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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Passeio inesperado num dia de pausa forçada


Na segunda-feira foi feriado!
Fui trabalhar e só soube do feriado à chegada. Felizmente há sempre coisas para fazer e eles acharam boa ideia, uma vez que estava ali, trabalhar por umas horas. 



Já que ia ter a tarde livre, decidi que ia aproveitar e dar um pulo à praia. Gosto de ir a uma cidade costeira a algumas horas daqui. Faz-me lembrar Lisboa. Há exuberância, normalidade, enfim, tudo o que uma capital tem.

Uma loja em particular, atraiu-me e depois de entrar e ficar a conhecer o espaço, achei-a fantástica. Parecida ao que encontraria em Portugal. Principalmente no chamado comércio tradicional. 


Aqui está a secção de legumes. A loja é "orgânica" - um rótulo desnecessário até há poucos anos, antes da alimentação humana ficar tão dependente da industrialização. Por isso o que aqui se encontra são batatas, cebolas, cenouras... tudo "sem químicos".

Achei piada a estas gavetas de especiarias. Algo muito tradicional, que ainda se pode encontrar por lojas abertas há anos em Lisboa. 
E digam lá se não tem um ar apetitoso?

 
A loja também tinha pão fresco, produtos de higiene - tudo "orgânico" mas o que mais me agradou foram os produtos de limpeza a pensar no ambiente. Dizem eles que estes não prejudicam "tanto" o dito. Mas o que é "tanto"? Acho que é um hábito muito importante que precisa de ser mudado com urgência. Usamos químicos todos os dias nas nossas roupas, para as lavar, para as engomar... Tudo vai parar à água nos oceanos. Não é só o plástico que é uma forte ameaça. Tudo o que o ser humano produz que é artificial, acaba por ser prejudicial à natureza. 


O que aquela loja não vendia era sapatos. Mas não tem importância! Haviam sapatarias em cada rua. Achei curiosa esta, que claramente promove um life-stile (ou quer atrair) tão "puro" quanto possível. Todos o seu calçado é "vegetariano". Ahahah. Sei o que estão a pensar: o sapato come? Ou é feito com vegetais? Sinceramente, não sei. Por todo o lado nesta zona existem restaurantes a anunciar comida vegan, pubs vegan com bebidas próprias. Fiquei curiosa mas só pude espreitar algumas. Numa livraria encontrei esta peça reciclada - acho piada e faz o meu género, recuperar coisas e dar-lhes nova utilização.

Bonitas, não acham? Mas não me parecem práticas. Qualquer chaveiro ali colocado provavelmente ficaria preso numa saliência qualquer e quando puxado, a taça vinha junto, eheh

Finalmente, a praia!
Em dia de feriado e com uns 24 graus, estava vazia, como podem imaginar. Aqui ficam umas fotos para se deliciarem.



Trata-se de uma praia cuja areia é substituída por calhaus. Já me "habituei" a esse facto, mas quando estava sentada a tentar espairecer e apanhar a brisa marítima, um grupo de seis pessoas a puxar dois carrinhos decidiu passar e digo-vos com toda a sinceridade: o barulho produzido pelo espezinhar das rochas é tão ruidoso e incomodativo que tive vontade de tapar os ouvidos. Quase que me fez perder o foco nos aviões que estavam a cruzar o céu. E olhem o que eles estavam a fazer:



Ao longo dos quilómetros de "areal" (ahaha), existe um pontão que atrai muito os turistas, porque aí existem atracções de feira popular e salão de jogos. Também lá fui, quis caminhar mesmo até a ponta, para poder deixar todo o ruído para traz e escutar mais o som da água a bater nos pilares. Foi assim que encontrei o pontão o ano passado e era assim que esperava vê-lo mas, ao lá chegar, não sei o que aconteceu a essa parte tão serena e relaxante. Tudo estava convertido em atracções que se vêm em parques de diversões. E a música que cada carrossel, cada atracção colocava para atrair mais cliente que a atracção vizinha era de ensurdecer! 



