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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O primeiro sinal do que estava para vir?

    Agora que me encontro deitada no sofá e olhei para cima - avistei a parede. Lembrei com clareza e certezas, o que tinha já esquecido. 

Pouco depois de vir morar para a casa 🏡 onde me encontro há já seis anos, fui de viagem até Portugal por uns sete ou oito dias. Nesse tempo as outras pessoas que moram comigo mantiveram o contacto. A rapariga, a M. (quem se lembra?) estava sempre a enviar mensagens pelo Whatsapp. A maioria trivialidades mas ela não deixava de mencionar nada.

Foi por isso que senti muita  estranheza quando , no regresso, vi estas marcas na parede.




Onde estaria o quadro que tinha colocado ali? Uma moldura branca, quadrada, com uma imagem a preto e branco de uma cidade cosmopolita com visão aérea dos prédios. Deve ter caído - é o que uma pessoa acaba por deduzir. 

A questão estranha era a M. não o ter mencionado. Nem em nenhuma das nossas conversas por telemóvel, nem no meu regresso. Falou de tanta coisa e seria de esperar que também mencionasse "olha, o quadro caiu e partiu-se".

Acho até que nem percebi o quadro em falta logo que cheguei. Mas um ou dois dias depois, já nós tínhamos posto ainda mais conversa da treta em dia. O que tornou tudo ainda mais intrigante. 

Andei á procura dele e encontrei-o no chão, encostado contra a parede, entre o sofá e a arrecadação. Não estava partido, apenas um dos cantos estava aberto. Dava para reparar mas... 


Entre tantas conversas sobre a casa, porquê não mencionar uma coisa assim? Seria tão natural entre colegas. Ainda mais se foi ela, que não trabalhava e vivia em casa, que apanhou o quadro e o meteu de lado. Sim, porque o dito não foi parar ao lado do sofá encostado a uma parede, perto da arrecadação. 

Ela NUNCA mencionou a ausência dele. Não teve reação se por acaso eu expressei surpresa ao não o ver na parede. Mas mencionou algo como "não reparei"  ou se fez de esquecida.


Eu AMAVA embelezar a casa. Estávamos todos a amar a casa, a elogiar os espaços, a planear melhorar pequenas coisas. O quadro foi um dos meus pequenos contributos. Nunca coloquei o que fosse sem lhes pedir aprovação. 

Lembro-me que quando o coloquei lá e perguntei se por eles tudo bem que o ali metesse - na parede da antiga chaminé, acima do sofá, ela questionou o propósito. Quis mesmo saber porquê. Falei que achava que faltava ali qualquer coisa, tinha aquela imagem a preto e branco e achava que era capaz de ficar bem ali. 

Ela encolheu os ombros e "permitiu" o quadro ali. Mas por vezes mencionava-o, nas conversas sobre gostos pessoais, chegando a sugerir que se calhar era melhor tirar, ou que não era seguro.

Assim que me ausento, estranhamente, a fita adesiva que coloquei em excesso para me certificar que o quadro, que era bem leve, não iria cair, é a única coisa ainda presa á parede. 


Pretendia arranjar o quadro e voltar a colocá-lo no lugar. Mas algo... coisas mencionadas aqui e ali pela M. como se não fosse nada... por exemplo, dizer que se caiu foi porque não era para ficar ali e ela bem tinha dito que não achava que ficava bem... Algo, uma sensação, de que não era bem vindo... talvez agora conclua que fosse intuição.

Acabei por não o fazer. 
O uso de adesivo podia ser inadequado para aquele propósito, não quis arriscar. 
Desisti e fui tentar tirar o adesivo da parede, mas não saiu de forma alguma. 

Na altura ocorreu-me a possibilidade, muito ao de leve, pelas circunstâncias, de não ter sido acidente. Mas descartei e não dei importância. Hoje acho que posso afirmar que a M. sem sombra de dúvida era exatamente o tipo de pessoa para se incomodar com algo tão insignificante, querer que as coisas corressem à maneira dela, ao ponto de ir buscar um cabo de vassoura para o usar como ferramenta para bater no quadro até este cair. 

Talvez o tenha feito, talvez não. Mas é pessoa para isso e muito pior.


Há pessoas que, quando "aprontam" algo com alguém, sentem satisfação em ficar quietos a aguardar a reação da vítima.

Tristeza, dor, sofrimento, angústia, incómodo, tudo o que inflija sentimentos menos agradáveis - é o que o certo tipo de indivíduo gosta de causar a terceiros.

Ela era assim. 
Isto do quadro foi um sinal. É sempre assim. É gradual, começa pequeno e escala ao absurdo.


