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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Camera de segurança e vigilância

 Desde que suspeitei que o meu quarto estava a ser "visitado" enquanto estava no trabalho, comprei e instalei uma camera de vigilância. Não gosto muito dela, porque a maior parte das vezes tem um comportamento que anula o seu propósito mas, todas as outras que tentei instalar não funcionaram. Algo a ver com a ligação à rede ou outros problemas de nunca saber quando estavam em funcionamento. Antes de me ir embora para as férias, tentei instalar todas. Por precaução. Também pretendia mudar a fechadura da porta, mas não tive tempo e, se tivesse, teria de o fazer sem que outra pessoa na casa o percebesse, o que é praticamente impossível. 

A camera, que deixei ligada, tem ligação WI-FY, vejo daqui a imagem que emite. É giratoria, posso rodar, tem infravermelhos, que permite ver de noite, grava imagem e vídeo em cartão inserido e envia SMS de aviso de movimento. No papel parece cumprir os requisitos necessários mas na prática, é uma dor de cabeça. 

É difícil gravar imagem, algo a ver com a formatação do cartão. Andava a enviar-me avisos SMS de movimento a cada minuto ou com segundos de intervalo - principalmente de noite, porque o sensor acusa como movimento qualquer vibração, como uma porta a bater no andar de baixo ou a porta do vizinho. E a camera de infravermelhos faz ruido que a própria camera interpreta como movimento. De dia, qualquer alteração ligeira de luminosidade activava "movimento". Não passa de um aparelho que me entupia de mensagens de falso alarme. 

Mas ainda assim, era melhor que nada. Decidi deixá-la a funcionar sempre e assim tem sido nos últimos seis meses ou coisa que valha. Nesse tempo, parou de gravar muitas vezes, mas nunca parou de registar movimentos ou de emitir. 

Fui agora verificar como estava, estranhando a ausencia de notificações. Diz que está "offline". 

Não está a emitir imagem. 

Isso deixa-me muito apreensiva. Fico a suspeitar que a tipa que lá está e que desconfio que tem como entrar no meu quarto, tenha aproveitado a longa ausência para fazer isso mesmo. De noite, ela tem o andar de cima todo para si. O outro rapaz trabalha. Existem tantas oportunidades para ela caminhar naquele corredor, enfiar uma cópia da chave na fechadura e invadir o meu espaço sabendo que ninguém a vai apanhar! 

Só de imaginar a minha privacidade revirada e remexida, vezes sem conta, sabendo que quem o pode fazer sente total impunidade, Auto congratulando-se na ideia de que nunca será descoberta e que pode fazer o que lhe apetece... 

Tentei instalar mais que uma camera, mas não consegui. São todas uns monos, que não funcionavam direito. A que tenho a funcionar é obvia, está mesmo em frente de quem entra. Fácil de desconectar, fácil de apagar removendo o cartão. 

Desde que a instalei, nunca a desligo. Está sempre ligada. Pode não gravar imagem por estar cheia, mas sempre regista dezenas de "stills" / imagens diariamente e me envia as notificações. Nunca, enquanto lá estive, alguma vez surgiu a mensagem "OFFLINE". 

Mas, nas minhas ausências, é já a segunda vez. Sendo que a primeira ocorreu também durante um período de férias. 

Isto me deixa super-desconfortável. Desconfiada

E eu era para viajar para lá hoje cedo, ahahah. Uma passagem de avião antiga que tinha comprado e pretendia usar. Mas quando aqui estou, as coisas dos outros acabam por tomar conta do meu tempo e acabei por perder a oportunidade de mudar a data do voo para outra ocasião ou, calcular se podia usá-la e retornar nos dias seguintes. Resultado: dinheiro gasto sem proveito. 

Tenho de comprar passagens novamente. E estas estão estupidamente caras. Até parece intencional. Não vou conseguir regressar a inglaterra, daqui a um mês, por menos de 120 libras. Sabem quanto costumava ser? Entre 29.99 e uns 59.99. Estamos a falar de Outubro - não de Agosto ou Setembro. Os meses altos, de verão. Mas de meses de Outono! Ainda a mais de um mês de antecedência, dava sempre para encontrar algo barato. Agora não é assim. Nem para o natal - que tentei comprar com seis meses de antecedência, consigo comprar por valores aceitáveis.

