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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Uau! Esta mulher despertou meu iteresse

 

Uma pequena entrevista bastante interessante esta:


Spoiller: Não tem nada de conflituoso. Só de bastante interessante. 
Gostei da postura direta e franca de uma das convidadas: Susan Brownmiller. Então decidi investigar o que era feito dela nos dias de hoje. Infelizmente faleceu o ano passado. Curioso Dick Cavett, o entrevistador, ainda é vivo. Provavelmente o único num leque de dezenas que compareceram ao seu talk show. 

Nunca tinha ouvido falar deste talk show Americano e é superior - muito superior - diria mesmo que é um verdadeiro talk show. Porque não existe "pressa" em despachar os convidados. Embora os clips aqui mostrados tenham 15 a 30 minutos de duração, julgo que o programa durava uma hora e meia! 


Susan Brownmiller, aqui entrevistada junto com Sally Kempton na qualidade de membro da Woman's Liberation Movement (Movimento para a libertação das mulheres), dedicou a sua vida a causas, trabalhou como jornalista, escritora, tendo ficado muito conhecida após escrever o livro intitulado Against Our Will: Men, Women, and Rape, focado nos padrões sociais e políticos do estupro/violação e as diferenças de trato entre homens e mulheres perante a lei. Esse livro contribuiu para o debate do tema e veio a mudar leis na America que passaram a entender melhor a mulher como vítima de estupro. rape is “a conscious process of intimidation by which all men keep all women in a state of fear” (a violação é um processo consciente de intimidação através do qual todos os homens mantêm todas as mulheres num estado de medo). - , dizia ela no seu livro, o que levou a sociedade a refletir e debater este tema.  

Susan nasceu a 15 de Fevereiro de 1935, escreveu este livro em 1975. 

Faleceu em 2025, aos 90 anos.



terça-feira, 6 de novembro de 2018

Já tinha esquecido...


... o quanto estar a responder a anúncios de emprego é extenuante e, dispendioso.


Preciso fazer-vos uma descrição DETALHADA do que é preencher um formulário de emprego.
Para começar, tudo é feito online. Agora o que te forçam a escrever... é tortura!


Até o nome completo da minha mãe tive de lhes dar. Estava lá, "campo obrigatório". Querem sempre saber o que andaste a fazer nos últimos cinco anos. Todas as moradas onde moraste, os empregos que tiveste desde o dia de entrada ao da saída, motivos para sair, descrição das funções e mais "alguma" coisa que distinga dos demais.

São formulários extensos e penosos, pelo menos duas horas para serem preenchidos. Estive para deixar aqui um step-by-step, mas já tinha "perdido" demasiado tempo no preenchimento. Agora chegou a fase de ir à entrevista. O processo continua burocrático e dispendioso. Pedem-te documentação, fotografias (sim, de passe, lol) e até a cópia da aplicação que submeteste online. Imagine se eles se vão dar ao trabalho de imprimir eles mesmos. Ou Deus permita, consultem tudo online, num laptop ou tablet. 

Não! Traz não uma, mas duas cópias dessa aplicacação online, que foi tão extensa que são bem capazes de corresponder a 20 folhas. Traz em duplicado. Então vá lá... imprime 40 folhas, PAGA por elas, vai tirar duas fotografias tipo-passe e PAGA por elas, traz-me o teu extrato bancário, prova de morada, comprovatido de permissão para trabalhar no Reino Unido, número de trabalhador, cartão de identidade...


É sério quando digo isto: só não te pedem uma gota do teu sangue porque ainda não arranjaram um pretexto legal para o fazer. Acredito que será muito provável que no futuro nos imponham tantos atentados à liberdade e à identidade pessoal quanto esta. Sermos forçados a dar sangue para nos extrairem a condição física, o potencial de trabalhador, o ADN!