"Fugi" dali o mais rápido que consegui. Ainda me foi possível sentar por uns minutos numa das cadeiras de praia disponíveis para os visitantes. Não sei como vos dizer mas acho estas cadeiras clássicas do mais prático que há. Sentar numa é deveras relaxante. A pensar que já existem há séculos. Já existiam no Titanic.


Passada uma hora e meia já estava exausta. Mas valeu a pena. Tenho de aproveitar os últimos dias de bom tempo, pois o verão está a terminar e os dias já são mais curtos. São oito meses de duradoura escuridão e como tal, mal seria se optasse por ficar sempre em casa!

Bem haja a todos.








segunda-feira, 21 de maio de 2018


Foi-se o festival, foi-se o casamento real e nada de eu dar notícias.

É bom sinal.
A vida corre pelos trilhos, trabalho, rotina. Nada de muito perturbador a viola.



Eurofestival
Agora sem os três Fs, o «milagre» não se repetiu. Portugal nem sequer saiu bem qualificado no Festival da Eurovisão. Mas ainda bem. Tendo em consideração as amostras de canções que foram lá parar e depressa ganharam a preferência de muitos, fico contente que a nossa tenha se distanciado, em votos, dessas mesmas.

Voltou a rotina de ficar entre os primeiros dos últimos. O que deve agradar mais que tudo aos organizadores. Realizar um espetáculo desta envergadura dá despesa e não lucro. Sem a ESC (Eurovision Song Contest) por trás, seria impossível. Valeu a contribuição do Turismo de Portugal, que soube ordenhar a vaca da eurovisão para mais tarde usar o leite para fazer manteiga, pudins e afins.

 A Portugal cabia apenas e somente a tarefa de ser o afitrião. Como concorrente já estava desqualificado pelo público por esse mesmo motivo. Mas eu gostei "do jardim" e da intérprete da canção. Adorei o pormenor da música começar sem uma intro, ainda por cima porque a presença de uma introdução longa foi a peculiaridade destacada em "Amar pelos Dois" - a canção com a introdução mais longa da ESC.

A melodia é original, não soa a nada que se tenha escutado antes. Nem se apresenta de forma familiar ou similar à de Salvador. Consegue ter o seu próprio perfume.




De todas as canções que escutei deste festival, dou por mim a cantarolar a portuguesa e a do puto da mochila e do camelo.  


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Rotina de hoje



Não queria deixar a impressão de que tudo me corre mal no que respeita a estar numa casa.
Sei que muitos podem concluir que o problema reside mais em mim do que nos outros.
Admito que a minha forma de ser é que está sempre a gerar o mesmo género de problemas. Acabei por perceber isso. Mas é a minha forma de ser passiva, aquela que tolera e quando algo não cai bem, uma, duas, várias vezes, releva, por achar que pode ter sido uma impressão equívocada.

Depois do «curso intensivo» que foram aqueles 20 dias a dividir um espaço com os «millenais infantis» fiquei sensível e alerta. Como um cão muitas vezes espancado que quando abana a cauda de felicidade também se encolhe de medo e receio.

Nesta nova casa as pessoas têm sido diferentes.
Aqueles sinais que captei não foram inventados. Por isso sei que, como sempre nisto que diz respeito a dividir espaços comuns com desconhecidos, as coisas podem rumar para sítios inesperados de um momento para o outro.

Mas tenho a sensação que desta vez - sendo que esta é a primeira - mudei para o melhor lugar que alguma vez se pode encontrar, dadas as circunstâncias. Independentemente dos feitios de cada um, das manias, parece que todos se respeitam e procuram ter consideração pelos outros.

É só o que é necessário.

Temo escrever estas palavras para amanhã mesmo descobrir que tenho de as retirar. É um temor que vem da experiência vivida, do senso comum. Sou a única que tem de se levantar para ir trabalhar de madrugada. O que significa que tenho de adormecer por volta das 18h (idealmente, claro). E será que os restantes estão dispostos a ser contidos no seu convívio?

Quase nunca isso acontece. Seja em que casa for.
Notei que aqui gostam de conversar e rir enquanto se prepara o jantar. Quando acabam de comer vão todos, à vez, tomar um duche na casa de banho, que fica ao lado do quarto onde durmo.

