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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

A "coisa"


Ainda tenho momentos em que penso... nele. (vou passar a designar "a coisa"). Este é um tema que para mim está eliminado. Mas decidi fazer este post. Porque as situações são cíclicas e a aprendizagem é constante. É nisso que penso: que aprendizagem tinha de tirar daquilo pelo que passei?
Comecei num novo emprego. O colega que apanhei lá, revelou-se inconveniente, preguiçoso e desagradável. Daqueles que não sabe trabalhar com uma mulher, porque só vê a mulher, que considera menos capaz, não vê uma colega. Fez e disse-me coisas inadequadas, como por exemplo: "Viste como trabalhas-te hoje? Isto não é para ti, acho que devias ir trabalhar para outro lugar". 

Tudo o que preciso para estar bem é trabalhar num ambiente simpático. Tão simples quanto isso. Aquele parece-me um bom lugar para tal mas este indivíduo fez com que me sentisse mal ao  rebaixar o meu trabalho. Na sexta-feira mal podia esperar para o dia terminar! 

Nesse instante em que constatei que não ia gostar de trabalhar com aquela pessoa, o contraste fez-me recordar e senti falta "dele". Cheguei a chorar. 

Voltei a rezar, a oração do costume: "por favor, afasta de mim tudo o que é má pessoa. Não eu delas se eu estiver onde quero estar. Mas elas de mim. Traz-me só pessoas boas". 


E não é que, na segunda-feira, o indivíduo tinha sido demitido? Mentalizei-me que teria de voltar a trabalhar com ele, tomei a decisão de manter qualquer conversa para o mínimo e tentar fazer tarefas em separado. Mas quando chego, ele não está e quando pergunto pelo seu paradeiro, é quando me informam que ele "não vai mais regressar" porque "não o quiseram". 

Fiquei em choque! Ele estava convicto que ia ficar ali e lhe iam propor um contrato! Mantive-me em silêncio, por dentro e por fora. Não estou livre de sofrer do mesmo destino e não sou de me deleitar com a desgraça alheia. 

Sexta-feira, o chefe apanhou-o sentado, sem fazer nenhum, a enviar mensagens no telemóvel. Talvez tenha sido esse o motivo junto com outras circunstâncias que desconheço. Depois do flagrante, vi-o trabalhar a sério, pela primeira vez. Sem parar para fazer as suas pausas espontâneas. Ao contrário de todos, que à sexta-feira abrandam um pouco, ele andou parado a semana inteira e deu-lhe "gás" só na sexta. Quase como se quisesse me provar que era melhor que eu. Sempre a dar-me ordens e a desfazer o que fazia. 

Até com a hora da pausa teve de discordar comigo. Quando lhe digo que achava que era hora para o intervalo, responde-me que faltavam 15m. Estaria equivocada? Disse-lhe que tinha tirado uma fotografia ao papel que indicava essa informação e fui procurá-la no telemóvel. A fotografia confirmou a minha impressão. Mesmo assim ele responde-me que estou errada, que o papel correcto é outro. 

Fui confirmar e vi que todos os colegas tinham desaparecido dos postos de trabalho. Disse-lhe isso mas ele tinha sempre de ter razão. E por isso não me acompanhou na pausa. Decidiu tirar a sua quando todos foram trabalhar. 

Seja qual for o motivo da decisão de o demitirem, sei que foi a decisão acertada. Ele não era a pessoa adequada para aquela função porque, a cada oportunidade, tentava não fazer nenhum. Não sabia comunicar e dava-me ordens, tendo apenas mais cinco dias na empresa que eu. Foi uma surpresa sabê-lo dispensado, porque parecia integrado, bajulava um a um e todos pareciam gostar dele. Mas pelo que percebi dele como trabalhador, não foi surpresa de todo. Foi a decisão certa


Apareceu logo outro para o substituir. Um homem de certa idade, cabelos grisalhos, aparência meio "aparvalhado", com ar de sofrer de algum défice mental. Não sou pessoa de julgar pela aparência, nem de diminuir ninguém por deficiências que julgo poderem ter. Um colega que gostava  bastante do que foi-demitido, logo abriu os olhos em espanto e reprovação ao ver o aspecto do "novo". Mas eu tratei-o bem, como faço com todos. Principalmente se parecerem começar em desvantagem. Tentei facilitar-lhe a vida, enturmando-o dentro da medida do possível, sendo simpática e explicando-lhe os procedimentos, sem nunca lhe dizer o que devia fazer ou dar ordens. Dei sugestões, conselhos e disse-lhe que ia encontrar o sua própria maneira de fazer melhor as coisas, com tempo. Também lhe disse que "aprendia depressa". Dei apoio. Acho que é a forma certa de proceder com quem quer que seja. 

