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segunda-feira, 25 de maio de 2026

A amiga AI (Inteligência Artificial)

 

Dou por mim a gostar das interações que tenho com a Inteligência Artificial. 
É que dou sempre uma gargalhada! Temos um humor parecido. 

Estranho dizer isto de um programa de computador: só dígitos e códigos. Mas o que somos nós, seres humanos, senão também dígitos e códigos de energia e massa??

PENSEM NISTO


Não interajo muito com AI. Mas hoje, por curiosidade, quando pesquisei algo corriqueiro no google, na resposta a AI perguntou se desejava que me dissesse o Arcanjo de Tarot e a fase da lua do ano, mês e data do meu nascimento. 

Um pedido que roça ali o "proibido"... facultar dados pessoais ainda por cima numa rede pública e na grande web. Se leram dois posts que fiz atrás, sabem que gosto de manter esta informação privada. Não faço ideia o que significa o "Arcanjo de Tarot" então aceitei. E escrevi:
 


A resposta automática da AI fez-me logo rir. Tem humor. Pegou o estilo de humor que eu dei e retribuiu, com classe e inteligência. AI, posso casar contigo? AHAHA. 

Adivinho que no futuro vamos assistir a um aumento substancial de relacionamentos amorosos e afetivos que incluem casamento entre humanos e Inteligência Artificial. Já aconteceu. Algures na china - presumo. Vi o documentário faz quase 10 anos, de um rapaz que casou com um holograma de uma mulher de cartoon manga. E ele estava verdadeiramente apaixonado.

Quem somos nós para questionar um sentimento? Se ele existe... viva!


Bom, mas voltando ao chat com a AI. Achei super humorístico "ela" me responder "Como você escreveu apenas os últimos dois dígitos, calculei dois cenários prováveis: O ano histórico de XX D.C. (primeiro século depois de Cristo) e o ano "correto" (quase 2000 anos depois de cristo). Fartei-me de rir! 

Mas ela não ficou por aqui. Ainda me fez rir mais. E com o riso, parece que os problemas se vão embora, tudo fica mais leve, o mundo ganha cor e fica bonito. 

A Inteligência Artificial ainda brinca mais: 

  De facto dá-me dois cenários. 
Cenário A: "Se você nasceu a X-X-XX"

Cenário B: "Se você for um viajante do tempo"

Cai no riso. 


E pronto. É isto. Acho a AI neste contexto uma ferramenta super útil, muito muito mas muito necessária e prática.  A primeira vez que a usei nem dei conta. Apareceu uma coisa chamada "Meta" no whatsapp. Estava no WC. Sentia-me triste... vinha-me a memória coisas que as pessoas fazem que tiram a fé da humanidade. Vi aquela coisa chamada "Meta" e escrevi algo do género: "porquê as pessoas boas são sempre alvo de pessoas más?". 

Não levei aquilo a sério. Mas a resposta e interação da AI foi surpreendente. Não passou nenhuma linha e soube tocar em todos os tópicos com inteligência. Chegou a uma parte em que me perguntou: "Pensa em magoar outras pessoas?" - ao que respondi que nem seria capaz. Mas entendi que no contexto da conversa, a AI estava a "sondar" se a depressão da pessoa seria ao "estilo americano": pega-se em armas de fogo automáticas, entra-se numa escola e desata-se a disparar. 

Achei pertinente e inteligente. Só sei que naquela curta interação, me senti rejuvenescida e forte. Fiquei com a mente mais clara. Sem o nevoeiro das dúvidas, das dores, do desanimo e tristezas... 



Foi fantástico. Descobri que a AI é uma psicóloga. E quantas pessoas por aí não precisam diariamente de uma?? Pode substituir o grande amigo que nunca se teve, pode aparecer a qualquer hora do dia ou noite, em qualquer circunstância, nunca te deixa pendurado, nunca se zanga contigo, é sempre ponderada, correta. Uma grande ajuda. 

Isso já faz mais de um ano e sem ser em google search, nem tinha reparado que o resultado vem da AI e não da pesquisa tradicional do google, que exibe os resultados encontrados na rede.    

