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quarta-feira, 29 de julho de 2020

A melhor refeicao desde o Natal

Cozinhei uma quiche para o jantar. Partilhei com todos. A reaccao? Nao podia ter sido melhor!

Bocas com desejo de comer, felicidade e satisfaçao no rosto, nenhuma hesitacao em repetir.  E para culminar, este comentario:

- This was the best meal I had since christmas!
(Foi a melhor refeicao que comi desde o natal)

Roi-te de inveja, Gordzilla. 😂😂


As coisas estao a voltar a normalidade.
E eu estou a recuperar quem sou: uma pessoa que gosta de partilhar comida, seja cozinhada por mim ou por outros. Sem me armar em perita. Sabendo muito bem que entendo quase nada de cozinha.

Um dos motivos da implicacao na outra casa, percebo-o agora. Como podia alguem sem conhecimentos de culinaria aprofundados, que nao segue uma receita, cozinhar melhor que a Gordzilla? Ela, que vive para ver programas televisivos sobre culinaria  compra livros com receitas e se proclama conhecedora?

Na outra casa recusavam tudo o que lhes oferecia. E deram-me a entender que o fazia muito mal. Acabei me habituando. Impuseram-me uma nova realidade e fui forcada a segui-la.

Gradualmente, eu vou voltar a ser eu.


domingo, 26 de julho de 2020

Entrando na arena e enfrentando o touro


Acho que é um processo que vai levar tempo, este de me curar dos efeitos nocivos que a anterior casa me incutiu.

Hoje, antes de despertar, consegui ouvir os restantes na casa a conversar (por enquanto sao so dois). Pude perceber que falavam de experiencias da pessoas na casa e isso despertou em mim a sensacao familiar de que falavam nas minhas costas.

Decidi abrir a porta do quarto devagar tentando nao fazer barulho. A ver de ouvia algo. Nisto calam-se e oiço a rapariga a comecar a subir as escadas.

 Veio espreitar se eu me aproximava e confirmar se podia ter escutado a conversa deles?

Seria o retorno da familiaridade da conspiracao?

Entrei no WC e de seguida, desci para o espaco comum. Agora vazio. Fiquei a aguardar um deles se aproximar.

Nesse tempo, que me parece uma eternidade, a familiaridade da maledicencia tornar-se uma rotina começa a assolar-me e  tomo uma decisao: Abordar o assunto.

A rapariga entra, pergunta se eu estou bem. Respondo que sim, mas que queria dizer uma coisa e pedi-lhe para que chamasse o rapaz.

Expliquei que fiquei com a sensacao de que esvaziaram a sala por me ouvirem a aproximar. Comecei por dizer que podia ser da minha cabeca devido ao que me sujeitei na anterior casa e que queria que soubessem que podiam dizer-me o que quer que fosse se tiverem algo para me dizer, algo com o qual nao estejam de acordo.

- Nao podias estar mais errada, tuguinha!
- nao, nada disso. Acho que ainda estas muito sintonizada no que era a outra casa - responde o rapaz.

E assim, com esta simplicidade, por ter decidido expor o que senti ao inves de o guardar ca dentro, tudo se desvaneceu.

Nada ficou pendurado no ar, como um cancro, a ganhar tamanho ate ficar gigante e colapsar em cima da minha cabeça.

Tenho orgulho em mim.
Por ter reagido face ao meu receio.
Assim ele nao cresce. Matei-o. Entrei na arena, chamei o touro e preparei-me estoicamente para a sua força brutal.

Tinha de aprender com os meus erros. Deixar estas impressoes regressarem à minha vida seria um erro grave, cometido muitas vezes no passado.  É logo para exterminar.

Este foi um grande passo no caminho para a cura. Porque existe um trauma. Este nao desaparece como por magia devido a mudanca geografica. Nao e assim que as coisas acontecem. Vai ser gradual, esta recuperacao da minha auto-estima e confianca nas pessoas. Os efeitos nocivos do veneno daquela mafia italiana vao perdurar.

Mas eu vou enfrentar todos os touros. Sou uma gaja super guerreira. É tudo frente a frente, olhos nos olhos. Como um forcado diante do touro.


É profundo, o nivel de fragilidade a que cheguei por ser tao tolerante com a maldade alheia. Nao cheguei a contar aqui mas contactei uma entidade que oferece apoio psicologico naquele que foi um momento em que percebi a profundidade e ramificações do mal que me vitimizava. Porém, deles nao escutei resposta. So me telefonaram para confirmar os meus dados pessoais e fazer uma ficha. (Grande ajuda!).

Eu so queria falar de forma anonima com alguem. Precisava  de contar o que se estava a passar. Mas o anonimato, hoje em dia, é pura ficção cientifica. Os teus dados pessoais sao mais ambicionados que ouro.  Recolhem-nos cada vez que te aplicas a um emprego, cada vez que usas um cupao, cada vez que procuras um serviço "gratuito".

E em troca, recebes nada a nao ser publicidade, vendas e pedidos de doacoes.


Sim, posso sentir-me muito fragil. Mas na minha fragilidade existe tambem uma resistencia de diamante. Podem lapidar-me em frangalhos, mas nao conseguem destruir-me. Porque o meu interior nao é uma imitaçao barata. É puro e cristalino tal como a pedra preciosa.


E é essa pureza que muitos cobiçam. Porque  nao a tem e por isso tentam destruir.


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Sensibilidade ao desemprego

Ainda aqui nao contei, mas emocionei-me e tive discretamente de limpar as lagrimas por duas vezes, quando uma das italianas a viver nesta casa deu de frosques pela calada.

Claro que, semanas antes, meses até, já eu notara uma agitação. A habitual postura de me manterem de fora das conversas que normalmente  estariam a ter se eu nao estivesse presente, deu o alerta. Isso e o barulho de coisas a serem mexidas no quarto dela, o caixote de lixo entupido até a tampa deixar de fechar em apenas umas horas apos ter sido colectado pela camera e o constante uso do aspirador no seu quarto.

Nunca foi de limpezas demoradas logo, a mudança de habitos denuncia que algo se esta a passar.

Mas claro, nada foi dito na minha presenca nem nenhuma conversa que iniciei com eles, sobre tudo e mais alguma coisa, os faz mencionar o que, de outra forma, seria mais do que natural e esperado: ela ia abandonar a casa.

Sabem os meus horarios, sabem que ia trabalhar de tarde, saindo de casa pelas 4, mas, muitas vezes, optando pelo meio-dia, uma da tarde, de modo a ir para as filas das lojas a tempo de comprar mantimentos e seguir para o emprego.

(Mas na verdade, tambem para lhes conceder ainda mais tempo do todo que ja tinham para ficarem a sos com a casa. Julgando eu que ficariam gratos e simpaticos. Big mistake.)

Entao, sem que constituisse realmente uma surpresa, uma noite ao regressar do emprego, o carro do namorado dela que aqui estava a viver na casa e que fazia meses que ocupava a entrada, nao estava mais. Haviam sinais de disturbios no chao do wc, como se alguem tivesse arrastado algo pesado. E no wc, nao encontrei as gavetas de arrumos onde ela mantinha traquitana.

Nao sei porque lhes passa sempre pela cabeça que eu me surpreendo ou que vao conseguir irritar-me por eles me excluirem do que se passa pela casa. Acho tao previsivel terem esse conportamento, que sei detecta-lo so pela postura e linguagem corporal.

E depois, sempre a acharem que nao capisco niente de italiano,  como se nao fosse facil identificar palavras e frases que sao semelhantes as minhas, originarias do mesmo Latim.

Ouvi-os falar sobre viajar para italia pelo menos umas seis semanas antes do sucedido. Estava a ver é que nao iam, de taaaanto tempo que levaram.

Ainda assim, nao foi o suficiente para se organizarem devidamente pois, quando la chegaram, tiveram de regressar. 🤣🤣

Uma viagem de automovel de horas ate a fronteira de italia, para terem de voltar no dia seguinte.

Nessa manha, ao sair do quarto e ao entrar na sala, dei os bons dias aos dois cabecilhas do covil que, como sempre, iniciam cedo (e sempre no mesmo lugar) a sua rotina de vilanice. Dei os bons-dias e perguntei direto se ela tinha ido embora da casa.

Um instante de surpresa passou-lhes pelo olhar, hove uma hesitacao e de imediato a Gordzilla (porque tudo que diga respeito a italianices ela logo intervem como se tivesse de defender a patria de um insulto) diz "sim e nao".

Eu fiquei a aguardar um desenvolvimento e ela meio calada, a nao querer dizer nada que me pudesse esclarecer. É este tipo de atitude com que sempre tive de lidar. Insisti, dizendo algo como: "como assim?" e foi entao que disseram que ela tinha abandonado a casa MAS ia regressar porque nao tinha permissao para entrar em Italia. Esqueceu-se de se informar sobre isso. 😂

Para contextualizar, ainda se estava em lockdown por causa do virus covid 19. E italia foi dos primeiros paises a fechar estabelecimentos, a fechar fronteiras para impedir a circulacao de pessoas e a impor quarentena regional. Portanto, nao deixa de ser um lapso invulgar, que lhes custou o terem de regressar ao Reino Unido.

E a Piada é que abandonaram acasa que nem ratos, pela calada, e as escondidas de mim. E quando estao a regressar, quase a estacionar o carro, eu sou a primeira pessoa que tem de ver.

A unica coisa que lhes digo é bastante simpatica ate. Imaginemos os cenarios:

1) Podia mostrar-se zangada por um colega de casa nao me ter mencionado que ia embora
2) podia ter gozado com a cara deles e fazer troça, dizendo piadas visando humilha-Los com o seu inegavel fracasso
3) Podia ter dito: bem feito! É para aprenderes a ser decente. Cá se fazem, cá se pagam. Ahah.
4) Podia ter cobrado uma "explicacao" e atirado-lhes na cara que nao gostei que se tivessem ido embora sem mo dizerem. Quer gostem quer nao, sou colega, vivo na casa e o certo era dizer.

Mas o que lhe disse, com um genuino sorriso e sem fazer julgamentos de valor foi:

-Ola. Já soube da tua pequena  aventura.

E assim nao a fiz sentir-se mal por estar a regressar a um lugar que tinha abandonado e que comecou a esvaziar nos momentos em que eu nao estava por perto para desconfiar. Nao a fiz sentir-se mal por ter sido parva e nao se ter informado devidamente antes de partir. Foi impedida de entrar no proprio pais por estar registada como moradora neste.

Mas onde entram as lágrimas? Querem voces saber, caso Tenham lido até aqui.

Entram quando perguntei se ela ia regressar para o seu emprego.

Disseram-me que provavelmente ela o tinha perdido. Como sabia que ela tinha acabado de assinar contrato, coisa que eu estava na esperanca de tambem poder fazer quando fiquei sem o meu emprego, logo aí o meu coracao sentiu pensar por ela. E ha medida que a conversa entrou na eventualidade da empresa falir e ter de a dispensar, fui ficando emotiva. Aos meus olhos vieram lagrimas. Que removi com a mao, esperando que a minha sensibilidade nao tivesse sido notada pela Gordzilla, que era quem me estava a dizer aquilo. Faco isto duas vezes, sem conseguir conter pesar pela situacao de desemprego e incerteza que, subitamente, caiu em cima da rapariga. Mesmo tendo feito parte da quadrilha de gangsters.