O chato é que descobri também o quanto é difícil obter emprego. Muito mesmo. Esta conversa fica para outro post, mas o mundo está mesmo todo "fornicado". Tudo aparenta ser o que realmente está longe de ser. As melhores ofertas actualmente são para contratos para Janeiro ou mesmo Abril. Entendem? O que aparecer agora são migalhas, atiradas aos pobres. Uns poucos serão escolhidos entre os demais para trabalharem que nem cães a troco de migalhas e a sujeitarem-se a qualquer tipo de horário "flexível", sem contrato fixo e a poder ser demitido assim que te tornares dispensável - o que será daqui a um mês.

E tudo isto - a candidatura, a documentação e o dinheiro gasto - só te garante que vais a uma entrevista. Não te garante emprego. 




domingo, 14 de outubro de 2018

Onde estão os oráculos?

Zapping.
Paragem na RTP2. Cativa-me uma entrevista que está a decorrer num cenário com apenas dois sofás. Jornalista de um lado (a jornalista ham-ham), o entrevistado do outro. Um senhor a falar num português bem fluente, mas com sotaque. A forma como se expressa cativa-me e quero saber do que falam. Percebo que se trata de um livro de que ele é o autor. Aparece uma capa, mas com má leitura. Pelo menos no monitor do meu televisor, não consigo visualizar a tempo do que se trata. Um rosto remetendo a um mosaico romano parece ilustrar a capa da obra. Mas não mencionam verbalmente o nome da mesma. Nem o nome do entrevistado. 

Ainda não era desta...

Surgem os oráculos, aqueles rodapés informativos, mas também nada dizem. A entrevista continua a decorrer e é perguntado ao entrevistado sobre as personagens que escreve. Mas nenhuma pergunta ou resposta revela o livro que o fez estar ali. Apanhei o programa a meio, é verdade, quase no fim. Mas pude ainda ver uns bons minutos - talvez os últimos cinco ou dez. Seria de esperar nesta época de fast-tudo, a presença constante e alternada de rodapés informativos a aparecer repetidamente ao longo da duração do programa. Do estilo "Fulano X lançou livro Y". É para isso que esses rodapés existem: para situar o telespectador a qualquer instante em que sintonize o programa, no assunto abordado. E o cativar. Para passar a informação visual, caso a auditiva falhe. Os oráculos só trazem  vantagens e são um grande trunfo televisivo. Mas não souberam usá-lo.

A entrevista terminou. Pareceu-me que o autor chamava-se Richard, mas a jornalista menciona-o talvez uma vez e não recebo confirmação da obra, nem do autor, nem sequer na finalização da entrevista. Outra "regra de ouro" geralmente seguida por quem faz entrevistas televisivas. (Agora já sabem o propósito da mesma).

Não tive sorte, foi um tanto frustrante. Quando foi perguntado ao entrevistado como se sentia como autor ao ver-se ao espelho, ele então menciona uma famosa obra por si escrita: O último Cabalista de Lisboa. O google preencheu o resto: autor: Richard Zimler. Obra acabada de lançar: Os dez espelhos de Benjamim Zarco.

Descobrir isto foi como "montar um puzzle", entre o que ouvi e as informações parciais (tema da obra mas sem capa, a mencionar seis tempos - que foi um dos dados mencionados pelo autor durante a entrevista) disponíveis no google. Um simples oráculo bem colocado e uma entrevista finalizada de outra forma teria evitado todo este extra esforço :)  :D


PS: Achei interessante mencionar que a jornalista às tantas pergunta ao autor, numa afirmação, "Está a viver em Portugal há... 20 anos. Mas ainda pensa e escreve em inglês". Achei interessante ele rectificar que cá vive há 28. Está mais para 30 do que para 20, a jornalista parece não ter feito bem o "trabalho de casa" - só por este detalhe que escapou. Entendi que tinha muitas questões preparadas para lhe colocar - e colocou-as umas atrás das outras, quase sempre antecedidas de um "ham-ham". Mas o autor pareceu-me um óptimo entrevistado para improvisar ou seguir a deixa das respostas para fazer a próxima pergunta. Sem necessidade de "guião". 

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Para procurar e ver na TV já!


