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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O Brinde no Bolo-de-Rei e a data de hoje


Se pudesse escolher, presentearia todos no dia de Natal, mas só se abriam os presentes hoje, dia seis de Janeiro.  Sinto que é assim que devia ser. Faz sentido, ficar a "curtir" ali os embrulhos fechados, deixando-os a marinar num caldo de carinho, expectativa, tranquilidade, reflexão, lembrança... lição.

E depois, quem sabe, todos telefonariam uns aos outros, só para agradecer a lembrança?

Seria mais uma forma de manter a união, que praticamente quebra no dia seguinte ao Natal. Nem que fosse por obrigação, as pessoas teriam de se contactar por telefone, falar umas com as outras, porque ficaria mal não o fazerem. Para mim, seria assim. 

Mas este dia traz-me também saudades. Saudades da expectativa de cortar uma fatia de Bolo-de-Rei esperando encontrar nela o brinde, e desejando que não fosse a fava!

Hoje preferia receber a fava. Ia juntá-las, plantá-las e ter umas favinhas para comer. Será que alguém, alguma vez, se lembrou de plantar a fava que lhe saiu no bolo-de-rei?


Ela não era da família. Ou melhor, não era de sangue, mas era de afecto. Uma senhora amiga dos meus avós, que ajudou a tomar conta da minha mãe quando esta era criança. No Natal, ela era convidada para almoçar connosco. Tirando essa ocasião, só a via um outra vez o ano inteiro: quando ia a uma consulta médica anual num hospital perto da sua casa. Faziamos-lhe uma visita, eu e a minha mãe. A sua alegria era muita. Vivia sozinha, num apartamento pequeno, num prédio iguais a muitos desses dessa Lisboa antiga. Sem elevador, só com escadas. A sua companhia eram os pombos, que alimentava à janela. Tirando isso, uma vizinha ou outra e, na qualidade de viúva sem filhos, penso que seria solitária. Ela sempre guardava (não sei onde os ia buscar) os brindes dos Bolo-de-Rei para mos oferecer. E fazia-o com tanto gosto, que eu com mais gosto aceitava, porque a via feliz, com um sorriso de orelha a orelha. Era gulosa, gostava de doces. Gostava de crianças. Mas houve um Natal em que decidiram não a convidar. Senti que estava errado. Estava a afligir-me! Tinham de a buscar! Ela contava com isso e ia ficar desolada, indesejada, a julgar que se cansaram dela, triste e infeliz. Sentia-o. Pedi, implorei, para que a fossem buscar. Puxei de todos os argumentos que, como criança, pensei poderem fazer diferença. Temi e disse-lhes: se não a fossem buscar, ela ia ficar tão triste que no ano seguinte já não estaria viva para se poderem redimir.

E aconteceu. Nesse ano, por motivos que não saberei nunca ao certo, telefonaram-lhe a desejar um feliz Natal mas não a foram buscar para estar à mesa. Morreu meses depois. 

Associo à sua memória os brindes do bolo-de-rei, em forma de jarro, sapato, carro... 

Feliz dia dos Reis!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Lista de Presentes


Quando era adolescente por vezes escrevia no diário o que recebi pelo Natal. Mas o que a mim mais me entusiasma nesta quadra não é o que recebo, mas o que ofereço. Precisamente o lado que parece que incomoda muitos. Se for a tomar como exemplo desconhecidos que encontro na azáfema das compras e os lamúrios que falam.

É no dar que sinto mais prazer. Gosto de lembrar-me do que a pessoa possa gostar e alegro-me com as reacções, sejam de surpresa, espanto, aversão, riso ou demais.

Não me perguntem quanto já gastei em presentes, não sei especificar. O dinheiro simplesmente sai da carteira, do banco... e vai se juntar aos muitos de muitos outros numa caixa registadora qualquer.


Lista de oferendas:

1) Caixas com biscoitos
2) Conjunto de utensílios para o banho
3) Porta-chaves cómicos e com tripla funcionalidade
4) Blusa
5) Calendários personalizados
6) Queijos com licor
7) Livros
8) Brincos e outra bijuteria (em prata, mas pronto...)
9) Jogo de luzes em movimento
10) Livro "primeiro ano do bebé"
11) Kit de genealogia
12) Caixa com 24 bombons Mon-cherie
13) Perfume (raro de encontrar e muito desejado por quem o vou oferecer)

E julgo estar aqui tudo.