Tudo isto é muito normal, mas coincide com a altura em que o ideal, para mim, é estar sossegada, ter algum silêncio para poder mergulhar no sono.

Sono esse que é muito difícil de obter. 
Sempre fui difícil para dormir mas desde que me mudei, surpreende-me o despertar matinal e a incapacidade de voltar a dormir. Posso adormecer exausta pelas 4 da manhã que antes das 8 estarei acordada e de pé. Uma calamidade, que não me faz sentir energética nem optimista. Não é só pelo barulho que outros possam fazer pela casa, a abrir e fechar portas, etc, etc. É pela luminosidade que entra pelo quarto. Deve ser comum aqui no UK... não existir persianas. Um quarto nunca está totalmente mergulhado no escuro. Existe uma janela ampla e um cortinado pendurado num varão. Só isso. O tecido não é nada de especial, não corta a luz. E como as minhas cortinas são douradas na cor, quando a claridade aparece, é como se um pequeno farol se iluminasse. 



O senhorio não se compadece deste tipo de problema. Perguntei-lhe - já que aparece cá em casa todo o santo dia - se podia tapar as janelas com alguma coisa, caso verificasse que não conseguiria dormir. Por uma questão estética acha que não. Pôs-se também a dizer que o sol nascia de lado e girava para a traseira da casa. Eu sei disso. Mas quando nasce e enquanto se estabelece na sua posição, essa claridade é o suficiente para me impedir de adormecer, caso abra os olhos com algum ruído. E devo abri-los umas 20 vezes. 


Finalmente estou de folga e tenho tentado descansar. Não estou a conseguir os resultados imediatos que pretendia - por dormir poucas horas seguidas. Durante a tarde e após almoçar, é que costumo ficar sonolenta. Acabo de despertar de uma soneca de uma hora, duas. O tempo não me ajuda. Pretendia dar um longo passeio na minha folga. Mas está quase sempre a chover. 

Então hoje aproveitei que estava de pé antes das 8 da manhã, desci à cozinha e fiquei a pensar no que ia comer. Foi quando me deu vontade para começar a limpar a casa. Aqui todas as semanas um de nós tem de limpar uma área da casa. Ainda que só cá esteja a dormir faz três noites, calhava-me o corredor e as escadas do primeiro andar, o hall, a área em comum e o anexo. Em cerca de três horas encarreguei-me de limpar minuciosamente estas zonas. Removi teias de aranha e, atrás da televisão, bolas de pó. Esfreguei o corrimão de madeira com um produto próprio, aproveitando para remover algumas manchas avistadas. Limpei aqueles cantinhos que todos esquecem: por cima e por baixo das placas de madeira, a base em madeira, a prateleira em cima da lareira, a própria lareira, etc, etc. Como estava com a mão na massa, decidi também varrer, aspirar e lavar o chão da cozinha, que estava verdadeiramente imundo e manchado de verde, vermelho e laranja. 


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Nova casa, novo quarto, mas não menos chatices


Estou na nova casa. No quarto que me era destinado desde o início, mas que só agora pude ocupar.

Estou a adorar. Neste instante, toda a casa está mergulhada em silêncio.

Estava a precisar muito de sossego. Após três semanas a viver numa casa partilhada com indivíduos barulhentos e desrespeitadores, que falavam alto a qualquer hora do dia e noite, sem parar, como se fossem miúdas adolescentes e parvinhas que a cada três segundos de qualquer conversa têm de dar sonoras risadas. 


Esta foi a minha realidade por três semanas, acrescido da gravidade de não ter liberdade de movimentos ou de usufruto das áreas comuns e dos utensílios da casa. Até o último momento, tiveram de se certificar que me dificultavam a vida. Três minutos antes da máquina de lavar roupa terminar o ciclo de uma hora, ouvi um deles a ir à cozinha. Soube de imediato que isso ia interferir com a única coisa minha que estava a acontecer lá: a lavagem dos meus ténis. 

