com casaco e calça preta. Cabelo solto, ao invés de apanhado. Quando fui a atravessar a estrada, notei os carros a abrandar, ao invés de acelerar e sem buzinar se lhes "passasse à frente". Notei, inclusive, enquanto esperava o semáforo ficar verde para os peões, esses carros a desacelerar ao invés de acelerar para passar o sinal ainda "amarelo". Era o que habitualmente fazem. Quando atravesso a passadeira, sinto e percebo que o homem que vinha no carro e levou o seu tempo para parar, gostou de ficar a olhar enquanto lhe passava à frente. O seu pescoço acompanhou todo o meu movimento. E quando o sinal para automóveis ficou verde, ele não reagiu de imediato. Foi preciso levar com uma buzinadela do de trás para arrancar. Eye-candy, como dizem na américa. Uma visão que dá gosto ver. Como os comportamentos mudam! Nesse dia, a única coisa que alterou na minha pessoa foi a indumentária. Contudo, a atitude das pessoas foi mais civil, mais tolerante, mais simpática.
Partilhem o vosso #EUsouNoana secção dos comentários.
A Holandesa nas selfies com os homens que se meteram com ela e disseram/fizeram algo que a deixou incomodada
« Meu Deus, Glória! Devoraste o Cabeça de Abóbora? Ela disse que põe maquilhagem e a peruca grisalha?!?!?! A pu** já parece velha! Ela parece o Dani Devito com peruca loura. Jabba! Mulheres brancas não envelhecem bem. Ela realmente relaxou-se! Não esperava isto nem num milhão de anos! Ela era tão boa!! »
Comentários que podem ser encontrados em vídeos no youtube sobre Sally Strudders. Sally protagonizou a jovem Glória na sitcom que referi aqui, na década de 70. Estava então a meio dos seus 20 anos e ainda não tinha sido mãe. E tal como Brigitte Bardot, Katelyn Turner, Goldie Hawn, Michelle Pfeiffer ou Meg Ryan, todas excelentes atrizes, o tempo passou e nenhuma manteve a aparência física de uma menina de 20 anos. E porquê??
Porque a vida não é suposta ser assim!!
Dos 20 aos 60 vão décadas...
Acho importante chamar a atenção para a frivolidade com que se fazem comentários destes. A normalidade com que os aceitamos não é boa para a sociedade, se a queremos respeitosa e sem preconceitos. A facilidade com que hoje em dia se acolhe estas violências verbais, neste e noutros meios de divulgação, é perniciosa. A pressão a que as mulheres, em particular, estão permanentemente sujeitas para que se mantenham jovens e sexys, boas de cama, disponíveis para tudo, não é digna de uma sociedade que se diz respeitadora e liberal. Não envelhecer e não perder os belos traços da juventude, é impossível. Tanto para mulher, quanto para homem!! Que se recue no tempo e se passe a aceitar cada etapa da vida, apreciando-a. Que se olhe para o rosto de uma mulher com rugas e se veja beleza. Que se procure a alma. E não um pedaço de carne.
Esta sociedade sempre tão machista, tão centrada no supérfluo carnal... não tem moral para criticar outras que ainda aprisionam as suas mulheres em tradições que ditam opressão. Pois não se desviou tanto assim de fazer o mesmo.
Entre alguns comentários ignorantes, quase todos da parte de homens, surgem alguns sensatos, quase todos da parte de mulheres. Como este:
« Não entendo os palavrões e os maus comentários. Ela deu-nos anos de risadas, contribui para a sociedade doando o seu tempo a crianças necessitadas. Não entendo a maldade. Não gostar dela é uma coisa, ser malévolo é outra. »
Se continuarmos assim, malévolos e superficiais, passo a entender e a defender a ideia apresentada em tantos filmes futuristas de que a humanidade não deve viver para além dos seus 30 anos. Que tal? Agrada esta ideia? A todos aqueles que acham que uma mulher é um pedaço de carne que deve envelhecer mantendo um corpo escultural de 20 anos? Ou ser uma bomba sexual sempre cheia de desejo? É que nem quando algumas fazem isso, deixam de ser severamente atacadas verbalmente com insultos. Por parecerem tudo e mais alguma coisa devido à libido «precoce» ou às plásticas... É então um conceito impossível, que está perdido à partida, mas continua a ser exigido. Tanto «levas» na cara por envelhecer, quanto por evitá-lo. Ó «críticos»: E se fossem mas é aprender a alimentar o cérebro??