Basta relembrar que passou meses a criticar o colega que fumava, ainda que este o fizesse sempre do lado de fora, com a porta fechada. Quando este saiu da casa, ela, também fumadora, fez questão de fumar de porta aberta, deixando o fumo invadir os cómodos. Ia de propósito abrir a janela que fica ao lado do meu quarto e ia fumar debaixo dela. O que eu sofri! Sempre a respirar um ar tóxico.  Ela fumava como uma chaminé: uns atrás dos outros! Começava pela manhã e podia durar o dia todo até às 5 da madrugada. As beatas, deixava-as pelo chão, muitas vezes aos molhos. Não usava um cinzeiro, nem mesmo quando a agencia tentou a forçar e instalou um na parede do lado de fora da casa. Só serviu para ela, que não gosta de ser "ensinada", por duas ou três vezes, o tivesse colocado a arder. O metal estava tão quente, a parede estava a ferver... que se eu atirasse um ovo estrelava logo. Fui eu que tive de extinguir a fumaça, que durava horas... chegou a um ponto que, pelo cheiro, já sabia o que era. Já nem esperava três horas para ver se se dissipava, se a origem do cheiro era do jardim de vizinhos... intuía e ia lá abaixo para extinguir o fumo. 

E foi isto... 
Foi isto TUDO que me veio à lembrança em fracções de segundos, ao avistar na parede umas marcas. 
Tudo tem história. 


PS: Agora que concluí de escrever e fui ler o post LEMBREI de outra situação que vivi e que deu origem a que muitos de vocês que me lêm comentassem. Tudo começou com o post "A Jarra Saltitante". Surpreendeu-me. Só agora, reparo nas semelhanças. Há de fato personalidades com tanto em comum que se devia, logo ao primeiro gesto, partir para generalizações e não deixar espaço para dúvidas. São  pessoas narcisistas com alguma perigosa "patia" pelo meio. 

terça-feira, 10 de setembro de 2024

É nas pequenas coisas que se conhecem as pessoas

 

O motorista de autocarro sentou-se ao meu lado na paragem onde me encontrava sozinha. Vinha com o telemóvel a emitir, em simultâneo, ruídos de sons, vozes e música com risadas no final. Deduzi serem vídeos de tic-tocs, pois a parafernália sonora era repetida em loop.

Encontrava-me numa chamada a aguardar atendimento fazia já 40 minutos, com o telemóvel em audio externo, pois se não for desse modo, não escuto nada. Os ruídos do telemóvel do homem eram tão altos que abafavam por completo o som de música clássica de péssima qualidade dos serviços de atendimento da EasyJet que vinha a escutar segurando o telemóvel perto dos meus ouvidos, enquanto que, com a outra mão manejava enfiar um pouco de comida na boca. Obviamente, não me encontrava ali por lazer. Qualquer um que assim encontrasse, eu deduziria estar na linha de espera de uma chamada importante. 

O bom senso manda que a pessoa que chega, percebendo a situação, tente minimizar que a sua presença atrapalhe. Mas o telemóvel do homem superava em muito o meu no requisito audio. Praticamente não conseguia escutar NADA. Quando a música clássica parava, receava que foi por terem atendido e receava não escutar me chamarem porque, de fato, não dava para escutar. Os sons de TIC-TOC vindos do telemóvel do motorista abafavam e obliteravam o meu. Só mesmo encostando o telemóvel ao ouvido podia ter percepção.


Quase que tive para lhe pedir para que baixasse um pouco o som. Mas acho que, depois de se sentar, até o aumentou. E continuou assim. 

ATÉ QUE....

Até que uns 12 minutos depois apareceu uma terceira pessoa na paragem. Uma mulher, de mala de viagem na mão, bem vestida, com aparência elegante, pareceu perdida, seguindo indicações pelo telemóvel. 

Assim que ela apareceu, o homem baixou o som do telemóvel. E olhou para a mulher: Primeiro avaliou-a pelo rosto. Depois desceu rapidamente os olhos para baixo e voltou a subi-los, demorando apenas fracções de segundos a olhar para específicas zonas da fisionomia feminina. 
 
 Por aquela postura, soube tanto daquela pessoa! Um indivíduo que chega e faz questão de não ter um gesto de cordialidade e respeito básico contudo, altera de imediato o comportamento para o oposto quando vê uma fêmea que lhe agrada da cabeça aos pés... Ah, tão básico... !!

Tudo o que foi preciso para ele agir com consideração foi a presença de uma mulher bem vestida. 
Sinceramente... 

