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domingo, 28 de dezembro de 2025

MOrrer no dia de Natal (ou véspera)

 

Estava no emprego, uma semana antes do Natal. E acabei por concluir, do nada, que o melhor dia para se morrer era o dia de Natal. Não sei porquê cheguei a essa conclusão mas, pelo espírito de paz da quadra, esse é uma boa altura para falecer. 

É mau para os que ficam. Porque sempre associam a data à partida de alguém que gostariam de ter de volta nesta altura. Meu colega acrescentou: Mas também há muita gente que nasce no dia de Natal. 

E é verdade. 
Acho que não existe melhor altura para se morrer. Acho, até, que é uma altura abençoada para regressar à companhia do Criador.

Isto antes de sequer saber da existência da jovem de 23 anos com um grave problema de saúde que faleceu nessa altura. Concluo então que, também ela, partiu num dia abençoado e especial. Espero que a família consiga celebrar a sua vida e a união familiar todos os Natais para vir. Afinal, Jesus também faleceu. A dor da falecer no Natal ou na Páscoa não é diferente da dor sentida noutros dias. Apenas estas alturas são especiais, como se quem parte estivesse a ser marcado por ter sido alguém também especial. 

Bom ano.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

É Natal!!! E eu a lembrar-me de coisas do passado...

 E não é isso que se faz sempre?

Lembramo-nos dos que já partiram. Isso é sempre. Apreciamos mais aqueles que cá estão. E aproveita-se o curto espaço de tempo em que todos se juntam para comer, abrir presentes e contar umas histórias. 

Mas não tem sido isso que me tem vindo à cabeça. A história que me passa hoje no cérebro é uma de que me lembro amiúde. Gostava de a partilhar e saber a vossa opinião. Para já quero dizer que não me diz respeito. Vou contar uma história que não é minha e da qual posso apenas saber fragmentos incompletos. Mas aqui vai:

Quando era adolescente conheci uma outra adolescente através de um grupo de colegas de férias. Cada vez que havia férias, iamos para um sítio e o grupo de adolescentes desse lugar - algures no centro do Alentejo me apresentou a uma nova rapariga. A história dela foi-me logo relatada pelos adultos. Mas pediram-me para nada dizer, nem sequer dar a entender ou mencionar fosse o que fosse. É que ela tinha sido adoptada. O casal que a adoptou tinha muito dinheiro mas não podia ter filhos - a mulher era infértil. Na "terra", que era como chamavam o lugar, existiam famílias muito pobre e sem recursos. Que sobreviviam como podiam, geralmente da lavora, daquilo que a terra lhes dava, da criação de animais. Uma dessas mulheres muito pobre, com uma porrada de filhos homens para criar, engravidou novamente. Sem recursos para alimentar mais uma boca e aliciada e convencida pela senhora rica de que esta podia providenciar uma boa vida à criança, ela e o marido concordaram em dá-la para adopção. 

Não me perguntem mais nada - principalmente em termos logísticos, porque desconheço. Naquele tempo porém, não era incomum as adopções em "cima da mesa". A mulher grávida pensava que ia ter mais um menino e concordou em dar a criança para outra mulher cuidar. Ela, que sempre quis uma menina mas só tinha gerado rapazes. 

Quando a criança nasceu, foi então dada pela mãe à senhora rica e com posses, porém infértil e incapaz de gerar um filho biológico. Aquele filho dela - o terceiro ou quarto ou quem sabe até mais adiante na linhagem - não ia andar com roupas velhas, esburacadas, sujo de terra, descalço sem sapatos, com fome e sem poder estudar. Por aquele filho aquela mãe ia fazer o derradeiro sacrifício - pelo menos é assim que EU interpreto o gesto. E sempre interpretei - desde aquela altura. O sacrifício de dar um filho amado a outra mulher por puro amor, para que este possa receber uma qualidade de vida que a própria sabe que não pode dar. 

E nasceu o filho: uma menina. 

Custou BASTANTE àquela mãe cumprir o prometido. Mas fê-lo. O tal do amor de mãe, que é maior que o egoísmo, o desejo ou a vontade própria - viu que o "melhor a fazer" era dar a criança ao casal rico. Imaginaram a filha com boas roupas, bem tratada, com médico disponível cada vez que ficasse doente, a ir à escola estudar e a aprender a ler e escrever... e principalmente, a não ter de ser criada na miséria ou a alguma vez ter de vir a passar fome.

A dor de um estômago vazio, a pobreza de viver num casebre sem luz elétrica, água canalizada ou retrete no interior... um dos seus filhos tinha oportunidade de ser poupado disso. Porque aquele casal rico queria muito um bebé para si mesmos... e estavam dispostos a tomar o dela. 

Diria eu que o casal rico estava desesperado. Diriam o que fosse e fariam de tudo para conseguir meter as mãos num bebé recém-nascido e obter de uma mulher fértil o que deus não quis atribuir ao útero da infértil. Com a sua inteligência, maior cultura e melhor nível de vida lá conseguiram persuadir uma mulher pobre, ignorante, iletrada, de muitos poucos recursos mas consciente da vida difícil que levava, que o sensato e melhor a fazer seria dar o filho. 

Ela e o marido concordaram.

Pelo menos eu vejo assim. Ao longo dos anos dei por mim, muitas vezes, a me perguntar o que foi feito dessa mulher. Que já conheci sempre vestida de preto, embora viúva ainda não fosse. Ou será que era? De poucas palavras, cabeça cabisbaixa, ainda muito pobre, parecia tímida, até com medo de falar. Batia à porta das casas a vender a preço bem barato ovos fresquinhos acabados de sair das suas galinhas. Oferecia, portanto, serviço personalizado porta-a-porta, produto de primeira qualidade de ovos frescos de galinhas de campo, a preço de metade do que o do supermercado. (O que antigamente originava do desespero e hoje paga-se a preço de ouro). Vinha intencionalmente à casa da família rica para, nem que fosse de relance, avistar disfarçadamente a filha biológica. Filha essa que tinha dado para o casal, 16 anos antes. 

A filha sabia que aquela senhora era sua mãe biológica. 

E agora vem a parte que sempre me chocou: ela destratava a mulher. Gritava para que saísse porque cheirava mal e chamava-a de porca-suja. 

E não tinha problemas alguns em virar-se para mim para me dizer que odiava aquela mendiga porca, que detestava a mulher, que nem a podia ver, porque era pobre e suja e cheirava mal. Gritava-lhe para que fosse tomar banho! E que voltasse para a pocilga. 

Eu ficava com dó daquela mãe que, a meu ver, teve um gesto de amor. E se a filha estava ali à minha frente com roupas bonitas, armário a abarrotar de roupa de marca, bem vestida, bem cuidada, maquilhada, cheirosa, cheia e bens materiais, numa boa casa, cercada de luxo... devia-o a ela. Não tanto ao casal adoptivo mas ao gesto de abnegação da mãe biológica. Por quem a filha nutria uma repulsa visceral que sempre achei feio e exagerado. 

