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domingo, 27 de outubro de 2019

Mais uma indirecta da mais-velha


Eram quase 21h da noite. Fazia talvez 30 minutos que eu havia passado pela sala, frente ao cu sempre sentado no sofá da mais-velha, segurando um prato com comida feita no microondas: arroz seco com um bife seco. O andar de baixo estava gelado, ela tinha roupa colocada em cima de cada radiador, mas estes estavam desligados. Vi a janela da cozinha aberta e fechei-a. Percebi que, excepcionalmente, abriu a janela para ver se o intenso cheiro a comida desaparecia depressa. Assim que saí do quarto no piso superior fui agredida por esse odor. Naturalmente, ela abriu a janela para que este desaparecesse. Não sei como uma pessoa que só usa uma uma frigideira é capaz de cozinhar de forma a deixar cheiros tão intensos e duradouros. De todas as ocasiões que proporciona para que aquela janela seja aberta, é raro que a abra. Escolheu logo a pior altura: uma noite muito fria. A sala estava gelada. O cheiro? Nem por isso estava a desaparecer. Se ela ligasse o exaustor que o senhorio concertou por algum motivo (para ser usado) não teria de se preocupar tanto com o cheiro DEPOIS. O exaustor suga os odores, sendo o melhor aliado para que este não fique impregnado nos tecidos, na mobília, não permite que a gordura se agarre por todo o lado.


Então a senhora perfeição, que só faz tudo bem e nunca erra, não sabe ligar o exaustor?


Mas dizia eu, fazia cerca de 30 minutos que havia passado diante dos olhos dela com o prato de comida feita no micro-ondas - o único eletrodoméstico que uso para me alimentar.

A esta hora da noite, sabendo muito bem que eu estava acordada - podendo falar comigo se quisesse, decidiu deixar uma MENSAGEM no CHAT do grupo. Ora, eu sei bem que tudo o que ali é escrito visa somente uma pessoa: EU. E visa principalmente indicar ao senhorio que algo não está em conformidade, "sugerindo" um responsável. 

A mensagem que escreveu diz assim:

Pessoal, limpei o microondas para evitar sujidade salpicada tão má, cheiros nojentos! Por favor usem película para cobrir a comida quando cozinham/aquecem. Obrigada


Respondi: Como deves ter reparado, uso pratos duplos. Nada de salpicos aí. E lavei o prato do micro ondas ontem de noite por causa de cheiros. Mas obrigado por limpares o resto.


Resposta dela, à qual obviamente não dei mais trela:
Os pratos duplos saltam e não previnem a sujidade. O cheiro era horrível

Já estava a incutir a responsabilidade em mim. Porra! E usa adjectivos altamente exagerados como mau, nojento, horrível. Cheiro a comida depois de se usar o micro-ondas é inevitável. A comida vai de crua a cozida em cinco minutos! Mas o bom é que os odores são tão rápidos a desaparecer quanto é rápido o cozinhar. Se cheiro de duração temporária da comida no microondas é para ser apelidado com terríveis adjectivos, então o que dizer dos cheiros dos seus cozinhados? Que naquele preciso instante estava tão forte, tão intenso, tão duradouro, ainda que a janela tenha sido aberta? E que logo a seguir ficou ainda pior, porque alguém decidiu usar o forno? O cheiro cá em cima é de lascar!!

Ela cozinha ao final da tarde e tanta vez na manhã seguinte os odores ainda se fazem sentir no piso de cima. Já me aconteceu tanta vez acordar de madrugada, receber aquele odor a comida como um murro aos sentidos, e não conseguir voltar a adormecer devido a isso. Até já cheguei a espalhar ambientador, para ver se cortava ou eliminava estes odores, tão persistentes, tão invasivos. 


No microondas, com dois pratos, a maioria do odor fica selado, só é libertado quando se remove a tampa. E isso faz-se FORA do aparelho. Não que tenha problema que se liberte no interior, afinal, não dá para usar o microondas removendo o cheiro dos alimentos cozidos! É para isso que o microondas serve: para cozinhar! E cozinhar sem deixar cheiro? Opá... estes italianos são varridos da cabeça. São mesmo o tipo de gente que pensa que a merda deles é perfumada. 

