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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Não vos queria assustar, MAS...


As lojas já estão assim desde a SEMANA PASSADA.






Eu vos digo: Gosto do Natal.
Mas ao ver isto até me deu a volta ao estômago tal foi a repulsa.

Esta ânsia comercial para lucrar em cima da quadra repulsou-me.  Fez-me até desejar que o Natal não viesse. 

Na família sou a única que realmente gosta que exista esta ocasião para estarmos todos juntos. Não que outros não gostem, mas ninguém quer dar-se ao trabalho. Tivesse eu casa própria e esta seria outra rotina que já tinha mudado. O Natal é agora um simples ritual pelo qual temos de passar. E alguns parecem estar a sofrer, não estarem ali muito à vontade ou com gosto. Entristece. Queria recuperar de volta a alegria de se estar junto, o bem estar, o sentido de pertença por laços de sangue. 

Os natais são feitos na casa de meus pais. Não há um ano em que a minha mãe não se queixe e não me diga que não quer fazer o Natal. Diz que está cansada, que é muita gente, todos a falar por cima uns dos outros, muita confusão, barulho e muita despesa. Que cai quase toda sobre sua responsabilidade e que os restantes não valorizam o trabalho que dá e o dinheiro que se gasta. 

É uma ladaínha que ela me reza na cabeça faz mais de uma década. E eu sempre a tentar demovê-la do aspecto negativo - para o qual ela tem uma inclinação natural, para a fazer entender o conceito e importância da quadra. "Não importa se eles apreciam ou não. O que importa é que tu faças o esforço para reunir todos. Isso é que é o Natal. Ou nunca mais os verás". - digo-lhe.

Sinto que praticamente sou eu que mantém o Natal por um fiozinho... 
Porque eles fazem a festa, mas já não sentem tanto gosto.
E eu sentiria e saberia como recuperar a alegria e o convívio, caso tivesse casa própria e pudesse mover o convívio da dos meus pais, para a minha. Saberia porque ia meter todos a trabalhar para o mesmo - que era o que acontecia na casa dos meus avós. Todos tinham de trazer alguma coisa para a mesa e todos tinham de aparecer no almoço. Sentar e partilhar a refeição juntos. E no final, brincar, jogar jogos, conviver.

Foi a eliminação destes hábitos que transformou o Natal no que está hoje. Assim que todos chegam começa-se a abrir os presentes - o que leva umas duas horas. E assim que terminam de os abrir, todos pegam nos sacos com embrulhos e saem porta fora.

Não gosto disso.
O Natal não deve ser um ritual de presentes para desembrulhar para terminar assim que o último é aberto. talvez até impusesse uma regra sobre o presentear, como por exemplo, TODOS terem de o fazer, nem que fosse para dar algo desenhado numa folha de papel. Ou todos terem de presentear em valores até 10 euros, ou menos, ou por cores, ou por utilidade... Puxar pela criatividade de cada qual, fazê-los pensar no acto cortando o desinteresse rotineiro que parece ter-se instalado e que leva as pessoas a ir comprar qualquer coisa sem saberem bem o quê. E tudo o que é preciso é CONHECER a pessoa para saber o que lhe oferecer. Não devia ser tão difícil presentear um familiar próximo como é presentear um colega de escritório. 

domingo, 4 de agosto de 2019

Arco Iris


Ontem à semelhança do que vou acabar por fazer dentro de instantes, decidi sair, ao invés de ficar em casa. Tenho de tentar me distrair. Devo-o a mim mesma. E a dívida é gigante.

Ao invés de ficar aqui preocupada, fui arejar. Decidi ir até uma cidade costeira, a umas duas horas de viagem. Gosto daquela cidade, as pessoas são como em Lisboa. Tudo é descontraído, simpático e tem... mar. Um mar muito lago, sem ondas, sem areia, mas água, como os meus olhos apreciam ver. 

Acabei por escolher um dia fantástico, não pelo sol, mas pelo evento que estava a decorrer: uma parada de Orgulho Gay. Embora critique a existência das mesmas e seja da opinião que são o que são devido a interesses comerciais (tal como o Natal), a verdade é que são entretenimento. As pessoas todas a "rigor", com glitter, arco-iris pintado por toda a parte, bandeirinhas, lenços na cabeça, fatos... acho que não vi uma única peça de indumentária já inventada que não viesse nas cores do arco-iris. A sério: até ténis, com a sola assim pintada - de origem! Olhem que pintar o tecido, ainda vá lá, mas a sola de borracha? Meias brancas com as listas do arco-iris, cuecas, etc...

Aquilo é mais um desfile carnavalesco, onde os muito ousados tentam dar nas vistas e chamar as atenções das câmaras fotográficas. Mas são todos bem humorados, divertidos, fantástica música e respeito. Gostei. 

As lojas tiram proveito e acolhem as cores do arco-iris para os seus logos e montras. Há um facto que me entristece: é que o arco-iris, até há pouco tempo era algo inoculo em simbolismo. Agora se uma pequena criança desenhar um arco-iris, está a desenhar o símbolo gay. Lá se vai a inocência...
Adiante...

Foi divertido e apeteceu-me ficar por lá, quem sabe até me mudar! Aquela é uma cidade, com pessoas normais. Esta aqui, mal cheguei, já alguém na rua estava a gritar à porta: "You cun! You fucking cunt!".
Só classe...

Mas empregos... não os há em lado algum. E para pessoas sem uma especialidade concreta, como é o meu caso... Estou mesmo desesperada com esta situação. Percebo que o "arco-iris" está a desfalecer... a ficar negro. Não tenho a idade da maioria dos que me rodeiam. Já não ando na casa dos 20! Tenho o DOBRO. Contudo, a vida não evoluiu. Estou pior do que quando estava quando me iniciei na empregabilidade. E se tiver de me preocupar com a minha situação em casa, então são dias de catástrofe em alto mar em plena noite sem lua. 

Rezo a santos, a santas, a Deus, a Jesus, à lua, ao sol, à borboleta, à gaivota que me "adoptou" no percurso para o emprego... estou numa prece constante. Agora peço é o euromilhões, primeiro prémio, que é para ver se com muito dinheiro realmente se soluciona alguma coisa. Nomeadamente, a questão da habitação própria, que para mim, sempre foi necessária como oxigénio para respirar.


Depois tento colocar aqui algumas imagens do desfile gay. Tolerância e aceitação... Há tanta. tanta para as chamadas "minorias" (que me pareceram maiorias. Mais de 30000 pessoas - dizem os jornais) e cada vez menos tolerância, aceitação e respeito para com o semelhante.

Terei de virar gay? Já estive mais longe! 

Mas se fosse gay talvez não reparasse num homem que vinha de bicicleta na minha direção e que o achei o mais giro entre aquela multidão de milhares... Não me pareceu gay, o que também era uma agulha no palheiro. Giro o homem, Sorriso aberto, franco, traços honestos e um ar seguro de si. 

