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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Três retalhos cosidos a linha


 Vi um filme que achei optimo.
Clovehitch Killer. Muito bom. Manteve-me agarrada ao ecrã e cheia de apreensão e desconforto. Nada de muito mau se passa na primeira parte do filme. Mas só a possibilidade de se vir a passar transmite um desconforto tremendo. O guião e a direcção é em tudo diferente dos clichés habituais. Muito inesperado no momento em que é usual a coisa dar para o "torto" para a vítima que é uma personagem secundária.

Apenas faria dois reparos no que diz respeito à veracidade da fecho da história que nos é apresentada. Acho que desvaloriza um pouco o relato de uma testemunha com bons ouvidos e também a sagacidade da ciência forense. Teria preferido que tudo tivesse ficado mais claro, em prol do sofrimento das famílias das vítimas, que, como se sabe, passam o resto das suas vidas a aguardar o momento em que o culpado é descoberto e enviado para a prisão. Mas isso são detalhes numa história que prende de inicio ao fim. Quem já viu?

Momento de grande incógnita e receio na história


Retalho dois:

O Aliexpress é um site de compras que já deu o que tinha a dar. A China mostra-se tão gananciosa quanto os chineses que cá abriram lojas: ao invés de manterem os seus produtos de baixissima qualidade a preços também baixos, descobriram o valor do euro e toca a colocar preços iguais aos de loja física, que tem contas e renda a pagar. Por produtos que não são em grande número e sem qualidade, cobram praticamente o mesmo! Somando algumas "merdices" de baixo valor, gastei 50 libras. Além disso, após a compra, só terás a encomenda em tuas mãos entre 40 a 60 dias. Porra! Só por isso deviam ter tudo ao preço da chuva. E são muito aldrabões. Tal como o chines da loja onde fui durante a estada em Portugal. Comprei e paguei por metro e meio de tecido, recebi um metro e quarenta centímetros. É preciso ter muita cautela com a chinesada, pelo simples facto de culturalmente estarem acostumados a aldrabar, a vender gato por lebre e a esperar que todos sejam ladrões. Por isso perseguem os clientes dentro das suas lojas. Cultura muito diferente que demora a adaptar-se ao estilo europeu penínsular. 

Retalho três:

Para ver até ao fim. Está garantida uma gargalhada no final. :)

https://www.facebook.com/angels.aliaj.5/videos/264305004440551/

Nota: este vídeo só funciona visualizado no facebook. Abram e vejam, merece a pena para começar o dia ou ter aquele momento de pura descontração. Pelos vistos o blogger deixou de permitir a inclusão com visualização de vídeos das redes sociais. O costume...

 Boa terça-feira!

domingo, 6 de dezembro de 2015

As lojas dos Chineses e as 'chinesises'


Entrei numa noutro dia. Enorme, fui lá de propósito, ver se num espaço tão amplo encontrava coisas que procurava encontrar. Fiquei a verificar um produto, o que em lojas destas pode demorar um bocado, já que a maioria dos artigos são de fraca qualidade e é de conhecimento geral - penso eu, que os 'chineses' colocam uma etiqueta de preço até em produtos danificados.


Enquanto me ocupava da verificação, um funcionário esteve o tempo todo atrás de mim, afastado por uns passos, a remexer em coisas. E olhem que eu demorei um tanto a encontrar o artigo ideal. Com ele na mão e pronta a continuar a ver mais produtos, eis que o funcionário finalmente pára de fazer barulho atrás de mim para vir se meter ao meu lado e desta feita remexer nas prateleiras ao lado daquela da qual me afastava por dois passos. E pelo que vejo, continua a fazer o que fazia antes: absolutamente nada. 

Simplesmente fica ali a mexer, a tirar e por coisas no lugar, mas que irritante!

Num impulso, devolvi o objecto à prateleira e saí da loja sem intenção de lá regressar.

Ontem voltei a entrar noutra loja do género. A que tenho mais perto de casa, aquela onde, pelo menos, podiam reconhecer o meu rosto, ainda que não vá lá com assiduidade. Pois foi onde me senti pior. Com dois pisos, assim que me dirigi para o de baixo, um funcionário decide vir atrás. Eu não preciso de chaperon! Mas OK, tudo bem... Vai que segue-me até ficar quase colado em mim. Mais uma vez, aquele hábito irritante: tira e põe objectos do lugar, fingindo que não me está a olhar. Paro e olho diretamente para ele. Sorrio mas mentalmente fico a pensar: Vais demorar muito tempo? É que gostaria de continuar as minhas compras sossegada!

Ele diz-me "olá", retorqui o cumprimento (pela segunda vez, depois do primeiro à entrada) e afasto-me, para outro canto, a ver se ele se manca e não me segue. Ele não me segue. Finalmente, consigo sentir-me um pouco livre para ver as coisas. É que eu nem transportava sacos ou mala. Tinha as mãos à vista a segurar o telemóvel. Porque raio é que me chateiam? 

Logo a seguir aparece a mulher funcionária. E também ela se põe a remexer, um pouco distante de mim. Dali a instantes, já está no corredor atrás do meu, ao meu lado, a espreitar através das prateleiras. Quando realmente precisei dela para saber o preço de um produto sem etiqueta, népias de estar por perto. Assim que a volto a ver, dirijo-me a ela porque quero saber um preço. É assim que costumava ser o comportamento na relação entre freguês e loja: o funcionário serve para auxiliar o cliente e não para o tratar como se ele tivesse acabado de ganhar uns minutos de liberdade da sua cela no presidiário e fosse hora do recreio, na qual fica sobre vigilância constante! O comunismo é lá, na china. A ditadura é lá, na China. Aqui ainda se respeitam liberdades... E uma delas é esta, do cliente poder entrar numa loja e não ser coagido, perseguido, vigiado. Para isso recorre-se à tecnologia e aos funcionários disfarçados de clientes (já lá irei). ASSUME-SE. Sem se ser demasiado invasivo e seguir, passo a passo, o cliente. Por cá, no país dos brandos costumes, aceitamos as diferenças mas porra, adaptem-se um pouco, sim?? Não ofendam ou queiram mudar o que por cá funciona de um jeito.  

