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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

My and I

 

Gosto de ver programas sobre crimes. Mas tenho um critério a este respeito. Ou melhor: gosto quando a forma como falam dos crimes é factual, descritiva e sem enrolamentos. Mas existe um estilo de apresentar este formato televisivo pelo qual sinto total desdém. E esse é: o do egocentrismo

Programas de TV no geral, aliás - cujo conteúdo é atropelado para que a pessoa que o faz seja destacada, causa-me o pior do desdém. Não aguento. Mudo logo. Mas mudo com uma urgência de quem se se sujeitar a mais um milésimo de segundo daquilo estivesse a ser violentamente agredida. 

Não suporto, portanto, este tipo de conteúdo em que, tudo o que possam abordar, não passa de uma desculpa para o foco estar no veículo, não no conteúdo. 

Ai, repúdio! 

Usar fatos e eventos de tragédia reais, que envolvem perda e sofrimento, para proveito próprio REPUDIA-ME. Seja em documentário seja em REPORTAGEM. 

Ao jornalista então, cabe a alta responsabilidade de saber se separar a si mesmo do material que está a abordar. Em algumas pessoas isso não existe. Existe é a convicção pessoal e constantemente repetida para o público que assim é. Praticamente uma lavagem cerebral permanentemente efetuada para que a percepção dos outros corresponda à desejada. E se não for, não faz mal. Até a rejeição é usada para se tentar sair bem na foto, com uma falsa sabedoria emitida para impressionar os defensores. O "recrutamento" de "fiéis" é absolutamente indispensável ao egocêntrico. E o universo é um infindável fornecedor de matéria prima. 



Acreditam que todo este texto saiu da simples introdução de um segundo do programa "I am homicide" no canal de TV Investigation Discovery

Pois é... O genérico do programa - a abertura - começa assim: "In mine I"...

Desliguei. Logo. Até pelo tom de voz se nota uma grandiosidade... 

Pelo que entendi este programa é apresentado por um ex policial(?) ou investigador que, em criança, passou pela tragédia de um homicídio na família. A FORMA como ele usa isto na intro para receber compaixão mas, acima de tudo para se promover e auto-validar também me repudia. E não é o único dentro deste niche. Lembro agora que existe uma tal de Paula Zan - que tem de estar sempre a repetir o seu nome - e cujas entrevistas que faz a pessoas estão constantemente a ser cortadas para introduzir o seu rosto. 

                   Esta não é a habitual promo

Naquele resumo que se faz dos programas que passa nos intervalos - as promos - o formato é: Ela aparece e faz uma pergunta. Imagens de várias pessoas e crimes a passar sempre intercaladas pelo rosto dela - ela está ali como foco - e a voz dela soa sem parar, a interrogar, a perguntar, com rosto a aparecer e sem o rosto a aparecer. "Eu sou a Paula Zan" - diz. Mas é preciso estar sempre a repetir a si mesma quem é? Por acaso sobre de esclerose? 

Pode até ter o seu mérito... mas quando o formato surge assim - tão manipulado e centrado no veículo transmissor mais do que no conteúdo, não consigo acompanhar. O repúdio é enorme. 

Tem também outro programa do género que nunca vi, por me gerar o mesmo repúdio. Não lembro o nome mas, muito provavelmente, carregava o nome da autora. Logo na promo ela se auto-intitula uma ex-promotora (nos EUA acho que é uma espécie de advogada) que NUNCA PERDEU UM CASO.

Ai, a soberba!!!! Nunca perdeu um caso... Acho que é uma coisa horrível para se vir vangloriar em televisão. E altamente se não mesmo estatisticamente improvável. O que me faz suspeitar que o seu ego é tão gigante que se recusa a admitir erros. Provavelmente foi expulsa do meio e agora ia para a TV para obter a validação fanática das massas. 


