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segunda-feira, 11 de março de 2019

Até onde leva o histerismo


Não sou nada invejosa. Não invejo esta pessoa em nenhum aspecto. Mas se algo me incomoda é a injustiça. A monarquia já acabou mas continuam os males que esta distribuía... porque o povo continua a idolatrar as "rainhas". A diferença salarial entre Cristina Ferreira e um comum dos mortais é... criminosa. 

Esta diferença salarial explica-se pelo HISTERISMO das massas. 
São as próprias pessoas mais miseráveis e o seu deslumbramento pelo banal televisivo que as prejudica. A bajulação cega às figuras que aparecem em suas casas apenas através de um monitor faz com que sejam essas as pessoas mais bem pagas no mundo. 


E o que é que isso representa? Que muitas outras sejam exploradas. Para a Cristina Ferreira receber o seu ordenado milionário na TV, é preciso demitir uns tantos. Descer o salário a uns outros e, principalmente, introduzir muitos estagiários não remunerados e aproveitar a ambição de cada um para lhes chupar o tutano em troca de... tudo menos dinheiro.

E depois é a senhora da limpeza, os motoristas, a senhora na cantina, etc, etc que tem de contar os tostões a cada semana e perpétuamente adiar qualquer sonho como este:


Segundo o site Dinheiro ao Vivo, o salário de 80.000 euros por mês da referida pessoa dá para fazer muitas coisas: comprar três Lamborghini, a sanita de outro do Donald Trump, uma certa ilha privada no valor de 1 milhão de dólares e esta fantástica oportunidade na gravura acima: dar a volta ao mundo num luxuoso navio cruzeiro escolhendo a suite mais cara. Mas atenção: não apenas UMA volta, mas VINTE E SEIS!


E você, que sonha com apenas uma, vai continuar a ver navios...

Porquê?





domingo, 14 de outubro de 2018

Incompetência que justifica apuros


Se eu fosse o Ronaldo despedia a equipa de conselheiros que lhe dizem o que fazer.
Foram eles que o meteram em apuros com o fisco Espanhol.
Agora foram eles (Real Madrid) que o forçaram a assinar um acordo com Kathryn Mayorga e pagar-lhe coisa de 300 mil euros.

Caramba!
Que cambada de incompetentes!!!

Só metem o rapaz em mais apuros.
Até parece que não sabem o trabalho de casa...

Acho que, a ser inocente, o Ronaldo está a ser lixado por de trás... muitas vezes!
Mas por aqueles que o cercam! Tudo por dinheiro...
"Eles", provavelmente, nem são os mesmos.

Será este o próximo capítulo de uma futura e mais tardia saga CR7?


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Post 2, motivado por estar a ver em directo o programa Especial informação da CM ( muito bem feito, por sinal)

*PS: Os documentos revelados pela futebol leeks são o ponto-chave de todo este caso de acusação de abuso sexual contra Ronaldo. São neles que está a alegada prova de admissão de Ronaldo, que terá dito que a forçou a ter sexo com ele, que ela disse várias vezes não, que não era como as outras. E ele "acabou" e também disse que não era "como os outros" e pediu "desculpa". Ele terá admitido que ela disse "não, não, não" mas "mostrou-se disponível". 

Opá! Eu queria achá-lo íntegro e inocente...
Mas isto é paleio típico de quem sofre de "quero, posso e mando"... 


** Opá! (após ver entrevistas de rua aos madeirenses) Quem abre a boca cheio de si para argumentar "quem se diz magoada diz na altura, não 9 anos depois"... apetece-me abrir a cabeça dessas pessoas que se "acham" crentes da verdade absoluta com esse argumento, e mandar o cérebro instruir-se, ir estudar! Vão ler casos, falem com vítimas, leiam depoimentos... quem diz isto, para mim, mostra uma ignorância gigante.

