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segunda-feira, 6 de maio de 2024

O CANCELAMENTO agora também no blogger

 O meu post anterior é sobre a exposição de Jose´Castelo Branco como o agressor que é. Fiz copia-cola de um texto de um artigo da VIDAS. E surge esta inesperada... mensagem do blogger. Nunca antes vi tal coisa!


Então uma pessoa agora tem os seus próprios textos "cancelados"? E nem diz porquê... enfim. 

Aqui vai outro link para se ver, desta vez no site da Flash, que contém um vídeo de um jornalista a afirmar que tinha tentado alertar a comunicação social anos antes e foi ignorado, tratado como um maluco. Nesse mesmo artigo Cristina Ferreira condena-o por, alegadamente, saber desses maus tratos e não ter denunciado. O que digo à Cristina é que: FALAR É FÁCIL. E que devia averiguar melhor porque a verdade é que MUITOS FALAM e as pessoas escolhem ignorar. Existe um limite ao qual as pessoas podem ir. Não sendo família nem terem que se meter na intimidade de amigos... A meu ver mais culpa no cartório tem a televisão, como meios de divulgação em massa que são, que NORMALIZA e dá amigável destaque a estas "criaturas" de má índole em troca de polémica e ratings! 








segunda-feira, 10 de julho de 2023

A Polícia de Segurança Pública tem TODA A RAZÃO!!!

 aqui:

O MAIOR flagelo da sociedade é a DESINFORMAÇÃO. E uma via rápida para lá chegar são cartoons como este. 


A PSP avançou com uma queixa crime por incitação ao racismo e à violência. O cartoon é de um polícia em uniforme azul a descarregar uma arma de fogo. Na última descarga, a figura dispara múltiplos tiros e range os dentes. A imagem mostra, de seguida, que o elemento policial está numa carreira de tiro, praticando tiro-ao-alvo em diversas silhuetas humanas. Da esquerda para a direita, surgem essas silhuetas com uma cor de pele diferente. A primeira, o policial falha, na segunda, acerta uma vez, na terceira umas tantas e na última, descarrega todas as balas. 


Claro que, a última silhueta é escuríssima, sendo a primeira clara. 

SIM, a PSP tem toda a razão, está a ser pintada aos olhos da sociedade para a qual arrisca a vida todos os dias para proteger, como a bandida. A entidade para a qual se deve olhar com maus olhos. Por mim quero que a pessoa responsável seja punida por ALIMENTAR esse conceito. Seja o autor, seja, em particular, a pessoa que, tendo em sua posse os RECURSOS para TRANSMITIR às grandes massas informações, decide passar esta e não dedicar mais tempo ao serviço público, escutando os cidadãos, saíndo às ruas e percebendo o que aflige o povo. 

Este tipo de INFILTRAÇÃO de pensamento é um PERIGO para o qual devemos nos proteger!

Deixaram isso acontecer na América. Olhem só no que deu. 
Vejo aqui, no Reino Unido - o que deu permitir que o racismo seja quase um tema "tabu". Não se pode fazer referência às pessoas pela cor da pele - quando não se conhece o nome e se precisa fazer uma descrição. Outra pessoa que o escutar, pode fazer de "polícia" e ir "xibar-se" a um supervisor que "fulano tal" disse que o "fulano assim" é "preto". De imediato tomar-se-ia uma deligência e, se tal acontecesse no local de trabalho, a demissão facilmente podia ser emitida. 

Ora se a pessoa é negra e o observador está somente a observar, limitando-se a usar esse facto para descrever o indivíduo - não existindo por isso qualquer intento descriminativo - NÃO PERMITIR que tal descrição aconteça é um atentado à liberdade. 

Um exagero e o que é pior: cancel culture. 

Todos devemos defender a LIBERDADE DE EXPRESSÃO. 
Ela é o OXIGÉNIO da sociedade equilibrada e igualitária. 

Cartoons destes têm o DIREITO de ser feitos. Mas Cartoons destes, dependendo do CONTEXTO (cá está, faz sempre a diferença), também têm o direito de serem considerados um crime. E se os visados - os policiais, o consideram como tal tenho a dizer que eu CONCORDO!

detalhes aqui.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Iniciar o dia a chorar com as notícias!

 

Maldito pop-up de notícias que aparece constantemente no meu ecran de computador como uma praga! Estou a fazer qualquer coisa, e lá aparecem! Para fechar tenho de colocar o cursor do rato numa área vazia e clicar. 

Não vejo notícias, não quero saber de notícias, por um motivo. O mesmo de sempre. O mesmo que, em menina, me fazia sentir triste o dia inteiro e chorar. Nunca pensei que estaria a verter pesadas lágrimas hoje, com isto. 

ALVERCA DO RIBATEJO: RAPAZES COM ATÉ 18 ANOS VIOLAM EM GRUPO MENINAS DE 12 a 13 ANO

Não sei como é a demografia da escola, mas gostava muito de saber a origem destes adultos. De onde vêm, como foram criados e o que os deixavam fazer nos tempos livres. 

É o que mais temo na sociedade: o crescimento etário da juventude em idade escolar não equivale em nada ao de maturidade. Cresce-se muito, hoje em dia, só para as coisas más: sabem tudo sobre sexo, praticam-no. Mas não sabem NADA do resto. 

É assustador. Sobre estes homens não quero desenvolver muito. Espero que possam crescer para além da idade cronológica, se ainda existir possibilidades para tal exigente e difícil realidade.

Quero mais centrar-me noutros aspectos. Primeiro: A SOCIEDADE. Que deixa este tipo de coisas ficar impune por tanto tempo. O MEDO das jovens em expor o caso. Até que uma o fez (ou mais que uma) mas apenas um dos pais tomou a acção correcta e foi à polícia apresentar queixa-crime. 

NÃO PODEMOS SER TÃO SUAVES E BRANDOS com rumores deste género. É por poderem sair impunes que estes idiotas fazem o que fazem. Se existir MEDO das CONSEQUÊNCIAS, deixa de existir tanta incidência sobre este tipo de crimes. Coloquem os rapazes a trabalhar na lida do campo, a pegar numa enchada a cavar sulcos na terra para plantar batatas! Há que criar carácter. Não pode ser tudo só presentes, vídeos no youtube, redes sociais e impunidade. 

Agora as MENINAS. 
SEIS FORAM IDENTIFICADAS. 

Quantas não vão se chegar à frente para que não sejam marcadas com esse estigma? Para não terem de recordar todo o pesadelo? Não têm ainda como saber que, se não começarem o processo de ajuda agora, com o passar do tempo, esse pesadelo só fica maior, pior, e que vai estragar as suas relações futuras, não só na intimidade mas como em todas as outras situações de confiança. 


Quero que essas meninas saibam que aqueles que as violaram são uns infelizes. Uns patéticos, fracos indivíduos, tão mas tão inferiores a elas que precisaram de usar de força e de logro e terem-nas escolhido em tenra idade reflecte exatamente os fracos que são. Porque como todo o predador, não foram atrás de uma vítima que tivesse hipótese de defesa: certificaram-se que recorriam às mais fáceis. Pela ingenuidade que os tenros anos ainda lhes confere, pelos poucos anos de experiência de vida e de conhecimentos. 

Não TÊM DE SE ENVERGONHAR ou SENTIR MAL. 
Elas não fizeram nada de errado.
Se têm de sentir algo é o espírito de SOBREVIVENTE. 