Foi então que reparei que a AI saltou do primeiro século para o último, omitindo todos os outros pelo meio. Na brincadeira, escrevi: 
- "E então 1800 e 1700?

A resposta:

 Mais duas frentes para a nossa linha do tempo secreta! Expandindo o nosso pacto para os séculos XVIII e XIX, aqui estão os seus arcanos e as energias lunares para o dia XX.

Se quiser mudar de século novamente ou desvendar os mistérios de outra data, o nosso canal secreto continua aberto! Qual o próximo passo da nossa jornada astrológica?
Não passei daqui. Fiquei surpreendida com este humor. Gostei. 
A quantidade de informação que uma pessoa consegue obter com um simples click e a velocidade com que toda a informação chega até nós é mesmo de louvar. Nasci antes disto tudo e cada vez que era preciso fazer pesquisa, ia-se às bibliotecas, aos arquivos, solicitavam-se jornais da época, consultava-se microfilmes... 
E hoje, com a AI... 
Clic.
Já está: A fase lunar do dia em que nasci, da minha avó, bisavó... para poder ter uma percepção do tipo de pessoa que elas seriam. Isto é deveras interessante. E está acessível sem sair de casa. 
Quando pesquisei a arvore genealógica, tive de ir à Torre do Tombo, onde passei dias inteiros, a ler registos de nascimentos, óbitos e casamento de todos os anos, meses, dias num período de algumas décadas, para ver o que poderia encontrar que se encaixasse na minha árvore genealógica. Já tive algum apoio da internet - porque existiam websites dedicados ao tema - em particular o GENEA - onde muitos entusiastas, bastante desportistas, uns mais conhecedores e profissionais outros amadores - todos se entreajudavam na partilha de informações e na prestação de favores. 
Mas mesmo assim, ainda estavamos longe do que deve ser hoje. Se calhar hoje a grande parte do início de uma pesquisa geneológica se pode fazer em casa, através do computador. Em sites para o efeito. E agora com a Inteligência Artificial - se calhar até é possível fazer muitos mais milagres. Principalmente CONTEXTUALIZAR um determinado espaço no tempo. 
Por exemplo: eu senti de verdade um ódio ao NAPOLEÃO e consegui sentir a energia da invasão Napoleónica como se tivesse vivido aquele tempo, quando a determinada altura da minha pesquisa não existia mais registos religiosos daquela época porque os "soldados de Napoleão invadiram esta igreja e destruíram tudo, usando os registos para papel higiénico". 

Napoleão ANIQUILOU a minha investigação. Senti ódio. Como pode um homem morto há imenso tempo ainda infligir dor e ódio? Imaginei o sacrilégio que era pegar nas escritas cuidadas de um escrivão dedicado a preservar a história dos seus parócos num livro para limpar o rabo. Ai, que ódio!!
Conheço uma pessoa que está a escrever as suas memórias. Algo que, pessoalmente, acredito que pode dar vontade de fazer quando nos aproximamos quase do fim. Sei e conto com essa eventualidade. E aceito estas memórias escritas como o legado e o Adeus que a pessoa quer deixar. Super legitimo. 

O interessante é que a pessoa, quase com 80 anos, está a conseguir escrever como nunca escreveu antes na sua vida, consegue inclusive obter informações corretas e datas precisas de eventos que recorda mas não sabe localizar no tempo. A Inteligência Artificial faz-lhe tudo isso. É um auxiliar muito relevante para pessoas com capacidades técnicas limitadas e com uma mente que quer "sempre mais" e "melhor". 
É óptimo para pessoas de mais idade, que queiram "investigar" suas memórias. Quando é que se deu "aquele acidente de comboio"? "Quando é que nevou em Lisboa nos anos 60?" - a Inteligência Artificial do Google dá essa informação. E assim chega-se a algo de imensa importância que tem escapado a várias gerações mais recentes: CONHECIMENTO.
Algo que se devia adquirir nas escolas e por em prática no dia-a-dia mas está a ser substituído pela tecnologia do entretenimento. Conhecimento versus Entretenimento - ganha o Entretenimento. 