Sei que ele estava em desvantagem pelo ar deficiente que transmite. Mas eu também podia estar em perigo. Caso ele estivesse ali para me substituir e fosse daquelas pessoas que são um touro a trabalhar. Ainda assim, não o sabotei. Não faz o meu género. Partilhei tudo o que sabia com ele. Tratando a pessoa bem, criando uma camaradagem, até o colega que olhou para ele com ar de reprovação já o estava a aceitar melhor no final. 


Trabalhamos os três conjuntamente, em perfeita harmonia, sem conflitos ou desentendimentos. E produzimos bastante. Fiquei a sentir-me bastante feliz. Prefiro uma pessoa assim, do que uma como a que estava lá. Este também não gosta muito de trabalhar, noto que não gosta de fazer esforços e é de queixumes. Daqueles que desiste com pouco. Mas vendo a atmosfera favorável em que foi parar, não fez corpo mole. Teve um primeiro dia excelente. Se não tivesse, amanhã seria dispensado. Agora só não pode é pisar no risco. 

Porque é que estou a relatar isto?

Porque foi assim que lidei com a "coisa", quando apareceu para substituir um colega. Tal e qual, uma situação de cópia autêntica! Parece cíclico, caramba!!

Estou a tentar perceber que lições tenho de tirar desta "repetição de história". É que não é só a forma como tratei bem o recém-chegado, que é idêntica à maneira como tratei o anterior recém-chegado. É também a preocupação que demonstrei. Caramba! Isso foi o que me fez recordar como começou a minha história com o "coisa". 

O recém-chegado não levou comida. Disse-lhe que tinha croissants e dava-lhos, para que não ficasse de estômago vazio. Partilhei os croissants e também parte da minha refeição com ele. Fez-me confusão que ele ficasse a trabalhar o dia inteiro sem comer.

Sabem como foi com a "coisa"? Comecei a aproximar-me do "coisa" por essa mesma razão. Idêntica! Disse-me que não comia. Aquilo chocou-me. Preocupou-me. A sua teimosia em não comer também surpreendeu-me. Tentei entender. 

Foi assim que TUDO começou. Comigo preocupada com o bem-estar de uma pessoa que se recusava a comer enquanto executava trabalho duro e pesado. Como posso «esquecer» ou melhor, não recordar, se as situações se repetem?


Tantos homens por aí... muitos a tentarem aproximarem-se de mim, com segundas intenções... E nenhum me disse coisa alguma. Cheguei a temer só me ter apaixonado pela "coisa" por este ser jovem. Será que tenho algum assunto mal resolvido? Será que só olho para rapazolas, esquecendo-me que a minha juventude passou?

São coisas que me passaram pela cabeça. Mas ao perceber a minha atitude e comportamento diante da mesma situação, mas com uma pessoa de outra idade, de outro tipo, percebi que eu não mudei nada. Sou a mesma. Agi igual. A mesma simpatia, mesma afabilidade, mesma disponibilidade para ajudar, com um toque de discrição. A diferença de idades não influencia o meu comportamento. 

O "coisa" honrou esta minha postura cortando-me da sua vida com um súbito silêncio sepulcral. E isso feriu. Mais que uma paixonite que podia ou não ser correspondida, situação que eu própria já tinha riscado da minha vida por isso pouco me incomodaria se fosse ou não, o desprezo dado à pessoa que lhe fez bem, que o acolheu e o fez sentir-se feliz, magoou. Era bordoada vinda de todos os lados. A dele foi a derradeira, que me fez questionar se a minha essência como pessoa tinha valor.