VOCÊS...
Qual vos agrada mais? Já sei, os queijinhos com licor!
Pois, também a mim, eheheh.

FELIZ NATAL E BOAS FESTAS! 





domingo, 22 de dezembro de 2019

Coleccionar sabonetes


Não sei o que me deu. Nos últimos meses andei a comprar sabonetes. E não é para usar. É para guardar. Por isso acho que dei para ser colecionadora de sabonetes.


Os aromas são tão bons, acabei por comprá-los em "packs", colecções ditas limitadas. Já perceberam que por altura do Natal saem imensos lançamentos limitados de toda a espécie de produtos? No que respeita a produtos de higiene e perfumaria, creio mesmo que vale a pena comprá-los assim. Durante os restantes meses do ano, o valor unitário de cada embalagem por vezes aproxima-se ao total do Kit.

Perfumes, sei que vale a pena comprar em coffret
Custa 25€ aquele que mais gosto, e traz, além da água de colónia, um gel duche. Porém, este ano não encontrei o aroma que gosto a ser disponibilizado e como já adquiri o coffret da Aveda deixei o outro passar. 

Ainda assim, deu-me para os sabonetes.
(E tudo isto sabem de onde vem, não sabem??)

Ainda me falta esta colecção


Acho que podia ser pior.
Ao mesmo tempo, saber que 40 euros foram para sabonete... ui!
Tenho de colocar um freio nestes gastos.


É mesmo difícil presentear alguém?

Não sei porquê as pessoas acham complicado oferecer algo a outra. Durante todos estes anos de quadras natalícias, ficaria satisfeita com um elástico para o cabelo, uma mola, luvas, meias ou... uma barra de sabonete.


sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Querem presentes?


Têm UMA SEMANA para pedir à "mãe" Natal - aqui a vossa Portuguesinha.


Gosto muito de comprar algo para dar a alguém. Sempre gostei. Pode até ser um saco de maças, uma coisinha pequena e não necessariamente dispendiosa. Se estivesse à vontade financeiramente, penso que era capaz de oferecer Ferraris, ahahah. 

Mas pronto. Passo a explicar. Apetece-me fazer um "amigo secreto" mas sem receber nada em troca, com vocês, blogueiros. Tudo o que preciso é boa vontade, espírito de aventura e... um endereço. Não têm de dar endereço de casa, nem eu quero. Não sei se sabem mas, podem pedir para as vossas encomendas ficarem guardadas na Posta Restante dos CTT. Só têm de saber o endereço COMPLETO dos correios mais próximos de casa, confirmar com eles essa cena da Posta Restante (faço isso há uns 10 anos e na altura um funcionário ainda estava na dúvida... mas muitas pessoas usam). Paga-se uns 80 centimos apenas, por cada encomenda ali guardada. Eles guardam durante um mês. Mas é melhor não contar muito com isso. Não avisam quando a encomenda está disponível. Tens de ir perguntar se já chegou uma com o teu nome. Precisas de ter um documento de identidade válido, assinar um aviso de levantamento, "abandonar" os 80 centimos (se calhar mais actualmente) e receber a surpresa!


Alinham?


Gostava que alinhassem. 
Acho giro, ehehe

Podem receber um alfinete, um pano para as mãos, um vasinho, um boneco, uma caneta... coisas baratas - pretendo também colocar esse desafio. Procurar algo que combine ou achas que combina com a pessoa e tentar encontrar no «departamento» dos produtos baratos. Não vos vou poder enviar um anel em ouro, mas se quiserem arranjo em pechebeque... ahahah.



UMA SEMANA.
Campanha "presente mistério".

Fico a aguardar aqui nos comentários. :) 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

São Rosas, senhor, são rosas...

Dobrei a esquina e ele também, cada qual na direcção oposta. Ele transportava no braço direito uma enorme e estreita embalagem, elegante, negra. Vocês devem saber quais são, já as viram nos filmes. São daquelas que são entregues em mãos, à porta de casa... mesmo antes do entregador revelar que no interior está uma espingarda...

Era uma caixa gigante com flores.
Quase perguntei:
-"Ah! São para mim?!?"

