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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Leituras...


Já repararam na lista aqui ao lado?
Apeteceu-me registar as leituras. Estou curiosíssima por saber se já leram alguma destas obras, ou outras dos mesmos autores. Uma em particular surpreendeu-me pela qualidade da escrita! Não tem um momento tedioso, tudo é descrito com enorme conhecimento do interior das personagens, do real, da vida. E tudo escrito tem um propósito, não há palavras metidas sem necessidade. 


Saberão adivinhar de qual obra falo?

Boa Páscoa!


sábado, 2 de março de 2019

Uma história real de sábado de manhã


Não preciso de sair de casa para procurar entretenimento. Da janela do meu quarto vejo filmes. O de hoje, foi uma história sobre a custódia de um filho e os dias de visita.

Já se tinham passado mais de 10 minutos e o motor de um veículo ainda roncava à porta. O som a entrar pelo quarto, incomodando a leitura do livro que me estava a proporcionar tanto gosto. Os automóveis não têm razões para pararem aqui. Ou estacionam ou vão embora. A curiosidade e o incómodo fez-me levantar o rosto do livro e espreitar na janela. Uma camioneta de caixa aberta estava parada à frente da porta da casa, com o motor a roncar ruidosamente.


Não menos de três segundos, surge um automóvel renault, que abruptamente estaciona à frente. 

Mas que é isto? Pensei. Nem se pode estacionar ali. 

Tão depressa como o veículo estacionou e travou, a porta do condutor entre-abriu-se e a voz de uma mulher gritou do interior. A voz de um homem respondeu. E nesse mesmo segundo "materializou-se" o indivíduo, caminhando até a frente do seu veículo, respondendo algo à mulher que permaneceu no interior do carro.

Trocam poucas e cautelosas palavras que sinto que é ela a querer saber algo em tom algo repreensivo e ele a responder. Ele atravessa a frente do seu veículo e abre a porta do lado do passageiro. Que aqui em inglaterra, como se sabe, é a do lado esquerdo. Depois de uns segundos, caminha até a porta do passageiro do automóvel onde está a mulher. Retira um saco, outro saco, puxa o assento da frente para a dianteira e enfia metade do seu corpo na traseira do automóvel. Segundos depois sai de lá a segurar uma criança.

Transporta-a para a carrinha e coloca-a na cadeirinha colocada no assento de passageiro.

A mulher então sai do carro. É loura, cabelos esticados, longos. Bem cuidada, boa aparência, jovem. Mas tem na atitude algo de insatisfação. O homem veste um blazer azul claro, com barrete, tem o cabelo louro e curto e um rosto cheio de sulcos, que o faz parecer bem mais velho que a mulher.

Ela, num carrinho novo e brilhante, ele, numa camioneta de serviço, de caixa aberta e com pedaços de troncos de árvore como carga.

Entre os dois sente-se algum incómodo. Mal se aproximam um do outro. Ela aguardou que ele se dirigisse ao automóvel e fosse buscar a criança. Não lha entregou. Ele foi buscá-la e só depois é que a mulher, perguntando se ele tem fraldas e remexendo numa malinha vermelha e branca, consegue atrair as atenções do homem. Que caminha até ela. com as mãos nos bolsos. Mas logo regressa à carrinha. É a vez de ser ela a ir ter com ele. Talvez para verificar a criança ou despedir-se? Não dá para ver, o arbusto tapa a percepção. Ela regressa ao carro dela, tira o que parece ser uns doces, e volta para os entregar na carrinha. A coisa é rápida. Se algum deles gostava de ter uma reaproximação, nota-se que muita coisa má já rolou entre eles. É paupável um mau estar, uma cordialidade forçada e desejada curta para não azedar. Tensão, um olhar na mulher, um gesto a criticar, a postura do homem. De outro modo... como explicar a entrega de uma criança ao pai, num sábado de manhã, em plena estrada?

E é assim que "vejo filmes" da vida real, ehehe.
Os seus sons estão sempre a "tocar" à janela.
Tudo se desenrola à entrada da porta de casa. 

Isto não é surreal?


terça-feira, 20 de novembro de 2018

Três retalhos cosidos a linha


 Vi um filme que achei optimo.
Clovehitch Killer. Muito bom. Manteve-me agarrada ao ecrã e cheia de apreensão e desconforto. Nada de muito mau se passa na primeira parte do filme. Mas só a possibilidade de se vir a passar transmite um desconforto tremendo. O guião e a direcção é em tudo diferente dos clichés habituais. Muito inesperado no momento em que é usual a coisa dar para o "torto" para a vítima que é uma personagem secundária.