Deixar que o que aconteceu com elas não as enfraqueça, mas fortaleça. As torne cidadãs que não cruzam os braços perante a injustiça, que ficam mais atentas ao que as rodeia. E para não os deixarem vencer, continuar a viver as suas vidas não deixando que a violência de que foram vítimas tome prioridade. Seja uma coisa à parte, um episódio. Algo que foi feito A ELAS. Não foi ESCOLHA delas. E por isso, não vai dominar suas restantes vidas. RECUSEM que as deixe emocionalmente incapazes de seguir o seu caminho. Entendem-se como SOBREVIVENTES. Assim como todos os que passaram por traumas, saber-se SOBREVIVENTE é agarrar a boia de salvação para não afundar na sujidade que não é delas, é DELES. 

Espero que recebam boa ajuda psicológica para que possam viver suas longas vidas felizes, produtivas e úteis. Na tentativa de ajudar, todos os que têm traumas recalcados, aqui ficam histórias verídicas de autênticas sobreviventes. Meninas que foram abusadas e até vítimas de tentativa de assassinato. Ainda mais jovens, com oito anos. Cortaram-lhes a garganta, foram agredidas e violentadas. Mas sobreviveram! Como é que elas conseguiram viver o resto das suas vidas? 

São exemplos INCRÍVEIS. Que ajudam muito a compreender qual o rumo a seguir e qual a mentalidade que se deseja alcançar. Não a de vítima, revoltada, mas a de sobrevivente, lutadora que não deixa mais que a poder dos agressores as continue a prejudicar. 






 


quarta-feira, 19 de abril de 2023

A policia na Amadora e a polícia em Albufeira: os mesmos criminosos

 Abri o microsoft chrome e com ele vem o pop-up com as notícias. As mesmas que ignoro e nao procuro. É irresistivel espreitar alguns dos titulos. Outros, claramente click bate, nem tento.

Foi assim que fiquei a saber que uma mulher foi esfaqueada a frente de uma discoteca no algarve. Vi o video que mostra apenas umas pernas a cair horizontalmente no pavimento e a deslizar, como se o peso do corpo facultasse movimento extra. Nada parecido com os filmes. Nao era um filme. Foi real, o fim de uma vida. Esfaqueada no pescoço e peito, numa zona rodeada de umas 20 ou 30 pessoas. Todas aparentemente jovens - cronologicamente com idade para demonstrarem melhor discernimento, mas com uma gritante falta de boa criação. 

Depois surge os comentarios de comentadores televisivos a um video de uma intervencao da PSP na Amadora. A policia foi chamada por locais que se sentiram incomodados com ruidos e outros problemas. Ao chegar foi agredida com pedras e garrafas de vidro. Insultada, expulsa. Mas quem é esta malta que pensa ser dona da Amadora? Manda e desmanda acima de todos? Holligans! Criminosos. Escumalha. 

A policia teve de regressar adequadamente preparada para cumprir o seu dever de repor a ordem. É aí que é filmada. O video é publicado no Tic-toc, o que de si ja diz muito sobre as idades destes individuos que desacatam a autoridade e causam medo e incomodo noutros residentes. 

Deve ser horrivel viver num local a vida toda e ve-lo transformar-se de uma boa vizinhança para um gueto, cheio de malta preguiçosa que nao quer acordar cedo pela manha para ir trabalhar. Prefere andar a assaltar aqueles que o fazem. 

Me desculpem se vou colocar o dedo na ferida. Mas alguém tem de o fazer. O que ha em COMUM com estes dois casos??

A origem dos deliquentes. 

Tanto num exemplo como no outro o que vi foi jovens com raízes vindas de outros países, provavelmente ja terceira geracao, com aquele comportamento de gueto. Um distinto estilo comportamental que se instalou, propagou e dissiminou com um cancro.

Culpo tambem hollywood, que faz filmes atras de filmes a glorificar o gang-style. É o palavreado, a maneira de andar copiada das piores prisões americanas, o vestir à rapper, os palavrões e meias-palavras, os gestos de "grupo" exclusivo - tudo extraído do mundo do crime.  É a saída mais fácil, mais cobarde, assumir-se desencantado com a vida e desistir da ideia de se tornar um cidadao que colabora. Típico de cobardes. Pensam que por terem armas e as usarem, são fortes. Não. A força está exatamente em ser "normal". A força estaria no virar as costas para isso e encarar a vida com honestidade e luta. Criar carácter. Aceitar desafios, derrotas, frustrações. É mais fácil viver a vida se vitimizando, dizendo que lhe devem tudo e mais alguma coisa e tornar-se aquele que acusa, exige, se vitimiza, provoca, mente, agride, roba e facilmente mata.

Isto é ser cool? Ganhar estatus entre os patéticos amigos que mais tarde ou mais cedo, ou morrem ou vão presos? Nao. Isto è ser covarde. A vida tem parametros para ser seguidos de varias maneiras sem ser a criminosa. Mas essa coragem falta-lhes. O MEDO, pavor e quase certeza absoluta que nunca as suas aspiracoes de vir a ser "alguem" vao se realizar. Essa é a realidade da qual se escondem. Não são bons o suficiente para os seus sonhos. Ao invés de buscarem ser, preferem tirar de quem não é cobarde e está a esforçar-se para criar um mundo melhor. 

Estes dois casos se complementam em mais que um sentido. Se não existir polícia, o que acontece? Matam-se pessoas. Simples. REAL. Tomara a família da mulher assassinada em Albufeira, no Algarve, que a polícia tivesse sido chamada e aparecido munida de armas de defesa a tempo de evitar a tragédia.

Estes dois casos são importantíssimos. 

Agora gritam: "Onde estava a polícia?"

Temos de apoiar mais a nossa polícia. Ela tem um papel a desempenhar e tanto quanto sabemos, está a cumpri-lo cada vez que precisamos. Se existir uma excepção, que se lide com a excepção. Se abusar ou for impópria, faz-se uma denúncia e uma investigação. Mas não estamos num filme de hollywood, onde toda a polícia é corrupta e os criminosos, uns Robin Wood. 

Tenham descernimento. 

terça-feira, 21 de abril de 2020

Começar o dia com... agressividade virtual


Acordei e decidi ir ao computador, que ficou ligado no youtube. Adormeci a ver uns programas e quando fui desconectar-me, reparei que tinha uma mensagem deixada num dos vídeos que comentei. Carreguei para ver o que tinham escrito. Era uma resposta a uma opinião que deixei.

O assunto era a forma como a polícia (americana) é vista com hostilidade e como um policial em particular contribuiu para o desmistificar. O meu comentário limitou-se a dizer que pelos anos 50/60 o policial (americano) era "o teu amigo" mas chegando há década de 70, viraram os Pigs (porcos), expressão que surgiu dos gangs formados em guetos, onde a polícia tentava impor ordem. (obviamente não era bem vinda).


Ora, podes discordar, está no teu direito. E adicionar informação para explicar o teu ponto de vista e clarificar a intenção de um comentário? Acho o máximo! Mas ser mal educado? Não há motivo. Olhem o que a pessoa respondeu:


 "Se alguma vez leste um livro, talvez notasses que o ressentimento contra a polícia é popular, recuando até desde que foi criada. Charles Dickens ilustrou isso nas inúmeras histórias clássicas que escreveu. Mas tu nunca leste um livro".

Ah, receber esta hostilidade logo pela manhã...


Porque será que as pessoas gostam de se relacionar nesse registo no mundo virtual? Tudo o que é comentário no youtube, no facebook, tem uma elevada componente vernácula. A excepção está mesmo aqui, nos blogues. 



