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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Karma



Se eu acreditar em Karma, então tenho de pensar que o que recebo é "paga" de algo que fiz.

Comecei o ano mal: desempregada (foi-se o part-time) e doente. Tenho estado em recuperação, a ter cuidado com o que ingiro porque o intestino entrou no novo ano em plena revolução.


Ando a arroz e caldo de arroz.
Melhorei esta noite.

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Numa outra nota, vou aproveitar e fazer um desvio de tema. Somos uns sortudos em Portugal por termos a água potável que nos sai pela torneira. Sei que não é, infelizmente, em todos os locais de Portugal. Até mesmo em algumas freguesias de Lisboa a água da torneira é um perigo de ser consumida. Mas aqui é - no meu entender - ainda pior. Porque à boa maneira inglesa, ninguém dá certezas de nada. Supostamente a água pode ser bebida, mas todos acham melhor não o fazer. Certezas, certezas, ninguém as tem. 

Saudade de saber que posso abrir a torneira e beber a água que contém.
E saudade também dos garrafões de água de 5 Litros. Tão abundantes nos supermercados em Portugal, incrivelmente escassos por aqui. Para se ficar com uma noção, em todos as superfícies comerciais da zona, só uma disponibiliza água nessa quantidade na sua marca branca. Mas é tão raro vê-la nas prateleiras, tão raro, que não consigo comprar uma faz mais de um mês.

E enquanto a água engarrafada em portugal é barata, aqui não é tanto. Consegue-se ver nos supermercados garrafas de meio litro com água à venda por mais de duas libras. Supostamente água XPTO... vê-se também muita água com sabor a "fruta" (que tem quilos de açucar). Mas água simples, só água, o mais barato que se encontra são garrafas de litro e meio por cinquenta cêntimos. As de 200ml são acima de uma libra. 

Espero que os interesses económicos não estraguem o que Portugal tem de bom e que a proprietária da EPAL não estrague o que de bom a empresa tem.

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Desvio feito, se o Karma existe, gostava mesmo de saber quais os pecados que muitas pessoas a viver vidas difíceis estão a pagar. Deve ser algo de vidas passadas, só pode. Porque nesta... 

Tenho de interpretar este "Karma" não como o resultado de acções tomadas, mas como outra coisa totalmente diferente. É como um loop. Este "Karma" é como ter aquele professor que teima que o aluno tem de aprender a lição como ele a está a ensinar. E não há cá outros métodos. E como a lição nunca gere a reação que o professor pretende arrancar do aluno, é dada até à exaustão. Até o aluno fazer o que o adulto quer ou vergar e quebrar.

Pode a vida me ter dado um mau professor?



quinta-feira, 11 de junho de 2015

VALE TUDO


Uma vez tirei um curso. Quando recebi o certificado final fiquei surpresa por não existir uma quantificação de aproveitamento. O documento apenas dizia "frequentou com proveito".

Escolas inflacionam avaliação interna de alunos para melhorar a sua posição no ranking nacional

Desprezo a forma tradicional de avaliação, que quantifica as aptidões de um aluno de 0 a 20. Isso é mais importante do que formá-los e perceber se assimilaram algo. Nunca fui má aluna, cheguei a ter notas elevadas, portanto não é por esse motivo que discordo.
Simplesmente sempre me pareceu uma falácia. Nunca me pareceu correto, nunca achei que correspondia o valor à pessoa - uns ficavam com notas bastante insufladas, sabendo eu que nada sabiam da matéria. Por vezes, nem mesmo sabiam que matéria era, mas lhes agradava a sobreavaliação. Outros com notas mais baixas, só pelo empenho genuíno em assimilar a matéria, deviam ter tido melhor avaliação. Uma coisa sei e ninguém me tira da cabeça: as avaliações não batem com a verdade.

Nunca fui das que está sempre a reclamar das notas baixas que teve e exige revisão. Voltei aos bancos de escola recentemente, por isso sei que a nota baixa ainda faz muitos alunos - negando sempre que esse é o motivo da revolta - barafustarem o seu descontentamento. A colega que teve uma nota baixa foi a que falou na aula, meses depois a que teve a nota mais baixa foi também quem falou na aula e se manifestou contra a forma de avaliar... Mas me pergunto se o sentimento se mantém aquando a última avaliação, em que teve 19. Se merece? Não. Provavelmente nem mereceu o 10 nem o 19 que teve. Certamente não tem qualificações para uma nota quase perfeita, irrepreensível que é o 19. E se calhar esforçou-me um pouco mais para ter apenas um 10. 

E porquê teve notas tão diferentes? Porque a primeira avaliação partiu de um meio muito exigente, que dificilmente atribui um 13 como nota. E a segunda partiu de um meio de facilitismo, onde facilmente se atribui notas altas. Entre cinco etapas de avaliação, os estudantes calculistas, que conheciam e falaram com ex-alunos ao ponto de saberem que exames e trabalhos lhes iam ser propostos, procuraram também ir parar nas mãos daqueles que dão as notas mais elevadas. Foram também «assessorados» com ajuda externa, procurando ter os trabalhos supervisionados por entendidos na matéria.