Aconselhei várias vezes este novo colega a trazer comida no dia seguinte. Respondeu que não. Bastava-lhe jantar quando saísse do emprego.

Não podia ter dito a frase mais copiosamente
Foi tal e qual "o coisa".

Como já passei por esta situação antes, não pretendo insistir. Ainda mais com um homem feito. Um rapazola... ainda vá lá. Mas um homem que já deve saber o B-A-BÁ... 

Também não vou estar sempre a partilhar a minha comida. Bem que a aceitou e devorou com deleite. Pude perceber que até a desejava, quando me viu a comer. As batatas fritas, o frango, os croissants...

A empresa não vende comida, Nem sequer tem máquinas. Há um supermercado a uns 8 minutos de distância, mas pelo que percebi o homem não faz o género de se alimentar, ponto final. 

Se tenho que aprender uma lição com esta repetição kármica, é não me preocupar com esta decisão aparentemente insensata. O homem é crescido, eu não sou mãe dele. 

Esta "repetição" serviu para eu perceber que a atracção que senti não surgiu das circunstâncias, nem da aparência jovem da "coisa" (que nem era bem afeiçoado, pelo contrário, mas aos meus olhos era). Foi mesmo o conteúdo que ali encontrei (ou julguei encontrar) que me fez desenvolver sentimentos tão fortes pelo desgraçado. Não foi a sua juventude. Ainda bem que fiz esta descoberta.

"Gamei" no crápula. Gostei tanto, que só lhe desejei coisas boas. Para infelicidade minha e total desorientação dos sentidos. Mesmo depois de tudo. Desejei que encontrasse alguém que o fizesse hiper feliz. Desejei poder observar espiritualmente as descobertas fantásticas que intuí no seu caminho. Como sei que já não gosto dele? (bom... tenho recaídas... faz parte, ainda mais por a coisa ter ficado no superlativo muito mal resolvido). Sei  que parei de gostar porque comecei a querer que sofra. E antes não queria tal coisa.

A sua toxidade continua a espantar-me. Passei o dia inteiro mal. Com o mal dele dentro de mim. Bem que me disse que era uma pessoa tóxica. Que se descartava das outras com total indiferença e sem voltar a pensar nelas uma vez que seja. Ele disse... eu... não esperava. Não dei motivos. Não é suposto fazer-se isto apenas com fortes motivos?

Para mim o seu veneno foi super poderoso.
Senti esse veneno a consumir-me o dia inteiro.

Mas se existe Karma, o veneno vai acabar por regressar a ele. E vai levar o meu rosto no selo do "envelope".


Tenham uma boa semana e tratem-se bem!

Feliz ano do "rato".



domingo, 14 de julho de 2019

Pela cabeça


Tenho estado a ver anúncios de aluguer de quartos. Só encontrei dois de que gostei. Ambos pertencem a casas do meu actual senhorio. Só me fazem que não esqueça que desta vez ele não me ofereceu um quarto numa das suas muitas casas. "Sorry, you have to go". Foram as palavras que me disse com o que me pareceu falsa consternação quando os inspectores abandonaram a casa confirmando as suspeitas sobre as dimensões do quarto serem abaixo dos requisitos exigidos por lei.

Não devia ter sido tão precipitado em dizer "lamento, mas tens de ir embora" se afinal o despejo não tinha de ser imediato. Eles dão-lhe 18 meses para solucionar o problema, que tem duas soluções: aumenta o quarto e paga para ter a casa certificada contra incêndios ou elimina o quinto quarto, dispensando assim a renda extra.

Neste momento tenho plena consciência que sou a peça mais importante da casa. Mas também a menos desejada. Receio que até por ele. O que me entristece. Mas adiante, que tristezas não pagam dívidas. Disse que me considero a peça mais importante da casa porque enquanto cá estiver, dou-lhe renda. Assim que sair e até ele alargar o quarto, não será possível meter outro arendatário, pois a lei não o permite.

Assim sendo, tem de levar comigo porque isso significa dinheiro a mais. Sem mim, seria dinheiro a menos.

Nesta cidadezinha os quartos são tão deprimentes, em casas tão sem jeito, e tão caros! Procuro algo que me comunique bem-estar. E tenho encontrado apenas em anúncios de casas dele. Que coisa!

