Mostrar mensagens com a etiqueta hábitos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta hábitos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Limpando a Casa

 
Hoje deu-me para as limpezas. O cheiro desagradável que consegui sentir pelas narinas a dentro estava a incomodar-me. Não sabia o que se tratava. Por isso decidi ir até ao caixote do lixo, onde na véspera a M. tinha-se queixado, mais uma vez, que havia mau cheiro. 

Mas ela tinha despejado o saco. Quando abri o cesto, vi que estava quase cheio até cima. E o cheiro vinha de lá. Além disso, faz quase duas semanas que temos a cozinha infestada de mosquitos. Até deixei um papel humorístico colado no frigorífico, à semelhança de outros que lá coloquei, mas a respeito da situação dos mosquitos.

Queria livrar-me de tudo: a sujidade, o cheiro, os mosquitos. Apeteceu-me.

Então lá fui eu, a inquilina com um ombro partido, pegar no cesto de 50L. Levei-o lá para fora, coloquei detergente da louça para o interior e, como gosto de fazer, despejei-lhe água a ferver. Usei a esfregona para lavar por dentro, visto que o cesto é fundo e eu não tenho grande mobilidade de movimentos tendo o ombro partido. 

Resultou muito bem. Esteve um pouco de sol e ali o deixei a secar. Mas depois não gostei... parecia-me que ainda conseguia cheirar ao de leve um odor desagradável. Trata de despejar lixívia e esfregar de novo. Gostei mais. 

Lavei as bancadas, varri o chão e lavei-o com lixivia. Aproveitei e tirei as dedadas e sujidade que estavam à semanas na porta do frigorífico. Aguardava que alguém "se tocasse". Ou seja: que alguém percebesse que deixa marcas porque abre as portas com as maos sujas e sentisse que tinha de limpar atrás de si. Mas como ninguém o fez, decidi aproveitar que estava numa onda de satisfação com as limpezas e limpei isso também. Abri as portas do congelador para poder aceder à mancha castanha no chão e também essa esfreguei. 

Infelizmente acredito que não vão passar nem 24h até eu notar um sinal de descuido por parte de alguém. Tudo o que mencionei: o mau cheiro, as dedadas, a sujidade... é mais da responsabilidade da M. 

Ontem ela queixou-se a mim que "alguém na casa" deixava mau cheiro no caixote. É para aí a quinta vez que mo diz.  "Não és tu. Eu sei que não és tu" - diz-me com sinceridade. Quando ela cisma, eu sei que não se cala com um assunto. Todos os dias vai "notar" aquilo, mesmo que não haja nada para notar. 

Estive para fazer um post disto. Porque não me agrada que ela esteja sempre a implicar com "os outros". Até me fez pensar que o Karma existe! Eu, vítima que fui na outra casa deste tipo de comportamento, aqui ninguém implica comigo. Pelo contrário: sou aquela que todos acham, ou aparentam achar, que deixa tudo limpo e arrumado atrás de si. 

É mesmo o Karma a funcionar. A dar-me o oposto daquilo que vivi e aquilo que me é devido. Amén.

Agora quando a M. regressou a casa, disse-lhe o que tinha feito. A reacção dela não foi de surpresa. "Cheirava a peixe" - disse-me. Respondi-lhe que não sabia. Mas ela estava naquele instante a fazer uma refeição de peixe. E percebi que era o mesmo cheiro. 

Foi ela!!

Claro que foi ela. É sempre ela. Diz que é os outros, mas é ela. Bagunçada, suja... Acho até que fez de propósito.

Ontem ela passou o dia inteiro em casa. E foi chato. Era outra coisa que ia para mencionar quando fizesse um post sobre isto. 

Ela começou a lavar roupa na máquina eram umas nove da manhã. De tardinha, lá para as 17h, a máquina ainda estava a funcionar. Foi máquinas e máquinas de roupas seguidas, sem parar. E os outros? Quero dizer: ela fez duas máquinas ou quatro na terça-feira. Tudo bem, pode fazer outras na quinta. Mas ela passou o dia inteiro nisso. Acho demasiado. E penso que é uma demonstração de egoísmo. Porque por mais necessidade que se tenha, há que pensar que outro alguém também poderá querer lavar algo naquele dia. 

Roupa que a M. 
Deixou cinco dias em cima das cadeiras.
Um dos casacos ainda o tem la.


Mas o que me aborrece mais na M. e sem dúvida que ontem ela fez isso, é que ela também vai para a cozinha e de lá não sai. Faz lembrar demasiado as experiências que passei com a Gordzilla. Não porque cozinha, atenção, mas porque o que faz deixa sempre um cheiro pestilento pela casa que não desaparece nem quando já chegamos à madrugada!

Neste instante, o mesmo cheiro de ontem, o mesmo cheiro de hoje pela casa inteira, é o que se faz sentir novamente: cheiro a peixe.

APOSTO que ela despejou' sem grandes cuidados' os restos pestilentos para dentro do caixote que eu passei a manha a lavar e nem quer saber.

Ontem, quando ela fez uma pausa, desci ao primeiro piso e tive de espalhar ambientador. O cheiro era horrível. Já o conseguia sentir no piso de cima, com a porta fechada. Mas pensei que era provisório, porque cada vez  que se cozinha algo, obviamente que tem de existir cheiro. Mas este depressa vai embora. Só que não. Com ela, tal como com a Gordzilla, o cheiro é incomodativo e parece que fica entranhado nas paredes. Acho que nenhuma das duas gosta de usar o exaustor ou abrir uma janela. Têm esse hábito somente se o seu nariz sentir-se incomodado com a cozinha dos outros.

Eram 18h o cheiro persistia. Não me sentia bem, decidi sair de casa para arejar. Ir ao supermercado. Regressei passava das 20h. Para minha supresa absoluta, a máquina de lavar roupa estava a funcionar. Consigo perceber que dentro dela giram as toalhas que a M. deixa sempre penduradas no toalheiro aquecido do banheiro. 

Mas quem é que usa uma máquina de lavar roupa de manhã até de noite??
Não acho normal.

Até me enoja um bocadinho. Porquê? Porque a renda da casa inclui todas as contas. E isso, para pessoas como a M., significa que pode usar à descrição, paga sempre o mesmo. Eu acho que abuso é abuso, exagero é exagero e que se devem manter hábitos normais. Não é porque não lhe faz diferença no bolso que deve ligar o aquecimento ao máximo 24h por dia. Tudo se paga. Se não for hoje, será quando a situação melhorar. E depois, face aos gastos, ou aumentam a renda, ou decidem parar de arrendar a casa porque dá muita despesa e pouco lucro.


Disse que me enjoava um bocadinho porque são exatamente pessoas como a M. que, se um dia tiverem a própria casa e tiverem de pagar cada grama e consumo de água, luz, gaz, vão mudar radicalmente de hábitos, passando a apagar todas as luzes onde não estão, a juntar roupa para lavar de uma vez só, a deixar de ligar o aquecimento a toda a hora. Não sou muito poupada, mas também não sou exagerada Façam-se 2 ou 10 máquinas de roupa por semana, pode-se não pagar mais por isso. Mas em termos ambientais não é nada bom para o ambiente. 

Há que ter bom senso.


 

sábado, 26 de setembro de 2020

Sinais de Furia : 27

Um pormenor importante aconteceu na casa: o rapaz que a M. não gostava, fez as malas e foi embora. Uma nova pessoa estará para vir. 


Com esta saída, a M. perdeu o seu principal alvo de implicância. Temo que não demore a encontrar um substituto. 

Despertei eram 1.30h da manhã. E desta vez, sem pesadelo, Ahah. 

Tinha sede.

Fui ao WC. 


Nisto, senti a divisão muito, muito quente. Queimei-me no radiador de toalhas. Nem notei que estava totalmente vazio. A M. deixa sempre toalhas e panos ali, nunca os tira. 

Senti necessidade de ir verificar quantos graus apontava o termómetro digital de aquecimento central. Foi apenas ontem que o coloquei de volta na programação automática, alterando a temperatura para valores de um a dois graus mais altos, visto  já não ser verão. Tinha sido colocado na temperatura manual porque durante o pico de calor, continuava a ligar-se. 

Desci então à cozinha para beber água e verificar o termómetro, que fica à entrada. Assim que entro deparo-me com um estendal de roupa. Percebo que é da M. que chegou a casa pelas 19h. Foco-me no que quero fazer: verificar a temperatura. 

Sabem quantos graus estavam?

27 graus!!

Acho que é uma atitude egoísta por parte da M. colocar um valor tão elevado porque quer secar as suas roupas rapidamente. A ausência de espaço para as secar foi o problema que detectei nesta casa assim que a visitei. Foi a própria M. e todos os que cá moravam a achar que a minha insatisfação com esse detalhe não tinha razão de ser, porque eles secavam as roupas nos quartos, sem problemas. 