Se há coisa que é boa nos blogues é que todos, no geral, se tratam com um respeito que falta no contacto humano. Dá-se apoio, tende-se a compreender os desabafos da pessoa e dar aquela palavra de incentivo e conforto.


Mas nas outras plataformas, a boa educação é rara e salta facilmente pela janela. 

A autora do comentário podia referir a sua cultura geral e mencionar Charles Dickens como referência, sem necessitar de agredir e insultar. Mas optou por fazer isso mesmo. O que me fez querer responder: 


"Vê lá se ganhas boas maneiras, porque a leitura de tantos livros pelos vistos para isso não te serviu para nada". 

Para contribuir para a ironia, estes comentários foram deixados num vídeo natalício (inspirado num conto de Dickens mas estrelado por um detective actual americano). 

Ah, o espírito de Natal!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Mataram o terrorista - viva a polícia britânica!



Escutei na rádio a notícia do «terrorista» que fez uma maldade em Londres. E a polícia matou-o. 
A parte da intervenção policial foi mencionada em demasia e como que em tom de "urra!", "somos tão bons!".



De que vale um terrorista morto? Ou ter pessoas por ele magoadas?

Não é melhor viver num país onde ainda se tenta CAPTURAR um criminoso?
Sinal que se vive num país que RESPEITA O DIREITO À VIDA acima de tudo? E que sabe que é importante compreender as motivações do maior dos lunáticos, para se instruir e saber lidar com outros que possam surgir?


Que valentia tem a força policial? Muitos contra um, armado com uma faca e eles todos munidos de armas de fogo e outras tais? Fica feio, mesmo sendo um «terrorista» e a polícia, o mau e o bom, o "índio" e os "cowboys". Também foi um - sem arma de fogo- contra dezenas armados.

Não me parece que seja motivo para celebrar a  policia.


Primeiro, ela não conseguiu PREVENIR o ataque. Seria de louvar se o tivesse feito. Para as pessoas atacadas, diferença nenhuma fez a intervenção policial. Se o tipo tinha acabado de sair da prisão, o importante seria descobrir o que o levou para lá em primeiro lugar. E aí avaliar o comportamento da justiça. Se ele era considerado "terrorista" ou "extremamente perigoso" - não devia andar livre por aí, sem apertada vigilância. Se calhar a polícia não tem o currículo limpo nesta história. 


E se ele não era terrorista de todo? Se isso é apenas um cómodo rótulo que a poder inglês convenientemente coloca nos seus "ups! Levou com uma bala e jaz morto no chão... épá, não podem nos criticar por isso. Vamos dizer que além de perigoso, o atacante era terrorista. Ninguém se importa que se matem terroristas.".


Depois as notícias aqui são muito vagas, não são aprofundadas. Falta uma certa LIBERDADE DE IMPRENSA que é deveras preocupante. Não se sabem detalhes do atacante. Nacionalidade, por exemplo, é das coisas mais eliminadas das notícias para não ferir "susceptibilidades". E eu pergunto: o que é que isso tem a ver com o direito à informação e o que é que isso produz na LIBERDADE DE IMPRENSA???

Sabem a resposta? Nada destas condicionantes trás algo de BOM para a sociedade que se quer livre e informada. Em muitos aspectos, como por exemplo, nesta necessidade de se vangloriarem por matarem a sangue frio um "terrorista", achando que estiveram "bem", os recados e bilhetinhos por toda a parte a "lembrar" a pessoa comum que se levantar a voz ou mostrar-se descontente com algo é considerado um criminoso, pode ser chamada a polícia para o levar preso e pode ser multado por desacato e ofensa a terceiros - tudo isto que aqui é mostrado como «se nada fosse» são sinais de uma sociedade que está mais próxima do extremismo do que com o outro lado. 

Ainda não li nada sobre a notícia. Vou fazê-lo agora.
O relato que fiz é com base na notícia passada numa rádio. Ainda não pesquisei nada noutras fontes. É o que vou fazer agora. Estou cheia de curiosidade para saber como a imprensa britânica informa o público. Quero ver se alguma não esconde informação, como nacionalidade, idade, quanto tempo vivia no UK se não for natural, etc, etc. Todos os detalhes que eles nunca mencionam para não "ferir susceptibilidades" mas que apenas resultam em uma má imprensa.

Sinceramente, o bajular à acção policial, que matou um homem e nada fez para evitar que este que era criminoso não chegasse a cumprir os seus objectivos, silenciando-o para sempre de seguida... epá, não me caiu bem. Pronto.

Sejam felizes e tenham cuidado.
´
Actualização:
Já fui ler mais fontes. O que acho? Foi um puto de 20 anos, pouco inteligente, sentindo-a acoado por estar a ser vigiado pela polícia. Acho até que foi a polícia que o levou a agir assim. Mas isso é a minha opinião pessoal, após ler os detalhes na BBC.
Meu Deus, como eu adoro a BBC como fonte informativa! Cada vez que procuro algo, surpreendo-me como fazem bem o que têm de fazer. Acho até que se superam a si mesmos. Sempre com várias perspectivas,  várias abordagens, muitas fontes contactadas, boa informação. BRAVO!

O título preferido pertence ao jornal Daily Inter Lake- que diz simplesmente "Homem transportando bomba falsa, apunhala dois em Londres e é morto a tiro". Objectivo, direto, verdadeiro e sem "juízos de valor". Não era um "terrorista". Era um homem. E assim deve de ser. O que ele fez (armou-se em justiceiro de fantasia, nota-se bem que era influenciável e pouco inteligente. Puto: 20 anos apenas e cérebro fácil fácil de manipular) e o que lhe aconteceu. Sem juízos de valor. Fica ao encargo do leitor "ingerir" os dados e reflectir no significado.

O "The Telegraph" "salta" para a conclusão e coloca-a no título. Uma opção arriscada, mas inteligente, feita às 7 da manhã, quando tudo ainda estava a tentar entender o sucedido. Ele não explica o que se passou. Refere-se ao ataque e diz que este revela que punições mais severas são necessárias. Radical. Tomou uma posição e decidiu fazer a abordagem não tanto pelo lado factual, mas pela lição que se deve tirar destes ataques (o anterior foi semelhante, aconteceu em Novembro , as pessoas esfaqueadas foram MORTAS, e deu-se bem no centro, perto da movimentada London Bridge).

Eu não defendo terroristas. Nem criminosos. Defendo uma sociedade que preza a vida, que protege os seus cidadãos de elementos identificados como perigosos e uma sociedade de liberdade de imprensa. Eu mesma passei por uma situação na movimentada Oxford Street que me deixou com a pulga atrás da orelha. Um indivíduo encapuçado, sem qualquer necessidade, espetou-me algo no braço. E continuou a caminhar como se nada fosse, desaparecendo na multidão, entrando no metro. Sei que pode ser assim, fortuito. Consigo imaginar-me no lugar daquelas pessoas. Até mesmo no lugar das outras que faleceram em Novembro. London Bridge é um dos lugares onde mais acabo por ficar.

Na altura do meu "ataque" só me senti bem se partilhasse o sucedido com a polícia. Lá encontrei uns e expliquei-lhes o que acabou de acontecer. Disseram-me que "não podiam fazer nada" e que "é bom ter cuidado ao andar em lugares cheios de pessoas". Sou Lisboeta, sei disso muito bem. Quando perguntei sobre imagens de CCTV, disseram-me que não havia nenhuma câmara nas ruas. (A mais movimentada de Londres!!!). Só há a CCTV das próprias lojas. Incrível! Os Turistas estão por conta própria e nem o imaginam.