Poderiam ser... Há 10 anos. Caso o rapaz andasse à procura de destinatária ainda teria uma hipótese... Kkkk

«Rosas senhor, são rosas...»



De uns anos para cá comecei a gostar de ramos de flores e do gesto em si. 
E pronto. Por hoje é isto.


Nota: A vontade de fazer post(a)s tem aparecido, mas a velocidade da internet tem sido dessuadora. Lá se vão os meus planos de passar um Natal a descontrair na net, e tirar o atraso... lol.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Uma mistura de fantasias de Natal


Não, não são as de chocolate.

Anúncio televisivo aos chocolates de Leite da Imperial (1980)


Uma coisa engraçada que existe por terras de S. Majestade é a «obsessão» que o povo demonstra por «festas». Aqui, aparentemente, qualquer ocasião do ano é motivo para colocarem fantasias à venda

Cheguei antes do Halloween e deparei com as lojas carregadas de adereços diversos e muitas fantasias. Eram tantas e tão giras que achei que fariam um Carnaval muito interessante. 

Mal vi esta achei-a giríssima. Adorava ver um bando de crianças
durante o Carnaval a passar na rua vestidas assim.

Muuuito mais baratas que em Portugal, e mais ricas, haviam as tartarugas ninja, o super-homem, o homem aranha, a princesa, o cowboy do filme toy story, enfim... Aqui fazem fatos fantasiosos interessantes. Tanto que até achei que o melhor seria comprar uma fantasia e enviar para Portugal, caso contrário provavelmente só no Carnaval é que elas voltariam às prateleiras das lojas.


Errrr! Errado!!!
Mal acabou o halloween, chegou o Natal. Vapt, vupt. Bem de um dia para o outro.   

O que é que o Natal tem a ver com o Carnaval, perguntam vocês?
Aqui? TUDO.



Neste canto do mundo o Natal sempre foi um bocadinho à americana. Ou seja: os adultos usam aquelas roupas com bonequinhos natalícios, muito vermelho e branco, muitos pinheiros, hastes de rena na cabeça... estão a perceber a cena. Mas o que existe para os muito pequeninos é de delirar!! Os fatos temáticos continuam nas prateleiras, tal e qual fantasias que se adaptam ao tema. Um rei mago? Feito! Sai um baltazar! 

Pai Natal, Elfo menina, elfo menino, rena, estrelinha, rei mago pobre, rei mago rico, etc...



















Uma estrelinha? Feito! Uma fada? O boneco de neve do filme "Frozen" em versão pijama fofinho? Lá está. Com uma protuberante cenoura como nariz a sair do meio do peito. Claro que, é um acessório removível para uma noite de sonho tranquila. 

Confesso que adoro estas coisinhas. E tenho pena de já não ter nenhum bebé ou criança até três anos para a poder vestir com algumas destas roupas. 

Vestidinho para criança, com meias a condizer com as listas nas mangas
e um peluche de gengibre enfiado num dos bolsos em forma de coração,
recortados num tecido macio.
Corações brancos do colar até à cintura, com uma lista negra a imitar
um cinto e «fivela» dourada com glitter em forma de coração.

Digam-me lá: No Natal, se vissem uma criança de um ano a entrar em casa vestida assim não iam achar uma fofura? Kkkk.
É que não é exagerado, é inspirado. 


Quando vi esta camisola até que a quis comprar. Mas não têm o tamanho de criança que pretendia :) É muito comum, além dos desenhos natalícios e figuras do Natal, incluírem luzes coloridas nas vestimentas. Eu gostei desta, pela simplicidade e pela boa colocação luminosa. Cada uma das «luzes» acendia na respectiva cor. E sabem que mais? Este género de roupa desaparece das prateleiras com muita rapidez!

Sem dúvida que o NATAL chegou. Não há que negar.
É logo no dia 1 de Novembro.
E pelo dia 12 as lojas já começam a inflacionar o preço dos produtos.

É que, como é Natal, pode ser que poucos se importem, entrem na onda do consumismo e paguem mais sem resmungar nada Ohohohoh!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Afinal, vida de rico, não custa nada!


Desde que me lembre sinto atracção por gadgets. Vai que não resisti e carreguei numa "página sugerida" pelo facebook, que me remeteu para um site de vendas online. Infelizmente, meus senhores e senhoras, a nossa alfândega faz-nos pagar balúrdios de impostos se encomendar-mos alguma coisa de valor acima de 22€, se não fosse por isso... Ai Jasus, eheh.

