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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A língua brasileira


Vejam este link.
Vai dar às instruções de um produto online, disponíveis em várias línguas. 
São curiosas. Vejam as diferenças entre a versão BR e PT e digam se justifica a diferenciação.

Há algo neste tipo de coisa que meche com os meus sentidos. Vejo-o por todo o lado, principalmente em locais de informação turística. Prende-se com a existência da Bandeira do Brasil ou da denominação BR para indicar a língua traduzida.

Acontece que no Brasil fala-se PORTUGUÊS.
Que eu saiba, a língua é só uma.


Por vezes não se vê a bandeira Portuguesa a ser usada como símbolo da língua de Camões em lado algum. Quando se consulta uma tour turística e pretende-se saber a disponibilidade das línguas do audiobook, quando se quer pagar em "euro" (como na imagem em cima) na qual não surge a bandeira da EU mas a italiana, francesa e espanhola.

Sim, eu sei que isto é um ELOGIO. Além de que o sermos ignorados faz com que Portugal também não ande na mira de indesejados. É um elogio porque claramente sabe-se por toda a parte que os portugueses não são burros que nem uma porta. Já os italianos, franceses e espanhóis, se não verem a sua bandeirinha... Oh Jesus.

Se não existe gente estúpida com o INGLÊS (Os manuais de instruções não vêm com inglês do UK, EUA etc), porquê o português está dividido? O símbolo da língua portuguesa é a bandeira do Brasil? O tal acordo ortográfico supostamente não veio para unificar?


O que acham disto?

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Portugal não é os EUA


Quem o disse foi o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aquando a sua presença em terras do tio Sam.

E devo dizer que, ver aquele excerto de vídeo fez o meu dia!
Se não por mais nada, Marcelo na presidência já valeu só por este momento.


Eu conto, pelos menos, uns quatro golos a zero. E vocês?
Um minuto mais excitante que uma partida de futebol :)

Só lamento uma coisa - obvia, por sinal.


O descaso dado a Marcelo.

Então uma chefe de Estado é convidado a conviver com outro e é ignorado? Que raio de anfitrião é este? A maioria das questões vão para a política interna dos EUA que Trump abraça com naturalidade, embora não diga coisa com coisa.

Marcelo ensinou uma grande lição ao homem de laranja mas também a nós, portugueses. Não somos pequenos. Temos história. Tradição. E a américa não é essa "grande potência" mundial, blá, blá, blá. Marcelo, com diplomacia, sabedoria, conhecimento, fez política, fez os "trabalhos de casa", foi preparado para falar dos portugueses a viver na América, preparado para discutir política. Com um outro líder de um país que pareceu totalmente desinteressado e alienado. Imagino só o que Marcelo não suportou até o momento em que as cameras acenderam a luz vermelha. Trump deve ter demonstrado total falta de interesse pela sua presença. Ligaram os holofotes, e o homem do show-bizz começou logo a dizer que Portugal é um "país bonito com pessoas bonitas". WTF? 

Se Marcelo fosse um líder de um país tirano, tinha sido tratado cheio de salamaleques. Como representa um país com tradição e história, pacífico, tranquilo... deixa andar. 

Devemos carregar com um pouco mais de orgulho a nacionalidade portuguesa. 
Marcelo transmitiu-nos isso.





sexta-feira, 22 de junho de 2018

Os Estados DEsunidos da América no FB hoje


Sempre a bater na mesma tecla...
Certo. Mas será que se importam ou se aproveitam?

Um cartoon cuja autoria desconheço mas bem poderia
ser Charlie Hebdo. Versão extra-soft

link aqui

Link aqui

Link aqui
Para eles é O MEU LADO e o TEU LADO.
O bom e o mau. Vale TUDO.


Há sempre alguém pronto a ir a um arquivo audiovisual para deixar mal visto um político do partido da oposição. Tudo é distorcido e descontextualizado. A América é mesmo um NOJO. Perderam (se alguma vez possuiram) a noção de  humanidade.  