Apenas faria dois reparos no que diz respeito à veracidade da fecho da história que nos é apresentada. Acho que desvaloriza um pouco o relato de uma testemunha com bons ouvidos e também a sagacidade da ciência forense. Teria preferido que tudo tivesse ficado mais claro, em prol do sofrimento das famílias das vítimas, que, como se sabe, passam o resto das suas vidas a aguardar o momento em que o culpado é descoberto e enviado para a prisão. Mas isso são detalhes numa história que prende de inicio ao fim. Quem já viu?

Momento de grande incógnita e receio na história


Retalho dois:

O Aliexpress é um site de compras que já deu o que tinha a dar. A China mostra-se tão gananciosa quanto os chineses que cá abriram lojas: ao invés de manterem os seus produtos de baixissima qualidade a preços também baixos, descobriram o valor do euro e toca a colocar preços iguais aos de loja física, que tem contas e renda a pagar. Por produtos que não são em grande número e sem qualidade, cobram praticamente o mesmo! Somando algumas "merdices" de baixo valor, gastei 50 libras. Além disso, após a compra, só terás a encomenda em tuas mãos entre 40 a 60 dias. Porra! Só por isso deviam ter tudo ao preço da chuva. E são muito aldrabões. Tal como o chines da loja onde fui durante a estada em Portugal. Comprei e paguei por metro e meio de tecido, recebi um metro e quarenta centímetros. É preciso ter muita cautela com a chinesada, pelo simples facto de culturalmente estarem acostumados a aldrabar, a vender gato por lebre e a esperar que todos sejam ladrões. Por isso perseguem os clientes dentro das suas lojas. Cultura muito diferente que demora a adaptar-se ao estilo europeu penínsular. 

Retalho três:

Para ver até ao fim. Está garantida uma gargalhada no final. :)

https://www.facebook.com/angels.aliaj.5/videos/264305004440551/

Nota: este vídeo só funciona visualizado no facebook. Abram e vejam, merece a pena para começar o dia ou ter aquele momento de pura descontração. Pelos vistos o blogger deixou de permitir a inclusão com visualização de vídeos das redes sociais. O costume...

 Boa terça-feira!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Pequenas diferenças


O meu tempo de permanência em Portugal já está em contagem decrescente.


Foi curto e serviu, na sua maioria, para tratar de assuntos burocráticos ou relaccionados com necessidades médicas. Somente estes últimos dias têm sido dedicados ao lazer. Nomeadamente, ao descanso. O doce "no fare niente"... 


As condições climatéricas que aqui encontrei surpreenderam-me. Pela positiva. Queria ter "férias de verão" e tal tem sido possível. A praia convida a um passeio e eu, que não sou de praia ou de torrar ao sol, não resisto a passear à beira-mar. Adoro a maresia. O cheiro e os sons.


Porque será que custa tanto mudar?
Quando estava para vir a vontade era pouca. Agora que estou para regressar, a vontade também é pouca. Não me apetece deixar para trás o clima daqui. E não me apetece regressar para um lugar onde já está escuro como breu quando aqui ainda o sol brilha e a praia convida a um último passeio.


Mas é a vida.


............

As pequenas diferenças é que nos fazem girar. Ficar é não encontrar emprego. E viver em stress. Partir é encontrar emprego - reles mas emprego, e viver com muito menos stress. Diz-se adeus à familiaridade, ao clima e à gastronomia. Nem me lembrava mais do quanto se come mal em Inglaterra até ter voltado a comer alguns pratos confeccionados em Portugal. Trouxe uns aperitivos ingleses comigo que me sabiam tão bem... E cá souberam tão mal!

É o paladar que se adapta às coisas de lá mas reconhece e reajusta-se aos sabores de cá. O reajuste vai tornar a acontecer. 

Outra pequena diferença está nos hábitos. A condução dos ingleses é algo que, em certos detalhes, me incomoda. São lentos nas curvas, quando vêm um peão a atravessar a estrada fora da zona designada é como se estivesse a cometer um crime e gostam de tocar a buzina. Quando não o fazem, e têm espaço para passar, fazem-no devagar. Alguns chegam mesmo a parar. Como se não soubessem continuar o percurso só porque uma pessoa está ali a passar na berma da estrada, quase com o pé no passeio. Têm tanto espaço e não sabem o que fazer com ele. 