Antes de me vir embora, deixei a luz acesa para que a camera não se esgotasse com a filmagem em infravermelho. Tenho espreitado muito ocasionalmente. Tudo pareceu bem. Bem demais, aliás. Ao final de 24 horas de ausência, sabia ser quase certo que a minha perseguidora ia ficar muito feliz e me incomodou constatar que a confirmação da minha ausência lhe incute mais confiança na impunidade para fazer o que sempre faz.  

Suspeito que ela pode ter uma chave do meu quarto, mas não teria mais se eu tivesse mudado a fechadura. A minha paranóia - porque é um pouco, tem razão de ser. Nunca ninguém acredita nas pessoas assim até que algo grave e definitivo acontece. Foi preciso eu mostrar um video do comportamento dela para que as pessoas a que mostrei achassem-na capaz de fazer até coisas piores.  

Vão ser 4 semanas AGONIZANTES se a imagem não voltar a ficar ONLINE. 

E receio que não fique. Acho que fizeram alguma coisa para que o acto criminoso de invadir o espaço privado de outra pessoa ficasse oculto. Basta remover o cartão e apagar a camera e o conteúdo do cartão. Este era de 64GB, capaz de gravar várias semanas de videos. E, ao que sei, não teve NENHUM para gravar nestes três dias de ausência. 

Devia ter um plano B... Além de cameras. 
Dar a chave a uma colega que conhece a situação e pedir-lhe para lá ir verificar, só lá ir... Para deixar a minha perseguidora irrequieta e desagradada. Devia ter dado a chave a alguém e instruido a pessoa a lá ir regularmente. Mas ao mesmo tempo, é o meu espaço... e eu posso confiar na pessoa, mas não confio na que lá vive que, decerto, ia aproveitar qualquer espacinho, qualquer descuido, para se introduzir no meu quarto e passar aqueles olhos raio-x por todo o espaço. 

Qualquer ausência nunca poderá ser tranquila enquanto tiver estas suspeitas ou receios. 


quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Reino Unido não tem estrutura para isto



Sinto-me como alguém que terminou de sair de uma exaustiva luta corporal. Mas tudo passou-se no campo psicológico. Ter ficado em casa de quarentena ontem e hoje, já estava a parecer-me uma coisa boa. Poder descansar o corpo pareceu-me um benefício que nem percebi estar a precisar e tinha de apreciar. Pela primeira vez consegui dormir mais que três horas - sem bem que acordei umas seis vezes entre as 3 da manhã e as 9h, quando despertei de vez. 

Deixei os colegas todos usarem o WC. Quando subitamente lembrei-me de verificar o meu saldo bancário porque a Easyjet disse que fazia o "refund"/devolução da passagem aerea mas a verdade é que até agora, zeritos. Tenho um email deles a dizer que a transacção foi feita, mas nenhum dinheiro na conta bancária. Espertinhos!



E foi então que vi uma "transacção pendente", um pagamento de uma compra feita ontem. Quando fui a ver o que se tratava, pois não comprei nada, fiquei muito chateada. 

Lembram-se disto? De ter escrito sobre a minha primeira compra na Amazon e de como fui forçada a aderir ao serviço Prime, gratuito no primeiro mês e possível de cancelar, mas ao qual tive forçadamente de aderir para terminar a compra? Lembro-me do comentário depreciativo do SOG: "Mulheres....".


Pois. Mulheres têm uma intuição do caraças. Mesmo tendo cancelado a subscrição ao serviço gratuito da Amazon em menos de 24h e tendo recebido um email deles a confirmar esse cancelamento, dizendo que nenhuma cobrança seria feita após esse mês gratuito, adivinhem de quem era a transacção pendente no valor de 7.99£?  (uns 9 euros). 


Ah, pois é!

