Mostrar mensagens com a etiqueta praia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta praia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Fiz algo que não sou de fazer

 
Fiz algo que não sou de fazer. Arrependo-me e não me arrependo ao mesmo tempo


Estava na praia quando duas mulheres sentam-se por perto. Escuto a conversa das duas. Uma a dizer que não quer perder a sua massa muscular e que falou com a nutricionista e a outra a criticá-la sem parar:

-"Massa muscular! É gordura! Não fazes exercício. Tens de fazer exercício! Tens de pesar 60 quilos. Pesas 75. Só queres saber de estar ligada à tomada. Só queres é comer. A comida que escondes. Porque é que não dás uma caminhada? Depois quando tiveres um AVC vais para o hospital público e quando ficares imobilizada vais para aquelas instituições que acolhem pessoas. Depois dos 30 é ainda pior!"

Escutei aquilo porque a senhora falava bem alto. A rapariga - que fiquei então a saber que era uma jovem na casa dos 20, teve de escutar coisas horríveis. Coisas que não ajudam ninguém. 

Depois ouvi silêncio. E percebi que só a rapariga restou sentada na areia. A fungar do nariz e a passar o dedo debaixo do olho, tapado pelos óculos de sol. A engolir a seco e a olhar para o mar. Consegui sentir a sua tristeza a emanar até mim. 

Não ia para me meter. Mas acabei, passado um tempo, por me levantar e ir ter com ela. Disse-lhe que escutei a conversa e que cada pessoa tem o seu tipo de corpo. Não temos todos de ser magros. A magreza nem é melhor - disse. Contei que perdi peso o ano passado e fiquei horrível, parecia uma caveira. Ainda acrescentei que a minha irmã fez exercício a vida toda por ser instrutora de fitness. É mais forte do que eu, está bem mas não é magra. Não existe melhor exemplo. Desejei-lhe boa sorte. Pedi-lhe desculpas, mas achei que, por vezes, as palavras de um estranho podem ajudar. 

Ela disse pouco. Desabafou de forma aliviada estar a escutar aquilo a vida toda. E que tem de fazer algo porque tem um problema de saúde. 

Tudo bem que com esse problema de saúde - que vou supor ter a ver com o coração para a pessoa que estava com ela lhe dizer que vai ter um AVC (olhem a simpatia!!) implica melhor cuidados. Mas falar assim com uma pessoa não é construtivo. Quando será que as pessoas vão aprender a falar com as outras?

Se gostam e querem ajudar - NÃO É ESTE O CAMINHO.

Causar stress, ansiedade e tristeza - só faz a pessoa com problemas sentir-me PIOR. Deixar de acreditar em si, ver o futuro sombrio. Ela estava a chorar. Não estava a sorrir. Palavras derrotistas de crítica negativa constante, que nem uma metralhadora podem até contribuir para o suicídio. Ou outras loucuras. 

Meus pais também só sabem falar desta maneira. Cada vez que eles, ou outros, fosse qual fosse o tema, falam assim, eu acabava por ir à despensa. O conforto vinha da COMIDA. 

Quando fui viver para FORA, longe do criticismo negativo, pude ser eu mesma. Não tinha vontade de comer a toda a hora, principalmente depois de escutar palavras duras, injustas. 

Perdi volume em gordura, porque não havia ninguém à minha volta a insultar-me e a deixar-me triste. 

A rapariga pareceu-me bem. Fisicamente, achei-a linda. Nem era gorda. Talvez com um pouco de curvas - tal como eu também as tenho. Mas gorda, obesa, nem pensar! 

Porque será que não aceitam esta forma de corpo? O que tem de errado? É que não dá para mudar. A menos que se seja obscenamente rico para se andar em cirurgias plásticas destrutivas, que tiram osso, chupam gordura, colocam implantes. E para quê? Para ficar permanentemente a projectar uma imagem de que algo não está bem?

Duvido muito que a rapariga alguma vez chegue a pesar 60 quilos. É um absurdo que coloquem essas metas tão definidas. Cada caso é um caso e esse cálculo não passa de uma média criada numa tabela, que está em vigor hoje, mas amanhã pode mudar. Desde a adolescência que não peso 60 quilos. Duvido que volte a pesar, a menos que fique doente. Noutro dia, achando que rondava os 65, pesei-me no consultório médico e estava com 72 ou 75. Muito peso na balança, mas não me sinto gorda. Está certo, as calças que usei o ano passado por esta altura não apertam mais na cintura e isso por uns três dedos. Tenho barriga. E depois? Que mal há nisso??

Estou bem. Sinto-me bem. Tenho 1m60, peso 75 quilos. Fiz exames e os resultados foram todos bons. O bom colesterol compensa o mal colesterol. Fiz um despiste a um AVC - estou bem. Tenho um emprego fisicamente exigente e consigo executá-lo. Caminho horas e horas. Subo e desço rampas, escadarias. Fui para a praia as 7 da manhã e saí ao meio-dia. Passei horas a caminhar e outras duas a vergar a coluna a apanhar mais uma centena de conchas. (Oh Jesus! Será que estou a desenvolver outra mania? Tanta concha...). Dobrei-me centenas de vezes para apanhar cada conchinha que trouxe, e outras tantas para descartar outras. Dobrei-me novamente para lavar a areia de cada uma delas na ondulação do mar. Isso é PURO EXERCÍCIO.

Se tivesse de me baixar tantas vezes para apanhar algo no chão no trabalho, teria me custado imenso. Mas conchinhas coloridas, meio na areia meio na água... foi diversão. Exercício sem se dar por ele.

E porquê digo que me arrependi do que fiz?
Porque fui falar com a rapariga sem saber o que ia lhe dizer. Então acho que não falei como deve de ser. Se calhar só pareci uma intrometida. Faltou explicar ou acrescentar coisas. Quando lhe disse que minha irmã é parecida a ela - não quis que ficasse sem esperanças sobre o exercício físico. Acho minha irmã optima mas nunca será esguia - porque não é o tipo de corpo que ela tem. Contudo, ela não é esguia, mas também não é gorda. Ela não tem barriga - eu é que tenho. Ela é simplesmente mais larga e volumosa. Mais peito, mais anca. Mas não mais gordura. Nunca poderá ser colocada na "categoria" das magras porque não tem esse tipo. Cada pessoa tem um tipo e ainda bem! Porque a beleza está na variedade. 

Estavamos na praia, um lugar cheio de corpos de todos os feitios, e aquela senhora estava a exigir a uma jovem que fosse uma vara de palito. Ignorando a saúde que emanava dela, adivinhando-lhe um AVC por não fazer exercício. Também falhei por omitir que pessoas MAGRAS que fazem regularmente exercício TAMBÉM têm AVCs. Geralmente fatais. Mesmo com todos os cuidados com a alimentação, com o corpo. 