O frigorífico está sujo nas prateleiras que não são minhas. Eles deixam alimentos abertos, como frutas e vegetais, sem os cobrir. Nunca os vi armazenados em caixas plásticas, ou sacos próprios. Ficam abertos, meio consumidos, expostos ao ar, a deitar cheiro... Algum deles escreve mensagens a dizer que o frigorífico tem um odor terrível, horrível e que fica com bactérias e pede para que tenham consideração pelo todo? 

Já aqui falei que tinha ovos num cantinho do frigorífico e que deixei a caixa vazia porque pretendia meter lá mais ovos. Pois nem 12h se passaram e a caixa tinha desaparecido. Aconteceu duas vezes. Agora o espaço já não está disponível, claro. Está cheio de merdinhas que uma italiana gosta de lá meter e deixar lá ficar por meses. Na realidade, agora estão lá duas metades de cebolas, mais um pedaço de uma terceira. E querem vocês saber: a cebola está coberta com película, por causa do intenso cheiro que toda a cebola deita?

NÃO!!!


Faz para aí umas três semanas que a primeira metade de cebola foi ali deixada. Agora apareceu outra. É que ainda por cima, não vão usar aquilo. Se usassem, teriam usado a que já estava aberta, não iam abrir outra e juntar a metade à metade que já lá estava.


Esta italiana que mencionei - a mais nova, foi embora deixando uma lata aberta de coca-cola na sua prateleira, com a curiosidade de ter um pedaço de guardanapo dentro. Será que pensa que evita que perca o gás? E por quanto tempo era suposto fazer isso? É que a lata ainda lá está. Agora sem o papel. Também deixou uma caneca e lembrei-me de espreitar: ou melhor, de fotografar/filmar. Registar a realidade que, por alguma razão fantástica, escapa aos olhos desta máfia. Dentro da caneca estava um restinho de café. A sério??

Ela ficou uma semana sem aparecer e no retorno vai beber aquele restinho de café? De coca-cola? Usar a cebola?

Mas quando chega a altura de fazer queixinhas no grupo sobre limpeza ou hábitos na casa - este tipo de mensagens nunca aparece. Porque será?? A porcaria e a desarrumação está por todo o lado, só é preciso olhar. A bancada da cozinha quase que não se vê. Cada qual tem um armário, mas gosta de espalhar tudo ali. Menos eu. 

A mais-velha tem todos os cantos da cozinha ocupados com merdas dela. Tem especiarias e garrafas VAZIAS espalhadas por toda a parte. A sério... ainda hoje, no WC, verifiquei que existiam 3 novos frascos quase ao pé da sanita. Quando lhes toquei, a leveza logo denunciou que estavam VAZIOS.



Ela colecciona frascos vazios! A sério... deve ter uns seis ou dez no WC, debaixo do lavatório da cozinha tem outros três ou quatro, perto das especiarias tem duas garrafas, uma de vidro outra em plástico com um pouco de água que já deve estar tépida e azeda, e em cima do tampo da máquina de lavar roupa, quatro embalagens vazias.

É coleccionadora!
Mas não vê isto como um hábito mau que pode ser incomodativo numa casa partilhada.


Só eu estou sobre escrutínio.
E sabem o que já não faço há coisa de seis meses?
Não uso o fogão. Parei de o fazer. Muito por causa do escrutínio a que me estavam a sujeitar - sempre à espreita, a ver se me viam aproximar para depois eles sujarem e eu ser responsabilizada. Mas também por eu só gostar de cozinhar quando me sinto livre para o fazer e sentir prazer. Até mesmo cozinhar em quantidade e partilhar - coisa que nesta casa é alvo de desprezo. Eles tornaram a experiência em algo indesejável. Só uso o micro-ondas, e isso, mais tarde ou mais cedo, tinha de se tornar no novo alvo. Até demorou.

Não sou a única a usá-lo em exclusivo. Mas eles podem alegar que sou. A mais-nova, que o usa amiúde e não é de limpezas, foi quem o usou agora depois de mim. E como a outra viu-me a usá-lo por 5 minutos...  Dois contra um. Começa o filme.

Eu também não gosto quando é ela a usá-lo! Principalmente quando deixou queimar algo ou deixou a tampa da porta toda salpicada. Mas vou escrever mensagens sobre isto no chat? Não. 