Não! Não, não e não! Muitas vezes é o oposto!!
Até a violação ser um tema que deixou de ser tabu não foi assim há tanto tempo! E não está generalizado. Nem todas reagem apresentando queixa de imediato. Para chegar-mos aqui demorou muuiiito tempo (e a pílula do dia seguinte e o medo de doenças sexualmente transmissíveis contribuiu bastante para a mudança).  Quem acha que uma vítima só tem credibilidade se falar na hora, pensa de uma forma muito redutora, minimalista, reduzida! Pensam como mulheres maduras, fortes, guerreiras, que vão à polícia fazer queixa e ao hospital fazer análises. Esse comportamento só surgiu, minhas queridas, após muito esforço. E tempo. Esforço para incutir nas vítimas que exporem-se era o melhor a fazer. Falar era o melhor a fazer. Procurar justiça legal o melhor para as fortalecer. E para mudar essa mentalidade do silêncio e não-queixa judicial muito contribuíram os filmes americanos que "adoram" sujeitar as mulheres a essas tormentas, para depois mostrá-las a reagir, indo aos hospitais, indo aos tribunais!

Mas algumas ainda ficam caladas. Principalmente se a violação for extremamente traumática... porque as pessoas que fazem a (parva) afirmação acima, aposto que imaginam uma mulher sexualmente ativa e matura, a ser violada por UM homem. Mas a realidade tem todas a cores... e cada caso é um caso. E se for uma mulher virgem? Ou uma mulher sexagenária? E se foi um grupo de violadores, feios, porcos e maus? Com ar de doentes e drogados, sem consideração pela vida humana? Porém, metem TUDO num só saco! Sinceramente...

Violação ou Pedofilia - ambas sempre foram tabus, que ganhavam FORÇA pelo silêncio. Esse silêncio só começou a sofrer brechas à pouco tempo. Talvez nas últimas duas décadas... Porque a mulher sempre foi julgada e condenada com muita leviandade. A mulher vítima de violação por vezes não encontrava carinho e compreensão, mas acusações, gozo e, ainda por cima, outros machos as vêm com a "letra A escarlate"... e pensam que se podem usar delas como o outro fez. E se o comportamento social muitas vezes era este, vocês abririam a boca?? Por vezes até a polícia pensava assim...

A pedofilia era um TABU TOTAL até o escândalo caso Pia. Antes disso, o tema era tão temeroso que ninguém abria a boca. Muito menos ousava levantar suspeitas porque a ideia em si era considerada terrível. E injusta. Ninguém o pronunciava. Principalmente se o suspeito for "boa pessoa", caridoso, respeitador, muito trabalhador, religioso, homem de família, bom pai... Opá. A sério... as pessoas que abrem a boca para dizer que sem sofre de agressão fala na hora (seja violação, seja porrada, seja violência psicológica e verbal) tem cérebro?? Vivem no planeta terra ou na lua?

*** Se o Ronaldo quiser saber qual a estratégica de defesa que tem de seguir, BASTA-LHE ver este programa! Eles abordam todos os aspectos dos pontos fracos e fortes da alegação e dos argumentos até agora apresentados pelo Ronaldo. É impressionante! Muito boa análise.

**** Estes profissionais da CMTV fazem BEM o trabalho de casa! Um trabalho jornalístico louvável, em tudo completo. Desde a pesquisa sem "pulos" durante uma linha temporal gigante, aos profissionais e comentadores (especialistas em leis e psicologia) em estúdio... Uau! Muitos dizem o que também penso e que ainda não foi minuciosamente abordado. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A diferença entre se ser RICO ou POBRE




Não é ciência nenhuma...

Mas apeteceu-me partilhar por a minha infância ter sido o oposto. 
Alguns sabem o quanto estas palavras bonitas «picam» a alma por, indubitavelmente, trazerem à lembrança outra realidade. 

Ontem uma pessoa perguntou-me porquê me vejo numa luz «derrotista». E sem entrar em especificações, tentei explicar o quanto um certo «negativismo» nas raízes de muitas famílias portuguesas contribui para esse colectivo. 


Por isso relembro: pobre não é aquele que cresce sem bens materiais ou com pouca comida.
Pobreza é outra coisa. É quando vem do espírito.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Uma geração comprometida


Conheci esta jovem no emprego, 23 anos.
Pareceu simpática, de início. contou-me que a tatuagem de uma borboleta que tem no pulso representa a independência que atingiu aos 18 anos. (vão perceber que existe grande ironia nisto). Agora noto-lhe traços de algo que não me agrada muito.