Esqueci também de dizer que, se ela tem problemas de coração, conheço outras mulheres que o têm e tudo o que lhes foi dito que talvez fosse difícil ou pudesse acontecer - não aconteceu. Inclusive serem mães e darem à luz. Mãe de gémeos! Mãe mais que uma vez - tudo mulheres a quem, na JUVENTUDE ou infância lhes foi dito por médicos que a maternidade seria improvável ou fatal. 

Nunca foi o meu caso. Nunca me disseram que não podia ter filhos por sofrer do coração ou outra patologia não relacionada com a fertilidade. No entanto não os tenho! Foram aquelas jovens mulheres com sopro no coração e sobreviventes de cancro - a quem foi dito que não os teriam que os tiveram. PRESUMIRAM que comigo não haveriam problemas. Afinal não sofro dessas patalogias. No entanto, não os tive. Elas os tiveram. PRESUMIRAM que comigo tudo correria de feição - por ser a mais bela, a mais formosa. Mas foram as outras, mais rechonchudinhas, menos bonitas de rosto - que estão casadas e com filhos. Minha irmã, larga e volumosa - é casada. Nada a ver... Nada a ver. 

Isto para dizer que a vida... ninguém sabe o que vai ser. 

Nem os médicos. É mais IMPORTANTE receber daqueles que nos cercam as palavras certas para nos deixar felizes, afecto, APOIO, do que ser infeliz a escutar aquela enxurrada de tragédias e calamidades - sempre atribuídas à postura da pessoa visada.  

Se a mulher que estava com esta jovem quisesse que ela cometesse suicídio - disse as palavras certas

Agora, se pretendia ajudar... não sabe como isso se faz. Tem de aprender. Porque não é SÓ A PESSOA que PRECISA de ajuda que tem de mudar. Os outros também.



sábado, 12 de fevereiro de 2022

vinda à terrinha: A terminar

 A minha estada por Portugal está a horas de terminar. Foi bom e foi mau. Teve os dois extremos. 

Maravilhoso coincidir com temperaturas a oscilar entre os 17 e os 21 graus. Sol, luz, céu azul e vento ameno. Isso foi delicioso, uma benção mesmo. Todo o emigrante português tem isso em comum: a necessidade de voltar a ter os seus sentidos envolvidos pelo nosso clima. Sente-se muita falta da LUZ e do sol. Nos identificamos com elas e a pele sente falta.

Apanhei muita vitamina D. Alimentei-me muito melhor. Pequenas coisas em termos de saúde que me incomodavam, neste período desapareceram. Praia no inverno foi coisa que não pensei que ia fazer encontrando sol. Mas foi o que aconteceu. E foi maravilhoso, tal como eu gosto: praia com pessoas q.b., quase deserta em certas alturas. Uma pessoa lá ao longe, uma outra longe a banhos... maravilha. 

A surpresa foi a quantidade de cães com que os donos se faziam acompanhar para a caminhada. De início não me incomodou mas com o tempo, ponderei nos prós e contras de existirem cães pela praia. 

O maior pró: os dejectos caninos. Infelizmente vi muitos cocós pelas areias e até mesmo no cimento do pontão ou que dá acesso às entradas da praia. Uma tristeza. Não vi ninguém a "fingir" não ver o sue cão a largar o cocó sem o apanhar de seguida mas este tipo de gente é como o dizer dos espanhóis sobre as bruxas: "Non créo em bruxas pero que las à las À" (ou algo do género). 

A prova estava ali: nos cocós de cão na areia, onde no dia seguinte uma criança de cu para o ar estava a brincar.

As pegadas mais comuns na areia: nenhuma de gaivota

Foto: PEGADAS CANINAS NO AREAL

Deitada na areia sobre uma toalha, também posso dizer que a quantidade de vezes que fui surpreendida por cães que ora me vieram lamber a cara, ora se encostaram a mim (um até se sentou na toalha ao meu lado e ficou ali a mirar o mar) acabou por me surpreender. Ao fim de umas tantas ocasiões, senti que isso me incomodava. Não podia passar um cão solto, que logo vinha enfiar-se debaixo do meu rosto.

Isso acontece porque os donos soltam-nos ao invés de passearem com eles com trela e não têm qualquer autoridade sobre o animal. Imagino que deve ser difícil para um cão ter tanto espaço para correr e caminhar com trela. Mas o facto de nenhum estar treinado para não abordar estranhos foi algo que descobri achar um tanto errado. 

Em inglaterra um cão solto a aproximar-se de ti ao longe e já o dono fica aflito, a gritar por desculpa só por este estar sem trela. Eles são treinados para se afastarem de pessoas quando dado o comando. E depois tem o outro lado... a lei. O hábito que se desenvolveu de apresentar queixa. As pessoas têm muito receio de um processo e das consequências. Se forem apanhados em certos locais com um cão sem trela ou este incomodar alguém ou os vizinhos por latir - ou seja, se não for treinado - correm até o risco de ficar sem os caninos. Mas creio que é a reputação de "mau dono" e as coimas que temem mais. Por isso nota-se uma certa aflição naqueles que passeiam cães pelos parques e ruas, principalmente se o animal exibir algum comportamento de abordagem a estranhos. 

A maioria dos nossos não vêm com esse ship de "responsabilidade"... é tudo mais "ao natural e selvagem". Menos treinados e mais livres. O que, por um lado, até admiro. Mas na praia é preciso demonstrar civismo. 

Tive vários donos de cães com a cara perto da minha para poderem agarrar seus cachorrinhos e colocar-lhes a trela. Por mais que os chamassem (sem grande convicção) estes não os escutavam. 

O cão vai obedecer ao comando do dono sem ter sido treinado para isso? Não. Tive de ter ali um cão todo entusiasmado a lamber-me o rosto e a enfiar-se debaixo do meu pescoço logo no dia em que me disseram que talvez fosse possível os cães transmitirem COVID.

Em tempos de Covid, numa praia onde a próxima pessoa estendida no areal estava a metros de distância, surpreendeu-me que nesse "deserto" de pessoas, por causa da proximidade dos cães, tive também os seus donos bem perto. E foi ali que lhe colocaram uma trela para o levar para outros lados. Os donos lá lhes diziam, sem usar de voz autoritária ou firme: "Anda cá, deixa as pessoas". O animal deve sentir a falta de convicção ou real interesse e não liga nenhuma, ficando-se por cumprimentar quem encontra pelo caminho. 

Porque "é normal".

Eu também achava naturalíssimo - para os animais. Porém ter uns três a cinco cães numas horas virem lamber-me o rosto, fez-me reflectir melhor. Estimaria que duas em cada três pessoas andavam com cães - em números de um a três animais entre si. Não terão os donos de ter maior comando sobre seus cães nestas circunstâncias? E depois, adicionando a estas constantes interrupções caninas de lambidelas e snifes, os cocós na areia da praia. Se for a pensar que os animais também precisam de urinar e os cães em particular fazem isso muitas vezes... então a questão da higiene assusta. 