Em mentalidade, ainda vivem no faroeste, ainda estão presos na era do massacre aos índios e a ser massacrados. Não sabem fazer melhor. Os altos arranha-céus, as grandes infraestruturas... tudo para "inglês ver". Em mentalidade, ainda vivem todos numa cabana improvisada com paus de árvores e cagam em buracos escavados na terra. Se bem que tenho cá a sensação que nem se davam ao trabalho de os escavar. Era mesmo deixar a merda à superfície. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Claudette ainda está viva!


Há muito tempo que não via um filme.
Na TV estava a começar "Homens de Negro III". Já não me recordava da história.



Há uma parte que me chama a atenção. Quando J se prepara para viajar no tempo até o ano de 1969, é avisado para ter cuidado pois aquela não era uma boa altura para a «sua gente». "J" (Will Smith) é negro e daí a referência à América de 1969. A história avança e já se sabe que J descobre quem era o seu pai: um general militar encarregue da segurança do cabo Canavial. E sim, o pai de J é negro. 


Então fiquei a pensar na referência. Como era a américa para o negro, em 1969? 
Podia o pai de J ser realmente um general tão importante? Era o filme verosímil?



Fui pesquisar. E descobri que em 1969 jamais poderia um negro estar a ocupar uma posição no exército americano, menos ainda como general, cheio de subalternos que à primeira ordem obedecem sem sequer questionar o que lhes é dito. Não poderia quando, apenas alguns anos antes, ainda estavam a lutar para poder frequentar a mesma escola que os brancos. 

E então vi uma fotografia. De uma senhora chamada Rosa Parks.
Basta o nome, para saberem quem foi, certo?
Espero que sim...

Nós, em Portugal, somos tão bombardeados com história americana que é natural que a maioria saiba que Rosa Parks ficou «mundialmente» conhecida por se recusar a ceder o lugar que ocupava na dianteira de um autocarro. E rosa era negra.

Ou melhor: mulata. A primeira surpresa que apanhei ao olhar o seu retrato foi o quanto estava mais para branca do que para negra. Ao fundo vê-se o rosto de um senhor, de tom de pele mais escuro, e isso até destaca o quanto Rose era, afinal, mais clarinha de pele do que escura.

Se bem que, naquela altura (e suspeito que até hoje mas de forma totalmente oposta) qualquer indício de um tom de pele para o diferente do pálido podia ser visto com maus olhos. 

Aqui fica a imagem de Rosa Sparks.

Uma mulher bonita, espantosamente parecida... com qualquer mulher de outras etnias.
Se fosse possível mudar o tom de pele como faz o camaleão, podia encaixar na perfeição em qualquer etnia. Rose possui o prototipo de beleza que se ajusta a todas, bastando para isso, mudar. Se tivesse a cor de pele mais escura e a usar um véu, podia passar por muçulmana, com um Bindi (pontinho vermelho no centro da testa) passava bem por indiana. Também passava bem por mexicana e, se totalmente branca, também ia «encaixar» perfeitamente nos traços gerais dessa etnia e assim sucessivamente.

Não vos parece?


Em Montegomery, Alabam, EUA, ela sentou-se num autocarro, num lugar que estava vago à frente, e  recusou-se sair e ir viajar de pé no fundo do veículo, quando o motorista lho pediu, visto que a secção destinada aos brancos (onde Rose se encontrava) já estava cheia e a norma era os não-brancos terem de ceder os seus lugares caso o autocarro lotasse. Isto aconteceu a 1 de Dezembro de 1955, exatamente nove meses depois de Claudette Colvin ter feito o mesmo, na mesma cidade, num outro autocarro. 

Sim, perceberam bem: este ícone e símbolo da luta pelos direitos, apelidada até hoje de "primeira dama dos direitos civis" e "mãe do movimento pela liberdade" não foi pioneira em coisa alguma. Na verdade, nem sequer Claudette Colvin, na altura com apenas 15 anos. Claudette, no dia 2 de Março de 1955, foi presa, juntamente com outros, por se recusar a fazer exatamente o mesmo: ceder o seu lugar dianteiro no autocarro que estava a encher de passageiros. Mas a sua recusa - pasme-se, também derivou de uma circunstância em que a iniciativa partiu de outra pessoa. 