Sim, porque isso faz falta para que entendam que estão a dar um tiro no próprio pé. Frivolidade gera e cobra frivolidade. E se exigem às mulheres de hoje coisas como depilação total, corpo escultural, magro e musculado, etc e tal, porque um homem gosta é "de coisa boa", claro que geram mulheres que fazem um alto investimento nelas mesmas e não o vão entregar a um homem barrigudo, baixo, careca ou pobre...
Se tudo ficar definido no supérfluo, então perpetuam-se certos erros. E o que já não falta por aí é mulher a cuidar de si na esperança de encontrar qualquer homem com uma carteira recheada e vontade de gastar dinheiro com ela. E se não apanharem uma destas, apanham das outras: que também querem um homem todo depilado, musculado, magro, fiel, inteligente, respeitador e bem humorado. Vão ser picuinhas com o tamanho da barba, com o tamanho de tudo... Gerações de homens e mulheres a tentar atingir o impossível e a valorizar o que pode até ser bom, mas por motivos errados. E por isso todos ficamos cada vez mais sós, cada vez, os homens pelo menos, mais íntimos de bonecas.... insufláveis ou de silicone.
Pronto. É isto. A sociedade está a evoluir para o ridículo e como tudo o que é ridículo, se a juventude é a única coisa que se quer valorizar, então que ninguém viva para além dos 30. Eutanásia para todos e que sobreviva o melhor. Lol.
Não resisti: procurei, encontrei e vi o filme "Sufragistas".
Ao contrário dos últimos que visionei, o final é a parte mais forte. Nesses créditos surgem as datas em que o direito das mulheres ao voto é finalmente obtido na Inglaterra. Logo de seguida passa uma lista de muitos outros locais no mundo onde o direito ao voto no feminino é permitido, e respectivas datas. Infelizmente não aparece Portugal.
A Nova Zelândia detém um título de causar orgulho: foi o primeiro país a conceder às mulheres o direito de sufrágio. Mais de 30 anos antes do Reino Unido. O último a fazê-lo foi a Arábia Saudita, em Dezembro do ano passado. Acho que é um momento digno de livro! Se fosse uma mulher saudita, faria por escrever um livro detalhando os acontecimentos e até já tenho título*: Dedo Púrpura.
mulher muçulmana a mostrar o dedo de voto
Mas então e Portugal? Fui verificar. Já tinha lido sobre a primeira mulher a votar em Portugal- Carolina Beatriz Ângelo, médica cirurgiã, viúva e com filhos. Aproveitou uma lacuna na lei e em 1911 votou! E ainda bem que o fez, faleceu pouco tempo depois, coitada!! Trataram logo de mudar a lei, não fossem aparecer outras mulheres com as mesmas pretensões.
à direita: Carolina no dia em que votou (28 de Maio de 1911)
à esquerda: Ana de Castro Osório, escritora e presidente da liga de sufragistas portuguesas
A segunda mulher a votar em Portugal só o pode fazer 15 anos depois de Carolina, em 1926. Mais uma vez, o acto de cidadania só era autorizado às mulheres com curso superior ou ensino secundário completo, que fossem maiores de idade e chefes de família. Em 1931 estendeu-se um pouco mais as condições, que ainda assim permaneceram restritivas. Em 1933 novas mudanças... as solteiras de boa índole poderiam votar... para as juntas de freguesia, somente. A total igualdade constitucional só surgiu de verdade depois do 25 de Abril de 1974... Mais precisamente na constituição portuguesa de 1976!
Foi só aí que as mulheres adquiriram um estatuto de igualdade. Passaram a ser cidadãs de primeira classe, não de segunda. Acabaram-se os mitos de que não tinha capacidade intelectual para votar, que tinha de ficar em casa a cuidar dos filhos, não podiam estudar porque o seu cérebro era menor do que o do homem e por isso não ia aguentar tanta informação... Acabou-se!
Repararam que o direito ao voto conquistado pelas mulheres foi tudo menos uma torneira que se abriu? Não foi uma coisa que estava vedada e subitamente um decreto fez com que passasse a existir. Como toda a ideia legítima, encontrou sempre uma tremenda resistência, da parte da lei, do governo e dos Homens. E quando finalmente esta atrocidade foi eliminada, não foi como abrir uma cancela e deixar passar as mulheres até às urnas. Esta dívida da lei e do governo foi «paga» a conta-gotas.
Primeiro autorizaram só as ricas e instruídas, depois só as casadas, depois as solteiras de boa índole mas só para um tipo de voto... Ou seja: tanto aqui em Portugal, como em qualquer parte do mundo, esta igualdade não foi uma torneira que se abriu e pronto: está feito. Nada disso! Foi a conta-gotas que chegou. Terrível, não? Só de pensar que no que verdadeiramente importa foram precisas décadas para atingir um tratamento não diferencial e igualitário...