Então aqui ficam 5 sugestões de produtos que encontrei. Se as imagens aparecerem pequenas no blogue, carreguem nelas para as ver em tamanho original e captar os detalhes. Muitas escolhi a pensar no que seria um bom presente para aquelas que sentem dificuldade em ter ideias para presentear os mais-que-tudo. A primeira:

1- PLASTICINA MAGNÉTICA
  

Um simples brinquedo para entreter e relaxar. Não parece grande coisa mas vejam este vídeo e comecem a pensar se não têm um mais-que-tudo que ia divertir-se com isto. Bolas, qualquer um se diverte com isto.

Curiosidade em saber como é por dentro? Pois não tem de esperar mais... 

2- CABO ENDOSCÓPICO PARA ANDROID


No futuro teremos óculos com visão 3D? Não, no presente! 

3- ÓCULOS 3D PARA SMARTPHONES


Nostalgia para escutar os velhos discos em vinil mas já não tem gira-discos?  

4- MALA GIRA-DISCOS COM RÁDIO E MERDICES


Cinema em casa...
5- PROJECTOR COM DVD

O que acham? Afinal, nem é preciso ser muito rico para ter acesso a algumas coisinhas divertidas. Só de pensar que há 15 anos um projector dos baratos andava nos 1000€! 

Escolhi estes artigos mas dentro do gira-discos em mala, do visor 3D e dos projectores existiam versões mais económicas:



Claro que ainda assim, as características dos produtos fazem-nos variar na eficiência mas digam lá se, por estes valores, não arriscavam uma compra? Os portes são gratuitos. Fazendo as contas aos cinco mais caros, o total dá 132.47€.

Paguei o mesmo para um electricista vir mudar uma tomada!! 
(para os que se recordam desse post).

sábado, 14 de fevereiro de 2015

DIA DOS NAMORADOS 2015


Ele entrou muito rapidamente dentro da loja de venda de produtos importados da china. E depressa encontrou o que pretendia: um coração vermelho. Foi para a caixa pagar. A chinesa que o atendeu quis impingir outro tipo de artigo mas o rapaz disse:
-"Não. Era isso mesmo que eu quero. Procurei por toda a parte. Um coração desses para apertar, anti-stress!"

Fiquei a pensar:
qual a namorada que vai gostar de receber como prenda de dia de São Valentim, o santo abençoador dos namorados, uma esponja anti-stress? Mesmo que seja em forma de coração!


Qual a mensagem subentendida? Que a relação é stressante? Que o namorado a julga irritadiça e uma rapariga stressada por tudo e nada?

O tipo pareceu satisfeito, mas suspeito que a satisfação foi mais pelo quão barato lhe ia ficar o presente. Podia ser um coração esculpido da poia de um cão. Desde que fosse barato e vermelho... estava "safo".

O que é feito de um ramo de rosas ou uma caixa de bombons?
Ah, as lojas dos chineses apagaram o romantismo e "tramaram" as doçarias e floristas um pouco por todo o lado...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Presentes de Natal - vou desbobinar tudo


Tenho uma família pequena, estendida à dos cônjuges são umas 20 e poucas pessoas, e todos os Natais costumo presentear todos. Este ainda não foi a excepção. Ofereci 16 presentes, um para cada pessoa que estava debaixo do teto de convívio natalício, fossem casais ou crianças. Recebi seis presentes. Um por cada "parelha". Por exemplo: uma família de três recebeu três presentes de mim, mas ofereceu apenas um. Também tenho quem todos os anos leve, mas nunca deixe. O que me faz pensar muito sobre as convenções. Como são rapazes e solteiros -ou melhor, vivem como se casados mas não foram à igreja nem ao civil dizer o «sim» (ao contrário dos outros), ainda se julgam abrangidos pela "lei" natalícia das crianças que, não sendo independentes nem tendo fonte de rendimentos, recebem mas não se espera que ofereçam presentes, a não ser por intermédio dos dois pais. Não sei que «convenção» dita que jovens adultos a viver na casa dos pais não têm de oferecer presentes de Natal mas devem receber, nem sei que convenção dita que jovens adultos a viver fora da casa dos pais porém não formalmente casados, de estado civil «solteiros» não têm de oferecer presentes a ninguém, mas se espera que recebam. Não sei quem «inventou» estas convenções mas sempre fui uma excepção à regra e agora começa a incomodar-me que mais ninguém o seja. Após todos estes anos, já são cerca de 20, começo a interpretar tudo isto como oportunismo. A meu ver não passa de sovinice.