A situacao dela e tambem de muitos outros. Sinto compaixao. Acho natural. EU sei muito bem o que nos faz na alma, na mente, estar no desemprego. Sinto receio de estar nessa situacao novamente. Tenho isso presente todos os dias.

E é por isso que hoje senti uma pontinha desse receio novamente. Os meus turnos sao facultados semanalmente. Nada é certo. Mas nos ultimos dois meses tenho mantido um horario de 38/43h semanais.

Porem é uma angustia constante. A qualquer instante podem Puxar o tapete por debaixo dos meus pes. E hoje, enquanto aguardava que me propusessem por mensagem os restantes dias da semana em falta para que pudesse confirmar que os fazia, percebi que nao me facultaram 5 dias. Alem disso, voltaram a reduzir o horario. Agora é menos meia-hora todos os dias. Isso significa 2h30m a menos de salario. Adicionando um dia, da 10h15m a menos.

E tudo porque?
Ontem estive a treinar duas novas empregadas. Vi uns seis novos funcionarios. Soube que uma colega teve o turno cancelado. As novas funcionarias que estive a ensinar ficaram a fazer o trabalho normalmente entregue a esta outra.

Eles nao precisam de novas pessoas. Mas como agencia de recrutamento, estao sempre a injecta-Las. So que, para isso, tem de remover outras. A desculpa que me foi dada é que a empresa pediu menos pessoal, e os novos empregados substituem outros que abandonaram o serviço.

Tretas.

Assim que chegaram, ja me causaram prejuizo.

Fui simpatica e ensinei tudo o que sabia. Mas o tempo todo nao deixei de recear ter os meus turnos cancelados por causa delas estarem ali.

Perguntei a uma se procurava outro emprego. Ela respondeu que sim  mas nao me pareceu fazer esforços. Pois mencionei-lhe que tinha começado  ver ofertas razoaveis na internet e o seu desinteresse foi visivel.

Aquela funcao é fisicamente ardua mas muito simples. Gente preguicosa que nao puxa pelo lafo fisico e se acomoda na simplicidade é o que mais há por lá.

E depois, de inicio nao mas, ao final de 12 semanas, pagam bem. Nenhum outro emprego do genero oferece 12 a 13 libras por hora. E é essa a real motivacao por detrás de muitos que ali estao.

Esta rapariga estava a espera de ser chamada de volta para trabalhar com a Norwegian. A probabilidade disso acontecer e muito remota. Ela propria o disse. Vi o gerente a engraçar com ela e a dizer-lhe que tinha uma ex gerente ali a trabalhar.

Percebi que beleza e posicao fazem os outros olharem para ti com mais respeito e interesse. Dedicacao ao trabalho e eficiencia, nem por isso.

Toda a minha vida regi-me por valores que pouco me valem.

Mas mudando de volta para as lagrimas derramadas pela desgraça de quem nao as merece: quando mostrei pesar pela situaçao, a Gordzilla muda de atitude e, de garras afiadas, começa a defender a italiana como se alguma vez esta tivesse estado sobre ataque. E diz, num tom de voz desagradado: "ela arranja outra coisa depressa. Tem experiencia, tem muitos anos de experiencia, é uma profissional!".

Percebi de imediato que ja estava a defender a italiana de alguma acusacao minha que so se passava dentro da cabeça dela. E parei.

Uma pessoa com pesar, a lamentar o sucedido, mesmo tendo acontecido com alguem que nao fez por merecer a minha compaixao, e ainda assim acabo a ser destratada.

"Profissional com anos de experiencia". Pois sim!

Porque é italiana, nao pode sequer recair sobre ela a possibilidade de nao ser perfeita, desejada. Essa imagem que querem projectar e que nao pode ser desmanchada, nem pelos factos.

E os factos é que ela nem um ano tinha de experiencia naquela funcao. Pelo menos foi o que me contou. Costumava trabalhar num restaurante em Londres. Vivia das gorjetas.

E a Gordzilla a galar-me dos "anos de experiencia" como hospedeira de bordo.

Aparências.

Enfim.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

O céu estrelado


Por estar a fazer turnos de noite, mantenho o habito dos horarios, mesmo durante o fim-de-semana, quando estou de "folga".

Ate prefiro assim, porque isso diminui as chances de ter de me cruzar com a Gordzilla e me sujeitar a estar sob a sua constante observacao e esquemas maquiavelicos.

Já passava um pouco da meia-noite quando desci à cozinha. A Gordzilla já estava no quarto e por isso senti-me mais livre para o fazer.

Nao tinha fome, mas tinha de comer, porque saco vazio nao fica de pe.

Ao descer as escadas verifico que a luz da sala está acesa, mas isso nao me faz mudar de ideias. É o rapaz italiano que la esta, a ver televisao.  Peço-lhe desculpas por interromper, digo que nao vou demorar muito. Ele diz que nao tem problema.

Falo com ele um pouco, pergunto-lhe se a namorada já foi para italia. Ele diz que o filme que esta a ver é muito viciante e entao tento nao o atrapalhar com constante interrupcoes.

Quando o meu prato de comida  esta pronto para sair do microodas, nao me apetece subir para o quarto nem me sentar na mesa a comer.

O que me apetece?
Ir para o jardim. Ir para o exterior. Tinha aberto a porta das traseiras enquanto a comida congelada aquecia no microondas e adorei aquele momento. Total silencio. Serenidade. Nenhum vento. Nenhuma lua. E um ceu estrelado com somente estrelas la no alto.

Foi nisso que reflecti quando me sentei la fora para comer. Já o fiz algumas vezes antes e sempre olhei para as estrelas, so para ser muitas vezes enganada pela luz forte de um aviao.

Acho que nunca tive a sorte de olhar para o ceu noturno sem uma estrela "falsa", que se movimentava de lugar.

Por isso, sabia que hoje estava a olhar para uma raridade, um privilegio. A visao de hoje era mesmo especial. Eram estrelas, so estrelas que estavam no céu.

Quando sai da cozinha com o prato de comida a caminho do patio, quase que me apeteceu dizer ao italiano para nao me achar estranha, mas ia para a mesa la fora comer. Mas depois vi a cena a passar no monitor e pareceu-me um momento chave. Nao o quis interromper.

Segundos depois, oiço-o a recolher-se. E isso intrigou-me. Achei que o fez nao porque queria, mas por eu estar ali e ter ido para o jardim.

Ouvi tambem ruidos nas escadas, mas ele dormer no quarto de baixo. É muito ruidoso nesse sentido mas nao teria porque subir/descer as escadas.

Quando me recolho - porque so ali fui para comer, mais nada, percebo que a Gordzilla rinha saido do cóvil e estava enfiada no WC.

Ela nunca dorme...
Está sempre a controlar os movimento da casa.  Nao sei se nao tera enviado uma mensagem ao rapaz ou interagido com ele.

Gato escaldado de agua fria tem medo.
EU simplesmente SEI o que está ali. E o perigo que representa. Faco por nao dar importancia, mas esse foi o comportamento que escolhi todos estes anos e deu no que deu: total difamacao de caracter, personalidade, que continua e nunca vai parar.

Ela funciona como as serpentes; fica parada e escondida, mas esta em modo permanente de ataque. Vai dar a mordida.

Ela tambem quer prevenir o meu contacto com terceiros na casa. E se eu os tiver, quer ser informada de tudo o que aconteceu, o que eu disse, o que eu fiz, para depois, na posse desses dados, dizer aos outros como devem interpretar a interaccao.

Já o fez incontaveis vezes antes.
Quando "ele" esteve ca em casa, ela interrogou o comparsa que nos viu entrar e quis saber tudo o que eu e ele falámos.

Diante disto é claro que nao o queria ca, sujeitando-o a este escrutinio e vigilancia. Ele era algo autentico e nao o queria conspurcado com esta lama.

Gostava de interagir mais com os restantes, mas evito fazê-lo diante dela. Porque ela esta obececada por mim. E vai agir de acordo a manipular a percepcao das pessoas. É o seu hobbie, esta no seu ADN.

Noutro dia eu perguntei ao rapaz da guitarra se tinha sido ele a chamar-me porque o correio tinha chegado. Ele disse que nao. EU respondi que so queria agradecer, porque estava a dormir e so ouvi alguem a chamar o meu nome.

Esta breve interaccao teve de ser diante dela, que nunca sai do sofa. E ela esta sempre muito atenta, tentando avaliar qual o melhor momento para introduzir nos outros o seu veneno contra mim. Qual o momento para insinuar algo, como quem nao quer nada e ate tem boas intencoes, quando é a altura para se fazer de amiguinha e conquistar a simpatia alheia.

Nessa noite quando desci para ir trabalhar, estranhei algo e quando percebi, ela tinha puxado uma cadeira ate o sofa para ficar frente-a-frente com quem estava a falar, mum tom muito baixinho. A TV estava apagada, o que nunca antes vi na minha vida.

Percebi que o rapaz da guitarra ja estava a receber os "serviços de conselheira" que ela da. So tem de duplicar um pouco as tecnicas que estudou e que aplica nos alunos da escola onde trabalha.

Vou ali uma oportunidade de aproximacao. Uma vez conquistada a confianca de alguem, fica mais facil manipular essa pessoa. Inclusive, leva-la a  agir e a mentir de acordo com interesses proprios.

E ela PRECISA que um destes novos que chegaram, se nao mesmo todos, fiquem do lado dela e digam da propria boca ao senhorio que o meu conportamento é "esquisito".

Se o rapaz da guitarra comecar a aparecer muito no WC ou no corredor em toalha quando me ouvir a passar, vou temer que isso seja manipulado ate mesmo arquitectado para me prejudicar.

Ela ja usou uma rapariga dos seus 23 anos como se fosse a sua marioneta.... usava-a como ferramenta para me atacar e a burra, que se achava muito esperta, nunca percebeu nada. Até hoje.

Este rapaz parece tao fragil, inseguro, volatil....  ela faz dele o que quiser. Nem sequer sera um desafio.

Mas eu nao vou pensar nisto. So escrevo para desabafar, registar e porque ja a conheço. E por isso nao vou andar pela casa livremente. Porque ela mente. Manipula. Sabendo-me a trabalhar de noite, ainda vai dizer que eu ando pela casa quando todos dormem a aprontar alguma.

Foi capaz de mentir e dizer que ligava o aquecimento todas as noites - sabendo muito bem que o senhorio tem pavor de gastos desnecessarios e controla o temporizador. Disse-lhe que eu nao secava as roupa na marquise mas em cima dos radiadores. Disse-lhe que eu cozinhava de noite. Mentiu. Fez de uma unica ocasiao em dois anos a regra. Faz da excepcao o costume e torna is costumes as excepcoes.

É vil, podre por dentro.

Mas esquecerei isso e vou concentrar-me no belo ceu estrelado que vi la fora. Tentei fotografar para aqui partilhar, mas nao resulta. So aparece isto:


Conseguem encontrar as tres estrelas?

Bons sonhos!














sábado, 13 de junho de 2020

O susto que apanhei

Assim que terminei de usar a sanita, o que é que eu vejo? Um telemovel, deixado mesmo em baixo.

