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sábado, 16 de agosto de 2025

Conhecer lixo humano

 

Lembro de um vídeo de um conceituado jornalista da TV brasileira que, em off, criticou e rebaixou dois homens do lixo que tinham aparecido no segmento anterior, desejando à equipa e a todos um feliz natal. Os dois lixeiros, no seu uniforme, apareceram num vídeo deixando uma mensagem de felicitações. Em off, o apresentador comentou que só faltava aparecer lixeiros... se não tinham mais ninguém. Algo do género. 

«Que merda... dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras... o mais baixo na escala de trabalho» - disse o jornalista Boris Casoy logo após se despedir e pensar ter ido para os comerciais. 

Aquilo vazou, caiu mal aos olhos do público e o apresentador teve de se retratar. Por "danos morais" causados, os dois lixeiros foram indemnizados. 

Isto só para contextualizar que, no Brasil, parece que ser lixeiro é algo mesmo desprezado. Não sei se só por uma elite besta e pedante, se por todos. Mas os chamados GARI - que até tem apelido próprio para isso - parecem ser considerados os MAIS BAIXOS posicionados na escala social. E por isso, é como se não fossem seres humanos?

Deus não faz distinção não... E quando sangramos, a cor é a mesma. Se um ricaço da elite for parar ao hospital - alguém como, sei lá, o tal jornalista Boris Casoy e precisar de transfusão de sangue ou de um orgão, o de um lixeiro negro, pobre, com vassoura serve tão bem quanto o de qualquer outro. E aposto tudo como não haverá, nesses contextos, esta arrogância e altivez de classe. De quem se julga moralmente ou intelectualmente superior apenas porque as oportunidades recebidas foram acima da média do outro. 


ESTA INTRODUÇÃO é para chegar aqui: 

Vejam a cara deste indivíduo: 


Parece um Clark Kent, certo? Bonitinho, sorriso conseguido no dentista, cabelo meticulosamente arranjado, imagem cuidada... diria que a única coisa mais alarmante seria o físico. Esse excesso de preocupação com a imagem projetada para o exterior e o empenho em atingir músculo. Porque para ser grosso assim deve envolver muito tóxico... e isso em si já dispara umas tantas bandeiras vermelhinhas bem grossas... Mas isso é suposição. 

O que importa é que registem o rosto dele. Detetam alguma coisa alarmante? Parece dócil, amistoso, simpático, certo?

Agora vejam este rosto aqui: 


Um cara comum, certo? Meio com cara e pose de bandido, assim de lado, mas isso é suposição. Tirando uma selfie a "bad boy" sedutor.. Reparem que também é musculado, mas parece ter músculo natural, daquele que é teu mesmo, fruto de trabalho do dia a dia e da genética. Procura cuidar da sua imagem o melhor que consegue, está feliz com o resultado e fica contente por poder exibir qualquer indumentária daquelas que fazem publicidade a nomes de marca. 

Marcas essas que conquistaram agora tanto o cliente de alta classe, para os quais costumava ser exclusivo, como o público de média e baixa classe, que economiza meses para comprar uma legítima mala vitton. Será que a classe alta se incomoda de ter perdido a exclusividade? Porque exibir-se em marcas de luxo era um diferencial social que representava status elevado. Uma forma de se colocarem no "mercado social" com uma etiqueta de preço de valor acima da média. Mas agora qualquer lixeiro pode usar ténis do Michael Jordan e T-shirts da Adidas... 



Bom, e agora temos lado a lado estes dois rostos. O do anjinho de couro de igreja, menino da mamã, obviamente à esquerda, e o wanna-be sexy bad boy. 

Pois deixem-me dizer-vos que um destes homens já não está vivo. Foi assassinado pelo outro. Os dois NUNCA se conheceram. Sequer trocaram uma palavra - ao que parece. Mas no instante em que se cruzaram, um matou o outro. 

Ah, gangs! Ah, a violência gratuita!!