Mas o mais importante e o que me leva a escrever sobre ela, foi uma conversa que tentamos ter hoje, durante a pausar de 15m a que temos direito. Perguntou-me ela (aliás, metralhou-me) há quanto tempo estava no país. Depois perguntou se vou cá ficar. E depois perguntou se não volto para o meu país. O interrogatório continuou com questões como «lá não há reforma?» e «não têm benefícios?». «Por exemplo, podes alegar que tens uma limitação de saúde e pagam-te um benefício?». 

Depois fez-me muitas perguntas sobre o estar a viver cá. "Gostas de dividir casa com outras pessoas?". "E em Portugal não dá?". "Como consegues pagar as contas?". Respondi-lhe, espantada: 
- "Trabalho. Ganho dinheiro." 
- "Eu também trabalho mas o dinheiro não me chega. Passei quatro dias em Londres e gastei-o todo".
- "Tens de controlar os teus gastos".

Ela responde-me que sempre gastou o dinheiro assim e eu volto a dizer-lhe que precisa de o gerir melhor. Ela responde-me que não. Ela vive com os pais, com casa em Londres, disse-me que paga apenas 50 libras por semana à mãe, mas não paga contas da luz, água, gás, internet ou a comida que come. E mesmo assim o dinheiro que ganha - o mesmo que eu, não lhe chega.

E é aqui que entra a «melhor» parte. Eu digo-lhe que não pode gastar mais do que tem e ela responde: 
- "Ai isso é que posso. O meu pai deu-me um cartão de débito e posso gastar mais do que tenho". 
-  "Mas não podes estar a contar com os teus pais para o teu sustento, eles não duram para sempre".
- " Não tenho de me preocupar. Os meus pais vão durar pelo menos mais 40 anos. Até lá..."

Os meus olhos abrem mais do que o seu tamanho normal. Ela tinha mesmo acabado de dizer com normalidade que contava explorar economicamente os pais por mais 40 anos??

-" É sério. Os meus pais ainda são novos. A minha mãe tem 45 anos. Vai viver pelo menos mais uns 40."
- "Sim, tomara mas... nunca se sabe. Não podes estar a contar com a ajuda deles".
- "Mas eles vão durar pelo menos 40 anos ou mais. A minha avó morreu com 101 anos, por isso..."

POBRES PAIS...
Sim, porque se por acaso forem ricos, vão ficar pobres num instante. Se é que já não estão. Têm uma filha que conta com a ajuda financeira deles por mais de 40 anos... A naturalidade com que ela disse esperar que os pais a sustentem, a forma como falou do cartão de débito dado pelo pai. Como se fosse algo comum como um pacote de pastilhas, como se pudesse realmente gastar o que lhe apetecesse. 

É ESTE TIPO DE mentalidade britânica que me faz temer o futuro deste país. Eu até lhe disse que, daqui a uns anos, se não controlar os seus gastos, depois vai ser uma daquelas pessoas velhotas que refila: "Malditos emigrantes, vêm para aqui roubar empregos!". 
-" Ah, não. Eu não sou assim" - diz ela.

Mas vai ser. Muitos deles estão a caminhar para isso. O Brexit é só a ponta do iceberg. E o resto vai aparecer daqui a muitos anos.



É que os jovens que conheci não demostram nenhuma simpatia por continuar os estudos. Dizem sempre que é muito caro - e pode até ser. Mas também oiço que o Estado ajuda. Depois ficas a pagar um «x» consoante o ordenado que ganhares. Os emigrantes aproveitam isto. Os nativos não.

Isto vai resultar numa inversão de poderes. Que já existe, aliás. Ou seja: vêm emigrantes tanto para trabalhar, quanto para estudar e conseguir melhores empregos. Já os ingleses, estão a deixar as escolas, não querem prosseguir os estudos alegando «o preço» e contam em gastar dinheiro que não têm.

Estão muito acomodados. Nasceram com tudo de mão beijada e sem que lhes seja exigido muitas responsabilidades - pelo menos é essa a vibração que sinto das pessoas jovens com que me cruzei. Não todas, felizmente, mas de uma forma generalizada.

Esta rapariga tirou um curso superior - disso-mo, quando lhe tentei explicar que tinha percebido que poucos jovens gostam de prosseguir os estudos. E se tirou, decerto que não foi para trabalhar onde está agora. Portanto já posso presumir que os pais - cansados dos seus gastos e frustados por os estudos pelos quais pagaram não resultarem em emprego remunerado - impuseram que ganhasse algum dinheiro. Mas se já a mimaram de outras formas e ainda lhe permitem que gaste tudo o que tem e mantêm um cartão de débito - então... qualquer tentativa poderá já vir tarde.