Se calhar ainda não estou pronta para ser gay... Vi muitas mamas e afectos lésbicos mas não virei ainda...

Embora seja possível. 

Ahah.


quarta-feira, 26 de junho de 2019

Como somos enganados pelo comércio


Apeteceu-me comprar algo com chocolate. Não chocolate em si, porque quando vou ao supermercado não encontro variedade nem em qualidade nem em marcas e já enjoei de todos. 

Encontrei uma embalagem com cinco bolos com cobertura de morango e decidi experimentar. Cadbury pode ter fama mas está longe de ser uma marca favorita. Lembro-me de ficar sempre decepcionada com cada nova degustação. Mas achei que podia ter garantia de alguma superior qualidade e segurança. 

Primeira decepção:


A primeira percepção que temos de um produto surge com os olhos. Vi a embalagem, li que tinha cinco unidades e julguei o conteúdo pelo volume.



Podiam fazer as barras mais grossas para preencher realmente a embalagem e não enganar o consumidor, não?

Isto levou-me a querer perceber a quantidade em gramas por embalagem.



Nem por fora, nem nas embalagens individuais está a informação da quantidade. 


Eles colocam a informação sobre as calorias - porque a isso são obrigados por lei, mas sem estar impresso a quantidade de gramas em cada barra ou na embalagem de cinco unidades, querem que o consumidor vá pesar cada qual na balança e faça contas aritméticas. 



O prazo de validade é outra piada. No exterior da embalagem não está NADA. Diz para ver nas embalagens individuais. Vou espreitar e nada encontro. Há uns números mal impressos na dobra, mas são cinzentos sobre branco e não têm leitura. 

E é assim que somos enganados!!
Há muita falta de transparência. A lei "aperta" para que esta seja facultada, mas só nos serviu - nós consumidores, para levarmos com uma catrafada de termos técnicos sobre ingredientes, e ficamos na mesma, pois sem conhecimentos químicos a maioria desconhece o que está a comer. 

Ora dizem que faz bem à saúde e vão todos comprar, para bem a seguir dizerem que esse mesmo ingrediente afinal faz mal à saúde e deve ser evitado. Deve-se antes consumir outro. O pessoal corre a consumir esse outro e a história repete-se.

Para terminar: e o sabor? Perguntam vocês e bem!

Uma... m..d@.
O "bolo" de chocolate sem sabor de todo. O gosto estava todo na cobertura, mas nem sei ao quê esta sabia. Só que era vermelha. No total, comem-se todos seguidos em busca da promessa de prazer gustativo. E em vão. Sempre em vão...

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Faz alguns dias que estou para vos contar...


...Que, por aqui, as lojas JÁ exibem artigos de Natal nas suas prateleiras.



E como estão as coisas aí em Portugal?
A loucura do consumismo já atingiu as superfícies comerciais?


Ainda não inventaram outra celebração entre o final do verão, início da escola e o Natal!

Os comerciantes sentem-se desesperados, vão ao fundo dos armazéns buscar restos de artigos deixados pela anterior época natalícia. A preços mais inflaccionados. Porém, aqui no UK o comércio tem mais sorte: entre o início do ano escolar e o Natal, têm que celebrar o Halloween. Nas prateleiras, entre pais natais, saquinhos, embrulhos e coisas foleiras, aparecem máscaras de terror, gazes ensaguentadas e outras "maravilhas" imprescindíveis neste mundo tão ávido pelo consumo de plásticas trivialidades.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

♫ Jingle Bells...


Em Portugal também já está assim??


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sinto-me num filme de catástrofe


Não gosto quando as minhas folgas coincidem com feriados. Todo o comércio está fechado, os transportes tornam-se mais raros e não tenho família por perto para me juntar com ela nas comemorações. Portanto esta Páscoa foi para mim um aborrecimento.

Além de tudo estive mais para doente do que para saudável. Este clima não ajuda... Hoje esteve quase de chuva. O meu corpo sentindo-se moído, estranho. Noites mal dormidas, tosse, dificuldade em engolir e até mesmo mastigar. Um desconforto e uma fraqueza que tentei dominar dizendo a mim mesma que estava bem.

Mas despertei nesta segunda-feira de FERIADO após a páscoa (tudo fechado, gente. Tudo!!) sentindo o corpo a pedir descanso. Então fiz-lhe a vontade. Fiquei na cama a dormir, a tentar dormir, a tentar não tossir.


Chega! - percebi. Tenho de combater a doença antes que ela tome conta. Tomei o meu comprimido milagroso - o que desobstrui as vias respiratórias. Tomei o comprimido que a médica disse para parar de tomar - o da tiroide. Tomei banho e espalhei Vick Vaporub nas costas (onde pude alcançar) e no peito. 

Depois, na ilusão de que alguma coisa poderia estar aberta, saí no intuito de passar pelos correios. Vi na internet que era suposto estarem abertos. Mas qual quê! Aviso na porta: "fechados na segunda feira depois da páscoa". Ainda estive para atravessar a rua mas espreitei longamente as lojas. Toda a fileira delas, sem clientes, sem atividade. Olhei então para a minha direita, para o grande supermercado com vidraças grandes. Ninguém a subir ou a descer as escadas rolantes. Luzes apagadas. Nenhum movimento. Decidi não arriscar deslocar-me a pé até o supermercado mais longe - o tal que promete estar aberto 24 horas por dia. Simplesmente soube que seria infrutífero.

Na dispensa, frigorífico e congelador não tenho quase nenhuma comida. Estava a aguardar a minha folga para fazer essas compras. A páscoa quase me fez jejuar. O que não é aconselhável estando com a saúde comprometida. 

Mal saí de casa, comecei a fazer o caminho de volta. Ao entrar senti-me cansada. Como tenho sentido nestes dias. Percebi que o passeio que pretendo dar amanhã se passar bem a noite já estava comprometido, se me sentia assim com menos de 10 minutos de caminhada. Optei então para tomar mais um remédio que me foi receitado: ferro em xarope. 

Espero que não me venham com «feriados» amanhã, terça-feira, após a segunda-feira do Domingo de Páscoa!! Espero que o mundo tenha regressado ao normal amanhã.

Sabem aqueles filmes em que o mundo simplesmente congela e só fica uma pessoa a viver normalmente? Como um em que havia um relógio que se partia e aí tudo parava, estagnava. E só uma pessoa parecia ser a sobrevivente desse cenário apocaliptico. Pois eu quase me senti assim por estes dias. Principalmente por uns momentos em que espreitei a rua pela janela da casa-de-banho. Não escutava nenhum ruído e o mais estranho é que não existia aragem. Nada mexia. Nenhuma vegetação, nenhum ramo de árvore. Uma zona que costuma ser ventosa subitamente parou de exibir sinais de movimento. Foi aí que me senti no tal filme. 