Mas o pior foi tentar entrar em contacto com as entidades envolvidas: o Banco, para cancelar e bloquear a Amazon, e a Amazon em si. Esta última, para esquecer. Nem me esforcei muito, pois nota-se online que não estão muito interessados em facultar esse tipo de contacto. Liguei de imediato foi para o Banco... ai. Estou exausta. Foi mentalmente exaustivo e tudo pelo tempo de espera, pela quantidade de chamadas que fiz para no final a ligação ser cortada por eles e ter de ligar novamente... A sensação de frustração a crescer, crescer, ansiedade, nervos...

Estão todos a trabalhar "a partir de casa", e a gravação dizia que a chamada podia demorar mais tempo que o habitual, mas seria atendida. Pedia para que esperasse em linha. Mas depois de muito esperar, ninguém atendia. Ao final de 40 minutos, desliguei para tentar outra abordagem. Acabei por regressar ao mesmo número e desta vez foi pior. Depois de facultar a razão pela qual fiz a chamada, facultar todos os números de segurança e dados pessoais, tudo uma dezena de vezes, a chamada desconectava ao final de uma longa gravação sobre o vírus do Corona. 

A frustração atingiu-me o sistema nervoso. Cheguei a largar lágrimas. 

O Reino Unido não está equipado para lidar com um lockdown. 
Entrar em contacto com os organismos para continuar a usar os serviços é um pesadelo. Para contactar o HRMC - que é o portal do governo como as nossas finanças, fiquei eu duas horas e meia só para me darem um número que precisava para entrar online e fazer uma "clame". Depois de responder a uma série de perguntas de carácter pessoal, falhando uma porque a ordem das duas palavras de segurança era inversa à que disse, desligaram-me a chamada. 

Foi inútil, fez-me perder tempo, a situação resolveu-se comigo a regressar ao Centro de Emprego para pedir o tal número. No instante em que lá estava recebo uma chamada da agência de recrutamento a oferecer um trabalho - o tal do qual fui dispensada - e aceitei. Fazer a "clame" (pedido de subsídio) ficou adiado e fora de questão. Quem trabalha sem contrato de horas certas, não tem direitos alguns mesmo. Não gosto e nunca gostei de fazer "clames", mas o sistema deles quase que te prejudica se não as fizeres num periodo de desemprego ou transição entre um e outro. Tens de ter um contínuo registo de ganhos, sejam eles por empregabilidade ou desempregabilidade. 

Mas isso é outra história.
Sinceramente, creio que o Reino Unido só não se afunda como país, porque é uma jangada que flutua. Aprendeu em séculos de experiência, como flutuar neste mundo político-económico, parecendo ser mais importante do que é. E como na vida, como acontece com os seres humanos, o que aparenta conta mais do que o que é.

Pronto, hoje, é isto.
Mentalmente exausta... vou tentar comer algo, que até o apetite foi para as urtigas.
Fiquem bem. 

Vos visitarei em breve!

domingo, 15 de março de 2020

Regresso ao Reino Unido e o Covid-19


Estou de volta ao Reino Unido, de regresso à vida numa casa partilhada com assistentes de bordo italianos. Aparentemente está tudo bem. E assim pretendo que continue. O medo mesmo, reside na falta de acção do Governo e no Sistema de Saúde. Não parece que existam medidas a ser tomadas para prevenir seja o que for. Escolas não fecham, ajuntamento de pessoas não tem qualquer nova regra imposta, os centros comerciais continuam a abarrotar de gente... está tudo a levar a sua vidinha como se nada fosse. Em caso de sintomas de gripe, o NHS (sistema de saúde) não quer saber se se trata de COVID-19 ou uma simples constipação. Dizem que qualquer pessoa que tenha sintomas deve"ficar em casa". 

E é só isto. É isto que o SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE BRITÂNICA tem para oferecer aos seus cidadãos: absolutamente N_A_D_A. Eu pergunto: se for o Covid-19 que a pessoa tem, como é que entra para as estatísticas? Só se  vier a falecer e então ser-lhe facultado o teste! Se sobreviver, nunca saberão se o que a afligiu foi o Covid ou não. Ou será que à posteriori já aceitam que a pessoa seja testada só para aproveitamento político, do tipo, "curaram-se X", ainda que nenhuma cura esteja relacionada com a acção dos governantes e do sistema de saúde mas à pura sorte?