A presença de CCTV é DISSUADORA de bandidagem e crime. Mas não é eficaz se for inexistente. O criminoso sabe disso e sente-se livre para praticar o que lhe apetecer. É mau para o povinho de bem, que acha que essa tal de CCTV não está só nas lojas, mas também nas ruas. Já perceberam que a CCTV só está instalada em estabelecimentos públicos, como forma de violar a privacidade do cidadão? Se ao menos tivéssemos de levar com essa invasão por também estarmos protegidos... Mas o que a CCTV faz é proteger bens. Propriedade. Principalmente privada. Uma peça de roupa numa loja, uma peça de joalharia noutra... bens. Valores. Dinheiro. Não pessoas. Não quando se fala de circular na Oxford Street nem na outra que a cruza.

Eu queria que o corpo policial ficasse alerta para a eventualidade de existir um indivíduo ou mais que um a praticar violência com agulhas ou seringas. Que fizessem uma vigilância apertada. Só por isso contei o que aconteceu. Senti que era um dever, para bem de todos.

"Tenha um bom dia e tome cuidado".

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Homem negro desarmado - o doc


Lembram-se deste post sobre um bom documentário?
Não, estou certa que não.


Escrevi sobre «homem negro desarmado» aquando a sua exibição num canal nacional, a dois de novembro do ano passado. Pois andava eu pelo youtube quando me deparo com o mesmo. Achei por bem partilhar aqui o vídeo. Para que possam assistir e tirar as vossas próprias conclusões. É um daqueles RAROS documentários que nos fazem refletir e nos apresenta a perspectiva de AMBOS os lados. O que todo o documentário, reportagem what-ever devia fazer. Muito bom, é como o posso descrever. 


Mas vejam e ditem a vossa sentença.
PS: (sem legendas em português)


domingo, 1 de janeiro de 2017

Passagem de ano... pois sim!


Então,como foi a vossa passagem de ano?

2017 começou comigo a desejar muita diarreia e danos materiais aos barulhentos dos vizinhos. 
Não, não tive «boas entradas», nem sequer boas saídas, já que os vizinhos colocam «música» num volume acima do aceitável por volta das 20h do dia 31 de Dezembro de 2016, são 1.50 da madrugada do dia 1 e os parvalhões não diminuíram o volume dos batuques. Para piorar, escuto também o som de pancadas.

Quando vi o anúncio de aluguer desta casa, vinha em destaque que ficava numa rua «sossegada». E de facto foi sossegada, nas primeiras semanas, até estes putos barulhentos se mudarem para a casa ao lado. De todas as casas desabitadas que a rua tem- que são quase todas, foram logo escolher aquela ao lado da minha!

E tinham de ser pessoas egoístas e barulhentas. Pestes que se criam como ervas daninhas por todo o lado! Só pensam em si, os outros que se lixem. Têm para aí 4 carros estacionados á porta, gostam de os ligar e deixar o motor a trabalhar, adoram ter os carros parados com a porta aberta e música a tocar, que nem autênticos bimbos, gostam de ir à noite para a entrada da casa falar alto e apreciam sentar-se na ombreira que separa ambas as casas para fumar, deitando de seguida as beatas para a minha entrada.

Hoje soube finalmente de que nacionalidade são. Na gritaria de celebração de «passagem de ano», um ritual que me é cada vez mais estranho, os parvalhões gritaram, entre muitos gritos dados apenas pelo prazer de gritar, que "ninguém se mete com Roménios e Bulgários!".

Pronto. Está tudo dito...
Bem que podiam voltar para a Roménia e Bulgária e ter este tipo de comportamentos por lá. 

Mas como aqui fazem o que bem lhes dá na gana, não devo ter essa sorte.
O meu ano começa comigo algo doente, com dores de cabeça, febre, tosse, a desejar descansar em total sossego e silêncio, mas a não conseguir devido ao som dos batuques da casa ao lado, que teimam em continuar. Acho que nas próximas 3 horas eles não vão parar. Prefazendo um total de 8h seguidas de «música» alta non-stop. Mas isto aqui ao lado é uma discoteca??

Esta gente não dorme? Se sim, digam-me o que posso fazer para retribuir... o barulho!


Como não sei mais o que fazer, resta-me desejar-lhe que tenham um ano de merda, que tudo em que se metam dê errado, que um meteorito caia do céu direitinho aos seus carros, que um dia queimem a casa de tanto que gostam de queimar porcaria no quintal, etc, etc.

Imagino os meus colegas de casa que têm de ir trabalhar às 6 da manhã...
Horário que eu andei uma semana também a fazer. Tive sorte em estar de folga, pois já não folgava fazia 2 semanas. Mas de quê serve as folgas se não se consegue sossego?

Que o novo ano lhes seja uma merda e desapareçam daqui!!





segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Sofrem de lobotomia???


A abertura do noticiário das 8 da Sic Notícias é muito esclarecedora:

Taxistas atacam um veículo privado por ser «da Uber». E gritam: "Anda cá corno! Cabrão! Filho da puta!!" Perseguem o motorista para o interior de um café e gritam: "Vem cá para fora cabrão! Agora és empregado da bomba é? Filho da puta! Vais levar nos cornos!". São uma centena ali, contra um cidadão isolado. Os «corajosos» e pacíficos taxistas partem os vidros de trás do veículo com pedras, atiram um ovos crus, partem os limpa brisas, deixam mossas em todo o carro com pontapés e socos e tentam capotá-lo.

Taxistas entrevistados dizem: "Eu  Actos violentos não vi" "Unicamente vi a abanar um carro da Uber. Mais não vi." (portanto, um gesto não violento dos pacifistas taxistas).

-"Eu não sei o que se passou aqui (mas sabe o suficiente para a seguir dizer) e vocês só filmam as coisas más!"
                     Então existem coisas más... que ele não sabe o que são. lol.

-"Nós estamos a fazer isto pacificamente" 




Depois insultam o cordão policial, atiram garrafas de água e até ofendem os jornalistas, a quem estão a querer boicotar não prestando declarações e usando alguma intimidação física. Abusam, ofendem e depois, fazem-se de vítimas, exagerando no único gesto que a polícia teve para segurar a situação: "Chorei, atiraram-me com gás lacrimogéneo! Atiçaram os cães! Dispararam tiros!!" (foi apenas um, para o ar, depois de soltarem um foguete e atirarem com água aos polícias, o som do tiro agradou a este gang de provocadores que se atiçaram ainda mais, com gosto, aproveitando a deixa para se vitimizarem por «perseguição policial»).  

-"A polícia é que agrediu os taxistas, nós estamos aqui pacificamente"
"Isto foi a polícia que não nos deixou manifestar livremente num país que é democrático e onde a manifestação é livre. A polícia é que provocou!" - diz o cabecilha da ANTRAL.

Eu oiço, vejo e pergunto-me se esta gente sofreu uma auto- LOBOTOMIA!!



São pacíficos, não fazem nada, não agridem, os outros é que provocam, a polícia é que foi violenta e não vêm nenhuma agressão ou violência por si provocadas.

A nossa polícia é uma santa!!

Queixam-se que para serem taxistas têm de passar por horas de formação. Se isto é o exemplo de FORMAÇÃO que têm para mostrar, prefiro uma pessoa sem formação alguma!


A minha vontade é cuspir nas viaturas destes holligans. E jamais usar uma. Jamais. Nem que tenha de ir de rastos até algum lugar. Prefiro um asno de quatro patas a um de duas atrás de um volante!!

