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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Exercício físico pela manhã

Passou por mim a correr, de calções justinhos e tshirt. São sete e meia da manhã e o termômetro indica a temperatura de -1


Questiono-me: porquê as pessoas decidem fazer exercício, em particular correr, logo pela manhã com tanto frio? Provavelmente uma hora antes de se enfiarem num carro para o trabalho?

Depois penso em mim e entendo-as. Aqui estou eu, como todos os dias, em passo de marcha. Nas pernas visto umas calcas de fino tecido, que também uso no pico do calor.

Mas não me sinto desconfortável. Pelo contrário: sinto-me bem. Um imenso Bem estar.

Contudo, não sei se ia gostar de correr. Andar depressa agrada-me. Não gosto sequer de parar por ter de atravessar as ruas. Desenvolvi métodos para evitá-lo, sigo atalhos e corto caminhos. Dá-me gosto este "jogo" em que procuro melhorar a experiência dos percursos de sempre.

Esta é uma fotografia de outro "atleta" com que me cruzei logo a seguir ao outro.


Está tanto frio que ao entrar pela porta no emprego o visor do telemovel embacia de imediato formando-se pequenas gotas de condensação. E as minhas pernas parecem querer descongelar. Mas nem as sabia congeladas.

Às 7.34h o sol se pôs- disse-me hoje a previsão do tempo. Foi exatamente nessa altura que tirei esta foto.


Tenham um óptimo dia!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Vontade de... introduzir algo novo na rotina


Hoje entrei na Decathlon local e fiquei maravilhada.
Desejei fortemente poder mudar um pouco a minha vida de modo a incluir uma actividade desportiva.

A loja - dois pisos cheia de coisas tentadoras, dedicava o seu espaço a diversas modalidades. Entrei e comecei logo a espreitar as bicicletas. Adoro bicicleta, mas tenho receio em usar, porque faz alguns anos que não ando numa e porque sei que ainda não perdi a preferência por aquelas nas quais consigo sentar-me sem grande esforço para os pés chegarem ao chão. Ou seja, as pequenas. Olho para as bicicletas de adulto, ou as boas de corrida e aquilo parece-me um alfa-romeu... para alguém que só conduziu minis. 



Pensei logo na Gaja Maria - a blogger mais ciclista que conheço.
"Ela entende disto tudo e podia esclarecer qualquer pessoa" - pensei eu.

É que não são só os vários modelos de bicicletas, é também a tentadora parafernália de indumentária que acompanha o aventureiro do pedal com duas rodas. Existem coisas bonitas, tentadoras que, cedendo à tentação de as experimentar, merecem ser experimentadas em pleno, como «deve de ser», e não só «conforme der».


Continuei a minha visita e fiquei maravilhada: Tudo para tiro ao alvo com arco e flecha, tudo para equitação - incluído coletes que inicialmente pensei serem daqueles que os polícias usam nos filmes americanos, os à prova de bala - tal era a aparência dos mesmos. Mas penso que eram apenas para proteger em caso de queda do cavalo...


Confesso que me surpreendeu. Em todos estes anos de vida, das vezes que entrei em contacto com a prática de equitação - através de terceiros, nunca vi ninguém - criança ou adulto - montar num cavalo usando aquela coisa rígida e volumosa. Será prática corrente? Ou o resultado do típico excesso de zelo britânico com fundamentos no pânico de processos legais?



Coisas para ioga, patins em linha, golfe, pesca... tanta coisa.

Fazia-me falta incluir na minha vida um hobbie de actividade física.
Sempre gostei de actividade física que estivesse relacionada com o ar livre, com a natureza, a descoberta de lugares...

Contudo, acho que é quase incompatível com a vida que a maioria leva.
Com excepção feita quando se tem a sorte de conhecer alguém mais - nem que seja uma pessoa - capaz de se aventurar contigo nas mesmas tentações.  

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A ironia das aparências



Conversava com dois jovens conhecidos sobre a minha vontade de praticar desporto. Recentemente senti vontade de correr mas não consigo começar sozinha, preferia estar inserida num grupo ou acompanhada de outra pessoa. Sempre gostei de praticar alguma atividade física mas nenhuma foi a que pratiquei desde que na juventude as escolas acabaram com a disciplina de Educação Física. 

O que tenho feito nas últimas décadas se resume a andar bastante a pé e a correr regularmente para estar a tempo nos locais ou para alcançar os transportes públicos. Ainda assim, é mais exercício do que o praticado pelo casal com quem conversava. Ele com 25 anos, ela com 22, nenhum dos dois a olhar com simpatia para a ideia de praticar qualquer desporto. Era «do carro para casa» e assim adiante. Disseram-me mesmo que detestavam correr, transpirar e correr então, é que "nem pensar".