Sabem o que mais me chocou ver aqui no UK?
Um toddler. Sabem o que é um toddler? É a expressão que eles têm para designar uma criança que mal começou a andar. Estava esta criança a ser empurrada num carrinho de bebé, no jardim. E pergunta ela à mãe: "Where's my money?" "Mommy, I want my money", "Mummy, money!" "My money".
O rapaz procurava alguma moeda que lhe terão dado para as mãos. Dinheiro. Que deixou escorregar algures para o carrinho. Mas a forma como se fixou no dinheiro e o pronome possessivo... Fiquei chocada. A mãe, de início, ainda lhe respondeu: "O dinheiro está aí contigo". Mas à medida que a criança insistiu que o queria, a mãe ignorou-o. Como se tivesse adivinhado a minha surpresa. Eu preferia ter escutado a criança a pedir à mãe um brinquedo ou um boneco de peluche que tivesse deixado escorregar. Agora... dinheiro??

Se começar assim tão cedo, este facilitismo em receber dinheiro e o valorizar, então o UK terá, decerto, um grande iceberg debaixo das águas serenas... E a salvação está, mais uma vez, nos emigrantes.


É que as barreiras, criamos-nas nós.
O mundo é um só.
E estas gerações jovens do UK, não passaram por uma guerra, algumas sempre viveram em facilitismos, sem lhes exigirem que trabalhassem ou ganhassem responsabilidades em troca de terem tudo o que querem. Vão continuar a querer ser tratados de forma beneficiada e não vão ser. Vão alegar algum problema de saúde para viverem de benefícios do estado. E quem vai trabalhar? Os emigrantes :P

E a jovem que tatuou uma borboleta para representar a sua independência... precisou que os pais lha pagassem. Como ainda pagam muita coisa. Grande noção independência.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Anda-me a apetecer muito...


Ver-me de súbito com uma grande fortuna em mãos, daquelas que permitem que possas viver os restos dos teus dias sem quaisquer sufocos financeiros.


Sinto que devia ser assim... Por algum motivo não é mas era para já ter sido.  



Sonhos adiados... sempre os sonhos adiados. E os receios... de se perder o pouco que se tem. De se ver forçado a começar tudo de novo, noutro lugar, estando mais velhos, mais cansados, mais derrotados, com menos forças...



Os sonhos têm prazo de validade. A conversa do "nunca é tarde" não se aplica a muitos casos. As coisas são desejadas em determinadas alturas por algum motivo. O espírito, a alma, o nosso bem-estar a nosso progresso como seres humanos - está tudo interligado. 


Sempre disse: queria ter muito dinheiro para poder gastá-lo com a saúde. Para pagar médicos caros, tratamentos dispendiosos, boa comida, boas actividades físicas... Para ser saudável e feliz. Não o queria para possuir muitos bens e o amealhar no banco. Podia até ter alguns, mas por existir um propósito. Ter ideias e investir nelas, criar, arriscar e aprender - coisas que precisam de capital para investimento. Bem sei que os riscos investem o capital dos outros mas... Eu não queria ser tão rica, lol.

Se não fosse pelo pouco dinheiro... todos os desafios seriam melhor encarados. Em qualquer idade. 


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Lições de Vida


À medida que vamos envelhecendo evoluímos gradualmente  para «pessoa sem interesse». Até os nossos próprios familiares podem olhar para nós e sentir que já não nos querem tão por perto (observo isto, não que o sinta... muito). Então percebi uma coisa.

Tenho de ser uma velha RICA.

Assim nunca ficarei muito tempo sozinha, sem uma visita, de amigos, parentes ou simplesmente pessoas que acabaram de me conhecer e já me adoram. 


Acham mal?
Pensem na alternativa.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Afinal, vida de rico, não custa nada!


Desde que me lembre sinto atracção por gadgets. Vai que não resisti e carreguei numa "página sugerida" pelo facebook, que me remeteu para um site de vendas online. Infelizmente, meus senhores e senhoras, a nossa alfândega faz-nos pagar balúrdios de impostos se encomendar-mos alguma coisa de valor acima de 22€, se não fosse por isso... Ai Jasus, eheh.

