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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Nas emergências

 

Na terça-feira tive de ir ao hospital. Chegando lá, enviaram-me para a sala de espera dos casos "menos graves", onde só tinha duas pessoas há minha frente. Passadas duas horas e meia, ainda tinha essas duas pessoas à minha frente. 

Disseram-me que só existia um médico. E este estava a atender nos dois lados. 

Como pode uma pessoa se dividir em 20?

Este país, para o qual já tantos enfermeiros portugueses emigraram, está mal. Estas sociedades ditas desenvolvidas e em prol do povo, cada vez o deixa mais na mão. Todo o sistema de saúde está em colapso. É triste. Deprimente. Assustador. 

Pagam-se os impostos, fazem-se seguros... na hora do "vamos a ver" é que se sente o desgosto por viver na ilusão de que existe um sistema de saúde pronto a nos ajudar. 

Estou a pensar em todos que, neste instante, podem estar a sentir o mesmo. 

Tive de abandonar o hospital, porque não era o da minha área. O meu transporte de volta a casa, o último, era dali a nada e tive de correr para o apanhar. Hora e meia depois, chego ao local onde vivo e vou directa às emergências do hospital. Fazem-me a triagem. A enfermeira diz-me que a espera está em "HORA E MEIA" e acrescenta que estou com muita sorte. Porque na noite anterior tinha sido SETE HORAS E MEIA!!!!

São quase 20h. Estava exausta e tinha estado no hospital desde as 15.30. Decidi esperar só um bocadinho e tentei encontrar outros meios, visto que percebi já não estar a sangrar e sentia-me bem. Chego à recepção (para perguntar se a consulta online usada durante o confinamento ainda estava ativa) e o quadro atrás diz que o tempo de espera está para DUAS HORAS E MEIA.

Sabia que o meu corpo precisava era de descanso. Não dava. Desisti das emergências mas não de tentar explicar a condição a um médico. Fui para casa, queria era deitar-me mas forcei-me a ir tomar um duche. Não havia água. Corria apenas umas gotas. Fui ao WC do andar de baixo, testei o chuveiro, tinha um pouco de água e tomei duche. Com água fria. Quando terminei, já havia água com a pressão normalizada. 

Parecia que era de propósito para causar mais chatice a um dia que já tinha a sua dose QB. 

Vou tentar marcar uma consulta com um médico. O que aqui é difícil. Tem de se fazer online. O que, na realidade, é melhor. O problema é que, sempre que se vai online, surge uma mensagem a dizer que já estão cheios. E não se avança. Se for "emergência" para ligar para o 999 (112). 

Mas nem sempre uma pessoa sabe se o que tem é grave. 
Eu parti o braço e não sabia. 

Agora já sei o que se passa. Graças ao GOOGLE. 
Foi este que me indicou a alta probabilidade de diagnóstico. Aposto as minhas fichas nisto: Prolapso Retal. O recto, a parte final do intestino grosso, decidiu vir para fora do corpo. 

Julgo ser uma condição que precisa de ser observada para chegar ao tratamento indicado para o caso. Pode ser necessária uma cirurgia - mas como aqui eles não querem gastar dinheiro, ainda vão fazer-me passar por dolorosas posições e tentar "enfiar" aquilo de volta para dentro manualmente. 

Na quarta-feira de manhã consegui marcar "consulta" online. Para tal tive de descrever o problema. Na altura achei que eram hemorroidas. O nome parece algo feio... confesso que senti embaraço de explicar isto às pessoas. Afinal, a condição é outra. E não é temporária, pois dei uns dias para ver se a coisa ia ao lugar. Recebi resposta em 24h - assim dita a aplicação online. E esta foi que o farmacêutico ia poder me aconselhar sobre tratamentos para o caso. 

Não podiam estar mais enganados! E o farmacêutico? Aquele rapazinho que me conhece por me dar todos os meses a medicação? Nem pensar! Não ia lhe descrever algo que sei que não é indicado... a intuição sabe quando é algo que tem solução com pomadas e quando é algo que requer conhecimento clínico mais aprofundado. 

O que mais me faz reflectir em espanto é o timming disto acontecer. Não faz sentido. Em todo o tempo que tenho a condição de prisão de ventre, em que comi mal para caramba... agora é que isto acontece?? Faz um mês, comecei a cuidar melhor da minha alimentação. Que é uma das causas apontadas para a condição. Cortei com o abuso de doces e procurei comer de forma equilibrada e saudável. Comida feita em casa, com vegetais comprados frescos e carne/peixe frescos. Andei a comer muito bem! A defecar que era uma maravilha. 