A dois de Março de 1955 Claudette sentou-se dois lugares de distância da saída de emergência na secção dos "coloridos". A convenção da altura ditava que, caso o autocarro ficasse cheio e os supostos "lugares para brancos" na frente não estivessem disponíveis quando uma pessoa branca entrasse, um negro que tivesse sentado teria de levantar-se, ir para a secção de trás do autocarro e viajar de pé, para ceder o lugar ao branco, pois a companhia rodoviária impunha essa prática anti-constitucional. 

(é o que dá não fazerem autocarros segregados, ahaha. Pois, a lei já não permitia...)

Nesse dia uma mulher branca entrou no autocarro e já não tinha lugar sentada. O motorista, Robert W. Cleere, cumprindo o estipulado, mandou que Claudette e outras três mulheres negras sentadas na mesma fileira de assentos, se levantassem e fossem para a traseira do autocarro. As outras três levantaram-se e foram. Mas aí uma mulher negra grávida, Ruth Hamilton, entrou e sentou-se ao lado de Claudette. 
(fica esquisito entender como entra uma mulher negra e grávida na história e a branca que estava de pé terá se sentado?)
O motorista observou pelo espelho retrovisor e pediu para que saíssem. Ruth, a grávida, disse que não ia levantar-se pois pagou o bilhete e não lhe apetecia ficar de pé. "Então eu respondi ao motorista que também não ia sair do assento" - contou Claudette. 
-"Se não se levantam, eu irei chamar a polícia".
A polícia foi então chamada e convenceu um homem negro sentado atrás das duas mulheres negras a ir para o fundo do autocarro, de modo a que a sra. Hamilton, que estava grávida, pudesse viajar sentada. 
(nossa, que o cavalheirismo continuava morto até nestas alturas! Um homem assiste a mulheres a viajar de pé e não cede o seu lugar? Nem em 1969? Nem a uma grávida?? PORRA! Não esperava esta desilusão...)

Feita esta troca, Claudette continuou a recusar-se a abandonar o lugar onde se sentou e gritou que era um direito constitucional seu. Foi removida à força do autocarro e presa pelos dois policiais que compareceram à ocorrência. (Só dois, hoje seriam uma dezena), acusada de perturbar a paz, violar a lei e conduta violenta.


Como disse, isto aconteceu na mesma cidade de Rose Parks, mas 9 meses antes. Claudette contou que, quando se recusou a sair do assento, estava a pensar num trabalho de casa que tinha escrito naquele dia sobre o costume local de impedir negros de experimentar roupas nas lojas de venda de vestuário e usar as cabines para esse propósito. 

-"Não podiamos experimentar as roupas. Tinha-se de usar um saco de papel castanho para desenhar os contornos do nosso pé e levá-lo para a loja". 


Porque não é Claudette, então, a "filha do direito pela liberdade"?
Claudette Colvin em 1953

Como a descriminação sempre existiu (e sempre existirá), acontece que Claudette era uma miúda muito nova, dizia-se que tinha engravidado de um homem casado e isso era extremamente mal visto na altura... Há coisas que demoram mais tempo a mudar do que o racismo: a condenação social de uma mulher solteira que não é mais virgem e engravida, por exemplo. Não há cor que se sobreponha à descriminação de género.

Adiante: Antes de Claudette Colvin ou Rose Parks existiram, documentados, casos que remontam até o ano de 1942. Curiosamente, excepto pelo primeiro, só exemplo de mulheres...  Bayard Rustin é a excepção e encabeça a lista documentada na wikipédia do pioneirismo dos freedom riders, por ter recusado sair da segunda fila do autocarro numa viagem de Louisville para Nashville, corria o ano de 1942. O «pobre» rapaz, além de activista pelos direitos dos negros, também defendia a causa gay... (pensando bem, faz sentido). Ui! Conseguem imaginar o fardo?? Que coragem! Ou falta dela...

Bom, figuras "controversas" não eram bem vistas fossem negras ou brancas. Por isso, tanto Bayard, que era gay e conhecido por proceder a encontros sexuais na via pública com prostitutos brancos (aqui a cor sempre teve pouca importância, não é mesmo?) quanto Claudette foram um pouco afastados (bastante) das luzes da ribalta pelos próprios colegas de causa, que pretendiam pessoas menos controversas. 