Homens conseguem ser tão básicos que até dá dó. 
Quando são básicos assim, rejubilo de satisfação com as "Rebeccas*" da vida. Elas fazem todo o sentido para mim. Deviam existir muitas, muitas Rebeccas. Porque há homens que merecem aprender uma boa lição. 

Se eu fosse mau carácter. vilã, teria todo o gosto em brincar com um idiota destes. 

Até nem teria qualquer piada ou seria um grande desafio - de tão básico que ele demonstrou ser. 



* Rebecca D'Winter - personagem do livro Rebecca. 



terça-feira, 3 de setembro de 2019

Psicologia das bananas


Ela cerca-se com coisas de crianças. Veste pijamas da Barbie. Os edredons que tem na cama mudam constantemente, mas mantêm uma constante temática: harry potter, little ponney, barbie.

Ela fala com uma voz esganiçada meio que infantil, meio que sedutora. E ela tem 30 anos.


Falo de uma das colegas da casa. Cedo percebi que tem preferência por girly-things e isso se manifestava até na forma de agir e comunicar com os outros. O que por vezes tornava o som da sua voz um pouco incomodativa, por falar tudo em voz alta e ter sempre aquela entoação intencionalmente infantil, quase sempre de mãos-dadas com risadas algo planeadas e também excessivas.


Mas ela agora tem outro brinquedo: um namorado.
E subitamente o edredon da cama passou a ser listado de preto e branco. Já não sei se é ela que está em casa ou outra rapariga, porque quando fala esquece de o fazer alto e com aquela voz em tom infantil e esganiçada. 

Também me pareceu que alterou o comportamento.


Menciono-o por achar curioso como as pessoas se comportam.
Bem que suspeitei que aquele gosto revelava solidão, insegurança e anseio por intimidade. Daí reverter para uma altura em que foi criança e sentia o imenso amor, proteção e carinho dos papás.
Precisava disso, desejava-o, mas não o obtinha. Então foi buscar de volta um comportamento algo infantil e cercou-se de produtos de criança mimada. 


Será que dava uma boa psicóloga?

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Um dom mal usado


«Desta vez (o senhorio) não mencionou que me arranja outro quarto noutra das suas casas. A ideia de me perder como inquilina não me pareceu que o afectasse. Chegou a dizer-me "Há outras casas. O que não faltam são casas com quartos pequenos"».  in post: um peso no coração.

Tenho indiscutivelmente uma percepção certeira para detectar ténues mudanças comportamentais nas pessoas.

Gostava é que esta percepção viesse acompanhada com sagacidade para entender que passo dar a seguir. De que me serve esta capacidade se não aprendi a agir? Dela não beneficio. A única coisa que ela produz é angústia e sofrimento.

Em jovem usava-a para confortar as pessoas. Percebia quando algo as afligia e sem fazer referência a sofrimentos, procurava alegrá-las e tirar-lhes da mente as inquietações. Mas depressa as trevas vieram ter comigo. Passei a sentir-me angustiada, desamparada, sugada das minhas boas energias,  vulnerável e também a precisar de auxílio. O "dom" ainda cá está mas só me proporciona tormento.

Talvez preferisse não o ter. Deve ser bom andar por este mundo sem este tipo de sensibilidade. Ou então tê-la mas dar-lhe um uso em benefício próprio. Tantas pessoas usam essa mesma capacidade para detectar comportamentos para manipular situações. Geralmente são pessoas que só pensam em si e que usam os outros. E embora pareçam afáveis e simpáticas, não sentem grande pesar por coisa alguma. Usam o "dom" em benefício próprio de forma manipuladora e calculada, estando sempre focado no "eu". Para a próxima reencarnação vai ser assim. Só pode, para compensar esta.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O meu mordomo pessoal


Ontem a rapariga que tem andado desaparecida, apareceu. Contou que adora a nova casa para a qual vai morar, que tem tudo incluído e tudo é novo. O quarto dela é grande e o jardim é fantástico, etc, etc. 

Depois foi tomar banho e foi comer. Lavou a louça antes de sair. 
Minutos depois entra o rapaz.

Oiço um suspiro. E de seguida oiço a louça que a outra deixou molhada a secar em cima do estirador a ser arrumada. "Ele a limpar atrás dela." - percebi.

Curioso. Ele não é muito de arrumar nem as coisas dele. Nesse mesmo estirador ficou a loiça dele por uns três dias. Agora ele mal entra e vai logo por-se a secar com o pano a louça que ela usou e arrumou-a?

Mas a surpresa maior ainda estava para vir. Ele sobe as escadas e de imediato entra no banheiro, onde liga o chuveiro e começa a usar a água para lavar a banheira!! Não sei como ela deixou aquilo, mas posso imaginar. Para ele dar-se ao trabalho de andar a limpar atrás dela é porque sabe muito bem como ela deixa as coisas. E para ninguém perceber, ou por temer algo, foi limpar. 

