Mostrar mensagens com a etiqueta filme. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta filme. Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de julho de 2025

Injustiça SOCIAL que a Lei permite

 O filme que acabei de ver passou hoje no AXN Filmes. Chama-se 99 casas. E chorei dolorosamente ao vê-lo. Não é um filme de terror, é um filme real, com injustiças reais. Daí ser tão perturbador. Chorei devido a uma sensação pesada de perturbação e angústia. O tipo de coisa que pesa na alma e nos deixa num desconforto total. 



Este acima aqui no vídeo é um homem super carismático que fez fortuna sem pagar impostos. Como? Bom, ele investe em imobiliário. Ou seja: ele usa o mesmo sistema que nos entala a todos para dele tirar benefícios. 

Isto é possível só para quem entende muito bem de finanças, banca, leis. Porque numa coisa ele está correto: Nós, cidadãos comuns, NÃO SOMOS EDUCADOS para realmente entender o que importa. Porque se fossemos, deixaria de existir contribuintes para dar dinheiro ao Estado e reduziria drasticamente o numero de pessoas que podem ser exploradas a trabalhar que nem cães em troca de um salário que já sofre uns tantos cortes e tem de servir para pagar as tuas dívidas a conta-gotas, durante toda a vida. 

O filme 99 casas, aborda esta situação dos investimentos Imobiliários e dos Bancos, que, ao emprestarem dinheiro a juros para a compra de uma casa, quando a pessoa não paga umas prestações, toma a propriedade para si e despejam os inquilinos. Estes, sem ter para onde ir, ficam literalmente na rua. Com todos os seus pertences no chão. Prontos a ser saqueados por vizinhos inescrupulosos ou quem quer que seja. 

Isto é deveras perturbador. Talvez tenha acontecido comigo noutra encarnação porque a possibilidade sempre me assustou. Imaginem estar a pagar a própria casa aos poucos, depois algo acontece, tiram-te a casa e colocam-te na rua! Não importa a idade que tens. Se és jovem, tens mais hipóteses de ir à luta mas na terceira idade... 

Foi exatamente nesse momento do filme que desabei num choro pesado, por não aguentar mais ver a sucessão de despejos apresentados no filme. Quando chega à parte em que quem atende à porta é um senhor idoso, agora viúvo... desabei. É doloroso. Um homem que trabalhou a vida inteira para ter um teto debaixo da cabeça com filho distante de quem perdeu o rasto e é despejado na rua.... ele diz que já não conhece nenhum dos seus vizinhos. Que viveu naquela casa a vida inteira... que a esposa e ele pagaram as prestações... Mas o tribunal decretou que fosse despejado.  Em segundos foi posto na rua, a segurar uma caixa de papelão com algumas bugigangas no interior. Quando tinha paredes e uma casa para morar apenas segundos antes. 

A ganância e as "leis" não têm problemas em transformar pessoas trabalhadoras em indigentes. 


E é aqui que entra o exemplo do "Pai rico, pai pobre" - pois foi assim que este investidor no ramo imobiliário, Robert Kiyosaki se capultou para a fama. Escreveu um livro com este título, passou a dar entrevistas e, sendo carismático, as pessoas começaram a falar dele e de suas ideias. 

Numa dessas entrevistas que vi há uns largos anos, ele a mulher, num podcast, falavam de como era gerir as casas. Lembro de dizerem que precisavam de encontrar ajuda, porque já tinham muitas casas. Alguém lhes deu o nome de um ótimo gestor e, ao contactá-lo, receberam como resposta: "Não faço menos de 1000 casas. Quando tiverem mais de 1000 casas venham ter comigo". 

Imaginem o que é... 

A injustiça deste mundo quando eu, sonho com casa própria desde crianças, sigo as "leis" todas.. e não atinjo essa meta. E outros são donos de mais casas do que aquelas que alguma vez possam precisar.

Nesse vídeo do casal, Robert explica como a esposa teve de despejar um homem com dois filhos na véspera de Natal. "Não se pode ser emocional". 

Foi ao ver a sua esposa descrever o acontecido que comecei a olhar para estas pessoas com piores olhos. Véspera de Natal, um pai com dois filhos... e levam a polícia para os colocar na rua. "Os pertences, os sofás, o colchão ficou tudo na rua". "Na manhã seguinte muito já tinha desaparecido, porque os vizinhos pilharam as coisas". 

Fiquei a pensar foi no homem que ele despejou. Aposto que esse não o vê com olhos de admiração e culto. Pelo contrário. Percebi então que não há homem rico que não tenha agido mal para manter a sua fortuna. Despejar uma família com crianças na véspera de Natal... e achar isso um bom exemplo é... para mim, o perfeito exemplo do quando o ser humano pode se revelar um nojo como pessoa. 

 Eu entendo os dois lados. Mas não aceito que este seja o resultado e que nenhuma lei faculte amparo a quem se ve desamparado e com filhos!


Só se isto é exclusivo da América? Não, não deve ser... tenho a certeza que em Portugal a coisa não deve andar longe... Alguém me disse uma vez que aqui no Reino Unido ninguém despeja uma casa onde existam crianças... Não sei se é ou não verdade. Mas, por mais que revolte ver jovens a ter mais crianças para manter as ajudas e benefícios do Estado, como rendas a 90 euros por MÊS, a ideia de os colocarem a todos na rua também não está certa.