E quantas pessoas de saúde mais fragilizada, como doentes, pessoas que sofrem de asma, diabetes, pessoas mais idosas com o sistema imunológico pouco resistente... essas, o governo está a condenar à sua própria sorte. E os factos dizem qual é: a morte.
É uma postura vergonhosa e se nada mais me incentivar, esta falta de consideração pela vida humana dos próprios contemporâneos confirma aos meus olhos o quanto se pode contar com o governo britânico em caso de verdadeira necessidade. Não se pode. Em que país vou ficar a morar??


Mas vinha falar de outro tema: no vôo de regresso, fiz uma paragem no Porto. Aproveitei, ainda com receio mas tomando todas as precauções, para dar um pulo à cidade. Mantive-me afastada de pessoas, mas foi difícil, porque as havia por toda a parte. Quase todas turistas. A zona ribeirinha do Porto estava lotada de gente, que por ali se aglomerava até bem depois da hora de almoço. Inclusive carteiristas, disfarçados de vendedores de óculos escuros. Nenhuma pessoa usava luvas ou máscara. Só no metro é que encontrei algumas pessoas com máscaras no rosto. 

O mesmo verifiquei em Lisboa, no curto período de tempo que caminhei pela Gare do Oriente, querendo "matar" saudades do rio. Muitos turistas, todos despreocupados, a turistar e alguns jovens - também eles estrangeiros, outros talvez nacionais. Dentro do shopping, muita gente e o supermercado Continente, lotado de pessoas. 

Mas quero também partilhar outra coisa que notei e que é de louvar: a preocupação dos gerentes em sanatorizar os espaços. Vi os corrimões das escadas rolantes do centro Vasco da Gama a serem desinfectados, a WC onde precisei de ir estava bem limpa e no geral, notava-se que o comércio tinha consciência do vírus, havendo aqui e ali quem estivesse de luvas e máscara. 

No aeroporto de Lisboa, a mesma coisa: muita desinfecção, o WC no qual entrei foi o mais limpo que alguma vez vi. Nas palavras apanhadas aqui e ali pelos funcionários, notava-se preocupação e também cada qual tinha a sua opinião sobre a medida a ser tomada: encerramento total do espaço aéreo - foi a que mais escutei. 

Uma vez no Porto, verifiquei que os mesmos cuidados estavam a ser tomados. Consegui registar isto aqui: a limpeza de uma das paragens de metro.


Mas também entrei num outro centro Comercial, um perto de um oculista de nome "Adão", onde fui por precisar de um WC e, quando nesse espaço quis entrar, tive de esperar à entrada onde um fita me impedia a passagem, pois o mesmo estava a ser limpo. Cá fora, mais um corrimão de escada rolante a ser desinfectado...

Portugal a tomar precauções. Muito bonito de se ver.

(já o UK...)

Espero não me arrepender de ter regressado a este país, onde, claramente, corro maior riscos de contaminação. Tudo pelo trabalho... que me ocorre agora poder vir a desaparecer. Por causa do vírus em si. Com esta falta de controlo, vivendo tão perto de um aeroporto, com a descida de encomendas e exportações, o mercado económico está a sofrer imenso com o Covid-19. Maldito ano de 2019 que chegou mesmo para nos dar terríveis experiências! Este vírus começou em 2019 e «transitou» para o ano seguinte. 

Mas nem tudo é mau e quero partilhar convosco outra impressão com que fiquei durante a minha rápida passagem pelo Porto. Nomeadamente pelo aeroporto do Porto... Então não é que cada gajo que ali estava a trabalhar, desde o tipo do café, a um outro qualquer atrás de um guiché, ao ground-force (equipa de terra) que aparece para fazer coisas no avião, até aos tipos da segurança ou do check-in... tudo homem bem constituído, interessante. Um ou outro com um tom de voz daquela que me faz sentir como se escutasse uma melodia de embalar... só que sexy. 