Faz-me pensar nos tantos casos de pessoas "saudáveis" que morrem assim que adoptam um estilo de vida saudável com intenção de viver mais anos. E depois temos os outros, que não se cuidam, que fumam sem parar, e chegam aos 80s. 

Comigo foi três dias depois de chegar aqui, já com três semanas a comer saudável. E descobri-o sem ter tido vontade de ir ao WC, fazia dois dias que não ia pelo que não fiz esforços musculares nos dias que antecederam a descoberta devido a um grande sangramento. Vontade só a tive hoje cedo. 

Que raio!

Diz o google que esta condição é mais comum em mulheres depois dos 60 ou em pessoas com prisão de ventre. Lá está o meu corpo a ser precoce no que respeita ao envelhecimento! Aha. Prisão de ventre sempre foi o meu caso mas, falando com os médicos, estes sempre me disseram que, se é do meu organismo desde criança, a dificuldade e a ida espaçada, então não tem problema. 

Da última vez aproveitei e queixei-me de dor e desconforto e muita dificuldade. Receitaram-me laxante. Mas eu não tomei, para ser honesta. Tinha melhorado e não gostei que, o médico, disse-me que o laxante não fazia mal algum, era receitado até a bebés recém-nascidos mas nas instruções diz claramente que não é para recem nascidos ou bebés. E por isso, e por estar sempre a trabalhar, não tomei. Receando que me desse vontades loucas de ir e ter que me segurar. 

E vocês? Como têm sido as mais recentes experiências na área da saúde? 

Conhecem algum país onde tudo corra às maravilhas, o sistema de saúde, o de trabalho, etc? É que a Inglaterra está mal... Depois do brexit ficou pior. Em todo o lado à escassez de profissionais: condutores de camiões, condutores para transportes públicos, funcionários para trabalhar nos aeroportos, etc. Com isto falta de tudo. Impostos sobem - como em todo o lado, salários descem, preços duplicam, renda aumento quase 100%. 

As pessoas estão a "dar à sola" daqui...

Pelo menos é a impressão com que fico. 

E desde a penúltima ida a portugal, em Junho, que fiquei com a sensação de que preciso mudar de estilo de vida. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

O barómetro que é o Brasil



Devia-mos olhar para os problemas do Brasil com especial atenção. Acredito que tudo o que se passa lá, daqui a 20 anos vai ser o caso cá. 

Ao longo das décadas tenho verificado as semelhanças. Vejo telenovelas brasileiras, que mesmo sendo um produto para agradar as massas cheio de maravilhas, também estão cheias de referências sociais e políticas, acabando por servir de manifesto ou desabafo. 


A "crise" que nos atingiu aqui na europa dizem que no ano 2008, vivia-se lá intensamente 20 anos antes. Coisas como a dificuldade de uma pessoa honesta e bem formada em conseguir um emprego, as falcatruas, as ofertas de emprego que são vigarices, os favores "pagos", os subornos, os privilégios dos ricos... a impunidade dos poderosos ou criminosos, o desprezo à honestidade e o recurso ao oposto para subir na vida. 

Tudo isso vi acontecer por cá, 20 anos depois. Lembro em particular de tudo isto e mais ainda ser retratado (magistralmente) pela telenovela "Vale Tudo", feita exatamente 20 anos antes da data da «crise» na Europa, 

Portanto, é olhar para lá, com apreensão e com olhos de pupilo que precisa de aprender para não cometer os mesmos erros. O Brasil é um espelho para o futuro. Ainda que com diferenças, no final dos ovos partidos, o povo passa pelo mesmo. E tomara que quando e se isso acontecer, nós saibamos ser tão proativos e dignos quanto eles, povo brasileiro que clamam por justiça e honestidade!


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

RIP em 2013


No final deste ano muita coisa vai mudar no país.

Nunca entendi a euforia de uma passagem de ano. Para quê celebrar com tanto entusiasmo a chegada do preciso momento em que os preços sobem? Escuta-se em todos os noticiários que o preço da gasolina vai aumentar porque aumentou o custo do barril do petróleo. Para não destoar, todos os bens de serviço aumentam também: a electricidade, o gás e a água. O Défice da dívida pública também aumenta, assim como os impostos.