A surpresa é que Claudette é viva!
De toda esta geração surpreendente de pessoas que SABIAM na sua maioria, o que é ter uma causa e lutar por ela (o que me entristece que hoje se faça uma palhaçada de tudo e se envergonhe com lama a nobreza dos gestos destes pioneiros) Claudette é a única que ainda habita o planeta terra. Tem atualmente, segundo o wikipédia, 78 anos. 


Voltando ao MIB 3, a história perdeu toda a credibilidade assim que apresentam o pai de J. como um homem negro, que chegou a uma patente bem elevada no exército, corria o ano de 1969 e o dia e hora do lançamento dos astronautas americanos à Lua.

Tivessem feito o pai de J um homem branco e a história, além de verosímil, teria ficado bem mais interessante! Será que J alguma vez teria imaginado ser filho de homem branco? Esse detalhe ia ajudar, inclusive, a eliminar remanescentes noções de racismo. Afinal ia mostrar que o herói, o homem de quem todos gostam, é, afinal, filho de pais de etnias diferentes. 

E já agora, a "pioneira" Rosa Sparks, clarinha como era e com aqueles traços em que nem o cabelo saiu igual ao característico da etnia negra, tinha ascendência irlandesa. 

É mesmo uma estupidez descriminar por género, opção sexual ou cor de pele.
Descrimine-se sim, mas pelos motivos certos: falta de carácter, malícia, falsidade...


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Não se ACHA nem nada....


Sim, pois claro. E os americanos que votaram não contam... lol. 

sábado, 1 de outubro de 2016

A palhaçada nojenta, repulsiva (Está tudo louco lá pelos States?)


Isto é absolutamente NOJENTO.

Vi uns meros 45s deste curto excerto de vídeo e logo senti repúdio. Mas não pelo motivo apontado.
SUPOSTAMENTE o vídeo é sobre a alegada matança racista da polícia a cidadãos negros. Não sei as circunstâncias mas aparece uma criança negra numa espécie de assembleia a falar num microfone. Uma CRIANÇA. Que diz, tensa e depois a chorar: "Não sei porque nos estão a matar. É uma vergonha não termos os nossos pais e mães connosco e temos de os ir visitar ao cemitério e enterrá-los". 

LOL.
O tempo todo escuta-se uma voz de mulher adulta a incentivar a criança. Cada vez que esta criança repete algo que lhe foi ensinado, a voz feminina reforça: "é isso mesmo! Certo!". A certo ponto a voz ordena, num grito: «Não pares de falar!»




Já dá para perceber o repúdio e nojo que estou a falar?
Estão a usar uma criança para tentar dar credibilidade a algo que não tem fundamento. Pior: estão a usá-la como lenha para aumentar as labaredas de um conflito racial e a traumatizá-la fazendo-a acreditar que a sua vida corre perigo! A criança acredita que os brancos polícias - embora estes também venham noutras cores - andam a matar os que têm a cor de pele escura. A criança chora, a mulher adulta rejubila. Porque o que importa para esta gente é meter lenha na fogueira, é incendiar os ânimos, é fazer da polícia os maus da fita e dos da raça negra os eternos sofredores da opressão e racismo.

A polícia atingiu a tiro um indivíduo. As circunstâncias não conheço, mas julgo que foi a do suposto cigarro... Mau? Sim, se for verdade. Mas daí a extrapolar para uma «caça ao negro», ao ponto de uma criança acreditar (porque foi alimentada para isso) que os pais e mães vão todos a enterrar no cemitério e dizer que «estão a matar-nos» é um exagero e é NOJENTO. É também um enorme DESRESPEITO para com a história e todos aqueles que realmente, no passado, viveram isso na pele. Mas agora nesta altura e nesta sociedade? Em que os direitos são iguais, em que todos estudam, em que todos contam com incentivos e subsídios?? Só pode fazer as reais vítimas de assassinato racial virarem-se nas campas. 