Secar roupa no quarto? - minusculo como o meu é? Criar humidade? A ideia não me agradou. O que me safa é saber que lavo pouca roupa de cada vez e espaçadamente. Devo dizer que este detalhe dos hábitos de cada qual na lavagem da roupa também me surpreende. Noto que usam a máquina todos os dias. Para dizer a verdade, desde que cá cheguei ainda não fiz 10 lavagens. Devo andar perto, mas ainda não fiz. Vejo a nova rapariga, a M. e o rapaz a serem muito mais assíduos. Muitas vezes usam a máquina de lavar roupa todos os dias, em dose dupla. Será que os meus hábitos de higiene precisam de ser mudados?

Além de hoje de noite, a M. lavou roupa anteontem. A nova rapariga fez duas máquinas também. E o rapaz, ao chegar do emprego, atira a roupa para dentro da máquina e lava-a. Para dizer a verdade, já tive alguns momentos em que quis usar a máquina mas encontrei-a ocupada - vezes e vezes seguidas. Decerto que outros passaram pelo mesmo. É normal, numa casa partilhada. Há que aceitar. DESCOMPLICAR é a regra.

Ontem encontrei uma brecha - ninguém em casa, ninguém a usar a máquina. Lavei os lençois de cama e cobertor, que bem precisavam. Saíram da máquina quase secos e coloquei-os no quarto com a janela aberta, esperando um raio de sol. Secaram de imediato. Quando não dá para ser assim, gosto de secar a roupa perto dos radiadores. mas não a deixo horas nos radiadores. E estou sempre atenta, para a retirar assim que possível. Nunca nada fica de um dia para o outro ou horas e horas nos espaços em comum. Prefiro isso a aumentar a temperatura da casa inteira, incluindo a dos quartos onde todos dormem, para secar a minha roupa rapidamente.

Foi uma das falsas acusações da Gordzilla... se me permitem o aparte para relembrar a injúria.

Baixei a temperatura e dirigi-me até ao frigorífico para tirar um pouco de água e matar a sede. É então que reparo numa coisa. Que me deixa alarmada. A M. estava furiosa. Consegui perceber essa energia no ar. Mas é ela, que se diz uma espécie de detector sensorial, que consegue sentir a energia de todos, mesmo quando dorme. Ia para relatar aqui mais detalhadamente este seu traço de personalidade. Estou em falta, por isso faço agora um aparte para esse fim.

Quando o rapaz teve o seu problema de saúde, não demorou tempo algum para ela relatar que também passou pelo mesmo quando era mais nova. Dias depois dele regressar, ela diz-se com falta de ar e dor no peito. Depressa chega à conclusão que tem o mesmo problema do G. Marcou uma consulta médica, faltou ao emprego e foi consultada para esse fim. Mas nada saiu dali e pelos vistos, as palpitações e outros sintomas que jurava ter, não regressaram. 

Não pensem que não a apoiei por, no fundo, achar que ela imita o que se passa com os outros. Mesmo nessa condição, se existe a possibilidade de haver um problema de saúde, que se consulte um médico. Mas tal como desconfiei, ela regressou e nunca mais sentiu nada. 

Só voltou a sentir problemas de saúde quando eu mencionei que andava a sentir-me com falta de energia e cansada, após subir as escadas. Disse-lhe que por vezes isso me era normal, por ter anemia e problemas de tiroide. Não demorou mais que umas horas e ela estava a queixar-se do mesmo. Mais uma vez, diagnosticando-se com anemia e dizendo que tinha de ir ao médico. 

Também isso lhe passou.

A situação mais flagrante foi quando soube que eu me lesionei. Ela não soube logo. Não a vi nessa manhã, andamos desencontradas. Pensei que ela ia perguntar-me assim que me visse, se algo se passava, porque quando entrei em casa lesionada e ela estava no WC, soltei vários gritinhos de desconforto enquanto trocava de roupa e desinfectava as feridas. Ela deve ter escutado. Surpreendeu-me que não tivesse desconfiado, visto até que está sempre atenta a sons.

Na casa já outros sabiam, ela foi a última a saber. Foi na noite a seguir, depois de eu ter ido ao hospital, que lhe disse que havia me magoado no braço. Ia para lhe dizer que estava partido, mas ela interrompeu-me de imediato, para dizer que também ela tinha sentido dores na mão e no braço, não conseguindo os mover por muito tempo. Só tive tempo de lhe dizer: "Mas eu sei porquê estou assim. Caí". 

Ela não percebeu a gravidade, ficou estagnada no facto de ter despertado com os sintomas que presumiu serem identicos aos meus. Voltou a repetir-me isto no dia seguinte, a queixar-se de dores e preocupada com a sensação de imobilização. 

Mas ainda não sabia que eu tinha partido um osso do corpo. Pensou que era outra coisa. No dia seguinte viu-me com o braço no suporte de repouso. Quando percebeu que eu tinha um diagnóstico médico, havia ido ao hospital, tirado uma radiografia e descoberto que fracturei o ombro, foi quando mudou de discurso. Disse-me que consegue sentir a minha dor, a minha energia. 

Afinal, um osso partido não pode ela alegar ter. 

Autoproclamou-se então uma espécie de detectora de doenças alheias. Ainda que tenha falhado detectá-las no momento em que ocorreram e só as sentir depois de tomar conhecimento das mesmas. Quem sabe? Provavelmente tem mesmo este dom mais desenvolvido. Ou se calhar, é uma boa maneira de se convencer que não tem antes uma doença mais relacionada com o foro psicológico.


Mas que vi eu quando me dirigi ao frigorífico, que me revelou que ela estava furiosa??

Dois panos atirados para o topo do mesmo. Panos que não são os dela, pertencem aos outros dois da casa e com os quais embirra.

 O frigorífico é muito alto. Ninguém coloca nada ali. Não faz sentido ser aquele o local para panos. Mas eu sei, porque ela quase todos os dias mo diz, segurando com nojo um deles e desviando-o do lugar onde o encontrou, que a enerva chegar a casa e ver os panos desdobrados em cima da bancada. 

Se era assim que eles estavam quando ela chegou ontem de noite, eu não sei. A última vez que os vi, estavam enfiados na barra do fogão, onde já estao outros dois, que são dela. Foi a senhora da limpeza que os prendeu ali. 

Como foram parar em cima do frigorífico só posso especular. Mas acho que especulo corretamente. Resta-me tentar entender qual vai ser a reacção dos outros dois na casa, quando precisarem do seu pano e perceberem onde foram colocados.

O rapaz está por um fio... acho eu.

Ele gosta dela, muito. Mas não consegue mudá-la. Não consegue agradá-la. Não consegue fazê-la ver o seu ponto de vista, ela está sempre em desacordo. Com isso ele sente-se rejeitado, incompreendido, vítima de implicância. Fica enervado com as constantes observações e reprimendas que ela lhe faz. Foi isso que o fez desejar mudar de casa. Disse-lho a ela, como quem deixa um aviso. Mas ela não se emocionou. Ou recuou nas suas atitudes. Ele acabou por ficar mas cada vez que ela volta à carga mais implacavelmente, sinto-o a voltar a ter esses pensamentos.

Ele não tem chance com ela, consigo perceber agora. Noutro dia ela confidenciou-me que se irritou com ele, por a interromper quando ela estava a falar. Foi num momento que ambos estavam a falar de um assunto. eu estava presente. Achei que a conversa fluiu naturalmente. Não detectei nenhum atropelamento abusivo. É natural, por vezes, as pessoas falarem algo em cima do que outra diz, para completar, acrescentar. Qualquer pessoa de fora não teria visto nada de anormal ou detectado a presença de uma pessoa insatisfeita com o comportamento de uma outra.

Ela está sempre a confidenciar-me destas coisas em relacção a ele. Disse-me que lhe parecia a ela que ele queria alguma coisa dela, mas que ela não quer saber dele. O que ele quer é sentir que pode conversar com ela e ser escutado. Quer o normal...

Enfim...

Quem nasce para lagartixa jamais chega a jacaré.  


Quando ao rapaz-que saiu, o JA, fez ele muito bem. Muito bem mesmo! Eu também faço as malas e parto para outra assim que perceber que não serei aceite pelos restantes. Bastou-me aquela experiência. Acho que foi uma aprendizagem bem intensiva, que me passou a lição. 

Ter visto o mesmo acontecer com outra pessoa fez-me entender que é assim mesmo que a vida é. E de nada adiantava ao JA tentar agradar. Porque o olhar e a cabeça dos restantes estava pré-formatada na narrativa que lhes foi injectada. Fosse o que fosse que ele fizesse, a tendência dos outros é procurar o errado e não ver o certo. 

Acho que o JA se esforçou um pouco para não incomodar. Notei nele alguns cuidados que não lhe vi antes. Mas ainda assim não eram suficientes. Na realidade, de nada adiantavam os seus esforços. Tinha sentença passada. Herdada até por ex-inquilinos. Ou se anulava e se deixava pisar - como aconteceu comigo, ou fazia as malas e ia embora. 

É sempre a melhor opção - a de ir embora. Nunca se sabe o que se vai encontrar noutro lugar. Mas com sorte, ele vai partilhar casa com pessoas que não se incomodam com a sua maneira de ser e o aceitam.