Pela posicao estratégica temi que tivesse sido deixado a filmar. E peguei nele.

Estupido ou nao, foi o que me ocorreu.

O monitor estava todo negro. Com apenas as horas em pequeno e a indicacao da bateria, de lado.

Instintivamente, carreguei num botao. Surge um menu de bloqueio. A imagem é a de um passaro tapado ao centro pelo aviso de mensagem. A ultima dizia "ola fulano" e foi assim, sem qualquer esforço, que deduzi que o proprietario é o rapaz que toca guitarra.

Mas aquilo intrigou-me. Fiquei a mexer no monitor, a tentar perceber se estaria a fazer um video.

Sera que algum modelo de telemovel continua a filmar mesmo quando em menu  de standby?

O que fazer?
Deixar o telemovel ali? Podiam andar à procura dele sem terem ideia onde o deixaram. Achei por bem tentar. Bati suavemente duas vezes com apenas dois nos de dedos na porta do rapaz que toca guitarra.

Como nao escutei qualquer som de retorno, fui embora.

Tentei.

Voltei a entrar no banheiro e coloquei o telemovel em cima do parapeito da janela.

Fui para o meu quarto. Ja nao seria capaz de dormir. O "achado" despertou-me. Preocupada que andassem à procura dele, decidi deixar uma mensagem no chat da casa, dizendo que  estava um tm no wc.

Enquanto faco isto, escuto alguem entrar em casa. Parece-me ser o rapaz do andar de baixo. (Cuja namorada "eclipsou-se" depois do meu ultimo desabafo. Ate comecei a achar que ja descobriram aqui este cantinho).

Mas oico mais ruidos. Talvez alguem a subir ao piso de cima. Sei que uma pessoa entra no wc, liga uma maquina de barbear e depois toma um duche.

É o rapaz que toca guitarra.


E pronto. Foi assim que fiquei desperta as 11.30m.

Nesta casa nao posso relaxar. Tenho de ser um pouco desconfiada, porque tenho inumeros motivos para isso.

Ja assisti a muitas tecnicas de manipulacao e temo, com legitimidade, que armam esquemas para me incutirem um comportamento altamente repreensivo que seja grave ao ponto de ser ligitimo exigirem a minha expulsao.

Assedio é o que me ocorre. Roubo tambem. Nada que ja nao tivesse visto acontecer noutra casas. Aquela de onde sai, por exemplo. O rapaz italiano foi removido de la com uma falsa acusacao de assedio à jovem e atraente rapariga que o outro andava a cobiçar. Os dois combinaram agir assim.

Mete-me nojo que haja quem seja tao leviano e despreocupado em destruir a vida de outra pessoa. Porque a vidinha deles continuou em frente, sem pesos na consciencia e com sorrisos. O desgracado do italiano ficou emocionalmente destruido.

Mudei de casa e passei eu a ser a italiana da outra! Vitimizada às maos de pessoas da mesma nacionalidade daquele a quem estendi uma mao amiga quando ninguem mais mostrou vontade de o fazer e estava sozinho, em minoria, destrocado.

A paga que recebo por ser como sou é estupidamente absurda.

Nao pensem que é descabido achar que me estao a preparar uma armadilha e que possam ja estar a faze-lo em grupo.

Em relacao ao rapaz da guitarra, este teve dois comportamentos que me deixaram alerta. O primeiro foi muito inocente. Mas como aqui pouca coisa é e o rapaz da guitarra foi aquele a quem notei desconforto à minha presenca antes mesmo de se mudar para ca, tenho de considerar a eventualidade dele ja entrar na casa 'alertado' contra mim e isso, como e obvio, condiciona.

Numa ocasiao sai do quarto, tranquei a porta e percebi que alguem estava a tomar um duche mas a porta do wc estava destrancada.

De imediato temi que alegassem que me pus atras da porta. Ouvi a Gordzilla dizer isso com todas as letras e muita insinuacao venenosa ao senhorio. Mais uma vez, indo buscar alguem do passado, alegando sem eu poder contractor caso o desejasse, que essa pessoa tera dito que eu me Punha atras da porta do quarto dele e que me "apanhou" duas vezes a fazer isso.

MENTIRAS!!!
Que eu nem na direcao das portas olho, quanto mais demorar-me atras de uma.

Mas que o meu caracter foi estraçalhado e atirado para a lama ja nao é novidade alguma para quem me le aqui.

A outra atitude do rapaz que toca guitarra que me deixou apreensiva foi quando eu ia a sair do wc. Abro a porta e volto atras para puxar mais uma vez o autoclismo. Demoro dois segundos nisto e quando saio fora, ele aparece-me embrulhado numa toalha.

O que nao quero é que se ponham a dizer que sou eu que me ponho a jeito quando um rapaz vai tomar um duche... porque nesta casa as difamacoes sao cancerigenas. Mudam a realidade e esta passa a ser outra.

Infelizmente isto acontece. Tudo isto ja aconteceu antes. Nao é mais recambulesco, fruto da imaginacao, paranoia...

Foi feito. Foi dito.
Tudo saiu da boca dela...

Uma pessoa extremamente manipuladora, obececada por mim. Sem proposito imediato sem trabalho com que se ocupar. Tem todo o tempo do MUNDO para arquitetar planos e ir "grooming" OS outros.

É uma questao de tempo. E todos vao fazer o que ela quer.

Faltou-me dizer que o telemovel estava con 98% de bateria (portanto tinha sido ali deixado à pouco tempo) e enquanto mexi nele em busca de uma indicacao de video a gravar, a  bateria caiu outros 2%. Entretanto o rapaz da guitarra foi o que se enfiou no WC a tomar um duche, e na saida o TM ja nao estava la.

Espero que nao tenha feito um video de alguem a ir a sanita! Porque se o fez, ve-se tudo e nao é nada lisonjeito.... nao so pelo obvio, mas tambem por ter acabado de despertar e estar com uma cara com a qual nem mais me reconheco.



Abraco e bom fim de semana!
😉



quarta-feira, 10 de junho de 2020

A portuguesa é louca (diz a italiana)


O primeiro ministro ingles vai liberar, a partir de sabado, as visitas a familiares em outras casas. 

E eu tenho seis (!!!!) ITALIANOS na sala.
Gente que nunca vi, que entram por este espaco a dentro como quem esta na sua casa, não na de outros.

So dois ca vivem. Um ha apenas 10 dias! Trouxe de imediato bagagem: uma namorada. Com quem me cruzei na cozinha eram 6.30 da manhã.

Disse-me que tinha acordado e nao conseguia dormir. E eu tinha acabado de entrar em casa, ainda de capacete na cabeca, casaco, luvas, mascara.

Conto com este horario matinal para usufruir um pouco do espaco comum da casa. Porque depois das 9am ate a meia noite, isso nao é possivel. Todos os italianos tomam conta. Como se isto fosse o longe de um hostel.
Nao desgrudam mais. Parece que nao tem outra vida, nada para fazer, sem ser ficar na sala a ver TV e pela cozinha a fazer comida.

Eram 18h ontem quando desci no intuito de fazer uma pizza no forno.

 Para mim que trabalho à noite, esta hora é como a hora de pequeno-almoco. Para eles, que nao saiem para trabalhar, que estao ali desde cedo de manha, julgo que podia ser de lanche.  Encontrei tudo na cozinha a funcionar: forno, fogao, microondas, lavatorio, armarios a serem abertos, frigorificos.... e todos la enfiados. Nao estava uma pessoa num quarto.

Nao tinha espaco de manobra. E a casa permite isso com facilidade.

É incrivel como se apoderam. Ha algo anormal na postura. Parece que fazem de proposito para que outros nao encontrem o espaço vazio e dele possam usufruir  sozinhos.

Já intuia que o meu horario matinal de chegada pudesse ser  "roubado". Gato escaldado... é que a gorda mais o "rei da casa" tinham o habito de combinar partidas e chegadas de forma a que um deles estivesse sempre no dominio da sala/cozinha.

Que agora passe a haver um italiano com "insonia" toda a manha que chego a casa nao é algo que me va surpreender. Ainda assim entristece. Sempre entristece.

Assim como entristece perceber a natureza ruim da maioria das pessoas pos lockdown.

Mais cedo, apos uma amiga me acordar com um telefonema, desci à cozinha e a gorda, claro, estava la. Quando se afasta para a sala é quando consigo ir à torneira. Nisto ela retorna e passa a coŕrer para enfiar-se na utility room, que e onde esta a maquina de lavar roupa. O espaco tem tambem uma porta para o exterior, que da para o jardim e para a frente da casa. Nunca ninguem, Sem ser o senhorio, usa o portao que da para a rua.

A propria gorda contou-me uma  vez que um ex-inquilino (pobre coitado) era muito esquisito, nao falava com ninguem na casa, fechava-se no quarto de onde so saia de noite para cozinhar, deixando a casa empestiada (lol,lol) e ela uma vez queixou-se de algo e ele passou a deixar o portao destrancado para entrar pelas traseiras.

Assim que ela me contou esta historia, eu soube que havia uma outra versao para o mesmo acontecimento.

O descaramento é sempre o mesmo: critica os outros e levanta falsos testemunhos, manipulando as situacoes como lhe convem.

Agora para introduzir uma nova pessoa na casa sem dar nas vistas, (nao me contava ali) usa o portao e a porta das traseiras. Os outros dois italianos que se seguiram ja entraram pela porta da frente.

Seja como for, esta rapariga italiana, loura, aparece do nada, diz ola, senta-se na Mesa e as suas comecam a falar.

Entendi perfeitamente quando o assunto fui eu. E quando nao sou, realmente? A mulher esta obcecada por mim.

E empenhada em me tirar daqui. Sem manchar a maquilhagem, claro. Tera de ser o senhorio a fazer o trabalho sujo dela.

Contou a loura que eu lhe disse que ela nao me conhecia. E deu como resposta a loura que sabe que sou louca.

Gostava de saber de onde vem essa loucura...  Do respeito sempre demonstrado? Da tolerancia para com os abusos psicologicos? Da cedencia de espaco?

Ela criou na sua cabeca, ou melhor, projectou em mim  o que esconde dentro de si. E depois chama louco a outro.

Um dia a mascara cai.
Tem de cair.








domingo, 7 de junho de 2020

Começou a prostituição da comida

Para quem não sabe, sou uma femea na casa dos 40 emigrada no Reino Unido e a viver numa casa partilhada com estranhos.

Para quem não sabe, vivo há dois anos na presente casa que tem um total de 5 quartos. Um é ocupado por mim (o menor), os restantes, nestes dois anos e picos, sao todos maioritariamente ocupados por italianos. Mesmo saindo uns, entrando outros, a nacionalidade manteve-se. E não, não foi um acaso.

Para quem nao sabe, no final da Pascoa, com todos os italianos a abandonar a casa devido a estarem sem emprego, sobrou a cabecilha. Aquela que se julga dona da casa por cá viver há mais tempo, há uns cinco anos. Tem o senhorio na palma da mão e logo apos a pascoa, altura em quem é cristão devia mostrar compaixão pelo semelhante, ela chama-o, serve-lhe um bolo italiano pascoal  e diz-lhe para me expulsar desta casa, porque nao gosta de viver aqui comigo, conta mentiras a meu respeito e apela há ganância do senhorio dizendo-lhe que nenhum dos amigos dela quer vir morar para cá porque "me conhecem".