E se tiver que mencioná-lo por achar necessário, sou o tipo de pessoa que aguarda que a outra chegue a casa, espera o momento certo e fala-lhe na cara, numa conversa que se quer amigável e não conflictuosa.


Tenho muita falta de sorte com o tipo de pessoas que atraio.
Ou então, sou eu que despoleto nas pessoas a vontade de mostrar o seu lado mais perverso.
Acho que o problema está em mim. Mas não consigo concertá-lo.

É que o problema pode ser a forma como sou... Aparento ser séria, zangada, quando não estou a sorrir. Mas sou «boazinha». Tolerante.

E não vejo problema nisso!!

Porém sofro tanto, chiça.
Gostava que todo este tipo de gente se afastasse de mim e gostava de atrair somente gente boa. Boa, no âmago, não nas aparências.


PS: Mas não quero que os meus posts sejam só sobre isto. Programei um para amanhã, que é dos "parvinhos" ehehe! Porém, oculta e deixa exposto muita coisa. Só eu saberei, claro. Tenham uma boa semana e façam o favor de ser caridosos! 

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Limpezas complexas


Há coisa de três semanas o senhorio apareceu porque tivemos uma infiltração de água na sala, vinda do piso de cima, provavelmente do duche. Quando desci as escadas para a sala, a mais-velha estava com ele na cozinha e apanhei-a a fazer-lhe "queixinhas". Estava a dizer-lhe que quando regressou o chão da cozinha estava imundo. 

Perguntei, como se não tivesse ouvido, o que é que estava "imundo" e ela, teve só um segundo de surpresa, mas depois disfarçou e agiu com normalidade: "O chão da cozinha". 

- Isso é porque ninguém está a cumprir o calendário das limpezas. - Respondo sem pensar, como reflexo. E aponto para o dito, pendurado há mais de um mês na parede, novo, colorido e reluzente. E durante um mês, apenas com o meu nome a assinalar que a limpeza tem sido feita.

Foi ela que o colocou ali para substituir um outro que eu tinha feito oito meses antes. Não perguntou, nem sequer comunicou. Decidiu. Deve ter sido uma decisão conjunta, excluindo, claro, aqui a vossa portuguesinha. E fê-lo para apontar o dedo, foi uma forma de retaliar e de me privar de usar o WC do piso inferior. Mas isso é outra história. 

No novo calendário de limpezas, eu sou a última a ter de limpar. Antes de mim vêm as três pessoas que nunca limpam nada. Estão a ver o que eu vou "herdar" de sujidade?? Enquanto aqui a portuguesinha limpou, que os outros não o fizessem não gerava "queixinhas" aos ouvidos do senhorio. Mas eu sabia que se falhasse... iam tentar incutir-me responsabilidades. Não demorou mais de duas semanas e o timming certo: as férias da páscoa. 

O timming é muito importante. Eram férias de Páscoa e todos os italianos foram passar um ou dois dias fora.  Portanto ela começou por aí: "eu não sei, eu estive fora", quando regressei «estava tudo sujo». O dedo estava claramente a apontar para as pessoas que ficaram cá na Páscoa: eu e a outra rapariga não-italiana. Elas dão-se bem mas a rapariga nova não é italiana. Se preciso for acho que não lamentam em ter de atirá-la para debaixo das rodas da carruagem, sacrificada. E nem se apercebe disso.


Respondi que para ser sincera não notei que estivesse mais sujo do que noutros dias. E é verdade. Muitas vezes está sujo da mesma maneira, com eles todos cá em casa, a terem de cumprir um calendário de limpeza. Ninguém parece incomodado. Ausentam-se alternativamente por 48h, deixando os caixotes quase cheios de porcaria, coisas por limpar e pensam que quando regressarem uma "fada do lar" terá resolvido o assunto. 

Deixaram lixo na casa, sujidade, caixotes quase cheios, não limparam como de costume. Voltam dois dias depois e querem, por magia, encontrar tudo como não deixaram: limpinho. 

Gostava que vivessem sozinhos, para descobrirem que a forma como abandonam a casa é a forma como a vão encontrar no regresso. Se não tiverem empregados para fazer limpezas para eles, ainda não inventaram casas auto-suficientes, que se limpam sozinhas.