Então aqui ficam 5 sugestões de produtos que encontrei. Se as imagens aparecerem pequenas no blogue, carreguem nelas para as ver em tamanho original e captar os detalhes. Muitas escolhi a pensar no que seria um bom presente para aquelas que sentem dificuldade em ter ideias para presentear os mais-que-tudo. A primeira:

1- PLASTICINA MAGNÉTICA
  

Um simples brinquedo para entreter e relaxar. Não parece grande coisa mas vejam este vídeo e comecem a pensar se não têm um mais-que-tudo que ia divertir-se com isto. Bolas, qualquer um se diverte com isto.

Curiosidade em saber como é por dentro? Pois não tem de esperar mais... 

2- CABO ENDOSCÓPICO PARA ANDROID


No futuro teremos óculos com visão 3D? Não, no presente! 

3- ÓCULOS 3D PARA SMARTPHONES


Nostalgia para escutar os velhos discos em vinil mas já não tem gira-discos?  

4- MALA GIRA-DISCOS COM RÁDIO E MERDICES


Cinema em casa...
5- PROJECTOR COM DVD

O que acham? Afinal, nem é preciso ser muito rico para ter acesso a algumas coisinhas divertidas. Só de pensar que há 15 anos um projector dos baratos andava nos 1000€! 

Escolhi estes artigos mas dentro do gira-discos em mala, do visor 3D e dos projectores existiam versões mais económicas:



Claro que ainda assim, as características dos produtos fazem-nos variar na eficiência mas digam lá se, por estes valores, não arriscavam uma compra? Os portes são gratuitos. Fazendo as contas aos cinco mais caros, o total dá 132.47€.

Paguei o mesmo para um electricista vir mudar uma tomada!! 
(para os que se recordam desse post).

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O fado do pobrezinho

Uma semana antes do Natal um familiar contou-me que apanhou uma multa por excesso de velocidade. E depois saiu-se com esta:

-"A sorte de todos é que já tinha comprado os presentes porque senão, não ia haver dinheiro para oferecer nada a ninguém neste Natal."

Aquilo incomodou-me. Achei uma comparação desnecessária e de mau gosto. 

Além de intuir que tal não podia ser verdade, o incómodo foi por estar a presenciar a "cantiga do pobrezinho". Não sei explicar bem mas tenho cá para mim que muitos dos que lerem estas linhas vão entender do que falo. Se calhar, alguns praticam este "fado" faz anos e nem se dão conta. 

Refiro-me ao costume de estar sempre a "choramingar" as despesas só porque se aproxima o Natal. E depois no tão esperado dia, durante a troca de presentes ou numa conversa circunstancial, fazem referências regulares às finanças pessoais: "Este ano o Pai Natal está pobrezinho", "O dinheiro não estica", "Este ano foi mau...", "Este Natal quase que não comprei presentes", etc.

Na realidade, todos temos despesas! Acho que revela uma certa mesquinhez quando falam do assunto daquela forma. Ainda por cima, uma lembrança natalícia não implica grandes despesas. Uma lembrança pode até ser feita, pode ser filmada, pode ser tanta coisa... Pode não implicar gastos elevados.

O Natal é revelar num gesto simples aquilo que és. Com ou sem dinheiro. Este não devia ser o centro da quadra. 

Sacrilégio. Queres o Menino-Jesus ou a vaca? Lol.
Como referi, não sei explicar de forma mais direta e sintética este costume tuga que estou a tentar trazer à superfície. Na minha família os Natais - os jantares e almoços - onde reside realmente o factor "despesa" e onde faz mais sentido trazer à tona o tópico "finanças" eram quase sempre sustentados em grande parte pelos meus pais. Que estão longe de ser os mais abastados na família. Depois passaram mesmo a ser eles a se encarregarem disso. E do absurdo de dinheiro que colocavam em cada coisa que serviam à mesa - o típico bacalhau de véspera e depois o cabrito, coelho ou a carne assada com castanhas, os muitos doces típicos e bebidas - tudo para umas 20 pessoas, nunca que os ouvi fazer uma referência «queixosa» do valor que despenderam para realizar a quadra.