É todo o mundo a explorar todo o mundo. O Estado ajuda estas famílias, com o dinheiro de pessoas como eu. Pessoas que fazem tudo "certinho" como manda a lei e a moral, trabalha que nem escravo para ganhar uns trocos no final do mês, pagar suas contas e seus impostos. E a Banca facilita a vida a quem lhes dá garantias de um retorno substancial, permitindo a pessoas como Robert ganhar dinheiro e dar dinheiro à Banca. Mas alguém sempre sai derrotado. E esse alguém somos "nós" os restantes 99% da população.

Meter o dinheiro em frente da humanidade. 

O filme relata isso mesmo. Vejam e depois voltem e contem se também choraram de horror.  

quarta-feira, 5 de julho de 2023

No cinema... sem ser em casa

 Gostava de ver este filme: 



Aqui anunciado na lateral de um autocarro porque esta em exibição nas salas de cinema.
O que me deixa reticente é que, das últimas três vezes que fui a uma sala de cinema ver um "grande filme" - este desapontou. 

Da última vez - o último filme da saga "Parque Jurássico" foi tão mau, tão mau, que desejei vir-me embora ainda faltava muito para que terminasse. A sala, com poucos espectadores, tinha uma família que a mãe levantou-se e saiu. 

Antes desse recordo de ter ir ver um outro - que nem recordo qual era. E o primeiro... o Blade Runner - também com o Harrison Ford ohem a coincidência - foi um flop. 

Se quero gastar 15 libras num bilhete de cinema? Não. 
Não depois destas experiências menos positivas. 
Além das histórias decepcionantes, tem também as pessoas e o cinema. Ainda que seja uma sensação boa a de sentar ali e olhar para o grande ecran, por vezes o som está demasiado alto, principalmente nas cenas de acção e só me apetece tapar os ouvidos. Tem os "mastigadores" de pipocas, os "estica os pés e põe na cadeira da frente" e o frio do ar condicionado. 

Acho que vou esperar para que este filme veja a luz da pirataria - coisa que me parece que nunca acontece com as grandes sagas - ou passe num canal de televisão. 

Mais um fiasco comprado na sala de cinema, não me apetece ir ver. 



quarta-feira, 1 de março de 2023

A Baleia - vi o filme

Brandon Fraser voltou a estar nas luzes da ribalta. O ator americano popularizado nos anos 90 por protagonizar filmes de comédia como "A Múmia" e "George, o Rei da Selva" recebeu o prémio SAGAward de melhor ator  pela sua actuação no filme: "The Whale" (A baleia). 


Muito se tem falado sobre o retorno do ator e do seu afastamento. Alegadamente, trabalhos começaram a escassear depois de ele ter mencionado numa entrevista que foi "apalpado" por um diretor qualquer em Hollywood. 

Mas, cá para mim, julgo que é o percurso natural - mais para as mulheres que para os homens - de quem atinge o estrelato na juventude e é admirado pela sua aparência e nível de atratividade. A conversão é difícil quando se sai dessa faixa etária e já se está nos 40. Os papéis não estão mais lá, porque a pessoa não corresponde mais ao perfil. Embora Fraser tenha efectuado outros papéis brilhantes em ditos "filmes sérios", ficou popularizado como ator de comédia ligeira e pouco se fala de outros seus filmes. 


"A Baleia" é o filme que o traz de volta - o próprio é muito verbal a respeito. Vi o filme sobre um homem prestes a morrer de obesidade. Ele come sabendo que está a fazer mal a si próprio. Mas não dá para parar. À sua volta tem umas personagens também muito fortes e interessantes. A enfermeira que cuida dele, ao mesmo tempo que o quer vivo, também lhe fornece as comidas saturadas de gordura que o estão a matar. Não o fazer não o impederia de as encomendar. Os motivos que o levam a comer até se matar não são mencionados diretamente, mas subentendem-se. Um desgosto de amor. A sua história de vida tem um twist, mas é um muito comum que se consegue entender. Conheceu uma mulher, casou com ela, teve uma filha mas... apaixonou-se por outra pessoa, largou a família para começar um novo amor. Amor no masculino. Uma pessoa consegue entender que se trata de mais um caso de um homossexual não assumido, que seguiu a vida pelos padrões sociais esperados até que essa paixão acabou de vez com a sua covardia em não olhar para dentro de si e aceitar-se como é. Covardia, no fundo, também é um termo apropriado para descrever como desiste de lutar pela vida e opta por se destruir até expirar. Todas as personagens estão bem construídas. Até a ausente - Alan, parece ter deixado uma presença marcante. 

Antes de começar a ver o filme, devorei duas caixas de barras de waffles de chocolate com laranja. Não sei porquê, mas uma nunca chega. Pretendo ficar por duas mas, quando fui a ver, foram duas embalagens, cada qual com cinco unidades cada, que devorei. 

Durante a visualização do filme "Charlie", a personagem de Brandon, tem cenas que angustiam - e para mim essas foram vê-lo devorar comida de plástico com voracidade e em excesso. Duas fatias gigantes de pizza em cima uma da outra, devoradas em segundos, barras e barras de chocolate. Aí fez-se "luz" e encontrei similariedades com um  gesto que eu própria tive momentos antes. 