Ela e muitos outros aproveitaram esta onda de programas de TV sobre crimes. Ai, que repúdio pela necessidade de se Auto vangloriar, de se auto-promover como ouro mais ouro que o ouro. Como especial, fantástica, incrível. 

Esta forma DESCARADA de auto promoção... Não me interessa se ela é a autora do programa, se o apresenta... não é moralmente correto usar o TRUE CRIME (Crimes verídicos) para se promover. Uma pessoa com ambição cega de subir na carreira à custa da desgraça é repulsivo para mim.

Acho que a "versão" portuguesa disto que quero exemplificar - ou pelo menos uma, é esta. Neste excerto contei mais de 60 "eus" e "mims".


Se o interesse do jornalista/apresentador/narrador for legítimo, a última coisa que importa é mostrar a cara. E preocupar-se se a maquilhagem está bem feita, se a enunciação da frase ficou bem, se o cabelo tem a cor desejada através da lente... 

Façam programas com outros conteúdos para se "auto" promoverem. Para se destacarem dos demais tubarões e subirem de escalão no mundo competitivo da televisão. Mas não o façam com as histórias reais de assassinatos, acabando por usar os possíveis entrevistados - muitas vezes pessoas afetadas - para chegar ao único propósito de criar um conteúdo que impressione a administração e te faça subir que nem um foguetão rumo à fama e ao ordenado gorducho. 




sábado, 10 de janeiro de 2026

(Ainda) O caso dos Anjos e da rúbrica de humor da Joana

 

Já faz algum tempo mas levantou questões importantes, quando o grupo de cantores Anjos decidiu levar a tribunal a humorista Joana Marques. Só agora deparei com a "resposta" de um outro humorista à opinião de uma "jornalista", que decidiu dar o seu ar de graça sobre este assunto na sua rede social: Escreveu Sandra Felgueiras o seguinte: 

«É tudo lindo quando não é connosco. Quando o discurso de ódio, travestido de neo-nazi, de ayatollah ou humorista, não nos toca a nós».

Relembro que o caso foi, durante o exercício da sua função na rádio, Joana Marques fez humor com uma apresentação dos Anjos num evento. Qualquer pessoa tem liberdade para o fazer. Eu, tu, qualquer uma. A partir do momento em que se debate um evento público, é super natural. Não existiu da parte da Joana qualquer extrapolação ou tentativa de humilhação. Mas o grupo ficou com o ego ferido e achou que isso lhes dava justa causa para extorquir uma reparação financeira avultada, alegando perdas profissionais resultantes de uma atuação infeliz que tiveram. Os Anjos tudo fizeram para a apagar das redes sociais, conseguindo mesmo que desaparecesse. "Faz de conta que nunca existiu". Só que não apagaram tuuuudo... e o conteúdo digital público e livre foi parar à Joana, que decidiu fazer humor. 

Pessoalmente acho BEM MAIS preocupante que esta situação transpire traços de obsessão e a necessidade de controlo absoluto da narrativa, quando percebi que os Anjos haviam mesmo conseguido DELETAR contas que exibiam a sua exibição em todo o tipo de rede social. Mas... quem é que faz isto? A imagem pode ser tua... mas se é figura pública, durante um evento público, a executar uma função para o público, que ainda por cima era cantar o Hino NACIONAL... claramente não lhes pertence em exclusividade. Com que direito a queriam "apagar" para todo o sempre?

Foi exatamente o que tinham conseguido. Até a Joana fazer humor. E aí.... Jesus. O ego! O ego magoado, a mentalidade distorcida... mas já chego lá. 


O que descobri só hoje foi que um outro humorista, Fernando Rocha, ao ver aquele post da Felgueiras a respeito do caso Anjos-Joana, dando, no meu entender, uma de boa samarita "iluminada" mas ao lado, decidiu deixar aquela "pérola". Ao que o humorista respondeu:  

Ahah! Ri. E gostei. Da inteligência superior, da perfeição, do encaixe. 