Claro, não sei os detalhes da história. Conto-a como me foi contada e como sei pelo que vi. Sempre me chocou o trato horrível que ela dava aquela senhora só por ser pobre e ter roupas velhas. Era uma senhora educada, simples, honesta. Vivia da venda do que os animais de criação lhe davam. Que eu saiba não melhorou de vida - isso era obvio - como talvez tivesse sido prometido caso entregasse a criança. Continuava pobre. Continuava a ter de dar e comer a várias bocas - agora ela também a trabalhar para o seu sustento. Aquela miúda mimada, fedelha, ruím, tinha irmãos. Ela que dizia-se "filha única" tinha manos... e não parecia interessar-se por nenhum. Uma vez disse-me que detestava aquela "porca que cheira mal e toda a sua família". Diminuia-os como seres humanos. 

Estava longe de imaginar, muito claramente que eu poderia saber a sua história de adopção e que ela estava a falar da sua mãe biológica. Mas eu sabia. E não gostava do que ouvia. Não ia gostar mesmo que não soubesse. Fazia-me impressão ver alguém ser destratado assim. Antes de saber e depois de saber. 

Mas eu também era uma adolescente como ela. Contudo, no meu entender, um casal rico com muitas posses com um desejo visceral de ter filhos não conseguiu e ao ver um casal pobre a ser abençoado com essa dádiva múltiplas vezes, decidiu que essa dádiva podia ser partilhada. "Porquê Deus dá tantos filhos a esta mulher que já tem tantos, e nenhum a nós? E se nós pedissemos a ela para nos dar a criança? Temos melhores condições, tanto amor para dar... aquela família é tão miserável, a bebé vai passar por dificuldades e nunca vai poder chegar longe como vai chegar se for nossa...

Eu simpatizava muito com aquela mulher mãe biológica. Todos diziam que era uma mulher de muito bom coração, incapaz de fazer mal a quem for. Uma paz de alma mas que estava permanentemente triste e nunca mais foi a mesma porque o seu maior desejo era ter uma menina e foi logo tê-la quando havia concordado em dar o bebé para adopção. 

Disseram-me que passou a andar sempre de preto a partir daí. Se é verdade ou não, não sei. Talvez não seja, porque o tradicional é adoptar o luto quando se morre o marido e assim permanecer para o resto dos seus dias. Mas sei - ou sentia no olhar dela - uma profunda tristeza e diria que uma eterna dor e arrependimento. Mas pobre e ignorante não sabe muito - sabe apenas cumprir a palavra - porque é o que de maior valor têm e o que entendem como honra. 

Uma mãe faz este grande gesto e depois, não importa as patadas que recebe, a distância que tem de adoptar, a palavra "minha filha" que nunca pode verbalizar e ainda assim, fica por perto... É porque ama. Qualquer outra pessoa teria se afastado ao sentir na alma a dor de ouvir a filha destratá-la vezes e vezes sem conta. 

Eu também andaria perpetuamente com uma tristeza a apertar-me o coração. Uma espécie de morte. E por fora o expressaria com roupas pretas - como era costume na época. 

QUIS falar desta história porque hoje - dia de Natal, quem encontrei eu no facecoiso? O perfil da criança adoptada. Que é hoje uma mulher na casa dos 50, mãe de um homem (claro, o gene masculino do seu autêntico ADN a prevalecer). E pergunto-me, até hoje, se alguma vez ela quis estreitar os laços com os seus ou se passou ao filho a informação da sua origem.

Mas o que me voltou a chocar foi a pessoa que ela aparenta ser nesta rede social. Sempre sorridente, a maioria dos seus posts são para elogiar rasgadamente a mãe adoptiva - dizendo que é a pessoa mais importante da sua vida, a mais amada, aquela que lhe é tudo e a quem tudo deve. Faz-lhe muitas juras de amor. Escreve também, mas principalmente agora na altura de Natal muitas mensagens de amor ao próximo, de compreensão, afetividade, para se dar amor para se colher amor de volta.

E pergunto-me ONDE ESTAVA esta pessoa quando esta estava para complementar 18 anos? Onde estava esta filosofia de vida e forma de encarar as coisas enquanto gritava para a mãe biológica "sai daqui sua suja, cheiras mal!".

Claro que sei que se trata de uma mulher adulta e não faço ideia como se desenvolveu a sua moral e conduta social. Mas, se as pessoas, por dentro, no fundo, se mantiverem iguais, será que, por detrás de toda esta carapaça exterior de mulher 100% com os valores no lugar certo, ainda está a adolescente repudiante que maltratava verbalmente a mãe biológica?

Enquanto lia, com um pouco de enjoo pelo excesso de doçura naquelas palavras a elogiar a mãe, perguntei-me o que seria feito da outra mãe. Queria ter escrito nesse post: "E a tua mãe biológica? Ainda é viva? E os teus irmãos? O que é feito deles?". 

Eu não entendo. Porque no meu entender, se fosse comigo, eu ia gostar de saber que tenho uma mãe que adoro e outra mãe que me deu para ter uma vida melhor. Ia querer me aproximar da família biológica e ia querer vê-los bem de vida.

Me perguntava o que ganhou aquela mãe em dar a filha? Continuava pobre. Continuava a ter honra e a ganhar a vida honestamente, com a venda de ovos e legumes. Não gostava de aceitar esmolas - embora aceitasse um extra (bem justo, porque vendia quase dado - ás vezes até dava, não queria cobrar. Principalmente na casa onde morava a filha). Tenho quase a certeza que o casal rico prometeu ajudá-la. Em que sentido não sei. Isso só um deles poderá responder. Mas aquela mãe fez o derradeiro sacrifício por um filho, foi incompreendida e sofreu o Diabo na terra pela decisão que tomou. E da qual, segundo me disseram, se arrependeu. 

A sua filha era para ter nascido pé descalço e sujo da terra. Virou uma menina mimada com tudo disponível e a quem tudo era permitido. Espero que tenha crescido e se transformado numa pessoa diferente daquela que me recordo. Porque dessa pessoa... eu nunca gostei. 

E venham os facebooks revelar que agora é tudo "sejam amigos uns dos outros, o melhor do mundo é a família, amo minha mãe, a melhor do mundo"... E então e a tua outra mãe? Isso aplica-se a ela também? 

Repito: se fosse comigo, ter mais pessoas na família e muitos irmãos? Ia ser uma felicidade! 


quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Um banho de beleza e arte

 

Já me apetecia ir a Londres à bastante tempo. Ontem foi greve no local de trabalho e também greve de comboios. Fiquei chateada, por pensar que não ia poder aproveitar um dia livre para concretizar essa vontade. 

Informei-me e descobri que os comboios continuariam a circular, mas de forma limitada. Lá fui eu! Digo-vos: da próxima vez espero que também existam greves. Porque nunca tudo foi tão rápido ou imediato. Andei pela gare de London Bridge de um lado para o outro e sempre havia um comboio pronto a partir. Foi só escolher. Sinceramente, tanto para ir quanto para regressar, foi um acto contínuo. Quase sem espera no terminal. 