Se calhar tenho de reduzir o consumo desta marca de chocolate...

É que sabe bem, mas não parece satisfazer, muito menos nutrir. Daí ir sempre para outra e outra. Já ia para acabar o pacote quando percebi que tinha de cortar o impulso ingerindo outro alimento e foi uma fatia de queijo que me "salvou" de mais uma barra de chocolate. 

De pouco adianta andar a comer uvas como andei durante o emprego - se em casa me empaturro de junk food. 

Sem querer dar o final - mas sabendo-se já o final, devo dizer que achei bonito e original a forma como o autor/diretor arranjou para nos mostrar o inevitável. 


segunda-feira, 7 de março de 2022

Caça Fantasmas: O legado

 E porque ontem foi Domingo, o filme que vi foi este:


O poster diz tudo: um filme tipicamente americano, que mete crianças armadas em adultos. Contorne isso e concentre-se no legado do filme original. Datado de 1984, "Os Caça-Fantasmas" foi um sucesso mundial, que agradou a família inteira. 

Depois desse filme ainda existiram a sequela Caça-Fantasmas II, de 87, desenhos animados sobre o filme e, anos mais tarde, em 2016, uma versão em que os protagonistas eram... mulheres. Por algum motivo isso gerou controvérsia, embora eu não entenda o problema e tenha gostado do filme. Qualquer destes filmes usa a mesma fórmula de Hollywood, muita fantasia e coisas irreais. Mas gostamos de ver à mesma. De todos o pior, a meu ver, é o segundo. 

Voltando a "Caça Fantasmas- o legado", os mesmos ingredientes do primeiro filme estão todos lá: a história é a mesma, mas reformulada. Voltamos a ter Geiser como o demónio que precisa ser eliminado, ou vai reinar no planeta. A seu lado estão os dois "cães" do inferno. Temos a cena de possessão que Signorey Weiver popularizou, embora deixe a desejar - a meu ver. "Janine", a secretária, também faz a sua aparição para nos dar um ar da sua graça e da sua voz. E, claro, o adorável boneco de marshmellow que, junto com o Slimey, o fantasma comilão, popularizaram o filme para o perpétuo. Só que desta vez parece que o diabinho deu para fazer um crossover para o filme "gremlins"- mas sobre isso deixo que permaneça uma surpresa.

O que mais gostei no filme foi o final. Não sei se vocês são como eu mas, quando ia ao cinema, gostava de ficar a ver o filme até terminarem os créditos finais. Coisa que quase te faziam sentir mal por o desejar fazer, já que a equipa do cinema invadia logo o espaço para limpar a sala, interrompendo toda a experiência e olhando para ti como se estivesses a atrapalhar. Embora não fosse uma lei, também estava implícito que o correto era levantar e sair da sala assim que a palavra FIM aparecia. Ou se não aparecesse, assim que apareciam as letrinhas em scroll de baixo para cima. Levantavas e saías, ou ficavas mal-visto.

A vantagem de ver um filme em casa é que não tenho mais de sentir qualquer acanhamento por gostar de ficar a ver os créditos finais. Ainda por cima, é a "melhor parte" para quem gosta de banda sonora. E claro, a música que ficou para sempre como um hit - "Os Caça Fantastas" foi usada nos créditos finais. 

Quem fica até o fim é recompensado com um bónus. 
Estava a ler os nomes de todos que participaram no filme e eis que chega a parte de "Convidado especial". Surge o nome de todos os protagonistas e subitamente, também o de Sigourney Weaver. O que me frustrou, por saber que ela não tinha aparecido. Claro que, logo de imediato percebi o que se seguiu:

O nome da atriz desaparece do ecran e cortam para uma cena nos dias de hoje entre ela e o seu eterno parceiro e par romântico, Billy Murray. 


Estão a ver? Vale a pena ficar a ver os créditos finais até ao fim. Deu para perceber que a música datada lá de 1984 continua actual. Ainda faz abanar o "capacete" como decerto era o termo usado na altura.


Para minha surpresa ao pesquisar imagens para ilustrar este post, descobri que um dos actores que fez parte do casting original do filme havia falecido. A sua colaboração - sim, porque ele aparece neste filme de forma MUITO convincente - é totalmente criada por CGI (Imagem gerada por computador). 


Fantástico. Hollywood consegue ressuscitar os mortos, trazê-los de volta à vida e pô-los a atuar ahaha. Será que lhes paga ordenado?




 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Kennedy assassination: mistery solved!

 Um filme chato com Roberto de Niro no principal papel a fazer de mafioso, acaba de desvendar um grande mistério: Quem matou os Kennedy.



 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Ruptura- a curta

Depois de ter visitado D. Redonda e ter lido um post sobre um filme extraterrestre, apeteceu-me ver algo do genero.

Calhei ir parar à rtp2 onde estava a passar um filme portugues legendado em ingles. Aquilo prendeu-me, nao por essa razao mas porque o texto, os dialogos, a entrega e a interpretacao- assim como a direcao, para ser sincera, estavam todas a atrair.