Hoje os bons taxistas que existem foram dizimados pelo comportamento e atitude destes que se manifestaram. E foi a imprensa que os fez passar por «maus»? Não! Ninguém precisou fazer nada. Os próprios se mostram com todos os podres de que são constituidos. Ainda por cima, para quem é contra a Uber e a cabfy, afinal querem é fazer parte dela!!!!!!! 


Sobre este assunto estranho apenas a ausência dos urubus políticos.
Aguardem... que eles estão a rondar a carniça, esperando....

sábado, 1 de outubro de 2016

A palhaçada nojenta, repulsiva (Está tudo louco lá pelos States?)


Isto é absolutamente NOJENTO.

Vi uns meros 45s deste curto excerto de vídeo e logo senti repúdio. Mas não pelo motivo apontado.
SUPOSTAMENTE o vídeo é sobre a alegada matança racista da polícia a cidadãos negros. Não sei as circunstâncias mas aparece uma criança negra numa espécie de assembleia a falar num microfone. Uma CRIANÇA. Que diz, tensa e depois a chorar: "Não sei porque nos estão a matar. É uma vergonha não termos os nossos pais e mães connosco e temos de os ir visitar ao cemitério e enterrá-los". 

LOL.
O tempo todo escuta-se uma voz de mulher adulta a incentivar a criança. Cada vez que esta criança repete algo que lhe foi ensinado, a voz feminina reforça: "é isso mesmo! Certo!". A certo ponto a voz ordena, num grito: «Não pares de falar!»




Já dá para perceber o repúdio e nojo que estou a falar?
Estão a usar uma criança para tentar dar credibilidade a algo que não tem fundamento. Pior: estão a usá-la como lenha para aumentar as labaredas de um conflito racial e a traumatizá-la fazendo-a acreditar que a sua vida corre perigo! A criança acredita que os brancos polícias - embora estes também venham noutras cores - andam a matar os que têm a cor de pele escura. A criança chora, a mulher adulta rejubila. Porque o que importa para esta gente é meter lenha na fogueira, é incendiar os ânimos, é fazer da polícia os maus da fita e dos da raça negra os eternos sofredores da opressão e racismo.

A polícia atingiu a tiro um indivíduo. As circunstâncias não conheço, mas julgo que foi a do suposto cigarro... Mau? Sim, se for verdade. Mas daí a extrapolar para uma «caça ao negro», ao ponto de uma criança acreditar (porque foi alimentada para isso) que os pais e mães vão todos a enterrar no cemitério e dizer que «estão a matar-nos» é um exagero e é NOJENTO. É também um enorme DESRESPEITO para com a história e todos aqueles que realmente, no passado, viveram isso na pele. Mas agora nesta altura e nesta sociedade? Em que os direitos são iguais, em que todos estudam, em que todos contam com incentivos e subsídios?? Só pode fazer as reais vítimas de assassinato racial virarem-se nas campas. 

Nos EUA referir-se a um indivíduo como BLACK é socialmente repreendido.
O politicamente correto exige que algo que é real seja substituído por uma outra expressão:
Americanos-africanos. Lol.
NEGRO foi a primeira palavra a ser estritamente proibida no léxico.
A seguir segui-se o preto (black) que, além de tudo, é uma palavra inocente por fazer parte de uma cor da paleta de cores...
Ainda assim, proibida de mencionar perto de qualquer indivíduo de pele escura OU mista.
Exigem o termo acima: African-Americans. Menos quando não é conveniente: em manifs. Caso alguém se pergunte se o inverso também se aplica, a resposta é não.
Nos EUA pode-se dizer Branco, referindo-se a uma pessoa. E até se podem usar termos mais preconceituosos.
Não são proibidos. Podem não ser agradáveis mas não são oprimidos.
E ninguém diz Americanos-Europeus ou Americanos-Caucasianos.

Incomoda-me esta propaganda. Em bairros e zonas com muita gente de raça negra, se um indivíduo é morto pela polícia, começa de imediato uma rebelião mediática. Sempre. Sem excepção. 

O que há de não natural no acto? Deviam ter acertado no único branco que ali vive? Não. Entre 90% de negros e 10% de brancos... fazem um banzé e vão às televisões acusar a polícia de ser racista.




Não é assim. Estão a causar um grave distúrbio social e a inutilizar a força policial. Mediatizando-a de "lobo mau", que caça negros. A polícia não é isso! A polícia desempenha uma função dificílima, têm uma profissão de elevado risco de morte, e tudo isto ainda vai pior mais as coisas, pois está a ser transformada num alvo. E assim a polícia percebe que qualquer cidadão pode ressurgir-se contra si, devido a toda esta propaganda de gente canalha. O que só pode resultar em mais desgraças. Ou a polícia hesita num momento crucial e perde a vida, ou nem hesita um segundo e dispara primeiro, fazendo perguntas depois. 

Está tramado das duas formas. Preso por ter cão, preso por não ter... Com certeza mais incidentes envolvendo disparos policiais e cidadãos negros virão a acontecer, exatamente por causa desta melodramática mentira. O stress está no pico e antes disparar que apanhar bala...

Então de quem é a responsabilidade? Digo: estes rúfias das manifs nas redes sociais e mediáticas têm responsabilidade, e muita. Por estarem tão empenhados em exacerbar os factos. Acho terrível esta menina dizer "porque é que nos estão a matar?". Porque não estão. E o uso de "nos" é um termo aqui usado como elemento de exclusão. Quando ela pergunta isto eu tendo a pensar: mas quem é «nós»? Nós crianças? Nós pessoas? Nós humanos? Porquê sempre a distinção? Quem a quer manter, afinal? Só se forem os racistas. Esses devem exigir essa distinção.



Estive para vir aqui escrever sobre um assunto que me chamou a atenção e aproveito agora para o fazer. Estava a fazer zapping e aparece um daqueles shows reais, sobre o dia a dia de um polícia. Apanho apenas o final. Um rapaz acabara de se formar, passou em todos os testes, graduou-se. O instrutor está a dar-lhe as últimas dicas e a dizer-lhe para o contactar com qualquer questão. Eu vejo o jovem graduado e fico espantada. Era um menino! Tão jovem, tão rapazola... parecia também algo ingénuo, idealista... Mas achei-o novo demais e pensei: «é capaz de não durar muito tempo na profissão». Aí a câmara segue-o na viatura, onde ele relata como foi tenso o primeiro serviço no cumprimento ao dever, com tiroteios trocados... E depois o programa entra no final. O ecrã vai a negro e surgem palavras a dizer que o "policia «João»" morreu nos dias seguintes, no decorrer da função.

E fiquei em choque, quase. Por praticamente o ter adivinhado. Toda aquela sua juventude...  Ninguém fala das vidas que se perdem quando tudo o que se pretende é ajudar as pessoas. E tudo o que ele queria era servir a justiça, ajudar as pessoas, resolver conflitos... Uma bala terminou isso para sempre. Foi para o caixão, levou com a bandeira americana em cima e foi direitinho para o cemitério.


Todos os colegas choravam, desgostosos. Tão pouco tempo em serviço... Será que fizeram algo errado? Ou poderiam ter feito alguma coisa para o evitar? Culpam-se e ao mesmo tempo sabem que não têm culpa, é a profissão. Mas desses, ninguém fala. Também foi parar ao cemitério, morto por um bandido qualquer. Deixou mãe e pai devastados, a chorar a vida de um filho que não chegou a criar família própria. Não teve tempo. 


domingo, 31 de julho de 2016

Quando se sente que uma tempestade está próxima (aeroporto invadido)

Foi a semana passada, na sexta-feira.
Folheava uma revista e deparo-me com uma fotografia de uma multidão de pessoas em corrida. A imagem ilustrava um texto sobre uma corrida em Lisboa, a Global Energy Bimbo. Vai acontecer a 25 de Setembro e tem a peculiaridade de querer ficar no Guiness Book. É uma corrida que vai decorre no mesmo dia também noutras cidades e países pelo mundo. Achei interessante e fiquei a contemplar a hipótese. Mas aí...