Fico mais deprimida que contente com a chegada do novo ano. Levo cerca de um mês a "digerir" as amarguras... Lá para o meio de Fevereiro é que me sinto mais animada. Não sei porquê. Desconfio que o meu relógio biológico foi acertado de acordo com o calendário chinês...

No final de 2013 e assim que chegar 2014 "morre" O Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC). Para fazer nascer o "Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas". A diferença não está no nome, está nos milhões disponibilizados para a ajuda aos mais necessitados, que se vê reduzida para metade.

E tenho cá para mim que 2014 vai ser negro.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A velhice, o emprego e a minha pensão

Quando ingressei no mercado de trabalho senti quase de imediato dificuldade. Antes mesmo do contrato de trabalho acontecer, disponível apenas fora da área de formação, primeiro surgiram os ditos "estágios". A grande maioria não remunerados ou apenas fornecendo despesas de deslocação. Estes estágios de poucos meses eram largamente praticados pela maioria das empresas na área, que assim beneficiavam dos conhecimentos frescos e recentes dos jovens a preço de nada. A "experiência" obtida pelo estagiário - muitas vezes de pouca relevância prática - foi a cenoura apresentada diante dos seus olhos. No final do tempo de estágio, o estagiário sabia que ali a sua estada ia terminar, pois ficava mais económico para a empresa colocar um outro estagiário nas mesmas precárias condições e assim continuar a usufruir de matéria prima jovem, motivada e com ideias novas, a custo zero. 

Os estágios foram outra forma de adiar o óbvio da crise que viria claramente a assolar esta primeira razia de juventude formada no ensino superior, pós 25 de Abril. Eles adiavam a constatação de que o volume de emprego não suportava a quantidade da procura. Principalmente a procura qualificada. As universidades estavam a formar jovens que não teriam espaço no mercado laboral. Mas enquanto isso, adiava-se a fácil constatação do problema, visto que uma licenciatura durava seguramente cinco anos. Cinco anos de contribuições de propinas e despesas relacionadas com o investimento. 

Quando comecei a trabalhar, antes mesmo até, estava cheia de energia, de vontade, cheia de capacidade para trabalhar muito. E já tinha uma boa noção no que me ia meter e como as coisas funcionam. Não era ignorante, embora fosse ingénua mas mais por ter bom coração e ser no fundo uma pessoa idealista do que por ignorar o que me rodeia. O que mais queria era começar a trabalhar e nunca mais terminar. Fazer os meus descontos religiosamente e o quanto antes, para garantir alguma segurança na velhice. 

Mas os primeiros anos foram decepcionantes na medida em que os empregos surgiram intercalados por meses sem emprego. Os contratos de trabalho precários, a prazo, que ditavam que ao fim de "X" tempo ias embora. Os empregos obtidos através de empresas de contrato de trabalho temporário. Ninguém contratava diretamente, ninguém oferecia boas condições de remuneração, todos exigiam horas extra gratuítas. Fui para o estrangeiro, por gostar da função, mas também ela era temporária. Quis ficar por lá,  mas a família fez-me voltar. Retomei a procura por emprego. Nada fácil. E assim se passaram os primeiros cinco anos, depois os primeiros dez. Empregos precários, intercalados por períodos de desemprego. Os tais descontos que queria fazer são hoje uma realidade distante. Descontei tanto quanto não descontei. Não por vontade, mas por circunstância. Não vou poder contar com a segurança dos descontos para assegurar a velhice. Isso me preocupa mas já o constatei como uma realidade dura que aí vem. E toda a velhice merece ser assegurada financeiramente. Era jovem e já a pensar na velhice, mas de pouco me serviu. Quando oiço meus pais e outros como eles a refilar pelos cortes nas suas pensões, a falar das dificuldades económicas, mas com tecto e meios de subsistência minimamente aceitáveis, fico a pensar para comigo se percebem a sorte que têm. Porque apesar de tudo, a velhice deles está garantida e a vida está assegurada. Têm pensão, coisa que eu não vou ter. Direitos de assistência médica especiais devido à anterior função de um dos conjugues. Eu e tantos outros não vamos chegar à velhice com nada disso.  