Ontem tudo estava mergulhado no silêncio. Nem os vizinhos barulhentos cá estavam. Saí à rua e nos primeiros metros tudo estava igual. Não fosse o canto de um pássaro e diria que todos tinham abandonado esta cidade como se uma bomba nuclear tivesse devastado tudo e só eu, na minha «cave», tivesse sido poupada à disseminação. 

Enfim... filmes
Ontem pude perceber que existiam lojas abertas. A mercearia indiana, as duas lojas polacas, as outras duas de eletronica e quinquilharia diversa, pertencentes a paquistaneses. Benditos emigrantes que vêm para este país para trabalhar. Sem eles cidades inteiras viravam desertos. Até um café - o tal que tem pastéis de nata e outras iguarias portuguesas - estava aberto. Não preciso de ir muito longe para adivinhar que o café não é propriedade de nenhum britânico.

Mas de resto, tudo é devastação... de silêncio e de movimento. O centro comercial, fechado. Onde já alguém em portugal viu um Vasco da Gama, um Colombo ou um outro qualquer FECHADO em dias de feriado? 

Espero amanhã poder recuperar o ânimo no tal passeio. Porque a semana que se avizinha tem TUDO para ser uma das mais difíceis e complicadas em termos de trabalho. Vou ficar CINCO dias a trabalhar sobre as ordens de um indivíduo incompetente, mal educado, complicado, stressado, rude, malicioso e prepotente. Ainda por cima, nunca se cala. A voz dele está sempre a soar, alta, estridente, alterada, por todos os cantos. Até pensei em alegar doença e não aparecer! Mas prezo a minha saúde e «reservo» as doenças para os dias de folga Kkkk ;)

domingo, 16 de abril de 2017

Bank Holiday


Estou aborrecida. Hoje é o meu dia de folga e tudo à minha volta está fechado por causa das "Bank Holidays". Como é Domingo de Páscoa, tudo fecha. Não só hoje como durante todo o fim-de-semana.

Ora, sabemos nós que desde o tempo daquele rei inglês polígamo que gostava de mandar cortar a cabeça das suas mulheres, o UK não é grande seguidor da religião católica e seus feriados... Mas para fugir com o rabo à seringa do trabalho, a religião serve.

Maldito UK e a sua preguiça para o trabalho...

Aqui tudo fecha às 18h.
Aberto depois dessa hora, só mesmo os pubs.
Não se encontra mais nada: nem um café, um centro comercial... porra nenhuma.

Aos fins-de-semana é uma catástrofe: todas as lojas fecham às 4 da tarde.
E às sextas? O centro comercial/shopping fecha às 5 da tarde.

É em tudo o oposto de Portugal. Porque nós, sabendo que é um feriado e que as pessoas têm o dia livre e gostam de aproveitá-lo para ir a um café, um cinema etc - nós abrimos o nosso comércio. Pagamos o dobro do salário a quem trabalha nesses dias. 

Se estivesse em portugal poderia ir ao supermercado fazer as compras que estava a planear fazer. Mas aqui... até o estabelecimento que anuncia estar aberto durante 24h por dia todos os dias da semana, fecha cedo. 


ALGUÉM QUE ME EXPLIQUE ESTE CARTAZ, SFF
Até hoje é uma leitura muito complexa, 
tal e qual uma fórmula de química!

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A loja reabriu...


A Poundworld é uma loja cá do UK que vende todos os artigos por uma libra. São o que foram as extintas lojas dos 300, antes de aparecerem as dos chineses a vender «mais barato». Infelizmente por cá a Poundworld também anda a puxar um pouco a brasa à sardinha. E apresenta cada vez mais artigos com um custo superior por uma qualidade que não o justifica.  

No dia 1 passei por uma destas lojas e encontrei este curioso aviso:

Lamentamos, esta loja vai fechar para melhoramentos - sabado, dia 1 de Abril às 19h.
E abre Quinta dia 6 de Abril às 10 da manhã
.
Achei muito curioso o aviso porque na primeira leitura o que percebi é que a loja está fechada no sábado. Vi que não estavam em obras, nem sequer mudaram estantes de lugar. Era só uma mudança de material de um lado para o outro. Pensei eu que ia abrir logo no dia seguinte... Mas para meu espanto precisaram - nesta loja pequena, de 5 dias para tal coisa!!

Na véspera de abertura, no dia 5 de Abril pelas 17h da tarde, passei pela dita para tirar esta fotografia:


Como se vê, está o material todo atolhado. Bolas, arcos, produtos de higiene... Um caus. Nem parece que a «grande abertura» é na manhã seguinte. Agora imaginem o que não deve ser o ARMAZÉM desta loja. Devem ter atirado todo este material para a parte que ninguém vê. 

Fiz questão de passar por lá ontem, após sair do trabalho, para ver o que ficou. Assim que entrei pelas portas tive vontade de chamar o gerente e perguntar que idiota é que tinha tomado a decisão de dispor dos artigos daquela maneira. ANTES, ao entrar, existiam artigos de jardim, brinquedos e utilidades diversas. Agora decidiram meter BEBIDAS e CHOCOLATES à entrada da porta!! O que está mal? Bom, é que durante todo o dia aquela zona é banhada pelo SOL!!!


Percebi que nunca mais ia comprar chocolates nesta loja. Não estou para consumir alimentos adocicados que ficam todos os dias 12 horas ao sol! E as estantes laterais? De todas as que podiam ter escolhido, vejam só o que decidiram meter na mais exposta à luz do sol: 


Ainda assim passeei-me pelo familiar espaço com a esperança de constatar que tinham existido melhorias. Mas sinceramente, pela primeira vez abandonei a loja com a sensação de que ali não ia encontrar nada que me agradasse. Costumava ser a minha predileta - mesmo existindo outra com o triplo do tamanho, era nesta que achava coisas mais «mimosas». Agora posso dizer que nem isso. Quando cheguei comprei dois travesseirinhos muito mimosos, cada um a 1 libras. E a loja ainda os tinha à venda antes de fechar para «melhorias». Agora esses mesmos travesseirinhos, apenas ligeiramente maiores, estão à venda pelo preço de QUATRO libras. Para quê quero eu dar tanto dinheiro por algo que mal se nota a diferença na dimensão, se antes tinha praticamente o mesmo quatro vezes mais barato??

E depois meteram muitos artigos a duas libras e outros tantos que variam entre as cinco e os quarenta. Acho que começam a esquecer-se que o que atrai o público são as promoções e a ideia de que ali vai encontrar tudo a uma libra. Os artigos de eletrónica, brinquedos e jardim aos quais achava piada e custavam 1£, desapareceram todos. Para mim a loja ficou sem atrativos. É lamentável.

domingo, 2 de outubro de 2016

Um susto para não esquecer


Ainda não relatei aqui um susto que tive há uns dias, por isso vou aproveitar o Domingo para fazê-lo.