Zona ribeirinha, Porto, pós emergência Covid-19, dia 14 de Março 2020

E por fim, desta vez dispensei a Easyjet e voei pela Tap. É uma companhia aérea que pode nos dar dor-de-cabeça antes da viagem. E o aeroporto de Lisboa é sempre caótico, pequeno, desorganizado... Mas uma vez dentro do avião na viagem em si, tirando os passageiros barulhentos e que parece que ali viajam todos os que não aprenderam que é para usar auscultadores nos ouvidos se forem ouvir músicas ou ver filmes, a equipa a bordo é sempre simpática. A comida não é vendida. Se fizer parte do "pacote" do bilhete, tens direito a ela. E esta é-te dada com simpatia e cortesia. Nada de te "enfiarem" aquilo à frente dos olhos com ar de frete... Acho até que se pedires reforço de bebida eles dão-te-na, sem cobrar. Fiquei na dúvida, após o casal ao meu lado pedir uma segunda cerveja. Não vi quaisquer trocas de dinheiro.

Muito diferente da companhia aérea laranja, que tem como objectivo a venda a bordo, o lucro, lucro, lucro! E se formos a ver, diante de certas condições (como a stop-over no Porto que até foi mais uma vantagem que desvantagem), a Tap faculta passagens económicas. Infelizmente não tanto quanto as que faculta caras. A mesma passagem de Lisboa ao Porto custaria quase 200 euros, caso o meu destino final fosse esse. Um horror! Fiquei até pasmada a olhar para o monitor. Lisboa-Porto não devia ser mais que uns 50 euritos... Mas como o meu destino final era esta terrinha onde chove e faz frio (já a sentir falta do sol que encontrei em Portugal), o preço do bilhete não chegou a 50 euros. 


Acabou de me ocorrer um facto que não aprecio mas que constatei ser real: cada vez que me demorei pelo Reino Unido, levei comigo para Portugal algo mau e de efeitos duradoiros. A primeira vez que pisei nesta terra, foi como aluna Erasmus. E foi quando apanhei a minha primeira gripe. Fiquei de cama, tudo doía e não conseguia mexer-me. Nos anos seguintes - três, quatro o que não é pouca coisa, apanhava constipações fortes com extrema facilidade, várias no inverno, sendo que a última deu-se em pleno verão. Antes disso era raro. Todos tinham ar condicionado ligado devido ao calor e aquilo para mim era um suplício, causava-me ataques de espirros que não conseguia conter. E sentia muito frio. 

Pensei estar "condenada" para o resto da vida, ter ficado com o meu sistema imunológico comprometido, tudo devido a um virus inglês que apanhei na Inglaterra. Pouco depois vim trabalhar uns meses para o Reino Unido, e, mais uma vez, surgiu um "surto" qualquer no local de trabalho, julga-se que com o sistema de água, que fazia com que a pele das pessoas ficasse seca, gretada, solta. Apanhei isso na minha mão direita e desde então "tenho" comigo essa condição adormecida. Regressou no primeiro ano que emigrei para cá e trabalhei num restaurante, onde lavar as mãos, ter as mãos húmidas, sujas, esfregar e limpar era rotina constante e diária. A coisa "surgiu" novamente mas com muita força. Fiquei com as mãos a sangrar e todas peladas. Numa consulta médica com um dermatologista em Portugal fiquei a saber que não era uma bactéria, era um vírus e que não tinha cura. Só podia gerir a coisa. Como?
-"Não lavar as mãos" - respondeu-me ele. 
- "Não posso lavar as mãos?! A sério?" - disse, incrédula e sabendo desde logo que isso era impossível. 

Não posso ter as mãos húmidas.