E ele tem uma porrada de casa na localidade. Pelo menos seis. O não me oferecer como alternativa um quarto quando vejo que tem tantos a vagar, magoa-me. Mas também posso interpretar esta sua atitude como oportunista. Se me "oferecer" outro, perde de imediato a renda deste. Assim sendo, não lhe é conveniente fazê-lo. Nunca vai me oferecer porque isso significa perder dinheiro.

O meu receio é que quando chegar a hora dele tomar uma decisão - ou o fim do prazo dos 18 meses - ele me repetir as palavras "Sorry, you'll have to leave" com o que me pareceu uma secura disfarçada de falso lamento. "Existem mais casas, o que não faltam são quartos" - outra coisa que me disse aquando me deu a notícia de que vinham inspeccionar a casa.

Outra coisa que lhe está a falhar é comunicar no chat quem é que vem para cá morar. Isto é muito sério e grave. Porque em todas as outras ocasiões, ele sempre comunicou a todos na casa o nome do novo morador, idade, profissão. Agora... silêncio. A mais-nova vai sair dentro de 18 dias e NADA dele dizer ai ou ui. E eu sei porquê. Porque a única pessoa que não sabe de nada SOU EU.

Foi o senhorio que pediu diretamente aos italianos para lhe indicarem alguém para a casa. E eles logo começaram a fazer telefonemas. Ao todo apareceram QUATRO rapazes, todos italianos, todos "amigos" dos que cá moram.

Ninguém me disse isto. Eu é que ouvi. Primeiro, ouvi o senhorio entrar em casa naquele dia da inspecção, ficar surpreso ao ver três pessoas dentro quando só contava com uma, demorar para me olhar no rosto e cumprimentar e depois chamar um pouco à parte os dois italianos e pedir-lhes para arranjarem alguém para cá morar.

Mas ao mesmo tempo sei que o rapaz disse: "Ela já sabe do amigo da X". Quando a mais-nova "comunicou-me" que ia sair - coisa que o senhorio também omitiu de MIM - respondi-lhe que já sabia e perguntei ao rapaz se sempre vinha para cá um amigo da X.

Quando virei as costas, entre eles, ele desabafou surpresa por eu saber que procuravam para cá morar um dos deles. E colocou a hipótese de eu ter ficado a saber disso por ter falado com o senhorio nesse dia no jardim. Mas o tema da conversa entre nós dois foi só o jardim em si. Eu comprei flores e ele autorizou-me a plantá-las em sítios específicos. Eu queria "jardinar" e ele queria ver umas áreas secas do jardim com plantas. Juntou-se a fome com a vontade de comer. Só isso.

Ele nem me ofereceu o uso de ferramentas de jardinagem, já que eu entrava com o trabalho e o material principal. Não tinha que oferecer mas seria uma cortesia que eu esperaria dele no início ou se se tratasse de um dos italianos. Ele permitiu que usasse uma pá que está na arrecadação, que durante todo este tempo tinha um trinco na porta, aberto. Eu julgava-o fechado, até me meter na jardinagem. Um destes dias encontro o trinco fechado e um pequeno garfo cheio de teias de aranha e ferrugem deixado do lado de fora. A pá, eu própria tinha-a deixado fora.

Até hoje não sei se foi ele que fechou o cadeado. Se foi, entristece-me porque, mais uma vez, este sempre esteve aberto, o que permitiu aos cá de casa retirar de lá, o ano passado, uma cadeira que nunca devolveram ao barracão. Não sei se foi ele que colocou uma planta perto das minhas de compra. O que sei é que, noutros tempos, ele teria a cortesia de comunicar por mensagem escrita "deixei um vaso com flores no jardim, por favor cuidem". Ele envia mensagens para tudo e mais alguma coisa. E até respondeu a uma mensagem-ataque (mensagens destinadas a mim) depois da meia-noite, a semana passada. A mais-nova, tendo-me escutado a sair do WC, foi-se lá enfiar de seguida e de imediato escreveu uma longa mensagem no chat dizendo para não se fechar a janela do WC, que ela e a mais-velha estão sempre a abrir a janela, que esta deve ficar sempre aberta, porque impede a formação de bactérias e estamos no verão, está calor, deve ficar aberta, porque senão criam-se fungos disto e daquilo, que é prejudicial para a saúde, pode causar doenças, etc, etc.