Não tenho muito dinheiro, nunca tive um salário muito elevado e infelizmente já estive desempregada  muito tempo, sem receber tostão algum da Segurança Social porque trabalhei a recibos verdes. Desde a adolescência que adquiri o hábito de pegar numa qualquer quantia que tenha economizado e compro presentes a pensar em todos. Ou então faço alguns, também levando em consideração ada pessoa. Costumo gastar entre 120€ a 180€ na altura do Natal. Não me perguntem no quê - tento ser poupada porque é de minha natureza, mas quando vou a somar o que já foi gasto, surpreendo-me quase sempre. Este ano tentei economizar, como penso que toda a gente fez, e na sua maioria, ofereci doces caseiros. Um gasto mínimo em materiais e a oferta de algo que serve de alimento - que vai passar a ser a categoria que vou querer privilegiar. Ainda assim os gastos se mantiveram na referida escala monetária.

Agora vou falar do que recebi. Dos meus pais, como sempre, recebi com generosidade. Dos seus muitos defeitos, serem sovinas na altura do Natal não é certamente um deles. Aliás, se tiver de apontar alguma crítica é que deviam pensar melhor antes de se porem a comprar indiscriminadamente. O quanto gastam por Natal pode variar entre os 500€ e os 1500€! Este ano talvez tenham arrebentado o «escalão» e isso preocupa-me, pois só eu sei que têm dívidas ao banco - de valores mínimos divididos por muitos e muitos anos, mas a vida não está a facilitar nada a ninguém e eles não estão a alterar os hábitos de consumo de acordo com a nova realidade.

Depois recebi artigos comprados na loja dos chineses, que vinham com o cheiro típico e tudo. Artigos tão baratos e banais que nem tinham etiqueta. Mas o pior, para mim que não costumava olhar «os dentes» dos cavalos, foi um livro. Eu adoro livros. Gosto de ler. E não me incomoda nada que me ofereçam livros em segunda mão, desde que bem conservados. Já ofereci uns, sem saber porque pareciam todos novos como se de stock se tratasse, adquiridos nessas feiras-do-livro ao ar livre. Mas na altura do Natal? Um livro usado seria o de menos, se não estivesse a ser passado como novo! Todo cheio de marcas de uso e manuseamento, com os cantos moles e um vinco numa das partes. Mas o pior mesmo, aquilo que não apreciei, é que nem sequer se deram ao trabalho de me oferecer uma história. Um romance, um policial, algo do género. Ofereceram-me "reflexões". Um conjunto de «ses» que não me interessam por aí além. E nem sequer consegui identificar a editora, acho que é uma edição personalizada editada por uma entidade. Fiquei desapontada com a comprovada sovinice. Está certo que se «recicle» presentes, mas que o façam com coisas de jeito. Com o que comprariam para vocês mesmos. Uma vela, um sabonete, um bibelou... novos ou com aspeto disso. Se vos dessem como presente de Natal uma vela usada com o pavio cortado rente mas semi-ardido, não iam gostar, pois não? Então um livro sem história e com marcas de uso é a mesma coisa.

Já o ano passado esta mesma pessoa me surpreendeu ao me oferecer algo simples e sem serventia que obviamente não comprou ou se comprou não lhe custou muito. Sempre fui mais próxima desta pessoa que de outras e sei que é naturalmente sovina. Mas costumava também ser dada às «aparências», o que a fazia gostar de dar presentes de valor ou qualidade. Principalmente depois de casada, em que pode contar com parte do dinheiro do marido para determinados gastos. E por vezes fazia disso uma «competição» silenciosa entre ela e os irmãos. Porém, acho que deixou de sentir necessidade de aparentar ser generosa e abraçou de vez a sua sovinice. Creio até que seria ainda mais sovina, não fosse ainda estar casada, embora segundo ela a coisa ande quase para romper faz anos.