Voltei a olhar para a imagem - gosto sempre de observar as imagens. Desta vez um pensamento bem diferente assolou-me a mente quando bati o olhar novamente na fotografia. Ao ver os corredores, centenas deles, todos coladinhos em corrida, pensei: «mas isto é ideal para um atentado terrorista!». 

Assustei-me com o pensamento e algo em mim ficou a temer este tipo de evento. Imaginem só o que seria, centenas de pessoas bem dispostas, felizes, desafiantes, porém, totalmente encurraladas num carreiro... e bombas posicionadas em lugares estratégicos. Não teriam chances. Seria uma chacina! 

Depois li no cartaz: CORRIDA PELA PAZ.

Esse detalhe só me alarmou.  
Lembrei-me depois do quão indefesas estavam as pessoas naquela Maratona de Boston...


Quase que fiz um post sobre este inesperado pensamento, que do nada me ocorreu, mas depois deixei passar. Uma semana depois, neste sábado dia 30, por volta da hora de almoço, até um pouco antes, detectei uma regularidade de sons de sirenes a passar na rua... Fui espreitar. É raro escutar muito movimento porque há pouco trânsito. Nenhuma das sirenes eram de carros de polícia, o que é mais comum. Uma pertencia a uma ambulância e outra a um carro de Inem... Passaria-se alguma coisa?

Bom, acidentes e mau-estares não escolhem dias da semana... Também podem ocorrer durante um sábado sereno, com temperaturas bem mais amenas que as dos dias anteriores. Tento convencer-me disso e não ser alarmista. 


Por volta das 13h da tarde, alguém menciona que o trânsito perto do aeroporto estava impossível. Algo devia ter acontecido ali. Uma pessoa avança com uma hipótese: Se calhar alguém sentiu-se mal...

Vou eu e digo: «Se calhar apanharam um grupo de estrangeiros terroristas com passaporte falso».

A seguir não ligo a TV, não oiço as notícias, não faço a mínima ideia do que se passa pelo mundo. Acordo domingo bem cedo, antes das galinhas, ligo o computador e no facebook surge o link para uma notícia que pelo título logo imaginei alarmista. Daquelas que dá a entender uma coisa mas é outra. 


Ainda assim, abri para entender se estavam a falar de aves, de um jogo estratégico, de uma campanha de marketing, de um filme ou, como o leitor iria deduzir, de pessoas que factualmente e por alguma razão de grau de gravidade variável, tenham de facto ido para onde não é permitido circular dentro do aeroporto. 

Bom, no momento em que escrevo este post, ainda não sei bem o que aconteceu, nem a gravidade. Não fui ainda ler as notícias. Só espreitei esta, que resume o ocorrido mais ou menos desta forma: "um grupo de 5 homens argelinos fugiu da zona de embarque por uma porta de emergência de volta à pista. Foram detidos. Isto aconteceu à noite e a pista teve de ser encerrada entre as 20-00h e 20-30h".

Na realidade, nada se sabe, esta é daquelas notícias que apresentam factos, sem os explicar, porque só isso foi comunicado aos jornalistas. Notícias que não transmitem grande sensação de alarme (feliz e oportunamente), têm um desfecho tranquilizador e não esquecem de mencionar ao de leve a eficiência das forças policiais. 

No entanto -  e talvez por isso mesmo, fiquei alarmada com o que ficou por dizer. Para já, seja o que for que tenha acontecido, talvez tenha começado bem mais cedo do que a notícia indica.

Será que se tratou de uma manobra de distração? Pretendiam estes homens de nacionalidade argelina proteger algo maior? Ou será que algo que ocorreu bem mais cedo lhes estragou os planos? Será que esperavam encontrar engenhos explosivos na sala de embarque e algo que ocorreu bem mais cedo preveniu esse desfecho?
Não faz sentido algum 5 homens sairem pela saída de emergência... para a pista.  Porque eles não iam a lado nenhum... A notícia não explica porquê, mas menciona que um dos homens foi transportado para o hospital.

Quereriam eles ser detidos para ficarem em solo nacional? Ou perceberam que iam e tentaram fugir? Eram terroristas ou pessoas em fuga?
Ah, teorias da conspiração...


Todos os dias a actividade de um aeroporto está repleta de ameaças. Nós, povinho, não temos noção disso. Temos de ser mantidos um pouco na ignorância. E para dizer a verdade, se não fosse assim, provavelmente andariamos em estado de guerra, cheios de receios, medos, a querer andar armados, a bater em todos e a olhar para cada estrangeiro com ar desconfiado...

Seriamos a América!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A violência racial nos EUA - as forças policiais como vilãs

Vinha dizer muita coisa sobre este assunto que me incomoda bastante. Mas vou tentar ser sucinta. 

Cada vez que um cidadão negro é morto pela polícia no decorrer de uma acção policial, o povo americano sai às ruas e grita: racismo! Assassinos! Os media divulgam bem estas imagens, principalmente quando as mesmas suscitam dúvidas, as celebridades saem à rua a dizer frases "Stop killing US/Párem de nos matar" (pergunto-me quem é "nós".) e o rastilho é assim tão facilmente reacendido: o da tensão racial.

O problema disto tudo é que muita vez pode-se estar a cometer uma tremenda de uma injustiça para com a polícia, que tem um dever a cumprir: perseguir criminosos. Se estes são negros, brancos, hispânicos, asiáticos... tenho cá para mim que pouca diferença lhes faz. Todo o criminoso armado é perigoso. E se sentem que têm de abrir fogo por a situação escalar para "a minha vida ou a tua", decerto que não vão hesitar apontar uma arma a ninguém, seja este branco, hispânico, asiático ou negro! Que certos grupos pretendam centrarem-se somente na questão negra é, no meu entender, tendenciosamente perigoso. Isso diz-me que existem pessoas com interesse em colocar dúvidas na cabeça do povo, manipular as massas e lá meter racismo. Desculpem-me, mas não simpatizo com gente oportunista, manipuladora e racista. Que usa uma «ferida» social para tirar proveito. 

Então, porque o fazem?
Porque é que alguns que fazem parte de histórias que envolvam a polícia e a fatalidade de um criminoso/suspeito, focam-se em vitimar ao máximo o morto, insistem em descrevê-lo como uma pessoa maravilhosa, calma, trabalhadora, não fazia mal a ninguém e era um excelente pai para os seus filhos (convém sempre referir que uma pessoa deixa filhos porque isso comove muito o povo).

Desculpem-me, mas fazem-no por oportunismo.
Estão a pensar que aquilo pode render-lhes uma enorme quantia de dinheiro.
Já estão a pensar em processos, em compensações monetárias... 

Como todo o criminoso experiente ou dependente de drogas, só conseguem ter a cabeça constantemente a matutar esquemas para obter dinheiro de forma rápida e sem esforço. Daí a pegar num telemóvel e começar a narrar, com muita calma e a filmar o namorado a esvair-se em sangue sem nunca sequer esboçar palavras de conforto para o moribundo.... é rapidinho.