A sério: uma longa e extensiva mensagem fora de horas que podia muito bem ser transmitida pessoalmente no dia seguinte. Se a pessoa fosse bem intencionada, claro está. Mas ele, o senhorio, que já me deu um raspanete uma vez por lhe enviar uma mensagem depois da meia-noite, Decidiu não ignorar aquela e escreveu: "Concordo e apoio".

E a parvalhona, tal e qual uma criança a precisar de validação e que tomem o seu lado, respondeu: "Obrigada, papá".

Nessa noite em que fui ao WC e fechei a janela, CHOVEU e estava ventoso. Eu há uma semana que estava com tosse e nariz entupido, sempre a fungar e a tirar ranhoca. Mas pronto... é "verão", que não se cometa o crime de se fechar uma janela numa noite fria durante cinco minutos!

Mas são por estes episódios que denoto que o senhorio é mais afável com a italienada e menos atencioso comigo. Não costumava ser assim. Ele era igual. Mas desde que aquela mais-velha andou a tentar soprar aos ouvidos dele... naquela primeira semana em que eu fui trabalhar e eles perceberam os meus horários... Ela andou a encher-lhe os ouvidos. 

Por isso é que acho que ela é a pior de todos eles. É calculista, manipuladora, não dá ponto sem nó. E disfarça o seu fel e desprezo com um sorriso e voz doce. O rapaz é desprezível - porque nunca me fala nem nunca me falou, para ser honesta. Fui sempre eu a puxar conversa e a ter quase nenhuma resposta em troca. É muito frustrante. Mas ao invés de perder os meus pensamentos no: "mas o que foi que eu fiz?" decidi cagar porque o problema nunca fui eu - mas eles. Que teimaram em não ser receptivos e sempre foram de rejeitar qualquer tentativa afável de convívio. 

Posso ser eu a sair prejudicada mas se depender da minha vontade e interpretação de justiça, este karma vai-lhes cair em cima. Só lhes desejo que venham a passar pelo triplo do que me fazem passar e que a vida futura lhes traga o dobro do que me desejam. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Karma



Se eu acreditar em Karma, então tenho de pensar que o que recebo é "paga" de algo que fiz.

Comecei o ano mal: desempregada (foi-se o part-time) e doente. Tenho estado em recuperação, a ter cuidado com o que ingiro porque o intestino entrou no novo ano em plena revolução.


Ando a arroz e caldo de arroz.
Melhorei esta noite.

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Numa outra nota, vou aproveitar e fazer um desvio de tema. Somos uns sortudos em Portugal por termos a água potável que nos sai pela torneira. Sei que não é, infelizmente, em todos os locais de Portugal. Até mesmo em algumas freguesias de Lisboa a água da torneira é um perigo de ser consumida. Mas aqui é - no meu entender - ainda pior. Porque à boa maneira inglesa, ninguém dá certezas de nada. Supostamente a água pode ser bebida, mas todos acham melhor não o fazer. Certezas, certezas, ninguém as tem. 

Saudade de saber que posso abrir a torneira e beber a água que contém.
E saudade também dos garrafões de água de 5 Litros. Tão abundantes nos supermercados em Portugal, incrivelmente escassos por aqui. Para se ficar com uma noção, em todos as superfícies comerciais da zona, só uma disponibiliza água nessa quantidade na sua marca branca. Mas é tão raro vê-la nas prateleiras, tão raro, que não consigo comprar uma faz mais de um mês.

E enquanto a água engarrafada em portugal é barata, aqui não é tanto. Consegue-se ver nos supermercados garrafas de meio litro com água à venda por mais de duas libras. Supostamente água XPTO... vê-se também muita água com sabor a "fruta" (que tem quilos de açucar). Mas água simples, só água, o mais barato que se encontra são garrafas de litro e meio por cinquenta cêntimos. As de 200ml são acima de uma libra. 