Depois deste "flagra" que levou o senhorio a deixar uma mensagem no chat a pedir para que se assinalasse no calendário quando se fizesse as limpezas, é que, pela primeira vez em quatro meses, ouvi e vi as novas hóspedes a limpar uma divisão da casa. E lá vão assinalar no calendário.

Foi a primeira vez!

Não estavam a limpar. Deixavam a tarefa para outras pessoas. Limpavam só aquilo do dia a dia, um prato... a loiça que usaram. Deixam a mesa de madeira toda manchada com marcas de líquidos e gordura, migalhas, etc, não se incomodam com isso. A limpeza semanal serve para deixar tudo limpinho. Eu costumo limpar "a sério" mas verifiquei agora que eles não limpam de todo. A primeira limpeza da J. consistiu em "limpar" a cozinha dois dias depois desta ter sido limpa devido à visita do senhorio. Ou seja: pouco fez. Arrumou um pouco a bagunça das tralhas em cima da mesa, só isso. 

Anteontem, era a sua vez de limpar a sala: pegou no aspirador e aspirou mal e porcamente aquilo, sem desviar os sofás, sem se preocupar com os recantos. E não passou um pano de pó em nenhuma parte. A TV, a mesa, tudo tem visivelmente pó. Ainda faltam DUAS outras pessoas limparem até ser a minha vez. Conseguem adivinhar a quantidade de pó que devo "herdar"?

Na véspera, o rapaz pegou no aspirador e "aspirou" a sala. No dia seguinte, ela repete-lhe o gesto. Portanto não sei o que ela andou a aspirar... Um dia de intervalo não é exatamente limpar coisa alguma, principalmente se o pó continua espalhado e negligenciado. Contudo, a sua "responsabilidade" já foi passada a outro. 

Ontem foi a vez da outra rapariga decidir limpar a cozinha. Notei muita coisa negligenciada. A única coisa que desta vez soube fazer, foi despejar os caixotes e passar um pano na tampa, que estava cheia de gosma. 

Por isso já fiquei contente.

A área das máquinas de lavar não foi tocada, e faz parte da cozinha. Nada nos balcões foi removido do lugar, até mesmo um pacote de esparguete continuou abandonado no mesmo local onde repousava fazia dois dias. Migalhas e sujidade estavam ao lado do fogão. E a porta debaixo do fogão, que por acaso é onde ela guarda os seus mantimentos, continuou com traços secos de líquidos e molhos que ali escorreram em alguma ocasião. Seria de esperar que notasse, visto que é ela quem tem de abrir aquela porta de armário.

Estou a pensar fazer limpezas da mesma forma que eles. Levo mais de uma hora a limpar seja o que for. Eles demoram 10 minutos. 



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Duas idiotas não fazem uma inteligente

"Espero que esteja tudo bem consigo" - pergunta Elvira, num dos comentários que simpaticamente aqui deixou, após regressar das férias.

Acho que a Elvira deve ter um dedo de adivinha. Porque de facto vêm aí mudanças para a minha vida. Mas, não faço ideia do que aí vem.

Pela primeira vez em toda a minha vida, pedi dispensa definitiva do trabalho. 

Acontece que recebi o ordenado hoje... e até se abriu a boca.
Nunca antes ganhei tanto com tão pouco esforço.

Se calhar fui uma IDIOTA por dispensar este emprego. 
Uma idiota por não querer ser comandada por outra IDIOTA. 
Só que esta, de uma idiotice de outro nível.


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Não é novidade que existiu uma contenta entre mim e a chefe - por uma coisa muito idiota. Por causa dela, a mulher deixou de me falar adequadamente nos dias seguintes e exibiu alguns comportamentos infantis. Um deles foi dar-me o pior horário de trabalho no mês seguinte. Uma pequena "vingançazinha" de pessoa mesquinha que, tendo oportunidade de prejudicar outra, abraça-a infantilmente, ao invés de a rejeitar. 

A situação voltou a repetir-se. Ou melhor, a chefe voltou a fazer uma grande tempestade num copo de água. Nem percebi porquê lhe deu tanta vontade de barafustar. Não existiu qualquer motivo para tal. Não cometi nenhum erro, não prejudiquei ninguém... o trabalho estava a correr bem, mas um pouco parado. E por isso propus no grupo de trabalho que se alguém tivesse interessado numa folga, eu estava interessada em trabalhar. 