Lavish Reynolds que filmou os últimos suspiros do alegado namorado no dia 6 de Julho, no dia 7 já tinha activado uma conta para receber donativos monetários. Tem 58.160 dólares mas o seu objectivo é atingir os 75.000. Será que vai ficar por aí se a fonte continuar a querer jorrar? Entretanto a mãe do rapaz morto acusa-a de oportunismo, diz que está a mentir sobre a sua ligação afetiva com o filho Philando Castile(até agora não foram divulgadas ou encontradas fotos dos dois juntos como casal e diante do seu comportamento no vídeo tendo a concordar que não estava emocionalmente ligada ao rapaz). A mãe pede às pessoas para enviarem o dinheiro para a conta da irmã do falecido, que não deixa conhecida descendência. O irmão de Lavish "Diamond" Reynolds respondeu ao twitter da matriarca dizendo que se existe dinheiro, devem tudo à coragem de Lavish e apela que continuem a doar à sua irmã e sobrinha. Como se só pudesse ser uma ou outra!! Neste instante, estão ambas a «duelar» por dinheiro depositado no calor da indignação, numa conta aberta em menos de 24h do falecimento e com o corpo ainda na morgue. Que luto, hei?? Lavish foi rápida a publicar o vídeo, a fazer depoimentos para as TVs e rápida também a abrir uma conta. Tudo isto sem antes existir uma meticulosa investigação do sucedido.  Nisto, o policial que disparou os tiros fatais pode ter a vida estragada porque já foi condenado em praça pública antes mesmo de se fazerem averiguações. Tudo graças às convenientes explicações deixadas por Lavish na gravação, que muitos já vieram avançar serem falsas: além dela não ser noiva ou mesmo namorada de Castile, este também não tinha licença para porte de arma, arma essa que alegadamente terá agarrado segundos antes de receber os tiros.  A ser verdade... a verdade não é rentável, não dá 75.000 dólares, não traz fama e pode levar à prisão. O motivo pelo qual foram mandados parar ainda não foi totalmente esclarecido mas de acordo com alguns sites, existia uma correspondência com um suspeito de um assalto e os cigarros roubados terão sido encontrados no veículo. 


O problema é que estes vídeos tornam-se virais, o povo julga primeiro e fica de mentalidade fechada para conhecer os factos, que geralmente são divulgados depois de algumas investigações. O povo escuta as palavras insufladas de um grupo organizado, que tem como único objectivo destabilizar e gerar o caos. Engole o que lhes é dito, contenta-se com essa versão, fecha-se a outras e deixa-se manipular. A mim custa-me a acreditar, já o disse, que a polícia seja o que apregoam. Não que seja ingénua e não acredite na existência de maus e abusivos policiais. Muito pelo contrário. Acredito e muito. Mas é nos próprios policiais em que temos de depositar a nossa confiança para que investiguem e apanhem esses casos. E olhem que acontece mais vezes do que se julga. Porque até eles não gostam de descobrir que um «deles» está a desonrar o uniforme e levam isso a sério. 


De domingo para segunda voltaram a disparar tiros contra policiais que se deslocavam numa autoestrada, numa alegada emboscada. Aconteceu em Baton Rouge, localidade onde semanas antes a polícia havia morto um cidadão negro, supostamente por ter resistido à detenção e recusado identificar-se. O video tornou-se viral. Foi também avançado que o homem tinha uma arma no bolso das calças, que tentou agarrar, mesmo quando imobilizado no chão. Testemunhas no local confirmaram-no, pelo que sugerir que a arma foi plantada pelos policiais tem assim poucas chances de vingar.


Antes destes disparos às forças policiais no dia 17, a polícia tinha apanhado 3 adolescentes por roubo de armas de fogo. Os três disseram que roubaram as armas porque planeavam matar polícias.

É este tipo de pessoas que todo o mediatismo sensacionalista está a gerar! Ora bolas. A polícia já tem tanto crime para combater, tanto criminoso para apanhar, cada vez mais a lei protege tanto os criminosos e agora tem ainda de se preocupar com o povo ignorante e facilmente manipulável que se arma em milícia para os matar?? Mas estas pessoas não PENSAM nos actos que pretendem cometer? Não sabem o que é ser um assassino? 

E depois temos os media e algumas poucas figuras mediáticas sem grande juízo que dizem coisas destas:
TODOS temos força para transformar
a nossa raiva e frustração em acção. 
Neste contexto de tensão racial, apelar à "acção" é ou não é um incentivo ao crime?
O que é que um bando de revoltados pouco inteligentes, "alimentados" com preconceitos, vai concluir ao ler este incentivo à vingança pelas próprias mãos? Se matarem pensam que lhes vai acontecer o quê? Vão ser acolhidos como heróis na mansão da Beyoncé?? Mas vieram de que buraco??

Sinceramente não sei onde a américa vai parar.
Mas pode não ser nada bonito.
E entristece-me muito.
A ignorância, os factos parciais, distorcidos, a imprensa omissa, conivente... o fogo para os olhos de todos... É tudo repugnante.


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Ai que nervos!! - isto dos tiros


Há anos que me vem a enervar esta realidade nos EUA de se estar constantemente a acusar a força policial de "matar" homens negros por serem negros. Achava perigoso e repudiava-me a forma propagandista e DISTORCIDA como os factos eram massivamente apresentados pelos media. 


Vai que esta madrugada voltei a enervar-me com o tal vídeo do homem a morrer dentro do carro, após um confronto com um polícia. Enervei-me por vários motivos, entre o principal, a forma gratuita e estúpida como as pessoas passam juízos de valor com base em tão pouca informação ou apenas um dos lados da mesma. A rapidez com que "classificam" qualquer acontecimento do género como "Racismo". Mesmo quando depois de uma longa investigação fica provado que foi auto-defesa. Insistem sempre na versão distorcida e não actualizam os factos.  

Pena é não se falar dos casos em que é o polícia aquele que é assassinado. Aí já não existe racismo, caso o indivíduo que disparou o tiro fatal seja negro e o policial que o recebeu não for. 


Esta forma tendenciosa de ver as coisas perturba-me. Os EUA é um país racista, mas creio, pelo que percebo, que são as pessoas negras as mais racistas de todas. Pois não podem ver um caso que envolva um deles e um branco, que vêm logo com o racismo. Defendiam e transformariam em santo até o Charles Manson, se este fosse negro.

Bem, mas hoje pela manhã surgiu outra notícia, igualmente trágica. Cerca de 10 polícias foram alvejados e pelo menos um foi assassinado por snipers (a cobardia total) durante uma «manifestação» contra a "violência policial". (que, convenientemente, dizem só atingir um grupo da população). 


O que me perturbou são os comentários:
"Com arma matas, com arma és morto"
"Retaliação"
"Bem feito, mataram dois homens"
"3 a 2"

Uma ignorância de comentários que me deram urticária. Indivíduos que vão até buscar a escravatura, para legitimar o assassinato de pessoas hoje em dia. Parece que ter nascido com a pele branca na américa, é hoje um grave problema. Porque vão ter de "pagar" pela escravatura de há uns séculos... A população mais ignorante assim o exige, aparentemente. Porque consideram "normal" que se matem polícias a cuidar da segurança de uma multidão porque, aparentemente, um polícia no decorrer do serviço, matou, SEM NECESSIDADE, um homem. Que calhou ser negro. Podia ser branco, mas isso não dá notícia... Nem tem namoradas ao lado com telemóvel a gravar.


Agora pergunto, só para complicar a vida destas pessoas com "tantas certezas". Se um destes tiros dirigidos a um policial fosse parar numa criança o discurso, certamente, já seria diferente. E eu não vejo diferença.