Olha que esta é uma rapariga cheia de sorte.
Há pessoas assim. Parece que podem ter estes comportamentos que nunca serão responsabilizadas.

Ela é uma sortuda. 
Foi uma moocher (pessoa que faz por viver encostando-se aos outros), esteve nesta casa como quem está num hotel - pois é nos hotéis que se suja e outros vão limpar, que se estraga e não se dá cavaco, que se come o que está disponível mas não se vai comprar. Ela foi uma HOSPEDE, não uma colega que partilhou uma casa.
Não limpa, estraga, serve-se da comida dos outros, ficou dois meses e meio sem pagar, demora a dar o dinheiro para as contas em comum. Verdadeira vocação para moocher.

Tenho curiosidade apenas para saber como vai a sua vida continuar longe daqui, naquele lugar tão bonito e paradisíaco. Como vai ser se ela continuar à espera que os outros façam tudo por ela. Bem que podia levar junto com ela o seu "criado pessoal"  Kkkkk! :)   

É capaz de lhe fazer falta...
PS: Mas agora fiquei chateada ao perceber que os caixotes do lixo que coloquei à beira da estrada no Domingo de manhã, sobre chuva, para que pudessem ser recolhidos pelos colectores, ainda estão lá. Ainda não havia passado por eles, por isso já os julgava cá dentro. Tantos que moram aqui, seria de esperar que um dos moradores os recolhesse. Mas não... 

Hoje já é QUARTA-FEIRA e com tanto entra e sai ninguém teve a cortesia de os trazer para dentro. Mas para limpar atrás dela este tipo não é de demoras. Sinceramente! Mal entrou em casa e viu o chão e as bancadas todas molhadas pela tipa que teve a "lavar" a louça, pôs-se a limpar atrás dela. Mas nada de recolher os caixotes do lixo, pelos quais também passou. 

Enquanto isso, LIXO é o que se acumula na sala de estar. Agora parece que a sala está a substituir o barracão no quintal! Pois é na sala que ele colocou um cadeirão, uma guitarra, onde tem uma pilha de papeis e dossiers atrás do sofá, uma impressora embalada em cima da mesa, roupa ali abandonada... isto mais parece uma casa habitada por pessoas habituadas a viver em barracas. Se bem que há barraqueiros que têm as casas tão arranjadinhas que daria inveja a esta gente. 

Depois querem mudar-se para casas novas e melhores...

Quanto tempo é que duram? 




quarta-feira, 26 de abril de 2017

Deu-se a erupção - tal e qual o vesúvio!


Já o vinha a sentir há muito tempo. Mas controlava-o. Porém, naquele instante senti-a subir por mim, atravessando-me o corpo direto à acção. Como se esta fosse lava e eu um vulcão que entrou em erupção.

O que aconteceu no meu corpo e o percorreu de baixo a cima foi um forte sentido de indignação diante de injustiças sobre as quais não pude mais me silenciar.


Eu venho a ser vítima de bulling no emprego.
Caraças para mim, e para a minha personalidade! Tenho tendência a aguentar este tipo de coisa e por isso a pessoa que gosta de praticar bulling cedo percebe que aqui tem terreno fértil e pode abusar.


Já não é a primeira vez que sofro disso no emprego. Acho que todos nós acabamos por nos sentir assim, pelo menos uma vez. No meu caso, o autor desses actos é um indivíduo de muito baixo nível, sem eira-nem-beira e por isso também nem lhe devia dar importância. Mas permiti que ele me maltratasse, daquela forma rasteira que os bullings gostam de usar. Primeiro desculpei-o: "era o stress! Alguma preocupação daquele dia...". Depois procurei convencer-me que, se mostrasse um trabalho bem feito, o indivíduo o reconheceria e deixaria de ser tão implicante.

ESTAVA REDONDAMENTE ENGANADA.
Como aliás, sempre tive.
Pois sempre achei o mesmo, sempre agi igual, e sempre me enganei.

Desde finais de Janeiro até hoje, tenho no emprego um «chefe», alguém com cargo superior que comanda a «equipa», que tem vindo a maltratar-me de todas as formas que consegue - sendo especialmente cruel nas indiretas. Sim, porque um confronto direto e claro não é hábito de quem pratica bulling. É preciso perceber que um praticante de bulling é, na sua essência, um cobarde que não gosta de si mesmo. É um infeliz. E por isso procura alguma satisfação na tortura psicológica de outros. E como não gosta do que vê no espelho, procura convencer-se que é o melhor, infalível, perfeito.