Creio que não corro novamente este risco. A atmosfera é simplesmente diferente. Nunca nada será perfeito, conflitos podem surgir. Faz parte. Mas aqui estou à vontade. Não fui forçada a alterar quem  sou, abandonar o melhor de mim, por isso "incomodar" os outros. Não preciso deixar de cozinhar para ceder espaço a quem não larga a cozinha e sei que não vão acusar-me de a deixar suja assim que me vêm a acender um bico de fogão ou a ligar a torradeira.

Sou eu mesma. Limpo tudo. Cozinho para mim mas, por vezes, também a pensar em todos. Se estes estiverem com vontade, há comida que chegue. Estão à vontade para se servirem de algumas coisas específicas. Penso que ninguém tem problemas comigo. Mas o melhor mesmo, é nem ter mais este tipo de receio a assombrar-me. Aos poucos, recupero-me. Fortaleço-me.
E na cura, percebo o quanto afundei... a dimensão do mal a que me sujeitei. 

Mas sobre isso não vou mais pensar.


Quando surgir a oportunidade, tenho a certeza que a M. vai desabafar comigo o que a irritou. Vi a vela queimada no WC - sinal dos seus rituais para se equilibrar espiritualmente. Há sempre algo feito pelos outros que a desalinha, que a incomoda. Ela até se esforça muito. Pelo que me contou, estaria sempre a explodir com todos que a rodeiam se não fizer o seu "treino" diário. 

Gosto da M. mas... confesso... preferia não viver com ela. Sou mazinha??

Espero que não. 


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Ninguém me entende


Ninguém entende porquê...

1) gosto de «ir lá fora» nas pausas de trabalho. (se não fumo). Não entendem e ACHAM ESTRANHO.

Perguntam-me:
-"Porquê não ficas lá dentro?".

Ninguém entende porquê...

2) Gosto de caminhar de/para o trabalho. ACHAM ESTRANHO.

Perguntam-me:
- "Vieste/foste a pé?".


Ninguém entende. E eu não entendo porquê lhes faz confusão e não entendem.

Fazem-me sentir um alien!
(Mas não acho que sou)

"eu" quando saio para a rua

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Propaganda enganosa


Ontem acordei muito cedo. Pelas 7.30 dirigi-me ao Hospital para tirar sangue. No regresso, deu-me para pegar na vassoura e comecei a varrer a sala e o anexo. Sabia que ainda estavam três pessoas a dormir. Pelo que fiz por ser silenciosa. O que implica não usar o aspirador.

Varri tudo detalhadamente, removendo migalhas de todos os cantos. Depois apanhei a sujidade com a pá e vassoura menores. Coloquei água quente no balde e despejei no interior três detergentes diferentes. Passo a explicar: a mais-velha gosta de manter embalagens vazias. Tem quatro de detergente e amaciador para a roupa em cima do tampo da máquina de lavar, totalmente vazias e, para não surpreender, também fui encontrar algumas vazias no armário. Então nunca sei quando vou encontrar coisas cheias ou vazias. 

Peguei na lixívia que comprei - estava vazia. Peguei na outra - vazia estava. Só saiu de cada uma gotinha. Uma outra embalagem de limpeza de superfícies - também vazia. Coloquei as três em cima do tampo da cozinha para depois as deitar fora.

Quando estava a lavar os cantos da sala - por onde começo caso alguém precise passar, percebi que o chão estava a secar rápido. Por isso passei a esfregona no centro. Nisto desce um colega. Não dá tempo para a área secar. Digo-lhe que pode passar. E ele passa. Depois surge outro, e mais outro. Tomam conta da cozinha e atrapalham a limpeza. Lá consegui lavar a sala e o anexo, mas não consegui passar o pano de pó no móvel e na TV. Nada que não possa fazer no dia seguinte. Mas atrapalhou um pouco. Principalmente porque, ao passar, vi que aquela zona que tinha varrido e lavado já tinha migalhas. 

E as embalagens vazias que deixei no tampo tinham voltado para o armário.

O curioso é que, tento manter um cantinho no frigorífico para guardar uma caixa de ovos. Sei que se vagar o espaço, este é ocupado com merdinhas que nunca saem dali. Por isso, em duas ocasiões, servi-me do último ovo e deixei a caixa no lugar. Até porque era para colocar novos ovos dentro. Pois estes italianos são tão rápidos a perceber o que lhes interessa, que em ambas as ocasiões sem eu dar por ela e em menos de 24h, tiraram a embalagem do frigorífico. Algo que não lhes pertencia e não lhes competia fazer. Se ao menos estivesse ali há semanas... compreendia-se. Mas o que vejo são   frascos e mais frascos de molhos que já devem até ter expirado, porque faz meses que ali se encontram. Isso não deitam eles fora! Não me pertencem. Se pertencesse, era o que lhes ia fazer espécie. Assim, a sujidade, a má arrumação, nada os afecta. Só a caixa para guardar os ovos os incomoda.

Se deitam fora uma caixa para ovos que não lhes pertence e está discretamente no frigorífico, porquê foram guardar três embalagens de detergente vazias no armário??


WTF?
É assim... dividir casa com alguém. Tem de se fechar os olhos a tudo.

Mas e os ouvidos? 
Acho que percebi o mais-recente a comentar à mais-velha, que adora maldizer, que eu estava a lavar o chão sem aspirar. Isso é sacana. Ele não viu o que fiz antes. Quanto mais consideração se tem, menos apreço se leva. Chiça! Mas o que acho mesmo irónico, é que aquela expressão que diz que há quem atire pedras tendo telhados de vidro encaixa aqui perfeitamente. Assim como o "diz o roto ao nu".

Estavam a criticar-me por limpar, dizendo-se melhores, mais perfeitos e metódicos. Mas ainda não vi o rapaz fazer outra limpeza. E para ser sincera, se for espreitar debaixo do sofá, sei que encontro a mesma porcaria que encontrei na primeira vez que limpei a sala. Sei que atrás da TV iriam estar teias de areia e novelos de pó. Concluí - e estas pessoas só vêm a reforçar, que quem muito se auto-publicita como bom em algo, está a fazer publicidade enganosa. 

A mais-velha andou ali a inventar algo mais, para se fazer sobressair como heroína. Maldizer-me é um seu hobbie favorito. E parece que já abriu caminho com o colega mais-recente. São todos italianos, o que esperar?

Ela é tão hipócrita e não se manca, que andava sempre a contar a história do cheiro nauseabundo a comida, proviniente dos cozinhados de um casal indiano que cá morava quando ela para cá se mudou. Contou vezes sem conta que quando chegava do emprego tinha aquele odor forte e tinha de ser ela a abrir as portas e janelas. Que eles iam lavar a louça quando a viam chegar. 

Ela na cozinha é pior. Faz fritos e não liga o exaustor, não abre a janela, não abre uma porta. É comum o cheiro dos cozinhados durar até 48h e fazer-se sentir até nos quartos. E tem a lata, até hoje, de maldizer a reputação dos indianos contando vezes e vezes sem conta a mesma história. Onde é que ela é diferente? os cozinhados dela são melhores que os dos outros?  Os dela são perfumados com rosas, querem ver? É o velho ditado: "não te mancas"!

Eu só uso o microondas. Deixei de cozinhar no fogão e no forno. Por causa das merdinhas deles. Prefiro assim. É mais rápido e não conto ter muitas chatices. Um destes dias coloquei cogumelos com salsichas por quatro minutos e quando regressei, o rapaz tinha aberto a janela da cozinha! O cheiro ainda nem tinha passado da ventalização, a porta do aparelho ainda nem tinha sido aberta. Mas já "incomodou" o menino. No microondas, nenhum odor dura muito tempo. O que cozinho dissipa-se rápido. E é ele que tem o hábito de ligar o forno por quase uma hora, deixando-o vazio e na temperatura máxima. Só depois coloca coisas dentro. O cheiro é terrível e duradoiro. Quando tomo banho até receio que o cabelo e as roupas fiquem com o odor da gordura e cozinhados. 

E são estas pessoas que censuram os hábitos dos outros.
A falta de noção choca-me.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Psicologia das bananas


Ela cerca-se com coisas de crianças. Veste pijamas da Barbie. Os edredons que tem na cama mudam constantemente, mas mantêm uma constante temática: harry potter, little ponney, barbie.

Ela fala com uma voz esganiçada meio que infantil, meio que sedutora. E ela tem 30 anos.


Falo de uma das colegas da casa. Cedo percebi que tem preferência por girly-things e isso se manifestava até na forma de agir e comunicar com os outros. O que por vezes tornava o som da sua voz um pouco incomodativa, por falar tudo em voz alta e ter sempre aquela entoação intencionalmente infantil, quase sempre de mãos-dadas com risadas algo planeadas e também excessivas.


Mas ela agora tem outro brinquedo: um namorado.
E subitamente o edredon da cama passou a ser listado de preto e branco. Já não sei se é ela que está em casa ou outra rapariga, porque quando fala esquece de o fazer alto e com aquela voz em tom infantil e esganiçada. 