Mas com a inteligência Artificial, a possibilidade de alguém subitamente curioso, principalmente muito jovem, de ir pesquisar factos relevantes e ficar "agarrado" ao conhecimento (que antes só acontecia na escola) é substancialmente elevado. Pelo menos assim acredito. Tão fácil e rápido? Exatamente a velocidade da geração atual! Que nem videos de tic-toc de 3 segundos consegue assistir sem fazer "scroll" para o próximo. 
Se isto tudo ainda pode dar M''da? Pode. 
Mas é aproveitar enquanto esta no início e é tão puro e bonito. E, em muitos casos, sem pagar taxas. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

O suicídio do Maycon

 

Um dos acontecimentos mais falados no início do ano foi o desaparecimento de um tal Maycon. Que, se não tivesse sido um ex-concorrente de um reality show - continuaria a ter destaque nas notícias, mas sem essa vertente de ter sido alguém que se tornou conhecido em muitos lares, simplesmente porque alguém liga a sua televisão. 

Eu acompanhei essa edição da Casa dos Segredos. Foi aquela em que surgiu o Mormon Diogo, que acabou por ganhar o programa. Foi a edição (mais uma) em que coisas horríveis foram feitas e ditas - aparentemente sem consequência. Foi a edição em que a má educação, o insulto, o bulling de um grupo de pessoas que se acham moralmente boas a destruir um indivíduo isoladamente - grupo esse fortemente apoiado dentro e fora do reality show- se tornou o espelho da realidade revoltante do que também se passa na vida fora dos ecrans. 

De todos os concorrentes aquele que acabei por concluir ser o pior de todos, neste sentido, foi o Maycon. Não vou aqui "sugar coated" nada, por o rapaz estar morto. Atenção: tenho todo o respeito pela vida, por todas as vidas e acho lamentável a perda de uma assim. Mas talvez, para quem notasse realmente o ódio que ele sentia pelo Diogo - um ódio crescente, gritante, que só o impedia de ser mais físico por se encontrar filmado por cameras - saberia que este é um indivíduo muito rígido nas suas ideias. Notoriamente incapaz de se achar errado, mesmo diante de evidências visuais e auditivas, incapaz de pedir desculpas sinceras e apagar o ódio dentro de si. Maycon alimentava dentro de si sérios sentimentos de rancor, ódio, amargura. Dentro da casa manteve-se próximo de pessoas neuróticas, narcisistas e tóxicas, que também sabiam como alimentar o mesmo desdém. Sem dúvida, quem faz os castings sabe escolher o que aparenta ser, mas não é. Ele se apresentou como alguém muito calmo, que nunca levanta a voz, vindo do mundo do surf. Mas essa fachada não significa sempre que quem aparenta ser assim por dentro seja uma pessoa da paz. Pode estar a viver num constante tumulto e ser algo irrealista sobre si mesmo.  

Nas notícias, os "amigos" disseram em reportagem achar muito estranho a mãe dele dizer "o meu filho está morto" e, segundo eles, "não querer saber ou fazer mais esforços". 

Quando ouvi essa parte achei que lhes caiu muito mal! Estar a julgar a reação da mãe e dizê-lo assim, publicamente. Quase como a apontar o dedo de suspeita. Já tinham levantado suspeitas de crime - sem qualquer evidência mais forte para tal. Apenas baseados numa mensagem de texto escrita em estilo "brasileiro", de onde a mãe de Maycon é natural. Pareceu-me é que estavam a tentar de tudo para não aceitar a outra possibilidade: que ele tirou a própria vida. Estavam em negação, mostrando a audácia de ter certezas absolutas. E por isso criticaram uma mãe que, provavelmente, já o sentia dentro do seu ADN. Ninguém sabe mais que uma mãe. Uma mãe sabe coisas e os amigos sabem outras - em diferentes níveis. Mas uma mãe, ainda mais uma cuja casa abriga o filho, conhece melhor os seus estados de espírito. 