Agora já não dá para tanto, até porque cada qual vem de outras casas. Mas em público, em tom de "fado do pobrezinho", diante de desconhecidos ou da família toda reunida, eles não "pregavam" este sermão do "pobre com a barriga cheia". Têm muitos defeitos os meus pais. Eu cá sei. Mas entre algumas qualidades que lhes posso apontar, a generosidade para com os outros no que respeita a pagar-lhes almoços ou oferecer algo, é uma delas. São capazes de mencionar "aquele cabrito custou 60€" mas não num tom de lamento ou martírio. E só entre o círculo mais próximo, com pessoas que estão à vontade e o assunto acaba por surgir naturalmente. Será que me faço entender?

Bom, como não estou a conseguir explicá-lo bem, vou resumir. A pessoa que me disse isto em Dezembro passado - que estava sem dinheiro para comprar presentes, recebeu ontem pelo dia de S. Valentim, um smartphone novo. E dentro de dois meses vai duas semanas de férias para o Brasil.

E estava «pobre» em Dezembro...
Mais valia ter ficado calada.



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Eu não quero uma casa com piscina



Embora esta da imagem até me agrade, por parecer pequena e aconchegante tal como as habitações e o jardim que a rodeia, nem nos meus sonhos de consumo mais exagerados alguma vez me visualizei a morar numa casa com... Piscina.


A sério: para quê querem as pessoas uma piscina em casa?
Se ainda fosse totalmente coberta! Ao menos as despesas com a limpeza e temperatura diminuíam um pouco. Mas depois tinha a cena da humidade, uma chatice!

Uma casa com piscina só é sustentável se vier com um "rapaz da piscina". Que saiba fazer a manutenção da água, o que inclui a temperatura e a limpeza. E nisto tem de se levar com o ruído mecânico do aquecedor, uma maçada! Todos os dias ter de ir tirar insectos mortos e folhas de árvore da superfície é uma chatice! E a conta de água ao final do mês? Litros e litros dela, só para dar uma braçada ou duas...

Nunca oiço alguém sonhar com uma casa com... uma biblioteca. Faz mais o meu género. Não que seja muito erudita, conhecedora dos grandes mestres da literatura mundiais e domine a escrita com um primor que almeja chegar à poeira destes Grandes. Nada disso, ehehe. Apenas gosto de ler, conhecer e aprender. Os livros tanto são bons para entretenimento quanto para aprendizado. E o que é que realmente ia apetecer fazer neste alpendre na imagem, à sombrinha de uma espreguiçadeira, com aragem gostosa e o calorzinho da tarde, hum??

Outra coisa que a minha "casa de luxo" teria era uma sala multimédia. Estas não precisam de ser muito grandes. Uma pequena saleca com uma tela do tamanho de uma parede e um projector é o que basta. Os projectores mais baratecos andam abaixo dos 1000€ a tela é que tenho cá para mim que seria mais cara. Ou se calhar não. Mas em todo o caso, sempre existe o famoso lençol branco. Lavado com OMO, servia às mil maravilhas!


E sempre imaginei um chão personalizado, com coisinhas que cá eu sei. Com um pouco de vidro para se ver decoração no interior, com geometria formando padrões ou formas. Não preciso de piso aquecido. Tenho meias! Só a conta de eletricidade por ter cada ladrinho resguardado com uma resistência de aquecimento... até doi só de imaginar.

Ah! O que me leva a outro sonho: painéis fotovoltaicos e energia eólica. A eletricidade fabricada em casa ia saber melhor e o ambiente agradece. A água do duche reciclada para o autoclismo e demais necessidades, como limpezas. 

O luxo maior talvez fosse o facto de gostar de ter topiária no jardim. Com flores, arbustos diversos, aromas que me remetem à infância ou são simplesmente agradáveis... E árvores. Uma delas teria de ter um baloiço, daqueles de uma tábua, dois furos e uma corda, lol :) Uma pequena horta também seria necessária.... com central de compostagem. Court de ténis ou de futebol... só se fosse para correr ou andar de bicicleta :) Pronto, confesso que ténis também ia. Mas está longe de ser o essencial. Quero é o meu jardinzão, ahahah. Desse não abro mão. 


Mas piscina? Acho que é coisa de noveaux-riche, rssss. Prefiro um lago com umas figuras de pedra como fontes, a jorrar água que cai silenciosa ou quase... E uma cascata. Claro, sempre uma cascata. 