Também me pareceu que alterou o comportamento.


Menciono-o por achar curioso como as pessoas se comportam.
Bem que suspeitei que aquele gosto revelava solidão, insegurança e anseio por intimidade. Daí reverter para uma altura em que foi criança e sentia o imenso amor, proteção e carinho dos papás.
Precisava disso, desejava-o, mas não o obtinha. Então foi buscar de volta um comportamento algo infantil e cercou-se de produtos de criança mimada. 


Será que dava uma boa psicóloga?

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Não saber estar num autocarro


Cheguei à conclusão que aqui nesta cidade as pessoas que andam de autocarro são todas burras.
Calma! Não estou a ofender ninguém à toa. Então justifiquem lá isto: quando entram e os lugares sentados estão ocupados, ficam-se pelas portas traseiras. Ninguém sobe para a parte de trás, onde certamente vão vagar mais assentos na paragem seguinte. Eu se poder, fico por ali, porque além da possibilidade de me sentar ser mais elevada, é também o único lugar num autocarro por vezes lotado onde não se viaja apertado.

(estes ingleses são muito burros!)

Todo o cuzinho que entra no autocarro, acumula-se ali na porta traseira, entre o degrau para subir e o piso inferior, com a barriga e as malas enfiadas no sentido onde gostariam de ir, quase a meterem-se no "colo" do passageiro sentado na cadeira perto do degrau. 





Mas o que me enerva todos os dias é um hábito que todos aqui têm. Acho-o repulsivo. Tenho vontade de dar uma lição de civismo nestas pessoas. 

Então não é que assim que alguém desocupa um lugar, os que já viajam sentados correm para o apanhar? Falo, claro, dos lugares à janela... Podem vagar cinco e tu, que acabaste de entrar para sentar, não tens hipótese. Só vês vultos a mexer e subitamente os lugares vazios são todos à coxia. 


Para mim é um comportamento altamente condenável. De bom tom é, se já viajas sentado, deixas-te estar sentado. Ou trocas de lugar sim, mas não quando outros estão para se sentar, não quando estão passageiros a entrar com essa finalidade. Se o teu CU já viaja sentado, que direito pensas ter de especial para poder fazer "upgrade" do trono??


E tem outra... Quando está sol, o comportamento é oposto. Fogem dos lugares à janela e vão para a sombra na coxia. É ou não é repulsivo? Demonstração pura de egoísmo. 

Para não falar dos lugares reservados a idosos e deficientes. Em Lisboa, de vez em vez, ainda se vê o autocarro com gente em pé mas esses lugares continuam vazios. E as pessoas cedem sempre a quem de direito. Aqui sentam-se neles quem quiser. Jovens principalmente. Se aparecer alguém mais idoso, ninguém oferece o lugar. Esperam que o peçam e, na realidade, a menos que a pessoa venha a coxear ou use uma bengala, tornando assim a sua necessidade obvia, ninguém se move. 

Uma vez ofereci o meu lugar a um casal de pessoas enxutas, mas mais velhas, pois percebi que era-lhes difícil segurarem-se e equilibrarem-se com o movimento do veículo. Ela estava a amparar o homem. Ofereci e ela recusou. Logo de seguida duas pessoas ao meu lado largam o lugar e o casal senta-se e relaxa. Bem que podia ter aceite o meu lugar, não os estava a chamar de velhos por causa disso. O alívio e conforto que retornou aos seus rostos quando se sentaram foi obvio. E o casal que se levantou, se ia sair na paragem seguinte, também podia ter demonstrado a mesma atitude que eu. Mas não. Preferiram continuar a viajar sentados até o último minuto. O casal podia ter pedido os lugares reservados, mas também não o fazem. Só pessoas com bengalas ou a coxear são capazes, diante do obvio, solicitar ou esperar que o simples visualizar da sua situação faça com que esses lugares vaguem. Pessoas idosas, sem dificuldade de locomoção visível, parece que são orgulhosas demais para tal.

À entrada do autocarro estão dois lugares individuais isolados, um em cada lado, à semelhança do que acontece em Portugal. Um atrás da cadeira do motorista, outro do outro lado, idêntico. Noutro dia enervei-me em silêncio com o que vi. Viajava atrás e os lugares à minha frente estavam todos vazios. Vejo duas mulheres que conversavam sem parar, a entrar em primeiro lugar e percebo que, mesmo viajando juntas, vão cobiçar os lugares individuais. Dito e feito: A primeira a validade o passe sentou-se na cadeira individual e a outra fez o mesmo. Antes mesmo do terceiro passageiro passar, já o palrrear das duas, mais os movimentos dos braços, atrapalhavam quem queria passar. Cada uma delas virada para o centro, cada qual a falar mais alto para se escutar.

Não era mais civilizado não imporem a conversa privada a todo o autocarro e terem-se sentado uma ao lado da outra, num dos tantos lugares disponíveis? Claro que sim. Mas as pessoas aqui regem-se por um princípio de egoísmo que não entendo.

Outra coisa que aqui não se faz: não existe respeito pela ordem de chegada na paragem. Tanto pode entrar primeiro no veículo a pessoa que chegou naquele instante, como outra qualquer. A que estiver mais perto da porta, entra. Não há cá "direitos" civis não pronunciados mas seguidos, regras de etiqueta, de cortesia, de educação, que ditem que é de bom tom permitir que as pessoas que aguardam a chegada do veículo há mais tempo, entrem primeiro. 

Nada!
Aqui até se surpreendem comigo, quando digo à pessoa que estava à minha frente, para fazer o favor de entrar.


Conclusão: aqui as pessoas não sabem utilizar o autocarro. 
Não digo em toda a inglaterra, porque creio que no centro de Londres é diferente.
Mas nesta cidade da periferia... é como descrevi.



quinta-feira, 28 de março de 2019

Um trabalho de lazer e a memória celular


A agulha penetrava pelo tecido e as mãos repetiam um gesto que subitamente entendi que era adquirido pelos genes. Fosse com a mão direita, ou com a esquerda, lá estava eu a alinhavar o edredon após o cortar em pedaços menores.

O que percebi foi que nós somos o conjunto de todos os que nos antecederam. Não somos somente fruto da época onde calhamos e do que nos rodeia. Carregamos sempre algo transmitido nos genes - e não falo apenas de doenças. Falo de formas de pensar, agir, temperamento... 


Um documentário que vi recentemente - três idênticos desconhecidos - revelou que existiu um projecto nos anos 60 que visava estudar gémeos separados à nascença, colocando-os em ambientes distintos: classe alta, média e pobre. Três desses bebés encontraram-se por acaso aos 19 anos. Foi um tema mediático, encarado como algo divertido, fantástico e engraçado. Mas por detrás do que lhes aconteceu como órfãos, estava um intento: um estudo sociológico sobre aquilo que somos: iriam os gémeos demonstrar características em comum ou iriam distinguir-se de formas diferentes conforme o meio em que foram inseridos?

O estudo nunca viu a luz do dia mas a determinada altura uma das que sabia que o mesmo estava a decorrer, disse: "Não é bom, pois não? Nós gostamos de pensar que temos algum controlo sobre aquilo que somos e o que fazemos. Se a hereditariedade for mais forte e não importa o que alteremos então qual é o propósito?".

Nós somos sim um misto de tudo. Mas agora, enquanto alinhavava com linha e agulha um pedaço de tecido, senti que aquele gesto nem era meu. Foi-me "colocado" na memória celular por gerações e gerações de mulheres. Essas sim, conhecedoras de tudo na arte da costura, do remendo, da transformação. 

Não posso dizer que aprendi a costurar, porque não é verdade. Nunca tive aulas. Minha mãe deu-me uma agulha e linha, mostrou-me como a enfiar no buraco de agulha (coisa que até hoje faço com a maior das facilidades no mais pequeno buraquinho enfia-se a linha, quase sempre à primeira). Pelos 11 anos estava a fazer vestidos para a única boneca Barbie que tive na vida. E já então, com essa idade, algo nessa prática vinha dos genes. Falta-me conhecimentos, falta-me técnica mas o trabalho é feito. Com gestos transmitidos por indefinidas mulheres da minha linhagem que os reproduziram incontaveis vezes, sentindo orgulho e satisfação em poder ajudar a família e os necessitados com essa sua habilidade. Sinto que outrora havia prazer em dar nova vida a algo que de outro modo não teria serventia. 



A decisão de fazer isso ao edredon de casal que tinha na cama de solteiro foi tomada há um ano. E finalmente pus mãos à obra. Aqui vêm-se muitos a ser descartados, pois esta é uma cidade de  trabalho sazonal cheia de indivíduos a cá trabalhar por curto tempo. As pessoas estão em constante mudança de casa, abandonando o que não lhes é conveniente transportar. São centenas os edredons que vão para o lixo, novos que são comprados... E não me parece que sejam feitos de um material reciclável. Sabia que, assim que o Inverno nos abandonasse, ia querer transformá-lo, dar-lhe outra vida. Nem que fosse na forma de almofadas. 