Continuei a mudar as minhas coisas de sítio e passados uns poucos minutos estranhei que a máquina não tivesse parado. Ela continuava a funcionar. Fui espreitar. Nem me deram tempo - três minutos que faltavam - e já o rapaz estava a lavar a roupa dele na máquina. Os meus ténis? Tirou-os para fora. Sem nada perguntar, sem nada dizer, sem ter qualquer intimidade comigo para se sentir com autoridade para tal. Era urgente lavar a roupa dele? Quando tinha feito o mesmo na véspera? Não me parece. Não podia esperar três minutos? Cinco? Não é de boa educação. Mexer nas coisas dos outros, algo que ainda estava a lavar e tirar logo fora. A pressa dele era tanta que só hoje de manhã foi estender a roupa. Tive a infelicidade de ver a sua alta figura passar pela janela do jardim. E foi assim que soube que a roupa que colocou a lavar depois de remover os meus ténis ficou a "marinar" dentro da máquina a noite toda.

E se alguém tivesse removido a roupa dele assim que o ciclo terminou? Deixando-a espalhada a um canto? Húmida e toda enrolada? Como ia ser a sua reação?

Precisava ele de fazer aquilo naquele minuto? Não me parece. Eu estava de mudança. Dali a poucos minutos não estaria mais a viver naquela casa. O rapaz esteve em casa o dia todo. Só lhe deu vontade de lavar a roupa ao final da tarde, já sem sol, quando EU saí do emprego e fui usar a máquina, claro.

E não foi só esta a sua vontade "exclusiva" durante a minha curta presença. Também não encontrei a esfregona ou o aspirador em qualquer parte da casa. No armário onde deviam estar, não estavam. O aspirador nem me surpreendeu, devido ao facto de ter despertado nessa madrugada às 1.30 com eles a aspirar! Mas quem é que aspira a casa durante a madrugada?? Nem vivendo sozinho num prédio, por consideração aos vizinhos. Quanto mais numa casa partilhada. O pior foi os risos altos e parvos, em catapulta, que se seguiram nos 20 minutos depois. Uma total falta de respeito, que o meu gravador do telemóvel, por muito mau que seja, conseguiu capturar por uns minutos. 

A ausência da esfregona é que me surpreendeu. O balde estava ali, mas a esfregona não. Estava privada de usar qualquer utensílio da casa para proceder à limpeza do quarto. Não foi coincidência. Não existiu um segundo naquela casa em que me apetecesse usar algo e que não tivesse sido sujeita a vigilância ou a posterior cobrança. 

Quiseram dificultar-me a vida mas, millenials que são, desconhecem que antes da invenção de tais utensílios as pessoas conseguiam à mesma limpar e lavar os seus espaços. Uma vassoura, um pano, uns detergentes - e tudo foi feito. Ficou um espaço resplandecente e com cheiro a limpo.

Não acredito que nesta casa não vá encontrar problemas. A rapariga que cedo identifiquei como podendo ser uma cauda deles, não demorou nem um segundo a comprovar que estava certa. Então não é que, enquanto estou a mudar-me, ou seja, a transportar sacos pesados e volumosos, malas, etc, pelas ingremes e pequenas escadas do corredor escuro, acendo a luz do mesmo. Mal viro as costas, a luz está apagada. Continuo a não ver bem os degraus e a precisar subir com volumes de pertences. Então acendi a luz do corredor. Nem tive tempo para chegar ao topo e abrir a porta do futuro quarto: a rapariga sai do dela - que é oposto ao meu - com o dedo directo ao interruptor de luz e apaga-a. Viro-me para trás e pergunto-lhe, quando já se prepara para fechar a porta atrás de si. 
- "A luz incomoda-te?" 
Ela: "Hã, o quê?" 
Eu: "A luz incomoda-te?"
Ela: "Sim, incomoda."
Eu. "É que eu estou a fazer a mudança e preciso da luz ligada porque estou a subir e a descer as escadas".
"Hã, está bem." - responde ela fechando a porta definitivamente.