Infelizmente o tempo passa muito depressa, principalmente agora, no inverno. A pesar de ter chegado a Londres as 9 da manhã já achava que estava a ser tarde para as voltas que queria dar e, principalmente, se quisesse investir tempo a ver as vistas. O bilhete que comprei por 20 libras era de retorno no próprio dia e o regresso estava agendado para não mais tarde que as 17.50, hora do último comboio disponível. 

Não deu para fazer sight-seeing. Para ver a paisagem e caminhar. Tinha dois objectivos em mente: visitar o National Gallery (NA) e o Royal Arts Academy (RA). Ambos museus. Em particular, quis ir ver com os meus próprios olhos o famoso quadro de Van Gogh, "girassóis", exposto na sala n. 43 da NA e uma obra pintada por Jan Davidsz de Heem - uma das suas naturezas mortas, já que essa imagem que tinha num quadro lá em casa despertou a minha imaginação enquanto criança. Esse exposto na sala 17. No Royal Arts o objectivo era ver com os meus próprios olhos a tela "A Última Ceia", de Michelangelo. Bom, uma cópia identica pintada nas mesmas dimensões e pela mesma altura por dois de seus discipulos. 

Fui para Londres com tudo anotado: numero da sala, museus, nomes das paragens de metro próximas. Mas sabem o que mais? Foi tudo tão orgânico, tão acessível. Não existiu tempo de espera, filas. Nem para transportes, nem para entradas. Lamento que em Lisboa não seja assim. Tudo pessoal simpático e acessível. Até os funcionários claramente focados em vendas, lucro e atendimento rápido nas lojas de souvenirs, foram sempre afáveis e acessíveis. 

Agora tenho de ir para o trabalho. Não dá para escrever mais sobre esta minha ida relâmpago a Londres. Deixarei mais detalhes para outro post. Aqui ficam duas imagens de um edifício na Oxford Street, ao qual rapidamente tirei duas fotos e fiz um vídeo. Foi transformado num calendário de advento. 




O relógio ao centro no edifício tinha dado badalas segundos antes de ter carregado no botão para gravar, e apenas por dois ou três segundos. Estava a assinalar os quartos-de-hora.



terça-feira, 21 de abril de 2020

Começar o dia com... agressividade virtual


Acordei e decidi ir ao computador, que ficou ligado no youtube. Adormeci a ver uns programas e quando fui desconectar-me, reparei que tinha uma mensagem deixada num dos vídeos que comentei. Carreguei para ver o que tinham escrito. Era uma resposta a uma opinião que deixei.

O assunto era a forma como a polícia (americana) é vista com hostilidade e como um policial em particular contribuiu para o desmistificar. O meu comentário limitou-se a dizer que pelos anos 50/60 o policial (americano) era "o teu amigo" mas chegando há década de 70, viraram os Pigs (porcos), expressão que surgiu dos gangs formados em guetos, onde a polícia tentava impor ordem. (obviamente não era bem vinda).


Ora, podes discordar, está no teu direito. E adicionar informação para explicar o teu ponto de vista e clarificar a intenção de um comentário? Acho o máximo! Mas ser mal educado? Não há motivo. Olhem o que a pessoa respondeu:


 "Se alguma vez leste um livro, talvez notasses que o ressentimento contra a polícia é popular, recuando até desde que foi criada. Charles Dickens ilustrou isso nas inúmeras histórias clássicas que escreveu. Mas tu nunca leste um livro".

Ah, receber esta hostilidade logo pela manhã...


Porque será que as pessoas gostam de se relacionar nesse registo no mundo virtual? Tudo o que é comentário no youtube, no facebook, tem uma elevada componente vernácula. A excepção está mesmo aqui, nos blogues. 



Se há coisa que é boa nos blogues é que todos, no geral, se tratam com um respeito que falta no contacto humano. Dá-se apoio, tende-se a compreender os desabafos da pessoa e dar aquela palavra de incentivo e conforto.


Mas nas outras plataformas, a boa educação é rara e salta facilmente pela janela. 

A autora do comentário podia referir a sua cultura geral e mencionar Charles Dickens como referência, sem necessitar de agredir e insultar. Mas optou por fazer isso mesmo. O que me fez querer responder: 


"Vê lá se ganhas boas maneiras, porque a leitura de tantos livros pelos vistos para isso não te serviu para nada". 

Para contribuir para a ironia, estes comentários foram deixados num vídeo natalício (inspirado num conto de Dickens mas estrelado por um detective actual americano). 

Ah, o espírito de Natal!

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O Brinde no Bolo-de-Rei e a data de hoje


Se pudesse escolher, presentearia todos no dia de Natal, mas só se abriam os presentes hoje, dia seis de Janeiro.  Sinto que é assim que devia ser. Faz sentido, ficar a "curtir" ali os embrulhos fechados, deixando-os a marinar num caldo de carinho, expectativa, tranquilidade, reflexão, lembrança... lição.

E depois, quem sabe, todos telefonariam uns aos outros, só para agradecer a lembrança?

Seria mais uma forma de manter a união, que praticamente quebra no dia seguinte ao Natal. Nem que fosse por obrigação, as pessoas teriam de se contactar por telefone, falar umas com as outras, porque ficaria mal não o fazerem. Para mim, seria assim. 

Mas este dia traz-me também saudades. Saudades da expectativa de cortar uma fatia de Bolo-de-Rei esperando encontrar nela o brinde, e desejando que não fosse a fava!

Hoje preferia receber a fava. Ia juntá-las, plantá-las e ter umas favinhas para comer. Será que alguém, alguma vez, se lembrou de plantar a fava que lhe saiu no bolo-de-rei?


Ela não era da família. Ou melhor, não era de sangue, mas era de afecto. Uma senhora amiga dos meus avós, que ajudou a tomar conta da minha mãe quando esta era criança. No Natal, ela era convidada para almoçar connosco. Tirando essa ocasião, só a via um outra vez o ano inteiro: quando ia a uma consulta médica anual num hospital perto da sua casa. Faziamos-lhe uma visita, eu e a minha mãe. A sua alegria era muita. Vivia sozinha, num apartamento pequeno, num prédio iguais a muitos desses dessa Lisboa antiga. Sem elevador, só com escadas. A sua companhia eram os pombos, que alimentava à janela. Tirando isso, uma vizinha ou outra e, na qualidade de viúva sem filhos, penso que seria solitária. Ela sempre guardava (não sei onde os ia buscar) os brindes dos Bolo-de-Rei para mos oferecer. E fazia-o com tanto gosto, que eu com mais gosto aceitava, porque a via feliz, com um sorriso de orelha a orelha. Era gulosa, gostava de doces. Gostava de crianças. Mas houve um Natal em que decidiram não a convidar. Senti que estava errado. Estava a afligir-me! Tinham de a buscar! Ela contava com isso e ia ficar desolada, indesejada, a julgar que se cansaram dela, triste e infeliz. Sentia-o. Pedi, implorei, para que a fossem buscar. Puxei de todos os argumentos que, como criança, pensei poderem fazer diferença. Temi e disse-lhes: se não a fossem buscar, ela ia ficar tão triste que no ano seguinte já não estaria viva para se poderem redimir.