Escusado dizer que não cumpri a  recomendação do médico, continuo a lavar as mãos com muita frequência, devo tê-las lavado ontem somente umas 100 vezes. Mesmo de luvas, lavava-as a cada toque no telemóvel para tirar uma foto, para consultar alguma coisa, cada vez que precisei ir ao WC... muitas vezes lavei eu as mãos. Mas não se preocupem: a mão nunca mais apresentou os sintomas. Às vezes dá a "coceira", sinto-a ligeiramente áspera... mas passa. A pele, contudo, nunca mais ficou a mesma. Pouco se nota. Está "mais solta", mas só eu sei disso.

Sempre intuí que, cada vez que pisasse no UK, regressaria com uma mazela qualquer
Tenho vivido aqui nos últimos anos. Por vezes ocorre-me este pensamento. E fico a imaginar o que aí virá. Agora temo que a próxima mazela seja o Covid-19.

Se o apanhar, segundo o NHS, devo ficar "fechada em casa" e isso significa condenar todos os que cá moram a quarentena e também, à possível contaminação - caso não seja um deles a me contaminar primeiro.

Mas uma coisa é certa: o governo Inglês conta com a contaminação. Não faz NADA para a prevenir e vai ficar de braços cruzados à espera que desapareça. 

À espera que o resto do mundo, que o resto da Europa de quem se quis separar, que seja ela a tomar as precauções, que seja a Europa a ajudar os cidadãos e que seja ela a parar a disseminação do vírus. Até que este desapareça também daqui. Mas será que desaparece ou encontra um foco para permanecer?

Se assim for acabei de me condenar a ficar aprisionada numa ilha de Covis-19.  
Talvez até à morte. 


A última imagem que os meus olhos irão ver poderá vir a ser a tal vista que tenho deitada na cama, quando olho pela janela. 

Na minha ausência, a árvore floriu. 

Bem fizeram o duque ou ex-duque e a ex-duquesa: mudaram-se para a Austrália! Ou será Canadá? Não me interessa realmente... «fugiram» do Reino Unido. Foi ainda durante o surto do Cóvis-19. Será que já sabiam que os políticos daqui iam "deixar andar" e ficar o povo cair que nem moscas?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Os perigos que ameaçam as crianças

Quando somos crianças as nossas mãe alertam-nos para os perigos que podemos vir a encontrar ao andar "por aí" na rua. Um desses perigos, no caso das meninas, são os homens estranhos, desconhecidos, que se "metem" connosco, oferecem algo e querem que os sigamos.

-"Nunca aceites nada de ninguém! E nunca entres no carro de alguém, mesmo que seja um conhecido! Não aceites nada que te ofereçam, nem um rebuçado, porque pode estar envenenado. Existem homens maus que querem envenenar meninas, para depois as levarem e fazerem coisas más. Olha sempre para trás e se vires alguém a seguir-te corre! Não deixes que te alcance." - dizia a minha mãe.

Penso que todas as mães tinham este discurso na década de 80. Tinham?
No entanto nessa altura ainda pude viver com alguma "liberdade" tendo em vista os muitos "perigos" que podiam acontecer. Para começar a responsabilidade de ir para a escola e voltar era inteiramente minha desde a escola primária (6 anos). Hoje em dia acho que poucos pais deixam uma criança tão nova sair sozinha pelas ruas. Eu faria o mesmo, provavelmente.

Quando a escola ficou mais longe, passei a andar de autocarro. Ou ia a pé, se desse tempo. Mas nunca que me iam deixar à porta da escola, de automóvel. Hoje creio que a realidade é mais esta que outra. Pelo menos no caso das crianças que podem frequentar o ensino privado. Mas creio que no público também possa ser o caso de muitos jovens.

Os tempos mudaram, mas os perigos permanecem. Não sei se as crianças de hoje estão menos "preparadas" para reconhecer "perigos" do que as de antigamente. Arrisco a dizer que NÃO. Estão tão bem preparadas quanto poderiam estar. Porque têm muito mais acesso à informação e a meios para a obter. Porque estão mais a par do quê consistem "esses males" de que nós adivinhávamos por instinto. Porque sabem estar atentas a comportamentos fora da norma e gostam de ficar entre os seus, porque são mais vivas e tenazes para qualquer comportamento que soe desadequado e impróprio.