De lá para cá vivo em stress emocional e psicológico, não sabendo o que vai acontecer, mas sei que coisa boa não é.

Entretanto, no dia 1 de junho, todos os quartos voltam a ser ocupados. Primeiro mudou-se para o mais caro deles um homem com quem até hoje nao me cruzei. É ingles e faz a vida mais fora do que dentro. Nao cozinha, nao vai há cozinha, penso ate que nem lava a roupa. É pai de um miudo pre adolescente, que por vezes espera do lado de fora da casa por ele. Nunca que ele trouxe o puto para dentro. E tem outro filho, alem deste que passa por cá. Ouvi o senhorio dizer isto. Este mudou-se dia 16 de Maio e nunca o vi sem ser pela janela.

No dia 1 chegaram outros dois: um jovem italiano e um jovem ingles. Vi o ingles no dia da mudança, no corredor. Ignorou-me quando me viu a sair do quarto. Ao invés de se apresentar. No fundo das escadas, fui eu que lhe disse olá e perguntei se era o Adam. Disse olá e nenhum outro som emitiu. Nem mesmo quando continuei a falar e lhe disse que podia sair (a porta da rua estava aberta) porque eu precisava de abrir o armario (que ele obstruia) porque tinha ali os sapatos. O senhorio estava presente. Nao fez as apresentações e só falou algo ao rapaz. Senti tensão no ar. Assim que abri a porta do quarto, para ser sincera. O rapaz, que ja ouvi falar pela janela, é bom falador e parece simpatico. Mas comigo age como um bloco de gelo. É no olhar e na atitude que percebo que entra na casa já "avisado" da portuguesa (seja lá que versão lhe contaram). Ele tem carro estacionado à porta e toca guitarra eletrica.

O italiano conheci faz duas madrugadas, quando entrou na cozinha e eu estava lá. Deduziu que eu tinha estado em casa mas quando me disse que tinha acabado de entrar, respondi-lhe que eu também. Quis saber se fazia o turno da noite (começa cedo a inquisição sobre o teu horário) e disse-me, porque lhe perguntei onde morava antes, que vivia com a namorada num apartamento pequeno. Entao perguntei-lhe pela namorada, pois claramente  numa relação em que se vive junto não faz muito sentido progredir para o viver separado. Disse-me que esta irá mudar-se para italia. Como tinha acabado de entrar e ainda nao está a trabalhar, deduzi que passa as noites com ela, onde quer que ela tenha ido ficar.

Pois não passou mais. Desde então que esta esta cá. De cá não saiu todo o fim de semana. Ainda nao a vi, só os escuto. E como são barulhentos! Adoram bater com as portas. Despertei hoje com isso, seguido do aspirador e barulhos que me fazem agora suspeitar se ela já não se mudou de "mala e cuia" para cá. (A conservatoria esta cheia de malas, esse privilegio costuma ser só dos italianos). É uma coisa impressionante com estes italianos. Tomam logo o espaço para si. Outros levam o seu tempo, ambientam-se... perguntam se podem. Estes chegam e tomam conta. Acho que o imperialismo romano ainda corre no sangue de muitos dessa nacionalidade. Parecem achar-se acima dos outros, superiores, de caracter imaculado, escolhidos, especiais... isto a julgar por todos os que conheci cá  dentro. Foram eles que conduziram cristo à cruz e a lanca de um deles perfurou o Senhor. Como podia esperar compaixão dos italianos durante a Páscoa? O que fizeram foi pegar numa lança e espeta-la na pessoa não-italiana que só bem lhes fez.

Dizer bem só mesmo o fazem a eles proprios. Do resto falam mal ou dizem gostar de alguém mas nota-se sempre convenções. Gostam de forma jucosa. Sempre a emitir uma superioridade, como se outros com quem possam simparizar nao saissem do nivel de "animais de estimação". Divertem o dono, mas são animais, não são seus iguais. A perfeição reside somente neles. Como posso dizer isto? Não é normal a forma como exacerbam o nacionalismo.

Bom mas o título deste post e a prostituição através da comida. Já o disse aqui antes: a gorda usa a comida para aliciar simpatias. Depois de conseguir isso, com cada garfada que as pessoas dão, vai introduzindo pequenas doses de veneno... mais uns tantos vão ser envenenados contra mim às refeicoes. Ontem de noite ficaram os 3 italianos (suspeito que o ingles também) o tempo todo na sala, ate há uma da manhã. Acordam e voltam ao mesmo.

Numa casa partilhada é normal ocupar-se as areas em comum, cozinha, sala, por algum tempo. Mas todo o tempo é um abuso. Geralmente existe a cortesia de nos ausentar-mos por umas horas e disponibilizar o espaço para outras pessoas. Não quando se vive com italianos. Pelo menos estes. Porque vivi com outros e nao foi assim. Mas também vivi com individuos, nao com grupos. E isso pode ditar a diferença. Isolados, nao são uma grande ameaca. Em grande numero.... alimenta-lhes o lado mau que lhes corre no sangue.

Mas hoje percebi que a mais-velha regressou ao seu hábito de cozinhar para todos. É um perigo. Esta acção que parece inócua é tudo menos isso. É apenas uma forma eficaz que ela arranjou para se injectar na vida dos outros, tornando-se uma pessoa de utilidade diaria (cozinha para eles). Com isso ganha a confiança cega deles e pode dizer-lhes como devem interpretar o meu comportamento, pode mentir-lhes que eles vão acreditar, vão tornar-se seus aliados contra mim e alterar os seus comportamentos comigo sem o perceberem.

Ela é uma perita em manipulação. É fácil para ela fazer-se passar por santa. E é fácil eu ser mal interpretada, ainda mais quando outros estão ali com esse intuito.

O rapaz ingles, assim que percebeu que ela e os outros dois italianos estavam na cozinha, saiu do quarto e foi ter com eles. Para mim está tudo dito: foi atrás de uma boca livre (É normal rapazes preferirem que alguem os alimente) e em troca vai ter de pagar com hostilidade à minha pessoa. Tornar-se uma "testemunha" de algo que possam distorcer a meu respeito.

A mais gorda prostitui-se com comida.


quinta-feira, 21 de maio de 2020


Why when bad people get inside a house, they never leave?

Falo, claro, no caso de casas com quartos partilhados.

Enquanto estou aqui sentada na relva do jardim,  procuro a paz às aflições que me atormentam.

Primeira fotografia de mim no blogue.
Yeah!
Costuma ajudar. Mas já produz pouco efeito. Tenho de ir para outros jardins, onde o espaço não está carregado de hostilidade.

Na véspera de tudo acontecer (a gorda dizer ao senhorio: "tira-a daqui senão não trago ninguém para morar cá"), trouxe estas flores que colhi de noite, pelo caminho, enquanto regressava do trabalho.


Não são lindas?


Meti-as num copo de vidro alto, despejei água para dentro e coloquei esta jarra improvisada no centro da lareira, para embelezar o espaço.

No dia seguinte, como se qualquer intervenção minha na casa fosse intolerável, chamam o senhorio e enfiam-lhe pela goela abaixo um monte de malévolas mentiras juntamente com um pedaço de bolo pascoal e um cafezinho.

Antes e depois.
  Só desviei dois bonecos da esquerda para a direita 
e reposicionei o ovo.
É preciso frisar que antes do "antes", a jarra
 que vem a esquerda estava ao centro mas foi
rapidamente relegada para dar espaco a isto:

Uma especie de lareira
que vira prateleira de despensa
(Para armazenar paes, bolos e multiplos
ovos de chocolate exclusivos para consumo italiano)

Depois daquele dia comecei a procurar uma nova casa para morar, mas fui hesitante na seleção e nao tive sucesso. A ideia era sair de imediato. Percebi que já estava a demorar demasiado tempo e isso desagradou-me. Quanto mais tempo passar na casa, mais intrigas vão inventar para reforçar as mentiras inventadas sobre o meu caracter e comportamento. Uma coisa que não lhe devia ter dito quando a confrontei, foi que nenhum dos amigos (que supostamente não gostam de mim), me conhecia. Ela ficou espantada. Prestou atenção. Como já a temer que eu pudesse ter encontrado uma brecha na sua história inventada.

Deve ter pedido a uns para confirmarem a sua versão com o senhorio. Isso justificaria a presenca de uns deles na casa, ontem, anteontem e noutro dia. Deixando moedas e mensagens como que encantamentos.

Mas a verdade é que nunca fui mal educada. Eles traziam pessoas cá para dentro sem nunca partilharem comigo essa informação. Eu ficava a saber por esbarrar nas pessoas, geralmente quando tentava aceder à cozinha. Convivios, jantares... Nada me foi dito. Era propositadamente colocada de parte por eles e depois davam a entender aos convidados que era eu que me excluia.

Tudo manipulação. Sempre falsos, sempre alertas à percepção dos outros.

Naturalmente, sou surpreendida quando entro na sala e encontrou um bando de gente. Digo "hello" e meio que fico à espera de uma apresentação. Mas não me diziam o nome, não se apresentavam, não me apresentavam a ninguém.  Muitos nem me olhavam na cara quanto estabelecia com eles contacto visual e lhes dava um timido mas genuino sorriso, quanto mais me falar.  Nem uma curta interacção, uma pergunta, nada. OK, não me querem junto deles. Fazem-me sentir uma intrusa na propria casa onde pago para morar, pelo que faço o que tinha ido ali fazer e deixo-os sossegados.

A ela só lhe disse que muitos nem um "hei" diziam e respondi à resposta dela sobre os colegas "ninguém nesta casa gosta de ti" com:

-"isso é porque tu dizes a todos que aqui entram "que terrivel portuguesa mora aqui!"

Voltando aos malmequeres, ao fim de algumas noites, reparei que continuavam resplandecentes. Deixei-os ficar. Não pensei que durassem tanto. Mais uns dias se passaram, a busca por um novo quarto atingiu uma percepção de calamidade e desânimo. Os malmequeres continuavam visosos. Contudo, comecei a associar a presença deles com o início deste novo tormento.

Será que, enquanto ali estivessem não ia arranjar um novo lugar para morar?

Se nada aparecesse dentro de dias, ia deita-los fora.

 Assim, 18 dias depois de os ter colhido. Removi-os, para ver se me trazia sorte.


Passaram-se mais quatro e até agora, nada.

Só mais uma epifania:
Quando no pico do medo e pânico comparas um virus mortífero como o Covid29 com os teus colegas de casa e concluís que este é uma ameaça menor, ficando feliz por poderes sair de casa todos os dias para ir trabalhar, isso devia ter servido de pista.

Estou só a tirar estas coisas dentro de mim.
I was blind but now I see!
(Will I ever, really?)

Gangster style

Pois é, meus amigos.
A minha situação nesta casa continua na mesma. O senhorio esteve cá, ficou meia hora na sala a falar baixinho com a gorda e nem é preciso uma bola de cristal para adivinhar qual o tema. Argh! Gente mal formada. Não quero mais saber da gorda e do senhorio. Doos dissimulados, falsos e maldizentes!