Já nem penso tanto no futuro. De pouco me adiantou. Nem no presente. Vai-se indo.... A enorme força motriz que me inundava o peito foi totalmente desperdiçada em tentativas e mais tentativas. Tenho plena consciência de que muita boa energia é desperdiçada por este país, que levianamente deixa escapar jovens extremamente capazes, produtivos e com grande vontade de trabalhar. E quando tanta coisa é desperdiçada, e outra tanta tão mal feita ou dificultada, não se agoira nada com optimismo. E na verdade, não se deve olhar mesmo. Mas uma coisa eu sei: é vital uns ampararem os outros. E embora gostasse de ser eu aquela que virá a ter capacidade suficiente para se aguentar e ainda auxiliar quem precise, provavelmente vou pertencer à categoria de pessoas com uma certa idade que precisam de ajudas. E infelizmente terá de ser assim. No passado amparamos os nossos idosos com reformas acima das suas contribuições. Baixas é certo, para o nível de vida, mas altas para as próprias contribuições, curtas no tempo devido ao desconto tardio ou outras falcatruas da altura, pois tudo isto chegou depois do 25 de Abril, após uma vida inteira de trabalho que não foi contabilizado. Isto eu sei: temos todos de ser uns pelos outros, para que a malha da sociedade não colapse. Se isso vai colocar mais peso sobre os ombros dos nossos filhos, é algo que se tem de acatar. Se será sobre o peso dos nossos idosos, terá de se acatar. Não se pode é deixar cair a malha social, para o buraco fundo que é a pobreza e a miséria, do qual uma vez lá dentro dificilmente se consegue recuperar. E é por isso que trabalhamos. 

sábado, 30 de junho de 2012

Crise? Já não é de hoje!

Os noticiários e a Comunicação Social em geral não CESSAM de falar na CRISE.
Eis o que o noticiário da TVI, hoje, explica o que é a crise de acordo com os hábitos de consumo:

CRISE É:
1. Ir de Super-Mercado a Super-Mercado à procura dos produtos mais baratos.
2. Consumir produtos alimentares FRESCOS ao invés da comida embalada.
3. Cozinhar em casa ao invés de fazer alimentação em locais de restauração.
4. Esta "dieta orçamental" -diz a jornalista, fez também "emagrecer" o consumo de outros produtos: refrigerantes, batatas congeladas, sobremesas lácteas -  "são produtos que as pessoas já não consomem tanto"  - diz a entrevistada Madalena Bettencourt, Directora do Lidl. Que ainda acrescenta: "hoje em dia as pessoas vão mais vezes às compras, compram menos e preferem confeccionar as refeições em casa".
5. A jornalista "passeia" pelo supermercado e vai falando de percentagens de consumo nos primeiros 3 meses deste ano em comparação aos do ano passado. O consumo de alimentos até subiu ligeiramente, porque se compra mais, mas o que desce é a procura de BENS NÃO ALIMENTARES, e para o exemplificar, vai fazer entrevistas numa loja de electrodomésticos. E acrescenta:  aqui, como no sector dos têxteis, cultura e lazer, o ciclo de vida dos produtos aumentou. O novo só serve quando o velho realmente  já não serve.
6. Conclui-se a reportagem chegando à conclusão que o consumo está em queda-livre, o que vai ser fatal para algumas empresas e originar o desemprego.


Vamos reflectir...
1. Não consumir sobremesas lácteas... e que tal NENHUMA sobremesa previamente confeccionada? 
2. Não consumir comida enlatada, ou embalada previamente confeccionada... qual a novidade?
3. Ir de super-mercado a super-mercado em busca dos produtos mais baratos e comprar em função do preço... desde quando isso é hábito de agora?
4. O novo só serve quando o velho realmente já não serve... Qual é o mal disso? Pelo menos que esta "crise" sirva para reeducar os hábitos de excesso de consumo para onde nos estávamos a dirigir! Tanto consumo de produtos de plástico e têxteis para quê?
5. E acrescento: deixar o carro à porta de casa (ou nem o ter) e ter de se deslocar de transportes e a pé... que mal tem nisso?


Este contínuo mencionar da CRISE pelos media já enerva. 
Falam da Crise ECONÓMICA como se ela tivesse acabado de chegar, transformam-na em NOTÍCIA, como se fosse uma NOVIDADE recente. Mas agora descobri, graças a estas descrições pormenorizadas do que são os SINAIS da CRISE ECONÓMICA, que já vivo em CRISE faz quase DUAS DÉCADAS, não morri e ninguém alguma vez se lembrou de fazer tanto alarido disso. 