É natural... as pessoas trocam turnos, fazem propostas...
Eu não sou muito disso mas, há sempre uma primeira vez. Então deixei a proposta no ar. Não foi como se estivesse a forçar alguém! Nem exigi nada. Porque só isso justificaria a reação dela. Depois de ler esta minha sugestão, ela escreveu o seguinte: "Fulana, quando perguntei quem queria fazer horas extra não disseste nada. Agora esperas que os teus colegas dispensem dos seus dias de trabalho para ti??? Não gosto nada disso!"

Eu li a mensagem e fiquei pasma. Mas... porquê aquela agressividade? E de onde veio aquela interpretação?? Quando é que ela perguntou quem pretendia fazer horas extra? E porquê estava a usar isso contra mim? Estava a castigar-me, ficava implícito. Por não me ter oferecido para fazer horas extra há quatro semanas atrás, estava agora condenada a não ter direitos? Nunca mais poderia propor nada? Mas isso é ser chefe? Mas afinal o que fiz eu de errado ao escrever aquela simples e inofensiva mensagem sugerindo uma troca de folga por um dia de trabalho? Nunca pensei, nunca me ocorreu, que ia ter uma resposta como aquela.

E não ficou por aí. Porque ao lê-la, caí no erro de responder. Não gostei da implicação que ela fez: de que estava a prejudicar os meus colegas e que não me oferecia para fazer horas extra. Porque não era verdade! Ela havia pedido para fazer horas fazia 5 dias. E assim o fiz. Trabalhei até há uma da manha.

Agora estava a acusar-me de não me oferecer?

O que mais me custou da outra vez foi ouvi-la retratar-me de forma oposta ao que sentia estar a demonstrar. Estava a acontecer novamente. E assim não podia ser. Como posso trabalhar para uma pessoa que diz que ando pela esquerda, quando ando pela direita? Que me acusa de pegar no telemóvel quando não gosto de telemóveis?

Portanto existiu na sua resposta uma quantidade muito equivocada de afirmações, todas entregues com agressividade. Disse-lhe para deixar estar... Da maneira como ela deixou claro estar descontente estava obvio que NINGUÉM IA OUSAR, mesmo que quisesse, trocar um dia comigo.

Mas ela continuou. Ainda respondeu que não se falava mais do assunto, não queria ouvir mais uma palavra a respeito!

Ora...
Ela cria toda uma discussão e depois até sente-se no direito de silenciar qualquer possível intervenção. Isso é um atentado à liberdade de expressão. Foi aí que percebi: "mas ela é uma IDIOTA!".

E foi aí que decidi que não ia ficar a trabalhar para ela.
Ainda assim, nada disse nesse dia. Não queria agir a quente.

Quando entrei no escritório, disse bom dia a todos e, quando me virei para sair, ela, que nada me disse, ruminou um "Hei?", ao que lhe respondi um simpático adeus e continuei o meu rumo. Afinal, tinha terminado o trabalho, já nada me prendia ali. E se ela escreveu que não queria ouvir mais uma palavra a respeito.... pensava o quê? Que ia ter com ela discutir o assunto??

Não quer diálogo não tem diálogo...
É olá e adeus e pronto.

Minutos depois recebi uma mensagem no telemóvel, dela. Escreveu assim: "Fulana, querida, é para te lembrar que ainda estás à experiência. Tem um bom dia!".

Interpretei aquilo como uma ameaça. "Ou fazes o que quero, ou te curvas e obedeces, ou serás castigada. Eu tenho poder sobre ti".

Quase que respondi: "Muito obrigada por me lembrar. Era o que precisava saber. Neste caso aviso-a que o meu trabalho acaba aqui".

Mas fui mais madura. A decisão estava tomada. Mas ia comunicá-la presencialmente.

No dia seguinte ela liga-me para perguntar algo e no final diz que temos de falar. Muito bem, quando? - pergunto. Ela não sabe dizer... Proponho ir ter com ela no final do meu turno para esse fim, mas ela rejeita a proposta, dizendo-se muito aterefada. Talvez na "segunda-feira"... responde ela. Ou seja: uma semana! Não estava para esperar uma semana até «sua magestade» decidir que tem tempo para falar. Se mencionou que temos de falar, que não usasse isso como arma de intimidação. Que fica a pairar no ar por sete dias... Perguntei-lhe então sobre o quê desejava falar. Mais um suspiro e ela diz:
-"Tu não percebes que atrapalhas os turnos dos outros? E depois ages como uma crianças de cinco anos!".

