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terça-feira, 12 de abril de 2016

2000 imbecis


Já tinha ouvido falar e até visto num programa sobre cirurgias estéticas falhadas no TLC o caso de uma mulher que decidiu fazer uma «tatuagem no olho», para mudar a cor. Mas não na parte branca dos olhos, como já existe por aí e se pode ver na ilustração acima. Na íris mesmo. De castanho quis passar a verde ou azul. Nem prestei atenção à cor pretendida, fiquei foi atenta ao como, quando, o quê aconteceu depois. 

Então a moça lá conseguiu um cirurgião num país do terceiro mundo (panamá, méxico) que lhe fez o procedimento. Toda feliz, os problemas não demoraram a surgir. Ficou cega. Gastou balúrdios para ser operada, depois teve de gastar mais ainda para reparar os erros. Mas acabou por conseguir reverter a situação, já que usou tinta (ou veneno) e não a despigmentação e, ao que parece, a tinta com o passar do tempo ia desaparecendo. 

Isto não é um exemplo de despigmentação da íris mas de implantação
de lentes de contacto em silicone dento da camada superficial do olho, 
entre a córnea e a íris. 
Lentes de contacto debaixo e não por cima do olho. Chiça!! 

Fiquei então apresentada a essa possibilidade. 
Nas notícias de hoje fiquei a saber que está em estudo um procedimento estético com esse mesmo objectivo. Desta vez não num país do terceiro mundo, mas nos EUA. Já fizeram umas experiências com voluntários inclusive. (provavelmente começaram em países do terceiro mundo, onde geralmente se vai para arranjar cobaias a valores acessíveis). Garantem que as pessoas com olhos castanhos vão poder ficar com os olhos azuis, porque o que fazem é despigmentar a íris. Não existem estudos a indicar para onde vai o pigmento, se acaba por congestionar um nervo e existe possibilidade de cegueira. Mas ao que tudo indica, depois da fase de estudos, é um procedimento que vai começar a ser aplicado. 

E eu pergunto: mas quem é que, tendo olhos castanhos, que proporcionam um olhar doce como o mel, vai querer ficar com olhos azuis, frios como pedra?

Exemplo de despigmentação da iris - dizem
(parece mais implantação de silicone)

Duas mil pessoas! Alegadamente, têm já 2000 inscritos. O que se formos a ver, é até um número reduzido. Não me levem a mal as pessoas que gostam de olhos azuis  - as que têm e as que gostariam de ter. Mas uma coisa que eles nunca serão capazes de inventar, pelo menos não tão depressa, é dar olhos castanhos a quem os tem azuis por meio de despigmentação :) 

Então, porque haveria alguém de desejar ter olhos na cor mais vulgar?


Pessoalmente, de todas as cores que existem, a que me menos me atrai é precisamente o azul. O azul nunca me fascinou. É um olhar com uma cor fria, tanta vez inexpressiva. Até agressiva, conforme o tom. Claro que cor é cor, não tem emoção, mas é o comportamento e a atitude de quem os usa que vai servir de indicativo. E nesse aspecto o que encontro em comum em muitas pessoas que naturalmente nasceram com olho azul, é uma vaidade exacerbada nisso, como se de facto acreditassem serem especiais. Soberba, arrogância e vaidade. Por vezes dá para associar estas características a determinadas pessoas que tiveram uma vida fácil e cresceram a ouvir os outros gabarem a cor de seus olhos. Acho que essas pessoas nem percebem o mal que fazem ao privilegiar uma característica física de pouca importância como essa, fazendo a outra julgar-se especial, sentir-se especial, como se merecesse trato privilegiado. E as que usam os olhos azuis para manipular os outros a fazerem-lhes as vontades? Acho que é porque lá na infância foram levadas a acreditar que isso surtia efeito!

Privilegiar uma criança por ter olhos azuis pode ser prejudicial ao seu crescimento 
Dentro da panóplia de cores naturais do olho, gosto muito de cinza - todos se esquecem dessa cor, ninguém a menciona. Para mim é a mais rara, nunca encontrei ninguém com olhos cinza. 

Um rosto com olhar cinza
Experimentei uma vez lentes de contacto coloridas. Escolhi o cinza, coloquei na retina com a prática de quem durante anos aplicou lentes de contacto para correcção de miopia e... uau! Adorei. Mas ao final de algumas horas elas causavam um certo cansaço, que as outras, feitas à medida da curvatura do meu olho, não causavam. Mas a principal desvantagem é que tapavam parcialmente a visão conforme a pupila dilatava na falta de exposição da luz. É que as lentes de contacto coloridas não têm pupilas móveis (que eu saiba porque nunca mais me informei a respeito), apenas um buraco central, que não se expande. Mesmo com muita luz do dia, parte da minha visão direita ficava ligeiramente tapada ao usar aquelas lentes padronizadas, porque cada olho tem a sua curvatura e formato. Mas digo-vos... O cinza nos meus olhos era a minha cara, ehehe.