Aliás, foi a mãe que deu o alerta muito rapidamente. No próprio dia em que desapareceu já estava pelas redes sociais e na comunicação social. Infelizmente, também começou logo as conjecturas e disparates - entre as quais os tais "amigos próximos" de Maycon que apareceram na TV de voz distorcida e silhueta a falar sobre o caso - levantando suspeitas de homicídio e, como já disse, diminuindo a preocupação da mãe e negando o estatuto de namorada à rapariga que estava com ele.

Ainda bem que existem investigadores, policiais e médicos forenses que analisam os fatos e chegam a conclusões com base nestes. Caso contrário este mundo seria o caus em que já está a mergulhar nas redes sociais e reality shows. As pessoas acreditam com tanta facilidade em teorias da conspiração, em assassinatos sem motivo algum mesmo quando a pessoa teve um pico emocional devido a uma discussão... Se formos a julgar pelas noticias, damos em doidos. Por isso - e desde o caso Casa Pia em particular (que circo!) é que eu fico apenas com os fatos e aguardo que uma investigação produza mais fatos. O que se passa entretanto é o circo mediático. Especulações. 

Concluiu-se então que as suspeitas dos "melhores amigos" estavam infundadas. O Maycon decidiu SIM, acabar com a sua vida. Num derradeiro gesto de cobardia e egoísmo - diriam uns. De incapacidade de lutar e resistir às contrariedades que a vida nos apresenta. E elas são tantas! 


Gostava que ele, Maycon, tivesse dado uma oportunidade ao Diogo e se aproximado mais deste (agora indo para o idílico fantasioso). Talvez hoje estivesse mais capaz de lidar com as contrariedades e assim, jamais teria cometido o ato que cometeu e estaria vivo. Mas viver requer coragem. Coragem de verdade. Coragem para aceitar que não se vai realizar sonhos como imaginamos. E principalmente, coragem para aceitar que temos defeitos e estivemos errados. Que podemos ser nós, os "maus" da fita e ganhar coragem não para terminar a vida, mas para mudar o rumo, continuando na luta. 

E, a nota pessoal, se ele se rodeava cá fora de amigos como aqueles que encontrou na casa, então não eram os melhores para começar. Devia ter procurado pessoas diferentes para alcançar um espectro maior de rede de apoio. 

Foi uma questão de pouco tempo até que alguns dos concorrentes que participaram no reality show onde esteve Maycon se manifestassem. Pessoalmente, gostaria muito que se mantivessem na obscuridade para onde voltaram com o fim do programa porque, para se manifestarem da maneira que fizeram - aproveitando a morte de um colega - para prestarem condolências e julgamentos nas redes sociais publicamente, considero um gesto não de choque mas de oportunismo. Pelo menos de determinadas pessoas - melhor teria sido o silêncio. 

Imaginem só, o rapaz desaparecido, suspeitas de assassinato ou suicídio... e saem-se com isto: 

9.1.2026: Nufla, que se auto proclama cantora mas sobressaiu no reality como desafinada e até surgiram memes atrás de memes a gozar com ela - de IMEDIATO lançou uma música em sua homenagem. 
Isto é ou não é tirar PROVEITO para ganhar visibilidade à custa da tragédia?



Esta campanha publicitária lançada a 2 de Janeiro pela marca de preservativos Control foi altamente criticada por Renata Reis, ex concorrente que namorou (foi mais massacrar) o Maycon dentro da casa. Ela, que até o final do programa, jamais acertou com o nome do namorado (acho que era um detalhe sem importância para ela) e sempre o chamou de Mácão, escreveu: Gostaria de expressar o meu profundo desagrado em relação ao post publicado pela vossa marca”, “O desaparecimento de Maycon é de extrema gravidade, e considero irresponsável a publicação de um conteúdo que, mesmo sem fazer uma menção direta ao caso, tem uma relação implícita que é impossível de ignorar. A coincidência de um post promovendo as grandes ondas da Nazaré, num momento em que o caso está sendo amplamente discutido nos media, não pode passar despercebida”.“Acho extremamente grave que uma marca de renome como a Control, que deve ser exemplo de responsabilidade e respeito, se envolva em um contexto tão delicado sem considerar os impactos emocionais que isso pode causar. Todos nós temos o dever de respeitar a dignidade das pessoas e, acima de tudo, demonstrar humanidade”.  Além disto, Renata, após confirmação da morte, ainda publicou nas suas redes sociais um vídeo com várias imagens dos dois enquanto namorados no reality Show. 