Nem um "olá", nem uma demonstração de tolerância para com as rotinas naturais de uma casa partilhada. Cedo percebi que esta rapariga tem a mania de querer tudo ao jeito dela. Mas o facto de ter levado apenas TRÊS segundos entre eu ter acendido a luz do corredor para subir as escadas e ela ter saído do quarto dela, onde estava a gargalhar ao som de um programa de televisão qualquer que se conseguia escutar até no andar de baixo, solidificou o tipo de pessoa que é. Depois da experiência na outra casa não dá mais para tapar as evidências e arranjar desculpas: esta rapariga vai ser difícil de lidar. Com a sua intolerância para com os direitos alheios, para com a sua mania de querer tudo ao seu jeito numa casa onde não vive sozinha mas que divide com outros, pela sua forma de agir rude. 

E já mencionei que, àquela hora do final da tarde, só o corredor, por falta de janelas, estava escuro? Os quartos ainda tinham luz. E a presença de luz faz com que uma artificial que passe de fora para dentro não seja incomodativa. A menos que a pessoa queira que seja. 

Que tenha seguido o impulso para si incontrolável de ir desligar QUATRO VEZES uma luz no escuro corredor, uma por cada vez que eu descia as escadas e ia buscar mais pertences, só realça a sua obsessão em impor as suas vontades e a sua intolerância e falta de compreensão com o significado de casa partilhada.

Não pretendo ter chatices nesta casa, pelo contrário. Nem pretendo causá-las! Continuarei a ser como sou: uso, limpo tudo, deixo as coisas como as encontrei. Já não vou lavar a louça que outros deixam no lava louças antes de sairem para os empregos. Que façam isso eles mesmos. Acabou a menina "boazinha"... se eu conseguir essa proeza. Mas vou tentar não me calar sempre. Se vir que algo não está bem, acho que é meu dever falar.

A terrível experiência que tive agora, com aquela situação provisória, só veio a comprovar que a minha forma de ser não é eficaz para evitar conflictos. Eles permanecem, a única diferença é que só eu sou vítima deles e sofro com isso. Ao confrontar esta miúda com o facto dela me estar a apagar a luz - coisa que não faria habitualmente, estou a dar um pequeno passo de bebé em direcção ao direito de ter direitos e os ver respeitados.


  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ilusão de interpretação


Estava a pensar que o tal colega de casa que «desapareceu» por umas três semanas ia abandonar esta e ir para outra. Afinal, entrou à socapa, escolheu o dia e hora com mais probabilidade de não ser visto, andou a arrastar sacos pelo chão, abriu o sótão onde guarda as malas de viagem e pareceu estar a tirar muita coisa dentro do quarto. Além de ter aberto e fechado a porta de casa umas 30 vezes.

Mas agora já não sei. 

Talvez não tenha essa coragem. A pesar de não gostar de cá estar, de não gostar das pessoas, ele gosta do dinheiro que economiza com a renda. Paga a mais baixa, por ter o quarto menor. Tão somente METADE do que eu pago. E se percebi bem, é um tanto sovina. Pessoas sovinas, acomodadas e fartas de viver na mesma casa, por acaso saem para outra sabendo que vão duplicar as despesas?

Talvez fosse bom demais...

Tanto barulho e, se calhar, ele estava mesmo a regressar de férias.
Voltou a por as malas no sítio, esteve a arrastar os sacos de roupa que sujou. A máquina ainda não parou de lavar. 

Entretanto saí e no regresso já não o vi.
Encontrei a outra rapariga, que disse um olá fugaz e ao me ver com uma fantasia de criança nas mãos, logo perguntou se ia de férias para Portugal. Disse que sim. Cada vez que lhe conto quando estou ausente, ora a trabalhar ora de férias, os olhos dela brilham. 

Eu sei que é bom ficar em casa sem muita gente. É bom sentir que se está mais à vontade...
Mas não aprecio as técnicas e táticas para extrair essas informações numa aparente conversa inocente. Só isso me incomoda, de resto...

É levar a vida!
O melhor que se poder.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

E as coisas andam assim: a rolar


Sinto-me uma amiga «ingrata» por não escrever com mais assiduidade no blogue e interagir com os vossos com mais regularidade. Mas cá estou eu, contente por ler os vossos comentários e ansiosa para me actualizar com os vossos blogues! Eheheh.