Decidi forrar a capa do colchão com parte dele, assim seria fácil enfiá-lo na máquina e o lavar. Além de dar mais conforto lombar e protecção de formação de odores. O edredon mal chegou "vivo" aos dias de hoje após a última tentativa que fiz para o lavar à mão, o ano passado. Já estava todo rompido e com forro a aparecer por todos os lados. O tecido ficou frágil depois da lavagem, fácil de rasgar. 

A mão que alinhavava não era só a minha

Teria sido muito mais fácil deitar fora (não, por acaso não teria sido porque deitar coisas fora não é uma ideia que combine muito com o meu ser). E não é por ser sovina, é mesmo algo intrínseco, algo de alma criativa e questionadora. Não há coisa que não olhe que não ache que tem utilidade. Acredito que tudo se re-aproveita e não existem bons motivos para deixar um produto contaminar o ambiente e ser apenas lixo. Mais uma vez, parte deste sentir acho que é hereditário, vem dos meus antepassados. Antigamente não se desperdiçavam coisas, nada era considerado lixo. Se de tripas fazem chouriços e de merda se faz adubo, de facto não faz sentido existir desperdício do que quer que seja. A natureza providencia tudo e assegura-se que tudo o que providencia recicla-se. Não há muitas gerações, tanto ricos como pobres, sabiam que tudo tinha uma utilidade. Para mim este é o conceito que faz sentido. Algumas vezes sou criticada, chego mesmo a ser ridicularizada, mas acho que isso só acontece por ter nascido numa era em que o "aceitável" é considerar tudo descartável e o socialmente correto é correr às lojas compras coisas novas. 

Não dei conta do tempo passar. Calculo ter ficado quatro horas de volta do alinhamento, do corte, e das medidas. Tanto tempo naquilo e o meu corpo não se sentiu cansado, a minha vista que teve de afunilar a cada espetada de agulha, não se sente cansada. Foi um trabalho laborioso mas... de prazer. Tarefa terminada!

Acho que até isso, essa satisfação e ausência de cansaço, deveu-se a sensações vividas pelos que me antecederam. De alguma forma, consigo-as sentir também, ao executar algo semelhante. 

Viram nas fotos? Nada de especial, não é mesmo? Contudo, aprazível.




sábado, 15 de dezembro de 2018

Os britânicos e o Fuck


Não sei se é da zona onde moro, mas quando oiço pessoas que vivem no UK dizer que acham os britânicos um povo muito civilizado... ah, eu não vejo assim.

Nesta cidade onde vivo os brits devem ser originários de uma low class. Classe trabalhadora, na sua maioria. Com pouca educação ou uma em que é OK mostrar irritabilidade e desatar com ofensas pelo mais pequeno motivo. 

Basta-me espreitar à janela que a maioria das situações que presenciei passam-se mesmo à frente da porta. Com tanto passeio ao longo da rua, é sempre frente à porta que se põem a discutir.

Ontem ouvi uns gritos e palavrões e lá fui espreitar. Ao que parece, por causa de um encontrão enquanto se cruzavam no passeio, quatro pessoas começaram a chamar nomes uns aos outros. O mais "animado", um homem mais jovem com ar de quem bebe e consome demais (segurava uma bebida na mão mas aqui é comum ver isso) ameaçou o mais velho - um homem com gorro e de barba longa, mais branca que grisalha que, sem levantar a voz mas usando uma linguagem de rua, ao invés de se afastar caminhou uns três ou quatro metros para confrontar o indivíduo (bad idea). 

A troca de palavras, o esbracejar, tudo continuou em exagero. Muitos, mas muitos FUCK foram pronunciados. Quando se afastaram, continuaram a maldizer-se à distância. O homem barbudo voltou de onde veio e foi aí que vi que estava acompanhado de uma mulher (assim como o mais novo). O rapaz que continuava o seu rol de Fucks virou-se novamente para trás em mais uma das suas queixas (aparentemente o rapaz transportava uma bicicleta e o problema começou aí) e a mulher, que devia estar quietinha, fez-lhe um manguito com os dedos da mão direita. O rapaz ficou mais chateado, começou a gritar "eu vi que me estendeste o dedo! Eu isto, eu aquilo..." O homem barbudo que caminhava, pára, volta-se para trás, e diz:
-"Eu não te mostrei o dedo, está a mentir".

E é assim que uma mulher pode destruir a vida de um homem. Ahahah.

O gesto podia ter causado uma fatalidade. Os dois já estavam a se afastar, o que ela fez foi uma estupidez desnecessária, estúpida e cobarde, foi deitar mais combustível na fogueira. 

Afastaram-se de vez e... durante mais cinco minutos continuou a ser possível escutar à distância os FUCK do rapaz. À vontade, pronunciou-os pelo menos 50 vezes. Vi-o depois a atravessar a rua, a empurrar uma bicicleta, acompanhado de uma mulher mais um outro casal. Ainda se escutavam os fuck.

Tudo gente cheia de classe, ahah!

Da janela do meu quarto já presenciei várias discussões. Não sei se é o espaço aberto para um carro poder aqui estacionar que proporciona-lhes a vontade, mas costumam estar a discutir pela rua inteira, acabam sempre por parar aqui para a parte mais "calorosa".

O que mais me decepciona são as discussões entre casais que têm crianças à volta. Numa ocasião o rapaz gritava com a mulher que empurrava um carrinho e haviam mais duas crianças junto. O rapaz estava a terminar com ela, acusando-a de andar com outro, beijou uma das crianças dizendo que o ia visitar depois e as outras... ou não eram dele ou se alguma era, ficou claro que só se interessava por uma. Tudo isto na frente das crianças, em público. Os gritos, as acusações de infidelidade, de tê-lo enganado para que ficasse com ela... 

Tudo à minha porta.

E hoje, enquanto caminhava sobre a chuva empurrando o meu trolley das compras, uma carrinha branca pára na estrada. Pressinto que espera que passe mas penso que é porque vai virar para uma entrada de parqueamento que estou no momento a passar. 

De imediato oiço buzinas e abafado pelos vidros, gritos assim: "Sai da merda da frente, sua cabra estúpida!".

E é assim...
Para mim os britânicos são isto.
Não vi diferente.

Se existem diferentes, não devem morar por aqui. E devem circular de carro, porque os que andam a pé (e em carrinhas brancas de empresas de construção ou em carros vermelhos, já agora) são uns mal educados do car... valho. Ou do Fuck, para ser britânica :)



domingo, 9 de abril de 2017

Hábitos e práticas para serem relembrados


Ainda bem que alguém fez isto!
Sempre tive curiosidade e era da opinião que não podia ser um bicho de sete cabeças. Faz um pouco de confusão pensar que os hábitos mudam com o tempo e que, só por causa disso, caem em esquecimento. Mas aqui está: como iam as senhoras à casa-de-banho quando usavam aqueles vestidos do século XIX??


Pois achei ainda mais fácil do que quando eu vou com calças, Kkkk.


PS: Não acham a indumentária de antigamente tão linda e feminina?

segunda-feira, 20 de junho de 2016

EUA: alimentação perigosa e Grupos de terapia


As minhas «amigas» americanas no facebook são, na sua maioria, senhoras com idade para serem (e são) avós. Pessoas que nunca conheci pessoalmente mas que foram simpáticas quando comecei a entrar na rede social para aceder a um jogo que «todos» jogavam. Quantos mais jogadores melhor seria o progresso e então recebiam-se convites ao calhas, de pessoas desconhecidas. Achei que pessoas de fora seriam mais seguras. Certifiquei-me apenas se pareciam jogar e ter coisas «normais» nos perfis. Como tinham, aceitei a amizade. E daí fui progredindo no jogo que «todos jogavam», porque as estrangeiras eram de facto atenciosas jogadoras. Coisa que as de cá esqueciam de ser. 



Bom, este é o motivo pelo qual ainda tenho umas tantas como amigas. Já troquei algumas palavras com uma e outra, sobre o jogo, e todas sempre se mostraram afáveis, generosas e atenciosas. Fiz por retribuir. Se a internet tem algo de bom é isto de poder comunicar com alguém bem longe, desconhecido ou não, para partilhar um prazer em comum. Sei que muitos homens são totalmente obcecados por jogos online com múltiplos jogadores de vários países. Portanto, antes que apareça aqui alguém a dizer que isto é coisa de "gajas", tenham em mente os telhados em vidro, eheheh!


Explicado o motivo pelo qual este contacto começou, vou agora abordar as impressões que acabei por reunir ao longo dos anos, devido aos post que estas americanas vão publicando. 

Fui percebendo graus de parentesco, hábitos, costumes... e estilo de vida. 