Ainda que tenha gostado do resultado e ficado surpresa por me agradar tanto, acabei por usá-las pontualmente mais para mim que outra coisa e quando expiraram (duravam aproximadamente um mês) não tive mais curiosidade em experimentar outras. Nem as de padrões animais, às quais achei imensa piada! Mas era um risco, nunca se sabe se o olho vai reagir mal, ter uma alergia. Pelo que me dei satisfeita com aquela primeira experiência. 

Olhos castanhos tão escuros que parecem negros
Na altura decorria uma grande propaganda às lentes de contacto coloridas, notava-se que era um novo nicho de mercado no qual se estava a apostar em peso. Muito como as lojas de "compra de ouro", que vieram, invadiram e praticamente já se foram. Mas coloquei de lado as experiências e regressei ao meu castanho amado. De resto acho piada ao verde, ao «negro», muito comum nos asiáticos, que é um castanho tão escuro que se confunde com a iris, embora por vezes possam parecer estranhos e, claro, ao castanho, a minha cor favorita e com a qual fui abençoada de nascença. 

Olho com laivos esverdeados
No facebook costumo ver com regularidade pessoas que postam fotografias dos seus olhos, em grande plano. Olhos sempre castanhos. Mas não é por isso que estão lá, exibidos e fotografados. Não é o olho castanho que as pessoas querem exibir, mas a tonalidade esverdeada ou mais clara que o olho deixa passar. Pessoas com olhos castanhos claros podem muito bem, por vezes, parecer terem-nos verdes. E é nesse verde que se fixam. Recusam-se a admitir que têm olhos castanhos, dizem que os têm verdes escuros! Que paranóia. A quantidade de pessoas envaidecidas por isso, nossa senhora! Correm para o facebook a meterem na foto de perfil o seu olho. Mas como a foto é pequena e mal dá para perceber, o mais certo é publicarem também no mural. 

O que posso dizer? Eu acho feio. Acho aquele olho feio, acho a pessoa feia. Para mim é repelente. Pode até ser que a pessoa não seja vaidosa, não esteja a fazer o post para se exibir e colher comentários que lhe vão reforçar aquela vaidade. Enfim... o facebook a continuar a ser um local onde todos partilham tudo, é bem capaz que pessoas «normais», sem desejos de vaidades exibicionistas, decidam partilhar por lá o seu olho também... Mas até isso ser o mais comum, primeiro temos de atravessar por esta vaga de egos insuflados! :)


Desculpem lá qualquer coisinha...
Estou a escrever este texto de madrugada, vinda do post anterior e está quase a amanhecer :)

Abraços



domingo, 20 de dezembro de 2015

Paralisia Labial

Isto




 Faz-me lembrar isto

Não tem jeito. Já vi muitas fotos e todas exalam vulgaridade.

Digam lá se isto não é vender sexo online?
E o que é pior: sexo gay e pedófilo!



Estás HORROROSA!! Apaga esta foto o quanto antes! - é o comentário que já me apeteceu deixar numa dita foto de PERFIL. Era o comentário que devia substituir os "linda", "maravilhosa", "gata" e os "obrigada", "xxx", "adoro-te".

Não sinto qualquer impulso para tirar selfies destas. Quando vejo uma imagem assim, vejo uma pessoa insegura, com baixa auto estima, com uma vontade gigante e banalíssima de se enganar e ser mais uma na carneirada. Tão básica que até faz doer!

Sátíra às selfies
E isto está a desenvolver-se para um problema. Quem diria que a simples invenção de um telefone com máquina fotográfica fosse gerar mais calamidades sociais?


Fez aumentar o narcisismo, a dependência de aprovação social e a vaidade que encontra sempre insatisfação. E é por isso que me repugna tanta foto de boca-de-pato/biquinho (vulgo beijo), geralmente quase sempre acompanhada de melões (vulgo seios), bunda (rabo) empinada ou a mãozinha dentro das cuecas.

Deixo aqui o relato da vida que levava um adolescente britânico que tentou o suicídio por não conseguir tirar a selfie perfeita. O artigo vai mais além, classifica o tipo de selfies (como a moda da selfie após-sexo) e explica que este é um vício que pode revelar uma doença mental. (Dah, obvio!).

Selfie de um jogador brasileiro
Dêem-me um largo sorriso a qualquer instante, mas isto não, isto é demasiado repelente.