Ao que lhe respondi: "Fulana, eu quero terminar a minha colaboração aqui na empresa."
-"Está bem" - responde ela, num misto de surpresa e alívio.

(estava cansada de a ver usar essa possibilidade como ameaça)

-"De quanto tempo precisas?"
-"O tempo para sair são duas semanas".
-"Duas semanas (eu tinha lido uma apenas por lei). Que mais é preciso fazer?"
-"Deixa uma carta na minha secretária".
-"Está bem. Adeus."


Instantaneamente senti-me leve.
Gosto do trabalho - nunca tive um que surpreendesse tanto pela positiva no salário. E não é nada exigente. Mas pode ser aborrecido e monótono e chato (se as pessoas forem chatas e parvas). E nesses momentos não o suporto. Mas nunca irei encontrar outro como este, isso é certo. Ainda demais, é uma companhia privada. Não corria o risco de ser demitida como nas outras que a rodeiam...  Era mais "sólida". Só que, nas condições em que a encontrei... não quis arriscar cair nos erros do passado. Erros que me fizeram aguentar todo o tipo de abuso. Até o abuso se tornar pior, pior e eu acabar gravemente prejudicada. "Se ao menos tivesse terminado tudo como pensei tantas vezes..." - não queria passar por isso novamente. Então, na hora em que tudo ficou claro, segui essa visão.

Foi a primeira vez que agi assim.

Mas ficam dúvidas. E incertezas. Terei de aprender a viver com elas.
Receio de ter sido precipitada, receio de ter agido mal ao sair de um local sem ter outro para ir. Isso é que me assusta: não encontrar outro. E agora já não é qualquer um que me serve. Quero algo específico e sei o que não quero fazer.

E estou mais velha. Cada dia que passa... mais velha.
E o verão já acabou. Vão-se os empregos...

Nada está a meu favor...
Será que fiz bem?

Sei que há duas espécies de bem. E fiz bem, para o lado que negligênciei toda a minha vida. Mas preciso de viver, de dinheiro, de trabalhar que é o que me faz feliz...

Agora o tempo dirá o que sairá daqui. Para já, tive dois dias de ansiedade...
Não é muito bom. Mas também tenho de aprender a lidar com ela.

Entretanto, mais para se precaver, ela ligou-me no final do turno a perguntar se queria ir ter com ela para conversar. Então fazia três horas não tinha tempo, só dali a uma semana... agora arranjava tempo? Perguntou se mudava de opinião. Respondi que tinha de seguir o meu instinto... e que havia deixado a carta na secretária, como pediu.

No dia seguinte vieram ter comigo para confirmar se eu ia embora por causa dela. Queriam que apresentasse uma queixa por escrito, dizendo quais os meus motivos, para que a carta chegasse aos ouvidos dos superiores dela. Porque não é a primeira vez que ela age assim com as pessoas que estão debaixo do seu comando e não pode ser assim.

Só que se existiram outros - e sei que existiram - então porquê não foram os outros a escrever essas cartas? É um assunto que ainda vou ponderar. Pois não sei se tenho evidências suficientes. Tudo pode ser levado para a questão de "interpretação". Que foi a desculpa esfarrapada usada no primeiro emprego que tive, quando quis denunciar um caso de bulling. Era tudo "interpretação" minha... E de qualquer pessoa com a mesma queixa sobre o mesmo indivíduo.

Depois, não sou delatora. Nunca fui.
Tenho aversão a ir por detrás de alguém conspirar contra essa pessoa. Sou mais cara na cara, rosto no rosto, diálogo. Coisa que ela praticamente baniu... pelo que, ao agir assim, praticamente valida que se tente a via indirecta.

Este mês ela atribuiu-me 10 dias de folga. É um exagero. Dois a mais que o habitual e cinco a mais que uma rapariga que está a tentar proteger, influenciando os seus resultados finais. Deu-lhe os melhores turnos e só lhe deu a segunda folta após 15 dias. Isso vai reflectir-se no salário mas também numa competição que está a decorrer. O primeiro prémio são 100 euros. Adivinhem quem estava a liderar no início? Eu. Mas quem é que vai ser o vencedor? A protegida.