Pois aqui à uns dias ele voltou a fazer-me uma coisa que sempre teve o hábito de fazer: dirige-se a mim, a criticar o meu trabalho dizendo que eu causei um grave problema e vira as costas, dizendo que não me quer ouvir. Impedindo-me mesmo de me explicar, de abrir a boca! Acusa, acusa, acusa, aponta o dedo e tapa os ouvidos. Este tipo de postura, mais o nunca olhar nos olhos quando lhe dirijo a palavra, o não me responder claramente quando lhe coloco uma pergunta sobre o trabalho que precisa de resposta imediata, o responder por grunhidos e sons primários, como se fosse um homem do tempo das cavernas (sem querer insultar estes que, desconfio, eram dotados de maior inteligência do que se supõe e certamente muita mais que este indivíduo). Pois por ele agir assim, eu reagi - pela primeira vez. Respondi-lhe que ele vira-me sempre as costas e não me deixa falar. Sendo assim, eu também não o ia ouvir.

Ele refila, eu refilo, ele volta a chamar-me à parte mas EXIGE duas testemunhas. E chama duas amigas mais próximas (prejudicando assim o andamento do trabalho, porque deixou apenas uma outra a fazer o trabalho de três). Saímos do local público e vamos para o corredor. Eu continuo a andar e bato na porta da gerência, dizendo que ele quer falar comigo em particular mas com testemunhas e pelos vistos em também ia precisar delas.

Só a gerente é que me perguntou o que se passou. Ele, e as «testemunhas», só souberam tirar conclusões precipitadas. Tão preocupados que estavam em passar a ideia de que eu tinha cometido uma falha gravíssima. Ora, na minha perspectiva, uma EQUIPA trabalha em grupo e não de forma a querer apontar o dedo podre aos outros. Eu cometi um erro muito compreensível e nada grave. Mas ele estava a ser extrapolado para um nível de gravidade que eu considerei absurdo. Eu pedi desculpa ao cliente - que julguei que se tinha ido embora - afinal, o que ia embora era outro. E fiz o que me mandaram e o que somos instruídos a fazer. Mais nada. 

Um pequeno equívoco, sem consequências de maior - que o indivíduo estava a querer transformar numa avalanche com mortos e feridos. Não aguentei. Fui direta à porta da gerência... Quando me expliquei, pensei eu (mais uma vez estava errada), que o indivíduo tinha percebido o exagero dos seus atos, o erro da sua presunção, tinha percebido que é ERRADO não querer escutar uma pessoa - ainda mais sendo ELE o que chefia a equipa! Um chefe que não escuta nem estabelece contato visual, sem ser para mandar vir.... Não é lider. É só chefe. E dos muitos maus.

Passados dois dias - um dia que começou maravilhoso para mim, estava bem disposta, tive alguns desafios no trabalho que superei adequadamente e tudo estava a correr bem e tranquilamente. Subitamente o «chefe» aparece-me à frente acusando-me de errar novamente, um erro muito grave, correspondendo a 1, 2 e 3. E eu fiquei a escutar e a pensar: "1,2 e 3?? Mas eu não fiz nem o um, nem o dois, nem o três. Ou fiz?? Não, não fiz. Deixa-me cá expressar a minha dúvida". Abro a boca e só consigo dizer um A, da palavra ACHO. Só. uma sílaba apenas. Ele corta-me a palavra para me repetir, mais uma vez, que escuso de falar, não quer escutar e vira as costas. Eu fico revoltada e vou novamente para a porta da gerência. Bato na porta - ninguém abre. Volto a entrar no sítio e escuto-o a dizer: "Temos um sério problema, um problema muito, muito grave". Aí eu lembrei de ir espreitar no computador quem é que tinha feito o 1,2,3. Enquanto procuro o ficheiro, escuto-o a dizer à restante equipa que a culpa é MINHA, que eu sou a responsável pelo grande, grave erro. Olhem, foi esse o gatilho. Foi nesse instante que me subiu uma revolta que peguei no papel impresso para lho mostrar e acabei por o «espetar» mesmo diante da cara e gritei:
-"Foi fulano X, não fulana XY"!

Ele fica a fazer-se de vítima. Mas eu não percebo que ele automaticamente assumiu essa postura. Ele encosta-se contra a parede, abre os olhos, a boca, faz-se de espantado (e talvez estivesse) e depois vai para a outra porta e eu vou atrás ou nem me lembro sinceramente. Só sei que lhe grito - faço questão de gritar para que se escute (e aqui foi o meu erro) que ele é um bully e que vou apresentar uma grande queixa contra ele. 