A mulher nem soube ajudar. Apontou-me para uma árvore de natal... Pareceu seca e distante. Mas a postura eu relevo, porque é interpretativa e depende da questão cultural. Simpatia e eficácia estava longe de a caracterizar, contudo. Tive de a levar até o artigo, exibi-lo na minha mão e perguntar novamente o preço. Lá mo disse. Como existiam dois parecidos em corredores diferentes, perguntei se o valor do outro era igual. Acenou que sim e disse sim. Aposto que não percebeu patavina.

(faz uns 10 anos que têm a loja ali e ainda não sabem comunicar com os clientes)

Tudo bem, continuei a minha procura por artigos, sabendo perfeitamente que estava debaixo de olho daquelas pessoas desconfiadas. Até porque desconfiada também eu fiquei, depois de perceber que dá-lhes para falar em chinês entre si, do piso superior para o inferior e vice-versa, oportunamente. Ou seja: em momentos em que se fica a pensar que estão a falar de ti. Porque nenhuma ação estava a decorrer, nenhuma tarefa, a única interação foi contigo e assim que termina, lá vêm as conversas em chinês! Está certo que o Tuga até é desenrascado e há pessoas que querem e sabem algum chinês. Se serve para entender este, não sei. Mas não é o meu caso. Não os entendo mas para bom entendedor, meia palavra basta.

Hoje voltei lá. Como vi os artigos na véspera, sabia o que queria levar. Porque por cá é comum fazer compras assim: vai-se ver e depois decide-se. 

Mal desci para o outro patamar, lá veio a mulher atrás de mim. Para me ajudar? Não. Para me esclarecer em caso de dúvida? Duvido, devido à total ineficácia comprovada em mais do que na ocasião de véspera. Veio para se 'colar' em mim. 

Enquanto me dirijo a um artigo só para tirar as dúvidas, ela segue atrás. Rápida, volto onde pretendia ir, e ela atrás. Quando encontro o que quero, páro, procuro pela cor pretendida e verifico o estado. Nesse instante já lá está: o ruído dela do outro lado da prateleira. Como sempre, os artigos que mais parecem chamar-lhes a atenção estão sempre ali ao lado do cliente. E a mulher fica ali a remexer nos pacotes, quando pretendo estar em paz a procurar e a decidir se vou mesmo levar alguma coisa. Baixo-me e procuro contacto visual. Será que não pode ir mexer nos artigos para longe de mim??

Regresso ao que quero comprar. Engano-me no corredor onde está o outro artigo que pretendo, e a mulher fica meio zonza, sem saber o que esperar. Regresso ao que pretendo, pego e saio para a caixa, no piso superior. É aí que começa outro diálogo em chinês.


Pode ser uma questão cultural, bem sei. Mas já chega! Anos e anos se passam e a adaptação a este hábito parece deficiente em quase todas as lojas do género. Mas somos ladrões para sermos vigiados como tal? Acho inconcebível que tenham um sistema de vigilância com câmaras em todo o lado, uma pessoa vê aquele monitor cheio de quadradinhos que cobrem cada área da loja, e mesmo assim temos de nos sentir desconfortáveis com aqueles olhos esticados em cima de nós enquanto tentamos relaxar e decidir. 

Tão depressa não volto lá. Também entrei em outra, mas esta está melhor adaptada. Para começar, tem jovens funcionários que entendem tudo em português. E falam-no bem. Também tinha gente a vigiar. Até mesmo pessoas sem características nipónicas. Mas estavam ali paradas, como convém, como costume, semelhantes a um segurança. No meio dos corredores, andando, olhando o cliente diretamente e não a disfarçar, mexendo nos artigos!

E ainda tem outra coisa que me afasta deste tipo de loja: os impostos.


Não sei qual o estatuto do qual gozam em termos de impostos, mas não me parece que sejam muito honestos, por conversas que já escutei e também por dificilmente se ver a pessoa na caixa a REGISTAR a venda. Abrem a gaveta por outros trâmites, sem registar e nunca, mas nunca, optam por entregar o papel. Eu agora peço sempre o recibo. E com número de contribuinte. Hoje poupei-os, porque fiz despesas abaixo de 5 euros. Mas o não me terem entregue o recibo para saber o preço de cada artigo caso volte a precisar... ou simplesmente porque é o direito do cliente e o dever da loja... Acho que vou passar a pedir, ainda que faça uma despesa de apenas 60 centimos.

Nos últimos anos prefiro encontrar outros pousos a ir a lojas dos chineses. Mas tem de se dar o braço a torcer, de vez em quando, porque é o tipo de loja que está espalhada por todo o lado, não há muita variedade por onde escolher, sem ser lojas de centros comerciais. Os chineses praticamente erradicaram com a concorrência. Ah, bem que os comerciantes locais avisaram lá atrás para o perigo da abertura das portas do comércio ao internacional! Mais uma decisão política que foi um tiro de canhão no casco de Portugal!


PS: Sabiam que pretendia fazer este post reduzido a uma frase? ahahahaha!