E aconteceu. Nesse ano, por motivos que não saberei nunca ao certo, telefonaram-lhe a desejar um feliz Natal mas não a foram buscar para estar à mesa. Morreu meses depois. 

Associo à sua memória os brindes do bolo-de-rei, em forma de jarro, sapato, carro... 

Feliz dia dos Reis!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

FELIZ ANO NOVO!

Foi desta maneira que me cumprimentaram ontem, dia 2, quando regressei ao trabalho. Estranhei esse cumprimento, porque já não era dia 1 e a tarde estava a terminar.

Mas aparentemente deve ser costume dizer-se isto quando se vê a pessoa pela primeira vez, ainda que já não seja primeiro de Janeiro.


Este ano fiquei surpresa com este momento. Como de costume, não celebro nada. Era para estar a trabalhar, pelo que nem me ocorreu pensar no dia que era nem na importância que tem para certas pessoas. Esqueci que havia fogo de artifício, pessoas a celebrar... 


Foram os colegas da casa que o fizeram sobressair. Um convidou-me para juntar-me a ele e uns amigos que cá vinham para jantar. Quando chegou perto da hora, este teve de ir dormir por ir trabalhar cedo e o outro desejou-me um feliz ano, com um abraço e dois beijos no rosto.




O contraste com o que aconteceu no ano anterior veio à lembrança. Sinto NORMALIDADE a regressar ao quotidiano - embora não queira falar disso para não atrair outro tipo de energias. Gosto dos dois colegas mais recentes que cá entraram, embora ainda tenha receios. 

Só cá estiveram esses, os outros estavam fora. E sem a mais-velha, esta casa tem uma excelente energia. Falando na dita, chegou hoje. Ao contrário do que aconteceu comigo quando regressei das férias de Natal, aparentemente chegou para uma casa vazia. Ninguém cá estava para a acolher. Que foi o oposto do que veio a acontecer comigo. Quando cheguei, surpreendeu-me o calor humano que encontrei. Falaram comigo. Um agradeceu-me de imediato o presente que lhe deixei debaixo da árvore. Estavam dois amigos de um deles cá em casa, que já havia conhecido, todos conversámos entre si tendo como tema em comum umas obras que o senhorio precisou fazer na casa neste período de ausências. Estava tão receosa por temer a hostilidade e frieza habitual e acabou por ser um regresso para uma casa harmoniosa. Também um grande contraste com o ano passado

Na bagagem trouxe, mais uma vez, um bolo-de-rei. Contrastando com o que aconteceu no ano anterior, este foi elogiado, apreciado e «devorado». Não chegou ao novo-ano! Comeram-no com gosto e com gosto voltaram a comer no dia seguinte. Não foi como no ano anterior, em que o bolo-rei ficou intacto, nenhum dos italianos quis prová-lo, tive de o congelar. 

2020 parece vir a ser melhor.
Eu mereço!

Busquem a vossa felicidade e sejam felizes! Feliz 2020!!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Poema sobre o Natal pelo parecer de Gedeão



Dia de Natal


Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.


É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor anuncia o melhor dos detergentes.


De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica
.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.


Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha salta da cama,
corre à cozinha em pijama.


Ah!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus, o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam que caíam crivados de balas.


Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.


António Gedeão, (1906-1997), in 'Antologia Poética'

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Lista de Presentes


Quando era adolescente por vezes escrevia no diário o que recebi pelo Natal. Mas o que a mim mais me entusiasma nesta quadra não é o que recebo, mas o que ofereço. Precisamente o lado que parece que incomoda muitos. Se for a tomar como exemplo desconhecidos que encontro na azáfema das compras e os lamúrios que falam.

É no dar que sinto mais prazer. Gosto de lembrar-me do que a pessoa possa gostar e alegro-me com as reacções, sejam de surpresa, espanto, aversão, riso ou demais.

Não me perguntem quanto já gastei em presentes, não sei especificar. O dinheiro simplesmente sai da carteira, do banco... e vai se juntar aos muitos de muitos outros numa caixa registadora qualquer.


Lista de oferendas:

1) Caixas com biscoitos
2) Conjunto de utensílios para o banho
3) Porta-chaves cómicos e com tripla funcionalidade
4) Blusa
5) Calendários personalizados
6) Queijos com licor
7) Livros
8) Brincos e outra bijuteria (em prata, mas pronto...)
9) Jogo de luzes em movimento
10) Livro "primeiro ano do bebé"
11) Kit de genealogia
12) Caixa com 24 bombons Mon-cherie
13) Perfume (raro de encontrar e muito desejado por quem o vou oferecer)

E julgo estar aqui tudo.


VOCÊS...
Qual vos agrada mais? Já sei, os queijinhos com licor!
Pois, também a mim, eheheh.

FELIZ NATAL E BOAS FESTAS! 





domingo, 22 de dezembro de 2019

Coleccionar sabonetes


Não sei o que me deu. Nos últimos meses andei a comprar sabonetes. E não é para usar. É para guardar. Por isso acho que dei para ser colecionadora de sabonetes.


Os aromas são tão bons, acabei por comprá-los em "packs", colecções ditas limitadas. Já perceberam que por altura do Natal saem imensos lançamentos limitados de toda a espécie de produtos? No que respeita a produtos de higiene e perfumaria, creio mesmo que vale a pena comprá-los assim. Durante os restantes meses do ano, o valor unitário de cada embalagem por vezes aproxima-se ao total do Kit.

Perfumes, sei que vale a pena comprar em coffret
Custa 25€ aquele que mais gosto, e traz, além da água de colónia, um gel duche. Porém, este ano não encontrei o aroma que gosto a ser disponibilizado e como já adquiri o coffret da Aveda deixei o outro passar. 

Ainda assim, deu-me para os sabonetes.
(E tudo isto sabem de onde vem, não sabem??)

Ainda me falta esta colecção


Acho que podia ser pior.
Ao mesmo tempo, saber que 40 euros foram para sabonete... ui!
Tenho de colocar um freio nestes gastos.


É mesmo difícil presentear alguém?

Não sei porquê as pessoas acham complicado oferecer algo a outra. Durante todos estes anos de quadras natalícias, ficaria satisfeita com um elástico para o cabelo, uma mola, luvas, meias ou... uma barra de sabonete.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Tu és quem quero este Natal


O Natal anterior passei-o sozinha na casa. Senti mais a solidão e a necessidade de ter pessoas à volta. Não foi mau, porque liguei-me ao vivo no chat e acabei por ver todos, falar-lhes e acompanhar a abertura dos presentes através do computador. Quando senti-me cansada da gritaria ou esfomeada, só tive de afastar-me e desligar o computador. 

Por ter tido um natal solitário, este ano pensei no oposto. Mas a Mariah Carrey é que acertou. O que  preciso não são presentes, nem gente, nem confusão. O que queria mesmo era uma pessoa por companhia. Não ia precisar de mais nada. All I wanted for Christmas was me with you. 

domingo, 15 de dezembro de 2019

Decorações de Natal


Uma coisa que aprecio no meu pai, é o seu gosto para decorar a casa para o Natal. 

