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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Após os impostos


Espero que isto do Brexit não venha estragar-me a vida. Porque se há coisa que neste país se faz em boa quantia é Pagar Impostos.

Estava a precisar ganhar mais ao final do mês. Mas isso pode implicar uma mudança de impostos, o que implica também mais descontos. Este é o país em que é preciso fazer contas. Porque até arranjar dois empregos pode ser menos vantajoso do que ter só um - se o que se ganhar num for o equivalente ao que depois se paga em impostos!

Por mês pago 450 de renda - o que é pouco para a área. Tenho o passe dos transportes - 70. E em impostos é também 70 - mas por semana, o que totaliza 280 por mês. Tudo somado, se não fizer despesas de outro género (como comida, lol) gastos fixos são de 850 libras. 



Não ganho muito mas certamente que estou melhor do que conseguiria ganhar em portugal, fora da minha área. 

Dito isto, hoje fiquei a saber que não vou conseguir abrir uma poupança porque não preencho os requisitos necessários. Ou seja, não ganho dinheiro suficiente ao final do mês.


Quando se medem as coisas pela batuta inglesa já não soa tão bem...

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Até deu vontade de chorar!


Quando naveguei pelos meus emails à procura da data exata em que frequentei um curso, surgiram dezenas de resultados de... candidaturas a emprego. Está ali tudo: desde 2011 a 2015. Inúmeras tentativas nas mais diversas áreas - algumas onde sei que teria me saído muito bem, tivessem me dado a oportunidade.

E este simples contacto com esse desespero esperançoso quase me fez chorar. É TRISTE ver o quanto se tentou, o quanto se lutou, o quanto... para NADA.

E por isso não me incomoda a ideia de ficar a viver neste país.
Enquanto houver emprego fácil de arranjar, sou feliz.

Não quero nem me sinto capaz de me sujeitar e de sobreviver novamente às amarguras da busca por emprego sem resultados... Por semanas, meses, anos... Só de pensar... Nem quero pensar!

Ele foi candidaturas para isto, para aquilo, para dentro da área, para o lado da área, para o oposto da área... N A D A.


É por esta razão que sinto-me bem em continuar por aqui, a fazer o que tiver que fazer, a ganhar as minhas 9 libras à hora... (ehehe, não soa mal, pois não?  Dentro dos empregos do género é bem pago, mas no final do mês e depois dos enormes impostos, ganha-se um pouco menos que o salário de uma pessoa de qualificações médias em Portugal). 

Em Portugal dificilmente tenho futuro. O que me aguarda aí caso desista disto aqui é simplesmente esse passado. Essa angústia e depressão que ainda é o presente de muitos que tentam se empregar em Portugal. Principalmente para os que já passaram dos 30.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Vencimento auferido


Acho importante partilhar convosco que, quando solicitei uma carta de recomendação e me deram um comprovativo de emprego padronizado, o mesmo terminava com esta referência: «Auferindo um vencimento de xxx€ mensais».

LOL


E eu lá quero que uma carta refira o meu salário???
Em princípio o objectivo de todos nós é evoluir, ganhar mais. Principalmente com a inflação. O salário que se pretende auferir ou aquele auferido no passado numa outra empresa é um dado opcional, no máximo deve ser mencionado em entrevistas cara a cara, não em cartas impessoais e padronizadas. Imagino um potencial empregador a receber aquela informação. Vê o valor e pensa: "Bom, se aqui concordaste em receber apenas isto, então vou oferecer-te menos 100€". 


E sei que é assim que funciona. 
Portanto, esta alteração só serve para os ajudar a eles.

O trabalhador continua sem ter referências sobre a sua prestabilidade, dedicação, assiduidade, capacidade de «desenrasco», etc. Apenas recebe uma carta que o trata como um número e um objecto, que ocupou uma função mencionada mas não especificada, numas certas datas. Com a agravante de, agora, mencionarem a miséria de salário. 


A intenção? Diminuir-lhe o valor profissional. Até porque a pessoa trabalhou por uns anos, no presente está mais velha, logo,  perde também o seu valor por pela idade.  :o(

É assim que a maioria pensa e age.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sem Noção


As notícias têm divulgado que José Carlos Malato sofreu a 3ª redução de ordenado e, desta terceira vez, reduziram-lhe o valor para 50%. Quando li isso pensei:


Sem noção. Mas quem está sem noção? Serão eles ou serei eu? Se calhar sou eu, que se me candidatar a um emprego na RTP provavelmente sou contratada a recibos verdes ou levo um contrato provisório com ordenado mínimo. Mas o Malato, na sua terceira redução e com um corte de 50% passa a auferir mensalmente 7500€00!!

E eu pergunto: o que é que ele alguma fez lá ou onde quer que seja que justifique ter recebido, já com corte, 15000€00?? Nem os 7.500€ que vai passar a auferir se justificam!
Estes grandes salários para figuras que se tornaram popularuchas sabe-se lá como não correspondem à realidade social portuguesa. Ele que volte para a rádio para descobrir se aufere um salário parecido a este. Ou o dobro, já agora! Porque isto simplesmente não existe. São salários desproporcionais com a realidade. Sim, eu sei que se trabalha nos bastidores, que não é por não o ver constantemente no ecrã e nunca ter visto nada onde o achasse de mais valia que é justo deduzir que lá não faz falta alguma. Por mim ainda lhe podem fazer mais um corte, até chegar, a um máximo de 1500€. E já seria de lamber os beiços! Este comentário nada tem a ver com inveja, dor de cotovelo e seja lá que sinónimo mais existir. Simplesmente o valor continua a ser um absurdo. 