Mais jogadores brasileiros. Ainda suporto a presença dos dois dedos 
porque os sorrisos naturais salvam a foto! 
A sociedade evoluiu e encontrou uma nova forma de praticar pesca. À pesca de elogios para se encher a vaidade, ao invés da barriga ou da mente. E as pessoas compram este "peixe" com a moeda mais rasa disponível: os banais elogios. E lá se satisfazem todos. Toma a cana (internet), toma a isca (foto) e pega o peixe! (elogios). 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Cartão de cidadão: ficar bem para a fotografia

Fui tratar de renovar o cartão de cidadão.
Mal cheguei e tirei senha, chamaram-me para posar para a foto. Aproximei-me, posicionei-me e a máquina disparou.
Só depois entendi que tinha o cabelo mal apanhado, um risco lateral mal feito, com fios soltos pelo ar e um farrapo patético deles a se deixarem escapar pelo pescoço. Exclamei: "estou despenteada" ao que a pessoa disse que podia tirar outra foto "é agora ou nunca" - diz.

E eu dispensei.

Só depois reflecti neste simples gesto de pessoa que não é vaidosa. Lavava as mãos no WC e pelo espelho observei o meu rosto emoldurado pelos cachos de cabelo. Lembrei que é suposto para os cartões de identificação uma pessoa ficar mais "compostinha". Porque será que na altura não me deu para isso? Afinal preparei-me de véspera... tratei do cabelo. Agora durante CINCO anos vou ter uma foto minha que não vai mostrar o meu melhor. 

Mas não é isso que me incomoda. Por estranho que pareça, dou por mim a pensar que daqui a CINCO anos provavelmente já não vou ter este aspecto que ainda passa por jovial. Estarei na casa dos 40 (pois é). Provavelmente já poderei ter alguns cabelos brancos e algumas rugas pronunciadas no rosto. E levando em consideração os últimos anos como medida, provavelmente por essa altura estarei totalmente careca. E é isso. Desperdicei uma «última oportunidade» (de "ficar bem na fotografia") e é essa sensação de "perda" que subitamente me afligiu.

Recuei também no tempo, por volta dos 14 ou 16 anos quando entrei numa cabine fotográfica automática, para tirar fotografias tipo-passe para o cartão escolar e também não quis saber de compor o cabelo. Passei por uns rapazes que, como todos os rapazes, gostavam de ficar ali de "plantão" junto à máquina só para gozar com quem aparecia para a usar. "Com essa cara ainda estragas a máquina" "Ui! Feia assim ainda estragas a máquina!" e coisas desse género que não me afectaram minimamente. Ao contrário. Até me deixavam bem mais tranquila do que se escutasse ou sentisse que suscitava outro tipo de comportamento e pensamento.

Minha mãe desgostosa por não ter tirado uma fotografia mais bonita, no dia a seguir aproveitou que ia ao cabeleireiro e decidiu que íamos todas e depois tiravam-se novas fotografias. E assim foi. Novamente entrei dentro do centro comercial onde voltei a "esbarrar" com o mesmo grupo de rapazes. No dia a seguir a terem-se metido comigo, não me reconheceram como sendo a mesma pessoa. Agora era gira, era bonita, era interessante. E ouvi elogios e piropos. Só mudou o cabelo!

O cabelo faz diferença. Eu tenho constatado isso nestes últimos anos porque infelizmente tenho sofrido bastante de queda. E embora ainda tenha o suficiente para não se perceber nenhuma "carecada", nestes 10 anos a queda foi acentuada e irreversível. Ninguém acredita que tenho falta de cabelo (nem o especialista se acreditou) até ver uma fotografia do "antes". Dizem que perdi 3/4. E eu acredito que seja verdade. Porque a memória sensorial é muito mais persistente e duradoura e dou por mim a sentir as diferenças ao apanhá-lo na totalidade, ao reparar na linha da testa, ao sentir a sua extrema leveza a pesar do seu imenso comprimento. O facto do elástico para agarrar o cabelo dar várias voltas e de nenhum travessão ter algum tipo de utilidade e escorregar cabelo abaixo, quando antes não conseguia usar qualquer um de jeito nenhum, eram todos pequenos.


Nem sei porquê me apeteceu "revelar" tanto sobre a minha pessoa neste post de reflexões a partir de um acto corriqueiro. Mas enfim... daqui a 5 anos, quando renovar novamente o bilhete de identidade conto aqui se já tenho peruca ou pinto o cabelo ahaha!