Poucas ou nenhumas novidades por terras de Sua Majestade. A vida continua a andar, na sua rotina... Ser uma pedra rolante e não uma parada, já me faz sentir bem. Ser uma pedra parada é quase estar morto enquanto vivo.

Agora me desculpem, mas vou visitar-vos :)



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Televisão é ver o telejornal

Abri uma revista com aqueles questionários "pergunta-resposta" e deparei-me com:
P- "O que não perde na televisão"?
R - "O telejornal todos os dias, para estar actualizado".

Que resposta mais antiquada! Mas isto ainda existe???

  Cheguei à conclusão de que andei sempre um pouco na vanguarda das tendências porque, muito sinceramente, nunca me preocupei em ver o Telejornal todos os dias! E não tinha problemas em dizê-lo.

No entanto, há 5 ou 10 anos, não ver o telejornal tinha uma conotação muito negativa. Na década de 90 eras mesmo quase ostracizado por te faltar esse hábito. Ninguém gostava que se descobrisse que não se era espectador do Telejornal. Era tabu! Ainda assim, não tinha porquê sentir vergonha em dizê-lo. Certamente não ia mentir, como a maioria da população portuguesa. Fosse a quem fosse que se perguntasse na rua o que não perdia na televisão, a resposta foi sempre "O Telejornal". Era a resposta segura, politicamente correcta, ninguém ia fazer pouco de ti por assistires a um programa informativo! No entanto, se a opção fosse para o entretenimento, a coisa não era bem vista. Por isso, alguns dos entrevistados de rua quando confrontados com a pergunta, "disparavam" de imediato o Telejornal e depois, como que a confessar o verdadeiro interesse, acrescentavam outro programa. Alguns homens complementavam a resposta com uma partida de futebol, que só lhes ficava bem. Mas jamais diziam que viam uma novela. Iam ser gozados e sentiam-se diminuídos. As telenovelas eram assistidas pelas mulheres! Era este o ambiente PRECONCEITUOSO que pautou, durante décadas, o colectivo. Algumas mulheres lá complementavam a resposta com "a telenovela", como que a confessar só então o que realmente não perdiam na televisão. Algumas sentiam, ainda assim, necessidade de se justificarem com "porque dá a seguir ao telejornal",  ou "só de vez em quando".

Claro que, no meio disto tudo, havia quem realmente visse o Telejornal, mas a grande maioria regia o seu comportamento por estas hipocrisias sociais. Socialmente aceite era ver o Telejornal das oito (20h00), ver informação. O entretenimento era visto com piores olhos. O que mudou desde então!!

A meu ver, eram todos fracos, incapazes de assumir o que realmente gostavam por temerem o julgamento dos outros. Muitos, quando confrontados com os factos que se estavam a passar no mundo, nem sempre se saiam bem com as respostas. Um teste que rapidamente denunciava a falta de hábito de acompanhar as notícias pela televisão.

Agora tudo mudou. E tudo começo com a SIC, o primeiro canal independente de televisão. Só mesmo quem gostava e acompanhava a história da televisão antes e depois desta mudança social, sabe o quanto TUDO MUDOU desde então. Podemos até nos esquecer, mas a televisão é a responsável por grandes mudanças no mundo e na sociedade. De vez em quando, lá vem ela "agitar" as águas mais um pouco...

Não tenho dúvidas que esta próxima era pertence à internet e às novas tecnologias. Eu própria sou incapaz de ver televisão sem ter um teclado de computador agarrado à ponta dos dedos. O hábito de assistir televisão alterou-se por completo. Tenho saudades de estar sentada ou deitada e simplesmente ver um programa ou filme na televisão. Sem fazer mais nada! Mas tenho sempre outros interesses aos quais quero me dedicar e acabo por fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo. Ver televisão e só televisão, é um hábito perdido, que já me deixa saudades, como afirmei. Bem que tento ver só "aquele programa", dando-lhe a máxima atenção, mas nunca que o computador abandona o colo ou está desligado...