A coisa acabou por aí. Ou não... Porque enquanto eu aguardava a presença de um gerente, para expor o sucedido, ele andava pelo local de emprego a falar do sucedido, a fazer-se de vítima, a dizer que tinha os clientes do lado dele, a falar com todos os colegas... Sem se calar sobre o assunto, até a hora de fecho!! 



E eu estoica, muda, sem ter ninguém a mostrar um sinal remoto de estar do meu lado ou simplesmente se preocupar comigo. Só me descontrolei ali. Recupero a noção e a calma muito rapidamente. Acho que ter tido aquela explosão incontrolável é compreensível, estando a ser alvo do mais reles, baixo e estúpido bullyng que existe, desde finais de Janeiro. Quando escrevi este post aqui, datado de Março, já estava a chegar a um ponto de não aguentar mais.

Mas agora vai haver uma investigação - foram escutadas as testemunhas. A mim não me ouviram mais, a pesar de me terem dito que teria de prestar um depoimento e assinar em baixo. Vão ouvir as duas versões e o caso vai ser investigado. Aqui levam muito a sério este tipo de coisa! Mas só de forma processual. Porque o indivíduo é de apertar os botões com toda a gente. Até a um leigo é possível ver que é a pessoa errada para a função que desempenha. Além disso, ele também pratica outra coisa totalmente condenável por terras de sua majestade: arassment. Ele assedia a clientela feminina com piropos vulgares, com comentários tipo "comia-te toda". Mas como o gajo é português, faz os comentários em português. Quem já o conhece e não é tuga, sabe o que ele diz. Dá para entender na linguagem corporal. Uma vez um gerente até lhe disse que um dia ele ia entalar a língua de tanto a esticar para fora. Portanto, ELES SABEM. Mas nada fazem. Estão sempre à espera que aconteça algo mais sério para terem um pretexto para agir.

E vou ser eu o pretexto...

Não foi só dos foda-se caralho que eu me cansei. Era o bulling, o constante rosnar, gritar. O assédio às mulheres bonitas, os insultos às menos bonitas... O stress do indivíduo, a sua forma autoritária de ser. Um wanna be nazi salazarista! 

E pronto. As novidades são estas.
O resultado disto tudo só o saberei daqui a uns dias. Posso ser demitida - embora ficasse algo desapontada se isso acontecesse diante do primeiro erro sem ter direito a segundas oportunidades. Até porque a reacção que tive foi muito contra-natura. Não tem nada a ver comigo. Foi mesmo a pressão constante, o mesquinhismo das implicâncias, as falsas acusações, o comportamento rude de me proibir de falar e virar-me as costas. O empenho do indivíduo em me fazer querer passar por incompetente, o andar a DIVIDIR a equipa, a tentar por uns contra os outros... Uma merda de «chefe». Nem para bosta fertilizante serve.

Agora deixem-me tentar descansar uma hora... São um quarto para as duas e às 3 da manhã já vou estar a sair de casa em direcção ao emprego.

Só espero que esta falta de sono não prejudique o meu raciocínio e capacidade de argumentação. Devo precisar dela nos próximos dias.

PS: Preciso acrescentar um grave, sérissimo, grande detalhe: Depois de expor toda a situação e de ficar uns minutos a me acalmar (eu quis ir embora e dar o dia por terminado - só que aqui eles não são muito disso) e após ter entregado o recibo impresso que indicava o autor à gerente, voltei ao trabalho e optei por fazer uma cópia para mim. Tal como pressumi, aquela que fiz já tinha "desaparecido". Pois adivinhem o tamanho da minha surpresa quando desta segunda impressão o papel sai com o meu nome!! Como se tivesse sido eu a autora do dito. Não fui. Tinha a certeza absoluta disso. E então fui verificar todas as operações que eu fiz. Em nenhuma acusava o meu nome. Mas mandando imprimir aquela específica, estava agora a sair com O MEU NOME no papel. Quando antes, quando o imprimi, saiu com o nome da pessoa que realmente cometeu o "grande, grave, sérissimo erro" (que passou o dia todo a sorrir como se tivesse a fumar erva, pelo que vou deduzir que não foi chamado a atenção e nunca seria com a mesma agressividade com que eu fui, por um erro grave, sérissimo, grande - que não cometi). Portanto vou deduzir que ALGUÉM aldrabou os registos de forma a ser o meu nome a aparecer. E se isso vier a ser provado (logo na altura asseguraram-me que o computador registou que quem fez a coisa foi o outro) acho que muito me beneficia. Agora se disserem que foi um «erro de computador» para inocentar o outro, não vou gostar. Porque não foi. Quando imprimi - depois das acusações que me foram feitas - saiu corretamente. E nunca vi tal coisa acontecer -  mudarem o nome do autor. Portanto vou deduzir que o individuo, medroso, para tentar tapar o seu erro, fez algo no sistema para ser o meu nome a aparecer, ao invés do outro. E se assim for, o seu mau carácter fica provado. Não fica??

sábado, 29 de março de 2014

Aos ziguezagues

Eu adoro andar. Mas adoro andar maioritariamente em linha recta, não a contornar obstáculos! Como nos ensinaram a todos em crianças, presumo. 