Estão certos. Violência mais gratuita que esta não existe. Mas agora vamos ao contexto. 

O senhor da esquerda, de nome René da Silva Nogueira Júnior está vivo. Logo, é ele o assassino. Sim, assassino. Porque ele puxou de uma arma de fogo e simplesmente disparou no outro.  Laudemir - que assim é o seu nome - e só o nome próprio surgiu nas matérias que li, como se, no caso dele, por ser pobre, se dispensasse mencionar outros nomes e o apelido.  Laudemir estava a fazer o quê? Provocou? Insultou? Invadiu a casa do primeiro?

Não. Laudemir estava a trabalhar. Ao invés de Laudemir, alguma imprensa substitui seu nome por gari. Recordem acima... GARI significa pessoa que trabalha como lixeiro. O "mais baixo na escala"- segundo o jornalista Boris Casoy.

Fiquei ultrajada enojada quando li os contornos da situação. O senhor Júnior, «empresário» - que é a conotação laboral que hoje em dia todo o gajo que não quer nem trabalhar nem estudar no duro mas quer ter estatos dá a si mesmo (é como se saísse na rifa da farinha amparo) estava no trânsito e não conseguiu passar entre um automóvel e o camião do lixo - que ali estava a fazer a recolha. Não quis esperar. Estava apressado demais. 

Refilou e ameaçou se um tocasse no carro dele que lhe dava um tiro na cara. 

E o resto... é que fez isso mesmo. Matou a sangue frio a queima roupa um indivíduo que estava ali a fazer o seu trabalho. Foi Laudemir mas podia ser qualquer um outro. Foi o que estava mais próximo - disse a testemunha, a motorista do camião. 

Este DESDÉM pela vida de outra pessoa só porque ela trabalha na limpeza de lixo... revolta-me. Se querem saber o que é LIXO de verdade, LIXO humano, só têm de olhar para o rosto do sr. René da Silva Nogueira Júnior. Isso sim, é que é lixo, excremento. De que vale ter estudos (suposto), ter acesso a melhor condições de vida se... por dentro se é pobre? Se por dentro és um LIXO??

Tenho apreço por todos aqueles que todos os dias recolhem o lixo à porta de casa. Que recolhem nos contentores das ruas, que o recolhem das estradas, parques, por todo o lado. SEM ELES viveriamos como RATOS. Na imundice. Na imundice gerada, na sua maioria, por pessoas que acham que vieram ao mundo só para fazer lixo e que este "desaparece" por si só. 

Depois de matar a tiro, com a arma de fogo da esposa - uma delegada de polícia!! - o homem de 47 anos (nenhum mocinho) ainda foi para casa, passeou os cães e foi malhar na academia. Onde foi apanhado. 

MAS QUE É ISTO????
Então mata-se uma pessoa e é como se nada fosse??

Vai passear os cães???
Tinha pressa para isso? Para ir passear o cão e ir ao ginásio?

O desdém pela vida de alguém SÓ PORQUE ELE É GARI... 
Isto é desprezível. 

Pena máxima para criaturas assim. 

RIP Laudemir sem último nome.... 
Que a classe "mais baixa" no brasil seja respeitada como seres humanos que são!!!

Lembre-se que muitas pessoas que já estiveram no topo hoje podem estar em baixo e vice versa. Não é só nas novelas que devemos torcer para que a mocinha da Regina Duarte que perdeu tudo vença na vida. Temos de defender o correto sempre. O honesto. O certo. Os "César*" desta vida, têm de se dar mal. 


* Referência à trama da novela Vale Tudo

terça-feira, 12 de setembro de 2023

No Brasil querem fazer passar bandido por Santo

 Não conhecia a história que o programa televisivo no canal ID Discovery retratou. Ao mencionar que se passou em Manaus, na zona da amazónia, soube que o caso retratado, o de um apresentador de televisão que encomendava homicídios para aumentar as audiências do seu programa, era fácil de verificar. 