É raro sentir autenticidade em todos estes pontos.

Quando sintonizei, a cena passava-se na bancada de pedra de um campo de futebol abandonado (aqui foi onde senti um pouco a perda de credibilidade) e a conversa entre dois rapazes verosimelmente mostrava um bandido a tentar manter outro dentro da "cena" porque, por experiencia, sabe que nao ha chances para eles no mercado de trabalho e na vida "honesta".


Este filme, acabou por ser uma curta, de nome Ruptura e foi realizado dentro de um projecto escolar de final de licenciatura. (Quando a criatividade esta no auge).  Mas isso nao o faz menor. E uma curta bastante premiada.

A unica coisa que estranhei ligeiramente foram os cenarios. Embora muito bem enquadrados na historia e a servir bem a narrativa, fiquei com a impressao de que o apartamento daquele tipo de familia em dificuldades, de pai que aplica violencia domestica e em que todos estao no limite emocional e falta dinheiro para por comida na mesa era demasiado bom.

No final, chorei. Mesmo no finalzinho.
E por algo tao simples, mas tao silenciosamente bem feito.

Vejam a curta.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

A young man with a high potencial (filme para ver já!)

Vi um filme maravilhoso do qual nunca tinha ouvido falar. Data de 2018, muito recente. O filme tem uma história incrível, perturbadora em certos aspectos e impressionantemente realista. As interpretações estão fantásticas. O actor principal é tão bom que nem o vemos. Só lá está a autenticidade da personagem.


Traduzido para português o título do filme significa: "homem jovem com alto potencial"

E do que trata a história? Bom, ele é um geek que não sabe socializar, ė estudante e vive num dormitório. Uma jovem atraente pede-lhe para ser sua colega de trabalho num projecto e ele sente-se atraido por ela. Mas carece de experiência na corte. Quando a beija, ela diz-lhe que nunca pensou nele dessa forma. Ele sente bastante a rejeição e quando surge uma oportunidade para satisfazer a sua curiosidade e fantasias, decide aproveitar.

Mas a coisa não lhe corre bem. Vai correr ainda pior para ela.


Pelo meio surge uma senhora que trabalha na cantina que é sagaz e entende o que se passa, ainda assim participa, não se escandaliza nem procura saber a verdade.

O filme está tão bem feito que várias vezes levo as mãos para tapar a boca que abriu de espanto. O mesmo para os olhos. Por vezes até me levantei da poltrona.


Um filme capaz de despertar estas emoções vale mesmo a pena ver, não concordam?

Quando foi a ultima vez que um filme vos provocou isso? Lembram-se de que filme se tratou?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Puffy eyes


Já choraram muito este ano?

Não importa quantas vezes já vi um filme. Sempre me emociono. O responsável pelas primeiras lágrimas vertidas logo no dia 1 foi Ben-Hur (1959). De todos os atores principais, a única que ainda vive é a atriz que interpretou Esther. 


Aqui fica um interessante documentário sobre a origem da obra Ben-Hur e o seu percurso na história das artes. Legendado em italiano, pode sempre ativar a legendagem em português.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Rapsódia de Natal


Bom, Feliz Natal a todos.
Estava longe de imaginar que ia passar o Natal a ver o filme que a Dona Redonda tentou tantas vezes ver, sem sucesso. Sim, Bohemian Rapsody. Estava na Lista de Canais online que encontrei e carreguei por curiosidade. O filme começou a tocar. 

Vi até o fim, não posso dizer que em extase porque nem sequer aprecio muito filmes bibliográficos. Gostei da cena final - a do Live Aid concert, porque em tudo é igual ao original. E digo tudo, referindo-me a cada movimento de corpo, de camara e de cenário - até mesmo a variedade e quantidade de bebidas deixadas em copos em cima do piano durante o concerto.


Confesso, contudo, que o final, finalzinho, não entendi bem. A língua dificultou o entendimento ehehe.

Parte final do Filme (julgo que é legendagem em russo)


FELIZ NATAL A TODOS, com SAUDE, ALEGRIA e PAZ de ESPÍRITO

Ass: Portuguesinha

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Três retalhos cosidos a linha


 Vi um filme que achei optimo.
Clovehitch Killer. Muito bom. Manteve-me agarrada ao ecrã e cheia de apreensão e desconforto. Nada de muito mau se passa na primeira parte do filme. Mas só a possibilidade de se vir a passar transmite um desconforto tremendo. O guião e a direcção é em tudo diferente dos clichés habituais. Muito inesperado no momento em que é usual a coisa dar para o "torto" para a vítima que é uma personagem secundária.

Apenas faria dois reparos no que diz respeito à veracidade da fecho da história que nos é apresentada. Acho que desvaloriza um pouco o relato de uma testemunha com bons ouvidos e também a sagacidade da ciência forense. Teria preferido que tudo tivesse ficado mais claro, em prol do sofrimento das famílias das vítimas, que, como se sabe, passam o resto das suas vidas a aguardar o momento em que o culpado é descoberto e enviado para a prisão. Mas isso são detalhes numa história que prende de inicio ao fim. Quem já viu?