Curioso vir formatada com as coisas de lá. Mas reconfortante reconhecer as de cá. O melhor exemplo que vou dar é uma miudeza. Mas foi o que mais me tocou emocionalmente.

Estava a atravessar uma entrada de um estacionamento quando um automóvel em manobras prepara-se para sair exatamente no momento em que eu vou chegar. Quero atravessar aquela pequena entrada asfaltada e não me apetece esperar que o veículo se posicione, se enfie no meu caminho, fique parado a ver se pode virar, se não puder espera que os outros passem.... E eu que estou a subir a rua e nesse instante quero atravessar aquela parte cuja passadeira está tão sumida que mal se nota, não quero ter a minha caminhada «empatada» por um veículo que, claro, parecia estar à espera que eu quisesse passar para se por a mexer.

Dito isto, o condutor acaba de manobrar o veículo e o posiciona com a frente para sair. Mas deixa-me passar. Quatro ou cinco passadas e já estou do outro lado. E então o automobilista segue o seu caminho. Isto não acontece em Inglaterra. Pelo menos onde vivo, não é normal acontecer. Os carros são egoístas. Uma vez no seu território, se julgam prioritários em qualquer caso de manobra, estacionamento, saida ou entrada. 

Se vou no passeio e chego à intercepção entre a estrada e a continuidade do passeio e um automóvel aparece nesse exato instante, eles não estão acostumados a parar. Esperam que seja o peão a parar e a dar prioridade. Porque eles vão na estrada. E o peão no passeio. Isto enerva-me profundamente porque, em Portugal tenho a distinta sensação de que existe cortesia ao contrário. Se vais atravessar e um carro surge, este deixa-te passar, na maioria das vezes. Até porque não se pode enfiar assim sem mais nem menos. Mas em Inglaterra eles enfiam-se, metem a frente do carro para fora e depois decidem se podem passar. O peão que espere... E isso enerva-me. Gosto de caminhar a um ritmo que não exija travagens bruscas seguidas de paragens forçadas. Ahah. Afinal, um automóvel leva meio segundo a passar e quem anda de pé demora minutos para fazer o mesmo percurso que um veículo faz em poucos segundos. Nada mais justo que dar prioridade ao peão.

Principalmente em dias de chuva e vento.

Por tudo isto, gostei que, ao invés de se ter atirado para a saída do parque de estacionamento, forçando a minha paragem, o veículo tivesse esperado eu passar para dar início à sua marcha. Esse simples detalhe fez-me sentir em casa. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os artistas que conheci


Acordei de um sonho. Neste sonho duas personagens muito famosas de duas histórias que vi na televisão encontram-se numa só. Os meus sonhos têm, desde a entrada na idade mais adulta, o inconveniente de serem esquecidos quase de imediato. Daí que a primeira famosa personagem que partilhava a história com outra, não recordo mais. A primeira parte do sonho foi para ela. Mas a emoção maior para mim, espectadora novamente, foi quando a banda sonora voltou a tocar. Aquela banda sonora que me trazia todas as emoções e mais algumas - tristeza, alegria, conforto, abandono... e que nunca mais ouvi. Esta melodia dá os seus primeiros acordes e eu fico agarrada a ela em êxtase, desejando que não termine com a próxima cena por desvendar. Na minha mente, que agora é a história, só se vê o interior de uma igreja pelos olhos de alguém a movimentar-se dentro dela. É então que aquela melodia que ouvi vezes sem conta por volta dos meus 13 anos é interrompida pelas personagens. (é sempre assim). 

Plano geral, lado direito de onde se movimentava a personagem. Cenário: o interior da igreja, mesmo antes de se chegar à ala do lado esquerdo. Essas duas personagens param ao se ver. Plano de rosto:

Padre: - Fulana!! (olhando bem para o rosto para acreditar).
           - Passaram-se 30 anos! (surpreso, mão erguida para quase tocar esse rosto, enquadrado por um véu de igreja)
           - Linda. Você continua linda!
 Figura misteriosa:
            - Deixe-me dar-lhe um abraço, padre! (diz emocionada e já indo abraçar). (plano médio por detrás do ombro da mulher)
            - Esse não muda, é o mesmo do tempo das dificuldades!  (plano médio com os dois)

Satisfação entre as personagens. Alegria de reencontro. Separação do abraço.
              - "Como ele está?" - pergunta a mulher.  (plano no rosto da mulher)


Foi com isto que sonhei e nesta parte despertei.
Vieram então à memória algumas lembranças daquele tempo. 