Walace Souza. O rosto do indivíduo é este:


Fui pesquisar e encontrei informação no Wikipédia. Fiquei chocada. Chocada com o que lá vem dito - principalmente nas entrelinhas. Mas mais chocada ao ler o comunicado apresentado à imprensa pelo hospital quando o indivíduo faleceu. Escreveram assim: 

O ex-deputado estadual do Partido Progressista (PP-AM), Francisco Wallace Cavalcante de Souza, 51 anos, internado no Hospital Bandeirantes, em São Paulo desde o dia 18 de março de 2010, faleceu às 16h desta terça-feira (27/7), em decorrência de uma parada cardíaca. O paciente sofria de uma ascite refratária decorrente da Síndrome de Budd Chiari. Os médicos que acompanharam o paciente foram coordenados pelo diretor-clínico Dr. Mário Lúcio Alves Baptista Filho.[6]

— Hospital Bandeirantes

Uma notícia só é boa notícia quando enquadrada em toda a sua amplitude. Para anúnciar a morte deste indivíduo, que se encontrava ENCARCERADO, o hospital escolheu dar-lhe o "carimbo" de ex-deputado. Mas ele era mais do que isso. Aliás, ele foi muitas outras coisas antes de chegar à política. (Até parece que a política é o último degrau para a extrema criminalidade e corrupção). 

Walace Souza foi um traficante. Chefe de quadrilha. Depois meteu o pezão na comunicação social, criando e apresentando um programa de televisão onde ele era a estrela. Nesse programa, ele acusava a polícia de não fazer o suficiente para combater o crime e era quase sempre o primeiro a chegar a cenas de polícia. Numa ocasião inclusive, a equipa de reportagem - que recebia dicas anónimas, chegou a um local antes mesmo de acontecerem homicídios. Filmaram tudo. A polícia já achava aquilo estranho, com uma fonte que até foi capaz de indicar um homicídio antes deste ocorrer - a polícia ficou de olho aberto. E acabou se antecipando a mais um assassinato. Boca no trombone e... foi o apresentador - agora também DEPUTADO (duas coisas que não se devem misturar: política e televisão ou media - vejam só o caso Donald Tramp) o mandante dos crimes. Não só era o mandante, como tinha interesses pessoais em que certas pessoas aparecessem mortas. Nomeadamente os seus rivais no tráfego de drogas. Ele chefiava um autêntico quartel! Era ele, os irmãos, o filho, toda uma entourage.  

E vai o hospital e dá-lhe este elogy?

Bem escrito, devia ler-se algo do género:

Francisco Wallace Cavalcante de Souza, 51 anos, internado no Hospital Bandeirantes, São Paulo desde o dia 18 de março de 2010, faleceu às 16h desta terça-feira (27/7), em decorrência de uma parada cardíaca. Mais conhecido por Walace Souza, encontrava-se encarcerado a cumprir uma pena de .... desde Outubro de 2009 por se comprovar em tribunal que era o chefe de quadrilha de tráfego de drogas da região de Manaus e ter encomendado dezenas de assassinatos para benefício próprio. O apresentador do programa de TV Canal Livre e ex-deputado Federal do Partido Progressista sofria de uma ascite refratária decorrente da Síndrome de Budd Chiari. Vai a sepultar em XXX, dia Y.

Nada de mencionar o nome dos médicos que cuidaram dele - para aqui não são chamados, não são vedetas e podem ficar com uma marca na testa para a inserção de uma bala por se exporem sem necessidade. Seu trabalho é cuidar de pacientes, pelo que fica redundante mencionar o óbvio. Fica até... mal. Soa a procura de créditos, de celebridade. Mas isto foi uma "nota" de hospital, não uma notícia. Oor isso não fizeram qualquer menção à sua vida criminosa - somente ao seu estatuto político, como se isso o tornasse "limpo" e uma pessoa importante. Era um presidiário - nessa condição faleceu. Faz parte de qualquer comunicação de obituário citar os factos. Os feios e os bonitos. Juntos, fazem a verdade.