Momento de grande incógnita e receio na história


Retalho dois:

O Aliexpress é um site de compras que já deu o que tinha a dar. A China mostra-se tão gananciosa quanto os chineses que cá abriram lojas: ao invés de manterem os seus produtos de baixissima qualidade a preços também baixos, descobriram o valor do euro e toca a colocar preços iguais aos de loja física, que tem contas e renda a pagar. Por produtos que não são em grande número e sem qualidade, cobram praticamente o mesmo! Somando algumas "merdices" de baixo valor, gastei 50 libras. Além disso, após a compra, só terás a encomenda em tuas mãos entre 40 a 60 dias. Porra! Só por isso deviam ter tudo ao preço da chuva. E são muito aldrabões. Tal como o chines da loja onde fui durante a estada em Portugal. Comprei e paguei por metro e meio de tecido, recebi um metro e quarenta centímetros. É preciso ter muita cautela com a chinesada, pelo simples facto de culturalmente estarem acostumados a aldrabar, a vender gato por lebre e a esperar que todos sejam ladrões. Por isso perseguem os clientes dentro das suas lojas. Cultura muito diferente que demora a adaptar-se ao estilo europeu penínsular. 

Retalho três:

Para ver até ao fim. Está garantida uma gargalhada no final. :)

https://www.facebook.com/angels.aliaj.5/videos/264305004440551/

Nota: este vídeo só funciona visualizado no facebook. Abram e vejam, merece a pena para começar o dia ou ter aquele momento de pura descontração. Pelos vistos o blogger deixou de permitir a inclusão com visualização de vídeos das redes sociais. O costume...

 Boa terça-feira!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Um filme com 30 ANOS para rever...


... lições para (re)aprender. :D

E o filme sugerido para esta semana é "Os Acusados".


"Baseado em factos reais" - dizia a voz off sobre o filme que ia estrear na televisão portuguesa pela primeira vez. "Com imagens de violência e cenas que podem ferir a susceptibilidade do telespectador" - advertiu mais ou menos por estas palavras a "voz". 

Mantive o filme "Os acusados" gravado numa cassete VHS por muitos anos. Até que a necessidade de gravar outra coisa e a  alta probabilidade de voltar a ver o filme na TV fez-me decidir desgravá-lo. 

Noutro dia li algures numa notícia o nome deste filme ser mencionado como referência de aprendizagem sobre o tema que traz à baila: a violência sexual. Afinal nesta década de 2018 este filme de 1988 (tem 30 anos!!!) já não passa nos canais de televisão. E é lamentável. A mensagem parece estar PERDIDA e, por isso, precisa de ser reaprendida.


Quando o vi senti o impacto da violência mas muito mais o da INJUSTIÇA. De resto não me causou grandes revelações, pois intuitivamente concordava com o ponto de vista abordado pelo filme e o resultado do veredicto final, pelo que o "debate" de posições que o filme com muita inteligência traz ao de cima, não me manteve na incerteza, só na dúvida. No final, penso que todos respiram de alívio.

Para alguns espectadores, talvez tenha servido para "expandir a mente"- como vulgarmente se costuma dizer. Hoje em dia, qual será a reacção das pessoas? Evoluímos e nos afastámos daquele rápido julgamento? Da vontade de punir? E inocentar com a expressão "boys will be boys"?.

Para reavivar a memória ou para atiçar a curiosidade daqueles que, talvez sendo muito jovens, não conhecem este filme feito há 30 anos e que muito contribuiu para expor quebrar o "tabu" da violação, proporcionar um debate de ideias e ajudar vítimas a vir a público denunciar crimes de cariz sexual.


Vejam este clip. Ela dança, ela beija, ela até curte... mas ela diz Não. 
O que acontece a seguir... Muitas vozes disseram que mereceu. 

Quem acha que merece?


domingo, 14 de janeiro de 2018

Vai um filme para a tarde de Domingo?


O filme que vi hoje, ao final da noite:



chorei imenso!
É um filme que desconfio ir gostar sempre.
Admiro a criação de uma nova linguagem e a sua coerência. As interpretações e a mensagem.
Já não o via fazia muito tempo, procurei-o num site de filmes e estava lá.

Versão dobrado em portugues do brasil

Se o quiserem ver procurem uma versão com qualidade, 
pois sem isso torna-se penoso de assistir.

Exemplo de conversão da imagem para HD.

sábado, 30 de setembro de 2017

Rutger Hauer - Calado seria um poeta (1)


O ator que fez parte do elenco do filme Blade Runner comentou que a sequela, presentemente nos cinemas, é desnecessária.

CALADO SERIAS UM POETA!

A opinião dele é:

«O filme não precisa de continuação. Mesmo que tivesse saído alguns anos depois do primeiro. Se algo é tão bom quanto Blade Runner, porque tentar replicar? É como cavar a própria cova!»


Ai, ai Hauer...

Uma pessoa admira o trabalho de um ator e depois este sai-se com pérolas destas...
Como se o mundo do cinema não estivesse repleto de sequelas e prequelas. Como se hoje até não fossem os filmes originais já feitos visando esse propósito. 

Nem parece que o ator fez parte deste filme revolucionário, que estava à frente do seu tempo...