Vai que, por ironia do destino, dias depois a chefe da empresa onde eu e esta colega de 22 anos estagiávamos diz que precisa de alguém que faça corrida para testar um novo aparelho que saiu no mercado. Imediatamente olha para ela, jovem, magra, em forma e deduz que ela é dada a desporto. Convida-a para correr. De seguida, pergunta a outras colegas, também elas reticentes. Não me pergunta a mim, que sou tão «cheinha» quanto ela, a chefe.

No «meu tempo», gostava tanto de correr que o fazia diariamente, ao sair da escola, acabando por desenvolver um hábito entre outros colegas, uma competição. Veio-me à lembrança o diploma que recebi na prova de resistência, por ter sido a que ficou a correr por duas horas seguidas. E as medalhas que ganhei em provas de corrida.


Recordei também como insiro no meu dia-a-dia pequenas atividades que outros não estão dispostos a fazer, por preguiça. Era eu a que não se importava de fazer todos os dias 30 minutos de caminhada até à estação, era também a única que ia a pé até ao centro comercial mais próximo, que ficava a 20 minutos de distância e numa subida de respeito. Nunca ninguém lá foi a pé sem ser eu. Acho até que nem de carro, só por dar trabalho de ter de entrar, sair do estacionamento, entrar noutro estacionamento e ter de andar tudo «aquilo» até as escadas rolantes, até chegar ao piso pretendido...

É a realidade. Sou gorda sim, tenho peso em excesso, levo uma vida sedentária, mas sinto-me bem quando estou em esforço físico. Não aquele de ginásio, de movimentos anormais repetidos e ar com cheiro estranho mas estou quase sempre a procurar uma boa caminhada, ao ar livre, as distâncias nunca me amedrontaram e adoraria fazer subidas em terrenos montanhosos. 


Há anos que tenho a sensação que um dia ia participar nas corridas nas pontes sobre o Tejo mas ainda não o fiz porque, tão simplesmente, não encontrei uma única alma que partilhasse desse mesmo gosto. De forma a que o meu desejo pudesse ter a coragem de «sair» do buraco onde se enfiou e da vida sedentária a que fui apresentada. Simplesmente não consigo achar essa «turma», esse circulo de pessoas mais ativas. Estou mesmo por «outras bandas». Todos que conheço têm pavor a esforço físico. Eu, a rechonchudinha, nem por isso!

Adorava subir às árvores quando pequena, tinha impulsos e desejos de fazer coisas "malucas", que não entendia mas que hoje se chamam de "desportos radicais". Queria saltar de paraquedas, andar de parapente, de asa delta...  Como as pessoas erram quando julgam pelas aparências!


terça-feira, 20 de maio de 2014

Desporto ao ar livre


Estive a ler por alto uma reportagem sobre fazer desporto ao ar livre. Dizem que virou moda, uma moda que a crise trouxe e que os muito bem afeiçoados praticam com gosto e despudor.
E eu fico pasma com isto. MODA. E como moda que é, alguns seguem-na por causa disso mesmo: moda. Quando esta regredir novamente aos ginásios, os seguidores de «modas» vão atrás.

Quando era MODA estar em forma frequentando ginásios, nunca me senti atraída por eles. As pessoas diziam-me que tinha de ser assim, que estar em forma era preciso e algumas quase queriam me forçar a frequentar um, apelando às «coisas terríveis» que acontecem à imagem que projectamos quando não se faz desporto. Eu concordava que o exercício faz bem - eu sempre me senti bem ao fazê-lo - mas ia logo dizendo que ginásios não eram lugares para mim. Quando me imaginava a fazer desporto, qualquer que fosse a actividade que me apetecia não era nada que me confinasse a quatro paredes. Eu queria subir montanhas, dar passeios, ir em caminhadas, fazer coisas mas ao ar livre. E desde os 12 anos que sentia vontade de experimentar asa delta e queda livre. Esta minha vontade portanto, não correspondia bem com as que um ginásio disponibiliza e vinha de um outro lugar que não o da preocupação estética. Sim, julgo que era a vaidade que conduzia muitos aos ginásios. Talvez um pouco a saúde, mas muito mais a vaidade, sem dúvida. E eu não tinha disso. Sentia atracção por actividades que me preenchessem também a mente e a alma. E daí nunca me conseguir ver num fechado, escuro, artificial e suado ginásio. Só de entrar, já não gostava do cheiro do ar. Como fazer exercício com vontade, se  não gosto do ar que respiro? Me incomodava, por vezes, ginásios em lugares fechados e escuros, dos que ao entrar os olhos tinham de se ajustar à pouca luz, luz essa que estava a brilhar lá fora. E tinha também aqueles com ar condicionado para fazer circular o ar carregado de suor, o barulho de máquinas, os espaços apertados e cheios de pessoas... Não eram para mim. Eu desejava estar FORA dali.