... Grande Entrevista, da RTP, que está a passar AGORA na RTP3.
Entrevista com psicóloga clínica Gabriela Moita. Tema: sedução e assédio sexual.

Ela diz tudo o que penso, tudo o que sinto, tudo o que concordo!

Mas di-lo muito melhor. Com conhecimento de causa, estudo.  

Vejam porque vão entender muita coisa que (tenho sentido) faz "confusão" a algumas pessoas, principalmente mulheres. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Celebridades e seus efeitos no tempo

A capa da revista televisiva do CM:


Esperavam um microfone, não é? Independentemente da reputação que conferem a este media da Cofina, o grupo também tem coisas que se aproveitam. Esta entrevista é um exemplo disso.

Acreditem se quiserem mas andei nestes dias a reflectir nisto. E tenho que dizer: concordo plenamente com esta citação


Ao ver programas sobre as "grandes estrelas" do passado - constato que muitas cairam no esquecimento. Os seus nomes podem até soar a algo familiar, mas os seus feitos - aquilo pelo qual se tornaram famosos, acabam desconhecidos. Com o tempo, conhece-se um ou outro em particular, o que é totalmente redutor perante o panorama real do que foram essas conquistas no tempo em que ocorreram. 


Muitas das estrelas do cinema mudo, por exemplo, ou do cinema musical, se achavam a 5ª essência do mundo artístico. Estavam certas que deixariam uma marca na história do seu metier. Mas quem é que hoje conhece nomes como Jeanette MacDonald, Nelson Eddy, Jane Powell? E estes que atingiram estatuto de estrelas da dança e da música, tiveram muitos outros que os antecederam. Esses ainda mais perdidos na memória.

Porque é disso que se trata: memória. E esta só é razoavelmente boa durante uma a duas gerações. Depois vai sumindo, vira nevoeiro. 


Daqui a mais umas gerações, quem é que saberá ao certo porquê Amália, Eusébio são conhecidos? Elizabeth Taylor, Geen Kelly? E isto só ficando no patamar dos artistas mais conhecidos. Ficam de fora grandiosos de outras profissões não artísticas: médicos, políticos, filósofos, futebolistas, automobilistas, cientistas... Quem se lembrará porque é que o Marquês de Pombal é famoso, quando muitos nem sequer lhe conhecem o nome, só o título? Sim, sabem uma ou outra coisa cuja autoria lhe é atribuída. Mas e tudo o resto que também faz parte de uma pessoa? Família, inclinações políticas, prazeres... coisas que, não tão poucas vezes, ficam de fora dos livros de história? 

Por isto esta citação de João Perry chamou a atenção. A primeira parte "Não quero ser recordado" parece-me óbvia. A segunda, ainda mais: "nunca saberão quem fui!".

Sim, porque mesmo quem é idolatrado por multidões, muitas das vezes não o é por o que é, mas pelo que fez ou faz. Como idolatrar um ator, quando tão pouco se sabe sobre a pessoa? Pode-se gostar dos seus trabalhos, sentir alguma afinidade com algumas ideias, nem tanto com outras... Mas não se conhece uma pessoa assim. Portanto, ao ser "recordado", não está a o ser. 

E recordado para quê?

Por cá, todos os nossos "grandes" artistas homenageados com o seu nome em teatros ou ruas acabam por cair no esquecimento. Teatros então, alguns são uma tristeza de abandono... Cada vez que passava por um que ainda tinha as letras a dizer "Teatro Vasco Santana" fico a pensar na real importância que damos à sua pessoa como artista, para permitir que algo em sua homenagem não passe de escombros.


Temos o "Maria Matos", um nome vagamente recordado mas cujos feitos da artista cairam no esquecimento. Existiu a Laura Alves, que poucos conhecem hoje em dia. Perguntem aos jovens se sabem quem ela foi. E muitos outros, alguns que ainda andam por cá. Então concluo que ninguém, por melhor que seja, será eternamente recordado.

Ser recordado parece ser "empacotado" num rótulo onde muitos dos «ingredientes» ficam de fora. Uma pessoa é tão mais que isso.