Porque não Blade Runner?
Se O Tubarão teve tantas sequelas... e por pior que fossem nenhuma retirou ao original a qualidade que tem, nem os fãs diminuíram ou deixaram de gostar tanto do filme. Então, pergunto eu, porque não uma sequela??
Será porque ele não participa nela? Sempre tive imensa curiosidade sobre o que acontece depois de Deckard (Harrison Ford) «fugir» com a amada «réplica», Rachel, por aquela estrada entre montanhas. Uma mulher cuja data de falecimento tanto podia ser para breve, quanto não. A escolha que ambos fizeram... o que aconteceu para além disso?


Não recordo que outro filme clássico podia ter tido mais razões para uma sequela ou para ser re-contado. Talvez seja o filme que mais curiosidade despertou ao chegar ao fim. Faz sentido que o explorem. Na realidade só não fez sentido terem esperado 35 anos para o fazer!!

Dizem os que já viram, que o novo filme é maravilhoso.
Uma obra prima.

Decerto que vale a pena dar uma espreitadela :) 

Quem o conhece?

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O pior filme de sempre


Mesmo para quem ama gatos, é fanático por gatos, respira gatos, vive para gatos e adora gatos. Já falei de gatos? Pois então aqui fica um filme sobre gatos. Adoráveis criaturas...


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Um bom Filme para verem (se gostam do género)


Nos últimos dias vi alguns filmes: A lenda de Tarzan (2016), Meet the Blacks (2016), O bebé de Bridget Jones (2016), Snowden (2016) e Passengers (2016). 

A ordem é proposital: começando pelo filme que menos gostei até ao preferido.

Vim falar de Passengers. Um filme de ficção científica, que se passa no espaço. Ora, como contar uma história deste género sem usar uma fórmula muito esgotada? É dificílimo!


Mas logo no ínício, gosto do filme porque ele faz uma boa exploração do dilema do «mocinho» em acabar com a sua solidão. Sabendo que isso implica condenar outra pessoa a ver o seu sonho destruído para sempre. O quanto ele fica ali a duelar-se com a ideia, já me agrada. Noutro filme qualquer, seria um segundo de momento para esse dilema e depois, num ímpeto, o mocinho ia fazer o que tinha a fazer e pronto: Passa para a cena do romance.


Até nisto o filme surpreende um bocado, porque permite que a corte seja feita normalmente. Na maioria dos filmes, já que a intenção do mocinho é conhecida, geralmente ele vai logo direto ao assunto. A fêmea sente-se um pouco chocada com o atrevimento, rejeita-o mas depois de muita insistência, lá cede. Aqui não se passa isso.


O que gostei no filme - sem querer entregar muito sobre a história, é que o mocinho é um verdadeiro príncipe encantado. 

Jennifer Lawrence e Chris Pratt

E como príncipe encantado que é, aceita quando a descoberta do seu gesto é recebida com raiva. Aceita levar porrada, inclusive. Porque entende... Entende as implicações do seu gesto.

Ele apaixonou-se. Por uma mulher antes mesmo de a ter consigo. E não resistiu.


O filme continuou a surpreender-me porque deu aquelas «pequenas coisas» que nos fazem prever o que vai acontecer mais à frente no enredo. Por exemplo: é mencionada a existência de uma parteira a bordo. Uma mulher de quem a protagonista diz «saber que ia ser amiga». Logo por estas duas frases deduzi que mais á frente.... Por acaso eles usaram preservativos quando transaram? Ah, pois!. Então seria de esperar que ia aparecer uma gravidez na história e uma parteira seria necessária. Aviso já que isto não acontece. Pelo menos... não no primeiro filme.

O final também surpreende. Porque seria de esperar que estes novos Adão e Eva populassem o seu mundo. Mas nada a esse respeito é mencionado. 


Não vou contar mais sobre o filme mas gostei. É um romance, e eu, que nem sou muito de gostar de os ver, adorei este, gostei dos argumentos que situaram estas duas pessoas naquele ambiente e tudo o que aconteceu. Lamentei muito o que aconteceu a Gus! (Laurence Fishburne). A sua presença no filme é curta mas forte. Suficientemente duradoura para não querermos que sofra o destino que sofreu. Ele sim, teve um final trágico! Mal acaba de... e já descobre que... Um grande homem.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Revi o filme "Filadélfia", no qual Tom Hanks desempenha o papel de um advogado demitido quando os seus superiores percebem que ele tem SIDA. Continuo a achar que o óscar devia ter ido para António Banderas, que entrega um desempenho intenso, credível, com timming, mesmo aparecendo pouco no seu papel coadjuvante e tendo poucas falas. Na altura Banderas "acabara" de chegar a Hollywood, era uma aposta sem créditos solidificados e aquele papel deve ter-lhe sabido a rebuçado. Ele ganhou notoriedade num filme espanhol de Pedro Almodóvar e ainda tentava conquistar o difícil mercado da terceira arte de Hollywood. A prova é que o seu nome aparece somente na 21ª posição dos créditos. É para que se perceba o quanto ele ainda estava longe de ser um astro. Esse estatuto pertencia a Tom Hanks e a Denzel Washinton.