Nos longos anos em que os ginásios viraram «moda», tentei encontrar pessoal interessado em actividades diferentes e ao ar livre. Coisas simples como passeios. Uma caminhada. Só que as poucas pessoas que conhecia não gostavam muito de praticar. E tem também a família. Essa era castradora, não participava e não me deixava ir sozinha a lugar algum. Por isso hoje, quando frequento blogues em que vejo que pai e filhos, ou tios e cunhados andam juntos a fazer corridas desportivas ou actividades ao ar livre, acho isso tão bonito. A minha família ensinou-me como ter vontade de ir passear, querer visitar museus e actividades mas ficar a ver televisão o dia todo, entendem?

Sempre andei muito a pé. Aos poucos fui percebendo que isso causava estranheza e que as distâncias que percorria não eram consideradas «aceitáveis» para a maioria, que preferia percorrê-las de transportes. Até mesmo na Universidade tive colegas espantados por recusar boleias, mas talvez o espanto seja que para fazer um percurso de 10 minutos a pé alguém quisesse fazer dois de carro... E depois de horas encafuada em salas de aula, eu ansiava por uns minutos de tranquilidade e ar puro. Ainda hoje não vejo nada de estranho nisto. :D

Contudo, a pesar de ser esta a minha natureza inicial, considero-me uma pessoa de práticas sedentárias e pouco dada a esportes. Talvez a educação se tenha sobreposto à natureza, não sei. Contudo sei que nunca será por ser MODA, que vou vestir o melhor conjunto de treino e pavonear-me a passo de corrida na zona chique do Parque das Nações para ser vista e essa atenção satisfazer a minha vaidade. Sei que são talvez cada vez menos (?) aqueles que praticam desporto por este principal motivo. Acredito que muitos o fazem porque gostam de estar em forma. E deixem-me dizer: quando se está bem, a vontade de continuar facilita muito e retira quaisquer inibições mais persistentes. Sente-se a diferença e percebe-se os benefícios. Mas quando não se está em forma a coisa muda um pouco de figura.

Existe sim muita gente a praticar desporto ao ar livre. Eu vejo como subiu em número a quantidade de ciclistas e de corredores que passam aqui na zona. Mas também é fácil perceber que as pessoas que mais precisam dele continuam inibidas de tais práticas à vista de qualquer um. Os que vejo a praticar estão já em boa forma. Têm boa aparência, bom aspecto. Nenhum é assim para o gordinho ou fora de forma...

Quando o sol deu o primeiro ar da sua graça, lá em Abril, não resisti a uma ida ao parque. Este, sempre vivo com a energia de crianças, pais, velhinhos e jovens, já estava cheio de pessoas a praticar corrida e caminhada. Eram muitos, mesmo tendo existido dias de chuva antes daquele de sol. No entanto, um rapaz trajado a rigor com fato de licra completo, luvas etc, estava ali no parque a «fingir» que era pelo desporto. Permaneceu duas horas no mesmo lugar, junto a umas barras para desporto, fazendo somente cinco ou dez agachamentos quando na realidade estava era a observar cada par de rabo feminino enfiado em fatos de treino que ali passasse a fazer jogging ou corrida.

Reparei porque ele simplesmente não saiu dali. Antes do rapaz se abancar naquele lugar, adorei ter visto uma senhora idosa não resistir à barra e pendurar-se nela, como uma criança. Só aquele minuto em que lá esteve deve ter feito maravilhas para o espírito e até para os músculos. A barra sempre foi a minha predileta e a minha vontade era fazer a mesma coisa. O ímpeto de me pendurar numa cada vez que as vejo é um que tem de ser controlado sempre. Desde uma vez com uns 14 anos num parque vazio em que não resisti e minha mãe me deu uma reprimenda dizendo que já não tinha idade, que aquilo era para crianças pequenas e eu lhe causava vergonha. Então o «estigma» ficou, mesmo sabendo que as barras e outros aparelhos não são nem devem ser só para uso de crianças de idade pré-escolar. Sou da opinião que os adultos precisam tão ou mais de libertar seus stresses dessa forma que tão cedo abandonaram mas que seus genes ainda sentem falta.
À pouco menos tempo, num parque infantil, observei que uns velhotes aproveitaram que as crianças tinham abandonado o carrocel e foram dar umas voltas nos cavalinhos. Só aquele pedacinho de divertimento, meio minuto que fosse, deve ter-lhes trazido de volta uma alegria que faz com que os problemas não estejam sempre a martelar na cabeça. Entendem? Não sei, este texto já vai longo mas queria dizer que carroceis e equipamento simples de desporto - como o que se encontrava nos parques de diversões infantis - não deviam ser de uso exclusivo da criançada. Esse dogma social está um pouco errado. Adultos também ADORAM uma cadeira de baloiço... Quem dos que me lêm não gostaria agora de sentar numa e ficar a baloiçar? Também gostam de se exercitar nas barras e de subir obstáculos. E já agora, andar num carrocel :D