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Facebook das VAIDADES

Desde que o mundo é mundo que grande parte das pessoas competem entre si pela atenção e preferência dos outros. Começa-se a notar isso quando se ingressa na escola, se fazem amizades e começam as invejas. Há quem sinta uma rejeição e sofra com isso mas o que a maioria não admite é que o estigma de inferioridade e de ter sido preterido/a acompanha para o resto da vida e vai pautar o seu comportamento social daí adiante.

Creio que é daqui que nasce o conceito de "duas caras", ou se preferirem três ou quatro: uma pessoal quando se está sozinho, outra quando se está com familiares, outra quando se está com amigos próximos, outra quando se está com amigos menos próximos, outra quando se está com colegas e outra quando se conhece alguém pela primeira vez. Enfim, há pessoas que têm várias caras conforme as que lhes aparece à frente. Mas deixem-me vos dizer que pessoalmente, tenho apenas uma e acredito que todos nós temos uma e somente uma. O resto são máscaras.

E é de "máscaras" que vim falar. O trabalho que dava antigamente para manter uma amizade! Para manter a fachada de se ser o que no fundo não é, quando foi com essa máscara que se deu a conhecer a alguém. Para que esse alguém continue a se interessar por nós, havia que manter as aparências. Hoje em dia isso está muito mais facilitado para quem usa ferramentas como o FACEBOOK.

O meu facebook é algo que uso e só me vejo a usar da forma livre. Se não conseguir andar por ali a me sentir livre para dizer e fazer o que me apetecer, então não me interessa. Talvez por isso ou porque é mesmo de mim, o meu facebook é do conhecimento de poucos, tenho "amigos" só de facebook que chegaram porque partilhamos o gosto pelos mesmos jogos e mais nada. Mas tenho aqueles que realmente conheço e que me conhecem. Um deles é um casal. Vejo constantemente as publicações do lado feminino e fico parva porque NADA do que ali vai parar reflecte a pessoa que conheço. É uma autêntica fabricação.

Essa pessoa recebe muitos comentários aos posts, costuma colocar aqueles meio idiotas com dizeres com lições de moral, coisa que não tem nada a ver com a pessoa também. É surpreendente perceber o quanto criou para a sua atmosfera privada uma personna fabricada. E é assim que se sente feliz, segura e rodeada de amizades. Já o lado masculino também usa o facebook para publicar, às vezes até a mesma coisa, mas não recebe quase nenhum comentário. Pensem bem: ambos publicam o mesmo, um não recebe comentários - talvez um ou outro do pai, do tio, da tia, o outro recebe muitos. Isto quer dizer que um é mais popular que o outro? Que as amizades dela são melhores, mais fortes e verdadeiras que as dele?

O facebook é muito apreciado como fogueira das vaidades. Ali cria-se a pessoa que se deseja ser, para receber os comentários que se desejam receber. E é por isso que tanta gente tem vaidade na sua conta de facebook. Fazem questão de mencionar que têm mais de 100 amigos que são mesmo seus amigos, que não aceitam amizades de desconhecidos, só de pessoas próximas com quem sabem que podem contar. É de uma vaidade e uma necessidade de rejubilar atroz.  E também não é verdadeiro. Mas não têm percepção disso. Não têm percepção que se revelam carentes, que revelam um ponto fraco ao precisarem tanto de se validarem dessa maneira.

Mencionei o casal que conheço bem porque queria usá-los como exemplo. Ela é fria, egoísta, ingrata e gosta de se aproveitar das pessoas. Ele é altruísta, amigo do amigo do amigo e tinha realmente verdadeiros amigos antes de a conhecer. Coisa que ela desesperadamente tentava arranjar e só começou a conseguir depois de o conhecer. Ninguém o adivinha - por uma análise aos conteúdos do facebook. Ninguém sabe que é ele faz tudo em casa - desde cozinhar, a limpar, a cuidar do bebé. E ela fica deitada no sofá, a ler revistas. No facebook dela chovem elogios à sua dedicação ao trabalho, à pessoa que ela é. No dele é um marasmo. Na prática? Na prática ninguém iria gostar de partilhar a vida ao lado de uma pessoa assim, tão centrada em si própria e tão perita em fazer os outros trabalhar por ela. Quem ela é realmente só poucos conhecem. Quem a conhece desde menina. Quem a conheceu já adulta tem uma "nova versão". Que não é autêntica. Podia ser, um bocadinho, de uma certa maneira, mas um pouco de convivência revela logo que não é. Ela não é aquela pessoa que está no facebook, a usar o seu nome e identidade.

Pelo que com isto concluí que o facebook, para uma maioria seriamente complexada, não passa de uma ferramenta social para afagar o ego e criar um alter-ego. Para alimentar a vaidade e satisfazer as carências que, desde a infância, ainda procuram validação através da quantidade de amizades e através do pensamento que os outros fazem da pessoa.