Mas o filme continua praticamente perfeito. Continuo a adorar o seu final, com todos os amigos e família reunidos num convívio após o funeral. Entre tantos adultos com o aperto do luto no coração a tentar confraternizar alegremente, a vida renova-se e relembra a todos que tudo é um ciclo, através da presença de bebés de colo que simbolizam esperança e crianças, algumas mais crescidas a correr por toda a parte como que abstraídas do sofrimento e dor alheios e entregues às suas alegrias infantis. Todas as personagens têm ali uma história autêntica para relatar. E quando falo de todas, é mesmo todas: desde os médicos que primeiro tentam despistar a doença, à família de "Tom", ao bibliotecário que lhe pergunta se quer ir para uma sala privada de consulta, ao estudante que esbarra com "Denzel" na farmácia e o convida para um copo implicando uma atracção física. Enquanto a trama se desenvolve em torno da personagem principal aproveitam para colocar pessoas realmente afectadas pela doença pelo meio da história, como figurantes. E é ai que se percebe que por mais maquilhagem que Tom Hanks tenha levado e por mais que tenha emagrecido não conseguiu remover a sua condição física saudável do retrato do aspecto físico de alguém em estado de saúde terminal. Com a tecnologia de hoje isso seria perturbadoramente possível, devido aos efeitos CGI - que conseguem envelhecer, "matar" e rejuvenescer pessoas de um instante para o outro. Mas em 1993, quando o filme foi feito, tinham mesmo de recorrer à maquilhagem e a truques de iluminação. Acho que aqui o filme falha, porque vejo um Tom Hanks com uma tez saudável, bochechas roliças e ar energético - apesar do desempenho. Mas pronto, isso é lado técnico do filme. Para o final da história, no leito de morte, Tom consegue estar mais moreno que o latino Banderas! Pelo que isto para mim retira alguma autenticidade ao filme, mas não à história e às suas mensagens. E essa é que vale a pena recordar. Não é só a SIDA que está a ser retratada, mas em particular a SIDA enquanto num portador homossexual. Dois preconceitos reunidos num só, portanto.

Cena de beijo entre casal - feita percebendo-se o incómodo de Tom - parece-me.
Filmada de costas, de forma a não se perceber que o beijo não é dado na boca.
Cena inovadora para a época - ainda existiam tabus a recair
sobre o retrato da intimidade gay no cinema.
O filme ajudou para que a sociedade visse o casal homossexual como outro qualquer.
Banderas entra no filme com muita intensidade dramática
entregando uma prestação devota, apaixonada, dedicada e companheira.
Denota-se em ambas as personagens um passado de descriminação e obstáculos
ultrapassados, sem que existam referências orais, apenas olhares, gestos.
Acredito que hoje o filme valha pelo seu testemunho histórico que retrata uma mentalidade que já passou. E não é formidável que apenas em uma dúzia de anos, a sociedade no seu geral tenha alterado a sua postura em relação a estes dois temas? Agora é gay para cá, gay para lá, bicha tu isto, bicha tu aquilo... na boa e como se privar com alguém gay fosse até uma moda. Ainda que para alguns acredito que ainda possa fazer alguma confusão, a sociedade na sua maioria já não sente assim e tudo é mais às claras, assumido abertamente sem receios, como aliás deve ser.

Lembro bem do que eram os anos 90 e das coisas que não existiam na altura. A começar pelas principais - às quais estou a recorrer agora: o computador e a internet. Portanto, o acesso à informação não era rápido e simples como nos dias de hoje. A informação vinham dos jornais. Que por vezes contavam histórias reais bem injustas e por isso assustadoras sobre contágio e transmissão de SIDA. Era um assunto falado por muitos mas ainda pouco esclarecido. Será que a SIDA podia ser transmitida num cumprimento de mãos, caso estas tivessem uma ferida? O próprio suor - como líquido corporal podia ser o transmissor? Os "gafanhotos" largados por alguém contaminado enquanto fala frente ao rosto de outra pessoa, por serem saliva, iam contaminar? O beijo entre apaixonados podia ser fatal? Ir ao dentista constituía um grande risco caso um paciente anterior fosse portador da doença e o médico não esterilizasse bem os instrumentos e a própria indumentária? 

Uma aurea de receios de uma forma discreta pautava o comportamento de algumas pessoas. No filme vemos isso, quando Denzel Washinton depois de cumprimentar com um aperto de mão "Tom Hanks", este lhe diz que tem SIDA e ele não sabe o que fazer com a mão. E fica obcecado a olhar para a mancha na sua testa e para todos os gestos de "Tom", com receio de contaminação. De seguida vai consultar o médico para ter certezas de que não pode transportar a doença para casa, para a sua bebé. 

Não condeno as pessoas que, assustadas, possam ter atitudes como as de Washington. Afinal, a informação era contraditória, assustadora e escassa. Diziam que não existiam razões para preocupações bastando ter precauções básicas - sendo que as principais era não ter sexo sem a protecção de um preservativo e ter atenção aos comportamentos sexualmente promíscuos. Comportamentos sexuais de risco - como lhes chamavam. Quanto aos que não temiam apanhar a doença através do sexo mas por outras formas, aí é que tudo se tornava mais difuso. Mães temiam pelos seus filhos "não bebas água pelo copo de ninguém" - diziam. Antes disso uma ocasional partilha de um refrigerante, de um talher, não era problema mas agora esse tipo de comportamentos apresentavam um risco, que ninguém queria correr. Temia-se os espirros como sei lá! Alguém com aspecto doente e tosse incessante não era alguém de quem se queria estar ao lado numa sala de espera num hospital. E é compreensível, ainda hoje o mesmo deve acontecer. E "caçavam-se" outros potenciais hábitos susceptíveis de serem prejudiciais, como a falta de rigor de higienizarão aquando as idas a consultórios médicos. Passou-se a dar mais importância à higiene para se garantir que não haviam sérios riscos de contaminação.