É provável que já tenha sonhado com mais. Ao longo dos anos esta casa imaginária vai-se enchendo de mobilário, de electrodomésticos, de texturas, de janelas, de vidraças, de cores, escadarias, de tecnologia... Umas coisas esquecem-se, outras ficam na memória. 

E vocês?
Sonhar, como alguém bem lembrou aqui mesmo, não custa nada. Vamos ao menos sonhar?
Como imaginam a vossa mansão milionária? 

sábado, 11 de outubro de 2014

Rico Filho - a mensagem no facebook

Minha mãe não me criou para ser rica. Ao contrário de uma ou outra mãe que conheci, não me educou para procurar um rapaz "bem de vida" e só demonstrar interesse por rapazes oriundos de famílias de posses com carteiras recheadas.  MAS... passou a vida toda a dizer coisas como:

«Só tu é que não consegues nada!»  - referindo-se ao "bom partido" que uma colega arranjou
«Só tu é que não consegues nada!» - referindo-se ao "bom" emprego de uma ex conhecida qualquer
«Só tu é que ficas para tia!» - referindo-se ao casamento de alguém
«Olha para ti, andas sempre toda enxovalhada!» - constantes críticas à minha aparência

E quando era menor, era frequente escutar:
«Pensas que o dinheiro cai do céu!» - mesmo quando não falava de nada
«A filha da vizinha fez, só tu é que não fazes nada» - referindo-se a qualquer merdinha que fosse
«Precisas? Vai comprar! Trabalha para teres dinheiro!» - diante da possibilidade de qualquer necessidade, mesmo as básicas e as mínimas escolares
«A vizinha "veio-me" contar que a filha ajudou-a a limpar a casa, limpou o pó ao quarto, à sala... só tu é que não fazes nada!» - rebaixando-me constantemente nas comparações com qualquer pessoa, principalmente quando injustas

E existiria mais para contar. Contudo, tudo isto serve apenas para o que vem a seguir. Minha mãe postou uma imagem com uma mensagem no seu facebook. Ao ver do que se tratava não pude deixar de expressar um som nasal, como que a tomar percepção do quanto nas redes sociais as pessoas partilham um IDEAL, mas têm toda a dificuldade do mundo em colocá-lo em prática. 


Se existiu algo a que posso atribuir grande parte da responsabilidade à educação dada por meus pais, é exatamente esta. Souberam sempre me educar de forma a colocar o IN que antecede a palavra «felicidade».



