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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

DIFERENÇAS entre o UK e o resto da Europa

 

No UK nunca vai ver isto:

                                                                     1 - ESTORES




                                                    2 - CASAS SEM RADIADORES


                        3 - AUTOMÓVEIS COM VOLANTE À ESQUERDA

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Enfrentando raposas e seres humanos

Costumo avistar raposas quando caminho de noite para casa. Estão sempre no centro da cidade, esfomeadas mas não agressivas para com os humanos. Vasculham o lixo em busca de restos. Não gostam de bolachas. Era a única coisa que tinha para lhes dar. Uma ainda comeu a primeira  vez. Mas não voltou para mais. O que temo não são raposas. Essas não fazem mal, nem mesmo quando com fome. A espécie mais temida é a semelhante.

A essas horas, seja lá com quem te encontrares na rua, não está ali a fazer grande coisa. Ontem de noite era um bando de oito rapazes, uns a pé,  outros de bicicleta e uns dois com cães,  que pareciam danados. Foi o rosnar e latir raivoso destes que despertou atenção. Não fosse esta ser uma nova moda para assaltar pessoas, fiquei, como sempre, atenta ao meu redor.

No Domingo às 8 da manhã vi um ex colega na rua, do outro lado da estrada e gritei-lhe: olá. Estava a ser abordado por um adolescente cabeludo, de boné na cabeça e saco plástico na mão, que logo atravessou a estrada na minha direcção. "Quero saber o teu nome" disse-me ele aproximando-se cada vez mais. "Seja lá o que for que queres, não tenho" -respondi. Ele insistiu, pedi-lhe para manter a distância e ameacei chamar a polícia caso me chateasse. Conto isto porque esta interacção aconteceu na presença do ex colega, que nem levantou a cabeça para seguir a minha voz e diante de um funcionário camarário, que conduzia um carro de limpeza. Este pôs-se a olhar mas quando repeti que chamava a polícia recuando uns passos para ficar paralela ao funcionário, certificando-me que era testemunha e me ouvia, foi quando este fingiu não perceber o que se passava.

A sorte de viver neste pais é que a simples menção de policia é dissuasora. Nada te safa quando os bandidos perceberem que a polícia é mole, podem fazer tudo que se existir ajuda chega tarde e o cidadão comum é incapaz de interferir apenas por dar a entender à pessoa a causar disturbios que está ali a testemunhar e poderá escolher intervir.

Nem o ex colega deu um berro, nem o funcionário gritou. É cada qual "na sua vidinha" nada têm a ver com a dos outros.





domingo, 15 de março de 2020

Regresso ao Reino Unido e o Covid-19


Estou de volta ao Reino Unido, de regresso à vida numa casa partilhada com assistentes de bordo italianos. Aparentemente está tudo bem. E assim pretendo que continue. O medo mesmo, reside na falta de acção do Governo e no Sistema de Saúde. Não parece que existam medidas a ser tomadas para prevenir seja o que for. Escolas não fecham, ajuntamento de pessoas não tem qualquer nova regra imposta, os centros comerciais continuam a abarrotar de gente... está tudo a levar a sua vidinha como se nada fosse. Em caso de sintomas de gripe, o NHS (sistema de saúde) não quer saber se se trata de COVID-19 ou uma simples constipação. Dizem que qualquer pessoa que tenha sintomas deve"ficar em casa". 

E é só isto. É isto que o SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE BRITÂNICA tem para oferecer aos seus cidadãos: absolutamente N_A_D_A. Eu pergunto: se for o Covid-19 que a pessoa tem, como é que entra para as estatísticas? Só se  vier a falecer e então ser-lhe facultado o teste! Se sobreviver, nunca saberão se o que a afligiu foi o Covid ou não. Ou será que à posteriori já aceitam que a pessoa seja testada só para aproveitamento político, do tipo, "curaram-se X", ainda que nenhuma cura esteja relacionada com a acção dos governantes e do sistema de saúde mas à pura sorte?