Estava numa grande loja comercial, daquelas cheias de artigos variados,  levo um saco na mão com uma compra acabada de fazer, um artigo muito pesado e tenho uma pequena mala a tira-colo. O telemóvel, que por vezes uso para registar preços, dimensões, referências, etc, tinha-o na mão. Precisei manusear um aparelho e lembro de tomar a decisão consciente de pousar o telemóvel. Lembro-me de pensar: pouso aqui na prateleira, coloco na mala ou coloco no bolso das calças?

Os inconvenientes eram: 

Na prateleira podia esquecê-lo lá.
Na mala, sempre que o arrumo, logo a seguir tenho de o tirar.
No bolso fica de fora, porque os bolsos das calças não foram feitos a pensar neste tipo de utensílio. Não em smartphones, pelo menos. 

Acabei por encontrar um sítio para o colocar e não pensei mais nisso. 
Vai que surge uma empregada da loja, disposta a "ajudar em alguma coisa". Para não a dispensar de forma curta e grossa, o que é algo rude, agradeço e aproveito para lhe perguntar se um acessório descartável depois de usado era fácil de encontrar à venda. Disse que sim, mas que de momento não tinham ali, mas que existiam outros. Eu agradeço, dou um passo em frente para ir embora, mas a rapariga continua a falar dos produtos da casa... E eu, não querendo ser rude, sorrio, presto atenção. Percebo que é nova ali e quer causar boa impressão. A minha vontade é ir embora, seguir rumo. Mas escuto-a a falar, a dar a opinião... Quando finalmente me despeço dela e avanço para outro lado, lembro-me do telemóvel. De imediato, levo as mãos aos bolsos: NADA. Nem no de trás, onde penso que, por uma questão de segurança jamais o colocaria fora de casa, nem nos da frente, onde o vinha a colocar durante o dia. 



Procuro então no saco. Esquerda, direita, frente, trás... NADA. 
Não pode ser. Terá ficado na prateleira?? Três passos atrás, mexe e remexe nas embalagens... nada. Na mala? Abro todos os fechos, com os dedos empurro todo o conteúdo, procuro por toda a parte. Nada. Volto ao saco... que é em papel num formato rectangular, sempre com o pacote pesado no interior e NADA. Não pode ser... volto aos bolsos. Nada. Volto ao saco. Enfio a mão por entre as aberturas, frente, trás, esquerda, direita... nada. Tiro de cima do pacote uma pequena peça de roupa que havia ali depositado, sacudo, NADA. Depois de repetir estes processos uma série de vezes, tento recordar-me onde, afinal, decidi colocar o telemóvel... E não consegui lembrar-me. Achava que tinha sido dentro do saco. Oculto pela peça de roupa, para que não fosse detectado a olho nu e alguém pudesse lá colocar a mão e o tirar por esticão, num momento de distracção. Mas definitivamente não estava no saco. Teria me distraído com o saco ao escutar a funcionária? Sinto-me devastada. Ainda na véspera tinha pensado: "E se um dia o esquecer em algum lado, mo roubarem e for parar a mãos estranhas? O que vou fazer?". E agora estava ali, a viver o receio de véspera. 




Não consegui mesmo recordar-me com certeza absoluta onde o tinha enfiado. Mas reduzi as hipóteses ao saco, ao bolso e, em último, à prateleira. Na mala tinha a certeza que não o tinha recolocado. "Chateia-me" ter de andar sempre a abrir e fechar a mala apertada de coisas, para tirar o telemóvel, com todo o cuidado para atrás não virem outras tantas e tudo se espalhar pelo chão. É uma mala pequeníssima, cabe pouca coisa e geralmente levo sempre uma garrafa de água e um saco em plástico. O que quase faz com que fique cheia. 

Tentei sossegar-me para me lembrar mas ao mesmo tempo o tempo urge. O que sabia é que não o tinha comigo. Só podia deduzir que, afinal, deixei-o na prateleira. O que me lembrei? De ir ter com a mesma funcionária, contar-lhe que não conseguia localizar o telemóvel e pedi-lhe para que me ligasse. Ela hesitou um pouco, acordou e disse que não tinha telemóvel com ela, teria de ir a um posto ali perto. Acompanhei-a. Queria ESCUTAR o som do meu telemóvel a tocar. E se alguém de facto o levou, teria ainda tempo de o detectar. Então estava com urgência, porque, a acontecer um provável furto por oportunidade, tinha acontecido entre cinco a um minutos. TEMPO precioso estava a passar... 

Ela pareceu lerda, nesse tempo. Pediu o rádio de comunicação a uma colega, entre quatro ou cinco que ali se encontravam. A colega respondeu que o dito não tinha pilhas e não estava a funcionar. Eu alarmada... a querer tão simplesmente que alguém ligasse para o meu número. Era urgente. Ela decide tentar o telefone fixo. Mas não sabe qual o código de acesso para chamadas exteriores. Tem de perguntar. Quando sabe, marca-o mas engana-se. Não tem prática a usar o aparelho, aparenta ser nova ali. E eu a achar que tudo estava a levar tempo demais... Finalmente, lá consegue o sinal de marcação. Pede-me o número que eu, sabendo-o de cor, lhe dou. Ela marca-o nos botões mas afinal, aquele telefone também não permite fazer chamadas. Pergunta a outra funcionária se há outra forma de ligar, e esta responde que não. Ninguém está muito preocupado com o meu desespero... Levam o seu tempo, como se não existisse urgência alguma. Nenhuma ofereceu-se para fazer uma chamada com o telemóvel. 

Diante desta quantidade de tentativas frustradas de se fazer uma simples chamada, já passara pelo menos outro minuto. E tudo o que eu precisava era que ligassem para tentar localizar o telemóvel... Que, a pesar de tudo, ainda o julgava possível de encontrar na prateleira. Decidi, então, voltar à prateleira, até porque se tocasse, o escutaria... E disse-o à empregada, que ficou de ir sei-lá-onde tentar chamar a superiora. Da prateleira fui até à porta da loja, procurar um segurança e verificar se alguém saía. Pelo caminho olhei freneticamente para as mãos das pessoas, procurei de forma geral algum comportamento suspeito, vi um segurança mas antes que o alcançasse este simplesmente desapareceu. Fiquei mais zonza... Já era demais. Tanta coisa a empatar e tudo o que pretendia era que alguém me ligasse para o telemóvel. Se alguém saísse da loja com ele na mão, já de nada adiantaria uma chamada... Não se iria escutar. 


Decidi então ir até às caixas registadoras... metade abertas, metade fechadas. Pousei o saco em cima do balcão, senti o peso dos três quilos do pacote a pousar no mesmo e percebi o som que fez. Esperei que uma funcionária ficasse mais ou menos disponível. Aí noto uma porta oculta abrir, vejo um escritório de pessoal e sigo a pessoa que sai de lá. Quando me cruzo com ela, também a funcionária com quem falei nos encontra. Já tinha comunicado a esta supervisora o sucedido. E lá vinham eles... fazer-me mais perguntas. Mas telefonar para o meu telemóvel é que NADA.