Eu sou poupada e gosto de reaproveitar e ser criativa muito antes disso virar moda ambiental mas ela é sovina mesmo, só pensa em não gastar dinheiro e é daquelas que passa anos a dar «toques» no telemóvel alheio mas não completa a chamada. E ainda por cima tem saldo, depositado pelo marido, mas não o quer usar. Eventualmente só o faz em caso de extrema necessidade.

Por tudo isto: os que não trazem presentes, os que trazem artigos baratos e os sovinas, este ano senti uma vontade tremenda de não dar nada a ninguém, a não ser a minha presença. E mesmo essa tive uma genuina vontade de poder partilhar com outras pessoas, que necessitassem. Andei à procura de voluntariado para o dia de Natal, ia gostar de me juntar a outros e ajudar a distribuir uma refeição, por exemplo, aos que estão mais sozinhos e precisam. Simplesmente achava que ia ser mais natal para mim se assim o passasse. Acabou que não foi mau. Numa casa onde se tem uma criança, o Natal anima sempre um pouco. Mas esta parte dos presentes... é melhor não olhar os «dentes do cavalo», porque nem todos te oferecem um que não os tenha podres.













segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Desejo para o DIA de Natal...

E se vos confidenciar que o que mais queria para o Natal era estar a trabalhar no DIA de Natal?

Sempre gostei do Natal. Concilia duas coisas que me fazem sentir bem: convívio em família e oferendas.

Mas nos últimos anos o Natal não tem sido a mesma coisa para mim. E isso foi uma surpresa. Passa rápido demais e dá a sensação que as pessoas mal entram pela porta, já estão a sair. E foi num desses momentos que algo me atingiu.


O que mais me decepciona é que se dê maior importância ao lado comercial do Natal do que ao lado do convívio. Oiço as pessoas a falar da compra dos presentes, a tentar encontrar algo barato mas que aparente ser caro, oiço-as preocupadas em fazer boa figura e não ficar aquém de ninguém e esquecem, de todo, que a essência do Natal é o convívio entre todos. Não se trata de rivalidades, não é uma quadra para a competição para se descobrir "quem é o melhor", o mais generoso, ou aquele que dá melhores presentes. Não gosto que o comércio se inunde de artigos natalícios três meses antes da data já deixando todos os consumistas stressados e reprovo a excessiva publicidade insistentemente dirigida aos mais pequeninos. Porque é que o dinheiro é o tema sobre o qual gira o Natal? Vemo-lo nas reportagens televisivas, ouvimo-lo nas bocas dos que se justificam por antecipação que o dinheiro não dá para "grandes" presentes «este ano» (que são todos).
Sim, dinheiro é preciso para viver em sociedade mas não é de todo essa a mensagem do Natal. Até me podiam oferecer um pacote de bolachas de água-e-sal de 40 centimos... (ia achar o máximo) não é por aí. Os reis magos levaram ouro, incenso e mirra. Podiam ter levado um calhau, uma ovelha, uns biscoitos. Um copo de leite, que seja. O valor está no gesto e na forma sentida como o mesmo é praticado. Isso é que é bonito. 

Compreendo que antigamente o Natal tinha outro sabor porque eu mesma era pequena. E compreendo também que mude, pois as pessoas casam, formam as suas próprias famílias e por sua vez também ganham outra. E têm de repartir o seu tempo entre todas. Mas não serve de desculpa para não se entregarem ao convívio. Se o capitalismo transformou o Natal em comércio, que seja. Não devem as pessoas é deixar que o mesmo comércio e capitalismo entre nos seus lares e comande o seu Natal. 


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Espírito de Natal (laços e embrulhos)

Quando era mais nova gostava de aproveitar os laços e os papéis dos embrulhos de Natal. Mas tinha de fazê-lo sem que ninguém percebesse (o que era difícil), porque diziam que aquilo era lixo e eu não devia guardar lixo. Era sempre recriminada e tratavam-me como se eu fizesse aquilo por ser sovina como o tio Patinhas, só para não gastar na compra de outros. Mas não era por isso. Eu gostava, como ainda gosto, de reutilizar os materiais. Eles desafiam-me, ficam ali a dizer que têm utilidade para outros fins e eu sei que têm razão... e quero descobrir quais!