Como pode uma avaliação quantitativa alguma vez ser JUSTA, se tudo é tão relativo como acertar no euromilhões? As pessoas com notas mais altas no final do curso, não é por acaso que passaram pelas mãos das pessoas mais generosas a avaliar. E as que tiveram notas mais baixas, não é por acaso que não passaram por nenhum de um dos dois lugares onde as notas mais altas foram atribuídas. 


No meu tempo chamariam a isto batota. Agora parece que é ser-se uma pessoa de recursos. Seja como for, não é a única coisa no meu tempo que estava errada. Dizia-se então que este tipo de aluno «não ia longe», porque na vida real ninguém iria ajudá-lo depois. Está errado. O carisma e a lábia sempre levou o incompetente muito longe. O que vejo é os certinhos no fundo do poço e os que sempre foram de «recursos» chegar para além do mérito. 

ERRADO.

Tudo errado. 
Sempre errado. 


Não só pessoas assim podem continuar a ser «levadas ao colo» por outras, como isso lhes permite, no processo, aprender «alguma coisa» e, com mais tempo do que aquele que é atribuído às pessoas de menor recursos, a quem as portas logo se fecham, os «safadinhos» acabar por adquirir algum saber no decorrer da prática conquistada com pouco mérito.

E só me apetece é deixá-los com isto. Resume tudo. Afinal o mundo está para Maria de Fátimas e ponto final. 















 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Geração RASCA ?

Uma notícia sobre oportunidades de emprego para jovens que passou hoje no telejornal fez-me recuar no tempo, até aos anos 90, quando na qualidade de estudante me abordaram para aderir à greve de protesto contra a introdução de uma nova medida da Ministra da Educação. A revolta era ainda maior por muitos se terem sentido ofendidos por terem sido apelidados pela imprensa de "GERAÇÃO RASCA". Palavras que já não recordo se foram aproveitadas por algum político... A revolta não tardou mas de pouco adiantou. Recuei até esse dia e voltei ao presente, consciente do meu percurso como se tivesse visto um filme. 

Eu, tal como todos desta geração, passámos por todas as mudanças que o Ministério da Educação introduziu no sistema de ensino para acesso ao ensino superior. Surgiram provas globais, surgiram cursos tecnológicos, surgiu a avaliação bi-partidária, em que a média de conclusão final era calculada a partir da nota tirada nas provas Globais com a média dos três anos de secundário, ambas com uma percentagem diferente de influência para a nota final. Lembro que o primeiro resultado global desta medida foi desastroso, alunos de notas médias ou altas chumbavam nas globais, o que fez o Ministério de Educação ter de ajustar os cálculos mediante os resultados obtidos.

Uma vez na universidade surgiram as propinas. Entrei no curso que quis, para o qual tive de fazer provas globais a disciplinas que inclusive nunca havia tido só para ter hipóteses de me candidatar com mais do que a média de Português com Matemática, uma mistura nem sempre vantajosa. Inicialmente o curso qualificava com o grau de bacharelato mas os anos de estudos acabaram por se alongar, não por ter reprovado, mas por uma nova medida ter permitido que aos bacharelatos pudessem se adicionar 2 anos extra para se obter o nível de licenciatura. Por essa altura já estava tão cansada de estudar, que me considerava uma profissional. Mas lá tirei a licenciatura, investindo no total 5 anos da minha jovem vida para obter um curso superior. 

Terminada a fase do estudo, é altura de ingressar no mercado de trabalho, do qual já fazia uma boa ideia de como funcionava, tanto por ter mantido contacto com o meio enquanto estudante, como pela quantidade de conhecimentos que absorvia por meu próprio interesse. E essa introdução inicia-se, obviamente, com ESTÁGIOS.

Fui fazer um estágio deplorável, sobre o qual até já falei aqui pelo que não me vou alongar. Já tinha prática na área por colaborar noutras empresas sem ordenado, mas fui de mente e coração aberto abraçar aquela nova etapa da minha vida. A universidade não tinha protocolos, mal sabia o que estava a fazer, não soube designar um orientador de estágio e ainda sofri ameaças por parte do director de curso por ter escolhido encontrar o meu próprio estágio dentro da área do curso e não me ter sujeitado aos por ele encontrados, fora da área. Terminado esse estágio curricular e não renumerado, que hoje sei que me mostrou o pior que existe em muitos locais de trabalho por este país a fora, obtive logo outro, numa entidade do estado, também não remunerado. Mas o desperdicei devido à pressão que o outro ainda estava a exercer sobre mim. Daí fui para o desemprego. Enquanto procurava e enviava curriculos, arranjei um part-time, tirei cursos, muitos cursos dentro da minha área de interesse, que paguei do meu bolso, mas a confiança e a esperança, essas é que ficaram com mossas. Pesava sobre a minha cabeça uma grande espada: a idade. A idade estava a avançar e por alguns lugares já escutava isso... Parecia que por todo o lado onde ouvisse uma conversa, todos me diziam que aos 25, 26 anos era já algo «velha» para iniciar a sério uma vida profissional nas minhas áreas de interesse. Percebi que as oportunidades eram «lixadas». Os anúncios de ofertas de trabalho pediam candidatos com licenciatura, dois anos de experiência e idades que iam apenas até os 20 ou 24 anos. Parecia que tudo conspirava e todos apontavam o absurdo das condições de empregabilidade. Como pode um indivíduo estudar a VIDA TODA, terminar o secundário, acrescentar CINCO ANOS de licenciatura, fazer mais uns tantos de estágio e ainda ser tão JOVEM?