Com apenas 5 dias de folga no mês de Agosto e com os melhores turnos, a protegida vai ser a vencedora. Não há matemática que refute essas possibilidades. Existe uma outra colega que estava a aproximar-se bastante e é boa. Mas até aí a chefe influenciou o resultado. Ontem, penultimo dia da competição, sugeriu TROCAR de turno com a protegida, afirmando, inclusive, que era melhor para ela porque ia vender mais artigos para a competição!!

Ela tem a competição muito presente. Está sempre a mencioná-la. Portanto sei que as minhas suspeitas não são coincidências. Não me surpreenderia se o verdadeiro motivo por detrás do seu ataque verbal tenha sido o facto de não me desejar a interferir nos seus planos de me afastar o máximo possível das possibilidades de ganhar esse prémio. É que as minhas folgas coincidiam com o final do mes... a única altura em que podia recuperar. Ela não ia deixar...

E por todos estes detalhes mesquinhos, por estas coisas pequenas, acho que não vale a pena. Nunca sei o que vou encontrar ali. Nunca sei de onde vem o próximo grito, o próximo stress... e aquilo é um emprego que não justifica tanto aborrecimento.

Entretanto daqui a duas semanas a chefe vai de férias... pela quarta vez desde que lá estou a trabalhar. Não entendo como é que, tirando tantas férias, consegue regressar sempre mais furiosa, ao invés de calma. Mas agora isso já não me diz respeito.

A protegida vai ser recompensada. Não só vai meter ao bolso 100 libras, como a partir de amanhã tem uma semana de férias. Convenientemente tiradas "pós" competição. E já planejou tirar outra semana daqui a 10 dias. Adivinhem quem é que vai fazer horas extras na sua última semana de trabalho???? Enquanto a favorita vai de férias e não há mais ninguém? Parva fui! Porque foi por causa disso que me demiti e agora fiz-lhe o favor de lhe facilitar a vida... até precisava de estar mais livre para planear a minha vida. Mas não... pensei que ela não tinha mais ninguém.... senti compaixão. PARVA, IDIOTA!


Gostava que alguém demonstrasse preocupação comigo e com o emprego que vou conseguir. Isso é que seria de utilidade. Mas até agora só me abordaram porque me querem usar como ferramenta para expor a chefe pelo que ela é...

Mas se ela sair, outra igual vai para o lugar. E talvez uma que seja mais difícil de apontar os erros... uma mais sabida.

Por tudo isto, terei feito bem? Terei feito mal?
Só Deus sabe.

O que eu sei é que fiquei num emprego para lá do tempo em que me sentia confortável nele e essa decisão foi catastrófica. Sofri muito e a consequência injusta deixou marcas. Depois a minha outra grande decisão errada: ficar demasiado tempo a viver naquela casa com aquele tipo. Quando decidi sair, voltei atrás. Tudo para um mês depois sair de vez. O meu primeiro instinto estava correcto. Mas eu, ingénua, crédula... deixei-me levar pela esperança, pela crença de que é possível uma convivência cordial, seja no campo profissional ou pessoal...

E voltei a sofrer com isso.

Foi por ter passado por essas experiências que agora tomei a decisão contrária aquela que me é de costume. Cortei o mal pela raiz, antes que esse mal pudesse me prejudicar ainda mais.

Desejem-me muita sorte, do fundo do vosso coração!!!


Abraços carinhosos,
Portuguesinha

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Pais, Filhos e Órfãos

Aquilo que vamos conseguir na vida, e a forma como a vivemos depende, muita vezes, dos pais que temos. Se os temos, ou se não os temos, para começar.

Em determinados sentidos, não tê-los é uma benção. Mas quem nunca os teve, não sabe se lhe foi atribuído a benção ou a desgraça. Outros, talvez o possam adivinhar.

Um órfão pode idealizar os progenitores. Na sua cabeça, se tivesse pais, ia experimentar um certo tipo de felicidade, viver determinadas experiências, receber amor, carinho...

A maioria das crianças recolhidas em centros não são órfãs. Têm pais e outros parentes. A história delas é bem mais triste que a simplicidade do órfanato. Estão abandonadas. Vêm de um meio de miséria, tristemente mais mental que económica. Muitas são abusadas, maltratadas.