No final do artigo do Wikipedia, ainda se faz menção a um programa de TV que abordou o caso e - pasme-se, ficou-se na "dúvida" se ele era mesmo culpado. Oh!!! A sério??? Acham que a polícia demorou 10 anos a agir porque... lhes apeteceu? Acham que os tribunais cometeram erros? Era um anjinho o ex-deputado, que compareceu vestido todo de branco e a segurar uma bíblia a uma assembleia onde iam votar se perdia seu título? Perdeu-o pelo voto de uma maioria mas, ainda assim, houve quatro almas que votaram para que com ele permanecesse. Mais uma razão para não o mencionarem assim a título póstumo: já tinha perdido esse privilégio. 

Walace Souza, ao que tudo indica, era um POS, do piorio. Traficante, assassino. Cobarde. Quando sentenciado, simulou sentir-se mal. Sempre teve perfeita saúde e muito fogo na língua no seu programa de TV, onde agia como um justiceiro salvador e apontava o dedo à incompetência da polícia, enquanto planeava o assassinato de pessoas que se punham no seu caminho.  Acabou por esconder-se do encarceramento e ficou quatro dias em fuga. Teve direito a ficar numa cela particular - mesmo não tendo estudos superiores. Ah! Políticos sem estudos superiores... são uma Tru(a)mp(a). Depois ficou em prisão domiciliária. Adoeceu de verdade e morreu. Caso contrário, seria mais um criminoso de alto gabarito que teria retornado à política, se pudesse.  

E é por isso que o Brasil dificilmente irá para a frente. Bandido tem muita proteção e à quem aceite que lhe façam lavagens cerebrais para achar que bandido é santo e santo é bandido. Só não sei se ainda há santo por aquelas bandas. Está por se comprovar.   




quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A língua brasileira


Vejam este link.
Vai dar às instruções de um produto online, disponíveis em várias línguas. 
São curiosas. Vejam as diferenças entre a versão BR e PT e digam se justifica a diferenciação.

Há algo neste tipo de coisa que meche com os meus sentidos. Vejo-o por todo o lado, principalmente em locais de informação turística. Prende-se com a existência da Bandeira do Brasil ou da denominação BR para indicar a língua traduzida.

Acontece que no Brasil fala-se PORTUGUÊS.
Que eu saiba, a língua é só uma.


Por vezes não se vê a bandeira Portuguesa a ser usada como símbolo da língua de Camões em lado algum. Quando se consulta uma tour turística e pretende-se saber a disponibilidade das línguas do audiobook, quando se quer pagar em "euro" (como na imagem em cima) na qual não surge a bandeira da EU mas a italiana, francesa e espanhola.

Sim, eu sei que isto é um ELOGIO. Além de que o sermos ignorados faz com que Portugal também não ande na mira de indesejados. É um elogio porque claramente sabe-se por toda a parte que os portugueses não são burros que nem uma porta. Já os italianos, franceses e espanhóis, se não verem a sua bandeirinha... Oh Jesus.

Se não existe gente estúpida com o INGLÊS (Os manuais de instruções não vêm com inglês do UK, EUA etc), porquê o português está dividido? O símbolo da língua portuguesa é a bandeira do Brasil? O tal acordo ortográfico supostamente não veio para unificar?


O que acham disto?

sábado, 20 de outubro de 2018

O Brasil inteiro está PERDIDO


Quando acham PIADA a isto e conduzem o assunto como se fosse uma brincadeirinha engraçada. O repórter até faz os gestos e repete vezes sem conta, fazendo o gesto em direcção ao sexo: "Você comeu galinha? Comeu ou não comeu? Assim?". "Naquele tempo não havia mulher" - responde o provável novo presidente do Brasil.

E riem, riem muito, às gargalhadas, exageradamente.

Esgoto.


Não, NÃO é desta que o Brasil vai sair do buraco.
O homem não tem cérebro!!