E quantas pessoas de saúde mais fragilizada, como doentes, pessoas que sofrem de asma, diabetes, pessoas mais idosas com o sistema imunológico pouco resistente... essas, o governo está a condenar à sua própria sorte. E os factos dizem qual é: a morte.
É uma postura vergonhosa e se nada mais me incentivar, esta falta de consideração pela vida humana dos próprios contemporâneos confirma aos meus olhos o quanto se pode contar com o governo britânico em caso de verdadeira necessidade. Não se pode. Em que país vou ficar a morar??


Mas vinha falar de outro tema: no vôo de regresso, fiz uma paragem no Porto. Aproveitei, ainda com receio mas tomando todas as precauções, para dar um pulo à cidade. Mantive-me afastada de pessoas, mas foi difícil, porque as havia por toda a parte. Quase todas turistas. A zona ribeirinha do Porto estava lotada de gente, que por ali se aglomerava até bem depois da hora de almoço. Inclusive carteiristas, disfarçados de vendedores de óculos escuros. Nenhuma pessoa usava luvas ou máscara. Só no metro é que encontrei algumas pessoas com máscaras no rosto. 

O mesmo verifiquei em Lisboa, no curto período de tempo que caminhei pela Gare do Oriente, querendo "matar" saudades do rio. Muitos turistas, todos despreocupados, a turistar e alguns jovens - também eles estrangeiros, outros talvez nacionais. Dentro do shopping, muita gente e o supermercado Continente, lotado de pessoas. 

Mas quero também partilhar outra coisa que notei e que é de louvar: a preocupação dos gerentes em sanatorizar os espaços. Vi os corrimões das escadas rolantes do centro Vasco da Gama a serem desinfectados, a WC onde precisei de ir estava bem limpa e no geral, notava-se que o comércio tinha consciência do vírus, havendo aqui e ali quem estivesse de luvas e máscara. 

No aeroporto de Lisboa, a mesma coisa: muita desinfecção, o WC no qual entrei foi o mais limpo que alguma vez vi. Nas palavras apanhadas aqui e ali pelos funcionários, notava-se preocupação e também cada qual tinha a sua opinião sobre a medida a ser tomada: encerramento total do espaço aéreo - foi a que mais escutei. 

Uma vez no Porto, verifiquei que os mesmos cuidados estavam a ser tomados. Consegui registar isto aqui: a limpeza de uma das paragens de metro.


Mas também entrei num outro centro Comercial, um perto de um oculista de nome "Adão", onde fui por precisar de um WC e, quando nesse espaço quis entrar, tive de esperar à entrada onde um fita me impedia a passagem, pois o mesmo estava a ser limpo. Cá fora, mais um corrimão de escada rolante a ser desinfectado...

Portugal a tomar precauções. Muito bonito de se ver.

(já o UK...)

Espero não me arrepender de ter regressado a este país, onde, claramente, corro maior riscos de contaminação. Tudo pelo trabalho... que me ocorre agora poder vir a desaparecer. Por causa do vírus em si. Com esta falta de controlo, vivendo tão perto de um aeroporto, com a descida de encomendas e exportações, o mercado económico está a sofrer imenso com o Covid-19. Maldito ano de 2019 que chegou mesmo para nos dar terríveis experiências! Este vírus começou em 2019 e «transitou» para o ano seguinte. 

Mas nem tudo é mau e quero partilhar convosco outra impressão com que fiquei durante a minha rápida passagem pelo Porto. Nomeadamente pelo aeroporto do Porto... Então não é que cada gajo que ali estava a trabalhar, desde o tipo do café, a um outro qualquer atrás de um guiché, ao ground-force (equipa de terra) que aparece para fazer coisas no avião, até aos tipos da segurança ou do check-in... tudo homem bem constituído, interessante. Um ou outro com um tom de voz daquela que me faz sentir como se escutasse uma melodia de embalar... só que sexy. 

Zona ribeirinha, Porto, pós emergência Covid-19, dia 14 de Março 2020

E por fim, desta vez dispensei a Easyjet e voei pela Tap. É uma companhia aérea que pode nos dar dor-de-cabeça antes da viagem. E o aeroporto de Lisboa é sempre caótico, pequeno, desorganizado... Mas uma vez dentro do avião na viagem em si, tirando os passageiros barulhentos e que parece que ali viajam todos os que não aprenderam que é para usar auscultadores nos ouvidos se forem ouvir músicas ou ver filmes, a equipa a bordo é sempre simpática. A comida não é vendida. Se fizer parte do "pacote" do bilhete, tens direito a ela. E esta é-te dada com simpatia e cortesia. Nada de te "enfiarem" aquilo à frente dos olhos com ar de frete... Acho até que se pedires reforço de bebida eles dão-te-na, sem cobrar. Fiquei na dúvida, após o casal ao meu lado pedir uma segunda cerveja. Não vi quaisquer trocas de dinheiro.