Surpreendeu-me por exemplo, que lá se recorra mais do que pensamos aos "grupos terapeuticos". O termo adoptado por cá pode ser "grupos de ajuda" mas prefiro a tradução fidedigna por o significado ser mesmo este. Já todos ouviram falar, mais que não seja pelos filmes, dos AA (Alcóolicos Anónimos). Mas existem mais grupos, tantos que nem dá para contar: fumadores anónimos, toxicodependentes anónimos, sexo-maníacos anónimos, sobreviventes de cancer, etc, etc. Tudo o que precisa de ajuda, criam um grupo e vão frequentar. Isto é comum, não é motivo de constrangimento. Mas ao chegar ao grupo, logo no primeiro dia, as pessoas mais ou menos sentem se aquilo é para elas ou não. E se não sentem uma conexão, partem para outro. Até essa conexão surgir.


Na minha opinião, ao se ter criado um afastamento com a igreja, acabou-se por perder um pouco desta "terapia" que a simples frequência possibilitava a muitas almas. Umas mais necessitadas que outras, umas mais activas que outras, mas creio que todos nós necessitamos de desabafar, de ouvir conselhos, de partilhar coisas. 

Sem dinheiro para terapeutas, psicólogos ou psiquiatras - cujo tempo de espera por consultas pelo que ouvi falar é tão stressante quanto qualquer stress em si - e sem a igreja, recorre-se aos amigos. Mas... amigos também não é coisa que exista muito por aí. Mais outro factor que também atribuo, de certa forma, ao afastamento da igreja. E eu nunca frequentei uma, mas consigo ligar os pontos e chegar a essa conclusão. Qualquer igreja/religião/ajuntamento - católico ou não - acaba por alimentar laços de união, afectividade para com o próximo, etc. Afastando-nos disso e sem mais nada que equilibre a balança, fica-se à mercê da vida e da televisão. E se a vida der limões/morangos e a TV for o único exemplo... 

Enfim, reflexões profundas demais para agora.


Mal ou bem a igreja, os sermões, a confissão... facultavam um pouco de reflexão.  
Quebrado o hábito, fica-se sem o ritual, sem um lugar fixo com o propósito exclusivo para esses desabafos. Uns apegam-se aos animais, a quem "contam tudo" mas isso só vem comprovar que existe uma necessidade por uma "bengala", por uma forma de desabafo.

Existem então os grupos de terapia. Por cá penso que também existem, não tanto quanto lá nem tão facilmente acessíveis como lá mas creio que existam grupos, principalmente para pessoas que têm de passar por traumas ou têm de viver com sérias doenças. E precisam de esclarecimento mas, acima de tudo, de desabafo, compreensão, entendimento. Dar e encontrar.

Uma vez uma destas senhoras americanas desabafou num pequeno texto (sempre que o fazem, acho enternecedor por serem tão genuínas) que estava a sentir-me deprimida e pensou em aderir a um grupo para ver se passava o seu mal-estar. Contou que o fez mas não sentiu aquela conexão. Então estava a pedir aos amigos para darem sugestões de outros grupos. E uma pessoa sugeriu: "Acho que devias aderir a um grupo de greefing(perda)". E aquilo fez sentido para mim, só pelo pouco que li. A senhora estava melancólica e deprimida... foi para um grupo para combater a depressão, mas não adiantou. A solidão é tramada... e a viuvez também. Era o seu caso. Embora tivesse família, netos... ainda assim faltava-lhe "aquela" companhia. À qual se tinha habituado como a um chinelo velho mas confortável. 

E pronto... o meu dom para a escrita nunca foi lá dessas coisas. Mas ignorem a forma e prendam-se no conteúdo. Era disto que andava para cá vir falar. Da vida destas americanas.


Através de receitas "boas e rápidas" de fazer, para as quais lambiam os beiços, também fui percebendo o quanto a alimentação lá é bem diferente de cá. Não existia uma única receita sem massa ou sem algo bastante artificial e calórico, como molho em pó, condimentos diversos, cremes embalados, etc, que não fosse frito. Rara foi a vez que uma daquelas "delícias" me causou outra coisa senão repúdio. 

E quando uma das senhoras começou, esporadicamente, a publicar fotos da neta, fui vendo-a crescer. Uma menina linda, de olhos azuis e cabelos louros, que quando chegou à idade de um ano e pouco, o seu rosto e corpo já começou a parecer um bocado "chubby" (gordinho). Agora publicou nova foto, das duas netas, e a menina está bem mais chubby, com uma barriguinha daquelas que por cá adoramos nas crianças - um pouco saliente, para a qual a avó chamava a atenção, dizendo adorá-la. O rosto dela parecia um balão. Eu, que havia visto uma versão mais saudável, achei que a menina não estava a rumar para uma vida saudável. A continuar assim... ela vai transformar-se numa pré-adolescente complexada, porque tenho quase a certeza que os seus hábitos alimentares já vão de mal a pior. 
E apeteceu-me, assim que o percebi, deixar um comentário a alertar para isso. Mas não posso, nem devo. É rude. Não os conheço... é indelicado e impróprio. Mas que apetece, apetece... parece que estou a ver o futuro daquela menina, a ser gozada por outros meninos, alguns nem por isso melhores do que ela... 

Há uns anos entrou uma criança gordinha num restaurante e uma amiga que estava comigo ficou muito revoltada, quis mesmo ir até a família dar-lhes uma descompostura porque, de acordo com a opinião dela, uma criança só ficava gorda se os pais fossem negligentes. Ela achava que aquilo era um crime! Eu achei-a exagerada e discordei com ela. Nem todas as crianças são gordas porque comem demasiado - e acredito nisto. Aquela, por exemplo, parecia-me um caso desses. Pois além de gorda também era muito peluda - tinha inclusive uma penugem facial e bastante pêlo nas costas. O que só por isso já deve deixar qualquer criança complexada ou vítima de olhares, não era necessário acrescentar mais olhares e uma reprimenda. 

Reality show de uma família americana
peculiar: Here comes Honey Boo Boo
Posso enganar-me, mas acho que algumas crianças aprendem cedo o que são maus hábitos alimentares. E ao ver a foto deles os quatro - avós e netas no facebook, apercebi-me que essa deve ser a realidade daquela família. Avós tudo bem... são adultos. Faz-lhes mal mas são velhos hábitos. Mas as crianças... merecem uma Educação Alimentar adequada. Hoje concluí que a alimentação é saúde. É tudo. Quando começa a falhar a saúde, provavelmente vai algo errado com a alimentação...


Quando era criança minha mãe enfiava-me tudo o que conseguisse pela guela abaixo. Ainda que eu prostestasse, tinha de lhe fazer a vontade. Na idade daquela menina, eu também tinha uma barriguinha chubby. Depois, por um breve momento em que praticava mais desporto na escola e fora dela, fiquei magricela. Mas acabando o desporto na escola - o que me entristeceu porque, apesar de tudo, sempre adorava a sensação que fica após um esforço físico. E com a alimentação em casa sendo inadequada no sentido da quantidade.... voltei a ser "chubby". Mas nunca fui muito gulosa. Os meus hábitos alimentares são errados - concluí anos depois - não tanto pelo que consumo, mas pelos largos períodos que fico sem consumir para depois "compensar" com mais quantidade - e sempre ao final do dia (quando não se queimam calorias, armazenam-se).  E isso é o quê, senão uma má educação alimentar? Na pré-adolescência fiquei por "conta própria" e não tão poucas vezes, mesmo anos depois, preferi nunca tomar o pequeno almoço. De facto, nunca senti vontade de ingerir pão com manteiga, cereais, iogurte ou leite logo ao acordar. Nunca gostei das opções, pelo que depressa enjoei e as dispensei. Até hoje cereais é algo que não consumo. Não gosto. (Acho que sou mais de salsichas com ovos estrelados pela manhã, eheheh).

Dão atenção aos hábitos alimentares?

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Vai uma cervejolas?

Encontrei este teste na internet. 

Por acaso sei quantas cervejas tomei na vida. Fiquei relutante em partilhar esta história aqui, porque no fundo ela revela a vida infeliz que tive, ao crescer sem estes vícios, ehehe! Álcool, cigarros e café... foram experimentados, mas diante da pouca atracção exercida, não me seduziram para o consumo regular. Por outro lado, se me perguntarem quantos copos de água já tomei acho que dava para encher um lago! Se isto faz com que pareça uma pessoa que gozou pouco a vida? Até que faz, num certo sentido. Sou a favor de que se prove de tudo um pouco, com moderação. Acho que se deve sair, ir a bares, conviver, dançar, beber... o que dificilmente não implica o consumo de alguma bebida alcoólica. Mas se a pessoa que entrar no bar não aprecia? Bebe outra coisa... sem álcool. Os donos de bares não têm interesses em receber não consumistas de álcool em seus estabelecimentos, claro está. E daí cada vez mais se aceitar esta cultura de álcool+noite. Ninguém deve consumir por pressão dos pares - algo que vi acontecer à minha volta.

Se num certo sentido esta falta de vícios me tornou numa pessoa um pouco à parte da nossa cultura social, por outro lado, os muçulmanos talvez me recebessem de braços abertos! (Ou com uma chuva de pedras, infelizmente nunca se sabe).