No dia seguinte a areia tinha sido REVIRADA mecanicamente. Ficou com mais detritos e, por coincidência, infestada de moscas. Será coincidência? Ou esta incómoda infestação se deve ao enorme número de animais presente na praia? 

E vocês?
Amantes de animais, que julgo que muitos são, têm uma opinião formada sobre a presença de cães na área balnear?


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Entre o ceu e a terra


E ainda vim a tempo de dizer que fiz praia em Agosto. 

FLORES NO CÉU 
 

 

domingo, 30 de agosto de 2020

Marketing: Sesimbra: o PIOR croissant da rua

 


Numa passagem pela vila de Sesimbra, voltei a provar aquele que se intitula "O melhor croissant da minha rua". Uma pastelaria muito concorrida, que vive com fila à porta, e so faz croissants.

Já se sabe que abrir uma (ou mais) lojas para vender um so produto é um filão economico. Cada vez mais se tornou uma moda.

Mas deixem-me dizer-vos: na minha mais sincera opiniao, existem muitas pessoas que desconhecem o que é um bom croissant.

Por mim esta loja jamais teria clientela. Proclamarem que e o melhor croissant da rua... quando em qualquer pasteleria se encontra melhor. Gostava que um chef entendido nisto viesse degustar esta porcaria  especialidade. 

O meu veredicto depois de experimentar um croissant misto desta marca é: 



massa oleosa e nada crocante ou solta. Sem gosto. Queijo e fiambre de baixa qualidade, sem sabor. O excesso de açucar na cobertura, domina o paladar e é o unico sabor realmente presente. Pos ingestão te deixa uma sensacao de desconforto no estomago. Demasiada gordura.




Este é o segundo ano que dou uma oportunidade a esta casa e fico contente por o ter feito. 


Sem duvida alguma a primeira impressao com um croissant recheado com creme de ovo estava certíssima: é dos piores croissants que ja comi na vida!

Nem tudo o que reluz é ouro.
E estes ctoissants achatados e grandes sao o pechebeque do universo pasteleiro.



Nota: irei agora postar aqui os melhores sítios no centro de Sesimbra para se encontrar o melhor gelado, a, melhor comida e a melhor pastelaria. Me aguardem.













9






sábado, 30 de maio de 2020

Sociabilidade


Um homem a passear dois cães parou ao lado do banco onde me sentei para ver o mar. Ele demorou-se, estava claramente a empatar e senti--me muito desconfortável com a sua presença. Não por a sentir ameaçadora, mas por me ocorrer que estava a ver se eu metia conversa com ele. Afinal, dois cães, uma pit stop ao lado de uma mulher sozinha num banco... decidiu dar água aos animais. Tambem eu tinha acabado de dar a um pombo os restos de uma maça que comi. Terá ele achado que eu era boa pessoa amiga de animais e se aproximado?

Continuei desconfortável.... olhei para ele umas tantas vezes. Pareceu-me simpático e não um "faz-se a todas"  mas o desconforto só desapareceu quando, sem nunca interagir com ele ou os animais, se foi embora.

E eu percebi algo a meu respeito. Sou um caso perdido. Tinha acabado de concluir que a minha vida como está não me leva a lado algum e merecia encontrar alguem especial. Aliás, só isso poderá trazer algim sentido ao resto dos meus dias. Mas mesmo que Deus ou o que seja providencie essa oportunidade, a verdade é que eu não estou pronta para agir em conformidade. Vou desperdiçar qualquer oportunidade e em breve será tarde demais. Ninguém sentirá mais o impulso de me abordar para me conhecer.

Vim arejar os problemas até uma cidade costeira conhecida pela praia e pela sua comunidade gay. De modo que pude notar que o rapaz com dois cães não tinha nada de gay.


Constato que vou desperdiçar oportunidades, sem sequer perceber quando se apresentam. Sempre fui distraida a esse ponto. Desaprendi as tecnicas básicas e para ser sincera, nunca as aprendi realmente. Sempre fui eu, espontânea, honesta. Jogiinhos de sedução se os fiz, foi naturalmente, fruto de milhões de informações que evoluem pelo DNA. Vemo-lo todas as primaveras... no comportamento animal. O ser humano gosta de se achar mais evoluido, mas faz parte dessa mesma cadeia.

Nota:
Obrigada a todos pelas palavras deixadas no post anterior. Percebi o quanto tenho leitores sensatos. Neste momento estou num fosso de depressão e o meu julgamento pode ser afectado por estas emoções todas. Mas quero que saibam que tudo o que li faz sentido.

Só acho que é tarde demais para "um burto velho aprender linguas". Nunca vou conseguir deixar de possuir certas caracteristicas que são tão inatas em mim e que irão sempre empurrar-me para "debaixo das rodas de um camião". Mesmo não sendo defeitos isoladamente, acabam por ser, pois  perpetuam que vá sempre sujeitar-me aos maus tratos de qualquer um. Acho realmente que é um mal incurável e mesmo que o cure agora, já perdi metade de uma vida. Paciência.

Fiquem bem.
Felizes e com saúde :)


terça-feira, 28 de abril de 2020

Fetiche ou mania irresistivel?

Não sei se é fetiche ou uma mania que me deu. Há uma coisa que quando vejo na lpja acho tão bonito que me apetece comprar. O impeto já tem vários meses. Começou em Dezembro, quando se deu as obras no quarto.

Falo de PAPEL DE PAREDE.

Há padrões tão bonitos, cores, texturas. Fica difícil decidir. Vi muitos, trouxe amostras, achava que tinha encontrado o eleito e aí voltava há loja, que tinha renovado o stock e apresentava novos padrões e era a desgraça toda novamente.

Mais um padrão, mais uma cor, uma textura...

 Em Março decidi qual deles gostei mais de ver na parede. Para minha surpresa, um padrão floral grande, com passaros em tom de preto sobre branco e fio de prata.

No goto ficou um maravilhoso ocre com garças brancas que  nunca pensei gostar tanto. Mas para usa-lo, precisava de outra decoração.

Nao resisti ao mesmo padrao floral mas com rosas em vermelho. Aliás esse foi o primeiro escolhido. Com a ideia de leva-lo para Portugal e aplicar na parede. Mal podia aguardar! Não coube na mala e com a pressa adiei. 

Quando fui comprar o segundo rolo (cada tem 10m de papel) vi em promoção um padrao branco e creme por, espantem-se: 4 libras cada!!!

Não resisti. Penso que é algo que sempre será útil para decorar um cantinho ou, quando enjoar de um tom, poder substituir por outro.

Tenho mais rolos de papel para parede do que parede para os colocar. Mas não vejo problemas nisso. Papel de parede, em ultimo caso, também serve de papel de embrulho.

