sábado, 19 de setembro de 2026

Ir a uma ópera

 

Nunca cheguei a experienciar muita coisa que tive vontade durante a vida. 

Uma delas era frequentar com regularidade teatros, assistir a pe'as, concertos.

Nunca fui ver um concerto num teatro. Daqueles que se vem no cinema: as pessoas vestidas a rigor, sentadas numa plateia a assistir a uma orquestra tocar. Nós filmes existe sempre alguém que está sempre a sussurrar ou a tossir, incomodando aquela pessoa que tem a expectativa de ficar em total silêncio, somente interrompido pelos instrumentos.

Mas uma vez já uns anos, aproveitando aquelas festas de verão organizadas em parques pelas cidades, anunciaram um concerto. Entrada gratuita, ao ar livre, perto de casa.

Fui ver, com entusiasmo. 

Quando a orquestra começa a tocar minha alma se enche de uma sensação que não sei explicar. Ali estava eu a ouvir cada som e a me envolver com estes, quando uma adolescente atrás de mim decide passar toda a atuação a conversar com a mãe e a dar risadas. 

Nossa. Sentir-me tal e qual como numa cena de filme. Só que eu era a "vilã", a pessoa que faz má cara e olha na direção do distúrbio, como a sinalizar que é incómodo e devia parar.

Mas elas não pararam. Estragaram a minha absorção da melodia.  Na parte em que ansiava por determinado trecho elas se puseram a rir. Quase me apeteceu mandá-lad calarem-se. Estavam crianças ali tão bem comportadas, quietas, em silêncio e duas adultas a tagarelar.

Felizmente não era uma sala de teatro, com lugares cativos.

Acabei por me levantar e fui me posicionar noutro lugar, entre o mar de pessoas. Acabei por escutar o resto sem o background da tagarelice.


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