Muito diferente da companhia aérea laranja, que tem como objectivo a venda a bordo, o lucro, lucro, lucro! E se formos a ver, diante de certas condições (como a stop-over no Porto que até foi mais uma vantagem que desvantagem), a Tap faculta passagens económicas. Infelizmente não tanto quanto as que faculta caras. A mesma passagem de Lisboa ao Porto custaria quase 200 euros, caso o meu destino final fosse esse. Um horror! Fiquei até pasmada a olhar para o monitor. Lisboa-Porto não devia ser mais que uns 50 euritos... Mas como o meu destino final era esta terrinha onde chove e faz frio (já a sentir falta do sol que encontrei em Portugal), o preço do bilhete não chegou a 50 euros. 


Acabou de me ocorrer um facto que não aprecio mas que constatei ser real: cada vez que me demorei pelo Reino Unido, levei comigo para Portugal algo mau e de efeitos duradoiros. A primeira vez que pisei nesta terra, foi como aluna Erasmus. E foi quando apanhei a minha primeira gripe. Fiquei de cama, tudo doía e não conseguia mexer-me. Nos anos seguintes - três, quatro o que não é pouca coisa, apanhava constipações fortes com extrema facilidade, várias no inverno, sendo que a última deu-se em pleno verão. Antes disso era raro. Todos tinham ar condicionado ligado devido ao calor e aquilo para mim era um suplício, causava-me ataques de espirros que não conseguia conter. E sentia muito frio. 

Pensei estar "condenada" para o resto da vida, ter ficado com o meu sistema imunológico comprometido, tudo devido a um virus inglês que apanhei na Inglaterra. Pouco depois vim trabalhar uns meses para o Reino Unido, e, mais uma vez, surgiu um "surto" qualquer no local de trabalho, julga-se que com o sistema de água, que fazia com que a pele das pessoas ficasse seca, gretada, solta. Apanhei isso na minha mão direita e desde então "tenho" comigo essa condição adormecida. Regressou no primeiro ano que emigrei para cá e trabalhei num restaurante, onde lavar as mãos, ter as mãos húmidas, sujas, esfregar e limpar era rotina constante e diária. A coisa "surgiu" novamente mas com muita força. Fiquei com as mãos a sangrar e todas peladas. Numa consulta médica com um dermatologista em Portugal fiquei a saber que não era uma bactéria, era um vírus e que não tinha cura. Só podia gerir a coisa. Como?
-"Não lavar as mãos" - respondeu-me ele. 
- "Não posso lavar as mãos?! A sério?" - disse, incrédula e sabendo desde logo que isso era impossível. 

Não posso ter as mãos húmidas.

Escusado dizer que não cumpri a  recomendação do médico, continuo a lavar as mãos com muita frequência, devo tê-las lavado ontem somente umas 100 vezes. Mesmo de luvas, lavava-as a cada toque no telemóvel para tirar uma foto, para consultar alguma coisa, cada vez que precisei ir ao WC... muitas vezes lavei eu as mãos. Mas não se preocupem: a mão nunca mais apresentou os sintomas. Às vezes dá a "coceira", sinto-a ligeiramente áspera... mas passa. A pele, contudo, nunca mais ficou a mesma. Pouco se nota. Está "mais solta", mas só eu sei disso.

Sempre intuí que, cada vez que pisasse no UK, regressaria com uma mazela qualquer. 
Tenho vivido aqui nos últimos anos. Por vezes ocorre-me este pensamento. E fico a imaginar o que aí virá. Agora temo que a próxima mazela seja o Covid-19.

Se o apanhar, segundo o NHS, devo ficar "fechada em casa" e isso significa condenar todos os que cá moram a quarentena e também, à possível contaminação - caso não seja um deles a me contaminar primeiro.