A loucura total porém, foi hoje. Quando entrei nessa loja a caminho do emprego para comprar uma coisa que necessito para a scooter. Nisto vejo promoção de rolos de papel de parede e a minha unica decepção é ver que já foram escolhidos os melhores. Fui espreitar. Quando vi o preço à unidade... fiquei no paraíso!

Não me custaram, todos os 13 rolos que trouxe, mais do que o valor de um!!!!

Não são os melhores e mais bonitos que lá podia ter encontrado mas sao lindos na mesma. Trouxe, em media, três rolos de um só padrão, em caso de irem parar a uma parede longa. 

Os padrões que trouxe

Não resisti a um de borboletas - três  diferentes. Cada rolo por menos do valor do que custam rolos de papel de embrulho. 

Trouxe um a imitar pequenos mosaicos de azulejo de wc e um outro com motivos maritimos azuis sobre um fundo branco, que acho que ficariam divinais numa casa de praia.

Estou louca? Ou apanhei um novo vício, o de coleccionadora de padrões de papel de parede? 😁

Venham mais (a este preço).
Acho-os irresistíveis. 



sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Branca de Neve



Quando estive em Portugal estive dois dias a tentar uniformizar o bronze. 
Passo a explicar: aqui na chuvosa Inglaterra, também há sol. Vai que apanhei um pouco durante o verão, só por andar na rua. Quando fui a ver, tinha os braços a "condutor de automóvel" - bronzeados onde a manga da T-shirt não tapa e totalmente branquinha no restante.


Ora, eu sou muuuuito branca. Porém, acho que com a idade, se apanharmos sol, a pele não recupera a brancura original. Pelo menos foi a conclusão a que cheguei nos anos anteriores com os pés! Ahaha!! Bastou um passeio costeiro de calças arregaçadas e pronto: os pés até meia-perna mais os braços até a t-shirt ficaram "cor-de-bronze" e o resto do corpo branco-fantasma-translúcido consigo-ver-te-as-veias tipo de pele.


Virei um "colibri": era multicolor, dependendo das áreas de pele que tinham ficado a descoberto no verão anterior.


Tive de tomar uma decisão: ia preservar a minha brancura ou submetê-la aos poderes do sol e tentar ganhar uma cor? Optei pela segunda. Sabem há quanto tempo não fazia praia? Desde que era pré-adolescente. Sempre gostei de estar na praia, da maresia, do vento, do cheiro - mas nunca gostei de fazer praia ou torrar ao sol. Nem de andar quase sem roupa. Preferia andar mais vestida que despida e isso sempre era apontado como um comportamento incorrecto. "Fica mal" - diziam-me, não tirar a camisa, não estar somente de biquini ou de fato de banho. Mas não me sentia confortável. Felizmente tenho reparado que esse preconceito está a cair em desuso: cada vez existem mais pessoas na praia com roupa! Calções, t-shirts... mesmo vestidas dos pés à cabeça. E eu acho isso bem! Não se pode continuar a descriminar as pessoas que gostam de ir à praia vestidas :DD

Dispondo apenas de dois dias para ficar na praia, temi não conseguir uniformizar nada. Por isso não apliquei protector solar logo na primeira exposição. Após umas três horas perto do oceano, senti as pernas a queimar, e foi aí que me retirei do sol. Mas já era tarde: fiquei "escaldada"! Dias depois a pele começou a fazer flocos e decidi que é uma estupidez não aplicar protector solar. Até porque o bronze vem com ele.

Em resumo: hoje olho para os meus ombros e noto um ligeiro tom dourado, que, a combinar com as minhas pernas, tornam o meu aspecto algo mais uniformizado. Além disso, a maldita depilação que me atormentava por os pêlos já estarem à vista ainda nem tinham saído da epiderme, também saiu beneficiada. É impressão minha ou o sol retarda o crescimento?

Bom, e é isto.
Não quero maçar os poucos que me lêm só com histórias tristes.
Pelo meio, tento ter alguma coisa idiota para dizer, ahah!

Tenham uma excelente sexta-feira!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Telefonema de Domingo


Afinal estava enganada. (será que alguma vez estive certa?).
Este Domingo, o Jason voltou a ligar.

Além do telefonema que atendi, depois reparei que tinha uma chamada perdida e duas mensagens não lidas dele no telemóvel.

Achei estranho.
Depois de, no Domingo anterior, termos conversado, pensei que tinha desistido. Mas o que eu entendo das pessoas? Pelos vistos nada!

Queria encontrar-se comigo. Mas fui clara a respeito do que podia sair dali. Amizade, nada mais. "Ao menos és honesta" - "Sim, claro". - respondi-lhe.

Não me custa nada ser honesta.
Custa-me mais o contrário.
Custa-me imenso (e pensei já estar curada) não saber o que o afastou radicalmente. 

Porque é que a honestidade, a franqueza e o diálogo não são ferramentas que todos gostem de usar?

Hoje sinto-me deprimida.

Os efeitos benéficos de ter andado pela praia à beira-mar já estão a desvanecer.
O espelho não ajuda, o tic-tac do relógio da vida também não. 

Enfim...

sábado, 31 de agosto de 2019

Um passeio pela brisa marítima


Mais um Sábado, mais um passeio.

Novamente para a Costa.
Já o diz a música dos Xutos  Peste & Siga...


E fui para uma praia ainda mais distante, há qual só tinha ido uma vez, faz tempo. Adorei. Acho até que gosto mais desta do que a anterior. Afinal fiz confusão com o pontão. Procurei o silêncio e a calma do seu limite no sítio errado. Nesta praia para onde fui, é que está esse pontão.


Muito vento - tal como eu gosto - fartei-me de andar. Ou melhor dizendo: andei bastante, mas não me fartei uma só vez. Já caminhava há duas horas quando percebi que não tinha qualquer cansaço. E contava em caminhar outras duas até o destino final. Mas tive a presença de espírito de perguntar a um local quanto tempo levaria a caminhada. Garantiu-me que em duas horas não chegava lá.



Com receio de perder o transporte público caso quisesse regressar ao ponto de partida, decidi não arriscar. Mas ficou um desejo por fazer: caminhar de uma praia para a outra! Hoje o dia estava perfeito para isso. Aquela brisa forte com cheiro a mar e algas é para mim um fuel energético. Por isso caminhei por mais de duas horas, na realidade, sem notar. Também parei alguns segundos para tirar fotografias, andei pela praia de pedregulhos o máximo que pude... e isso leva tempo. Na volta, como quis conometrar o tempo de caminhada sem "empecilhos" ou paragens, percebi que, ao meu passo acelerado, leva cerca de 45 minutos. E eu fiz em duas horas ahah!


São 32 milhas de carro. O que a pé significa, segundo o Google, 3h e 36 minutos. Totalmente realizável!!!