Mas a história da cerveja é esta: Há uns anos fui almoçar com uma colega de trabalho que estava a virar amiga. Nessa altura qualquer líquido que ingerisse parecia não ter gosto ou frescura. Não saciava. Era como não ingerir nada. Estava tanto calor e nem um gelado me caia bem. Apesar de ser mais adepta de água natural do que qualquer outra coisa, essa estranha sensação fez com que apelasse a mais sumos, de mais sabores, a coca-cola e a sprite. Não adiantou. Pensei que era uma fase e teria de esperar que passasse.

Vai então que estamos as duas no restaurante. E ela pede a sua bebida, um sumo qualquer e pergunta o que eu quero beber. Como estava a passar por uma falta de paladar e não costumo beber às refeições, quase não quis nada. Mas ela insistiu, não quis beber sozinha. Subitamente peço uma cerveja. Estavam por todo o lado nas mesas mas foi o que me apeteceu realmente. Surpresa, a colega afirma que julgava que eu não bebia álcool. Ao que respondi que não costumava beber, mas apeteceu-me experimentar. Trazem a comida, a bebida, vou bebericar a cerveja e esta sabe-me muito bem. Finalmente, algo que sabe bem. Continuamos a refeição, acabei por consumir toda a cerveja que me apeteceu - meio copo, fiquei satisfeita, a refeição caiu bem - e fomos embora.

A colega? Nunca mais quis nada comigo. Escandalizou-se com a metade da cerveja tomada.


Esta sociedade é muito lixada. É que não sou de grandes preconceitos. Pelo menos assim julgo ser (fui abençoada à nascença). Nem para com quem bebe nem para com quem deixa de beber. E verifico que isso é raro. Há os que não bebem e condenam os que o fazem, e os que bebem e vivem a tentar fazer os outros beber para saberem o que estão a perder. Se somos livres, fazemos as nossas escolhas, não? Critico se achar que devo, mas deixo cada qual ser tão livre e responsável pelas suas escolhas quanto eu acho que sei ser. 

E o teste, o que veio a dizer? Que bebi 1411 cervejas ao longo da vida ehehe! Só se estiver a contar com outras encarnações e as poucas vezes em que uso uma em temperos e cozinhados :) :) Ou melhor. Ainda tenho pela frente 1410 cervejas para consumir, ahaha..


Ah, e já agora, este teste informa-me que vou morrer em 2050. Mais 34 anos de vida pela frente.... Para beber o resto das cervejas :)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Curiosidade (hábitos de blogueiros)

Tenho uma curiosidade: quando entram num blogue costumam ler e comentar apenas o primeiro post?

Ou têm curiosidade em ver os restantes?
Comentam no primeiro uma frase simples de três palavras só para chamar a atenção para o vosso blogue?

Não é segredo para aqueles onde costumo ir parar com mais frequência, que esta blogueira aqui é de ler tudo, comentar o que lhe apetece, até se cansar. O que por vezes leva mais horas do que desejaria, é verdade. Mas é o que me satisfaz a mim. 

Nos últimos dias tenho colocado posts de continuidade e reparado que os comentários "frescos" ficam-se pelo último post. 

E então, podem 'matar-me' a curiosidade?

Apeteceu-me oferecer-vos este bolo.
Bon apetit!

domingo, 29 de março de 2015

Www: a revolução do século XX

A revolução do século XX não foi a televisão.

A verdadeira revolução, a que mudou o mundo todo de pernas para baixo e nos tornou a todos, ricos ou pobres, dependentes, ligados e ameaçados é a INTERNET.

Nem a televisão ou a rádio fizeram desaparecer os jornais, as revistas, a imprensa escrita. É a internet que está a dar esse «empurrãozinho». A Rádio, como um dia ela já foi, seja de entretenimento ou informação, está quase morta, teve de adaptar-se. A televisão passa dias e dias desligada por esses lares - há até quem não a tenha, porque não precisa, pode vê-la tendo ligação à internet. O telefone foi substituído pelo telemóvel que por sua vez passou a ter internet. E dentro da internet, o facebook cada vez mais dita as cartas.

Pela internet nos dedicamos ao lazer, à informação e até ao terrorismo e ao crime. 

Um dia destes numa carruagem de metro, não resisti ao impulso de registar o que todos os dias vejo à minha volta. Estas subtis mudanças sociais, que alteraram para sempre a vida de todos. O que prevejo no futuro: muitas colunas e pescoço tortos, sem dúvidas!





EM 10 PASSAGEIROS, 3 NÃO SE OCUPAVAM COM OS TELEMÓVEIS OU TABLETS.
 



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Sempre na vanguarda, com olho para o futuro

Desde menina lá nos idos anos 90 que tenho o costume de anotar numa folha de papel pequenas frases que vêm à memória e me parecem cheias de significado. Sabem o que estava então a fazer? Estava a twittar!




quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mudanças de hábitos INTERNET

Sou  da  opinião  que as  mudanças  graduais são as que mais ameaças apresentam. Porque  as pessoas  não percebem que o  que  as rodeia, e  elas  mesmas,  estão  a mudar. Depressa se  alteram  os hábitos, sem que  se  dê  conta da magnitude de  tudo.

Por esta razão  considero as mudanças súbitas muito mais  benéficas. Assustam-nos  de morte. Temos receios,  medos,  é  o desconhecido... mas uma mudança súbida não tem máscaras. É  o  que é. 

A  principal  mudança na  sociedade tem origem  na tecnologia, em  particular na internet. Esta  surgiu gradualmente, mas mudou radicalmente todos  os  costumes. Costumava pegar numa caneta e  escrever um diário, agora escrevo aqui.  Costumava sentar na cadeira  a ver televisão, agora distraio-me no computador. Costumava  brincar com outras crianças aos jogos de tabuleiro,  cartas, ou jogos de  contacto físico. Agora  brinca-se na  internet,  a  jogar  jogos  virtuais.

Mudanças radicais, mas  graduais. Pouco recriminadas  porque ninguém tem  nada realmente  mau  a  apontar à  internet,  só  benefícios. E  fica-se viciado  nisto! Diria até que dependentes!

A  internet serve para tudo: precisa-se de saber onde fica  determinada rua? Vai-se à internet. Queres  saber  uma receita  especial? Vais à internet. Queres  rir um bocadinho com  scketchs de humor  ou ler  umas piadas? Vais à  internet. Queres trocar  de carro, comprar um animal, vender alguma coisa? Vais á  internet. Procuras emprego? Vais à internet.  Precisas de comprar  mercearias? Vais à internet. E que tal fazer umas transacções  bancárias? Vais  á internet! Queres  falar com os amigos? Vai à internet. E  que tal  namorar  um  bocadinho? Vais à internet!

As  pessoas não têm presente  na  consciência o  quanto mudam. Podem achar que  não,  mas  a  isso são  conduzidas  sem  se  darem  conta.  Mesmo quem, eventualmente (não  sei  se  existe),  não tenha internet, acaba por ser conduzido a usar o serviço. Por exemplo: os pagamentos  à Segurança Social  deixaram de ser  possíveis pela via presencial, num balcão de uma das  instalações do Instituto, em  frente  a uma  pessoa de  carne  e osso. Parece-me  que  só se aceitam formulários via-internet.

Estava lá uma vez e  vi  a aflição de algumas pessoas mais velhas,  que logo  afirmavam: mas  eu não tenho  isso! Não percebo  dessas coisas!
 - "Então  peça  a  alguém  para  a/o  ajudar". - responde a/o  funcionário.

E pronto! Parece  tão simples!! Mas  não é NADA simples. Descartam-se das  pessoas e dos problemas  com facilidade,  mas ele(a)s não deixam de existir!


Precisei escrever sobre este  assunto  porque comigo sucede-se o seguinte: entristece-me quando oiço dizer "está na internet,  procura". Qualquer questão  que  se tenha, a resposta vem igual. Mas que raio!  Acho que as  pessoas estão a ser preguiçosas e não  necessáriamente práticas ao depositar  demasiada fé numa coisa.  É  quase deixar  que essa  coisa pense por elas. Por exemplo: uma pessoa mandou-me procurar uma informação que estava  num  site. Mas não sabia que site era esse. Apenas que se tratava do site de um "Instituto" e que o nome era "Portugal qualquer-coisa".  Com esta e outra referência, achou que tinha dado todos os dados necessários para qualquer pessoa chegar à informação.

É claro  que não se  consegue!!
E  depois desenvolve-se uma "conversa  de  burros", em que uma pessoa  diz que "só encontra isto" e  a outra responde  "mas no site  vem  a dizer aquilo"  e,  para  agravar, a  pessoa também nunca viu  o site, foi  uma terceira  que ouviu dizer  que era assim!

Não gosto. Detesto! Faz perder tempo. É informação  inútil, que  ainda por cima conduz  a  conflitos. Se formos a ver o  método tradicional, quando em comparação, acaba por sair em desvantagem. Preciso de uma informação, vou ao tal Instituto e pergunto! É  mais rápido ou não??