Ou sou eu que estou Sem Noção?




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

8.000€ de salário mensal.... ia ou não ia?


Ainda estou "abananada"  ;)
Calhei ver um link com ofertas de emprego dentro da Comunidade Europeia e como não tenho nada a perder, fui espreitar. Anseio por uma mudança, preciso estar rodeada de outro ambiente, quero trabalhar e ao mesmo tempo aprender, num ambiente diferente e fazê-lo rodeada de pessoas de diversas nacionalidades é aliciante. O problema destas ofertas de trabalho é que são muito específicas (advogados, técnicos, engenheiros, tradutores, etc) e mesmo quando aliciam por um lado, cortam por outro, sendo o mais taxativo os anos de "experiência profissional". 
Para meu espanto encontrei candidaturas abertas a quem tem apenas o secundário, outras que me aliciaram em particular, destinavam-se a quem tinha doutoramento, mestrado e pós-graduação. Os inevitáveis suspiros surgiram quando comecei a ver qual era o valor do salário mínimo auferido. Eis um exemplo: entre 4.800,00€ e 7.900,00€.

Portanto, se tem menos de 55 anos, possuir Licenciatura, bons conhecimentos de línguas, Direito, economia e contratos, pode candidatar-se ao cargo de "Responsável de contratos/Aquisições", da Agência Espacial Europeia e, com sorte, daqui a uns meses estar a trabalhar na Holanda. 

PS: Se conseguir um cargo, ponha uma cunha para mim! Estou mesmo interessada lol   :)

terça-feira, 31 de março de 2009

Chorar para Mamar

Dizem que não têm inveja de pessoas com dinheiro, mas não páram de comentar o quanto é injusto viverem com o que dizem ser pouco, quando outros têm tanto e nem se esforçam.
Estas teorias "de bolso" deixam-me entristecida com o futuro da humanidade. É fácil dizer estas coisas. Difícil é olhar para o próprio umbigo e assumir que nos outros se projectam os próprios defeitos e as críticas que lhes fazemos é pura inveja.
Observo isto todos os dias. Volta vai, volta vem, oiço pessoas a falar do quanto "estão pobres". Como salário, recebem cerca de 1500 euros por mês, mas estão sempre tesos. Tão tesos, que comem do prato dos outros, atacam todas as sobras da sobremesa alheia, e fazem com que os outros lhes paguem o cafezinho. Tentam passear em carros alheios, dormir na casa de amigos, comer e tratar da higiene na casa dos outros, a consumir o shampôo dos outros, o gás e a elctricidade dos outros e quando convidam alguém para algo, têm uma intenção oculta, que normalmente é dar paleio para fazer com que lhes dêm dinheiro «espontâneamente». Pedincham tudo e mais alguma coisa.
Fazem-no com grande habilidade. É-lhes quase natural. E quase não percebem (ou não assumem) aquilo que são! Falam como se fossem os únicos a ter despesas. Como se os que os escutam também não tivessem rendas de casa para pagar, gasolina para colocar, supermercado para fazer. E fazem-no com menos dinheiro!

Estes são "tio Patinhas" de araque, sem filhos para sustentar e grandes "cravas" de favores alheios. Só se queixam. Invejam-lhes os carros, as roupas, o estilo de vida, o suposto dinheiro...


Ultimamente tenho reparado numa "estirpe" em particular. Nas pessoas que dizem ter sido criadas entre gente com muito dinheiro, mas que não vivem com o mesmo nível económico. Louvam-se a si próprios, por trabalharem com relativo sucesso profissional, mas se acham mais do que aquilo que valem. Escolheram profissões de alguma alta rentabilidade e pouco esforço. A maioria das profissões requerem raciocínio, acumulação de informação, selecção e divulgação mas as escolhidas por estas pessoas não lhes prendem desta forma. Normalmente, não cumprem horários e conseguem dedicar-se a outras actividades durante o horário laboral. Como ir fazer uma manicure, uma limpeza facial, ir ao café, ao médico, ir namorar, etc...

Quando sabem que um colega pensa num aumento de salário, a coisa não lhes cai bem. Se um colega mal pago desabafar que precisa de ganhar mais dinheiro, respondem-lhes que precisa de arranjar outro trabalho. Isto vindo de pessoas que poucas vezes põem os pés na empresa onde trabalham! Quer dizer: os que mais trabalham recebem menos para sustentar os que menos gostam de trabalhar, a ganhar mais...


Bravam ao vento que são pessoas que se emanciparam cedo. Mas a dita independência continua dependente do jantar da mãe, que ainda lhes lava e passa a roupa a ferro, lhes fazem recados e lhes dá dinheiro quando começam a «chorar para mamar».

As aparências enganam tanto!