Antigamente, mas não assim há tanto tempo quanto isso (apenas há uns dois anos), aproveitar o papel e os laços decorativos que vinham oferecidos noutros embrulhos era considerado de mau gosto. Era feio, pronto.

Como as coisas mudam! Agora, a chamada "crise" e os problemas ambientais anteriormente amplamente referidos mas nunca escutados, definitivamente ocuparam o seu lugar nas consciências de todas as pessoas (ou quase). Mesmo que não sejam ecológicas o suficiente, já têm essa noção incutida na sua mentalidade. E isso, meus caros, é o grande MILAGRE dos últimos dois anos: os defensores da preservação da natureza, que eram vistos como hippies meio alucinados que não se calavam com os direitos da mãe-terra, passaram a ter alguma razão...

Os meus embrulhos na adolescência eram feitos com tudo: papel de jornal, papel crepe, papel castanho, cartão, revistas, galhos, folhas de árvore, bolotas... tudo considerado de mau gosto. Lembro em particular de olhar para as embalagens de cartão das pizzas e decidir que tinham de ter utilidade. "Pelei-as", retirando-lhes a película de papel gordurosa e deixando apenas o canelado do cartão. Vireias do avesso, cortei-as, redimencionei-as e fiz caixas. Algumas pintei de dourado, coloquei glitters e "abracei" com fitas largas douradas e acobreadas, feitas com fios entrelaçados. Em alguns embrulhos coloquei uma folha de plátano totalmente seca e espalmada, para servir de cartão de identificação de boas-festas. Ideias... e folhas secas de plátano não faltam na rua nesta altura do ano!

O ano passado fiz um arranjo de mesa composto de folhas de plátano enroladas em forma de rosas (ideia que não foi minha, retirei de uma dica que alguém me deu), e enriqueci-o com outras folhas de diferentes tamanhos e tonalidades. Uma Oliveira em botão espantosamente encontrada tombada no meio do calcetado passeio forneceu-me os ramos com fruto que precisava para dar mais vista a tudo (agradeci-lhe pela oferenda inusitada) e a aplicação de ráfia vermelha no meio de tudo isto deu o toque final a um arranjo natural que ficou único e diferente. Ainda assim, quando desci à rua para apanhar as folhas, ou quando fiquei de volta dos ramos da Oliveira a tentar quebrá-los, quem passava achava estranho! Ainda havemos de avançar para o dia em que ninguém vai se importar porque já sabe para que servem!

Fiz muuuitos "embrulhos malucos", que era como os membros da família se referiram a esta forma de expressar a minha criatividade. Ontem passei a noite a alterar o aspecto de dois presentes que comprei para oferecer a duas crianças de idade inferior a 10 anos. O que lhes comprei era singelo no aspecto, mas muito divertido para crianças e decidi que, para elas, o certo era pintar e colocar uns apliques na base do presente, de forma a este ficar único e a transmitir a "energia" correcta.

Não sou a mente mais original e criativa do mundo mas sei que hei-de chegar ao último dia da minha vida com esta característica. Por muito que a tentassem extrair como se fosse um dente podre, pela pouca "água" com que foi regada e pelo pouco nutriente que recebeu para se desenvolver, ainda cá permanece como uma característica indissociável.

Agora, o que gostaria é que as pessoas pensassem melhor no "lixo" que o Natal produz e procurassem formas de o reduzir. O reaproveitamento do papel é uma delas. Embalagens grandes, como por exemplo grandes caixas com bonecos para crianças, podem voltar a embrulhar dois livros. Usar folhas de jornal para fazer os embrulhos ao invés de papel específico com uma bela estampa, o que antigamente era considerado de mau-tom, é agora aceite e visto como um gesto (ainda) original e consciente. Portanto, porque não aproveitar?

Boas-Festas a todos!! 

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Dia dos Namorados

Entrei numa loja de acessórios abarrotada de pessoas e depressa percebi que a maioria dos clientes são miúdas com os namorados. Amanhã celebra-se o dia e, logo a seguir, o entrudo. A loja estava a rubro!

. O que me fascinou foi perceber as dinâmicas ali. Um casal estava a ver qualquer coisa e o rapaz diz à rapariga que tem em casa algo com estrelinhas que ela deve gostar. Estão a procurar e a comprar algo juntos. Passo por outro casal e a rapariga está a mexer numa caixa de maquilhagem. O rapaz logo pergunta:
- Quanto custa?