Porque será que as pessoas andam sempre a ziguezaguiar? Hoje tentei andar a direito num largo corredor. Não consegui. A cada passo que dava aparecia mais um de um lado qualquer a obrigar-me a contorná-lo. Mais dois passos, a mesma coisa. Senti-me uma bola de matraquilhos. "Tudo bem" - pensei eu. "Estou num centro comercial, já se sabe como são os centros comerciais...". Cheios de gente. 


Mas uma vez de fora não existem diferenças. Já vou longe das portas das quais saí e mal consegui dar dois passos seguidos a direito. Ora me desviava do gajo que se atravessou subitamente no caminho e parou mesmo diante de mim para puxar uma passa, ou outra cena qualquer do jeito. A sério: não consegui andar três passos em linha recta! Na rua, num passeio larguíssimo, foi impossível. Será assim tão difícil escolher uma direcção e se manter nela? 

Está certo, todos nós mudamos de rumo mas o que é feito ao andar direito? Porque caminham as pessoas aos ziguezagues? Aos encontrões, na diagonal, com paragens inoportunas, impróprias e bloqueios em massa? Sim, porque existem sempre um grupo de pessoas conhecidas que caminham um pouco afastadas entre si mas sempre a formar uma barreira impenetrável. E também elas «serpenteiam» pelo caminho, como uma onda que faz com que outros se tenham de desviar da «ondulação».


Já faziam muitos metros do local original quando consegui caminhar a direito. Parece tão simples, tão garantido. Contudo não é nada. Em alguns lugares para se andar, é impossível andar direito. 

sábado, 28 de setembro de 2013

Se eu fosse má

Alguma vez tiveram a sensação de que umas pessoas não te estão a falar direito e de repente percebes que não te contactam de todo? Subitamente, vindo do nada, viram-te as costas e demonstram desprezo?

Pois acho que aconteceu comigo, há mais de uma década. E ainda hoje não sei o que aconteceu. Se é que algo aconteceu. Pois nada me disseram, eu nada fiz, só posso conjecturar. Seja o que for, o resultado para o meu lado parece ter sido o mesmo. Pessoas com quem lidava e convivia, subitamente revelam total desinteresse e vontade de sequer falar um minuto ao telefone. Têm pressa e precisam desligar. Dias depois não atendem mais um só telefonema, não dão retorno a chamadas perdidas nem respondem a algum email ou SMS.

Como nada fiz para desencadear uma reacção em cadeia destas, na altura não liguei o desconfiómetro. Tem sido com a passagem do tempo que a ocasional lembrança tem custado cada vez mais. Quanto mais o tempo passa, mais dolorosa a lembrança é. Lembro de pormenores, da minha inocência em não estranhar que uma pessoa a quem avisei que ia ligar na manhã seguinte e que queria me visitar, subitamente não atendesse o telefone nas seguintes 24h, naquelas que devem ter sido umas 20 tentativas de me comunicar. Preocupada que algo lhe pudesse ter acontecido, mais do que preocupada comigo.

Mas depois uma atitude como esta, somada a outra, a outra, e ainda a outra, tudo com pessoas diferentes mas por volta da mesma altura ainda que em dias diferentes, faz o desconfiómetro disparar. Passa-se algo! E ninguém me diz nada! Essa é a pior parte - a ignorância. Colho os frutos da sentença sem saber de que crime me sentenciaram. Que grande injustiça, não passam de carrascos!!

E é uma atitude cobarde destas que não entendo, jamais entenderei. Porque pessoalmente, quando sinto que algo está mal entre mim e outra pessoa e as coisas chegam a um limite que já não dá para equívocos, vou esclarecer as minhas dúvidas com essa pessoa. É a primeira com quem quero falar, geralmente não falo com outros nem para "dividir" e desabafar as dúvidas que me assolam.