Voltando ao Telejornal, de facto, nunca adquiri o hábito de ver o telejornal. Na verdade, era algo que me afligia desde muito nova. Não compreendia como, depois de ver  imagens de crianças africanas a morrer à fome, as pessoas podiam retomar o seu quotidiano sem se sentirem afectadas. Deve ter começado por aí mas, na verdade, para quem não se importava de perder o Telejornal e preferia fazer outras coisas àquela hora da noite, a verdade é que não me sentia assim tão necessitada daquele bloco informativo para ficar minimamente a saber o que se passava pelo mundo. As notícias correm e sabem-se sem existir necessidade de as ver na televisão. Hoje em dia isto é ainda mais verdade, mas na década de 90 não havia a internet com motores de busca como o Google para pesquisar notícias! (A sociedade prepara-se para grandes mudanças nos hábitos de consumo!). E gostava de ver televisão pelas horas a dentro, de madrugada. Hábito mais comum agora e já há algum tempo, mas não tanto quanto antes. Por isso, agradava-me muito mais os blocos informativos "directos ao ponto" que passavam à uma hora da manhã. Se calhasse dar com um e este puxasse o meu interesse, não tinha porque não ver. Mas sintonizar propositadamente a televisão por isso, não era meu hábito.

Em televisão vi tudo: foi ela que me "ensinou e educou", foi babysitter. Preferia o entretenimento e essa é uma tendência compreensível. Quem não gosta de descontrair e tentar esquecer o que lhe angustia? Rir é o melhor remédio! O que via na televisão? Bem, tudo, na verdade! Desde aqueles documentários que muitos achavam enfadonhos e desinteressantes às telenovelas. Sim, eu via todas as telenovelas que passavam nos dois canais de televisão que existiam na altura. Não excluía a RTP2, como muitos faziam por preconceito ou preguiça de mudar de canal, pois era considerada elitista, um canal para "homens" ou "intelectuais", porque passava muito desporto, programas e filmes culturais. Tanto um quanto outro tinham coisas interessantes e variadas. Incluindo novelas.

As telenovelas é outro género televisivo vítima de preconceito. Lembro-me tão bem de andar na escola e já na época em que a SIC e a TVI davam os primeiros passinhos e ouvir uma colega perguntar a todos se viram o episódio da novela na véspera, toda entusiasmada e a querer comentar a história. Mas jurava a pés juntos que não via telenovelas! Sabia quem eram as personagens, qual o papel delas na história e tinha muita ânsia para debater a trama com outros, mas NÃO VIA A TELENOVELA! Ora justificava-se que tinha sido "só ontem", ou logo dizia que só conhecia o nome da personagem porque a avó via a novela, tinha a televisão ligada e ela como que era obrigada a ouvir! Mas sempre dizia que não as via e delas não gostava.

Hipócrita! Esta era mais uma que só via o telejornal...

Um homem ou o público em geral só admitia ver uma telenovela, quando esta era um MEGA ÊXITO, comentada por toda a parte, daquelas em que as personagens saltam do ecrã para verem os seus hábitos inserirem-se no quotidiano da sociedade. "Estou certo, ou estou errado"?, "Nos trinques!" - são duas expressões que andavam na boca de toda a gente na década de 80 para 90, graças a personagens de telenovelas como Sinhozinho Malta, da novela "Roque Santeiro" (1988/89) ou de Timóteo de Alenquer da telenovela Tieta (90/91), uma novela que mexeu completamente com a sociedade portuguesa. Ninguém se importava de admitir que a assistia. Fez furor, motivou discussões e pôs o país inteiro a ouvir a sua banda sonora e a tentar descobrir quem era a mulher de branco (personagem misteriosa dentro da trama).

Mas como tudo isto era entretenimento... todos sintonizavam a televisão para não perderem o TELEJORNAL!

Pelos vistos e a concluir pela resposta a este questionário, algumas pessoas em algumas zonas do país, ainda se sentem compelidas a colocar em primeiro lugar e como resposta aceitável, o TELEJORNAL como o programa a não perder na televisão. E para quê? Para estar actualizado! Não para se manter, mas para ficar... LOL!

E os telejornais? O que mostram?