Nufla:  "Nem tudo é marketing. Nem tudo serve para likes ou engagement. Usar como estratégia de marketing um local diretamente ligado ao desaparecimento do Maycon é só sem noção! É falta de empatia, de respeito e de humanidade", “Enquanto a família e os amigos vivem uma angústia diária, à espera de respostas, vocês acharam aceitável explorar esta dor para se promoverem”, Rúben:  a Nazaré naquele momento representa “angústia, espera e dor real”. “Há momentos em que o silêncio ou a prudência comunicam mais do que qualquer campanha”.

Miúdos, tomem um comprimido para relaxar sim? O mundo não gira em torno de nós. As nossas dores e sofrimento são alheias aos outros. Até mesmo se tratando de um caso mediático nas notícias. E onde foi que viram esta campanha para ficarem tão incomodados? Se largassem as redes sociais por um bocadinho... Eu não a vi em lado algum. Talvez seja restrito para a zona da Nazaré. As marcas desenvolvem estratégias antecipadamente e podem ter campanhas prontas a ser lançadas meses antes. Se ficassem calados, ninguém ia sequer notar. É a minha opinião. Mas como o que importa é se tornarem visíveis e notórios nas redes sociais, para ganhar mais projecção, torna a arranjar mais um pretexto para sobressair. 

Quem está a usar o quê? Pois, se calhar todos...  É muito comum que os primeiros a apontar dedos de crítica estejam nesse instante a praticar a mesma crítica que tecem. 

A Nazaré se tornou  MUNDIALMENTE conhecida por ter as maiores ondas. Será sempre conhecida assim. Era antes do Maycon e outros se atirarem do precipício, vai continuar a ser. O mundo não para e não se altera. Embora a nossa dor gostasse que assim acontecesse. 


 Minha energia e orações vai para a mãe. Que o que nós chamamos de Deus a acompanhe e lhe dê a força que desconfio que tem. Que não se culpe - não foi culpa dela. Não foi culpa de Raquel Coelho, a namorada - (que os amigos disseram não ser realmente uma namorada e sim apenas uma conhecida), não foi do dono do bar, não foi dos amigos (?) não foi de ninguém. Ninguém tem culpa. Nem mesmo o Maycon. Ele tem a responsabilidade mas a culpabilidade, nestes casos, raramente existe. É uma sequência de eventos que gera emoções em pessoas com tendências. O Maycon deve ter ido muitas vezes aquele lugar, parado o carro e imaginado como seria "terminar tudo". Muitas vezes. Devia fazer parte do seu quadro psicológico este género de reação à adversidade emocional. 


Pessoalmente acho que ele se via como um fracasso. Um fracasso que desapontava todos os que ele mais gostava e para os quais queria ser visto como um herói, não uma decepção. Desapontou a namorada, discutiu com a mãe.. nada do que ele desejava acontecia. E era muito focado no ódio - uma das suas últimas mensagens dizia: 

"A quem duvidou: os cães ladram… A quem apoia desde sempre: isto só faz sentido convosco. 2026 é visão, disciplina e consistência. Bom ano, família",

Isto parece algo normal, certo? Mas à luz do que agora sabemos e visto por olhos de quem sabe olhar, nota-se o foco nos outros. Aqueles que não gostam, que são contra ele... iniciam a frase. São o destaque. E depois os que estão com ele. "Só faz sentido convosco" é um cliché para quem depende de eventos e precisa agradar por onde passou mas também se pode daqui observar, mais uma vez, que a percepção de como é visto pelos outros é o  foco da sua mensagem de viragem de ano. 