Em suma: descobri que afinal muitos já vivem em crise faz muito tempo e sobrevive-se! O que é esperançoso: não se morre disto. Crise, como alguém já disse, era noutros tempos, na altura dos nossos bisavós ou avós, quando passavam fome e escasseava comida nos lares da maioria da população, assim como vestuário, dinheiro no bolso ou mesmo um tecto para uma família morar. Enquanto a crise for adoptar hábitos mínimos de consumo e aumentar os de poupança, não se vive mal. Vive-se remediado, vive-se no que alguns chamam de pobreza, mas não se está em CRISE.


Todos estão a focar as suas atenções apenas na CRISE ECONÓMICA, quando devia-se era abordar a CRISE DE VALORES, a crise social. ESSA SIM, merece alguma reflexão. Será esta a que mais vai sofrer com as alterações económicas e dos hábitos de consumo, habituados que alguns estavam aos luxos, será esta a sofrer com o crescer do desemprego, com os maus salários... a crise SOCIAL está a cercar Portugal como um abutre a sobrevoar a carniça.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Défice, Troika e Medidas de Austeridade do Governo

A propósito de um post que coloquei aqui a 11 de Julho de 2010, em que me revoltava com o entusiasmo patético de figuras públicas a promover a selecção de futebol com a frase: "O que eras capaz de fazer pela tua selecção"?, quando deviam era se centrar no que cada português é capaz de fazer pelo seu défice, agora chegámos a um ponto em que as medidas estão aí, e é preciso agir.

O governo recém-formado está a divulgar as medidas de austeridade. Metade do 13º mês será para o Estado. Como é que interpreto esta medida? Como tenho encarado tudo o resto: desde que seja para melhor e desde que, para o ano, não nos venham pedir para cortar ainda mais, sou toda a favor. É preciso medidas de austeridade, que venham elas. Mas que sejam funcionais. Que não seja como o IVA e como o tamanho do défice nos últimos meses: sempre a subir, contrariando todas as estatísticas. Isso seria muito mau e tiraria, de todos os portugueses, o ânimo e a crença de que as coisas vão melhorar.

Não é assim que quero pensar. Acredito que vamos melhorar e sair do buraco. É assim que temos de pensar e de agir. Se depois de sair do buraco, o governo começa a achar que está tudo normal e pode esbanjar novamente dinheiro - isso é que me preocupa.


Entre outras medidas, vão cortar ao meio o 13º mês. Pelo menos não o tiram por completo! Foi assim que pensei. Procuro o optimismo. Não é um sentimento de "tapa-olhos", mas um voto de confiança nas medidas que vão ser tomadas. Se for para melhor, que venham elas, que sejam implantadas e que resultem, para que possamos recriar uma sociedade melhor, mais justa e equalitária.

Poucos empregos, mal remunerados, muitas falcatruas, muitas empresas e pessoas a ganhar por fora e a fugir aos impostos. Isso tem de acabar! O próprio governo é o principal culpado desta situação. Deixou culpados saírem impunes por anos e anos, até os bolsos de corruptos, gatunos, ambiciosos, ladrões e oportunistas ficarem tão cheios que não tinham mais por onde se virarem. Esticou-se a corda ao limite! E as formiguinhas a trabalhar, a trabalhar, por migalhas, a acumular preocupações, doenças, mais preocupações, a adiar ter filhos, preocupados por não os conseguir sustentar ou lhes dar uma formação adequada às exigências de uma sociedade em progresso, a viver em stress, furiosas, descontentes... tristes!

As medidas de austeridade... que sejam a tempestade antes da bonança! Que venham, sejam de curta duração e antecedam um período longo de prosperidade, sol e alegria. O povo já merece.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A culpa é do Bush!


Estamos a viver em recessão?
Pois a culpa é do Bush!
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Se já não compreendi como pode ele ter sido reeleito há quatro anos atrás, compreendo menos ainda como o permitiram. Estamos agora, o mundo todo, a sofrer esse acto. O homem, burro como ele só, nem escondia a sua incapacidade para ocupar aquele que, dizem, ser o maior cargo do mundo. No entanto, o povo Americano decidiu recolocá-lo na cadeira presidencial. Com isso decidiram também prolongar a guerra, as mortes e os custos de arcar com estas decisões.

Não acredito no sistema democrático dos EUA. Só pode ser tudo uma grande fantochada, uma grande performance, maior que todas as grandes produções de Hollywood juntas. Gaita! Basta ver um qualquer vídeo promocional de um candidato e aquilo até dá a volta ao estômago! Fazem das pessoas santas, heróicas, melhor que um filme e com a mesma produção e custos monetários exorbitantes!
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E onde anda o dinheiro?