Mas uma coisa é certa: o governo Inglês conta com a contaminação. Não faz NADA para a prevenir e vai ficar de braços cruzados à espera que desapareça. 

À espera que o resto do mundo, que o resto da Europa de quem se quis separar, que seja ela a tomar as precauções, que seja a Europa a ajudar os cidadãos e que seja ela a parar a disseminação do vírus. Até que este desapareça também daqui. Mas será que desaparece ou encontra um foco para permanecer?

Se assim for acabei de me condenar a ficar aprisionada numa ilha de Covis-19.  
Talvez até à morte. 


A última imagem que os meus olhos irão ver poderá vir a ser a tal vista que tenho deitada na cama, quando olho pela janela. 

Na minha ausência, a árvore floriu. 

Bem fizeram o duque ou ex-duque e a ex-duquesa: mudaram-se para a Austrália! Ou será Canadá? Não me interessa realmente... «fugiram» do Reino Unido. Foi ainda durante o surto do Cóvis-19. Será que já sabiam que os políticos daqui iam "deixar andar" e ficar o povo cair que nem moscas?

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Chuva, chuvinha, chuvão


Spitting, drizzling, scattered, sunshine.

Atravessar o parque não demora mais do que seis minutos. Mas nesses seis minutos, estava a chuviscar. Depois passou. Não havia mais precipitação. O que durou apenas uns sete passos, uma nova nuvem, quem sabe? E já estava a chover um pouco mais forte. Drizzling - dizem aqui no UK. Não demorou mais que um minuto, e tudo voltou aos chuviscos (Spitting). Que subitamente se tornaram "scattered" (chuva forte). E tão depressa como tudo chegou e foi, apareceu o sol e sumiu a chuva. 

É assim o UK.
E eu adoro, confesso.


O CÉU FOTOGRAFADO COMIGO NO MESMO LUGAR, 
APONTANDO A CAMERA EM DIRECÇÕES LIGEIRAMENTE DIFERENTES





sábado, 4 de maio de 2019

Pelo UK: falta a ASAE

Tenho pena que no Reino Unido não exista uma ASAE à portuguesa.
Faz-me confusão que vendam o pão e todos os produtos de pastelaria em expositores desprotegidos contra germes. Estas imagens foram tiradas dentro de um supermercado que ainda tinha esperança que fosse a excepção à regra: LIDL. Mas estando em Roma, sê romano.... Neste caso, sê inglês.


Podiam fazer à boa moda antiga: e cobrir os pães quentes com um pano em algodão ou os bolos cremosos com papel manteiga. Mas isso não é atractivo para a vista. Então, deixam-nos assim, à mercê dos espirros e da manipulação humana. 


Posso até sentir-me tentada em levar uns. Mas há sempre algo no momento que me relembra o perigo. Mesmo em frente da tentação de pastelaria, um homem espirra, uma mulher tosse e as crianças tocam com as mãos em tudo o que for deixado ao seu alcance  nas prateleiras mais baixas. 

A cena que presenciei e não me sai da cabeça foi a de uma menina que pegou num bolo, levou-o à boca, passou-lhe a língua e depois voltou a colocá-lo junto aos outros. Lambido foi, lambido ficou. 


Sinto falta de ver bolos em expositores protegidos por vidro/PVC. A ASAE é uma entidade que devemos agradecer por existir em Portugal, nos parâmetros que existe. 


Nota: Enquanto contemplava os pasteis de nata, uma empregada aproximou-se e meteu uma nova remessa em cima dos anteriores. Consegui registar com o olhar quais os que ainda não tinham sido tocados por ninguém. Comprei dois. Mas o sabor deixou muito a desejar. Aqui estão eles.



quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

De volta


De regresso ao UK.
Cheguei feliz mas de momento estou menos feliz.


Na minha ausência algum colega de casa decidiu «servir-se» de coisas que estavam guardadas no meu armário na cozinha. Ora, que raio de casa partilhada é boa de se viver se alguém tira comida e  faz que não tirou? Que confiança pode-se depositar e o que impede alguém de temer que quem tira comida no armário particular de outra pessoa não se serve também de dinheiro deixado no quarto?

Quem o faz só se prejudica.