Entrar na casa de família durante a quadra é encontrá-la com apontamentos natalícios por toda a parte. Mas não é todos os anos decorada por igual - embora as decorações possam ser as mesmas. Há sempre diferenças. Ora as luzes são diferentes, ora os "penduricalhos" são colocados noutros lugares e coisas podem ficar de fora. Este ano não existem autocolantes colados nos vidros de janelas ou portas, a árvore mudou de sítio, tem decorações diferentes, em vez de musgo colocou-se relva artificial e o presépio foi construído com as peças maiores. O presépio nunca sai igual, é sempre diferente, ainda que as figuras centrais tenham de ser as mesmas.

Acabo por gostar mais da quadra por o espírito festivo ficar assim tão impregnado pela casa. Até a floreira vertical, teve direito a chapeu vermelho ahah! E no topo? Um vaso vermelho, com cactos e azevinho de verdade.

Absorvo estas coisas com um discreto deleite.
Sei que, um dia, alguém vai ter de decorar a casa para o Natal e ele não vai cá estar. Sei que, se fosse outra pessoa a decorar, seria mais discreta, dando apontamentos mais suaves. Ele não é exageradoooo como se vê nos filmes, mas também não é comedido. E é nesta altura do ano que aceita que outros queiram também dar o seu toque na decoração.

E lá fui eu lembrar-me que tinha comprado sem ter usado, cortinas natalícias. Sim... mas não de tecido. Cortinas daquelas feitas de figuras recortadas. E vai que fui buscá-las e a ideia de as pendurar foi logo aceite. Quer dizer, com a habitual reprovação imediata de minha mãe, que precisa de ser convencida.

Meu pai acabou por adorar e sei que, para o ano, é bem capaz de ficar entusiasmado com a ideia de voltar a colocar as cortinas. Cada vez que passamos do corredor para a sala, não se percebe de tão integradas que ficaram no espaço, mas as cortinas estão ali, como que a anunciar a entrada para o bom do Natal. Depois da quadra, tudo volta ao normal. É bom, muito bom, ter alguém que se entusiasma, está sempre pronto e com ideias para, ano após ano, decorar a casa para o Natal! 


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Decorações Natalícias


Ela disse "não".

Não quis que colocasse um azevinho em gel na porta do seu quarto. 
Perguntei-lhe por ter colocado um na porta do novo inquilino. Foi ele que disse para pôr. E eu gostei disso. Estava a decorar a porta do corredor com esses autocolantes que tinha desde o ano passado por estrear, quando ele o sugeriu. Pensei em colocar em todas as portas dos quartos, porque fica bem e descentraliza. Só não o fiz por saber que ela ia detestar. Capaz até de arrancar o seu fora.


Por isso esperei para lhe perguntar. E disse.... "não". 

Ah, o enorme espírito natalício, o desprendimento, a alegria típica da quadra... chegam ali e encontram um muro velho e decrépito. 

Ela decorou a sala toda faz dias. Sozinha, ao gosto dela. E tudo idêntico ao ano anterior. Presumo inclusive, que idêntico a todos os anos desde que cá mora. Nenhum toque de diferença ou laivo de originalidade. Não... livrai-nos! Montou a árvore de Natal no mesmo sítio, da mesma maneira, com as mesmas decorações. A diferença? Este ano montou-a sozinha. Os dois rapazes italianos saíram sem ajudar - creio eu pelos sons que escutei. 

Lembro-vos que, o ano passado, mostrei interesse em participar e até perguntei se precisava de decorações de Natal e ela respondeu que não, pois tinha tudo. Semanas antes encontrei-a no supermercado a segurar decorações natalícias que depois vi penduradas na árvore, que ela montou junto com outros dois italianos, estando eu em casa e nem teve a amabilidade de me convidar a participar. 


Um enorme espírito natalício, o dela!! 

Até vêm lágrimas ao olhos, como é tão benemérita e boa, esta alma caridosa, que trabalha com adolescentes com necessidades especiais. Só pode ser alguém com um fundo muito bom, não é mesmo??


A jarra saltitante - assim a apelidei o ano passado por estar sempre a ser tirada do lugar, voltou a "desaparecer" do cimo da lareira. Foi colocada em cima de uma mesinha volátil, frágil, baixa, que sofre empurrões a cada passagem. Ali a jarra ia acabar por cair e despedaçar-se. Quase que eu própria a deitei ao chão só por aproximar-me. Por isso peguei nela, voltei a colocá-la no centro da lareira e dirigindo-me à mais-velha, que estava estatelada no sofá da sala, disse-lhe:
-"Não faz mal se ficar aqui ao centro, pois não? Ali vai acabar por cair e partir-se".


Ela não tossiu nem mugiu. Ignorou-me. Nem sequer desviou o olhar do jogo no telemóvel. De seguida o inquilino mais-recente que estava no piso superior falou-lhe e ela recuperou a sua audição. Milagre!! Deve ser da aproximação do Natal. E ainda há quem não creia em Jesus...


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019


E aqui está ele: o presente de Natal para mim mesma.

Veio com um brinde dentro da caixa, em cima da embalagem de champôo. Um bicho. Pequeno, preto que, quando tentei discernir o que se tratava, pulou. Não voou, saltou. Espero que não seja piolho ou pulga! Era só o que faltava... contaminação.


Lembrei-me de ir espreitar se o produto chega selado, para impossibilitar tentativas de contaminação ou adulteração. Como dá para ver pela foto, não é o caso. Tenho a certeza que passa por muitas mãos até chegar ao comprador final, essa garantia devia fazer parte da política de qualidade da marca. 

Não é o género de produto que me passasse pela cabeça comprar para mim. Mas há uns anos, deparei-me com o creme para as mãos shampure da Aveda, coloquei um pouco e o aroma... é delicioso! A sensação também.

Trata-se da embalagem pequena de 40 ml ao centro da fotografia. Não se encontra à venda em nenhuma ocasião, excepção feita nesta altura de Natal, somente integrado neste coffret. Então comprei tudo - shampôo, amaciador e o gel duche de 50ml. por causa de um só produto: o creme para as mãos.

Se valeu a pena? Irei descobrir. O aroma liberto assim que se tira a tampa à caixa é maravilhoso, tranquilizante, como diz o rótulo. As reviews para o shampôo de 250 ml variam conforme o utilizador. Não tenho grandes expectativas mas não importa realmente. O que queria era o creme para as mãos (e nem sou muito de aplicar) e acabei por obter outros produtos shampure! 

Conhecem?

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Não vos queria assustar, MAS...


As lojas já estão assim desde a SEMANA PASSADA.






Eu vos digo: Gosto do Natal.
Mas ao ver isto até me deu a volta ao estômago tal foi a repulsa.

Esta ânsia comercial para lucrar em cima da quadra repulsou-me.  Fez-me até desejar que o Natal não viesse. 