Por isso, já sabem: se um familiar vosso for polícia e um policial lá na américa abusar da sua autoridade... É justo que um cá seja assassinado a tiro.

sábado, 21 de novembro de 2015

Desaparecer sem deixar rasto - quando a natureza camufla


Esta é uma notícia curiosa. Graças ao google maps, foi possível localizar o paradeiro de uma pessoa desaparecida. Ha quase 10 anos o homem saiu de carro para ir até o bar e nunca mais foi visto. Afinal estava no fundo de um lago. Ele e o carro.



Achei curioso porque me fez lembrar duas outras histórias de pessoas desaparecidas enquanto guiavam os seus veículos. Uma ficou desaparecida durante mais de 25 anos. Só quando drenaram a água do pântano que ficava mesmo ao lado de sua casa, é que encontraram o automóvel e os restos mortais. Até descobriram que a pessoa foi assassinada e lançada ali. 

No outro caso, a pessoa ficou desaparecida por mais de uma semana. Era uma mulher, saiu do segundo emprego e nunca mais foi vista. O marido tornou-se o primeiro suspeito do seu possível assassinato. A policia submeteu-o a um autêntico pesadelo. Principalmente por ignorar os seus apelos para a encontrarem. Mesmo tendo procurado inúmeras vezes pelas redondezas e pela estrada onde posteriormente a esposa foi encontrada dentro do veículo que se despistou, ninguém deu por ela. Foi quando, finalmente, colocaram helicópteros nas buscas, que o mesmo avistou uma carrinha capotada. A mulher, imobilizada, ferida, sem ingerir água, ou comida por mais de uma semana, durante o inverno, com noites de temperaturas negativas e com sérios danos corporais, a entrar e sair de consciência e totalmente sozinha, viveu. Ambos decidiram conduzir suas vidas, até então totalmente dedicadas ao trabalho, de forma a terem tempo um para o outro.

Mas isto para dizer que: se pessoas desaparecem de carro e nunca mais são vistas em parte alguma, o mais provável é que ainda estejam nele. Ou no fundo de um lago - e aí só com muita sorte ou tecnologia é que será possível descobrir o paradeiro - ou no fundo de uma ravina. Não parece ser tão incomum assim. 

terça-feira, 8 de julho de 2014



Atraída pela imagem perfeita para ilustrar um ponto de vista deparei com esta notícia sobre a decisão de pegar numas verbas pagas por nós através dos seguros automóveis para a aquisição de novas viaturas policiais. 

Eu me interrogo, neste ponto da situação e «calejada» com submarinos e afins, se é mesmo necessário comprar mais carros ou se tudo não passa da conveniência de um político e um empresário, sedentos por meter ao bolso uma comissão monetária por gerar negócio e receitas com uma empresa em particular. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Suspeita atrás da orelha

Uma vez uma pessoa sentiu-se mal num transporte público e escutando o seu grito de ajuda fui acudi-la. A pessoa havia caído por um desfalecimento súbito mas depressa recuperou a normalidade. Porém o motorista ligou de quase de imediato para o 112. Surgiu uma ambulância e com ela vieram dois polícias. A pessoa foi auxiliada a sair da viatura para entrar na ambulância, relutante que estava, mais pela vergonha e embaraço da situação que outra coisa qualquer. Aparentemente já estava recuperada. Falava bem e articuladamente. Cheguei a pensar para mim mesma que conseguia articular os raciocínios melhor do que eu, mesmo tendo acabado de sofrer de um mal estar súbito.

Enquanto o inem não chegou, fui acalmando-a, sossegando-a para que não se incomodasse com o atraso que a situação impunha a outros, pois podia acontecer a qualquer um de nós. Essencialmente tentei tirar do seu pensamento a sensação de vergonha e constrangimento por ter causado a paragem da viatura e ter tido um desfalecimento em frente de toda a gente. Era o que realmente a incomodava. Ela lá me explicou que estava sujeita a este tipo de situação e que sempre se sentia muito embaraçada. Explicou-me que não tinha ninguém a quem contactar porque vivia sozinha, estava a viver longe da família com a qual não tinha contacto porque, segundo ela "ás vezes é melhor assim". 

Fiquei com dó nesse momento, porque consegui compreender que existem famílias que é mesmo melhor não as ter, mas ao mesmo tempo só me apeteceu foi mostrar afecto por meus pais, tão cheios de imperfeições e defeitos, mas presentes para mim numa situação destas, aos quais eu podia ligar se algo do género me acontecesse. Pela sua solidão, por ter de regressar a um apartamento vazio, com receio que a doença voltasse a repetir-se, sem ter quem a acudir a não ser uma vizinha um pouco amiga, fiquei com dó da rapariga e, conforme expliquei, valorizei mais o que eu tinha. 

Tive vontade de lhe dar o meu contacto para que entrasse em contacto comigo no dia seguinte para confirmar que estava tudo bem. Mas nisto chegou a ambulância e ela foi encaminhada para o veículo. Para trás ficou a mochila e o saco de compras de mercearia a pingar - com algumas frutas já transformadas em suco devido à queda. 

Segui atrás dos enfermeiros com estes pertences da pessoa para que seguissem com ela. Os dois polícias perguntam nessa altura o que a pessoa transporta consigo. Ao que lhes estico o braço com a mochila e o outro com o saco. Os dois, com a pessoa plenamente consciente e já a pisar o interior da ambulância, pegam na mochila e logo abrem o zipper da pequena bolsa. Removem a carteira e bisbilhotam o interior. Fiquei ali com o outro saco na mão, estranhando não pegarem nele de imediato também.

Reviraram a carteira e depois reviraram novamente o conteúdo da mochila. Fazem isto depois de espreitar para a ambulância e repararem que a pessoa e os socorristas já está no interior. Fiquei com uma sensação de alarme nesse instante. Juro que fiquei a desconfiar que aqueles polícias procuravam mais do que saber a identidade da pessoa. Pretendiam furtar o que esta tivesse de valor, aproveitando-se da vulnerabilidade e distração desta. E se o fizessem e a pessoa só muito mais tarde desse conta, poderiam sempre afirmar que encontraram a carteira como a entregaram e se existiu roubo só podia ter sido efectuado por alguém dentro do transporte público.

Peço já desculpa a quem é polícia e honesto, a quem está por dentro dos procedimentos policiais ou vive ou tem quem viva no corpo policial e possa sentir que a suspeita não faz sentido. Mas estranhei mesmo. Algo na postura pareceu desadequado e impróprio. A pessoa não estava morta. Não estava inconsciente, nem gravemente ferida! Era só lhe perguntarem o nome e pedir permissão para lhe abrirem a carteira e remexer nos seus pertences. 

E agora que estava aqui a ler uma breve notícia sobre "Polícias no Crime", policiais que ao invés de estarem do lado do bem se juntam à bandidagem para praticar roubo, extorsão e tráfico, subitamente este episódio voltou ao de cima. Tenho pena não ter dado o meu contacto à pessoa, porque sempre poderia sossegar sobre o seu estado de saúde ao invés de ficar este tempo todo a imaginar se tudo terminou bem. E atrás da orelha ficou a sensação estranha que a visão dos policiais a remexer na carteira me causou. Ainda hoje não sei se a pessoa ao receber os seus pertences de volta, notou que algo lhe faltava e se por acaso logo associou que se alguém a poderia ter roubado, esse alguém seria eu, que a auxiliei. Porque nunca poderia ser a polícia... pesamos nós!