Espero que os interesses económicos não estraguem o que Portugal tem de bom e que a proprietária da EPAL não estrague o que de bom a empresa tem.

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Desvio feito, se o Karma existe, gostava mesmo de saber quais os pecados que muitas pessoas a viver vidas difíceis estão a pagar. Deve ser algo de vidas passadas, só pode. Porque nesta... 

Tenho de interpretar este "Karma" não como o resultado de acções tomadas, mas como outra coisa totalmente diferente. É como um loop. Este "Karma" é como ter aquele professor que teima que o aluno tem de aprender a lição como ele a está a ensinar. E não há cá outros métodos. E como a lição nunca gere a reação que o professor pretende arrancar do aluno, é dada até à exaustão. Até o aluno fazer o que o adulto quer ou vergar e quebrar.

Pode a vida me ter dado um mau professor?



sexta-feira, 1 de junho de 2018

No news is good news...


No news, good news...

É verdade.
E estou aqui a dá-las. Portanto...

Karma. Estava a pensar nessa ideia compensatória que deve ter sido criada para agradar os pobres.
Refiro-me ao "aqui se fazem, aqui se pagam".

Balelas.
Tudo balelas!!

Só fiz o bem. Nunca o mal e nunca querendo.
Não recebo coisas boas.

Parece que comigo a felicidade é sempre de curta duração e volta o pesadelo.

Conheço uma pessoa que é mau indivíduo, não gosta de trabalhar, só o faz três dias por semana... e descobri que ganha mais que eu. Pior: foi trabalhar uma semana inteira (como o comum dos mortais) o que lhe era totalmente atípico. Estranhei e percebi que havia algo por detrás disso. Julguei que os superiores finalmente tinham lhe apanhado a careca e estipulado um ultimato: ou trabalhas mais ou vais para a rua.

Pensei errado...
Existia um BÓNUS de produtividade que estava ao alcance de todos. E por dinheiro, bom dinheiro, ele foi trabalhar... uma semana. Tirou quase 600 libras de bónus. Um tipo que é falso todos os dias, que detesta o que faz, que só trabalha três porque quer não trabalhar nenhum, que força os outros a gastar dinheiro, que faz calote nos transportes públicos e, finalmente, que toda a vez que telefonou para o emprego a dizer que estava doente, NUNCA esteve. E ainda se gabava todas essas vezes, que ganhava dinheiro à mesma. Era pago o salário aparecesse para trabalhar ou não.

Um chupista, aproveitador.

Nestes últimos dias esse chupista tentou extrair mais dinheiro da minha pessoa. Mesmo à distância, por intermédio de terceiros. Mau carácter. Desejei que todo a sua natureza ficasse a descoberto e acabasse sem o emprego que tanto detesta e do qual se aproveita. Seria justo. Justiça poética. E nisto soube hoje que quem já não tem emprego sou eu.

Estou de rastos.
No zero novamente.

Porra para a Justiça Poética.
É apenas uma história do Walt Disney tal e qual a do capochinho vermelho.
O lobo mau sempre se safa, amigos.
Sempre.
O capuchinho é comido e tudo lhe é tirado.

domingo, 3 de setembro de 2017

Falta de empatia - 2


Fiquei em CHOQUE
quando uma colega no emprego a quem pedi uma troca de turno recusou-se a colaborar. Ela sabia que os meus motivos se prendiam com a presença de família aqui em Inglaterra. Família essa que não tive oportunidade de ver porque estamos em áreas diferentes do país. Mas como vão ter de se deslocar à cidade onde estou a trabalhar, com a troca de turno tenho uma tarde para estar com eles. Essa colega sabia de tudo isto, veio até puxar conversa comigo para me extrair informações sobre os meus familiares. Quem eram, o que faziam, se já tinha estado com eles, etc. Há semanas ela estava a sentir-se revoltada e chateada com uma situação no emprego e eu «emprestei-lhe» os meus ouvidos, nos quais ela pode desabafar. 

Além destes factores também existem bons motivos práticos para ter contado com a colaboração dela, tendo sido apanhada de surpresa com o «não» e o motivo fútil que apresentou. Muitos deles só os juntei DEPOIS da sua recusa, o que só fez foi revelar de vez e solidificar a então ténue malícia e egoísmo que pressentia no seu carácter. 