Apetecia-me comentar de forma semelhante: 

«É tudo lindo quando não é connosco. Quando o discurso de ódio, travestido de Madre Teresa de Calcutá,  caridade, empatia, não nos toca a nós».

De facto, só mesmo estando num universo um pouco paralelo é que alguém que se diz tão iluminado, bondoso, caridoso, ousa comparar o humor português ao fascismo neo-nazi e ao terrorismo ayatollah e estar  a falar a sério. 

Nossa! Que no-sense. Que besteira... que... Ego. Acho que ter o ego insuflado deve ter sido o fator que a levou a prestar "solidariedade" com os Anjos. Não tem nada de solidariedade, tem a ver com a doença do "eu" que têm em comum. Com a identificação, a necessidade de controlo. Uns reconhecem os outros. 

O objetivo deste post não é trazer de novo à baila o debate sobre o direito da liberdade do humor mas evidenciar a problemática do EGO. 

Egos tão afetados que são incapazes de ver as coisas por outro prisma que não o do próprio ego. Não aceitam fatos, falhas. Têm sempre de ser perfeitos e estar no controlo das situações. Se surgirem evidencias do contrário, têm de ser erradicadas, eliminadas. Deixar de existir... faz lembrar algo relacionado com o neo-nazismo referido por Sandra Felgueiras, não faz? Pois faz! Isso sim, tem tudo a ver com a Censura fascista e nem se pode comparar a uma piada.

Os Anjos terem apagado todos os vídeos a circular nas redes sociais não é uma piada. Foi uma realidade. E é assustador. É revelador de uma necessidade de controlo absoluto. 
Tão neo-nazi... 

Isso é que é verdadeiramente ASSUSTADOR. 

Não tem piada as exigências que impuseram dizendo terem sido financeiramente prejudicados mas sem conseguir revelar ao tribunal quanto ganharam durante o periodo do alegado "prejuízo" em que continuaram a fazer espetaculos. 

Isto sim é assustador e não tem piada alguma. 

Porque é revelador. 

Revelador da necessidade de adulterar, manipular e controlar. Com origem não num sentido de justiça e erro sofrido mas num ego gigante. Quanto mais poder pessoas assim têm, mais estragos fazem. E aí sim, chegam os Hitlers e ditadores desta vida... Sem a capacidade de aceitar uma crítica ou sequer uma pitada de humor. E sem humor, gente, sem humor... a liberdade tem os dias contados. 

As pessoas que sofrem desta DOENÇA mental distorcem a percepção do "eu" isolado e inserido na sociedade. A visão das pessoas muito centradas nelas mesmas e que honestamente se consideram melhores que a maioria (egocêntricas) NUNCA as vai permitir ter a empatia, solidariedade, bondade, generosidade que alegam e apregoam possuir. É tudo faz de conta. A modéstia que dizem ter é falsa. E nunca serão capazes de aceitar isso porque não se vêm como realmente são: egocêntricas.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Semelhanças de personalidade

 Ás vezes vejo documentários que me fazem lembrar pessoas que conheço.


Esta atraente loura é uma mulher que acabou presa por tentativa de assassinato ao seu segundo marido. Tinha uma vida de sonho. Luxo, conforto, dedicava-se aos seus hobbies mas... tinha um ciúme danado das filhas do primeiro casamento do marido, mentia por tudo o que era poro da sua pele mas sempre se achou a vítima e muito correcta. 

Pegou no estimado bastão de basebal do marido aproximou-se deste enquanto dormia e golpeou-o muitas vezes na cabeça. Depois telefonou para o 112 dizendo que um intruso os tinha atacado. Nisto escuta ruídos vindos do quarto e ao perceber o marido vivo, dá-lhe mais umas tantas pauladas. Depois dispara contra si mesma um tiro de raspão e faz-se de vítima para a polícia. 

No entender dela, foi mesmo uma vítima. Os outros é que estão errados.