Não derreteu, não ardeu... tem de estar nos bolsos de alguém.

Talvez tenha ido para as ilhas Palmeiras artificiais do Médio Oriente, ou para as megalómanas construções de engenharia na Índia. Se estão muitos a ficar na miséria, decerto que na outra extremidade estão uns poucos a ficar muito, mas estupidamente muito ricos.

Quem lhes deu o nosso dinheiro?
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Como vive Bush agora que não é presidente?

Por acaso vive com dificuldades? Ou está a viver no luxo, cheio de empregados para lhe lavarem as roupas, para conduzirem o carro, para lhe carregarem os tacos de golf...

Irlanda, Letónia, Ucrânea, Grécia e até a a Grã-Bretanha são países em risco de Banca-Rota. Atenção ao termo facultado pela comunicação Social, que fez questão de diferenciar Recessão de Banca Rota.
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Consequência: falta pão na mesa do mundo.
No meio disto, vem-me à lembrança uma profesia de NostraDamus.
Alguém a interpretou como um aviso de que a Europa ia tomar uma má decisão, que a colocaria na miséria, traria fome e sofrimento. E claro, a profesia é para estes tempos... alguns até consideraram o EURO o início dessa «catastrofe». Será? O que acham os crentes?








quinta-feira, 12 de junho de 2008

Alfacinhas sem Alface


É o que dá mudar muito as coisas e fazê-las funcionar num único denominador comum. Com o protesto dos camionistas, os Alfacinhas (e o país) ficaram sem alfaces. Alfaces, couves e outras verduras e legumes. Os bens da Terra, que costumavam plantar-se nas hortas espalhadas pela cidade, vêm agora de um mesmo fornecedor, sobe as rodas de um camião.

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Os hipermercados e supermercados amanheceram neste dia seguinte ao dia de Portugal, sem verduras nas prateleiras. Salvaram-se, espero eu, aqueles que se abastecem também nouros locais. Quem sabe, às mercearias e mercados de bairro não faltaram verduras, por algumas ainda irem buscar parte do seu stock localmente.

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Um alerta, que exemplifico com as Alfaces dos Alfacinhas (que tão bem sabem no verão) mas vai da verdura à gasolina. Um alerta, senhores governantes! De que tudo vai mal e o povo manifesta-se.

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Buzinem sim, enquanto tiverem combustível para passear de carro. Mas façam-no não apenas por um jogo de futebol. Mas por um Portugal melhor! Buzinem em frente ao Parlamento, nos degraus da assembleia da República, junto à casa do presidente em Belém. Buzinem, sejam solidários e reinvidicativos.

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A continuar, teremos um 10 de Junho com sabor a 25 de Abril de 74.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008


Dificuldades numa sociedade fechada
Dificuldades numa sociedade aberta

Somos constantemente informados nos noticiários do quanto estamos abaixo da média europeia em termos de rendimento, poder de compra, salário, escolarização, formação, etc. Será que alguma vez no meu tempo de vida, vou ouvir que Portugal vai bem e recomenda-se?

1932 a 1968: Chefe de Estado: António de Oliveira Salazar

Vive-se numa sociedade fechada ao exterior. O povo vive na miséria interna, oportunidades para lhe escapar são poucas e implica arriscar tudo e deixar tudo para trás.
A Salazar atribui-se actos de opressão e violação dos direitos humanos.
Figura não-grata no panorama histórico de Portugal, ao menos até a sua eleição no programa “Grandes Portugueses”.
Chefe do Estado Português quando existiu a PIDE.
Figura a quem se atribui a culpa pela pobreza, miséria e fome por que passou o povo.
Figura que lhes tirou a liberdade.
Homem que manteve Portugal na neutralidade aquando a 2ª Guerra Mundial.


2000 a 2008:
A sociedade portuguesa não está mais fechada. Ao contrário: está escancaradamente aberta! No entanto, uma coisa não mudou: continuam as dificuldades. E para lhes fugir, a opção parece permanecer a mesma: abandonar tudo, deixar tudo para trás e partir, sem garantias, rumo a uma vida noutro lugar.

Primeiro-Ministro: José Sócrates
Presidente da República: Cavaco Silva

Porta aberta, ou porta fechada, afinal, porque estamos mal?