Não me vou alongar e se calhar nem vou falar do que ia para falar, mas a respeito deste filme é assim que agora o vejo. É como se o filme tivesse "congelado" uma determinada época. Não só pelo tema central - sida e homossexualidade, mas pelas mentalidades sociais que ali estão retratadas. As anteriores aos anos 90, as das diferentes gerações, géneros e orientações e as mudanças nos anos 90. Mas acima de tudo DESCRIMINAÇÃO é descriminação. E o filme mostra um pouco disso. Não se foca unicamente na orientação sexual, na doença contagiosa, no género, no estatuto, na cor de pele. Tanto negro, branco, velho, novo, homossexual ou heterossexual podem ter uma mentalidade mais limitada e o desconhecerem. A personagem de Denzel Washinton revela isso mesmo. No decorrer da trama Denzel tem a possibilidade de conviver de perto com um mundo que lhe era afastado mas que julgava conhecer sem conhecer. E aprende a sentir as coisas ao invés de as tomar pelo que lhe foi dito e ensinado. 



sábado, 24 de maio de 2008

My Bridget Jones Moment

Sim, sou mulher, solteira e na casa dos 30. E nunca, nunca sonhei ou desejei casar. Ok? Agora vamos à cena do filme que me fez subitamente perceber que já era uma Bridget Jones involuntária.

Trata-se da pavorosa cena do jantar à mesa. Bridget, a única solteira, acaba bombardeada com perguntas e observações verdadeiramente arrogantes por parte dos restantes presentes. E não é que os casais se comportam mesmo assim? O que se passa com as pessoas, com a sua identidade como indivíduos, que precisam de se agrupar, juntar-se a uma matilha e destilar veneno?

Sem dúvida, existe arrogância na identidade do ser “casal”. Casais só gostam de conviver com outros casais, descartando-se dos amigos solteiros. Mesmo que estes os tenham apoiado muito na vida, mesmo que tenham lá estado nos momentos mais difíceis. Se o indivíduo passa a pertencer à identidade “casal”, cresce-lhe uma arrogância, uma convicção de superioridade, que para cúmulo, o faz olhar de cima para baixo para o amigo solteiro.

Amigos solteiros são bons e lembrados, quando deles precisam. Quando uma babysitter faz falta e mais ninguém tem a vida tão “despreocupada”. O amigo solteiro serve para fazer pequenos favores chatos, que seriam um estorvo na vida de casal. Mas já não é convidado para as festas, passeios ou reuniões de convívio.

E depois, numa mesa de jantar, saem-se com atitudes de superioridade.

Isto leva-me a abordar o tópico do amor. Dizem uns que o amor é ter alguém a quem amar. Para mim este mistério está há muito solucionado. Querer viver um amor não é nada mais que um desejo de raiz egoísta. Não se quer dar. Quer-se receber.

Então, este sentimento que tanto glorificamos, nas relações um-mais-um, não passa de uma atitude egoísta. Amar, na verdadeira essência, é gostar de todas as pessoas com que nos cruzamos na vida. Respeitá-las a todas, gostar de conhecer novas. Amar é, acima de tudo, não querer que isso seja exclusivo.

Depois vêm aquelas pessoas que não são nada quando não são um casal. As “cabras” e “cabrões”, desculpem o termo. Homens e mulheres amargos, azedos, ríspidos no trato, e tudo porque não estão de momento a viver a sua identidade como casal. É egoísmo. Estas pessoas tendem a “amaciar” o comportamento apenas quando o estatuto muda de “livre” para “ocupado”. E ás tantas, tal é a ânsia de nunca ficar “livre”, que qualquer coisa serve. A necessidade de validação, de satisfação egoísta do querer alguém que o valide a si em deferimento aos outros, faz estas pessoas andarem pela vida a “picar o bilhete”. Acaba que nem chegam a conhecer um sentimento verdadeiro para viver a união.

E quem diz que a vida em casal é tão bonita quanto gostam de pintar? A maioria vive de aparências. Mesmo os que avançam nessa direcção o sabem. Mas, por algum motivo, por entre todo este processo, existe uma transformação. Os indivíduos sentem que subiram de “escalão”, são mais “crescidinhos”, têm mais valor ou algo assim. Ou então guardam as frustrações pessoais resultantes da relação monógama e quando vêm um solteiro pensam: Há! Aqui está um que não faz parte da matilha! Vou-te morder!

Inveja?

E eu nem sequer sou de ir ver ao cinema filmes como o de Bridget Jones. Foram precisos anos de repetição na televisão para, então já na casa dos trinta, perceber que já tinha experimentado o meu momento Bridget Jones. E mais virão…


Que se lixem os casais!