Nunca mais esqueci o que uma vez ouvi num rádio: alguém acusava o governo de estar a enganar os estudantes, alongando os anos de estudo, pedindo e dando subsídios, criando estágios, cursos de formação e programas que visavam adiar a entrada dos estudantes no mercado de trabalho, para que não se percebesse os níveis reais de desemprego do país, para esconderem a gravidade da situação da comunidade Europeia. 

Os jovens estudantes de 90 foram vivendo de ilusões, promessas e aparências, seguindo as regras, iludidos pelo próprio governo. E agora aqui estamos: esta geração RASCA, foi é ENRASCADA pelas medidas evasivas do governo. Tramaram esta geração e comprometeram as gerações que lhe seguiram. 

É bom ouvir que podem surgir novas medidas de empregabilidade para jovens licenciados até os 25 anos ou que acabaram de perder o emprego. É bom mas também é mau. Estou a ouvir o mesmo desde que era eu essa «jovem licenciada», ainda me sinto um pouco nessa posição e agora constato que o tempo passou, pelos vistos não sou mais, e lá estão outros no mesmo lugar... 

Se a geração RASCA ainda não foi "agraciada" pelas promessas de "oportunidades para jovens licenciados" e muitos ainda continuam na «luta» por oportunidades e pela estabilidade no mercado de trabalho, só constato que o tempo passou e outra geração chegou sem que a anterior tivesse abandonado o barco. Estão assim, DUAS gerações, a RASCA e a À RASCA, acumulam-se no final da linha, sem ter para onde fugir. Como entulho trazido pelas ondas do mar preso numa enseada. Isto cheira a ilusão, a promessa oca e que só fica a pairar no ar. 

terça-feira, 19 de maio de 2009

Professora de Psicologia

Hoje vi nas notícias o comportamento indigno de uma professora de história, com alunos de 12 e 13 anos. A mulher, que na gravação disse ter um filho da idade dos seus alunos (coitado do miúdo!), não leccionava nada nas aulas. Limitava-se a intimidar, insultar e criar um clima de terror na sala. Toda a conversa que tinha, ia dar a sexo. Falou de "cuequinhas molhadas", beijos de "linguado", romanos a fornicar mulheres...
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Fiquei-lhe cá com um pó! Se tivesse um filho ali, eu, que sou tão calminha, se me apanhassem no calor do momento...
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Este triste caso da professora maluca que dá cabo da sanidade mental dos alunos, fez-me recordar alguns episódios do meu percurso escolar. Também tive uma parecida a esta, no sentido em que ia para ali mas não dava matéria. Limitava-se a falar de si, do seu corpo bem conservado para a idade de 40 anos, que nem parecia ter um filho da nossa idade (18 e 20), e mostrava-nos o sotien e a mini-saia, enquanto falava das suas pernas...
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Fique claro que esta professora do noticiário, tal como a minha, estava a falar de si. Dos seus desejos, das suas taras. Mas a descarregar nos miúdos, cuja juventude decerto inveja.
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Este tipo de pessoas dispensam-se bem do convívio diário. Pobres miúdos! Deviam ser indeminizados. Lembro que o que mais me indignou na minha professora (de psicologia) foi o último comportamento que teve para comigo. No final do ano, no fim das 2 horas de prova global. Eu ia a sair da sala e ela, que se encontrava na porta do lado de fora a seduzir com falinhas mansas um professor, à minha passagem fez um comentário onde dava a entender que se preocupava:
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-"Então, correu bem o teste? Tenho a certeza que sim, conheço a XXXX muito bem".
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Ia para lhe responder, mas depois, talvez devido ao cansaço, limitei-me a sorrir e a afastar-me.
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- Você não me conhece, a maior parte das vezes nem sabe o meu nome. Só me dirigiu a palavra a fingir simpatia para impressionar o homem com quem está a falar" - algo assim quase quase saiu da minha boca, de forma muito espontânea. Mas antes de sair, algo o travou. Teria sido um comentário tão genuíno e inesperado, que a teria deixado atónita e sem palavras. E teria a desmascarado, ao mesmo tempo que dava a entender que não era estúpida. Ela bem o merecia. Mas calei-me, como, aliás, sempre o fiz e também sempre o fizeram estes alunos do noticiário. Até que os tempos e a tecnologia (de que eu não dispunha) deram uma ajudinha...
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Bem feito! Que criaturazinha detestável, esta «stôra»!
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Ainda hoje sinto repulsa só de pensar que o último gesto da minha professora para comigo, foi o de me usar para seduzir um homem. Mete-me nojo. Ela queria lá saber de mim! Estava a falar para ele. Quase a desmascarei. Mas poupei-a... não recomendo.