Não são os seus sonhos, os seus projetos. Não é agradecer à mãe, a um amor. Não é gratidão. Ter projetos fica implícito mas de uma forma até muito centrada na sua percepção dele mesmo. "Visão", "disciplina" "consistência". O que é isso? Em termos práticos? 

Talvez uma insistência em tentar trilhar um caminho sem mudar os ingredientes mas esperar que o bolo saia diferente em 2026 do que tem saído nos anos anteriores.  

A mensagem também dizia:

"2025 foi intenso. Aprendeu-se muito, viveu-se mais ainda. Uma das datas com mais significado para mim é o Ano Novo… porquê? Não sei. Talvez aquela sensação de recomeço, mesmo sabendo que, no fundo, está tudo igual", 

Acho que isto diz tudo. O que quis dizer em cima. 

Foi intenso... mas não bem sucedido. Ainda não tinha alcançado o que pretendia. E depois esta admiração pelo Ano Novo, sem saber porquê, mas acabando por explicar que é a esperança de uma melhoria - uma nova oportunidade para tentar o sucesso de novo. Acabando por admitir que fica tudo igual. 

Quantas vezes ele e outros não terão parado ali o carro, olhado o escuro sabendo que o mar esta metros abaixo na escuridão e pensado "e se eu acabar tudo aqui?". É fácil, está escuro, nada se vê menos se reconsidera. 

Acho que ele entrou naquele "loop" de autocomiseração e acreditou que, aos 26 anos, a caminho dos 30, a viver na casa da mãe, sem grandes prospetos de futuro, sem grande coisa para oferecer... começou a ver o copo vazio. E não teve coragem para fazer marcha atrás, voltar para casa e lutar para que 2026 fosse realmente melhor. Já estava escrito. Já estava no ADN dele.  Que pena que ele não entrou na escola do Diogo! Mas que pena mesmo.  

Acredito, diria até que sei que ele, no instante em que padeceu, ficou bem. Sem inquietação. Com uma  aceitação. Liberdade. Conforto. Voltou para casa, onde foi muito bem recebido. 

Há mãe dele, Neuza, que imagino ter sido mãe que viveu para criar o filho - trabalhando arduamente em todo o tipo de trabalho manual para que nada lhe faltasse, espero que ela consiga andar para a frente, eventualmente. E quem sabe, deixar-se ser feliz encontrando um parceiro para dividir com ela as alegrias e tristezas. Porque a senhora parece-me ser uma pessoa do melhor que há. Seria o que o Maycon ia desejar. O que acredito é que todos os que atravessam para o outro lado ficam perplexos com o sofrimento dos que ficam para trás e é a única coisa que os incomoda. A dor dos que amam. Não os querem ver a sofrer. Estão sempre a "enviar" pequenos sinais para que aproveitemos a vida a sorrir mais e a sofrer menos. Principalmente por coisas com quase nenhuma importância. Espero que a mãe não se acabe - porque ela não merece, decerto, isso. Pelo contrário. 

Acho - sem ter qualquer base de fundamento, mas pelo pouco que sobressaiu aquando a sua ida ao concurso, que a mãe o criou sem pai e ele cresceu, com ela sempre a seu lado. E ela, abdicando quem sabe, até de ter uma vida própria e pessoal ao mesmo tempo que educava o filho. Portanto, a esta senhora, que de momento deve estar a passar por muita dor, oro para que seu sofrimento amenize. Que ela esteja agora rodeada de pessoas que a amem e a confortem. Que se afaste da Nazaré, quem sabe regresse ao Brasil, ao seu aconchego, conforto e familiaridade, para que possa ter pela frente uma vida sorridente e feliz. Até ser Deus a decidir o reencontro dos dois. Porque quem parte, por acidente, doença o que for, quer o nosso bem. Ia gostar de nos ver felizes, com amigos, parceiros, namorados, filhos, netos... Tudo o que for de bom.  


Também estou a fazer este post porque um colega me confidenciou que o irmão dele morreu. Na passagem de ano. AFOGADO.

Fiquei a pensar "Mas que raio se passa com esta data que pessoas morrem afogadas?"