É por isso que o órfão nunca saberá que versão da paternidade o destino tinha-lhe reservado.

Depois temos as que não são órfãs e não vivem em instituições mas em família. Têm um tecto, vão à escola e têm os progenitores ao seu lado. Fazem festas de aniversário e recebem presentes. Mas nem por isso a vida vai-lhes correr melhor.

A miséria atinge todos estes casos. Não existe excepção. A criança que aparenta ter tudo por vezes não tem o que realmente importa: afecto. E por estar menos exposta que aquelas que a sociedade "classifica" como carenciadas, muitas vezes são as que menos chances têm para um futuro melhor.

Não é que alguns pais não sintam afecto pelos filhos. Mas muitas vezes não sabem como expressá-lo. Têm de ser ensinados mas como adultos que são, criaram já uma arrogância e uma ignorância que os impede de ser humildes e procurar ajuda. Temem os rótulos e não querem ser apontados por outros pais como uns fracassados.

Mantêm as aparências e a verdade fica oculta entre as quatro paredes.

Muitas vezes reproduzem décadas de erros aos quais, provavelmente foram expostos. Abusam dos gritos, ameaçam, recorrem á violência física, são castradores e proibitivos. Responsabilizam a criança pelos seus erros, atribuem-lhe defeitos e responsabilidades que não lhe pertencem. Não sabem ouvir. E assim permanece a relação até a idade adulta.

Uma criança nasce com capacidades incríveis. Ela tem uma percepção do mundo que tantas vezes serve como elixir curativo para um adulto. Esta aprende, mas também ensina. Um adulto só tem de escutar o que ela diz.

É um erro achar que aquele pequeno indivíduo é inferior e deve submeter-se ás ideias do adulto. Porque o adulto é que sabe tudo. Não. A criança ensina. E a uma determinada altura da vida, ela tem de ensinar os pais a lhe darem liberdade para se desenvolver feliz.


CASOS:

Um episódio que jamais esqueci e remonta aos tempos do inicio da adolescência, passou-se comigo. Meus próprios pais, apontaram na rua um rapaz que sabiam órfão e a viver com a avó. E me disseram: "Estás a ver a sorte que tens?" "Deves dar graças a Deus por nos teres. Aquele ali é um pobre coitado, que vive com a avó. Vivem do dinheiro da reforma e ela pode morrer a qualquer momento. E depois, ele vai ficar na rua, sem ninguém para cuidar dele. É um desgraçado. Já viste a sorte que tens em nos ter?"

Bem, não vou falar o que achei desta intervenção muito pouco adequada de meus pais. Vou falar do rapaz.

Conhecia-o, estudava na minha turma. E embora nem sempre as coisas são o que aparentam ser, a verdade é que dele saía uma energia positiva que me pareceu legítima. Ele era feliz. Não podia dizer o mesmo a meu respeito. Eu parecia estar bem, mas não estava. Ele parecia ter menos a seu favor, mas teria?

Não deixei de lhe atribuir os seus momentos de tristeza, e de receio, medos. Saudades do que poderia ser, de se imaginar a viver com os pais como os outros vivem... mas achei precipitado colocarem-no na categoria de "pobre coitado". E também que minimizassem a capacidade da sua avó. Podia jurar que ele era muito amado e ia ter sucesso na vida. Dinheiro não é tudo. Afecto e saber como demonstrá-lo é. Ele sentia-se de bem com a vida. A avó soube educá-lo com afecto, sem o estragar com mimos, pois sempre se rectificava das suas traquinices e não ia longe demais.

Este rapaz não foi o único indivíduo que conheci, criado pelos avós. Outros casos obervei e todos vieram a comprovar esta minha teoria de que o que importa para uma criança é receber afecto. Que este venha de pessoas menos "convencionais" - avós, primos, tios, vizinhos, é tão legítimo como o que vem de um casal parental.

Os casos que conheci, mostram que estas crianças crescem saudáveis e atingem o sucesso na vida, tanto profissionalmente como emocionalmente.


Ninguém nasce ensinado. É difícil ser-se pai, é mais difícil ser-se filho. Tudo é melhor quando chegam netos e depois se vira avós.

Mas porquê esperar tanto tempo?
Mude já!