Nos EUA referir-se a um indivíduo como BLACK é socialmente repreendido.
O politicamente correto exige que algo que é real seja substituído por uma outra expressão:
Americanos-africanos. Lol.
NEGRO foi a primeira palavra a ser estritamente proibida no léxico.
A seguir segui-se o preto (black) que, além de tudo, é uma palavra inocente por fazer parte de uma cor da paleta de cores...
Ainda assim, proibida de mencionar perto de qualquer indivíduo de pele escura OU mista.
Exigem o termo acima: African-Americans. Menos quando não é conveniente: em manifs. Caso alguém se pergunte se o inverso também se aplica, a resposta é não.
Nos EUA pode-se dizer Branco, referindo-se a uma pessoa. E até se podem usar termos mais preconceituosos.
Não são proibidos. Podem não ser agradáveis mas não são oprimidos.
E ninguém diz Americanos-Europeus ou Americanos-Caucasianos.

Incomoda-me esta propaganda. Em bairros e zonas com muita gente de raça negra, se um indivíduo é morto pela polícia, começa de imediato uma rebelião mediática. Sempre. Sem excepção. 

O que há de não natural no acto? Deviam ter acertado no único branco que ali vive? Não. Entre 90% de negros e 10% de brancos... fazem um banzé e vão às televisões acusar a polícia de ser racista.




Não é assim. Estão a causar um grave distúrbio social e a inutilizar a força policial. Mediatizando-a de "lobo mau", que caça negros. A polícia não é isso! A polícia desempenha uma função dificílima, têm uma profissão de elevado risco de morte, e tudo isto ainda vai pior mais as coisas, pois está a ser transformada num alvo. E assim a polícia percebe que qualquer cidadão pode ressurgir-se contra si, devido a toda esta propaganda de gente canalha. O que só pode resultar em mais desgraças. Ou a polícia hesita num momento crucial e perde a vida, ou nem hesita um segundo e dispara primeiro, fazendo perguntas depois. 

Está tramado das duas formas. Preso por ter cão, preso por não ter... Com certeza mais incidentes envolvendo disparos policiais e cidadãos negros virão a acontecer, exatamente por causa desta melodramática mentira. O stress está no pico e antes disparar que apanhar bala...

Então de quem é a responsabilidade? Digo: estes rúfias das manifs nas redes sociais e mediáticas têm responsabilidade, e muita. Por estarem tão empenhados em exacerbar os factos. Acho terrível esta menina dizer "porque é que nos estão a matar?". Porque não estão. E o uso de "nos" é um termo aqui usado como elemento de exclusão. Quando ela pergunta isto eu tendo a pensar: mas quem é «nós»? Nós crianças? Nós pessoas? Nós humanos? Porquê sempre a distinção? Quem a quer manter, afinal? Só se forem os racistas. Esses devem exigir essa distinção.



Estive para vir aqui escrever sobre um assunto que me chamou a atenção e aproveito agora para o fazer. Estava a fazer zapping e aparece um daqueles shows reais, sobre o dia a dia de um polícia. Apanho apenas o final. Um rapaz acabara de se formar, passou em todos os testes, graduou-se. O instrutor está a dar-lhe as últimas dicas e a dizer-lhe para o contactar com qualquer questão. Eu vejo o jovem graduado e fico espantada. Era um menino! Tão jovem, tão rapazola... parecia também algo ingénuo, idealista... Mas achei-o novo demais e pensei: «é capaz de não durar muito tempo na profissão». Aí a câmara segue-o na viatura, onde ele relata como foi tenso o primeiro serviço no cumprimento ao dever, com tiroteios trocados... E depois o programa entra no final. O ecrã vai a negro e surgem palavras a dizer que o "policia «João»" morreu nos dias seguintes, no decorrer da função.

E fiquei em choque, quase. Por praticamente o ter adivinhado. Toda aquela sua juventude...  Ninguém fala das vidas que se perdem quando tudo o que se pretende é ajudar as pessoas. E tudo o que ele queria era servir a justiça, ajudar as pessoas, resolver conflitos... Uma bala terminou isso para sempre. Foi para o caixão, levou com a bandeira americana em cima e foi direitinho para o cemitério.


Todos os colegas choravam, desgostosos. Tão pouco tempo em serviço... Será que fizeram algo errado? Ou poderiam ter feito alguma coisa para o evitar? Culpam-se e ao mesmo tempo sabem que não têm culpa, é a profissão. Mas desses, ninguém fala. Também foi parar ao cemitério, morto por um bandido qualquer. Deixou mãe e pai devastados, a chorar a vida de um filho que não chegou a criar família própria. Não teve tempo.