A geração dos meus  avós "aventurou-se" no  mundo  por  necessidade de uma vida melhor. Abalaram do norte  porque disseram-lhes que  havia  uma "vida  melhor"  em  Lisboa. E  partiram  apenas  com a vontade de encontrar essa vida  melhor e confiantes  na sua  capacidade  de trabalho. Ao chegar-se  ao  destino, "achavam-se" os  compadres pela  boca. Dizia-se a um qualquer trauseunde o nome do sítio onde  se queria  ir e  bastava-lhes  seguir as direcções para chegar lá.


Agora temos  a  internet, temos  GPS, mapas, temos tanta  coisa mas  falha o  principal: falta-nos o NOME!

E,  sem nome,  não se  chega lá. Haja a  tecnologia que houver,  ao  invés de se  encontrar o "Instituto X",  encontram-se  os Institutos  do abecedário inteiro!!

"Mais" não é melhor. "Fácil" não significa  rápido. Até  porque  se  perdem  muitas horas de volta dos afazeres  e  entretenimento que a internet  e outros  gadgets tecnológicos proporcionam.  Não sobra muito tempo para outros convívios.

Não,  definitivamente, a  internet  não  torna nada mais  rápido,  porque  a dependência  é  muito morosa!! E a qualidade que impôs nos trabalhos exige uma utilização de recursos  mais ampla,  o que  aumenta o  tempo de execução  de qualquer tarefa. Utilizam-se mais ferramentas,  mais programas...

Um dia de  24h não chega para tudo o que a internet  tem  para  nos  aliciar...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Televisão é ver o telejornal

Abri uma revista com aqueles questionários "pergunta-resposta" e deparei-me com:
P- "O que não perde na televisão"?
R - "O telejornal todos os dias, para estar actualizado".

Que resposta mais antiquada! Mas isto ainda existe???

  Cheguei à conclusão de que andei sempre um pouco na vanguarda das tendências porque, muito sinceramente, nunca me preocupei em ver o Telejornal todos os dias! E não tinha problemas em dizê-lo.

No entanto, há 5 ou 10 anos, não ver o telejornal tinha uma conotação muito negativa. Na década de 90 eras mesmo quase ostracizado por te faltar esse hábito. Ninguém gostava que se descobrisse que não se era espectador do Telejornal. Era tabu! Ainda assim, não tinha porquê sentir vergonha em dizê-lo. Certamente não ia mentir, como a maioria da população portuguesa. Fosse a quem fosse que se perguntasse na rua o que não perdia na televisão, a resposta foi sempre "O Telejornal". Era a resposta segura, politicamente correcta, ninguém ia fazer pouco de ti por assistires a um programa informativo! No entanto, se a opção fosse para o entretenimento, a coisa não era bem vista. Por isso, alguns dos entrevistados de rua quando confrontados com a pergunta, "disparavam" de imediato o Telejornal e depois, como que a confessar o verdadeiro interesse, acrescentavam outro programa. Alguns homens complementavam a resposta com uma partida de futebol, que só lhes ficava bem. Mas jamais diziam que viam uma novela. Iam ser gozados e sentiam-se diminuídos. As telenovelas eram assistidas pelas mulheres! Era este o ambiente PRECONCEITUOSO que pautou, durante décadas, o colectivo. Algumas mulheres lá complementavam a resposta com "a telenovela", como que a confessar só então o que realmente não perdiam na televisão. Algumas sentiam, ainda assim, necessidade de se justificarem com "porque dá a seguir ao telejornal",  ou "só de vez em quando".

Claro que, no meio disto tudo, havia quem realmente visse o Telejornal, mas a grande maioria regia o seu comportamento por estas hipocrisias sociais. Socialmente aceite era ver o Telejornal das oito (20h00), ver informação. O entretenimento era visto com piores olhos. O que mudou desde então!!

A meu ver, eram todos fracos, incapazes de assumir o que realmente gostavam por temerem o julgamento dos outros. Muitos, quando confrontados com os factos que se estavam a passar no mundo, nem sempre se saiam bem com as respostas. Um teste que rapidamente denunciava a falta de hábito de acompanhar as notícias pela televisão.

Agora tudo mudou. E tudo começo com a SIC, o primeiro canal independente de televisão. Só mesmo quem gostava e acompanhava a história da televisão antes e depois desta mudança social, sabe o quanto TUDO MUDOU desde então. Podemos até nos esquecer, mas a televisão é a responsável por grandes mudanças no mundo e na sociedade. De vez em quando, lá vem ela "agitar" as águas mais um pouco...

Não tenho dúvidas que esta próxima era pertence à internet e às novas tecnologias. Eu própria sou incapaz de ver televisão sem ter um teclado de computador agarrado à ponta dos dedos. O hábito de assistir televisão alterou-se por completo. Tenho saudades de estar sentada ou deitada e simplesmente ver um programa ou filme na televisão. Sem fazer mais nada! Mas tenho sempre outros interesses aos quais quero me dedicar e acabo por fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo. Ver televisão e só televisão, é um hábito perdido, que já me deixa saudades, como afirmei. Bem que tento ver só "aquele programa", dando-lhe a máxima atenção, mas nunca que o computador abandona o colo ou está desligado...

Voltando ao Telejornal, de facto, nunca adquiri o hábito de ver o telejornal. Na verdade, era algo que me afligia desde muito nova. Não compreendia como, depois de ver  imagens de crianças africanas a morrer à fome, as pessoas podiam retomar o seu quotidiano sem se sentirem afectadas. Deve ter começado por aí mas, na verdade, para quem não se importava de perder o Telejornal e preferia fazer outras coisas àquela hora da noite, a verdade é que não me sentia assim tão necessitada daquele bloco informativo para ficar minimamente a saber o que se passava pelo mundo. As notícias correm e sabem-se sem existir necessidade de as ver na televisão. Hoje em dia isto é ainda mais verdade, mas na década de 90 não havia a internet com motores de busca como o Google para pesquisar notícias! (A sociedade prepara-se para grandes mudanças nos hábitos de consumo!). E gostava de ver televisão pelas horas a dentro, de madrugada. Hábito mais comum agora e já há algum tempo, mas não tanto quanto antes. Por isso, agradava-me muito mais os blocos informativos "directos ao ponto" que passavam à uma hora da manhã. Se calhasse dar com um e este puxasse o meu interesse, não tinha porque não ver. Mas sintonizar propositadamente a televisão por isso, não era meu hábito.

Em televisão vi tudo: foi ela que me "ensinou e educou", foi babysitter. Preferia o entretenimento e essa é uma tendência compreensível. Quem não gosta de descontrair e tentar esquecer o que lhe angustia? Rir é o melhor remédio! O que via na televisão? Bem, tudo, na verdade! Desde aqueles documentários que muitos achavam enfadonhos e desinteressantes às telenovelas. Sim, eu via todas as telenovelas que passavam nos dois canais de televisão que existiam na altura. Não excluía a RTP2, como muitos faziam por preconceito ou preguiça de mudar de canal, pois era considerada elitista, um canal para "homens" ou "intelectuais", porque passava muito desporto, programas e filmes culturais. Tanto um quanto outro tinham coisas interessantes e variadas. Incluindo novelas.

As telenovelas é outro género televisivo vítima de preconceito. Lembro-me tão bem de andar na escola e já na época em que a SIC e a TVI davam os primeiros passinhos e ouvir uma colega perguntar a todos se viram o episódio da novela na véspera, toda entusiasmada e a querer comentar a história. Mas jurava a pés juntos que não via telenovelas! Sabia quem eram as personagens, qual o papel delas na história e tinha muita ânsia para debater a trama com outros, mas NÃO VIA A TELENOVELA! Ora justificava-se que tinha sido "só ontem", ou logo dizia que só conhecia o nome da personagem porque a avó via a novela, tinha a televisão ligada e ela como que era obrigada a ouvir! Mas sempre dizia que não as via e delas não gostava.

Hipócrita! Esta era mais uma que só via o telejornal...

Um homem ou o público em geral só admitia ver uma telenovela, quando esta era um MEGA ÊXITO, comentada por toda a parte, daquelas em que as personagens saltam do ecrã para verem os seus hábitos inserirem-se no quotidiano da sociedade. "Estou certo, ou estou errado"?, "Nos trinques!" - são duas expressões que andavam na boca de toda a gente na década de 80 para 90, graças a personagens de telenovelas como Sinhozinho Malta, da novela "Roque Santeiro" (1988/89) ou de Timóteo de Alenquer da telenovela Tieta (90/91), uma novela que mexeu completamente com a sociedade portuguesa. Ninguém se importava de admitir que a assistia. Fez furor, motivou discussões e pôs o país inteiro a ouvir a sua banda sonora e a tentar descobrir quem era a mulher de branco (personagem misteriosa dentro da trama).

Mas como tudo isto era entretenimento... todos sintonizavam a televisão para não perderem o TELEJORNAL!

Pelos vistos e a concluir pela resposta a este questionário, algumas pessoas em algumas zonas do país, ainda se sentem compelidas a colocar em primeiro lugar e como resposta aceitável, o TELEJORNAL como o programa a não perder na televisão. E para quê? Para estar actualizado! Não para se manter, mas para ficar... LOL!

E os telejornais? O que mostram?