A ausência desta postura nos outros me entristece. Por vezes até me revolta! Fico a pensar como seria se eu fosse uma pessoa má. Com atitudes desprezíveis e uma conversa odiosa, ao invés do coração mole e bom de que tantos ainda tiram proveito. Posso, aliás sei, que não sou nenhuma perfeição de pessoa. Tenho falhas que por vezes são mal interpretadas. Mas não sou uma pessoa má! Nestes dolorosos instantes gosto de imaginar que existe equilíbrio cósmico que vai trazer até todas as pessoas as consequências dos seus actos. Que as vai iluminar, fazer entender, arrepender e, se for o caso, procurar o perdão. Mas estou a fantasiar. Porque a justiça nesta terra não é para todos.

A falta de franqueza e honestidade parece pautar a maioria do comportamento social contemporâneo. Acho que a umas gerações atrás as pessoas na sua maioria eram mais diretas, mais sinceras, mais espontâneas e com noções mais adequadas do que é viver uma amizade. Hoje mais parece existir um jogo de interesses, um calculismo frio, quer-se tirar proveito das pessoas por qualquer motivo. A difamação é um recurso que não constrange muitos, nem a traição. É lamentável.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A senhora?


Todos nós passamos por aquele momento em que alguém nos dirige a palavra com referência a uma certa idade. A minha primeira vez foi aos 24 anos, numa caixa de supermercado.

-"A senhora vai pagar com dinheiro ou cartão?"

A miúda que me atendia não podia ser muito mais nova que eu mas ainda assim dirigiu-se a mim e atirou-me aquele "senhora". A primeira vez causa sempre impacto. É tão estranho como nos enfiarem escaravelhos debaixo da epiderme. Até então era "a jovem" ou simplesmente o trato vinha na primeira pessoa do singular. 

-"Vai pagar com dinheiro ou cartão?"

Hoje, novamente, uma rapariga mais jovem mas não tanto assim dirigiu-se a mim e perguntou: 
-"A senhora vai para onde?"

Chega de mansinho, como quem está só de passagem e pá! Um dia gruda e não descola mais. Aquele trato por "senhora" já nem teve o impacto estranho de antigamente. Começa a invadir o meu espaço gradualmente, como quem não quer a coisa. Um "senhora" aqui, outro ali. Hoje um, amanhã dois, daqui a uns tempos uns cinco, até que um belo dia todos me vão chamar de senhora! E o que é pior: vão acrescentar: "mas está muito bem conservada para a idade que tem!" Brrrrr!!!  

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Flores de Estufa

No comportamento humano, há coisas que observo e muito lamento.
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Reflicto sobre os comportamentos sociais das massas. Há coisas que não me parecem naturais, mas vá lá que as massas o entendam. Todos o fazem e, como cordeirinhos que seguem atrás da manada, envaidecidos que vivem de que são únicos, lá repetem os hábitos, dia após dia, sem nunca alterar nada.
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Sou uma pessoa caseira mas julgo-me com gostos sãos. Gosto de sair e caminhar ao ar livre. Gosto que a minha pele sinta a presença do sol, do vento e da chuva. Gosto que os meus ouvidos oiçam o ruído do vento nos arbustos, o canto dos pássaros, o barulho da água a correr, e mesmo as viaturas a passar na estrada (de preferência, distante). Gosto mais ainda, de escutar o silêncio.

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Faz-me por isso confusão que na hora de almoço, as pessoas que se encontram a trabalhar num ambiente já de si ruidoso, saiam dos escritórios, enfiem-se nos carros, entrem em restaurantes barulhentos, enfiem-se novamente nos carros, novamente nos escritórios e quando já vai anoitecer, voltam para os carros, para se enfiarem em casa, de onde voltam a sair de manhã para entrar no carro e, sempre isolados do contacto com a atmosfera natural, só de lá sairem a correr para o interior do escritório.
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Pessoas que são autênticas «flores de estufa»!
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Afecta-me particularmente este momento do dia, porque sempre sinto vontade de um pouco de tranquilidade ao ar livre. Viver desta maneira, como vejo os outros a viver, faz-me muita confusão! Mas o engraçado, é que o ET sou eu. Porque todos ao meu redor adoptam este comportamento. Logo, quem é diferente é que não deve bater bem «da cabecinha».
E já que falo do comportamento humano, afecta-me também as pessoas que seguem as modas. Querem ser únicas, copiando os outros. Esta contradição não faz sentido, não é verdade? Mas não entendem... então vejo mulheres vestidas de forma semelhante, com o dia estragado quando encontram uma outra com botas iguais. Pior ficam, se acharem que, na outra, o dito objecto de adorno fica-lhe melhor!
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Esta preocupação com a imagem, a superficialidade do carácter das pessoas, a distorção dos valores e da capacidade para bem analisar os outros, tudo isto, afecta-me e hoje decidi escrever um pouco sobre o assunto.

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