Já disse uma vez, à «nova» rapariga que me roubou bolachas da dispensa - estão lembrados? Foi em Julho. Eu virava as costas e assim que isso acontecia, um pacote de bolachas desaparecia da minha dispensa, que ninguém deveria abrir sem ser eu. Horas depois, outro pacote. Ambas em casa e ela sem me dizer nada, só se servindo. Quando a confrontei muito simpaticamente e sem me mostrar chateada, pedi-lhe que me avisasse se voltasse a precisar se servir de algo meu. Vindo ter comigo para me informar ou deixando um bilhete.

Divido casa com outras três pessoas. A mais recente já me disse que está de partida - ainda não pude apurar os factos mas ao que parece existiu um conflito entre esta e a rapariga «nova» e o uso de um palavrão (estamos no UK!) é capaz de ter sido o factor que influenciou que as «cartas» ditassem a partida dele. Isso e o facto do terceiro indivíduo estar, estranhamente e desde o início, sempre a tomar o partido da moça. A sua incapacidade para criticar algo que parta dela contrasta com a prática implacável e omnipresente que sempre demonstrou com os outros. 

Agora, quando lhe perguntei se sabia de alguma coisa sobre o desaparecimento daqueles artigos, assim que abri a boca para mencionar que havia pedido a ela que me avisasse se tirasse algo, ele corta-me a fala para dizer: "Porque não perguntas ao outro?". 

Foi só preciso eu a mencionar de leve. Não com leviandade mas dando um exemplo real e fundamentado. Nem sequer levantei suspeita ou a acusei. Só estava a mencionar um facto consumado que não lhe contei nem mais mencionei (mas certamente ele já saberia por meio da outra que deve ter contado a história de forma divertida). Ora, um tipo que tranca os seus pertences no quarto, que não gosta nem de imaginar que lhe tocam nas coisas... que por qualquer coisinha insinua coisas dizendo que "não está a dizer que foi fulano mas...", não faz sentido que, principalmente existindo antecedentes, um tipo destes não direcione suspeitas na direcção da moça «nova».

Por qualquer coisinha a rapariga que cá estava antes e saiu em agosto, estava sempre a ser criticada por ele. A pobre mal se podia movimentar, fosse para a esquerda ou para a direita, ele tinha algo a dizer sobre isso. Como quem não quer a coisa, manda umas tantas insinuações para o ar que estraga o dia de qualquer um. Comigo não tem resultado, porque com ele adotei uma estratégia de "está sempre bem". Mas topo-as todas. Comecei até a reparar na linguagem gestual, do significado de cada movimento que visa, de alguma forma, transmitir uma mensagem crítica a alguém da casa.  

Ele já me "convidou" a sair desta casa umas tantas vezes, desta forma «indireta». É o que cá vive há mais tempo, tem cumplicidade com a senhoria e sabe como «falar» com ela (manipular). Mas o seu maior defeito é achar que é o que manda e decide tudo. De uma forma ou de outra, todos acabam por se vergar à sua vontade. 

A forma como se dirige à «nova» rapariga desde o início não faz sentido algum, não corresponde ao que se mostra ser com todos os outros. Outra coisa que ele fez foi, assim que eu mencionei que me desapareceu algo, ele diz que também lhe tiraram algo que tinha guardado na sala. "Acho que foi o amigo do outro" - "mas não estou a dizer que foi ele" - diz-me. 

É que por uns dias esteve cá um amigo do «outro» a viver. Uma pessoa bem educada, simpática e todos pareceram querer conversa com ele. Principalmente este tipo mais velho, que o monopolizava. Mas BASTOU o facto de alguém que não ele trazer um desconhecido para dentro desta casa para agora ele insinuar que desapareceu uma coisa que lhe pertencia. "Não quis dizer" mas mencionou de imediato o «estranho». Não mencionou a rapariga, que deixa coisas ali na sala durante dias e é um tanto de tirar se lhe apetecer. Se calhar precisou daquilo para algo e simplesmente foi lá e se serviu. 