Fica para uma próxima. Mas como gostei desta praia. É a tal que vaza espantosamente por quilómetros. E o que antes era água vira lodo. É ventosa, mas a localidade insiste no slogan "I love sunny worthing".  Caminhei até Lancing, cerca de 3,2 milhas. Em 45 minutos. Os números não batem muito certo mas veremos o que sairá quando voltar a me apetecer caminhar, caminhar caminhar até ir parar a outro lugar. 

Bjs.


terça-feira, 27 de agosto de 2019

Passeio inesperado num dia de pausa forçada


Na segunda-feira foi feriado!
Fui trabalhar e só soube do feriado à chegada. Felizmente há sempre coisas para fazer e eles acharam boa ideia, uma vez que estava ali, trabalhar por umas horas. 



Já que ia ter a tarde livre, decidi que ia aproveitar e dar um pulo à praia. Gosto de ir a uma cidade costeira a algumas horas daqui. Faz-me lembrar Lisboa. Há exuberância, normalidade, enfim, tudo o que uma capital tem.

Uma loja em particular, atraiu-me e depois de entrar e ficar a conhecer o espaço, achei-a fantástica. Parecida ao que encontraria em Portugal. Principalmente no chamado comércio tradicional. 


Aqui está a secção de legumes. A loja é "orgânica" - um rótulo desnecessário até há poucos anos, antes da alimentação humana ficar tão dependente da industrialização. Por isso o que aqui se encontra são batatas, cebolas, cenouras... tudo "sem químicos".

Achei piada a estas gavetas de especiarias. Algo muito tradicional, que ainda se pode encontrar por lojas abertas há anos em Lisboa. 
E digam lá se não tem um ar apetitoso?

 
A loja também tinha pão fresco, produtos de higiene - tudo "orgânico" mas o que mais me agradou foram os produtos de limpeza a pensar no ambiente. Dizem eles que estes não prejudicam "tanto" o dito. Mas o que é "tanto"? Acho que é um hábito muito importante que precisa de ser mudado com urgência. Usamos químicos todos os dias nas nossas roupas, para as lavar, para as engomar... Tudo vai parar à água nos oceanos. Não é só o plástico que é uma forte ameaça. Tudo o que o ser humano produz que é artificial, acaba por ser prejudicial à natureza. 


O que aquela loja não vendia era sapatos. Mas não tem importância! Haviam sapatarias em cada rua. Achei curiosa esta, que claramente promove um life-stile (ou quer atrair) tão "puro" quanto possível. Todos o seu calçado é "vegetariano". Ahahah. Sei o que estão a pensar: o sapato come? Ou é feito com vegetais? Sinceramente, não sei. Por todo o lado nesta zona existem restaurantes a anunciar comida vegan, pubs vegan com bebidas próprias. Fiquei curiosa mas só pude espreitar algumas. Numa livraria encontrei esta peça reciclada - acho piada e faz o meu género, recuperar coisas e dar-lhes nova utilização.

Bonitas, não acham? Mas não me parecem práticas. Qualquer chaveiro ali colocado provavelmente ficaria preso numa saliência qualquer e quando puxado, a taça vinha junto, eheh

Finalmente, a praia!
Em dia de feriado e com uns 24 graus, estava vazia, como podem imaginar. Aqui ficam umas fotos para se deliciarem.



Trata-se de uma praia cuja areia é substituída por calhaus. Já me "habituei" a esse facto, mas quando estava sentada a tentar espairecer e apanhar a brisa marítima, um grupo de seis pessoas a puxar dois carrinhos decidiu passar e digo-vos com toda a sinceridade: o barulho produzido pelo espezinhar das rochas é tão ruidoso e incomodativo que tive vontade de tapar os ouvidos. Quase que me fez perder o foco nos aviões que estavam a cruzar o céu. E olhem o que eles estavam a fazer:



Ao longo dos quilómetros de "areal" (ahaha), existe um pontão que atrai muito os turistas, porque aí existem atracções de feira popular e salão de jogos. Também lá fui, quis caminhar mesmo até a ponta, para poder deixar todo o ruído para traz e escutar mais o som da água a bater nos pilares. Foi assim que encontrei o pontão o ano passado e era assim que esperava vê-lo mas, ao lá chegar, não sei o que aconteceu a essa parte tão serena e relaxante. Tudo estava convertido em atracções que se vêm em parques de diversões. E a música que cada carrossel, cada atracção colocava para atrair mais cliente que a atracção vizinha era de ensurdecer! 



"Fugi" dali o mais rápido que consegui. Ainda me foi possível sentar por uns minutos numa das cadeiras de praia disponíveis para os visitantes. Não sei como vos dizer mas acho estas cadeiras clássicas do mais prático que há. Sentar numa é deveras relaxante. A pensar que já existem há séculos. Já existiam no Titanic.


Passada uma hora e meia já estava exausta. Mas valeu a pena. Tenho de aproveitar os últimos dias de bom tempo, pois o verão está a terminar e os dias já são mais curtos. São oito meses de duradoura escuridão e como tal, mal seria se optasse por ficar sempre em casa!

Bem haja a todos.








sábado, 6 de julho de 2019

Os meus 15 minutos de praia


Decidi valorizar o dinheiro que apliquei na compra mensal do passe para ir até à praia. A cidade mais próxima com um pouco de mar para apaziguar as vistas fica a hora e meia de autocarro. 

Mochila às costas, chaves no bolso, carteira com cartões de débito, passe e cinco libras em dinheiro, telemóveis e lá fui eu. Não me apetecia ficar em casa. Não com estes que cá estão dentro e com este ambiente podre de joguinhos infantis e vis. Caguei neles e saí rumo à vida!

Encontrei gente, movimentação, alegria, normalidade. 

Ao descer do autocarro perto de um de muitos jardins, fiquei a olhar as aves que andavam pelo relvado e pousavam na estátua/fonte. Se estivesse em Portugal, sem dúvida que estaria a olhar para pombos. Mas no caso estava a ver gaivotas a se comportarem como pombos. Insólito.

Tirei fotos e dirigi-me de imediato até à praia. Estava apinhada de gente e senti de imediato um rasgo de alerta. Mas foi para estar à beira da água que tinha viajado até ali, pelo que percorri o percurso sem areal até à margem onde a água sem ondas bate nos calhaus para ali se deixar morrer. 

Tirei fotografias e fiz videos. Depois deitei-me para relaxar e nesse instante subitamente intuí que estava sem a carteira. Não foi sentir, pois não era suposto senti-la no bolso da frente das calças. Foi uma intuição. Levanto-me e enfio a mão no bolso onde ela devia estar. Encontrei as chaves, um lenço de papel, mas nada de carteira com cartão de débito, passe, dinheiro e dois outros cartões. 