Malditos sejam para toda a eternidade.

 Gente boa no coração não consegue lançar pragas. Ainda assim, espero que grude neles toda a espécie de pustulas, incomodos, desconfortos, deformações e que os outros se sintam repugnados não pela aparencia mas pelo mau caracter que se esconde na falsa simpatia que usam para seduzir e manipular. Que lhes vejam sempre essa faceta e que dela queiram distancia.

A conversa deve ter corrido muito bem. Pois ela deixou outro "recado" no quadro. Outra provocação, outra mensagem indirecta, de vitoria já comemorada. Não vou mais ser discreta, vou revelar aqui:


Comecou ontem por isto: 
O ponto de interrogacao e a palavra "em beleza" ja é herança da primeira etapa da tramoia. Surgiu no dia em que fizeram a cabeça ao senhorio.

Ontem adicionaram um sinal de extrema confiança na Vitória: um coracao com a palavra "nós".

Ora, qualquer pessoa subentende que se estão a referir a eles mesmos, nós "italianos". Versus quem? 
Fica subentendido.  


Hoje quando chego a casa ela deixou isto no quadro. O nome de todos aqueles que conspiram para me tirar desta casa, que ela acha que é legítimo que seja somente para "us". Atencao que o nome DELA não está cá. Tipico dos manipuladores. Deixam-se de fora. A menos que tenha dado para o abreviar. Mas duvido muito porwue uma vez contou-me que detesta que lhe confundam o nome ou a chamem por diminutivos. É tipico do narcisista purista. Ofende-se e chega a niveis de ira elevados só porque alguém não a trata pelo nome formal.

 Finalmente conseguiu agradar todas estas pessoas. Já as deve ter contactado para celebrar. Dois anos de tramóias, conspirações, atitudes francamente reprováveis de segregação, ridicularizacao, sempre encobertas por um manto de hipocrisia. Deu frutos. Melhores do que esperados. Não só me remove da casa, como me rotula de desiquilibrada. Isso é que me dói. Isso e saber que, apos tantas esperancas de ter alguém decente a vir para cá morar, provavelmente agora wue quero sair é que vão entrar um ou outro. E serão todos para ela. Sao todos homens. Um, talvez ainda um rapaz. Foi aquele que escutei hoje a falar pela porta e simpatizei de imediato. Pareceu puroz honesto, sincero, transparente. Tudo o que desejei que aparecesse por aqui!!!  E gostei do sotaque ingles. (Ps: afinal aquele que se mudou psra ca no dia 18 é inglês, ainda nao se deu a conhecer, nao tem nada na cozinha, nem no wc, nao come em casa, nem sequer o ouvi a tomar um duche. Só o escuto a ir ao wc, e a falar ao tm no quarto). Por tudo isto é  que considero que possa ser um inquilino falso, que apareceu só para vigiar e proteger a"pobre" gorda da "desiquilibrada" portogeise. Ai, a quantidade de auto-projecções que esta tipa faz nos outros!! Acho que deve ser mais fácil e dar melhores resultados quando se fala mal de alguem estando a falar de si mesmo.

Bom  mas eu também tenho uma mensagem no quadro para lhe deixar. Vai ser a ultima coisa que vou fazer ao sair. Colar as suas proprias palavras que deixou no quadro e fazer com wue as engula, escritas na propria caligrafia.

"Querida colega, o que fizeste em casa durante a quarentena"? - vai perguntar-lhe alguém quando regressar à escola onde lecciona (sim, a bruxa dissimulada arma-se em professora de... italiano. Que mais podia ser, não é mesmo??)

Ela vai lamentar-se e dizer que foi aborrecido. Mas na realidade dedicou-se em pleno à sua atividade predilecta, pela qual estava obsecada: tirar a portogeise da casa! Tirar a portogeise da casa!

E não esperou muito: aproveitando o espirito pascoal, enfiou na garganta do senhorio um pedaco de bolo "folar" e munida deste espirito caridoso aniquilou-me. Em plena quarentena, conspirou com o comparsa e o senhorio para me removerem da casa. Sem problemas em meterem na rua uma senhora sem familia, sozinha no reino unido, na meia idade, com emprego instável.

É isto que tem dentro dos corações.

Eu jamais seria capaz de.tamanha crueldade.

Mas é por isso mesmo, por ser incapaz, que me vejo nestas situações . Nao fui capaz de a expor quando soube que falava mal de mim a todos que entravam na casa. Não a denunciei quando malevolamente apagou todas as gravacoes da box assim que eu viajei para fora. Não a denunciei quando armou um esquema para substituir a velha box à qual ligava o meu dvd através de cabo scart por uma moderna, sem essa possibilidade. Não a confrontei quando passou dois meses a acordar mais cedo só para ocupar primeiro o wc do piso superior que fica ao lado da porta do meu quarto. Porque sabia que eu acordava e ia trabalhar em apenas meia-hora. E ela demorava esse tempo só para ficar sentada na sanita a ver programas no telemóvel. Por altura em que eu metia a chave a porta e saia, ela puxava o autoclismo. Só depois ia para o duche. Eu saia de casa as 7am para comecar o turno as 8am. Ela saia as 8am, 8,30am.... para apanhar o comboio e ir trabalhar num colegio noutra cidade. Não gosta desta, nem dawuela, nao gosta de nenhuma... mas nao abandona esta casa. Nem que tenha de trabalhar nos quintos dos infernos da lonjura. Como todos os italianos que já conheci, sao todos maos de vaca, não gostam de gastar. Tentam economizar tostões  impondo a sua presença a outros. Tentando arranjar uma estada gratis aqui e ali, trazendo dos hotéis onde a companhia aerea os instala aguas, papel higienico, snacks, mini shampoos e outros utensílios uteis.  Gastam somente para se mostrarem. Para causar boa impressão.

AParencias, sempre as aparencias. O que os outros vao ficar a pensar de si. É só o que lhes importa.

Salvar face.

Mas tudo isto não vai ser em vão. Ontem surgiu-me uma ideia de como posso tentar usar isto para escoar um pouco esta revolta.

Vai levar tempo. Talvez não resulte. Talvez desista. Mas assim wue reunir condicoes pretendo faze-lo.

Já tomei um pequeno passo. Decidi criar um blogue só para relatar esta experiencia. Mas visando ajudar. Procurando tirar uma aprendizagem de cada acontecimento e avancar com alternativas para solucionar. Um blogue negativo, mas positivo. Reflectivo. Diferente da forma como escrevo aqui. Só me faz falta realmente é, um computador. Não dá para escrever no telemóvel.


O senhorio, decerto só para eu saber, cumprir uma formalidade ou já com um esquema montado, enviou uma mensagem a dizer que no dia 1 Já temos a lotação da casa cheia. ( Como se nao quisesse expulsar-me de cá. ). E que vai redigir um novo contrato dizendo que tem de dar um mes de aviso. (Que parabtodos os efeitos já dei, não quero saber. Eu enviei um sms para o efeito, mas enganei-me no numero. E no dia seguinte disse a gorda que para mim esta casa era veneno e nao ficava nela nem que o senhorio aparecesse a dar-me a chave para ca morar sozinha. Todos os cantos, tudo o que possa fazer, cada gesto e decisao que tome, vai trazer há tona uma amarga recordação. Foi quando percebi isso que entendi que não podia ser eu a ficar na casa. Esta tinha sido corrompida. O que me fizeram passar dentro dela sabotou a forma como dela podia usufruir.



domingo, 17 de maio de 2020

Não consigo sair desta casa!!!!

Não consigo sair desta casa.
Não há um único anúncio de um quarto disponivel nas redondezas que preencha um mínimo de requisitos.

Devia ter contactado o Ami, o tal senhorio que me quis na sua casa e estava a disponibilizar um quarto. Agora é tarde, porque assim que o anuncio sai do site a pessoa fica incontactável.

Ontem entrou outro inquilino cá para dentro.

Nao sei quem é, não sei o nome, ainda nao o vi sem ser quando espreitei pela janela e vi um homem encorpado e careca a sair de dentro desta casa, carregando as chaves na mão.

Entrou como um rato, fazendo-se despercebido. Nem sequer pareceu transportar malas, tal foi a forma subtil com que arquitectaram esta chegada. Sei que é italiano, porque ouvi-o a falar.

E é só o que sei. Que é basicamente nada. Vai bastantes vezes ao WC, nao abre uma torneira nem puxa o autoclismo. O que me deixou desconfiada e para nao ter surpresas desagradáveis, preferi usar o WC no andar de baixo.

Nao pareceu ter grande interacção com a gorda - pelo menos não certamente aquela que ela desejaria: bajulação, união nacionalista, companhia diaria e conversa constante.

Mas não vou deixar-me levar pelas aparências. O senhorio bem disse que seria capaz  de enfiar cá dentro gente bruta sem lhes cobrar renda só para expulsar-me.

E este veio cá parar da,mesma forma que todos os outros: foi escolhido. Não foi colocado nenhum anuncio para qualquer um dos três quartos vagos. E eu queria que tivessem sido quatro!!!

Iludi-me com a possibilidade da casa em obras ficar disponivel a tempo e nao agarrei aquela que estava garantida se mostrasse interesse por ela. O senhorio até baixou o preço e tudo. Sim, não adorei o quarto e suspeito que ele é outro senhorio intrometido. Mas a casa era partilhada so por 3 pessoas no total- o que é uma raridade que procuro agora mais que nunca. E tinha um jardim e um wc razoavelmente decentes.

Nada do que houver por ai vai comparar-se ao espaço nesta casa. Sei disso e não me incomoda. Mas tambem nao queria ir para algo muito decrépito. Os anuncios que tem aparecido deixam-ne deprimida. Tudo caro, em troca de uma localizacao menos favoravel, num espaco menor e menos pratico. Sem arrumação decente ou em casa onde vicem 5 ou 7 pessoas.

Rezo para ir parar num lugar decente. Mas já se passaram 12 dias e não surge nada. Tudo o que aparece é porcaria. E está à tanto tempo a ser anunciado que se percebe de imediato que nao há interesse por parte dos actuais ocupantes em ter outra pessoa por perto. Ninguém lhes pega por algum motivo.

Esta casa quer-me ca dentro. É ela que sempre me acolheu. É-me familiar. Encaixa na minha pessoa. Foi feita por outras pessoas que devem ter sido boa gente. Nota-se nos detalhes.

O senhorio só a adquiriu.

 Tem trazido só rapazes para vir ver os quartos e isso nao é coincidência. Antes eram só raparigas mas depois isso mudou. Uma mulher a viver aqui só se encaixa  se for italiana. Porque a gorda age como dona da casa e detesta interferências femininas na decoração, na cozinha, na compra de utensílios e mesmo na compra de produtos de limpeza. Tem de ser ela a decidir essas coisas. Nao gosta do que os outros cozinham, critica os odores das comidas que não é ela a fazer e incomoda-lhe ter outra mulher na "sua" cozinha. Age como se mais nenhuma soubesse estar à sua altura. Altura essa bastante inflacionada pelo próprio ego.

Novos anuncios de quartos apareceram hoje. E logo o primeiro, era deste senhorio, a respeito de uma outra casa dele. Pelo paleio percebi logo. Mas ainda tinha esperancas. .. para aquela casa procura uma mulher..   ja tem duas e um rapaz. Porquê impor o domínio feminino e aqui quer cordeiros masculinos?