É só porque o "perfil", essa eventualidade, encaixaria mais na sua personalidade. E ela tem antecedentes. Mas não. Suspeitar dela? Jamais! Foi um estranho... E por causa disso, por causa dos "outros" colegas da casa não saberem escolher quem trazem cá para dentro, a regra silenciosa e ditadora vai permanecer, refortalecida: é proibido trazer pessoas para dentro desta casa.
 ----

Eu gostaria muito que ela tivesse a atitude adulta de vir ter comigo e me contar que se serviu da minha dispensa e da louça do meu armário (que está em parte incerta, mas não está na cozinha). Quando ela me viu chegar falou-me só de passagem, como se não conseguisse encarar-me e logo virou as costas seguindo caminho como se a minha chegada após algum tempo não merecesse mais que um abafado "ah, estás de volta?". 

Mas tenho quase a certeza que vai manter-se TRANCADA no quarto, receosa que a confronte. De momento é o que quero fazer. Ou melhor: preciso.

Preciso de confrontá-la para reestabelecer a paz e a confiança nesta casa. Mas não deveria ter de ser eu a fazê-lo. Devia partir dela essa atitude. Ela é que não me deixa alternativa. Se eu quiser ficar de bem tenho de esclarecer as coisas e a confrontar. Se não o fizer, não vou ficar bem, nada ficará bem. Louça e comida não podem desaparecer de uma casa e "ninguém tirou".

Voltou a ser o tal fantasma??

Sei que pode ter sido o outro. E estou a aguardar por ele para entender se de facto foi. Mas digamos que quando se divide uma casa com estranhos, acaba-se por conhecer como são as pessoas em relação aos pertences dos outros bem no início. E digo: não suspeitaria de ninguém aqui dentro, excepção feita da «nova».


domingo, 29 de outubro de 2017

Halloween? Estou no país ERRADO!!!


Então venho para o UK, país com tradição nisto do Halloween e tal...

E depois o que aparece é ISTO??


                                                    Estou no país errado.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Recordação de Londres


Se fossem 
a Londres,


o que gostariam 
de trazer de lá?

sexta-feira, 21 de abril de 2017

I don't think they have freebies in this country.

domingo, 16 de abril de 2017

Bank Holiday


Estou aborrecida. Hoje é o meu dia de folga e tudo à minha volta está fechado por causa das "Bank Holidays". Como é Domingo de Páscoa, tudo fecha. Não só hoje como durante todo o fim-de-semana.

Ora, sabemos nós que desde o tempo daquele rei inglês polígamo que gostava de mandar cortar a cabeça das suas mulheres, o UK não é grande seguidor da religião católica e seus feriados... Mas para fugir com o rabo à seringa do trabalho, a religião serve.

Maldito UK e a sua preguiça para o trabalho...

Aqui tudo fecha às 18h.
Aberto depois dessa hora, só mesmo os pubs.
Não se encontra mais nada: nem um café, um centro comercial... porra nenhuma.

Aos fins-de-semana é uma catástrofe: todas as lojas fecham às 4 da tarde.
E às sextas? O centro comercial/shopping fecha às 5 da tarde.

É em tudo o oposto de Portugal. Porque nós, sabendo que é um feriado e que as pessoas têm o dia livre e gostam de aproveitá-lo para ir a um café, um cinema etc - nós abrimos o nosso comércio. Pagamos o dobro do salário a quem trabalha nesses dias. 

Se estivesse em portugal poderia ir ao supermercado fazer as compras que estava a planear fazer. Mas aqui... até o estabelecimento que anuncia estar aberto durante 24h por dia todos os dias da semana, fecha cedo. 


ALGUÉM QUE ME EXPLIQUE ESTE CARTAZ, SFF
Até hoje é uma leitura muito complexa, 
tal e qual uma fórmula de química!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Uma geração comprometida


Conheci esta jovem no emprego, 23 anos.
Pareceu simpática, de início. contou-me que a tatuagem de uma borboleta que tem no pulso representa a independência que atingiu aos 18 anos. (vão perceber que existe grande ironia nisto). Agora noto-lhe traços de algo que não me agrada muito.

Mas o mais importante e o que me leva a escrever sobre ela, foi uma conversa que tentamos ter hoje, durante a pausar de 15m a que temos direito. Perguntou-me ela (aliás, metralhou-me) há quanto tempo estava no país. Depois perguntou se vou cá ficar. E depois perguntou se não volto para o meu país. O interrogatório continuou com questões como «lá não há reforma?» e «não têm benefícios?». «Por exemplo, podes alegar que tens uma limitação de saúde e pagam-te um benefício?». 