Na família sou a única que realmente gosta que exista esta ocasião para estarmos todos juntos. Não que outros não gostem, mas ninguém quer dar-se ao trabalho. Tivesse eu casa própria e esta seria outra rotina que já tinha mudado. O Natal é agora um simples ritual pelo qual temos de passar. E alguns parecem estar a sofrer, não estarem ali muito à vontade ou com gosto. Entristece. Queria recuperar de volta a alegria de se estar junto, o bem estar, o sentido de pertença por laços de sangue. 

Os natais são feitos na casa de meus pais. Não há um ano em que a minha mãe não se queixe e não me diga que não quer fazer o Natal. Diz que está cansada, que é muita gente, todos a falar por cima uns dos outros, muita confusão, barulho e muita despesa. Que cai quase toda sobre sua responsabilidade e que os restantes não valorizam o trabalho que dá e o dinheiro que se gasta. 

É uma ladaínha que ela me reza na cabeça faz mais de uma década. E eu sempre a tentar demovê-la do aspecto negativo - para o qual ela tem uma inclinação natural, para a fazer entender o conceito e importância da quadra. "Não importa se eles apreciam ou não. O que importa é que tu faças o esforço para reunir todos. Isso é que é o Natal. Ou nunca mais os verás". - digo-lhe.

Sinto que praticamente sou eu que mantém o Natal por um fiozinho... 
Porque eles fazem a festa, mas já não sentem tanto gosto.
E eu sentiria e saberia como recuperar a alegria e o convívio, caso tivesse casa própria e pudesse mover o convívio da dos meus pais, para a minha. Saberia porque ia meter todos a trabalhar para o mesmo - que era o que acontecia na casa dos meus avós. Todos tinham de trazer alguma coisa para a mesa e todos tinham de aparecer no almoço. Sentar e partilhar a refeição juntos. E no final, brincar, jogar jogos, conviver.

Foi a eliminação destes hábitos que transformou o Natal no que está hoje. Assim que todos chegam começa-se a abrir os presentes - o que leva umas duas horas. E assim que terminam de os abrir, todos pegam nos sacos com embrulhos e saem porta fora.

Não gosto disso.
O Natal não deve ser um ritual de presentes para desembrulhar para terminar assim que o último é aberto. talvez até impusesse uma regra sobre o presentear, como por exemplo, TODOS terem de o fazer, nem que fosse para dar algo desenhado numa folha de papel. Ou todos terem de presentear em valores até 10 euros, ou menos, ou por cores, ou por utilidade... Puxar pela criatividade de cada qual, fazê-los pensar no acto cortando o desinteresse rotineiro que parece ter-se instalado e que leva as pessoas a ir comprar qualquer coisa sem saberem bem o quê. E tudo o que é preciso é CONHECER a pessoa para saber o que lhe oferecer. Não devia ser tão difícil presentear um familiar próximo como é presentear um colega de escritório. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Cansada de lavar


Passei o Natal sozinha em casa. Mas ao contrário do que imaginei, mal tive tempo para fazer o que pretendia. Entre as horas de trabalho, as idas às superfícies comerciais em busca de mais uma coisinha e o chegar a casa e andar a limpar e arrumar, terminei o Natal a achar que passou muito rápido e a sentir-me exausta. Tal e qual como se o tivesse passado em Portugal, ehehe! 

A diferença talvez tenha sido os gritos e a algazarra familiar passar pelo "filtro" do microfone do computador e poder ser manipulado. Fisicamente, sentia-me cansada. Bocejava, corpo moído e um sono inoportuno. 

Mas nesses dias limpei a casa toda. Peguei em tudo que os outros deixaram espalhado pelos cantos e enfiei num armário e numa gaveta da cozinha. Comprei um ramo de flores, e depois mais outro, e depois uns vasos e enfeitei a sala com eles. 

Nem tive tempo de cozinhar. Mas comi e estava sempre a lavar louça e talheres. Ao ponto de me cansar e me chatear. Não recordo o quê comi. Sei que nada foi ao forno ou ao fogão. No máximo, microondas. Fazia intenções de almoçar e jantar mas na correria, só tive tempo para uma refeição por dia, geralmente a meio da tarde. 

Ontem duas das raparigas já estavam de regresso. A que não-limpa e a provisória. A que não-limpa foi a primeira a chegar. Ela tem sempre tempo para tudo menos uma coisa: limpar. Cozinha sempre  e suja, senta-se na mesa a comer e a ver filmes no tablet. Tem tempo para ir escovar os dentes, tomar banho, secar o cabelo, maquilhar-se e até tirar uma soneca. Só não tem tempo para passar a esponja na louça que sujou.

Eu escolhi bater um ovo e fazê-lo no microondas dentro de uma taça de louça. A seguir lavei a taça. Minutos depois apeteceu-me sopa, então fui buscar a mesma taça e aqueci no microondas a sopa.

A ideia de ter de lavar aquela mesma taça que havia lavado minutos antes até me chateou. Mas ao perceber que a que-não-limpa estava a terminar a sua refeição e eu tinha a taça para lavar, decidi ir lavá-la logo, antes que ela aproveitasse e me "deixasse" de legado a louça dela para lavar. 

Vai que ela ergue-se subitamente da mesa, mete-se no lava-louça pega no tacho que eu também lavei uma hora antes para ralar a sopa e que ela sujou para fazer a sua comida e entorna detergente para dentro. Será que o vai lavar? Não. Enche-o com água e diz que "não tem tempo" para lavar e que lava depois ou de noite, quando chegar.

Respondi-lhe, enquanto passava a esponja mal e porcamente na minha taça, que já estava farta de lavar louça, pois senti que passei o Natal inteiro a fazer isso. "Nem cozinhei e no entanto estive sempre a lavar" - disse-lhe. 

O tacho que lavei minutos antes (foto tirada às 13h)

Sou muito de ajudar os outros mas não quando isso entra na categoria "enabler". Se não vejo motivos para ela deixar ali a louça suja sem ser a preguiça, então, fica ali suja até ela ou outra pessoa a lavar. Lavei-lhe a louça algumas vezes, mas ao perceber que o faz por sistema e espera sempre que sejam os outros a lavar o que suja aí... paro de o fazer.

Tacho, agora acompanhado de outra caneca (foto tirada às 2am)
Já me chega que nunca tenha limpo NADA na casa. Se quer uma criada estas costumam ser pagas a preço de ouro. Não sou mãe dela. Mas ajo como se fosse, porque uma mãe das boas não é uma facilitadora. Ao ver que a filha é preguiçosa deixa de fazer as coisas por ela para que aprenda a lição. Não limpas? Então quando precisares encontras sujo.


O problema é que a casa só tem este tacho. Temos falta de panelas e tachos. Todos usam sempre o mesmo, à vez. Excepto entre "eles" que dividem entre si os tachos da outra. Mas se ela for buscar o da outra, tem de o lavar de certeza... Porque esse ela sabe que não é por mim usado. Logo, não pode esperar que o lave.

Ela entrou em casa, foi para a cozinha comer, relaxou, foi dormir... e o tacho fica ali sujo. Aposto que amanhã também "lhe falta tempo" para o lavar. A ver vamos. Amanhã, ao que parece, o senhorio ficou de cá aparecer. Exatamente porque a que-não-limpa vai embora dentro de dias. Só espero que não tenha o descaramento de partir, deixando o tacho por lavar. Mas creio que faz mesmo o género dela.