E italianos. Porque se os quisesse de qualquer outra nacionalidade, punha anuncio. Sao 3 quartos vazios que ele não está a anunciar.

Acho que terei de ir ao chat no grupo para ver se o novo inquilino foi adicionado e assim descobrir-lhe o n de telemovel, já que o nome nao deve aparecer.

Este tem-se mantido no quarto. Por enquanto. Pouco interesse em socializar. Aparentemente. Está optimo assim.


  • A crise ao inves de fazer brotar quartos baratos, esta a mostrar o costume: senhorios ambiciosos, gananciosos, que mantem o preço das casas nas alturas.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Um dia em casa, apenas um, e não toleram a bênção!


Que nome dar a gente assim?
Vou pedir a vocês para arranjarem as melhores expressões. 

Ontem, Domingo, uma semana após a "santa Páscoa", foi o primeiro dia que fiquei em casa. Reparem: estamos TODOS de quarentena. Eu tenho o mesmo direito que todos os restantes, de ficar em casa, de andar pela casa, de usar a casa a meu belo prazer. Pago para cá viver tanto como eles e também estou sujeita à mesma imposição. Vou trabalhar, porque preciso, porque posso. Mas se fosse de ter medo e de ser preguiçosa, ficava em casa. Ao invés disso tenho corrido todos os dias, de lá para cá, sem tempo para respirar e sossegar. Só neste domingo dia 19 é que tirei esse momento. O primeiro dia de folga. E claro, entre tantos dias sem comer nada de jeito, só a bananas, maças, bolachas e torradas, senti que tinha de me alimentar com algo melhor. Não almocei, não lanchei, como quase sempre, por fazer isso a divisão ficou totalmente para eles. Às 19h "ousei" ir cozinhar alguma coisa. Estavam lá os dois italianos que agora estão na casa (dois foram provisoriamente viajar ontem, como se a quarentena pudesse ser passada cá-e-lá). Nunca saiem dali até chegar a volta da meia-noite mas, porra, dentro da cozinha em si a falarem ao telemóvel com outra ex-inquilina italiana, já a impedirem-me com os seus corpos de alcançar o armário, de abrir o frigorífico de me mexer à vontade. Eles, novamente de volta dos tachos pela 5ª vez ao dia. 

O tempo todo sinto que não me querem ali, mas ignoro. Tenho tanto direito de aqui viver quanto eles. Mais até. Por aguentar o terrorismo psicológico e a extrema hipocrisia italiana mostrando em troca um elevado nível de integridade, bom carácter, tolerância, coisas que lhes escapam. Mas adiante: tive de desviar duas travessas de legumes (pimento e batata) cozidas no forno que eles meteram em cima do fogão, para poder cozinhar algo ao lume, pela primeira vez em uma semana. Não sei bem o que vai ser, mas decido cozer esparguete em molho de tomate. Talvez adicione algo mais. Quero algo quente, mas rápido de fazer. Pretendo comer no jardim, e nos preparos, abro a porta para deixar algo lá fora. Sinto que só esperam que vire as costas para mostrarem quem verdadeiramente são. 

Voltei à prática do telemóvel deixado na sala, com o botão em modo REC. 

E não é que agora de noitinha, na despertina, decidi escutar alguma coisa. Ao calhas, comecei a escutar a gravação de quando estava na cozinha a preparar o esparguete. Estive 24 minutos lá dentro, até que subi ao quarto ou fui lá fora, apenas por segundos. Enquanto ali estive, são falsos como notas de 50.000 euros. Falam com falsa aceitação, sorrisos e uma hipócrita simpatia. Mas eu sei que, é só virar as costas e vem trovoada. Sempre penso que é desta que se vão controlar e deixar de ser do tipo de gente mais detestável à face do planeta. Mas estou a iludir-me.

O rapaz, que estava em video-chat com um outro rapaz alemão com quem está a trocar ensinamentos linguísticos, assim que sente o caminho livre, (eu ausento-me) vai espreitar o que estou a cozinhar, a gorda responde que é esparguete, ambos fazem o som "belhec" ela dá risadinhas, porque nada lhe dá mais prazer que ver alguém ser tão porco e vil quanto ela a meu respeito. Dá-lhe gosto, fica com a pele mais resplandecente, o olhar mais vibrante. Nisto o rapaz diz que está a falar da inquilina (eu), que sou uma espécie de porca, que deixo tudo espalhado pela casa e menciona, mais uma vez, a nacionalidade. Como se tivesse problemas com portugueses no geral. Como se ser portuguesa fosse um diminutivo, um defeito associado a falta de limpeza.

Nisto ele decide MOSTRAR e filma as luvas e os desinfectantes que deixei em cima de uma folha de papel numa pequena mesa que uso para o efeito. É nessa mesa que decido deixar aquilo que vem e volta da rua. Acho que tenho direito de ocupar alguma área na sala, não? Não pode ser tudo para eles! Eu preocupada em não trazer virus para dentro, ocupo apenas a mesinha de encosto para bem de todos e é esta a paga que recebo? Onde está o contexto? A explicação? Está um gajo alemão a quilómetros de distância daqui a pensar horrores de mim, quando nem devia estar a par da minha existência. A receber informações depressiativas a respeito dos portugueses.


Que tivessem FILMADO os meus pertences e mostrado a um desconhecido, mentindo e criando uma má reputação a meu respeito é e me deixar estupefacta. Não é a primeira vez, a gorda fez isso em finais de 2018. Mas ainda assim ainda me surpreende que continuem a ser difamadores. Mentirosos! Mal formados. Isto vindo de gente que não se olha ao espelho, só pode! A mesa da sala sempre foi um armazém para eles, ali deixam os computadores e telemóveis. O rapaz colocou um gigante jogo de mikato a um canto da sala e nunca lhe tocou. Depois adicionaram a isso um outro jogo qualquer. E mais tarde, antes da Páscoa a gorda recebeu algo numa caixa de papelão e parece querer guardar a caixa religiosamente, pois ainda está no topo da cadeira. Talvez vazia, talvez não. Sei que um pedaço já foi rasgado e colocado no chão, para servir para manter a porta da sala aberta. Mas não resultou e ao lado do cartão, colocaram a pedra que eu originalmente tinha colocado para o mesmo efeito, mas que o senhorio removeu, dizendo que não autorizava porque é uma porta anti-incêndio, tem de ser mantida fechada.

Eles depois colocaram outra pedra, menor e mais leve que não mantinha a porta realmente aberta e perdia-se imenso tempo com o tentar mantê-la assim. O senhorio, que entretanto já entrou e saiu da casa dezenas de vezes, não removeu a pedra colocada pelos italianos. Eles deixam malas de viagem dentro do sítio reservado para estender roupa, deixam toalhas em cima do sofá, das cadeiras, não são nada um exemplo que possa abrir a boca para apontar o dedo a outro alguém. Muito pelo oposto.

Eu preferia deixar o saco que uso na rua em cima de uma cadeira em particular. Mas não pude, porque quando começou a quarentena a mais-gorda meteu ali uma mala de computador. Ou então foi ele. Só sei que isso fez com que metesse as coisas em cima da mesa redonda. Não gostam? Que lata! Que descaramento!!

A mesma mesa onde eu vi dia após dia uma mala de cosméticos, mais outras traquitanas, por três meses seguidos, até que veio o Natal de 2018, uma inquilina saiu da casa e aproveitei o espaço num armário onde ela entulhou coisas soltas para "os italianos" e meti ali dentro tudo o que estes deixaram espalhado pela sala. Soube-me tão bem, olhar em volta e ver um espaço equilibrado. Foi a primeira vez que a casa ficou sem tralha desnecessária à vista. A zona da área de lavagem é uma bagunça! A gorda gosta de guardar embalagens vazias de detergente e chegou a ter umas dez! Sacos plásticos vazios deixados abertos em cima e outras cenas de entulho... tudo a ocupar espaço comum. Eles os dois usam um frigorífico enquanto outros três usam o outro e mesmo assim vão enfiar coisas deles no meu. Sujam tudo, eu bem vejo que têm um frigorífico porco. Mas depois dizem que a porcaria é minha. Eu é que estou sempre a limpar os vestígios de porcaria deixada por eles no frigorífico. Mas já desisti de tirar as manchas de molho de soja. Que fiquem lá, já que as limpo e estão sempre a aparecer. Mas eles lá mencionam isso em video-conferência com um perfeito estranho que não está interessado nem pediu informações? Não... 

Que gente mal formada, cruzes!
Tão mal formada. E enganam. Enganam muito bem.

O meu único dia de folga, o primeiro. Fiquei no quarto isolada a maior parte do tempo. Estive no jardim, arranquei ervas, limpei folhas soltas. Eles, sempre a vigiar. Quando fui colocar parte desse lixo no contentor apropriado, vi o rapaz a espreitar pela janela e este acenou com a cabeça, em sinal de aprovação e mostrou um sorriso. Mas decerto que se for a escutar essa gravação, vou ouvir coisas terríveis a serem ditas entre eles. Se calhar até foram eles que disseram ao senhorio para cá passar. Para ver se este implica com alguma coisa na minha jardinagem. Por essa altura já estava no quarto e não pretendia sair. Acabei por adormecer, a pensar nele que, a pesar de tudo, foi capaz de ser a pessoa mais autêntica que me apareceu à frente. (Ou também não foi?)

Ainda tenho os meus pertences no armário no corredor. Devido às obras. Que nunca mais terminam. Queria ter tudo no meu quarto, cada coisa no seu lugar e poder usufruir desse prazer que é precisar de algo e saber exatamente onde alcançar, sem dificuldades, sem ter de desviar uma carrada de coisas e outras tantas cairem ao chão. Sou a que vive em piores condições. Por causa deles, por causa do senhorio, que faz muito pandam com a falsidade e ocultação de informação que eles exibem.  (Sei que também ele prefere, por comodismo, que a casa fique toda italiana. Tem interesse em me ver fora, porque o próximo que alugar o quarto verá um acréscimo considerável no valor da renda. E lucro é irresistível para um homem de negócios). Mas não vão conseguir mandar-me embora. Cabrões. Estão só à espera que eu perca a paciência, lhes diga alguma coisa, para, unidos encherem a cabeça do senhorio de intrigas e meias-verdades para me expulsarem daqui.

Não valem nada estes italianos. Nunca pensei. Nunca me ocorreu!
Gente puta, prostitutos imorais. 
Há italianos que dizem não gostar de italianos e agora compreendo muito bem porquê. Não vejo nada, nem a porcaria de um grão de areia que lhes possa apontar de bom. Não o permitem.  

segunda-feira, 13 de abril de 2020

A Páscoa correu bem



Passei um Domingo de Páscoa agradável, porque estive a trabalhar. Trabalho intenso, físico, de longa espera até poder fazer uma pausa. Mas relaxado, num ambiente amigável. 

Que melhor podia pedir?

Dentro de casa sei que ia encontrar o oposto. O que ia estragar o meu dia, fazer-me ficar deprimida, magoada, em sofrimento e a soltar lágrimas. O trabalho foi a minha salvação.