Lembrei o quanto naquela altura «entendia» a personagem. Olhando para trás, diria que foi impressionante o quanto a «conhecia» talvez pelo que partilhávamos em comum, salvaguardando as enormes diferenças. Essa afinidade diria que tornou-me intuitiva a seu respeito. Continuava a vê-la apenas como uma personagem de ficção, mas também tinha sido uma pessoa real e era com essa que, por vezes, parecia estar conectada. Algumas vezes a história era contada de uma forma que eu sentia que não tinha sido assim. Uma sensibilidade que reprimia e mantinha secreta. A sua vida separada da história começou a interessar-me. Em silêncio e em segredo, comecei a procurá-la.

Depois lembrei-me que anos mais tarde estive com a atriz que interpretou a personagem.

Separo muito uma coisa da outra. 
Não sentia particular gosto ou desgosto pela pessoa, pois não a conhecia, ainda que lhe conhecesse pormenores da vida pessoal e o seu fisico. Quando subitamente me vi na presença dela, não foi nada de especial. Foi normal. Para mim era apenas um rosto que me era familiar através de um monitor de TV e eu uma desconhecida, ambas com um momento em branco. Aproximei-me como me aproximaria de qualquer outra pessoa e falei do propósito que ali me levava. Esta pessoa teve uns segundos de "si mesma" e depois muito rapidamente, como se arrependida e assustada pelo momento de espontaneidade, fechou-se numa esfinge. Talvez por ter entendido que não conhecia de lado algum aquela estranha de rosto estragado. Senti repulsa emanando dali. Tinha de se proteger e fazia-o calando-se e despachando a pessoa. Podia ser mais um doido. São todos doidos.
Ficou com o rosto sério, sorriso só o necessário e amarelo, processo de assinatura de autógrafos em piloto automático. Rabisco igual em cada folha do livro e "próximo" a palavra que lhe sai da boca, também automaticamente. Seria até impossível não deixar de sentir que te expulsava com um tanto de repulsa, medo, até desprezo. 

Uma forma escolhida de se preservar. (Que não é nada simpática).

O artista pode sentir-se esmagado pela própria coisa que anseia: o público.


É engraçado porque, podia adorar todas as personagens que já fez na TV - o que não é o caso, mas esta coisa de afinidade nada tem a ver com o talento. Lembrei-me então de outras vezes que também cruzei com outros artistas das mesmas histórias, vistos pelo mesmo monitor. Cruzei-me com três em circunstâncias diferentes: uma sessão de autógrafos, uma formação, um convite. 

E na realidade, a qualquer momento a vida podia ter feito com que me cruzasse de muitas maneiras diferentes. Há quem procure, anseie e deseje o contacto próximo com os artistas que vê na televisão. Há quem sonhe. Eu? Nem por isso. Talvez até fuja.


Mas ponderava então sobre o real e o ficcional. Sobre esta pessoa não formava nenhuma ideia em particular, de modo que, quando a «conheci», não tinha expectativas e por isso estas não podiam sair frustradas. 

A da formação, foi a mais interessante. Porque dessa guardava uma impressão intuitiva que surgiu na primeira vez que a vi a fazer uma personagem na televisão - também durante a minha infância. Tive quase instantaneamente uma sensação de que não ia gostar da pessoa se a conhecesse. Uma forte sensação me dizia que, na vida real, aquela não era uma boa pessoa, estava longe de ser doce ou ingénua como a personagem que estava a interpretar. Achei que não ia gostar muito dela. Vai que no instante em que partilhámos o mesmo espaço, mesmo com toda a cordialidade de parte a parte, a mesma impressão mantinha-se. E o que é mais interessante: parecia ser mútua. 

Durante o tempo em que nos relacionamos profissionalmente, sempre existiu respeito, cordialidade. Mas nada além disso. Acho que ela usava máscaras sociais - todos usamos, mas que não conseguia ser autêntica em nenhuma, tendo propósitos ocultos e egoístas. E isso não encaixa com a minha forma de ser. Entendo a timidez, mas não entendo o disfarce. 