Este casal estava a comprar algo para ela, oferecido por ele. Quando o oiço fazer a pergunta, acho-o estúpido. Pela primeira vez entendi aquelas mulheres que ficam PIURÇAS quando o namorado se põe a perguntar o preço de um presente. Foi mesmo estúpido! Se é para oferecer, de coração, essa pergunta não cai bem... estão numa loja de acessórios, não num stand de automóveis ou numa joalharia! Não vais à falência por isso, puto... Ela responde-lhe:


- "20 euros". Fá-lo num tom muito próprio do sexo feminino, que quer dizer: "quero mesmo isto, não respondas que não pode ser, porque é muito caro".
.
Ao mesmo tempo percebi o quanto o bixo homem é uma criatura de instintos animais básicos... que se submete a este ritual para ter sorte depois, à noitinha, quando estiverem os dois sozinhos! A expectativa do momento da recompensa parece valer-lhes o esforço, que, para uma maioria, é mesmo penoso... ir às compras com a namorada é quase como passar pelo matadouro e temer ser escartejado!

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Continuei a esbarrar em diversos casais enquanto vi tudo o que havia na loja, para depois decidir o que ia comprar. Passados mais de 10 minutos, a rapariga da caixa de maquilhagem ainda estava de volta dela, a abrir e fechar, a agarrar os acessórios, a olhar para as cores, e, o namorado ali ao lado, sem dizer nada.
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Otário! Compra-lhe a caixa e tens a vida facilitada! A tua namorada está há 10 minutos com a caixa na mão e não sabes se é o que ela quer? Ou temes que seja? Tens de ver ao que dás mais valor... aos 20 euros na carteira ou à namorada, com promessa de marmelada...
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Muitos homens ocultam a verdadeira natureza ao presentear com segundas intenções as namoradas com aquilo que querem, dando-lhes a sensação de plena generosidade. Para eles uma relação é um negócio. São tão calculistas que vão logo comprando essas mesquinhices e conseguem tudo o que desejam a troco de coisas de plástico... mas este puto não é suficientemente inteligente para entender que 20€ é uma miséria...

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Olha rapaz: se é esse o preço por uma caixa de maquilhagem completa de acessórios, com uma palete de cores que vão do roxo, ao amarelo, ao branco, ao rosa, ao preto... então é porque era uma bela porcaria! Devias ter agradado a tua namorada, dando-lhe toda aquela parnafenalha e era vê-la toda feliz! Só ias ganhar com isso. Assim, ela percebeu toda a hesitação, a má vontade, a falta de gosto, o apego pelo dinheiro... burro! Onde pensas tu que estavas? Numa joalharia fina? Num stand de automóveis? Se fosse numa perfumaria ou loja especializada, desembolsavas muito mais! Não menos de 60€... tótó!
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Depois de comprar as minhas coisinhas, ainda tive oportunidade de ver mais uma situação deplorável. Desta feita, o casal não era adolescente, mas já na casa dos 50. O homem tira da carteira uma nota de 10 euros, dá à mulher e diz que só pode ser aquilo, que não pode dar mais! Ela puxa a nota como se temesse que lha tirassem. Que velhaco! Só 10€?? Se fosse para um boletim do euromilhões, umas cervejinhas ou uma farra entre amigos, que se lixassem os 10, 20, ou 30 euros, não é? Mas que mau aspecto esta cena me causou!

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Tive pena da mulher, ali submissa, a receber uma "esmola" mixa, quase que publicamente humilhada... e ia procurar algo que lhe agradasse dentro daquele limite de preço tãaaao abragente :#! "Querida, por todo este tempo que estamos juntos... vales 10 euros! Toma lá, gasta-os e diverte-te! Vês como sou generoso?"

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Descobri assim, através de observações involuntárias, o que anos de vida não me ensinou...


Mas nem tudo estava perdido. A visão de namorados mais bonita que vi foi a de um casal idoso, com ar de quem se gostava mutuamente, cúmplices e, acima de tudo, aparentando respeito mútuo. Isso é o mais importante numa relação! Ver os dois de cabelos grisalhos, de braços entrelaçados, amparados um no outro a caminhar em direcção ao rio, num dia com sol mas com muito frio e muito vento, a celebrar serem namorados... fez o meu dia!