Ela só vai trabalhar dois dias entre as folgas. O que significa que a troca não a ia desgastar de maneira nenhuma. Seria o primeiro dia de trabalho dela e só teria de entrar três horas mais tarde. O que significa três horas a mais para dormir, não ter de acordar de madrugada e poder estar mais tempo na cama com o namorado. Mas ela recusou dizendo apenas que «não queria sair mais tarde». 

Não é por querer ficar com o namorado depois, não! Porque este também trabalha ali e vai entrar exatamente quando ela vai sair. Ela estaria com ele sim, se aceitasse a troca. Ia partilhar três horas do seu dia com ele, se aceitasse. Da forma como está, os dois só dormem na mesma cama mas não se vêm. Porque quando um está a entrar em casa, o outro está a sair. Nem é por ter família com quem quer estar depois, porque não a tem. Nem muitos amigos próximos. Foi simplesmente por lhe ter sido dada a oportunidade de «ser cabra», como diz algumas vezes. E por egoísmo. Visto que quem sai três horas depois tem trabalhos diferentes para concluir, geralmente mais «chatos». 

Mas tudo acontece por um motivo e a sua recusa ajudou-me e muito. 

Julgo que de hoje em diante não vou mais iludir-me a respeito de quem ela é. A sua juventude e personalidade tagarela disfarçava um pouco a sua malícia e preguiça. Mas ela escolheu deixar bem claro que lado prefere mostrar comigo.  

Sei que um dia o Karma a vai apanhar pela sua falta de empatia. Principalmente quando esta não lhe custaria quase transtorno algum. Por isso é que foi feio e revelou que ela carece de aprender a lição sobre nos ajudarmos uns aos outros, porque um dia sou eu, no outro serás tu. É claramente uma lição que a jovem está a precisar aprender. Será a vida a lhe dar. Não é assim que todos nós aprendemos as nossas?

A sua recusa também me fez aprender. 
Ajudou-me a entender quem é.
Ajudou-me a entender quem preciso de ser (e teimo em não conseguir).

E ajudou-me a encontrar pessoas de melhor carácter. Prontas a ajudar o próximo.
É sempre bom quando se identificam pessoas assim! :D


Fiz a troca à mesma e no processo confirmei quem são as pessoas de carácter mais nobre com quem posso contar.





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A vida devia ter câmaras como o Big Brother


Cada pessoa que já cruzou a nossa vida devia saber como foi que as suas acções foram influenciar a vida que levamos. Existe um filme antigo, com a Meryl Streep, em que ela, falecida, está no purgatório e, numa espécie de tribunal celestial, ali se mostra ao indivíduo parte das suas acções durante a vida e como isso foi influenciar quem os rodeia. Meryl descobre que vai para o céu mas o seu mais recente amigo do purgatório não tem tantas cenas de "flashback" para o ajudarem a conquistar o ambicionado descanso eterno no paraíso. O seu destino parece ser o inferno.


Eu desejaria, muito, muito, que isto fosse possível. 
Mas não é. Consigo «ver» sequencialmente a forma como cada acção de cada pessoa acabou por influenciar a minha vida. No que é que ela contribui ou contribuiu. E não gosto daquilo que «vejo». Gostava que cada uma dessas pessoas pudesse ver-se a elas mesmas, como eu as consigo ver. Gostava também que a nossa vida fosse toda televisionada, como um Big Brother, para que os "Zés Marias" se singrassem vencedores na vida e não somente num programa de televisão. Gostava que os "zés", admirados na televisão, não fossem na vida real enxovalhados, ficando vulneráveis à depressão, graças às atitudes exercidas por algumas das mesmas pessoas capazes de o endeusar se o "Zé" virar uma super-estrela. Mas se for anónimo ou cair em desgraça, vira carne para cão. Devia ser real. Sempre achei isso, desde menina, quando ainda não existia sequer mais que um canal de televisão, quanto mais reality shows. Faltava na minha vida essa câmara de gravar palavras e imagens que ia restabelecer a verdade. Cada pessoa devia rever aquilo que andou a fazer, as atitudes que tomou, o que fez que julga de bom e o que fez de mau. Devia ser verdade que cada palavra pronunciada é gravada e tudo será exibido em imagens. Fosse no trabalho, em casa, no café, na cama... Tudo devia ficar registado porque aí acho que muita gente deixaria de viver na ilusão de um Big Brother para VER. Ver quem é quem, realmente, e não apenas aquilo que pensam que são. 