Mais um minuto se passa... A supervisora pergunta-me o que aconteceu, eu explico novamente que não sei, é possível que tenha-o deixado na prateleira ou colocado no bolso, ou alguém o pode ter tirado... Pergunta-me se já verifiquei o saco e a mala, digo que sim, várias vezes. Ela responde-me que vai perguntar se viram alguma coisa ou se alguém entregou um telemóvel. E afasta-se calmamente. Não o poderia já o ter feito? Mas devem achar que há tempo...  Chamada telefónica? NADA. 

Por esta altura já não tenho esperanças. Passou-se muito tempo. Se o receio de o ter perdido por acção de terceiros tinha viabilidade, já não o ia achar. E só pensava no que tinha guardado no telemóvel... privacidade nas mãos de estranhos sem grandes princípios. 

Parada é que não ia ficar. Tinha de tentar alguma coisa, encontrar um segurança, voltar à zona e ver melhor se caiu em algum canto... E voltei para o local onde o havia perdido. Segundos depois aparece a supervisora... Com mais perguntas, pouca acção, mas antes, uma advertência:

-"Minha senhora, se não ficar parada no lugar depois não tenho como lhe falar. Agradecia que não saísse daqui para a poder ajudar. De que marca é o telemóvel?"

LOL. Marca.
Quase que perguntei: "Porquê? Quantos telemóveis acharam nos últimos cinco minutos??"

Mas não o fiz. Respondi. Contudo, diante de toda aquela lerdeza, não pude deixar de sentir uma ponta de frustração e reprovação. Ainda ninguém tinha tentado ligar para o meu número de telemóvel. Muitas perguntas, muitas idas e vindas... nada de uma rápida chamada. Então comecei a falar que não podia ter ficado sem o telemóvel, que perder um telemóvel nem é tão grave quanto é perder tudo o que guardamos lá dentro (Contactos, imagens, videos, sons, anotações, mensagens... vumpt! Gone) e foi na onda desta memória que tive de dar uma pitada de tragédia à coisa, porque, sinceramente, ninguém estava preocupado ao ponto de agir com rapidez. 

- Mas onde é que pôs o telemóvel, lembra-se? Já procurou bem?

Respondi que sim, relatei novamente todos os gestos e até os reproduzi. Disse que achava que o tinha colocado no topo do saco, voltei a espreitar no saco: tirei a peça de vestuário, voltei a sacudir, voltei a enfiar a mão e a espreitar o saco, mostrando-o aberto às funcionárias da loja. E quando me dou por vencida avisto um bocado de borracha no fundo do saco. Um bocado que me fez respirar de alívio e dizer:

-"Esperem aí... Está aqui!"

-"Achou? Bem que lhe disse para ver no saco."

-"Ainda bem! Antes assim! Serve-me de lição!
- "Mas eu espreitei no saco... ainda agora, como viram. Como é que ele foi parar debaixo disto que é tão pesado??"

As duas funcionárias afastaram-se, satisfeitas por colocar distância e esboçando um ar de «cliente que não procurou bem e entrou numa onda alarmista». Agradeci e fui embora.

Mas fiquei a pensar: Imaginem que tinha sido verdade. Que de facto perdia alguma coisa ali... Não fizeram uma simples chamada. Não estão preparados para auxiliar o cliente com rapidez nem preparados para vários cenários de urgência - pude deduzir. Qualquer um sai de uma superfície comercial grande, com propriedade de outra pessoa. Se calhar até com uma criança! Nem por uma criança «mandam» selar entradas ou saídas, barram ou perscrutam alguém... é uma anarquia.

E se tivessem feito a chamada telefónica em primeiro lugar? Nada daquilo tinha acontecido. 
Até podem ser simpáticas, as funcionárias. E bem intencionadas. Mas prefiro eficiência e organização exemplar. E que não me virem as costas depressa, com um sorrisinho que parece dizer: «outro cliente burro a fazer um banzé por nada». 

Se fosse um artigo da loja que tivesse desaparecido e suspeitassem de um cliente, aposto que o segurança aparecia, o rádio funcionava e chamadas seriam rapidamente efectuadas. Se o ladrão saísse da loja, depressa seria alcançado e desviado para interrogatório na presença da polícia. Age-se com mais rapidez na defesa de «coisas» que ainda não pertencem a ninguém do que no auxílio a terceiros.  

Desde então tenho-me preocupado tanto em deixar o telemóvel em qualquer lado... E quase sempre surge um susto, até sentir o aparelho comigo. Os smarthphones são uma tragédia... fáceis de perder. Não cabem em qualquer lugar, muito menos em bolsos de jeans. Digo-vos que antevejo um sucesso de vendas ao primeiro que inventar umas calças com profundidade de bolso suficiente para transportar um smartphone, sem que os bolsos precisem estar nos joelhos! 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O mundo é Chinês


Estou a preparar uma festa e como sou dada a bricolage, tive ideias para as decorações. O material que necessito para levar as ideias adiante nem é complexo: toalhas plásticas, umas folhas de e.v.a. de grandes dimensões, papel autocolante de veludo.

Pois bem... Já corri tudo o que é loja nos arredores e proximidades e NADA de encontrar o que preciso. Isto acontece sempre. É o que mais me frustra quando me lanço num projecto criativo.

Placas A4 de E.V.A - poucas cores e tamanhos limitados


Em termos de electrónica, procurava também uns leds de pilha, coisinha simples, que deviam ser vendidas às centenas nas prateleiras de muitas lojas da especialidade e não especialidade por aí. Mas não se vendem. Só encontrei duas ou três lojas online, o que é uma chatice. Queria ir a um local, escolher, poder trazer só uma unidade. Lojas online não se prestam a isso. 

A alternativa às pilhas, seria fazer as próprias... com um condensador e uma pilha de relógio. Numa operação simultaneamente simples e complexa. Mas e encontrar a alternativa à alternativa? Ainda é pior: boa sorte nessa empreitada!

Concluí - na realidade faz até bastante tempo - que Portugal é chinês.


Não se encontra mais nada. Antes, uma pessoa encontrava de tudo. Tecidos, electrónica, metais, ferramentas, tintas, cordas e cordéis... Uma pessoa sabia que podia ir "aqui" ou "ali", a certas lojas, ou mesmo a certas ruas, e era garantido: quase de certeza não só encontrava o que se pretendia, como surgiam outras alternativas e se ficava a conhecer outros novos objectos.

Hoje com a abertura do mercado à China... é uma calamidade!!

Seja o que for que se procure, tudo está standarizado e muito limitado. Os chineses, ainda por cima, são DITADORES. Limitam o tipo de produto que exportam e não apresentam variedade. Eles ELIMINARAM o comércio tradicional, que era vasto, amplo e de qualidade. Saudades das retrosarias, do comércio especializado, que tinha de tudo... Obras no WC? Vá a uma drogaria! 


Isto que digo é muito sério. Saudades imensas das "ias".... Mercearias, drogarias, retrosarias, papelarias!