Depois fez-me muitas perguntas sobre o estar a viver cá. "Gostas de dividir casa com outras pessoas?". "E em Portugal não dá?". "Como consegues pagar as contas?". Respondi-lhe, espantada: 
- "Trabalho. Ganho dinheiro." 
- "Eu também trabalho mas o dinheiro não me chega. Passei quatro dias em Londres e gastei-o todo".
- "Tens de controlar os teus gastos".

Ela responde-me que sempre gastou o dinheiro assim e eu volto a dizer-lhe que precisa de o gerir melhor. Ela responde-me que não. Ela vive com os pais, com casa em Londres, disse-me que paga apenas 50 libras por semana à mãe, mas não paga contas da luz, água, gás, internet ou a comida que come. E mesmo assim o dinheiro que ganha - o mesmo que eu, não lhe chega.

E é aqui que entra a «melhor» parte. Eu digo-lhe que não pode gastar mais do que tem e ela responde: 
- "Ai isso é que posso. O meu pai deu-me um cartão de débito e posso gastar mais do que tenho". 
-  "Mas não podes estar a contar com os teus pais para o teu sustento, eles não duram para sempre".
- " Não tenho de me preocupar. Os meus pais vão durar pelo menos mais 40 anos. Até lá..."

Os meus olhos abrem mais do que o seu tamanho normal. Ela tinha mesmo acabado de dizer com normalidade que contava explorar economicamente os pais por mais 40 anos??

-" É sério. Os meus pais ainda são novos. A minha mãe tem 45 anos. Vai viver pelo menos mais uns 40."
- "Sim, tomara mas... nunca se sabe. Não podes estar a contar com a ajuda deles".
- "Mas eles vão durar pelo menos 40 anos ou mais. A minha avó morreu com 101 anos, por isso..."

POBRES PAIS...
Sim, porque se por acaso forem ricos, vão ficar pobres num instante. Se é que já não estão. Têm uma filha que conta com a ajuda financeira deles por mais de 40 anos... A naturalidade com que ela disse esperar que os pais a sustentem, a forma como falou do cartão de débito dado pelo pai. Como se fosse algo comum como um pacote de pastilhas, como se pudesse realmente gastar o que lhe apetecesse. 

É ESTE TIPO DE mentalidade britânica que me faz temer o futuro deste país. Eu até lhe disse que, daqui a uns anos, se não controlar os seus gastos, depois vai ser uma daquelas pessoas velhotas que refila: "Malditos emigrantes, vêm para aqui roubar empregos!". 
-" Ah, não. Eu não sou assim" - diz ela.

Mas vai ser. Muitos deles estão a caminhar para isso. O Brexit é só a ponta do iceberg. E o resto vai aparecer daqui a muitos anos.



É que os jovens que conheci não demostram nenhuma simpatia por continuar os estudos. Dizem sempre que é muito caro - e pode até ser. Mas também oiço que o Estado ajuda. Depois ficas a pagar um «x» consoante o ordenado que ganhares. Os emigrantes aproveitam isto. Os nativos não.

Isto vai resultar numa inversão de poderes. Que já existe, aliás. Ou seja: vêm emigrantes tanto para trabalhar, quanto para estudar e conseguir melhores empregos. Já os ingleses, estão a deixar as escolas, não querem prosseguir os estudos alegando «o preço» e contam em gastar dinheiro que não têm.

Estão muito acomodados. Nasceram com tudo de mão beijada e sem que lhes seja exigido muitas responsabilidades - pelo menos é essa a vibração que sinto das pessoas jovens com que me cruzei. Não todas, felizmente, mas de uma forma generalizada.

Esta rapariga tirou um curso superior - disso-mo, quando lhe tentei explicar que tinha percebido que poucos jovens gostam de prosseguir os estudos. E se tirou, decerto que não foi para trabalhar onde está agora. Portanto já posso presumir que os pais - cansados dos seus gastos e frustados por os estudos pelos quais pagaram não resultarem em emprego remunerado - impuseram que ganhasse algum dinheiro. Mas se já a mimaram de outras formas e ainda lhe permitem que gaste tudo o que tem e mantêm um cartão de débito - então... qualquer tentativa poderá já vir tarde.