Que por vezes, até nos dias de hoje, nas sociedades mais desenvolvidas, falha:
«Mulher no Brasil impedida de votar (2014)»
Emocionam-me estes factos e fico com enorme curiosidade por descobrir mais, ao mesmo tempo que percebo o quanto desconheço tanto. Hoje apetece-me conhecer mais sobre estas mulheres - que não estão tão distantes assim. É uma geração de lutadoras que ainda respira e vive. Devia-se explorar este tema quase até à exaustão. Como povo, se não nos conhecermos e à nossa história, perdemos um pouco a nossa identidade.
Espreitem aqui este sintético excerto em vídeo dessas histórias de lutadoras portuguesas - infelizmente hoje praticamente desconhecidas.
Ainda vos deixo com este vídeo dos óscares 2015... Além de admirar esta atriz que sempre intuí como uma pessoa muito humana, simples e despretensiosa, além de verdadeira artista, ela chegou ao palco e disse! Em Hollywood fala-se muito de «respeito à diversidade» mas tal como em qualquer parte do mundo - inclusive aqui - o que se diz e o que se faz, muitas vezes são coisas diferentes. Todo o seu discurso abrange o que precisava e vai mais além, é ao mesmo tempo de agradecimento mas também de activismo, simples e inteligente. Afinal, este é o momento em que «o mundo» está de olhos postos naquele evento. Muitos dos agraciados pretendem cunhar com cidadania um momento destes. E ela o faz dentro do limite de tempo, sem excluir nada, de forma brilhante. A reação na plateia também foi clara. Convosco, Patrícia Arquette.
*Primeiro faria a pesquisa para saber se as votações na arábia saudita foram de dedo pintado - pois não me parece terem sido, ainda assim, o livro podia falar não apenas deste país, mas do direito das mulheres muçulmanas ao voto por toda a parte. Iam ler este tipo de livro?
A história que vou reproduzir a seguir só pode ter sido escrita em tom de comédia. Segundo um artigo encontrado aqui, a recente "Lei do Piropo" pode vir a ser responsável pela expulsão de mulheres do corpo de bombeiros.
O primeiro parágrafo "brinda-nos" com esta preciosidade de raciocínio:
Além de um tal "fonte" do departamento jurídico da Liga de Bombeiros explicar que o «conjunto de problemas» que a nova lei traz para dentro dos quartéis se deve "à profissão e ao material utilizado", ainda diz que as mulheres, sobre uma imensa pressão pela lei, não saberão distinguir o que é uma verbalização de um importunação sexual.
Além de chamar as bombeiras de estúpidas que não sabem "distinguir", ignoram a experiência e a capacidade de discernimento das mulheres. Como se ao longo das suas vidas um "piropo" fosse algo desconhecido, e daí a incapacidade de distinguir entre uma brincadeira e o assédio.
O artigo continua dando exemplos do que são o "conjunto de problemas" que esta lei trás para os quartéis de bombeiros. "imaginem quando um bombeiro disser a uma bombeira: “agarra-me aí a agulheta um bocadinho” - especifica a tal "fonte". Não economizando nos exemplos, faz questão de identificar as expressões que poderão vir a ser um problema de assédio que vai conduzir à expulsão das mulheres dos Corpos de Bombeiros: "termos como “mangueira”, “chupão”, “seringa”, “desforradeira” e, até mesmo, “capacete” ou expressões como “apaga-me o fogo”, “apanhai-lhe a cabeça” e “entra pela cauda”.
A notícia ainda apelida, inadvertidamente(?) as bombeiras de criminosas e oportunistas, pois diz que esta lei está a ser utilizada como forma de chantagem a elementos de comando ou de chefia, uma afirmação gravíssima, mas que parece estar a ser fundamentada em especulação, visto que não apresentam casos concretos.
A pesar de todo o artigo estar a analisar esta perspectiva da Lei do Piropo pelo lado do HOMEM como agressor, MULHER como a ignorante alvo do piropo, a seguir sai-se com esta constatação: "Dentro dos corpos de bombeiros há a noção de que o assédio sexual é provocado tanto por bombeiros como por bombeiras, mas a lei parece estar mais inclinada para a defesa das mulheres."
E remata, explicando qual é a solução: "Os bombeiros estão indignados e pediram mesmo que as mulheres fossem afastadas dos corpos de bombeiros, pois estão em menor número (...) há um ambiente de tensão dentro dos corpos de bombeiros, existindo alguns, perfeitamente assinalados (...) que já admitiram estar a efectuar formações e operações de socorrounicamente com grupos masculinos ou com grupos femininos."