Já pedi ao senhorio faz mais de um mês, que arranjasse um ou outro tacho para a casa. Ele responde sempre que sim, mas depois não cumpre. A mais-velha diz que ele é "muito bom" nesse aspecto, porque o rapaz queixou-se que as facas não cortavam nada e o senhorio apareceu aqui com um set de facas "muito boas". 

Ás vezes penso que a mais-velha não regula bem... Eu é que acho que todos regulam melhor que eu, aahah. As facas são daquelas vistosas mas que após um único uso perdem aquela capacidade de cortar. Ela não conhece nada de boas facas. Acha que "caras" e "vistosas" é sinal de qualidade. Uma faca pode sempre ser afiada e voltar a cortar como nova. Tinhamos cá três "vistosas e de qualidade", que já não estavam a cortar (bastava afiar). Já tachos... temos mesmo falta. Porque fica um à espera que outro acabe de cozinhar e lave o tacho para o poder usar de seguida. Totalmente desnecessário. Um dia tiro uma foto para vocês verem. Deitei fora o que tinha FERRUGEM. 

O senhorio ignorou uma necessidade importante e deu prioridade a facas... Lembrei-me que quando as trouxe, a mais-velha desabafou que não sabia porquê o tinha feito. Agora veio dizer-me que foi "um pedido" do rapaz. Isto faz-me sentir que ele só responde aos pedidos de quem mais lhe agrada como inquilino. Porque ignorou a questão dos tachos dizendo "que podiamos comprar outros nós mesmos", ideia essa reforçada pela mais-velha que tem os seus próprios tachos e que acha que são baratos e se eu preciso posso comprar uns para mim. Contudo, também ela usa sempre este

Eu acho que não tem cabimento eu ter de comprar panelas e tachos para mim. É algo que a casa precisa de facultar, não sou eu que tenho de andar com isso às costas! 

Já comprei uma varinha mágica que não havia na casa... assim que a comprei e mostrei à mais-velha no dia seguinte apareceu como um milagre, uma máquina dela que faz o mesmo. Até parece que a tinha escondido com receio que eu a quisesse usar. A partir do momento em que arranjei uma, a dela já pode sair do "esconderijo".

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Rapsódia de Natal


Bom, Feliz Natal a todos.
Estava longe de imaginar que ia passar o Natal a ver o filme que a Dona Redonda tentou tantas vezes ver, sem sucesso. Sim, Bohemian Rapsody. Estava na Lista de Canais online que encontrei e carreguei por curiosidade. O filme começou a tocar. 

Vi até o fim, não posso dizer que em extase porque nem sequer aprecio muito filmes bibliográficos. Gostei da cena final - a do Live Aid concert, porque em tudo é igual ao original. E digo tudo, referindo-me a cada movimento de corpo, de camara e de cenário - até mesmo a variedade e quantidade de bebidas deixadas em copos em cima do piano durante o concerto.


Confesso, contudo, que o final, finalzinho, não entendi bem. A língua dificultou o entendimento ehehe.

Parte final do Filme (julgo que é legendagem em russo)


FELIZ NATAL A TODOS, com SAUDE, ALEGRIA e PAZ de ESPÍRITO

Ass: Portuguesinha

domingo, 23 de dezembro de 2018

O Natal é muito PERIGOSO na Indonésia


Fiquei incrédula quando atribuiram a um Tsunami o desaparecimento de alguns elementos de uma famosa banda na Indonésia, que foi "levada" por uma onda num concerto perto de uma praia. Julguei eu que, sendo perto da praia e de costas para o mar, não tinham sido cautelosos... Mas afinal não foi uma onda mais violenta, foi mesmo um Tsunami. Outro... tal como em 2004. Também no Natal, dia 26. Quatorze anos depois... dia 23, véspera da véspera de Natal.


A Indonésia parece "amaldiçoada" pelas ondas do mar nesta altura do ano. 


Coitado daquele povo que está numa ilha à mercê da fúria da água (Já tinha havido um em Setembro). Está confirmada a morte de 222 pessoas. 
Outras estão desaparecidas. 


Outra vez não...




quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Londres - Luzes de Natal


Quis ver iluminações de Natal - coisa que falhei em Lisboa. Acho que foi essa ideia que me impulsionou para dar o pulo até Londres. Isso e ver a tal Winter Wonderland. Não tanto por estar cheia de vontade mas por ser o evento do momento e estar lá para poder fazê-lo. Para a semana deixa de ser Natal, era agora ou... daqui a um ano. 

Já chega de procrastinar - pensei. A viver há dois anos em Inglaterra e só pisei Londres duas vezes a lazer com outras pessoas e duas vezes em "ofício". Ambas visitas rápidas. 



Sobre as iluminações de Natal deixem-me dizer-vos que não perdem nada. Tenho a certeza que Lisboa é bem mais divertida, deslumbrante, eclética e bonita nesse aspecto. Aqui só as ruas principais estão iluminadas. E nem é assim algo exuberante. Oxford Street e Regent Street - que se cruzam e são principais artérias comerciais, exibiam decorações patrocinadas - pelo que fica até feio ver aquela publicidade.

Descobri agora, enquanto pesquisava pelo link da Winter Wonderland (acima), que a decoração de uma das ruas é a mesma que a usada o ano passado. Pelo que eles se repetem, nem buscam originalidade. 

Decoração da Oxford Street o ano passado - está idêntico este ano

Não achei as iluminações de Natal Londrinas algo especial. Pelo contrário. Modestas, sem originalidade, muito contidas e muito parcas. Mesmo decorações singulares, como pinheiros e árvores de natal em cada praceta ou rua, foram muito esparsas. 


Quanto à Winter Wonderland... Fui. Para voltar atrás de seguida

O evento não passa de uma Feira Popular Grande. Para lá chegar, decidi ir a pé. A minha aventura nesse dia foi tooooda a pé (isso irei contar mais tarde). Da Trafalgar Square em direcção ao Green Park. Foi aí que perguntei a uma jovem rapariga a vender comida numa roloute no parque, se era ali que ficava a tal feira de Natal. 

Winter Wonderland 2017

Estava convencida que era em Hyde Park - mas quando andei no metro na noite anterior, saí em Green Park para mudar de linha e vi um enorme cartaz escrito à mão com marcador: "Winter wonderlant saída e vire à direita". Era hora de fecho da feira (22h) e vi uma multidão com bandeletes de rena, muita boa disposição e sorrisos a entrar na estação. Pelo que pensei que aquela seria uma estação muito próxima. 

Mas a menina na Roulote esmagou as minhas esperanças ao dizer-me que era mesmo em Hyde Park. "Perto, apenas 15m a pé daqui".

DICA nº1 sobre Londres: Tudo fica a  uma distância a pé de 5 ou 15m

Mesmo quando páras nos muitos mapas do local espalhados pela cidade, estes indicam distâncias de 5 a 10 minutos caminhando. Assim tudo parece rápido. Mas olhem que não.... 