Sabem o que mais me chocou ver aqui no UK?
Um toddler. Sabem o que é um toddler? É a expressão que eles têm para designar uma criança que mal começou a andar. Estava esta criança a ser empurrada num carrinho de bebé, no jardim. E pergunta ela à mãe: "Where's my money?" "Mommy, I want my money", "Mummy, money!" "My money".
O rapaz procurava alguma moeda que lhe terão dado para as mãos. Dinheiro. Que deixou escorregar algures para o carrinho. Mas a forma como se fixou no dinheiro e o pronome possessivo... Fiquei chocada. A mãe, de início, ainda lhe respondeu: "O dinheiro está aí contigo". Mas à medida que a criança insistiu que o queria, a mãe ignorou-o. Como se tivesse adivinhado a minha surpresa. Eu preferia ter escutado a criança a pedir à mãe um brinquedo ou um boneco de peluche que tivesse deixado escorregar. Agora... dinheiro??

Se começar assim tão cedo, este facilitismo em receber dinheiro e o valorizar, então o UK terá, decerto, um grande iceberg debaixo das águas serenas... E a salvação está, mais uma vez, nos emigrantes.


É que as barreiras, criamos-nas nós.
O mundo é um só.
E estas gerações jovens do UK, não passaram por uma guerra, algumas sempre viveram em facilitismos, sem lhes exigirem que trabalhassem ou ganhassem responsabilidades em troca de terem tudo o que querem. Vão continuar a querer ser tratados de forma beneficiada e não vão ser. Vão alegar algum problema de saúde para viverem de benefícios do estado. E quem vai trabalhar? Os emigrantes :P

E a jovem que tatuou uma borboleta para representar a sua independência... precisou que os pais lha pagassem. Como ainda pagam muita coisa. Grande noção independência.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Inglaterra: Desfazendo Mitos - p2

LIMPINHOS

É mito que os ingleses são todos limpinhos. É verdade que as ruas estão livres de resíduos considerados "lixo"- aquele que em Portugal costumamos facilmente encontrar. Mas isso tão somente significa que os governantes cumprem o pelouro da limpeza e higiene urbana. Fazem o seu trabalho, ponto. Em privado acho que muitos ingleses são um tanto para o desleixado, revelando que não gostam de sujar as mãos. Nos quintais de algumas casas - poucas, consegue-se ver entulho de anos e lixo recente. Nos restaurantes mais comuns deixam as mesas sujas de tudo um pouco, besuntam cada centímetro com aqueles molhos que todas as comidas inglesas levam e ainda por cima, se trazerem lixo com eles (embalagens de comida rápida, garrafas de refrigerantes, embalagens de perfumes, cigarros, embalagens de aparelhos eletrónicos diversos, de pasta de dentes, fruta a apodrecer, embalagens de sapatos novos, etc) deixam tudo na mesa onde foram almoçar/jantar. Claramente, julgam que quem as limpa, não se aborrece com o entulho extra. 

E para contrariar esta tendência, quando na caixa de supermercado, o empregado/a nunca atende o cliente atrás de ti até te ires embora com as tuas compras. Se ainda tens de as ensacar, eles param de atender. Têm essa cerimónia. Vai-se lá entender esta gente! Cheios de cerimónias numa simples fila de supermercado, mas sem nenhuma quando se trata de abandonar porcaria e lixo desde que seja para outros limpar. 



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Inglaterra: DESFAZENDO MITOS -p1

RECICLAGEM

É mito que os ingleses são todos muito limpinhos e se preocupam com o meio ambiente. Onde quer que eu vá, vejo que a reciclagem não é coisa que consigam realizar. A simples tarefa de separar o plástico do papel parece-lhes confusa. Não encontrei um único indivíduo que se preocupe ou queira saber. Nos estabelecimentos é necessário separar os resíduos e os funcionários não o fazem com a maior das descontrações. Metem garrafas de plástico dentro do lixo doméstico, ou do contentor destinado ao papel e nos grandes contentores de reciclagem para cartão ou plástico existentes no empreendimento empresarial encontra-se uma mistura de tudo.