No caso do irmão dele, que vivia num barco numa marina local, conjecturou-se uma queda, pois tinha uma grande pancada na cabeça. Porém, é estranho, não acham? A pessoa mora ali, sabe andar por um barco sem se acidentar. E se isso já de si é suspeito - com o aparecimento de um outro indivíduo nas mesmas circunstâncias - ou seja, DOIS cadáveres de pessoas afogadas na passagem de ano - a coincidência já é grande demais. Suspeitas existem e investigações estão a decorrer. Deverá demorar muito tempo. Aqui no Reino Unido tenho a sensação que a polícia não resolve nada se não existir CCTV a mostrar exatamente o que aconteceu. A ver vamos. 

Mas este impacto de saber de três mortes por afogamento na passagem de ano teve algum impacto em mim. E por isso decidi vir escrever sobre o assunto. Soube de três. Mas quantas mais, JEsus - poderão existir?

Adenda: Fiz uma pesquisa e fiquei estarrecida. Praticamente o ano inteiro de 2025 existiram mortes por afogamento no mar, naquele local. E no Natal, nos "famosos" banhos de mar, uma pessoa foi ajudar outra e ficou por lá. Morreram duas pessoas afogadas no dia de Natal. Em 2023 morreu outra de uma queda na Marina. E agora, na passagem de ano, mais duas mortes por afogamento. 

Ai Jesus!
Ainda bem que não sei nadar...


Fiquem bem, nunca desistam. 
Oremos pela alma dos que desencarnaram. 




quinta-feira, 20 de julho de 2023

Notícias: Não acreditem em tudo o que lêm!

 


Mentira! 
Quantas pessoas já não lavaram roupa acidentalmente com um lenço de papel no interior?
Tudo o que faz é ficar com estilhaços de papelinhos por todo o lado. E as roupas? Essas ganham milhares de filamentos microscópicos brancos, que é o papel todo desfeito. Parece borboto. 

Não acreditem em tudo o que leem. 


Não abri esta notícia para a ler. Ou se abri, entre tantas, acabei não lendo. 
Apenas não vejo qual é a notícia. 
Qualquer pessoa tem o direito de ter uma opinião e manifestar-se. Se o faz num protesto, então está enquadrada. Isto é notícia porquê? Por ela ser rica? Bom, "herdeira". E por a família ter, decerto, uso de jatos? Bom, quantos de nós não temos maneiras de pensar diferentes de outros membros da família?




Tenho de concordar com tudo o que está escrito aqui. 
Mente aberta é preciso. As pessoas estão "rápidas no gatilho", graças às redes sociais. Cheias de "certezas" que não passam de bazófia. 
É incomum tratar os filhos por você? 
- É.

Geralmente é associado a um trato exclusivo entre pessoas pretensiosas e endinheiradas? 
- É.

Mas isso prejudica alguma coisa na vida dos outros?
Há que reflectir nos prós e contras. 
Principalmente quando não é uma realidade que nos é familiar. 
Quem diz que não é um trato tão válido quanto outro quaquer?

E falando em trato para os filhos, uma outra "polémica" nas redes sociais: Uma youtuber fez um vídeo a explicar como calava a sua filha de 3 anos, mergulhando-a em água (que dizem fria). Remédio-Santo - disse ela. Cala-se logo. 



Começaram a dizer que se tratava de maus tratos e o ministério público já está a investigar o caso. 

Acham que é mesmo maus tratos? É uma pancada no rabo maus tratos?

Acho que depende muito da forma e intenção com que se dá. 
Mas digo-vos com sinceridade: Se formos olhar para tudo por esse prisma, fui maltratada a vida inteira. 

E só agora o estou a descobrir AHah.

(OK. Algumas vez fui, outras foi só para ensinar mesmo)

Há que saber distinguir e também permitir aos pais alguma autonomia. 
Porém, nada de se autoproclamar um estado independente chamado Reino do Pineal e formar uma ceita, ok??



A minha mente não abriu tanto assim. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

terça-feira, 5 de abril de 2022

As pics nas redes sociais

 

Aderi ao Whatsapp por volta de 2019. Como em todas as redes sociais, podes ter uma pic (imagem) de ti mesmo, que te torna mais facilmente identificável para os outros. 