Novamente a sensação de alarme. Mas estou tranquila. Estranhamente, sinto que não vou encontrar a carteira, ainda que a procurasse por todos os bolsos, nas calças, no casaco, na mochila, nos sacos, uma, duas, cinco vezes. Intuí que não a ia encontrar, que já estava perdida e nas mãos de alguém, mas estranhamente estava a receber a sensação de "está tudo bem". 

Claro, fiquei alarmada. Sem dinheiro para comprar o que fosse, sem passe para regressar e correndo o risco de ver a minha conta passar a zeros se alguém desse para usar o cartão em modo contactless. Mas estranhamente, diante destas eventualidades, senti que estava tudo bem.

O meu tempo na praia passou de calculadas duas a quatro horas relaxantes para 15 minutos. Tinha de abandoná-la para encontrar uma esquadra de polícia (porque aqui nunca se vê um polícia em zonas com gente apinhada, esse fenómeno só se encontra mesmo em Portugal, aqui eles ficam sossegadinhos nas esquadras sentados atrás das secretárias, nem sequer fazem ronda em automóveis, era vê-los todos estacionados ali no parque da esquadra, com um quarteirão de comprimento).

Fui perguntando pelos estabelecimentos comerciais que vi ainda pela praia se alguém tinha encontrado uma carteira e onde ficava a esquadra. Quando percebi que me deram indicações contraditórias, desisti da caça a gambozinos e dirigi-me a um hotel. Aí as pessoas na recepção foram simpáticas e passaram-me informações práticas e úteis. Com um mapa da cidade indicando onde era a esquadra, pedi ainda se  podia ligar-me ao WI-Fi para então cancelar o cartão de débito, pois graças a eles, soube que era possivel fazê-lo de imediato, não seria preciso esperar até segunda-feira até os bancos abrirem.


Foram muito úteis, e eu fiz o meu melhor para anular aquele cartão. Por mais que eu repetisse o meu código postal e o meu nome, soletrando cada letra incontáveis vezes - P de Papa, O de Oscar, R de Romeo, T de Tango, U de Uniform, G de Golf, U de Uniform, E de Echo, S for Sierra, I de India, N de November, H de Hotel e A de Alpha - não havia meio de "encontrarem-me" no sistema. Mas após muitas tentativas,  graças ao sinal do online baking ter voltado a ficar disponível, finalmente, lá consegui os dados da conta. Porque sem eles e só com a identificação pessoal, ainda que com tudo soletrado, nunca iam chegar lá. 

Raios parta os britânicos que sempre se atrapalham todos com nomes! 

Adiante: Agora era suposto ir à esquadra. E fui. Mas foi perda de tempo. Já não registavam casos de perdas - só de furtos. E como pode ter sido um e outro mas certeza não tenho, claro que eles descartaram-se de imediato e mandaram-me registar o caso online. Quis saber mais informações na esquadra de polícia, nomeadamente quais as minhas chances de encontrar um bom samaritano que, em último caso, se oferecesse para me pagar o bilhete de volta a casa e principalmente, caso tivesse de caminhar de volta, quanto tempo levaria a fazer o percurso.  Totalmente sem compaixão, trataram de me mandar embora. 

Fica o aviso: procurem hotéis e esqueçam esquadras de polícia.

Chegou a altura de ir para a paragem de autocarro tentar a sorte. O primeiro motorista disse-me que podia entrar. Fiquei muito aliviada. Mas tinha reconhecido uma passageira que viajou comigo até lá e pedi para que fosse minha testemunha de que viajei com bilhete. Ela preferiu ir no autocarro que vinha atrás - eu também pretendia usar esse que faz o percurso mais rapidamente. Porém a reação desse motorista foi diferente. Sem comprovativo de compra não me deixou viajar. Tentei ligar-me online para mostrar a compra mas não deu tempo. Ele estava a pedir-me para sair. Uma senhora de idade perguntou quanto era o bilhete que mo pagaria. Mas ao escutar 5.60 disse que não tinha dinheiro. Inspirada, numa última tentativa perguntei se alguém podia pagar-me um bilhete. Todos acenaram que não. 

E saí do autocarro. O próximo, só dali a uma hora. O meu coração ficou a desejar que esse motorista fosse como o primeiro. Entretanto meti conversa na paragem e perguntei logo ali se por acaso... se fosse preciso... disseram logo que não. Responderam que escutam isso todos os dias e já não querem saber. Eu aceitei. Compreendo. Em alguns casos eu também faço o mesmo. Se vejo que a pessoa que pede dinheiro para um bilhete mas aparenta ter um ar de quem quer o dinheiro para vícios, também não tenho o impulso de ajudar. Mas já ajudei, noutras ocasiões, com pessoas que me pareceram realmente vítimas de um súbito infortúnio. 

Conversei muito com o casal que me "negou" ajuda financeira. Mais para o final, surgiu um rapaz, muito conversador, e a conversa engendrou em vários temas até que o autocarro apareceu. O meu coração aos pulos. Não sabia se ia viajar naquele, ou se ia receber outra nega e a minha última chance ficaria para o último autocarro do dia. Mas a sensação de que tudo ia correr bem ainda permanecia. 

Assim que abri a boca e disse.... «roubaram-me a carteira com o passe e o cartão com dinheiro» o motorista respondeu: "Sim, claro, entre". Agradeci e entrei logo. Nem hesitei. Talvez o motorista anterior tenha avisado por rádio do sucedido. Soprei um beijo de agradecimento à senhora a quem pedi para me meter na frente, pois precisava perguntar ao motorista se me deixava viajar sem a carteira que me tinha sido roubada. Ela logo se ofereceu para me pagar bilhete. Fiquei grata. Porque assim, independentemente da resposta do motorista, ia poder viajar. 

Agradeci-lhe e logo lhe disse que queria a morada dela para lho devolver, mas que me deixasse perguntar primeiro ao motorista se podia viajar sem comprar novo bilhete, uma vez que tinha passe mas este foi furtado. 


E pronto. Foi assim a minha ida à praia. Voltei a procurar a carteira em tudo o que é orifício, e de facto não a tenho comigo. Provavelmente deixei de a ter assim que pisei os pedragulhos que fazem as vezes do areal. E dei conta disso graças a uma misteriosa intuição. Não me desesperei como podia, também graças a uma sensação de "está tranquila" que me surgiu em simultâneo. 

Foi só uma inconveniência. Não tive quase nenhum minuto de praia, só horas a procurar soluções para uma carteira desaparecida e falta de meios para regressar a casa. Entre estes factos, o tempo todo senti que tinha saído de casa para viver uma aventura e calhou ser esta. Senti que estava a passar por isto por um motivo e com algum propósito benéfico. Só mais à frente saberei que lição daqui vou tirar. 

Acredito que ainda existem bons samaritanos neste mundo. E eu só tinha de encontrar alguns.