Vive-se no centro de uma cidade grande, na teoria, isso significa uma maior variedade e facilidade em encontrar qualquer tipo de produtos. Mas na prática... nada.
Antes fosse uma aldeia, menor mas, onde se fosse procurar, saber-se o que se vai encontrar.


Acredito que o futuro é online. Acabando-se o comércio tradicional, ficando apenas as grandes e standarizadas grandes superfícies, ou as lojas tax-free dos chineses, vamos nos virar para o online! Para quê ter tanto trabalho em deslocações se é tudo igual em todo o lado?

Eu vi as mesmas toalhas, somente nas mesmas quatro cores (nenhuma azul ou vermelha), não encontrei em parte alguma papel autocolante em veludo (coisa que antes se encontrava sem dificuldade alguma e em variedade de cores) e as folhas de E.V.A. são uma desilusão: pouca variedade nas cores e dimensões e ,nos hipermercados, a aposta vai para as pequenas folhas com "floreados" impressos. 

Fui a três sítios com uma amiga que procurava comprar molas para prender a roupa: hipermercado, loja dos chineses e outra loja qualquer. 

Pois todas vendiam o mesmo tipo de mola, ,com o mesmo formato, o mesmo material... Nenhum demonstrava grande segurança na construção. Todas aquelas molas para a roupa pareciam frágeis, capazes de se partirem por nada, se quebrarem com dois dias de exposição ao sol...

De onde vem esta padronização de produtos? 

"Brinde" que veio com uma compra no site Aliexpress

Já acho que fiz mal em não mandar vir estas coisas da china. Pelo menos vinha diretamente e sem preocupações! Porque outra coisa que me impressiona é que tudo onde coloco as mãos vem com "fabricado na RPC". Como se uma pessoa não soubesse que China ou República Popular da China é exatamente a mesma coisa! 

Todo o produto vem em destaque "IMPORTADO POR...". Mas de onde? Da China. Ainda não encontrei uma única coisa - desde peças de roupa a artigos de decoração, a material escolar ou de papelaria, que não tenha como local de fabrico a China. Seja esta condição camufladamente indicada com minúsculas letras da sigla RPC ou não.

Uma britânica fez uma compra na Primark....
E eu fico seriamente a pensar se quero compactuar com o enriquecimento de uma nação que usa e abusa do trabalho manual infantil, que despreza os direitos dos trabalhadores e faz prática do trabalho de escravo

Uma ida a uma dessas lojas me causou impressão, pois os Chineses cá estão a adoptar uma nova alternativa à habitual vigilância: contratam pessoas locais só para seguirem os clientes pelos corredores. E desta vez não foi um homem que vi, mas uma criança! Loura, de um metro e 30 de altura... Podia até ser quase de maior, mas duvido muito. 


Agora até o esquema de trabalho infantil eles importam para cá. Não registam as vendas, cada vez que compro algo e peço o talão eles o fazem sem a caixa registadora fazer um piu... O que fazer? Deixar de comprar quando tudo já é feito lá? Por mãos tão pequenas quanto provavelmente o são as mãos daquela adolescente a trabalhar numa loja de chineses? Gostava de ter alternativas. Só que não há alternativas. 


Se as houver, viraram alternativas de "luxo", para padrões económicos mais elevados. O comércio Tradicional... vai passar a ser uma espécie de «museu». E o restante está todo contaminado pelo vírus do RPC.

"Obrigado" governantes! Tirem-nos desta latrina, sff!




O Mundo é chinês e é de Reles Qualidade.


Ver também: a pegada desoladora

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nem toda a gente que anda aos caixotes procura o que comer

Há umas semanas passava eu pela ciclovia paralela a uns prédios quando reparo num homem a levantar o tampo de um dos dois caixotes de lixo que estava a vasculhar. Nisto caem ao chão uma série de bobines. Sim, bobines de filmes de 35mm ou 8mm (ainda se lembram delas?), nas suas caixas redondas.


Colocadas no lixo como se nada fossem... eu fiquei imensamente curiosa por descobrir o conteúdo daqueles filmes. Seriam os filmes caseiros de alguma família? Seriam filmes outrora comercializados? Uma coisa achei porém poder concluir: aquele homem conhecia o conteúdo daqueles contentores e apressou-se a se apossar dele.
O homem  removeu também dois peluches do interior do outro contentor - uma Minie e um Mickey.


Gostava de ter visto mais mas foi o que percebi de passagem. O lixo, meus caros, não é só um lugar onde os esfomeados se dirigem para tentar tirar a barriga de misérias. Também são lugares muito concorridos para pessoas que procuram um ganho fácil. 

Durante anos habituei-me a ver nas paredes do corredor de casa uns quadros reproduzindo as quatro estações do ano. Achava-os bonitos mas não sabia do que se tratava. Eram espelhados e tinham o desenho de damas em vestidos esvoaçantes, numa paisagem ora de Primavera, ora de Verão, de Outono ou Inverno. Agora sei que se tratava de reproduções de gravuras da altura da arte nova*, da obra do ilustrador Alphonse Mucha. Naturalmente conhecia aqueles quadros de trás para a frente. Cada marca da moldura, cada mancha ou minúsculo risco. E quando estes quadros passaram a decorar outra casa, conheci-lhes também as novas marcas. Mas um dia o conteúdo dessa casa foi na sua grande maioria para os contentores de lixo - o que agora mais do que antes considero pouco correto. 


Um ano ou nem tanto depois dos quadros terem sido deixados junto aos caixotes para serem levados (por quem quisesse ou pelos apanhadores de lixo) reconheci um na montra de um antiquário. A «lady Primavera» estava a olhar de novo para mim. E não existia qualquer dúvida que era o mesmo. Conhecia-os demasiado bem. Sempre olhei para eles. A moldura, particular e idêntica, tinha uma pequena mossa no preciso lugar. Não faço ideia do preço pedido mas ali estava a prova: lixo para uns, riqueza para outros.


* movimento artístico desenvolvido nas últimas décadas do século XIX, um cruzamento entre a arte clássica e a arte industrial, a passagem da pintura para a arte gráfica

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Dia do quê?!?! (datas comemorativas)


Mas que «vírus» é esse que vi a circular pelo facebook a dizer que foi dia dos irmãos?
MAIS uma data para «comemorar»? Mais presentes para «oferecer»? 

Se o pessoal não começar a abrir a pestana num tarda só abre a carteira porque isto de celebrar todos os dias como sendo o dia de algo e correr às lojas para lá deixar algum numa lembrança qualquer é exatamente o que o comércio e os empresários pretendem com o ênfase dado aos "dias de..."

Cá por mim fico-me pelos dias da praxe para fazer oferendas:
Aniversários, Natal, dia do pai e da mãe.