Olhei para o relógio: eram 16h quando falei com a menina da roulote. Tinham passado 25m quando cheguei ao primeiro portão da Winter Wonderland.

E o que se anda no parque para lá chegar!! A multidão era mais que muita. Quilómetros de gente a caminhar pelo percurso. Numa espessura de umas quatro pessoas e uma fila que se avistava à distância de uma ponta à outra. Quando cheguei ao portão vermelho, aproveitei para perguntar em que direcção ficava o ponto para o qual tinha de regressar. Não faz mal algum fazer perguntas e não ficar apenas pelas indicações de um mapa. 


Sim, tinha um mapa. De papel mesmo. O telemóvel não tem google maps a funcionar nem dados móveis. Para minha surpresa e agrado, quando vinha a sair, posicionei-me debaixo da luz forte de um holofote para poder consultar esse mesmo mapa e foi então que, do nada, um casal muito jovem aparece-me à frente. O rapaz já com o telemóvel em riste e o google maps a indicar a nossa posição, ofereceu-se para me orientar. Achei o gesto muito querido. Mais uma cortesia das cidades grandes... Esclarecida quanto à rotunda para a qual teria de me dirigir (embora sem se saber especificar se ficava à esquerda ou direita), despedimos-nos cordialmente e segui caminho. Desta vez, rumo à estação ferroviária regresso a casa. Com muita pena minha, a minha estada em Londres ia acabar ali.

Não dá para perceber mas à esquerda saiam pessoas.
Há direita era a entrada, com um aglomerado de gente.
Percebem a distância?
Mas antes de ter voltado atrás tentei entrar na famosa feira. Um p-e-s-a-d-e-l-o. Que não recomendo a ninguém. Eram 16.30h... ainda era cedo, mas a quantidade de pessoas aglomeradas em todos os portões dava medo ao susto. O Golden Gate -aquele para o qual me dirigi «apenas uma curta caminhada»  disse o segurança à porta do portão vermelho, encarregado de só deixar passar por ali famílias. Mais uma "curta distância a pé" típica dos ingleses. Até foi um pouco distante, devo dizer. Deviam ali estar, nessa entrada dourada, à vontade, 1000 pessoas. Todas aglomeradas numa massa gigante de cabeças, casacos e cabelos. Percebi de imediato que podia caminhar mais sete horas se me pedissem, mas não conseguia ficar parada numa fila nem mais um minuto. 




Vi uma passagem direta para o portão entre uns separadores metálicos e enfiei-me por lá. Quis tirar um fotografia perto do portão e ver o que se passava, fazendo uma estimativa do tempo de espera. O que se passava é que estavam umas cinco pessoas a fazer vistoria a cada mala dos visitantes... E isso leva uma eternidade. 20 minutos não bastariam para "limpar" toda aquela gente dali. Nem pensar. 

Então tirei as minhas fotos e decidi ir embora, contente por não ter de ali ficar. Recuei no atalho dos separadores metálicos, agora cheio de gente que, armada em esperta, tentou furar a fila e chegar-se à frente. Uma dessas uma rapariga empurrando um carrinho de bebé - coisa que me irritou porque não existe prioridade e ela estava a usar uma criança para esse fim - coisa que sempre desaprovo. A entrada para famílias, jovens e crianças era no portão vermelho. 

As fotos sairam ruins porque o tm não foi feito para capturar imagens noturnas com luzes. Mas deixo-vos aqui o comprovativo desta aventura. 







quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Fui a Londres - parte 1



Talvez por já não suportar tanta falta de educação aqui na terrinha onde vim parar, tive uma súbita vontade de mudar de ares. E decidi ir passear para o centro de Londres. 

Não me apercebi do motivo até me ver na Oxford Street, entre a multidão de pessoas, caminhando entre passeios largos ao invés de estreitos e desnivelados, desviando-me e vendo outros a desviarem-se ao invés de ter de parar subitamente a marcha para ceder passagem a uma "parede" no sentido oposto. Cada vez que alguém me dava um encontrão (foram muito poucos) ou eu dava algum, sempre se trocava um "desculpe". 

Ninguém me olhou de lado, ninguém murmurou "algumas pessoas são rudes" à minha passagem, ninguém mandou bocas foleiras. Ah, foi como uma bolha de oxigénio! O mito que em cidades grandes as pessoas são mal educadas, indiferentes, frias e não querem saber dos outros é isso mesmo: mito. Sem perceber, estava cansada dos olhares tortos que te lançam cada vez que acham que te atravessaste na frente porque andas rápido e não no passo-lesma com que uns impedem outros de circular.





Comecei a apreciar Londres e, pela primeira vez, regressar a esta terrinha foi uma ideia que não me agradou muito. Ainda por cima, tal como estava a precisar, fui encontrar lá um tempo maravilhoso. Um sol fantástico, aquela claridade que quase faz lembrar Lisboa, não estava frio, nem vento. Há tarde - e porque escurece cedo, o céu ficava encoberto mas nunca perdeu a luz. Já quando regressei para a cidade pequena... encontrei inverno rigoroso e uma escuridão que nunca chegou a ser dia. Que tristeza!

Londres ensinou-me outra lição: também existe um mito sobre a cidade. A ideia de que está sempre envolta em nevoeiro, poluição e sempre a chuviscar. Não desta vez. Não podia ter pedido melhores dias para o mês de Dezembro. Foi sol, sol, sol e um clima maravilhoso. Não quis ir embora. Mas tinha de ir.

Londres é cara. E esse é o problema. Na realidade, é tudo "barato" mas, quando somado esse "tudo", 100 libras por 48h vão num instante. E isto só contando uma estada num hostel (recomendo) e o preço dos bilhetes de viagem.

Mas vou contando mais e dando-vos dicas nos posts seguintes.
Fiquem atentos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A jarra saltitante


Não estive para me aborrecer, então nem desci à sala ontem.
Não fosse dar conta que a jarra foi novamente removida do local.

Mas desci agora à pouco...
E a jarra foi NOVAMENTE removida da lareira e colocada na berma da mesinha.

Gostava que quem está a fazer isto me desse UM BOM MOTIVO para o fazer.
Vou perguntar-lhe na cara: "Dá-me um bom motivo".

É que eu não vejo nenhum. A não ser má vontade, má indole, pirraça, coação... só coisas más.

É que é todos os dias - por vezes mais que uma vez (se eu der pela jarra removida de noite e a recolocar no lugar) pela manhã já a removeram. Acho espantoso que tenham montado a árvore de natal mesmo ali ao lado - que é suposto trazer o espírito Natalício e a compaixão entre os Homens, e desde que ali a puseram já retiraram a jarra mais de cinco vezes. Uma atitude tão feia. 

A jarra não estorva, não impede que se vejam ao espelho, não está no lugar de nada que ali estivesse antes...
No meu entender, o problema está em alguém na casa não saber partilhar espaços e achar que a sua vontade é a que tem de ser seguida. 

Porra... e eu que deixei um pai e uma mãe com essa forma de ver as coisas lá atrás, na adolescência. Porque será que sempre há quem adopte esses comportamentos?