Fiquei imensamente grata a todos os que me prestaram auxílio, por pequeno que fosse. 
A todos queria agradecer - e agradeci, mas queria também mostrar gratidão. 

Se pudesse, enviava a todos um ramo de flores, uma garrafa de vinho e voltava a enaltecer os gestos que tiveram.  Pequenas coisas, fazem grandes diferenças. 


Hoje já vou dormir na minha cama e não no asfalto de um passeio qualquer. 
Sim, pequenos gestos fazem grandes diferenças.

Bem-haja!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Despedida da praia.. com limpeza de areal


Deus sabe que não morro de amores por pombos. Mas não foi por isso que deixei de sentir alguma apreensão. 

Estava a passear na margem da praia, impressionada pela quantidade de gaivotas paradas no areal. Pareciam hipnotizadas a olhar no horizonte o lençol de água. O que aguardavam? Porquê se punham em tão grande número deitadas no areal, o olhar o mar, sem se mexerem? Por instantes uma sensação de temor veio ao de cima e percebi qual a inspiração de Alfred Hitchcock para o seu filme "Os pássaros". Aquelas aves pareciam ameaçadoras, misteriosas. 


Enquanto me perdia nestes pensamentos artísticos e despedia-me do verão (ainda que já no outono), dizendo "adeus, até para o ano" ao mar português, observei entre as marcas deixadas pela orla das ondas uns detritos brancos, em grande quantidade. Pequenos, mas numerosos. O que seriam? Aproximei-me para observar.

Sim, era lixo. Mas que lixo?
ESFEROVITE.

Centenas, milhares de pedaços de diferentes dimensões, depositados no areal, enquanto mesmo ao lado aves bicavam detritos, ingerindo-os. A mais próxima era um pombo. Pus-me a imaginar os efeitos que o esferovite ia ter no estômago do pombo. Provavelmente inchava até entupir-lhe as tripas. 


Não muito longe do pombo, um largo bloco em esferovite apresentava uns tantos danos. Furos tinham sido feitos, como se produzidos pelo bico de aves. Centenas de bicadas no mesmo local até o esferovite perfurar.

As consequências de lixo nos oceanos é esta: 




Mas também é esta:



Quando era criança - altura em que ia para a praia no verão, costumava encontrar na areia pequenas pellets redondas e translúcidas. Não eram duras como os grãos de areia, nem tinham peso como os fragmentos de conchas. Eram leves como penas, pequeníssimas mas maiores que um grão de areia e translúcidas e redondas como pérolas. Aquilo instigou a minha curiosidade e quando dei por mim, gostava de as levar à boca e mordê-las entre os dentes, até as achatar. Ficavam uma espécie de plástico achatado. Acho que eram isso mesmo: plástico!

Eram exatamente assim as pellets plásticas que encontrava
na areia da praia em criança: esbranquiçadas e translúcidas,
pequenas como pérolas.
Em criança levava-as à boca e mastigava-as até as achatar.
Não recordo se as cuspia ou engolia pequenos pedaços.

Na altura em que era criança e ia à praia, ainda não se falava em poluição plástica. Mas por algum motivo ela já andava pelas dunas brancas, na sua forma mais perniciosa para o ser humano: a ingestível.  No início da década de 90, em Portugal, ainda podia ser que estivesemos no princípio do que viria a ser um consumo excessivo de produtos em plástico, mas o oceano já era poluído com os mesmos há muitos anos. Vindos de outros países, trazidos por outras correntes, presentes nas águas e ficando nos areais por décadas. Estava a envenenar-me sem saber.



Quando saí da praia, trouxe o bloco de esferovite comigo. E o coloquei no contentor de lixo. Assim como outros plásticos que fui encontrando pela margem: uma tampa de um frasco, outra de um tubo de super-cola, uma vara plástica partida daquelas que se usam para atarraxar o chapéu de sol na areia e impedi-lo de voar com a força do vento. Mas o que mais me repeliu ver na areia seca ou molhada foram as beatas! Muitas "frescas", ali acabadas de ser depositadas. Tantas e tantas... existirá poluição mais difícil de eliminar do que aquelas fibras de filtro de cigarro?? 

Bastou o sol desaparecer e dar lugar a nuvens, para a praia começar a esvaziar de humanos e a ser invadida pelas gaivotas e pombos. Algumas pessoas mais aventureiras gostam de caminhar pela areia ou praticar desportos radicais que beneficiam do "mau" tempo e de praias vazias de banhistas: skimming e parapente. Mas a presença de nuvens e o sol escondido atrás delas - por apenas umas horas pela manhã, foi o suficiente para revelar outras realidades: A «pressa» das autoridades locais em começar a dar a praia como fechada para as pessoas. 

Um estudo efectuado este ano pelas Nações Unidas revelou que 90% das águas engarrafadas tiradas para análise (num total de 259, 11 marcas de noves países onde não se incluí Portugal) continham micro-plásticos. Uma quantidade superior aos 83% anteriormente encontrados na água canalizada mundial.

O mundo como os nossos antepassados o conheceram, não existe mais. Nós o transformámos para sempre. Não há mais fontes de água pura. Comida sem ter químicos, oceanos somente com peixes. Bebés são alimentados nos primeiros dias de vida, já com contaminantes. E, segundo uma notícia que saiu hoje, 9 tipos de microplásticos estao presentes nas feses humanas. Queriam vitaminas, queriam? Ahahah. A pegada humana é demasiado perniciosa para ser eliminada. 


O Fim do Mundo não vai ser nenhum asteróide a embater na Terra, nem nenhum maremoto. É o veneno constante e silencioso da acção humana em todos os elementos essênciais para a sua saudável sobrevivência. 




sábado, 17 de junho de 2017

Sabem quantos graus por aqui?


Quando saí do emprego às 17h, entrei no autocarro com intenções de seguir para casa. Mas em segundos soube que ia era ao centro comercial. É que no autocarro estavam 42º centígrados e sabia que no centro comercial ia sentir uma brisa refrescante de ar condicionado!

 Enquanto que o autocarro... Bom, falamos muito mal dos nossos de Lisboa mas deixem-me dizer que por cá são super descarados. Enquanto os nossos, muito de vez em quando, lá têm o ar condicionado de facto a funcionar, por cá reparei de imediato que, podem-se apanhar 20 por dia, NENHUM terá ar fresco. É tudo faz-de-conta.


No inverno sabem ter o termostato bem quentinho. Mas não estão NADA preparados para os dias de verão. Entretanto, já vi lagostas. Não sei como mas, com apenas um ou dois dias de sol, já vi um casal de brancos que viraram vermelhos. 



Pelo sim pelo não, aproveitei a ida ao centro comercial para comprar algo que já me apetecia em Dezembro: Gelado? Não: protector solar. Fator 50 e tudo o mais que tiver. Eu é que não vou ficar lagosta!!

Este calor de bafo do Inferno faz-me lembrar a praia...