Ou melhor, tem aquele que, pelos vistos, todos ali preferem usar: o da cabeça de baixo.


Que esgoto!

É mi-mi-mi e tudo o que é consumo de animais e caça submarina... tudo justifica o facto de admitir ter enfiado o pénis no anus de galinhas.


Este gajo diz o que lhe traz mais votos. "Metralhar a petralhada", etc, etc...  E nem sequer o sabe fazer com eruditismo. Mais valia irem buscar um sem abrigo algures do Rio de Janeiro - um necessitado mas de bom coração, um bemfeitor nas favelas. Há tanta pessoa simples e sem instrução mais capaz que este tipo.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Ler um e book pode ser penoso


Ter ficado uma semana sem internet fez com que fosse ler uns livros que havia obtido faz dois anos. Não são exatamente livros. Pois não vêm na forma de papel encadernado em livro. Mas E-books

Os E-books encontram-se somente na internet, são para ser lidos no computador. 
Havia feito o download de umas obras gratuitas que encontrei nem sei bem como. Fui dar com elas numa pasta no computador que estava sem ligação à net e decidi espreitar os títulos e ler algumas obras. 

Escolhi, não sei bem como, na hora do download, obras originais inglesas traduzidas para português. O problema desta tradução é que a maioria dos e-books disponíveis - se não toda, é traduzido em português do Brasil.

O que vos dizer??
É penoso!!!

Faz doer o cérebro. Ler uma obra em português brasileiro é ler algo que se adivinha rico numa versão pobre. Consegue-se perceber, adivinhar inclusive, que aquele excerto no seu original deve estar bem escrito mas a tradução transformou-o em algo demasiado simplório. A leitura consegue ser penosa e em determinados momentos, dolorosa. Alem de se estar simultaneamente a traduzir na mente para um português gramaticalmente mais adequado, no final da leitura fica-se com a certeza de que muito se perdeu pelo caminho naquela básica tradução brasuca. É como comer algo mal cozinhado, quando se esperava ser servido de um prato gourmet ou, pelo menos, algo com melhor gosto. 

Tenham em atenção este excerto original de um livro que encontrei:


 E agora a tradução: 


Bem, isto só pode ser traduzido por um computador. Apesar da capa vir indicado que a obra é da Bertrand Brasil, julgo que só a capa o será porque a tradução é igualzinha ao que o google faria, se não mesmo pior.
Ora vejamos o que escrevem: "Os salões de (da) Del Norte Alto zumbia(m) com (o) primeiro-dia (sem infen) da escola caos (???) como Laurel preso (???) se através de uma multidão de alunos do segundo ano e ombros largos manchado (???) de Davi. Ela entrelaçou os braços ao redor da cintura e apertou o rosto contra seu (a sua) suave T-shirt. "Hey" (em inglês), David (já não é Davi) disse, retornando seu abraço (brrrrr! Calafrios que dá ler isto!). 
(...)
Dá para acreditar? Estamos finalmente idosos!"

- Porque todos os adolescentes de 17 anos ficam entusiasmados por saltar para a terceira idade lol! 

A língua portuguesa é rica em vocabulário. Ler um livro de tradução BR tem servido, até agora,para constatar que 80% dessa riqueza é esquecida. 

E vocês?
Alguma vez leram um texto em português-br?
Qual a experiência?




terça-feira, 12 de abril de 2016

O barómetro que é o Brasil



Devia-mos olhar para os problemas do Brasil com especial atenção. Acredito que tudo o que se passa lá, daqui a 20 anos vai ser o caso cá. 

Ao longo das décadas tenho verificado as semelhanças. Vejo telenovelas brasileiras, que mesmo sendo um produto para agradar as massas cheio de maravilhas, também estão cheias de referências sociais e políticas, acabando por servir de manifesto ou desabafo. 