Na Páscoa já há muito que não ofereço amêndoas. Nem tem muito sentido. Os putos de hoje também se não receberem euros não consideram nada que lhes seja dado um bom presente de Páscoa. Nos aniversários querem dinheiro, no Natal querem coisas específicas ou... dinheiro. Sempre «lutei» contra essa mania de dar dinheiro por comodismo, para ficar bem no retrato e por preguiça de ter de pensar no que oferecer aos outros. É um hábito que cria um vício desgraçado. 


A sério, não se ponham a inventar de ir a correr para as lojas gastar dinheiro em porcarias só porque é "dia de...". Conheço quem já não dê nada a não ser um telefonema da praxe a desejar um feliz dia - já para não gastar o pilim e isto em dias que são há muito especiais e com tradição, como o dia do pai e da mãe. Por isso não inventem, ou quem ganha dinheiro à pala disso são as companhias telefónicas. Penso que nem as floristas ganham mais dinheiro!


Um presente tem de vir do coração, não necessariamente de uma data do calendário. E a ser do calendário, que seja especial, como os aniversários, para que possa vir do coração. Agora constantemente? Poupem-me!

Tenho ali o presente para o dia das mães, dei o do dia dos pais, irei dar nos aniversários da família, depois no Natal e quando e se me apetecer. Mas oferecer presentes porque é páscoa, porque é férias de páscoa, porque vai começar o verão, porque a criança passou mais um ano, porque é dia do irmão, da sogra, do cão, do piriquito, dos peixinhos dourados.... lol e lol.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Desejo para o DIA de Natal...

E se vos confidenciar que o que mais queria para o Natal era estar a trabalhar no DIA de Natal?

Sempre gostei do Natal. Concilia duas coisas que me fazem sentir bem: convívio em família e oferendas.

Mas nos últimos anos o Natal não tem sido a mesma coisa para mim. E isso foi uma surpresa. Passa rápido demais e dá a sensação que as pessoas mal entram pela porta, já estão a sair. E foi num desses momentos que algo me atingiu.


O que mais me decepciona é que se dê maior importância ao lado comercial do Natal do que ao lado do convívio. Oiço as pessoas a falar da compra dos presentes, a tentar encontrar algo barato mas que aparente ser caro, oiço-as preocupadas em fazer boa figura e não ficar aquém de ninguém e esquecem, de todo, que a essência do Natal é o convívio entre todos. Não se trata de rivalidades, não é uma quadra para a competição para se descobrir "quem é o melhor", o mais generoso, ou aquele que dá melhores presentes. Não gosto que o comércio se inunde de artigos natalícios três meses antes da data já deixando todos os consumistas stressados e reprovo a excessiva publicidade insistentemente dirigida aos mais pequeninos. Porque é que o dinheiro é o tema sobre o qual gira o Natal? Vemo-lo nas reportagens televisivas, ouvimo-lo nas bocas dos que se justificam por antecipação que o dinheiro não dá para "grandes" presentes «este ano» (que são todos).
Sim, dinheiro é preciso para viver em sociedade mas não é de todo essa a mensagem do Natal. Até me podiam oferecer um pacote de bolachas de água-e-sal de 40 centimos... (ia achar o máximo) não é por aí. Os reis magos levaram ouro, incenso e mirra. Podiam ter levado um calhau, uma ovelha, uns biscoitos. Um copo de leite, que seja. O valor está no gesto e na forma sentida como o mesmo é praticado. Isso é que é bonito. 

Compreendo que antigamente o Natal tinha outro sabor porque eu mesma era pequena. E compreendo também que mude, pois as pessoas casam, formam as suas próprias famílias e por sua vez também ganham outra. E têm de repartir o seu tempo entre todas. Mas não serve de desculpa para não se entregarem ao convívio. Se o capitalismo transformou o Natal em comércio, que seja. Não devem as pessoas é deixar que o mesmo comércio e capitalismo entre nos seus lares e comande o seu Natal. 


sábado, 3 de novembro de 2012

Integração numa CULTURA


Recentemente entrei dentro de uma superfície comercial "chinesa" e, ao precisar de auxílio para adquirir um produto, procurei um empregado entre os corredores. Encontrei dois, um jovem rapaz com quem já tinha falado e uma jovem rapariga. Expliquei-lhes então a situação:

-"Boa tarde. Preciso de ajuda com um artigo (disse o nome), só encontro um e queria saber se por acaso têm mais em armazém".

O rapaz não me responde, vira-se para trás e grita por alguém na sua língua. E depois, mais nada. Nem um gesto, nem uma palavra. O outro também não aparece para se dar a conhecer ou indicar o cliente para o seguir. Não me é dada qualquer resposta. Nem sequer gestual. Simplesmente deixam-me ali.

O que vale é que não fiquei estancada à espera. Dirigi-me novamente para a zona do artigo. Se lá estivesse alguém para prestar ajuda, muito bem. Se não estivesse, virava as costas e saía pela porta. 

O empregado, outro miúdo jovem, também não se dirigiu a mim, cliente, para prestar auxílio. Mais uma vez, aproximei-me, dei a «boa tarde», indiquei o artigo, expliquei a situação. Directa e sucinta. O rapaz não diz nada. Não dá resposta, nem sequer gestual. Nem "ai" nem "ui" - como se costuma por cá dizer. O que entre nós é vulgarmente considerado um sinal de falta de boa educação. Os portugueses podem sentir algum incómodo pela frieza e falta de atenção mas somos um povo tão aberto que aceitamos as diferenças, mesmo quando estas «arranham» a base do que é para nós a nossa educação cultural. Mas tratando-se de outra cultura, relevamos...  

Pergunto a este empregado se posso abrir a embalagem para espreitar o artigo, pois haviam colocado um enorme cartaz de cartolina manuscrito com canetas de várias cores onde se «ameaçava» que quem abrisse as embalagens teria de pagar o artigo e era estritamente necessário pedir ao funcionário para as abrir. (os chineses também não entendem a diferença entre uma comunicação e uma intimidação, deve ser algo do regime comunista) Pois pedi... e não obtive qualquer resposta. Nem um som. O rapaz nem se digna a estabelecer contacto visual. Parece que estou a falar para um MONO.

Abri a embalagem. 

O rapaz aproxima-se e põe nas minhas mãos um artigo, mas não o pretendido. Agradeço (gesto de cordialidade que é como se caísse em ouvidos ocos) e explico que já tinha encontrado um par daqueles, pretendia era outro. Ele lá remexe em tudo sem nada dizer e volta a esticar um artigo na minha direcção, desta vez o correto. Agradeço-lhe. E como havia retirado alguns das prateleiras e sou das que arrumam de volta e no sítio certo, perguntei-lhe se não se importava de os arrumar. Não me responde mas entendo que é o que vai fazer, pois já o outro rapaz, ao me ver a retirar os artigos, pegou nestes e tive de lhe pedir para os deixar ficar, pois encontrava-me a escolher. 
Antes de me afastar de vez, volto a agradecer. 