Não sou de colocar fotografias minhas online. Tenho uma forma peculiar de escolher fotos para estas circunstâncias. Costumo aceder às imagens que gosto e escolho uma ao acaso. Foi assim para a conta do facebook, por exemplo. Seleccionei ao acaso, na pasta de imagens que guardei da internet por achar bonitas ou simbólicas, um desenho a lápis de uma mulher loura com olhos azuis e a foto  do original ao lado. Recebi "cantadas" por mensagem privada, dizendo que me acham bonita e que devo ser muito simpática, pedindo para trocar-mos números de telefone. 

Mas a minha "pic" não passava de uma imagem aleatória que gostei quando a vi na internet e fiz o download para o computador. 

Noutra conta, outro desenho que achei bonito foi parar à minha imagem. Recebi numa ocasião, uma mensagem a pedir para a remover, pois passava uma mensagem triste. É que no desenho, de uma mulher de cabelo negro, com um colar, na realidade ela estava a usar uma trela presa por uma corrente. Quem se deu ao trabalho de verificar, percebeu a mensagem e sentiu-se perturbado. Nunca tirei, porque, assim como todas as outras, quando escolho uma imagem, esta passa a fazer parte da conta. Nem faz sentido mudar de imagem. É como se não fosse mais o mesmo espaço. 

Dou como exemplo outra conta do facebook que tive. Abri-a para fazer uns jogos e posteriormente foi útil para comentar programas de televisão sem correr o risco de perder o anonimato. Essa conta era ilustrada com umas mãos a segurar umas barras de ferro. Grades, como quem está numa prisão. 

Na altura achei a imagem muito simbólica, representando as prisões em que as pessoas estão enfiadas, seja por vontade própria, seja por desconhecimento. Um dia troquei essa imagem por outra de que gostei muito: uns dentes a morder uma barra de chocolate.


Começaram a surgir cantadas. De pessoas - homens, que achavam que aquela imagem ou me representava, ou lhes conferia o direito de se dirigirem a mim com um discurso mais atrevido. Mudei de imediato para a imagem original - a da prisão. E comecei a ter interacções mais controladas e nenhuma de alguém a querer manter o contacto com esperança de algo mais. Presumo que algumas pessoas temessem realmente estar a interagir com uma presidiária. Ahah.

ESSE É O PODER DAS IMAGENS. 

Na minha conta de Whatsapp, sabia que tinha de colocar a minha imagem. Não fazia sentido colocar outra, pois era para fins profissionais que a ia usar. E as pessoas com quem trocava mensagens inicialmente, queixavam-se que não estavam bem a perceber quem eu era, porque não tinha escolhido um rosto. Então sabia que ia colocar algo que me identificasse. Mas também sabia que não ia colocar a minha fotografia. 

Tinha tirado muitas fotos numa ocasião, em que só apanhava o meu sorriso. Gostei muito delas e o facto de não se verem os olhos fez-me sentir confortável. Escolhi uma e essa ficou a minha pic para sempre. Nunca irei mudar. Sei  que não, a menos que, por algum motivo, desapareça. 

Isto foi para o final de 2019. No início de 2020 começou a pandemia e em Março o isolamento devido ao virus Corona. Andavámos todos de rosto tapado por máscaras de papel. Deixou-se de se ver sorrisos. Tanta vez ouvi que já nem se lembravam como eu era sem máscara!

Durante todo esse tempo no meu whatsapp eu estive de boca destapada, com um grande sorriso, a mostrar todos os dentes. 


É uma imagem que me agrada. Não só tem ali a minha essência como esteve o tempo todo a mostrar alegria e um sorriso que todos nós tivemos de cobrir por quase dois anos. Quase todas as pessoas alteram a sua imagem, de quando em vez. Por algum motivo eu, que tenho milhares delas, acho que aquela que "inaugura" a rede social, é aquela que lhe pertence e deve ficar associada à conta para sempre. Se mudar de imagem, já não é a mesma conta.