A "crise" que nos atingiu aqui na europa dizem que no ano 2008, vivia-se lá intensamente 20 anos antes. Coisas como a dificuldade de uma pessoa honesta e bem formada em conseguir um emprego, as falcatruas, as ofertas de emprego que são vigarices, os favores "pagos", os subornos, os privilégios dos ricos... a impunidade dos poderosos ou criminosos, o desprezo à honestidade e o recurso ao oposto para subir na vida. 

Tudo isso vi acontecer por cá, 20 anos depois. Lembro em particular de tudo isto e mais ainda ser retratado (magistralmente) pela telenovela "Vale Tudo", feita exatamente 20 anos antes da data da «crise» na Europa, 

Portanto, é olhar para lá, com apreensão e com olhos de pupilo que precisa de aprender para não cometer os mesmos erros. O Brasil é um espelho para o futuro. Ainda que com diferenças, no final dos ovos partidos, o povo passa pelo mesmo. E tomara que quando e se isso acontecer, nós saibamos ser tão proativos e dignos quanto eles, povo brasileiro que clamam por justiça e honestidade!


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Dúvida linguística - voltando à primária

Fiz uma pesquisa no google e fui dar ao MercadoLivre Brasil. O equivalente brasileiro ao OLX ou Custo Justo. Sempre que se vai lá parar, aparece a seguinte informação:


E sempre que me deparo com este pop-up, ele causa-me aflição instantânea. 
Sinto o impulso de mudar aquele artigo de lugar "no Portugal" para "em Portugal". 
Logo em baixo surge "Ficar em Brasil" e também me apetece apagar o "em" e colocar "no".

É o jeito que eles lá em Terras de Vera Cruz têm de interpretar o português. Quem tem razão?

Neste exemplo não tenho dúvidas que eles baralharam tudo, como tanta vez fazem. Mas depois ocorreu-me tentar compreender estes equívocos. Sem ir a correr para os livros que esclarecem o que é o correto, comecei a substituir o «sujeito» da frase. 

No primeiro exemplo, "Portugal" foi substituido por "Dubai". 
Ambos são locais. A diferença é que Portugal é país e Dubai uma cidade. Quando nos referimos a locais como cidades, usa-se o no/na o/a. "Buscar o mesmo em Dubai" não me parece soar tão correcto quanto "Buscar o mesmo no Dubai". 

Mas e então... Vilamoura? Não se diz "Buscar o mesmo na Vilamoura". O correcto é dizer "em Vilamoura". Contudo, cidades como Porto, Rio de Janeiro.. todas teriam de ser antecedidas com o artigo "no". Porquê é Vilamoura a excepção?  Uma entre outros exemplos, como "Lisboa". É a feminilidade da palavra que impõe respeito? (lol).

Já o verbo "ficar" implica um local. Ficar "em Lisboa" está correto. Mas "Ficar em Brasil" está errado. Pode ficar NA Antártida, NO México, em Portugal (ups), mas não EM Brasil, e sim, NO Brasil. Portugal nunca pode receber "no" antes de si. Mas o Brasil pode - e deve. 

Razões para isto?
Um livro esclareceria isto em três tempos. Eu que não decorei a lição na ponta da língua, não saberei explicar com simplicidade o que me parece claro. 

Any one?







sábado, 10 de agosto de 2013

Manifestações no Brasil

Epá! Vou ter de o dizer: nós portugueses temos algo importante a aprender com os brasileiros no que respeita a saber se manifestar para exigir a demissão de um político. Voltaram lá eles ás ruas, em massa, pedindo outra vez mudanças e uma demissão. E andamos cá nós a querer a demissão do PM, do PR, do Vice PM, do ministro das finanças e de todos os suspeitos de andarem metidos em contratos SWAP! E enquanto esta gente não larga o poder, andam a privatizar o país inteiro. Somos comprados por chineses, brasileiros e sei lá mais que outros. Por favor, organizem-se pessoas que sabem montar uma manifestação decente. E eu me junto a vocês. Eu e acho que Portugal inteiro!