terça-feira, 10 de junho de 2008

O Parente Famoso

Nesta minha insistente busca para compreender as coisas que me cercam, dei comigo a estudar as minhas raízes. O hábito era antigo, mas o processo, de realmente ir atrás dos antepassados - a chamada Genealogia, esse chegou décadas depois.
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Sabem o que todos dizem quando o assunto vem à baila? Pensam em si mesmos e não poucas vezes saiem com esta afirmação:
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-"Quem sabe descubro um parente podre de rico, um nobre qualquer e, deixo de trabalhar!"
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Esta afirmação sempre me perturbou. Que mania! Mania das grandezas, mania que a nobreza está num título e que a riqueza é tudo.
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Nunca ocorre a estas pessoas pensar que, os que foram "nobres" e "ricos" ás tantas o eram pela capacidade de se aproveitar dos outros? Quer dizer, um antepassado rico e mau carácter, não é coisa que me agrade como contributo genético...
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Porquê querem todos ter um antepassado ilustre? Sentem que ganham imediatamente um status? Não entendo...
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Quis conhecer os meus porque, instintamente, senti que já os conhecia. Ainda que inconscientemente, quis ir ao encontro deles para os conhecer e saber se foram o que os meus instintos me diziam que tinham sido. Não achei que ia deparar com riqueza ou nobreza. Mas queria deparar com pessoas de bem, trabalhadoras e honradas, pois sentia isso em mim, como uma herança de séculos.
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Este instinto inconsciente, provou-se correcto. Recuei quatro séculos nas minhas raízes mais directas e não encontrei nada além do que descrevi em cima. Pessoas do povo, pessoas comuns, trabalhadoras, honradas, que tiveram muitos filhos e criaram todos. Viveram muitos anos e com baixos índices de mortalidade infantil na família. O que pode indicar a inexistência de negligência ou outros cenários mais macabros. Do muito e do pouco que compreendi, em nada me decepcionou o que encontrei. Ali estava: pessoas comuns, simples, humildes, trabalhadoras e honradas, de bom coração, boa saúde, perspicácia, inteligência, bons genes. Não podia querer melhor.
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Claro, carrego comigo o peso que décadas de pobreza transmite de geração em geração. Mas não se perdeu a virtude. Conheci outros familiares distantes e em todos encontro uma doçura, uma bondade e simplicidade, que dá gosto de perceber. Todos passaram pela mesma pobreza característica da classe e da sociedade. As mesmas dificuldades, os mesmos problemas e sempre, sempre, a mesma disposição para a luta, para a honra, para a sobrevivência, sem recorrer a artimanhas pouco nobres ou criminosas.
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E deixem-me dizer esta grande verdade: A GENEROSIDADE É PROPORCIONAL À MISÉRIA.
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Quem mais dá, é quem menos tem. Quem mais sente, é quem mais sofreu. Quanto mais pobre, mais generoso. Um pobre nunca deixa de partilhar um pão, dar uma moeda. E quem em tudo isto já nasce com um bom carácter, conserva-o até o fim da vida. É feliz em espírito e faz os outros felizes também. Mas lá por ser um ser sorridente, não desconhece de todo a dor do sofrimento.
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Atrás de um grande e caloroso sorriso, está alguém que sabe o que é a dor.
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Voltando aos antepassados, fiquei à espera de encontar alguém que também procurasse alguém. Em fóruns de genealogia e artigos, li todos os nomes, verifiquei todos os apelidos. Mas nada. Nomes parecidos, homónimos até, mas nenhuma correspondência.
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A menos que se tenha um antepassado mais "famoso", dificilmente alguém vai escrever o nome de um perfeito desconhecido. Mas a esperança não morre. E assim, a cada região e localidade mencionada, lá ia espreitar por um nome familiar. Entrei então num tópico sobre uma "celebridade".
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Bem, o termo, celebridade, não é muito do meu agrado. Tenho a certeza que também não lhe agradaria a ela. A pessoa em questão, foi mais uma figura. Uma figura do panorama português. De relevo, de importância e do povo.
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Saber que, há 200 anos, tinhamos parentes em comum, não me surpreendeu, nem a uns outros poucos parentes a quem o mencionei. Era conhecida a localidade de proveniência e apelidos desta figura que se tornou de relevo no panorama artístico português. E assim, feita a descoberta, pouco impacto teve.
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Por curiosidade, fui ler uma sua biografia. Sem espectativas. Só aquele instinto, que me insinuava que não ia encontrar nada que no fundo, já não sentisse...
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Fiquei surpresa sim. Fiquei muito surpresa com as semelhanças. Gerações tão diferentes, de tempos diferentes, com experiências e oportunidades diferentes e, no entanto, lá estava: tudo igual.
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Será o peso dos genes? Das gerações de pessoas do povo, pobres, mas de carácter? Acho que sim. Muito do que os outros viveram passa para nós não só como traços físicos, mas também na forma de ser e da energia que carregamos. Acho até que, algumas vezes, estamos aqui a pagar pelos pecados dos outros, não pelos nossos. Sentimentos e emoções TAMBÉM são transmitidas genéticamente. Ainda mais, com o peso de séculos em cima.
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Ora, se se transmitem doenças, problemas, tiques, maneirismos e até gostos peculiares, claro que se transmitem emoções, experiências de vida, carácter.
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Fiquei surpresa com as imensas semelhanças entre a história de vida dessa pessoa, no que respeita ás suas origens, e muito, muito mais, pasmada com as semelhanças de personalidade. É como se a tivesse conhecido por dentro. Vi o lado conhecido mas também o oculto. Aquele que poucos conseguem imaginar.
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Pobre menina rica! Pobre menina pobre, que ficou rica, que era nobre sem o ser, que tinha medo e não sabia...
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Pois não podia ter-me "saído" na "rifa", "melhor" figura! .
Uma pessoa do povo.
Ganhei a taluda porque já nasci com a cautela.
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Sou Portuguesa da mais pura essência deste povo.
Não há como negá-lo!
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Saiu-me a sorte grande.