Não a achei má pessoa, nem boa. Só existiu mesmo aquela sensação de incómodo ou falta de afinidade. Mas o melhor foi mesmo a casualidade de poder ter tido a oportunidade de me confrontar com essa sensação que estava enterrada e de poder receber um retorno. E o que recebi pareceu ser mútuo. Nunca que nenhuma tratou a outra mal, sempre existiu educação, cordialidade. Mas lá no fundo mantinha-se o tal desconforto. Mútuo. Aquele do primeiro instante que senti na infância através de um monitor.

Adivinho que ela diria que são coisas de vidas passadas. Que não se explicam. 

Acredito que, por vezes, é mesmo possível entender algo da pessoa por detrás do que "finge" ser. Por vezes acerto na muche - mais do que parece. Foi o caso da terceira pessoa. 

Sobre esta só posso dizer que tinha sim uma certa impressão. Que era super talentoso! Achava que podia pegar em qualquer coisa e sair-se bem. Vai que quando a pessoa surge à frente, vejo um indivíduo muito dedicado e apaixonado pela sua profissão e muito tímido. Se o tivesse imaginado, imaginaria assim mesmo como se apresentou. Ainda assim, foi um choque. A sua timidez e humildade tornou-se íntimidante pela familiaridade. 

Pessoas que transmitem tanta garra e energia no ecrã, tanta virilidade ou sensualidade, por vezes, na vida real, têm tudo isso quase guardado em segredo dentro de si.  Não é coisa que saia para fora com a facilidade com que sai nas personagens. E talvez por isso seja tão agradável fazer essas personagens e se demonstre especial talento.



E pronto. Foi nisto que o meu sonho me pôs a pensar!
Durante toda esta exposição, a melodia não deixou de se pavonear de vez em vez pelos meus neurónios. 




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Fui um pulha - parte 1




Tinha acabado de sair do eléctrico articulado que estava cheio até às costuras. Durante toda a viagem estive tão comprimida entre tanta gente que julguei de verdade que os meus orgãos internos iam demorar a voltar ao lugar. Um homem muito alto entrou por último e, junto com mais dois, conseguiu espremer o já apertado espaço. Segurou-se ao poste onde as minhas costas estavam a ser comprimidas e o seu cotovelo ficou mesmo a bater-me na cara. A única forma de contornar isso foi desviar o pescoço e seguir o resto do percurso assim. Desconfortável? Sim. Bastante!!


Por fim cheguei ao destino. Completamente «prenssada». E logo tive de me enfiar noutro meio de transporte público, pois em Lisboa é assim mesmo que se chega a qualquer lugar: é preciso entrar e sair de vários transportes para chegar a um só destino. Costumava levar duas horas de viagem só para ir de Lisboa para... Lisboa. Segundo o Google Maps, são cerca de 14 quilómetros. Uns meros 15 a 20 minutos de deslocação por carro particular - diz a mesma aplicação. Mas de transportes, não fazendo grande diferença a hora - cerca de 120 minutos.

Até que experimentei recorrer só ao metro. Até onde este vai, claro... O resto do percurso tem de ser feito pelo elétrico, o único que passa pelo ponto A e B, ou vários outros autocarros, do ponto A para o A2 e deste para B.
,
Tenho de andar 15 minutos a pé até alcançar a entrada do metro. Uma vez lá dentro, há que subir e descer uma porção de degraus, trocar de linha e novamente andar um bocado. Por isso dei preferência aos autocarros, por me deixarem mais perto e me pouparem a caminhadas que consomem preciosos minutos. 

Porém, na prática o metro é o transporte que economiza o tempo de deslocação, mesmo incluindo as caminhadas. Esperar por um autocarro pode levar até mais de 15 minutos. Esperar por três, leva muito mais. Porque o percurso nunca é feito num só, há que fazer transbordos para chegar ao desejado destino. Geralmente preciso de fazer três. Além do tempo de espera entre transbordos e os minutos de caminhadas até eles (nunca me calha que a paragem onde desço é onde passa o próximo que preciso apanhar), o veiculo precisa parar várias vezes. Tanto nas paragens de percurso para a recolha e largada de passageiros, como as impostas pelos semáforos e restante tráfego. 

Isto consome tempo. Após muitas tentativas combinadas de diferentes autocarros, o metro acabou por provar ser a melhor opção. Passei a fazer o percurso em cerca de hora e meia, ás vezes um pouco menos.

E digo: são minutos preciosos.

Como dizia, tinha acabado de sair do eletrico e entrado noutro transporte. Nesse tinha um lugar vago . Aliviada e a precisar descansar, sentei-me.

Nisto aparece um senhor de alguma idade.