Quando regressei, os sinais de farra estavam visíveis. Os italianos decidiram comer no jardim - factor raro - e moveram a mesa de ferro forjado para junto da vedação do vizinho. Porquê? Não sei, não me interessa. A mais-gorda quis logo saber, ao me ver entrar, se tinha ido trabalhar. Respondi-lhe que sim. 


Troquei-lhe as voltas. Ela tinha preparado todo um festim para mo exibir debaixo do nariz, mas no qual me deixava excluída. Como sempre fez. Inclusive, mudou-o para o jardim, lugar onde eu costumo estar, onde costumo ir para comer. Também queria privar-me desse prazer, decerto. E eu não estive presente para lhe dar esse gostinho. Nem dei sinais de ausência. Deixei o saco que uso todos os dias no lugar, para que a sua ausência não lhes servisse de pista. Ouviram-me sair, mas decerto deduziram que podia voltar a qualquer instante.

Na sexta-feira Santa montaram um jantar todo caprichado, mas não me convidaram, nem sequer mencionaram que tinham esses planos. Não foram capazes de oferecer um chocolate dos muitos que abriram nem uma taça de vinho (com tanta garrafa que trazem e armazenam logo quatro no meu frigorífico). Não escrevi eu aqui que ela precisava recordar-se do significado da quadra, por isso o escreveu  "Esta é a semana santa" no quadro negro na cozinha?


Eles não têm um conceito real do que significa a Páscoa. Continuam maldizentes, intriguistas, mesquinhos e pateticamente embrulhados nestes actos de ostracizar o semelhante.

Assim que o senhorio abandonou a casa nesta sexta-santa, (veio cá com o pretexto de acabar de arranjar o WC), eles começaram logo a preparar a sala. Dava para sentir no ar, que só estavam à espera que ele saísse. Pouco depois, escutei baterem à porta da rua. 

Convidados? Em pleno Covid-19 lockdown?? Anda a polícia a divulgar cartazes para que as pessoas não se reunam em grupos nas suas casas nesta altura da Páscoa, para não fazerem churrascos e festas no jardim, com convidados... e estes italianos trouxeram cá para dentro um outro italiano. Sei lá eu se saudável! É simplesmente um comportamento que não se pode tomar. E eles tomaram-no. Em plena quarentena.


Tenho sorte em poder ausentar-me desta casa para ir fazer algo útil, mais útil ainda neste conceito de Pandemia Mundial. O meu trabalho de armazém consiste em separar correio postal. Ajudo a que as pessoas que estão fechadas em casa possam receber, enviar e ter em suas mãos algo que alguém que lhes quer bem desejou lhes enviar. Esse é o trabalho que mantenho há quase dois anos, mas por uma agência, como trabalhadora ocasional. Dava muito pouco dinheiro - nem o suficiente para metade da renda.

Agora com a situação que vivemos, perdi o emprego principal que tinha há dois meses e que podia gerar um contrato, mas em contrapartida ganhei horas e turnos decentes neste que já dura muito mais e com o qual estou satisfeita. Ali muitos me conhecem, muitos gostam e mim e no geral é um ambiente simples e descomplicado onde se trabalhar. Tudo o que quero. Pagam melhor do que em qualquer outro lugar, mas não davam nem 10h por semana. Com o Covid, isso mudou. Está muito melhor agora. É lamentável que esteja a correr riscos, mas penso que é o mesmo risco que qualquer outra pessoa que tem de se deslocar para o trabalho corre. Excluindo os profissionais de saúde, que esses estão mesmo no epicentro das pessoas contaminadas que procuram auxílio. Porém, quantas contaminadas que não o sabem podemos nós nos cruzar na rua e emprego?

No armazém onde trabalho, que é enorme, estão também outras três centenas de pessoas. Lidamos com camionistas, que viajam por todo o lado e carregam e descarregam os camiões com os carrinhos de correspondência e encomendas. Tocamos em mais de 1000 pacotes por dia. Sabemos lá qual deles pode transportar um vírus.

Sem dúvida, é um risco.
Mas para ser honesta, o Covid fez-me perceber que ficar em casa é-me muito mais prejudicial.

Hoje, segunda-feira, é feriado. Então fiquei mesmo por casa. Não é bom. Dos poucos segundos que tive em contacto com outra pessoa, passaram-me a sensação de não me desejarem por perto. Se não aguentam a minha presença nem por segundos num único dia da semana... Até conversa de treta não consegui estabelecer por mais que alguns 5 segundos. Tal era o desinteresse.

Não me rala. A única coisa a que tenho de estar atenta é onde ponho as mãos, o que uso para comer, para preparar comida... Porque não sei onde os restantes andam com as suas, nem para onde espirram. Sei que não são de tomar tantos cuidados quanto eu. Tenho estado atenta ao comportamento da rapariga do andar de baixo, que praticamente tem estado a viver enclausurada dentro do quarto. Não é muito habitual e fica claro que algo se passa. Com ela ou com o namorado, que está ainda mais "invisível" que ela. Se algum deles apresentar sintomas de gripe ou constipação, SEI que vão procurar ocultá-lo de mim, do senhorio. Vão mantê-lo em segredo, tentando que eu não o perceba. Sei que não posso contar que tenham um comportamento exemplar e atuam como pessoas decentes e responsáveis. Têm demonstrado não saberem o que isso é. Para os italianos, qualquer sintoma é de outra coisa qualquer, não é Corona. "Como ousas insinuar??" - é o tipo de atitude que têm. Claro... como se desse para saber.

A rapariga do andar de baixo não só anda muito enclausurada no quarto, como começou a fazê-lo depois de regressar de uma interrupção de quarentena. Ela e o namorado ausentaram-se por três dias. Não sei para onde foram, com quem estiveram, nem o que andaram a fazer. Sei que regressaram faz duas semanas, e quase de imediato comecei a ouvir a rapariga a tossir e a assoar-se constantemente. Parece estar a querer evitar o contacto e vive enfiada no quarto. Daí vai para o WC tossir e assoar-se, e de volta para o quarto. Deixa as suas coisas espalhadas pela casa, as toalhas que usa nas cadeiras, sofás, etc e sai de vez em quando, para alimentar-se e parece estar bem... mas hoje ao passar por mim na cozinha, olhou-me intensamente. O que não é habitual. Geralmente recebo aquele olhar "mal olham para ti". Que foi o que ela me deu na sexta-feira Santa, quando cá receberam o italiano. Fiquei ali parada a olhar para eles, à espera que se dignificassem a dizer algo, a apresentarem-me o indivíduo (porque o sabia um candidato) ou a mexerem-se para que eu pudesse passar e alcançar a cozinha. Ela só me olhou de relance, com um desdém do tamanho do universo. Típico de quem sente que está a aumentar em número... Quando recebo olhares não de relance mas que olham no olho,  sei que está a acontecer algo menos bom. Isso e mostrarem-se mais afáveis na voz. É sempre mau sinal. Para mim aquele foi um olhar de "estou a esconder alguma coisa", que me disse que se estava a passar algo que eu ainda não sabia, mas que ela sabia e estava a rejubilar-se nisso.

Uma dessas coisas pode ser o facto de estarem à procura de outro italiano para cá vir morar. Foi isso que os espevitou há dias, depois da rotina desta quarentena já estar a desmotivá-los. Um dos rapazes abandonou o quarto, por estar em quarentena em Itália e não querer pagar renda. O quarto vai vagar no final do mês, Mas já está tudo em movimento para cá enfiarem alguém do seu agrado. Alguém com o "selo de qualidade". Estão a falar com todos os italianos, procurando encontrar quem queira mudar-se para cá. Pintam a casa como um lugar ideal, toda italiana, com festas e festins italianos. Só tem um inconveniente... ainda cá mora uma portuguesa. Mas ela é posta de parte, não conta.

A necessidade de meter outra pessoa cá dentro tem-nos dado um novo alento, um novo propósito. Têm estado a sondar quem pode vir para cá, quem é o melhor candidato. Ontem à noite, estava quase a adormecer, quando tenho de ir buscar algo lá abaixo e voltar para a cama. Nisto quando estou a passar rapidamente pelo sofá, a mais-velha, que está a falar por video-chamada no telemóvel, no alto do seu cinismo, chama o meu nome, o que é insólito, vira o telemóvel  para mim e diz: "Fulano está ao telemóvel".

Fulano é o "rei", o ex-colega que saiu desta casa. Nunca quiseram saber de mim. Não falaram comigo cá dentro. Passavam-se horas com nós os dois na sala e ele não abria a boca para me dizer um ai. Não me desejou feliz ano, nem feliz Natal... Nada. E agora, subitamente, estava interessado em me cumprimentar?

Claro que não. Foi só mais uma provocaçãozinha, porque entretanto, eu já deixei claro que não gosto dele. Quando cá esteve limitei-me a cumprimentá-lo secamente. Queria o quê? Reverência? Nunca fui uma das suas vassalas. Fui simpática porque é de minha natureza e porque dividi o mesmo espaço que ele. Mas depois disso, não tenho qualquer obrigação, sem ser por minha natureza cordial. Não sou hipócrita, não vou perguntar como lhe está a correr a vida. Mesmo que a minha natureza seja essa - e é - no caso dele e de outros cá dentro, não são merecedores desse tipo de carinho. Sim, porque se trata de uma forma de mostrar carinho por alguém - perguntar como está. Nem isso quero saber.

O que é revelador, é a atitude da mais-velha. Para agir como agiu, mal me viu, é porque estava muito feliz. Provavelmente estava a "descascar" na minha pessoa nesse preciso momento. O "rei" deve ter sido contactado para dar continuidade a uma das suas principais anteriores funções: recrutar italianos-moradores. Se bem que é uma pessoa muito narcisista. A partir do momento em que deixa de ser um problema que o afecte, não vai perder muito tempo com isso. A menos que lhe seja fácil. Se for difícil, não se dá ao trabalho. Mas por maldade... fazem tudo.

Já escrevi muito. Mas apeteceu-me ir aos detalhes. Resta-me incluir que a minha reacção quando ela virou o telemóvel para mim e mostrou-me o rosto dele, outra forma de continuar a invadir o espaço, eu reagi assim:
"Quem é fulano?" "Olá, boa páscoa".

E foi só isso.
Fulano ainda pronunciou, com atraso considerável "Olá portuguesinha".

Lol.
Nunca usou o meu nome enquanto pode. Privou-me de vários olás cordiais enquanto cá esteve.
Agora pode enfiá-los todos num lugar que eu cá sei. AHAHAH.

Boa semana para todos.
E acreditem, estou bem.
Quero que estejam bem também.

Noutra ocasião, vou deixar-vos ideias com que possam se entreter enquanto se prolongar a quarentena. Forte abraço, obrigada e Força.




sexta-feira, 10 de abril de 2020

Desabafos durante a sexta-feira Santa


Ela escreveu no quadro da cozinha, sem apagar a provocação "All yours!" a mensagem: "Esta é a semana santa!". 