E agora pergunto eu: estes JOVENS, provavelmente já nascidos cá ou pelo menos cá criados, não deviam já integrar-se melhor nos costumes locais? Parecem entender o português bastante bem, mas não emitem uma palavra. Nem sequer fazem um esforço! E isso é que é algo incomodativo. O povo português é conhecido pela afabilidade com que recebe e pela entrega em se adaptar a outros países, outras culturas e outros costumes. Já cá recebemos vagas migratórias de todo o género de povos: africanos de Cabo Verde, de Angola, Brasileiros, mais recentemente pessoas oriundas da Europa de Leste... e em nenhum destes encontro uma maior falta de atenção para com o povo acolhedor, no sentido de absorverem os costumes, a cultura, os tratos sociais. 

Se for o povo português a emigrar, fazemos um esforço por nos adaptar. A primeira coisa que fazemos, custe o que custar, é tentar aprender a língua. Começamos logo a tentar comunicar oralmente, assim como comunicamos bastante gestualmente. Somos um povo que se adapta, e mesmo que muito   afastados pela cultura de origem, existe sempre uma pre-disposição para a adaptação. Pode até ser má,  mas pelo menos fazemos esse esforço. Se emigrarmos para França, aprendemos a falar francês. Para qualquer outra parte do mundo, falamos inglês. Se formos a Espanha, falamos espanhol. Se formos para Itália, falamos italiano, e por aí fora...

Até dentro do nosso país, gostamos de aprender outras línguas! Portanto, custa-me um pouco entender a mentalidade de uma cultura que, pelos vistos, parece tão mais fechada, tão mais incapaz por ESCOLHA própria de se «mesclar» na cultura que a acolhe. 


Nas escolas aprende-se logo em criança, o MODELO BÁSICO DE COMUNICAÇÃO entre os humanos: o Emissor, a Mensagem e o Receptor. Não sei se os chineses que encontramos na maioria dos estabelecimentos comerciais auto-sustentados entendem esse conceito. Ao fim de anos de permanência neste país que os acolhe, parece que foi ontem que chegaram, tal é a aparente indiferença para com os costumes que cá encontram. E é por esta razão que estes «comerciantes» me fazem lembrar uma praga de gafanhotos: chegam, usam, tomam o que gostam, desgastam, destroem, não deixam nada de bom em troca.   

Lá se vai o mito do imaginário tradicional, que transmite a ideia de que todos os orientais são muito bem educados e cordiais, com as suas vénias e "ais"...



sexta-feira, 9 de março de 2012

o comércio JUSTO e a CHINA

Há 15 anos comprei numa chique loja de decoração um sofá insuflável. Azul, feito de plástico transparente muito resistente, era um objecto de grande utilidade e com a sua graça. Quando me sentei nele descobri um elevado nível de conforto. Estava muito contente com a minha aquisição. Até ter visto uma coisa verdadeiramente chocante.


O que vi foi a impressão empoeirada de uma sola de um ténis, situada no interior do braço de descanso do sofá. Uma impressão perfeita e pequena como a de um pé infantil, que estava claramente a denunciar uma realidade: CRIANÇAS tinham estado em cima daquele material. Fiquei com o olhar fixado naquela perfeita impressão. Como podia agora sentar-me confortavelmente e relaxar naquele sofá, quando suspeitava que a sua origem de fabrico consistia na exploração de crianças, no TRABALHO INFANTIL?


Comecei a pensar na loja onde o comprei. Não era uma loja dos 300, a grande novidade da altura, cheia de variados artigos a preços acessíveis. Não. A loja onde encontrei o sofá era uma loja «pomposa».


Assim que se pisa a entrada os olhares dos lojistas fixam-se em ti e no passo a seguir um deles chega-se de imediato e pergunta se nos pode auxiliar com alguma questão. Era um tipo de loja na qual não nos conseguimos sentir totalmente à vontade, porque cada movimento é seguido por olhares e qualquer paragem mais demorada a olhar um artigo origina da parte dos lojistas o típico comentário que visa justificar o preço cobrado através da qualidade dos seus produtos. É um ambiente desconfortável, entendem? Como pode uma loja assim comercializar artigos de proveniência duvidosa? E ainda por cima cobrar valores elevados e maximizar o lucro em cima do trabalho infantil??


A verdade sobre a sociedade comercial na qual vivemos é tudo menos bonita. Se formos a olhar para a origem de tudo o que está há nossa volta e tivéssemos de prescindir das coisas que exploram terceiros, provavelmente não teríamos NADA para vestir, calçar, andar, usar, brincar ou comer. A simples canela que se encontra a preços baratos por todo o mundo é fruto de exploração. O cacau consumido pela maioria das marcas de chocolate também provém de EXPLORAÇÃO INFANTIL.


Quando os pais aqui em Portugal, na França, na América, em Espanha, na Suíça ou em qualquer outro país civilizado compram aquela barra de chocolate para os seus filhos não têm consciência que foi uma criança tal e qual a sua que colheu o Cacau das árvores…


Os anos passaram desde que aquela impressão empoeirada de um pequeno ténis infantil tornou-me cúmplice de um acto de escravidão.


Os anos passaram mas a exploração infantil ou o trabalho de escravo não parece ter sofrido grandes revezes. Continua tudo muito «mascarado», oculto em burocracias e em políticas. A China é o país mais famoso por EXPLORAR o seu povo e documentários feitos com câmaras ocultas retiram quaisquer dúvidas de que este é um povo escravizado. No entanto, cá está a política, os acordos com a China, a abertura do nosso mercado comercial para os produtos chineses e agora a compra da nossa dívida…


Estas decisões têm um preço e começamos agora a sentir os problemas sociais e económicos que derivaram dessa abertura do mercado português para os produtos de fraca qualidade e preço acessível chineses. Uns apontam as famosas lojas dos 300 como a origem do problema mas, se calhar, as lojas mais finórias também não resistem à tentação das margens de lucro elevadas, acabando por se associarem ao comércio de exploração.


Sempre que puder, vou optar pelo COMERCIO JUSTO. Começar por consumir o produto nacional é a primeira coisa a se fazer, a mais sensata a mais fácil. Mas como nada é transparente e a exploração parece ser um fenómeno global, fica difícil escapar à cumplicidade involuntária.


Há dias entrei numa conhecida loja de roupa e comprei um muito necessitado casaco. No acto de pagamento, pedi para que removessem o preço. A rapariga atrás do balcão pega na tesoura e, além do preço, corta também a etiqueta. Quando cheguei a casa fui inspeccionar o casaco à procura de uma qualquer etiqueta, mas nada encontrei, a não ser uns fios brancos resultantes da tesourada. Será normal cortarem a etiqueta de um casaco? Qual a origem? Que instruções de lavagem são as recomendáveis? Quem fez este casaco??


É importante tomar consciência sobre as empresas que realmente praticam o comércio justo e, como consumidores, não colaborar com as que fecham os olhos à exploração e aos direitos humanos. Hoje, na RTP2 ás 23.30, vai passar um documentário que merece uma espreitadela. Vejam.