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Karma e punição

O facebook tem destas coisas: permite-nos ver mesmo sem sequer desejar o perfil de pessoas que não conhecemos. Foi assim que percebi que um determinado indivíduo andava a vender artigos usurpados. Fazia propaganda nesta rede social para quem quisesse saber: disponibilizava por preços mais reduzidos várias unidades de LCDs, máquinas de todo o género, eletrodomésticos diversos, até mesmo calçado e artigos texteis para o lar, tudo material novo. Nada, mas nada pareceu faltar na «oferta» publicitada por esta pessoa desconhecida, que trabalhava, pelo que suspeitei, na área da segurança.

Ah, os seguranças... a fama já não é das melhores. E este não estava a contribuir para a boa reputação da profissão. Um belo dia surge do mesmo individuo um novo tipo de publicação. Uma notícia triste, um filho doente no hospital. Felizmente a criança recuperou a saúde. Mas me interrogo se a pessoa, quando se interroga "Porquê a mim? Porquê o meu filho?" percebe que Deus gosta de mandar recados por mensageiros... 


Quero somente dizer que nem sempre somos nós que pagamos os nossos pecados. "Deus" ou o que quer que seja que coordena a nossa existência tem maneiras torturosas e bem diferentes de nos dar lições. E por vezes a «lição» não vem para nós mas para aqueles que mais amamos: os filhos, os pais. A pessoa pode achar que vive na impunidade ao cometer os seus actos ilícitos. E comete-os, se calhar, a pensar na família, no bem estar e na comodidade dos filhos. Mas quem nos observa condena e castiga. Não necessariamente castiga aquele que pecou, mas a sua descendência, para que a mensagem seja bem assimilada e o comportamento erróneo se rectifique, enquanto ainda há tempo...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Para refletir no... KARMA


A propósito de um vídeo que encontrei no youtube...  

Quando era adolescente conheci uma rapariga que gostava de pregar partidas telefónicas. A primeira, única e última vez que o presenciei não gostei NADA. Ligou para uma linha de apoio e ajuda a fazer-se de aflita, gozando com uma situação séria. Desligou o telefone ás gargalhadas, descrevendo detalhadamente a preocupação da voz que do outro lado da linha a tentava ajudar.      

Toda aquela excitação se resumia ao acto de pregar partidas telefónicas. Fez-me jurar que não contava a ninguém o que fazia para se divertir. Não contei mas também não compactuei. Fazer pouco das pessoas ou ignorá-las quando nos procuram nunca fez parte de quem sou, nem durante a suposta fase terrível da adolescência a que este episódio remota. Por isso, não encontrei naquela "brincadeira" motivos para rir. Não me identifiquei com aquilo e também me incomodava outro hábito que ela tinha, que consistia em ignorar uma senhora cega que se aproximava dela chamando-a pelo nome e não obtinha resposta. A senhora já com um pouco de idade esticava o braço para a sentir com as mãos ao que ela se desviava e permanecia muda. Depois chamava-lhe nomes. Não gostei.  

Vejam agora o vídeo que coloco abaixo. É que o destino encarregou-se de dar uma lição à pessoa que descrevi. Quando soube o que lhe aconteceu fiquei mergulhada em compaixão, tive vontade de ajudar, vieram-me as lágrimas aos olhos... mas imediatamente entendi. Muitas vezes nos perguntamos porque é que certas coisas terríveis acontecem. Talvez, só de vez em quando, a resposta está em nós mesmos. 

Tomando o exemplo que conheci e aplicando-o no do vídeo abaixo, se a história se repetir, a pessoa que fez este telefonema ou alguém que ama mais do que a si mesmo, vai descobrir o que é estar numa cadeira de rodas e cag***-se todo e a precisar de ajuda para tudo e mais alguma coisa. 

Será que existe Karma?