Coitada...
Teve de escrever para se lembrar. É natural, para alguém cujas atitudes nada têm de santas, é preciso que se recorde todos os dias o que é suposto ser o espírito de bondade da quadra. Pena que, para ela, aquilo que escreveu sejam meras palavras, de significado oco. É uma contradição do caraças. Ela, que sempre apagou todas as minhas mensagens carinhosas e ilustrações inoculas para substituí-las por provocações, não apagou o "All yours", um escrito provocatório, de conflito. Depois escreve a palavra Holy (santa, sagrado) e não entende que ali está escancarado pura hipocrisia. 


Pela casa estão espalhados ovos de chocolate, ao ponto de ocuparem toda a prateleira da lareira. A minha jarra, (a tal que foi a primeira vítima da hostilidade que com que eu venho a lidar desde que aqui cheguei) foi novamente removida do centro e colocada na extremidade. Meteram um pão enorme no seu lugar.

Estão a preparar-se para a Páscoa. Mas deixando de lado o espírito. Tal como no Natal, o convívio está a ser planeado, estão a armazenar mantimentos e já sabem tudo o que vão fazer para ter uma mesa farta e deliciosa, com tudo o que lhes fizer lembrar as saudosistas tradições. Esquecem completamente que a Páscoa é como o Natal. Uma época para ser generoso, bondoso, partilhar com todos a boa vontade, a amabilidade, etc. 

Puseram no lixo um produto alimentar que mantinha no frigorífico. Mesmo havendo espaço para este permanecer ali dentro. Sei que o tinha oferecido à rapariga antes de ter ido a Portugal. Mas quando regressei, ela havia colocado-o de volta na minha prateleira, sem o ter aberto. Um claro sinal de rejeição. Acabei por ser eu a abrir e a provar, pois nunca havia comido daquilo (wraps) e já a tinha visto a consumi-los. Anteontem voltei a servir-me de um, pois percebi que não deitam cheiro, não perecem. Usei-o como base e descobri uma maravilha: são óptimos como pratos. Fazem com que a comida aquecida em cima mantenha-se quente e mais saborosa, pois ficam os sabores a marinar. 

Meteram mais garrafas de vinho e incontáveis embalagens de queijos já abertos por toda a parte, apossando-se cada vez de mais espaço no frigorífico que é suposto ser, agora que um rapaz foi embora, só meu e da rapariga. Mas não é. Nem nunca foi. Também não sabem arrumar os mantimentos de forma organizada, são muito bagunçados e não se incomodam com a sujidade. Só da boca para fora e nas aparências. O frigorífico só é limpo quando julgam que pode ser visto pelo senhorio, que cá vem e gosta de armazenar a sua garrafa de leite. A rapariga com quem divido esse espaço, só o sujou (e bem, deixa-o cheio de salpicos e derrames de molho de soja, queijo e sei lá mais que nhacas). Mas quando trouxe a família inteira para cá ficar, subitamente a sua prateleira apareceu limpa e arrumadinha. 

Aparências. Só aparências.

Já se apossaram do armário da dispensa do rapaz que abandonou a casa, mas nem parece. Pois as áreas em comum estão cada vez mais atolhadas de mantimentos alimentares, como se não houvesse espaço apropriado para os armazenar. 

Entre este texto desci à cozinha e vi um novo escrito adicionado aos outros dela. Escrito em italiano está: "feliz páscoa para todos". 

E porque é mesmo para todos estes «sinceros» votos, escreveu-os em inglês, a língua comum. Ups! Não, não fez isso. Escreveu em italiano, porque "todos" apenas tem como recepiente quem é italiano. E por falar em italianos, adivinhem lá: se um abandonou a casa, quem é que vai entrar?

Outro italiano. Pois claro.
Mas ainda não me disseram nada. Nem eles, nem o senhorio, que ontem por cá andou e vai regressar. Ouvi um rabo de conversa. Como aliás, sempre acontece. O próprio senhorio, a sua presença aqui, nesta semana santa, não foi para, finalmente, vir substituir o autoclismo defeituoso. Ele apareceu para fazer isto que já podia ter feito muito antes, porque a sua principal intenção era falar com os italianos para que lhes arranjassem mais gente para ocupar dois dos seus quartos que viu agora ficarem vazios. Ele pode ser "bonzinho" ou aparentar ser em algumas situações. Mas no fundo, está sempre a pensar nele mesmo. E numa coisa eu sei que ele é irredutível: dinheiro. Não gosta de o perder, gosta de o ganhar. 

Se alguém sai das suas casas, ele quer encontrar outra pessoa para o espaço o mais rápido possível. Se der, até faz com que a renda do que sai e a renda de quem entra se sobreponham. Porque assim ganha mais.

E agora, meus amigos virtuais, vou às compras!
Ou vou tentar.
Mentalizar-me para a enorme fila que vou encontrar...

Abraço. E tenham uma óptima páscoa.
Isto aqui são só desabafos. Preciso os largar de vez em quando. Deixo-vos com uma estimada imagem de algo que todos nós estamos a precisar. Muito amor e harmonia para vocês. Fiquem bem.





   

domingo, 22 de março de 2020

Difamação de carácter


Depois de três turnos de trabalho em dois dias e com apenas três horas de sono, meti a chave à porta de casa. Girei mas a fechadura não cedeu. Isso acontece porque a porta já estava aberta. 

Ao entrar a italianada está toda na cozinha e sala, já que são comuns. E menciono: «a porta estava aberta».  Ainda gozaram, em italiano, claro. O trinco da porta só é activado quando se usa a chave, tirando isso, a porta de entrada funciona como uma porta comum do interior de uma casa. Tem um manípulo e basta pressionar para baixo que abre. Do lado de fora é um espaço aberto, suficiente para estacionarem dois carros. Não existe portão, vegetação, muro, nada que impeça ou desmotive alguém de se aproximar e tentar abrir a porta. O que já aconteceu, quando um homem o ano passado por esta altura de Abril, forçou os manípulos de ambas as portas que dão para a rua. Há uma outra, mas está selada, é toda de vidro, para deixar passar claridade. Quem vê não sabe qual das duas vai abrir e o desconhecido, um homem incorporado e forte, tentou as duas várias vezes.

E eles gozam. Mesmo que eu adicionasse esta história que já lhes mencionei à frase "a porta estava aberta", não ia fazer diferença no comportamento e atitude que sempre demonstram. O que fazem é desatar a difamar o meu carácter. A mais-gorda começou de imediato a contar a história (e é mesmo uma história, fabricada, como todas, a partir de um facto real mas com tudo o resto de mentira) da ocasião em que passei a corrente na porta e uma delas ao entrar, deparou-se com a corrente. Ora, o que aconteceu foi que eu estava sozinha em casa. A cada ruído vindo da porta, sentia um sobressalto e ia espreitar. Cansada de não poder sentir-me tranquila e por aquela altura, percebendo-me só, coloquei o trinco na porta e fiquei pelo jardim, que fica no lado oposto e não dá para escutar nada que venha da porta. Só assim pude realmente relaxar. De vez em quando, durante o dia, quando entrava na casa, espreitava caso escutasse algum ruído de alguém a vir. Mas de certeza que se viessem seria de noite e provavelmente, no dia seguinte - um Domingo. Tinha o sábado por minha conta. 

Quando anoiteceu ia para remover a corrente, não fosse alguém de casa aparecer. Mas por outro lado, também estava em casa e caso escutasse o ruido de alguém a aproximar-se, o que geralmente escuto porque a entrada fica debaixo da janela do meu quarto, podia remover a corrente num instante. Se não escutasse e alguém metesse a chave à porta, essa pessoa percebia que alguém no interior tinha passado a corrente e era só aguardar uns segundos, não é como se não pudesses entrar. 

A casa está em total silêncio e tranquilidade. Subo para o quarto e por volta das 23h recebo uma mensagem no grupo de chat da casa. Uma delas informa que vai trazer uma amiga para dormir na casa, e pergunta se "pode". Esta mensagem só aconteceu porque numa ocasião, cansada de deparar-me com tanto rosto desconhecido pela manhã na cozinha e de escutar ruidos a qualquer hora da noite e vozes de pessoas estranhas pela casa, que me impediam de descansar e sentir tranquila, decidi colocar a primeira mensagem no grupo pedindo que informassem todos quando alguém de fora viesse para ficar. Claro que, não gostaram. Mostraram-se logo hostis. A mensagem que ela enviou destinava-se apenas a mim, isso era claro. Mas ao colocá-la no grupo, estava também a destiná-la ao senhorio. Os outros, provavelmente, até já estavam a par da situação. Respondi. "Claro. Obrigado por avisares". E pensei: "vou tirar a corrente da porta".  Mas nisto retomo o que estava a fazer no telemóvel antes de receber a mensagem e, não demora mais do que cinco minutos, escuto barulho de malas a arrastar lá fora no pavimento e uma chave a ser enfiada na porta. 

É a colega que enviou a mensagem a perguntar se podia trazer uma amiga para dormir em casa. Mas que raio de pessoa "pede autorização" quando já está à porta prestes a entrar? A mensagem foi só para criar a aparência de pessoa decente e correta para os olhos do senhorio. Ao escutar o som, salto da cama a correr em direcção à porta. Desço as escadas rapidamente ainda a tempo de a ver fazer o movimento de abrir a porta e já a desculpar-me. "Espera, eu abro" - digo-lhe. E depois justifico-me: "Desculpa, coloquei a corrente na porta porque estava sozinha. Não estava a contar que entrasses agora, acabaste de enviar aquela mensagem!". "Eu vinha já tirar isto, assim que li a tua mensagem, mas não contava que estivesses à porta".  "Sorry, sorry, sorry" - continuei. 

"Não faz mal" - diz ela, mas com cara de poucos amigos.
E quando relata este episódio aos de casa, remove todos os detalhes e maldiz-me, dizendo que não é uma atitude boa a que tive, criticando-me em mais aspectos só por prazer e fel. Porra, foi só um trinco! Prefiro ter uma história de uma porta que alguém trancou mas que dava para abrir, do que 50 casos em que encontro a porta da rua destrancada, possibilitando que qualquer um dos muitos bêbados e drogados que passam por esta rua possa entrar - que é por volta do número correcto de vezes que encontrei a porta nesse estado. 

Facto: Pessoas de mau carácter irão sempre procurar qualquer oportunidade para te difamar. 

E então foi esta história que a italianada trouxe à baila para me gozarem um pouco mais, quando entrei em casa e mencionei a porta destrancada. Todos os quatro, ali na cavaqueira e nas risadas, a falar italiano tendo o cuidado de usar um pouco um dialecto menos perceptível, já que uma vez eles perceberam que não é tão difícil assim para mim de os entender quando lhes perguntei na cara se estavam a falar do tapete na casa de banho.

Ainda gozaram mais, dizendo que eu podia ir ao Google translator. 

Temer o Covid?
Não. Subitamente esta doença e ameaça terrível parece-me mais inofensiva que a malícia e pobreza de carácter que encontrei nos italianos.


Próximos assuntos relacionados que poderei vir a abordar:
A hostilidade através do quadro
Desapareceu a colher
A postura que tive com o primeiro italiano com quem partilhei casa e a "paga" que recebo - o conceito de matilha - do mais forte e do mais fraco. 
Quando tinhas 20 anos em partilha no UK e os 40 tões que agem com a malícia da imaturidade juvenil.
A profissão e reputação que se tem e o que realmente se é (ligar à do quadro) E ele, que entendeu de imediato.