Ah! Nada como o bom, velho e ignorante MACHISMO para terminar uma matéria absurda! Até dá vontade de rir, não é mesmo?
Para vos divertir, ainda assim, educar mais do que o citado artigo, deixo aqui um vídeo que INVERTE OS PAPÉIS. São as MULHERES que assediam os homens, mas daquele jeito típico masculino, todos os maneirismos incluídos. O que elas dizem, contudo, não é bem o que o homem diz, mas o que elas procuram num homem.
De seguida, outro vídeo, bem interessante. Ele mostra aquilo que uma mulher SABE quando está a escutar um piropo. E aquilo que os homens tentam ocultar. Por esta razão, interpretar uma mulher da forma redutiva como esta "fonte" do departamento jurídico dos bombeiros faz, é cómico, para não dizer também outra coisa referente à região do cérebro. É exatamente para este tipo de pessoas pouco... que este vídeo mais faz falta. Estão em inglês, espero que a maioria entenda :)
Não consegui deixar este de fora. É muito bom (e curto). Outro exemplificando a troca de papéis.
O que vem a seguir foi o «melhor» vídeo português sobre piropos que encontrei. Ao contrário dos americanos, que são mais evoluídos e apresentam uma perspectiva real e invertida, o português suaviza e despenaliza o piropo a uma simples e aceitável brincadeira entre homens. O que a lei veio a não fazer.
Bem sei que a lei do piropo andou aí a perturbar algumas pessoas que, sem saberem bem o que dizer, bastou-lhes, por exemplo, argumentar que "há leis mais importantes". Pelo lado que me toca, gostei da lei. É bom brincar entre um grupo de amigos, mandar uns piropos, umas graçolas, mas como se diz no brasil, quando "a cantada" costuma passar a barreira da brincadeira para o assédio, não é uma coisa bonita.
Quando foi a primeira vez que escutaram um piropo? E perceberam aquele tipo de olhar? Eu nem lembro, mas sei que era criança. Acho que com 10 anos já estava a ser alvo deles. Com 12 tornaram-se muito frequentes. "És um borracho! Anda cá que tenho uma coisa aqui (mão no sexo) para te mostrar". E uma criança, a virar adolescente, depois na adolescência, a receber piropos constantemente, pode não ser muito benéfico para o seu crescimento. Ou ela se vê e se aceita como um pedaço de carne, porque é assim que lhe estão a comunicar que será vista, e daí se podem observar alguns comportamentos sexuais mais abusivos e submissos entre jovens que hoje tanto a sociedade condena, ou então sente-se mal e desconfortável. Acreditem que a segunda hipótese é geralmente a mais comum mas a primeira anda a ganhar terreno, até porque surgiu como forma de desprezar a segunda.
Mas cá fica a reportagem, "ligeira" e divertida, desresponsabilizando o ato, a versão portuguesa do piropo - hoje condenável (e muito bem) por lei.
No passado cheguei a anunciar em sites de compra e venda produtos para os quais não tinha serventia. Nunca usei perfumes, por exemplo. Por isso tinha alguns no armário, novos, por abrir. E pensei: 'porque não'?
Como era inexperiente como uma pedra quando fui experimentar isto, acabei por colocar um user name. Gostei e deixei ficar. Aliás, acho que é sempre a melhor opção para o universo online- já agora. Gostei e mantive-me fiel a ele. O nome de user é uma sigla, portanto, não tem género.
Quando alguém me contacta, às tantas percebo que desconhece o meu género. E isso me agrada. Confere à comunicação um tom neutro e verdadeiro. Mas quando chega o momento de combinar o encontro ao vivo para se trocar os artigos, quem sou e o nome que tenho acaba por ser revelado.
Pela reação de algumas pessoas, percebo que isso faz diferença. E fico... não digo possessa, mas incomodada, sem dúvida. Já não é um, nem dois, nem três. Quando quem me contacta é homem, enquanto não sabe que não está a falar com outro igual, é uma coisa. Assim que sabe que do outro lado está uma 'menina', muda o discurso escrito como se de repente existisse alguma intimidade. Antes direto ao ponto e sem rodeios. Depois, com elogios e pedidos de número de telefone, junto com algumas piadas.
Eu sei... Eu sei... O género masculino não pode ver um par de pernas mas.... Neste contexto é um pouco louco, não?? Só podem estar a fabricar uma fantasia. A imaginação deve estar a idealizar do outro lado uma rapariga sexy, jovem, e pronta a flirtar. Imagino que estejam a torcer por uma Pamela Anderson com 20 anos, uma Sharon Stone. Será que nunca pensam que pode ser uma avózinha??