E como estava com fome fez-me lembrar as sandes de ovo mechido...


Como caem bem quando está calor!!
Saídas da arca frigorífica então... com uma folha de alface. Ai, que delícia!!

Quando penso que a maioria das pessoas associa a bola de berlim a tais prazeres, enjoo. 

Só de imaginar aquele creme de ovo que, em qualquer outro lugar, adoro, sob o calor da praia... E a sede que sempre me deu praticamente à primeira dentada naquela massa seca da bola de berlim... ou aquela súbita sensação de doce em excesso do açucarado creme... Blhac! Minha rica sandoca de ovinho mexido fresquinho com a folhinha de alface crocante!!



Mas pronto... Gostos são gostos. 
Enquanto isso, a ver se não me esqueço de começar a aplicar o protetor solar. É que eu compro estas coisas e até gostaria de as usar. Mas não crio o hábito... Agora tem de ser, porque a pele é de veludo a querer ganhar rugas e a tolerância a este bafo dos infernos nunca foi coisa que me aprazasse. 

Sempre um protetor solar, ahahah! 


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Uma ida à Praia registada por um turista

Voltei!

Para por os assuntos em dia.

Para começar, Marcelo Rebelo de Sousa na praia de Cascais. 


O que me apeteceu comentar a este respeito é que me entristece que se comece a tratar as pessoas como um objecto de celebridade ao lado do qual se pretende tirar uma foto para ver se esse vedetismo salpica.

No vídeo, um brasileiro - que dizem turista - comenta com espanto o facto do Presidente da República Portuguesa estar na praia sem seguranças como uma pessoa comum. Rodeado de jovens ansiosos pela «foto ao lado da celebridade» e se prestando a isso.

Bem, eu entendo esse espanto porque ele é brasileiro. Mas esse mesmo espanto funciona contra a continuidade do acto. 

Ter divulgado o que presenciou, em vídeo, nas redes sociais, e as TVs portuguesas terem pego nisso e feito notícia, também funciona um pouco CONTRA a possibilidade desta liberdade continuar. Quando os media divulgam um comportamento - e neste caso é o assédio por fotos ao lado do Presidente - eles estão a normalizar esse comportamento. A criar um padrão de incentivo aos mais ousados - onde se incluem pessoas respeitosas mas também outras mais... abusadas. Da próxima não serão 10, mas 100 pessoas que se acham no direito de importunar uma figura que só conhecem da TV, não para trocar algumas palavras, mas apenas para tirar uma foto a seu lado. De preferência com o braço em cima dos ombros ou de bochecha encostada a bochecha e um largo sorriso, numa falsa alusão de intimidade.  

Tudo para se exibir depois.
A parte da exibição sempre me fez alguma confusão.


E ao se divulgar estes comportamentos - que não têm nada demais quando na medida certa - acaba-se por criar uma bola de neve que pode erradicar a liberdade que qualquer pessoa conhecida pelos media ainda possa ter para fazer a sua vida sem ser abordado por centenas de outras que querem algo dela. Nesse incentivo, entra a desordem, o risco. Acabam-se as idas a lugares públicos. Começam a nascer motivos reais e paupáveis para temer pela vida.

Desculpem o raciocínio um pouco atabalhoado (nunca sei se esta palavra existe). Nem sei se estou a conseguir transmitir o que na altura pensei. Escrevo apressadamente, devido ao muito que quero realizar antes da noite terminar.

Quanto a Marcelo na Praia de Cascais... Não tem novidade alguma!
O homem sempre foi para lá, é «notícia» de décadas. 
A única diferença está no cargo que presentemente ocupa.


E que se continue a ser Presidente e a poder ser mais um na multidão de pessoas na praia, aos banhos e ao sol.

................... ///  0^0  ||| .................
    \---/.

Andava com saudade de vir aqui!
Aguardem-me....

Próximos posts: casamentos de Sto António e ...


domingo, 22 de dezembro de 2013

Praia de Inverno


Gosto de ver o mar. Já trabalhei no meio dele (ver post anteriores) e mesmo anos depois de tudo terminar a vida no mar entranha-se e a normalidade em terra estranha-se. Sente-se saudades, mesmo sabendo-se o quanto custa lá andar. O mar é hipnótico, tenta nos seduzir como o canto de uma sereia. Mas também é temeroso. Sabe-se que tem mistérios e perigos. O mar impõe respeito.

Mas somos todos criaturas da terra. No mar podemos estar, mas não ficar. Se ele nos quiser lá, reclama-nos para sempre. Impressionou-me a matemática das recentes notícias de mortes no mar. Primeiro foram o grupo de sete estudantes universitários que se sentaram na praia a contemplar as águas e o mar reclamou-os arrastando-os até si com uma onda colapsante. O mar só devolveu um. Sete dias depois tragédia similar volta a ocorrer, com uma onda a derrubar a embarcação de sete metros de comprimento onde um grupo de sete amigos pescadores se encontravam na pescaria. O mar só devolveu um.

O mar engole quantos quiser, mas pelos vistos só devolve um.


São pessoas cuja vida que lhes é tirada de uma forma tão trágica, deixando os seus subitamente sem a sua companhia. Ler aqui um relato bem simples mas muito humano sobre quem eram este grupo de pescadores e como a intuição por vezes deve ser seguida. 



sábado, 13 de julho de 2013

Corrente de Oeste

O bom tempo chegou!

Dizem que já vai partir amanhã mas até lá, que tempo perfeito, respirável, com céu nublado mas com muita luminosidade, um ar fresco e húmido. Bendita corrente de ar vinda de Oeste.

É possível sair à rua e fazer de tudo: olhar para o céu, correr, ir para a praia, fazer caminhadas, brincar nos baloiços com as crianças, transportar as compras a pé, tanta coisa. Tudo sem SUAR COMO SE FOSSE DERRETER ou sentir tonturas e fraqueza provocadas pelo calor.

Podem discordar aqueles que amam o calor e os raios UV e se sentem devastados por as temperaturas não regressarem ao desert mode, mas saibam que estatisticamente estas semanas de excessivo calor ditaram o fim da vida a muitos. Morreram só porque estava calor! Todos nós um dia vamos morrer, mas de calor parece-me um injustiça.


FACTOS:
O corpo humano está preparado para funcionar normalmente nos 30 e poucos graus. Cada grau acima de 38 graus corresponde a uma perda de 10% de calor. Dependendo da temperatura e do tempo de exposição ao calor, o corpo humano pode não resistir. Um dos principais perigos do calor excessivo é a desidratação.
"Quando o corpo começa a perder líquido, ocorre a desidratação, a diminuição do volume. O coração precisa bater mais rápido, o rim pode parar de funcionar, causando insuficiência renal. Os raios solares podem danificar a pele, a respiração de ar muito quente pode destruir o tecido pulmonar, impedindo a troca de oxigénio".